Últimas indefectivações

sábado, 21 de junho de 2014

"O que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui está preta"

"Portugal amordaçado. Com a jóia perdida na «joelharia», atropelado por uma maciça Cavalgada das Valquírias. A Selecção Nacional afundou-se na Baía.

SALVADOR - Pois, pois, pois. Eu quis até telefonar... Mas, o pior, é que, por mais redes que existam, as tarifas não têm graça nem são de graça. Por isso, como prometido, mando notícias de Salvador e vão por mail.
«Aqui na terra estão jogando futebol», cantava o Chico Buarque, esse mesmo Chico apanhado numa fotografia maravilhosa, no Estádio da Luz, nos anos 60, junto dos seus ídolos, Eusébio e Coluna, que há tão pouco tempo «se encantaram» como escrevia Guimarães Rosa recusando-se a tropeçar na palavra morte. Esse mesmo Eusébio a quem Roger Milla, o velho feiticeiro dos Camarões, se refere carinhosamente, numa entrevista concedida ao «L'Equipe» e que ainda ontem li. Esse mesmo «L'Equipe» que nos faz recordar o tempo do Grande Jornalismo (assim mesmo, com maiúsculas), trabalho que metia reportagem e crónica e notícias, coisa a que ainda devíamos ter direito no momento de gastar dinheiro nos nossos cada vez mais miseráveis jornaizinhos.
Palavra puxa palavra e ficaria aqui por horas encaixando-as umas nas outras enquanto a tardinha cai e o barquinho vai lá na Baía-de-Todos-os-Santos, junto à Igreja do Bonfim que tem um santo do outro Bonfim, o de Setúbal, e à Ponta do Humaitá que traz por sua vez à memória aquele Humaitá que coloriu cadernetas de cromos de algumas das nossas infâncias.
Não vou por aí. Fico na terra onde se joga futebol. Na esplanada do Mercado Modelo, à beira do Elevador Lacerda, toca-se pandeiro e bebem-se periguetes bunda de foca, que em português arcaico se poderia traduzir por «mulheres-da-vida-de-rabo-gelado» se a periguete agora na moda não se limitasse a ser uma cervejinha que se esgoela quase de golada.
Jorge Amado, que vivei por aqui a maior parte da sua vida, jurava que havia trezentas e sessenta e cinco igrejas em Salvador. Parece que não são tantas. A menos que se incluam a Igreja dos Santos Apocalípticos, a Igreja Universal de Meu Irmão Jesus Vivo, a Igreja dos Passos Perdidos Sem Retorno e outras tantas do mesmíssimo calibre cujos devotos tentam arregimentar simpatizantes distribuindo papelinhos com orações infalíveis contra o olho-grosso nas redondezas da Arena da Fonte Nova.

Perdidos na «joelharia»
E chegados a este ponto, abuso do Chico:
«Uns dias chove, noutros dias bate o sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta».
Mas preta! Preta como a negra gorda vestida de branco que se passeis majestosa no Largo Teresa Batista, ali ao Pelourinho, bairro tão português de uma Salvador baiana como nenhuma outra.
O termo «joelharia» poderia vir aqui a propósito porque se fala tanto do joelho do Ronaldo, esse joelho que vai ter não tarda muito a dimensão do joelho do Eusébio (lembram-se?), e porque vale tanto que deixa Portugal inteiro em cuidados com a sua jóia, menino fagueiro que assustava alemães ao ponto de os assobios de tornarem apitos de carnaval de cada vez que tocava na bola.
Portugal afundou-se na Baía.
«Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades», mas a verdade/verdadinha é que esse Portugalzinho amordaçado e perdido parecia uma equipa de meninos da Terra do Nunca sem Peter Pan à mercê de uma Alemanha sem grande samba, sem candomblé, mas com a energia milenar dos Nibelungos. Foi a Cavalgada das Valquírias! «Ninguém segura esse rojão». Se aqui na terra alguém esteve jogando futebol, esse alguém não foi português. Veio lá das margens do Reno até aos trópicos trazendo a maquinaria resistente feita de aço do Ruhr. E deixando caber entre Neuer, Muller, Lahm ou Podolski, um «príncipe etíope de rancho», como declamava Nelson Rodrigues, chamado Boateng. Que não Prince...
Valeu que no dia seguinte, terça.feira, houve missa cantada na Igreja de São Francisco. Garotos de uma perna só, como Saci Pererê, vendem centenas de fios, terços e berimbaus contra o mau-olhado. Foi mau de olhar, isso foi. Portugal-dos-passes-perdidos. passo perdido.
«Muita careta pra engolir a transacção
Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho».
Quatro-a-zero. A derrota mais  dura bateu à porta de uma Equipa-de-Todos-Nós enredada em nós impossíveis de desatar.
E agora? Vou continuando a mandar notícias deste Inverno quente, daqui a pouco lá mais para o Amazonas e para Manaus, outro jogo, talvez um destino pura mudar.
«Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça».
Chegará? O tempo trará a resposta a tal pergunta. Para já não chega. Foi até de menos. Aqui na terra podem estar jogando futebol, mas essa não é a verdade lusitana. Quem jogou foram os outros."

Afonso de Melo, in O Benfica

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O ano dos Manuéis

"Ao contrário do que alguns bempensantes escrevinham ou gaguejam, penso que o treinador de futebol do Benfica, Jorge Jesus, se expressa muito bem em português corrente e até usa expressões que enriquecem a linguagem ultrapassando o sentido literal das palavras. Ora isto é altamente incomodativo para a opinião publicada - a pequena parte da opinião pública que tem lugar cativo, muitas vezes à custa de fretes e recados, na comunicação de massas. Incomoda porque sendo Jorge Jesus treinador do Benfica, inatacável do ponto de vista dos conhecimentos sobre futebol, teóricos e práticos, vantajoso seria que fosse um grunho que embatucasse perante um microfone. Mas como não é, vá de explorar lapsos de linguagem, porque no plano das ideias e das técnicas do seu ofício o homem é inatacável.
É um pouco como as velhas anedotas sobre Samora Machel, quase todas elas adaptadas de velhas bacoradas do almirante cabeça-de-abóbora por ressabiados da descolonização. Outra questão é que Jorge Jesus é um homem do povo, um português tão simples como vivaço, que tem lapsos de linguagem como toda a gente comum, e os plumitivos da opinião publicada são todos uns doutores, em particular os doutores da treta.
De entre muitas felizes expressões utilizadas que Jorge Jesus, algumas são figuras de linguagem de grande alcance e de notável poder de síntese. É o caso da resposta de Jesus quando lhe perguntaram o que ia fazer, quando acabara de perder Matic, «Joga o Manuel», respondeu.
Pois bem. Eu sei que os jornais estão a exagerar quanto às perdas do Benfica no plantel para a época que vem. Mas também sei que se as perdas forem no limite do razoável, o treinador do Benfica saberá encontrar soluções. «Joga o Manuel». E está tudo dito."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Tacho e lixo

"Salvador - Quatro canais de televisão transmitem todos os jogos em simultâneo para o Brasil. A «Globo» e a «Bandeirantes» (a «Bande»), talvez levem vantagem sobre a «ESPN» e a «Sportv». Comentários a cargo de jornalistas de renome, de jogadores de categoria, antigos internacionais. Outro mundo! Um mundo de qualidade.
Nem sempre concordo com Jorge Jesus - até discordo dele muitas vezes, o que é saudável. Quando teve a «temeridade» de dizer alto e bom som que havia demasiada gente fora do futebol a comentar futebol, aplaudi. Médicos, advogados, pedreiros, pseudo-escritores: vale tudo em Portugal.
Preocupados, aflitos na defesa dos seus tachos bem remunerados, as madalenas estrebucharam. Reclamam que o futebol é do povo e toda a gente tem o direito de opinar sobre futebol. De acordo. Também me arrogo o direito de comentar transplantes renais, taxas de juros e árvores-de-cames. Mas no café, com uma cervejinha, entre amigos. Se me oferecessem uns milhares largos de euros por mês para falar e escrever sobre supracitadas matérias estaria a ser desonesto. Porque não seu; porque não entendo; porque não estudei nem me dediquei às suas causas e efeitos. A desonestidade intelectual alheia não pode ser preocupação minha. Mas era evitável remexerem no lixo que os soterra. Recebem as ricas maquias e continuem a vomitar alarvidades sobre o jogo mais bonito do mundo. Cada um é livre de ler, ou não, tal lixo. Agora, por favor: poupem-nos à choraminguice bacoca e mazomba tão própria de gente sem espinha."

