Últimas indefectivações

sábado, 27 de outubro de 2012

Entrada a 'matar' !!!


Gil Vicente 0 - 3 Benfica

Neste duplo confronto Benfica vs. Barcelos, primeiro no Hóquei e depois no Futebol, as coisas até correram bem!!! Amanhã, poucos se vão recordar que os Corruptos empataram nesta campo, jogando com a equipa titular, enquanto o Benfica venceu com muitos remendos, mas também já estamos habituados...
Temos tido alguns jogos onde entramos muito mal, às vezes a sofrer com golos - por exemplo na Champions com o Barça e com o Spartak !!! -, mas hoje foi ao contrário, primeira oportunidade, primeiro golo para o Benfica, e o jogo ficou lançado... A equipa continuou a carregar, a jogar com velocidade, e quando o segundo chegou - grande jogada -, já chegou atrasado, tantas tinham sido as oportunidades... Já nos descontos da 1ª parte, o 'menino graúdo' André Gomes, numa jogada de muita insistência 'matou' o jogo, com o terceiro golo...
A 2ª parte foi lançada com os mesmos dados, o Benfica continuou a criar perigo... mas logo na 1ª parte disse para mim mesmo que o Benfica não ia acabar com 10 jogadores, o Jesus também pensou no mesmo, e tirou o amarelado Matic, mas não foi a tempo de tirar o também amarelado Enzo!!! A equipa obviamente recuou, o Jesus devia ter posto logo o André Almeida, mas o Artur esteve tranquilo, com duas defesas seguras em lances complicados...
Este jogo deveria servir para o Jesus compreender que a rotação do plantel deve ser feita com mais regularidade. Mais vale um jogador fresco - e motivado, que quer mostrar-se... -, do que um titular desgastado...
Os destaques individuais vão claramente para as novidades no onze:
- O André Gomes vai ser o próximo '8' do Benfica, será provavelmente o melhor substituto do Witsel. Afirmei sempre que de todos os jogadores que começaram na equipa B, o André Gomes é aquele que tem o maior potencial, mas também é um dos mais novos... Quando se estreou, no particular no Algarve com o Betis, não foi feliz, mas apreendeu depressa, e a evoluir a esta velocidade, será titular rapidamente... Só espero que as capas de jornais, os empresários, entre outras coisas, não o façam perder a cabeça, e que ele compreenda que ser titular no Benfica, não é um castigo!!! Portanto não necessita de forçar a saída... Se calhar já estou a pensar demasiado à frente, mas como já vimos o filme tantas vezes...!!!
- O Ola John merecia o golo. Ele bem tentou mas os remates encontraram sempre alguém no caminho... Apareceu aguerrido, confiante, alegre, a continuar assim vai-nos ser muito útil...
- Luisinho finalizou com golo uma das jogadas mais bonitas do jogo, atacou bem, defendeu mais ou menos, e demonstrou muita vontade...
- Já em Moscovo o Enzo tinha feito uma grande 2ª parte, hoje na direita voltou a ser o jogador que mais 'empurrou' a equipa para a frente. Existem sempre muitas discussões, sobre os períodos de adaptação dos jogadores, uns defendem que os melhores não precisam de adaptações, outros dizem que é preciso esperar. Pessoalmente acho que não existe uma regra. Depende do jogador. E no caso do Enzo, prova-se que um jogador motivado, é outra 'loiça'!!! Esteve na jogada dos três golos!!!
- Lima continua a marcar...
- Cardozo desta vez não marcou, mas o Lima tem que lhe agradecer o muito espaço livre que teve...
- Matic, mais um bom jogo...
- Maxi, melhor...
- Jardel, Garay seguros...
- Artur, seguro...
- Bruno, teve poucas oportunidades para se mostrar, entrou para o meio... eu tinha apostado no André Almeida. E logo de seguida ficámos a jogar com 10. Quando voltou à ala, voltou a demonstrar falta de velocidade para ajudar o lateral defensivamente...
- Rodrigo, André Almeida, para segurar o resultado...

PS: Com o anuncio da ausência do Salvio e do Gaitán logo pela manhazinha, juntado-se às lesões do Aimar, do Carlos Martins e do Nolito - além do mártir do Luisão!!! -, e depois do resultado eleitoral de ontem , que levou alguns a efectuar previsões catastróficas para o futuro do Benfica, este jogo - decidido prematuramente - deve ter sido um 'anti-orgasmo' clássico!!! Como dizia o outro na tipografia: 'Parém as máquinas!!! Temos que mudar o título!!!'

Meia dúzia


Benfica 6 - 0 Barcelos

Dos jogos que assisti pela televisão, este foi o melhor da época, mesmo assim ainda demos algum espaço junto da nossa área, que o Ricardo desta vez safou... Também falhámos demasiadas situações de penalty/livre directo...

Vitória em São Miguel...


Clube K 0 - 3 Benfica
15-25, 15-25, 16-25

Hoje o jogo foi fácil, amanhã será difícil... será o primeiro duelo entre os dois melhores planteis do Campeonato. Os jogos na Praia da Vitória são sempre complicados, não decide nada, mas será importante para medir o actual momento de forma do Benfica e da Fonte Bastardo...

PS: A nossa equipa de Basket efectuou hoje um jogo particular com os Angolanos do Libolo, vencendo por 81-62... Jogo muito competitivo, e sempre dominado, com excelente resposta dos jogadores.

O Benfica está vivo...

Os Benfiquistas provaram hoje que não estão 'dormir' - nem se intimidam com 'petardos' -, marcando presença num momento muito importante na vida do Clube, fazendo história com 22676 votantes. A maior participação de sempre, com a aposta na descentralização dos locais de voto - e a votação online - a ajudar, e a bater os recordes de participação.
(julgo que no continente, deveria ser alargada a cobertura das Casas com urnas: Bragança/Mirandela, Vila Real/Lamego, Viseu/Guarda, Castelo Branco/Portalegre, Sines/Milfontes... Creio que com mais 4 ou 5 Casas ficaríamos com uma cobertura 'quase' total permitindo a todos os Sócios a oportunidade de votar. Não nos podemos esquecer que as eleições são normalmente às Sextas-feiras, dias de trabalho para quase todos.)
Como afirmei anteriormente, a escolha nestas eleições era perigosa - e a resposta foi positiva!!! -, ainda por cima numa altura onde o País vive enormes dificuldades económicas, e os habituais financiadores das promessas eleitorais - os Bancos -, têm as 'torneiras' fechadas!!!
Como também afirmei no início da campanha eleitoral, Rui Rangel cometeu um tremendo erro, quando não se afastou do 'grupinho dos petardos', bem pelo contrário, recebeu o apoio deles com satisfação, bem visível na utilização dos 'sound bites' mais rasteiros da Net contra o Vieira!!! Não comparo Rangel a Vale, não encontro em Rangel má-fé, mas sei que não tem mínima experiência em como gerir uma instituição do tamanho do Benfica, tenho a certeza que Rangel não cozinhou com os 'petardeiros' o ambiente na última Assembleia Geral, mas talvez devido à sua vaidade, não se conteve, e deixou-se ser empurrado, para uma candidatura, que não passou de uma coligação negativa de ressabiados, com frustrados 'mestres' do Futebol Manager, e ainda os trauliteiros 'petardeiros' anti-democratas...!!! Mesmo aproveitando os muitos votos de protesto contra Vieira, que o desgaste de 9 anos de poder provoca, não conseguiram mais de 13,83%... Provavelmente o Vieira não se vai recandidatar daqui a 4 anos, mas se isso acontecer, só respeitando a obra feita, e as pessoas na Direcção, qualquer alternativa poderá ganhar a credibilidade e o respeito da maioria dos Benfiquistas, se voltarem a entrar pela politica de 'terra queimada', não vão lá...

Apesar da vitória folgada a Lista vencedora não terá a vida facilitada, nos últimos 9 anos alguns erros foram cometidos, acredito que não serão repetidos. E se a nível das infra-estruturas o sucesso é indiscutível - e também nas modalidades, na formação, etc... -, faltam a vitórias regulares no Futebol. Só em Portugal se dá um 'destaque' maior aos Presidentes, do que aos treinadores e aos jogadores, só em Portugal um Presidente - o do café e da fruta!!! - é responsabilizado pelas vitórias, em vez dos jogadores e dos treinadores!!! Esta é a nossa realidade, a desvalorização deste cenário é hipócrita no mínimo. Comparações com o passado glorioso do Benfica são injustas. Já o disse várias vezes, a militância dos Benfiquistas é o melhor remédio contra o Sistema!!! O actual estado da economia Portuguesa, com o aumento efectivo da competitividade da equipa de Futebol do Benfica, está a levar os nossos adversários ao 'desespero' financeiro!!! Aquilo que se está a passar nas modalidades - Benfica mantém o investimento, os outros baixam...!!! -, poderá transferir-se para o Futebol...!!! É fundamental manter a Militância, independentemente dos resultados, dos jogadores, dos treinadores e dos Presidentes, o Benfica está acima de tudo isso...

Aquilo que se passou no momento do anuncio dos resultados no Pavilhão foi grave, muito grave.
(Quando se começou a falar em expulsar o Vale e Azevedo de sócio do Benfica - já lá vão alguns anos -, levantei as minhas dúvidas!!! Pessoalmente penso que a 'expulsão' é um castigo muito duro, que deverá ser usado somente em situações muito, mas mesmo muito, radicais. Mas as altercações, e intimidações nas Assembleias Gerais do Clube, já começam a passar das marcas - já ultrapassaram em muito o aceitável -, não basta ficar calado, ou empurrar os ditos cujos para fora do Pavilhão, é preciso identificá-los, e perguntar aos Sócios, o que se deverá fazer como eles!!!)
Os Benfiquistas não podem permitir uma minoria sem formação, continue, repetidamente, a desrespeitar a instituição Sport Lisboa e Benfica. Deixo-vos o exemplo de um dos principais ideólogos assumidos do anti-Vieirismo: Ricardo do Ontem vi-te... leiam com atenção a sua declaração de voto em Rangel !!! Estamos a falar de um bloguer que está constantemente a recordar o passado Democrático do Benfica, apelidando Vieira de ditador!!! Este é mais um bom exemplo da esquizorfenia dos anti's: usam a calunia constantemente contra a Direcção do Benfica, mas depois é a Direcção do Benfica que baixa o nível!!!; Não respeitam resultados eleitorais, mas eles é que são Democratas!!!; Reclamam da progressividade dos eleitores, dizendo que o Vieira só ganha por causa dos 'velhos', mas se a votação tivesse sido realizada num sistema 1 sócio, 1 voto, o Vieira tinha ganho com 18139 votos contra 3744, uma percentagem praticamente igual aos 83% vs. 13% dos votos com a progressividade!!!; Afirmam que o Vieira dividiu o Benfica, mas eles é que tem um discurso terrorista, com constantes ofensas, usando a confrontação e a intimidação contra todos que discordam deles - eles os iluminados, os outros: os otários!!!; Reclamam para eles o verdadeiro Benfiquismo, chegam mesmo a querer monopolizar a herança de Cosme Damião, e depois são incapazes aceitar as decisões da maioria, renegando tudo aquilo que Cosme Damião realmente representa!!!
Eles não o sabem, porque são novos, e não estão interessados em estudar a História recente de Portugal, mas este tipo de retórica tem nome: em Portugal chama-se Fascismo. E o Benfica, como já provou, está imune a esse vírus!!
No seu refugio preferido o Ser Benfiquista, alguns reagiram aos resultados de hoje, prometendo deixar de pagar contas, rasgar Red Pass's... Infelizmente são só promessas...!!!

