Últimas indefectivações

sábado, 22 de abril de 2017

Empatas!!!

Águas Santas 27 - 27 Benfica
(14-14)

Está a ser a 'fase' dos empates!!! Como é que é possível jogar bem contra o Sporting e depois não conseguir ganhar um jogo ao Águas Santas?!!!

Complicado...

Sp. Espinho 3 - 2 Benfica
25-17, 15-25, 27-29, 25-17, 19-17


Parece que não vamos ter o Honoré e o André Lopes... sendo assim, será muito complicado, até porque como se viu hoje, em Espinho, as dimensões do campo não são as mesmas para as duas equipas!!!
O mais frustrante, foi o facto de mesmo com todos os obstáculos, tivemos match-point's e não conseguimos fechar a partida...!!!

O leão prefere

"O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, sustentou ideia de desprendimento relativamente ao desfecho desta liga, declinando preferência quanto ao vencedor se esse não for o Sporting. Questiono a franqueza da mensagem, porque me parece evidente que a maior parte dos adeptos leoninos prefere o FC Porto campeão ao Benfica.
Não identifico, de qualquer forma, qualquer problema com essa predilecção, ainda que, verificando os números das rivalidades do Sporting seja cada vez mais difícil perceber o porquê desse equilíbrio supostamente maior com o Benfica. Ora bem, o Sporting discutiu com o FC Porto 18 campeonatos (considerando aqueles que terminaram com leões e dragões nos dois primeiros lugares, independentemente do vencedor) e 21 com o Benfica. Uma diferença insignificante. E mesmo finais da Taça de Portugal jogou 7 com o FC Porto e 10 com o Benfica. E talvez mais importante ainda: desde que Bruno de Carvalho nasceu, em 1972 - período considerado para que se perceba a dimensão geracional da análise - Sporting e Benfica discutiram apenas cinco campeonatos (1973/74, 1976/77, 1981/82, 2013/14 e 2015/16); mas Sporting e FC Porto discutiram 9, quase o dobro (1979/80, 1984/85, 1994/95, 1996/97, 1999/00, 2005/06, 2006/07, 2007/08 e 2008/09).
Mas a rivalidade, além de números tem sentimentos e esses têm origem, têm história que parece provar-se mais importante do que qualquer mero passado recente. É claro que a maior parte dos sportinguistas prefere o FC Porto campeão ao Benfica. Aliás, a forma como o Sporting reagiu ao último Benfica-FC Porto, pedindo castigos para jogadores do Benfica ainda antes que o próprio FC Porto o tivesse feito, destapa, oficialmente, essa escolha. Essa é a verdadeira história, admitida ou não.
O resto é o 'Leão da Estrela'."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Surreal !!!

Não estou surpreendido com o teor do comunicado/convite/provocação do Presidente do Bardamerda!!! Nada me surpreende vindo daquela boca...
Agora, como é que é possível alguém defender que este suposto convite foi feito de boa fé, e que foi o Presidente do Benfica que demonstrou falta de fair play?!!!!
A acefalia é uma doença cada vez mais comum... mas após uma série de insultos, insinuações, acusações, mentiras descaradas, como é que queriam que o Benfica respondesse?!!!
Eu até acho que a resposta do Benfica, foi muito comedida... tendo em conta obviamente estarmos a poucas horas do início de um confronto directo entre os dois clubes!!!!!
Agora o maior incendiário do Tugão, de todos os tempos (um 'título' nada fácil de conquistar!!!), que devia estar nas 'brancas', a tentar fazer-se passar por vitima... e haver alguém que lhe dá crédito, é surreal mesmo...!!!

"Exmo Senhor Presidente do Sporting Clube de Portugal
Quando existe uma intenção clara de adoptar os valores de fair play e do respeito mútuo como prática diária e quando se pretende partir para um processo construtivo de relações entre clubes, tal deve ser feito, através de gestos genuínos que não partam de convites carregados de juízos de valores prévios com claras intenções de levar a que o presente convite nunca pudesse ser aceite nos termos em que foi formulado.
Foi o Presidente do Sporting Clube de Portugal como publicamente assume, que adoptou como estratégia o confronto diário com a instituição Sport Lisboa e Benfica.
E hoje, num momento que requer de todos o máximo cuidado e rigor e em que um lamentável acontecimento ocorre, ao invés de procurar de forma sóbria não confundir os incidentes ocorridos esta madrugada com o jogo que se inicia daqui a pouco, tal como as próprias forças de segurança publicamente fizeram questão de expressar, promove um convite com pressupostos acusatórios que obviamente é a forma errada de se apelar ao bom senso, moderação e são convívio entre todos.
As mudanças devem resultar de actos consistentes, sistemáticos e diários por parte de todos nós, mas esteja certo que da parte do Sport Lisboa e Benfica reiteramos a disponibilidade de nos órgãos e momentos próprios trabalharmos com todos os clubes para a melhoria do ambiente no futebol português e reiteramos que da nossa parte, muito gostaríamos de ter uma relação de cordialidade com a instituição Sporting Clube de Portugal, rival de uma história centenária comum que muito nos deve orgulhar.
SL Benfica"


"Exmo. Senhor Luís Filipe Vieira
Presidente do SL Benfica
Sem prejuízo da manutenção da ausência de relações Institucionais, o respeito pela diferença e pelos valores do desporto e do fair play, tal como muito bem foi dito no vosso recente comunicado, tem de estar acima de qualquer Clube.
Mais uma morte de um adepto do Sporting CP não pode deixar de ser firmemente condenada e deve ser recordada e usada para que, de uma vez por todas, não voltem a repetir-se mais lutas entre adeptos de Clubes.
Um crime é um crime!
O Sporting CP não confunde mais um trágico acontecimento com a necessidade de haver fair-play e respeito dentro e fora das 4 linhas e uma política firme por parte dos Clubes para com aqueles que, mesmo que sejam seus adeptos, se comportem como criminosos.
Um jogo é um jogo. A nossa atitude enquanto líderes de massas, determina o exemplo que queremos dar. Bem sei que enquanto presidente, e como oportunamente foi denunciado por mim, nos últimos 4 anos a sua atitude não tem sido a mais adequada em acontecimentos similares ou na evocação dos mesmos por parte de adeptos do clube a que preside, mas tenho sempre esperança que a partir deste momento altere a sua visão sobre o assunto.
Tenho confiança na capacidade de regeneração do ser humano. Espero por isso que, depois de os acontecimentos devidamente investigados, e se se concluir que por detrás destes factos está um crime perpetrado por um adepto do Benfica, dê um passo nesse sentido e que, finalmente, se demarque de forma pública e sem reservas, de criminosos e de claques ilegais.
Na expectativa de que subscreva o conteúdo integral desta carta e de melhor lhe demonstrar que sei bem, nesta luta contra a violência no desporto, que nem todos têm demonstrado vontade e empenho neste combate que tem que ser prioritário, gostaria de o convidar a assistir ao jogo de hoje na Tribuna do Estádio Alvalade XXI. Violência, não! Nunca e contra ninguém!
Bruno de Carvalho
Presidente do Sporting CP"

Iniciados - 4.ª jornada - Fase Final

Sporting 0 - 2 Benfica
Quaresma(a.g.), Pereira


Vitória esperada!!! Daquilo que tenho visto, esta equipa arrisca-se a terminar esta Fase Final só com vitórias...!!! 12 golos marcador e 0 sofridos em 4 jogos!!!
Golos na fase inicial da partida, e depois boa gestão da vantagem... incrível maturidade táctica para miúdos desta idade!!!

Manifestação de pesar

"O Sport Lisboa e Benfica lamenta de forma veemente e manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento ocorrido esta madrugada em incidentes junto do Estádio da Luz e como uma das entidades com meios audiovisuais de segurança naquela área, informa que desde a primeira hora tem estado em estreita colaboração com as forças de segurança, no sentido de fornecer os necessários elementos para se apurar as circunstâncias em que este triste e lamentável acontecimento ocorreu.
O Sport Lisboa e Benfica reitera o seu forte apelo ao necessário respeito e moderação entre todos os adeptos do futebol, pedindo que esta noite todos saibamos dar uma resposta que preserve os valores da sã convivência e rivalidade em nome de duas instituições que tanto têm honrado o país e o futebol português."


