Últimas indefectivações

sábado, 28 de abril de 2012

Só mais uma !!!


Benfica 3 - 1 Sp. Espinho
25-21, 25-18, 22-25, 25-18

Bom jogo de Voleibol, muita intensidade, muita luta, muitos mergulhos, boas jogadas... O Benfica entrou forte no 1º Set, ganhou uma vantagem enorme, mas teve quase a desperdiçar tudo!!! Aliás nos três Set's que o Benfica ganhou a história foi quase sempre a mesma: grande vantagem do Benfica, desoncentração do Benfica, oferecendo pontos ao adversário, mas quando o Espinho pensava que estava novamente na discussão do Set, o Benfica voltava a 'abrir' vantagem!!! Se no 2º Set o período de desconcentração 'nasceu' de um erro da equipa de arbitragem, nas outras vezes foi 'culpa' do Benfica... Em Espinho o Benfica não pode ter este tipo de 'brancas'...
Neste estranho formato de Campeonato o Benfica está somente a uma vitória do tão desejado título, merecido por toda a secção... Poderá acontecer já na próxima Terça-feira, ou poderá ser uns dias depois na Luz... uma festa em casa teria outro 'impacto', mas eu não sou esquisito (e o coração não precisa de mais sustos!!!), portanto vamos lá acabar a época, em beleza, na Terça...!!!

Manter a 'onda' !!!

Benfica 3 - 2 Física

Jogo complicado, contra uma equipa organizada, bem orientada pelo nosso Vítor Fortunato, que defende bem, mas que a atacar, não é tão boa... O Benfica desbloqueou o jogo, chegou aos 3-0, pelo meio o guarda-redes contrário ia sendo o melhor em campo (como é habitual), mas um contra-ataque já perto do fim, deu o primeiro golo à Física, os de Torres Vedras acreditaram, e não fosse o nosso Ricardo Silva a defender um livre directo e um penalty nos últimos 2 minutos, o resultado podia ser outro... Este foi talvez o jogo menos 'dominador' do Benfica nos últimos tempos, o calendário até final da época vai ser carregado, é preciso ganhar 'gás'!!!
Este último penalty marcado contra o Benfica foi ridículo (como é habitual), já a meio da semana para a Taça, com o Candelária, um jogo que estava controlado, ficou muito complicado com várias decisões absurdas dos apitadeiros... Isto só prova que nada está ganho, o Benfica é melhor, isso já sabemos, mas isso não é suficiente, só um grande Benfica durante todos os segundos, pode almejar títulos...!!!

Juniores - Fase Final - 13ª jornada

Rudinilson aka Rudy

Benfica 2 - 0 Leiria

Voltámos a desperdiçar golos feitos em catadupa, em Braga isso poderá ser fatal...
Com a vitória dos Lagartos no antro Corrupto, a margem de erro não existe, o Benfica vai a Braga e o Sporting vai à Choupana, ambos são campos difíceis Na última jornada tanto o Benfica como o Sporting têm jogos 'fáceis', portanto para o Benfica o Campeonato será decidido em Braga. Sem aquele golo anulado ao Cafú no último minutos no jogo no Seixal com os Lagartos, já estávamos com um pé no título, assim vamos ter sofrer até ao fim... Mas estamos em vantagem... Esta equipa merece este título, algo que a meio da época parecia impossível.

Benfica......27
Sporting......26
Braga..........23
Corruptos...21
(...)

Sem margem de erro


Benfica 76 - 78 Lusitânia
23-18, 16-22, 25-17, 12-21

O jogo até começou bem, com uma boa percentagem ofensiva... depois da vantagem confortável já no 3º período, nada fazia prever o 'bloqueio' no último período... Perder um jogo que esteve ganho é ainda mais frustrante... Não percebi a utilização do Carreira, que entrou muito bem e nunca mais foi utilizado...
Temos que ganhar amanhã...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Palhaço soltou o General

"O General voltou. Já ninguém se lembrava dele e, de repente, ei-lo que regressa às páginas dos jornais. Saiu à rua num dia triste no qual o cheiro a podre tomou conta da atmosfera deste País sem futuro. É dia de festa!, ladram alguns. O General está menos estático e mais decrépito. Os anos passaram sobre a sua figura macabra de cadoz - barba desleixada e mal semeada - arredia de princípios e dignidade. Não sei se mete pena se mete nojo. O General não tem comando, é apenas um peão. De há muito tempo a esta parte que passou a ser um boneco articulado nas mãos do Palhaço. De tempos a tempos, quase de anos a anos, o Palhaço solta o General. E, tilintando de medalhas feitas de caricas de garrafa, o General avança em passo de ganso num ridículo quase prussiano. E fala. E General fala!
É bem possível que nem todos acreditem que ele fala já que o seu rosnar é imperceptível. As palavras sem-lhe a custo e com um sotaque rústico, quase demente. Mas são palavras de elogio. O General gosta de corruptos, de trafulhas, de mentirosos e de ladrões. Gosta, portanto do Palhaço. O Palhaço é o seu mentor. Consta que, em tempos que lá vão, o apresentou a um comendador rico disposto a patrocinar as ambições do General. E o General tornou-se o ditador grotesco de um país ridículo. Com o Palhaço por cima, sempre por cima. O General anda por aí outra vez, comemorando, de chapéu de papel de jornal na cabeça, o aniversário corrupto da corte do Palhaço. Então felizes, um e outro. Revolvem-se na lama porca das canalhices do Palhaço. Retouçam como leitões de mama na imundície de um terreiro infecto. É esse o seu mundo. E, quando a noite cai, o Palhaço estende-se num colchão de palha no qual se multiplicam as pulgas e o General, obediente, chocalha as medalhas enquanto dá uma volta sobre si mesmo e se enrola submisso aos pés do dono."

Afonso de Melo, O Benfica

Desconfiado me confesso

"Desconfio da isenção da justiça portuguesa e não confio nos órgãos que tutelam a justiça desportiva. Sempre que a justiça julga, a justiça é julgada. O julgamento que a opinião pública faz da justiça desportiva é mau, é péssimo.
Quando há agentes desportivos (dirigentes, árbitros, futebolistas…) que fazem do atropelo à verdade uma prática corrente e louvada, a responsabilidade é de uma justiça permissiva, conivente e que se esconde em emaranhados legais para, envergonhadamente, continuar a permitir a prática do crime. Deste modo, a permissividade acaba por ser um incentivo.
Desconfio e não confio nos próprios órgãos de tutela política. Chega a ser indecoroso ver o beija-mão a que o poder político se sujeita perante agentes desportivos de conduta aparentemente duvidosa e realmente criminosa. Pior do que os actos públicos de lavagem da imagem é a tentativa de, com o passar do tempo, conduzir gente espúria aos altares das capelinhas. Lavando a imagem na barra do tribunal, fazem um estranho percurso entre o lupanar e o altar. E lá vão ficando, ora um ora outro, os “santos de ocasião” com pés de barro e mãos sujas, colocados no altar por diligentes e temerosos fiéis que escarram na coisa pública que juraram defender.
E assim, na perpétua beatificação da atitude criminosa, vamos observando atónitos à multiplicação de actos criminosos no futebol português. Para que o descrédito seja completo, só falta o dia em que se crie um Tribunal Arbitral do Desporto em Portugal com juízes escolhidos e indicados pelos mesmos que serão julgados."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

40 mil

"Éramos 40 mil, sábado da semana passada, na Catedral, a apoiar a equipa do Benfica que goleou o Marítimo, na primeira das quatro finais até ao termo do Campeonato. A equipa fez o que se lhe exigia, ganhou e bem. O Benfica não depende apenas de si para vencer o Campeonato: depende que outros escorreguem e que o Sistema os deixe escorregar. Mas o Benfica só tem que pensar em si e ganhar. Foi o que fez.
Entretanto, surgiu no caminho do Benfica, coincidindo com as últimas vitórias da equipa de Futebol, uma encenação de contestação. Poderia passar tudo ao lado da marcha das competições, das modalidades, da imensa actividade desportiva e social de uma associação que é muito mais que um Clube de Futebol.
Acontece que a provocação excedeu as marcas e, aproveitando um jogo do Campeonato, quebrou o silêncio que manteve nos momentos dos golos do Benfica para insultar dirigentes eleitos. Penso que terão ficado esclarecidos sobre o que é e quem é o Benfica, quando os insultos foram abafados pelos 40 mil adeptos que apoiavam a equipa.
O Benfica é uma imensa sociedade de simpatizantes, adeptos e sócios que comungam os ideais do Clube: vencer, defender a Verdade Desportiva, elevar o nível do Desporto, fazer história, apoiar a colectividade como ramo solidário para um País e um Mundo melhores.
Mas claro que o Benfica é também o maior activo do negócio do Futebol em Portugal. Futebol, com ou sem o Benfica, é a diferença entre o sucesso ou o fracasso do negócio. E, em ano de eleições e de grandes decisões o Benfica é um alvo de inconfessáveis apetites.
Quanto aos 40 mil que estavam na Luz, como certamente a grande Família Benfiquista, só querem ajudar o Benfica e viver com o Clube a alegria das vitórias."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Vitória da equipa. Derrota das Claques

