Últimas indefectivações

sábado, 14 de novembro de 2015

Vitória com um percalço pelo meio...

Benfica 3 - 1 Sp. Caldas
25-20, 25-27, 25-16, 25-19

Quando este Benfica perde um Set em Portugal, é porque algo de estranho se passou!!! Isto até é bom sinal: é sinal que as expectativas estão altas... e esta equipa merece expectativas altas!!!
Mas hoje perdemos um Set por culpa própria. Já no 1.º Set ganhámos, mas não jogámos bem... no 2.º Set após o segundo tempo técnico, perdemos a concentração, e já não fomos a tempo de recuperar...
Com a entrada do Gelinski, do Oliveira, do Ché e do Roberto a equipa melhorou, e os últimos dois Set's foram muito bons...

Susto...

Lusitânia 67 - 69 Benfica
8-10, 22-29, 21-15, 16-15

Não sei se foi o cansaço das viagens (Bélgica-Lisboa-Angra), ou das ausências do Cook e do Gentry, ou de uma simples desvalorização da partida, mas não jogámos bem, e tivemos muito perto de apanhar uma grande desilusão... Recordo que devido ao desequilíbrio da Liga, a margem de erro, para manter o 1.º lugar, que dará a vantagem para o Play-off, é muito curta... muito mesmo, portanto é melhor não facilitar.
Acabámos por perder a luta dos ressaltos (37/34), o Lusitânia acabou com 50% (30 pontos) nos Triplos, além disso ainda tivemos o habitual numero alto, de Turnovers por parte do Benfica...
Aparentemente a lesão do Cook é ligeira, e estará disponível na Quarta, para as competições Europeias.

Últimos minutos fatais...

Sporting 31 - 29 Benfica
(17-14)

Segunda derrota da época, num jogo equilibrado, que podia ter caído para qualquer uma das equipas, mas uma 'branca' do Benfica, depois do 25-26 a nosso favor, custou-nos caro. Já no 1.º tempo tínhamos tido uma situação parecida, após o 10-10...
Perder nunca é bom, mas num Campeonato que vai ser decidido em Play-off, neste momento o mais importante é a evolução da equipa, e num jogo contra uma equipa teoricamente mais forte, que fez um fortíssimo investimento, ao contrário da aposta mais ponderada do Benfica (10 jogadores formados no Benfica na ficha de jogo), e ainda sem o Tiago e o Ronny, creio que estas duas derrotas fora de casa, contra os adversários mais fortes - nesta 1.ª volta -, não são preocupantes... Agora, temos que melhorar a eficácia ofensiva...
Hoje, voltámos a ter dificuldades a jogar em superioridade numérica e voltámos a falhar golos fáceis aos 6 metros... algo que tem sido recorrente.
O nosso melhor guarda-redes é o Figueira, mas as suas qualidades são demasiado conhecidas pelos nossos adversários internos, talvez por isso o Mitrevski tenha jogado tanto tempo, e até esteve bem nos 7 metros...

Arrasadores !!!

Benfica 13 - 1 Candelária

Foi uma primeira parte verdadeira diabólica, 11-1, primeiro com o João a marcar quatro e depois a dupla catalã a fazer o resto!!! Muita velocidade, excelentes golos, contra um adversário frágil, com poucas opções, mas com alguns jogadores experientes...
No 2.º tempo deu para descansar, o 2-0 acabou por saber a pouco!!! Agora, é claro o crescimento desta equipa desde o início da época, estamos no bom caminho...

O pugilista de perna curta

"Na opinião do presidente do Arouca o presidente do Sporting é “um homem sem palavra”. A expressão vale-se de um doce eufemismo que o decoro consente e que, melhor ainda, obsta ao prolongamento da conversa noutras instâncias. O grande público desconhece a natureza da situação que gerou este desabafo. E o presidente do Sporting não se deu, até este momento, ao trabalho de contrapor à acusação implícita que lhe foi dirigida a sua lapidar saída para estas ocasiões que é um “fartei-me de rir” que já vai fazendo História. Todos estaremos de acordo no que importa ao nosso futebol. É que seja um lugar bem frequentado. Há indícios optimistas neste capítulo.
O presidente do Arouca, por exemplo, recorre a figuras de estilo do século XIX para evitar o insulto. Melhor esteve ainda o presidente do Benfica quando, no ano passado, vendo-se acusado publicamente pelo presidente do Sporting de lhe ter confidenciado num telefonema que “os melhores reforços são os árbitros” respondeu delicadamente com um “é feio dizer mas Bruno de Carvalho mentiu”. Que expoente de boas maneiras este reconhecimento do que é feio dizer, note-se. Quanto ao presidente do Sporting, posto no seu lugar e logo num assunto tão capitoso que, imagine-se, metia árbitros e tudo, respondeu como lhe manda a virtude. “Fartei-me de rir, não houve telefonema nenhum, estava a ironizar.” Estava apenas na pandega.
No último mês de Outubro, logo depois de ter insinuado que o Benfica aliciava árbitros, o presidente do Sporting voltou à cartilha para anunciar que muito se ia rir com a resposta do presidente do Benfica. Mas desta vez a resposta não chegou. O silêncio do presidente do Benfica foi então celebrado como uma derrota do rival, uma assunção de culpa que o conduziria à II Divisão, no mínimo.
Tudo faz crer que a situação agora se alterou já que o espalhafato do mês passado foi reduzido pelos visados – os árbitros – à sua realíssima essência. E, assim sendo, o silêncio do presidente do Benfica já não é visto como sintoma de derrota mas sim de perversa “estratégia” intelectual. Como naquele velho filme do Chaplin-pugilista de perna curta, escondendo-se sempre atrás do árbitro na tentativa vã de derrubar o adversário maior do que ele, o presidente do Sporting vai continuar a ironizar até onde puder e, provavelmente, a arrecadar aos três pontos de cada vez."

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Paciência... épica !!!

Benfica 2 - 0 Lokomitiv Kharkiv

Antes de começar a partida sabíamos que tínhamos que vencer por 2-0, o 1-0 podia não chegar, ficávamos a depender de terceiros (por acaso com o empate do Slov até podia ter chegado!!!).
Os Ucranianos do Lokomotiv, reconheceram a nossa superioridade e optaram por uma estratégia de zero risco!
O Benfica foi sempre superior, as estatísticas confirmam, o resumo das oportunidades mostra claramente o nosso maior caudal ofensivo, mas nós sabíamos que não podíamos sofrer golos, sabíamos que eles iam jogar no nosso erro, e que iam dar muito pouco espaço (mesmo nos contra-ataques o Lokomotiv deixava sempre dois jogadores lá atrás)... Por tudo isto, o jogo acabou por ser jogado com muitos nervos, com poucos espaços, e com receio mutuo.... Com os Ucranianos a defenderem com todos os jogadores nos últimos 10 metros durante grande parte do jogo!!!
Quando conseguíamos ultrapassar a barreira do Lokomotiv aparecia o guarda-redes ou os postes, o jogo parecia bloqueado, até que o Fernando, após uma excelente simulação enganou os Ucranianos, e mandou um bico lá para dentro!!!
O jogo mudou, faltava 6.30m o Benfica arriscou um pouquinho mais... Numa jogada deixámos o Chaguinha a Fixo, com o Pivot adversário, que com o corpo facilmente ultrapassou o nosso jogador, isolou-se, mas rematou ao lado. Após este raro desperdício, comecei a acreditar mais...!!!
Só arriscámos o 5x4 a cerca de 1.30m do fim. Estávamos naquela situação onde o 1-0 podia ou chegar!!! Durante esse 1.30 nunca arriscámos, nunca rematámos, trocámos a bola, via-se que tínhamos uma jogada planeada (calcanhar para um remate do Patias ou do Fernando de longe...), mas o Lokomotiv estava preparado...
Até que já em desespero, a bola vai para o Brandi, que numa daquelas situações, onde o Alan estica a perna, e vence a dividida com o adversário (algo bastante comum nele... muito raro num avançado!!!), tenta assistir o Patias, a bola é desviada e vai ter com o Fábio, que consegue fazer o mais difícil, pois com a baliza toda aberta, meteu a bola rasteira, por baixo do corpo de um defesa, e por entre as pernas do guarda-redes, mesmo ao meio da baliza...!!! Tudo isto, a 2 segundos da eliminação!!!
Festa, muita festa... em Brastilava, e em todo o Mundo Benfiquista, por mais este triunfo épico, deste Benfica, que continua a dar-nos vitórias, com muita raça, crer e ambição... e nem o facto de hoje ser Sexta-feira, 13 nos parou!!!
Estamos na Final-Four - Inter(Esp), Ugra(Rus), Pescara(Ita) -, não somos favoritos, mas tenho a certeza que vamos lutar até ao fim!
Cometemos muitos erros no jogo com o Slov-Matic, temos alguns jogadores a recuperar de lesões, ainda longe da forma ideal... o caso mais evidente é o Chaguinha, que é talvez o nosso principal desequilibrador. Mas continuamos a demonstrar um enorme pragmatismo e eficiência... em todas as competições. Com muito coração na forma como nos entregamos aos jogos, mas com muita cabeça na forma como trabalhamos os jogos, antes e durante... sem ataques malucos, e sem defesas cheias de buracos...
Parabéns a toda a secção. Mereciam uma Final-Four em Lisboa, mas como o ano passado os Lagartos envergonharam o País, mais uma vez no Pavilhão Atlântico, este ano a Final deve ser noutro local... provavelmente em Espanha, com o Inter a apostar forte na vitória...