Afonso de Melo, in O Benfica

De oitocentos a oito

"Um penálti forçado a abrir o marcador; uma expulsão tão imprudente quanto exagerada; duas substituições por lesão; um golo nos descontos à saída para o intervalo; uma falta clara por sancionar, dentro da área adversária; uma falha clamorosa do guarda-redes a fechar as contas. Tudo isto aconteceu à nossa Selecção, na sua estreia no Mundial. Tudo isto aconteceu diante de uma das mais fortes candidatas ao título, que naturalmente soube aproveitar as circunstâncias para construir um resultado robusto. A agravar, também o desfecho do outro jogo do grupo pareceu encomendado pelo diabo, com um golo contra-corrente, já perto do fim, a desfazer o que seria um simpático empate entre Gana e EUA, logo a favor da equipa que defronta a Mannschaft na última jornada – com esta já previsivelmente qualificada. Pior era impossível. Como sempre acontece nestas ocasiões, as facas rapidamente saíram das bainhas, e o clima de histeria colectiva em torno de Ronaldo e seus pajens depressa se transformou numa caça às bruxas tão ao gosto de alguns comentadores do espaço mediático luso.
Nem oitocentos, nem oito. É importante dizer que a equipa nacional não é candidata a nada que não seja ultrapassar a fase de grupos. E é também importante lembrar que esse objectivo está ainda sobre a mesa. Na verdade, Portugal dispõe de um super-jogador, mas em redor dele gira uma equipa mediana, porventura a mais fraca das últimas duas décadas. E nem adianta questionar as opções técnicas, pois as eventuais alternativas também não escapam à mediocridade. Perder com a Alemanha é um resultado natural – embora os números tenham sido particularmente estrepitosos. Ganhar aos EUA e ao Gana é uma possibilidade, à qual a “Equipa das Quinas” terá de se agarrar com unhas e dentes.
Se algo correr mal, o mundo não acaba. O futebol tem a virtude de permitir sempre redenção, como pudemos vivenciar no nosso clube de 2013 a 2014. Talvez por isso se diga que está para além da vida e da morte. E é seguramente por isso que tanto nos apaixona."

Luís Fialho, in O Benfica

Simãozinho...!!!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tanta gente conhecida

"O país ficou indignado com a exibição perante Merkl. Exigia-se aos jogadores que vingassem as atrocidades económicas que nos são impostas. Meus amigos, fossem mas é votar!

DE quatro em quatro anos acontece a mesma coisa. Há Mundial de futebol. E o que é isso exactamente? Trata-se, no fundo, de uma questão muito simples. Um Mundial, propriamente dito, é a oportunidade de ver e de rever gente conhecida usando fardas diferentes das fardas que usam ou que usavam quando nos conhecemos noutras paragens e noutros momentos mais ou menos distantes, quer as paragens quer os momentos.
Excepção feita, naturalmente, aos árbitros que, de um modo geral, mais risquinha, menos risquinha, usam sempre as mesmas fardas. Comecemos então pelos árbitros deste Mundial, nomeadamente os que actuaram nos primeiros dias da grande competição e que somaram um conjunto de decisões disparatadas, daquelas que ou indignam ou fazem rir conforme os interesses em causa.
Assim, perante a monumentalidade da concorrência, não admira que Pedro Proença seja considerado o melhor árbitro do mundo. Tenho dito.

VAMOS lá então ao árbitro japonês que apitou o jogo inaugural e que ofereceu ao Brasil uma abébia, uma grande penalidade de origem manhosa. Não mais do que isso, apenas manhosa. O Rakitic não gostou. 
Pudera, sendo croata não se esperaria outra coisa. Confesso: a primeira vez que olhei com atenção para o Rakitic terá sido em Maio na final da Liga Europa usava ele a farda do Sevilha. O Rakitic, excelente jogador independentemente da farda, no fim do Brasil-Croácia disse que era triste começar uma prova desta envergadura mundial com um erro grosseiro do árbitro. Pois é, Rakitic, imagina então o que é chegar à final de uma prova de envergadura europeia e levar com uma mão cheia de erros grosseiros do árbitro. Uma chatice.

ALIÁS, pode-se até acrescentar que o árbitro (alemão) da final da Liga Europa demorou um mês certinho a tomar a sua única decisão acertada anti-Benfica. Foi ele quem expulsou, e muito bem o expulsou, o nosso Maxi Pereira, ainda que fardado de azul celeste, nos instantes finais do Uruguai-Costa Rica. Quanto ao Uruguai, com muita pena o digo, a continuar assim, vai falhar a final deste Mundial contra o Brasil no Maracanã, anseio maior de todos os amantes do futebol-literatura.
Adiante.

O primeiro golo deste Mundial foi brasileiro mas marcado na própria baliza por Marcelo, aquele tipo que o nosso Fábio Coentrão sentou no banco do Real Madrid na última final da Liga dos Campeões. Como me atrevi a proferir este comentário em voz alta ao pé de um amigo portista logo tive de ouvi-lo a contra-argumentar com isenção: «Sim, mas o Real Madrid só começou a jogar à bola e só deu a volta ao resultado quando o Fábio Coentrão saiu para entrar o Marcelo.»
Felizmente os acontecimentos imediatos deram-me oportunidade de o calar, e também com isenção porque, a bem da contra-contra-argumentação, o Brasil só conseguiu dar a volta ao resultado quando Hulk saiu para dar lugar a Bernard. E agora, amigo? Seguiu-se logo forte verborreia em desprimor de Scolari. «Se o Hulk ainda fosse jogador do FC Porto o Scolari nunca o teria convocado!», entre outros desabafos do mesmo jaez.
Quanto ao nosso Fábio Coentrão, pois também já saiu deste Mundial bem mais cedo do que o previsto, tal como lhe aconteceu na dita final da Liga dos Campeões, em Lisboa. Veremos se sem Coentrão, a nossa selecção melhora tal como melhorou o Real Madrid.
A verdade é que sem Hulk no segundo jogo, a selecção brasileira não melhorou nada que se visse.

NESTE Mundial, no que diz respeito a treinadores, também há, está visto, muita gente nossa velha conhecida. Fernando Santos, por exemplo.
E, quanto ao engenheiro, vejam-se as coisas pelo lado positivo.
Assistindo ao desmoronar grego perante a Colômbia que sorte a de Fernando Santos por não ter de levar também com Falcao em campo a ajudar à festa. Imagine-se o score que poderia ter sido atingido no Grécia-Colômbia se Falcao, que conhecemos com a farda do FC Porto, estivesse de boa saúde e tivesse embarcado com os seus companheiros para o Brasil.