PS: Depois da histeria matinal da CMTV, parece que o tom da notícia está a mudar... Houve testemunhas oculares, que viram o condutor a sair do carro, a tentar prestar auxílio, e depois quando ameaçado pela turba presente, fugiu... Tudo leva a crer que estamos perante um atropelamento acidental, por parte de um condutor que ia ali a passar...
Mais grave ainda: o Italiano (sim, veio a Portugal vandalizar a propriedade alheia!!!) falecido, estava num grupo a vandalizar as paredes do Estádio da Luz, e a atacar os carros que iam passado... tendo sido atropelado nesse momento!!!
Tudo o contrário, que a CMTV, decidiu insinuar... criando um clima ainda mais tenso para o derby de logo à noite!!!
O Benfica aparentemente tem imagens de video-vigilância do local, podendo assim esclarecer o que se passou... e como é tradição no Benfica, toda a colaboração com autoridades será dada.
Recordo que tem sido habitual elementos da claque legalizada do Sporting, irem na madrugada anterior aos Sporting's-Benfica vandalizarem as imediações do Estádio da Luz (e na madrugada de Quinta para Sexta já o tinham voltado a fazer)!
Este assunto foi denunciado várias vezes... os autores chegaram mesmo a vangloriarem-se dos seus actos nas redes sociais! Como é normal em Portugal, as autoridades nada fizeram... Portanto, até acho previsível terem existido alguns Benfiquistas que ficaram de vigia esta noite... sabendo aquilo que muito provavelmente se iria passar!!!!
Curiosamente, ainda não ouvi nenhuma perplexidade com o facto da claque legalizada do Sporting estar às 2 da manhã, junto do Estádio da Luz!!!

Apertado !!!

Benfica 80 - 76 Guimarães
22-25, 23-20, 16-12, 19-19

Vitória muito complicada, em jogo muito equilibrado... o Tomas está em grande forma!!!
Estamos dependentes de 'terceiros' para chegar ao 1.º lugar, algo que nunca é bom...
Muito cuidado com este Vitória, que muito provavelmente vamos encontrar nas Meias-finais!

Vitória em Valença...

Valença 1 - 9 Benfica

Vitória normal, após paragem para as Selecções...
Depois do pseudo-caso Nicolia ter dado muito que falar... mais uma jornada do nacional, com nomeações de árbitros vergonhosas... mais uma vez!!!

Juvenis - 1.ª jornada - Fase Final

Oeiras 1 - 5 Benfica
Nóbrega, Matos(2), Castro, Conceição


Nem sempre são fáceis estes jogos após os compromissos das Selecções... e neste caso tivemos praticamente a equipa toda em França nos últimos 10 dias!!!
Mesmo assim, vitória normal, apesar de alguma 'rotação'!!!

Benfiquismo (CDXLVI)

Juntos... até ao fim!

Penalty's na BTV...

Sporting ao serviço de terceiros

"Na última jornada, o FC Porto foi a Braga conseguir um resultado que, embora deprimindo os seus adeptos, manteve o clube na corrida ao título. O Benfica venceu mas, ao não golear o Marítimo, não se colocou em posição mais confortável. Pedro Santos, ao falhar aquele penalty, manteve o FC Porto vivo nesta luta pelo título nacional.
Curiosamente, numa semana de dislates permanentes, Nuno Espírito Santo e Rui Vitória mantiveram o nível de civilidade e desportivismo de uma boa luta desportiva. De facto, embora os treinadores digam o contrário, o jogo de Alvalade é decisivo para as aspirações do Benfica e FC Porto. A vantagem que se adquiriu na última jornada foi haver, agora, dois resultados que servem ao Benfica e apenas um ao FC Porto. Ao Sporting não há nada que sirva, porque se transformou num clube ao serviço de terceiros, e títulos já só os de jornal. As suas conquistas já são só estas, impedir que o seu outrora adversário ganhe tanto ou ganhe tudo.
O Benfica terá um jogo muito diferente em Alvalade, Jorge Jesus é um treinador experiente e o regresso de Adrien dá muita qualidade àquele meio campo. Vai ser também por isso um desafio de máxima exigência. Só assim encarado pode este desafio ser vencido.
Faltam pois dez jogos, cinco ao Benfica e cinco ao Porto, mas há um que significa bem mais que um jogo. É amanhã em Alvalade. A recuperação de Jonas e ter Fejsa na plenitude seriam notícias muito boas para o lado encarnado. Bem merecíamos algum fortuna neste mar de leões que foi a época.
Não nego simpatia pelo Real Madrid, gosto que o Real ganhe, gosto que Ronaldo marque e vença, mas aquele jogo contra o Bayern foi uma batotice pegada. Não gosto de futebol assim, nem de vencer assim."

Sílvio Cervan, in A Bola

Uma Semana do Melhor... com um Bogalho!!!

A caminho do sonho!!!

Real Madrid 2 - 4 Benfica


Mais uma grande vitória, num jogo 'estranho', mas com final feliz!!!
Inicialmente, até parecia que iríamos repetir o resultado de 2014 (nas meias-finais, com o mesmo adversário, 4-0), o 3-0 aos 20 minutos parecia um 'sonho', mas pessoalmente nunca dei como garantida a vitória!!! Pois, assisti ao Mónaco - Real Madrid, onde os monegascos entraram a 'esmagar' com 2-0 e domínio total, mas na 2.ª parte os merengues fizeram a remontada!!!
O Benfica entrou com um '11' muito ofensivo, talvez o mais ofensivo desta edição da Youth League, com o Félix e o Jota em simultâneo, além do Digui e do Zé! E talvez por isso, depois do terceiro golo, com o Real a 'carregar' tivemos muitas dificuldades... Com o Buta em tarde desastrada, mas sem qualquer ajuda... no 2.º tempo, com o Gedson a descair para a direita, a equipa ficou um pouco mais equilibrada, mas mesmo assim as dificuldades foram muitas... Mas o Fábio e os Centrais foram 'aguentando'!!! Destaque para o regresso do Rúben Dias, mais de 1 mês depois, após a lesão ao serviço da Selecção num torneio particular em Inglaterra!
Colectivamente o Real tem mais equipa, têm um estilo de jogo parecido com o Barça... com vários jogadores habilidosos, rápidos, baixinhos... Mas tal como já tinha verificado, defensivamente tinham debilidades... e o Benfica soube aproveitar com eficácia os 'buracos' que se foram abrindo!!!
Recordo que o Uruguaio Valverde, custou €6 milhões ao Real Madrid!!!!

Podíamos ter 'matado' o jogo com o 4.º golo mais cedo (o Zé Gomes, está sem confiança à frente da baliza), o Real também teve uma grande oportunidade numa bola parada para empatar a três... mas os dois golos do Real também foram algo 'chouriços' (remate falhado deu em assistência; hesitação/atrapalhação deu no 2.º golo), apesar do domínio territorial dos espanhóis!
Na Segunda-feira vamos defrontar o Salzburgo que derrotou o Barcelona. Será um jogo totalmente diferente, as características dos Austríacos são totalmente diferentes... creio que se adaptam melhor ao nosso tipo de jogo! Mas será muito complicado, até porque o Salzburgo tem 3 'estrangeiros' com muita qualidade...

Uma última nota para a Helena Costa: aparentemente é benfiquista, mas mesmo assim sentiu a necessidade de explicar, vezes sem conta - quase a pedir desculpa!!! - que o facto dos comentadores da televisão portuguesa que transmitiu em directo o jogo, desejarem a vitória do Benfica, era um simples acto patriótico!!!

Vitória em Carcavelos

Quinta dos Lombos 2 - 3 Benfica

Mais uma vitória 'aflita', com muito sofrimento nos últimos segundos... sem necessidade nenhuma, depois de vários golos desperdiçados!!! Notou-se as ausências do Patias e do Ré...