Joel Rocha destaca trabalho diário dos Jogadores

Publicado por Zona técnica - Futsal em Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Festa no Balneário do SL Benfica

Publicado por Zona técnica - Futsal em Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Imaginem...

"A vitória sobre o Boavista deu ao Benfica 15 dias de sossego para preparar os jogos que podem definir a época. O jogo da Taça de Portugal contra o Sporting, a jornada europeia e a deslocação a Braga (este o jogo mais importante) ditam muito do que será a temporada 2015/2016 do Benfica.
O Benfica tem tido prejuízo sucessivo nas arbitragens desde o início do campeonato. Se os nossos rivais tivessem metade destes erros a penalizá-los caía o Carmo e a Trindade. Sem erros de arbitragem, o Benfica, mesmo a jogar menos bem, já liderava o campeonato. Foi o jogo contra o Arouca, foi o jogo do Dragão, e falo também em jogos que ganhámos, o golo fora de jogo do Moreirense só não foi dramático porque Jonas resolveu. Têm sido sistemáticos os erros para um só lado. Imaginem que o penalty não marcado do Arouca-Sporting... tinha beneficiado o Benfica em vez dos leões? E o golo/penalty fora de jogo no Sporting-Estoril? E o lançamento dentro de campo ao minuto 95 que dá o golo ao Sporting contra o Tondela? O que se escrevia se fosse o Benfica? Este ano, se queremos ganhar, teremos que ser muito melhores que os adversários. Prejudicar o Benfica e beneficiar os rivais virou moda e prova de coragem arbitral.
As modalidades do Benfica estão globalmente muito bem, mas discordo completamente desta moda, de quase todas terem play-off a decidir o título. O campeonato deixa de ser uma prova de regularidade e transforma-se numa mini Taça de Portugal a eliminar, em quase todos os casos. Só o basquetebol, por inspiração americana, tem fundadas raízes para este modelo competitivo. Discordo desta cedência a ditaduras das televisões que querem finais empolgantes e incertos em detrimento da verdade desportiva de um campeonato. Há em alguns casos até a possibilidade de fazer contratações apenas para essas fases decisivas da prova. Parabéns à federação de hóquei que mantém o modelo correcto e justo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Agora a sério

"Anda meio mundo a discutir a introdução das novas tecnologias no futebol e outro meio a tentar perceber o que se discute.

Não falta, nos tempos que vão correndo, quem levante a voz em defesa das novas tecnologias no futebol. Parece, porém, falar-se muito mas concretizar-se pouco. Hoje, é o presidente do Sporting que dá a ideia de ser o porta-estandarte dessa bandeira; mas não há muito tempo, também o presidente do Benfica chegou a juntar a sua voz na Assembleia da República na luta pela introdução das novas tecnologias no futebol a bem da verdade desportiva.
O assunto vem merecendo ampla discussão, e ainda bem, porque é preciso muito cuidado a tocar uma modalidade desportiva com mais de cem anos e um jogo tão apaixonante em todo o mundo. O que não se tem visto é uma discussão tão esclarecedora como seria desejável tendo em conta exactamente a importância do jogo e das emoções que ele produz.
Sim, parece cada vez mais consensual a ideia de que é indispensável fazer alguma coisa no jogo de futebol para procurar que ele traduza no fim um resultado sobretudo mais verdadeiro. Nesse sentido, a inclusão de sensores de baliza que determinem sem qualquer espécie de dúvida se a bola ultrapassou totalmente ou não a linha de golo parece-me, a mim e julgo que a todos, uma decisão absolutamente inquestionável.
Não será admissível, na verdade, que possa depender do olho de um qualquer árbitro (o de campo, o de linha ou o auxiliar) as decisão de validar ou não um golo, sendo o golo o objectivo final do jogo e, portanto, o seu factor primordial. É muito difícil tolerar que um clube gaste milhões de euros numa equipa e possa vê-la sujeitar-se à anulação de um golo marcado de forma clara e limpa num qualquer jogo de futebol, ainda mais, evidentemente, num jogo da importância financeira e desportiva como tem qualquer jogo das competições continentais ou mundiais de clubes ou selecções.
Simplificando, já é tempo de validar ou não um golo com a certeza absoluta porque há na realidade meios que o permitem. O golo é a essência do futebol; não pode nem deve suscitar dúvidas!

Bem diferentes me parecem, porém, os ângulos da discussão sobre a já famosa necessidade de se recorrer ao videoárbitro, por se falar muito sobre o assunto mas continua a perceber-se pouco o que se ouve. Na teoria, é simples mas na prática, a questão não deixa de ser relativamente complexa. Imaginemos que nas mais importantes competições cada jogo passaria a dispor de um videoárbitro. E quem ele pode recorrer?, apenas o árbitro ou também os treinadores de cada uma das equipas? E se os treinadores também puderem, poderão recorrer quantas vezes? Entre duas e quatro vezes por jogo? E o árbitro também? Decide-se se o podem fazer duas, três ou quatro vezes por partida e está resolvido o problema? Será assim? E em que circunstâncias pode recorrer-se ao videoárbitro? Só em lances dentro da grande área? Que possam traduzir-se em castigos máximos? E só se o jogo parar? E se o jogo não parar?, poderá um treinador (ou um árbitro) ter, por exemplo, o poder de cortar um contra-ataque de um adversário para analisar um lance duvidoso? E se não tiver razão? Já penalizou a equipa contrária, será que passa igualmente a ser também penalizado? Em que medida? Mas será que deve o árbitro ter recurso ilimitado ao videoárbitro? Em qualquer circunstância? Parando o jogo sempre que o quiser? E vai o futebol continuar a ser futebol?

ainda uma outra questão - porventura a mais complexa de todas - que parecem querer ignorar todos os que têm vindo a defender de forma mais firme o já vulgarizado tema das novas tecnologias no futebol: a questão da interpretação.
Que sirva de exemplo o lance que no último domingo se verificou no jogo Arouca-Sporting, quando o brasileiro da equipa da casa, Adilson, se envolveu num choque com o brasileiro da equipa leonina Naldo, na grande área sportinguista.
Ponto de ordem à mesa: não houve, na minha opinião, razão para grande penalidade.
Como sempre em lances de natureza semelhante na grande área de uma das três equipas grandes ou do adversário que defrontam, o choque de Adilson em Naldo suscitou ampla controvérsia e também dividiu as opiniões. Ou seja, muitos olhos a verem e nenhuma decisão consensual. Para ti é grande penalidade mas para mim não é!

Nesse lance, o jogo parou porque a bola acabou por sair, se não estou em erro, pela linha de fundo, e portanto podemos imaginar com relativa facilidade que o árbitro recorreria ao videoárbitro; ou só o árbitro ou também os treinadores.
A que conclusão chegariam?
Como se decidiria?
O lance seria visionado colegialmente mas acabaria decidido apenas pelo árbitro?
E se o árbitro continuasse a decidir mal?
Esclareço a minha opinião sobre o lance referido: na televisão, admito realmente que fique a ideia de que Naldo, de forma esperta, usa o corpo, já em queda após escorregar, para tentar impedir que o adversário possa jogar a bola.
Mas ninguém pode afirmar tal intenção.
Além disso, nada nas regras do futebol impede que Naldo mergulhe naquele lance para tentar desviar a bola de cabeça, antecipando-se assim ao adversário que, vindo na direção oposta e com os olhos apenas na bola, não vê o opositor, choca e cai.
O problema é que se uns viram no lance razão para grande penalidade, outros tantos consideraram correta a decisão do árbitro de nenhuma falta assinalar.
Mesmo como videoárbitro... lá ficaríamos todos na mesma.

Em resumo, sim às novas tecnologias no futebol mas não se discuta no ar como fazê-lo. Já se pensou criar um grupo de trabalho para discutir o assunto a fundo - envolvendo árbitros, treinadores, jogadores, jornalistas, dirigentes... - e produzir um documento, contribuindo para um debate sério e não para a gritaria do costume? Pensemos nisso!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Quando um profissional da comunicação social desportiva, vem discutir a intencionalidade de um derrube - quando a única infracção no Futebol que obriga a uma avaliação da intencionalidade, são os lances de Mão na Bola -, estamos esclarecidos sobre a qualidade do dito profissional...!

Ontem, Arouca foi uma lição...