NOS primeiros dias do Mundial o treinador que mais brilhou também é português, chama-se José Mourinho e estreou-se na profissão de treinador envergando a farda do Benfica. Não há presença mais lúcida do que a dos ausentes e o colapso de Iker Casillas no jogo com a Holanda passou mais um atestado de omnisciência ao nosso compatriota treinador do Chelsea.
Até Diego Armando Maradona veio a lume incensar o nome de Mourinho, a quem chamou de «amigo», por ter antecipado a reforma de Casillas o que lhe valeu a incompreensão da imprensa espanhola e a subsequente saída de Madrid.
Mourinho, como treinador, já ganhou tudo o que havia para ganhar em vários países. Títulos é com ele. Mas o título de «amigo» de Maradona, conferido por Diós, o próprio Diós, é um dos maiores, senão o maior, da sua brilhante carreira. Eu, pelo menos, vejo assim as coisas.
Instado pela imprensa de todo o mundo, Mourinho aguentou-se bem nos comentários sobre Casillas primando pela benevolência. Já nos comentários sobre Pepe, que também foi seu jogador, Mourinho não se aguentou nada bem. Antes pelo contrário. Pepe, que prima por deixar estigmas nos adversários em campo, é ele próprio vítima de um estigma não menos doloroso, ainda que ideológico, este: quando joga bem é português, quando disparata é estrangeiro.

A Argentina começou o Mundial a ganhar e gente conhecida temos por lá muita. Marcos Rojo, por exemplo, que afirmou gostar da ideia de se encontrar com Portugal lá mais para a frente e que «seria lindo marcar um golo a Rui Patrício», seu colega de equipa no Sporting. Não seria uma estreia, há que assinalar. 
Rojo já marcou um golo a Rui Patrício num derby lisboeta, metendo a bola na sua própria baliza e roubando, assim, aquele que seria um hat-trick de Óscar Cardozo em Alvalade. Foi «lindo»? Depende dos gostos, obviamente.
Quanto a Patrício, está fora nos próximos dois jogos, modo optimista de sugerir que, pelo menos, ainda haverá um terceiro jogo para Portugal no Brasil. Vem aí o Beto para a baliza, dizem os jornais. Uma boa notícia se pensarmos em penaltis e se o árbitro for o alemão que apitou em Turim.

COMO se está a falar de guarda-redes é imperioso registar o nome daquele que melhor me impressionou até ao momento: o mexicano Ochoa. Atrevo-me mesmo a sugerir ao Valência, ao Real e ao Atlético de Madrid que deitem os olhos para este talento sul-americano e que deixem o nosso Oblak em paz.
A iminência de o Benfica vender Oblak é a notícia mais triste desta primeira semana de Mundial. Sim, porque há vida real para além da Copa que é coisa efémera. E que vida a nossa esta de podermos ficar sem o fabuloso Oblak de um momento para o outro.
A exibição de Portugal no jogo com a Alemanha, comparando-a com as ocorrências gerais do evento, só consegue chegar ao patamar das transmissões televisivas dos jogos deste Mundial. Uma pobreza confrangedora em ambos os casos.
O país ficou indignado com a exibição da equipa nacional no seu jogo de estreia, para mais na presença da chanceler Merkl. Exigia-se patrioticamente aos nossos jogadores que nos vingassem das atrocidades económicas que nos são impostas pela Alemanha. Meus amigos, fossem mas é votar!

EM termos de equipamentos, a farda que assenta melhor é a do Uruguai.
Em termos de terceira idade, quem dá cartas de olhos fechados é o Pilro.
Em termos de anedotas brasileiras sobre portugueses, o que se verifica é que demos um fortíssimo contributo para o renovamento do em si já vasto reportório."

Leonor Pinhão, in A Bola

Outra vez o defeso

"Este defeso passou e passa por 4 fases: a primeira, até ao início do Mundial; a segunda, durante esta competição; a terceira, depois dela e até 31 de Agosto e... a quarta, nas últimas horas desse derradeiro dia.
Este ano a coisa promete num mercado tão transparente como o breu da noite em Lua Nova.
Vai comprar-se e vender-se de toda a sorte: a retalho ou por grosso, líquido ou bruto, a contado e a prazo, com cláusula abusiva ou não, em regime ad valorem ou em draw-back, definitivamente ou em regime de rent-a-man, com direito de serventia ou não, com devolução de monos ou participação de lucros, com fraccionamento do atleta ou mais-valias potenciais franchisadas.
Quanto ao defeso do Benfica e pelo que já li, quase seria levado a crer que, na próxima época, só restariam uns suplentes e parte da equipa B. Depois de Rodrigo, André Gomes e Siqueira e da quase certeza de Garay e Enzo saírem, já vi notícias de forte assédio a Markovic, Oblak, Gaitán, Artur, Rúben Amorim, Cardozo, Salvio, etc. e até de jovens como Cancelo e Bernardo Silva. Dos titulares indiscutíveis, seguros só Luisão (depois de 9 anos a ser sempre transferível!), Fejsa (só em 2015), Lima e Maxi.
Imagino a dificuldade em conciliar o melhor possível a estabilidade e qualidade do plantel com a necessidade obrigatória de fazer bons negócios. Mas para que 2014/2015 seja a reedição de uma grande época encarnada (em particular o bicampeonato), imperioso se torna não desfigurar tão acentuadamente uma equipa vencedora. É o que espero dos dirigentes e técnicos do SLB."

Bagão Félix, in A Bola

Invictos... (até o Bitch aparecer!!!)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Adjectivos


"A tróica ainda dita ordens. Portugal perdeu por 0-4 contra os alemães. Espanha, 1-5 frente aos holandeses. Grécia, 0-3 diante de um país não europeu, mas membro do FMI. A Irlanda, essa nem lá foi. Em conjunto: 1-12!
Contra a prussiana mannschaft foi um pesadelo escusado, um Patrício desastroso, um Pepe malicioso, um Coentrão lesionado, uns pontas-de-lança inexistentes, um Meireles mete-medo, um Ronaldo que não foi São Salvador. Quando tínhamos bola não tínhamos espaço, quando tínhamos espaço não tínhamos bola e quando não tínhamos ambos, tínhamos alemães pela frente.

Depois do desastre há que reabilitar a equipa ou para usar a costumeira frase «há que levantar a cabeça» (agora que o Pepe não a vai levantar=. Com a consciência de que a nossa Selecção, à parte Ronaldo, é tão-só mediana.
Para isso conviria reduzir o nível de histeria comunicacional que nos transporta para o elogio da facilidade, da futilidade, da vulgaridade, da ligeireza, da efemeridade. Vemo-nos confrontados, até à exaustão e por todo o lado, com o primado da adjectivação prolixa que se espalha virulentamente quando vamos a uma fase final. Numa bolsa de valores, os adjectivos patrioticamente usados estariam pela rua da amargura, tal o dislate da oferta. Talentoso, genial, universal, mágico, estonteante, fabuloso, fenomenal e muitos outros que, de tanto abuso, perderam o seu valor semântico.
Mas ainda estamos a tempo de evitar uma saída... limpa. Se formos substantivos e não adjectivos, temos condições para ultrapassar os EUA e o Gana. Com a calculadora na mão, é claro."

Bagão Félix, in A Bola

Caixa Futebol Campus...

Goleira Moraes !!!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Baía-de-Todos-os-Santos...

"A propósito de Portugal jogar o Campeonato do Mundo no Brasil, memórias de outra aventura brasileira da Selecção Nacional, a Minicopa de 1972 com direito a final no Maracanã.

