Últimas indefectivações

sábado, 5 de maio de 2018

Vitória...

Benfica 95 - 91 CAB Madeira
27-24, 22-19, 17-29, 29-19

Não foi fácil, aquele 3.º período foi mau... mas ainda fomos a tempo da recuperação!

Fim da 2.ª Fase, vamos para o play-off, muito provavelmente contra a Ovarense... sendo que nas Meias iremos ter um muito provável encontro com os Corruptos, e uma suposta Final com a Oliveirense sem o factor casa... O cenário podia ter sido mais agradável!

Não abusem do Jonas, se faz favor

"Não tem acontecido nestes últimos anos, e ainda bem, mas o maior regalo de o próximo jogo do Benfica ser uma visita ao Lumiar é, sem sombra de dúvida, o facto da importância de mais um derby ser sempre suficientemente transcendente para nos permitir o luxo – bendito luxo – de ignorar, por falta de espaço, o jogo anterior. Deu-se o caso de ser com o Tondela. E sentenciou exemplarmente esta Liga na semana passada. Adiante. Sobre o jogo nem uma palavra, não há espaço. Sobre o significado do "score", sim, algumas palavras. Veio dar razão à corrente de pensamento pouco valorizada que defende um princípio de trazer por casa porque é, exactamente, em casa que se ganham e perdem campeonatos.
Os jogos chamados "fora" são para ir ganhando, empatar às vezes e até perder de vez em quando. Mas são os jogos em casa que decidem a coisa. Quanto mais imaculado o percurso dentro de portas mais perto se está do título. Ora no tal frente-a-frente na Luz com o Tondela conseguiu o Benfica a triste proeza de somar mais 0 pontos aos 0 pontos somados no jogo com o Porto e ao pontito solitário do derby da primeira volta. E lá se foram, assim, 8 pontos ao ar e o sonho da revalidação do título pelo 5.º ano consecutivo.
Muito mais do que um clube, o Benfica é uma obra social. Por falta de espaço face à iminência do derby desta noite, o dissecar das minudências do último jogo disputado no Estádio da Luz não acrescentaria nada de muito elevado à tese, qualquer que seja a tese. Mas não deixa de ser curioso o facto contabilístico – nada de técnico-tácticas… - apurado nessa derradeira sessão. O Tondela rematou 4 vezes à baliza dos ainda campeões e a bola entrou por 4 vezes. Como o árbitro invalidou um desses remates a ficha do jogo acabou por registar apenas 3 golos, do mal o menos. É esta a obra social a que me referia. Já no jogo anterior, na Amoreira, acontecera parecido. O Estoril rematou 2 vezes à baliza do Benfica, a bola entrou 2 vezes e o árbitro anulou um desses golos com o auxílio do VAR. Também no jogo anterior ao da Amoreira, na recepção ao Porto na Luz, a equipa visitante limitou-se a rematar uma única vez à baliza do Benfica e não é que a bola entrou? Lá está a obra social de que vos falava.
Garantem os teóricos, os apaixonados e até os diletantes que a ausência de Jonas explica cabalmente o colapso da equipa do Benfica no momento em que, sem saber verdadeiramente como, se viu dependente apenas do seu esforço para levar de vencida mais um campeonato que iniciou de modo muito pouco convincente. É profundamente injusto pensar-se assim. Não abusem do Jonas, um dos melhores futebolistas que alguma vez passou pelo futebol português. Não lhe exijam que seja o goleador-mor da equipa, o médio de construção inigualável e ainda guarda-redes, defesa, comunicador, apanha-bolas e paladino do Benfica na CMVM e no Banco de Portugal. Acabou-se-me o espaço, pronto."

Tanga de tribo

"Somos habituados ao longo da vida a ver e ouvir os maiores disparates, sem que ninguém se preocupe com isso.
Balazs Aczel, professor do Instituto de Psicologia da Univerdidade Eotvos Loránd de Budapeste (Hungria), Bence Palfi e Zoltan Kekecs, outros dois especialistas da universidade, analisaram o que significa ser estúpido!
Num primeiro tipo de situações englobaram aquelas que chamaram a 'ignorância confiante'. Acontece quando a capacidade que uma pessoa pensa ter para fazer algo ultrapassa de longe a sua real capacidade de o fazer - e está associado ao mais alto nível de estupidez.
Num segundo tipo de situações englobaram quando alguém faz alguma coisa porque perdeu, em certa medida, a capacidade de agir de outra maneira. Aczel fala aqui em 'falta de controlo' e caracteriza a situação como sendo o resultado de 'comportamentos obsessivos, compulsivos ou de toxicodependência'.
Num terceiro tipo de situações englobaram aquelas que deram o nome de 'falta de atenção - falta de sentido prático'. Trata-se de situações em que alguém faz uma coisa claramente irracional, mas por uma de duas razões: ou porque não estava a prestar atenção ou, simplesmente, porque não estava ciente de alguma coisa importante.
Vejamos:
O presidente do rival teve necessidade de escrever um texto sobre a situação económica (a que está na cabeça dele) da SAD e do clube. Desde logo, como se verá, coloca como pressuposto o que designou Grupo Sporting.
Começa por mencionar: 'Temos o reequilíbrio da situação económica-financeira de todo o Grupo Sporting, garantindo uma sustentabilidade associada a um crescendo de sucesso desportivo. Crescimento sustentado de todas as linhas de receitas comerciais - direitos TV, merchandising, bilheteira, quotizações, publicidade e patrocínios, entre outros; redução/controlo de custos, seguido de uma fase de investimento com um aumento de custos de forma controlada e sustentada; forte crescimento das receitas de venda de direitos económicos de atletas (...), recuperação dos direitos económicos de 37 jogadores (...), melhor contrato de direitos TV em Portugal resultante da negociação com a NOS num total global de 515 milhões; aumento de números de sócios, tendo já ultrapassado os 170 000 e mantendo um objectivo de crescimento continuado'.
Onde, como e quando?
Em primeiro lugar mete tudo dentro do mesmo saco!
O valor dos rendimentos e ganhos operacionais, na época de 2015/2016, foi de 68,75 milhões, e na época de 2016/2017, foi de 80 milhões. E a que se deveu essencialmente este aumento? Ao aumento das receitas com participação nas provas da UEFA, que passou de 8,4 milhões para quase 15 milhões. Correlativamente, os direitos de TV aumentaram em 1 milhão, por força do market pool e das transmissões televisivas - muito pouco!
Mas os custos?
Isto é um aumento de custos de forma controlada e sustentada?
(Total: 2015/16 - 78.494M€; 2016/17 - 96.926M€)
E depois escreve esta patacuada enorme:
'Na avaliação prévia a toda a 'crise' institucional do Sporting, os assessores financeiros do Sporting já tinham antecipado alguns riscos relacionados com operações de empréstimos obrigacionistas pelas seguintes razões: há um ricsoreputacional associado ao SLB (Sport Lisboa e Benfica) relacionado com tudo o que tem vindo a ser divulgado em termos de investigações por parte do Ministério Público (..). A propósito de o Sporting ter apresentado uma proposta de 60 milhões, o SLB também fez em 2013 e 2014 um pedido de autorização de empréstimos obrigacionistas até 130 milhões, que foi o compromisso que assumiu com o Novo Banco depois de ter sido apanhado na hecatombe do BES e de ter de reembolsar quase 150 milhões de obrigações emitidas particularmente e que estavam colocadas nos fundos da ESAF (...). O SLB tem três emissões que tem de renovar anualmente de 45+50+6 milhões = 155 milhões. Actualmente o SLB não tem exposição à banca o que limitará qualquer tipo de apoio caso haja defaults (...)'.
O que tem que ver a investigação do Ministério Público ao Benfica com o risco da operação obrigacionista do Sporting? Por acaso não será exactamente o contrário? O problema, a existir, será para o Benfica e, pelo contrário, o Sporting só beneficiará com isso.
Afirma ainda o dito senhor que aumentou o património com o Pavilhão João Rocha.
Ora vejamos:

O Sporting vai pedir em termos práticos um empréstimo obrigacionista de 60 milhões. Se 'acreditarmos' em tudo o que é dito, a venda de João Mário e Adrien seria mais do que suficiente para pagar grande parte dos VMOC, o pavilhão e suportar o aumento significativo, descontrolado, dos custos. Mas não... O que se vê é uma necessidade de recorrer ao mercado e aumentar a dívida obrigacionista em mais de 30 milhões!
Ora, quem apregoa liquidez e saúde financeira não precisa de ir buscar ao mercado mais 30 milhões para pagar o aumento das dívidas e o aumento dos custos, operacionais e do investimento. Principalmente para valores de activos, que é menos de metade dos activos do Benfica. E não precisa de chutar o actual empréstimo obrigacionista para a frente!

Este filme vimos nós muitas vezes em Portugal e levou à intervenção da Troika que hoje ainda se sente, principalmente para quem rendimentos do trabalho maiores. Mas sabemos o número de insolvências que isso custou!
Tudo o que este senhor disse é somente um cometa, um raciocínio tautológico.
A coisa não tem nada que ver com isso, mas, sim, única e exclusivamente com um jogo de futebol. Se no sábado o Benfica ganhar, o sistema financeiro do Sporting não vai prestar para nada. Se perder, o sistema financeiro do Sporting é um prodígio!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Sabe quem é? Até a polícia bateu... - Ângelo Martins

"A pancadaria no Sporting - Benfica que começou a arder no vendedor de gelados; O quartel onde o foram salvar

1. O pai era sapateiro na Travessa das Antas e, a ele, quando alguém o via a tirar encanto da bola no pé e lhe dizia: «Ainda o vamos ver no FC Porto» - solene e pomposo, afirmava: «Qual FC Porto, qual quê! Do Benfica, senhor!»

2. Acrísio, irmão que também jogava futebol, levou-o para o Académico do Porto.Tão bom se mostrou que, não podendo jogar pelos juniores por ter menos de 16 anos, um director puxou de uma manigância: pô-lo a jogar a final do campeonato, contra o FC Porto, com identidade falsa, como se tivesse 18. E não foi só...

3. Tinha tio fanático portista que não descansou enquanto não o arrastou à Constituição, a teste no FC Porto. Nem precisou de treinar para que logo lhe dessem ficha a assinar. Ao sabê-lo, o director do Académico fez pior do que já fizera ao pô-lo a jogar com nome que não era o seu - assinou por ele ficha que, de pronto, enviou para a AFP. Vendo-se duas nos serviços, abriu-se o imbróglio - e não foi apenas o director do Académico que acabou irradiado, irradiado também foi ele, por via das duas fichas e da falsificação da idade.

4. Passou a jogar apenas «futebol popular» pelo clube do bairro, o Monte Aventino. «Depois o filho do dono da Fábrica Ranito convidou-me para lá de modo a jogar pela sua equipa no Campeonato Corporativo». Ao bater dos 20 anos apuraram-no para a tropa, destacaram-no para o Regimento de Cavalaria 4 de Santarém - e o destino voltou a dar-lhe a volta à vida.

5. Pelo quartel apareceu-lhe, sorrateiro, alguém a perguntar-lhe: «O senhor pode dispor do seu tempo amanhã par vir comigo a Lisboa? É que o Benfica quer vê-lo treinar». Surpreendido, murmurou-lhe: «Não vale a pena, fui irradiado do futebol» - e Abílio Santos exclamou-lhe: «Se ficar aprovado, pode ser que deixe de estar irradiado, acredite». Os treinos saíram-lhe tão a primor que o Benfica correu a levar o pedido de amnistia à DGD. Com o caso resolvido, o FC Porto ainda tentou, em vão, desviá-lo de lá.

6. Pelo Benfica fez o primeiro jogo em Novembro de 1952, contra o Barreirense. Não tardou, passaram a tratá-lo como «Serrafeiro» - e seu primeiro de 7 títulos de campeão, o de 54/55, começou a desenhar-se com vitória por 1-0 em Alvalade. Campeão voltou a ser com Otto Glória em 56/57. A caminho desse título, com o FC Porto a morder-lhe os calcanhares, o Benfica tremeu ao empatar com o Belenenses por 2-2, depois de estar a ganhar por 2-0. Otto zangou-se: «Os jogadores não cumpriram o que lhes disse, deve ter-lhes dado alguma coisa na cabeça» - e, no dia seguinte, cada um tinha no seu cacifo multa de 500 escudos: «por negligência e não terem acatado as ordens do treinador».

7. Não, o chicote passava por isso e pelo Lar dos Jogadores que Otto criara: «Quem não cumprisse horários de repouso também era multado a doer. E não acontecia apenas aos solteiros do Lar. Uma vez, fui apanhado em casa duma vizinha às 23.10, na sua festa de anos, aplicaram-me 1000 escudos de multa - e eu ganhava 750 por mês».

8. Pior lhe sucedeu em Março de 59: o Benfica perdeu em Alvalade por 2-1, essa foi a derrota que abriu caminho ao título que o FC Porto ganhou no ano do «caso Calabote» - e a dado instante do jogo com o Sporting, a bola saiu do campo, o apanha-bolas que era vendedor de gelados, não lhe quis dar, ele correu pela pista para lha arrancar das mãos, Libório escorregou e caiu - incendiou-se a ira, no estádio.

9. Apesar da escaramuça continuou em jogo, a 25 minutos do fim acabou expulso: «Foi a primeira injustiça: quem fez falta sobre o Travassos foi o Alfredo, eu até estava longe. Como venderam bilhetes a mais, a pista estava cheia - e ao sair do relvado fui barbaramente agredido. O Artur Santos quis ajudar-me, levou cacetada de um polícia, ficou logo estendido no chão. Foram os jogadores do Benfica que o colocaram na maca, e levaram-no para o balneário...»

10. Mais contou da sua odisseia nesse Sporting-Benfica de ânimos a arder: «Com o Artur desmaiado, eu é que apanhei mais porque não desmaiei - e ainda me culparam de toda a confusão. Juntaram à ideia a agressão ao homem dos gelados, agressão que não houve, que só lhe tirei a bola e ele é que caiu. E foi assim que, tendo sido mais vitima que culpado, a FPF me suspendeu por um ano - foi uma vergonha»."

António Simões, in A Bola

Benfiquismo (DCCCXVIII)

Cardozogolo!!!

Uma Semana do Melhor... com fumaças !!!

Jogo Limpo... Guerra & Fanha

Segundo lugar é mau

"FC Porto é um justo vencedor. Muito mérito de Sérgio Conceição. Ganhar com menos recursos aumenta o merecimento.

O FC Porto é um justo vencedor deste campeonato. Tem razões para festejar e todas importantes. Primeiro porque vence uma prova nacional - não acontecia há 17 competições, acabando com o segundo período de maior jejum da sua história. Só uma vez participou em mais de 17 provas seguidas sem vencer. Depois vence com merecimento, numa altura em que tem o clube intervencionado e com um investimento gigante de um adversário e uma overdose de vitórias e de ânimo noutro. Em rigor, este ano o FC Porto ganhou o campeonato, perdei-o e voltou a ganhá-lo. Como digo aos meus amigos portistas, este devia valer por dois. Muito mérito de Sérgio Conceição e gerir os seus recursos. Ganhar com menos recursos aumenta e não diminui o merecimento.
Já o Benfica perdeu-o bem cedo, recuperou-o, para voltar a entregá-lo. O Sporting nunca permitiu que o seu treinador tivesse condições de o vencer, pois mal chegou à liderança desatou a convocar assembleias-gerais.
Este fim-de-semana há um Sporting-Benfica, que para mim tem diminuto interesse, embora o queira vencer. Não festejo segundos lugares e sempre vi coberto de ridículo esse regozijo em clubes que se dizem grandes. Para mim o segundo lugar é mau. Para se ter a noção do que se joga no sábado, o Benfica tenta ficar em segundo lugar para igualar o pior ano dos últimos oito campeonatos. O Sporting tenta ser segundo, para igualar o melhor ano dos últimos 16. Vamos então disputar um jogo carregado de história, com a obrigatória ilusão de vencer. Não sabemos se habemus Jonas, nem que Jonas pode haver, mas temos que mostrar uma ambição e uma garra dignas da camisola. No Benfica o futuro é hoje e, por isso, não há longo prazo que faça os adeptos esquecer o presente. Agora, é vencer em Alvalade e mostrar a qualidade que já vimos várias vezes no Benfica desta época.
Real Madrid - Liverpool numa final da Liga dos Campeões é uma das maiores homenagens à velha Taça dos Campeões Europeus. Os dois já estiveram em mais de 30 finais, não são uma parte muito grande dela. Dizer que o Real Madrid é o grande favorito só aumenta a probabilidade de haver magia dos reds, habituados a lutar contra o destino e a estatística."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: Este politicamente correcto faz-me um pouco de confusão...
Existe também uma 'falsidade' nesta coluna: a estória dos Corruptos terem menos recursos, porque estão intervencionados, é treta!
A maior parte dos jogadores do plantel dos Corruptos foram contratados nas épocas do Lopetegui... muito provavelmente, nessas duas épocas, tivemos o maior investimento de um clube português na história do Tugão!!! É verdade que houve má gestão, alguns jogadores não foram aproveitados e até foram emprestados...
Aquilo que os Corruptos fizeram esta época, foi 'recuperar' alguns desses jogadores, algo que não se irá repetir: primeiro porque não tem mais jogadores de qualidade emprestados; segundo porque têm muitos jogadores em fim de contrato, que vão sair...
Portanto, se continuarem 'limitados' pela UEFA (o que parece provável, porque os dois jogadores onde podiam 'encaixar' mais dinheiro estão lesionados), aí sim, vamos ver os Corruptos, com 'menos' recursos...!!!

17m95 !!!

E pronto, o inevitável aconteceu!!!
Pedro Pablo Pichardo bateu o Recorde Nacional do Triplo-Salto, com 17m95, no 1.º Metting da Diamond League de 2018.
Logo, num novo duelo com o Cristhian Taylor, que ainda deu maior brilho à vitória!
Concurso praticamente todo feito acima dos 17m44, só um salto abaixo (onde nem pisou a tábua!!!). Sem lesões, vai-nos trazer muitas alegrias, se calhar o próprio recorde do Mundo!!! Mesmo que isso vá criar azia em muita gente na FPA e afins...!!!

PS: O Benfica anunciou hoje a contratação da Victoria Kaminskaya, para o nosso projecto Olímpico. A nadadora nascida na Rússia, mas que se mudou para a 'minha região' ainda criança, tem de facto muito talento, e com trabalho pode chegar longe nos grandes campeonatos... mas, é preciso entre outras coisas alguma humildade!
Não conheço a Victoria pessoalmente, mas tenho amigos em comum... e todos falam de alguma arrogância! Nesta coisa da alta competição, é preciso ter muito cabecinha... e infelizmente o historial da natação portuguesa não ajuda a dar confiança!!!

Golos...

Quinta dos Lombos 0 - 10 Benfica

Cabazada, na última jornada da Fase Regular, a confirmar um bom momento da equipa... com um brinde: o regressdo de Chaguinha à competição! Grande reforço, para a Taça e especialmente para o Play-Off...

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Torino

A democracia a funcionar

"A disponibilidade manifestada por Rui Gomes da Silva para uma eventual candidatura presidencial ao Benfica só pode ser vista, na Luz, como uma boa notícia. É de alternativas que se faz a vida democrática e é do debate que nasce a dinâmica que impede que as sociedades definhem. Numa fase em que, do ponto de vista desportivo, as coisas não correm de feição aos encarnados - têm ainda um objectivo maior por que lutar, é certo, mas não se trata de um título - e no âmbito judicial o clube (vítima de um crime informático ignóbil) vê-se envolvido em situações, no mínimo, desconfortável, é salutar que surjam vias diferentes que possam fazer parte das escolhas dos sócios do Benfica. Luís Filipe Vieira, no poder desde 2003, foi capaz, especialmente de há meia dúzia de anos a esta parte, de desactivar os movimentos oposicionistas, acolhendo no seio da Direcção e nas áreas limítrofes personalidades que o criticavam com veemência, a saber, por exemplo, José Eduardo Moniz, Varandas Fernandes, Fernando Tavares e Rui Rangel. Esta frente unanimistas precisa de ser agitada, nem que seja para ficar tudo quase na mesma. E muito provavelmente, à imagem do que Rui Gomes da Silva fez, outras alternativas se perfilarão. O contrário, num clube de profunda tradição democrática como o Benfica, é que seria de estranhar. Luís Filipe Vieira, que nos últimos anos viu desmoronar-se o império do BES e teve de encontrar fórmulas que impedissem o arrastamento do Benfica para o abismo, terá sempre uma palavra a dizer, desde que queira, em qualquer processo eleitoral na casa encarnada. E aí será a soberana vontade dos sócios a imperar."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Por razões que agora não interessa explicar, nunca votarei em Rui Gomes da Silva, muito provavelmente nas próximas eleições votarei mesmo no Vieira, mas o Delgado tem toda a razão: no Benfica, processos eleitorais de Lista única, sempre me fizeram 'confusão'...!!!

VMOCada

"Bruno de Carvalho, no DN, fez um exercício de publicidade, do meu ponto de vista enganosa, sobre o virtuosismo da sua gestão e da situação financeira leonina em prol do próximo empréstimo obrigacionista da Sporting SAD. Não sou seu correlegionário nem investidor, mas há três passagens merecedoras de comentário.
Saber negociar: Investir em obrigações do Benfica poderá ser mais arriscado que no Sporting (cuja SAD, pela primeira vez na história das SAD, falhará um prazo de reembolso) devido ao possível desinteresse dos bancos em cobrirem um eventual incumprimento, pois o Benfica deixou de ter relação com a banca. Sugere, portanto, que o Benfica, por não ter dívidas à banca, poderá criar maior apreensão aos investidores que as entidades devedoras incluindo, as incumpridoras.
A anedota: Diz que há um risco relativo a questões reputacionais associadas ao Benfica (e-mails). Avisem-no já: Pagar a tempo e horas mitiga o risco de desconfiança dos investidores!
O escândalo: 'Preço de compra de cada VMOC a 30 cêntimos (...) sem aumento das taxas de juros e sem entrega de garantias adicionais aos bancos'.
As VMOC, subscritas pelos bancos por 1€ cada, serão recompradas pela Sporting SAD por 0,30€. Significa isto que existe um perdão implícito de 70% a uma SAD que se gaba de ter um activo que 'ascende a 287M€' e uma 'boa situação financeira'. Por artes mágicas, 135M€ de dívida passam 40. E relembro que um dos intervenientes, o Novo Banco, está intervencionado pelo Estado, tendo anunciado recentemente nova injecção de capital (721M€) por via de empréstimo estatal ao Fundo de Resolução... para cobrir imparidades. Caro contribuinte, seja bem-vindo à Junta de Salvação Leonina!"

João Tomaz, in O Benfica

Sou do Benfica e isso me envaidece

"O desvanecer do penta é angustiante, essencialmente, por um motivo: nós somos o Benfica. Símbolo que habita naquele sagrado inferno, o Estádio da Luz. A impotente Catedral. A casa onde já desfilaram Eusébio e Coluna; Humberto Coelho e Toni; Bento e Chalana; Shéu e Pietra; Rui Costa e Nuno Gomes.
Um benfiquista tem plena consciência da dimensão do brasão que alberga na alma. Como tal, a gigante e singular euforia no momento da glória transforma-se numa não menos gigante e singular desilusão na hora da derrota. Porque o maior nunca deveria sucumbir. Jamais. Na minha cabeça, qualquer campeonato onde não se somem por vitórias o número de jogos, com uma média de cinco golos marcados por jornada, é um ano frustrante. O Benfica de 1972/73, invicto na Liga, foi o que mais se aproximou de cumprir essa natural ambição, apesar dos dois empates consentidos e da escassa média de três golos por jogo.
Olhando para a exigência do adepto, quem representa o Benfica não tem margem de manobra por aí além, como se percebe. É natural, portanto, que passar um ano inteiro sem celebrar seja o que for se torne insuportavelmente doloroso. Há ocasiões, deve confessar,em que invejo a estirpe de adeptos que se regozija, em primeiro lugar, com os fracassos dos adversários. Por exemplo, aqueles que mesmo embaraçados por um sétimo lugar encontram motivação para abrir garrafas de champanhe. Ou outros, cuja invulgar seca de quatro anos não os inibiu de se lambuzarem com a péssima campanha do Benfica na Liga dos Campeões. Azar o meu, ser Benfica e dispor dessa aptidão trata-se de um conjuntura completamente incompatível.
Sou do Benfica aquele que nunca encontrou rival neste nosso Portugal. E isso me envaidece."

Pedro Soares, in O Benfica

É futebol

"Com a inesperada derrota diante do Tondela, o sonho do penta praticamente morreu. Teremos agora de lutar por aquilo que resta, e não é pouco: o 2.º lugar e o apuramento para a Liga dos Campeões.
O balanço da temporada fica para depois, e haverá que fazê-lo a frio, sem dramas, nem precipitações. O Benfica vem de quatro anos extraordinários. Alcançou um inédito tetra, entre tripletes e dodradinhas, numa das melhores sequências de sempre. Alguma vez teria de ceder.
Importa igualmente lembrar que, há apenas três semanas, liderávamos a tabela, e, depois de uma notável recuperação, parecíamos embalados para o título. Duas derrotas deitaram tudo a perder, derrotas essas que - há que dizê-lo também - foram marcadas por gritante falta de sorte.
Na altura decisiva da temporada, lesionou-se o nosso melhor jogador, e aquele que garantia a eficácia junto das balizas adversárias. É impossível olhar para os últimos jogos e não nos lembrarmos dele. Também aí o azar nos perseguiu.
Obviamente que terá havido erros próprios. Só não os comete quem nunca decide, sendo fácil julgá-los a posteriori. Fazem parte do desporto, assim como fazem parte da vida. Teremos de os aceitar a aprender com eles. É também muito importante que, tal como sempre soubemos ganhar, também nesta altura saibamos perder.
É verdade que, por tudo o que se passou ao longo deste ano, talvez o nosso clube merecesse o campeonato. Mas em campo houve quem estivesse melhor, quem fizesse mais pontos, quem merecesse ainda mais a vitória.
Perdemos um campeonato. Já não estávamos habituados. É esta a razão maior do nosso desconforto."

Luís Fialho, in O Benfica

Orgulho

"Tenho imenso orgulho em ser sócio de um clube que não quebra nem vacila perante as contrariedades. Tenho orgulho em ser um dos milhares de Benfiquistas que sempre acreditaram nos projectos de Luís Filipe Vieira. Tenho orgulho em ter votado sempre num homem sereno, sensato e competente. Seja qual for o resultado da nossa equipa principal de futebol, tenho a certeza de que o presidente do SL Benfica será o primeiro a dar a cara e a assumir as suas responsabilidades.
Luís Filipe Vieira, durante os 15 anos de liderança, habituou-nos a isso. E, por isso, é o presidente mais carismático e mais competente da história do nosso centenário clube. O momento não é de consagração, mas de desafio. Desafio este que se analisa agora na passagem urgente da fase já vencida da sucessão de conquistas, à fase, ainda mais longe de esgotada, da real efectivação de novas conquistas. Entre um passado ainda por cumprir integralmente, mas recheado de estimulantes avanços, e um futuro que tem de prevenir-se, inscreve-se um presente do qual pode extrair-se, antes do mais, a persuasão de que a realização concreta de um ciclo que nos leve a um novo tetra é, efectivamente, possível! Vale, por isso, acreditar nele, ampliando-se o esforço para uma sua melhor interiorização que o tornará uma naturalidade do quotidiano que vamos todos sentir, lutar e viver nos próximos meses. É gigantesco o nosso desafio. Porém, um optimismo moderado não constituirá hoje um sentimento gratuito. Vencidas barreiras que ontem se supunham intransponíveis no nosso clube têm um peso importante e decisivo na dimensão do nosso. A nossa palavra de ordem terá de ser só uma - confiança."

Pedro Guerra, in O Benfica

Enorme coração

"É assim o coração dos benfiquistas. É capaz de abraçar a competição no jogo e a solidariedade fora dele. Provam-no a história do Clube, desde muito cedo, e a necessidade que sentiu de criar uma fundação. Estamos sempre lá! Onde precisam mais de nos, e queremos continuar a fazê-lo, porque é isso o Benfica. Mas não é desse coração em sentido figurado que falamos hoje e, sim, de um órgão vital que dita a qualidade da nossa existência. Às vezes esquecem-nos dele, e às vezes, também infelizmente, ele recorda-nos da pior maneira.
Vamos voltar a ter o tema na nossa acção, divulgando a mensagem e realizando rastreios no Estádio da Luz. Tudo o que pudermos fazer uns pelos outros e para melhorar a nossa saúde, prevenindo as doenças cardiovasculares, faremos!
Por isso começamos este mês de Maio a falar de coração, inspirados pela Fundação Portuguesa de Cardiologia e animados pela parceria com a Fundação Benfica a propósito da campanha anual 'Maio, Mês do Coração'. Em anos anteriores colaborámos com gosto e sentido de missão, e por isso neste ano vamos voltar a ter o tema na nossa mente e na nossa acção, divulgando a mensagem e realizando rastreios no Estádio da Luz.
Tudo o que pudermos fazer uns pelos outros e para melhorar a nossa saúde, prevenindo as doenças cardiovasculares, faremos! Porque, se em cada benfiquista bate um enorme coração, então que seja saudável. Afinal, é daí que vem a chama imensa!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Autofagia futebolística

"A atmosfera em redor do nosso futebol está a atingir perigosos níveis de desregulação, inquinamento e poluição.

tempos foi conhecido o anuário da época desportiva de futebol 2016/17, em boa hora surgido de uma parceria Liga de Futebol/EY, Ernst & Young. Nele se refere que esta actividade contribuiu com 456 milhões de euros para o PIB, por via de infra-estruturas, emprego e impostos directos. Seria largamente superior se lhe adicionássemos os impactos indirectos, em sectores como o turismo e a restauração, os transportes, a comunicação e as apostas desportivas. Em qualquer caso, é apreciável o seu quinhão para a FNBpm (“felicidade nacional bruta a preços de mercado”) e o facto de ser uma actividade em que exportamos, com qualidade, vitórias, jogadores e técnicos.
Benfica, FC Porto e Sporting concentraram 76% da globalidade das receitas totais e 79% das despesas globais. Esta assimetria tem-se acentuado em todos os vectores. Aqui apenas destacaria a enorme diferença entre os seus direitos televisivos, que são cerca de 15 vezes maiores dos que são detidos pelos clubes a meio da tabela, conforme nos indicou um também recente relatório da UEFA (em Inglaterra o ratio é de 1,3, em Itália de 3,3 e o mais perto de nós é a Espanha com 4,1!).
Os maiores clubes continuam a ter elevadas dívidas e avultado passivo ou a antecipar proveitos futuros (algumas vezes, bem para além do mandato eleitoral). Alguma opacidade das contas é, não raro, “estratégica”. Houvesse rating e, por certo, ver-se-iam “gregos” na escala “junk” das letrinhas que, implacavelmente, as agências de notação lhes assinalariam.
Em suma, trata-se de uma realidade sobre a qual se deve reflectir profundamente, num tempo em que o poder nos clubes ainda se alimenta de quimeras, emoção e do “chutar para a frente” as dificuldades e as obrigações (literalmente no caso do SCP).
Por outro lado, a atmosfera em redor do nosso futebol está a atingir perigosos níveis de desregulação, inquinamento e poluição.
É lastimável este tempo de necrose desportiva e de patologia destrutiva. E se, a nível de selecções, somos campeões europeus, no plano do ranking das equipas estamos no plano descendente e a cavar o fosso para as principais ligas (ainda que aqui haja outras razões poderosas e financeiras exógenas). 
Vemos, em progressão logarítmica, o efeito nocivo de programas e comentários em certos canais televisivos de notícias. É até confrangedor ver pessoas respeitáveis no meio de touradas de sangue onde só falta o bicho. Ali, com mais ou menos desrespeito ou parlapatice, o que importa é excitar a discussão pela discussão, dar argumentos de ódio para ouvintes mais propensos à acefalia, repetir imagens de “enorme importância” vezes sem conta até se ficar nauseado. Os oráculos que se lêem debaixo de ecrãs, divididos aparvalhadamente em três ou quatro partes, são um pré-incitamento à violência. Propaga-se incontroladamente o mau exemplo, a acendalha lançada para cima de fogo tão artificial, quanto teatral. Pedagogia do bom exemplo é coisa rara, com direito, quando muito, a rodapés ou fugidios momentos.
Entretanto, como no Titanic, canta-se (insulta-se) e baila-se (finta-se) ao som da Ramona, não se dando conta que o desastre de uns ou de outros é o desastre de todos.
Os clubes, no que ao futebol profissional diz respeito, metamorfosearam-se em Sociedades Anónimas Desportivas (SAD), mas estão agora a regredir em aspectos fundamentais de ética desportiva, comunicacional e social. Não são capazes de enxergar que o seu muito competitivo “core business” (vencer) não é incompatível, bem pelo contrário, com a cooperação em aspectos comuns e basilares da sua actividade ou, como agora sói dizer-se, da sua indústria.
Todos os dias, de uma maneira ou de outra, com uns mais do que outros, com réplicas e tréplicas em versão Facebook ou similar, dirigentes, funcionários directores de comunicação ou de outro qualquer ofício insinuam, blasfemam e agridem-se sem a mínima urbanidade e decoro. Alguém imagina noutra qualquer actividade isto acontecer? O que seria, por exemplo, na banca, nos seguros, na distribuição, se todos os dias acontecessem coisas semelhantes?
É bom ter presente um ponto que, só por si, deveria emudecer a fanfarronice e erradicar a irresponsabilidade de quem acha que as SAD são um qualquer “brinquedo”: é que as SAD estão cotadas em bolsa e sujeitas à supervisão da CMVM.
Pois aqui o que excita é o alimento para claques sôfregas, os comentários de tudo menos dos jogos em si, as invectivas de hordas de agitadores de toda a sorte e o carrossel de denúncias ditas anónimas (!), tudo com o estranho silêncio das autoridades públicas, apesar do inglório, ainda que sério, esforço da Federação de Futebol.
Está-se a brincar com o fogo, sabendo-se que uma parte cada vez mais significativa das receitas dos chamados grandes advêm de patrocínios comerciais e de direitos televisivos que, obviamente, pagam um determinado preço contratual em função da reputação, do prestígio e do retorno dos recursos investidos. Fala-se agora de “marcas”, mas não se cuida da sua sustentabilidade."

5.ª da bola...Toni & Seara...

Três coisas que pensávamos que sim mas afinal não

"1. Que Fernando Santos não convocava para fases finais jogadores que não tivessem treinado pelo menos uma vez com o grupo nacional.
«Claro que não vai aparecer no Mundial um jogador que nunca tenha passado pela Selecção. Isso é impossível. Tenho de conhecer os jogadores a nível do treino, a nível mental, a nível grupal», disse Fernando Santos ao MaisFutebol em Outubro.
Mas afinal de contas não.
Nas últimas entrevistas que deu, já esta semana, o seleccionador mudou de opinião e deixou uma garantia que surge virada do avesso.
«Com elevado grau de probabilidade, haverá jogadores no lote de 35 pré-seleccionados que nunca estiveram ao serviço do Selecção. Mais do que um. Falo de jogadores com percurso de selecções jovens mas que nunca chegaram aqui.»
O que mudou, então?
Acima de tudo parece-me ter mudado Rúben Dias. Numa altura em que a selecção passa por uma grave crise de centrais, Fernando Santos sentiu necessidade de mudar as convicções.
O seleccionador queria fazer com Rúben Dias em 2018 o que fez Renato Sanches em 2016: um jovem que foi chamado pela primeira em Março e que foi convocado para a fase final em maio.
A lesão do central, no entanto, impediu-o de estar com o grupo.
Por isso Fernando Santos mudou de opinião e prepara-se para tomar uma opção que tinha jurado nunca tomar. O que é um sinal de inteligência: as circunstâncias exigem sempre uma adaptação e as convicções só são boas enquanto nos servirem. Ou, como diria Pepa, só os burros é que o são a vida toda.

2. Que os jogadores do Sporting tinham aprendido com José Mourinho que era mau sinal visitar torneios de ténis em semana de dérbi.
Afinal de contas não.
O que nos traz à memória o tempo em que o Special One era o treinador do Benfica e venceu por 3-0 o Sporting, no dérbi que instalou a crise em Alvalade e acabou por provocar a saída do campeão Augusto Inácio. Aconteceu em 2000 e o Mourinho contou tudo mais tarde num livro.
«Para aí 75 por cento do plantel do Sporting estava a desfilar no Masters de Ténis. Pensei de imediato: Estes gajos andam aqui na passerelle e eu vou dar-lhes com a marreta... Senti-os demasiado tranquilos. Davam-se ao luxo de andarem por ali a mostrarem-se em vez de pensar no jogo do fim de semana», escreveu Mourinho.
«Disse então para o Mozer: Amanhã aproveitaremos esta situação em nosso benefício e quando chegarmos ao treino vamos envenenar a nossa criançada. Assim o disse e assim o fiz. Quando lá cheguei disse-lhes logo que os jogadores do Sporting tinham passado a vida no ténis, que deviam estar a pensar que nos iam ganhar por meia-dúzia e por aí adiante. Piquei os meus jogadores. Eles sentiram-se desprezados pelo adversário e recusaram ser coitadinhos.»
O resultado já se sabe: o Benfica, que estava em crise, deu a curva no destino e venceu o campeão Sporting por 3-0.
Ora esta semana andaram pelo Estoril Open, pelo menos, Bruno Fernandes, Gelson, Coates, Bryan Ruiz, Podence e Palhinha. É certo que Raul Jimenez também por lá passou. Mas enfim, foi só ele e não é bem a mesma coisa.
Resta saber se Rui Vitória vai saber aproveitar a passagem dos jogadores do Sporting pelo Estoril Open, como Mourinho soube aproveitar: isto nas vésperas de um dérbi importantíssimo.

3. Que os adeptos tinham percebido que os clubes são muito engraçados, sim senhor. Que dão grandes alegrias e acompanham-nos a vida toda. Mas que não colocam comida na nossa mesa, nem pagam o colégio do nosso filho: e por isso não podem mexer no nosso bolso.
Afinal de contas também não.
Por isso ficamos a saber que o Novo Banco e o BCP perdoaram ao Sporting praticamente cem milhões de euros de dívida poucos dias depois do Estado ter anunciado que vai recapitalizar com 450 milhões de euros o Fundo de Resolução. Para quê? Para que este reforce os rácios do Novo Banco, no final de um ano em que o banco teve prejuízo de mais de mil milhões de euros.
Mas quem fala dos quase cem milhões perdoados ao Sporting pode falar da reestruturação da dívida de 400 milhões da empresa de Luís Filipe Vieira. Ou da abertura para renegociar as dívidas das SAD de Benfica e FC Porto.
Os clubes não podem fazer a gestão do dia a dia - contratar jogadores, pagar ordenados, dar comissões - à custa dos nossos impostos. E, já agora, nós não podemos ficar contentes a achar que os dirigentes fizeram um grande negócio. Afinal é o nosso dinheiro: o dinheiro do nosso trabalho."


PS: Podes falar da restruturação da dívida de uma empresa do Vieira, mas nesse caso, não houve qualquer perdão de dívida... e em relação ao Benfica, nenhum Banco se mostrou aberto a renegociar!!! Portanto, não vamos novamente 'meter tudo no mesmo saco'!!!

Isaías mudou o Arsenal

"Bruce Rioch, o antecessor de Arsène Wenger no Arsenal, já tinha o objectivo de trabalhar a ligação dos ataques da equipa. Por outras palavras, era uma questão de eliminar os resíduos do “Boring Arsenal” que subsistiram nas últimas duas, três épocas de George Graham no comando técnico. Lançar a bola na frente para Ian Wright era o plano A, B e C, pelo que, em Highbury, adeptos e direcção queriam mais. E nem a conquista da Taça das Taças de 1994, contra o Parma, em Copenhaga, diminuiu a insatisfação do público com Graham. Foi nesse pressuposto que Bruce Rioch foi chamado, com o propósito de melhorar o jogo combinativo e logo com uma badalada aquisição vinda de Milão: Dennis Bergkamp.
Wenger era uma paixão antiga de David Dein, já dos tempos do Mónaco, e o estratega alsaciano era visto como o homem certo para levar o Arsenal para outro nível. O facto é que Rioch nunca gerou consenso na cúpula directiva do clube, mesmo não tendo feito um mau trabalho, de ter inculcado algumas ideias positivas no futebol do Arsenal e de os jogadores gostarem dele. Posto isto, Wenger foi, então, contratado em 1996 pelos Gunners e o resto da história já é amplamente conhecida.
Aquilo que talvez suscite mais curiosidade é o porquê de a equipa da vigência de George Graham ter ficado com o rótulo de “Boring Arsenal” e de ter desencadeado a chegada de Rioch e de Wenger posteriormente.
Na verdade, o Arsenal das primeiras épocas com Graham até jogava com muita liberdade atacante e entusiasmo. De aborrecido nada tinha. Foi nessa base que foram campeões em 1989 (com o golo de Michael Thomas em Anfield) e em 1991 (com mais 26 pontos que o Man.United), mas algo mudou na cabeça de Graham a partir de 6 de Novembro de 1991. O ponto de viragem aconteceu em Highbury, quando o Arsenal recebeu o Benfica e perdeu por 1-3, com um golo de Kulkov e dois do Profeta: Isaías.
Entendendo o encadeamento dos acontecimentos, Isaías foi um dos principais responsáveis pela mudança de estilo do Arsenal e que, indirectamente, impulsionou a chegada de Wenger ao clube. Com o mesmo armamento com que rachava balizas na Luz, Alvalade, Antas e Bessa, o bombardeiro capixaba colocou a sua impressão digital em Highbury. Bobby Robson, por exemplo, era um dos treinadores rivais que mais admirava o pé-canhão. E a Premier League também o abraçaria mais tarde, quando trocou o Benfica pelo Coventry City com o rótulo de primeiro brasileiro a atuar na PL, ainda antes de Juninho Paulista brilhar em Middlesbrough - Mirandinha, no Newcastle, foi o primeiro brasileiro, em 1987, mas antes da criação da Premier League.
A contextualização é importante no meio desta história da mudança de paradigma táctico do Arsenal. A época de 1991/92 era a primeira em que os clubes ingleses participavam nas provas europeias depois do castigo severo de seis anos imposto pela UEFA na sequência dos incidentes trágicos no Heysel. E não foi por acaso que, depois da sapatada que o Arsenal levou do Benfica, vários protagonistas encaminharam o discurso em sentido idêntico. Tanto Graham como Tony Adams admitiram que o emblema lisboeta (treinado por Eriksson) estava bastante avançado em termos de compreensão colectiva do jogo, apresentando uma base sólida em fase defensiva e denotando mais objectividade nos ataques rápidos que apanhassem o Arsenal desorganizado. Thern e Kulkov davam suporte, Paneira e Rui Costa imaginavam, Isaías fazia um pouco de tudo e Iuran esticava e lutava. 
«Eu já tinha jogado a nível internacional pela Selecção inglesa, mas não a nível de clubes.» O defesa-central do Arsenal descreveu ainda o estilo do adversário: «O Benfica tinha mais técnica do que nós e jogava de forma diferente daquilo a que estávamos habituados, com mais contra-ataques e sabendo guardar a bola.»
A hibernação sem participação regular nas provas europeias desactualizou o Arsenal e os jogadores apanharam um choque quando se depararam com uma equipa muito mais modernizada e rigorosa como era a de Eriksson. Graham digeriu e reconsiderou o modelo, na busca por um registo mais realista. E foi nessa medida que levou ao extremo a demanda pelo equilíbrio, acabando por se chegar a um ponto em que disciplina e retracção se confundiram. A equipa tornou-se mais fechada, inclusive na forma de atacar. Percebia-se que tentavam defender com mais organização na zona recuada do campo e, então, iniciar os lançamentos mais e mais frequentes para Ian Wright. A bola longa era, no entanto, uma solução curta.
O ajuste de Graham nasce de um propósito sensato, mas não resultou em pleno, ainda que o triunfo europeu na capital dinamarquesa, em 1994, com o golo de pé esquerdo de Alan Smith, tenha dado uma alegria relativa à comunidade do Arsenal. São estes ciclos que marcam quem melhor se adapta às tendências, quem melhor convive e se integra. A dada altura, por múltiplos motivos, também passou a ser esse o grande desafio de Wenger, que ontem se despediu ingloriamente das provas internacionais como treinador do Arsenal. E olhando para trás, verdade seja dita que não faltaram ao treinador francês momentos-Isaías para promover reflexões mais extensas."

Não se esqueçam dos "e-sports"

"A legalização dos "e-sports" já é um tema debatido no Parlamento Europeu.

Tudo leva o seu tempo. Em Portugal, esta é uma frase que tende a verificar-se muitas vezes quando falamos de legislação e de regulamentação de actividades que, na prática, já se encontram no mercado nacional. As chamadas "plataformas electrónicas de transporte de passageiros" é o exemplo mais evidente. Mas outros casos existiram de sectores que estiveram num "limbo" legislativo por vários anos, como sucedeu com os jogos e as apostas online.
Depois de quase uma década de debate público, e passadas duas comissões interministeriais dedicadas a este tema, em 2015 o jogo online é, finalmente, legislado e posteriormente regulamentado, havendo assim respaldo legal a uma actividade legal que era uma já prática comum de muitos portugueses.
A há muito aguardada legalização do sector veio trazer maior segurança e integridade ao mercado, uma vez que os operadores são obrigados a atravessar um apertado processo de licenciamento, maior protecção para os menores e jogadores mais vulneráveis, uma vez que a possibilidade de jogar ou apostar está condicionada à verificação da identidade (e da maioridade) dos jogadores e existem mecanismos que permitem aos jogadores autoexcluir-se com segurança e, não menos importante, veio permitir ao Estado arrecadar impostos sobre esta actividade, em benefício de todos nós.
Não será, então, de aproveitar a atenção que o jogo online atraiu do legislador para o lembrar desta realidade que, apesar de ter autonomia, também será de ponderar um olhar mais atento por parte do legislador aos chamados "e-sports"? Há razões para levar a pensar que sim.
Desde logo, porque se trata de uma indústria responsável por um volume de negócios que, em finais de 2016 ascendia a 500 milhões de dólares - talvez pouco comparado com os 30 mil milhões gerados pelo futebol na Europa, mas já um número a ter em consideração - sendo que é responsável por mais de 150 milhões de visualizações. São números a ter em conta e que, de ano para ano, têm vindo consistentemente a aumentar. Não será apenas o facto de ser uma indústria geradora de números consideráveis o motivo para que o sector mereça regulação. No entanto, será importante que sejam definidas regras para, por exemplo, garantir que se proceda a uma melhor distribuição dessas receitas que o sector é capaz de gerar. Desde logo, os praticantes. Neste momento, não havendo qualquer reconhecimento dos "e-sports" enquanto actividade desportiva, aos seus praticantes não é reconhecido qualquer direito ou protecção, à semelhança do que ocorre com qualquer outro desportista profissional. Sim, porque no fim do dia, é de desporto que falamos.
Além dos direitos (e obrigações) dos jogadores enquanto intervenientes num fenómeno eminentemente desportivo, há também que assegurar a sua protecção perante as empresas titulares do software que são, literalmente, os "donos do jogo". Não deixa de ser importante pensar que se trata de uma actividade em que a sua prática está sempre condicionada a um licenciamento de um terceiro. É como se o futebol só pudesse ser praticado num único recinto em que, para jogar, os praticantes teriam de pedir aos donos do espaço a respectiva chave. O que acontecia se, um belo dia, o dono do recinto ordenasse a demolição do recinto?
De outra perspectiva, de que protecção jurídica beneficia actualmente o mesmo titular dos direitos de um jogo praticado em eventos que envolvem o pagamento de ingressos e até patrocínios, em muitos casos envolvendo já avultadas somas de dinheiro? Poderá o titular do software beneficiar da exploração da sua criação? É fácil determinar a sua quantificação?
Não pretendo responder a nenhuma pergunta mas, apenas, dar alguns exemplos de questões que, do ponto de vista legal, este fenómeno pode suscitar. Estas e outras dúvidas poderão e deverão os principais "stakeholders" deste mercado ponderar se não valerá a pena pensar na definição de um quadro legal que, não sendo limitador da actividade, possa criar condições para que criadores de software, praticantes, patrocinadores e demais intervenientes vejam em Portugal o ecossistema perfeito para investir nesta indústria.
Uma coisa é certa: a legalização dos "e-sports" já é um tema debatido no Parlamento Europeu e o Comité Olímpico Internacional já abriu portas para um debate tendente ao reconhecimento desta actividade como desporto. E Portugal, quererá estar na linha da frente no reconhecimento de um fenómeno cada vez mais popular ou, uma vez mais, nada fazer para, uma vez mais, ficar na cauda da Europa?"

A 'esquerda' e a 'direita'...

"Já não o via, há muito. Foi meu colega, nos Armazéns do Arsenal do Alfeite. Onde trabalhei, entre 1952 e 1965. Encontrei-o, na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. A alturas tantas da nossa “conversa em movimento”, reteve-me pelo braço e inquiriu: “Na próxima eleição para a Presidência da República, se concorrer o Marcelo, em quem votas tu?”. Desabafei, sem problemas: “Se concorrer o Marcelo, é bem possível que vote Marcelo”. E ele também não tardou a responder, de rosto sorridente: “Digo o mesmo: se o Professor Marcelo concorrer, aposto nele”. E questionou-me; “É um tipo amigo das pessoas, não é?”. Eu prossegui a conversa e acrescentei: “É amigo das pessoas e muito inteligente, que é uma tremenda vantagem! Mas… tu votas no Marcelo só pela sua simpatia? E os méritos intelectuais e morais?”. E ele: “Estou-me nas tintas para as ideias. Se for simpático, para mim, é o bastante”. Aquele meu velho companheiro de trabalho, como quase toda a gente, não parece ter outros critérios válidos, para eleger o Presidente da República Portuguesa, para além dos afectivos. A maior parte dos jornalistas também passam mais tempo a indagar a personalidade dos candidatos às eleições do que a analisar as suas ideias e a sua prática política. Escolhe-se um Presidente da República pela sua simpatia e pelo seu sorriso e pela sua cordialidade. Ninguém ganha eleições por ser um santo. O Padre Cruz seria, com toda a certeza, um péssimo Presidente. E os discursos da Madre Teresa de Calcutá, por mais acesos que fossem pelos afectos, não teriam, de certo, a audiência suficiente, para uma eleição de tamanha responsabilidade. Já o Maquiavel o dizia: não é o mais virtuoso que ganha as eleições, mas quem obtiver mais votos. A política nunca foi filantropia. A moral aponta os fins, a política sublinha os meios. Coisas diferentes, como se vê… No entanto, no tempo em que vivemos, uma certa “esquerda” e uma certa “direita” fazem a mesma política, têm moral idêntica. E porquê? Porque a economia em que acreditam é precisamente igual: a economia capitalista. Não há modelo alternativo ao capitalismo? Embora as certeiras críticas de Marx ao capitalismo, o amoralismo capitalista venceu, para já, o imoralismo das ditaduras ditas socialistas. O capitalismo “é um sistema económico, fundado na propriedade privada dos meios de produção e de troca, com base na liberdade do mercado e no assalariado”. Mas, porque ao capital só lhe interessam os trabalhadores que produzam mais do que recebem (a famosa “mais-valia) há, nele, também uma inequívoca imoralidade: alguns (poucos) podem enriquecer sem trabalhar e a maioria (os trabalhadores) consomem-se a trabalhar e continuam pobres. O capitalismo tem sido, de facto, o modelo económico ideal, mas à custa de uma evidente injustiça social. Deverá lembrar-se que, no mundo actual, que o capitalismo domina, 62 multimilionários possuem a mesma riqueza de 3,5 mil milhões de pobres; que 871 milhões de pessoas sobrevivem, com fome crónica, alimentando-se de ressentimentos e esperando cegamente por amanhãs que nunca virão; que 250 milhões de emigrantes não encontram o conforto de um lar. E os 2400 milhões de dólares que se esfumam, nos paraísos fiscais? E o tráfico de droga, com um volume de negócios de cerca de 300 mil milhões de dólares? Mas será estultícia pretender fazer do capitalismo uma escola moral, ou do mercado uma religião. O capitalismo está-aí, para criar riqueza e… nada mais! E uma questão, a propósito: era moral o socialismo leninista? “Para nós (disse ele) a moral está subordinada aos interesses da luta de classes do proletariado”. Com pensamento único e partido único, sabemos onde desaguou o apotegma: numa ditadura terrível, que se chamou estalinismo.
Confiemos no julgamento da História, que sabe conferir a devida proporção às acções humanas, sejam elas de “direita”, ou de “esquerda”. Poderia citar aqui a conhecidíssima frase de Marx: “São os homens que fazem a sua própria história, não nas condições escolhidas por eles, mas nas condições dadas directamente e herdadas do passado”. Ora, se são os homens que fazem a sua própria história, tanto uma “direita” imbuída dos valores da tradição, mas esclarecida e renovada, como uma “esquerda” que não esqueça a autonomia relativa das superestruturas (recordo A Ideologia Alemã: “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência”) – tanto na “direita”, como na “esquerda” (e escondo agora a minha simpatia política), mesmo nos momentos de labor honesto e perseverante, há erros a lastimar, há pecados por absolver. Infelizmente, não é o dever que norteia a economia, é o mercado. No futebol, também não é o dever, é a paixão. Kierkegaard, se não estou em erro, chegou a escrever que “só uma grande paixão nos permite viver plenamente”. Desmond Morris, no seu The Soccer Tribe, rematou de maneira lapidar: “Os mais importantes membros da Tribo do Futebol são os jogadores”. Para mim, e desde rapaz, o mais importante membro da Tribo do Futebol é o adepto (o “torcedor”, no português-brasileiro). O profissionalismo e a constante rotatividade de jogadores, nos Clubes, faz do adepto o 12º. Jogador e o que mais amor sente pelo emblema da sua coletividade desportiva e… em tempo integral! O futebolista, ao invés, quando muda de clube, muda também de conduta, pois que tem que “dar tudo”, pelo seu novo patrão. Em conversa com um treinador de futebol, ele aduziu uma série de argumentos para convencer-me que já não tinha clube da sua predileção. Cito este: “Professor, eu não sou treinador do Benfica, ou do Sporting, ou do Porto – eu sou treinador de futebol!”.
O desporto de altos rendimentos, para dar lucro, tem de ser espectáculo interpretado por atletas superdotados e supertreinados, seja o espectáculo promovido e organizado pela “direita”, ou pela “esquerda”. Os reformadores, os especialistas, sabem isto bem melhor do que eu e sabem também que com alguns dos actuais dirigentes não há reforma possível. Precisamente porque estes “agentes do desporto” são o problema, não esperemos portanto que eles saibam (ou queiram) resolver os problemas. Ninguém reforma se, antes, não se reformou. Com dirigentes que apostam no populismo, no messianismo, no economicismo, não há reforma possível. Uma reforma começa, quando o reformador ganhou a coragem de pôr em questão o que diz e o que faz. Como ensinou Paulo Freire: “Um reino de paz imperturbada é impensável na História. A História é sempre um tornar-se; é um acontecimento humano. Mas, em vez de me sentir desapontado e receoso, pela descoberta crítica da tensão em que a minha humanidade me colocou, eu descubro nessa tensão a alegria de ser” (in Brotéria, Fevereiro de 1996, p. 157). É da des-ordem que normalmente nasce uma ordem nova. No laboratório, ou na sala de estudo do cientista, não se escutam sentenças definitivas, não se ostenta a segurança das credenciais, mas o que se descobre é o fascínio da curiosidade e a vontade imparável de conhecer. O racionalismo e o empirismo europeus, donde nasceu a revolução científica moderna (a de Bacon, Copérnico, Galileu, Descartes, Newton e Kant), os Descobrimentos Portugueses e a obra época e lírica de Camões – o racionalismo e o empirismo europeus impuseram-se em luta contra a Inquisição e contra o absolutismo régio. Jesus de Nazaré foi explícito: “O reino de Deus está dentro de cada um de vós!”, ou seja, ressoa, dentro de cada um de nós, um apelo incessante de transcendência. Se não me liberto dos meus vícios, das minhas limitações, das minhas imperfeições, não poderei ser um reformador, o semeador de um mundo novo. Seja de “direita”, ou de “esquerda”…"

Manuel Sérgio, in A Bola

Benfiquismo (DCCCXVII)

Il Grand Torino... a última partida!

Aquecimento... derby

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sabe quem é? Picado com alfinetes - Valadas

"Marcou três golos ao Sporting e fez do Benfica campeão; Esse famoso 'hat trick' só se deu por promessa falhada

1. Não sendo avançado-centro mas extremo-esquerdo, a sua história faz-se de 162 golos em 263 jogos oficiais - e de um ainda mais: foi dele o primeiro do Benfica em campeonatos nacionais. Marcou-o ao Vitória de Setúbal: havia seis minutos do jogo na primeira jornada da edição de 1934/35 (que ainda se chamava Campeonato da I Liga e o FC Porto venceu) - e só estava no Benfica porque o Sporting falara na promessa que lhe fizera.

2. Tendo nascido nas Minas de São Domingos a 15 de Fevereiro de 1912, começou a jogar futebol no Luso Sporting Clube de Beja. Aos 19 anos apareceu à aventura em Lisboa, a oferecer-se ao Sporting, o clube do seu coração. Bastou um treino para que Artur John, que Oliveira Duarte fora buscar ao Benfica (em versão pré-histórica do que Bruno de Carvalho haveria de fazer com Jorge Jesus) se encantasse com ele.

3. Para ficar como seu jogador, ao Sporting pedira um «emprego de futuro». Como tardaram a arranja-lho, arrumou a trouxa e, desencantado, apanhou a camioneta que  levou à terra. Por lá esteve largos meses sem jogar, sentiu saudades, foi matá-las para o Sport Lisboa e Beja.

4. Ribeiro dos Reis desafiou-o para o Benfica, acordou-se que lhe davam 750 escudos por mês «para melhor tratar da alimentação e da saúde» - e era o tempo em que a Casa Imperium servia, no seu restaurante «cheio de glamour», almoços completos a 15 escudos e jantares a 18.

5. Ao Benfica exigiu o que já exigira ao Sporting: «emprego de futuro». Arranjaram-no como funcionário do Governo Civil de Lisboa. O seu primeiro jogo oficial, com Vítor Gonçalves (o pai do Vasco Gonçalves do PREC) a treinador foi a 14 de Outubro de 1934, na abertura do Campeonato de Lisboa contra o Sporting. O Benfica venceu por 3-2 - não marcou nenhum golo, o primeiro golo ao Sporting marcou-o na segunda volta, depois de ter falhado grande penalidade e, por isso, perdeu o Benfica o jogo por 2-1 e o Campeonato de Lisboa para os sportinguistas.

6. Semana após semana refinou-se-lhe no campo a imagem que de si se vincou: alto e possante, com pé esquerdo notável e remate fortíssimo, capaz de arrancadas que deixavam adversários com desconcerto e adeptos em frenesins. Também jogava de coração doce: uma vez, vendo João Azevedo, o guarda-redes do Sporting, defender-lhe, de forma espantosa, um remate, bateu-lhe palmas - e logo correu a cumprimentá-lo num abraço.

7. Na tarde de 26 de Abril de 1936 o guarda-redes do Sporting poderia ter sido Dyson - mas não foi. Também poderia ter sido Jaguaré (o exótico brasileiro que espantava Lisboa por ir para a baliza de luvas nas mãos) - e não foi. Szabo apostou, com surpresa, no Azevedo - para um jogo que poderia fazer do Benfica campeão (ou não)...

8. Nesse jogo do título de 35/36, o Benfica ganhou por 3-1 - e, assim, graças do seu hat-trick ficou virtual campeão, para o Sporting foi o fim da esperança, irremediável.

9. Antes dos três golos ao Sporting passara por tarde tempestuosa em Coimbra - dele diria o Albino: «Era um calmeirão, mas tinha muito medo dos choques, encolhia-se todo, sobretudo ao apanhar os doutores da Académica, eu não, era um trinca-espinhas, mas ia-me a eles» - e ao ouvi-lo, ele retorquiu-lhe: «Pois, aquilo de jogar no Campo de Santa Cruz era sempre como se subíssemos ao inferno...»

10. Das «odisseias» em Coimbra mais revelou: «Quando íamos jogar a Santa Cruz, nem íamos à cabina. Saímos equipados do autocarro e, no intervalo, ficávamos no campo. A cabina ficava no alto das bancadas, a gente tinha de passar pelo meio dos tipos e o mínimo que nos faziam era espetarem-nos alfinetes». Dessa vez, em que o Benfica venceu por 6-2 - ele marcou quatro golos, foi o seu primeiro poker.

11. A propósito da Académica ainda contou: «Uma vez, nas Amoreiras, o Tibério foi-me aos pés, ficou magoado, durante tempo recebi cartas e postais de Coimbra, com ameaças: 'O teu acto será vingado' e coisas assim...» Isto foi já a caminho de levar o SLB ao terceiro título consecutivo no Campeonato da Liga - e, quando, em meados de 1944 se despediu tinha no palmarés 6 Campeonatos, 3 Taças, 1 Campeonato de Portugal, 1 Campeonato de Lisboa."

António Simões, in A Bola

Ainda os sub-23

"Embora continuemos a ter dúvidas sobre a utilidade de uma competição entre equipas de Sub-23, temos de ser pragmáticos face à decisão já tomada pelas altas instâncias do nosso Futebol; assim, estamos prontos a reconhecer as facetas positivas que tal decisão também terá e manifestamos disponibilidade para darmos o nosso modesto contributo na procura das soluções mais ajustadas para o êxito dessa iniciativa.
Nesse sentido há que considerar tratar-se de uma competição pioneira em Portugal, mas que tem um historial já consolidado noutros países, designadamente em Inglaterra.
Por isso, esperemos que tenham sido estudados em profundidade os modelos neles seguidos e que haja a coragem de escolher o que melhor se adapte ao caso português, quer em termos de dimensão, quer das finalidades que se pretendem atingir.
Esse "melhor" não deverá ser entendido como um valor absoluto, antes um projecto a ser testado numa época experimental, sujeito a naturais aperfeiçoamentos futuros.
Com 32 clubes a disputarem as ligas profissionais, alguns ainda continuam hesitantes em se lançarem nesta competição; o que nos leva a considerar ter havido algum exagero na previsão inicial de dividir os concorrentes verticalmente, em duas divisões; afigurando-se mais natural uma separação horizontal, por zonas (Norte e Sul, por exemplo), integrando cada uma, indistintamente, equipas da I e da II Liga; neste caso haveria que disputar uma final entre os vencedores de cada zona ou, o que seria mais interessante, uma fase final em poule de quatro ou com meias finais e final.
Aproveitamos para reiterar a ideia que lançámos em anterior artigo ("Equipas B versus Sub-23", editado nesta plataforma digital em 23 de Março passado), de haver um interligação entre os dois campeonatos, com o aliciante de o vencedor dos Sub-23 ascender à II Liga, por troca com a equipa B pior classificada; tal permitiria promover à II Liga equipas B de outros clubes que não os seis inicialmente escolhidos, situação a que a recente despromoção do Sporting B confere outra relevância."

Em nome de Eusébio

"O filme Ruth (estreia-se hoje) vai buscar o título ao nome de código dado a Eusébio da Silva Ferreira quando, no começo da década de 1960, viajou de Lourenço Marques para Lisboa. A mudança de identidade surgiu como pormenor caricato, mas essencial, na guerra de bastidores travada entre dois clubes (Benfica e Sporting) apostados em contratá-lo. Reencontramos, assim, esse fascínio silencioso do nome sobre o qual escreveu Roland Barthes, a propósito da escrita de Proust: o nome existe como "objecto precioso, comprimido, embalsamado, que é preciso abrir como uma flor".Assim é o filme realizado por António Pinhão Botelho, a partir de um sólido argumento de Leonor Pinhão. E não é coisa banal tal atitude. Sabemos como algumas experiências em torno de figuras míticas do imaginário português (Salazar, Amália) têm gerado narrativas dependentes da formatação imposta pelas telenovelas: sem espessura histórica, tais figuras surgem como marionetas de uma transcendência que fica sempre por esclarecer. Em Ruth, pelo contrário, há vida social e política: do peso simbólico do futebol aos primeiros sinais da Guerra Colonial, este é, pelo menos, um Portugal que escapa a qualquer visão determinista.Há, por certo, personagens mais bem desenvolvidas do que outras, cenas de impecável timing narrativo, outras nem por isso. Mas não se trata de promover "modelos" - nunca foi obrigatório filmar à maneira de Oliveira; seria estúpido sugerir que Ruth deve servir de padrão para o que quer que seja. Acontece que, desta vez, há um filme que se interessa pelas pessoas e pelos lugares, além do mais libertando os actores dos espartilhos novelescos: no papel de Eusébio, Igor Regalla é exemplar na representação de alguém que não pode abdicar do seu nome. Como qualquer um de nós."

Nunca houve um jogador como Iniesta

"Quando se sentou diante dezenas de câmaras e microfones na sala de Imprensa de Camp Nou, Iniesta sabia o que o esperava. Nos dias, talvez semanas ou até meses, que antecederam o momento solene, preparou-se para o embate de emoções que acompanhariam o anúncio do fim da relação com o Barcelona. As lágrimas que verteu estenderam-se aos quatro cantos do Mundo, naquele instante em que os amantes do futebol perceberam que um dos mais brilhantes jogadores da história estava ali, em claro sofrimento, a pôr fim a uma longa e linda história. Na hora da reflexão, fica à vista que foi, de entre os maiores génios do futebol, o mais singular.
É impressionante que um dos principais mentores da grandiosa longa-metragem que o Barcelona promove há quase uma década; que o maestro da orquestra mais brilhante dos últimos 40 anos seja um homem tímido e simples, despojado de vaidade, incapaz de uma provocação ou de qualquer desvio comportamental. Parece impossível que figura tão esmagadora recuse as benesses, tantas vezes apetecíveis, da fama: nem um tique de vedeta, nem um adorno pessoal, nem uma simples tatuagem. O artista é, afinal, um cidadão comum, chefe de família exemplar e um homem como outro qualquer, simples, modesto, dedicado, digno e comprometido.
Sendo guerreiro de um exército em permanente conflito com forças externas, foi uma bandeira de paz e consenso; o rosto de uma ideia futebolística maravilhosa e o principal intérprete de uma opção estratégica arrojada, talvez até revolucionária. Iniesta é uma das maiores figuras do jogo, na história do qual entra sem votos contra nem adornos supérfluos; é um génio conceptual sublime que abrilhantou a máquina de sonhos que foi o Barcelona do tiki-taka e assumiu a condução (sempre ao lado de Xavi Hernández) da nave espacial que foi a selecção de Espanha entre 2006 (quando iniciou a qualificação para o Euro’2008) e 2012 (quando concluiu a trilogia de dois títulos europeus e um mundial).
Iniesta foi um oficial superior que exerceu esmagadora autoridade sem ferir sensibilidades; foi responsável por centenas de vitórias deslumbrantes sem beliscar as regras da boa educação; nunca polemizou, desrespeitou ou agrediu; não se lhe conhece um gesto irreflectido, uma palavra mal medida ou qualquer atitude menos digna. Por incrível que pareça, sendo elemento de um exército de grandes causas, foi exemplo consensual de nobreza, ética, generosidade, modéstia e elegância. Nunca fez concessões porque conhecia as regras da casa, os seus hábitos e o seu espírito: bastou-lhe, por isso, seguir a sensibilidade do povo e a estética em vigor; ser depositário de um vasto legado de emoções e respeitar a cultura guardada no símbolo que traz ao peito. Tornou-se líder inspirador e carismático de uma potência mas isso não fez dele figura odiosa para os inimigos da nação que representou.
Não convive com as mulheres mais desejadas do planeta; não é visto em passagens de modelos nas grandes capitais europeias; não fez milhões em publicidade nem se envolveu em qualquer tipo de escândalos. Iniesta é o actor de Hollywood, amado e reconhecido pela grande indústria, que vai levar os filhos à escola, frequenta os mesmos restaurantes e cumpre as rotinas da adolescência. Joga futebol como um deus e isso bastou-lhe para ser feliz e arrebatar a paixão de todos nós, incluindo os adeptos hostis que, pelo menos uma vez na vida, já o aplaudiram de pé. Na hora do adeus, chamou os holofotes para anunciar a saída de cena, com palavras trémulas e arrastadas, sorriso de criança nos lábios e lágrimas comoventes nos olhos. Iniesta é um jogador irrepetível, a quem foi recusado, indecentemente, o ouro correspondente ao melhor do Mundo. Mas levará uma certeza para o resto da vida: nunca a centenária história do jogo teve um intérprete tão grande, altruísta, inteligente, visionário e inspirador como ele.

(...)

Bruno Fernandes é um fenómeno
Há jogadores que não precisam de tempo para atingirem a excelência
Bruno Fernandes está a tornar-se um jogador cada vez mais influente. Se não marca, deslumbra pelo talento que expressa de modo quase fantasmagórico; se joga um pouco abaixo do génio que possui, faz dois golos sublimes e oferece à equipa uma vitória fundamental (2-1). O futebol português ganhou o melhor médio desde Rui Costa e Deco. Vítor Oliveira não anda longe da verdade: é o melhor jogador da Liga.

Salah tem direito à luta pelo ouro
O egípcio tem conjugado na perfeição as emoções e as estatísticas
Salah ganhou direito a discutir a "Bola de Ouro" de 2018 e quanto a isso não há a menor dúvida – se o Liverpool for campeão europeu pode até entrar na luta com algum favoritismo. A questão é só essa e já não é pequena. O faraó ultrapassou Neymar na corrida (pelo menos até ao Mundial) mas tem ainda de comer muita sopa até discutir um lugar na história ao nível de CR7 e Messi. Leva dez anos de atraso."

O Milagre de Berna ou o improvável nascimento de uma potência

"A capital suíça foi o palco do primeiro título mundial da Alemanha (então RFA) ainda a recuperar das cinzas da II Guerra Mundial e frente a uma das melhores selecções de sempre, a Hungria, que não perdia há quatro anos. Depois de estar a perder 2-0 aos dez minutos e de ter perdido 8-3 frente aos mesmos oponentes na fase de grupos. (Esta é a quinta história na nossa nova série enquanto Portugal não entra em campo no Mundial da Rússia)

Numa cena da clássica série de comédia britânica "Sim Sr. Ministro", Sir Humphrey Appleby está a explicar ao epónimo ministro o porquê da entrada de certos países na então Comunidade Económica Europeia. Chegado à Alemanha, afirma estarem à procura "de readmissão na raça humana" após o seu papel na II Guerra Mundial. E se tal visão ainda era comum no início dos anos 80, mais ainda em plena ressaca do conflito. Era uma nação dividida (literalmente) em duas que teve no futebol o início de uma redenção com os outros e consigo mesmo. Graças ao Milagre de Berna e frente a uma selecção húngara que ninguém esperava que perdesse.
Nos anos 50 a Europa ainda tinha nos escombros e no racionamento uma uma lembrança diária da guerra e foi por isso, sem surpresa, que quando a FIFA procurou organizar um novo mundial no Velho Continente, um dos poucos países poupados pela carnificina tenha sido o escolhido. Sede da organização que celebrava o seu 50º aniversário, a Suíça foi nomeada como o palco da quinta edição da competição.

Sorteio para apurar
Foi o primeiro Mundial a ser alvo de transmissões televisivas e que marcou a estreia de países como a Coreia do Sul ou a Turquia que se apurou por sorteio. O que quer isto dizer? Exactamente o que parece. Passamos a explicar: após dois jogos com a Espanha que acabaram empatados, realizou-se um terceiro jogo em Roma para definir quem ia à fase final. O encontro também terminou empatado o que - numa altura em que ainda não tinha sido inventado o desempate por grandes penalidades - obrigou a FIFA a recorrer a um método geralmente reservado para colocar as equipas nos grupos. 
Desta forma, num palco e em recipiente improvisados, Luigi Franco Gemma (filho de 14 anos de um dos funcionários do estádio) foi escolhido para tirar um de dois papeis de dentro da Taça Jules Rimet (atribuída ao vencedor do Mundial). Calhou a Turquia, o que obrigou a Espanha dizer adeus à competição. E se pensam que este método é uma relíquia do passado, ainda em 2014 esteve próximo de ser utilizado quando havia hipótese de Irão e Nigéria estarem iguais nos seis critérios de desempate.
Mas voltemos à Alemanha, neste caso representada pela então RFA (República Federal Alemã, também conhecida como Alemanha Ocidental). Só após 1950 tinham sido readmitidos na FIFA e eram olhados com desconfiança por grande parte dos seus congéneres. O seleccionador, Sepp Herberger ,tinha escapado incólume aos julgamentos de desnazificação, apesar de ter sido um membro do partido desde os anos 30 enquanto o capitão, Fritz Walter, tinha escapado a uma deportação para a Sibéria por alguém o ter reconhecido como futebolista num campo de trânsito. Era um conjunto de amadores no qual poucos depositavam esperanças, ainda muito distante dos dias do "futebol são 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha."

Estratégia ou só poupanças?
Sobretudo quando no seu grupo tinham aquela que era considera a melhor equipa da época e uma das melhores de sempre, a Hungria de Puskas ou Kocsis. Os "poderosos magiares" ou "equipa dourada", como eram alcunhados, não conheciam a derrota há quatro anos e 31 jogos, tinham entre os escalpes uma vitória por 6-3 sobre a Inglaterra (na primeira vez que os ingleses perderam em solo caseiro) e eram os campeões olímpicos em título. Conhecidos pelas suas inovações tácticas, percursores do futebol total dos holandeses, eram favoritos não só a vencer o Mundial como quase a cilindrar a oposição.
O que começaram por fazer, com uma vitória por 9-0 frente à Coreia do Sul. Seguiu-se um confronto com a Alemanha, mas ainda não era hora do milagre. Sabendo que podia perder porque tinha o play-off de passagem à fase a eliminar assegurado, e numa opção táctica ainda hoje muito discutida (para perceber se queria poupar ou esconder a sua real força do adversário), Sepp Herberger mudou mais de metade da equipa e prontamente perdeu por 8-3. Uma sensação de falsa segurança que nem a lesão de Puskas (que só voltou a jogar a final e não a 100%) ajudou a mitigar.
Ambas as equipas apuraram-se e, com maior ou menor dificuldade - sobretudo a Hungria, que teve alguns jogos de grande dificuldade, ao contrário dos germânicos com um sorteio mais simpático - ultrapassaram as eliminatórias até marcarem novo encontro a 4 de julho de 1954 para a final de Berna. Agora sim, era hora do milagre. Além do espírito de equipa e de umas inovadoras chuteiras com pontas de ferro adaptáveis inventadas por Adi Dassler (fundador da Adidas) pouco mais se poderia atribuir de vantagens aos alemães, que cedo se viram a perder por 2-0 aos oito minutos e pareciam completamente perdidos em campo. Agora sim, foi a hora do milagre.
Aos 18 minutos já a Alemanha tinha recuperado da desvantagem perante a surpresa geral e com os adversários atónitos. Seguiu-se um período de domínio da Hungria que durou praticamente durante todo o jogo, com o guarda-redes Toni Terek a fazer várias defesas de recurso. Até que, quando nada o fazia prever, Helmut Rhan se tornou o herói da reconciliação de um povo consigo e com os outros. Quando faltavam seis minutos para os 90, encheu-se de fé e rematou de fora da área para aquele que é considerado o golo mais importante da memória colectiva germânica.



Puskas ainda viu um golo anulado por um fora de jogo questionável, mas estava consumado o Milagre de Berna perante o delírio dos alemães no estádio e que assistiam pela televisão. Foi o início da aura que fez dos germânicos uma das potências mais temidas dos Mundiais, presença regular em finais e detentores de quatro troféus.
Ao passo que os "poderosos magiares" nunca mais foram os mesmos e a inesperada derrota provocou ondas de choque e manifestações de descontentamento pelo país que, apenas dois anos mais tarde, se viu envolvido numa revolução e invasão soviética. Exposição alemã a comemorar os vencedores de 1954 com a bola da final ao centro
Já na RFA, a reacção e o impacto foi diametralmente oposto. "Só nos apercebemos do que nos esperava quando regressamos. Só quando atravessamos a fronteira", recordou ao "Der Spiegel", Horst Eckel, jogador da equipa. O comboio mal conseguiu avançar com a multidão posicionada ao longo da linha e a equipa era engolida por adeptos em festa por onde quer que andasse.
"De repente, a Alemanha era alguém outra vez", de acordo com Beckenbauer, então um jovem adepto. Um resultado que foi muito além de uns simples pontapés na bola: "recuperamos a nossa auto-estima." "