E com mais uma arbitragem surreal... aquela 6.ª falta perto do final  e aquele 'bloqueio' não assinalado (bem, pelo menos não marcou falta do Fernando!!!), foram completamente absurdos... e mesmo a repetição do 10 metros, comparando com o que a maioria dos guarda-redes faz...!!!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

51 talentos

"Fábio Duarte, Daniel Azevedo, Diogo Garrido, Aurélio Buta, Ricardo Mangas, Ricardo Araújo, Pedro Álvaro, Rúben Dias, Nuno Gonçalves, Branimir Kalaica, Jorge Pereira, Diogo Mendes, Florentino Luís, Gesdon Fernandes, David Tavares, João Félix, Filipe Soares, Diogo Gonçalves, Vinicius Ferreira, Mesáque Dju, João Filipe e José Gomes. Fixe bem estes 22 nomes. Independentemente do que irá acontecer em Nyon, na final da UEFA Youth League, estes jovens talentos fazem parte da nata da formação do futebol português.
Todos eles têm em comum a forma como sentem o Clube. Por mérito próprio, o SL Benfica atingiu a final four, onde estão dois grandes colossos do futebol mundial - Real Madrid e Barcelona. Com o Salzburgo a fazer o papel de outsider, esta final vem confirmar a excelência do trabalho realizado no Seixal. Em 2013/14, chegámos à final four e após termos eliminado o Real Madrid, disputámos a final com o Barcelona. Em perspectiva pode estar a repetição dessa final. Os valores são outros, mas os princípios mantêm-se - formar a ganhar.
A estes 22 talentos, há que acrescentar mais 10 que brilharam em França, na Selecção de Sub-16. João Monteiro, Henrique Jocu, Bernardo Silva, Daniel Martins, Francisco Saldanha, Gonçalo Gomes, Jair Tavares, Nuno Cunha, Sandro Cruz e Umaro Embaló são outros nomes a reter. Tal como devem fixar os nomes de Alexandre Penetra e Tiago Araújo, dois talentos desta Selecção.
Se acrescentarmos João Carvalho (sub-21), Francisco Ferreira, Yuri Ribeiro, Pedro Amaral, Pedro Rodrigues e Heriberto Tavares, dos Sub-20. Hélder Baldé e Tiago Dias dos Sub-19, e ainda Celton Biai e Mamadou Koné dos Sub-17, e mais sete dos Sub-15, temos 51 talentos."

Pedro Guerra, in O Benfica

Vamos a eles!

"Na semana que antecedeu o dérbi disputado em Alvalade em 2015/16, escrevi, nesta coluna, que o Sporting até poderia ganhar o campeonato, mas que nunca seria um clube campeão. Tal se deveu a duas constatações, com a primeira a justificar, em parte, a segunda:
A estrutural, no sentido em que, na relação com o Benfica, perde sempre na comparação e anula-se de tanto se focar no rival;
E a conjuntural, pois foi por demais evidente que as suas constantes atoardas e insinuações acerca do Benfica visaram a obtenção de triunfos no campeonato da comunicação, esquecendo-se eles, ou mesmo ignorando-o por quase total inexperiência nas últimas quatro décadas, que os títulos se conquistam nos relvados. Na presente época, só um cataclismo permitiria o Sporting vencer o campeonato, o que poderá fazer parecer paradoxal a minha convicção de que o dérbi de amanhã será, eventualmente, mais complicado que o último. Sem a pressão do cumprimento de um autopreconizado destino delirante - ser o melhor clube português -, o Sporting talvez seja mais perigoso para os nossos intentos. Porém, a nosso favor está a transformação do dérbi na tábua de salvação leonina de mais uma época normal. Relegado para ajudante do Porto no objectivo partilhado de destronamento do Benfica, imagino-os agrilhoados pela excitação da possibilidade do insucesso benfiquista. Quanto mais precisarem de nos ganhar, mais possibilidades teremos de sairmos vitoriosos! E nem será nada de extraordinário... Em 82 confrontos em Alvalade, já lá ganhámos 31 vezes. A qualidade da nossa equipa e apenas uma derrota sofrida nas últimas sete temporadas justificam o meu optimismo.
Vamos a eles!"

João Tomaz, in O Benfica

Proibida a entrada

"Nas traseiras de casa dos meus avós havia um descampado entre prédios que parecia o estádio Azteca, no México. Lá jogávamos nós: o Aldinho, o Nuno o Joe e eu, mais quem se quisesse juntar à festa. Umas vezes éramos Maradona e Valdano, noutras Sócrates e Zico. Muitas vezes éramos Carlos Manuel e Diamantino. Não havia árbitros, nem conselhos de arbitragem. Cada lance era discutido no momento - quem sofria falta agarrava a bola e marcava o livre. Sem discussão.
O jogo só era interrompido em duas ocasiões: quando as mães ou as avós chamavam para o almoço, lanche ou jantar e quando a bola ia para o quintal do velho Neves.
O velho Neves era o papão. Se a bola ia lá para dentro, tínhamos de saltar o muro e ir lá resgatá-la, senão ficávamos sem o esférico para marcar golos de antologia em balizas feitas com duas pedras. Se não fôssemos a tempo, o velho ficava com a bola ou rebentava-a com um golpe de faca perante o nosso olhar desesperado.
Está visto que o velho Neves não gostava de futebol. Parecia aquelas pessoas que hoje vão para os estádios cantar boçalidades a fingir que apoiam as suas equipas. Cada um destes indivíduos que deseja a morte aos jogadores do Benfica ou que se vangloria com o desaparecimento de Eusébio, cada um destes tristes seres que relembram com gozo a morte de um adepto rival na final de uma Taça de Portugal é igual ao velho Neves. Também estes dão golpes mortais na bola de futebol e levam o jogo para a lama. Uns e outros não podem continuar a entrar nos estádios portugueses.
Tal como nós saltávamos  muro para ir resgatar a bola, é preciso que alguém tenha a coragem de lhes barrar a entrada. Já."

Ricardo Santos, in O Benfica

Três pontos

"Afastado sumariamente de todas as competições, sem nada a perder ou a ganhar neste campeonato, com o orgulho ferido de inveja, não é difícil perceber que, para o Sporting, o “Dérbi” deste fim-de-semana seja encarado como o jogo do ano. Na verdade, é quase sempre assim. Mas desta vez nem a classificação lhes interessa: o que conta é mesmo complicar a vida ao velho rival. Apenas isso os pode satisfazer neste momento.
Espera-nos, pois, um opositor motivadíssimo, e de faca nos dentes para nos retirar pontos. É com isso que temos de contar para aquela que é mais uma “Final” na nossa caminhada rumo ao Tetra. É isso que teremos de contrariar para trazer a preciosa vitória.
Ganhar em Alvalade não é, felizmente, coisa rara. Para o campeonato, em sete anos apenas lá perdemos uma vez (e com um penálti do tamanho do estádio por assinalar sobre Nico Gaitán, logo nos instantes iniciais de jogo arbitrado por Soares Dias em 2012). Ainda na temporada passada lá vencemos, numa partida de altíssima pressão e de importância semelhante. Nos últimos vinte anos, em terreno adversário, vencemos nove vezes, e apenas perdemos cinco. Se considerarmos todos os jogos do campeonato (em casa e fora), a vantagem no mesmo período é de 19-9 (!!!), com 12 empates pelo meio. Valha isso o que valer, são números suficientes para estabelecer um certo padrão. Não há nada a temer. Não há lugar a hesitações. Vamos a Alvalade para ganhar, e dar mais um passo rumo ao 4.º campeonato consecutivo.
Temos melhor equipa, somos campeões, somos mais fortes, estamos na frente. Ansiedade? Desconfio que do lado de lá seja maior…"

Luís Fialho, in O Benfica

António Silva Gomes (1937-2017)