E depois desta vitória (goleada) nas urnas, só falta vencer em Barcelos... não será fácil, mas com o apoio dos Benfiquistas, tudo será mais fácil... mesmo com mais um sócio Corrupto a apitar o jogo!!!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Unidade

"O Benfica vai a votos. A competição, hoje, é outra. Decidir pela continuidade ou experimentar uma outra solução é o desafio que se coloca aos associados benfiquistas. A compita eleitoral é útil, desde logo. A discussão livre de ideias constitui a mais democrática das expressões. O nosso Clube teve e tem, inclusive no tempo do fascismo, uma cultura da liberdade. Predicado que deve, em larga medida, à sua génese, à sua matriz popular.
A campanha eleitoral (pelo menos até ao momento em que escrevo esta prosa) foi digna. Podem contestar-se argumentos, mas não se pode alegar falta de urbanidade. Ainda que o desfecho eleitoral se me afigure previsível, honra-me pertencer a uma família como esta. Tem alguns membros desavindos? E seria possível outra situação num agregado tão numeroso, que provoca tanta inveja e angústia aos nossos principais opositores?
O Benfica vai a votos. Amanhã, os votos têm que ser substituídos por golos. Golos e triunfos. Triunfos e troféus. Com um Benfica unido, a despeito dos resquícios da refrega das urnas. O Benfica precisa de respeito pelos seus líderes institucionais, os vencidos têm que saber felicitar os vencedores. Mais importante que tudo é o Benfica, só o Benfica. A sua unidade a sua coesão, a sua pujança.
A partir de amanhã é inaceitável a existência de oposição ao Benfica no seio do... Benfica. Um desafio ao unanimismo? Não se trata disso. Podem subsistir divergências no domínio da gestão do Clube, mas só podem existir convergências no domínio do que verdadeira e apaixonadamente encima o nosso desígnio colectivo. Um Benfica em regime permanente de ganho, um Benfica vencedor."

João Malheiro, in O Benfica

Amanhã

"Os sócios do Sport Lisboa e Benfica escolhem hoje quem querem à frente dos destinos do Clube para os próximos quatro anos. Fazem-no livremente, como sempre foi apanágio desta instituição - mesmo em tempos antigos, quando, no País, ainda não existiam tais possibilidades de escolha.
A minha opção eleitoral já ficou aqui definida, de forma muito clara, na passada semana. Neste dia, por respeito para com o processo democrático, não me parece adequado usar esta tribuna para emitir opiniões sobre qualquer uma das candidaturas, e muito menos para procurar influenciar o voto dos benfiquistas - que, como disse, sempre foi, e voltará a ser, totalmente livre.
O que creio ser oportuno, isso sim, é manifestar o desejo de que qualquer que seja o presidente escolhido pela maioria, ele passe a ser, amanhã de manhã, o de todos os benfiquistas - independentemente do sentido de voto de cada um a eleição de hoje. Afinal de contas, pese embora as diferentes opiniões que possamos ter sobre uma ou outra lista, sobre um ou outro dos candidatos, somos todos do Benfica, e todos desejamos que o nosso Clube ganhe, a começar pelo difícil jogo deste sábado, em Barcelos.
Quem vier a perder esta eleição, terá pois o dever democrático de respeitar a livre escolha da maioria, pegar no cachecol e na bandeira, e sentar-se na bancada a puxar pela equipa. Amanhã, já não haverá derrotados, mas apenas benfiquistas, liderados por aqueles que a maioria tiver escolhido para o efeito. Não haverá desencantos, mas sim esperança num futuro carregado de triunfos. Existindo união entre todos, esses triunfos serão bem mais fáceis de alcançar.
Temos, do outro lado da Segunda Circular, o exemplo das consequências até onde pequenas guerrilhas internas podem levar. Não é certamente esse o destino que ambicionamos. Nem será certamente esse o destino que teremos.
As eleições são hoje, e terminam hoje. Amanhã, haverá apenas um Benfica: o dos seus 250 mil sócios, e dos mais de 6 milhões de adeptos espalhados pelo mundo lusófono."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfica: o povo é quem mais ordena

"Hoje, a nação benfiquista vai a votos. Dois candidatos, Luís Filipe Vieira, que concorre a um quarto mandato e Rui Rangel, o challenger que há três anos apoiou Bruno Carvalho, vão saber, logo mais, quem recolhe a preferência dos seus consócios.
Apesar da evitável crispação patente nos últimos dias, a campanha eleitoral foi proveitosa. Ficou a saber-se, com clareza cristalina, por parte de Vieira, da intenção de colocar ponto final na ligação do Benfica à Olivedesportos (solução que, aliás, Rangel nunca renegou...), consta igualmente das promessas do presidente recandidato uma adequação de quotas e bilhetes à realidade da crise que o país atravessa e ficou a perceber-se a natureza das contas encarnadas, matéria normalmente árida que, desta feita, ocupou horário nobre das candidaturas.
O Benfica, ao contrário do que sucedeu em 2006, quando ninguém se apresentou para afrontar Vieira nas urnas, acabou por manter a vitalidade democrática que faz parte do seu ADN e nem mesmo o novo preceito estatutário dos 25 anos de sócio efectivo como condição para ser presidenciável (continuo a dizer que, embora o princípio esteja correcto, 14 anos chegariam perfeitamente para evitar os arrivistas) impediu fosse o que fosse.
Hoje, como é estatutário, haverá uma discriminação positiva dos sócios com mais anos de ligação ao clube. Num clube com a grandeza do Benfica este deve ser um princípio a preservar, sob pena da conjuntura poder vir a influenciar a estrutura.
Provavelmente antes da meia-noite (voto electrónico...) saber-se-á quem sucede a Vieira, se o próprio Luís Filipe Vieira, se Rui Rangel. A seguir, bom seria se as intenções de processos judiciais entre ambos ficassem fechadas na gaveta do bom senso..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Democracia

"A herança benfiquista obriga-nos a preservar a identidade, o que é verdadeiramente estruturante e imutável. Assim, há valores que foram amarelecendo nas folhas da História centenária, outros que se renovaram, outros de que não nos podemos esquecer, mas há um que é primordial: o Benfica é um clube democrático.
Com decisões certas, erradas, inócuas e iníquas a História do Benfica foi-se construindo de acordo com a vontade da maioria dos sócios. Não de uma minoria ruidosa ou de uma maioria silenciosa, mas sim de uma maioria activa que, em momentos eleitorais, soube estar presente para designar o rumo a dar ao Clube. Agradados ou não com os resultados das suas escolhas, os sócios souberam sempre demonstrar que o bom nome do Benfica não poderia ser maculado. É a este encontro com a História que somos, novamente, chamados no dia 26. É essencial que todos os benfiquistas percebam que os resultados eleitorais são a voz do Benfica. E esta não pode ficar à mercê de egos, teimosias, presunções ou vinganças pessoais, ódios mesquinhos ou qualquer outra farpa na nossa gloriosa História. Esta capacidade de perceber o Clube para além do umbigo de cada um foi essencial em momentos marcantes da nossa História, desde a fundação. Esta mesma capacidade tem de ser vivida no dia 26, manifestando-se numa participação massiva e marcada por um saudável respeito por parte de todos os sócios intervenientes. A História escreve-se, respeitando-a.
Deste modo, é essencial que as diferentes sensibilidades em sufrágio percebam que, independentemente do caminho escolhido pelos benfiquistas, no próximo jogo do nosso Benfica estaremos todos, em simultâneo e a uma voz, a sofrer pelo valor mais alto que nos une: o benfiquismo."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Festejar vitória do Barcelona...

"Mais grave do que as três horas de atraso que o Benfica trouxe da Rússia eram os três pontos de atraso. Confesso que me senti revoltado comigo mesmo. Dei por mim a festejar um golo do Barcelona (clube de que não simpatizo) contra o bravo Celtic (clube de que tanto gosto) no último minuto de descontos. Tive vergonha de mim mesmo e de festejar aquele golo, mas festejei. A verdade é que sem aquele golo o Benfica estava meio eliminado, e assim, depende de si, e de vencer os jogos em casa para se qualificar para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Se não ganhar em casa ao Spartak de Moscovo e Celtic de Glasgow o Benfica não merece ser apurado.
Não percebo porque jogando a meio da semana na longínqua Rússia temos de jogar em Barcelos já no sábado e não domingo como faria sentido. No último ano, foi depois da deslocação a São Petersburgo que tivemos aquele apagão em Guimarães e foi depois de um jogo europeu que fomos apagados em Coimbra. Depois dos jogos europeus todas as equipas se ressentem, mas o Benfica tem tido nesse capítulo demasiadas quebras. Na última época em Barcelos, sem Cardozo e sem Luisão, o Benfica deixou 2 pontos. Esperemos acabar amanhã com esta má sina e vencer como precisamos, para continuar na frente do campeonato. O jogo de Barcelos é de importância capital.
Os adeptos benfiquistas contam os dias para o regresso do Luisão. Sentimos isso em Moscovo. Veremos, no fim dos dois meses, os danos causados pelo castigo, mas presumo que interna e externamente serão grandes. Se internamente os responsáveis e treinadores sempre dizem que há alternativas, nós adeptos sabemos que os melhores são muito dificilmente substituídos. Por isso Matic fará muita falta no próximo jogo europeu e Luisão fará falta amanhã. Mesmo assim o caminho é ganhar... ganhar."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Todos às urnas...

Não era necessário fazer uma declaração de voto, mas para memória futura, amanhã, votarei na Lista A.
É um voto por convicção, alicerçado nos méritos da obra feita, e na confiança, subjectiva, que tenho no Presidente. Desvalorizar aquilo que foi feito é um exercício ingrato e ignorante. Não concordei com tudo o que foi feito e dito, mas até o tão contestado mandato desportivo - ainda longe do ideal -, tem claramente melhorado - principalmente com a chegada do Jesus -, sendo que esta época, com o 'dramático' final da janela de transferências de Verão, o plantel ficou efectivamente mais fraco, algo que espero ser rectificado proximamente...
Sempre defendi que seria positivo para o Benfica, o aparecimento de alternativas eleitorais, mantendo a tradição do Benfica. A alternativa apareceu, mas infelizmente, tivemos uma repetição da estratégia da última campanha eleitoral, então com Bruno de Carvalho como candidato. Sem credibilidade, sem ideias, com muita demagogia, hipócrita, e com ataques pessoais desde do primeiro minuto contra os actuais dirigentes - apesar de agora no final da campanha tentarem negar aquilo que afirmaram antes... -, e curiosamente esta campanha vai acabar tal como a outra, com processos admnistrativos por parte dos presumíveis derrotados!!!!!
A única coisa que une a Lista B, é o ódio visceral ao actual Presidente, sem o Vieira a guerrilha entre eles, seria inevitável... a base de apoio de Rangel, é exactamente a mesma que tomou de assalto os nossos vizinhos da 2ª Circular, com os resultados que se conhecem... Só assim se pode explicar haver quem confie a gestão de um Clube que faz cerca de 140 milhões de euros em receitas por ano, a uma pessoa que nunca geriu nada na vida, e que nem sequer percebe o conceito contabilístico de Passivo!!!
Foi com alguma surpresa, que verifiquei hoje, que alguns (poucos) dos mais activos críticos anti-Vieira têm a clarividência suficiente para perceberem, que apesar de todos os defeitos e erros que o Vieira possa ter cometido - no ponto de vista deles -, isso não quer dizer que o Rangel mereça a confiança deles. Naquilo que me toca, terei estas posições pessoais, em consideração em futuras trocas de argumentos...
É extremamente importante a participação maciça de todos os Benfiquistas na assembleia eleitoral, as consequências para o Clube podem ser drásticas... aquilo que se passou na última assembleia geral não pode voltar acontecer, os Benfiquistas não podem ficar em silêncio, e deixar uma minoria trauliteira que tanto reclama Democracia, mas que não age de forma Democrata - se calhar nem sabe o que isso quer dizer -, tome conta do Clube...