SALVADOR - No dia em que este exemplar do seu jornal lhe chegar às mãos, dileto leitor, estará a selecção portuguesa no Brasil e este vosso escriba a caminho. Salvador: São Salvador da Baía. Ou da Bahia, com agá, como cantava João Gilberto. Primeiro passo para uma aventura brasileira que Portugal só viveu em 1972, na famosa Minicopa, ou Taça da Independência do Brasil.
Baía-de-Todos-os-Santos e quase todos os pecados, dizem eles... Que pecados nos esperam? Pela primeira vez, a Selecção Nacional joga nesta cidade, abrindo o seu Mundial contra a «imperial Alemanha» do Dr. Topsius, essa inesquecível personagem de «A Relíquia».
Jogou ao longo da história em várias outras. Mas é a Minicopa que quero aqui recordar, por isso dêem-me a vossa licença.
A Confederação Brasileira de Desportos não deixara a coisa por menos: os 150 anos da Independência seriam motivo para a disputa de uma competição que pouco ficava a dever a um verdadeiro Campeonato do Mundo. Vinte selecções nacionais e continentais disputariam, em 12 estádios, um troféu majestoso: 11 quilos em ouro e pedras preciosas (diamantes, pérolas, esmeraldas e rubis), com 45 centímetros de altura e desenhos recortados a esmalte azul.
Quinze equipas - Argentina, Selecção de África, França, Selecção da América Central, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Irlanda, Venezuela, Chile, Irão, Jugoslávia e Portugal - seriam distribuídas por três grupos; outras cinco - Brasil, Uruguai, URSS, Checoslováquia e Escócia - ficariam isentas da primeira fase. Em seguida, formavam-se dois grupos de quatro equipas que decidiam o acesso à final em sistema de «poule». Portugal começou por ficar no Grupo II, juntamente com Equador, Irlanda, Irão e Chile.
Primeiro jogo em Natal, no dia 11 de Junho de 1972, cumpriram-se agora quarenta anos. Estádio do Lagoão, 3-0 ao Equador, com golos de Eusébio, Dinis e Nené.
O seleccionador era José Augusto, o nosso amigo José Augusto.
Em seguida, Portugal mudou-se para o Recife. Mudou-se a equipa, mas não mudou o futebol bonito, goleador. No Estádio Arruda, de Santa Cruz, mais três jogos e mais três vitórias: a 14 de Junho, novo 3-0, agora ao Irão, com golos de Eusébio, Dinis e Humberto Coelho; a 18, 4-1 ao Chile, com golos de Humberto Coelho, Angulo (na própria baliza), Dinis e Eusébio; finalmente, a 25, 2-1 à Irlanda, com golos de Peres e Nené.

Humilhando a Argentina...
Primeira fase superada com uma perna às costas.
Na segunda fase, a coisa piava mais fino. Os adversários eram fortes: Argentina, URSS e Uruguai.
No Rio de Janeiro, no mesmo Maracanã onde, na véspera, o favoritíssimo Brasil empatara com a Chescolováquia (0-0) e deixara evidente a dificuldade de substituir Pelé, que abandonara de vez a «canarinha», a resposta lusitana foi extraordinária.
Há quem diga que a vitória sobre os argentinos foi uma das mais brilhantes da história da selecção nacional. É bem possível. Porque a Argentina era, de facto, um conjunto muito forte que procurara recuperar da ausência do Mundial de 1970 (fora eliminada pelo Peru de Teofilio Cubillas) e contava com figuras como Heredia, Pastoriza, Octavio Bianchi e Brindisi. Cuidadosamente preparada e mentalizada para a Minicopa - é fácil perceber o que significaria para os argentinos vencerem o torneio no terreno dos seus rivais brasileiros -, a Argentina foi, todavia, completamente vulgarizada pela velocidade e jogo de conjunto dos portugueses.
O domínio lusitano foi tão intenso, a sua superioridade tão esmagadora, o nível da sua exibição tão fora do comum, que os mais de 30.000 espectadores que se tinham deslocado ao Estádio Mário Filho entraram em delírio.
Adolfo, Eusébio e Dinis fizeram os três golos de Portugal; Brindisi o da Argentina: 3-1.
No jornal «O Globo», o famoso jornalista João Saldanha, que chegara a ser seleccionador nacional antes de Zagallo, escrevia: «Há muito tempo que não vejo um time jogar tão bem. Nenhumas falhas. Se caprichassem um pouquinho, eram cinco ou seis. Toni tem uma raça impressionante; Eusébio é calma personificada; os laterais, perfeitos; Peres deu aula; Jordão fez miséria. A Argentina é um bom time, mas Portugal, ontem, não perdia para ninguém».
Seguia-se o Uruguai. Portugal repete a exibição feita face aos argentinos, mas não consegue repetir o resultado. O seu futebol foi igualmente imaginoso e fluente, mas o golo de Pavoni, marcado aos 20 minutos, e a dureza, às vezes transformada em pura violência, dos sul americanos, obrigou a Selecção Nacional e menos toques de bola, menos fintas e menos tabelinhas, recorrendo a mais cruzamentos, mais arrancadas e mais explosões. Jaime Graça empatou em cima do intervalo, e toda a segunda parte foi de domínio português e de intenso sofrimento para o guarda-redes Carrasco. Mas o 1-1, não se alterou e a conjugação dos resultados (a URSS ganhara ao Uruguai e perdera com a Argentina) permitia agora a Portugal um simples empate com os russos, desde que os argentinos não vencessem os uruguaios por mais de três golos de diferença, para chegar à tão ambicionada final.
Em Belo Horizonte, no dia 6 de Julho, o jogo foi pobre e a vitória magra (1-0, golo de Jordão). O estilo combativo de Simeonov, Viktor, Vasenin, Kuksov e Bishovets serviu para controlar a fantasia de Jaime Graça, Peres, Jordão, Dinis e Eusébio que, além disso, se viu atingido com tal agressividade que ficou com o osso da canela à mostra e em dúvida para a tal final tão sonhada com o Brasil, que se apurara entretanto vencendo a Jugoslávia (3-0).

Sonhos que nascem e morrem...
Na grande final do Maracanã, no dia 10 de Julho de 1972, ao contrário do que seria de supor, foram os portugueses a fazer as despesas do futebol de ataque e os brasileiros a oporem-lhes uma toada de contra-golpe. Por uma, duas vezes, Portugal ameaça o golo: Jordão remata ao poste; Eusébio tem uma arrancada sensacional, passando por diversos adversários, arrancado «ohs!» de admiração a um público encantado, mas perde a oportunidade de remate por fracções de segundo.
Os contra-ataques «canarinhos» são venenosos, mas Humberto Coelho está intratável e imperial. Caminha-se para o final do encontro, tudo parece indicar que teremos um prolongamento. Mas, precisamente no último minuto, uma falta desnecessária de Adolfo sobre Jairzinho dá a Tostão a possibilidade de meter, com um dos seus pés mágicos, a bola na cabeça de Jairzinho. É o golo e a vitória do Brasil. José Henrique queixa-se de que Jairzinho tocou a bola com o braço. O israelita Klein não lhe dá ouvidos e apita para o final.
O sonho morreu.
Virão outros sonhos. Talvez com Maracanã também.
Desta vez é tempo de Baía: «Baía dos sonhos mil!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

PS: Se o Afonso tivesse que esrever a crónica hoje, teria pelo menos terminado de maneira diferente: «Baía de pesadelos mil!»!!!
Aqui deixo o jogo completo da Final no Maracanã, da Minicopa de 1972. Com 10 Benfiquistas de início...


Aqui ficam alguns resumos, dos outros jogos:

A história do Rei

"Dele quase tudo se disse. É o cidadão português cuja história mais vezes foi contada. Pode não vir nos manuais escolares, mas é no 'passa.palavra' que gerações tomam conhecimento e se apaixonam pelo nome Eusébio. Em vida, o 'Rei' falou à Mística em duas ocasiões (2008 e 2011), onde abriu o livro das memórias e opinou sobre o futuro. Agora, na hora de se tornar eterno, recuperamos as palavras e a história de vida de um mito.

Esta é uma história com início na antiga Lourenço Marques (agora Maputo). Moçambique. O dia: 25 de Janeiro de 1942. Abria os olhos Eusébio da Silva Ferreira. O destino o ditaria: mais do que rebento africano, um cidadão do mundo.

Nas palavras do poeta
Veio ao mundo numa numerosa família - benfiquista, por sinal -, mas cedo ficou órfão de pai (o Sr. Laurindo, também ele, em tempos, jogador). A mãe era tudo para ele. A D. Elisa, a mesma que não gostava nada que o pequeno Eusébio faltasse às aulas para jogar futebol, mas que no momento certo o deixou voar nas asas do sonho. A ligação entre mãe e filho prova-se na forma como, nos últimos anos de vida, era a falar de D. Elisa que o agora avô Eusébio mais se emocionava.
Mas voltemos à Mafalala, bairro nos arredores de Lourenço Marques: das casas de zinco e madeira às bolas de trapos, das jogatanas de rua ao Senhor Xico, um cauteleiro que o distinguiu de entre os amigos. Nos improvisados campos das ruas da capital, o raiar dos horizontes que deram luz à sua infância. Diz-se que nas palavras do poeta José Craveirinha jorrava a inspiração de meninos como Eusébio. É que aquele era o poeta que na década de 50 incentivava os moços de Moçambique a libertarem o espírito pela nobre arte de praticar desporto. 'Ele era uma referência', como muito mais tarde admitiria Hilário, conterrâneo e amigo de Eusébio e um dos melhores defesas do futebol luso.

Magrinho mas supersónico
Aos 12 anos era já conhecido por 'Magagaga'. Supersónico. Rumou aos Brasileiros Futebol Clube. Todos tinham alcunha de craque canarinho. Ficou 'Nené', o brasileiro. Estreia: dois golos, vitória por 7-1 e um justo prémio de dez escudos. Ficou até aos 15. 'Eu desde os 12 anos que sabia o meu valor. Nunca tivemedo de jogar com os rapazes de 17 e 18 anos. Até gostava, pois só assim perdia o medo e jogava melhor.' Hilário, que considerava como um irmão, pois era amigo da família, rumou a Lisboa, ao Sporting. E tantas vezes tentou convencer os dirigentes leoninos a irem buscar a pérola que ainda estava em Moçambique... Mas estes não acreditaram, ainda que os 'grandes' portugueses tivessem muitos olheiros ali. E com resultados práticos, com Matateu e Coluna como exemplos. Depois há a história de um irmão mais velho de Eusébio que passou pelo Benfica, pelas palavras do próprio à Mística: 'Um dos meus irmãos foi campeão de juniores no Benfica. A alcunha dele era 'Juju'. Entrou num bom colégio em Tomar. Depois foi mobilizado para prestar o serviço militar e acabou por regressar a Moçambique.'
Eusébio era bom de bola. Tentou um lugar no Desportivo de Lourenço Marques, filiar laurentina do Benfica. Não foi aceite. Disseram-lhe que era carne e osso. Acabou no clube rival, o Sporting Clube de Lourenço Marques, onde jogou até aos 18 anos. Na estreia defrontou o Desportivo. Chorou por não se sentir bem a defrontar a equipa que mais gostava. Mas ganhou por 3-0. Marcou os três golos. Num deles, 'só' ultrapassou a equipa toda e depois finalizou com classe. O que se arrependeram os responsáveis do Desportivo! Carne e osso, não era?

A carta a Coluna
Três aqui, dois ali, um mais à frente. Golos e mais golos. O Benfica já o tinha debaixo de olho. Mas a concorrência era cada vez mais feroz. Em 1960, dois enviados do clube da Luz foram a casa de Eusébio para falar com a mãe. O jovem tinha apenas 18 anos e, nesses tempos a maioridade era aos 21. A mãe foi perentória: Eusébio podia dar asas ao sonho. Ao saber o que se passava, o Sporting tentou cobrir a oferta, mas a palavra estava dada ao Benfica. Os rivais tentaram tudo, mas D. Elisa manteve a palavra. A ela muitos milhões de benfiquistas podem agradecer. E a Coluna também. Que recebeu uma carta de D. Elisa. Que cuidasse do seu menino como se fosse seu filho. Mário Coluna falava muito dessa mesma carta. Levou-a à letra. D. Elisa agradeceu. Tímido e franzino, chegou a Portugal em Dezembro de 1960. Num país triste e cinzento, dominado pela ditadura, Eusébio era um jovem em busca de glória no clube do povo, da democracia, onde despontava uma geração de valores que se veio a revelar a mais frutífera de sempre do desporto europeu. Para o jovem Eusébio existiu um primeiro inimigo. O frio. Ele que estava acostumado aos 40 graus de Moçambique. No dia seguinte à chegada acompanhou a equipa à Covilhã apenas para ver jogar os craques. Vitória por 1-3 e um Eusébio na bancada gelada, mas entusiasmado. Só que o frio... podia ter estragado tudo. Chegou a ligar à mãe dizendo que ia regressar. Entra na história Coluna. Tornou-se padrinho protector do jovem conterrâneo. Deu-lhe forças e uma palavra amiga. 'Por isso lhe agradeço a ele, mas também aos falecidos José Águas, Germano e Costa Pereira. Homens que me ajudaram. Felizmente, eu sempre meti na minha cabeça os conselhos que eles me davam. Hoje não me arrependo de os ter ouvido', contou-nos em 2011.

Pacientemente aguardando o ouro
Eusébio vivia no Lar do Jogador, no Estádio da Luz. E ali protagonizou uma autêntica novela. Não podia jogar. O Benfica chegou a acordo com o antigo clube do moçambicano, mas o Sporting inviabilizou a concretização do negócio, pressionando a sua filial laurentina. E começou a 'perseguir' Eusébio. Benfica e Sporting travaram uma intensa luta estratégica e jurídica. Todos o queriam e ele não jogava. Em 2008 disse em entrevista à Mística, entre sorrisos: 'Tenho 66 anos e mesmo assim há sportinguistas que dizem que fui 'raptado' pelo Benfica. O Sporting é que queria 'raptar'.' Era o forte sinal de que se estava na presença de alguém fora de série. Mas como lidaria ele em campo com tanta pressão e tanta expectativa? Da polémica em polémica, de argumento em argumento, Eusébio permaneceu fiel ao Benfica ainda antes de se estrear de águia ao peito e, apesar de ter estado parado entre Dezembro de 1960 e Maio de 1961, não retrocedeu na palavra que ele e a sua mãe, D. Elisa, tinham dado aos persistentes dirigentes 'encarnados'.
Em Maio de 1961, o Sporting laurentino, temendo 'perder tudo', aceitou a verba combinada com o 'Glorioso', enviando para o Benfica a sua 'carta de desobrigação'. Finalmente Eusébio era do Benfica. E o presidente da direcção, Maurício Vieira de Brito, conseguia o que queria: o jogador que viria a mudar a face do futebol português. Primeiro treino: o técnico Béla Guttmann virou-se para o adjunto Fernando Caiado e disse: 'É ouro, é ouro' Os colegas perguntavam-se quem seria o sacrificado. Germano usava o humor: 'Estou safo, sou defesa.' Apesar de menino, Eusébio mostrava ser uma força da Natureza e já um grande jogador. E também tinha confiança. Certo dia disse ao seu colega de quarto, José Torres (que há três anos rodava nas reservas), que tinha valor para jogar no Benfica e que no dia em que entrasse na equipa não mais perderia a titularidade, porque era melhor do que todos os colegas. Não disse apenas... Fez.