"De modo inesperado, e quando cumpria uma antiga promessa de levar dois dos seus netos a um cruzeiro no Mediterrâneo, faleceu no passado dia 10 de Abril, António Augusto da Silva Gomes, que integrou os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica nas direcções de Manuel Damásio e de Manuel Vilarinho, como vice-presidente para o markting e administrador da SAD. Conheci-o de perto há mais de cinquenta anos por ter entrada na minha família, através do seu casamento com a minha prima Maria Luísa.
Com ele partilhei também, no que toca à nossa vida profissional, vinte e cinco anos de colaboração próxima na McCann Erikson Portugal, que liderou com brilhantismo elevando-a a líder inquestionável do mercado publicitário nacional, a partir da expansão de uma pequena agência de que era sócio e que em 1980 foi adquirida multinacional.
Acontece que um dos factores que consolidaram a nossa grande amizade foi a faceta de benfiquistas praticantes desde a mítica década de sessenta, em que o Glorioso atingiu o seu prestígio de dimensão europeia e mundial.
A sua militância benfiquista foi ao ponto de criar um ritual apropriado aos jogos no velho Estádio da Luz, juntado em sua casa um grupo alargado de amigos benfiquistas para almoços por ele preparados, a que se seguia a caminhada a pé até à antiga Catedral.
Sobre ele já escrevi que, avultando no seu perfil profissional as características de notável estratega e criativo, o seu lado humano revelava um líder exigente mas sem nunca deixar de ser um coração grande, bondoso e generoso, sempre servido por um inconfundível sentido de humor. A sua família nuclear não podia deixar de ser toda benfiquista - a Milu, os filhos Rodrigo e Renata, os seus netos Matilde, Manuel, Leonor, António e Vasco - e atravessa agora a for enorme de o ver desaparecer de forma tão brusca.
Também os seus amigos, e eram tantos, grande parte antigos colaboradores no grupo empresarial a que presidiu e onde desde há muito praticava uma política de afectos, sentem a sua perda com profunda mágoa e tristeza.
Mas o Sport Lisboa e Benfica e a alma benfiquista ficam privados não apenas de um sócio cinquentenário e de um antigo dirigente de destacada qualidade, mas de alguém que num momento da história recente do Clube, em que estivemos à beira do abismo, teve um papel de relevo ímpar, que alguns poderão desconhecer, na campanha que conduziu Manuel Vilarinho à presidência e à regeneração do nosso emblema.
Que Deus o guarde no lugar que merece no Céu, em paz e eterno descanso de uma vida cheia de amor ao Benfica."

João Loureiro, in O Benfica

Venha de lá um 'show' de bola...

"Amanhã é dia de festa para o futebol português. Sporting e Benfica acrescentaram 90 minutos a uma rivalidade que já vai em 100 anos de confrontos directos e que tem tudo para se transformar numa never ending story, assim haja bom sendo e respeito pela história.
O jogo de Alvalade, embora disputado num contexto de luta pelo título entre Benfica e FC Porto, afigura-se deveras importantes para a sorte do campeonato e só se espera que todos os que forem ao estádio tenham uma noite para mais recordar, por terem visto um grande show de bola.
Para quem estiver minimamente atento ao que se passa, à escala global, no futebol , torna-se nítida a preocupação de FIFA e UEFA com duas questões que nos têm consumido horas de debate (muitas vezes estéril) e que temos a fundada expectativa de ver em breve erradicadas. Pela parte da FIFA, o investimento sério no vídeoárbitro (VAR) está a levar a resultados concretos muito animadores e, não tarda, a discussão em torno das decisões dos juízes de campo será substancialmente reduzida (e como isso constituirá uma boa-nova para o futebol português!). No que toca à UEFA, perante a gravidade do que aconteceu em França aquando do Lyon-Besiktas, a aplicação de mão dura foi o caminho escolhido, ideia replicada já no Hexágono a propósito do Bastia-Lyon. Penas pesadas para clubes e erradicação dos estádios dos hooligans são medidas essenciais para que o futebol não se transforme numa coisa sem futuro. Resta agora que Liga e FPF estejam à altura da responsabilidade histórica que têm em mãos, modificando regulamentos e implementando o VAR."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Mão dura da UEFA após o Lyon-Besiktas?!!!
Então o Benfica, por causa de uma tocha e alguns petardos, está com 'pena suspensa', constantemente sobre aviso de jogos à porta fechada... e depois daquilo que aconteceu em Lyon, os dois clubes ficam somente com penas suspensas!!!!
Como a responsabilidade destes casos, normalmente recaí sobre a equipa da casa, neste caso uma equipa da Federação Francesa... nada se passou!!! Se estes problemas tivessem acontecido em Istambul (ou noutro País qualquer, fora das 5 grandes Ligas) o castigo teria sido exemplar...!!!

Direito à privacidade

"O Benfica decidiu avançar para a justiça, depois de o director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ter divulgado mais uma troca de comunicação interna dos encarnados, alegando pirataria informática, crime previsto na lei. Pode discutir-se o aproveitamento dos encarnados relativamente ao pedido de bilhetes do presidente da APAF, Luciano Gonçalves, feito em nome de uma associação da Batalha. Pode questionar-se se é eticamente aceitável ou se configura ilegalidade - as águas, recorde-se, dizem que os documentos revelados são manipulados e deturpados. Mas o que está em causa neste episódio é a forma como essa troca de mensagens internas, de uma sociedade desportiva cotada em Bolsa, chega ao conhecimento público: que direito tem uma sociedade concorrente de substituir-se a entidades competentes, violando privacidade alheia, revelando o que devia ser privado, direito de qualquer cidadão ou entidade? Imagine-se que o meu vizinho se chateia comigo , e especialista em informática, tem acesso às mensagens que troco com familiares. Terá legitimidade para divulgar o que só a mim me diz respeito? Não vale tudo na 'guerra' do título."

Nuno Martins, in Record

PS: Estou confuso: 'o aproveitamento dos encarnados'!!! Mas qual aproveitamento...?!!!

Benfiquismo (CDXLV)

Troca de galhardetes !!!


Aquecimento... derby!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O dérbi de JJ e Fejsa

"O 'derby' em que, se Jorge Jesus ganhar, pode dar o campeonato ao FC Porto e, se perder, fica na história do Benfica...

Desdramatizemos a questão. No próximo sábado, depois do resultado de Braga, o Sporting-Benfica não vai ser o jogo do título.
Como queriam os dirigentes do Sporting, como desejavam os adeptos do Porto.
Não, não vai.
Ainda assim, diria que será um jogo importante para... Jorge Jesus.
Se ganhar, será um dos treinadores que contribuiu para um dos tricampeonatos do Benfica.
Mas ainda que tal possa acontecer com qualquer dos resultados (não, não é decisivo para o Benfica), se perder ou até mesmo empatar, vai deixar o Benfica numa excelente posição para poder conquistar o primeiro tetra da sua história.
E, com isso, não só entrará na história do Benfica - a sério - como terá contribuído para que Luís Filipe Vieira entre, também ele, para a história do Benfica, como o Presidente do tetra.
Ou seja, qualquer que seja o resultado, quem ficará sempre feliz (com um sorriso que poderá exibir ou que terá de reprimir) será, sempre, Jorge Jesus...
Como é a vida...

Fejsa: 10 campeonatos em 9 anos, tantos como o SCP em... 63?
Fejsa é um dos jogadores mais importantes do Benfica e peça chave no nosso tricampeonato. Como jogador de eleição, está a 13 pontos de conquistar o seu 10.º campeonato em 9 anos.
Ou seja, tantos quantos o nosso adversário do dérbi do próximo sábado ganhou nos últimos... 63 anos!
Com números assim... não há «maior potência desportiva nacional» que resista...

E o Benfica: 4 campeonatos em 4 anos, tantos quanto SCP em... 43?
E se com o Fejsa as contas são essas, também o Benfica estará a 13 pontos de conquistar o seu 4.º campeonato em 4 anos.
Ou seja, tantos quantos o nosso adversário do dérbi do próximo sábado ganhou nos últimos... 42 anos!
Com números assim... não há «maior potência desportiva nacional» que resista...

Claques
Mas, ainda fora das 4 linhas, para que tudo, no sábado, se possa passar só dentro das 4 linhas, importará ver, com muita atenção, o comportamento das claques.
Passemos um pano por tudo o que muito mau - muito mau, mesmo - aconteceu nestas últimas duas semanas.
E ouçamos e vejamos, com atenção, o que cada uma das claques vai exibir e cantar, no próximo sábado, em Alvalade!!!
Com um apelo: a morte nunca ajudou ninguém a apoiar quem «dá a vida em campo»!

