Últimas indefectivações

sábado, 29 de abril de 2017

Vitória na Pérola !!!

Madeira SAD 28 - 31 Benfica
(13-18)

Esta jornada foi 'trocada', era para ser jogada na Luz... e como o jogo decorreu, pareceu mesmo que foi na Luz!!!
Recordo que a meio da semana os Madeirenses derrotaram os Corruptos, dando esperança aos Lagartos... e assim, o Benfica 'aproveitou' os 'festejos', para fazer um bom jogo!

Nas centenas...!!!

Benfica 106 - 68 Illiabum
24-11, 30-19, 26-20, 26-18

Uma das pontuações mais altas da temporada, com o regresso do Hollis a 100%... e do Mário Fernandes, mas ainda sem o Barroso e sem o Andrade... O mais importante neste momento, com a classificação definida, é preparar a entrada no play-off... onde vamos encontrar o CAB Madeira, equipa complicada, como já provou várias vezes durante a época...

Juniores - 9.ª jornada - Fase Final

Benfica 0 - 0 Académica

Azevedo; Cabral, Silva, Nuca, Mangas; Pereira, Mendes; Tavares, Vinicius (Zidane, 57'), Dju; Kenedy (Dias, 65')

Nulo no regresso da Suíça...

Uma Semana do Melhor... Finais !!!

Benfiquismo (CDLIII)

Com todos...

Jogo Limpo... no Atletismo e o resto!!!

Conversas à Benfica 4

Conversas à Benfica 3

Caminho de civismo

"O campeonato está ao rubro, mas ainda não é encarnado. Não porque se jogue um futebol encantador, mas porque fora das quatro linhas a indigência moral tomou contou do espaço mediático. O lixo é tanto que dar-lhe muito espaço só aumentava o mau cheiro que provoca.
Numa semana de Sporting-Benfica, onde os encarnados foram prejudicados em três penalties em quatro minutos, facto absolutamente inédito no futebol mundial, foi também o único emblema que optou por não protestar, reclamar e vociferar contra o homem de preto, simpatizante, aliás, de clube rival com quem discutimos o título. Este caminho de civismo é muitas vezes (frequentemente também tenho culpas) criticando pelos próprios adeptos, que não percebem porquê tanto dano sem nenhuma contestação. Acresce que à hora do desfecho de Alvalade ainda o mundo das notícias não havia sido bafejado com a informação do cintilante resultado dos azuis e brancos frente ao poderoso Feirense, e, por isso, os dois pontos que deixámos em Alvalade podiam, como podem, custar o título nacional. Anotem, porque vão todos morrer sem ver outra vez, três penalties em quatro minutos sem um protesto ou lamento.
Faltam quatro jogos para disputar e o Benfica tem que se centrar nas quatro linhas, no jogo e na baliza adversária. Nos truques, nas fintas e nos ardis externos já sabemos ser piores que a concorrência. Temos mesmo que ser muito melhores dentro de campo para vencer um Campeonato, que já estava ganho sem erros de arbitragens. Boa notícia ter terminado o calvário de lesões, excelente notícia ter de volta Jonas e ter recuperado Fejsa em razoável condição. Encher a Luz contra o Estoril, porque sábado é mesmo uma final. Aqueles que acreditavam em Jorge Jesus acreditam agora em Pedro Emanuel, só nunca os vi acreditar neles mesmos. Têm razão porque o Estoril é boa equipa e Pedro Emanuel bom treinador."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Grândola... está na hora!!!

Ainda faltam quatro finais

"Artur Soares Dias até poderá ser o melhor árbitro português da actualidade - o que, por si só, pouco significa, em tempos também Pedro Proença o foi - mas esteve francamente mal no dérbi. As três grandes penalidades sonegadas ao Benfica mancharam a sua actuação, que creio ter sido, no entanto, bem intencionada. O problema é que, na dúvida, preferiu não arriscar uma eventual má decisão a nosso favor, prejudicando-nos claramente, talvez condicionado pela campanha vil que tem sido empreendida pelos nossos adversários. E também, quem sabe, por se treinar à porta aberta no Centro de Alto Rendimento da Maia, sujeito a joelhadas e caneladas de adeptos que depois se vangloriam, nas redes sociais, de prestarem visitas a árbitros.
Por isso soa ainda mais a ridículo, sem que me surpreenda, que tenha havido uma queixa leonina relativamente à arbitragem. Parece que Lindelof marcou o livre que resultou no nosso golo a uns extraordinários dez centímetros de onde supostamente deveria tê-lo feito. É pena que tanto rigor não se aplique nas suas acções de propaganda. Bem poderão apresentar em letras garrafais que são a maior potência desportiva nacional que ninguém precisaria de uma lupa para ler, nessa patetice, apenas e só uma tentativa frustrada de iludir a realidade. Continuem a iludir-se, que nós continuaremos a tentar ganhar.
E os outros... Enfim, que bem que lhes deverá saber terem uns aliados em Lisboa... Felizmente não os têm em Braga e na Feira... Quanto à liga Salazar, ou são profundamente ignorantes, ou julgam que os seus adeptos são todos mentecaptos. O que vale é que a arte da desinformação não marca golos e os apitos já não são dourados."

João Tomaz, in O Benfica

Borda d'Água 2017

"Um dos meus avós vivia numa quinta, depois de Coruche, encostada ao Couço, tida como a freguesia mais 'vermelha' de Portugal, graças aos resultados em quase todas as eleições. E sei que também tinha muitos Benfiquistas. Um verão passei lá umas férias. Eu devia ter uns 15 ou 16 anos e ouvíamos o relato da Volta a Portugal em bicicleta pela Antena 1. O campeonato estava parado, mas havia sempre ciclismo para nos entreter. Nas poucas conversas que tínhamos, o velho Cancela ensinou-me uma das lições que a vida feita de trabalho na terra nos dá: 'Para quê invejares o que o vizinho tem, se não fazes nada com o teu quinhão de terreno'. Todos os dias, às seis da manhã, ele levantava-se, ia dar de comer aos animais, abrir regos para a água passar para a horta e para o pomar, tratava de arranjar lenha, inventava enxertos para as laranjeiras e sacava os ovos às galinhas. Tinha as melhores laranjas da região e um orgulho imenso nelas.
Olho para o nosso campeonato e para a realidade das duas equipas que lutam para ser o primeiro dos últimos e revejo-me nesse verão, quando começou a primeira Guerra do Golfo. FC Porto como Sporting CP só se preocupam com aquilo que brota da nossa terra. Invejam as nossas laranjas, o nosso departamento de comunicação, as nossas vitórias, o nosso marketing, os ovos de ouro das nossas galinhas. Socorrendo-me do pouco de agricultura que aprendi, parece-me que, tanto os vizinhos próximos como os mais afastados, só têm uma solução: manter-se no pousio por mais uns anos e trabalhar de forma mais árdua. Ou então, fazer uma queimada no terreno e rezar para que chova."

Ricardo Santos, in O Benfica

Unidos!

"Estávamos em Maio de 2013. Ao Benfica bastava ganhar, na Luz, ao Estoril e ao Moreirense - precisamente as duas equipas recém-promovidas ao escalão principal - para festejar aquele que teria sido o seu 33.º título. Todos nos lembramos do resto da história.
Pois se então tudo parecia fácil, agora parece bem mais difícil. Precisamos, não de duas, mas de quatro vitórias (ou, pelo menos, três vitórias e um empate). Temos deslocações muito duras, onde arrancámos triunfos suadíssimos na temporada passada. E começamos por receber o…Estoril.
Pese embora a última jornada nos tenha corrido de feição, o caminho ainda é longo e sinuoso. O céu pode esperar.
Em Alvalade fomos a melhor equipa (como, de resto, já havíamos sido no jogo com o FC Porto). Um conjunto de infelicidades - que começou com a ausência do nosso melhor jogador, continuou com um erro nada habitual do grande Ederson, que nos custou um golo na alvorada da partida quando ninguém o justificava, e terminou com uma sucessão de três lances de óbvia grande penalidade que Soares Dias não viu - não nos permitiram ir além de um empate. Do mal, o menos, para uma equipa que mostrou tamanha força mental na resistência a todas essas adversidades, salvando um ponto que, tendo em conta as circunstâncias, acabou por ser saboroso.

PS: Passaram-se muitas coisas em redor do “Dérbi” (uma tragédia, e algumas comédias de mau gosto) que nada têm a ver com futebol. Sobre elas o nosso Presidente falou, e bem. Tudo o que possamos dizer agora será redundante, ou mesmo perigoso. Vamos continuar unidos, e focados naquilo de que verdadeiramente gostamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Uma pequena história

"Quando eu era pequeno, adorava ler as histórias do Tintim, do Michel Valillant, do Mickey dos Irmãos Metralha, mas especialmente apreciava muito a personagem do Pateta.
Em 1932, Michey já era uma personagem muito famosa no mundo inteiro, quando os cinemas lançaram um novo desenho animado com o pequeno astro:
'Mickey's Revue' (A Revista Teatral de Mickey). Nesse filme havia um novo personagem, muito 'desligado' e bastante simpático.
Essa personagem era o Pateta, que aprecia pela primeira vez. Logo agradou em cheio! Seu nome em inglês é Goofy, um termo de gíria que quer dizer tonto, enlevado, pateta.
Paul Murry, um desenhista dos estúdios Disney, inspirou-se num cão nativo da Austrália para criar o Pateta. Mas do espertíssimo cão australiano ficou apenas a figura. Porque a graça do Pateta consiste justamente nisto: ele não é nada esperto.
Em compensação, é um grande trapalhão, arrumador de encrencas e o maior despreocupado do mundo: nada, absolutamente nada, parece perturbar o Pateta. Por mais confusões que ele crie, vai sempre em frente, sem perder seu eterno bom humor. Mas são justamente essas qualidades que tornam o Pateta um dos mais queridos personagens de Walt Disney e o grande amigo do Mickey, de todas as horas e todas as aventuras.
Mas o Pateta tem um segredo! Ele possui em seu jardim uma plantação de super-amendoins e, quando come alguns deles, transforma-se no Super-Pateta. É quando ele vira um super-herói, super-forte, super-etc, e tal, mas também uma super-trapalhão, metendo-se nas mais incríveis super-confusões enquanto argumenta que está a defender os mais necessitados.
O único que conhece esse segredo é o seu sobrinho Gilberto que, às vezes, ajuda seu tio nas sua super-aventuras, transformado-se no Super-Gilberto.
Quando não está fazendo de super-herói, Pateta vê emocionantes aventuras policiais ao lado do seu velho amigo Mickey, ou então está com o próprio Gilberto que, de vez em quando, fica muito irritado com as patetices do seu tio Pateta...
(...)"


Pragal Colaço, in O Benfica

Milhões de vitórias

"Os resultados do novo empréstimo obrigacionista provam que o Sport Lisboa e Benfica é uma instituição confiável. Com um valor de 60 milhões de euros, a procura chegou aos 92 milhões. Esta é, provavelmente, uma das grandes vitórias do maior clube português. No curto espaço de uma década o presidente Luís Filipe Vieira resgatou e recuperou a credibilidade e a idoneidade do SL Benfica. A reputação do Glorioso tem permitido que estas operações se transformem em verdadeiros casos de sucesso. O objectivo dos dirigentes da SAD merece ser aplaudido - substituição da dívida bancária. No passado dia 4 de Abril, em entrevista ao Record, Domingos Soares de Oliveira deu-nos uma boa notícia, anunciando que a facturação do Grupo SL Benfica está entre os 230 e os 250 milhões. Em 2004, quando chegou ao clube, o total da receita era de 40 milhões de euros. Hoje a receita atinge os 240 milhões. Estes resultados provocam inveja nos nossos rivais. Na entrevista à CMTV, o Presidente anunciou que a redução do passivo será prioritária. Para atingirmos esse objectivo vamos ter que trabalhar todos juntos e ainda mais. Uma das provas mais evidentes da pujança da nossa instituição é o Football Money League, estudo anual da prestigiada Deloitte. Em relação à época 2015/16, as receitas combinadas dos 20 maiores clubes aumentaram 12%, chegando a um valor recorde de 7,4 mil milhões de euros. O Manchester United lidera com uma receita de 689 milhões. O Benfica é o único clube português no Top 30, ocupando a 27.ª posição, com uma receita de 152 milhões. O nosso Clube figura nesta lista desde 2009/10. Em relação ao Matchday, figuramos em 14.º lugar, com 36,5 milhões. Quanto à Media TV, encaixámos 64 milhões, permitindo uma honrosa 20.ª posição. Já quanto ao Comercial atingimos os 51,5."

Pedro Guerra, in O Benfica

Chega!

"Os clubes têm o futebol que merecem. porque são eles, em última análise, que querem o futebol que têm.

Com toda a franqueza, não me apetece perder tempo nem esgotar a paciência do estimado leitor com o péssimo ambiente que por aí se instalou no futebol, por responsabilidade exclusiva de algumas personagens ligadas aos três grandes clubes portugueses. Quanto mais se falar delas mais importância se lhes dá. E o objectivo deve ser exactamente o contrário.
Claro que não é possível ignorá-los. Infelizmente. Se fosse, ou mudavam de atitude ou mudava de esquina.
Não podemos ignorá-los mas podemos dar-lhes a pouca importância que realmente merecem. Já basta temos de lhes aturar a insuportável ironia, a hipocrisia, a insinuação, a ofensa, a provocação, a rasteira, o jogo baixo, a piadinha e a torradinha. Chega. Mas cabe a cada um fazer a selecção e a escolha. Eu já escolhi. Gosto de futebol, gosto de jogadores e de treinadores.
Quanto ao resto, cumpram os regulamentos ou façam novas regras e chamem a polícia se for caso disso.
Os clubes têm o futebol que merecem porque são eles, em última análise, que querem o futebol que têm. Deixem, por isso, de fingir que são todos, apenas e só, pobres vítimas da conspiração alheia, sem qualquer responsabilidade no cartório.
Como insistem em fintar a ética, devia o Estado corrigi-los e obigá-los a ter maneiras. Castigos realmente mais duros, multas muito mais pesadas, regulamentos mais claros, justiça mais rápida, enfim, um quadro que regulasse toda esta desregulação e tornasse respirável este ar tão poluído.
Exemplos de como se deve fazer não faltam. Chegam do Reino Unido (que foi capaz de acabar com o hooliganismo), dos Estados Unidos (que têm a melhor indústria de desporto profissional), da Alemanha (onde quase não se sabe que são os dirigentes), até de Itália, onde as entidades que gerem o futebol tiveram a coragem de promover fortes investigações ao que precisaram de ver limpo, mesmo quando isso implicou atirar para a segunda divisão clubes com a dimensão da Juventus ou do AC Milan.
Que futebol querem os dirigentes dos clubes portugueses? Que futebol quer o Estado português? Este futebolzinho de guerrinhas permanentes e chico-espertices? De abuso de poder e falta de ética? Repito o que aqui deixei escrito antes do derby: com ou sem cartilha, ninguém pode atirar a primeira pedra porque em todos há telhados de vidro. E muitos!

Apesar dos empates da última jornada, Benfica e FC Porto prometem dar a este campeonato emoção até ao fim. E competição. E ainda bem! Ou alguém pode ter saudades daqueles campeonatos ganhos com mais de 15 pontos de vantagem?
No último fim de semana, derby em Alvalade muito intenso e tacticamente muito discutido. Sporting e Benfica meteram o jogo numa caixa de fósforos e por isso se tornou tão difícil de jogar bem.
Não foi, por isso, um derby bem jogado mas foi um derby muito disputado e talvez por ter sido tão metido numa caixa de fósforos é que o jogo só podia mesmo esperar golos de bola parada. Como aconteceu.
No fim, e desta vez, destacou e bem Jorge Jesus a superioridade dos processos defensivos das duas equipas, travando qualquer criatividade ofensiva, e poderia Rui Vitória ter lamentado (e talvez o tivesse feito se tivesse perdido...) dois lances de grandes penalidades não assinaladas pelo árbitro a seu favor. Em vez disso, preferiu afirmar que o Benfica «merecia» ter ganho porque «foi a melhor equipa».
Não foi, com toda a franqueza, esse o jogo que eu vi. Mas o treinador do Benfica é que sabe as linhas com que se cose!...

'Penalty'
Como seria bom que os adeptos fossem capazes de reconhecer o quanto são injustos para alguns jogadores tão mal-amados. No Benfica, o caso gritante é o de Pizzi, que no último derby voltou a mostrar a importância que tem na equipa.

Livre Directo
Mais distante, agora, dos portugueses, outro caso gritante é o do nosso André Gomes, alvo de tão fortes críticas em Barcelona. Pois o jovem campeão da Europa com Portugal mostrou o que vale no clássico em Madrid. E só precisou de um segundo!

Livre Indirecto
O italo-argentino do Sporting, Schelotto, inaugurou um restaurante e recebeu companheiros de equipa e... do Benfica. A Bola TV mostrou tudo, em directo e em exclusivo. Foi uma festa. E viu-se como sabem os jogadores dar bons exemplos!
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Mais um cobarde, que não consegue despir a camisola, e 'mete tudo no mesmo saco'!!!

Morte anuciada

"O clima de excessiva agressividade, até de violência, que se vive no futebol em Portugal, principalmente entre os clubes de maior dimensão, teve no último fim de semana um dos dias mais negros. Nada que não fosse previsível ou sem aviso, infelizmente nunca levado suficientemente a sério. Não se trata de falta de fair-play. Trata-se ter ou não coragem para tomar medidas preventivas e punitivas, que acabem com esta violência gratuita. A começar pela verbal.
Os regulamentos desportivos são por vezes pouco precisos, ou melhor, têm aberturas para diversos recursos. Tal como todo o enquadramento jurídico português. Quando todos os recursos se esgotam levanta-se a constitucionalidade das normas. Temos estado a aumentar a complexidade para a aplicação de regras simples. Tornou-se hábito o recurso do recurso. Vivemos num Estado de direito, princípios fundamentais têm que se assegurados, o que não significa que a Lei e a sua aplicação tenham tantos alçapões. O bom sendo deve imperar para que se criem e apliquem regras eficazes. Como é possível em determinados estádios considerar-se normal a agressividade manifestada para com os elementos da equipa visitante? Até alguns agentes desportivos permitem essa agressividade por não serem castigados ou castigados tão tardiamente.
Mas não são só os agentes do futebol que devem ser responsabilizados. A batalha pelas audiências estabelecida entre os diversos órgãos de comunicação, com destaque para alguns canais por cabo, com um grande número de programas sobre um campeonato limitado a Benfica, Porto e Sporting, também tem ajudado a aumentar esta animosidade entre adeptos. Não se trata de analisar e comentar um jogo de futebol, trata-se de insultar quem não está de acordo. Claro que há quem não tenha esta postura, felizmente. Como em tudo, a maioria é silenciosa. Está na hora dessa maioria exigir mudanças, de se manifestar contra este estado de coisas. É um dever de cidadania que todos deveríamos assumir."

José Couceiro, in A Bola

A estupidez

"Todos temos uma ideia aproximada - uns mais, outros menos - sobre o conceito de estupidez, não sendo necessários grandes conhecimentos ou sabedoria para extrair conclusões acertadas sobre tal matéria. Há que reconhecer, no entanto, que expressões existem, nem sempre condizentes com a realidade das coisas, como, por exemplo, aquele aforismo muito popular de que «É estúpido que nem uma porta». Por muito grande que seja o nosso esforço e a nossa imaginação, tornar-se impossível conceber uma porta imbuída de um tão horrível defeito que é um exclusivo da espécie humana. Seja como for - e basta, para este efeito, consultar qualquer dicionário - a noção de estupidez acha-se intimamente ligada a falta de discernimento, de inteligência, de compreensão e até de imbecilidade. O Povo, com aquele ancestral sabedoria de experiência feita que lhe é tão peculiar, acaba por lançar mão de outros vocábulos que, no meu entender, são bem reveladores, de um conhecimento sólido de estrutura/base de conceito de estupidez. Burro, obtuso e tapado são algumas dessas expressões a que, por vezes, são associadas outras como grosseiro, bruto e indelicado. Alvo de reprovação generalizada dos homens, de boa vontade, até hoje não foi possível descobrir vacina ou antídoto para uma tal maleita, justificando-se a afirmação de Camus de que «A estupidez insiste sempre». Mas temos de reconhecer e enaltecer a luta travada pela inteligência e pela dignidade contra a doença estúpida, bastando atentar no exemplo dado em campo (e fora dele) pelos jogadores do Sporting e do Benfica, no derby do passado Sábado. Para todos os outros agentes desportivos que, antes e depois no jogo, não souberam sequer respeitar a dimensão de tragédia acontecida, direi apenas: «Aprendam a estar!»."

Sérgio Abrantes Mendes, in A Bola

Na NBA é assim. Também queremos!

"Durante o jogo entre os Houston Rockets e os Oklahoma Thunders, a contar para os play-offs da NBA, disputado na madrugada de ontem, o presidente dos texanos, Leslie Alexander, interpelou um dos árbitros, Bill Kennedy, de forma incorrecta. A sanção surgiu pouco tempo depois do final da partida em forma de multa, nada meiga: cem mil dólares (92 mil euros), foi quando a brincadeira custou a Alexander. Quando, por cá, tanto de fala em agilizar e endurecer as penas no futebol, a lição a tirar é que, nessa matéria, já está tudo inventado por quem leva a indústria do desporto muito a sério. Basta querer. Neste particular, até acredito, sem reticências, na boa-fé da FPF e na sua vontade de estabelecer um sistema semelhante àquele que os clubes aceitam sem pestanejar quando estão envolvidos nas provas da UEFA. Porém, e oxalá esteja enganado, tenho as maiores reservas quando à vontade dos clubes. Creio que não pretendem que a coisa não vá mais longe do que uma operação de cosmética, para que no fundo fique tudo na mesma e cada um tenha a presunção de poder influenciar nos bastidores. Há mentalidades que não evoluem e não veem que os jogos se ganham dentro das quatro linhas. Dramatizar erros de arbitragem - e já todos o fizeram! - não serve para outra coisa que não seja procurar esconder os enganos próprios que estiveram na origem dos insucessos desportivos.
Este ano, no que concerne à conflitualidade entre os exércitos dos clubes que não jogam à bola, está a ser pior que mau. Temo que o próximo, quando houver apenas uma vaga directa para a Champions e outra para a terceira pré-eliminatória, possa ser bem pior."

José Manuel Delgado, in A Bola

A Bipolaridade !!!



A partir do minuto 1:04:30.

E se você, leitor, for parte da solução?

"O futebol português chegou a um ponto crítico e não há inocentes: todos somos culpados de levar o espectáculo fora das quatro linhas para o canto perverso em que se encontra.
Jogadores, treinadores, dirigentes, adeptos, jornalistas, ninguém pode ser absolvido.
Mas por partes.
Os jogadores, por exemplo, são culpados por cederem o palco a figuras de interesse duvidoso. Basicamente vendem o direito constitucionalmente declarado de liberdade de expressão: um direito defendido até pela declaração universal dos direitos do homem.
Por que o fazem? Naturalmente por dinheiro.
São demasiado bem pagos para não aceitarem as cláusulas que lhes impõem a obrigação de não fazer declarações públicas sem autorização prévia. Entre um bom contrato e a liberdade básica de expressão, preferem o primeiro.
E mesmo quando falam, não dizem o que pensam nem sequer o que querem dizer: dizem o menos possível, para não perturbar a entidade empregadora. É um direito deles.
Enquanto isso, lá está, cedem o espaço mediático a figuras de interesse duvidoso, e com isso acaba por não se falar de futebol: fala-se de suspeição, ódio e conspiração. É pena.
Nesta altura entram nesta equação os dirigentes.
São, em boa parte, pessoas sem formação e que se deslumbram com a faculdade de manipulação das massas que o posto lhes confere. Deixam-se embriagar pelo poder e sentem uma necessidade vertiginosa de estar sempre nas manchetes.
O delírio do poder é tão grande que acabam até por subverter o próprio princípio básico da democracia: para eles o importante não é serem sufragados pelo trabalho que fizeram, o importante é eternizarem-se no poder enquanto for vontade própria.
Para isso enchem os sócios de teorias absurdas, desculpabilizam fracassos atacando rivais, criam teorias da conspiração, enchem o futebol de ódio, rancor e suspeição.
Manipulam as massas de forma a manter a popularidade e garantir uma reeleição. Como? Criando uma barreira entre nós os bons e eles os maus, nós os leais e eles os corruptos, nós os íntegros e eles os violentos. Raramente, portanto, falam com honestidade.
Podemos contar com eles para tornar o futebol um local mais respirável? Claro que não.
Seguem-se os jornalistas, talvez os maiores culpados do ar irrespirável que se sente à volta do futebol português: felizmente dentro do relvado não é assim.
Os maiores culpados por uma razão simples, porque ser jornalista é fazer escolhas. É recusar ser pé de microfone e decidir não publicar o que lhe parece não ser notícia.
Felizmente trabalho num jornal que não tem antigos árbitros a analisar lances, que raramente fala de arbitragens e que não dá voz a dirigentes: não escreveu, por exemplo, uma linha das declarações dos últimos dias de Bruno de Carvalho ou Pinto da Costa, e apenas divulgou uma pequena passagem em que Luís Filipe Vieira falava do dérbi.
A linha editorial é só escrever o que os dirigentes dizem da gestão interna dos próprios clubes. Mas infelizmente não somos a regra, somos a excepção.
 Porquê? Quero acreditar que tem muito a ver com a crise na imprensa.
Ainda há dias a Cofina - do Correio da Manhã e Record - despediu 55 pessoas. Há dois anos foi a Controlinveste, de O Jogo, JN e DN. Para o próximo ano pode ser o Público, A Bola ou o Maisfutebol. Sejamos claro: os jornalistas vivem com a corda no pescoço.
O caso da Cofina é paradigmático. Não despediu 55 pessoas porque teve prejuízo, despediu-as porque caiu 14 por cento nos lucros. Teve um lucro de dois milhões de euros, mas para os administradores isso é pouco, significa que não estão a gerir bem a empresa e por isso a solução é despedir pessoas, cortando nos custos com o pessoal.
O que exigem é que os jornais aumentem os lucros, tendo menos gente para trabalhar. Como isso é possível? Não é seguramente fazendo um melhor jornalismo, até porque têm menos meios para isso. A solução é plastificar: dar mais polémicas e sensacionalismos. 
Vamos culpar os jornalistas por isso?
Vamos pedir ao jornalista que viu o colega ao lado ser despedido - e que sente que da próxima vez pode ser ele -, que discuta com o chefe de redacção ou com o director que o jornal não deve publicar um presidente a lançar suspeições sobre outro?
A pirâmide de Maslow explica tudo isto muito bem: ninguém pensa em roupas bonitas quando não tem comida na mesa. Chama-se instinto de sobrevivência.
O que sobra, afinal?
Sobram os adeptos: não aqueles adeptos que vão a todos os jogos , que têm bilhetes mais baratos, transporte pago pelo clube e espaço na bancada para desenvolver actividades de legalidade duvidosa. Sobra o outro adepto, aquele que não ganha nada com o jogo: a não ser uma alma cheia e um sorriso nos lábios.
Sobra você, leitor, que se me está a ler é porque gosta de futebol, caso contrário estaria a discutir a liga da verdade num fórum qualquer. Sobra no fundo você que recusa ser carne para canhão, recusa ser mais um número para as audiências, recusa ser parte da manipulação de massas.
Você que é pai, ou vai ser pai, e não quer que o seu filho seja educado num ambiente de guerrilha como este: um ambiente pesado, cinzento, depressivo. Não quer, enfim, que o seu filho um dia só saiba discutir futebol pelo prisma da arbitragem, sem perceber a beleza do jogo, porque foi a isso que foi habituado durante anos.
Por isso, da próxima vez que alguém quiser comentar a última provocação de Rui Gomes da Silva, diga que não vê esses programas.
Da próxima vez que alguém quiser discutir uma boca de um dirigente, diga que gosta demasiado de futebol para estar a comentar política: mas que está disponível para falar da surpresa que foi aquele livre de Lindelof.
Que está disponível para dividir um garrafa de vinho em torno das memórias que o levaram a apaixonar-se por um clube, que está disponível para jantar enquanto veem o próximo jogo, que está disponível para celebrar o futebol como a amizade: de espírito livre e alma cheia.
Porque só assim é que o futebol faz sentido: no pedestal de jogo mais bonito do mundo."


PS: Como não podia deixar de ser o 'escolhido' para representar os 'maus-paineleiros', foi o Rui Gomes da Silva... senão fosse ele, seria o Pedro Guerra, e se não fosse ele seria o André Ventura...!!! Estes 'tiques' são difíceis de disfarçar...

Benfiquismo (CDLII)

Outros tempos... outros modos!!!

Aquecimento... a longo prazo e a curto prazo!!!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

De boas intenções está o inferno cheio

"Por isso, o melhor mesmo seria saber o que pensa - mesmo - Pedro Proença sobre o presidente do Sporting!

Tendo sido um dos mais ferozes críticos de Pedro Proença, enquanto árbitro, impus-me, a mim mesmo, ultrapassar o que entendi com uma crispação já desnecessária, após o seu abandono.
Depois de uma intermediação (do meu... hoje já famoso... cunhado) acabei por falar, algumas vezes, com Pedro Proença a constatar que a sua preparação e formação poderiam fazer dele uma figura relevante no futebol português.
Esta é a minha declaração de interesses, ... para chegar a este artigo com autoridade moral para escrever o que se segue...
Apesar de empenho que Pedro Proença pôs na aprovação de uma norma só para mim (o art.º 140.º A, do Regulamento de Disciplina), e da mais que previsível campanha (que aí vem) de proibir os programas tipo O Dia Seguinte de terem acesso a imagens dos jogos.
Como se eu fosse o responsável máximo pelo 35 e, agora, pelo possível 36 e tetra (mas fazendo o favor a quem lhe pede isso)!

A declaração do presidente da Liga...
Talvez inspirado pelo espírito de Abril, o presidente da Liga, invocando o prestígio internacional do futebol português, veio, em artigo publicado em A Bola, no dia 26, fazer um apelo ao fair-play, ao respeito, ao bom sendo e... à contenção verbal.
Ora - do que vejo, do que leio, do que sei e do que me contam - o artigo em causa não tem qualquer correspondência com a postura, os actos e os comportamentos do seu autor, no cargo em causa.
Porque estas palavras, agora escritas e publicadas, não coincidem nem condizem - do que vejo, do que leio, do que sei e do que me contam - com o que Pedro Proença afirma em conversas, por certo reservadas, mas com muita gente.
O Presidente da Liga não pode apelar, como o fez, e ser conivente com a instigação da divisão e do conflito gratuito.
O Presidente da Liga não pode ter uma opinião em público sobre o presidente do Sporting que - do que vejo, do que leio, do que sei e do que me contam - é exactamente a oposta da que transmitirá, nesses encontros, a outros dirigentes.

... E a reunião com um presidente castigado
Como compreenderá, o Pedro Proença que acho ser uma pessoa de bem («d'um só rosto, ... de antes quebrar que torcer», para usar a expressão de Sá de Miranda), não pode, enquanto Presidente da Liga, receber, formalmente, o presidente de um clube que acaba de ser castigado pelo Conselho de Disciplina com 113 dias de suspensão!!!
Ao fazê-lo, está a pactuar com alguém que infringiu, de forma grave, a lei, segundo os órgãos disciplinares do futebol português.
113 dias para um infractor, um prevaricador castigado, mas que, ao mesmo tempo despreza a decisão do órgão que tutela a disciplina do futebol em Portugal.
O que não diríamos se, por exemplo, víssemos, nas primeiras páginas dos jornais que usam e abusam desse tipo de notícias, um qualquer chefe de uma qualquer repartição de Finanças aplicar uma sanção pesada a um qualquer cidadão por incumprimento fiscal e, dias mais tarde, assistirmos, numa qualquer televisão, a uma reunião formal do Ministro das Finanças com esse mesmo cidadão, para discutir a situação fiscal do país e ouvir as suas sugestões para o combate à evasão fiscal e ao branqueamento de capitais?
O que diríamos todos nós, especialmente os mais afoitos na crítica de quem anda na vida política, se, no final desse encontro, o cidadão em causa ainda tivesse o atrevimento de prestar declarações publicas a dar lições de moral e ética a todos os restantes cidadãos do país?
Ou se um incendiário reconhecido como tal fosse chamado para dar conselhos aos bombeiros, no combate a um fogo qualquer?
Não, não podemos aceitar, calar e ser coniventes, para não dar a ideia de que, no futebol português... o crime compensa.
Ou, melhor ainda, ... há crime, há punição, mas tudo continua como se não houvesse infractores...

E os outros encontros?
Poderia Pedro Proença ter ficado por aqui... Poder, podia... mas não seria a mesma coisa! O que levará o Presidente da Liga apelar à paz, ao entendimento e ao fair-play, quando, nas vésperas de um jogo que se seria sempre determinante na luta pelo título de campeão nacional (a 5 jornadas do fim), janta com agentes desportivos que fizeram juras de uma santa aliança (que tem de tudo menos de santa) contra o Benfica?
Ou não perceberá Pedro Proença que tais sinais são provas de uma saga divisionista e pouco merecedora de algum crédito para quem deveria ser... e parecer... imparcial?
Eu não quero dar razão a quem, no Benfica, me dizia, de cada vez que o defendia internamente, que terá uma agenda marcada por velhos laços, impossíveis de romper...
Mas como diria António Oliveira Salazar (para citar, pelo que vi nos últimos dias, um dos autores preferidos do presidente do Porto), ... «o que parece, é».

O fim da Liga ou de Pedro Proença?
Ou será que teremos que concordar com aqueles que defendem que a paz no futebol português se fará pelo fim da Liga, ou pelo seu afastamento do cargo que exerce? Para que os defensores desta tese não possam ter razão, há que fazer corresponder as palavras dos actos! As palavras, ditas e publicadas, aos actos e aos comportamentos respectivos!
Porque o castigar com uma mão e perdoar com uma reunião é um caminho que não leva a lado algum!
Esses senhores da guerra do futebol, generais de claques legalizadas que deveriam ser ilegalizadas (mas sempre preocupados com as claques que não precisam dessas normas para seguirem a lei), saem de cada reunião dessas com o ar de quem domina o mundo, como se essa conivência com quem os recebe tenha feito deles verdadeiros... detentores do segredo do Santo Graal... do futebol português!
Ora, que sai assim de um encontro com o Presidente da Liga não pode ter ouvido de Pedro Proença o que Pedro Proença pensa deles (do que vejo, do que leio, do que sei e do me contam). Ou, pelo menos, o que Pedro Proença diz - a outros - o que pensa deles! Por isso, o melhor mesmo seria saber o que pensa - mesmo - Pedro Proença sobre o presidente do Sporting! Já agora, ... num artigo no dia 1.º de Maio (para seguir a saga das datas comemorativas)!
Acabando com a intriga, porque - se assim não for - teremos que dar razão a quem acha que a liga deve acabar!

Benfica e Feirense
agora, para o registo, dois empates marcaram a última jornada. Excelente o do Feirense, fora. Menos bom, o do Benfica. Porque, se o Feirense mereceu empatar, já o Benfica com três penalties - roubadinhos... - merecia ter ganho! Agora, contra o Estoril, vem aí a primeira das 4 finais que faltam.
Rumo ao 36!!!"


Rui Gomes da Silva, in A Bola

Verdade e mentira

"«Uma porta meio aberta é uma porta meio fechada, uma meia-mentira jamais será uma meia-verdade», escreveu Jean Cocteau.
A verdade dá trabalho, porque exige a consonância da sua essência com o carácter e a consciência. É uma prova de fundo, uma espécie de maratona. Exige coerência e memória. A mentira implica a imaginação do seu fabrico e é favorecida pela sofreguidão dos tempos, que rapidamente a fazem submergir nas trevas sem memória. A mentira é uma modalidade de velocidade rápida. Tanto que, não raro, se perde na pista.
A verdade existe por si. A mentira subsiste através dos seus feitores.
A mentira deixou de ser o contrário da verdade. Para isso, se veste ou traveste de muitas, sofisticadas e falsificadas formas: a tal meia-verdade, a omissão, o exagero, a dilação, o rumor, a contra-informação, a incoerência, a quimera, a ilusão, a insinuação, a manipulação, a descontextualização. Entre a verdade e a mentira, ou ainda - na agora em voga e pós-moderna perspectiva - entre a verdade e a pós-verdade, ouve-se, com inusitada frequência, o mais superlativo e reles instrumento de argumentação: o insulto. Ás vezes, acompanhado da magia de se dividir a verdade para multiplicar a mentira.
No futebol, há implantes imperadores da mentira global. Até muito apreciada (ou consentida) em certos ambientes e replicada por turbas. Por isso, se vem transformando numa nova especiaria comportamental.
Mas, como dizia o poeta Mário Quintana, «a mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer?» por isso, é só uma questão de tempo, até se descobrir o dia em que o mentiroso compulsivo conseguir dizer uma... verdade!"

Bagão Félix, in A Bola

Enfim, move-se!

"Foi Galileu Galilei quem terá tido a irónica sagacidade de declarar, em surdina, a histórica frase: «E no entanto, ela move-se». Referia-se à Terra, depois de ter a prova científica de que, ao contrário do que era entendido pelo pensamento universal, não era o Sol que girava em redor do nosso planeta, mas o contrário. Galileu estava, no entanto, a ser interrogado pela inquisição e perante a alta probabilidade de ser queimado pela fogueira do Santo Ofício, admitiu, alto e bom som, que se enganara, que a Terra não se mexia, mas, baixando a voz, e fora do alcance da audição dos sombrios juízes, confirmou a sua verificação.
Nunca foi fácil, em todos os tempos, lutar contra os regimes instalados. Em Portugal, o futebol tem uma força imensa e os presidentes dos grandes clubes um poder tão forte quanto perigoso.
É o problema dos poderes. Pode ser aproveitado para o desenvolvimento, em linha com uma modernidade útil, mas também pode contribuir para desmandos, para o reaccionarismo cultural, para a segregação da inteligência e para degradação do meio.
O poder não é, pois, um mal em si mesmo, se descontarmos a convicção anarquista que parece ter caído em total desuso, mas o poder mal usado, ou abusado, é uma arma mortífera.
Depois de um período trágico, que causou desesperos, agravos e até mortes, incentivados por algumas vozes corajosas, em contra-ciclo com o conformismo e a indiferença, o velho sistema, enfim, move-se.
Chegam, do Governo, alguns sinais de acção, surge da FPF a promessa de fazer mais do que apelar ao fair play e o presidente da Liga fez publicar um artigo de assinalável importância. Talvez tenha valido a pena não termos ficado de braços cruzados."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: A sério, o 'Tugão move-se'?!!!
O 'querido' escreveu uma crónica, depois de estar calado todo este tempo, e agora está tudo bem?!!!
Mas quem é que não ficou de braços cruzados?!!! A Bola?!!! O jornal que recusava falar do Apito Dourado, pois dava uma má imagem do futebol...?!!!
Talvez o mais extraordinário neste texto, é a falha de memória do autor... ao não realçar que o Poder abusado ou mal usado, só triunfa, com o silêncio e cumplicidade dos tachistas e dos preguiçosos do politicamente correcto...!!!

'Derby': a lição dos artistas!


"Contra diabólicos ventos, 'gritaram': o futebol somos nós! Adrien e Pizzi num brilhante hino! Claques: legais (devem ser) ou não, quem expulsa bestas?!


Aplauso, muito, muito intenso, a todos os futebolistas de Sporting e Benfica no derby. Bateram-se com garra, deram o litro para vencer confronto sentido como especialíssimo (por razões diferentes, mas tão fortes!). E nunca, rigorosamente nunca, em hora e meia acesamente disputada, pisaram o risco de mau comportamento ético; absoluta recusa de qualquer tipo de violência - a estúpida e, muito pior, pérfida violência a quem andavam a ser chamados por estuporados adeptos e, gravíssimo!, por dirigentes.
Que estupenda lição foi dada por todos os futebolistas (27) de Sporting e Benfica neste confronto em que se empolgaram com bravura e permanente mútuo respeito. Mais uma vez, ficou transparente: o melhor - muitíssimo bom, amiúde fantástico - do futebol são os jogadores. Contra diabólicos ventos de tantos irresponsáveis que vão semeando ódios, indiferentes (?!) aos barris de pólvora que projectam para o grande palco onde os artistas galhardamente resistem conseguindo manter extraordinário espectáculo e, direi que roçando milagre, poderosa indústria.
Depois dos jogadores, os treinadores (por regra, com demasiadas excepções). Preparam as equipas, sofrem imenso, têm a cabeça sempre pertinho de cadafalso (esta lusitana I Liga deve ter batido recorde mundial: só 5 de 18 equipas não mudaram líder técnico!; e várias já vão no terceiro!, fantástica obra de dirigentes híper volúveis...). No emocionalmente escaldante derby, aplauso para Jorge Jesus e Rui Vitória. Verdade: por causa de fortes quezílias na época anterior, não conseguiram cumprimentar-se... (um dia o farão). Mas nem uma acha para a fogueira atiraram nos dias anteriores e no pós-jogo. Impecáveis.
E os dirigentes? Façam enormíssimo favor ao futebol e à sanidade mental de quem adora futebol: calem-se! Dirijam, clube e SAD, entendam-se para solucionarem os macro-problemas do nosso futebol (não apenas, nem sobretudo, a arbitragem - onde, reza longuíssima historia, sempre ferozmente se engalfinham a ver quem manda mais do que quem!), e deem todo o palco mais mediático a jogadores e treinadores. A desvergonha dos vossos insultos já passou todos os mais amplos limites! Por aí, calem-se! Até porque, sim, indiscutível, é a vossa miserável troca de piropos o que muitíssimo mais incendeia, até à alarvidade criminosa!, horroroso fanatismo de adeptos. E calem os vossos directores de dita comunicação! Óbvio: tudo isto está a léguas de se aplicar apenas a quem agora dirige Sporting e Benfica...
Ah!, as claques ditas organizadas. Fervilhante tema do momento: as legalmente reconhecidas vs. as que não são. Parece-me óbvio: todas devem estar legalizadas. Única forma de os clubes poderem ter alguma mão nelas (mas, evidente, não têm!; porque os dirigentes, receando-as, não querem ter!...). Teoria: mais fácil expulsar adeptos - expulsar de sócio, ou)e vetar entrada no estádio - de claque legal do que de ilegal. Porém, Pertinentíssima pergunta: quando é que um clube português assim foi drástico com elementos da sua claque, por muito reconhecidamente legal que ela seja?
Tão fácil alijar responsabilidade, passando a bola para o Estado, polícia, lei, tribunais... Também verdade: o Estado (governo, deputados) muito poucos se mexe nesta matéria, sempre tem tendência para devolver a bola... Lei mais severa? Sim! Mas sobretudo aplica-la. O juiz que condenou jogador do Canelas, agressor de árbitro, inclusive com proibição de entrada nos estádios, deu muito bom exemplo. E lembrem-se de como a Inglaterra resolver o gravíssimo problema dos hooligans: polícia prendeu-os, clubes expulsaram-nos, tribunaus condenaram-nos. Mais: obrigatória apresentação na polícia à hora dos jogos; e do país não saiam quando equipa de clube ou Selecção jogavam no estrangeiro. Drasticamente expurgados.

Adrien e Pizzi. Os dois melhores no derby. Médio contra médio, diretíssimo e renhidíssimo despique. Deu enorme prazer vê-los defrontaram-se com permanente intensidade (ambos assumido que a sua equipa muito deles dependia) e... nunca beliscado fair-play. Chocaram ror de vezes, levantaram-se, amiúde se cumprimentaram e... toca a jogar, acabando num Abraço, Adrien vs. Pizzi, Pizzi vs. Adrien, hino ao futebol!"

Santos Neves, in A Bola

PS: Está para 'nascer' o jornaleiro português, com coragem para 'separar' a postura e as declarações do Presidente do Benfica (e director de comunicação), em relação aos outros dois 'compadres'!!!!

Olhem para eles

"Não acredito que seja coincidência: estamos a ter uma das piores edições do campeonato do que à qualidade global do futebol diz respeito e talvez nunca como nesta temporada assistimos a tanta polémica e jogo sujo. Que a malta anda a portar-se mal, isso todos estamos de acordo, mas interessa-me, como cidadão, jornalista e amante deste jogo, perceber como chegámos aqui.
Olhemos para a justiça, por exemplo: a possibilidade de um caso ser julgado por dois organismos (um da Liga e outro da Federação) é absolutamente anacrónico e anedótico para casos como o de Slimani ou o do túnel de Alvalade (ou o de Samaris, vale uma aposta?) que demoram mais tempo a resolver-se do que construção de um prédio de 10 andares.
Urge por isso simplificar: um único órgão de disciplina e outro de arbitragem, de preferência fora da Liga, que está (e estará, devido à sua natureza) refém de interesses de quem não pensa global. Porque quem anda nos bastidores do futebol sabe como são tomadas as decisões em Assembleias Gerais: os grandes a competirem entre si e contando as espingardas, ou seja, clubes aliados, que devido à sua fragilidade estrutural, financeira e (porque não dizê-lo) com dirigentes de horizontes muito curtos, não têm outro remédio senão o de fazer de alinhado, caso contrário não recebe aqueles atletas emprestados ou aquele dinheirinho da venda de um jogador que nunca chega verdadeiramente a actuar pelo clube que o contrata...
São formas de agir de há 30 anos que continuam em voga, apenas mudando os protagonistas e a cor das gravatas. É tempo de haver uma reciclagem dos dirigentes. É muito bafio e bolor junto. Olhem cada vez mais para os jogadores e deem-lhe o espaço que merecem. Estão a dar várias lições. Como a de ontem no novo restaurante de Schelotto."

Fernando Urbano, in A Bola

Das verdades

"A ideia de Jorge Valdano: quando a grande figura dum jogo que acaba 0-0 é o guarda-redes, o jogo não foi de grande figura. Nem sempre é verdade. Domingo, no Dragão, foi (e não foi - porque houve mais). Foi verdade que Vaná foi grande figura por ter feito com que as suas mãos fossem, por vezes, maiores que a sua baliza. Foi verdade que houve outra grande figura (que não deveria ter havido assim): o árbitro que falhou com os olhos (nos penalties que deixou por marcar e não só) e que os jogadores do FC Porto falharam com os pés, disparatadamente. E foi verdade que o FC Porto mostrou o que já se lhe insinuara: falta de estofo de campeão. Sim, quando o Ghandi dizia:
- A coragem nunca foi questão de músculos, é questão de coração...
... não estava a falar de futebol, porque se estivesse não se esquecia da cabeça. O problema do FC Porto, contra o Feirense, não foi, só esse - foi não ter percebido (do treinador aos jogadores) outras coisas mais. Por exemplo o que Rinus Michels percebeu há muito tempo:
- O futebol era um jogo de acertos, hoje é um jogo de erros. Ganha quem souber explorá-los melhor, quem não os cometer tanto. Antes os espaços tinham de ser organizados, agora tem se ser criados...
... criados com argúcia. Não o percebeu - e não percebeu que, no futebol, a direcção certa é mais importante que a velocidade (ou a vontade desesperada). Que o afogadilho (ou o frenesim desesperado) só tira a serenidade dos pés dos jogadores, só lhes atrapalha o critério. (Sim, foi por isso que o FC Porto caiu no inferno que criou). E que quem joga assim, sobre as brasas que cria, falhando golos sobre golos por mais figuraça que tenha havido no guarda-redes - não perde só o jogo que empata, perde a moralidade para se desculpar com o árbitro. Mas mais: não ganhando ao Feirense (e ao Setubal) mesmo contra os erros dos árbitros (e o resto) só por despautério pode, depois, vir falar da Liga Salazar (mesmo ignorando ou esquecendo a história do Benfica com Salazar, a sua verdade...)."

António Simões, in A Bola

PS: Não foi fácil publicar esta crónica... a facilidade com que as queixas hipócritas e mentirosas dos Corruptos sobre as arbitragens, são aceites como verdade incontestável, pelos jornaleiros, é inacreditável!!! Mas a Liga Salazar acabou por 'salvar' esta crónica!!!

Benfiquismo (CDLI)

Empurrados...

Lanças... com Spray !!!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pedro Pichardo

Creio que quem não acompanha o Atletismo terá dificuldade em compreender o significado desta contratação!!! Pedro Pichardo é um dos maiores fenómenos do Atletismo Mundial... Ultrapassou a mítica marca dos 18 metros no Triplo antes dos 23 anos (algo que o Évora nunca conseguiu)!!! Neste momento só o Americano Cristian Taylor se pode comparar com o Pichardo (em condições normais sem lesões), mais ninguém está ao mesmo nível... são dois autênticos E.T.'s!!!!

Creio que o Benfica 'aproveitou' bem, a opção de 'deserção', dando ao atleta alguma segurança quanto ao seu futuro a curto prazo! Recordo que neste momento existem ex-Cubanos nas Selecções Espanholas, Italianas, Turcas... mesmo em Portugal, noutras modalidades temos ex-Cubanos, portanto no fundo acaba por não ser uma novidade...
Pelo que se sabe, existem outros Cubanos a treinar na secção de Atletismo do Benfica, portanto até podemos ter mais 'novidades' nos próximos tempos... Sendo que a própria Selecção Nacional, a médio prazo poderá beneficiar...

O Triplo Salto é tradicionalmente um 'exercício' que provoca lesões graves com alguma regularidade. Na última época o Pedro teve vários problemas, e competiu pouco...
Devido a esta inscrição tardia, o atleta não poderá competir no Nacional de Pista no próximo Verão, só em 2018... Mas tendo conta as palavras de todos os envolvidos, estamos perante um investimento a longo prazo... e se assim for, é de facto uma grande contratação!

O eterno 'derby'

"Tudo começou mal e a desoras. Grupúsculos digladiaram-se em nome da mais gratuita violência. Desta vez, com uma morte a lamentar.Quando veremos os clubes expulsar do seu seio pessoas que só alimentam e estimulam o ódio?
Mas falemos de futebol. Contra previsões de mais confusão e quezílias, o derby lisboeta decorreu com normalidade. No resultado, no ambiente do estádio cheio e, sobretudo, a atitude exemplar de todos os jogadores, lutadores até ao limite, mas respeitando-se como colegas de profissão. No meio das guerras, os atletas continuam a ser os mais respeitáveis.
Foi, pois, bom. Talvez decepcionante para os arautos - que os há, abundantemente - do desalinho por tudo e por nada. Os treinadores fizeram o seu papel com galhardia, mesmo não se cumprimentado, ou seja, sem serem hipócritas. Não houve ajuntamento nem rebuliço junto dos bancos. Os apoios a cada equipa contiveram-se nos limites mínimos da decência.
Ederson não deixou o Benfica estar mais de 384 dias sem sofrer um penalty, assim  retirando pretexto para mais excitações dos propagandistas oficiais de clubes, especializados em insultos e chalaças. Nas redes sociais das habituais queixinhas e azia só houve indisfarçáveis e frustradas bolas para canto. Nas TV especializadas em acicatar desavenças houve 7 (!) penalties (4 a favor do SCP!) e a bola na falta de Lindelof marcou brilhantemente estava fora do sítio para aí uns 15 cm! Que mais se vai inventar?
Rui Vitória foi, mais uma vez, um senhor. E até tinha motivos, por demais evidentes, para cair na tentação de não o ser. Mas foi, e isso envaidece os benfiquistas. Obrigado, Rui Vitória!"

Bagão Félix, in A Bola

O melhor do futebol

"Nestes dias de chumbo por que estão a fazer passar o futebol português, alguns sinais positivos têm o condão de não deixar a esperança morrer, raios de luz num horizonte carregado, pedaços de humanidade que emergem dos destroços e da miséria moral vigente. Estas palavras duras traduzem o desencanto de quem acredita no poder do desporto como elemento único na aproximação dos povos e é obrigado a revoltar-se ao deparar-se com a subversão dos valores. Mas passemos aos sinais que me alegraram o coração...
O primeiro aconteceu na manhã de sábado, mal acabou o Sporting-Benfica em iniciados. Os jogadores, que tinham mostrado irrepreensível fair-play ao longo dos 70 minutos (parabéns aos treinadores/educadores) saíram do estádio Aurélio Pereira abraçados, vencedores e vencidos lado a lado, aceitando o que decorrer naturalmente do jogo. Horas mais tarde, quando as equipas principais de leões e águias se defrontaram, com um clima de cortar à faca a rodeá-los, temi uma partida pejada de picardias. Abençoado engano, o meu. Durante o jogo a correcção foi grande (e ninguém facilitou...) e quando Artur Soares Dias deu por terminada a função o que se viu foi respeito e solidariedade, numa abordagem exemplar a profissional.
Perante estes exemplos, senti-me reconciliado com um frase sábia, por vezes esquecida: «O melhor do futebol são os jogadores». Pena é que os clubes continuem a amordaça-los, preferindo dar palco a quem nada tem a ver com o que se passa dentro das quatro linhas e, muito provavelmente, nunca deu um pontapé numa bola. Mas dá cada pontapé no futebol..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Qual a parte que não entendem?

"Comunicados, contra-comunicados; tweets de directores de comunicação; publicações nas redes sociais; textos presidenciais no Facebook; comentadores amestrados nas televisões; apelos de presidentes da Liga colocados no caixote do lixo da consciência; claques legais ou ilegais sempre com uma bênção institucional mais ou menos explícita ou velada; queixas directas aos rivais no Conselho de Disciplina; penalties discutidos até à exaustão; foras de jogo debatidos ao milímetro; local de colocação de bola na cobrança de um livre directo a valer horas de conversa; árbitros agredidos fisicamente no esconderijo das distritais; páginas na internet de autores e passar ideias que os clubes oficialmente têm pudor em assumir; erros evidentes de arbitragem branqueados ou sublimados pelos responsáveis oficiais consoante a cor do beneficiado; acusações constantes; ataques pessoais; convites condicionados para as tribunas presidenciais; respostas com comparações a cidadãos detidos; contra-respostas com linguagem a roçar o deplorável; talento de jovens jogadores colocado em causa por não ser da cor do emissor da mensagem; idoneidade dos comentadores/opinadores colocada em causa por não veicular a ideia oficial ou criticar uma determinada atitude; órgãos decisores colocados em causa; dívidas monstruosas de todas as SAD dos grandes comparadas ao euro, como se não devessem todos imenso; responsáveis políticos a assobiar para o ar; quem tem o poder legislativo com acções inócuas; comentários que se auto-avaliam como sarcásticos mas são pedaços de ódio.
Qual foi a parte de Marco Ficini ter morrido por causa de um derby que não entenderam? Os senhores do futebol não perceberam que colocam tudo em causa mas não entendem o essencial: o futebol é só um jogo, mas move paixões.
Poupem-nos a esta pornografia."

Hugo Forte, in A Bola

A cartilha, os insultos, as queixinhas e os irresponsáveis

"Andamos nisto: os insultos, as queixas da arbitragem, os apertos e as agressões aos árbitros, as cartilhas e os comentadores que interpretam papéis como actores do método.
Há três teorias que podem explicar isto: alguém acha que isto funciona ou isto realmente funciona; ou, então, alguém quer fazer-nos acreditar que isto funciona e à falta de uma contraprova científica continua-se o joguinho a que todos convencionámos chamar spinning.
Das três, prefiro esta, porque há aqui um racional bem portuguesinho: a desresponsabilização. Quando a equipa perde, culpa-se o árbitro, alerta-se para a manha do malandro do adversário, esmiúçam-se lances em super-slow-motion no Twitter e no Facebook para troll comentar, escrevem-se notas para os comentadores e estes amplificam a mensagem – e, puff, em menos de um dia estão esquecidos os erros e as falhas, e, afinal, é tudo um grande logro, um embuste, uma vergonha, etcetera, etcetera.
Dito assim e levado à letra, tornar-se-ia irrelevante o trabalho de quem trabalha nisto, porque o jogador escusava de jogar porque está tudo feito para o rival ganhar, e o treinador não precisava de treinar porque, lá está, isto está feito para o rival ganhar.
Só que quem não recebe para estar no futebol, mas que paga para o ver, entra numa encruzilhada: os que gostam de forma desapaixonada tendem a afastar-se do jogo, fartos do ruído, da histeria e do constante passa-culpa; os fanáticos, os irrazoáveis, gostarão cada vez mais, porque o discurso agressivo lhes cai no goto e lhes alimenta a rivalidade, transformando-a em ódio.
E como o ódio é irrazoável e a irrazoabilidade leva à violência, as coisas ruins acontecem - e quando as coisas ruins acontecem, alguém é, normalmente, responsabilizado num mundo civilizado.
Só que ninguém é. E aí voltamos à desculpabilização, como se os insultos e as insinuações e as acusações e as comparações e as metáforas e as alegorias fossem apenas palavras inconsequentes e não ajudassem a montar o circo que é o futebol português."

Benfiquismo (CDL)

Benfica 5 - 1 Real Madrid, 1965

105x68... a 10 pontos do Tetra!

A promessa de Salazar

"A enorme Taça Império foi disputada por Benfica e Sporting no dia da inauguração do Estádio Nacional. Uma multidão de 60 mil pessoas juntou-se em redor do relvado.

António de Oliveira Salazar prometia e cumpria. Em 1932, quando subira ao poder, anunciara a construção de um grande parque desportivo. Em Julho desse ano, o novo Ministro das Obras Públicas e Comunicações, o engenheiro Duarte Pacheco, lança um programa gigantesco de obras públicas com o objectivo imediato de modernização urbanística e económica do país. As verbas do Fundo de Desemprego serão aplicadas nesse programa. A planificação daquele que viria a chamar-se, muito a propósito, Estádio Nacional, iniciou-se em 1939.
A sua concepção visava não apenas as manifestações desportivas, mas igualmente a criação de um espaço no qual tivessem lugar demonstrações públicas da política vigente, tal como sucedia na Alemanha de Hitler, por exemplo. Por isso, não admira que o Estádio de Honra, como começou por ser designado, fosse inspirado no Estádio Olímpico de Berlim e nessa concepção «ultra-neoclássica» que eram as manifestações estéticas monumentalistas e teatrais do III Reich.
Francisco Caldeira Cabral, Jorge Segurado, Konrad Wiesner, foram alguns dos arquitectos consulados. Mas é a Miguel Jacobetty Rosa que a paternidade do estádio é atribuída.
Cinco anos durante as obras. E, no dia 10 de Junho de 1944, «Dia da Raça», como então se designava, perante a presença do Presidente do Conselho, Óscar Carmona, e do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, milhares de jovens filiados na Mocidade Portuguesa ou na Federação Nacional da Alegria no Trabalho desfilam orgulhosos nos seus fatos de ginástica ou nas suas fardas de gala em frente às bancadas monumental estádio que se inaugurava.
Nunca tantos!!!
Nunca tinham sido tantos em redor de um campo de futebol.
60.000 pessoas vitoriavam Salazar que, pouco dado a essas coisas de desporto e muito menos de futebol, saiu ao intervalo, à la française, com o resultado ainda em zero-zero.
Duarte Pacheco, o antigo Ministro das Obras Públicas, o ideólogo do Estádio Nacional, o homem que pensara atirar com os três grandes clubes de Lisboa para fora da cidade, obrigando-os a construir os seus campos de jogos em Monsanto, não esteve presente. Tinha morrido no ano anterior, quando o seu Buick se despistara numa curva chamada a Cova do Lagarto:
O «Século» rejubila na sua primeira página: «A inauguração do Estádio Nacional foi um espectáculo esmagador de emoções». E continua, num estilo grandiloquente que tanto agradava ao regime: «60.000 pessoas delirantes de entusiasmo patriótico aclamaram em apaixonada grita os Chefes de Estado e do Governo e cantaram em coro o Hino Nacional».
António Lopes Ribeiro estava lá: filmaria tudo.
Depois dos desfiles, o jogo.
Em disputa estava a grandiosa Taça Império e frente a frente o campeão nacional, o Sporting, e o vencedor da Taça de Portugal, o Benfica.
Até ao intervalo, não houve golos. Azevedo, o célebre Azevedo, estava seguro como nunca. Espírito Santo e Julinho, Teixeira - o Gasogéneo - e Rogério, dito Pipi, nada podiam contra a simplicidade cientifica do futebol de Octávio Barrosa e Manuel Marques.
Depois, António Oliveira Salazar saiu do Estádio Nacional, e o jogo libertou-se. Adolfo Mourão foge à defesa encarnada e oferece o primeiro golo ao pletórico Peyroteo . Estão decorridos 16 minutos do segundo tempo. O Benfica responde em avalanche. É Espírito Santo quem empata, pouco depois de meia-hora. Até ao fim dos noventa minutos, os espectadores assistem, inquietos, aos golpes e contra-golpes dos dois opositores.
Mas há que recorrer ao prolongamento. E mal dois minutos estão decorridos quando Barrosa lança Peyroteo em direcção à baliza Martins. Nada a fazer. O Sporting ganha vantagem e não mais a perderá. Eliseu, lesionado, encosta-se à esquerda, a fazer figura de corpo presente, como era regra a época.
Convencidos da sua incapacidade, os jogadores do Benfica condenam-no ao abandono. Erro fatal. É sozinho que recebe uma bola vinda da sua defesa e é sozinho que caminha com ela para a baliza encarnada e para o 3-1.
Estamos apenas com 6 minutos deste prolongamento de loucos. Quatro minutos depois, Júlio, a quem os adeptos tratam carinhosamente por Julinho, reduz para 2-3.
É a vez de enorme Azevedo fazer valer a sua imensa categoria. A Taça Império está segura nas suas mãos. E é Adolfo Mourão que, no último minuto do prolongamento, ainda remata à barra de Martins como que a sublinhar a justiça de tão grande vitória."