Quando Pelé quis saber quem era
Chegados a 23 de Maio de 1961, a estreia. Um jogo de reservas frente ao Atlético, em que o Benfica venceu por 4-2. Marcou três. E estava com febre... Estreou-se na equipa principal em 1 de Junho de 1961 (sim, poucos dias depois), na derrota por 1-4 no campo dos Arcos, em Setúbal, com o Vitória de Setúbal, na 2.ª mão dos quartos-de-final da Taça de Portugal, marcando o golo do Benfica, mas falhando um penálti às mãos de Félix Mourinho, pai de José Mourinho. Foi o primeiro dos quatro penáltis falhados na sua carreira. Uma estreia numa equipa de recurso, pois o poder federativo obrigou o Benfica a jogar uma eliminatória da Taça de Portugal, enquanto a equipa principal viajava de Berna para Lisboa, depois da na noite anterior, em 31 de Maio, ter conquistado a Taça dos Clubes Campeões Europeus após vencer na final, por 3-2, o Barcelona.
Pouco depois, no primeiro jogo no campeonato, a 8 de Junho, marcou na derradeira jornada e festejou o primeiro título nacional ao serviço do Benfica. Tinha 19 anos. No Verão participou no Torneio de Paris. Marcou na vitória por 3-2 sobre o Anderlecht. Mas deu nas vistas na final. Começou como suplente. Quando entrou, já o Benfica perdia 4-0. Marcou três golos. Pelé quis saber quem era...
Em Outubro de 1961, Fernando Peyroteo chamou-o à selecção, e assim pôde cumprir o sonho de treinar ao lado de Matateu, mas, devido a lesão, nunca chegaram a jogar juntos. Na estreia, derrota por 4-2 com o Luxemburgo. Marcou um golo. Depois, a 25 de Outubro, Portugal perdeu por 2-0 em Wembley, num jogo a contar para a qualificação para o Mundial do Chile. Eusébio jogou bem, atirou duas bolas aos ferros e viu-se no dia seguinte apelidado de 'Pantera Negra' pela imprensa britânica.
Em Setembro jogou inesperadamente a decisão da Taça Intercontinental ao lado de outro miúdo, António Simões. É que depois de vencer na Luz por 1-0 o Peñarol, o Benfica sucumbiu por 5-0 em Montevideu. Na finalíssima, novamente no terreno do adversário, Guttmann chamou os miúdos. Eusébio ainda deu o empate ao Benfica com um míssil. Um penálti escandaloso decidiu.

A glória... de ter a camisola de Di Stéfano
A estreia na Taça dos Campeões aconteceu em 1 de Novembro de 1961. Empate a um golo em Viena e depois goleada por 5-1 na Luz. Eusébio marcou o quarto. Mas Dezembro traria a primeira de seis operações ao joelho esquerdo a que se soma mais uma ao direito. Recuperou e ainda foi a tempo de ajudar à glória europeia.
Eusébio cedo mostrou que era um futebolista sem igual, conquistando a titularidade na equipa e a confiança dos colegas e técnicos. E a cereja no topo do bolo sucedeu na final de Amesterdão de 1962, quando o Benfica se sagrou bicampeão europeu à conta do 'gigante' Real Madrid. No final, 5-3 para o Benfica, com o jovem avançado em plano de destaque. Levado em ombros, não se agarrou à taça, mas sim... à camisola de Di Stéfano, seu ídolo de sempre. No final, ouviu o elogio do craque madrilista, tal como se habituou a ouvir de outros da sua galáxia, tais como Pelé ou Cruyf. 'Ganhar ao Real foi fantástico, mas eu só queria a camisola do Di Stéfano. No final, disse-me que eu teria um grande futuro. Imagine o que é ouvir isso do seu ídolo! E eu perguntei-lhe como poderia ser grande. Ele disse-me que tinha de trabalhar e ouvir os conselhos dos mais velhos. Meti isso na cabeça', contou-nos.
No ano seguinte, derrota na final com o Milan. Eusébio marcou, sofreu falta atrás de falta e terminou o jogo inferiorizado, tal como Coluna, que fazia figura de corpo presente junto à faixa.
Em 1964/65 brilhou nos 5-1 ao Real Madrid. Seguiu-se a maldita final com o Inter. Mais uma perdida, mas, imagine-se, em San Siro, casa dos Italianos. Nesse ano de 1965, a 8 de Outubro, casou-se com Flora. Juntos até final, geraram as filhas Carla e Sandra. E foi ao ombro de Flora que chorou de alegria ao saber que tinha sido distinguido como melhor jogador da Europa também nesse ano.

Golos para a História
Atleta notável, jogando em apoio aos avançados ou como ponta de lança, não tinha limitações: de cabeça, com os pés, de longe, de 'bola parada', driblando ou  rematando, era um avançado completo e imprevisível. Conseguiu driblar meia equipa contrária ou rematar de longe sem preparação mas com uma precisão incomparável. Nos lances de 'bola parada' era fulminante em livres directos ou grandes penalidades, a maior parte das vezes a 'cobrar' faltas cometidas sobre si, a única forma de o parar.
E foi num livre que marcou um dos melhores golos da carreira. Em Turim, frente à Juventus (meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, edição de 1967/68), Eusébio marcou um golo de livre a mais de 40 metros de distância da baliza. Antes do remate, os adeptos da 'Vecchia Signora' riram-se perante a invulgar decisão do 'Rei', mas depois silenciaram-se quando o esférico entrou no fundo das redes. De resto, os livres certeiros passaram a ser rotulados de 'livres à Eusébio'.
No entanto, foi um golo de jogada corrida, frente ao então desconhecido La Chaux-de-Fonds (1964/65), que o génio considera ter sido o seu melhor de sempre. Um golo também especial pela forma invulgar como o guarda-redes adversário reagiu à célebre jogada de Eusébio, realizada a 9 de Dezembro de 1964.
'Fiz uma tabela com o Simões e, sem deixar a bola cair no chão, passei-a por cima de dois defesas. Após ter marcado o golo, reparei que o guarda-redes da equipa adversária começou a correr na minha direcção. Fiquei perplexo. Pensei que ele me queria fazer alguma coisa de mal. Mas não! Ele queria apenas cumprimentar-me. Nunca tinha visto uma coisa assim! Foi pena a televisão não ter dado a devida importância a esse golo. Já marquei muitos golos que ninguém pensava ser possível, como, por exemplo, aquele diante da Juventus, mas para mim aquele marcado ao La Chaux-de-Fonds foi o melhor de todos.' No entanto, Eusébio não foi só o maior finalizador do futebol português como também grande futebolista.
Delineou e executou milhares de jogadas, servindo em centenas delas os colegas de equipa melhor colocados, estando por isso directamente ligado a milhares de golos. Ao contrário de outros, deve ser o futebolista mundial que 'esteve' em mais golos, quer a marcar, quer a fazer o último passe ou assistência.