O desespero do Apito Dourado
Convencidos que bastaria ganhar todos os jogos para serem campeões (esperando sempre que os moços de recados cá de baixo tirassem ao Benfica os pontos necessários para que essa afirmação falsa passasse a ser verdadeira), os habitantes do balneário do Porto viram-se confrontados com o empate em Braga.
Não admira, por isso, termos visto - com o aproximar do fim do jogo - caras e expressões de raiva, que, nos termos das disciplinas que estudam essas coisas, traduzem ou são o resultado de... desejos e expectativas frustradas!
Desejos e expectativas de quem achava que seria um passeio todos e cada um dos jogos até ao fim do campeonato!
Esquecem-se que têm que jogar com quem lhes perdeu o respeito que tinha no tempo do Apito Dourado e do medo em que traduzia esse mesmo respeito.
Brahimi levou 2 jogos por palavras dirigidas ao árbitro!
O que argumentaram?
Que tinha falado em... francês?
Já Luís Gonçalves, .... 30 dias por ameaças ao 4.º árbitro, repetindo os comportamentos típicos que ouvimos nas escutas do tempo do Apito Dourado.
Na Luz, atirou-se aos jornalistas, em Braga aos árbitros!
Saudades ou prenúncios???

E o Boavista não desceu por causa disto?
E já agora, como ontem me foi lembrado, não foram ameaças deste tipo... que atiraram o Boavista para a 2.ª divisão?

Ainda o desespero
O presidente do Porto sentiu-se incomodado com os festejos do golo do Braga por um membro dos órgãos sociais do... Braga.
Com a desculpa de... ser membro do Governo.
Porque membros do Governo, dos diferentes governos a festejar golos da equipa da casa... só no camarote principal das Antas.
Com ele, Sandro Pertini - presidente italiano, que, em 1982, comemorou, de forma muito efusiva, os golos da selecção italiana, na final do Campeonato do Mundo, em Espanha - seria escorraçado!
Tal como Angela Merkel, que repetiu esses gestos de alegria, no Maracanã, na final em que a Alemanha se sagrou campeã mundial no Brasil, em 2014!
O homem não brinca em serviço.
Pena - para ele - é que os tempos do Apito Dourado não voltem mais (como o tempo, no dizer de... António Mourão).

Marafona
No Benfica-Braga, na Luz, na 1.ª volta deste campeonato, constatei (e escrevi) que Marafona, guarda redes do Braga e (agora) internacional português, se magoava em cada remate do Benfica, até sofrer o 1.º golo.
Como tantos outros guarda-redes na Luz!
Mas, neste caso, tal comentário mereceu até o reparo de José Peseiro, então treinador do Braga, que afirmou estar o atleta mesmo magoado.
Pois magoado, aguentou o jogo todo.
Constato agora, que, magoado, não jogou contra o Porto.
É a vida!!!

Efeméride
Fez no dia 16 de Abril (último Domingo de Páscoa, portanto) 13 anos que Augusto Duarte - que apitou o Beira-Mar - Porto de 18 de Abril seguinte - foi a casa de Pinto da Costa, na Madalena, buscar conselhos matrimoniais... para o Pai.
Nada como recordar momentos de boas opiniões, já que - a acreditar nos próprios - nem me passa pela cabeça que essa reunião tivesse a ver com o que o clube ganhou nesse ano.
Claro que não.
Aqui, apenas... para assinalar a efeméride!!!

E do Canelas, Futebol Clube... do Porto?
Não será uma vergonha para o futebol português termos esquecido o caso do Canelas, Futebol Clube... do Porto???
Grande Associação...

Sábado é para ganhar
Mesmo para ganhar.
Carrega Benfica!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Arbitragem na Champions

"A arbitragem é o fermento de todas as discussões à volta do futebol. À medida que se aproxima o fim do campeonato e mais renhida é a luta pelo título, mais munições se gastam fora das quatro milhas a propósito (ou despropósito) das actuações dos árbitros, suas nomeações e classificações. Num jogo, seja ele qual for, todos os erros dos jogadores e técnicos são descartáveis, excepto os dos árbitros. Na minha visão apaixonada dos jogos do meu clube, não nego que, no calor da emoção, também, por vezes, assim reajo, até que a razão em torne menos parcial e mais esclarecido.
Mas serão os nossos árbitros assim tão incompetentes ou inconsequentes, como muitos gostam de os caracterizar? Para fazermos uma justa análise, comparemos com os melhores entre os melhores para a omnisciente UEFA. Olhemos, para a competição europeia mais importante, por onde correm milhões e milhões. E o que vemos nesta fase decisiva? Por exemplo, nos últimos jogos, verdadeiros escândalos arbitrais, curiosamente sempre favoráveis aos espanhóis. O Barcelona eliminou o PSG com um penalty que ninguém viu e não assinalou pelo menos um penalty a favor dos parisienses que toda a gente viu. Em Madrid, o Bayern ficou a jogar com 10 sem se saber porquê, o Real acabou com 11 por especial deferência do árbitro para com Casemiro, e o golo decisivo do Real resultou de um escandaloso fora de jogo.
Imagino o que seriam estes erros num jogo dos nossos melhores clubes. Ou no derby de sábado. Cairia o Carmo e a Trindade. Insinuar-se-ia dolo ou ainda pior. Os comunicados e arrozados facebookianos espalhar-se-iam numa escala de insultos."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Curioso que ningeém se tenha recordado, que Vítor Kassai, o árbitro do Real-Bayern, o ano passado em São Petersburgo, no Zenit-Benfica, permitiu um golo do Zenit após 'atropelamento' do Nelsinho... felizmente o Benfica ainda foi a tempo de rectificar!!!
Lá como cá, cometem os erros e continuam a carreira intocáveis... o Skomina é outro que ainda anda por lá!!!
A coincidência dos Espanhóis terem sido beneficiados, não deve ter nada a ver com o Angel Villar...!!!

Tens razão, Rúben Amorim

"Óptima conversa a de Rui Unas, um dos mais versáteis comunicadores portugueses, com Rúben Amorim, que recentemente anunciou o final da carreira, aos 32 anos. Trata-se de um programa apenas disponível na internet (chama-se maluco beleza). Um espaço menos convencional para quem tem mais de 40 ou 50 anos, normalíssimo para quem tem menos de 20. Disse o ex-jogador do Benfica que os futebolistas têm pouca liberdade de expressão. «Temos de dizer sempre aquela lengalenga. Muitas vezes temos uma opinião diferente, mas é preferível dizer sempre o mesmo para não prejudicar o clube», justificou o antigo internacional português. E disse mais: «É por isso que as pessoas pensam que os futebolistas são limitados».
Este é um exemplo clássico com que me tenho confrontado na carreira: jogadores que se transformam em bons falantes após pendurar as chuteiras ou quando saem do país. As pessoas dirão: os futebolistas são pagos para jogar, não para falar. A essas respondo sempre: no mundo em que vivemos, diminuir um artista a uma única capacidade performativa é um crime. Para não falar dos benefícios comerciais que os clubes pretendem retirar - e sobre isto nunca me esquecerei uma conversa que já tem uns bons 10 anos com o psicólogo do Real Madrid, responsável pelo media traning dos jogadores da formação merengue, onde me disse o seguinte: «As pessoas gostam dos jogadores pelo que jogam mas também pelo que pensam».
Pior: o espaço deles foi sendo ocupado por dirigentes, directores e paineleiros. E sim, a culpa também é dos jornais, das rádios, das televisões e dos media digitais por dar tempo de antena a gente que quer voltar à era medieval. «Começamos a perder a noção do que é realmente importante no futebol», afirmou o Rúben. Pena só poder dizê-lo agora."

Fernando Urbano, in A Bola

Benfiquismo (CDXLIV)

Caminhadas inesquecíveis...!!!

Lanças... mais uma Final...!!!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vitória no último suspiro...!!!

Fafe 0 - 1 Benfica B


Com muitas ausências, devido à presença na UEFA Youth League, (Sexta-feira em Nyon, Meia-final, frente ao Real Madrid) com vários Juniores a tapar os buracos (várias estreias na B...), a jogar com 10, desde os 62 minutos (Saponjic), conseguimos a vitória aos 93 minutos, com um golo marcado pelo Tiago Dias (júnior) que tinha entrado 3 minutos antes!!!