Por vezes, observando o desolador aspecto de muitas bancadas vazias, em jogos da Liga portuguesa, interrogamo-nos sobre a verdadeira dimensão do vínculo existente entre o futebol e os adeptos. Normalmente, atribui-se ao concurso de diversos factores - fraca qualidade do espectáculo, preços demasiados altos e horários impróprios - a ausência de público, deixando-se, ainda, a porta entreaberta para a possibilidade do entusiasmo pelo jogo estar a perder fôlego. No meio destas dúvidas, porém, surgem exemplos que devolvem a esperança e apontam caminhos. Ontem, em Arouca, com a RTP a transmitir em canal aberto, 3800 espectadores, maioritariamente jovens, assistiram ao Portugal-Albânia em sub-21 (e mais seriam se a UEFA não impedisse a utilização amovíveis) um número superior aos 3000 (jogo dado pela Sport TV) que presenciaram, há escassos dias, no mesmo palco, o Arouca-Sporting. Através deste exemplo, creio não ser abusivo colocar de lado a tese de que há um menor interesse pelo futebol. A vontade de ir ao estádio permanece intacta, o desejo de fazer a festa ao vivo sobrepõe-se à opção televisiva. Se a este factor juntarmos uma política de preços mais de acordo com o país real e uma lógica de horários que não seja dissuasora, haverá forma de inverter o caminho de desertificação das bancadas em que estamos enredados. Infelizmente, muitos clubes ainda não perceberam que não há bem mais precioso do que ter espectadores nos estádios. É essa a mola real do desenvolvimento. A FPF continua, neste particular, a dar lições. E às vezes até fica a sensação de que anda a pregar no deserto."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os batoteiros

"No final de 2014, a Agência Mundial Anti dopagem (AMA) criou uma Comissão Independente para investigar os factos denunciados no documentário do canal de televisão alemã ARD intitulado 'Os segredos do Doping. Como a Rússia faz os seus vencedores'. No documentário denunciam-se alegadas práticas organizadas de doping, corrupção para viciar o processo de recolha e gestão de resultados dos exames antidoping envolvendo atletas. técnicos, treinadores, médicos, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o laboratório sedeado em Moscovo e a Agência Antidoping da Rússia.
O relatório, apenas agora tornado público, é demolidor. Acusa a Rússia de criar um esquema de doping sem precedentes para conquistar medalhas, com o envolvimento de médicos, atletas, treinadores e dirigentes ao mais alto nível, excluindo do sistema quem a ele se opusesse. Alerta ainda a Comissão de que a Rússia não é o único país, nem o atletismo o único desporto, a ser atingido pelo problema do doping organizado.
A independência e rigor dos órgãos que tutelam a estrutura desportiva é fundamental, não confundido a sua função com a do adepto, não aceitando fechar os olhos a troco de dinheiro, status político ou glória efémera. Valorizar os atletas limpos deve ser uma prioridade inequívoca e total, punindo exemplarmente quem viola as regras. Todo e qualquer agente que contribua para a viciação do resultado tem de ser sancionado, em prol da verdade desportiva e dos valores ínsitos no desporto.
Há quem entenda que banir atletas, treinadores, dirigentes ou organismos envolvidos nestes esquemas organizados e sistematizados é radical! O que pensarão os atletas que os viram subir ao pódio no seu lugar graças à batota? E os apaixonados adeptos que respiram a competição?"

Mário Santos, in A Bola

Olé!

"«Com 14 milhões de adeptos em todo o mundo, 120 jogadores, um estádio com 65 mil lugares e 500 mil subscritores do seu canal de televisão, parece lógico que a tecnologia faça parte da estratégia de negócio do Benfica». É assim que começa a peça jornalística publicada pelo jornal diário espanhol El Mundo no passado dia 4 de Novembro. O destaque ao bicampeão nacional português foi dado por este ser, como diz o título da notícia, 'o primeiro clube hiperconectado: estádio, plantel e adeptos'.
É assim a grandeza do SL Benfica que muitos em Portugal continuam a não querer mostrar e que outros procuram todas as semanas denegrir. E é esta a nossa grande diferença.
Enquanto um treinador de nome difícil de pronunciar 'planta' notícias contra o SL Benfica num jornal desportivo espanhol de pouco alcance, graças aos favores de um seu amigo jornalista, o Glorioso é dado como exemplo num dos jornais mais reputados de Espanha. E sem que ninguém do clube faça alguma coisa para isso. Acontece graças ao trabalho e ao facto de o Benfica estar hoje na crista da onda tecnológica em relação à comunicação e ao futebol. A parceria com o gigante chinês Huawei para melhorar a ligação wifi no Estádio da Luz é apenas uma das muitas medidas que provam o avanço e a diferença do SLB em relação aos outros, aos que apenas invejam, criticam e nada fazem. Podíamos falar do sucesso financeiro do projecto BTV ou do avançado sistema de treinos 360s, mas nem é preciso. Quem acompanha a realidade do Benfica sabe do que se fala. E se não aplaude, é porque não quer ver. Sim, a equipa de Futebol não está ainda na posição da tabela que todos queremos, mas isso é temporário. Já quanto à posição do Clube na elite dos mais avançados tecnologicamente, essa é definitiva. É mais um título que ninguém nos tira."

Ricardo Santos, in O Benfica

De Luisão a Renato Sanches

"A breve troca de passes entre Renato Sanches e Luisão, no término da partida frente ao Boavista, revestiu-se, creio, de grande significado e simbolismo. A estreia do nosso médio, ainda júnior, no estádio da Luz, após uma curta participação em Aveiro, foi, assim, apadrinhada pelo nosso capitão, em tarde de particular importância para o central brasileiro que, como habitual, foi ignorada pela generalidade da comunicação social, mais preocupada com o acessório do que com o essencial.
Daqui a uns tempos, mais próximos até do que se julga, poucos se recordarão das críticas extemporâneas, injustas e alarmistas aos desempenhos de Luisão. No entanto, o marco atingido pelo defesa-central constará na história. O nosso capitão igualou, em número de jogos, Francisco Ferreira, sendo agora o 11.º futebolista com mais presenças em jogos da equipa principal do Benfica (523). À sua frente, apenas Nené, Coluna, Humberto Coelho Shéu, Bento, Eusébio, Simões, Toni e Cavém.
Naqueles passes entre Renato Sanches e Luisão, o futuro foi trocado pelo presente, que inclui já Gonçalo Guedes, no seu primeiro ano de sénior, a marcar golos e a fazer assistências, tornando-se rapidamente num dos valores mais válidos do nosso plantel. Não fossem as sucessivas arbitragens a beneficiar o Sporting (já são tantas que, apesar da péssima exibição Benfiquista no dérbi, legitima recordar o penálti perdoado na Luz ao Sporting estava ainda 0-0), a afirmação destes jovens poderia ser ainda mais enaltecida. Já se sabia que a implementação desta filosofia acarretaria riscos desportivos. É pena que as más arbitragens os potenciem. Pedro Proença bem ameaçou que iria mudar o 'Futebol'..."

João Tomaz, in O Benfica

O Capitão

"A história do Benfica está recheada de grandes jogadores, e de grandes capitães.
Homens que transportaram a mística pelos estádios de Portugal e da Europa, homens que personificaram vitórias e ergueram troféus, homens que inscreveram o seu nome, a letras de ouro, na memória colectiva do benfiquismo.
Lembro-me de Toni, de Humberto Coelho, de Manuel Bento. Já não vi jogar Mário Coluna, mas qualquer benfiquista sabe bem o que ele representou para o clube. Orgulho-me do simples facto de ainda o ter podido cumprimentar pessoalmente.
Cada um na sua dimensão, cada um a seu tempo, estes nomes foram símbolos do Benfica. Todos eles escreveram pedaços de história pelo seu próprio punho.
No século XXI, creio que um só jogador atingiu semelhante nível de simbolismo na nossa equipa de futebol. Esse jogador chama-se Anderson Luís da Silva, vulgo Luisão.
Grandes craques passaram entretanto pelo clube. Mas a volatilidade do mercado que caracteriza os tempos modernos não permitiu que se fixassem por muitos anos entre nós. A dimensão superior de Luisão resistiu a tudo isso, e este brasileiro (ou português, ou simplesmente benfiquista) entrou para a nossa família, construiu doze anos de carreira de águia ao peito, e promete não ficar por aqui.
Inevitavelmente, um dia Luisão deixará de jogar. A lei da vida não permite excepções. Mas não tenho dúvidas de que esse dia ainda está demorado, tal a forma como o nosso capitão se exibe, como comanda a equipa, como sua a camisola que veste, como dá o exemplo aos mais novos.
Luisão já está na história. Já escreveu história. Mas o ponto final ainda vem longe."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Colinhos: uns têm a fama e outros o proveito