Não dispomos de tecnologia de ponta

"Se isto fizer escola, se este futebol do Barcelona estiver para durar, nem sei se a FIFA não vai ter de introduzir uma nova regra no jogo

NA tarde de terça-feira em Moscovo, o primeiro golo do Spartak nasceu de uma situação curiosa que define na perfeição o perfil deste Benfica 2012/2013.
Foi assim e ainda não havia três minutos de jogo.
Perto da área dos russos o nosso Matic ocupava o seu posto de médio-ofensivo, pressionando a defesa da casa, quando num passe desajuizado, coisas que acontecem, entregou a bola a um adversário que desatou a correr pelo campo fora em direcção à baliza de Artur.
Estando o nosso Matic em missão ofensiva, todo virado para a baliza moscovita, longe da sua baliza, aconteceu que não houve a menor possibilidade de surgir em campo, caído do céu, o nosso médio-defensivo Matic.
Como já terão compreendido, acontece que ambos os Matics são, em boa verdade, a mesma pessoa. Ora isto complica muito, até demais, qualquer tentativa de controlo do jogo a partir do meio do campo, zona normalmente considerada fulcral na manobra de uma equipa. Pelo menos é o que dizem os entendidos.
Acontece também que o mercado de Verão desmantelou o miolo do Benfica levando-lhe dois excelentes jogadores e titulares indiscutíveis. Não havia nada a fazer, paciência. Ficaram por cá Carlos Martins e Pablo Aimar, jogadores utilíssimos, de reportórios e categoria diferentes mas, sem dúvida, unidades de valia, ainda que intermitentes, por questões físicas, na capacidade de expressar em capo as respectivas valias.
A interminência de ambos, nestes primeiros meses de provas oficiais, tem sido um exagero. Na terça-feira, por exemplo, nem estiveram em campo, nem estiveram no banco, nem nas bancadas. Muito simplesmente nem embarcaram para Moscovo.
Torna-se assim muito difícil a coisa. E exigir ao pobre do Matic que faça o seu papel e o papel de mais uns quantos colegas ausentes é uma brutalidade. Há dois anos o Benfica jogou uma época inteira sem guarda-redes, na época passada jogou sem defesa-esquerdo, este ano joga sem médios de raiz.
Por isso, não contem comigo para dizer mal do Matic por ter entregado a bola ao adversário no lance de que nasceu o primeiro golo do Spartak de Moscovo. Estava simplesmente num momento do seu desempenho ofensivo e não se conseguiu desmaterializar no local onde estava, à entrada da área dos russos, para se materializar no mesmo instante junto da sua área e travar a progressão de Rafael Carioso.
Infelizmente, ainda não dispomos de tecnologia de ponta.
Tenho para mim, com toda a franqueza, que o Benfica está a fazer um bom arranque de época, dadas as circunstâncias do seu plantel fragilizado e descompensado pelo mercado de Verão, pelas intermitências de algumas unidades e pela situação de Luisão.
Estamos a chegar a Novembro e o Benfica é líder do campeonato a par com o FC Porto e ainda tem possibilidades de seguir em frente na Liga dos Campeões se o Barcelona ganhar os jogos que lhe faltam disputar com o Celtic e com o SPartak de Moscovo e se o próprio Benfica conseguir ganhar no Estádio da Luz primeiro ao Spartak de Moscovo e depois ao Celtic.
Para o jogo com o Spartak, que é já o próximo, temos um sério contratempo: o Matic médio-defensivo e o Matic médio-ofensivo não vão poder jogar por causa de um amarelo mostrado pelo árbitro em Moscovo. Este é um grande desafio para o treinador do Benfica num case-study para teóricos da bola de todo o planeta: uma equipa que joga sem centro campistas e que não se queixa. Ora aqui está uma bela tese de doutoramento.

COMO muito boa gente, tomei por hábito queixar-me do jogo monocórdico e letal do Barcelona, criticando-lhe a ausência de espetacularidade e outras parvoíces que tais.
Mudei de opinião na noite de terça-feira quando dei comigo a torcer para que o Barcelona marcasse um golo ao Celtic e ganhasse aquele jogo, a ver se o Benfica ainda se consegue qualificar para a fase seguinte da Liga dos Campeões.
Ver o Barcelona jogar na pelo, ainda que fugaz e interesseira, de um adepto do Barcelona é, posso assegurar-vos, uma grande alegria para os olhos e outra grande alegria para o coração.
Para os demais, é um pesadelo.
Se isto fizer escola, se este futebol do Barcelona estiver para durar, nem sei se a FIFA não vai ter de introduzir uma nova regra no jogo, directamente inspirada nas leis do basquetebol, concedendo um número 'x' de segundos a cada equipa para atacar. Honestamente, é a única forma que vejo de fazer parar os catalães com aqueles modos divinais de trocarem entre si a bola até à náusea ou até ao golo. Obrigadinho, Jordi Alba.

COM dois golos de João Tomás, o Rio Ave eliminou o Portimonense e segue em frente na Taça de Portugal. Nunca me canso de expressar a minha profunda admiração por este veterano goleador português sobre quem, com alguma crueldade, se poderá dizer que passou ao lado de uma grande carreira.
Se entendermos que para a carreira ser grande prevalece o imperativo de se jogar anos a fio em clubes de dimensão internacionalmente reconhecida.
A passagem de João Tomás, ainda jovem, pelo Benfica foi fugaz mas profícua. Saiu do clube na mesma enxurrada que levou Van Hooidjonk, Robert Enke e José Mourinho, numa espécie de saneamento político do balneário na transição de Vale e Azevedo para Vilarinho.
Quando vejo Hélder Postiga, que também terá o seu valor, no seu posto cativo de homem-golo da selecção nacional lembro-me sempre do João Tomás e quem Scolari deu algumas (poucas) oportunidades, mas não as suficientes para o goleador vingar num colectivo pleno de estrelas ligadas a grandes emblemas nacionais e europeus, o que não era definitivamente o seu caso.
João Tomás, golos é com ele. Sobre este pormenor é que não há ponta de discussão.

FOI um bocadinho escusada aquela curta tirada de José Eduardo Moniz sobre a direcção do Sporting ser ou parecer ser um saco de gatos. Se queremos ter boas relações institucionais com o FC Porto e isso até valeu a Moniz um ralhete público de Rui Gomes da Silva - reporto-me a acontecimentos públicos da corrente campanha eleitoral -, que sentido faz estarmos a diminuir, a picar os velhos rivais que moram do outro lado da rua?
Com maior ou menor folclore, nenhum clube está livre de passar pelas aflições desportivas e financeiras com que o Sporting actualmente convive.
Esta coisa de reivindicar as mais altas diplomacias para lidar com o poderoso rival do Norte e atrevermo-nos a prestar sentenças caritativas sobre o fragilizado Sporting, não parece nada, no mínimo, corajoso. Tenho a certeza de que o próprio José Eduardo Moniz concorda comigo.

NOS últimos meses, tive um stresse com Lourenço Pinto, o histórico presidente da Associação de Futebol do Porto. Acabou tudo em bem. Mas sinto-me no dever e na obrigação de o partilhar com os leitores de A BOLA - os que estiverem interessados em stresses do género judicial, obviamente -, porque foi nesta página de A BOLA que o stresse nasceu, despontou. Em boa verdade, não foi neste jornal que o caso nasceu. Foi no Correio da Manhã, o maior e mais vivo diário generalista do país, que na sua edição de 25 de Setembro de 2010 noticiava um encontro num hotel de Lisboa entre Lourenço Pinto, um árbitro ainda no activo, um ex-dirigente associativo e um ex-dirigente da arbitragem. Sobre essa notícia, utilizei algumas linhas (não muitas, na verdade) nesta coluna de opinião para, de modo irónico, dar a minha opinião sobre o alegado encontro. Sentiu-se magoado e ofendido, Lourenço Pinto e com basta razão para tal. E por uma razão muito simples e transparente: esse encontro referido pelo Correio da Manhã não existira. O jornal fora mal informado pelas suas fontes e viria a desmentir a sua notícia na edição do dia seguinte, numa breve coluna, sob o título AF Lisboa, que confesso não ter lido. Jamais, responsavelmente, teceria comentários, irónicos ou não, se tivesse tido conhecimento de que o mal-alegado encontro tinha sido uma fantasia. Trinta e seis anos a trabalhar em jornais e zero de idas a tribunal, assim o provam. O Correio da Manhã, muito correctamente, pediu a Lourenço Pinto desculpa pelo lapso no rescaldo da incorrecção. No meu caso, as desculpas devidas demoraram mais tempo a prestar, o que lamento. Na semana passada, tive finalmente a oportunidade de me encontrar com Lourenço Pinto e de lhe dizer, em sede própria, como lamentava todo o sucedido e como não tinha intenção de o ofender nem, muito menos, de faltar à verdade com más intenções. Não tenho nada de pessoal contra Lourenço Pinto. Tenho por ele o respeito devido a um dirigente histórico do futebol português e actual presidente da Associação de Futebol do Porto. Nas poucas vezes em que nos cruzámos nestas coisas das futebolices foi sempre correcto e amável no trato comigo (se calhar, não devia revelar isto, doutor?). Fica assim o assunto encerrado e já não era sem tempo."

Leonor Pinhão, in A Bola 

Nada voltará a ser como dantes

"A decisão anunciada por Luís Filipe Vieira de terminar, de vez, com as negociações com a Olivedesportos quanto à renovação do contrato de aquisição dos direitos televisivos do Benfica é, mais do que um facto relevante, um facto histórico.
Ao longo de muitos anos, a Olivedesportos foi consolidando a sua posição dominante no mercado, criando condições para afastar toda e qualquer concorrência, através de um política de gestão inteligente, assente em negociações avulsas, criando dependências indestrutíveis com diversos clubes, que foram beneficiando de adiantamentos de capital em situações económicas dramáticas, mas, também, é justo dizer-se, apresentando sempre uma imagem de credibilidade e de rigor no cumprimento dos contractos.
Este último facto, aliado à relação de amizade com Joaquim Oliveira, terá levado a que Luís Filipe Vieira tivesse procurado negociar um valor que lhe permitisse mostrar aos seus pares que a renovação contractual com a Olivedesportos seria irrecusável. Mas Joaquim Oliveira já tinha cometido um erro decisivo. Ao deixar indexar o valor dos novos contractos do FC Porto com o do Benfica ficou, necessariamente, preso a um compromisso que não lhe admitiu margem de manobra. Vieira - tal como disse à Bola TV na sua primeira entrevista televisiva como candidato - tomou, então, a decisão de convidar José Eduardo Moniz para seu vice e contar com ele para liderar a Benfica TV que irá deter os direitos televisivos do futebol do Benfica.
Quem não compreender que se trata de uma decisão histórica, não compreende nada. Mais difícil será projectar o futuro e saber, desde já, o que a importante decisão de Vieira irá significar no universo das televisões e do futebol em Portugal."

Vítor Serpa, in A Bola

Corporativismo e corrupção

"Uma amiga minha foi, há alguns anos, operada a uma vulgar catarata. Cegou. Na origem? A ganância do médico, que a colocou numa extensa lista de pacientes a operar num só dia e deixou a intervenção para perto das duas da manhã.
Que disseram outros especialistas consultados? Que aconteceu. Que todas as operações têm riscos. Claro que têm, sabem-no até os que não estudaram medicina,mas, convenhamos, não é difícil prever que numa operação às duas da manhã, depois de dezenas de outras iguais, o risco é muito maior.
Nem um médico, já se percebeu, foi capaz de apontar o dedo ao colega. Isto é o corporativismo, uma das piores doenças da sociedade, das que mais injustiças promovem. É o velho código de protecção entre iguais. Se eu não apontar o dedo aos teus erros, tu não apontas aos meus.
O corporativismo tem, no fundo, um quanto de egoísmo - a defesa cega de um culpado que nos é igual só pode ser entendida como um desejo de em circunstância igual não nos culparem também a nós - e um outro de corrupção (moral, por vezes financeira, mas também social).
Que tem isto a ver com desporto? Simples: peguemos na condenação de Lance Armstrong pela União Ciclista Internacional no âmbito de um processo de doping. Ora, o ex-herói mundial, que afinal era não só um atleta dopado, mas também um distribuidor de droga pelo pelotão, tem sido defendido pelos seus iguais como se não passasse de uma vitima do sistema.
O que ouvimos dizer ciclistas e ex-ciclistas é que os mecanismos de controlo anti-doping nunca apanharam o prevaricador. Claro que sim - vergonha incrível, derrota humilhante da lei. Mas Lance Armstrong não tem desculpa, amigos - nem ele próprio ousou defender-se do relatório de mais de mil páginas que o incriminava. E o corporativismo, em última instância, a todos torna cúmplices morais!"

Nuno Perestrelo, in A Bola

9 anos



Admito, fui um dos nostálgicos que defendia a renovação do antigo Estádio, não foi fácil ver a antiga Catedral esventrada, a aura do velhinho Estádio é incomparável, explicar hoje ao pessoal mais novo, qual era o impacto de ter mais de 120 mil pessoas nas bancadas, é muito difícil, impossível mesmo, para quem nunca lá esteve, mas hoje 9 anos depois, não tenho problemas em admitir que a decisão de construir uma nova casa, foi a melhor opção... Já tivemos algumas alegrias na Nova Catedral, a acústica é muito boa, mas ainda falta ganhar mais alguns títulos, para elevar o nosso altar terreno, ao reino dos imortais, onde se encontra a antiga Catedral...!!!

Para ouvir:



PS: O Benfica foi sempre inovador, nesta campanha voltámos a inventar uma nova 'modalidade': sempre que o adversário eleitoral tem boas prestações nas entrevistas, a culpa é do entrevistador!!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Massacre !!!


Madeira SAD 16 - 34 Benfica

Resultado pesado, que não me surpreende por três razões: o Benfica tem jogado muito bem; o Madeira SAD está mais fraco, e têm tido algumas lesões; tiveram uma deslocação longa no passado fim-de-semana para a Taça EHF...
Faltam 3 jornadas para  final da 1ª volta - Camões(c), Xico(f), Avanca(c) -, o jogo em Guimarães será o mais complicado, mas são todos para vencer com muitos golos...

PS: Como 'prenda' dos 80 anos da secção no Benfica, ficámos ontem a saber o adversário na 3ª ronda da Taça EHF. Como não éramos cabeças de série, as possibilidades assustavam, ficámos com o Nantes, que entre as opções até seria uma dos mais 'fáceis'. Mas nomes como o Entrerrios, e o Maqueda deixam claro que não somos favoritos...

Momento de humor !!!


Luís Filipe Vieira anunciou hoje que a partir da próxima época, caso vença as eleições da próxima Sexta-feira, os jogos do Campeonato, na Luz, vão ser transmitidos na Benfica TV. Pessoalmente não fiquei surpreendido, nos últimos meses, em todas as entrevistas o Presidente do Benfica, já tinha insinuado que isto iria acontecer...
Qual a reacção daqueles que há vários anos exigiam a ruptura com Joaquim Oliveira?
«Devia ter vergonha, mais uma decisão populista»!!!
Ainda por cima, aqueles que acusam o Vieira de populismo e demagogia são os mesmos que apoiam a Lista B, que tem feito uma campanha eleitoral, que pode ser apelidada, sem favor nenhum, como o cumulo da demagogia: sem apresentar uma ideia, uma solução, usando somente a ofensa e a mentira contra a Lista A, tentando capitalizar o desgaste de 9 anos no poder do Presidente em exercício...
Só podemos levar estes 'desabafos' - derrotistas - para o humor, de outra forma a discussão só podia azedar...

PS1: Para mim os jogos na Benfica TV são um mal menor, não queria os jogos na Sport TV, mas preferia vendê-los a outro operador, mas compreendo que no momento actual da economia Portuguesa, não será nada fácil...

PS2: Fica assim explicada a presença do Moniz na Lista A - como podem verificar a decisão não foi tomada agora, pelo menos desde do famoso encontro do Vieira com o Moniz, num restaurante, que a decisão já estava tomada... -, pessoalmente não gosto do Moniz, não votaria nele para Presidente do Benfica, mas reconheço competências profissionais, e para o Benfica tirar rentabilidade dos jogos na Benfica TV, vai ser preciso muito 'suor'!!!

ELEGER QUEM?

Eu e a minha mania de escrever depois duma derrota do meu GLORIOSO.
Eu e a minha mania de sentir a "chama imensa" mais "imensa" quando o BENFICA
não ganha.
Eu e a minha mania de amar demais o BENFICA (nunca se ama verdadeiramente quando não se ama demais), e não apenas quando ganha,Enfim doença que já dura bem mais que o meio século. E não quero que passe.

Ponto prévio: engraçado que nunca concordei com eleições.Penso que as eleições deixam tudo na mesma, se não pior. E depois detesto, ter que obedecer ao que não quero.
Parece pois um contra-senso, mas não é, na minha mais que modesta opinião - sou pelo centralismo democrático, como por exemplo o de Cuba ou da antiga Rússia Soviética.
E não estejam já a salivar os antis ou os rangelistas, que eu explico, para não ter que lêr comentários parvos:- nesses Países, apostou-se pelo Socialismo. E é dentro dessa linha em direcção ao Socialismo, que se deve votar, na ânsia de melhorar a forma de melhor e mais rapidamente o atingir.
Ponto final parágrafo.
 
Porque não quero Rui Rangel:
1º- Porque a linha traçada por Luís Filipe Vieira, é, quanto a mim a mais correcta, melhor, a menos má. E enquanto não aparecer um melhor, por aqui me fico.
2º- Porque é um demagogo. Vejamos: não percebe nada de Contabilidade, ainda menos que eu ao dizer que quer diminuir o passivo do BENFICA. Só há duas formas de diminuir um passivo- aumento o capital próprio ou diminuo o activo:
-Primeiro eu para reduzir um passivo, aumento o capital próprio. E como faço isso? Permitindo que entrem no Clube investidores. Isto é BENFICA deixará de ser dos seus Sócios.
-Segundo, diminuo o activo. Isto é vendo  Jogadores, Estádio, Centro de Estágio, etc.,etc.,etc..
Se houver outra forma agradeço aos antis e aos rangelistas que me elucidem.
3º- A insultuosa forma de dizer que ia fazer um protocolo qualquer, com uma qualquer entidade, para os desempregados Benfiquistas. Isto não é ser demagogo é ser desonesto. Mas resolver o problema do desemprego só dos Benfiquistas? Mas que sentido de Justiça tem este Juiz, que beneficia só uma parte da população? E os outros desempregados? Mas afinal para este Sr. a Figura da Justiça, não tem os olhos vendados?
Estamos entregues aos bichos.
4º- O arrepiante propósito de deixar de exercer a Magistratura,e convocar uma Assembleia Geral, para ele e os seus apaniguados serem remunerados. Meter as mãos ao saco que tão laboriosamente Luís Filipe Vieira remendou e encheu. E lá estará o Joaquim Oliveira a afiar os dentes para também comer do bolo.
5º- «Tribunal da Relação de Lisboa condena advogado. Sá Fernandes acusa juízes de agradarem a corruptos. Ricardo Sá Fernandes acusou ontem os juízes da 9ª secção do Tribunal da Relação de Lisboa de complacência com a corrupção. "É vergonhoso", disse, após saber que foi condenado por gravação ilícita de uma conversa com o empresário da Bragaparques Domingos Névoa.»

«O juiz Rui Rangel, um dos visados pela acusação do advogado, admite processar Ricardo Sá Fernandes, caso considere que a sua honra e dignidade foram postas em causa. O juiz vai solicitar ao Conselho Superior da Magistratura autorização para o levantamento do dever de reserva a fim de explicar o que está em causa no processo. Com a gravação, Sá Fernandes queria provar que o empresário tentou subornar o seu irmão José, vereador na Câmara de Lisboa.»

Começou mal, muito mal e continua muito mal o Rui Rangel. Aponta o facto de Luís Filipe Vieira ter sido sócio do zmerding e dos andrades. Claro que se põe a tónica em ter sido sócio dos andrades(neste caso ninguém diz que Luís Filipe Vieira não pagava as quotas, era pessoa amiga que lhas pagava).
E pasmo ao verificar que de Rui Rangel ninguém fala. Pois, Rui Rangel tem (acho eu) o José Veiga, que é só andrade de ouro e, fundou a pocilga do porco, do Luxemburgo. Como é? E gaba-se dos seus trinta anos de magistratura. Como?
Trinta anos leva também o pinto da bosta a "mafiar" não só o futebol tuga, como o próprio País, e isso não é motivo de orgulho nenhum. Olhando nós para esses trinta anos, lamentamo-nos pelo o estado a que chegou a justiça portuguesa.
Há falta de melhor vem o tempo de sócio de Luís Filipe Vieira. De verdade que me dá vontade de rir. Ponho-me a pensar, e vem-me à memória esta coisa espantosa: mas então, tão mal se falou de Luís Filipe Vieira, devido a essa norma dos 25 anos que "pôs" nos Estatutos, e que se queria perpetuar no poder e agora os anti e os rangelistas valem-se desses mesmos Estatutos? Mas então acham que o LFV é tão burro que no mínimo não se iria acautelar?
E Rui Rangel foi a correr pagar não sei quantos anos e com este requinte: - alguém ou "alguéns" juraram pela própria honra, que Rui Rangel já era sócio desde anos atrás.
Agora dou razão aos jovens, para quem na escala de valores a honra baixou para um lugar ridículo. Mas isto sou eu a pensar.
Temos que  agradecer a candura com que nos querem fazer voltar à inocência da Infância. O programa que apresentaram é uma tosca promessa de intenções. Faz lembrar daquela vez que o Major valentão loureiro, ainda era do Psd, ao concorrer à Câmara do Porto, prometeu que iriam propor o Porto às olimpíadas de 2000 salvo erro.
São uns queridos.
Já agora...porque se preocupam tanto com os programas eleitorais? Com a experiência que temos da política em todo o Mundo, as promessas não são para cumprir. Mas o curioso do programa de Rangel, é que o que lá está apenas são intenções. Não especifica nada. Não justifica coisa nenhuma.É assim, há pessoas que gostam mesmo de ser enganadas.Luís Filipe Vieira, lá apresentou o seu programa eleitoral. Mas para quê pergunto eu? Não tem necessidade de programas a prometer nada. A sua imensa obra fala por si.
Queixa-se a candidatura de Rui Rangel, mais os antis e os rangelistas. de que a BENFICA TV - uma realização de Luís Filipe Vieira, recorde-se - não fez ou faz a cobertura dos actos da Lista B. Despudorada manipulação. A BENFICA TV, que foi uma obra do Luís Filipe Vieira, repito, a exemplo das eleições anteriores, não faz cobertura, do acto eleitoral no BENFICA, sejam quais forem as listas. Como não têm lá muito visibilidade, tentam arrebanhar a BENFICA TV, uma realização do Candidato que eles combatem.