Sempre em frente
Como nos confessou em 2008, o seu caminho 'era sempre em frente'. 'Delineei um caminho para a minha carreira e nunca me desviei dele.' Ficam os golos, as palavras e as imagens. A ir buscar uma bola ao fundo das redes, querendo mais após um golo. Ou a perna esquerda fixa e esticada na vertical e a direira dar tudo de si rumo à glória, algures entre um encontro com a própria cabeça curvada e mais um remate devastador. Os braços são pura poesia. Parecem delinear o caminho certeiro do esférico. Uma dança que com ele nasceu. Uma ciência, uma poesia, talvez pura matemática. Era diferente de tudo o resto.
Sagrou-se melhor marcador de inúmeras competições, com destaque para o Mundial de 1966, em Inglaterra, na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1964/65, 1965/66 e 1967/68, e em sete Campeonatos Nacionais da I Divisão, nas épocas de 1963/64, 1964/65, 1965/66, 1966/67, 1967/68, 1969/70 e 1972/73 (sete campeonatos, cinco deles consecutivos, ambas as marcas recordes). Foi também Bota de Ouro (melhor marcador europeu) em 1967/68 e 1972/73; e Bola de Ouro (melhor jogador europeu) em 1965, ano anterior ao da realização do Mundial em Inglaterra onde brilharia intensamente.
Pelo Benfica conquistou 22 títulos oficiais: campeão europeu de 1961/62; 16 nacionais com 11 Nacionais da I Divisão (é o futebolista português com mais títulos) e cinco Taças de Portugal; além das cinco Taças de Honra de Lisboa. Certo dia perguntámos-lhe se concordava que houvera um Benfica antes e um Benfica depois de Eusébio. 'Antes de mim já houve um grande Benfica, com aqueles que venceram a Taça Latina. Depois de mim, também foi um Benfica forte, com tantos títulos e finais. Agora, o que eu acho é que a grandiosidade vinha da força adjacente a uma base que era também a Selecção Nacional', respondeu.

Orgulho de Portugal
Na Selecção Nacional foi internacional em 64 jogos, marcando 41 golos, capitaneando-a em 16 encontros. Não existiam adversários facilmente goleados. Existiam, sim, grandes potências no futebol europeu. E ainda assim Eusébio marcava e marcava... Exemplo? Algo de que pouco de fala. Os sete golos na caminhada até ao Mundial de 66. E na decisão, em pleno terreno da fortíssima Checoslováquia, Portugal reduzido a dez elementos e o golo que valeu a qualificação a surgir dos pés do 'Pantera Negra' após uma cavalgada de mais de 70 metros. Monstruoso.
No Mundial de 66, entre os 'Magriços', foi o melhor marcador, ficando para sempre nos anais da história do futebol mundial o modo como 'virou', no encontro com a Coreia do Norte, um resultado desfavorável de 0-3 para uma vitória por 5-3, marcando quatro golos. No total, nove golos.
As lágrimas pela eliminação nas meias-finais frente à Inglaterra, no Mundial de 66, contrastaram com a forma efusiva como viveu todo o Mundial. Um jogo que se devia ter realizado em Liverpool, 'casa' portuguesa, e acabou por, sabe-se lá porquê, ser  transferido para Londres. No final de um jogo mal perdido, Eusébio olhou os céus, perguntou a Deus 'porquê' e chorou compulsivamente. O inédito terceiro lugar luso soube-lhe a pouco. 'Era em Liverpool que tínhamos de jogar e era aí que nos sentíamos em casa. Foi pena que tenhamos ido jogar a Wembley, após uma viagem muito má, sacrificando-nos tanto para nada. Lembro-me que perdi quase 3,250 Kg nesse jogo. Demos tudo e sentimo-nos injustiçados. Daí ter chorado no fim, olhando para o céu, dizendo que mal fiz meu Deus'. Nunca mais alguém conseguiu marcar tantos golos numa fase final de um Mundial.

Do fair-play à máquina rebentada
Final da década de 60. Levou o Benfica à nova final europeia. Ironia dos destinos: defrontar o Manchester United em Wembley. Derrota por 4-1 no prolongamento. Mas na imagem de muitos o falhanço em cima do minuto 90 e posterior cumprimento ao guardião contrário. A história pelo próprio: 'Tive o golo da vitória nos pés, quando faltavam dois minutos para o fim, mas joguei com uma lesão que não acredito suportasse nos dias de correm. Eu só devia andar, e joguei. E não podia chutar com o pé esquerdo, pois se a bola me tivesse chegado ao pé direito eu tinha feito o golo.' Com o passar dos anos perdeu o fulgor - malditas lesões -, mas já trintão conseguiu, com Jimm Hagan, atingir a marca dos 43 golos no campeonato, sendo mais uma vez Bota de Ouro. E na Minicopa de 1972 mais uma manifestação de classe internacional. Portugal perdeu ao cair do pano da final. Marcou, em 31 de Março de 1975, o seu último golo pelo 'Glorioso', o n.º 638, no Estádio Colombes, em Paris, quando o Benfica venceu por 5-1 o FC Porto numa festa de homenagem aos emigrantes. Certo dia perguntámos-lhe: qual foi o melhor Eusébio? 'Em todos os jogos aparecia o melhor Eusébio. Dava o máximo', atirou. Quisemos saber mais: e se fosse hoje, Eusébio? 'Era melhor ainda. Em termos físicos, trabalhava muito e as botas que eu calçava pesavam muito mais. A bola, a camisola, o calção... tudo está diferente. Não há comparação. Lembro-me de que há uns anos fomos a um programa de TV e estavam lá alguns dos melhores jogadores de sempre. E eles tinham uma máquina onde podiam medir a força do nosso remate. Só sei que quando chegou a minha vez a máquina rebentou e lá se foi o programa. Não há ideia da velocidade que a bola ganhou. Acho que hoje, com esta bola, conseguiria marcar livres do meio campo desde que o vento soprasse a favor.' Como diria Mourinho, mais tarde, Eusébio seria 'Monstruoso'.

Incomparável
Efectuou o 614.º e último jogo da águia ao peito em 18 de Junho de 1975, num encontro particular em Casablanca, com a Selecção da CAF (Confederação Africana de Futebol). Nem nesse jogo se enervou. Dizia-nos, em 2008, que nunca na carreira se mostrou ansioso: 'Nunca me enervei a jogar futebol, porque senti sempre prazer. Só me comecei a enervar quando deixei de jogar'. Um registo histórico, numa despedida no continente africano, onde nascera há 33 anos. Nesses últimos anos de carreira jogou no Estados Unidos, no Canadá, no México. Ganhou títulos, marcou golos e, acima de tudo, comprovou a popularidade que o perseguia. Era um deus chegado a um novo mundo futebolístico. Valeu pela experiência desportiva e social.
Dizia-nos, de forma nostálgica, em 2011:
'Não posso dizer que sou o mesmo que chegou a Lisboa há 50 anos, mas a mentalidade é igual: respeitar as pessoas, ser alguém simples e não desiludir quem gosta de mim. Sou do Benfica mas respeito os adeptos dos outros clubes.' Palavras que aplicou ao longo da vida. Por isso, no pés-carreira manteve sempre o carinho de todo o mundo do futebol e até mesmo daqueles que não acompanhava o desporto-rei. A postura a humildade fora do campo foram, agora sabe-se, a sua última grande vitória. Um triunfo que, todos o sabem, está ao alcance de poucos. E essa é também uma coroa incomparável. Mais: 35 anos depois de ter deixado de jogar ainda é apelidado de 'Rei' nos quatro cantos do mundo. Vide a manchete do South China Morning Post, um reputado jornal de Hong Kong: 'The King is dead' (O Rei está morto). Uma prova de que o principal golo ou título de Eusébio foi ter colocado Portugal no mapa numa altura em que o País vivia na penumbra. Podemos até ir mais além: que outro jogador nascido em África, o mais mágico mas também humilde dos continentes, fez o que Eusébio fez no futebol mundial? E que jogador com quase duas mãos-cheias de terríveis operações aos joelhos se destacou no desporto que mais faz vibrar o planeta? Por isso, fúteis e estéreis daqueles que se dignem compará-lo com outro qualquer jogador, por mais valioso e merecidamente respeitado que seja. Há que perceber contextos sociais, desportivos, humanos e globais antes de se entrar em comparações para preencher horas televisivas e colunas de jornais. Façamos um exercício: o que se ganha em comparações sobre Pelé, ou Maradona, ou Di Stéfano? Zero. Cada um, uma história. Cada um, um herói à sua maneira. E Eusébio, tal como os grandes jogadores de novo milénio, merece o respeito de ser encarado como 'único'. Mais: ele foi um fenómeno global antes da globalização. Eusébio foi uma era, é um mito. Não apenas o melhor, ou não. É único. Outra forma de pensar seria reduzir e retirar valor a tudo o que representou e representa.

