Últimas indefectivações

sábado, 23 de agosto de 2014

Goleada

Benfica B 4 - 0 Ac. Viseu

Mais uma vitória no Seixal, agora seria interessante fazer o mesmo nos jogos fora...!!!
Foi um jogo com pouca história, com o penalty no 2.º golo, aos 15 minutos, e a respectiva expulsão do jogador do Académico, o Benfica teve caminho aberto para a goleada...
Mais um grande jogo do Gonçalo...

Varela; Semedo, Lindelof, Valente (Cardoso, 61'), Rebocho; Amorim (Romário, 69'), Pinto; Teixeira Costa, Guedes; Fonte (Lolo, 55')

PS1: Parabéns ao João Pereira, pelo 6.º lugar no Triatlo de Estocolmo, e a respectiva subida para a 4.ª posição do ranking Mundial... O João Silva terminou em 17.ª (é uma época para esquecer, ou não!!!), e o Miguel Arroilos ficou em 22.º.

PS2: Faleceu um dos símbolos do Benfiquismo, alguém que teve o privilégio de trabalhar em prol do Benfica, durante muitos anos: Peres Bandeira. Os meus pêsames à família.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Semana de factos pouco vulgares

"O Benfica ganhou o primeiro jogo do campeonato, a última vez que tal sucedeu Azar Karadas fez hat trick em Aveiro e Trapttoni foi campeão com um Benfica de poucos recursos. Que se repita a história.
O Sporting perdeu pontos em Coimbra mas contratou (emprestado) um jogador ao Man. United. Mesmo perdendo pontos, os adeptos exultam no aeroporto. Por mim podiam empatar com o Arouca e comprar alguém ao Real Madrid para a semana.
Se os adeptos do FC Porto se zangarem tanto com o seu treinador como se zangaram com o Paulo Bento, por não colocar o Quaresma a titular, mostram que o treinador é melhor que os adeptos. De facto é do treinador do FC Porto que vem o maior perigo para os rivais dos azuis e brancos, parece sereno e competente. Lopetegui, ao contrário de outros, parece mais preocupado em colocar o FC Porto a jogar bem e a ganhar do que fazer boas exibições nas conferências de imprensa. Mas o problema principal dos maiores clubes portugueses continua a ser o maléfico e longínquo dia 31 de Agosto, só então saberemos quais os verdadeiros ovos que os treinadores têm para fazer omeletes. A contratação de Júlio César parece acertada. Era mesmo preciso um guarda-redes e a opção por alguém muito experiente dá-me uma tranquilidade acrescida. Se as exibições estiverem em linha com a ambição das declarações, será excelente a prestação do internacional brasileiro. Os jornais de ontem referiam mais dois jogadores a caminho do Benfica, mas eu já só acredito quando vejo o comunicado na CMVM.
Domingo contra o histórico Boavista vamos experimentar o famoso sintético do Bessa. Da última vez que jogámos no Bessa, foi contra o Leixões e Fernando Santos foi despedido. Domingo só a vitória interessa ao Benfica e só depois do fim do jogo passarei a desejar sorte ao grande Petit."

Sílvio Cervan, in A Bola

Do cavalo ao Padrinho

"1. Certa vez, António Oliveira Salazar, sabendo que o ministro Moreira das Neves ia fazer um discurso em Aljubarrota, alertou-o: «Não vá para lá comparar-me ao Condestável. Mas também não me compare ao cavalo».
2. Pessoalmente, se me comparassem a um cavalo, não levava grandemente a mal. É um animal nobre e estimável. Já não ficaria muito contente se me comparassem ao Padrinho.
3. Gostei do livro de Mario Puzzo. Revejo os filmes sempre que posso (qualquer um dos três). Marlon Brando, Robert de Niro e Al Pacino são actores extraordinários. Tão extraordinários que conseguem fazer-nos sentir simpatia pelas personagens que interpretam.
4. Mas, a famiglia Corleone construiu-se através do roubo, da corrupção, da extorsão, do nepotismo, do rapto, do assassinato e do toda a espécie de negócios escuros e criminosos. Se alguém me chamar de O Padrinho, mesmo que com extremosa ternura, terei tendência a levar a mal, a ofender-me. Não é necessário explicar porquê.
5. Claro que há, por outro lado, quem se sinta orgulhoso com tal analogia. Também o percebo. Está na massa do sangue do eterno figurão. E, ai de quem o contrarie! Pode acordar com uma cabeça de cavalo enfiada entre os lençóis..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Obstáculos

"Dez anos depois, o Benfica ultrapassou o obstáculo de vencer na primeira jornada do campeonato. Obstáculo difícil, a julgar pelos últimos tempos, frente a um Paços de Ferreira novamente treinado por Paulo Fonseca. Foi um Paços felizmente longe daquela espécie de 'táctica da santola' (bem aberto à espera do recheio) que Paulo Fonseca apresentara no seu último jogo como treinador dos pacenses, na derradeira jornada do campeonato 2012-23. Assim, as vitórias sabem melhor, pois ficamos com a sensação de que ultrapassámos um obstáculo esforçado e bem treinado. Além disso, sentimos na bancada que havia um outro obstáculo oriundo de Famalicão e ao serviço do Conselho de Arbitragem.
Foi um obstáculo já de há muito conhecido e que demonstrou boa forma, diligência no cumprimento da missão e deu garantias a quem o nomeou de que, até ao final da época, pode continuar a contar com ele. Como de costume, e enquanto vou ou venho do Estádio, acompanhei o pré e o pós jogo de ouvidos nas emissões radiofónicas (velho hábito que não quero perder). Ouvir os teóricos de serviço dá um tom pitoresco à coisa. Desta vez, senti que, à falta de outros motivos, o palrador de circunstância na estação pública de rádio começou o jogo a querer especular com a ausência do lateral esquerdo Benito dos convocados, e no final do mesmo insurgia-se com o facto de Jorge Jesus chamar o futebolista Tiago pelo seu nome de baptismo e não pelo seu 'nome de guerra' (Bebé). Obviamente que as vitórias do Benfica são um obstáculo para quem vive e sobrevive no afã de fazer prova de vida à custa dos maus momentos do Glorioso. Mas, nesse particular, o tal radialista não está sozinho. São muitos a afiar as facas. Esses, para a semana, terão mais noventa minutos de esperança, enquanto a nosso Benfica tentará ultrapassar mais obstáculos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O 'mercado'