"A campanha do colinho
1. Quando o Benfica ganha - o que tem sido, ultimamente, a regra, com os que estavam habituados a ganhar, a qualquer custo, como se sabe, a excepção - nunca é por mérito próprio...
Para eles, que já não ganham há algum tempo, o Benfica tem sido «levado ao colo», por ser alegadamente beneficiado nas arbitragens... É a tese do colinho!
De facto, daquilo que se tem visto no campeonato português, só os que têm má fé ou são tontos... deixam que lhes atirem areia para os olhos... Quanto ao passado, não é preciso recuar muito no tempo! Todos nos lembramos daquele que foi o maior escândalo do futebol português... Ou já não se lembram do Apito Dourado e dos seus acusados de corrupção?! Altura em que, curiosamente, os mesmos -, exactamente, esses mesmos... - ganharam quase sempre!
Não me canso de lembrar e de me bater por aquele que é o escândalo desportivo que mais nos envergonha, apesar de saber que se trata de um esforço (quase) inglório, que não dá Campeonatos... mas dá autoridade moral para lutarmos por aquilo em que acreditamos e para combatermos os que só assim os conseguiram ganhar!
Até porque, sempre acreditei na existência de árbitros abençoados... Por eles, poderia o sistema estar descansado... para se equilibrar (ou inclinar, dependendo das circunstâncias concretas) um campeonato!
À imagem do que tem vindo a acontecer nos últimos 30 anos...
Mas, ainda assim, não se cansam de recorrer aos mais baixos truques de comunicação para tentarem fazer passar a ideia que o Benfica é que é beneficiado!!!
Por nós, e por muito que isso lhes custe, continuaremos a ganhar, porque nunca precisamos de ser levados ao colo, nem... de nomeações para vencer! Ao contrário do que quererem fazer crer... E ao contrário dos outros... e dos que pensam que para ganhar não é preciso ser melhor, mas, apenas, fazer muito... barulho! 

Os tempos do pós Apito Dourado
2. No futebol (no futebol dos que o inundaram com droga, prostituição e corrupção) há coisas que nunca mudam... E, mais uma vez, não é preciso recuar muito... Para reavivar a memória de alguns e alertar os mais distraídos...
Lembram-se da forma como o Porto ganhou o campeonato na época 2011/12, na Luz? Com um (outro) escandaloso golo em fora-de-jogo!
Estávamos na 21.ª jornada, a 2 de Março de 2012, num clássico que foi dirigido por Pedro Proença, actual Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Maicon marcou ao minuto 87 o golo da vitória (2-3) em... fora-de-jogo... do tamanho dos Clérigos. Isso sim foi um roubo de catedral, como diria alguém. Numa entrevista, dada em Março de 2014 - curiosamente, dois anos depois desse episódio -, Pedro Proença assumiu a responsabilidade do seu erro, tendo mesmo afirmado que ele poderia ter marcado o título nacional. O próprio árbitro-assistente desse jogo assumiu, ainda nesse ano (em Setembro de 2012), tratar-se de um... «erro de avaliação»... provocado por um «momento de desconcentração». O mais grave de tudo é que esse tipo de erros custam, por vezes títulos e campeonatos... Nesse caso, custou o campeonato nacional ao Benfica!
Mas, mesmo assim, passe-se uma esponja por cima disso e continuemos alegremente e anunciar o Benfica é que é beneficiado!

Marco Ferreira
3. Por falar em arbitragem e em... benefícios...
Marco Ferreira é o ex-árbitro do principal escalão de futebol do momento! Depois de alegadamente ter acusado Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, de contactar os árbitros antes dos jogos do Benfica... E de vir desmentir posteriormente... dizendo que Vítor Pereira nunca lhe pediu para beneficiar o Benfica...
Não obstante o diz que disse, trata-se do árbitro que foi despromovido no final da época passada, por ter ficado em último (ou num dos últimos???) lugar na lista da Federação Portuguesa de Futebol... curiosamente!
É, por isso, no mínimo estranho que as denúncias de supostas pressões coincidam com a sua desproporção. No entanto, não posso deixar de constatar que a despromoção se deveu a uma questão de mera... incompetência! Uma denúncia nesses termos, de ninguém que não teve a coragem de o fazer enquanto esteve na primeira categoria ou, até, aquando da sua nomeação para arbitrar a final da Taça de Portugal, vale o que vale...
Ainda assim, deixo um desafio (e, até, um conselho de amigo!) a todos aqueles que, como Marco Ferreira, pretendem denunciar alegadas pressões de Vítor Pereira: façam-no antes de descerem divisão! Só para não correrem o risco de serem mal interpretados...
Tenho para mim que se trata de (mais) uma estratégia para destruir, não o Benfica em si, mas para pressionar as arbitragens para... arbitrarem contra o Benfica e beneficiarem os adversários! Até porque não são os árbitros que vêm falar, são as fontes!
Mas vamos ao histórico de Marco Ferreira na época 2014/15, em jogos do Benfica: Na época passada o Benfica perdeu três jogos...
E foi arbitrado 3 vezes por Marco Ferreira. Dessas 3 vezes que Marco Ferreira arbitrou jogos do Benfica, perdeu, curiosamente dois: Braga vs. Benfica, da 8.ª jornada (2-1) e Rio Ave vs. Benfica da 26.ª jornada (2-1). Mas, ainda assim, o Benfica é levado ao colo... como é evidente!

Curiosidades desta época...
4. Esta época o Sporting, e só para dar alguns exemplos recentes, ganhou ao Estoril, em casa por 1-0, em jogo arbitrado por Jorge Ferreira. O golo da vitória, que valeu três pontos, foi marcado através de grande penalidade... que, por sua vez, foi precedida de fora-de-jogo... Um lance irregular, portanto!
Coincidências!
Mesmo assim, diz-se, o beneficiado é o Benfica!
Na última jornada, no Arouca-Sporting, arbitrado por Cosme Machado, terminou em 0-1. Curiosamente, e antes desse golo, houve uma grande penalidade - pelo menos e para não me alongar muito! - por marcar contra... o Sporting! E o Benfica é que é beneficiado... De facto, e em conclusão, uns têm a fama e outros o proveito... Mas quanto a nós... nada temos a temer! Além de lutar diariamente e jogo a jogo pela verdade desportiva - embora isso não seja mais do que a nossa obrigação moral! -, temos, apenas, de nos focar no essencial, para que, no fim de cada jogo, a equipa esteja grata aos adeptos pelo apoio dado... e que os adeptos estejam gratos à equipa pelo resultado final!
Porque o colinho... dos nossos adeptos... é o que lhes dói!
E o que nos orgulha!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Mudança de cores

"Hoje falo de cores. No desporto, onde elas sinalizam história, respeitam memórias (embora menos) e andam de braço dado com o merchandising em danças coloridas, nem sempre compreensíveis à luz da tradição que lhes deveria estar implícita.
A evolução das cores vai sendo sensível às modas, à mudança compulsiva, à globalização até. Camões, nos seus Sonetos, falou da mudança. Quase apetece adaptar os primeiros versos, dizendo:
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
muda-se a confiança:
Toda a cor é composta
de mudança,
Tomando sempre novas
qualidades.
Quem, há poucos anos, imaginaria equipamentos com algumas das 212 cores que a Wikipedia assinala, mesmo assim uma amostra na infinitude de tons, intensidades, parceiras ou incestos coloridos?
No desporto português, três cores sobressaem, como é óbvio: duas são compostas: o azul-e-branco e o verde-e-branco. A terceira é o inigualável encarnado, eufemismo para que, outrora, os benfiquistas não fossem todos chamados de comunistas e que hoje serve para distinguir a região de onde se é natural: encarnado para o lisboeta, vermelho para parte do país.
Ora, é a propósito do encarnado benfiquista que termino esta crónica. É que há uma situação (colorida) que me faz confusão. Todas as modalidades têm a sua camisola com o bem vivo vermelho (tão próprio que o distingue de outros, como os do Liverpool, Man United, Arsenal, Bayern, etc.). Excepto o basquetebol que usa uma cor algo indefinida entre o vermelho do SLB e o grená, uma espécie de vermelho mais tinto. Estranho... Porque será? Gostaria de saber a resposta."

Bagão Félix, in A Bola

Os três Gaitáns do Benfica

"Entre a partida de um e a chegada de outros, pode até vir a dar-se o caso de o Benfica fazer coincidir três Gaitáns no mesmo plantel durante algum tempo. O próprio, que é argentino e dá pelo nome de Nico, e os dois protótipos que estão perto de aterrar na Luz: Franco Cervi, que é igualmente argentino, e Zivkovic, o novo prodígio do futebol sérvio.
Cervi, 21 anos, já é mesmo jogador do Benfica e só falta saber se embarca para Lisboa no final de Dezembro ou apenas em Junho. Já Zivkovic, 19 anos, ainda não está garantido, mas tudo indica, que é uma questão de tempo. Ainda ontem, a revista inglesa 'Four Four Two' dedicava na sua versão digital um alargado espaço ao talentoso jogador do Partizan de Belgrado com um título muito sugestivo: "O Messi sérvio que prefere o Benfica ao Barcelona."
Na sua natureza futebolística, Gaitán, Cervi e Zivkovic são tão semelhantes que se tornam quase inconciliáveis. Tê-los simultaneamente em campo é trocar uma equipa por um parque de diversões. Encaixar dois deles no mesmo onze, aliás, já não deixa(rá) de ser um bom quebra-cabeças para qualquer treinador.
É por tudo isto que se torna óbvio que esta anunciada renovação de Gaitán será mais um prémio de produção do que propriamente um projecto a longo prazo. O número 10 do Benfica, um digno sucessor da camisola que foi de Pablo Aimar e de Rui Costa está destinado a ser estrela, num dos grandes campeonatos europeus. Tem sido uma bênção vê-lo desfilar nos relvados nacionais, mas o ciclo está a chegar ao fim. Há muito tempo que Portugal se transformou numa camisa demasiada apertada para Gaitán."

Desporto doente faz o mundo pior

"Sepp Blatter está suspenso do cargo de presidente da FIFA sob suspeita e desacreditado pelo escândalo de corrupção que rebentou envolvendo toda a organização e uma parte significativa dos seus membros do comité executivo. Os tempos têm sido muito difíceis para aquele que chegou a ser um reizinho universal e, por isso, Blatter tem estado internado num hospital suíço, por sofrer de uma angustiante crise de stress.
Na UEFA, as coisas não estão melhores. Platini desejava suceder a Blatter, mas o ainda presidente da FIFA arrastou o francês para o mesmo terreno movediço das suspeições e da ausência de credibilidade. Até na supostamente incorruptível Alemanha da senhora Merkel surgiu a triste notícia de pagamentos ilícitos com o propósito de garantir o Mundial de 2006 naquele país, o que levou à demissão do actual presidente da federação alemã de futebol.
Não se podem rir, porém, outras modalidades desportivas, nem sequer essa organização que deveria estar acima de qualquer suspeita, o Comité Olímpico Internacional, onde também têm recaído várias suspeitas de favores e de decisões viciadas.
Entretanto, o atletismo mundial ficou exposto a um escândalo de dimensão única, que envolve o ex-presidente da IAAF, Lamine Djack, e todo o estado russo, acusado pela agência mundial antidopagem de fomentar uma política de vitórias a qualquer preço.
O desporto, ao mais alto nível, está profundamente doente. Sofre dos males de uma sociedade insaciável de poderes e privilégios. Logo o desporto, que deveria ser um exemplo para o Homem e para o mundo."

Vítor Serpa, in A Bola

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Vitória sofrida...

Física 3 - 6 Benfica

Resultado enganador. Estivemos muito tempo a perder. Vi a coisa preta!!! A Física a vencer por 3-2, teve a oportunidade de fazer o 4-2, com jogadores isolados várias vezes, mas o Trabal resolveu...!!!

Até começamos bem, a dominar completamente o jogo. Só marcámos um golo, na 1.ª parte, mas podíamos e devíamos ter marcado 4 ou 5, tantas foram as oportunidades... e acabou por ser a Física a empatar num 'chouriço'!!!
No 2.º tempo, jogámos pior, continuamos a assumir o jogo, mas criámos menos perigo, e acabou mesmo por ser a Física a passar para a frente, com o 2-1. Carregámos, mas teve que ser o Nicolia a inventar o empate!
Pensei que seria a reviravolta, mas a partir daqui, a equipa desequilibrou-se, demonstrámos demasiada ansiedade pelo terceiro golo, e acabámos por dar muito espaço... e sem surpresas a Física voltou a passar para a frente! Continuámos sôfregos, como já disse, a Física podia ter aumentado a vantagem, mas acabámos por conseguir empatar, com um grande golo do Adroher...
Logo a seguir, num penalty... o Diogo na recarga (provavelmente o jogador mais rápido do Campeonato!!!) meteu o Benfica na frente, e 'matou' o jogo... O Nicolia de Livre Directo (15.ª falta) e o Diogo nos últimos segundos, voltaram a marcar...

É muito importante, não facilitar. Este é um Campeonato de regularidade, e este ano, tanto o Benfica como a Oliveirense parece estarem bem encaminhados, para não perderem pontos!!! As competições Europeias são importantes, mas também podem atrapalhar a preparação destes jogos tradicionalmente difíceis...

Não percebo, a insistência nas bolas paradas no Nicolia! O aproveitamento esta época, tem sido muito baixo... sendo que o Torra, tem falhado muito pouco. Os jogos podem ser decididos nestas situações, não entendo o risco...

O potencial existe, mas temos que o demonstrar...

Slov-Matic 5 - 4 Benfica

Má exibição, mas nada está perdido.
Jogámos demasiado na expectativa, mas mesmo assim fomos melhores: rematámos mais, mas voltámos a falhar demasiados golos... O facto do guarda-redes adversário ter sido o melhor jogador no Pavilhão é um bom indicador do que se passou... E ainda por cima, facilitámos na defesa, algo raro nesta equipa. O próprio Juanjo não esteve bem...
É a primeira derrota do Joel como treinador do Benfica, no tempo regulamentar (e sem expulsões dos 2 guarda-redes!!!). Nos últimos tempos, tivemos alguns problemas físicos em vários jogadores, acabaram por recuperar, mas ainda falta ritmo de jogo, principalmente ao Chaguinha...

O jogo esteve 2-2 durante muito tempo, e quando surgiu o 3-2 para os Eslovacos (num livre que para mim não existiu... minutos antes, já tinham inventado um canto contra o Benfica), perdemos a concentração. Apostámos logo no 5x4, faltavam 6 minutos, mas levámos com mais 2 golos praticamente de seguida... nos últimos segundos, ainda conseguimos reduzir, o que até foi bastante importante, pois a qualificação poderá ficar decidida na diferença de golos!!!

As contas parecem complicadas, mas são simples: se vencermos o Lokomotiv por dois golos de diferença estamos qualificados automaticamente. Se vencermos somente por um golo de diferença, teremos que ficar à espera de uma não vitória do Slov contra o Ekonomac, algo bastante improvável. Portanto a receita é simples, vencer os Ucranianos por 2 golos de diferença. Sendo que os Ucranianos até agora foram a melhor equipa deste mini-torneio. Temos como é óbvio de jogar melhor, mas o potencial existe, um Benfica normal, vencerá...

Râguebi e futebol

"Volto ao Mundial de râguebi. Já aqui escrevi que, embora não dominando certas regras e características deste jogo, me entusiasmei mais com este torneio do que com a overdose de futebol que nos entra pela casa a dentro.
Há dias, li no El País, um excelente texto de autoria de John Carlin, de que aqui transcrevo, com a devida vénia, algumas partes.
Diz o autor: «Depois de ter visto o Mundial de râguebi, o que me aconteceria se o 'disco duro da minha memória' se apagasse e começasse a ver futebol e râguebi pela primeira vez? Para qual dos dois me inclinaria?».
Mais à frente: «O râguebi não é um desporto para loucos. Nem para cobardes. Os jogadores de râguebi sangram, não fingem, e o respeito que têm para com os árbitros e para com os rivais contrasta fortemente com a cultura queixinhas nos campos de futebol. Quando os aficionados do râguebi, são o espelho dos jogadores: menos histéricos e mais generosos na hora de reconhecer os méritos dos adversários».
Chama a atenção de que a própria política não invade o râguebi do mesmo modo que em outros desportos. Exemplifica com o apoio dos ingleses aos Pumas da Argentina na meia-final, em pleno estádio londrino de Twickenham. «Alguém se lembrou das Falklands ou Malvinas?». Em suma - conclui - «provavelmente encantar-me-ia mais pelo râguebi, se tivesse começado do zero. Mas o futebol continua a ser o meu jogo favorito». E refere, curiosamente, uma vantagem sobre o râguebi: «É a de ser fisicamente mais democrático: os atletas baixos e levezinhos tem tantas ou mais possibilidades de triunfar que os grandalhões». E exemplifica com Messi e Maradona."

