Últimas indefectivações

sábado, 30 de julho de 2011

Histórias

"Macacos de imitação - Só lhes falta inventar um animal que voe, mesmo que não exista, mas que voe, nem que seja em voo simulado, antes dos jogos no respectivo estádio. De resto, os macacos de imitação também vão ter um canal de televisão, para além de todos os outros canais, caneiros, canalículos, regos e irrigadores que fazem parte da claque. E também se apressaram a anunciar que vão construir um museu, quanto mais não seja para albergar a estátua de Agapito Dourado, perdurável dono da bola, grande patrão e maior assalariado da sociedade recreativa. Quanto ao canal, enquanto a imitação sai da fotocopiadora, o original ganha asas que prometem revolucionar as transmissões de Desporto em Portugal.

Mistério - Dentro do campo, e apesar do sistema siciliano, o Benfica bate qualquer adversário. Mas fora das quatro linhas, na contratação de jogadores - sobretudo das promessas que o Benfica descobre e que outros roubam - não há volta a dar-lhe. A questão é que o Benfica não tem poço de petróleo, uma mina de ouro ou um aluvião de diamantes debaixo do relvado da Luz, nem encara os jogadores com matéria de um leilão de gado. Outros não sei como fazem que, sem vender, compram que se fartam. Talvez um dia alguém consiga seguir a pista do dinheiro e desvendar o mistério.

Novela - À volta do internacional brasileiro Luisão foi construída uma novela nas últimas semanas. Dramas, mistério, traição? Qual dos ingredientes vende mais papel de embrulhar patranhas? Quando alguém falou com o atleta, ele desmentiu os 'muitos disparates que têm sido escritos'. Luisão tem contrato até 2013; a sair será quando e se o Benfica quiser. Moral da história: há gente com muitas histórias mas sem qualquer espécie de moral."


João Paulo Guerra, in O Benfica

A tempo e horas

"Em texto que aqui escrevi há algumas semanas atrás, referi a importância do Benfica fechar o plantel em tempo útil, lembrando épocas anteriores em que as indefinições entraram por Agosto dentro, com consequências negativas no desempenho colectivo da equipa ao longo dos primeiros meses de competição.

Não sei, no momento em que escrevo, o que se terá passado no jogo com o Trabzonspor. Esta eliminatória europeia surge numa fase precoce da época, e admito que fosse complicado fechar o plantel em meados de Julho, a tempo de a preparar convenientemente. Acredito que os jogadores já integrados no grupo (designadamente no fustigado sector defensivo) tenham sido suficientes para lograr um resultado que permita encarar a 2.ª mão com fundado optimismo. Pelo menos, é essa a minha expectativa.

Mas em termos de Campeonato - que se inicia a 14 de Agosto -, o Benfica 2011-2012, superando algumas dificuldades incontornáveis (como, por exemplo, a Copa América, que nos retirou três quartos da linha defesa presumivelmente titular), parece estar em condições de evitar as tais indefinições que tanto o penalizaram no passado recente. As contratações de Eduardo, Garay, Capdevila e Emerson, e a manutenção de Maxi Pereira e Luisão, resolvem o problema defensivo que tanta tinta fez correr nesta pré-temporada. No meio-campo, a única dificuldade será escolher entre tantas e tão valiosas opções. E embora a contratação de mais um ponta-de-lança alto e robusto (que constituísse alternativa a Cardozo) talvez não fosse má ideia, as opções de ataque que o plantel já apresenta dão o Jorge Jesus sólidas garantias de eficácia. Se não aparecer nenhuma oportunidade de negócio capaz de valorizar ainda mais o plantel, creio que, mais empréstimo, menos empréstimo, o mesmo se poderá considerar praticamente encerrado, ainda antes de atingirmos o final do mês de Julho. Se bem me lembro, foi precisamente isso que aqui pedi, recordando também que, na última década, sempre que tal sucedeu, o título não nos escapou."


Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Faça inversão de marcha

"«Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam», as palavras são do actor António Feio, falecido a 29 de Julho de 2010, faz hoje precisamente um ano. Se não vos tocou na altura, se não a viram, se por acaso nem se aperceberam da sua existência, posso garantir-vos que a mensagem do actor, a propósito do filme 'Contraluz», de Fernando Fragata, é por si só uma inspiração, tão poderosa que se torna difícil de qualificar. Arrebatadoramente urgente, diria eu. Falou para todos aqueles que teimam em não dar importância ao que lhes é oferecido, ao que lhes é colocado à frente, aos dispor. António Feio falava durante uns curtos 42 segundos, antes de se iniciar o trailer que tem Joaquim Almeida como protagonista. Em menos de um minuto, AF alertou para o que realmente importa, «aproveitem», »ajudem-se», «apreciam» e «agradeçam». Em menos de um minuto foi quase tudo expresso e tornado evidente. O que ficou de fora não é inspirador, verdade seja dita. Evoco hoje António Feio, um grande benfiquista, por considerar a homenagem justa, simples mas oportuna. Acima de qualquer outra razão, evoco o comentário em Contraluz como chamada de atenção aos sócios e adeptos, a todos quantos amam o Benfica e se emocionam com a grandeza deste Clube. Temos um bem precioso, aqui, à nossa frente, ao dispor, temo-lo erguido por nós e mantido com o nosso contributo. É um bem precioso, que nos presenteia, que nos enche de alegria e esperança, que nos faz vibrar e regressar dia após dia, semana após semana, ano após ano. Aproveitemo-lo. Se o leitor não entende isto está no caminho errado. Acorde, oiça o GPS: faça inversão de marcha, está na rota errada para o seu destino... faça inversão de marcha, está na rota errada para o seu destino."


Ricardo Palacin, in O Benfica


Mais dano que várias cruzadas

"Estes otomanos curiosos que festejam o minuto 61 como se de um título se tratasse são disciplinados e perigosos. Mas depois do minuto 61 apenas levaram para se lembrar aquele passe poético em que Aimar isola Nolito e um golo do outro mundo de Gaitán que causou mais dano a estes infiéis que várias cruzadas juntas.

O Benfica fez um óptimo resultado e parte como favorita para a segunda eliminatória, mas ao contrário daquilo que muitos adeptos defendiam, Jesus esteve bem ao tirar pressão ao jogo. Ao colocar a eliminatória com apostas de 50 por cento para cada lado, o treinador manteve a exigência e responsabilidade mas baixou a ansiedade e nervosismo que outra abordagem poderia trazer. Esteve bem, antes e durante o jogo, as substituições foram certeiras, algumas até as faria uns minutos antes na minha condição de 'treinador de bancada'. Um desabafo insolente de quem olhava o banco de suplentes deste jogo; ir ao banco buscar Maxi, Nolito e Witsel não é a mesma coisa que recorrer a Weldon, Filipe Menezes ou Kardec. Este plantel é muito melhor, tem muito mais soluções e com tempo e confiança a equipa também o será.

Na Luz pairava um receio infundado, neste momento o mais decisivo é conseguir pôr os jogadores em níveis físicos bons. O modelo de jogo que Jesus impõe funciona muito bem quando há essa disponibilidade e fica muito exposto quando a equipa está cansada. Para nosso bem, também os turcos estão em pré-época.

Mas se a diesel já jogamos de forma razoável e positiva, esperem para ver a equipa a carburar com gasolina 98 octanas.

Particular alegria por ver novamente Rúben Amorim a jogar com a nossa camisola, recuperá-lo é uma grande contratação.

Lição de profissionalismo aquela que Maxi Pereira nos deu, ganhou a Copa América, foi ver os filhos recém-nascidos e regressou para jogar.

Alguns jogadores são vedetas outros são heróis. Maxi é herói."


Sílvio Cervan, in A Bola

Considerações (o início...)

"Escrevo esta crónica sem saber o resultado do jogo da pré-eliminatória europeia e também sem saber qual o plantel que Jorge Jesus escolheu para a época que começou.

Espero que tudo tenha corrido pelo melhor, quer para o plantel definitivo, quer para a competição europeia.

Durante o Apito Dourado os árbitros resolveram os campeonatos que eles conquistaram. Tudo começou, de forma arcaica, em 1979. Manuel Vicente, árbitro da A.F.V. Real, arbitrou-nos nas Antas e a três jornadas do fim. o célebre árbitro era compadre de Pedroto. Estivemos a ganhar 1-0, até aos 83 minutos de jogo. Fomos empurrados para dentro da baliza por aquele senhor. Eram faltas atrás de faltas, livres atrás de livres, tinham-nos expulsado o Bento para não jogar aquele que seria o jogo do título. Tanto fomos empurrados que Ademir, de ressaca, fez um golo feliz. Após 19 anos de jejum iria começar aquilo que depois de tornaria habitual.

Mas mesmo com influência nos homens do Apito, eles vão-se refinando e começam a encontrar outras formas de ganhar o título. Escolhem os parceiros. Com esses parceiros escolhidos, os pontos são logo contabilizados nos jogos fora e em casa. E, com esses mesmos parceiros, nós somos obrigados a ganhar, para não perder-mos terreno. O que nem sempre acontece.

Já fiz as minhas contas para a próxima época. Eles entram em campo com um super avit de 42 pontos. Ou seja, 6 pontos a multiplicar por 7 equipas. Em casa e fora. Sei quais são as equipas, todas têm obrigação de saber.

Só nos resta uma solução. Ganhar jogo após jogo. Jesus sabe, como eu, onde está o perigo real. É nesses jogos que temos de dar o máximo. Aliás, em todos. Se assim for, seremos campeões."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

José Àguas "cantado" pela filha do "Pai Herói"

"Foi Helena Águas (a Lena d'Água das canções, voz única e inesquecível) que, utilizando o seu apelido de baptismo, decidiu escrever 'José Águas, o Meu Pai Herói' (Oficina do Livro), biografia de um dos maiores jogadores de sempre do Futebol português, mas também uma homenagem capaz de reavivar memórias exaltantes, e, por isso mesmo, um verdadeiro acto de amor.

Lendo este livro bem construído e bem escrito, ficamos a saber muito mais sobre o grande jogador do Benfica e da Selecção Nacional, sobre o pai e sobre o marido, sobre o homem que escrevia belas cartas de amor aos filhos e se tornou, tão merecidamente, o herói deles. Este é um livro que fala do Futebol como competição desportiva, quando ainda não possuía a dimensão mediática e global que hoje tem, mas também da vida de um homem que se tornou ídolo de multidões num País ainda a preto e branco.

Tem ainda este livro um especial elemento de atracção para o leitor, seja ele benfiquista ou de outro clube: um prefácio comovido e comovente de António Lobo Antunes, que nos faz sentir ainda mais benfiquistas, mesmo quando, como acontece no seu caso, o tempo relativiza a mágoa das derrotas e conduz ao despreocupado 'estou-me nas tintas'. Mas eu sei, também por experiência própria, que essa atitude é muito mais para evitar a decepção e a tristeza do que para arrefecer o que nos vai no coração. Um benfiquista é sempre benfiquista, e se ler esta biografia de José Águas, escrita pela sua filha, Helena, com a tinta forte de admiração e de um tocante amor, ainda sente mais essa camisola colada à pelo e ao coração.

'O Meu Pai Herói', que nasceu de um convite feito em boa hora pela editora, Maria João Lourenço, a Helena Águas - Lena d'Água, é uma biografia 'sui generis', que revela dotes narrativos desconhecidos da cantora e nos permite partilhar a glória vivida por esse pai herói que tantas alegrias deu aos benfiquistas e a Portugal. A Não perder."


José Jorge Letria, in O Benfica

Saber ser grato

"Ter a possibilidade de, como atleta, servir um dos poucos clubes míticos no Mundo deveria ser encarado como um privilégio. Os privilégios agradecem-se.

Recentemente, ao ler o livro que Helena Águas escreveu sobre o seu pai, o nosso José Águas, percebia-se o sentimento de permanente agradecimento que o grande José Águas tinha para com o Benfica, os seus colegas de equipa e os adeptos do clube. A todos, em vários momentos, José Águas agradecia. Além disso, agradecia o privilégio de poder ter servido o Benfica com tal dignidade que acabou por fazer parte do património simbólico de todos nós, benfiquistas.

A vida deu-me o privilégio de trocar ideias, conversar e debater o Benfica com muitos dos que foram (e são) faróis do benfiquismo e exemplos de gratidão para com o Benfica. Desde Nené a Rui Costa, passando por Pietra ou Toni, todos demonstram, nos pequenos gestos, nas expressões que utilizam e nas ideias que veiculam, uma gratidão ao Benfica apenas ao alcance dos que sabem ser humildes na grandeza. São-no naturalmente, sem gestos calculados, sem teatralizar o sentimento, ou seja, são-no genuinamente. Perceberam que, pela sua conduta, passaram a fazer parte da história simbólica do Benfica. E, também por isso, não desperdiçam o privilégio de ficar com as pessoas, os adeptos, os benfiquistas, na sua história.

Alcançar este patamar não se consegue a beijar o emblema, a envergar a braçadeira de capitão ou a fazer declarações de circunstância. Consegue-se com respeito pelo Benfica e gratidão honesta pela possibilidade de se tornar um símbolo para milhões de pessoas. Uns sabem perceber o tempo, o espaço e o modo. Esses são os que ficam. Outros nunca perceberão sequer o tema abordado neste texto. Esses são os que passam."

Pedro F. Ferreira, in A Bola

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Diário de praia em torno de Luisão

"Diálogos entre benfiquistas de férias, entre a praia e o sofá, com grande espírito crítico e capacidade de arrependimento face à pré-época e ao primeiro jogo oficial


Domingo, 24 de Julho

-ALGUÉM viu o jogo dos lagartos esta madrugada?

-Ganharam 2-1 à Juve com dois golos de Djaló.

-À Juve? À Juventude de Évora?

-Não, estão eufóricos porque ganharam à Juventus de Turim, a velha senhora...

-Oh pá, se ganharam a uma velha senhora, isso não tem valor nenhum.

-Estou aqui a ler que o Gaitán quer ser aumentado.

-Quer ser aumentado? Pendure-se numa porta a ver se cresce.

-Quer ser aumentado no salário, não quer ser aumentado em altura. E ele nem sequer é dos jogadores mais baixos do plantel.

-O Luisão já chegou?

-Acabou de aterrar.

-Onde?

-Em Lisboa.

-Ah, bom. E o que é que ele disse?

-Diz que chegou a altura de dar lugar aos mais novos.

-Quais novos?

-Sei lá. Diz também que lhe é indiferente ser ou não ser capitão do Benfica.

-Isso é grave. Eu tirava-lhe já a braçadeira.

-Eu vendia-o imediatamente. Não queremos jogadores contrariados.

-Eu acho bem mais chato termos adeptos contrariados do que jogadores contrariados.

-Então como é que resolvias o caso Luisão.

-Resolvia à campeão.

-À campeão? Mandavas um jagunço telefonar ao Luisão a ameaça-lo uns pontapés nas rótulas?

-Não, de maneira nenhuma. Resolver à campeão era obrigá-lo a cumprir o contrato até ao fim, jogando ou não jogando. Para exemplo percebem?

-Porque é que as nossas pré-temporadas são sempre tão psicologicamente extenuantes?

-Para os jogadores?

-Não. Para os adeptos. É que a bola ainda não começou a sério e já andamos a ser gozados pelos nossos adversários.

-Vocês são uns exagerados, psicologicamente extenuados estão os adeptos do River Plate que desceram de divisão e andam a ser gozados há um mês pelos adeptos do Boca Juniors.

-A Argentina é um grande país. Gosto de países em que os grandes e poderosos podem descer de divisão. Sou mil por cento a favor da verdade desportiva. Isto em Portugal era impossível de acontecer.

-Mas estás a pensar em descer de divisão?

-Eu não. Mas os outros...




Segunda-feira, 25 de Julho

-ISTO é incrível. Parece que vamos jogar contra o Trabzonspor sem um único jogador português.

-O problema não é esse.

-Então qual é o problema?

-O Barcelona, por exemplo, também joga sem um único jogador português e ninguém se queixa...

-Ah, pois, a questão da qualidade...

-E o que é que sabem do Luisão?

-Já está a treinar-se com os colegas, com um ar muito bem-disposto. Se calhar esta novela toda foi uma invenção da comunicação social para nos desestabilizar.

-Foi com certeza.

-Estou aqui a ler que o Carlos Martins está à procura de um novo clube.

-Mas porquê?

-Diz que tem o futuro indefinido e está lesionado.

-Gostava que o Benfica tratasse bem o Carlos Martins porque é um jogador que sempre respeitou a nossa instituição e que sempre que não foi titular nunca levantou problema nenhum.

-Sim. E deu o litro pela malta sempre que jogou.

-Então e novidades do Luisão?

-Está a treinar-se-

-Não foi convocado pelo Mano Menezes para o Alemanha-Brasil de 10 de Agosto em Estugarda.

-É para aprender a não faltar ao respeito ao Benfica.

-O Hulk também não foi convocado.

-É normal. Imagina que se lesiona ao serviço do Brasil. Com uma cláusula de rescisão tão elevada as companhias de seguros associadas ao escrete não se arriscam a segurar um diamante de tal quilate.

-O Mano Menezes deve ter bons padrinhos na CBF. Consegue não ser despedido depois da Copa América.

-O seleccionador argentino foi logo à vida...

-Sim, mas a Argentina é um país a sério no que diz respeito ao futebol. Lembrem-se que até um clube ultrapoderoso como o River Plate acabou por descer de divisão. Em Portugal isto nunca aconteceria...




Terça-feira, 26 de Julho

-NOVIDADES do Luisão?

-Já estive a ler A BOLA e diz que ele está a treinar-se com um sorriso e evidenciando um estado de espírito mais expansivo do que é habitual.

-Eu dava-lhe a expansão...

-Não sejas assim, é o nosso capitão.

-Apesar de lhe ser indiferente ser ou não ser capitão.

-Estou aqui a ler que o Nuno Gomes marcou o seu primeiro golo ao serviço do Sporting de Braga.

-Ainda vai à Selecção.

-A falta que ele ainda nos vai fazer...

-O quê? Passaste os últimos 10 anos a dizer que o homem não jogava nada e agora já nos faz falta?

-É uma questão afectiva.

-O Jorge Jesus diz que não somos favoritos no jogo com o Trabzonspor.

-Demonstra realismo e isso é sempre de louvar.

-Acho que é a primeira vez na nossa história que vamos jogar contra um clube que tem um presidente na prisão por trafulhices.

-É o que nós sempre sonhámos em jogar contra um clube com o presidente na prisão.

-Sim, mas não era contra o Trabzonspor.

-A Turquia é um país a sério!

-Como a Argentina!

-Não sabem o que se passou na Argentina?

-Não.

-Afinal o River Plate não desceu de divisão. A Federação argentina decidiu alargar o campeonato da 1.ª Divisão para 38 clubes de modo a salvar o River.

-A sério?

-Isso é duplamente incrível.

-Duplamente incrível?

-Sim. Em primeiro lugar porque os poderosos são poderosos em qualquer lugar e em segundo lugar porque se prova que o futebol argentino tem uma grande capacidade de renovação...

-Renovação?

-...Sim, ainda conseguem fazer um novo campeonato com 38 clubes e quase oitocentos atletas em acção apesar do Benfica ter comprado quase todos os jogadores que se destacaram na Argentina na época passada.

-Oh, cala-te!




Quarta-feira, 27 de Julho

-VIRAM este remate do Gaitán?

-Só por isto merece ser aumentado.

-Mas ainda há pouco estavas a mandá-lo pendurar-se numa porta.

-Cala-te.

-Acho incrível estarem a assobiar o Luisão.

-Mas ainda anteontem estavas a dizer...

-Vai entrar o Nolito.

-Olhem, golo do Nolito...

-O Witsel é jogador de futebol.

-Este Gaitán tem mesmo de ser aumentado, que bonito golo.

-Mas ainda anteontem...

-Calem-se!"


Leonor Pinhão, in A Bola

Capitão por exemplo

" «Luisão chegou e parecia que vinha a treinar com a equipa todos os dias. Fez um grande jogo e a trabalhar é um exemplo de profissionalismo.»


Jorge Jesus, treinador do Benfica, a seguir à vitória de ontem sobre o Trabzonspor




COM ou sem braçadeira, Luisão é líder. Da defesa, como ontem se viu, apesar de ter chegado há dias à Luz e de nunca ter jogado com Garay ou Emerson; e do balneário, de acordo com todos os relatos de jogadores, antigos e actuais que vão chegando.


Jesus diz que o central brasileiro é um exemplo de profissionalismo em campo. Talvez não o seja a falar, mas é difícil levar a mal um jogador que é sincero ao dar a entender que gostaria de sair mas que ao mesmo tempo garante que não está contrariado no seu clube. Nem pode estar, porque assinou contrato de livre e espontânea vontade. Ontem Luisão jogou como sempre. Não devia ser notícia , mas é, porque há muitos casos de jogadores que querem sair, amuam e quando jogam não rendem nem metade...


Não sei se Luisão vai ou não sair do Benfica; há quem diga que não faz sentido ficar com jogadores contrariados, outros defendem que os contratos são para cumprir. No caso do capitão das águias (se ficar será sempre capitão, mantendo ou não a braçadeira) é natural que o segundo argumento ganhe força. Afinal, já no passado Luisão manifestou vontade de sair, sempre ficou e o seu rendimento não baixou por causa disse.


De qualquer forma, andar em filmes destes todas as pré-épocas não ajuda. Desgasta. E admito que na Luz haja quem esteja a ficar farto de Luisão. Mas que o girafa fará falta, como ontem se viu, disso não tenho dúvidas."


Hugo Vasconcelos, in A Bola

Novo Jesus no novo Benfica

"Nada de jactâncias, frieza de análises. O melhor plantel, não o melhor onze. Mas como não favorito face ao Trabzonspor?!


JORGE JESUS diferente do que foi nos dois primeiros anos na Luz. Refiro-me ao discurso público. E diria radicalmente diferente. Agora, nada de jactâncias, nada de garantias de sucesso. Aprendeu dura lição: da euforia do título nacional para demasiado extenso rol de fiascos. Agora, não assegura conquista do próximo campeonato, muito menos repete que há-de ser campeão da Europa... Pelos vistos, teve eco um certo mea culpa de Luís Filipe Vieira, certeiro na crítica sobre grande falta de humildade - e nesse tremendo erro justamente se incluindo...

Desta feita, Jorge Jesus afasta-se de prematuros entusiasmos, exibe frieza nas análises. Exemplo: afirma ser este o melhor plantel que já teve, mas não a melhor equipa. Duplamente correcta análise.

Mão cheia de recentes aquisições parecem assegurar bom leque de alternativas que o Benfica há largos anos não possuía. Artur e Eduardo, face a Roberto e Júlio César; Garay perante Jardel, na segunda metade da época anterior; Emerson e Capdevila, este um senhor campeão europeu e mundial, concorrendo, em vez do miúdo Carole (quanto a mim, forte promessa, mas muito verde), à vaga de Coentrão; Matic muitíssimo acima de Airton, Witsel em galáxia inatingível por César Peixoto e Filipe Menezes; Enzo Pérez e Urreta no combate à saída de Salvio; Nolito e Bruno César onde havia apenas Gaitán - e, creio, mais cedo ou mais tarde, possibilitando a Gaitán saltar de extremo para função que muito mais lhe dimensionará grande potencial de alta qualidade; Rodrigo ou Mora, travando com Cardozo, Saviola e Jara a discussão de que Kardec e Weldon eram incapazes e que a Nuno Gomes não foi permitida. Esta abundância de boas soluções é importantíssima para enfrentar intenso desgaste em múltiplas frentes de luta. E sabe-se como o Benfica caiu a pique na ponta final da época anterior, exausto e com gritante vazio de alternativas aos lesionados Salvio e Gaitán.

Deste muito bom plantel - para ser excelente, falta-lhe, sobretudo, digo eu, firme rival de Maxi Pereira, pois o polivalente Rúben Amorim é muito mais médio do que defesa-direito e vem de problemática lesão; quiça também alternativa a Cardozo no estilo, atlético, mas desejavelmente mais rápido, de ponta-de-lança que Jorge Jesus prefere - sairá o melhor onze em três anos com Jesus ao leme? O treinador já disse não. E decerto não foi por mera cautela que o disse. Acontece que o melhor onze benfiquista desde há muito tinha Di Maria, Ramires, David Luíz e Fábio Coentrão... Exactamente esses que criaram mais-valias de uns 80 milhões de euros e são titulares do Chelsea ou do Real Madrid...

Jorge Jesus faz muito bem em mudar o seu discurso, trocando desmedidos entusiasmos por fria prudência. No entanto, escusa de exagerar... Afirmou que o Benfica não partiu favorito para eliminatória perante o Trabzonspor, inesperado vice-campeão turco que, mesmo tão-só na média/baixa roda europeia, era desconhecido. Como assim o Benfica, ainda por cima este Benfica com muito reforçado plantel, não assume claro favoritismo quando, sendo 17.º no ranking da UEFA, defronta o 137.º?!


PRIMEIRO round da eliminatória: o resultado não sonegou a lógica, o Benfica é, sim, favorito. Verdade que o 2-0 foi arrancado a ferros, durante demasiado tempo houve razões para a desconfiança de Jorge Jesus. Adversário bem organizado, valente, tendo boas ideias na contra-ofensiva; sobretudo, lenta, embora positiva, evolução do Benfica. Quatro aquisições já se destacam: Artur, Emerson, Garay e... Nolito, cujas características de furar, furar para a baliza iniciaram o triunfo. Mas foi a obra de arte de Gaitán a criar razoável tranquilidade para Istambul."


Santos Neves, in A Bola

Mais valia o quê?

"Não há dia no defeso do futebol em que não se fale de uma mais-valia. Contrata-se um jogador: é uma mais-valia. Muda-se um técnico: é uma mais valia. Aposta-se em jovens: é uma mais- valia. Investe-se na experiência dos mais velhos: é uma mais-valia. Tudo mais-valia. Sem mais cá, nem mais lá.

A mais-valia começou por ser a expressão marxista da diferença entre o valor dos bens produzidos e dos salários recebidos por quem os produz. Depois, passou para outros destinos, em particular o da gestão. E, por fim, chegou ao futebol, embora quase ao invés: tende ser a diferença entre os salários de quem joga ou treina e o valor dos resultados produzidos. Ou seja, começando por ser mais-valia acaba por se transformar, não raro, numa menos-valia.

O curioso é que quase sempre usamos a expressão mais-valia no singular quando formulamos um desejo ou falamos de uma expectativa. Por exemplo, aquele jogador vai ser uma mais-valia. Já no plural, as mais-valias significam uma situação que se verificou: ou no registo contabilístico ou no pagamento do imposto sobre as ditas...

A mais-valia futebolística anda de braço dado com outra curiosa expressão: reforço, às vezes quase pleonasticamente acrescentado de um adjectivo: reforço positivo. No entanto verificamos que enquanto o reforço vai para o banco, o Banco recebe o reforço. Ou uma mais-valia reforçada. Do mal, o menos, dirão uns. Quanto mais, menos, dirão outros.

A estória da mais-valia de um jogador acaba muitas vezes não com um final feliz, mas desconsolado. À entrada é tudo uma mais-valia. Depois a valia perde o hífen e deixa de ser mais, e mais valia não ter sido. Isto é, não ter entrado."

Bagão Félix, in A Bola

Bom resultado...



Benfica 2 - 0 Trabzonspor



Não foi uma exibição de outro mundo, mas foi uma exibição positiva, ainda com alguns erros é verdade, mas com excelentes indicações para o resto da época. Os Turcos são uma equipa chata, que sabe trocar a bola, pouco objectiva no ataque planeado, mas perigosos no contra-ataque. Com estas equipas muito fechadas, que dão porrada, com a complacência do árbitro, é preciso ter paciência, e o Benfica hoje teve paciência. Existem sempre aqueles Benfiquistas que assobiam, e exigem ataques à 'maluca', mas o mais importante, hoje, na minha opinião era não sofrer golos, e tirando algumas desconcentrações, poucas, o Artur teve pouco trabalho. Curiosamente após cada um dos golos do Benfica, permitimos, ingenuamente, duas oportunidades ao Trabzonspor. Além destes dois lances, só em contra-ataques após cantos (ou livres) favoráveis ao Benfica é que os Turcos 'aceleraram' (já com o Toulouse tínhamos permitido contra-ataques nestas situações, a rever...). A táctica super-defensiva dos Turcos, resultou durante muitos minutos, devido à falta de profundidade dos nossos laterais, Maxi a 100% será muito importante, para desbloquear estes 'muros'...

O Apitadeiro não trouxe nada de novo, dois penalty's claros, o segundo então foi escabroso!!! Vários Amarelos perdoados aos Turcos, inclusive 'segundos' Amarelos!!! Não são só os Tugas, a incompetência/corrupção é generalizada...!!!

Eliminatória bem encaminhada, mas ainda falta 90 minutos, o ano passado com o PSV a vantagem também era boa, e depois foi um susto!!! Os Turcos vão ter que abrir mais espaços em Istambul, mas exige-se muita concentração...




Artur com confiança, Emerson perfeito defensivamente, Garay com classe, Luisão Gigante a comprovar que jogador de futebol deve 'falar' é dentro do campo, regresso em grande do Amorim, pouco atrevido a atacar, mas bem a defender, Maxi recebeu merecidamente a maior ovação da noite, e nem o facto de as coisas não lhe terem corrido bem, o afecta perante os adeptos (justamente). Javi do 'costume', Aimar muito marcado, mas com um passe fenomenal no 1º golo, entrada muitíssima boa do Witsel equilibrando o meio-campo, Enzo ansioso e um autêntico saco de porrada, reafirmo o Nolito vai marcar muitos golos, Gaitán desconcertante, entre o muito mau, e o genial. Saviola em forma, com muita vontade, Cardozo esforçado, mas com poucas oportunidades, e com muitos passes de risco errados (não merece os assobios)...


quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Benfica não sofreu golos!

"É hoje o primeiro dia de jogar a doer (curiosa expressão...) do Benfica. Contra uma equipa sempre difícil para pronunciar e complicada para bater, vinda da pequena cidade turca de Trabzon, na distante costa leste do Mar Negro.

No último jogo de preparação, contra o Toulouse, o Benfica teve de tudo: paella espanhola, tango argentino, rodízio gaúcho e um escasso cozido à portuguesa. No fim e apesar da sobremesa de um golo tardio por um descompensado Jardel, ficou-me a sensação de não estar ainda assegurada a dosagem certa dos condimentos.

Não obstante, de um aspecto gostei: o Benfica passou para uma nova fase na construção da defesa. Nos anteriores jogos, tal como disse um amigo meu «pior que uma má defesa, é não se ter defesa». Neste jogo, com um cheirinho de classe de Garay e uma promissora estreia do lateral Emerson, já houve lugar a uma certa ideia defensiva. Sei que falaram Luisão, Maxi Pereira e ainda o reforço (de fora) Capdevila e o reforço (de dentro) Ruben Amorim. Não coisa de somenos, entenda-se.

Um ponto tem-me custado a compreender: sabendo-se, há muito, que a probabilidade de Coentrão sair era quase de cem por cento, por que razão foi a sua posição a última a ser preenchida, não havendo por isso a necessária rotina para uma eliminatória em que podem estar em jogo milhões de euros?

Voltando ao jogo contra os franceses, registe-se, que ao fim de 143 dias e 24 jogos consecutivos (significativamente depois da inexplicável saída de David Luíz a meio de uma época), o Benfica não sofreu golos! Não é certamente um recorde do Guiness, mas creio que será na história do clube.

A não repetir, mas a contrariar. Espero que já hoje, neste primeiro jogo a sério em 2011/2012."


Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sejam decentes: -devolvam as taças!

"O Benfica vai disputar o acesso ao «play-off» da Liga dos Campeões com um clube envolvido no escândalo de resultados viciados. Nada de novo. Há trinta anos que o Benfica disputa o Campeonato português com um clube envolvido em escândalos de resultados viciados. Na Turquia, as principais equipas da I Divisão estão envolvidos em escândalos de resultados viciados. Em Portugal só uma equipa da I Divisão está envolvida em escândalos de resultados viciados.

Na Turquia, os dirigentes de uma das principais equipas da I Divisão, chocados com o facto de se verem envolvidos em escândalos de resultados viciados, resolveram devolver à federação a Taça da Turquia conquistada sob suspeitas. Eu diria: um gesto decente. Em Portugal são poucos os dirigentes de clubes capazes de gestos decentes. Mesmo muito poucos. Se fossem decentes, os dirigentes do único clube português da I Divisão envolvido em escândalos de resultados viciados devolveriam a Taça do Campeonato ganho à custa dos favores do árbitro Carlos Calheiros que passou férias no Brasil à conta do único clube português que oferece viagens a árbitros. Se tivessem um pingo de decência, os dirigentes do único clube português da I Divisão envolvido em escândalos de resultados viciados devolveriam as taças dos Campeonatos ganhos à custa das arbitragens vergonhosas de Rosa Santos, Martins dos Santos, Soares Dias (pai), Donato Ramos e Raúl Ribeiro que chegou a vislumbrar um «penalty« sobre Futre, em Coimbra, aí a uns bons cinco metros fora da grande-área. Mas isso era de fossem decentes, coisa que não são, pelos vistos.

Se fossem decentes, os dirigentes do único clube português da I Divisão envolvido em escândalos de resultados viciados devolveriam as Supertaças ganhas graças às arbitragens de José Pratas e Pedro Proença, por exemplo, e as taças correspondentes aos Campeonatos ganhos graças às obras de arte de Soares Dias (filho), Pedro Proença (outra vez), Olegário Benquerença, Elmano Santos, Vasco Santos, Hugo Miguel e outros senhores que estão sempre prontos a agradar àquele que os quer ver de cócoras. E, já agora, devolveriam a taça da Liga Europa que meteu uma mariscada valente oferecida a um árbitro sabujo e o mais que se está para saber...

Pois... Mas há gente que nem por dinheiro é capaz de um gesto decente..."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (o 'Corno'!)

"Quando no final da época passada Pinto da Costa, numa onda de euforia desmedida, bem ao seu jeito, gabava o extraordinário trabalho de André Villas Boas, nunca pensou que o mesmo, sentado na cadeira do sonho, o «encornasse» de forma tão violenta e dolorosa!

Esta expressão tauromáquica, bem portuguesa, tem o significado que se ajusta mais à situação vivida pelo presidente do FCP pela forma como gosta de ridicularizar os seus adversários e rivais não olhando a meios para ferir aqueles que não comungam as suas ideias. Por isso a violência da «colhida» foi aplaudida de pé pela multidão com direito a cinco voltas ao redondel, duas orelhas e rabo! Conseguiu, essa incomparável figura, proporcionar aos seus muitos «amigos do peito» momentos de imenso prazer ao vê-lo traído por quem lhe tinha jurado paixão eterna!

Surpreendido terá ficado depois AVB. É que para comprovar a sua bestial «dor de corno» veio adornar o assunto com insultos ao bom do André, apelidando-se do invejoso, incompetente e medroso, deixando no ar a ideia de que muito se terá falado ao longo da época de Mourinho e das suas façanhas ao serviço do FCP... utilizando o seu nome para incentivar a vingança, etc. Agora, o que ele nunca pensou era que este romance tão lânguido, tão exultante e de paixão arrebatadora terminasse tão depressa assim!

Quem semeia ventos... colhe tempestades!

Ao longo de tantos anos de experiências várias, a vida já devia ter ensinado ao Guru do futebol português, como um dia António Oliveira lhe chamou, que estas paixões estão na razão directa das libras, dos euros ou dos dólares! Depende do freguês!"


João Diogo, in O Benfica

Os intocáveis

"Há jogadores cuja cotação de mercado se torna de tal modo elevada, que acaba por suplantar o peso desportivo que têm nas respectivas equipas. Esses são os jogadores vendáveis, devendo ser negociados, preferencialmente, no momento em que essa cotação atinge o pico máximo. Por muito que gostássemos de Di Maria, David Luíz ou Fábio Coentrão, e por maior que fosse a sua importância no conjunto 'encarnado', verbas de 30 milhões de euros não são de recusar. As suas saídas foram, pois, excelentes negócios, e devemos aceitá-las como fruto das vicissitudes do Futebol moderno.

Já aqueles cujo cotação é - por via da idade, ou por qualquer outro motivo - inferior ao peso que têm na equipa, não se podem deixar partir em circunstância alguma. Luisão e Maxi Pereira correspondem a este segundo paradigma, pelo que as suas eventuais vendas, ponderando equilibradamente aspectos desportivos e financeiros, traduzir-se-iam sempre num péssimo negócio para o Benfica.

Não se trata de sentimentalismos, nem de gratidões ou ingratidões. Trata-se de perceber que há um fio condutor nas equipas, e que esse fio tem um valor que o mercado não reconhece. Trata-se de entender que, embora não havendo insubstituíveis, há elementos cuja importância torna, num dado momento, indispensáveis a uma ideia colectiva.

Luisão é a trave mestra da nossa equipa, e o seu jogador mais importante, dentro e fora do campo. Falamos de alguém que, com a sua integração no Clube, o Benfica dificilmente iria conseguir substituir por menos do que os 20 milhões da sua cláusula de rescisão. O mesmo é válido para Maxi Pereira, um dos jogadores mais competitivos que vimos actuar na Luz nos últimos anos. Um e outro têm características morfológicas, e, sobretudo, psicológicas, muito pouco comuns. São eles os alicerces do futebol do Benfica, fazendo todo o sentido vê-los de 'águia ao peito' até ao fim. E se tiverem de sair um dia, que seja quando, em final de carreira, a sua ausência já não se fizer notar."



Luís Fialho, in O Benfica

Todos por um

"Artur é um excelente guarda-redes e já o havia provado na época anterior, sereno e concentrado. Nolito faz crer que daqui a um ano clubes multi-milionários entrem na corrida pelo seu passe. Matic em poucos jogos provou que os olheiros do Chelsea fizeram bem em aconselhar a sua contratação. Witsel é menos espectacular mas creio que não tardará a deixar a sua marca no SLB. Enzo Pérez e Bruno César apresentam qualidades que Jorge Jesus saberá eficazmente desenvolver... posso continuar por aí fora mas, na verdade, quem me traz aqui são as certezas, os 'craques' que transitaram de 2010/2011.

1. Gaitán. Poucos duvidam de uma época triunfal do extremo argentino. parece ser a solução para diversos tipos de problemas que o ataque seja forçado a enfrentar. É um «abre-latas» com lugar no onze oficial argentino.

2. Jara. Independentemente das escolhas do treinador, tem condições para ser titular e marcar muitos golos. Móvel, criativo, exímio a criar espaços e a colocar-se livre em zona de finalização. É um goleador, muito diferente de Cardozo, mas um grande jogador.

3. Javi Garcia. Até a central mostra que está ao nível dos melhores. Capitanear uma equipa de futebol no caso de Javi é uma inevitabilidade, não um prémio mas o resultado da selecção natural de talentos. Pode ser capitão, pode ser o patrão da equipa.

4. Saviola. Esta coluna de opinião é escrita imediatamente após a conquista de mais um torneio do Guadiana, domingo à noite. Admito que possa parecer prematuro mas digo que Saviola está embalado para repetir o melhor que fez com a camisola do SLB. Em forma, o atacante torna-nos novamente temíveis junto às balizas adversárias.

Agora que a Benfica TV pede aos telespectadores que entrem num novo ciclo de conteúdos futebolísticos, eu peço a todos quantos sentem o «Benfica Sempre» que nos unamos no apoio a esta equipa. Todos por Um."


Ricardo Palacin, in O Benfica

Estabilidade

"Vi pela TV o Benfica ganhar o Torneio do Guadiana e gostei, claro, porque gosto sempre de ver o Benfica ganhar. E também porque o Benfica ganhou batendo um adversário a sério, empatando com outro - o resultado suficiente para vencer o Torneio - e ganhando a si próprio. Isto é, ganhando o jogo por uma equipa que tem que ser, sempre, algo mais que um conjunto de jogadores. Em pouco mais de três semanas após o regresso ao trabalho, com ausências de vulto e muitas presenças novas no plantel, o Benfica já mostrou algum fio de jogo na manobra atacante e na finalização, integrando jogadores novos e valores da casa.

E daqui faço votos sinceros para que a equipa de Futebol Profissional do Benfica alcance uma condição essencial para futuros triunfos e para uma época digna dos pergaminhos do Clube. Essa condição é a estabilidade. Estabilidade no conjunto do plantel, sem perturbações nem mudanças convulsivas e traumáticas, estabilidade em cada um dos sectores da equipa, com atletas que confiem uns nos outros, dentro e fora do campo, que respeitem a autoridade natural quando ela existia e que, acima de tudo, dêem tudo em cada situação pelo Clube que os contrata, os acolhe e os rodeia do carinho de uma massa associativa como não há outra.

Escrevo, pensando como qualquer simples adepto, que é o que sou. Não tenho informação privilegiada que me permita distinguir notícias de boatos. E assim devo confessar que há notícias - ou serão boatos? - que me inquietam, porque penso que a concretizarem-se não contribuem para a estabilidade, nem sequer para a qualidade da equipa, e não as vejo desmentidas como boatos, nem tão pouco justificadas com razões ponderosas que o comum dos adeptos desconhece e não entende."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Missão impossível

"Os italianos são masoquistas, gostam de se autoflagelar. Pergunto-me é se essa expiação lhes serve de arrependimento e emenda, o que duvido. O escândalo Calcioscommesse (um esquema de combinação de resultados para vencer fortunas nas apostas on-line) tem preenchido a agenda mediática desde o dia em que eclodiu, há pouco mais de um mês. Não digo que se exagere, mas preferia menos conversa e mais acção. Se é que, aqui chegados, ainda se vai a tempo de salvar alguma coisa deste futebol de nababos, a nadar em milhões. Quando o desvario começa na própria cúpula da FIFA e na corrupção que por lá reina, tenho sérias dúvidas de que alguma vez essa missão seja possível. Os negócios que giram à volta do futebol pervertem-no.

A Itália, embora seja reincidente neste tipo de batotas, tem esse mérito de as denunciar, de as condenar e de pedir penas severas para os prevaricadores. A Turquia está a ser varrida por um vendaval de detenções que atinge dezenas de dirigentes de clubes como o Besiktas, Fenerbahçe, Trabzonspor (que amanhã joga na Luz)... todos envolvidos em subornos e manipulação de resultados; na Bulgária as equipas, incluindo o Levski e o CSKA de Sofia, estão nas mãos da máfia russa para lavar dinheiro sujo e aqueles que tresmalharem e não respeitarem o código da omertá são raptados e/ou mortos (os três últimos presidentes do Lokomotiv Plovid foram assassinados!); na Grécia, Alemanha, Inglaterra e Espanha Não faltam casos de corrupção e viciação de resultados mas aqui, ao contrário de Itália, preferem escondê-los para não estragar a imagem.

O estádio Dr. Magalhães Pessoa, propriedade da Câmara de Leiria, está à venda e o UD Leiria vai jogar na Marinha Grande. Desacertos nas contrapartidas a pagar conduziram a este triste e estranho divórcio. Já agora, gostaria de saber quanto pagam, se é que pagam, a Académica, o Beira-Mar e o Braga aos respectivos municípios."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

E veio a miséria

"Zhang Shangwu foi um ginasta da equipa nacional chinesa, vencedor de medalhas de ouro na Universíada de 2001 e grande esperança para os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Todavia, enquanto treinava para esta participação, teve uma grave lesão no tendão de aquiles que o afastou da equipa e determinou o fim da sua carreira de atleta de alta competição. A indemnização de cerca de 4000 euros, não compensou a falta de formação escolar devida ao facto de ter colmaçado a treinar-se intensamente aos cinco anos de idade. O caminho para o desemprego e miséria, que o levou a empenhar as suas duas medalhas de ouro por cerca de 10 euros, foi rápido. O roubo foi, porventura, a solução de desespero e os 4 anos de prisão a consequência. Uma vez em liberdade, sem ter outro ofício, restou-lhe, aos 28 anos, mendigar nas ruas fazendo acrobacias para sobreviver e ajudar o avô. Foi reconhecido e iniciou-se um processo de reabilitação. Está a viver num hotel pago por um compatriota milionário e recebeu ofertas de emprego. Tornando-se lamentável figura mediática, denunciou outras situações de ex-atletas caídos no abandono e miséria. Logo a notícia correu nas agências internacionais fazendo notar o modo como são tratados os desportistas na China. Santa hipocrisia! Como se isto fosse exclusivo daquele país... O mesmo sucede nas democracias ocidentais tão cientes dos direitos humanos. Nesta coluna já chamámos a atenção para situações muito tristes vividas por antigos ídolos do desporto português. É verdade que o respeito pela condição humana evoluiu no Ocidente de forma significativa e haverá mais cuidado com a dignidade dos cidadãos. Mas isso só nos carrega de maior responsabilidade, sendo perigoso projectarmos estes casos como se fossem característicos de outras culturas. Quando as coisas materiais se sobrepõem ao ser humano, é este que sai desprezado. E, como podemos constatar na crise actual, cada um de nós é uma vítima em potência. Mesmo os que se julgavam a salvo... No desporto, como na economia, a degradação decorre de esquecermos o Homem como finalidade da produção social."




Sidónio Serpa, in A Bola

Parabéns BTV!

"Foi com enorme satisfação e orgulho que tomei conhecimento de que a Benfica TV tinha ganho o direito de transmissão de 180 jogos internacionais onde pontificam algumas das melhores equipas mundiais. Entre jogos de preparação, passando por torneios de prestigio e jogos de selecções, estou certo que vai ser um fartote de bom futebol na nossa TV. É bom futebol na nossa TV. É bom relembrar que a BTV, ao diversificar a sua oferta de produtos premium, está a consolidar o seu público fiel e, ao mesmo tempo, a atingir um outro público, que gosta de ver bom futebol e que não se liga à nossa antena. Com estas transmissões ganhamos dimensão internacional e shares de audiência, factores importantes para continuar a atrair mais investimentos e novas formas de captar receitas. A nossa TV passa a ser um importante player no mercado. Não só porque, desde logo, representa uma das maiores marcas portuguesas, mas porque o seu potencial de crescimento começa a ser apetecível no mercado das operadoras que pretendem transmitir o canal. A ZON deve estar a fazer contas à vida e a carpir mágoas por não poder contar com a BTV. E a MEO esfrega as mãos de contente. Sabe da importância estratégica que se reveste a opção tomada e percebe que o crescimento registado no último ano se deve ao facto de ter a BTV como um produto que pode ser consumido em canal aberto. As contas são fáceis de fazer e o próximo passo acontecerá em breve. A renovação com a SPORT TV ou a venda dos direitos a um terceiro operador. Luís Filipe Vieira já deu mostras que é um verdadeiro mestre da negociação e só podemos esperar um final feliz, ou seja, a marca Benfica sairá muito mais valorizada. De parabéns está o director da nossa estação, Ricardo Palacin, que desde o início se bateu por este tipo de conteúdos. Neste momento, só pode ser um homem feliz e realizado pois tem a responsabilidade acrescida de conduzir este importante veículo de comunicação do Clube e que é cada vez mais apetecido."


Luís Lemos, in O Benfica


PS: Transcrevo esta crónica no intervalo do Bayern - Milan, que por acaso está a ser um excelente jogo... Não fui um activista anti-acordo ortográfico, mas fico feliz que na Benfica TV ainda se escreva 'DireCto' nas transmissões ao vivo!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O peso da responsabilidade

"O Benfica afina os motores para o começo da temporada. Uns partiram, outros ficaram, outros acabam de chegar. É sempre assim, mesmo quando se ganha, já que hoje a mobilidade e a volatilidade do mercado futebolístico faz com que não haja certezas quanto ao futuro de cada jogador na sua equipa, sobretudo se teve êxito, se conseguiu impor-se em termos internacionais e se tem vontade de tentar a sorte noutras paragens. O coração pode morar até ao fim num clube, mas a ambição e o desejo de triunfo fazem com que a razão e a conveniência falem muito mais alto que os afectos.

Por muito que nos custe, no Benfica como noutros clubes, é esta a regra do jogo. Convém não esquecer, parafraseando o Prof. Adriano Moreira, sempre lúcido e certeiro, numa entrevista recente, que vivemos num tempo em que “o preço das coisas é o valor das coisas”. E não existe coração que fale ou bata mais alto que esta lógica implacável.

O Benfica prepara-se para começar e, acima de tudo, para transformar numa verdadeira equipa o colectivo que já é. Sabemos que são duas coisas diferentes e que, por vezes, é grande a distância que as separa. Mas, uma coisa é certa: aconteça o que acontecer, a equipa não pode ter um arranque, em competição a valer, com uma perda de pontos que, logo à partida, lhe comprometa o título. Para isso bastaram o sobressalto e a frustração da época anterior. É demasiado cedo para se vestir a camisola de tons escuros do pessimismo quando tudo está ainda a começar. Para tons sombrios, bastam os da crise nacional, europeia e mundial.

Uma das virtudes e méritos do futebol reside justamente na capacidade que tem de nos fazer acreditar na vitória quando tudo em volta parece querer derrotar-nos. Como sempre, o Benfica tem o destino nas suas próprias mãos e não pode alienar ou delegar essa responsabilidade, por muitas e boas razões. Haverá compromisso maior com o presente e com o futuro?"


José Jorge Letria, in O Benfica

Mais soltos

"1. Escrevo depois do Torneio do Guadiana e antes do jogo de apresentação frente ao Toulouse. Ganhámos o Torneio - o que é engraçado mas não diz nada - mas o mais importante é que a equipa se começa a aproximar do que se pretende, apesar das (naturais) deficiências defensivas, que nos têm custado golos que normalmente não aconteceriam. Vi a equipa bem mais disponível fisicamente, bem mais solta, a fazer 'pressing' alto, a não deixar o adversário sair do seu meio-campo. E já vi algumas boas combinações ofensivas. Ainda será cedo para se tirarem conclusões, mas estamos no caminho certo e com um lote alargado de opções. Começo a estar (moderadamente ainda) optimista...


2. Para muitos, uma das mais 'entusiasmantes' curiosidades dos (demasiados longos) períodos de transferências é saber quais os jogadores que o FC Porto 'rouba' ao Benfica. O Benfica - dizem - descobre-os e o FC Porto contrata-os. Ou o Benfica tenta renovar o contrato com eles e, de repente, aparecem nas Antas ou no Dragão. E depois lá vêm os elogios à 'máquina' ou 'organização' portista. Da Luz já nos levaram (e ainda bem...) o Jankauskas, o Sokota e o Cristian Rodriguez. Os dois primeiros foram 'flops'. O terceiro um pesadíssimo encargo (para se transferir deram-lhe ordenado milionário), que até agora não justificou e do qual não se conseguem ver livres. Além de que - principalmente - a sua saída nos abriu uma vaga que viria a ser preenchida pelo Di Maria. Deu-nos um jeitão!...

À conversa vem sem o nome de Falcao que, esse sim, lamento não termos podido contratar (fala-se também no Álvaro Pereira mas sem ele 'criámos' o Fábio Coentrão. Mas um só nome não justifica tanta conversa. Se o FC Porto se preocupa tanto em contratar jogadores do Benfica ou anunciados como tal, que lhe faça bom proveito. É o mesmo tipo de 'guerrinha' parva que está em todos os discursos ou conversas do seu presidente, que faz sempre do nosso Clube o principal tema das suas palavras.

Claro que, depois, aparece sempre quem, tentando mostrar-se imparcial, critique os dois clubes, falando nas ridículas de um e outro na compra de jogadores 'descobertos' pelo rival. Como se o Sport Lisboa e Benfica já tivesse ido contratar algum jogador dado como certo no FC Porto..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Novos ricos

"From: Domingos Amaral

To: Luís Filipe Vieira


Caro Luís Filipe Vieira

Quando estamos mortos de sede, o primeiro copo de água é fantástico, o segundo necessário, o terceiro um pouco forçado e o quarto insuportável. Chama-se a isto a lei das utilidades marginais decrescentes, e também se pode aplicar à dor.

À primeira, dói muito; à segunda, ainda dói; à quarta ou quinta vez, já não dói nada. Vem isto a propósito do suposto “desvio” de Alex Sandro e Danilo do Benfica para o FC Porto. São mais dois numa longa lista de “desviados”, sempre apresentados como um “drama” pela comunicação social, mas para nós nem chegam a um beliscão. Ainda para mais neste caso.

Senão vejamos: à esquerda, em poucos dias, o Benfica contratou baratinho um bom lateral, campeão de França (Emerson); e muito barato um excelente lateral, campeão da Europa e do Mundo (Capdevila). À direita, não precisávamos de comprar ninguém porque temos, apenas, o melhor lateral a jogar em Portugal, e um dos melhores do Mundo (Maxi Pereira). Portanto, o FC Porto gastou 23 milhões de euros, leiam bem, 23 milhões de euros (!) para “desviar” dois jogadores de que o Benfica ou não necessitava, ou substituiu num abrir e fechar de olhos! Ainda bem que o senhor não enfiou esses barretes.

Se o FC Porto se transformou num capitalista barrigudo e novo rico, com charuto na boca e notas a transbordar do bolso, é lá com eles. Eu ainda sou do tempo em que o FC Porto comprava laterais por 500 mil euros e os vendia por 15 milhões, como Cissokho. Agora, compra-os quase ao preço que antes os vendia. Merece, sem dúvida, o prémio da melhor gestão. Em Portugal e arredores."


Considerações (Ser Benfiquista)

"Ser benfiquista é uma coisa que não está ao alcance de qualquer um. É por tudo isto que aqueles que não são da nossa cor nos odeiam visceralmente.

A grandeza do nosso Clube assusta. Logo, causa inveja e esta passa imediatamente ao tal ódio incontido que cega tudo e todos sem qualquer discriminação social.

Há uns anos, Jesualdo Ferreira, foi o culpado indirecto de José Mourinho não ter regressado ao Sport Lisboa e Benfica. Este, não queria nem vê-lo e Jesualdo não saía nem punha o lugar à disposição sem ser indemnizado. A nossa Direcção bem tentou demover Mourinho, mas nada feito. Assim sendo, Jesualdo continuou até ao jogo com o Gondomar e depois foi colocado em Braga a expensas do Benfica e nem obrigado nos disse. Pelo contrário, veio para Braga dizer mal da nossa instituição. Entretanto, José Mourinho saiu do Leiria para o Porto com os resultados que todos nós conhecemos. Se não fossemos o Clube solidário que somos e um Clube de causas era fácil.

Vamos inverter os papéis. E se isto tivesse acontecido num outro clube bem conhecido? Jesualdo sofria uma cilada, o carro era incendiado, fugia a sete pés e era ele a rescindir o contrato, sem justa causa.

E se Balboa e Zoro estivessem nesse mesmo clube? Teria sido mais ou menos igual: um taco de Basebol na cabeça ou num joelho com a ameaça de que da próxima vez era bem pior. E se fosse um autarca? Ainda mais grave, conforme o lugar que se ocupa na sociedade. Por isso é que eu me orgulho de ser benfiquista. Teremos de continuar cada vez mais a ser gratos e solidários, para sermos cada vez maiores."

José Alberto Pinheiro, in O Benfica

Mais do que um Clube

"A dimensão e implantação social do Benfica obriga-o a ser mais do que um clube. Essa dimensão acarreta responsabilidades para com o país, para com a construção de cidadania.

Neste âmbito, importa realçar o trabalho silencioso, inestimável e que muito me orgulha realizado pela Fundação Benfica. O trabalho desenvolvido ao nível da intervenção precoce sobre os factores de exclusão e o desenvolvimento de mecanismos que promovem o sucesso educativo de crianças e jovens deve ser salientado.

Recentemente, vi declarações do director da Fundação Benfica, Jorge Miranda, sobre os resultados obtidos, logo no primeiro ano de implementação, com o projecto “Para ti, se não faltares!”. Ou seja, um projecto que desenvolveu em largas centenas de jovens uma grande motivação para combater a falta de assiduidade às aulas e, deste modo, melhorar o rendimento escolar. A julgar pelos testemunhos dos pais dos jovens envolvidos, a medida foi um sucesso. Os responsáveis, perante o sucesso obtido, delinearam novas metas, novos objectivos, para continuar a ajudar ao desenvolvimento destes jovens.

Objectivamente, não são estes projectos que nos fazem vibrar e viver diariamente o Benfica. Todos discutimos apaixonadamente sobre quem será o lateral esquerdo, o defesa central que acompanhará o Garay, a necessidade ou não de contratar mais um guarda-redes, a táctica indicada para o plantel.,, Todos defendemos os nossos futebolistas preferidos e olhamos de soslaio para os que tardam em convencer-nos da sua competência. E tudo isto é feito de forma apaixonada e cheios de certezas absolutas que se transformam em certezas relativas com intervalos de noventa minutos.

No entanto, convém que também olhemos para projectos aglutinadores e válidos como os que são desenvolvidos pela Fundação Benfica. Porque o Benfica é, efectivamente, muito mais do que um clube…"


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Levantem-se

Parabéns Maxi

domingo, 24 de julho de 2011

Europeu Junior, positivo...

Sete Benfiquistas disputaram Finais no Campeonato Europeu Junior de Atletismo, que se realizou nos últimos dias em Tallinn, na Estónia.

Faltou uma medalha para dar 'sabor' a uma participação positiva, com vários recordes pessoais dos nossos atletas.

O azar do Ruben Miranda merece 'destaque'. Na qualificação foi o mais forte, era o principal candidato à vitória, e depois na Final do Salto com Vara, no primeiro salto, caiu mal no colchão e fez uma fractura!!! Ficando com um 10º lugar muito amargo...

O Rui Pinto foi 4º lugar nos 5000m, o Rolim foi 5º nos 1500m, e a Marta Pen foi 6ª nos 800m. O Tiago Aperta apesar da tragédia familiar, competiu, e ficou em 10º na final do Lançamento do Dardo e a Susana Godinho foi 8ª nos 3000m.

O Diogo Antunes participou na estafeta nacional nos 4x100m, que conquistou o 6º lugar.

A meia-final da Eva Vital (recentemente recuperada de uma lesão) nos 100m barreiras, também soube a pouco...

Resumindo: positivo, apesar de ter faltado a medalha...