"Encerra no próximo dia 31 a pomposamente chamada “janela” de transferências.
Era suposto tratar-se de um período para ajustamento dos plantéis, para cobertura das necessidades desportivas das equipas, para colocação de excedentes, tudo na medida certa, e com uma calendarização compatível com a inteligência humana. E que não trouxesse nova investida em Janeiro, com mais uma violenta dose de mercantilismo, no que de pior a palavra pode conter.
Na verdade, estas “janelas” são períodos em que o futebol, a sua história, a sua cultura, a sua identidade, os seus adeptos, a sua alma, são deitados para o lixo, em nome da negociata, dos interesses, dos intermediários, dos agentes, da ganancia, dos fundos, das off-shores, e, muitas vezes, do mais puro banditismo. Tudo com as competições a decorrer.
A paixão que leva milhões de pessoas a amar um símbolo, a deslocar-se aos estádios, a pagar quotas e lugares cativos, não é compatível com situações completamente surrealistas, como as de um clube que vende Di Maria para comprar James Rodriguez, apenas – é a única razão que encontro – como forma de fazer circular dinheiro num e noutro sentido, fazendo pingar comissões, sabe-se lá para quem.
Noutros sectores, percebeu-se tarde demais o efeito de uma desregulação desenfreada. No futebol, há de se chegar lá. Provavelmente, também tarde demais, quando os estádios estiverem vazios, quando as transmissões televisivas valerem menos, quando as pessoas, enfim, se fartarem disto, e voltarem as costas a quem as usa como peças descartáveis de uma máquina de movimentar milhões.
Adoro futebol. Ou adorava. Já nem sei. O que tenho certo é que estes meses deprimem-me enquanto adepto, e enojam-me enquanto cidadão. Depois de um Mundial fantástico, nada pior do que este rodopio de notícias de jogadores que partem daqui, de jogadores que chegam dali, de traições, de vendilhões de todos os templos, a mostrar, com indiferente soberba, que o futebol se transformou num esgoto. Por agora, está a acabar. Por agora…"

Luís Fialho, in O Benfica

Samaris

Ainda não foi oficializado, mas o Jesus na conferência de imprensa de antevisão da 2.ª jornada, acabou por confirmar a contratação de Andreas Samaris pelo Benfica. Durante o dia, se o Benfica oficializar a contratação, actualizarei o post. (como esperado, já é oficial)
Com a lesão do Fejsa (além da saída do Matic em Janeiro), era obrigatório contratar mais um médio. O Amorim, o Almeida e o Enzo era curto... e o Talisca ainda não convenceu. Com o problema adicional dos problemas físicos recorrentes do Rúben. Será um erro pensar que o Samaris vem para colmatar uma possível saída do Enzo, se o Argentino sair, o Benfica precisa de outro médio... É verdade que a sobrecarga no calendário, dá-se essencialmente a partir de Janeiro, nesta primeira metade da época os jogos são em menor quantidade, e em Janeiro já teremos o Fejsa, mas mesmo assim precisamos de qualidade e opções, na organização ofensiva da equipa...

O Samaris é um excelente jogador, já o tinha observado no Olympiakos, e no último Mundial mesmo não sendo titular, acabou por entrar bem nas partidas, confirmando a minha opinião. Têm sido feitas várias comparações com jogadores de características parecidas, conhecidos pelos Benfiquistas, mas até agora ainda não li nenhuma 'acertada'!!! Para mim, o Samaris, é um Ramires Grego, com 1,90m...!!! Pode dar ares de Matic, com a bola nos pés (pela altura), mas não tem a classe do Sérvio a proteger a bola... agora tem sangue na guelra, é objectivo, e joga para a frente...!!!
Na Grécia jogava a '8', mas é bastante diferente do Enzo, além disso no 'contexto' Grego (clubes ou selecção) aquilo que se espera de um '8', é bastante diferente, daquilo que o Jesus exige de um '8' no Benfica. Veja-se a selecção Grega no último Mundial, que começou com a dupla Maniatis/Katso no meio...
Tal como o Jesus disse hoje, vai ter que aprender a jogar no esquema do Benfica, mas vai seguramente ser uma aposta para Trinco. Como é um jogador muito agressivo, de passada larga, que usa o caparro para ganhar posição, vai ter que aprender a 'contemporizar', para não ir à 'queima', baixar para meio dos centrais (quando um deles vai dobrar os laterais), basicamente não 'destapar' a protecção aos Centrais...
E ainda sabe marcar livres directos com o pé direito...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Menos uma maldição do Guttmann

"Embora a transcendência não esteja, por definição, ao alcance de todos, Artur é o exemplo a seguir por jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos. Transcendamo-nos. É nisso que somos bons.

AQUELA coisa de o Benfica não conseguir ganhar na primeira jornada do campeonato acabou. Já não era sem tempo. Foram dez anos de maldição do Guttmann, só pode ter sido o homenzinho outra vez.
Ou, com toda a franqueza, não é mais sobrenatural não conseguir ganhar durante uma década na primeira jornada a adversários nacionais de médio calibre (que me lembre, em casa ou fora tanto faz…Leixões, Rio Ave, Marítimo, Académica, Gil Vicente, Sporting de Braga e, outra vez Marítimo) do que não conseguir ganhar oito finais europeias contra adversários de alto calibre (que me lembre… AC Milan, Inter de Milão, Manchester United, Anderlecht, PSV Eindhoven, outra vez AC Milan, Chelsea e Sevilha)?
Posto isto, avancemos porque está morta e enterrada a maldição do Guttmann no que diz respeito ao longuíssimo ciclo de não-vitórias na primeira jornada do campeonato.
Falta ao Benfica matar e enterrar as outras duas maldições vigentes do Guttmann, sempre do Guttmann.
A primeira é a de o Benfica não conseguir ganhar dois campeonatos seguidos há três décadas. A segunda é a tal, a mais falada de todas, que pesa há cinco décadas sobre as legitimas ambições europeias do maior clube português.
A extinta maldição da primeira jornada ficou resolvida, precisamente, na primeira jornada, no último fim-de-semana e ainda estamos em Agosto. A maldição dos dois campeonatos consecutivos resolve-se não numa única jornada, mas ao longo de trinta e tal jornadas o que equivale a dizer que a resolução do maldito problema se vai prolongar, no máximo, até Maio. De Maio, não passa certamente.
O Benfica, campeão, perdeu durante a pré-temporada todo o favoritismo que, por regra, acompanha os vencedores da época anterior. Foi tudo por água-abaixo. Ainda bem que assim foi. Agora é fazer das fraquezas forças.
E não há melhor exemplo a seguir do que o de Artur que, objectivamente, já deu uma Supertaça ao Benfica e que muito bem poderá ter impedido um resultado menos feliz do Benfica na historicamente nevrótica primeira jornada ao defender uma grande penalidade quando ainda não havia dez minutos de jogo.
Embora a transcendência não esteja, por definição, ao alcance de todos, Artur é o exemplo a seguir por jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos. Transcendamo-nos. É nisso que somos bons.

OUVI de um benfiquista dos sete costados uma explicação transcendental para a alegada vontade que Luisão terá em sair do Benfica rumo à Juventus.
- O nosso capitão quer-se ir embora porque agora quem vai passar a mandar na defesa toda é o Júlio César.
É, de facto, uma explicação arrevesada ainda que plausível.

ROJO pediu formalmente desculpa aos adeptos do Sporting e ao presidente do clube pelas suas declarações intempestivas, pelas suas acções intempestivas, pelos seus anseios intempestivos. Fê-lo através do canal de televisão do clube, naturalmente. Foi uma vitória de Bruno de Carvalho, também naturalmente. 
Quer remédio teve Rojo se não dobrar espinha perante quem lhe paga o ordenado e tem o poder de o negociar.
Foi precisamente o mesmo que aconteceu em 1999, já no século passado, com João Vieira Pinto, estão certamente recordados. O jogador que era à época “capitão” do Benfica apresentou-se, também ele, de corda ao pescoço pedindo desculpa aos sócios do Benfica e ao presidente do Benfica por aquele resultado tão intempestivo de Vigo. Também foi uma vitória de Vale e Azevedo.
Provocou, no entanto, maior celeuma, quase diria escândalo, o forçado pedido de desculpas de João Pinto ao Benfica do que o ruído provocado por este mais recente episódio do género, o ainda fresco e não menos forçado pedido de desculpas de Rojo ao Sporting.
Compreende-se porquê. São acontecimentos de dimensão incomparável do ponto de vista das respectivas repercussões. O seu a seu dono, sem primeiro lugar.
Vale e Azevedo e Bruno de Carvalho, ambos exigiram o exigível arriscando-se, com quinze anos de diferença, a ser vilmente desconsiderados pelos românticos do futebol. E mesmo nestes pormenores da desconsideração há diferenças enormes.

UM caso a seguir com simpatia é o do contrato que Bruno de Carvalho rasgou com a empresa de fundos que ajudou Godinho Lopes a comprar Rojo ao Spartak de Moscovo. Isto se chegar a haver caso, naturalmente.

O progresso não tem de ser obrigatoriamente de índole tecnológica. Há avanços simples que não exigem software. Tenho grande estima e consideração por este tipo de progresso porque está ao alcance de todos. É só querer. Até no futebol, essa super-indústria que já impôs a chamada tecnologia de linha de baliza nos seus grandes eventos, coexistem fatores de progresso de cariz semi-artesanal.
Como é o caso do pequeno spray, tão pequeno que cabe no bolso dos calções do árbitro, que permite desenhar na relva os limites de uma barreira ou o exato lugar onde uma falta foi cometida. Foi uma novidade que começamos todos por ver em jogos de campeonatos sul-americanos, vimo-la mais recentemente ser usada em todos os jogos do último Mundial de futebol, depois na final da Supertaça da UEFA e, mais recentemente ainda, vimo-la no passado fim-de-semana fazer a sua estreia no arranque do campeonato inglês.
Tendo em conta que foram os mesmos ingleses que inventaram o futebol, conclui-se que o uso do spray pelo árbitro em nada belisca os pergaminhos do jogo aos olhos dos seus veneráveis fundadores.
Também o campeonato português viveu o seu arranque no último fim-de-semana. Sem spray. É uma pena porque o uso do pequeno artefacto reforça a autoridade do árbitro de modo claríssimo e impede perdas de tempo aborrecidas e significativas.
O futebol português, enfim, é… português. Tem, por isso mesmo, um problema com a regulação. Neste caso a regulação imposta pelo spray que faz com que se cumpra a lei sem discussões nem demoras. Spray, para te quero? É que nem parece coisa nossa.

SEREMOS sempre adeptos melhor qualificados e mais justos se nos soubermos meter na pele dos adeptos dos clubes rivais. É, aliás, um exercício bem curioso. Recomendo-o.
Se eu fosse, portanto, adepta do FC Porto teria ficado desconsolada com o golo de Jackson Martínez ao cair do pano do jogo com o Marítimo.
É certo e sabido que 1-0 – era como as coisas estavam até Martínez ampliar para 2-0 – é um resultado escasso, por isso tramado, e que não há adeptos que sonhem com resultados de 1-0 pelo muito que sempre se acaba por sofrer nessa ocasiões tangenciais.
Mas, portanto, se eu fosse do FC Porto, depois de o jogo estar terminado e os 3 pontos do lado de cá, teria dispensado de muito bom grado o segundo golo da minha equipa, o tal golo de Jackson Martínez, em benefício da importância do golo solitário de Rúben Neves e da sua auspiciosa estreia para a História.
É no que dá sabermos metermo-nos na pele dos adeptos dos clubes rivais.
Se eu fosse, portanto, adepta do Sporting teria visto com o maior alheamento o jogo do campeonato inglês que opôs o West Ham, que jogava em casa, ao Tottenham. Seria o género de jogo em que tudo poderia acontecer deixando-me indiferente.
Tudo? Não, tudo não. Tudo menos vir o Tottenham a ganhar o jogo por 1-0 com o golo da vitória a ser marcado por Eric Dier aos 93 minutos de jogo. Tudo, menos isso.

FALTARIA coisa de dez minutos para o fim do jogo de Coimbra, o resultado era de 1-0 favorável ao Sporting, quando Rui Patrício evitou, naquele instante, o golo que seria o do empate da Académica com uma bela estirada, uma defesa «estratosférica», na opinião de Luís Freitas Lobo.
Lá que foi uma grande defesa de Rui Patrício, isso foi…
Tão grande que deu que pensar. Será que Rui Patrício, à semelhança do que acontece com Cristiano Ronaldo, é tão mais preponderante no seu clube do que na sua selecção? Talvez."

Leonor Pinhão, in A Bola

Bancos (II)

"Prosseguindo no tema de ontem, o BANCO DE INVESTIMENTO (leia-se: formação) não tem vingado na praça. Trabalha bem, mas os produtos estruturados que oferece são preteridos por obrigações subordinadas (aos intermediários) com a garantia de bons colaterais (que não necessariamente laterais). Do mercado da moeda única, até vieram os desconhecidos Frisenbichler e Dawidowicz, já recambiados para o banco de retalho e preparados para voltar a bancos dos seus países.
O BANCO DE RETALHO, com sede no Seixal, é apenas um banco de último recurso. Que o diga Teixeirinha, que chegou a João Teixeira na pré-época mas que depressa voltou a Teixeirinha no retalho. Ou Bernardo Silva, João Cancelo e Cavaleiro que foram emprestados (?) para praças offshore.
Finalmente há o exuberante BANCO VIRTUAL, sem activos mas com uma larga carteira de encomendas (na maioria de subprime) no universo das miragens e das notícias.
Limito-me aqui a citar 35 nomes que li em A BOLA desde o dia 18 de Maio: Van Wolfswinkel (30/5), Cristante (5/6), Gerhardt (6/6), Manolas (6/6), Sefa Isci (6/6), Pedro Tiba (11/6), Zikovic (12/6), Luc Cataignos (17/6), Kiko Casilla (27/6), Guilavogui (3/7), Rulli (3/7), Joaquin Correa (6/7), Forster (10/7), Danilo Pereira (10/7), Romero (15/7), Keylor Navas (15/7), Insúa (17/7), Giancarlo Gonzalez (17/7), Jeroen Zoet (18/7), Batshuayi (21/7), Darko Lazovic (22/7), Rafa (25/7), Loris Karius (5/8), Mohammed Rabiu (6/8), Denilson (7/8), Wijnaldum (10/8), Robert Sieler (12/8), José Guiménez (13/8), Saul Ñiguez (13/8), Aboubakar (15/8), Lindeggard (16/8), Samaris e Fer (19/8). É obra!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Branqueamento total...

O descaramento realmente não tem limite, como é que é possível alguém com o mínimo juízo na cabeça, elogiar o 'sucesso' da operação Rojo?!!! Como é que é possível, ninguém criticar as decisões do Presidente do Sporting?!!! Como é que é possível, ainda ninguém ter convidado um 'camião' de juristas, para analisar as prováveis consequências deste caso?!!!
Se os Fundos devem ou não existir, isso é outra questão completamente diferente, discutir isso neste momento só serve para desviar a atenção do essencial... Anunciar a contratação durante um treino aberto ao público, ir buscar o jogador ao Aeroporto, anunciar que o dinheiro (roubado) será usado para pagar um Pavilhão, é digno de um qualquer trafulha de esquina... Mas se calhar, os Lagartos merecem ter um Pavilhão pago, com dinheiro, 'ganho' desta forma, é um bom exemplo da sua verdadeira natureza!!!
(Já agora, não tinha sido criada uma campanha de solidariedade para arranjar dinheiro para construir o dito Pavilhão?!!! Parece que ninguém contribuiu...!!! Porque será?!!!)

Se alguém tivesse dúvidas, ficou provado, sem margem para dúvidas, a falta de princípios da actual Direcção Lagarta. Já foram utilizadas várias imagens para descrever esta estória, a da Rifa é das melhores:
- Alguém vendeu 1000 rifas a €1, com a promessa do vencedor ganhar um carro. Faz-se o sorteio, o vencedor reclama o prémio, mas não existe carro!!! O organizador das Rifas, que encaixou €1000, resolve devolver o €1 ao proprietário da rifa vencedora... e nem precisa de agradecer!!!
A sociedade do Euromilhões:
- Fazer parte do grupo de amigos que semanalmente aposta no Euromilhões, mas quando finalmente ganham o prémio máximo, o sócio, que por acaso até contribuiu menos para a sociedade, fica com o prémio!!! E para descarga de consciência, devolve aos outros sócios, o valor que eles tinham apostado ao longo das semanas...!!! E não digam que ele não foi simpático!!!
Também gosto da história da Mosca:
- O Bruno Paspalho, mata uma mosca em casa, mete-a no bolso, vai para um restaurante, come e bebe como não houvesse amanhã, conta umas anedotas, e quando é a altura de pagar a conta, tira a mosca do bolso, meta-a no prato, chama o gerente, e diz que não paga a conta!!! E ainda avisa o dono do restaurante, que vai-lhe interpor uma acção em tribunal contra o Restaurante...!!!

O problema é que isto não é nada de novo, já o ano passado, quando quis rescindir contratos com vários jogadores que não interessavam, como o Bojinov, o Jeffren, o Labyad, o Onyewu, entre outros... usou estratégias criminosas... sendo que em relação ao Búlgaro, depois de ele sair, empurrado ao pontapé, ainda tiveram coragem de pedir uma indemnização ao clube para onde ele foi jogar...!!!

O pior disto, é que nos Tribunais Portugueses, ainda podem ter a 'sorte' de lhes sair um daqueles Juízes amigos, como no caso Pereira Cristóvão, ou melhor ainda, um daqueles que à alguns anos, consideraram uma notícia publicada num jornal verdadeira, mas mesmo sendo verdade, prejudicava a imagem da instituição, e portanto o jornal foi condenado a pagar uma indemnização ao Sporting!!!

Bancos (I)

"No futebol também há bancos. Não os que financiam e condicionam os clubes, mas os que acolhem os jogadores.
Vejamos, por exemplo, o que se passa no Benfica 2014/2015. A holding de bancos do clube tem a seu cargo um banco bom, um banco mau, um banco de investimento, um banco de retalho e um banco virtual. Hoje limito-me a uma breve passagem pelos dois primeiros. Amanhã tratarei dos restantes.
O BANCO BOM, teoricamente menos bom do que na época passada, continua a ter activos valiosos, ainda que alguns em parceria com fundos de investimento e tenta manter o rating. Os rápidos obrigatórios de liquidez obrigaram o banco bom a desalavancar o balanço, com bom retorno financeiro. Activos, como Djuricic, foram cedidos com possibilidade de recompra no mercado internacional interbancos. Outros como Luís Filipe (de que A BOLA fazia capa como «o lateral que encantou Jesus», 28/6) e Vítor Andrade foram hipotecados.
O BANCO MAU recebe os activos que rapidamente se transformam em passivos. Mas os custos operacionais são sempre suportados pelo banco bom. Esta época, o banco mau tem feito inovadoras operações de swap. Djavan e Candeias entraram no banco bom, tendo em atenção o pleno conhecimento destes activos na praça nacional. Mas logo saíram e nem sequer entraram no balanço. Um, de nome Fariña, nem passou pela contabilidade, numa ordem directa das Arábias para a Galiza contando tão-só como elemento extrapatrimonial. Há também movimentos inversos, como são os casos de Jara e de Ola John. E uma terceira categoria de activos tóxicos que sempre geram imparidades no banco. É por exemplo, o caso de Sidnei."

Bagão Félix, in A Bola

Em defesa da memória de Jorge Brito

«A história do Benfica faz-se do presente, das vitórias, dos títulos, dos troféus e das medalhas, mas nos alicerces do presente está o testemunho, o esforço e o empenho dos que no passado serviram o Clube de forma dedicada e que sem o seu contributo o Clube seria, hoje, diferente, seguramente para pior. Vem isto a propósito de um artigo que a revista Sábado publicou na sua última edição e em que a memória de Jorge Brito, Águia de Ouro e Presidente do SL Benfica entre 1992 e 1994, foi denegrida de forma gratuita e grosseira. Seremos tanto maiores quanto melhor soubermos defender a memória e a honra daqueles que nos serviram, por isso o Clube associa-se à indignação da família de Jorge de Brito publicando o direito de resposta que o seu filho João de Brito enviou para publicação na próxima edição da revista Sábado.
"Sob o título “Descubra as Diferenças”, a revista Sábado dedicou 6 páginas ao que consta do subtítulo: “Escândalos: Como o caso do BES quase repete o que aconteceu há 40 anos com o Banco de Jorge de Brito”.
Este artigo é totalmente opinativo, tendo por único objectivo denegrir a imagem do Sr. Jorge de Brito, falecido há 8 anos. São acontecimentos de há 40 anos, em pleno PREC, no auge do designado Gonçalvismo, um dos momentos de maior anarquia que Portugal conheceu no século XX.
O Banco Intercontinental Português (BIP) era um banco de investimentos, que financiava investimentos que tinham um ciclo próprio de retorno. O BIP financiava-se, como qualquer outro banco, no mercado externo. O principal banco externo que financiava o BIP era um banco nórdico que, perante o radicalismo das alterações políticas, económicas e sociais verificadas em Portugal, exigiu ao BIP o reembolso imediato e antecipado do financiamento em curso. O BIP teve de reembolsar esse financiamento. É esta a operação de pagamento ao exterior que o BIP realiza e que é um facto público. É totalmente falso que o BIP ou o Sr. Jorge de Brito tenham, como é invocado no artigo, realizado exportação ilícita de capitais, acusação com base na qual o artigo constrói a ideia de que milhões foram roubados e ilicitamente desviados.
Este reembolso que o BIP se viu forçado a ter de realizar ao seu banco financiador, o banco nórdico, correspondia a um montante muito elevado, o que teve de ser feito de forma totalmente imprevisível e imediata, num contexto totalmente anárquico e revolucionário que impossibilitou o BIP de se refinanciar, pois, por razões óbvias, os mercados fecharam-se. É, pois, totalmente falso que a falta de liquidez do BPI se tenha ficado a dever a acção fraudulenta.
O artigo refere vagamente que o Sr. Jorge de Brito estaria a ganhar parte dos processos de falência decretados unilateralmente pelo Estado português a 23 sociedades por ele controladas. Ora, este facto é falso. O Sr. Jorge de Brito ganhou não parte mas todos os 23 processos de pedido de falência que foram requeridos pelo Estado. Os tribunais portugueses dessa época, insuspeitos de favorecer o capital, recusaram decretar as falências pedidas pelo Estado, tendo concluído que os activos superavam em muito os respectivos passivos.
O artigo apresenta o BIP como um banco falido por causa dos “esquemas” do Sr. Jorge de Brito. Omite-se no artigo que o BIP foi, tardiamente, é certo, objeto de uma avaliação amplamente positiva para efeitos de indemnização a pagar no quadro da sua nacionalização, facto que confirma e evidencia que o BIP era um banco com valor.
Uma análise isenta, que não foi a apresentada no artigo, concluiria, pois, que o Estado português - após a derrota total nos processos judiciais que intentou, e encontrando-se em fase de conclusão a avaliação do BIP no quadro da nacionalização que também lhe era desfavorável - teve, naquela conjuntura, de negociar um acordo com o Sr. Jorge de Brito.
Em 1995 aquele acordo foi dado como totalmente executado e concluído, com a última partilha patrimonial entre a Finangeste, em representação do Estado, e o Sr. Jorge de Brito. Foram integralmente saldadas todas as dívidas pessoais e societárias. Facto que mais uma vez prova a razão do Sr. Jorge de Brito e que o artigo omite deliberadamente.
O Sr. Jorge de Brito ficou, desde o início da execução deste acordo, na posse dos seus bens pessoais. Após a total liquidação da integralidade dos passivos, o Sr. Jorge de Brito e as sociedades ainda mantiveram património próprio, tendo ainda recuperado outros activos que tinham sido dados em garantia.
O Sr. Jorge de Brito foi indemnizado da carteira de títulos de empresas nacionalizadas com um juro anual de 2,5%, quando os passivos que amortizou venciam juros a taxas de 14% ou 15%.
É conhecido o trauma antigo que o Dr. Silva Lopes tem para com o Sr. Jorge de Brito, que lhe motiva uma incansável e repetitiva tarefa de denegrimento público, assim como são sabidas, por muitos, as verdadeiras causas que o motivam a isso, o que, face à gravidade do que consta do artigo, não deixará de ter tratamento na sede adequada. O que é inadmissível é publicar um artigo com este teor, em que se denigre e humilha um falecido, com base numa total falta de rigor e com uma grosseira descontextualização. De forma propositada, o artigo sustenta-se em episódios que nunca levaram, em qualquer foro, a qualquer tipo de condenação do Sr. Jorge de Brito, omitindo tudo isso para deturpar totalmente a realidade.
Os herdeiros do Sr. Jorge de Brito, que, como filho e cabeça de casal, aqui represento, reservam-se na faculdade de avançar com o procedimento judicial adequado para vos imputar a responsabilidade decorrente da publicação daquele artigo."»

Tantos homens perseguiram Chumbaca...

"A propósito da Supertaça ficamos a saber que o nome de Cândido de Oliveira vai fazendo cada vez mais parte do esquecimento colectivo. É importante recordar a sua figura de democrata, de torturado, de vítima do campo de concentração do Tarrafal.

Amigo leitor: confesso-me desiludido por ter percebido, através daqueles questionários de rua nos quais as nossas televisões são férteis, que pouca gente (sobretudo jovens) sabe hoje em dia quem foi Cândido de Oliveira. É bisonho. Soletram-se os nomes de peralvilhos alarvajados, autênticos machudos que transformaram nas últimas décadas o futebol em Portugal num regabofe de prostitutas e corrupção, e de Mestre Cândido nada de sabe.
Vou falar dele. Não da sua vida de jogador do Benfica e do Casa Pia, primeiro «capitão» da Selecção Nacional, treinador dos famosos «Cinco Violinos» do Sporting; nem da sua carreira de seleccionar e de jornalista desportivo terminada abruptamente com a sua morte durante o Campeonato do Mundo de 1958, na Suécia. Vou socorrer-me das pesquisas que fiz para o livro «Cinco Escudos Azuis», História da Selecção de Portugal, e trazer de novo à superfície a outra face de Cândido.
Para isso vamos até ao início da II Grande Guerra. Em Portugal, é tempo dos racionamentos, da censura-prévia aos meios de comunicação, dos aumentos de preços, da escassez de bens essenciais, do enriquecimento dos especuladores, da total ausência de liberdade sindical, da mobilização em larga escala das forças policiais. Por tudo isto, um surto grevista assola o país. Considerados como «agitadores profissionais a soldo de Moscovo», os cabecilhas são presos e a perseguição dos dirigentes comunistas que coordenam clandestinamente estes movimentos de luta é assanhada.
Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, alcunhado por muitos dos seus amigos mais íntimos de «Chumbaca», graças à sua figura física corpulenta e atarracada, seleccionador nacional de futebol, é um indefectível apoiante dos movimentos de insurreição que se espalham pelo território. Democrata convicto toma dessassombradas posições públicas contra os regimes de Hitler, de Mussolini e de Franco e não perdoa a Salazar a sua colagem a tais ideias fascistas. A sua coragem intelectual só tem paralelo na sua coragem física. O sem-número de prisões levadas a cabo pela PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) não deixam o seu nome passar em claro. É brutalmente torturado e espancado a ponto de lhe terem partido todos os dentes. No verão de 1942 é enviado para o Tarrafal.

«O Pântano da Morte»
Criada pelo decreto n.º 28539 de 23 de Abril de 1936, a Colónia Penal do Tarrafal estava destinada a receber os presos condenados a pena de desterro pela prática de crimes políticos. Situado na lha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, o campo do Tarrafal ficava instalado numa zona pantanosa onde não havia água potável nem comunicações para o interior da ilha. Era o local de mais intenso paludismo em Cabo Verde, o que fez com que grande parte dos deportados fosse dizimada pela doença e com que os que regressaram à metrópole viessem subjugados pela variante crónica da enfermidade. Foi neste lugar que Cândido de Oliveira passou os seguintes dezoito meses da sua vida. Ali se encontrou com muitas outras grandes figuras do anti-fascismo, como Bento Gonçalves (que lá morreu), Edmundo Pedro ou Júlio Fogaça. Sobre ele escreveu um livro chamado «Tarrafal - O Pântano da Morte», publicado a título póstumo, após o 25 de Abril de 1974, e que é um testemunho marcante do arremedo de vida que levavam os prisioneiros daquele que foi o campo de concentração do fascismo português. «Dentro do Campo não se vive! Aguarda-se a morte! É a morte lenta, mas certa. Apenas uma questão de tempo... A pobreza de alimentação, a devastação operada pelo clima, a falta de assistência médica e farmacêutica, o estiolamento com base no trabalho forçado sob a canícula tropical, as duras sanções, a falta de higiene, o isolamento, o ascetismo compulsivo, tudo somado causa, fatalmente, a ruína física, o desarranjo fisiológico e apressa a morte. É evidente. Até agora morreram 30 deportados, na sua quase totalidade abatidos pelo golpe brutal e final da biliosa. Mas esse número não diz tudo. Procuremos conhecer o quadro sanitário do Campo; os casos de paludismo crónica, por falta de tratamento e pelas sucessivas infecções; e os tuberculosos e outras doenças pulmonares, com origem na miséria alimentar e no clima; e os de anemia palustre e de doenças hepáticas herdadas do paludismo; e os de desarranjo psíquico com base no duro isolamento e na castidade forçada; todos os casos, enfim, de doença ou de carência operados pelo pântano do Tarrafal e pelo duro regime prisional, e só então poderemos avaliar em toda a sua grandeza a obra do Governo do Dr. Salazar como meio de exterminar o anti-fascismo em Portugal!».

Luta contra a corrupção
Em Março de 1945 já não há dúvidas quanto ao destino da guerra: Dresden, a «Florença da Alemanha», não passa de um monte amorfo de ruínas; os americanos atravessam o Reno e dirigem-se para Colónia e Coblença. Abril traz consigo a ironia da morte de Roosevelt, do assassínio de Mussolini e do suicídio de Hitler no espaço de poucos dias. Em Maio, os aliados entram em Berlim e a Alemanha rende-se incondicionalmente. Não são boas notícias para António de Oliveira Salazar. E a prová-lo está a decisão do seu Governo de declarar três dias de luto oficial pelo desaparecimento do chefe do Partido nacional-Socialista e do III Reich Alemão. Só que não lhe é possível abafar o regozijo popular. As manifestações espontâneas de alegria pela vitória aliada rebentam um pouco por todo o país. Com elas, aparecem novas exigências: liberdade política e sindical; eleições livres; libertação dos presos políticos; encerramento do campo de concentração do Tarrafal.
A tentativa de golpe militar dirigida pelo general republicano Norton de Matos fracassa e o Estado Novo ganha fôlego com o apoio público e explícito do Reino Unido e dos EUA. Cândido de Oliveira está de regresso a Lisboa. Demitido dos CTT, onde trabalhara longos anos e atingira a elevada função de Inspector de Exploração, funda com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo o jornal «A Bola». Ainda dirige a equipa de Portugal contra a Espanha (2-2), mas é substituído por Tavares da Silva, também ele jornalista, no «Diário de Lisboa», que já fora seleccionador. Infelizmente, o Portugal do futebol parece ignorar ou deixar cair no esquecimento uma das suas figuras mais extraordinárias. A Assembleia Constituinte, cada vez mais prostituinte, e os seus caudilhos, verga a espinha a sórdidos degenerados. Foi também contra isto que Cândido de Oliveira lutou. Pelos vistos, em vão.
Atribuíram-lhe o nome da Supertaça. Infelizmente para ele, um troféu que fica marcado pelo vilipêndio de um árbitro cobarde perseguido campo fora por meia-dúzia de despudorados àvidos de mazorca - imagem que nenhum de nós esquecerá por mais que os anos passem. Não merecia isso. Foi um exemplo de valentia e de verticalidade. Enquanto a uns o futebol português pode agradecer a queda na vergonha, no chasco, na trapaça e no aleive, a Cândido de Oliveira deve progresso e princípios ferozes de respeito pelos adversários e pela verdade desportiva.
Cabe-nos tirá-lo do olvido. E continuar a não perdoar a quem o tem ofendido."

Afonso de Melo, in O Benfica

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Júlio César

Foi oficializado hoje a contratação do guarda-redes Brasileiro Júlio César. Internacional Brasileiro, titular no último Mundial, fez grande parte da sua carreira no Inter de Milão, onde foi Campeão Italiano várias vezes, e foi Campeão Europeu, com o Mourinho. Considerado durante muitos anos como um dos melhores do Mundo. Saiu para Inglaterra, com um contrato milionário, mas as coisas não correram bem no Queens Park Rangers, onde nem sempre muito dinheiro, significa sucesso desportivo. Depois dos Ingleses terem descido de divisão, para não perder a forma, e a hipótese de representar o Brasil no Mundial, chegou a estar emprestado na MLS... O ano passado, chegou a ser falado para o Benfica mas o negócio não se concretizou.
Assinou agora por 2 anos, mas não se sabe os contornos financeiros do negócio. Aos 34 anos chega ao Benfica. Pode não ter todas as qualidades que demonstrou no Inter, mas continua a ser um excelente guarda-redes. No ponto de vista desportivo parece-me ser uma boa decisão...
Com as intervenções decisivas do Artur nos últimos jogos, a (des)comunicação social desportiva que vinha a insistir, que o Benfica iria contratar dois guarda-redes, mudou de 'opinião', e agora parece que o Grego Karnezis foi descartado!!! Pessoalmente, acho que existe outras posições mais carenciadas na equipa, e em tempo de vacas magras, mas vale gastar o pouco dinheiro disponível noutros jogadores... com o Júlio César deveremos estar descansados com as opções para a baliza... sendo que o Artur pode fazer o mesmo papel que efectuou a época anterior, na 2.ª parte da época...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Lixívia I

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica...........3 ( 0) = 3
Corruptos.......3 ( 0) = 3
Braga.............3 ( 0) = 3
Sporting........1 (+1) = 0

Mais uma vez temos a Lixívia de regresso... e pela amostra dos primeiros minutos do Campeonato 2014/15 parece que vão precisar de muita Lixívia para limpar a porcaria que os apitadores vão espalhando pelos relvados...!!!

Ponderei deixar de fazer as 'contas' aos jogos do Braga, mas com dois erros graves, em beneficio do Braga, logo na 1.ª jornada - logo no 1.º minuto...!!! -, tendo em conta que é previsível mais uma tentativa desesperada do Sistema em meter o Braga na Champions, ocupando assim uma vaga habitualmente destinada a um Clube de Lisboa... somando tudo isto, ao investimento gigantesco dos Corruptos no reforço da sua equipa, é esperado um festival de vilanagem nesta nova época desportiva.
A pré-época serviu essencialmente para criar a narrativa do Benfica fragilizado dentro do campo, e 'refém' da Banca fora do campo, justificando assim os 'planeados' prejuízos dentro do campo ao longo da época. Esta é a estratégia, e o resto é treta...


A nomeação do Cosme Machado para a Luz, foi a prova final... para quem ainda tinha dúvidas. Os primeiros minutos foram exemplares: o cartão ao Enzo, e o penalty... Frustrado na sua tentativa de condicionar o resultado logo de entrada, o Cosme continuou durante todo o jogo com um critério torto, principalmente nas faltas, não assinaladas, sobre os nossos avançados, foras-de-jogo mal tirados... entre outras coisas habituais. Se o critério do amarelo ao Enzo fosse mantido, o jogo não teria chegado ao fim; se o critério do penalty fosse mantido haveria 20 penalty's por cada jogo!!! Ler e ouvir gente a justificar a marcação do penalty, só prova a ignorância de quem fala sobre Futebol em Portugal, parecem virgens numa casa de Putas!!!
Mas já em Aveiro na Supertaça, tinha ficado o 'cheirinho' daquilo que está para vir... com 2 penalty's por marcar, por mão na bola (houve um 3.º lance, mas não foi deliberado), e um festival de porrada por parte do Filipe Augusto, do Maurício e do Prince - principalmente estes -, completamente impunes...


Em Coimbra, o Rei dos Comunicados, o Rei das Choradeiras, o Rei da Cagança, o Príncipe da Coação, o Rei das Tabelas da Mentira, o Rei dos Contratos Rasgados Quando é Conveniente... fodeu-se !!!
Quando já pensavam que a vitória estava assegurada, a Académica empatou... Pelo caminho ficou um penalty clarissímo por marcar contra o Sporting, por mão do Jefferson, que o Arturinho viu, mas não quis marcar!!! O William foi bem expulso, e o penalty que os Lagartos timidamente 'pediram' não existiu...


O Xistra no Dragay não precisou de se esforçar, o Marítimo foi inofensivo... Mas não deixa de ser 'engraçado' a quantidade de Corruptos-Marítimo ou Marítimo-Corruptos que o Xistra apita, deve ser fetiche !!!


Em Braga o Vasco Santos, começou no 1.º minuto, por não ver o Tiba a ajeitar a bola com o braço, no 1,º golo do Braga, e mais tarde, foi iludido pelo Eder que 'sacou' um penalty que não existiu... e a existir seria fora da área!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar

domingo, 17 de agosto de 2014

Enguiço quebrado...

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira

Após várias épocas sem ganhar na 1.ª jornada, após uma das piores pré-épocas dos últimos anos, lá conseguimos bater o nosso adversário no primeiro jogo do Campeonato... É só uma vitória, são só 3 pontos, foi só uma final ultrapassada, faltam ainda 33 finais, para o objectivo principal ser alcançado... e por aquilo que vimos nos primeiros 10 minutos, não vai ser nada fácil...!!!
É raro falhar um jogo na Luz, é 'estranho' ver um jogo na Luz pela televisão, ainda por cima não consegui acompanhar o jogo com 'calma'... assim, não vou fazer um analise aprofundada, mas adianto que não gostei de ver a bola tantas vezes junto da área do Benfica... Mesmo assim, tenho que elogiar a forma como a equipa conseguiu manter a cabeça fria, após sentir que o jogo tinha 'encomenda'!!!
Com o Jesus como treinador do Benfica, só na primeira época, em 2009/10 começamos em alta rotação desde da 1.ª jornada, nas outras época, foi notório inícios de época, ainda com arestas para limar, para entrar em modo rolo compressor a partir de Novembro. Este ano, com o plantel novamente indefinido, parece que vamos ter que esperar algum tempo para poder observar a equipa a jogar no seu potencial máximo... assim, é muito importante, neste arranque, mesmo quando não se jogar muito bem, conseguir os 3 pontos. E para que isso aconteça, é importante não sofrer golos, e hoje, depois da Supertaça, voltámos a não sofrer golos, com o Artur a defender novamente um penalty... não deixa de ser irónico, sabendo que estará a chegar muito provavelmente outro guarda-redes para ser titular...!!!

Zurique: as despedidas...

Terminou hoje os Campeonato da Europa de Atletismo ao Ar Livre, em Zurique, na Suíça.
Logo pela manhã tivemos uma interessante prova da Maratona, com 3 Benfiquistas na estrada. O Rui Pedro Silva acabou por desistir, o José Moreira fez uma prova da frente para trás, tentou-se aguentar na frente, mas não aguentou, e terminou em muito esforço em 39.º com 2h 24m 23s... Enquanto isso o Ricardo Ribas, fez uma prova muito inteligente, de trás para frente, poupou-se no início, mas foi recuperando, lugar após lugar, e terminou num excelente 10.º lugar, com 2h 15m 43s... 

Na sessão da tarde, as coisas não correram bem. Na estafeta dos 4x100m, na 3.ª transição, o Arnaldo Abrantes, 'rasgou' o músculo mesmo antes de transmitir o testemunho ao Yazaldes... Terminado assim a participação Portuguesa. E foi pena, porque muito provavelmente iríamos repetir o 6.º lugar de Gotemburgo, já que estávamos à frente da Polónia...!!!

Terminados os Campeonatos é tempo de balanço. Com somente duas medalhas - na mesma prova... -, e com somente 2 recordes nacionais, pode parecer que tivemos uma participação fraca... mas, não podemos 'olhar' só para as medalhas: Nélson Évora (6.º) no Triplo, Marco Fortes (7.º) no Peso, Yazaldes Nascimento (8.º) nos 100m, Susana Costa (8.ª) no Triplo, estafeta 4x100m (8.ª). Cinco Top 8, cinco finalistas do Benfica.
A comitiva Portuguesa, ainda conseguiu pela Sara Moreira um (5.ª) e um (6.º) - 10000m e 5000m respectivamente -, Ana Cabecinha (6ª) Marcha, Edi Maia(8.º) Vara, e ainda as duas medalhas: Jéssica Augusto (3.ª), e selecção feminina maratona (2.ª) na Maratona... No total são 11 Top 8 !!! Muito sinceramente, não me recordo de tantos finalistas num grande Campeonato... Sendo que a Patrícia Mamona podia ter perfeitamente chegado à Final do Triplo; o Marcos Chuva se tivesse sido convocado estaria também na Final do Comprimento; a Dulce podia ter feito um Top 8 nos 10000m ou na Maratona em condições normais...; na Marcha tivemos a 'anormal' desistência dos gémeos Vieira; além da ausência da Vera Santos e da Susana Feitor que podiam ter feito bons resultados...; na velocidade tanto o Rasul Dabo como o Ricardo Monteiro, num bom dia também podiam ter feito Finais...!!! Resumindo, se calhar não temos atletas que garantam Medalhas em todos os grandes Campeonatos, mas temos maior 'profundidade' na Selecção, principal nas disciplinas técnicas, algo que há pouco tempo atrás não tínhamos... estamos menos dependentes do destino - o milagroso aparecimento de um Carlos Lopes ou de uma Rosa Mota -, conseguimos chegar às Finais, mas depois falta um 'bocadinho' para chegar ao podium...!!! Mas se obrigarmos atletas Olímpicos, com ambições a Finais, a continuarem a fazer desporto em part-time, então dificilmente vamos continuar a ter resultados agradáveis...

Pentacampeões...

Parabéns ao Roberto Reis e ao Kibinho, pelo novo título de Campeões Nacionais de Voleibol de Praia - o 5.º consecutivo -, da dupla de atletas do Benfica...

Festival do desperdício !!!

Leixões 2 - 1 Benfica B

Confiando nas crónicas, o Benfica desperdiçou pelo menos 5 oportunidades escandalosas... assim, não é fácil ganhar jogos!!!
Varela; Semedo (Dawidowicz, 87'), Lindelof, Valente, Gaspar; Amorim (Romário, 56'), Pinto; Costa, Teixeira, Guedes (Lolo, 68'); Fonte.