Bagão Félix, in A Bola

A tripla sanção

"Tripla sanção é, traduzindo de futebolês técnico para linguagem do dia a dia, o que acontece a um jogador que aos 90 minutos de uma partida que a sua equipa está a ganhar por um golo se substitui ao guarda-redes e segura uma bola com a mão dentro da área, de modo a impedir o adversário de empatar: o árbitro assinala grande penalidade, o jogador é expulso e ainda cumpre suspensão no (s) jogo(s) seguinte(s).
Para Gianni Infantino, candidato à FIFA a tripla sanção é - disse-o em entrevista a A BOLA - «a coisa mais absurda do futebol».
Sim, a mais absurda de todas, que isso de haver cláusulas de rescisão de contrato de mil milhões de euros; de miúdos de 15 anos estarem presos a clubes; de haver salários em atraso; de haver corrupção na atribuição de Mundiais; de árbitros não verem bolas dentro de balizas ou verem penalties que mais ninguém viu; de haver petardos e tochas em estádios, tudo isso - e mais algumas coisas - é irrelevante ao pé do enorme problema em que consiste esse crime lesa futebol de o rapaz em causa, só porque faz um penalty que evita o empate, ter de cumprir o castigo de ver ser marcado penalty, ser cumprida a lei com a expulsão e, ainda, suprema injustiça, ficar de castigo no jogo seguinte.
No fundo, o que este homem-que-só-quer-mandar-na-FIFA-se-o-chefe-Platini-não-puder está a dizer-nos é que temos de proteger os batoteiros, porque, coitados, é demais essa coisa do triplo castigo. O que Infantino ainda não explicou é se a suspensão no jogo seguinte valerá caso o guarda-redes defenda o penalty. Ou se um jogador que recebe dois cartões amarelos por faltas a meio campo merece o triplo castigo (faltas, expulsão e suspensão).
Gostava de ouvi-lo dizer, isso sim, que o Futebol não gosta de batoteiros. Mas a actividade que repudia batoteiros chama-se desporto, não alta finança."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Vieira sabe por onde ir

"Gonçalo Guedes apresentou-se ontem na Selecção de Portugal e no período de poucos mais de três meses é o segundo jovem da fornada de talentos, que está ser preparada em temperatura adequada por Rui Vitória, a captar a atenção de Fernando Santos, depois de Nélson Semedo, um miúdo mais adulto do que muitos adultos com anos de experiência, entretanto prejudicado por grave lesão. Dois casos, apenas, que precisam de espaço, como preconiza o treinador, e, principalmente, de tempo para poderem afirmar-se, mas, ao mesmo tempo, dois exemplos significativos sobre o sucesso que se adivinha para o projecto tão grato a Luís Filipe Vieira, de profícuo aproveitamento nas áreas de formação do clube, assegurando-lhe um futuro estável ao nível de natural rotatividade de valores na equipa principal e, em simultâneo, mais interessante rentabilização do investimento feito na academia do Seixal, apetrechada com o que de melhor e mais moderno existe no mercado.
«Este é o rumo, é por aqui que vamos e tenho a certeza de que a médio e longo prazo vamos ser reconhecidos pela opção tomada», declarou Vieira em recente intervenção na visita à casa de Vendas Novas, testemunho do entusiasmo e da convicção que o acompanham nesta etapa que faz parte da terceira fase da gigantesca empreitada que em uma dúzia de anos salvou o Benfica das cinzas, onde ardia sem que alguém lhe acudisse, lhe devolveu a credibilidade e o respeito espezinhados por gestões que o levaram quase à ruína, o apetrechou com complexo desportivo sem igual intramuros, que envaidece o adepto mais exigente, e criou ainda as condições para a águia redescobrir o caminho das conquistas desportivas e reclamar a posse da dimensão europeia brilhantemente alcançada na década de 60.
O presente está a ser construído com a solidez necessária para garantir uma progressão serena, se possível com mais avanços que recuos, de aí o equilíbrio defendido pelo presidente benfiquista, fazendo acompanhar o crescimento dos praticantes mais jovens de referências orientadoras para as suas carreiras e até para as suas vidas, através de harmoniosa coabitação com os símbolos do clube, os quais Vieira teve igualmente o cuidado de proteger e valorizar a propósito de recente polémica em redor de Luisão.
A política para o futebol do Benfica está definida e com ela se pretende reservar lugar no comboio em que viajam alguns dos mais poderosos emblemas do mundo do futebol e contrabalançar o seu menor poder financeiro e também o pouco lucro suscitado por uma Liga de país periférico e de reduzidos proventos com mais competência na descoberta de diamantes e na arte de os lapidar. Não deve haver processo de renovação, porém, no futebol ou em qualquer outra actividade desportiva ou não, que não suscite embaraços e não gere receios ou frustrações, não pelas metas programadas, mas pelo tempo que se demora a lá chegar; e é por causa desta aparente discrepância que poderão germinar focos de descontentamento e de impaciência: de pouca relevância, talvez, mas inevitavelmente perturbadores.
Há um trabalho que deve ser feito no sentido de convencer a família benfiquista de que este é o caminho por que deve seguir-se, embora os benefícios dessa opção apenas surtam efeito a «médio e longo prazo».
É compreensível que assim seja, mas a pressa, apesar de geralmente má conselheira, reflecte incontornável estado de espírito entre os apoiantes que é transversal no universo futebolístico, motivo por que não basta dizer que se está fazer bem, é preciso ir apresentando resultados; motivo por que não basta cantar méritos dos jovens da casa, convém também explicar as inutilidades dos que chegam de fora, como são os casos de Cristante, Djuricic, Taarabt ou Bilal Ould Chich (?), mais as interrogações de Carcela ou Ola John; motivo por que o treinador, cuja capacidade reconheço, não pode fazer o papel de paizinho que tudo perdoa, pois metade do passe de Raúl Jiménez, pelo que se sabe, custou nove milhões. Por favor, Rui Vitória, em face dessa vultuosa despesa, o prazo de validade dele tem de ser, obrigatoriamente, curto. Mais do que o dos iogurtes, como ironizou...
Nota final - Se a coerência cabe no dicionário de Bruno de Carvalho certamente que a esta hora já apresentou queixa escrita, junto do CA da FPF, do árbitro Cosme Machado..."

Fernando Guerra, in A Bola

Mente sã... corpo são

"Pressão para ganhar, resultados combinados, lesões, doping, opções do treinador, problemas familiares, todas estas vicissitudes da profissão e da vida levam a que muitas vezes os jogadores não estejam preparados para superar tantas adversidades e consigam manter o rendimento em campo e o equilíbrio fora dele.
Um estudo recente da FIFPro revela que um em cada quatro jogadores ressente-se da pressão da profissão. A depressão e a ansiedade são dois distúrbios muito sentidos por jogadores de futebol e, de acordo com a investigação, um quarto dos atletas sofre de depressão ou ansiedade, doenças que se manifestam com maior incidência quanto maior for a proximidade do final de carreira. Os resultados do estudo demonstram que 26% dos futebolistas sofre de depressão ou ansiedade e que 19% dos atletas acaba por desenvolver hábitos de excessivo consumo de álcool. Stress (10%), maus hábitos alimentares (26%), tabagismo (7%), esgotamento (5%) e baixos níveis de auto estima (3%) são outros dos grandes problemas que os futebolistas enfrentam.
O SPJF não é indiferente a esta temática e vai apresentar um programa sobre saúde mental que procura ir ao encontro dos jogadores que se debatem com estes problemas. Estamos conscientes da pressão inerente a esta profissão de curta duração e desgaste rápido: os resultados, a pressão dos adeptos, dos agentes, dos investidores, do treinador, a família, o facto de os jogadores não estarem preparados para o pós-carreira, porque muitos deles ainda abandonam muito cedo a escola e não lidam bem com o stress provocado pelo final da carreira. Muitos outros factores podem afectar gravemente a saúde mental dos jogadores, seja a morte de um ente querido, como infelizmente aconteceu com Hugo Vieira, ou uma lesão grave e correspondente afastamento da actividade, como aconteceu com Fábio Faria. E ainda está na nossa memória a morte trágica do guarda-redes Robert Enke.
Neste contexto, o SJPF, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Psicologia no Desporto, vai abordar as questões da saúde mental e do bem-estar do jogador e colocar ao seu dispor instrumentos que ajudem a minimizar e a superar estes problemas. O futebol é um jogo bonito, mas também é um jogo cada vez mais difícil e os jogadores profissionais de futebol não são máquinas, são seres humanos. Pelo jogador, pelo futebol!"

Excelente início...

Ekonomac 0 - 3 Benfica

Foi difícil desbloquear o jogo, mas o golo lá apareceu, já na segunda parte, com 24 minutos. Até aí, tinha sido um jogo, com os Sérvios fechados, com o Benfica a atacar, mas também sem exagerar... A equipa sabia que para derrotar este adversário, era preciso, concentração e paciência... e diria que até tivemos excesso de 'paciência' ou melhor excesso de incapacidade 'matadora', várias foram as oportunidades claras desperdiçadas...
Em teoria este seria o adversário mais difícil, o Ekonomac foi o cabeça-de-série no sorteio, mas com a Ronda de Elite a disputar-se em Brastilava, o Slov-Matic podia ter uma palavra a dizer, mas no outro jogo do dia, o Lokomotiv Kharkiv acabou por vencer... Sendo assim, parece que isto pode ser decidido no último jogo contra os Ucranianos...
Amanhã às 19h jogamos com o Slov-Matic, e na Sexta com o Lokomotiv.

Derrota na Bélgica

Antwerp 84 - 76 Benfica
22-23, 20-13, 18-17, 24-23

Nova derrota, por números que deixam algum sabor amargo, porque com mais um bocadinho, até podiamos ter vencido. Os Belgas venceram todos os jogos, inclusive na Croácia, e estão bem encaminhados para terminar o Grupo em 1.º lugar, mas mesmo assim acabámos por ficar perto... Faltou jogo interior ao Benfica, mas contra uma equipa com 6 Americanos não era fácil... Agora os 55,6% nos lances livres (8 falhados) foram 'sem' adversários' à frente, e foi por 8 que perdemos!!!

Destaque para o regresso do Gentry, mesmo que tenham sido só 3m29s... com o Gentry mais rodado, a história até podia ter sido outra.

Agora, temos dois jogos em casa, que podemos ganhar, mas creio que a qualificação será decidida em Zagreb: com o Radic e o Gentry podemos 'reverter' o resultado da Luz.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

As feridas verdes queimavam como sóis...

"Às cinco horas em ponto da tarde, como escrevia Garcia Lorca, o adversário estava em agonia. Havia um céu claro sobre a Luz desde o momento em que o Benfica começou a destruir o seu rival com uma vitória que não se esquece: 5-1!

Desta vez, se não vos incomodo ou aborreço, faço tenções de recuar ao dia 27 de Dezembro de 1970, ainda a rescender o Natal mas com um solzinho acolhedor a brilhar sobre a Lisboa de então, ainda muito paradinha no tempo, benza-a Deus, mas com outras virtudes que nos deixam saudades não fôssemos nós um povo tão dado a elas... Às saudades, entenda-se.
Era dia de Benfica-Sporting, o povo foi em romaria até à Luz, de bandeirinha e cachecol, buzinas e almofadinhas. os chapéus eram vendidos ao desbarato, daqueles de cartão branco e elástico pendurado, em cone como dos dos chineses que à época não eram os que agora por cá habitam.
Foi de truz!
Para o Benfica, como está bem de ver. Quando ao 'leão', parecia que pisava grude.
Resultado duro: 5-1.
E Damas defendia tudo, até mosquitos. Dizem que foi dele e grande mérito de uma derrota tão escassa. O «Charuto» voava de um lado para o outro parando bolas disparadas a torto e a direito pela esfomeada linha avançada do Benfica.
Fernando Vaz, o treinador 'leonino', decidira-se por marcações homem-a-homem no meio-campo que tinham muito de sonoras mas zero de eficácia: Tomé/Simões - Manaca/Graça.
Soavam no ouvido, sem dúvidas. Foram desgraçadas: igualmente indubitável.
O árbitro era do Porto: Fernando do Leite.
O Benfica jogou com: José Henrique; Malta da Silva, Humberto Coelho, Zeca e Adolfo; Matine e Jaime Graça; Nené, Artur Jorge, Eusébio e Simões.
E o Sporting? Pois bem, entrou assim: Damas; Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos e Hilário; Tomé e Manaca; Nélson Lourenço, Peres e Dinis.
Nos segundo tempo, Marinho substituiu Lourenço e Chico entrou para o lugar de Peres.
Gente fina de uma lado e do outro. Gente finíssima!
Aos 10 minutos já Damas fora Damas uma e outra e outra vez. Mágico Damas de camisola negra, elegante como um gato, tranquilo como um cavalheiro inglês.
Tantas vezes almoçámos e conversámos horas a fio no «Manel Caçador», ali ao Areeiro. E de todas as vezes o ouvi falar do seu ídolo, Carlos Gomes.
Até que o Carlos Gomes também apareceu e as histórias jorraram sobre a mesa com o volume das cataratas do Niagara.
É pena que os protagonistas do Futebol tenham deixado de ser os jogadores. É pena que quem tem tanto para contar tenha sido afastado das páginas dos jornais cada vez mais entregues à indigência.
Não percamos, no entanto, o fio à meada.

As papoilas brilham ao sol!
Sob o sol de Dezembro, as papoilas brilhavam de vermelho vivo.
Eusébio e Artur Jorge estão endiabrados. São os senhores da bola e do jogo.
Tomé rasteira Eusébio dentro da grande área do Sporting, mas o árbitro faz vista grossa, não se compromete.
Quando Eusébio fez o 1-0, pelo rondar dos 18 minutos, já podia muito bem ser o 2-0 ou o 3-0 tal o atarantamento da dupla de centrais sportinguista.

O público delirava. Era um Benfica à Benfica. Terrível, assustador, imparável!
Se Fernando Vaz apostava em marcações individuais - cá atrás José Carlos à coca de Eusébio e o grande Alexandre Baptista à espera de Artur Jorge -, Jimmy Hagan trocou-lhe as voltas com voltinhas sem descanso: Eusébio e Artur Jorge não paravam quedos um segundo e mandavam ás malvas a férrea pretensão dos seus adversários directos. Quem os agarrava? Ou melhor, agarrar até agarravam, mas agarravam mesmo, pelos calções, pelas camisolas, um nunca mais acabar de faltas em lugares perigosos, verdadeiramente decisivos.

Nas pontas do ataque, direita e esquerda. Nené e Simões. Que azougue! Que vertigem!
Tornava-se difícil assistir ao jogo sentado nas velhinhas bancadas de cimento. Toda a gente se levantava a toda a hora, adivinhando golos ou jogadas inesquecíveis.
Meia-hora apenas decorrida, e eis o segundo golo. Por Artur Jorge, simples eficácia a culminar a arte.
Damas está solitário como poucas vezes na sua carreira. Dá a sensação que, por vezes, joga sozinho contra dez furibundos diabos de vermelho vestidos. O outro está lá no fim do campo, posto invejavelmente em sossego, e chamava-se José Henrique.
Entre golos falhados e defesas do «keeper» garboso, chega o Benfica ao 4-0. Por Nené, num remate fulminante, e novamente por Artur Jorge.
A voragem vermelha amansa. A vitória é gorda e não sofre discussão. O ritmo do jogo abranda, a bola serve de recreação, os avançados do campeão parecem satisfeitos.
Mas, de repente, num lance anódino, Humberto Coelho corta a iniciativa do Sporting com a mão dentro da grande área. José Carlos chuta o «penalty» incontroverso. O único remate dos leões até então transforma-se em golo.
Ah! Eis que a inquietação regressa ao peito dos homens das camisolas rubras. Recebem o golpe como uma afronta e atiram-se de novo sobre o seu opositor com sede de vingança. Simões força pelo corredor que alarga à custa de dribles; centra e tudo é simples como uma tarde de sol em pleno Inverno: golo de Artur Jorge.
Minuto último de um jogo único! As almofadas tão atiradas para o relvado como chapéus na glória de toureiro em arena monumental.
Cinco horas em ponto da tarde, como no poema de Lorca.
E as feridas verdes queimavam como sóis..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Nicodependentes

"É um erro confundir resultados com exibições e, ainda mais, ver nas vitórias o espelho de uma equipa organizada e com princípios de jogo enraizados. O Benfica venceu com facilidade um Boavista medíocre mas revelou uma ideia de jogo frágil e assente em rasgos individuais. Continua, por exemplo, a ser preocupante a incapacidade dos dois jogadores de meio-campo para transportar a bola. Já foram testadas várias duplas de centro-campistas e o problema persiste.
Mas não se pense que a raiz do problema está nos dois jogadores do meio-campo. A questão parece-me mais vasta. O que se tem visto é um Benfica crescentemente dependente da capacidade de Nico Gaitán inventar oportunidades de golo. Isto não seria um problema caso a equipa estivesse organizada para fazer sobressair Gaitán e Jonas - os dois jogadores que melhor combinam qualidade com maturidade no Benfica actual. Não parece que seja assim. Como se viu contra o Boavista, com um Jonas menos exuberante fisicamente, Gaitán brilha muito, mas em jogadas individuais capazes de desatar o jogo. Não é a equipa que arrasta Gaitán, é Gaitán que arrasta a equipa.
A Nicodependência podia não ser um problema, mas é, na medida em que é sintoma de uma equipa com poucas ideias no jogo atacante. Mais, o facto de o Benfica desta época ter menos qualidade individual exigiria que os processos colectivos fossem mais sólidos do que no passado. Num ano em que tem sido feita uma aposta sistemática e notável em jovens talentos, esta exigência é acrescida. Resolver este bloqueio continua a ser o principal desafio de Rui Vitória."