Homenagem em vida
Em 26 de Março de 1982, a distinção suprema do Benfica: a Águia de Ouro. Em 25 de Janeiro de 1992, no 50.º aniversário, foi inaugurada a sua estátua, em frente ao estádio onde alcançou feitos inigualáveis. Mas foi na presidência de Luís Filipe Vieira que teve a justa e respeitosa visualização do quanto o clube lhe agradecia o que ele representava década após década. Tornou-se parte activa do clube, teve o merecido suporte financeiro e foi a imagem do Benfica nos mais diversos momentos, sendo mesmo lançada a Eusébio Cup, em sua honra. O homem pode ter-nos deixado neste início de 2014, mas o nome será sempre iluminado pela admiração de quem respeita o desporto e, acima de tudo, o verdadeiro espírito dos campeões Eusébio vive.
O texto termina aqui para os que o vão ler. Mas sobra um último parágrafo, que queremos partilhar apenas com uma pessoa. Referimo-nos a si, Flora. Em 2008, no decorrer de uma entrevista que o 'Pantera Negra' deu à Mística, perguntámos a Eusébio quem tinha sido a pessoa mais importante da sua vida. Decerto que sabe a resposta, Flora, pelas palavras que na intimidade o 'Rei' lhe dirigiu ao longo de toda uma vida, mas deixe-nos humildemente transcrever o que ele nos respondeu: 'A pessoa mais importante da minha vida é a minha esposa. A Flora. A minha grande paixão. Uma mulher fora de série. Foi fundamental o seu apoio na minha carreira. A cada segundo. Este sempre lá. E continua a estar. É uma grande mulher!'

(...)"

Ricardo Soares, in Mística

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bipolaridade...!!!

É um espectáculo, ouvir durante semanas a fio, elogios de todos os lados à Selecção, chegando mesmo à loucura de afirmar que o Portugal é um candidato ao título Mundial (fazer esta afirmação sem se desmanchar a rir, é o cumulo da ilusão mais ignorante possível!!!)... Isto dito, pelo povão, e pelos profissionais, expert's, pagos a peso de ouro, para irem para as TV's vomitarem banalidades ocas... e depois, após um primeiro desaire (previsível, diga-se...) mudarem a agulha, chamarem nomes a todos, porem tudo em causa: jogadores, treinadores, fisioterapeutas, médicos, cozinheiro, roupeiro, vento, relva, clima, dirigentes, substituições, opções, tácticas... Então quando a meio da 2.ª parte, começam a falar da falta de intensidade, das linhas afastadas, etc... etc... como se o resultado do jogo tivesse em aberto!!!
Mas o maior paradoxo, é mesmo o acanhamento, com que se queixam da arbitragem, desvalorizando os erros... enfatizando as culpas, daqueles que 90 minutos antes, eram os melhores do Mundo!!!
E no final após todos bitaites, ainda conseguem chegar à conclusão, que está tudo em aberto, e que temos a obrigação de mesmo assim, chegar aos Oitavos (as condições com que se vai disputar o jogo com os EUA em Manaus é outro das particularidades deste Mundial FIFA/Money obsesion)!!!
Como dizia o outro (mal-amado por muitos, especialmente os tais expert's!!!): e o burro sou eu !!! Que desliguei completamente da Selecção, que não gosto dos dirigentes, do treinador, discordei dos convocados (metade meio-coxos!!!), discordei das opções para titulares... e discordo em absoluto com esta obsessão enjoativa de afirmar repetidamente: 'Ronaldo, o melhor do Mundo' (independentemente de ser verdade ou não...), frase repetida milhões de vezes... a até acho que o Cristiano é se calhar o menos culpado!!! Quando uma equipa se prepara para uma prova destas e as principais capas desportivas no dia de jogo, são com o nome de um jogador (que até está no máximo, a 50% do normal!!!), e não com o apoio a uma equipa, está tudo muito bem encaminhado para a desgraça...!!!
Com as expectativas tão baixas como eu entrei neste Mundial (só vi o jogo, porque foi obrigado por razões profissionais!!!), estou completamente descomprometido, para afirmar que este penalty da Alemanha é ainda menos penalty do que o penalty do Fred; e que mais ninguém será expulso numa situação idêntica à do burro-assassino do Pepe (será sempre no máximo: amarelo, e quase sempre para os dois)!!! E como já vi demasiados jogos de Futebol roubados (muita experiência...porque será?!!!), não posso deixar de chamar a atenção, para a alteração de critério do árbitro logo a seguir ao 4-0 !!! Sim o árbitro, com 3-0 e com Portugal a jogar com menos um, ainda não estava satisfeito!!! Não me esqueci do nosso jogo o ano passado em Istambul, com o Fernebache, e não foi só o golo num canto que não era...!!! São estas personagens: Byrch, Skomina,Cakir... Proenças que são sempre promovidos!!!

domingo, 15 de junho de 2014

Dobradinha em Feminino sobre Patins...

Benfica 8 - 2 Sanjoanense

O domínio da nossa secção de Hóquei em Patins feminino, treinadas pelo Imortal Paulo Almeida, foi mais uma vez confirmado hoje, depois do Bicampeonato Nacional à poucas semanas, a dobradinha de hoje, com a vitória na final da Taça de Portugal... Parabéns a todos e todas as envolvidas neste projecto de sucesso do Benfica!!!
PS: Nos jogos do Mediterrâneo, disputados na categoria de sub-23, em Aubagne, França, os atletas do Benfica conseguiram bons resultados... um deles, excelente!!!
Ontem, a Marta Pen venceu a prova dos 800m (2.07,14min); hoje tivemos mais duas medalhas de ouro: o Rui Pinto nos 5000m (14.11,58min); e a 'grande' Teresa Carvalho no Salto em Comprimento, com novo recorde nacional Júnior, e novo recorde sub-23 de Portugal, com 6,52m !!! No Salto em Altura, o Paulo Conceição conseguiu a Prata, com 2,15m...
A Eva Vital não participou na sua prova (100m barreiras), e o Ricardo Santos foi desclassificado (200m), foi pena, porque podiam ter obtido resultados interessantes. A Susana Godinho também acabou por não participar nos 10000m!!! A Nádia Cancela foi 7,ª nos 10Km Marcha (50.06,27min); o André Costa foi 6.º nos 110m barreiras (14,31seg); o Miguel Borges, foi 6.º nos 3000m obstáculos(9.14,08min); o Tiago Pereira, foi 4.º no Triplo (15,90m); o Tsanko Arnaudov foi 5.º no Peso (17,81m); e o Tiago Aperta foi 4.º no Dardo (67,16m)...

Juvenis - 6.ª jornada - Fase Final

Corruptos 1 - 0 Benfica

Fim do martírio!!! Esta Fase Final não é para esquecer, é para se vingarem... e pode já ser para o ano, no nacional de Juniores, onde muitos destes jogadores vão jogar...

Guimarães...........11
Sporting..............10
Corruptos.............7
Benfica...............4

PS: Parabéns aos nossos Juniores do Andebol, que hoje se sagraram Campeões Nacionais da categoria. Confirmando o domínio que já vinha dos escalões anteriores...