Afonso de Melo, in O Benfica

terça-feira, 25 de abril de 2017

O brinco de Vítor Baptista e outras singularidades

"Tinha um Jaguar com chofer, usava brinco de diamantes e preferia a roupa justa ao aborrecido fato. Era 'o Maior'.

Falar de Vítor Baptista é falar de um homem rebelde, por vezes insolente e quase sempre controverso. Mas é também falar de um jogador cheio de talento, com grande qualidade técnica e um remate próximo do de Eusébio. Apelidado de excêntrico, compensava dentro das quatro linhas as polémicas em que se envolvia fora delas.
No Benfica esteve sempre envolvido em 'casos' e histórias mais ou menos polémicas. Em 1971, após a transferência do V. Setúbal para o Benfica, a maior do futebol português na altura, comprou um Jaguar com serviço de chofer para o levar aos treinos. E em 1976 auto-intitulou-se o melhor jogador português. 'É a minha opinião. Ninguém pode levar a mal'. Uma opinião controversa que lhe valeu a alcunha de 'o Maior' até ao fim da vida.
Sobressaía pela forma como se expressava e como se vestia. Provavelmente inspirado em Maurice Gibb, o mais alto dos Bee Gees, chegou a aparecer no aeroporto, na véspera de um jogo da Taça dos Campeões Europeus, com sapatos de tacão alto, calças de ganga e camisa justa, quando todos os outros estavam de fato. Mortimore ficou petrificado e disse-lhe que assim vestido não ia a lado nenhum, mas graças a Toni, que pôs água na fervura e um sobretudo nos ombros do colega, lá seguiu viagem.
De todas as polémicas, mais célebre é a do mítico jogo frente ao Sporting, em 1978. Aos 53 minutos dominou a bola com o peito e rematou à baliza. O golo resolveu o encontro. Mas em vez de festejar, levou as mãos à cabeça e ficou de olhos presos no chão. O brinco! Durante longos minutos procurou aquela peça única de ourivesaria que ficaria para sempre perdida no relvado da Luz. Bem vistas as coisas, tinha perdido dinheiro a trabalhar: 'Se custou 12 contos e o prémio do jogo é apenas de 8... foi uma quebra grande para mim'. Dias depois, exigiu ao Benfica 650 contos para renovar o contrato. O Clube ofereceu-lhe 450. Impulsivo, regressou ao V. Setúbal alegando que as condições eram 'muito melhores'. Assinou por apenas 100 contos por mês.
Em 1998, a trabalhar como jardineiro no cemitério de Setúbal, guardava apenas dois troféus da sua carreira de futebolista: o de um torneio em Madrid e o de um jogo com o Bayern. Os dois conquistados ao serviço do Benfica.
Pode saber mais sobre 'o Maior' na área 22 - De águia ao peito, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

O insustentável peso de falhar

"Num ano que poderá ficar para sempre na história do Sport Lisboa e Benfica como o da conquista do primeiro tetra, a que se junta ainda a possibilidade de se ganhar mais uma Taça de Portugal, importa sobretudo nesta recta final da época, estar focado nestes dois grandes objectivos.
Temos pela frente cinco finais de enorme grau de dificuldade, com equipas que sem excepção estão em excelente forma e a fazer boas épocas e só com muita humildade e querer o Benfica conseguirá vencer, contando sempre com o apoio incansável dos nossos adeptos.
Mas neste dia carregado de simbolismo que hoje comemoramos 'inicial, inteiro e limpo' como a poeta Sophia de Mello Breuner Andresen imortalizou é talvez o momento adequado para falarmos do sentido de responsabilidade que a liberdade expressão exige de todos e cada um de nós.
Bem sabemos que uma das mais batidas estratégias de desviar as atenções de falhanços sucessivos é criar todo um ambiente artificial, hostil e de factos inventados, de forma a que se passe a falar disso, e não sobre as razões e as causas que justificam mais um ano em que os objectivos não são atingidos.
Mas nas últimas semanas temos assistido a um conjunto de situações que não podem deixar de ser realçados.
Em primeiro lugar, o impensável de ver o assumir de uma aliança em que um clube abdica das suas aspirações de atingir um lugar na 'Champions' só com o objectivo de ver um seu rival perder.
Em segundo lugar, o total desrespeito por parte de um Presidente de um clube pelo castigo que lhe foi aplicado, fazendo gáudio de publicamente desafiar e demonstrar que se considera acima da lei e dos regulamentos que a sua instituição livremente subscreveu, ao contrário de todos, mas todos os diferentes dirigentes e agentes desportivos que sempre souberam respeitar o silêncio a que estavam obrigados quando castigados.
Em terceiro lugar, o permanente discurso incendiário em que em vez de se esperar que as forças policiais façam o seu trabalho e a justiça posteriormente julgue os responsáveis dos repudiantes acontecimentos da madrugada de 22 de Abril, se procure antes, omitir o contexto e apenas condenar os que não são da nossa cor clubista, quando obviamente todos os envolvidos sem excepção deverão merecer publica censura.
Em quarto lugar, 24 horas após um jogo que se distinguiu pela forma exemplar como os profissionais dos dois clubes estiveram em jogo, temos infelizmente que assistir a um chorrilho desesperado de mentiras e acusações de quem está de cabeça perdida e demonstra incapacidade total para estar à altura dos cargos que exerce.
Mas pior que isso, foram os baixos e intoleráveis insultos pessoais, intencionalmente baseados em factos totalmente falsos, demonstrativos de uma leviandade perfeitamente gratuita e indesciulpável que não se pode tolerar e que só desclassifica quem os faz.
Por último, a criação de um ambiente de permanente hostilidade sob tudo e todos, que chegou ao cúmulo da revelação de hipotéticos trocas de emails pessoais de outras instituições, numa espiral sem rumo, estratégia e sentido.
No desporto ganhar e perder é natural e é sobretudo nos momentos menos bons que devemos ter cabeça fria e aprender com os erros que naturalmente todos, mas todos, cometemos.
Termino referindo que ao longo do ano sempre procurei ser muito criterioso nas intervenções e até porque assim entendo que deve ser a postura de um responsável de comunicação de uma grande instituição. Foi isso que aprendi em mais de 20 anos de experiência, mas por entender que existem limites que não devem ser ultrapassados deixo uma constatação final e um apelo.
A constatação é que a pequenez de resultados não pode explicar nem justificar tudo.
O apelo é que deixemos o palco às verdadeiras estrelas: os jogadores, equipas técnicas e antigas glórias.
São eles que verdadeiramente fazem do futebol um espectáculo único que delicia milhões de pessoas em todo o mundo.
E são eles que fazem desde tenra idade cada um de nós a escolher o clube do seu coração. Porque todos diferentes somos todos iguais."