Demasiados erros...


Spartak Moscovo 2 - 1 Benfica

Foi um jogo com demasiados erros próprios, mesmo sendo verdade que na última meia hora do jogo, merecíamos ter chegado ao empate, a verdade é que ficamos em desvantagem por culpa própria.
O primeiro erro foi do Jesus, mais uma vez optou por um sistema com dois avançados, quando pedia-se mais um jogador no meio-campo. Com o Aimar e o Carlos lesionados, podíamos ter jogado com o Nico, ou com o Bruno, ou até com o Salvio a '10', assim deixamos o Matic e o Enzo muito isolados na luta a meio campo - as ajudas do Bruno não foram suficientes. Apesar de toda a boa vontade - e raça - do Rodrigo, ele não tem 'posicionamento' para jogar a '10'... Este problema relfectiu-se no nosso jogo ofensivo - as nossas dificuldades em organizar jogo... -, mas o principal problema foi a defender, já que demos demasiado espaço ao meio campo adversário, principalmente ao trinco contrário...
Depois tivemos os erros individuais: primeiro o passe errado do Matic - no primeiro golo sofrido -, e depois no erro/azar do Jardel no auto-golo...
O Spartak tem bons jogadores, sabem trocar a bola, não são nenhuns 'toscos' como alguns querem fazer passar, mas nós temos mais equipa... e quando os Russos quiseram defender o resultado, nós podíamos ter empatado - pelo menos... -, faltou mais uma vez, a eficácia...
E no meio de todos os erros, tenho que realçar mais uma excelente exibição do Enzo: tanto a defender como a atacar, e até no 'mau perder' no final do jogo!!!
Não é normal o Benfica conceder tantas oportunidades de golo num jogo, mas também é verdade que mesmo nos piores momento também tivemos chances de golo: remate do Rodrigo e do Matic, para grandes defesas...O resultado podia ter sido mais pesado, mas também podia ter sido melhor...

Depois dos turbulentos últimos dias do mercado, assumi aqui, que internamente os objectivos seriam os mesmos, mas na Champions tínhamos que baixar as expectativas, infelizmente as exibições estão a comprovar que tenho razão, mesmo assim nada está perdido. Duas vitórias, nos dois próximos jogos na Luz, serão suficientes para garantir o 2º lugar (isto se o Barça cumprir, algo que depois do jogo de hoje com o Celtic, não sei se vai acontecer!!!), o próximo jogo com o Spartak vai ser muito complicado, até porque os Russos são especialistas no contra-ataque, e nós vamos jogar sem o Matic (amarelo muito mal mostrado... tal como o do Cardozo!!! Para depois perdoar as agressões do Welligton e do Ari ao Maxi e ao Melgarejo!!!)... No meio disto tudo, e apesar da necessidade dos milhões da Champions - e dos pontos para o ranking -, o principal objectivo é o Campeonato.

Não me surpreende, mas não posso ficar calado: o aproveitamento eleitoralista que esta derrota está a provocar, é vergonhoso. Sei que na Glorisesfera existe gente infiltrada, que não é Benfiquista, mas parece que também existe alguma gente que podemos definir como Benfiquistas 'alagartados'!!! Explico: muitos Lagartos dizem que são adeptos do Sporting, mas no fundo são anti-Benfiquistas, no Benfica, alguns dizem-se Benfiquistas, mas o seu verdadeiro clube é o anti-Vieira...
É irónico, ler alguns a queixarem-se das participações consecutivas - aparentemente vergonhosas!!! - do Benfica na Champions!!! Isto quando bem à pouco tempo, nem sequer nos conseguíamos qualificar para a dita prova...!!!

O último «aliado»

"Rui Rangel, em vez de se apresentar como autêntico representante da mudança, prefere assumir-se como líder de uma extensão do chamado «Grupo da Valenciana»

Desde há uma semana, data da minha última crónica neste espaço, em que defendi que a única solução para o Benfica deve passar por Luís Filipe Vieira, nada de novo se registou na frente de campanha que mereça relevância, além de algumas entrevistas tecnicamente bem trabalhadas. Aquilo que se esperava, afinal, frases dispersas, reparos deselegantes e acusações ocas, o normal num período eleitoral. Verificou-se também uma escusada aproveitação de nome de Rui Costa, como se residisse nele a panaceira para aliviar as dores da águia. No resto, uma oposição sem a capacidade de surpreender, ao jeito das equipas que, À míngua de argumentos para se imporem no terreiro da competição, investem no erro alheio, como na fábula trazida à colação pelo Ministro Miguel Macedo, em que a cigarra, sem nada para partilhar de significativo, espreita o árduo trabalho da formiga e dos seus sofrimentos se aproveita para, fresquinha e mentirosa, aparecer em cena a propagandear virtudes que não possui. Uma tentação irreprimível, aliás, quando transportada para os homens, de aí sugerir-se a conveniente prudência na interpretação mais da palavra dita, que voa, do que da palavra escrita, que fica.
Não ouço duvidar das boas intenções do juiz Rui Rangel. Porém, somente lhe temos escutado vulgaridades. em dito o que, afinal, todos diriam no lugar dele, sem se dar conta que em vez de se apresentar como autêntico representante da mudança, de dar a cara por uma alternativa forte e credível,com visão de futuro, prefere assumir-se como líder de uma extensão do chamado 'Grupo da Valenciana', por ser nesse conhecido restaurante da zona de Campolide, que desde há anos os descontentes se reúnem em jantaradas para chatearem o regime a alinhavarem estratégias eleitoralistas.

Os dois pretendentes ao trono merecem o mesmo respeito. A escolha cabe aos sócios, a mais ninguém. De Vieira depara-se nos a sua obra, a parte já erguida, que é imensa, e a que está em fase de construção. A ele se deve, e aos seus colaboradores, a tarefa gigantesca de, como é reconhecido, ter devolvido a credibilidade à instituição, de lhe ter limpado a cara e ter recolocado o Benfica no lugar que a sua valiosa história futebolística reservou no estrito clube de nobres do futebol mundial. Se fácil e rápido é destruir, complexo e demorado é reconstruir, e engrandecer até, o que outros arrasaram. Na minha opinião, como há uma semana, a solução continua a ser Vieira.

De Rangel pouco se sabe da sua experiência na área da gestão desportiva. Será, provavelmente, um bom presidente dentro de quatro anos, tempo suficiente para o adversário concluir a sua empreitada e que, paralelamente, lhe permitirá amadurecer ideias, definir caminhos, preparar uma equipa para receber e valorizar a importante herança que Vieira deixar. Neste momento, é a imagem de um candidato que foi empurrado para esta aventura, ou que se auto empurrou, o que, em qualquer dos casos, não se recomenda. Com as eleições marcadas para a próxima sexta-feira, é curiosa a circunstância de, até lá, o seu último «aliado» ser Jorge Jesus, dada a influência que os resultados desportivos exercem no sentido de voto dos menos esclarecidos. É assim agora, foi assim no passado e sê-lo-á sempre. Uma ironia do destino esta: Rangel estar a fazer força para que o treinador de Vieira erre na táctica do jogo de logo, em Moscovo, e lhe reforce a sua base de apoio. O juiz pode dizer que não senhor, que os interesses do clube estão acima de tudo, mas será que alguém acredita?... Se as coisas correrem mal ao Benfica, são votos para ele; se correrem bem... assunto resolvido.

Nota - Entre os avanços e recuos de Godinho Lopes e a falta de paciência de Eduardo Barroso, alguma coisa aconteceu no Sporting: Luís Duque e Carlos Freitas para a rua, o primeiro sem surpresa, o segundo por arrasto..."

Fernando Guerra, in A Bola 

O tabu dos direitos televisivos

"Apesar do limitado e quase ignorado espaço de que disponho, não conheço ninguém que se tenha batido com o empenho e desde há tanto tempo como eu pela centralização dos direitos televisivos dos clubes de futebol. Retomo o tema porque, na semana passada, houve n'A BOLA TV um debate sobre esta matéria em que intervieram os presidentes da Federação, da Liga e do Sindicato e no qual foram feitas duas afirmações que me intrigaram. A primeira de Fernando Gomes: «A centralização nunca deverá ser uma decisão por decreto, como em Itália. Aqui não funcionaria.» Acrescento e pergunto: também em França, foi uma decisão tomada por decreto, assinado pela então ministra Marie-George Buffet, e se nestes dois países e negociação colectiva é um êxito, porque não o haveria de ser em Portugal?
A segunda de Mário Figueiredo: «Há leis suficientes para punir os clubes que não cumprem as suas obrigações salariais e fiscais mas, na prática, não podem ser aplicadas.» Não podem ser aplicadas, porquê? Por falta de coragem ou algum impedimento real? Em Itália, sempre que a CO.VI.CO.C (Comissão de Vigilância para as sociedades de calcio), conclui que os clubes não têm condições materiais para honrar os seus compromissos, das duas uma: ou são despromovidos ou são impedidos de participar nas provas. E todos os anos acontece com vários clubes profissionais.
O futebol rege-se pela cartilha da máfia ou camorra. Simone Farina, defensor do Gubbio (Série B), que em 2011, denunciou a trama do Calciocommesse, foi durante meses um herói nacional, um símbolo do desporto limpo, Bola de Ouro da Honestidade da FIFA. Hoje não tem clube, é perseguido e vê-se obrigado a emigrar."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E agora?

"«Vejam-se os últimos cinco anos de arbitragem. Pedro Proença, Olegário Benquerença, Carlos Xistra, Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Rui Silva. Perguntem se é tudo por mero acaso. Nunca se enganam contra determinado clube, o FC Porto». A frase é da lavra de quem? Rui Gomes da Silva, vice-presidente do nosso Clube. Declaração que suscitou uma queixa dos visados em sede de justiça federativa.
Rui Gomes da Silva tem razão. Só lhe faltou dizer que esses árbitros, se alguma vez se equivocaram em jogos do FC Porto, foi quando os azuis do Norte já os venciam por margem confortável, ou seja, insusceptível de ser revertida. Tem sido uma constante nos últimos anos, uma espécie de reserva mental em relação ao Benfica e uma generosidade gritante relativamente ao FC Porto que maltrata a verdade desportiva.
A queixa apresentada é grotesca. Na sequência do famigerado processo Apito Dourado, com fortes razões substantivas, o que fizeram esses e outros homens do apito? Nada, nada mesmo. A situação foi branqueada, os dirigentes portistas poupados, até houve o desplante de acusar aqueles (benfiquistas e não só) que se insurgiram contra a pouca-vergonha instalada no Futebol indígena.
E agora? Em contencioso contra Rui Gomes da Silva, que o mesmo só pode significar contra o Benfica, que condições têm esses árbitros para dirigirem partidas com o nosso Clube a intervir? Uma questão elementar, absolutamente elementar. Os responsáveis federativos não podem nomear esses juízes, pelo menos enquanto decorrer o processo, sob pena de avolumarem a suspeição.
Melhor ainda seria que os próprios anunciassem recusa. Por uma atitude de honradez. E era mesmo de bola honrada que nós precisávamos."

João Malheiro, in O Benfica

Regresso às vitórias...


Benfica B 2 - 1 Guimarães B

Desta vez, tivemos alguma sorte, notou-se a falta dos 'Andrés' - em Moscovo na Champions - principalmente na construção de jogo ofensivo, também demos demasiados espaços, mas o Mika e a azelhice adversária, safaram-nos... É necessário continuar a trabalhar para anular as ingenuidades que ainda persistem nos nossos jovens (sofrer um golo num contra-ataque, após um canto a nosso favor, quando se está vencer por 2-0, não deve acontecer)...
Vínhamos de uma série de empates, o que reforça ainda mais a importância da vitória... e se às vezes jogando bem, não conseguimos ganhar, noutras alturas - esta noite -, jogando menos bem, conseguimos os 3 pontos!!!

Alcatraz

"O que leva o comum dos mortais a preferir um clube em relação a todos os outros? O que o leva a escolher um emblema, a seguir uma equipa? Por que razão sofre ou rebenta de alegria? Que motivo há para que chore ou se desfaça em beijos e abraços? Que o leva ao desespero ou à beatitude? Não há uma razão única; vale tudo um pouco. Mas regressemos aos primórdios de cada um. Há quem se torne adepto de um clube por ser o clube da terra onde nasceu. A ligação é familiar, nesse clube terão jogado pais ou tios.
Como também pode ser familiar a ligação de quem escolhe o clube do pai ou do avô. E mesmo até por embirração, talvez contra o pai ou contra o irmão mais velho. Depois há a opção prosaica: gosta-se de um clube pela cor das camisolas.
Ou ainda mais filosoficamente: pelo estilo de jogo da equipa, ofensivo ou defensivo. E até personificado: porque nela jogo um astro, um jogador de carisma e qualidade.
Podia encher um jornal com motivos, mas existem alguns que de tão estranhos cairiam no descrédito. Imaginem alguém que opta por ser de um clube porque se identifica com a sua política de corrupção, roubo e violência... E alguém capaz de vibrar com vitórias falsas à custa de árbitros solícitos e vergados. E outro alguém, ainda, delirando com os prejuízos feitos aos adversários por via do trabalho soez de dirigentes criminosos.
Vocês perguntarão: há adeptos que, deliberadamente, assumem com gosto a sua condição de sócios de corporações de malfeitores travestidas de clubes de futebol? E eu respondo: há! Acreditem que há! E marcham em legiões para os estádios envergando orgulhosamente as suas camisolas às riscas que fazem lembrar as fardas dos prisioneiros da sinistra ilha de Alcatraz."

Afonso de Melo, in O Benfica

Futebol a sério

"1. Agora é a sério: a Liga de Futebol Profissional denunciou as ilegalidades dos contratos de transmissão televisiva da PPTV/Olivedesportos/Sport TV junto da Autoridade da Concorrência. Este é o passo que nunca ninguém quis dar e que só a eleição de Mário Figueiredo permitiu: colocar em causa o monopólio do produto televisivo. Um passo (de que muitos duvidaram e que muitos tentaram evitar) que obrigou Fernando Gomes, esta semana, a engrossar o pelotão dos que se colocam a favor da centralização da venda dos direitos televisivos e da melhor redistribuição das receitas entre pequenos, médios e grandes clubes; ver-se-á daqui a pouco a razão para este lance de xadrez do presidente da FPF... Jogadas à parte, agora cabe a palavra à Autoridade da Concorrência, com um processo que seja claro e transparente e decisões fundamentadas e explicadas sem quaisquer constrangimentos. Se atender às pretensões da Liga e dos clubes (a hipótese mais provável, visto o argumentário jurídico), os contratos deixarão de produzir efeitos e/ou só produzirão efeitos durante mais 2 ou 3 anos. Se assim for, nunca mais o futebol profissional será igual por cá.
2. Agora é a sério: as três grandes SAD do futebol têm de mudar de vida. Os tempos do país e do Mundo obrigam; os excessos e os abusos do passado deixaram de ter tantos aliados; os negócios de ocasião são mais esporádicos. No Benfica, anunciou-se há não muito tempo a austeridade, com implícito ato de contrição quanto à irracionalidade da gestão. No Sporting, consegue-se anunciar muito pouco, pois a situação financeira parece ser apenas a administração da iminência do precipício. No Porto, anunciou-se a “redução transversal da despesa” e a adaptação do “modelo de negócio ao mercado”; entretanto, faz-se mais dívida (mais um empréstimo obrigacionista, no esquema habitual) para pagar a que está a vencer, concentrando-a no futuro menos próximo. Para compreender tudo isto era bom que se alcançassem algumas daquelas “rubricas” das contas das SAD. Naquele labirinto de entradas e saídas de dinheiro avultam as transmissões de direitos dos jogadores; decifrar quem é quem e quem recebe e paga o quê seria a verdadeira pedrada neste charco. E se todos percebêssemos quem ganhou e perdeu naquela montanha-russa de comissões (exemplo: 18 milhões só num ano para intermediários...) e fundos com nomes indecifráveis, se houvesse interesse em investigar a legalidade de tudo isso, então talvez o futebol profissional nunca mais fosse o mesmo por cá. Isto, claro está, se estivéssemos num país a sério e... sem medo."

A hora dos delfins está a chegar

"Considerações sobre as questões de sucessão nos nossos “grandes”

Tal como está a sociedade, as finanças, os humores e o mundo, os clubes de futebol vêm-se forçados a adaptar-se à inóspita situação. Não se trata aqui da questãozinha dos resultados desportivos.
Nesse aspecto não estão previstas alterações bombásticas ao paradigma em vigor, basta olhar para a tabela do campeonato. A revolução é na questão financeira e na liderança. Dificilmente os grandes clubes de futebol em Portugal consentirão que os seus poderes mudem para as mãos de desconhecidos ou de arrivistas ou para as mãos de meros apaixonados.
Os clubes transformaram-se em enormes grupos empresariais com dependências fortíssimas à banca e exibindo passivos astronómicos, um conjunto letal de realidades que, forçosamente, vai baralhar aquela arcaica obrigação estatutária de ter de haver eleições para os “corpos gerentes” de uns quantos em quantos anos.
A democracia não foi erradicada dos clubes, longe disso, mas estamos a assistir, e continuaremos a assistir pelo andar da carruagem, a uma preocupação crescente em promover ou abrir o campo para “sucessões” no lugar de eleições.
Fernando Tavares, que concorre contra a lista de Vieira na lista de Rangel, insinuou esta semana, com malícia, que José Eduardo Moniz tinha conseguido ganhar as eleições ao actual presidente sem ter de recorrer aos trâmites sempre incómodos do sufrágio popular. A imagem é forte e, podendo ou não corresponder à realidade, a verdade é que não há benfiquista, de uma ou de outra lista, que não olhe para Moniz, que já lá está dentro, como um putativo sucessor de Vieira.
No Sporting, por exemplo, a actual direcção nasceu da necessidade de juntar no mesmo saco de gatos uma quantidade significativa de velhos e novos opositores de modo a construir uma opção de poder tão abrangente e com tantas soluções que, neste momento, ninguém se entende em questões tão simples e pragmáticas como a do treinador.
Mas a grande novidade disto tudo, aconteceu no FC Porto onde o poder não se discute há décadas porque não tem sido preciso. Esta semana, Antero Henrique concedeu uma entrevista ao “France-Football” e explicou detalhadamente, mostrando saber do que está a falar as razões do sucesso desportivo do clube. Soltou-se um delfim na casa do Dragão. O mundo está mesmo a mudar.

ERRAR É HUMANO
Quatro anos para a casa vir abaixo
Os benfiquistas, por natureza optimistas e confiando na sua fervorosa História de 108 anos, esperam que José Eduardo Moniz, candidato a vice-presidente na lista liderada por Luís Filipe Vieira, faça aos “poderes instalados” e aos “grandes conluios” que, utilizando as suas próprias palavras, comandam o futebol português, exactamente o mesmo que fez quando chegou à direcção da TVI e, no espaço curto de um “reality-show”, deu cabo da liderança da SIC de Emídio Rangel no campeonato das audiências, do sucesso e da glória. É pedir muito, convenhamos.
Luís Filipe Vieira, que não é tolo, tem noção de que a notícia forte da sua recandidatura é a inclusão do seu antigo opositor na lista. Ninguém pode censurar a Vieira, que já leva dez anos de Benfica, de alguma vez se ter acobardado de ir à luta, bem ou mal, contra os tais poderes instalados e os conluios. É verdade que não foi feliz como o provam os resultados desportivos, de que é responsável, e os resultados judiciais, de que não é, nem poderia ser, responsável.
Moniz “estreou-se” num jantar da Bairrada como orador-benfiquista, soldado no activo, prometendo luta contra “os truques da arbitragem” e a casa, naturalmente, veio abaixo. Veremos se vem mais alguma coisa abaixo nos próximos quatro anos.

POSITIVO
Postiga bem bom
A titularidade de Hélder Postiga no “onze” de Paulo Bento está longe de ser indiscutível entre os adeptos. Mas a verdade é que em dois jogos de pobreza extrema da selecção, só Postiga cumpriu. Um golinho, bem bom.

Queiroz avança
O Irão de Carlos Queiroz venceu a Coreia do Sul em Teerão e segurou-se no segundo lugar do grupo A asiático que confere a qualificação directa para o Mundial de 2014. Está quase lá, professor.

NEGATIVO
Bento recua
Dupla jornada para a selecção de Paulo Bento e dupla depressão. Uma derrota em Moscovo e um empate pindérico com os irlandeses do Norte no Dragão não acabam com o sonho português mas a coisa complicou-se.

PÉROLA
“Oceano é intocável.”
GODINHO LOPES
É interino mas é intocável. Enquanto for interino, obviamente. Fará também “parte da estrutura” técnica do futuro mesmo que o treinador a contratar não queira. Oceano “forever”, sendo que, em Alvalde”, o “para sempre” é o que é. Muito confusos se devem sentir os jogadores do Sporting, não é?"

domingo, 21 de outubro de 2012

Domingos Soares Oliveira...


"Uma das criticas mais fortes que se tem feito neste período pré-eleitoral tem a ver com os números do passivo do Benfica. Na realidade, qual é o passivo neste momento?
Se falarmos no passivo consolidado, que é que interessa aos benfiquistas, existem duas vertentes: o passivo financeiro, que se situa em 237 milhões no final do último exercício, portanto muito muito abaixo dos 500 milhões falados por alguns, e o passivo não financeiro, que tem a ver com dívidas a parceiros e que se situa nos 119 milhões. Portanto, estamos a falar de um total que não chega a 400 milhões.
Elementos da lista de Rui Rangel insistem no passivo não bancário. O que é isso em concreto?
É aquilo que normalmente tem a ver com compras que se fazem e cuja parte essencial se refere a compra de jogadores. A maioria dos nossos parceiros aceita que o Benfica possa fazer esses pagamentos ao longo de determinado período.
Há alguma razão especial para o passivo ter atingido estes números?
O passivo tem estado razoavelmente estável e tem crescido em consonância com os activos. Aquilo que temos feito desde o investimento no estádio, Caixa Futebol Campus, Benfica TV... Não temos parado de investir, ainda recentemente comprámos o Campo do Bravo para a equipa B, o museu também é um investimento. Quando se fazem estes investimentos, é natural que o passivo e os activos subam. Algumas pessoas estão muito preocupadas com o passivo e ainda não ouvi ninguém falar no aumento de activos cujo valor anda sempre muito próximo do passivo. Para além disso, continuamos a apostar na capacidade do Benfica em gerar receitas. Para lhe dar uma ideia, quando Luís Filipe Vieira chegou, a facturação total do Benfica situava-se nos 42/43 milhões e, neste momento, a facturação é de 140 milhões. Trata-se de um investimento estruturado que vai tendo cada vez mais capacidade de gerar receitas. Talvez as pessoas se esqueçam (e tenho relatórios desde 1994) que o Benfica já estava com capitais próprios negativos, não tinha riqueza própria e o único caminho era recorrer ao endividamento.
Há uma ideia do valor dos activos neste momento?
Há, estão valorizados em 361 milhões, naquilo que é possível reconhecer o valor dos activos. Eu falo sempre na questão dos jogadores porque os jogadores só podem ser avaliados pelo valor pelo qual foram adquiridos deduzindo as amortizações. O Witsel estava reconhecido nos activos como um valor próximo dos 6 milhões e foi vendido por 40. Isto significa que os nossos crivos estão de acordo com as normas locais, mas não estão de acordo com o real valor de mercado.
Rui Rangel tem falado com insistência na necessidade de uma auditoria às contas do Benfica.
(interrompe) Nós somos uma empresa auditada pelas maiores empresas internacionais. O que se pode fazer agora é auditar os auditores. Porque se as contas do Benfica são controladas pela CMVM, o que podem querer é auditar os auditores e a CMVM, e essa prática desconheço.
De que forma é que a crise económica mundial influi nestes números negativos?
No ano passado continuamos a crescer e do ponto de vista de receitas da componente operacional crescemos 10%. Mas temos plena consciência de que o Benfica esta inserido num determinado conceito socioeconómico. Felizmente a maioria dos contratos que temos são de longa duração e as empresas têm estado satisfeitas e até agora nenhuma pediu qualquer tipo de renegociação de contrato. Do ponto de vista dos consumidores sentimos maior dificuldade das pessoas em pagar as quotas e os seus bilhetes, embora este jogo com o Barcelona tenha sido um dos cinco melhores jogos desde que o estádio foi inaugurado.
A SAD tem conseguido cumprir escrupulosamente as obrigações com todos os funcionários?
A SAD cumpre com todos os funcionários e nunca incumpriu, nestes nove anos, com nenhum jogador, nenhum treinador, nenhum funcionário, com parceiros financeiros ou fornecedores e nunca tivemos nenhum processo. Não há um único jogador que possa vir reclamar que p Benfica lhe ficou a dever alguma coisa.
Tem noção que essa é uma realidade pouco vista no futebol português?
Tenho noção, pois temos alguns dados relativos a outros clubes portugueses e sei que há clubes a passar dificuldades. É negativo para o sector.
Qual é o valor da marca Benfica actualmente?
Já vi estudos de 50 entidades distintas, desde superior a 100 milhões a outros que dizem que vale mais de 300 milhões. Mas tenho de reconhecer que não há sitio a que o Benfica se desloque onde não seja reconhecido, reconhecido e diria quase idolatrado. Não há nenhuma marca portuguesa que seja mais valiosa do que o Benfica.
Rui Rangel acusa a actual direcção de transformar o Benfica num entreposto de jogadores.
É verdade que hoje o Benfica tem uma política distinta daquela que era a politica relativa a jogadores há dez anos. O dr. Rui Rangel não saberá, mas uma parte significativa dos contratos que hoje existem são miúdos oriundos da nossa formação e estamos a falar de dezenas de contratos profissionais. Depois, não temos 95 jogadores, esse dado é falso.
Então quantos tem?
Não lhe vou precisar quantos são, mas é um número muito mais baixo do que esse. Uma parte significativa dos jogadores que temos são jogadores que estão emprestados, no sentido de serem valorizados e, temos vários exemplos de sucesso nesse campo como foi o caso de Fábio Coentrão. E, portanto, a política que existe é que esses jogadores são colocados no campeonato português ou no estrangeiro (como o Nelson Oliveira) e esses clubes pagam o salário do jogador na totalidade e ainda uma verba pelo empréstimo. Dentro de casa, entre equipa A, B e juniores temos 40 a 50 jogadores e os que estão emprestados não significam qualquer custo para o Benfica.
Em que mercados é que o Benfica está a apostar em termos de expansão?
Na expansão internacional a grande aposta é claramente na Lusofonia. Abrimos escolas em Angola em Moçambique, estivemos com futebol de formação em todos os PALOP e é aí que está o grande potencial de crescimento do Benfica. Dos 14 milhões de adeptos, grande parte está nestes países e tem tido um crescimento muito interessante.
Termina esta época o contrato de patrocínio com a PT. Uma multinacional como a Emirates era o sponsor ideal?
A Emirates investe no futebol 180 milhões por ano e faz este investimento nos grandes clubes de cada país. Naturalmente que a Emirates seria um parceiro comercial interessante.
A PT patrocina igualmente FC Porto e Sporting. Isso é prejudicial?
Não conheço os números de FC Porto e Sporting, mas tenho uma pequena ideia por aquilo que se ouve no mercado. Lembro que o estudo da Liga, que é isento, diz que a quantidade dos adeptos do Benfica em Portugal é igual a soma de adeptos de FC Porto e Sporting.
Por que é que ainda não se fechou o negocio do naming do estádio?
Porque ainda não conseguimos encontrar o parceiro certo, quer do ponto de vista financeiro quer da marca. Hoje em dia, com esta crise mundial, não é em Portugal que vamos encontrar um parceiro para o naming do estádio nem penso que este dossier se possa fechar a curto prazo.
0 Benfica está presente em reuniões com os grandes clubes da Europa através da ECA (European Club Association). 0 que é que se discute aí?
Estou na componente de "marketing e comunication" e temos como objectivo encontrar dados para a indústria se continuar a desenvolver. É uma associação e clubes, mas não é por isso que não trabalha com a UEFA.
Este grupo tem mais força que o G14?
Tem maior abrangência e creio que mais força também. É ali que se encontram os grandes decisores dos clubes como Sandro Rosell (Barcelona), David Gill (Man. United) ou Jean-Michel Aulas (Lyon). É ali que nos encontramos e abrimos portas para futuros negócios.

«Vamos ter de baixar preços»
O presidente admitiu recentemente baixar o valor das quotas, tendo em conta a recessão que atravessa o país. Esta medida será uma realidade em breve?
Esse assunto não foi ainda tratado como tal dentro de uma reunião de direcção, porque é a direcção que tem poderes para isso. Como lhe disse, com esta crise fizemos uma analise e o Benfica, como toda a sociedade, vai ter de se adaptar às novas regras do jogo, já que as pessoas têm menos dinheiro, as empresas menos capacidade de financiamento. Queremos ter o maior número de sócios e queremos continuar a ter o estádio com afluências significativas. Para isso vamos ter de baixar pregos e reduzir custos para manter o equilíbrio.
As receitas de quotização e bilheteira têm vindo a baixar?
Não, até agora não, e isso tem sido uma das boas surpresas. Mas teremos de ver o impacto a partir de Janeiro, altura em que a maioria dos sócios como eu paga a quota anual.
O objectivo dos 300 mil sócios ainda é concretizável?
Chegaremos aos 300 mil sócios, não sei exactamente quando. Há um ano e meio tive um filho que fiz sócio desde o dia que nasceu e era o 237 mil e qualquer coisa, portanto em determinado momento haverá o sócio 300 mil. Aquilo que será a nossa luta quando chegar a essa altura, é que exista a capacidade de os sócios honrarem os compromissos de quotização.

«Direitos televisivos serão decididos até final do ano»
Estamos a meses do final do contrato com a Olivedesportos para os direitos televisivos. O Benfica já decidiu o que vai fazer?
Não houve nenhuma evolução. Recebemos uma proposta, tornamo-la pública e não aceitámos por várias razões. Existem alternativas identificadas, mas não há decisões tomadas e não seria sensato tomar essa decisão antes das eleições.
Mas para quando uma decisão?
Não quero antecipar datas, até final do ano teremos de ter decisões.
Há quem pague mais que a Olivedesportos?
Sem revelar muito nos tivemos um acordo com o engenheiro Paes do Amaral em relação a uma suposta proposta que ele iria fazer e acabou por não fazer. E não existem em Portugal entidades disponíveis para apresentar um programa concorrente à Sport TV, até porque os únicos direitos televisivos que estão disponíveis de imediato, entre clubes da I Liga, são os direitos do Benfica. Se quisermos avançar para uma alternativa ou conseguimos arranjar um parceiro internacional e ainda assim a Olivedesportos terá sempre um direito de preferência para exercer, ou, como já foi falado, exploramos os direitos dentro da própria Benfica TV. A não ser que a Liga arranje outra solução, entretanto.
Portanto bastará a Olivedesportos igualar o valor?
A Olivedesportos tem direito de preferência, são condições negociadas em 2002 e que eram as condições possíveis na altura e vale a pena elucidar esse tema. Fui dos primeiros a denunciar que o valor que o Benfica recebia era extremamente baixo sem paralelo em termos internacionais. Questionei-me porque é que este acordo tinha sido assumido em 2003 mas como toda a gente sabe o contrato foi rasgado nos tempos de Vale e Azevedo, o que originou um enorme imbróglio jurídico. As pessoas que estiveram por detrás do rasgar de contrato com a Olivedesportos, na altura, deveriam pensar que isso terá custado qualquer coisa como 70 milhões de receitas que o Benfica não foi buscar, e isto tem implicações no passivo. Ouvir agora algumas pessoas que estiveram associadas a Vale e Azevedo virem falar do passivos... As pessoas deviam ter mais decoro na forma como abordam o assunto.
A maioria dos clubes europeus recebe mais de 40% do total das receitas. É possível lá chegar?
Os clubes recebem em média, 40% e o Benfica gera receitas internacionais, sem direitos televisivos, de mais de 100 milhões, portanto estaríamos a falar de um valor superior a 40 milhões.
Mas admite fechar contrato abaixo dos 40 milhões?
Nós não temos nenhuma proposta em cima da mesa. Ou essa proposta aparecerá, ou se não aparecer a alternativa é a Benfica TV.
Não acha que a renovação do contrato com a Olivedesportos iria criar mal-estar junto dos sócios? Até actuais dirigentes já se manifestaram contra.
Existem duas questões diferentes. Uma é corporativa e trata-se de uma relação que tem corrido bem com a Olivedesportos, outra é a percepção que os sócios têm em relação ao papel desempenhado pela Olivedesportos. E basta ver aquilo que é dito nas assembleias gerais onde este assunto é sempre posto em cima da mesa. Não é possível tomar uma decisão sem ter isso em consideração. Se isso nos condiciona numa eventual negociação? Não vou tão longe.
Os resultados da Benfica TV estão a corresponder às expectativas?
Estão. Sabíamos que tínhamos o problema de não ter os jogos em directo o que havia muito em termos de share. Dou-lhe um exemplo: o jogo que fizemos no Algarve, com o Betis, teve um share altíssimo, de 17 ou 18%.
Por que é que a Benfica TV não faz a cobertura das eleições?
Tomámos essa decisão em 2009 e não temos os meios de um canal generalista para fazer a cobertura total. O dr. Rui Rangel declarou que é mau sinal a Benfica TV não ter estado no lançamento da sua candidatura, mas também não esteve na de Luís Filipe Vieira. Queremos continuar de forma isenta.

«Nunca recebi um dragão de ouro»
Uma das críticas que lhe fazem frequentemente é o facto de não ser benfiquista. É verdade que torcia pelo Sporting?
Sempre defendi o Benfica com a mesma tenacidade que qualquer benfiquista defende. Estou de consciência tranquila. É interessante ouvir críticas de pessoas que se dizem benfiquistas. Eu nunca recebi um dragão de ouro, nunca fui presidente de uma casa do FC Porto no Luxemburgo, nunca fui condenado por processos fiscais a favor do Sporting e nunca tive qualquer processo por fraude fiscal. Portanto, ouvir algumas pessoas a falar de benfiquismo quando se tem por perto pessoas assim...

«Encontro muitos adeptos na rua e ninguém me diz que estou a fazer um mau trabalho ou sou lagarto (...)»
Mas essa é das maiores críticas que lhe fazem...
(interrompe) As pessoas que hoje me criticam são as mesmas pessoas que me contrataram, sabendo quais eras as minhas características profissionais e pessoais. Isso é pura demagogia. O meu trabalho avalia-se por quem cá está. Nestes nove anos, fui a mais jogos do Benfica do que essas pessoas e tenho números de quantas vezes eles vieram ao estádio. Encontro muitos adeptos na rua, convivo com eles e ninguém me diz que estou a fazer mau trabalho ou sou lagarto, sportinguista, ou qualquer outra coisa.
Acha que o cargo de presidente deveria ser remunerado?
Isso é uma questão quase pessoal. O presidente defende uma linha dura que, reconheço, é cada vez menos frequente no plano internacional.
E no plano nacional também.
Sim, também, mas não comparo o Benfica com nenhum clube nacional. O presidente do FC Porto é remunerado, o do Sporting não é mas desde José Eduardo Bettencourt que pode ser. O presidente sempre entendeu que quem está nos órgãos sociais não deve ser remunerado, porque está ao serviço do Benfica. Já nem falo do presidente que passa aqui 12 a 15 horas por dia, mas de outros como o Rui Gomes da Silva, que prejudica a vida pessoal e profissional pelo Benfica. Não me canso de elogiar estes orgãos sociais que se mantiveram coesos até ao fim e respeito a 100% a vontade do presidente e dos sócios.

«Realizamos encaixes e o jogador fica aqui»
O Benfica Stars Fund tem tido os resultados esperados?
Fazemos vendas de parte do passe dos jogadores, mas temos 15% do fundo. As operações já realizadas trouxeram resultados muito interessantes, a maioria com resultados positivos e dois ou três em linha com o que estava perspectivado. Vamos ver agora o que acontece aos outros jogadores que estão no fundo. Conseguimos encontrar uma solução inovadora em que vendemos pequenas percentagens, o que nos permite realizar encaixes e o jogador ainda fica aqui.
O valor das acções do Benfica estão muito abaixo do preço de lançamento. Faz sentido continuar na Bolsa?
É uma pergunta difícil, porque qualquer resposta que lhe desse teria de a justificar perante a CMVM, mas posso dizer-lhe que não temos qualquer intenção de retirar a Benfica SAD da Bolsa. É verdade que quem investiu 5 euros e vê hoje as acções a 50/60 cêntimos sente que é um rombo significativo, mas quem investiu na SAD não procurou dividendos, agiu mais numa perspectiva emocional. Haverá excepções como o caso do presidente e do sr. José Guilherme, porque naquela altura era fundamental investir para salvar o Benfica.

«Se não valesse a pena Jesus já não estaria cá»
O Benfica vendeu Javi Garcia e Witsel em cima do fecho do mercado. Estava obrigado a realizar receitas extraordinarias?
Nós teríamos sempre de encontrar, para este ano, formas de financiamento. Desenvolvemos um modelo diferente em que é fundamental que a equipa seja extremamente competitiva e para isto é preciso ter os melhores jogadores e isso não se faz retendo-os aqui dentro. Neste caso não era essencial vender os dois jogadores, pois tínhamos financiamento alternativo. Se do ponto de vista desportivo nos coloca um desafio, do ponto de vista financeiro deixa-nos com uma margem muito boa para 2012 e 2013.

«Há que deixar de ser hipócritas. O Benfica não pode recusar ofertas de 20, 30, ou 40 milhões»
«Daqui a 2/3 anos, haverá qualidade vinda da formação que nos levará a investir menos no mercado»
Não era possível antecipar estas vendas e garantir substitutos à altura em tempo útil?
Já vi vários treinadores dizerem que a partir do momento em que aparece uma proposta entre 20 a 30 milhões, os clubes portugueses não devem hesitar em vender. E o futebol é o momento e já houve situações em que tivemos oportunidades para vender e não vendemos, e quando apareceu uma nova proposta o jogador foi vendido por um valor mais baixo. Em termos internacionais, os clubes vão ter menos capacidade de investimento mas quando nos aparece uma proposta de 20, 30 ou 40 milhões há que deixar de ser hipócritas e dizer que o Benfica, e até o país, não se pode dar ao luxo de recusar este dinheiro. As duas situações, quer do Javi quer do Witsel, são diferentes. Para o Javi havia a percepção que podia chegar uma proposta e da parte da equipa técnica sempre houve uma mensagem de confiança em relação às alternativas que existiam. O caso do Witsel foi diferente, foi uma situação de última hora que não esperávamos, mas há que reconhecer que Jorge Jesus, quando confrontado com a situação, sempre disse que arranjaria soluções.
Os adeptos devem estar preparados para mais vendas em Janeiro?
Não creio, ainda não chegamos la, mas não precisamos de vender em Janeiro. Nessa altura acontecem apenas alguns ajustes pontuais de compras e vendas.
Mas há excepções como o caso de David Luiz, vendido em Janeiro.
Sim, mas esse é daqueles exemplos em que lhe posso dizer que perdemos a oportunidade de vender no momento certo e Janeiro não foi o momento certo. O David revelava vontade em sair e naqueles seis meses todos percebemos que tínhamos perdido o momento certo de vender.
A curto prazo o Benfica poderá voltar a fazer investimentos superiores a 30 milhões em jogadores?
Nós temos investido todos os anos verbas significativas, e esse investimento dividiu-se numa primeira fase em infraestruturas e numa segunda fase em atletas, e aí foi feito o grosso do investimento, e que não nos arrependemos. Todos os jogadores que estão a chegar do futebol de formação dão-nos garantias de poderem estar na equipa principal dentro de muito pouco tempo. As pessoas queixam-se muito de que não termos portugueses na equipa principal, mas têm de entender que este processo demora anos. Se nos lembrarmos da decisão de Vale e Azevedo em acabar com o futebol de formação, não era, de certeza, em 2003 ou 2004 que iriam surgir putos e alguns dos miúdos que estão a aparecer hoje na equipa B estão connosco há 10 anos. Isso é primeiro factor positivo: haver qualidade que nos permite pensar que dentro de 2/3 anos, com estes bons resultados, vamos ter menor necessidade de investimento. Temos também feito um excelente trabalho na prospecção liderado pelo Rui Costa, que considero ser das pessoas que mais percebe de futebol em Portugal.
Existe um tecto salarial estipulado para o plantel profissional?
Não, não existe nenhum tecto salarial. Aquilo que temos são escalões, com excepção dos jogadores que vêm da formação que têm (...) por onde podem evoluir, mas não creio que haja dois jogadores dentro do Benfica que tenham salários iguais. No entanto, é diferente comprar um jogador por 10 milhões e trazer outro a custo zero. Se o trago por 10 milhões com um contrato de cinco anos, a capacidade é limitada mas se ele vem a zero tenho mais capacidade de lhe pagar determinado salário durante os anos de contrato. Não defendo tectos salariais, o tecto principal é o da razoabilidade.
O Benfica tem vindo a descer a massa salarial?
Não, a massa salarial tem crescido muito por força de factores variáveis que são introduzidos, um que têm a ver com aquilo que se passa a nível nacional, outros com o que se passa a nível internacional. O facto de os jogadores terem conseguido chegar aos quartos-de-final da Champions fez com que se subisse ligeiramente a massa salarial.
Jorge Jesus é um dos treinadores mais bem pagos de sempre do futebol português. É um esforço financeiro que tem valido a pena?
Se não valesse a pena, Jorge Jesus já não estaria cá e está há quatro anos connosco. Não sou a pessoa mais indicada para elencar todos os méritos de Jorge Jesus, mas tudo o que conseguimos nestes três anos quer ao nível de de títulos, quer do ponto de vista de performance desportiva, quer da valorização de jogadores, merecia que alguém escrevesse a história de Jorge Jesus. É um elemento determinante na estrutura do futebol, que tem também António Carraça, Rui Costa e o presidente.
Hoje em dia para para ser treinador do Benfica a capacidade de potenciar jogadores é tão importante como a conquista de títulos?
Nós trabalhamos para os adeptos, nunca podemos esquecer para quem trabalhamos. Toda a estrutura trabalha para o sucesso desportivo. É muito interessante sermos o maior clube do Mundo, termos resultados financeiros positivos, museu, infraestruturas, mas na realidade a essência do Benfica é ganhar títulos. Portanto, tudo o que é feito nesta casa tem como ponto de referência a conquista de títulos. Já tivemos anos com 30 milhões de euros de prejuízo e as pessoas estavam contentes porque ganhámos o campeonato e outras com lucro em que as pessoas estavam claramente descontentes porque não ganhámos.

PERFIL
Nome: DOMINGOS Cunha Mota SOARES de OLIVEIRA
Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1960 (52 anos). Casado, 4 filhos
Licenciado em Informática e Gestão pela Universidade Paris XI em 1983
Advanced Management Program pelo Insead em 1998

1993-1984
- Analista-programador da Union Française des Banques – Locabail, em Paris

1984-1988
- Director de Organização e Informática da Locapor

1988-1992
- Director-geral da Unisoft

1992-1996
- Administrador delegado da Geslógica

1997-2000
- Country manager para Portugal da Cap Gemini
- Administrador Delegado da Cap Gemini Portugal

2000-2001
- Country Manager para Portugal na nova empresa Cap Gemini Ernst & Young
- Administrador delegado da Cap Gemini Ernst & Young Portugal

2001-2003
- CEO da Cap Gemini Ernst & Young Ibéria
- Presidente e consejero delegado da Cap Gemini Ernst & Young España
- Presidente não executivo da Cap Gemini Ernst & Young Portugal
- Administrador não executivo da Sogeti España

- Maio de 2004 até à data
- Presidente da comissão executiva do Grupo Benfica
- Administrador das seguintes empresas:
- Benfica Futebol SAD
- Benfica Estádio
- Benfica Multimédia
- Benfica SGPS
- Benfica Comercial
- Benfica Seguros
- Clínica do Benfica
- Benfica TV
- É responsável pelas seguintes áreas do Grupo Benfica
- Direcção Comercial & Marketing
- Direcção Financeira
- Futebol Formação
- Direcção Técnica e de Sistemas de Informação
- Benfica Multimédia
- Benfica TV
- Direcção de Recursos Humanos
- Organização de jogos
- Segurança"

Domingos Soares Oliveira, entrevistado por João Rui Rodrigues, in Record