"1. Exibição agradável e vitória folgada frente ao Marítimo. O título continua longe, mas o 2.º lugar ficou mais perto. Há que continuar a ganhar. E a apoiar a equipa quando ela mais precisa. Infelizmente, as nossas claques resolveram estar caladas durante toda a 1.ª parte. Por muitas razões que tivessem 'jogaram' contra o Clube a que dizem pertencer até morrer. Desta vez, a equipa esteve muito melhor que as claques. Quando começaram a apoiar, no início da 2.ª parte, mereceram os assobios que ouviram.
2. O Benfica sempre foi um Clube democrático e em Outubro teremos eleições. Mas parece que a campanha eleitoral já começou... e da pior forma. Que eu saiba, um presidente não mete golos, quanto muito dá condições para que eles sejam possíveis e ajudem a ganhar Campeonatos.
E, para além de um grande Estádio e de um óptimo Centro de Treinos, o actual presidente contratou excelentes jogadores e um treinador que há dois anos todos idolatravam. Apoiemos as nossas equipas e deixemos as campanhas para quando houver candidatos.
3. É raro mas por vezes acontece: jogos à tarde. Foi o caso do Benfica-Marítimo. Porquê? Porque às 19.00 horas a Sport TV transmitia o Barcelona-Real Madrid e ainda havia para jogar (e transmitir) o jogo do FC Porto. Infelizmente quem manda é a TV...
4. Pinto da Costa completou 30 anos como presidente do FC Porto. Jornais houve (Jornal de Notícias, Record) que lhe dedicaram páginas de elogios e nem uma referência fizeram ao Apito Dourado. Lamentável. Até dá a ideia de que tudo foi limpo. E, afinal, foram 30 anos de corrupção (as escutas podem não valer como prova mas não deixam dúvidas), de pressões, de 'guerras' norte-sul, de um ambiente que tanto lesou o Futebol português. Pelos vistos, para aqueles dois jornais, nada disso existiu. Foi tudo exemplar...
5. Era, certamente, o jogo mais importante do Sporting em casa, nos últimos anos, aquele que disputou com o Atlético de Bilbau. Teve pouco mais de 37 mil espectadores, 4 mil dos quais espanhóis. A dimensão dos clubes também se vê assim..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tetra - Campeã Europeia !!!


A nossa menina mais uma vez não nos deixou mal... Pela 4ª vez a Telma Monteiro sagrou-se Campeã Europeia de Judo (2006, 2007, 2009, 2012).
Foi lá para os lados dos Urais, em Chelyabinsk na Rússia, perto do Cazaquistão, que a Telma após derrotar uma Turca, uma Russa, uma Húngara, e uma Francesa chegou à final da competição... e numa final 'à Troika', lá venceu a adversária Grega!!!
Após 'subir' uma categoria (de peso), após mudanças importantes nas regras dos combates (que proibiram a utilização das técnicas mais usadas pela Telma), após algumas lesões dolorosas, a Telma continua a vencer e a convencer... depois de nesta época, em Paris, ter derrotado as suas principais adversárias a nível Mundial (as Japonesas), agora foi a vez de dominar a nível Europeu... é verdade que no passado em algumas grandes competições a Telma ficou aquém das expectativas, mas hoje, com mais experiência, acredito que neste ano Olímpico o destino da nossa Telma, será o de ganhar a única medalha de ouro que ainda lhe falta... Muitos Parabéns...

A eterna questão das cadeiras

"O Benfica, tal como outros grandes clubes, não tem potencial para discutir, ao mesmo tempo, Liga e ambicionar 'meias' e finais europeias

NO Sábado passado, na Luz, houve protestos pintados nas paredes do Estádio. O visado foi o presidente do clube, Luís Filipe Vieira que vai entrar, não tarda nada, em pré-temporada eleitoral. E sabendo que há pintores-anarquistas activos na casa e com uma sebenta inteira anotada com frases suas tiradas de antigas entrevistas.
A verdade é que há muitos benfiquistas zangados com a entrega do título ao FC Porto depois de desbaratada uma vantagem de 5 pontos. E 5 pontos, nestas coisas, é muito ponto.
Nem todos, felizmente, optaram por exprimir o seu desagrado correndo ao estádio, à noitinha, para pintar frases nos muros da Luz, o que está mal, é lesa-património. Se assim tivesse acontecido, tinham-se esgotado os sprays de tinta em Lisboa e arredores e não haveria uma nesguinha de parede livre.
A perda deste campeonato foi muito dolorosa para a nação benfiquista porque, para além do tal avanço já referido e rapidamente esbanjado, dificilmente se convencem os adeptos encarnados de que o FC Porto de Vítor Pereira - sim, de Vítor Pereira! - alguma vez jogou melhor no decorrer da temporada do que o Benfica de Jorge Jesus, com o Emerson e tudo.
Na procura de razões é sempre imperioso apontar culpados. E agora, com o campeonato a chegar ao fim e com o FC Porto à beira de celebrar, aperta-se o cerco aos culpados. É quase sempre assim, Vieira conhece bem a extensão do desapontamento geral nas horas amargas. Mas este ano é pior porque o Benfica teve o campeonato na mão e não teve estofo de campeão.
Entre a derrota em Guimarães e a derrota com o FC Porto, na Luz, foi declarado por unanimidade que a culpa era dos árbitros. Para esta conclusão muito contribuiu, e de forma espampanante, o golo de Maicon, em posição ilegal, que deu a vitória aos actuais futuros campeões nacionais.
Com a derrota em Alvalade, os árbitros foram suplantados em culpa, e às toneladas de culpa, primeiro pelo treinador e, logo a seguir, pelo presidente. Ambos se devem sentir bastante injustiçados nestas liças ideológicas com os adeptos, as suas exigências e, sobretudo, com as suas fantasias.
O problema aqui é precisamente esse: a fantasia. Mas ninguém de bom senso culpará o presidente e o treinador do Benfica por não terem avisado logo em julho, quando a temporada começou, que o Benfica, tal como outros grandes clubes Europeus, não tem potencial desportivo nem mental nem estratégico para discutir, ao mesmo tempo, o seu campeonato nacional e ainda ambicionar meias-finais e finais de taças europeias.
Aliás, a única equipa da Europa que o consegue fazer é o Real Madrid que vai ser campeão em Espanha mas soçobrou nas grandes penalidades do jogo de ontem. Todos os outros pagaram muito caro nas suas provas internas a ousadia de chegar às meias-finais e à final da Liga dos Campeões.
O Bayern de Munique, justíssimo finalista da Liga dos Campeões, perdeu na semana passada o campeonato para o Borussia de Dortmund. E quanto ao outro finalista, o Chelsea, goza porque se pode dar ao luxo de chegar à final de Munique descansadíssimo visto que, em Inglaterra, já perdeu o campeonato em Dezembro e nunca teve de lutar a mil por cento nas duas provas.
Até na Liga Europa, embora a um nível mais baixo, acontece o mesmo: os quatro semifinalistas nunca no decorrer da temporada se viram envolvidos na discussão pelo título dos respectivos países. E, como exemplo final, só quando foi eliminado desta prova conseguiu o FC Porto encarreirar-se com eficácia no campeonato português.
Reza a lenda que dizia Bela Gutman: «Não há rabo para duas cadeiras.»
Há que dar a justa medida às ditas cadeiras.
Prometer não vale. Escrever na paredes, também não. Num clube com grandiosa tradição democrática não é a coberto da noite que se deixam lamentos.

HOUVE um tempo em que o hóquei em patins tinha maior peso na vida desportiva nacional do que hoje tem. Um tempo em que os jogadores de hóquei em patins eram figuras de uma imensa popularidade, quase rivalizando com os jogadores de futebol em termos de atenção da imprensa. O fenómeno foi-se esboroando com o tempo. A culpa foi, dizem os especialistas, do aparecimento da televisão que matou o hóquei que era, essencialmente, um desporto incensado e favorecido pela rádio.
José Leste começou a jogar hóquei em patins em 1973, um ano antes da revolução de Abril de 1974, numa época já distante dos anos gloriosos de Jesus Correia, Emídio Pinto e companhia, mas ainda numa época em que um Portugal-Espanha sobre rodas, fosse a sério fosse a brincar, fazia sempre agitar de frémito o nosso país e o país vizinho entregues às suas melancólicas e ancestrais rivalidades no ringue.
O primeiro clube que Leste defendeu foi a Associação Juventude Salesiana. Leste era um artista. Jogador de repentes, com um jogo cheio de fantasia, esquerdino, goleador surpreendente. Foram estes atributos que levaram o Benfica a contratá-lo mas seria no Sporting que faria a parte mais interessante da sua carreira. Leste foi chamado à selecção nacional por 68 vezes, 14 como júnior e 54 como sénior. Como sénior, jogou em Europeus e Mundiais que modo algum sorriram a Portugal mas, em 1982, fez parte da sensacional equipa nacional de hóquei em patins que conquistou, em Barcelona, título mundial que já escapava há três edições da prova.
Leste, a par de Cristiano, Ramalhete e de Xana, foi uma das figuras maiores dessa saga vitoriosa de 1982 e que terminou com uma vitória sobre a Espanha, «por supuesto», por 5-3. E foi também o melhor marcador do torneio com 39 golos.
Torna-se cada vez mais difícil explicar às gerações mais novas os fundamentos da doentia rivalidade que dilacerou durante algumas décadas a Península Ibérica por causa do hóquei em patins. É um facto que essa rivalidade sem freio com os espanhóis foi incutida nos programas escolares do Estado Novo com a sacralização da batalha de Aljubarrota e viria a culminar, muitos séculos mais tarde, em popularíssimas disputas sobre rodas à mais alta velocidade e em ambientes de fervorosos contextos patrióticos.
Quando era jornalista desta casa, fui mandada fazer a cobertura de um Europeu de hóquei em patins, em Barcelos, no ano de 1985, que terminou com uma derrota das nossas patinantes quinas frente à espanholada. E que terminou também com os jogadores espanhóis a abrigarem-se dentro das duas diminutas balizas do ringue para escaparem ao arremesso de projecteis de um público lusitanamente inconformado.
Tudo isto foi há muito tempo. Actualmente é complicado explicar a genuinidade destes sentimentos aos mais novos, aos que não foram criados neste ambiente de rivalidade histórica e desportiva com os vizinhos do lado. O mundo mudou, felizmente.
E o mundo mudou tanto, entretanto, que já é possível a este jornal produzir e pôr a circular uma primeira página como a do jornal do último sábado, com toda a manchete graficamente ocupada pela antecipação do Barcelona-Real Madrid em desprimor  da antecipação dos jogos do Benfica e do FC Porto que se jogaram no mesmo dia e que foram referenciados em dois quadradinhos a uma coluna de largo.
Noutros tempos isto seria um absurdo e um escândalo tal que poderia até levar ao encerramento do jornal e ao internamento do director. Assim não aconteceu no sábado. E nem sequer houve a registar protestos dos benfiquistas ou dos portistas contra A BOLA por os jogos dos seus respectivos clubes merecerem tão diminuta atenção perante o colossal clássico espanhol.
Antes pelo contrário, houve uma concordância total do público com o critério editorial de A BOLA. No Estádio da Luz, dez minutos antes do Benfica-Marítimo acabar houve muita gente que se pôs a andar rapidamente para casa não fossem perder os primeiros minutos do jogo de Nou Camp. Contam-me que no Estádio do Dragão ocorreu uma coisa semelhante, ainda que inversa. Houve muita gente que só chegou depois do FC Porto-Beira Mar ter começado, não fossem perder os minutos finais do Barcelona-Real Madrid.
Chama-se a isto educar o gosto e não vejo nada de antipatriótico na questão.
Ainda que todo esto seja um bocadinho estranho.

PS - Celebrou-se esta semana o 30.º aniversário da presidência de Pinto da Costa no FC Porto. É incorrecto, no entanto, afirmar-se que Pinto da Costa está em funções há 30 anos. Não é verdade. Em rigor, está há 28 anos em funções porque há que subtrair os 2 anos de suspensão de funções a que foi condenado pela justiça desportiva no âmbito daquela coisa do Apito. Mas 28 anos são sempre 28 anos. Ainda que não sejam 30."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: Atenta como sempre a Leonor recorda um facto que no rescaldo do agradável Benfica-Marítimo, ninguém se tinha referido: Este jogo com os Madeirenses foi o primeiro após um longuíssimo período em que o Benfica foi jogando 2 vezes por semana, com muito poucas excepções... além da utilização de alguns jogadores menos utilizados, este facto também terá contribuído para que a exibição tivesse sido mais 'solta'...

Lugar na história

"Primeiro: pior do que os “tabus” dos políticos, só mesmo esses mal amanhados jogos de reserva mental nos dirigentes desportivos, à espera “do momento”, da “vaga de fundo”, do “eu ou o caos”. Tudo familiar, infelizmente. Segundo: tão mau quanto um país democrático sem oposição é o aceitar da gestão de um clube sem ideias alternativas ou complementares, meio caminho andado para o autismo (passe a expressão e fique o conceito). Terceiro: um contrato de treinador de futebol é tão válido como as leis laborais portuguesas, e tão perene como os “direitos adquiridos”. Quer dizer: aplica-se até que se levantem “superiores interesses”, venham eles dos ditames de uma troika qualquer ou do bramido das massas ululantes.
Por estas três premissas quis chegar à atual situação do Benfica, que se deixou cair na asneira de marcar eleições para outubro, já em plena época. Pergunto: sendo legalmente inatacável, será eticamente defensável o sumário despedimento do atual treinador, com hipóteses de rumar a outra casa – sabendo-se, ainda por cima, que Pinto da Costa não desdenha a aproximação, uma vez que se verá obrigado a desfazer um nó chamado Vítor Pereira, para sossego dos adeptos e das finanças portistas – com pesada indemnização (sete milhões?), com recomeço de todos os processos ainda antes de solidificado um modelo de jogo, com perda das inegáveis vantagens que Jorge Jesus (a par das falhas, já lá vamos) já demonstrou, e dentro de campo? Da mesma forma, num momento em que a chamada nação benfiquista espera uma prova de força a valer – depois dos falhanços com as arbitragens, com a gestão do plantel, de Enzo Pérez a Ruben Amorim, com o “mandato dos êxitos desportivos”, com as outras modalidades – do seu presidente, será tolerável que este hipoteque parte do futuro do clube com a timorata assinatura de um desvantajoso contrato com a Olivedesportos?
São apenas duas questões das muitas que podem separar Luís Filipe Vieira da grandeza. O homem que teimou no novo estádio, que hoje não se discute, que credibilizou financeiramente o nome do Benfica depois de todas as aventuras, que voltou a edificar o clube em termos europeus e que – com a ajuda de Jesus – revelou a capacidade para os indispensáveis negócios da sobrevivência, que denunciou (sozinho) o Apito Dourado, já tem lugar na História. Sem oposição à vista, falta-lhe um passo para a grandeza: aceitar o diálogo, aproveitar sugestões, preocupar-se mais com o adversário externo do que com as reticências internas. Começar por não delapidar os poderes do sucessor – que até pode ser ele próprio – é um bom princípio. Fortalecer a estrutura é um imperativo. E não ouvir sempre os mesmos um sinal exterior de democracia. Será?"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Jesus acertou?

"A equipa-surpresa da jornada foi o Benfica pela forma como se apresentou na Luz, onde estiveram 40 099 a assistir ao jogo com o Marítimo.
Desses 40 099, houve 40 000 que saíram do estádio satisfeitos porque, pela 1ª vez na temporada, o treinador acertou na equipa. Houve, no entanto, 99 dissidentes, para quem ainda não foi desta que o treinador colocou em campo o onze ideal. Entres estes, houve 43 para quem no lugar de Matic devia ter jogado Gaitán. Houve ainda 22 para quem Rodrigo é melhor do que Cardozo, 16 para quem Nélson Oliveira tem de ser titular, 8 que preferem Witsel a Aimar e 1 que não compreendeu a ausência de Djaló. Mesmo assim foi uma festa."


PS: Esta constatação da Leonor é verdade tanto para todos os "treinadores de bancada", onde eu me incluo, mas também para todos craques do Futebol Manager...!!!

25 de Abril

Estava a fazer 'zapping' pela Gloriosasfera esta tarde e fiquei curioso com um título. Ultimamente nem tenho consultado o blog em causa (Ontem vi-te no Estádio da Luz), porque, principalmente após a derrota de Alvalade, o tema dos artigos tem sido só um!!! Já em anos anteriores é normal os Benfiquistas recordarem o Benfiquista Salgueiro Maio nesta data. É uma personagem da nossa história recente que eu admiro por diversos motivos, sendo assim, e reconhecendo a técnica literária do autor do blog, apesar de discordar de quase tudo o que escreve, resolvi consultar o artigo.
Num artigo relativamente consensual o autor não se conteve, e teve que deixar a 'bicada' habitual ao actual Benfica (algo que está no seu direito):
Como me pareceu uma utilização abusiva/dissimulada de uma figura histórica, praticamente consensual em Portugal para atacar mais uma vez o seu ódio de estimação, resolvi responder (algo que estava no meu direito). Já o fiz antes noutros sítios, mas é raro entrar em dialogo nas caixas de comentários de outros blog's. Menos são ainda as vezes que o faço de forma mais 'agressiva' mas como estava com pouca paciência, escrevi... e fui censurado!!! Por duas vezes!!!
O meu único arrependimento foi não ter gravado o comentário, mas usando a minha curta memória, aqui fica uma aproximação daquilo que escrevi (não sei se está lá tudo, se as frases estão trocadas, se falta alguma coisa, mas creio que o sentido daquilo que escrevi não está desvirtuado):
"A linha editorial deste espaço nos últimos tempos, tem sido vergonhosa, deixou-se de discutir o Benfica... começou-se a divagar sobre psicologias persecutórias obsessivas ou compulsivas!!!
Não conheci o Salgueiro Maia, mas como soldado que era, tenho a certeza que não confundia a luta pelos princípios básicos da democracia, com a diversidade de opiniões... a lealdade entre membros do mesmo exercito é fundamental... existem momentos para lutar lado a lado, outros para discutir, outros para eleger...
Colocar em causa os objectivos do Clube (mesmo que secundários) é intolerável, usar estratégias de terrorismo interno é inaceitável.
Falar em falta de democracia no Benfica desde 2008, só porque as posições defendidas estão em clara minoria, é a demonstração clara de falta de carácter... Aliás é confrangedor como a actual 'triste' oposição não consegue arranjar alguém credível para dar a cara (além do Director do Porto Canal). Tal e qual, aquelas crianças chatas, e birrentas, que pensam que mundo vive em função delas, e que os adultos lhes têm que fazer todas as vontadinhas..."
O autor do artigo, censurou-me, mas respondeu com um curto comentário:
"Abidos foi censurado porque veio dizer que ele é que sabe o que é verdadeiro benfiquismo e que aqui não se fala no Benfica. Como se sabe, paranóias, insultos e mentiras aqui neste espaço levam o pontapé habitual no traseiro. Tenta outra vez, agora com humildade e respeito pelas opiniões contrárias."
Eu repliquei, com qualquer parecida:
"Falta de humildade?!!! Minha?!!! Então coloca aqui os meus 'insultos' e deixa os outros avaliar..."
Voltou-me a censurar, com nova resposta:
"Abidos regressou para se mostrar muito indignao com a censura e chama-nos a todos de fascistas (o que fica sempre bem num dia como este).
Meu caro Abidos, a democracia não permite que se inventem e construam dados. Menos ainda se dá à arrogância e soberba de qualquer pessoa. Pelo menos, aqui. É uma democracia especial, esta: só permite gente civilizada, capaz de debater os assuntos sem deixar no ar a mania da superioridade. Como é óbvio, o Abidos não é desta democracia."
É fácil falar em valores, mas a grande dificuldade está em aplicá-los. No dia em que se celebra a Revolução de Abril, um declarado 'admirador' de Salgueiro Maia, em poucas linhas consegue fazer tudo ao contrário!!!
Mas não deixa de ser curioso as acusações que me faz: 'falta de humildade', 'respeito pelas opiniões contrárias', inventem e construam dados', 'só permite gente civilizada', 'superioridade'!!!!
O senhor Ricardo, demonstrou nestas respostas, tudo aquilo que me acusa, um autêntico espelho: não respeitou a minha opinião; inventou acusações: em lado nenhum lhe chamei fascista; ao acusar-me de incivilizado demonstrou a sua falta de humildade galopante...; Se este tipo de atitudes não são sintomas de um gigantesco complexo de superioridade, então o que será?!!!
Independentemente das posições individuais de cada um, sobre o actual momento do Benfica, deixo a pergunta: estes comentários meus, são censuráveis?

Não costumo fazer post's deste tipo, mas como na última semana já fui censurado tanto Novo blog GeraçãoBenfica como no Eterno Benfica, deixo aqui para memória futura, a aproximação daquilo que escrevi, contextualizada, já que no local onde ela devia ficar, não ficou...!!!

Juniores - Fase Final - 11ª jornada

Guimarães 2 - 2 Benfica

Hoje podíamos ter 'carimbado' praticamente o titulo (estivemos a ganhar por 0-2), um golo nos últimos tirou-nos 2 pontos, que com o calendário favorável que temos, podia ter sido decisivo... Na próxima jornada, os Corruptos recebem os Lagartos, e daqui a duas jornadas nós vamos a Braga, vai ser nestes dois jogos que se vai decidir tudo... mas para já, a 3 jornadas do fim, estamos em vantagem...

Benfica.......24
Sporting.......23
Corruptos....21
Braga..........20
(...)

Nozes e vozes

"O Benfica é o maior Clube português. É-o nas vitórias, quando arrasta multidões apaixonadas em seu redor. Mas é-o também na hora da derrota, quando a sua grande dimensão se transforma no seu principal adversário.
Se um dos nossos rivais entra em crise de resultados, a polémica é reduzida, o espaço mediático fecha-se, e a coisa dissipa-se. Se acontece com o Benfica, logo temos todo um foguetório de críticas, sempre feitas de cabeça quente, e poucas vezes suficientemente ponderadas. Isto parte de uma profunda paixão clubista, que, na ânsia de ganhar sempre, de ganhar mais, e de ganhar tudo, tem necessidade de deitar rapidamente cá para fora a frustração da derrota. É humano, é compreensível, e faz parte da identidade de um grande Clube - como não há outro em Portugal. A uma nova vitória, lá está novamente todo o povo benfiquista, de bandeiras erguidas, e coração aquecido, vibrando com o emblema que tanto ama.

A crítica legítima
O Benfica é um Clube democrático, onde a crítica tem naturalmente o seu espaço. Não é bom benfiquismo, olharmos para o Clube, para os seus dirigentes e para os seus profissionais, sem o grau de exigência e para os seus profissionais, sem o grau de exigência que uma história centenária e ganhadora nos legou. Quando as coisas correm mal, há que encontrar soluções, e não fugir ao debate sobre qualquer ajuste que possa ter de ser feito, custe a quem custar, e sempre no supremo interesse do Benfica. Não é a lavar as lágrimas na frustração que se devem tomar decisões, ou emitir opiniões, pois o risco de precipitação é grande. Mas com frieza, com ponderação e equilíbrio, não devemos deixar de reflectir sobre aquilo que podemos fazer melhor entre portas, de forma a não estarmos tão sujeitos às interferências externas que normalmente nos vitimam. Este Campeonato tem sido, de resto, exemplo paradigmático, com arbitragens desastrosas a penalizarem-nos reiteradamente, mas com desempenhos da equipa - mormente na fase decisiva da época . também bastante aquém das expectativas geradas pelo forte investimento nela efectuado. Como aqui disse na passada semana, não podemos varrer o défice competitivo com que enfrentamos as jornadas mais importantes do Campeonato (nosso principal objectivo) para debaixo do tapete das arbitragens. Para além da denúncia daquilo que, desde fora, nos prejudicou, temos também de analisar o que, dentro de casa, correu mal, porque motivo correu mal, e aquilo que será necessário fazer para que se não repita, tendo sempre o cuidado de não confundir a árvore com a floresta, e perceber que uma coisa é o que se passa dentro de campo (que, obviamente, não nos deixa felizes), e outra, bem diferente, é a vitalidade institucional de um Clube que recuperou a sua histórica grandeza, e onde o grau de exigência é hoje bem maior do que há poucos anos atrás. Tendo presente que só quem está por dentro do Clube, quem conhece a equipa, os treinadores, os jogadores, quem sabe, enfim, como lá se trabalha, poderá dispor dos dados para decidir em conformidade, todos temos direito às nossas opiniões, pois, no fundo, o Futebol vive dos seus adeptos, e o que todos queremos é ganhar.

O oportunismo
Coisa muito diferente é o aproveitamento oportunista que algumas figuras fazem destes momentos mais angustiantes, procurando desse modo usar o sofrimento dos benfiquistas para protagonismos pessoais, ou mesquinhos ajustes de conta com o passado. É efectivamente uma triste tradição, já com décadas de vida, vermos, ouvirmos ou lermos um desfilar de vozes críticas, que esperam o momento do desaire para, contando com o apetite sanguinário da comunicação social, darem largas aos seus sentimentos ressabiados, e tentarem atingir o que foi preciso para alcançarem os seus fins.
Por vezes caem do ridículo, tal a desfaçatez das opiniões que emitem. Custa a acreditar como um antigo funcionário do Benfica, e ex-presidente de uma colectividade de apoio ao FC Porto, não percebe que só se descredibiliza ao dizer o que diz do nosso presidente, que foi, aliás, quem o contratou - cometendo aí, porventura, um erro. Se algum benfiquista ainda acreditasse nos seus bons propósitos para com o Clube, esta simples declaração - a cheirar a vingança, a traição, a ódio, a mesquinhez, enfim, a quase tudo o que o ser humano tem de pior - chegaria para perceber perante quem estamos. Infelizmente não é caso único.

(...)

'Uma vergonha'

Aquilo que se passou à chegada da nossa equipa depois da conquista de um troféu, envergonha-me enquanto benfiquista. A soldo não se sabe bem de quem, meia dúzia de indivíduos encapuçados vilipendiaram jogadores e treinadores, não escondendo um propósito de desestabilização gratuita, que visa fins muito pouco claros. A comunicação social, sempre ávida de sangue, fez o resto, dando-lhe o destaque que não deu aos quinze mil que se deslocaram a Coimbra e apoiaram a equipa."

Luís Fialho, in O Benfica

Suspense, com final feliz !!!


Benfica 4 - 3 Candelária

Vitória garantida no último minuto, após um jogo difícil, onde tivemos em vantagem por 3-1 e permitimos o empate... mas com o golo do López a Taça continua na mossa mira...
Este ano é para ganhar tudo...!!!

O alarido

"O futebol português é uma pantomina. Alguns clubes, dirigidos por chicos espertos que gostam de pescar em águas turvas, decidem um voto de censura à Federação por esta não pactuar com ilegalidades nem com trapaças; alguns treinadores sem emprego, através da respectiva Associação, apoiam aqueles mesmos clubes para assim alargarem as hipóteses de encontrar trabalho; oitenta por cento das 32 equipas profissionais, de acordo com o Sindicato, têm meses de salários em atraso e os jogadores de algumas delas têm vindo a fazer greve aos treinos e ameaçam estendê-la aos próprios jogos; a Federação deixou de divulgar as nomeações dos árbitros, alegadamente para evitar que o clima de suspeição em que se vive não se agrave ainda mais; Portugal é o país com maior percentagem de estrangeiros no campeonato principal... Em suma, o sudário poderia continuar indefinidamente.
Duas sugestões. Quanto à arbitragem, porque não seguir o exemplo alemão, onde os árbitros são designados por três ex-árbitros, um em representação da Federação, outro da Liga e um terceiro super partes? Onde o relatório do árbitro, por questão de transparência, é publicado na net 20 minutos depois do jogo ter terminado e onde se explicam os motivos dos cartões, das expulsões, dos nomes dos autores dos golos e dos minutos em que ocorreram; e onde o árbitro pode, se quiser, ir à sala de imprensa prestar esclarecimentos. Quanto ao alarido dos clubes, é fácil silenciá-lo: basta aplicar na hora da inscrição, com procedimentos cristalinos, aquilo que os regulamentos prescrevem e que, até agora, tem sido letra morta. Ou seja, quem não apresentar garantias fiáveis para suportar as despesas orçamentadas fica excluído. Nem 16 passariam no enxame..."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lixívia Extra-Forte XXVII

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......62 ( -13)...75
Corruptos...66 (+5)...61
Sporting.......53 (+2)...51
Braga..........59 (+10)...49

Com as coisas quase todas decididas, tivemos uma jornada calma...
Na Luz, o Bruno Paixão demonstrou toda a sua incompetência como árbitro, eu sei que os Lagartos e os Andrades não podem ver este árbitro nem 'pintado', mas eu sempre o achei acima de tudo incompetente, o resto, é consequência...
O erro principal na Catedral foi ter perdoado a expulsão do Roberto Sousa, que veio determinado a não jogar na próxima jornada contra os Corruptos, tantas foram as faltas nos primeiros minutos... mas pronto... como mostrou amarelo ao Sami numa descarada tentativa de arrancar penalty, até lhe perdoo!!!
O Benfica protestou Braço na Bola num remate do Saviola, mas não me parece... A bola bate no braço do Nolito num remate do Briguel, mas não foi deliberado, além disso seria fora da área...
O fiscal-de-linha do lado da bancada Meo também é fraquinho, deixou passar um fora-de-jogo a 5 jogadores do Benfica num livre lateral(!!!), ainda bem que o Luisão não marcou golo!!! E depois na segunda parte deixou passar um fora-de-jogo descarado a um Maritimista, que não deu golo por acaso... nesse lance o Fidelis subiu às cavalitas do Maxi para cabecear, e o tão zeloso árbitro (que marcava todos os contactos) deixou passar....!!!
Nota ainda, para aquilo que me pareceu uma pisadela ao Rodrigo no último minutos dentro da área do Marítimo. Até pode ter sido sem querer... mas na sequência da jogada, o Matic faz um corte limpo, e ele marca falta... e o critério disciplinar muito largo para os jogadores do Marítimo (ainda bem) mudou logo, dando de imediato um amarelo ao Capdevila por protestos!!!
Tenho que realçar mais uma cronica Corrupta/incompetente no jornal A Bola: na habitual página com os casos do jogo, com fotos, mostraram uma imagem onde o Garay tem as mãos nas costas do Heldon dentro da área, e depois escreveram em legenda, algo parecido: Lance duvidoso, se o Heldon, se tivesse atirado para o chão , seria penalty!!! Bem os jornaleiros d'A Bola, agora já comentam casos de hipotético penalty contra o Benfica!!! O mais curioso é que nesse lance a dúvida, nunca foi o contacto entre o Garay e o Heldon!!! Existe um cruzamento, a bola bate no calcanhar do Luisão, e vai ao peito do Garay. Sendo que houve um ligeiríssimo protesto do Marítimo, sobre se teria sido braço na bola do Argentino. O 'caso' seria este, mas a mistura de incompetência com um anti-Benfiquismo mesquinho que já chegou à redacção da Bola, transformou um possível lance de braço na bola, num suposto 'futuro' empurrão!!! Já agora a Sporttv também demonstrou alguma 'imagnação': no 3º golo do Benfica, em vez de colocarem a linha do fora-de-jogo na 'bola', meteram-na no último defesa do Marítimo, assim apesar do Rodrigo mesmo assim estar em 'jogo', o Nolito estava em 'fora-de-jogo'!!!

Não vi mais nenhum jogo, os Corruptos tiveram o habitual penalty para desbloquear aquilo que parecia difícil de resolver. Para mim não é penalty, o contacto não é suficiente e até parece fora da área... mas o mais curioso ainda é que o árbitro foi senhor Bruno Esteves, o mesmo que esta época em ambos os jogos Benfica-Paços deixou vários penalty's a favor do Benfica... alguns desses penalty's do tamanho do Evereste!!! E foi o mesmo que no Feirense-Corruptos deu amarelo a um jogador do Feirense, depois de este sofrer penalty!!!