Incondicionalmente à condição

"Sei que estarei a maçar quem faz o favor de me ler. Mas saibam que, sem ser obstinado, sou persistente. Refiro-me à endémica expressão futebolística «à condição» que vai grassando qual vírus multiresistente a qualquer boa prática gramatical.
Por isso, volto hoje incondicionalmente «à condição». O Benfica, desta vez, não foi segundo à condição, porque jogou antes do Porto que assim, pela enésima vez no campeonato, não pôde ser o líder à condição. Aliás, sem condição, o Benfica é líder isolado desde a quinta ronda, ou seja, nas últimas 25 jornadas. O «à condição» jornalístico atingiu esta semana Bas Dost. O magnífico artilheiro da sempre excelente escola holandesa liderou a Bota de Ouro à condição, até que Messi o ultrapassou 20 horas depois.
Encurtando atalhos: está tudo à condição. Nós, enquanto não morremos. Esta coluna, enquanto não acabar. Os jogadores, enquanto não se lesionarem. O passivo dos clubes, enquanto não for pago. Os castigos federativos, à condição de serem cumpridos. Os jogadores, à condição da vontade dos intermediários. Aliás, alguns só jogam bem à condição de serem transferidos. As claques legais são-no à condição de, na prática, se tornarem ilegais. E as ilegais, à condição de jamais serem legais. O mais curioso caso à condição é do agora famoso Canelas: ganha à condição de não jogar.
Por fim, o anti-benfiquismo primário, esse poderoso clube que une contrários (à condição) tudo quer no Benfica à condição: estádio interditado, líder destronado, árbitros condicionados, kits hipervalorizados, treinador calado. O problema é a condição de ser à condição."

Bagão Félix, in A Bola

Uma coisa que Orwell escreveu...

"George Orwell (103/1950) celebrado autor de obras como O Triunfo dos Porcos e 1984, tinha uma visão pouco romântica do futebol. «O futebol», escreveu, «não tem nada a ver com fair play. Está ligado ao ódio, ao ciume, à jactância, ao desrespeito de todas as regras e ao prazer sádico em testemunhar a violência. Por outras palavras, é como a guerra, mas sem tiros...»
Olhando para o clima instalado no futebol português de há uns tempos a esta parte, não haverá quem não se sinta tentado a rever-se na visão catastrófica de Orwell, criador da frase «Todos são iguais mas uns são mais iguais que outros».
Porém, esquecendo muito do que foi dito e feito nas horas mais negras, agarremo-nos, qual naufrago a um destroço em plena tempestade., a alguns pingos de esperança caídos dos discursos mais recentes dos nossos principais clubes. É que, perante a estupidez e a boçalidade de alguns energúmenos membros de claques, que conspurcaram as cores que dizem defender, FC Porto, Benfica e Sporting não só de demarcaram como ainda tiveram abordagens pedagógicas que sós os engrandeceram e devolveram as massas adeptas aos carros da normalidade do desporto.
O futebol que não está condenado à visão Orwelliana acima transcrita, só tem razão de ser, contudo, enquanto elemento de aproximação, na diferença, de cores, raças, credos, classes sociais, estratos económicos e ideologias. E foi nesse sentido positivo que foram tomadas, pelos nossos clubes, posições que isolaram aqueles em quem Orweell pensou quando escreveu o que escreveu..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Muito sinceramente, não li nenhum comunicado do Sporting a demarcar-se dos cânticos da sua claque legalizada!!! Não sei onde o Delgado foi buscar essa ideia...
E já agora, a 'demarcação' oficial dos Corruptos, deu-se 2 dias depois, e limitou-se a pedir desculpa ao Chapecoense... ignorando o Benfica, e não condenando as ofensas em geral!!!!
Portanto, se calhar o Orwell tem mesmo razão...!!!

O escritor não merece o cordel

"Desde mais ou menos a puberdade que sou admirador confesso da obra de António Lobo Antunes, um génio literário que, entre outras virtudes, sabe escolher como ninguém os títulos para as suas obras. Alguns deles, com explicações mais ou menos literais, caem como sopa no mel no contexto do futebol nacional.
Do Manual dos Inquisidores nem vale a pena falar muito, basta olhar os programas de domingo e segunda-feira à noite; para o Auto dos Danados é ver a relação entre os grandes, nos quais os respectivos departamentos de comunicação fazem muitas vezes, a Explicação dos Pássaros e os presidentes, por vezes, uma Exortação aos Crocodilos. Que farei quando tudo arde? - deve ser o que pensam os responsáveis pelos organismos dirigentes do futebol nacional quando o Tratado da Paixão das Almas de cada um dos clubes se sobrepõe a quase tudo. O Esplendor de Portugal foi o feito alcançado pela Selecção Nacional no Euro-2016, no qual, na final, os portugueses bem podem ter dito aos franceses: Ontem não te vi em Babilónia...
No Arquipélago da Insónia é onde devem estar esta semana Rui Vitória e Jorge Jesus para tentarem arranjar estratégias, métodos, fórmulas e sistemas para vencerem o derby de sábado. Na Natureza dos Deuses é onde pretendem ficar os maiores ídolos de um e outro clube, na certeza de que os heróis do jogo deverão demorar alguns dias até descerem à terra e dizerem Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo.
Lobo Antunes já foi candidato ao Nobel da Literatura mas nunca levou o galardão para casa - Saramago é, até ao momento, o único distinguido nesta categoria. O escritor é um apaixonado pelo futebol e um homem de alta literatura. Os seus títulos têm muita aplicação ao futebol cá do burgo, que, por muito que nos custe, muitas vezes, não passa de um romance de cordel. Ele não merece isto. Nós também não."

Hugo Forte, in A Bola

O Estado deste sítio

"É tempo de o Estado, que nos representa a todos, assumir até ao fim as suas responsabilidades para as claques dos clubes. Como só falta pagar-lhes o espectáculo, avancemos então. Se já pagamos balúrdios na pastagem policiada destas hordas, se aceitamos semanalmente a criação de corredores de passagem e áreas de pousio onde as normais que regem a nossa sociedade são ignoradas mesmo pelos polícias, é tempo de ir até ao fim. É preciso apoiar e subsidiar o fenómeno.
Quem diria que a ópera a ecoar no São Carlos, ou todas as sinfonias que resplandecem na Casa da Música são mais relevantes para a cultura portuguesa do que os urros de ódio das nossas queridas claques? É preciso um subsídio da pasta da Cultura. Deve ser pago em dinheiro vivo e entregue em mão aos cabecilhas de cada organização. Sempre que os artistas apareçam com uma obra nova, cantada em público, como os recentes casos das novas líricas sobre uma tragédia aérea ou um homicídio hediondo, o subsidio deve ter tal em conta. Na direita proporção de reforço policial ditado pelos jogos de alto risco, a verba de incentivo ao canto oral merece ser aumentada. Se nenhum responsável político se indigna ou vai além da cobardia, então só falta mesmo o subsídio cultural, para fechar o ciclo da desvergonha em torno das claques.
Para toda esta guerrilha urbana, pagamos e continuaremos a pagar. Pela segurança dos espectadores comuns, tememos e continuaremos a temer. Some-se às claques, um bando de pirómanos a girar em torno de cada presidente de clube, incendiando redes sociais, propagadas facilmente aos programas de televisão, e fica construída a bomba. O futebol é o espelho da sociedade, ditou o grande Albert Camus. Com toda a razão, como se vê no caso português."


PS: A sério?! Um dos responsáveis da CMTV, a criticar os programas de debate desportivo nas televisões?!!!! Extraordinário...
E já agora, parece que mais uma vez, os Lagartos saíram 'imunes' nesta onda de cânticos ofensivos, quando são eles, aqueles que em todos os jogos, mais vezes passam a insultar o Benfica, os Benfiquistas e o Eusébio... Repito, em todos os jogos, nas várias modalidades, seja ou não seja o Benfica o seu adversário direito...!!!
Aliás o Dr. Maus Fígados, ainda hoje na sua crónica, classificou as ofensas das várias claques, considerando que os cânticos entoados pelos Lagartos, como ofensas 'suaves': "uma diferença abissal"... gozar com a morte do King, é coisa pouca, mas gozar com a morte do Jamor, é um crime de lesa pátria!!!!!!!!

Claques

"Primeiro não sou, por defeito, contra a existência de claques organizadas. Na essência, elas dão aos clubes capacidade de mobilização e apoio. Segundo: há muita gente nas claques que se move apenas e só pela paixão ao jogo, ao clube, mesmo que aqui e ali, contagiados pela turba, cometam excessos. 
Dito isto, não sou a favor de cortar o mal pela raiz, mas sim de cortar a raiz do mal, são coisas diferentes. O problema das claques, de uma forma geral, é que foram evoluindo, ao longo dos anos, de grupos de apoio para braços-armados dos clubes, daí degenerando, em inúmeros casos, para violentas organizações de crime e violência, por vezes com inspirações políticas, como se vê, por exemplo, na América Latina, com as barras bravas, ou no leste europeu, fazendo reféns os próprios emblemas. No caso de Portugal, onde as claques de Benfica, Sporting e FC Porto apresentam currículos invejáveis (não vale a pena perder tempo a discutir qual a pior), o problema é de sempre: impunidade. Se eu passar numa zona de radares e souber que eles estão desligados ou só disparam a 200 Km/h, para quê tirar o pé do acelerador? A solução passa por identificar e retirar do cesto, uma a uma, as maças podres. Quem não sabe comportar-se, pura e simplesmente, deve ser banido de recintos desportivos, com penas exemplares e tanto maiores quanto a gravidade dos actos praticados (irradiação se for preciso, sem misericórdia).
Mas isto aconteceu a quantos? Nos tribunais, a coisa costuma ficar-se por multas e penas leves, que se juntam à complacência dos clubes. O que devia ser excepção, é regra. Veja-se o caso recente na Alemanha, em que 88 adeptos do Dortmund foram impedidos de entrar em estádios durante um mínimo de quatro meses até dois anos. E da próxima será pior. Em Portugal as leis também existem, basta que sejam aplicadas com coragem e mão pesada, como estes tempos exigem. O problema, neste caso e em tantos outros do nosso futebol, é que continuamos a tentar comer a sopa com um garfo. 
Boa sorte."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Quando a "casa" treme... (ainda a propósito do atentado de Dortmund)

"A análise estatística acerca do contributo do "factor casa", como indicador de sucesso, tem evidenciado ao longo das duas últimas décadas que, na esmagadora maioria dos casos, ele é sobejamente relevante para o resultado final do jogo. Assim o tem sido na Premier League (em média, 15 em 20 jogos), na Liga Espanhola (17 em 20 jogos) ou mesmo na Italiana, segundo reporta a maioria dos estudos.
Contudo, existem igualmente situações onde, de forma esperada ou inesperada, "jogar em casa" não se traduzirá numa vantagem competitiva para a equipa em causa.
E foi, de facto, de forma "ainda" inesperada ("ainda", dado a crescente instabilidade política que temos vindo a presenciar poder vir a potenciar uma maior ocorrência deste tipo de manifestações), que o Borussia viu o sem desempenho "congelado" após o atentado de que foi vítima na passada semana e onde viu um dos seus jogadores feridos.
Ainda muito recentemente, mais precisamente a 17 de Novembro de 2015, naquela que seria uma jornada de preparação para o Europeu de 2016, o jogo entre Alemanha e Holanda viria a ser cancelado por ameaça de bomba no estádio do Hannover.
Turquia, Iraque, França e Paquistão (entre outros), registaram já atentados nas imediações de estádios, com um elevado numero de vítimas mas, este terá sido, possivelmente (não tenho em memória outro igual), o primeiro atentado onde uma das "grandes" equipas da Europa viu a integridade da sua "casa" (e dos seus atletas) objectivamente ameaçada.
Perante estes factos, alguém (aparentemente) "acreditado", definiu que o jogo programado para as 19h45 de terça, seria remarcado para as 17h45 de quarta-feira - 22h após o atentado!
De posse destes dados, deverá ser questionado se, de facto, a UEFA terá recorrido ao aconselhamento especializado de alguém (idealmente, são especialistas da área da Psicologia em Contexto de Crise que devem actuar neste tipo de incidentes) para tomar esta decisão... de certo, uma decisão que, com o aconselhamento dos especialistas correctos ou, até, de alguém com bom sendo, ditaria algo completamente diferente.
Este caso faz-me recordar um episódio passado com uma instituição desportiva (não ligada ao futebol), que um dia me contactou porque estavam a achar que um dado atleta estava com um "comportamento estranho"... após, imagine-se, ter observado um colega praticante da modalidade, ter ficado paraplégico durante a execução. Segundo os responsáveis, a reacção parecia-lhes "exagerada"!
"Incidentes" desta natureza são uma dura e cruel "wake-up call" para a realidade onde, num iato de segundo, todas as certezas se transformam em dúvidas, todas as motivações caem por terra, tudo em que acreditamos, nomeadamente, a "bolha de segurança" onde pensamos que estamos a viver... se esvai abruptamente.
E não, não é suposto que, 22h depois... esteja tudo bem.
Mais: pode até acontecer que se assista a uma escalada de ansiedade com, possivelmente, o desencadear de alguma situações de stress pós-traumático (nota: o guarda-redes Burki revelou à imprensa que ainda não consegue dormir).
Aliás, se não for feita uma correcta avaliação e intervenção junto de, pelo menos, todo o clube do Borussia... então, alguém estará a falhar com estes atletas e, muito possivelmente, podemos vir a assistir a um completo desmoronamento da equipa principal deste clube, até ao final da presente época.
É porque, assim de repente, a "casa" (a cidade, o estádio, o autocarro, o clube... e todas as formas que a "casa" pode assumir) deixou de ser "casa", deixou de ser segura, deixou de ter identidade e, para resgatar tudo isso, para direccionar este infortúnio no sentido de que o mesmo se transforme em energia de mudança, de transformação e de resgate emocional... é preciso que alguém assuma com a seriedade que este assunto merece, a condução de todo este processo."

De Miranda ao Cabo Sardão: um postal ilustrado do futebol nacional

"Podia ir pelo IC5, mas acabo quase sempre por seguir pela Nacional 221.
Entre Sendim e Miranda do Douro há placas nas duas línguas oficiais de Portugal. Sigo pela estrada antiga porque há por ali um campo de futebol onde um dia vi uma manada de bois de raça mirandesa a pastar debaixo de uma baliza.
Ando há tempos a tentar reencontrar esse enquadramento para tirar uma fotografia decente. Daria um bom postal ilustrado do futebol nacional a juntar ao pelado que descobri junto ao Cabo Sardão, quase no outro extremo de Portugal continental.
Na Costa Vicentina, com o Atlântico defronte, junto ao farol, está outro dos mais belos campos de futebol. Há uns meses andei por lá: uma foto atrás de outra e um suspiro ao perceber a falésia entre o campo e o mar – «Coitado do apanha-bolas.»
O futebol é um jogo simples, não?
No essencial precisa disto: duas balizas e espaço para correr. Juntem-lhe uma bola e gente com tempo para ser feliz.
Inevitavelmente, o futebol complexificou-se. Virou produto comercial, tornou-se numa indústria, há hoje quem fale sobre ele como quem decifra um método científico – se é para aplicar ciência, neste caso priorizo sempre a sociologia.
No princípio eram os jogadores e o público. Ao longo dos tempos, entraram treinadores, árbitros (o quarto, os de baliza, e agora os vídeo), dirigentes, jornalistas, médicos, fisioterapeutas.
Como na «Tourada», de Tordo e Ary do Santos, mais gente foi acorrendo à festa – «Entram guizos, chocas e capotes. E mantilhas pretas. Entram espadas chifres e derrotes. E alguns poetas.»
À medida que o tempo avançou, foram entrando especialistas disto e daquilo. Entraram claques, com cânticos mais ou menos indignos – quando não coisa pior. Até que neste estágio da sua evolução entraram no futebol craques da comunicação, comentadores, encartilhados ou não, com carta-branca para debitarem factos alternativos, com rédea solta para intoxicarem a opinião pública.
Ao longo dos tempos, criaram-se categorias profissionais inesperadas à medida em que entrou na festa gente necessária e gente supérflua, dispensável até. Para o consumidor fica a prerrogativa de decidir se assiste ou não aos espectáculos acessórios.
A única decisão que tenho tomada para esta semana é a de no sábado estar fisicamente o mais longe possível do dérbi de Lisboa, no extremo nordeste do território português.
Poupar-me-ei a cortejos e caixas de segurança ou a considerandos redundantes. E só à hora do jogo tentarei encontrar uma televisão para olhá-la por não mais do que 90 minutos.
Até lá, cruzarei o Planalto Mirandês. Entre as placas bilingues da N221 sei chegará o momento de espreitar a paisagem na berma para tentar encontrar a único casamento feliz entre tourada e futebol: uma manada a pastar debaixo da baliza daquele magnífico ervado entre Sendim e Miranda."

Benfiquismo (CDXLIII)

Clube do Povo na Feira Popular...!!!

105x68... comunicações !!!

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Liberdade não se discute!

"Não era fácil jogar a seu lado, mas era quase impossível jogar contra ele. Humberto Coelho foi um príncipe: o capitão dos campeões. Até à maldita traição do seu joelho, todos pensavam que seria eterno.

Não era fácil jogar lá no centro da defesa, a seu lado. Perguntem àqueles que o fizeram. Porque havia em Humberto Coelho um certo sentido de liberdade infinita, um instinto libertatório, se calhar. Ele estava atrás, de olhos postos na frente. Soltava-se, fugia, decidia. Era o golo e o seu contrário. O golo e o evitar do golo. E um respeito profundo tomava conta de toda a equipa e das bancadas: adeptos e adversários.
Eu sou testemunha: mesmo Eusébio, o Eusébio incontrolável, o Eusébio retardatário, o Eusébio imprevisível, se deixava domar, de vez em quando, pelo Humberto.
Se era preciso um Eusébio que não faltasse, um Estádio cumpridor de horários (que heresia!), chamávamos o Humberto. E eles falavam, e Eusébio dava-lhe razão e vinha, à hora mais ou menos certa.
Humberto Coelho veio do Ramaldense, nasceu no Porto, freguesia da Cedofeita. Aos 16 anos estava no Benfica.
Não era fácil jogar ao lado dele e, no entanto, tantos foram os que jogaram a seu lado. Bastos Lopes (António e Alberto), Frederico, Eurico, Laranjeira, Alhinho, Rui Rodrigues, Messias, Barros...
E o Humberto, imperial, percebeu-se desde logo que iria ser capitão do Benfica, tinha tudo para ser capitão do Benfica, era da estirpe dos Beckenbauer e dos Krol, gente do seu tempo, heróis contemporâneos que comandavam, da defesa, equipas inteiras, selecções inteiras, clubes inteiros. E o povo com eles.
Humberto Coelho é daqueles jogadores que não se discutem. Acho que nunca se discutiu, embora a memória me pregue partidas, de quando em vez.
No dia de 8 de Setembro de 1968, Neves de Sousa escreveu sobre ele: 'Esta, a grande verdade do jogo: festival de Humberto a tentar colmatar as mãos incertas de Nascimento. Porque, enquanto o guarda-redes não acertava com o tempo de saída e assistia, sereno e impávido, ao sobrevoar da sua área, Humberto era quase que um polvo, segurando (em seus tentáculos), avançada sobre avançada, desfazendo o perigo justamente de molde a criar, para os adversos, sobressalto sobre sobressalto. E foi então que se escreveu, em vinte minutos de antologia, o título do festival: récita para a candidatura de um jovem'.
Contra Pelé e contra o azar
Era Setembro e a Luz, e Tejo e tudo, como em Lisbon Revisited. Benfica-Belenenses, 1.ª jornada do campeonato. Humberto apresentava-se, e Otto Glória confiava nele, 4-1. Golos de Torres, Eusébio(2) e Jacinto.
Humberto Coelho já tinha vestido, antes, a camisola vermelha da águia ao peito, a camisola vermelha berrante da equipa principal, no Brasil, durante uma das habituais digressões do Benfica pelo mundo, e mesmo contra o Santos, o Santos que tinha uma linha avançada que parecia a letra de um samba: Dorival, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Abrira o seu espaço, percorreria o seu caminho.
Pelo Benfica atingiu a excelência. Faltou-lhe uma final da Taça dos Campeões, sobrou-lhe uma final perdida da Taça UEFA, em Lisboa, na segunda mão frente ao Anderlecht.
Nesse tempo, já tinha ido e voltado. Fora a Paris, jogar no Paris Saint-Germain, passara pela América e pelo Quicksilver, era também capitão de uma selecção e de um jogo que nunca deveria ter feito parte da sua história: os 0-5 de Moscovo onde se lesionou de vez num maldito joelho que inchava a toda a hora.
Foi também um homem contra o seu azar. Esse azar de uma lesão que o feriu com ausências de fases de Europeus e Mundiais.
Os seus iguais estavam lá, capitaneando países, Humberto ficava em casa, que podia ser o lugar do seu conforto e do seu carinho, mas só quando voltasse, como o vencedor que sempre foi.
Houve aquele jogo incrível, único e absurdo, frente ao FC Porto, na Luz, com o Benfica a perder por 0-2 a 15 minutos do fim. Aquele jogo que se virou, e pernas para o ar, com os golos de Vítor Baptista e Jaime Graça e Humberto Coelho, no último dos minutos, entrando na área com a fúria de uma tempestade, destruindo mitos e medos, pontapeando a bola para a baliza com a raiva de um deus sem altares.
Não era fácil jogar ao lado de Humberto Coelho, dizem os defesas que repartiam o seu espaço no campo de todos os sonhos.
Ah! Mas escutem os adversários e imaginem o que eles dirão!!!
Nós, na bancada, ficávamos a vê-lo e a desejar que ele durasse para sempre como capitão dos campeões..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Verão 'à Benfica'

"Em 1957, na Feira Popular, o Benfica apresentou a sui generis modalidades em que o hóquei é praticado sobre rodas... mas não patins.

Durante o verão de 1957, houve programação especial na Feira Popular o recinto foi palco de diversos festivais com a cunho do Sport Lisboa e Benfica. Com organização a cargo da Comissão Central, tinham o intuito de brindar os benfiquistas com agradáveis momentos recreativos a angariar verbas para os 'cofres da (...) campanha do Novo Parque de Jogos'.
Ao contrário dos anos anteriores, em que ocupou um pavilhão, nesse ano o Benfica obteve a concessão do rinque de patinagem, 'um excelente recinto desportivo, com instalações muito boas e dispondo de uma bancada coberta e esplanada anexa, com serviço de restaurante e bar'. Decorado pelo arquitecto João Simões, o espaço disponibilizava ainda 'futebol de mês' e 'jogos eléctricos americanos (do mais moderno que ainda chegou ao nosso País)'.
Na Feira, o recinto do clube 'encarnado' foi 'dos mais concorridos'. A patinagem era o entretenimento permanente, mas não se destinava apenas a 'patinadores de verdade', também os 'simples curiosos com aspirações' aí podiam experimentar a modalidade. Mas havia mais. Muitas das noites a patinagem era 'interrompida para a exibição de espectáculos classificados'. Aí, o recinto era vedado e havia 'cobrança de magros escudos, em troca da comodidade e do regalo' que as exibições ofereciam. 'Raramente (...) os vislumbra um lugar vago'!
Futebol de cinco, hóquei em patins, pugilismo e andebol foram alguns dos números apresentados. Mas houve um... que alcançou particular êxito. Na noite de 4 de Setembro, a secção de cicloturismo do Clube, organizou 'dos momentos mais curiosos dos festivais' hóquei em bicicleta. Com a colaboração do SC Rio Seco, do Campo de Ourique e do Atlético CP, o Benfica brindou o público com dois jogos dessa modalidade sui generis que reunia já muitos adeptos.
Na fotografia, Roland Oliveira captou um momento do jogo em que a equipa das 'águias' venceu o Atlético Clube de Portugal por 7-3. A mesma equipa conquistaria, três semanas depois, a Taça Iniciação frente ao Clube Atlético de Campo de Ourique.
Pode ver estas e outras fotografias na Roland Oliveira, em exibição na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica