Últimas indefectivações

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Final da 1.ª fase...

Benfica 75 - 66 CAB Madeira
18-16, 17-16, 17-21, 23-13

Fim da 1.ª fase da Liga, com a vitória esperada, apesar das dificuldades! Só no último período conseguimos uma vantagem substancial... Isto numa partida, onde defrontámos muitos ex-companheiros!

Com a classificação definida, dos nossos 5 adversários na 2.ª fase, só não perdemos com os Corruptos!!! Com todos os outros (Vitória, Oliveirense, Galitos e Illiabum) perdemos os jogos fora!!! Temos equipa para vencer os 10 jogos, mas para isso é preciso jogar muito melhor...
E sem lesões será mais fácil!!! O Lonkovic hoje já esteve na ficha da partida, mas não foi utilizado... as recuperações do Raivio e do Morais ainda preocupam!!!

Mitroglou com o líder às costas

"Tem sido assim ao longo das últimas semanas: um Benfica muito dependente de Mitrolgou - e também de Ederson, que ontem voltou a ser obrigado a trabalho redobrado - para resolver os problemas que, embora líder, não consegue disfarçar. Claro que não é só demérito dos encarnados, o Chaves provou na Luz aquilo que já tinha mostrado em jornadas anteriores: é uma excelente equipa, muito bem orientada por Ricardo Soares, treinador que conseguiu pegar no grande trabalho desenvolvido por Jorge Simão e, apesar das baixas provocadas pelo mercado de inverno, manter uma equipa competitiva - talvez até mais competitiva do que na primeira fase da época.
Ainda assim, o conjunto de Rui Vitória, repetimos, voltou a não conseguir esconder algumas dificuldades que vem revelando de há uns tempos e esta parte, em especial quando chega a hora de controlar o adversário. A ausência de Fejsa no meio-campo na partida de ontem (e outras...) é, claro, um argumento a ter em conta, mas não explica tudo: a águia devia ter matado o adversário bem mais cedo, evitando os calafrios por que acabou por passar até Mitroglou, já em cima do final, bisar e fazer suspirar de alívio as bancadas da Luz.
Óbvio que o essencial foi conseguido: o Benfica ganhou e colocou desta vez toda a pressão no FC Porto, que depois de desgastante noite europeia na quarta-feira tem amanhã teste muito duro no Estádio do Bessa, onde entra ciente de que um deslize pode complicar (embora nunca hipotecar) a equipa na luta pelo título. Para os adeptos benfiquistas ficará, talvez, a ideia mais optimista mesmo não jogando de forma brilhante a equipa tem-se mantido na frente. E como não há mal que sempre dure, isso será sempre um bom sinal."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Justo mas sempre incerto

"Início forte das águias
1. Tal como espectável, o moralizado e bem sucedido Desportivo de Chaves criou imensas dificuldades ao pressionado Benfica. Jogo a iniciar-se com forte presença do Benfica, a pressionar imenso a equipa de Chaves, com grande dinâmica do lado direito, através de Nélson Semedo, a castigar o lado esquerdo contrário convidando toda a equipa a acompanhar a sua dança frenética. Apesar deste forte cartão de visitas dos anfitriões, a estratégia dos personalizados visitantes passava por estancar o habitual e madrugador assédio contrário, espreitando criteriosamente as costas da defesa encarnada, tirando assim proveito das deambulações constantes dos seus competentes avançados para atingir a baliza de Ederson.

Semedo superlativo
2. Ao longo deste período e após entrada forte do Benfica, sempre que se soltava e conseguia estender-se no campo, o Chaves mostrava argumentos e os melhores momentos acabaram por ser dos visitantes com Fábio a desfrutar de três oportunidades para visar com êxito a baliza das águias. O habitual 4x4x2 do Chaves, dispondo de dois jogadores nos corredores laterais mas que buscam constantemente o espaço interior (Perdigão e Fábio) e um experiente médio travestido de avançado (Braga), conferem aos momentos ofensivos da equipa grande dinâmica e mobilidade, revelando ainda a equipa de Ricardo Soares grande capacidade para garantir equilíbrio defensivo em todos os momentos do jogo. Mas, como no aproveitar é que está a virtude, o golo do Benfica pelo impagável grego alterou o figurino do jogo - mais um momento superlativo de Semedo -, trazendo tranquilidade ao Benfica e tirando o Chaves do jogo por largos momentos. Mas depois do golo - somámos mais 12/15 minutos em que o Benfica assumiu o jogo, organizando o seu jogo de forma mais pensada e posicional - tudo voltou ao equilíbrio e a toada de parada e resposta com alta intensidade e transições consecutivas voltou a dominar a partida.
Neste contexto próprio de ténis de mesa, o fantástico golo de Bressan traz a verdade ao jogo (grande qualidade organizacional dos transmontanos) e obriga Rui Vitória a intervenção assertiva ao intervalo, trazendo Rafa para outros espaços (troca com Zivkovic) e amarrando Samaris à posição 6. 

Ousadia criou espaços
3. A segunda parte iniciou com valor individual dos intervenientes a ditar leis. Samaris aproveitou uma vez mais a magnífica propensão ofensiva do seu lateral e Semedo a oferecer o golo a Rafa.
O Benfica voltou a controlar o jogo, revelando maior capacidade para reduzir os espaços para as saídas de Tiba e companheiros, principalmente pelo melhor posicionamento de Samaris, mais altruísta na sua missão principal de 6, homem de coberturas, guardando as costas ao dinamizador de todo o jogo ofensivo encarnado, Pizzi.
Mais Benfica na segunda parte, mas com o Chaves a mostrar-se sempre vivo, atrevido e incómodo no seu jogo. O treinador flaviense partiu em busca do resultado, promoveu alterações que trouxeram robustez ao processo ofensivo, convidando os seus homens ao assalto final à baliza de Ederson. Válida e digna de elogios a reação dos homens do Norte trazendo suspense à composta arena da Luz. 
Tanta ousadia deixou espaços e permitiu ao implacável Mitroglou aproveitar a inocência do central contrário na abordagem ao lance rápido e fez o terceiro golo que selou definitivamente a partida. 
Bom jogo e resultado justo mas sempre incerto em função de uma boa réplica da equipa que viajou de Trás-os-Montes carregada de justificadas e legítimas ambições."

Daúto Faquirá, in A Bola

Sinais da bola

"1, 2, 3, 4, 5
Mitroglou (quem mais?) marcou dois golos e voltou a ser decisivo. Quinto jogo consecutivo a marcar - Nacional, Arouca(2), Dortmund, SC Braga e Chaves(2). O avançado grego é, neste momento, o abono de família benfiquista. Soma 22 golos em todas as provas.

Ui
O jogo a correr mal a Rafa e Pedro Tiba ainda lhe fez uma maldade (41'). O avançado avançou como um foguete para o médio e ficou com os olhos trocados quando Tiba passou a bola por trás das costas. O flaviense ainda foi finalizar o contra-ataque que lançou.

Quantos mais melhor
Cerca de dois mil flavienses estiveram na bancada a apoiar o Chaves. Caso raro de tanto apoio de um adversário das águias na Luz. O Chaves não visitava o palco dos encarnados para o campeonato desde 14 de Maio de 1999. Passaram quase 18 anos.

Inspira, expira
Benfiquistas com coração nas mãos nos últimos minutos. Pedro Tiba quase marcou aos 82' e o árbitro anulou golo a Massala por fora-de-jogo aos 83'. Depois de dois jogos a vencer por 1-0, Mitrolgou descansou o público ao marcar o 3-1 a dois minutos do fim.

Pé quente
Aprendeu a falar castelhano no Olympiakos e, no final do primeiro ano, já sabia português. Samaris, em declarações à BTV, falou em português corretíssimo e já conhece as expressões do futebolês. «Mitro está com o pé quente», assinalava."

Nuno Paralvas, in A Bola

Juniores - 2.ª jornada - Fase Final

Académica 1 - 0 Benfica


O objectivo é outro!!! Até 'dá' para estrear jogadores, nesta Fase... mesmo assim, deixar o Filipe Soares e o Dju no banco é 'estranho'!!!

Infelizmente já começa a ser habitual, nestes jogos das camadas jovens, quando o Benfica se desloca a campos com poucas condições e com adeptos Anti's - desta vez mascarados de adeptos da Académica -, a má educação e a violência acabam sempre por reinar... Quase sempre com a passividade das forças de segurança...!!!

Derrota em Braga

ABC 29 - 23 Benfica
(13-12)

Jogo muito mau... com demasiadas desconcentrações, numa partida onde tivemos 4 exclusões (duas delas ao mesmo tempo e que acabaram por 'cavar' a diferença no início da 2.ª parte...), contra 11 do ABC!!! Isto deu muitos minutos em superioridade numérica, que não aproveitámos... o Tiago Pereira fez falta!

Uma Semana do Melhor... semana passada!

Benfiquismo (CCCLXXXIX)

Esta correu mal...!!!

Rescaldo da vitória sobre o Chaves...

Um (...) viu Zivkovic a apreciar os prazeres da pesca à linha com o tio Jonas

"Ederson
Que nem um paciente na triagem de urgências do S. José, esperou mais de uma hora até ser de facto chamado a pronunciar-se. Fê-lo com uma excelente defesa denotativa da elegância e do pragmatismo que caracterizam os grandes guarda-redes e os poucos utentes civilizados do SNS. Há 157 minutos que não pontapeia ninguém.

Nélson Semedo
É uma interessante jogada de marketing. O presidente Luis Filipe Vieira terá falado com Nélson Semedo no final do jogo e convencido o internacional português a mudar o número da camisola, à medida que o valor do seu passe aumentar. No próximo jogo, Nélson exibirá o 65 + prémio por objetivos nas costas. Enfim: foi mais um jogão do miúdo. Palavra de honra que rebobinámos o jogo para encontrar uma acção errada que fosse e só vimos o amarelo que o impede de jogar na próxima jornada. Entretimento fizemos flash forward e já lá estava o André Almeida.

Luisão
Uma sucessão bem conseguida de cortes atentos e intervenções esclarecidas que são um hino à sóbria eficácia do nosso capitão e uma chatice para quem tem de escrever sobre a sua exibição, mas pelos visto já escrevemos. Siga.

Lindelof
Tem chegado a horas ao trabalho e demonstrado interesse nas tarefas menores delegadas pelos superiores hierárquicos, não obstante o interesse já demonstrado em abraçar um novo desafio profissional. Devia parar de publicar citações inspiradoras no Linkedin. Nunca ninguém foi contratado por ter lido Paulo Coelho.

Eliseu
Exibição pouco entusiasmaste, um pouco como aquele empregado do chimarrão que aparece com presunto, quando já enfardámos dois quilos de maminha. Vimo-lo algumas vezes como jogador mais recuado no terreno quando a equipa atacava, o que nos levou a imaginar Eliseu como protagonista num filme intitulado “O Ultimo Homem”. Sim, claro, um filme de terror.

Samaris
Continua a acusar o facto de não ser Ljubomir Fejsa. Ocupar esta posição na equipa do Benfica é uma tarefa ingrata, especialmente para alguém que cresceu a ler Aristóteles, besuntado em protector solar SPF50, numa praia qualquer. Naquela zona do terreno, precisamos de mais Sarajevo e menos Mykonos.

Pizzi
Manteve algumas das características que nos fazem gostar dele - o penteado, o toque de bola, a qualidade do passe um ou outro passe a romper - mas a sua condição física, digna de um Andrea Pirlo com 45 anos e uma artrite, leva a que se esconda um pouco mais nas acções ofensivas. Assim que viu o seu número no placar de substituição, abandonou o campo em passo de corrida, uma decisão da qual se espera que recupere totalmente no terceiro trimestre de 2017.

Salvio
A sua melhor acção no jogo aconteceu quando evitou tocar na bola e isolou Nélson Semedo para o cruzamento do segundo golo. Agora pensem.

Zivkovic
Chegou a Lisboa menino e vai cumprindo o desígnio de se tornar homem, o que coloca os adeptos na difícil posição de terem que partilhar a sua paternidade e aceitar algumas infantilidades. Zivkovic começou o jogo a tentar compreender a chegada da puberdade e terminou, para surpresa dele próprio, e dos pais, a apreciar os prazeres da pesca à linha com o tio Jonas. Hoje só apanharam tainhas, mas isto vai lá. Tal como a maioria das pessoas ao longo das suas vidas, irá abandonar as tendências mais libertárias e irreverentes da juventude para se entregar à eficácia do tentado, que inevitavelmente o tornará um dos melhores extremos do mundo. Infelizmente isso já não será problema nosso.

Rafa
Depois de uma primeira parte em que foi quase, mas a intenção era boa, aproveitou a segunda vida no jogo para voltar a marcar no campeonato e, mais uma vez, convencer os adeptos de que está prestes a explodir. Lembrem-se do que aconteceu ao outro. Boa segunda parte, ainda com pulmão para ensaiar algumas jogadas de FIFA com Jonas e Mitroglou.

Mitroglou
Os seus golos podem até valer 45 milhões para o Shuangzei Ca-ching, mas a alegria e a liberdade que demonstrou em campo não têm preço. O quê? Perdoem-nos o lirismo. 80 milhões, amigos. Ele foi lances individuais, combinações inteligentes com os colegas, recepções orientadas, adversários desorientados, artes marciais que quase davam golo da jornada na Eurosport, golos e mais golos, sorrisos rasgados. UFA. Aquele golo milagroso em Braga deu a Mitroglou a confiança que muitos de nós só recuperam depois de assistir a um vídeo de Gustavo Santos. É que talvez não saibam mas a vida é uma troca, como tal, tens de saber trocar o melhor de ti com o melhor dos outros e nunca o melhor que tens com o pior do que têm para ti.

Jonas
Lê Lê Lê
Lê Lê Lê
Samba, tira o pé do chão
Se solta e samba
O seu coração já bate samba
Pois, o nosso lema é a união, sem discriminação
Faz um dois, um lá e cá
Deixa o corpo balançar
Quando menos perceber o meu samba é p'ra vencer
Na segunda, no refrão, sem querer vai bater na mão
E aí vira Carnaval,
Alegria geral
Lê Lê Lê
Lê Lê Lê
ExaltaSamba, “Samba Alegria”, composição de Renato Xavier de Souza

Filipe Augusto
Continua a demonstrar fome de bola; perdão, uma furiosa galga. Assim que entra em campo não percebemos se é Filipe Augusto que corre muito depressa ou Pizzi que está a recuar. O brasileiro junta a essa velocidade um pé esquerdo mundividente com licenciatura na Universidade da Vida, mochilão no Sul de Espanha, e MBA no INSEAD. Se continuar a abordar cada lance como se fosse o último, ninguém conseguirá antecipar quando é que Jorge Mendes o levará para outro clube.

Cervi
Três minutos em campo, tempo suficiente para realizar um sonho de infância e trocar de camisola com Mitroglou.

Chaves (Grupo Desportivo de)
Que maravilha. Dá gosto ver. Os sistemas de classificação mais ortodoxos colocam esta agremiação em sétimo lugar, mas seguem imparáveis em segundo no coração do Kralj.

Chaves (Pastéis de)
Que maravilha. A massa que canta, a suculenta carne picada, o perfume dos temperos, o refluxo por termos comido um ao pequeno-almoço.

Chaves (Diana)
Tudo menos o refluxo."

Cadomblé do Vata

"1. Melhor o resultado do que a exibição, mas o que interessa é que ganhamos... e como o FCP só joga domingo, vamos passar o fim de semana altamente pressionados em 1º lugar com 4 pontos de vantagem.
2. Ganhamos com os golos a serem marcados pelos barbudos Mitro e Rafa... se os flavienses quiserem obter um bom resultado da próxima vez que vierem à Luz, aconselho que em vez de terem no banco o Ricardo Soares, apresentem o Wilkinson Sword.
3. Para além da nossa vitória, este jogo demonstrou também que Fábio Martins tem um dos pontapés mais potentes da 1ª Liga... umas vezes na bola, outras na canela do Samaris, mas sempre a chutar à bomba.
4. Fortíssimo o Desportivo de Chaves nos remates de longa distância... se continuam neste registo, no fim da temporada têm que mudar o nome para Desportivo de Isaías.
5. O golo do Rafa foi algo ambíguo e susceptível de diferentes interpretações... por exemplo, para os Benfiquistas foi "golo"... para o Olegário Benquerença terá sido uma "defesa in extremis"."

Vermelhão: só faltam mais 11 finais !!!

Benfica 3 - 1 Chaves


Tal como suspeitava, jogo muito complicado, contra a equipa 'sensação' do Campeonato. O Chaves além de defender colectivamente, tem jogadores de qualidade nas saídas para o contra-ataque... e mesmo perdendo alguns jogadores em Janeiro, principalmente no meio-campo, conseguiu compensar as 'saídas' com organização colectiva...
Num momento onde temos um calendário 'apertado', teria sido preferível um jogo mais 'calmo', mas acabámos por ter um dos jogos mais 'intensos' na Luz esta época, principalmente porque o adversário quis participar no jogo!!! Não fez anti-jogo e isso faz toda a diferença...
Também não defendeu 'alto', deixou o Benfica trocar a bola na 1.ª fase de constrição, recuou a linha do meio-campo, para junto da linha defensiva, mas sempre que recuperou a bola, mostrou organização, e qualidade...
Ao contrário do que já ouvi (na rádio) e li em alguns locais, apesar das dificuldades, o Benfica foi sempre superior... mesmo cometendo alguns erros:
- a aposta do Rafa na 1.ª parte, jogando no 'meio', foi um erro...
- o Zivkovic é neste momento, claramente, a melhor aposta para a Ala direita, não o lado esquerdo..
- o Samaris em vários momentos do jogo, não conseguiu 'fechar' as perdas de bola do Benfica, recuando em demasia para junto da nossa linha defensiva, e não pressionando... abrindo um buraco no meio...!
Curiosamente na primeira jogada do jogo, parecia que ia ser fácil entrar pelo 'meio' na defesa do Chaves... foi lance único! O Rafa não tem as rotinas da posição, a diferença para o Jonas é gigante... a recepção de bola, entre linhas, e a capacidade de decisão do Jonas é inagualável no actual do Benfica...
Este problema, obrigou o Benfica a 'rodar' a bola por 'fora', tornando o nosso jogo previsível... com o Salvio a decidir sempre mal, com a bola a não chegar ao Zivo, com o Eliseu a não subir... acabaram por ser as 'subidas' do Semedo, os únicos movimentos desequilibradores...
Mesmo assim, apesar de 2 ou 3 saídas perigosas do Chaves, o Benfica marcou... e até podia ter marcado mais...
Para mim, o momento do 'complicómetro' foi mesmo o falhanço do Mitro perto do intervalo, praticamente na única boa decisão do Salvio... Seria o 2-0 antes do descanso! No ataque seguinte, o Chaves empatou...!!!
O 2.º tempo foi completamente diferente, ainda antes da entrada do Jonas, notava-se um Benfica mais agressivo... mais rápido... E com a deslocação do Rafa para a esquerda, ganhámos velocidade no flanco... De longe os melhores minutos do Rafa no Benfica, após o 1.º jogo em Arouca!!! E não foi por ter marcado o golo...
Apesar do 2.º golo, a substituição do Jonas pelo Salvio, manteve-se... A mensagem era clara, queríamos o 3.º golo. E só devido à uma tremenda falta de eficácia, não marcámos... E desta vez, nem foi preciso o guarda-redes adversário 'engatar', os nossos remates saíam quase sempre ao lado...!!!
Com a diferença mínima o Chaves acreditou e o Benfica começou a temer o empate...! Apesar desta reacção de louvar do Chaves, o Ederson fez neste período uma única defesa complicada, num remate de muito longe...
Até que, depois de perdermos muitos ressaltos, finalmente uma bola 'sorriu' ao Benfica, e o Mitro 'fechou' o jogo com o 3.º golo!
O Ederson voltou a ser fundamental, com a tal defesa na parte final, mas também com duas saídas aos pés dos adversários... e com muita tranquilidade nas saídas pelo ar...!!!
Luisão e Lindelof estiveram bem... até porque os jogadores mais perigosos do Chaves são os Alas... e portanto 'longe' da sua área de acção...
O Semedo fez duas assistências, além de ter defendido bem... está num grande momento de forma, e vai fazer falta na Feira... O Eliseu 'protegeu-se', não subindo muito... mas com o Nelsinho no outro lado, é preciso ter um lateral esquerdo, comedido.
Não é fácil substituir o Fejsa, o Samaris entrou mal na partida, a passar a bola e a defender, mas com o tempo foi melhorando... Aquela entrada assassina que sofreu logo aos 5 minutos, também não ajudou! Uma das diferenças maiores entre o Samaris e o Fejsa é na reacção à perda bola, o Sérvio 'ataca' a bola, com tudo, e raramente é ultrapassado; o Samaris 'recua' demasiadas vezes para junto dos Centrais e quando tenta a pressão alta, perde muitas vezes os duelos...
O Pizzi normalmente só é elogiado quando marca golos...!!! Mas hoje, pareceu-me um dos melhores jogos do Pizzi dos últimos tempos!!! Principalmente devido aos passes médios e longos, algo que ele não costuma arriscar... e desta vez, acertou praticamente em todos!
O Salvio não está bem. Decisões erradas atrás de decisões erradas... O problema 'duplica' porque 'empurra' o Zivo para a esquerda!!! Foi notória a melhoria do jovem Sérvio no 2.º tempo...
Tivemos dois Rafas, o da 1.ª parte, nada adaptado à posição... no 2.º tempo, o Rafa que queremos, com velocidade, com a bola colada aos pés, embalado...
Que dizer de Mitrolgou, a passar claramente pela melhor fase da sua carreira no Benfica... E isso nota-se até nas movimentações sem bola... onde tem estado muito disponível!
Boa entrada do Jonas, dando imediatamente outro critério na construção de jogo ofensivo... Na parte final, foi demasiado fução... queria mesmo marcar um golo!
O Filipe Augusto entrou para dar força ao meio-campo, mas desta vez, entrou algo trapalhão... O Cervi devia ter entrado mais cedo, porque o Benfica precisava de ter mais bola no pé... e mesmo vertigem ofensiva!!!
No estádio, retardei o festejo no 1.º golo... estava longe, não me apercebi se houve ou não falta do Mitro. A caminho de casa, foi curioso ouvir na rádio, opiniões seguras, que depois justificavam-se com a frase: a repetição não é clara!!! Pronto fiquei logo se sobreaviso: chego a casam vejo o video... e de facto a repetição nada mostra!
Já sei que este lance vai ser usado, para branquear os milhares de outros lances que ocorreram nos jogos do Benfica e dos Corruptos... Mas as imagens não provam nada. nadinha... Só verá falta no lance, quem quiser que seja falta...
Não existe agarrão, os dois jogadores usam os braços para ganhar posição, e o defesa do Chaves, aparentemente desequilibra-se nos apoios (não existe rasteira nas pernas), mas vamos ter Circo!!!
Circo esse, que vai olhar de lado (ou passar por cima completamente...) para o lance do Fábio Martins sobre o Samaris: Vermelho directo aos 5 minutos da partida!!! Houve outros cartões perdoados, muitos ao Chaves, o Samaris e o Eliseu também podiam ter levado... mas curiosamente acabou por ser o Semedo a levar o 1.º amarelo da partida, num lance igual a muitos outros... Logo um jogador que estava à 'bica'!!!
No Canto, onde se vai dizer que foi anulado um golo ao Chaves, existe uma dupla falta: fora-de-jogo, e obstrução... é só escolher!!!
Rui Vitória vai ter uma decisão difícil para Terça-feira na Amoreira: o mais provável é dar descanso a vários jogadores; mas a 2.ª mão da Meia-final da Taça de Portugal, com o Estoril, também está 'encaixado' num momento difícil (jogo com os Corruptos), portanto seria 'agradável', 'matar', a eliminatória no primeiro jogo!!!
Mesmo assim acredito que Júlio César, Jardel, Almeida, Carrillo, Cervi, Jonas e Jiménez vão ser titulares...!!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Parece impossível ganhar este ano

"Desde treinador a jornalistas, foi unânime que o SC Braga fez contra o Benfica a sua melhor exibição da época. Nunca é fácil ganhar em Braga, mas este ano teríamos mesmo que o fazer para manter a chama do Campeonato acesa. Assim foi!
Nos últimos dois meses, os erros de arbitragem são em todos os campos, de todas as formas e no mesmo sentido. Braga não foi excepção, mas teremos mesmo que jogar e contar com essa realidade até ao fim. Parece ser quase impossível ganhar este ano.
Seguimos a agenda num difícil encontro com a equipa sensação do campeonato. Vai ser complicado o jogo contra o Chaves, logo à noite. O Chaves fecha bem e contra-ataca melhor. É mesmo das equipas que mais dificuldades pode criar ao estilo de jogo encarnado. Será mais uma etapa no nosso difícil percurso, faltam 12, e cinco das seis saídas são no grande Porto (Feira, Paços, Moreira, Vila do Conde e Bessa). Não há margem para lamentos.
O FC Porto não teve sorte no sorteio da Champions. A Juventus parece que não joga muito... e ganha sempre. Tem a vantagem de nunca quererem esmagar e golear, ao contrário de outros adversários mais predadores.
Alguns portistas queixaram-se da arbitragem. Acho injusto. Por um lado não podia ser nomeado o Luís Ferreira, por outro, foi este árbitro e as suas escandalosas actuações que deram a muitos dos adeptos azuis e brancos a única alegria dos últimos 40 meses. Sejamos justos, Nuno Espírito Santo pautou-se pelo equilíbrio. Chegados a este nível os emblemas nacionais chocam com uma barreira, onde também está a imensa qualidade adversária.
Terça-feira temos um problema que outros rivais não têm: uma meia-final da Taça de Portugal para resolver, contra o Estoril. Ainda bem que somos prejudicados por uma agenda tão cheia, é assim quando se é muito grande e se quer ganhar muita coisa."

Sílvio Cervan, in A Bola

Luís Dourado e apito Ferreira

"Os antigos gregos usavam mitos para explicar fenómenos da natureza e as origens do homem e do mundo, mas Homero, que tão bem o fez em Ilíada e Odisseia, não previu o futuro, ou não se teria esquecido de Mitrolgou, um semi-Deus cujos poderes o têm notabilizado na Ibéria.
Não é o caso do nativo e terrivelmente mundano Luís Ferreira, detentor de uma arma outrora poderosa, mas ainda útil amiúde - um apito dourado. Não anulou totalmente os poderes de Mitroglou, mas quase. No passado, o desavergonhado Luís Ferreira, então desconhecido, serviu os mestres de tal arma nos tribunais e, no presente, apesar da sua aparente propensão para o erro selectivo, tem tido direito a apitar diversas partidas de águias e dragões, sempre em prejuízo dos primeiros e benefício dos segundos (e não é o único). Diz-se dele que goza da protecção de um tal de Costa. Se é Paulo ou Pinto, não se sabe, mas sairá com boa avaliação ou bofetada de um super adepto.
E o que dizer de Saraiva do Facebook, papagaio do Talismã de Carvalho e descobridor dos 'exércitos mitológicos' nas fábulas de La Fontaine. Ou se trata de um mito e seria um aprendiz de Némesis, ou de uma fábula, e nada melhor que um caniche irritante e inconsequente para representá-lo. É que, aos leões, resta assegurar o terceiro lugar. Aos lagartos, interessará sobretudo lutar contra o tetra ou Bi 18. Por isso, em vez de nos agradecerem os pontos no ranking da UEFA e a nossa ajuda no firmamento da sua posição no futebol português, a terceira, pelo contrário atacam-nos despudoradamente. Sobre os escândalos portistas, incluindo frente ao Sporting, nem uma palavra. São, de facto, os idiotas míticos e úteis da fábula do dragão dourado."

João Tomaz, in O Benfica

Coacção

"A iniciativa do Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD de solicitar, na semana passada, uma reunião com a Secção Profissional do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol merece ser saudada por três motivos.
Em primeiro lugar, a transparência. A preocupação de o presidente Luís Filipe Vieira e seus pares tomarem o futebol português mais atractivo do ponto de vista desportivo e, sobretudo, mais integro a nível da transparência das suas competições é a melhor prova da importância que o Glorioso confere à credibilidade da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Por muito que custe a reconhecer a algumas mentes mais perversas, a verdade é que nas últimas semanas se têm verificado situações de coacção e condicionamento sobre a arbitragem.
As ameaças feitas do árbitro Artur Soares Dias, em pleno Centro de Treinos da Maia, no dia 5 de Janeiro deste ano, por membros da claque do FC Porto e o pertardo disparado pelos mesmos adeptos para o guarda-redes Moreira, no Estoril-FC Porto, foram dois episódios gravíssimos. Todos esperamos que as entidades competentes investiguem acusem e punam os infractores. É intolerável que um árbitro, seja o primeiro ou último classificado, se sinta condicionado em campo a pensar que algo de mal lhe poderá acontecer ou aos seus familiares se tomar uma decisão que prejudique o clube dos adeptos ameaçadores.
Basta analisar os jogos do Tricampeão com Boavista, V. Setúbal, Nacional, Arouca e SC Braga para detectar erros clamorosos que nos causaram a perda irreparável de três pontos, uma expulsão injusta, três expulsões perdoadas aos nossos adversários, um golo mal invalidado e cinco penálties por assinalar a nosso favor.
Basta analisar os jogos do FC Porto com Paços de Ferreira, Rio Ave, V. Guimarães e Tondela para perceber que o nosso adversário devia ter menos cinco pontos.
Só não vê quem não quer."

Pedro Guerra, in O Benfica

Indignação!

"Apesar do triunfo alcançado em Braga, e da manutenção da liderança do Campeonato, confesso que, no domingo à noite, senti uma enorme preocupação.
Independentemente dos resultados, o que se passou nos estádios em que se lutava pelo título não pode ser branqueado. O Benfica ganhou, mas o golo de Mitroglou não apaga mais uma arbitragem desastrosa, e muito penalizadora para o nosso Clube – algo que, sobretudo de há uns meses para cá, se transformou num hábito.
Dois penáltis por marcar e um golo mal anulado, entre outros erros menores, são matéria mais do que suficiente para estabelecer um padrão: o campo estava inclinado, como esteve nos jogos com o Boavista, com o Moreirense e com o V.Setúbal. Paralelamente, o FC Porto, em vésperas de compromisso europeu, viu a sua equipa simpaticamente guiada até a uma confortável vitória, por uma arbitragem digna dos anos noventa. Como disse o treinador do Tondela, o que ali se viu foi surreal, e é assustador para quem esperava um Campeonato decidido apenas dentro das quatro linhas. 
Assusta mas, infelizmente, não surpreende. Quando, no início de Janeiro, os árbitros foram objecto de uma inusitada campanha de intimidação a duas vozes, temi desde logo os efeitos. Eles não se fizeram esperar. Aí os temos. Nas nomeações, e consequentemente nos jogos.
Este Campeonato é muito importante para nós, mas ainda mais importante para o nosso adversário directo. Os últimos quarenta anos ensinaram-nos muito. Alguns dos protagonistas mantêm-se e a falta de pudor também. As pressões metem medo e fazem mossa. Esperar algo diferente é como acreditar no Pai Natal."

Luís Fialho, in O Benfica

Poderoso Benfica

"Chegámos hoje à trimilésima octocentésima edição do semanário oficial do Sport Lisboa e Benfica.
Não se trata de um número de ordem normal na vida de um jornal desportivo.
Agora, à medida que os tempos se mudam, os meios transformam-se: as expectativas e as ofertas vão-se tornando cada vez mais efémeras, enquanto os públicos se volatilizam ao ritmo de novas solicitações e disponibilidades do mercado. E se  enquanto na sociedade dos cidadãos tudo depende, mais e mais depressa, da circunstância e do resultado, os efeitos do tempo na esfera desportiva são ainda mais severos: com verdade verdadeira e realisticamente provada, quantos jornais de clube já chegaram, efectivamente, ininterruptamente, à sua edição n.º 3800?
Em Portugal, nenhum! E, de que aqui haja conhecimento expresso, na Europa e no mundo, nenhum outro, também.
Temos como historicamente provado que, ao tempo do seu lançamento no inicio dos anos quarenta do século passada, o jornal O Benfica constituiria um dos primeiros dínamos próprios, não especificamente competitivos, a dar corpo real à lapidar consigna do Clube - E pluribus unum - Ser um, único, entre todos.
O nosso jornal foi criado há mais de sete décadas para gerar coesão informativa ao esparso universo dos adeptos Benfiquistas. Nasceu no momento próprio para acentuar as relações da instituição com os seus simpatizantes, mas também para estabelecer novas conexões entre os próprios adeptos do Benfica.
Através dos precisos registos das competições em que o Sport Lisboa e Benfica participava, O Benfica pontuava pari passu a crescente grandeza do Clube; e, mediante o noticiário informativo relacionado com as actividades conviviais e culturais do tempo, criadas no quotidiano comum daquelas centenas de atletas que progressivamente vinham acolher-se sob as asas da Águia, o semanário já estimulava o associativismo que mais tarde sedimentaria a coesão do único e poderoso Benfica português e internacional.
Hoje os tempos são outros, os atletas e as modalidades estão diferentes, os leitores e o jornal modificaram-se, como se alteram, e muito, os seus contextos. Mas, na essência, a ideia de Benfica permanece em todos os textos e todas as fotos em todas as páginas do jornal O Benfica: dar notícia e defender um Benfica vencedor que continue a ser sempre o primeiro e único, entre todos os outros."

José Nuno Martins, in O Benfica

Benfiquismo (CCCLXXXVIII)

Voar para a vitória...

Mitroglou decide, Bernardo Silva encanta

"Positivo:
5 pontos: Konstantinos Mitroglou
O avançado grego do Benfica não tem a classe de Jonas, a fantasia de Rafa, a explosão com bola de Gonçalo Guedes, entretanto vendido ao Paris Saint-Germain. Tem aquela pose curvada, como se carregasse um peso nos ombros, afaga a barbicha como se tivesse todo o tempo do mundo, por vezes parece jogador de finalização à boca da baliza mas em Braga demonstrou o contrário: assumiu o risco e entrou pelo buraco da agulha. Com apenas dois remates enquadrados com a baliza em dois jogos, Mitroglou garantiu igual número de vitórias importantíssimas para o Benfica, frente a Borussia Dortmund e Sp. Braga. Cinco golos em quatro jogos consecutivos a marcar, 45 em 76 aparições de águia ao peito. Números gordos para um avançado de eleição, a constante num sector que se tem debatido com as ausências de Jonas, a saída de Guedes, a inconstância de Rafa. Mitroglou, esse, tem estado sempre por lá.

4 pontos: Bernardo Silva
Por vezes não conseguimos acompanhar devidamente a evolução de Bernardo Silva com a camisola do AS Monaco. Elemento fundamental na manobra de Leonardo Jardim, leva já 127 jogos pelo clube do Principado, 26 golos, incontáveis assistências e ainda mais pormenores de classe refinada. Aos 22 anos, Bernardo não é uma promessa. É uma certeza. Podia ser encarado na reta final da formação como um criativo sem agressividade em campo, mas o jovem português tem demonstrado o contrário: assume o jogo, procura, cria e não se deslumbra. Pensa o jogo como individualidade mas sempre com o colectivo como prioridade. A exibição no reduto do Manchester City, em duelo épico na Liga dos Campeões (5-3), apenas surpreenderá quem não o conhece. Delicioso.

3 pontos: Miguel Leal
Tem desenvolvido um trabalho muito interessante no Boavista, nem sempre valorizado. Arrumou a equipa, projectou o seu preferencial equilíbrio, sem abdicar de uma noção de futebol positivo que completa bem a postura tradicionalmente intensa da equipa axadrezada. Com cinco pontos nos últimos três jogos, o Boavista chegou aos 29, está na 8.ª posição e lançado para uma época tranquila. Tudo sem excesso de protagonismo, como alguns colegas de classe, apenas com trabalho sério e discreto. Um bom treinador, a justificar o aplauso.

Negativo
2 pontos: Alex Telles
A Juventus já tinha assumido ascendente sobre o FC Porto mas a expulsão de Alex Telles comprometeu definitivamente as aspirações da formação portista nesta Liga dos Campeões. Não há desculpa para a falta de prudência do lateral. Tem 24 anos, jogou na Champions pelo Galatasaray, na Serie A pelo Inter de Milão, não pode ser acusado de inexperiência. Demonstrou uma inexplicável agressividade, pouco habitual no seu jogo, e a equipa pagou a factura. Pediu desculpa, o que lhe fica bem, e tem outro argumento de peso: um bom desempenho até ao momento, para além de entrega à causa, visível na forma como festeja triunfos com os adeptos. Foi, enfim, um dia mau.

1 ponto: Leicester
Um impronunciável Aiyawatt Srivaddhanaprabha procurou justificar uma das decisões mais chocantes de 2017: o despedimento de Claudio Ranieri, a 23 de Fevereiro, um mês e meio depois de o treinador italiano ter sido eleito o melhor do mundo na Gala The Best da FIFA. Há nove meses, levou o Leicester a um incrível – e irrepetível? – título na Premier League de Inglaterra. Está a um ponto da zona de descida, é certo, mas o que ganhará o clube com esta medida, nesta altura do campeonato? Ranieri tinha crédito e conhecimento de causa. Se o sucessor não evitar a despromoção, ninguém perdoará este gesto. Fica para a história do futebol mundial.
(...)"

Aquecimento... memorias !!!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SLB demorou a acreditar que Apito Dourado ia voltar

"A reacção só apareceu quando constatámos que nos tinham tirado cinco pontos em dois jogos e oferecido dois (ou quatro) a quem interessava.

Ter razão antes do tempo - diz-se em política - é igual a não ter razão... Mas não ter capacidade analítica para perceber e saber ler os dados que a realidade nos oferece ou, lendo-os a tendo a percepção deles, não extrair, daí, as devidas conclusões, é, também, um erro que pode custar muito caro.
Em política, claro. Todos os que por lá andam (ou que andaram ou que lá querem voltar) sabem bem do que falo! Mas, no futebol, também! Ou pior, porque no futebol, não há tempo nem espaço que fiquem vazios por mais do que uns décimos (ou milésimos) de segundo! Dentro do campo, por maioria de razão!
Mas, também, fora das quatro linhas, onde, tantas vezes, se conseguem as condições para que o trabalho no relvado não seja ensombrado por quem não quer que ganhemos e que usa tudo o que pode (e o que não pode, mesmo que seja proibido) para que nós não ganhemos!
Esta reedição do Apito Dourado, é, assim, o regresso de um filme que já conhecemos, anunciado por quem teve capacidade para o anunciar e não se coibiu de dizer ao que vinha!
Então uma invasão de centro de treinos de árbitros não exigiria uma repulsa institucional fortíssima precisamente de quem era o objecto principal (mesmo que indirectamente) dessa acção?
Pois exigia!
Mas não aconteceu!
Então o anúncio feito pelos líderes de uma claque inimiga (não confundir com adversários, porque não se trata disso) de que ou a arbitragem entrava por outro caminho ou então teriam que se haver com os meninos,... não merecia uma violenta posição de quem era o destinatário natural dessas movimentações?
Pois merecia!
Mas não se viu nem ouviu nada sobre isso!
Então as sucessivas nomeações de árbitros dali da zona, para os jogos da equipa em causa, porque mais fáceis de controlar, não impliciria uma voz forte de alguém para denunciar o que se estava a preparar?
Pois implicava!
Mas não apareceu!
E; já agora, mesmo não sendo do nosso campeonato, a famosa história do Clube Futebol Canelas (porque tme quem tem lá dentro e segue os métodos que segue,... a acreditar no que lemos) não mereceria uma palavra de ninguém (até porque, um dia destes, corremos o risco de os vermos a jogar contra nós, numa qualquer competição profissional, com tudo o que isso possa implicar)?
Pois mereceria!
Mas não surgiu!
Ou seja, a reacção só apareceu quando constatámos - como no ano passado - que nos tinham tirado 5 pontos em dois jogos e tinham oferecido 2 a quem interessava (ou 4, se contarmos com a embalagem e a inércia com que iam e que não os fez parar... no jogo contra o Tondela).
Mais vale tarde que nunca... dir-me-ão! Bem sei! Mas iremos a tempo? Muito a tempo, continuarão a dizer-me! Talvez! Mas - para memória futura - nada como reafirmar o que sempre defendi (como é publicamente conhecido): uma atitude preventiva em relação a estas matérias...

Vieira pensa a mesma coisa
Estou tanto ou mais à vontade em aqui o afirmar porque, do que conheço, e soube, por experiência própria, feita de 7 anos de convívio, é essa a posição do Presidente do Benfica.
O que me preocupa, não é, por isso, o que pensa, o que quer e o momento em que pensa e que Luís Filipe Vieira, sobre mais esta vergonha que se está a viver no futebol português. Não, não é! Porque quem teve a coragem de lutar como ele lutou - quase sozinho, ou mesmo sozinho - contra o monstro da corrupção e do Apito Dourado, tem créditos ilimitados sobre isso.
O que me preocupa é outra coisa. O que me preocupa são... os conselhos!
Sabemos, por experiência, que há sempre duas linhas que, no interior das organizações, se enfrentam de forma contínua e permanente. Quem não ouviu falar de pombas ou falcões, de entre as figuras principais de uma qualquer administração americana? Ou entre a linha negra e a linha vermelha dos partidos mais revolucionários? Ou de movimentos revisionistas nos partidos comunistas tradicionais? Para não falar dos traidores kautsquistas ou trotsquistas que combateram o marxismo-leninismo e que deram origem às III e IV internacionais? Ou dos sociais democratas, como traidores reformistas de uma qualquer revolução a todo o vapor? Ou para usar a prata da casa, numa invocação de uma citação de quem penso ter sido (no que estarei muito bem acompanhado) o maior estadista português, o Rei D. João II,... «há tempos de usar de coruja e tempos de voar como o falcão»!!!
Pois há!
Mas usar de coruja contra quem rouba de forma descarada só pode acabar mal!!!
Também nesta guerra sem quartel,... que é a de combater as ajudas a quem só quer que percamos!
No futebol - que faz parte da vida, da sociedade e que trata de... poder - também há sempre estas duas realidades...
Nada de mal nessa dicotomia... até porque o Benfica não foge à realidade, antes faz parte dela!
O que me preocupa, é poder ser essa a estratégia vencedora e seguida (como, me parece, o foi até aqui).
Podem crer que cá fora, entre os sócios, os adeptos os simpatizantes, não há - entre as águias - pombas que queiram esperar mais para só começarmos a reagir depois de termos perdido (de nos terem sonegado...) mais pontos.
Ou depois de os terem oferecido a outros.
E não podemos contar com a ajuda de ninguém para esta luta que terá de ser permanente e contínua até à conquista do 36!
Só com nós.
Que somos muitos, mas só poderemos contar connosco!
Os outros - convençam-se - não vão ter contemplações.
E se, em momentos específicos, poderemos ouvir as vozes escandalizadas de quem foi prejudicado, como o Tondela foi (e falar, ali, logo depois do jogo... é de uma coragem digna de enaltecer e sublinhar), só se  ouvirão vozes contra nós.
Porque uns e outros só querem que não ganhemos.
Ou, para voltar a desligar as coisas pelos nomes... o clube anti-Benfica do Porto e o clube anti-Benfica de Lisboa só querem que percamos, sendo indiferente, entre eles e para eles, quem possa ganhar!!!

Adulterar a verdade
Mas, voltando ao relvado,... que diferença abissal no comportamento das equipas de arbitragem... Na véspera de dois jogos europeus... a nós põem-nos a jogar 10 contra 11,... 50 minutos. A outros, inventam um penálti e põem-os a jogar 11 contra 10,... 50 minutos. Lembram-se dos tempos do Apito Dourado, onde ouvimos e vimos facilidades em jogos cá dentro para poderem estar descansadinhos para jogarem lá fora? Pois é, apesar de ainda nos atirarem à cara com essas vitórias na Europa para tentar disfarçar a forma como conseguiram as vitórias por cá,... como se umas e outras não fossem faces da mesma moeda.
Por isso - disse e repito - não compreendo que não se tenha carregado em cima da arbitragem do último domingo...
Porque fomos objectivamente prejudicados. Desta vez não teve relevância... mas só falaremos se Mitroglou ou outro qualquer não desatar um dos muitos nós que todos - no campo e cá fora - nos irão criar para que não consigamos o tetra/36?
Como também não percebi como se deixa sem referência - repetida e continuada - os ataques nos adeptos indefesos do Benfica... por pretensos adeptos do Braga quando as claques do Benfica ainda lá não tinham chegado.
Apesar de - e nisso andou muito bem o Benfica - se ter alertado as forças policiais para essa eventualidade...
As gentes de Braga, mesmo as mais fanáticas, nunca entrariam nessas agressões, tanto mais que, ao que se percebe, quem atacou os adeptos do Benfica não estará identificado e... não estava lá para ir ao jogo.
Como diz o outro, para bom entendedor... Ou... meia palavra basta... Nas agressões, como em tudo o resto!!!
Carrega Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Festival de golos falhados...

Fundão 4 - 2 Benfica


Quando se falham golos, como o Elisandro o Ré e o Chaguinha falharam, não se pode ganhar jogos... quando os postes também não colaboram, ainda pior... Mesmo assim, se a 6.ª falta do Fundão tivesse sido assinalada, num pontapé descarado sobre o Elisandro, o Benfica teria a oportunidade de fazer o 2-2...
Estes jogos com o Fundão já começam a parecer 'trauma', só tenho pena que o Fundão contra o Sporting tenha outra atitude completamente diferente... mas também é verdade se jogarem da mesma forma, ao intervalo já têm metade da equipa expulsa!!!
Aparentemente o vírus das lesões também já chegou ao Futsal: Bebé, Cristiano, Ângelo, Cecílio, Jefferson...

Escala de Richter

"O sismógrafo futebolístico, ao longo de uma temporada, é a expressão de sucessivos e antagónicos estados de alma e de tão definitivas como precárias sentenças mediáticas de ciência exacta.
Um bom exemplo é o que se diz e escreve sobre o Benfica, que já passou por todas as fases de escala de Richter. O favorito dos favoritos, um tipo de jogo sustentado, uma defesa inexpugnável, uma defesa inconsistente, um ataque com soluções para dar e vender, uma eficácia tremenda, uma equipa com duas faces, uma forma de jogar sem soluções, uma equipa segura, um conjunto de tremedeira, confiança a rodos, perda de identidade, equipa abalada, suplentes à altura, etc. Enfim, para todos os gostos.
Ainda que em tempos e de modos diferentes, Porto e Sporting são apreciados com o mesmo e telúrico ritmo bipolar. O Porto, o outro candidato ao título, já passou entre cinzento e luz (salvo seja), paciente e impaciente, previsível e surpreendente, sem banco e com banco para todas as variações, sem estofo de campeão e campeão à condição, etc.
Nós, adeptos, olhamos para estas variações vertiginosas, entre optimismo e pessimismo inconsequentes. São matéria-prima para todas as apaixonadas discussões. O curioso é o carácter provisoriamente definitivo de cada uma das variações, até que outra definitivamente provisória se instale a seguir. Basta um golinho, um erro do árbitro, um sopro de sorte ou uma boa na trave, para que estabilidade e instabilidade troquem de posição, a depressão vire euforia e esta retorne à decepção, e jogadores sofríveis se tornem imprescindíveis e vice-versa.
Bipolar, mas não tanto, por favor!"

Bagão Félix, in A Bola

O jogador malandro

"Luís Filipe Vieira não deverá demorar muito tempo para voltar a fazer uma ou duas vendas milionárias. Ederson e Nélson Semedo serão os próximos a sair (André Moreira e Pedro Pereira parecem ter o perfil para os substituírem no futuro) por valores que fazem com que a venda do passe de Bernardo Silva (€15,75 milhões ao Mónaco, em 2014) tenha sido uma borla. É certo que não se pode ter tudo (basta pensar, por exemplo, que Ivan Cavaleiro rendeu o mesmo valor e que Gonçalo Guedes custou ao PSG €30 milhões, o mesmo que o Manchester City pagou por Gabriel Jesus ao Palmeiras), mas isso serve apenas para dizer o quão valorizado está o esquerdino português, a fazer no Mónaco o que fez na Luz: percurso ascendente, de quase desconhecido chegado ao Principado a estrela cintilante do competitivo futebol europeu.
Ao contrário do que aconteceu em Wembley, quando marcou frente ao Tottenham (casa emprestada) para a fase de grupos da Champions, Bernardo Silva não marcou em Manchester, nesse louco jogo que terminou com 5-3 para o City, mas é com se o tivesse feito. Jogadores como ele não precisam tanto da estatística porque a alegria não se traduz em números. Faz parte de uma carta especial: apenas de interpretar a táctica, mantém o espírito libertino, faz o adepto sorrir pela forma como trata a bola e desmonta as linhas adversárias com elegância e a desfaçatez de jogador malandro.
Ainda estamos longe, Portugal nem sequer está qualificado, mas ao crescimento de Bernardo e esta nova forma de Cristiano Ronaldo (mais leve, mais artista, menos robótico, mais Cristiano que Ronaldo) podemos esperar um Mundial da Rússia não apenas uma Selecção forte e ambiciosa mas também a jogar muito à bola. Com a palavra ainda a caber a João Mário e André Silva. Haja esperança."

Fernando Urbano, in A Bola

Sexta-feira à noite !!!

Benfiquismo (CCCLXXXVII)

Vermelho e Branco !!!

Lanças... ameaças!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Goleada...

Benfica 15 - 3 Riba d'Ave


A grande nota de destaque, foi mesmo o facto do Benfica ter estado a perder por 0-1 !!!
Vitória normal, nas véspera da visita a Barcelos, um dos jogos mais complicados até ao final da época... A derrota desta noite do Barcelos em Oliveira de Azeméis. não quer dizer nada, para o desfecho do jogo de Domingo!

Vitória, numa má 2.ª parte...

Benfica 26 - 24 Fafe
(17-12)

Depois da extraordinária vitória no fim-de-semana, uma 2.ª parte muito fraca... mas deu para vencer!!! Esta gestão entre a Europa e os jogos do Campeonato são sempre complicadas, em todas as modalidades...

Jornada de nortada

"Continua o paupérrimo fadário do líder à condição. «Estamos na posição que queremos», disse Espírito Santo, depois do Tondela (será o 2.º lugar?). «Benfica sob pressão», clamam os jornais, como uma novidade para o clube que, jogando antes ou depois, tem a (boa) pressão de vencer. Diz outro, depois do jogo em Braga: «Benfica volta a ser líder» (mas tinha deixado de o ser?).
O Benfica superou, com dificuldade, o SC Braga, graças a um notável golo helénico. A insensatez da nomeação de Tiago Martins só é comparável à imprudência de autorização para que dois árbitros considerados mais apetrechados fossem arbitrar uns joguinhos secundários para as Arábias. Felizmente, as coisas correram bem ao árbitro, que deve agradecer a Mitrolgou ter passado para a badana do jogo um penalty não assinalado sobre Salvio.
O FC Porto estará grato a Luís Ferreira, que viu um penalty que ninguém vislumbrou e expulsou um jogador do Arouca que tinha acabado de receber uma chapada de um artista.
Soares é um jogador de qualidade e bastante fogoso. Mas, lá que é artista é. Usa e abusa dos braços, como ninguém, finge com mestria e aproveita a indigência arbitral. Vai longe, o rapaz.
O juiz que o premiou foi o mesmo dos golos ilegais no Benfica-Boavista. Por exemplo, não viu uma grosseiríssima falta que precedeu o 1.º golo dos axadrezados. Enfim, duas vistas diferentes: uma (boa) vista para os ilusionismos de Soares e uma vista (alegre) para uma clamorosa falta na Luz. Uma coerência hiperbólica e nada enviesada! Também vai longe, este jovem!"

Bagão Félix, in A Bola

A miúda do bar

"A propósito da metáfora da miúda do bar, de Sampaoli, recuperada por Jorge Simão, podemos imaginar um outro bar que tinha sempre o mesmo número de clientes, 18, mas uma só miúda.
Todos a miravam e desejavam, mas ela não podia ser de ninguém, tinha de ignorar as cantigas do bandido, os piropos, os olhares sedutores ou as abordagens mais ousadas e assertivas. Quando ela retribuía o flirt com um sorriso, eles sentiam-se nas nuvens e elogiavam-na, quando ela lhes fazia má cara, eles não escondiam a ira e acusavam-na de gostar mais dois outros. Entre os três clientes VIP do bar, Benfica, FC Porto e Sporting, a rivalidade em relação à miúda ganhava ainda maiores proporções. Várias vezes se exaltavam e discutiam. A dada altura, Sporting e FC Porto andavam particularmente, irritados, achavam que a miúda só tinha olhos para o Benfica, que não lhes ligava, que os tratava mal, que fazia amor com o Benfica na casa de banho. Houve um dia até que o Sporting perdeu a cabeça e perseguiu a miúda pelo bar, tentando tirar satisfações, sensivelmente na mesma altura em que estiveram no local uns amigos do FC Porto para intimidar a miúda e dizer-lhe para ter atenção ao que andava a fazer. Coincidência ou não, a relação da miúda com o Benfica ficou condicionada desde então, não mais conseguiu olhá-lo nos olhos, ficou fria e até bruta às vezes. Como se a forma certa de reagir fosse tratar mal o Benfica, ao invés de simplesmente dos rivais (a existirem razões de queixa). No início, o Benfica nada disse, para não estragar o ambiente no bar, mas às tantas sentiu-se de tal forma incomodado que deu um murro na mesa. O Sporting encostado ao balcão, não se conforma com a atitude daquela miúda que, no seu entender, ano após ano, lhe destrói os sonhos e aspirações de conquista. O FC Porto agora diz que já está tudo bem, e se for apanhado a fazer amor com a miúda na casa de banho, é até capaz de jurar que nada de mais aconteceu.
Quase me esquecia de mencionar o nome da miúda: arbitragem."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

A sandes e o pão

"O mundo riu-se quando viu o guarda-redes suplente do Sutton, Wayne Shaw, 140 quilos e 47 anos bem vividos, a comer uma sandes no banco durante o jogo da sua equipa frente ao Arsenal, para a Taça de Inglaterra. Os ingleses gostam de apostar e fazem-no em todo o mais alguma coisa e até alguém se tinha lembrado de colocar um item com esta possibilidade num site da especialidade. A suspeita levantou-se e Wayne Shaw, segundo um comunicado do Sutton, «renunciou ao seu lugar no clube». Forma britânica e pomposa de dizer que se despediu; foi-se embora.
Afinal, a gula do enorme - em tamanho - keeper pode não ter sido assim tão inocente? Pelo meio, ficou a frase genial do seu antigo companheiro nas camadas jovens do Southampton, Alan Shearer: «Eu segui o meu sonho até à Premier League; ele seguiu a carrinha de hambúrgueres». Inocente ou não, o episódio globalizou-se e Wayne até pode ter ganho alguns trocos com a brincadeira.
Trocos ou pouco mais do que isso é o que ganham a maioria dos jogadores das divisões secundárias em Portugal. Muitos, imensos, correm atrás do sonho e dos milhões ganhos por uma minoria. O sonho alimenta a alma, mas com poucos mais de €600 por mês e, muitas vezes, com salários em atraso, os pensamentos que lhes bailam na cabeça, por mais belos que sejam, não chegam para confortar minimamente o estômago.
Desta realidade até ao aliciamento por parte de quem quer ganhar dinheiro fácil o caminho para a padaria será sempre mais curto do que até ao sonho, depende da consciência de cada um. Com famílias para sustentar e com a conta bancária a zero ou perto disso, não será fácil resistir à tentação. Às instituições que regem e gerem o futebol nacional urge tomar medidas; às autoridades estarem alerta. Sob pena de que, como diz Sérgio Godinho, estar tudo à espera do comboio na paragem do autocarro."

Hugo Forte, in A Bola

Flow: ingrediente secreto de um desempenho de excelência?

"Ederson Moraes e Rui Patrício (ainda esta semana), Telma Monteiro, Roger Federer, Nelson Évora e tantos outros atletas tem oferecido aos adeptos do desporto em geral, de uma forma mais ou menos consistente, a possibilidade de apreciar a expressão máxima da eficiência do corpo humano, manifesta através da exibição de performances de excelência.
Desempenhos de excelência evidenciam uma sintonia perfeita entre a mente e o corpo onde, de facto, se observa um movimento imperturbavelmente fluido e muito próximo da perfeição.
Contudo, desempenhos extraordinários não são apenas uma "dádiva" que acontece no desporto - na realidade, em qualquer área de performance, na minha e na sua vida, todos nós acabamos por vivenciar momentos quase "mágicos" onde tudo parece bater certo, às vezes, sem esforço evidente. 
Em 1990, Csikszentmihalyi, estudando um dos percursores da "felicidade", introduziu o conceito de estado de Flow como "um estado em que as pessoas estão tão envolvidas em uma actividade que nada mais parece importar e onde a experiência é tão agradável que as pessoas continuarão a fazê-lo, mesmo a um grande custo, pelo simples motivo de fazê-lo ".
Desde então, o contexto desportivo tem-se interessado na expressão do Flow no desempenho desportivo, sendo comunmente descrito com "um estado no qual um atleta realiza o melhor de sua capacidade (...) um lugar mágico onde o desempenho é excepcional e consistente, automático e fluido, onde um atleta é capaz de ignorar todas as pressões e deixar seu corpo entregar o desempenho que foi aprendido tão bem tornando a competição divertida e excitante. "(Murphy, 1996).
Estas experiências, de profunda imersão numa actividade onde se retira um imenso prazer no exercício dos skills específicos, resultam muitas vezes em estados alterados de consciência, na medida em que os atletas chegam a ter distorções de tempo, espaço e, inclusivamente, da percepção de fadiga física. 
Por esta razão, muito frequentemente, também desconhecem como é que este estado emocional se activa, revelando-se muitas vezes, quase involuntário e inconsciente - o que traduz, na prática, que o atleta não sabe genuinamente como o activar. Csikszentmihalyi caracterizou este estado emocional com as seguintes características:
* completa concentração na tarefa
* objectivos claros e feedback imediato
* distorção temporal (percepção de tempo acelerada ou lentificada)
* extraordinariamente compensador por si só
* sem perceção de esforço e com grande facilidade
* nível de desafio e de competências perfeitamente equiparado
* consciência e ação num só movimento, sem percepção de "ruído" externo (ex. publico) ou interno (ex: ansiedade)
* sensação plena de controlo sobre tudo o que está a acontecer.
E é aqui que se inicia o desafio para qualquer atleta...
Como aprender treinar tudo isto?
Qualquer uma destas alíneas compreende o exercício de uma série de competências psico-emocionais que os atletas (poderíamos estar a falar de treinadores, bailarinos, gestores, médicos... porque se trata de performance, independente do contexto em que ocorre) irão aprender, ora mais rápido ora mais lento, maioritariamente por tentativa e erro, à medida que os seus níveis de auto-consciência e auto-regulação se vão tornando mais eficientes.
Por esta razão, e quando de alto nível se trata, a vertente psico-emocional torna-se determinante para que o atleta consiga obter performances consistentemente (entenda-se, dentro de cada competição e entre competições) de nível superior, favorecendo o aumento da frequência de desempenhos extraordinários (em estado de Flow).
Por esta razão, e muito frequentemente, uma das principais características que estes atletas evidenciam, desde cedo (e não apenas quando estão já num patamar mais elevado), é uma enorme curiosidade pela optimização de todos os processos que potenciam a exibição de performances consistentemente elevadas, socorrendo-se, para o efeito, de áreas tão distintas como a Fisiologia, a Nutrição e a Psicologia...
Até porque, como se bem sabe, para termos todos os recursos cognitivos e emocionais "intactos", que garantirão o exercício de skills tão distintos como a capacidade de tomada de decisão ou de gestão de stress e ansiedade, é preciso haver um equilíbrio cirúrgico com a nossa energia fisiológica.
Sendo que, em última análise, e como tem sido frequentemente relatado por atletas de alta competição, a Excelência resulta de um movimento fluído e uníssono entre corpo e mente, onde, muitas vezes, esta última acaba por resgatar um corpo que nem sequer está no seu "estado óptimo", na direcção de uma Performance Extraordinária."

Algo se passa com Bernardo Silva

"Há muita gente a falar dele e a elogiar o que o português tem feito nos últimos tempos. Bernardo Silva só tem ouvido coisas boas de Guardiola, Leonardo Jardim, Moutinho, Valdo, Raymond Domenech e de quem joga com ele, no AS Monaco. Já não estamos no tempo em que os amigos iam ao Seixal com um cartaz a dizer “Mete o Bernardo” por ele passar muito tempo no banco

É a capa da France Football, em que aparece esta terça-feira. É uma entrevista em estilo reportagem, num dos principais canais de desporto francês, que fala com ele, vai atrás dele e pergunta a pessoas importantes sobre ele. É Pep Guardiola, o génio que está careca de pensar tantas horas sobre futebol, a usar a palavra “fantástico” para o elogiar. Algo se está a passar, porque, na mesma semana, todos se centram na mesma pessoa. Num mesmo rapaz.
É mais ou menos como as tais canções que, em semanas, são ouvidas por tudo quanto é gente, têm um som de vício fácil, vão à boleia do passa-palavra e, de repente, passam a estar na moda. Quando ouvimos falar nela, também queremos ouvi-la para descobrirmos o que justifica tanto alarido.
E se há tanta coisa a dizer-se sobre Bernardo Silva, é preciso saber do que se trata.
Sabíamos, de antemão, que o português está na terceira época em França, a jogar no clube de um sítio, o Mónaco, que liga mais ao dinheiro, à classe e aos caros prazeres da vida, do que ao futebol. Decorámos o início da história dele, um miúdo que apesar do talento, da reputação de ser promissor e do amor ao clube em que cresceu, saiu do Benfica, onde nunca jogava e, nos treinos, era posto a lateral esquerdo pelo treinador que só destorceu o nariz a médios pequenos e franzinos quando eles se chamavam Aimar ou Gaitán.
Fomos vendo como ele foi posto à direita do ataque de uma equipa em que se tornou bem mais titular do que suplente. Em duas épocas, esteve em mais de 40 partidas, marcou 17 golos, inventou passes para dezenas de outros e fez-se importante.
Até que, esta temporada, começámos a descortiná-lo como talvez o melhor na equipa que, só agora, está a recuperar de uma ressaca – depois de se ter embriagado na ideia de tentar ser a melhor com os milhões de um investidor estrangeiro, que entretanto sumiu e deixou o Monaco a viver acima das suas possibilidades.
Agora, eles são os líderes do campeonato francês, são quem mais golos marca na Europa (108, em 41 jogos) e são elogiados por todos os lados. A maior quota-parte das coisas boas que têm sido ditas está com Bernardo Silva. E não foi apenas a France Football, a Téléfoot ou Pep Guardiola. Há outras pessoas que têm ajudado a montar o pedestal onde o português parece estar a ser elevado.
Tipos como João Moutinho, que joga com ele e imagina-o a “aproximar-se” do nível de “Messi, Eusébio, Cristiano Ronaldo, Maradona e Pelé”. Ou Raymond Domenech, antigo seleccionador francês que, há menos de um mês, escreveu isto:
“Toda a gente o vê, Bernardo Silva tem o génio. Não se envolve em escândalos sexuais, não tem nenhum corte de cabelo extravagante, não faz declarações intempestivas, não tem problemas com o fisco. Tem apenas o seu talento, que usa para deleite do AS Monaco.”
No fundo, passa-se que o pequenote, que teve de sair do clube cujo lema tem tatuado no braço, está na moda em França. O que se percebe, pois Bernardo Silva joga muito na equipa que joga ainda mais, e tem aparecido nos jogos que mais interessam e nos quais mais gente está interessada – marcou ao Marselha e ao PSG, na liga francesa, e ao Villarreal, ao Tottenham e ao CSKA, na Liga dos Campeões.
É tão decisivo que, aos 22 anos, quem joga todos os dias com ele, no Monaco, o descreve como “um pequeno fenómeno que é capaz de eliminar dois ou três jogadores numa jogada” (Djibril Sidibé), ou alguém que “não está no mesmo planeta que nós” (Thomas Lemar). E o português que só é campeão europeu de sentimento, como nós, e não de título e medalha ao peito por culpa de uma lesão que o tirou dos convocados, é alguém humilde, que se dá bem com toda a gente e uma excelente pessoa.
Miguel Herlein lembra-se dele assim, dos tempos em que galgaram os degraus da formação no Benfica e antes de um ir para Penne, nas divisões inferiores de Itália, e o outro para o meio de elogios e comparações com antigos craques.
“Respeitava tudo e todos, sempre foi um exemplo nesse aspecto. No campo era o que se vê hoje: um jogador com uma técnica fora do normal, que desfruta sempre que entra em campo. Dava gosto vê-lo jogar e agora ainda dá mais. Está mais maduro, muito confortável com a bola nos pés. Já são muitos jogos nas pernas ao mais alto nível, mas continua a ser quem era, um jogador de equipa, que ajuda sempre com golos e assistências”, descreve-o, com base na experiência que teve com Bernardo.
Foi mais na adolescência tardia, conta, que ele começou a ser como é agora. Bola no pé esquerdo, evadir adversários, ludibriá-los com o engodo do corpo e de simulações, inventar um princípio, um meio e, às vezes, um fim para as jogadas.
“Nos treinos, gostava de fazer cuecas, até que alguém lhe desse um carrinho sem maldade. Principalmente a partir dos juniores, já víamos o Bernardo, nos jogos, a ter a qualidade que podia fintar três ou quatro, mas que depois podia dar em golo ou assistência”, garante Miguel, que, na altura, era próximo de Bernardo, o miúdo de colégio, que “tinha cabeça, sempre estudou, entrou na universidade e continuou a jogar” e a apanhar “todos os dias o barco de Lisboa para o Seixal”
Miguel sabe como Bernardo nem sempre foi como é hoje, um pequeno genial que ninguém discute na equipa em que está. Ele exalta-o por nunca se ter deixado de dedicar, ao máximo, aos estudos e ao futebol, mesmo quando os livros lhe pareciam dar mais retorno que as chuteiras.
“Quando jogámos juntos, o Bernardo era um ano mais novo e não estava a jogar. Os amigos dele levaram um cartaz ao Seixal a dizer: ‘Mete o Bernardo’, ou algo do género. Não me recordo bem. No ano a seguir, o Bernardo é capitão e número 10, com o mesmo treinador. Alguma coisa esse cartaz deve ter valido, por isso tem que agradecer aos amigos dele”, lembra.
E se calhar é isso que se passa com Bernardo Silva.
É alguém que insistiu, não deixou de ser dedicado, disse até já ao sítio que gosta e onde, um dia, quer retornar, para se esforçar em ser o que cada vez mais parece ser - mais um craque português de quem muito boa gente está a falar, e elogiar."