O penalty que deu a vitória aos Lagartos existe, mas acho curioso o silêncio de toda a gente, no primeiro golo dos Submissos, onde um jogador do Nacional está no relvado, depois de ter levado uma bola no focinho, sendo que é ele, que está a colocar o Rubio em jogo!!! Se isto tivesse acontecido com o Benfica, imagino a barulheira...!!!

Como não vi o jogo do Braga em Paços, não posso avaliar o trabalho do Duarte Gomes, até porque os erros a terem existido foram na Disciplina. Disseram-me que os 3 vermelhos até foram bem mostrados, e que o erro se calhar foi não mostrar mais...!!! Mas não sei...

Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) E(2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) V(3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) V(0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) V(2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) E(4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) V(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) V(4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Olhanense(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Braga(f) E(1-1), Proença, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
11ª-Sporting(c) V(1-0), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Marítimo(f) V(0-1), Sousa, Nada a assinalar
13ª-Rio Ave(c) V(5-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
14ª-Leiria(f) V(0-4), Cosme, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Malheiro, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
17ª-Feirense(f) V(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
18ª-Nacional(c) V(4-1), Jorge Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
19ª-Guimarães(f) D(1-0), Xistra, Prejudicados, (0-0), -1 ponto
20ª-Académica(f) E(0-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), -2 pontos
21ª-Corruptos(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, (2-0), -3 pontos
22ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
23ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
24ª-Olhanese(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
25ª-Braga(c) V(2-1), João Ferreira, Nada a assinalar
26ª-Sporting(f) D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (1-3), -3 pontos
27ª-Marítimo(c) V(4-1), Bruno Paixão, Prejudicados, Sem influência no resultado
Corruptos
1º-Guimarães(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) V(1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) V(3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) E(0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) E(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) V(5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
9ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Olhanense(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-1), -2 pontos
11ª-Braga(c) V(3-2), Soares Dias, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
13ª-Marítimo(c) V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Sporting(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Rio Ave(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c), V(3-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
17ª-Gil Vicente(f), D(3-1), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
18ª-Leiria(c), V(4-0), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
19ª-Setúbal(f) V(1-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Feirense(c) V(2-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
21ª-Benfica(f) V(2-3), Proença, Benefeciados, (2-0), +3 pontos
22ª-Académica(c) E(1-1), Marco Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
23ª-Nacional(f) V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
24ª-Paços de Ferreira(f) E(1-1), Pacheco, Beneficiados, (2-1), +1 ponto
25ª-Olhanense(c) V(2-0), Manuel Mota, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
26ª-Braga(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, Impossível contabilizar
27ª-Beira-Mar(c) V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Impossível contabilizar
Sporting
1ª-Olhanense(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) E(0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) V(2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) V(2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) V(3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Feirense(f) V(0-2, Gralha, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10ª-Leiria(c) V(3-1), Manuel Mota, Beneficiados, Impossível contabilizar
11ª-Benfica(f) D(1-0), Capela, Beneficiados, Sem influência do resultado
12ª-Nacional(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
13ª-Académica(f) E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Braga(f) D(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Olhanense(f) E(0-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
17ª-Beira-Mar(c) V(2-0), Duarte Gomes, Nada a assinalar
18ª-Marítimo(f) D(0-2), Cosme, Nada a assinalar
19ª-Paços de Ferreira(c) V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Rio Ave(c) V(1-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
21ª-Setúbal(f) D(1-0), Gralha, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), -1 ponto
22ª-Guimarães(c) V(5-0), Soares Dias, Nada a assinalar
23ª-Gil Vicente(f) D(2-0), Bruno Paixão, Prejudicados, Impossível contabilizar
24ª-Feirense(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
25ª-Leiria(f) V(0-1), Proença, Beneficiados, Impossível contabilizar
26ª-Benfica(c) V(1-), Soares Dias, Beneficiados, (1-3), +3 pontos
27ª-Nacional(f) V(2-3), Xistra, Nada a assinalar
Braga
1ª-Rio Ave(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) V(2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) E(1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f) D(1-o), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c) V(3-0), João Ferreira, Nada a assinalar
9ª-Académica(f) E(0-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
10ª-Benfica(c) E(1-1), Proença, Beneficiados, (0-2), +1 ponto
11ª-Corruptos(f) D(3-2), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
12ª-Paços de Ferreira(c) V(5-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
13ª-Olhanense(f) V(3-4), João Ferreira, Nada a assinalar
14ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15ª-Sporting(c) V(2-1), Capela, Nada a assinalar
16ª-Rio Ave(c) V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
17ª-Marítimo(f) V(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
18ª-Setúbal(c) V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
19ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Hugo Miguel, Nada a assinalar
20ª-Guimarães(c) V(4-0), Capela, Nada a assinalar
21ª-Nacional(f) V(1-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
22ª-Leiria(c) V(2-1), Xistra, Beneficiados, (2-3), +3 pontos
23ª-Feirense(f) V(1-4), Duarte Gomes, Nada a assinalar
24ª-Académica(c) V(2-1), Gralha, Beneficiados, (1-2), +3 pontos 
25ª-Benfica(f) D(2-1), João Ferreira, Nada a assinalar
26ª-Corruptos(c) D(0-1), Olegário, Prejudicados, Impossível contabilizar
27ª-Paços de Ferreira(f), E(1-1), Duarte Gomes, Nada a assinalar

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Confiança

"O Benfica venceu a Taça da Liga. Venceu ou não venceu? Venceu mesmo, mas até parece que não venceu. Venceu e venceu bem. Venceu a Taça da Liga como só não vai vencer o Campeonato, muito por razões extracompetitivas. Não parece que venceu a Taça da Liga, porque os nossos aficionados esperavam mais, chegaram a ter as expectativas em alta e até parece (alguns, pelo menos) que esqueceram uma campanha europeia de grande qualidade, pautada pela competência e pelo talento.
No nosso Benfica, a sua matriz popular tem destas coisas. Faz do Clube o maior de Portugal, mas também tem uma componente exacerbadamente depressiva sempre que um objectivo não é alcançado. Para mais esta temporada, na qual, a páginas tantas, poucos duvidavam do sucesso na prova mais importante do calendário nacional.
Não parece que a situação seja revertível, sobretudo após o desaire de Alvalade. Esperava-se mais, nesse embate, do conjunto de Jorge Jesus, da mesma forma que não se esperava uma arbitragem diferente, ou seja, demasiado adversa. O jogo com o Sporting amarrotou o alicerce emocional vermelho. Esse é um dado irrefutável e até se entende sem dificuldade de maior. Só que ser do Benfica é um privilégio. No final do despique de Alvalade, sabem o que disse? Que era, doravante, ainda mais benfiquista. É tal e qual como nos aproximarmos mais ainda de familiares ou amigos quando estão enfermos ou algo debilitados. O caso é de paixão, de amor mesmo.
E aqui fica o convite a todo o Universo Benfiquista. VAMOS TODOS SER (AINDA) MAIS DO BENFICA!"

João Malheiro, in O Benfica

Descrentes

"From: Domingos Amaral
To: Jorge Jesus

Caro Jorge Jesus
Ontem, quando o Marítimo marcou o seu golo, reduzindo para 2-1, e tu retiraste de campo Aimar e Saviola, os descrentes enfureceram-se, pensando que ainda íamos perder os três pontos. Havia, há sempre, algumas razões para tal fúria. É um pouco estranho que apenas a 4 jornadas do fim se vejam a jogar na primeira equipa jogadores como Saviola, Capdevila e até Matic, que nos últimos tempos tem jogado bem melhor que Javi. Não foi muito inteligente da tua parte ter insistido tanto e tantas vezes em Emerson, um jogador medíocre e pouco esperto; ou ter apostado constantemente num Rodrigo que estava em baixo de forma depois da pancada que levou na Rússia. Capdevila, com a sua experiência, evita muita trapalhada naquele flanco, e Saviola, com os seus truques, inventa um jogo diferente, imprevisível e mais perturbador para os adversários.
Contudo, a descrença acumulada, e a frustração sentida por muitos benfiquistas, em especial no campeonato, não nos podem toldar o julgamento ao ponto de cegarmos por causa de substituições. Minutos depois, (o futebol é cheio destas ironias) Rodrigo marcou um golito, Bruno César outro e o Marítimo foi vencido e convencido, e nós continuamos na luta.
É isso que é essencial percebermos: este campeonato ainda não acabou! Há ainda jogos muito difíceis para todos e não podemos por tudo em causa agora. Temos, todos mas sobretudo tu, de acreditar até ao fim, até ao último minuto possível, que ainda podemos ser campeões e que este campeonato se pode decidir ao sprint. Quanto aos ajustes de contas, esses fazem-se no fim."

Os outros

"A teia em redor do caso-Cardinal é ainda demasiado densa para permitir opiniões fundamentadas, além de que, tratando-se de um caso de justiça, é a ela que cabe apurar as culpas. Foi tentativa de suborno? Foi uma cilada mal montada? Não sei. Devo dizer que, não havendo condenações para casos anteriores, e desconfiando quando baste da espécie humana, acho natural que este tipo de situações voltem a suceder em Portugal. E puxando pelo baú das recordações, também não tenho pena de qualquer um dos intervenientes. Mas não os posso, obviamente, acusar de nada.
O problema que trago coloca-se num plano mais lateral, e tem a ver com o poder que os árbitros-assistentes têm no Futebol, o qual não encontra paralelo no semi-obscurantismo mediático em que vivem. Quando as coisas correm mal, lançam-se culpas ao árbitro principal, esquecendo-se que nem sempre reside aí a causa primeira do erro. Os outros, os assistentes, são ignorados, como se fossem autómatos, como se não tivessem vontade própria, como se não tivessem interesses, preferências ou problemas matrimoniais, como se fossem... uma simples bandeira colorida.
Ficou para a história o célebre golo de Petit a Vítor Baía, que Olegário Benquerença não sancionou. Olegário Benquerença, disse eu? Disse mal, efectivamente, por muitas más arbitragens com que esse senhor nos tenha brindado, nessa ocasião a culpa não foi dele, mas sim do assistente (ou auxiliar, ou fiscal-de-linha, ou liner, ou bandeirinha, ou lá como se chamava na altura). Ainda recentemente, Pedro Proença validou um golo ilegal do FC Porto no nosso estádio. Pedro Proença, disse eu? Disse mal, pois o árbitro principal jamais seria possível ver o lance em boas condições. Luís Tavares e Ricardo Santos passaram assim por entre os pingos da chuva de dois dos mais negros momentos da arbitragem portuguesa nos últimos anos (não por acaso favorecendo ambos o FC Porto).
É esta questão que o caso-Cardinal também puxa, com estrondo, para a agenda mediática do Futebol português."

Luís Fialho, in O Benfica

A Taça e o sabor dos sonhos

"O Benfica veio de Coimbra com mais uma merecida Taça da Liga. Não encarou o confronto com sobranceria e excessiva confiança e, por isso, teve de correr e de trabalhar para trazer mais esse troféu para casa. Os benfiquistas ficaram naturalmente satisfeitos, mas, embora ainda possa estar em aberto o resultado final da temporada, o que já foi alcançado sabe a pouco, depois de se ter esperado e desejado muito.
Dizer o contrário é fugir à verdade. Estivemos no topo e deixámos de estar. Tivemos 'o passáro na mão' e agora é muito mais difícil recuperá-lo. Sabemos que é assim mesmo o Futebol e a própria vida, e que é justamente esta imponderabilidade, esta imprevisibilidade que dá tempero à competição e nos faz bater com mais força o coração.
Num tempo de amarga crise em que muito poucos são os motivos de consolo individual e colectivo, as expectativas concentram-se de forma ainda mais intensa no que se passa nos estádios, pois todos esperam um suplemento de alegria e de esperança. Estando o País com boa parte da sua soberania hipotecada, espera-se ainda mais das equipas e do que elas representam em termos afectivos.É humano, é legítimo e, por isso mesmo, não pode ser ignorado.
O Benfica teve, nesta época, uma grande equipa e um bom treinador, teve criatividade e soluções, mas, pelos vistos, não foram bastantes para conseguir a vantagem folgada que chegou a estar ao seu alcance, independentemente do que ainda venha a conseguir. É verdade que foi um dos Campeonatos mais equilibrados e competitivos, que muitas vezes a arbitragem não ajudou e que muitas forças e interesses se mobilizam sempre para que o Benfica não ganhe. Mas isso nunca o impede de ser o mais forte e o candidato natural à maioria dos títulos.
De Coimbra trouxemos a Taça da Liga, mas da temporada esperávamos e esperamos mais, até onde for possível ter esperança e continuar a sonhar, mas de pés bem assentes no chão, medida prudente para evitar desaires no voo dos sonhos que tardam a ser cumpridos."

José Jorge Letria, in O Benfica

Entusiasmómetro

"Dizia Miguel Torga que a lucidez é um acto ímpar. Pedir lucidez nas emoções do futebol é, nos tempos que correm, quase um acto de desespero.
Nestes tempos agitados é fácil resvalar para o absurdo e para a irracionalidade. Terminada que foi mais uma final da Taça da Liga, conquistada que foi a quarta Taça da Liga consecutiva, chegou a ser absurdo observar como uma franja de adeptos escrutinava atentamente o grau de entusiasmo dos outros adeptos e dos próprios futebolistas. Diga-se que algo de semelhante já se verificara na época passada. Ou seja, há adeptos que consideram que não é legítimo mostrar satisfação pela conquista de um troféu, que não era prioritário, quando se hipotecaram as possibilidades de conquistar as competições que eram prioritárias. Obviamente que esta Taça da Liga não nos mata a sede de vitórias nem a fome de glória. Obviamente que esta Taça da Liga não é tapete debaixo do qual se possa esconder o que de errado se fez esta época. Obviamente que não é este troféu que nos faz festejar em uníssono no Marquês ou vitoriar os nossos atletas no nosso Estádio. Mas também me parece óbvio que a sua conquista é motivo de satisfação e de entusiasmo. Foi vencido com mérito, esforço e de forma limpa. É natural que adeptos e futebolistas se mostrem satisfeitos com essa vitória. O que já não é natural é confundir o entusiasmo do adepto com falta de exigência ou acomodação. O que não é natural é ver benfiquistas de uma vida inteira e longa, feita de sacrifícios e dádiva ao clube, a serem questionados e ofendidos porque, na opinião de uns quantos, há vitórias que se podem festejar com entusiasmo e outras que se devem lamentar com pesar e indignação. Não, não convivo pacificamente com a ideia de que ande alguém de ‘entusiasmómetro’ em punho a ofender benfiquistas que aplaudem com entusiasmo o clube depois de ter conquistado uma vitória numa final.
Não se vive no momento da vitória como se vive no momento da derrota, por isso mesmo é tão importante saber perder como saber ganhar. É uma questão de lucidez."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

É sempre bom ganhar...

"1. Num fim-de-semana com importantes vitórias em Hóquei em Patins, Basquetebol, Andebol, Voleibol e Futsal - está-se a chegar às fases decisivas...-, o Benfica somou mais uma Taça da Liga. Não faz esquecer a desilusão da principal competição nacional mas é um triunfo sempre agradável - para mais tratando-se do 4.º consecutivo. No entanto, não entro nesse 'peditório' do número de títulos (a Taça da Liga não é nenhum título) ou de troféus... que só começou a aparecer quando o FC Porto igualou o Benfica. Tal como não se pode afirmar, por exemplo, que uma loja que vende 20 pares por dia é melhor que um stand de automóveis do qual 'só' saem diariamente um ou dois carros, também não há comparação possível entre um título de Campeão Nacional, ao fim de 30 jogos, e uma vitória numa Supertaça, decidida num só jogo.

2. Vi com agrado a reportagem da SIC depois da Final da Taça da Liga, ouvindo adeptos do Benfica e do Gil Vicente. Todos estavam felizes. Os do Benfica pela vitória, os do Gil Vicente porque, embora muitos deles gostassem de uma vitória do clube da terra, eram quase todos benfiquistas! E, que eu saiba, Barcelos fica a norte do Porto...

3. Na 2.ª feira, escrevi: qualquer que seja o desfecho do denominado caso-Cardinal (que deveria ser, antes, caso-Cristóvão...), ele teve já duas vantagens - colocou um definitivo ponto final naquele falso orgulho sportinguista da 'diferença' que dizem haver na 'postura' dos clubes; e coloca (espera-se...) fora do Desporto um dirigente que já havia mostrado estar a mais (veja-se a sua actuação aquando do último Benfica-Sporting no nosso Estádio). Não deixo, no entanto, de lamentar a vergonha por que certamente passam os sportinguistas de bem. Nem quero imaginar o que sentiria se isso sucedesse no Benfica. Na 3.ª feira, face à decisão da Direcção do clube de reintegrar aquele elemento, só acrescento: teria muita vergonha se isso se passasse no Benfica.

4. O antigo árbitro, Martins dos Santos, já condenado por corrupção passiva num Marítimo-Nacional, foi agora acusado por ter sido apanhado a receber 110 euros do presidente do S. Pedro da Cova, com a finalidade de influenciar árbitros. Recorde-se que este árbitro foi dos tais que esteve em foco nos anos do Apito Dourado (apanhámo-lo várias vezes a arbitrar encontros do Benfica) e... foi convidado pelo FC Porto para 'apitar' o jogo de inauguração do seu novo estádio. Certamente uma simples coincidência..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

PORTUGUESES ou ESTRAGEIROS?

"É isto, o RICARDO abriu-me a porta e agora não quero outra coisa.
Vou escrever mais uma posta, mas quero ainda escrever no EDDB. O que quero aqui explanar, desta vez sem medo de me repetir, é acerca dos portugueses e estrangeiros no meu BENFICA.
Eu admiro-me com pessoas que se dizem Benfiquistas e que dizem terem orgulho nos tais 14 milhões espalhados pelo Mundo Inteiro.
A diáspora portuguesa é inseparável do BENFICA. Levava-se de Portugal uma vida dura e nada recompensante,levavam-se saudades mil, e levava-se o BENFICA.
Na "guerra do Ultramar" reuniamo-nos á volta do "pilhas", e a guerra passava para 2º plano. Isto quer dizer que no espírito dos portugas, o BENFICA é Universal.
Que me importa se ouço gritar "VIVA O BENFICA" em mandarim, que me importa se vejo sorrisos no Shaara ao meu EMBLEMA, quiçá se vejo uma bandeira do GLORIOSO na Lapónia? Para mim é igual celebrar um golo do BENFICA com uma cerveja em Buenos Aires, chorar por uma derrota perto de cangurus, ouvir o nome EUSÉBIO nas Cascatas do Niagara? Eu quero é ter sempre junto de mim o meu CLUBE e consequentemente os que me fazem vibrar de alegria, por se entregarem com ardor e lealdade á luta para engrandecerem cada vez mais o GLORIOSO.
Então se estes factos me enchem de Orgulho, porque hei-de fazer diferenças nos que representam o BENFICA? Qual a diferença na qualidade do suor, que encharca o MANTO SAGRADO, dum europeu, dum africano dum chinês ou dum sul-americano? A mim nem um bocadinho me faz diferença. A única diferença para mim, é a QUANTIDADE de suor vertido na defesa de tão Glorioso CLUBE.
O nosso MANTO SAGRADO, fica encantador quando encharcado de suor, venha ele de que corpo vier, seja mulher ou homem, independentemente do sítio donde nasceu. Aliás todos nós fomos paridos pelo mesmo sítio(excepto os andrades), só que em locais diferentes.
Por isso não me revejo nos que fazem finca pé que só temos estrangeiros na EQUIPA. Me dá igual que quem marca golos pelo meu BENFICA e me dá vitórias, se chame Smith, Gonzalez, Pierre, Mussá, Lin Piao, Ernesto ou outro qualquer. Quem evita golos chama-se Molotov? Óptimo desde que os evite, obrigadinho. E não me rala nada que digam que o BENFICA não valoriza o "Jogador Português".
O BENFICA tem um Centro de Formação dos melhores do Mundo. E tem lá muitos Jovens, com condições excepcionais para evoluírem.
Não vão á EQUIPA PRINCIPAL? Lamento, mas a vida é assim. A uns a deusa Fortuna sorri, a outros nem tanto. Por isso essa questão dos portugueses/estrangeiros, é só mais uma arma de arremesso, à falta de melhor. Trabalha-se árdua e eficazmente no Seixal.
E isso deixa-me uma imensa alegria, a certeza que o futuro do meu BENFICA está perfeitamente acautelado. E já agora não me levem a mal, mas ou o NELSON OLIVEIRA evolui ou nunca será Jogador do BENFICA.
Explico porquê: a NELSON OLIVEIRA, com imensas potencialidades, parece-me que lhe subiu a 1ª Equipa à cabeça. Individualista, já fez o BENFICA perder golos escusadamente e golos muito necessários, e em vários jogos. Stanford Bridge por exemplo.
Ou se se convence que o futebol é um jogo colectivo,ou então,para não se perder, que vá rodar um ano ou dois, pois um banho de humildade só lhe fará bem.
Às vezes é assim, os elogios dão a volta à cabeça. A talhe de foice: os milhões que estes últimos anos entraram nos cofres da LUZ, entraram porque vendemos quem? Para mim não vendemos estrangeiros, vendemos isso sim, JOGADORES do BENFICA.
E o resto são amendoins como diria o valentão loureiro."

A procissão e o andor

"O andor ainda estava no adro. A igreja estava engalanada e alguns dos fiéis suspiravam pela remoção dos santos desgastados pela pregação. Os pagadores de promessas, vindos das paróquias mais pobres e desfavorecidas, confiavam que aquele andor traria a boa nova. Aumentaram-lhe o tamanho, enfeitaram-no com metros e metros de cetim e madeira, rodearam-no de mensagens de esperança e bonança. Quando saiu a procissão, até os párocos da capital vieram em socorro da imponência do ato. A comissão de festas não cabia em si de contente: a fé abraçava mais do que nunca o espírito e iluminava a concórdia.
Passado pouco tempo, o andor estava mais pujante. Os pagadores de promessas voltaram a unir-se e desejavam levar agora a boa nova – que é como quem diz, a procissão – até à Igreja Matriz, onde, desde as obras mais recentes, se ampliaram as instalações para dar lugar a novos conselhos da fé. Havia que convencer novos párocos de que a procissão seria diferente mas a mensagem era sempre a mesma. A comissão de festas deu o seu melhor, mas temeu que a procissão acabasse por não chegar ao destino prometido. Algumas paróquias por onde passaria a procissão estavam ainda de pé atrás, pois não confiavam que o andor, ainda mais altivo com arames e alfinetes, juntasse fiéis suficientes. Mas, no dia anunciado, tudo se compôs. A procissão fez chegar o andor ao adro e depositou-o bem perto do altar.
Desde então, o andor olhou os pagadores de promessas de lado. Por trás. Outra vez de lado. Perdeu aquele cheiro de naftalina do cetim e atraiu o bicho da madeira. Os alfinetes mudaram de direção e os arames iniciaram uma espécie de resistência aos que sempre foram fiéis. Até parecia ter ganho vida, feita de desdém por quem se fez à vida por ele. A comissão de festas não quer agora restaurá-lo. Convenceram-se que o andor nunca será mais do que um mau pagador de promessas.
Assim se deu esta semana a rutura da maioria dos clubes da Liga com Fernando Gomes. Lá terão as suas razões para que o andor não seja efetivamente o que parecia… Todavia, os clubes que agora solicitam “voto de censura”, se têm razões ou interesses legítimos, perdem toda a razão quando ameaçam com “greves” e “paralisia dos campeonatos”. Não é esse o caminho. Nesse trilho só encontram derrota e perda de pontos nos jogos em que não comparecerem. Nessa rota encontram a oposição de todos aqueles que, com justeza, formulam dúvidas e incertezas na fórmula e no tempo encontrado para o alargamento aprovado. Nessa posição sem recurso à Liga enquanto representante institucional, desobrigam Gomes a negociar um novo “contrato” com a Liga. Nessa trincheira acabarão por permitir que Gomes persista na ilegalidade que é invocar a vigência do “protocolo” atual até 2013. Nessa opção fragilizam todos os outros temas do “contrato” FPF-Liga e causarão um dissenso insanável que ficará nas mãos do Conselho Nacional do Desporto. Se é tudo isto que não querem, voltem à “casa-mãe” e deliberem em assembleia um mandato claro para a Liga ser forte junto da FPF. Esta força, nas “procissões” caseiras e lá fora, será a força de todos os clubes."