FIFA grotesca

"1. Em vez de fomentar e zelar pelo futebol, como é sua indeclinável obrigação, a FIFA (já profundamente abalada pelos escândalos de que a sua cúpula é acusada) destrói-o. E essa é uma culpa de que nenhum tribunal se ocupa, embora abundem as queixas dos clubes que, em vez de serem por ela tutelados, são explorados. Já não bastam os calendários pejados de jogos, alguns destes separados por apenas três ou até dois dias, para vir ainda esse organismo estabelecer datas exclusivas para a disputa de jogos ditos amigáveis entre as selecções. Daqui resultam quase sempre conflitos insanáveis: por um lado, porque os clubes ficam por vezes privados por semanas inteiras dos seus melhores atletas e, por outro, porque os viram partir em perfeitas condições físicas e regressar lesionados ou mesmo de muletas. Bem sei que, no caso português, isso só acontece porque a Liga e a Federação sofrem de estrabismo crónico e assobiam para o ar quando se lhes diz e se lhes mostra que o país não tem condições económicas mínimas para sustentar dignamente mais do que 12 ou, no máximo, 14 clubes na I Liga. Vejam o que aconteceu às quatro equipas que participaram na Liga Europa com excepção do Sporting de Braga?
2. Continuando no âmbito da FIFA, acrescente-se que os critérios adopta dos para determinar o ranking de cada país são tão abstrusos que acabam por não ter nenhuma aderência com a realidade. Daí não viria nenhum mal ao mundo se, depois na prática, isso não fosse seriamente lesivo nos sorteios para os campeonatos da Europa e do Mundo. Quem, por exemplo, pode compreender que a Argentina que não vence um Campeonato do Mundo desde 1986 (29 anos!) nem uma Copa América desde 1993 (22) lidere esse mesmo ranking? E que a Alemanha, campeã mundial em título, seja terceira atrás da Bélgica, apesar dos resultados por esta ultimamente obtidos e da revelação de novos talentos? À frente, portanto, de Espanha, Itália e Portugal? Simplesmente, grotesco!"

Manuel Martins de Sá, in A Bola

A tempestade que varre a Rússia

"O relatório da comissão independente da agência mundial antidopagem (AMA) é arrepiante. Ele incrimina uma teia aparentemente global de atletas, treinadores, dirigentes, médicos e técnicos de laboratórios russos acusando-a do uso do doping como prática regular, dentro do que consideram ser um género de «cultura de estado» que propõe o sucesso desportivo a qualquer preço. Em função da dureza e da expressão deste relatório, a Agência Mundial Antidopagem recomenda à Federação Internacional de Atletismo que suspenda o atletismo russo de toda a competição internacional, incluindo os próximos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
A Federação internacional, liderada pelo britânico, e antigo campeão olímpico, Sebastian Coe já reagiu e, perante a extrema gravidade das acusações, parece admitir seguir a proposta da Agência antidopagem, mas, para já, pede algum tempo para digerir toda a informação e compreender todos os detalhes. Um responsável pelo laboratório russo antidopagem limitou-se, entretanto, a fazer uma declaração pública, referindo que as acusações carecem de prova e o ministro russo do desporto, Vitali Moutko, lembra, apenas, que a AMA não tem poderes para suspender o atletismo russo de todas as provas internacionais. 
Como se percebe, é toda uma tempestade que se abate sobre o atletismo russo, que poderá ficar fora da participação nos Jogos do Rio. E pior ainda: perante a convicção da Agência Mundial Antidopagem, de que se trata de uma «cultura de estado» para o desporto, dificilmente se admitirá que apenas o atletismo russo esteja viciado."

Vítor Serpa, in A Bola

Uma mascote de carne e osso

"A conquista do Bicampeonato europeu de futebol sob a égide de uma ursídea mascote.

A 28 de Abril de 1962, a equipa de honra do Benfica levantou voo em direcção à conquista de mais uma final europeia. De Portugal levou na bagagem 'o bacalhau (...), o azeite (...) e o vinho'. Da Holanda trouxe, dias depois, o título de bicampeão europeu de futebol e, claro a taça. Mas não só...
Após aterrarem em Amesterdão, seguiram viagem para Wageningen, onde ficaram instalados até ao grande jogo. A recepção holandesa não podia ser mais calorosa, afinal 'chegavam os campeões europeus'.
Os primeiros dias foram passados entre treinos e '«passeios higiénicos», depois das refeições', a desfrutar do sossego e da paisagem que o hotel, num local isolado 'à beira do Reno', proporcionava. Mas eis que chega a manhã do dia 1 de Maio e, com ela, um novo hóspede: um urso! Sim, um urso! O Jardim Zoológico de Rhenen ofereceu ao Benfica 'um urso - pequeno, é certo, mas... de carne e osso!... Para mascote...'.
No dia seguinte, o grande dia, o novo membro da equipa não faltou: 'Dávamos o primeiro «grande passo» para a «hora H» e... levámos connosco o pequeno urso'. No Estádio Olímpico de Amesterdão, a equipa 'encarnada' venceu, por 5-3, o Real Madrid e 'pela segunda vez consecutiva o Sport Lisboa e Benfica trouxe para Portugal o título de Campeão dos Campeões dos países da Europa'. O pequeno animal ganhou assim uma 'ligação simbólica com a grande vitória do Benfica sobre o Real Madrid' e acompanhou a comitiva no regresso a casa.
Na chegada a Lisboa levantou-se 'a mais viva curiosidade pela presença tão simpática do ursinho (...) que se tornou mascote popularíssima'. Nem à volta de honra ao Estádio da Luz faltou: 'Entre os jogadores (...) lá ia o ursinho castanho que se transformou em «vedeta» de um dia para o outro'. '- O Urso? Onde está o Urso?' era o que mais se ouvia.
Nesse ano, o urso Benfica, como foi baptizado, foi o grande atractivo do Pavilhão do Clube na Feira Popular onde, todas as noites estava 'em franco convívio com os benfiquistas'. Mas o pequeno ursinho holandês 'cresceu - como tudo o que é vivo' e foi entregue aos cuidados do Jardim Zoológico de Lisboa.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 12. Honrar o país, encontra exposto um outro símbolo dessa conquista, a Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961/62."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Lixívia 10 (Benfica e Corruptos -1 jogo)

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 18 (-5) = 23
Sporting......... 26 (+5) = 21
Corruptos....... 21 (+2) = 19

Sinceramente não sei o que é mais impressionante: a placagem à NFL do Naldo não ter dado penalty, ou o facto inacreditável de a maioria dos ex-árbitros com colunas de opinião dos merdia, ter defendido que não houve penalty?!!!!
O nível da porca vergonha atingiu este fim-de-semana níveis estratosféricos!!! É preciso ser mesmo muito desonesto intelectualmente para defender que aquilo não é penalty. Tanto no Rugby como no Futebol Americano, aquele tipo de faltas, sobre um jogador sem bola, próximo de marcar golo/ensaio/touchdwon dá falta e no caso Rugby exclusão!!!! Para os expert's, após terem visto todas as repetições que quiseram, chegar à conclusão que não houve infracção, só pode ser uma má piada, que nem o corporativismo cego explica.

Agora, imaginem um sistema de video-árbitro, com estes filhos-da-puta como vídeo-árbitros?!!!

Como já tenho pouca paciências para estas palhaçadas, nem vi o jogo... mas este lance acabou por ser repetido em alguns resumos, e fiquei a saber o que se tinha passado... O problema é que hoje, ao final do dia, foi-me mostrado outro lance, que aparentemente ninguém viu, ou achou importante:
- Uma agressão absurda do Slimani, a jogador do Arouca, num pontapé de canto a favor do Arouca, na 2.ª parte, ao minuto 59... até meteu a língua de fora, para bater com mais força!!! Com a bola no ar, em movimento... Penalty e expulsão claros!!!
No resumo que vi e que recomendo, pude apreciar as habituais curvas no critério disciplinar, em muitos outros lances, mas isso é tão normal, que já nem me chateia!!!
Só gostaria de recordar, que num Braga-Benfica,o Vandinho foi castigado com 6 meses de suspensão, por ter tentado agredir o treinador-adjunto do Benfica. Estou curioso para saber o castigo ao Naldo após ter atirado o treinador do Arouca ao chão...!!!

Na Luz, tivemos que aturar mais uma vez o porco do Bruno Esteves, que mais uma vez cumprir à risca, a regra (inexistente) que impede um adversário do Benfica levar um Amarelo na 1.ª parte... normalmente é só a partir dos 60 minutos, neste Domingo até foi um bocadinho mais cedo!!! Obrigado, Bruno...!!!
Dois lances:
- no Estádio pareceu-me que o Luisão se tinha atirado para o chão na área do Boavista, mas depois na televisão mudei de opinião... além do braço do Idris no pescoço do Luisão, o caceteiro Boavisteiro deu uma joelhada no perna esquerda do Luisão, não é muito evidente, porque o pessoal normalmente olha para os pés à procura do contacto, mas vê-se claramente a perna do Luisão a sofrer o impacto...;
- o segundo lance é uma agressão ao Gaitán, que só por acaso, não teve consequências graves... a sorte foi o Nico estar meio no ar, porque se tem o pé apoiado na relva, provavelmente tínhamos um tornozelo partido... e nem falta foi, e nem cartão!!!

Não vi, e nem houve referências a casos no jogo treino dos Corruptos com o Setúbal.

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
8.ª jornada
9.ª jornada


Épocas anteriores: