Últimas indefectivações

sábado, 16 de outubro de 2010

Primeiro passo...




Tenho a plena convicção que se o Benfica não tivesse entrado no jogo com a atitude 'à Jesus', muito provavelmente não teríamos ganho este jogo...
A agressividade do adversário, e a permissividade disciplinar, poderia ter sido uma mistura perigosa...
Kardec e Nico (o 'encosto' foi limpo!!!), bem-vindos aos golos na Luz...!!!



PS: Alguém viu a falta, que deu o golo da vitória, aos Lagartos?!!!

Pai e filho

"– Desliga o computador. Temos de ter uma conversa muito séria...
– Para quê tanto suspense? A stôra de Português avisou-me que ia falar contigo hoje.
– E então? O que é que tens a dizer em tua defesa?
– Nada.
– Nada? Portanto, o teu teste de Português está igualzinho ao teste do Vasco, que por sinal é o melhor aluno da turma, e tu não tens nenhuma explicação para isso.
– A stôra só veio com essa, porque estava à espera que eu tivesse outra nega para me chumbar.
– Eu vi os testes, meu menino. As respostas são textualmente as mesmas, palavra por palavra. É impossível não teres copiado. Sabes o que isto quer dizer? Dois meses sem semanada. DOIS MESES!
– Sim, mas como é que se prova?
– Desculpa?
– Como é que se prova que fui eu que copiei, e não o Vasco? Estás a entender a questão?
– Não estou a acreditar no que estou a ouvir. Quer dizer que não serviu para nada ter andado estes anos todos a gastar a minha saliva contigo sobre a importância de sermos honestos, sobre o valor da integridade e da...
– ... retidão moral. Eu lembro-me. Mas, ó pai, quando o Porto ganha o campeonato, não vamos para os Aliados festejar?
– O que é que isso tem a ver?
– Pai, eu tenho 11 anos: como todos os rapazes da minha idade, estou todos os dias no YouTube.
– No YouTube.
– No YouTube. Eu já não sou uma criança, pai. Sei como é que as coisas funcionam. E tu também sabes, há mais tempo do que eu. Desde que não sejamos apanhados, às vezes temos de dizer “toca a andar!”, temos de recorrer à “fruta de dormir” e ao “nosso juiz”, se queremos atingir os nossos objetivos. Queres que eu chumbe o ano? Queres ir outra vez à Liga Europa? Vá, que cara é essa? Anima-te, pai. Não me dás os parabéns pela nota a Português?
– Os parabéns? Bom, foi efetivamente uma boa surpresa.
– Obrigado, pai. Só mais uma coisa.
– O que é?
– Dava-me jeito que me desses a semanada agora...
– Vou buscar a carteira."

Miguel Góis, in Record

Embalados




Recordar que a época passada tivemos um resultado negativo neste Pavilhão. Hoje a equipa apesar de em 3 ocasiões diferentes, ter ficado em desvantagem, conseguiu dar a volta.
Não posso deixar de realçar a veia goleadora dos nossos reforços, todos eles (os 3) com um impacto positivo imediato na equipa...

Novos árbitros

"1. Quem nos leu a semana passada, saberá que refletimos por ora sobre os desafios que serão essenciais para o crescimento do futebol. Um deles é a arbitragem. Depois de anos de suspeições, histórias e rumores, e após os castigos (desportivos e criminais) a vários árbitros no “Apito Dourado”, no “Apito Final” e no “Apito da Federação” (onde foram pesadamente punidos vários árbitros), a classe encontra-se numa fase de transição, sob pena de se tornar insuportável o ambiente das competições. Ou avança para outro patamar ou fica na dúvida. Vítor Pereira intuiu isso há uns anos e, orientado pela experiência inglesa, forneceu um modelo para traduzir essa transição: a profissionalização de um quadro estável de árbitros para as competições da Liga. Infelizmente, toda a envolvência dessa profissionalização não foi acompanhada pelo poder político nas revisões da Lei de Bases e do Regime Jurídico das Federações. E não temos, por isso, base legal para um novo estatuto do árbitro desportivo. É urgente este salto.

2. O repto é alterar todo o processo de recrutamento e evolução dos árbitros nas sucessivas categorias, desde as camadas jovens até à 1.ª categoria. Submetidos desde a base a critérios esconsos e a fiscalização discutível, os árbitros que chegam hoje ao topo não são muitas vezes – ou não podem ser – os melhores. Ressente-se a independência e magoa-se a qualidade das suas atuações. Por isso se deve redigir quem e como se chega a árbitro – em carreiras distintas para “grupos de modalidades” – e instituir um corpo de arbitragem autónomo de quem organiza as competições (ainda que financiado e balizado pelas competições). Um corpo escolhido, formado e avaliado por “comités de técnicos de arbitragem” designados pelo Estado e atuantes, em secções diferenciadas, nas federações e nas associações. E com a possibilidade de tais organismos federativos e associativos recorrerem, no caso da gestão e organização dos árbitros profissionais, a entidades externas e, no caso da aprendizagem e reciclagem das competências de todos os árbitros, a formadores fora do ambiente fechado das federações e das associações (p. ex., universidades). Sem pôr em causa a autorregulação, mas assegurando o seu futuro.

3. Propor este projeto deveria ser um escopo indeclinável da Federação e da Liga. Mas já percebemos que, por um lado, a liderança velha ou uma liderança nova da Federação não arquitetam (até ver) um qualquer cenário diferente do passado. Por outro lado, a Liga atual manifesta ansiedade em libertar-se dos litígios da arbitragem (e da disciplina), pois almeja concentrar-se somente nas variáveis competitivas do “negócio” do futebol. Contudo: a) não se olvide que nesses dois sectores reside muita da credibilidade do “negócio”; b) não se negligencie que a Liga passará a ser a porta-voz da insatisfação dos seus associados e a ser ela a administrar o ruído. Melhor seria pugnar por um modelo favorável para o “negócio”. E na Liga, por agora, ainda estão as ideias de Vítor Pereira e os homens da sua equipa, que sabem bem como coser as linhas da arbitragem. Aproveite-se."

Ricardo Costa, in Record

Desaire



Como não vi o jogo não posso dizer muita coisa, mas perder dois parciais, um com 13 pontos, e outro com 15 pontos, não é normal(!!!), a Fonte Bastardo está mais forte com vários ex-Benfica, e alguns internacionais Portugueses, mas isso não pode explicar este resultado...

Batotas que temos como evidentes...


"“A Constituição americana – até hoje considerada como um dos melhores textos jurídicos jamais escritos - enumera o que os Founding Fathers chamaram de «verdades que temos como evidentes». “

Miguel Sousa Tavares, A Bola, 12 de outubro de 2010


Aparentemente, há juristas que lêem a Constituição americana sem o cuidado que é devido a um dos melhores textos jurídicos jamais escritos. Na verdade, não é a Constituição americana que enumera aquilo a que os Founding Fathers chamaram verdades que temos como evidentes. Essas são enumeradas na Declaração de Independência, que foi escrita uma boa década antes da Constituição.

É, então, na Declaração de Independência que os chamados países fundadores dos Estados Unidos expõem as verdades que consideram evidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, e que entre esses direitos se contam o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Uma das verdades que não é evidente, quer para a Constituição, quer para a Declaração de Independência, é que os cidadãos tenham o direito inalienável de não serem escutados. Como é evidente, todos os cidadãos têm o direito à privacidade - mas esse direito não é absoluto. E a magnífica lei americana permite o uso das escutas como meio de investigação, assim como a lei portuguesa. Que horror! Mas não era a PIDE que também escutava? Era. Se bem me lembro, a PIDE também prendia e, apesar disso, no regime democrático há quem continue a ir preso. A diferença é simples, mas parece que é difícil de entender: a PIDE escutava e prendia arbitrária e ilegitimamente, como é próprio das polícias políticas das ditaduras; a polícia das democracias escuta e prende justificada e legitimamente, como é próprio do Estado de direito democrático. O mais intrigante, no caso das escutas do Apito Dourado, é o facto de haver discussão quando, afinal, estamos todos de acordo. Por exemplo, estou de acordo com Miguel Sousa Tavares quando, depois de José Sócrates lhe ter dito que não devíamos conhecer o conteúdo das escutas do processo Face Oculta, respondeu: “Mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E, uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso”.




E estou de acordo com Rui Moreira, quando ontem confessou aqui a razão pela qual comentou as escutas que envolviam o nome de José Sócrates: «(...) limitei-me a não ignorar o que era público, ainda que resultasse de uma ilegalidade. Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências». A única diferença é que eu tenho essa opinião relativamente a todas as escutas, e não em relação a todas menos as do Apito Dourado. Também acho que não devíamos conhecer a escuta em que Pinto da Costa combina com António Araújo oferecer fruta para dormir ao JP, mas conhecemos. E, uma vez que a conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.
Eu, pelo menos, não posso. Quando comento a escuta em que Pinto da Costa dá indicações a um árbitro para que vá a sua casa nas vésperas de um jogo, limito-me a não ignorar o que é público, ainda que resulte de urna ilegalidade. Até porque ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Além disso, note-se, até concordo com MST quando diz que as escutas vieram a público nesta altura por causa do Porto-Benfica. O objectivo é prejudicar o Benfica: os jogadores que tiverem conhecimento das escutas ficam a saber que, por mais que se esforcem, se o árbitro estiver trabalhado não têm hipóteses de ganhar. Desmoraliza qualquer um.
Rui Moreira desfez-se em explicações para justificar que comentar umas escutas é um acto legítimo e comentar outras é uma vileza sem nome. Agora que foi despedido, talvez Rui Moreira tenha mais tempo livre para entrar num negócio que gostaria de lhe propor: formarmos um circo. Como ele já aqui tem sugerido várias vezes, eu seria, evidentemente, o palhaço. Ele seria o contorcionista. Não são muitos os artistas que se podem gabar de ter um número tão bom como o dele. A única maneira de Rui Moreira e MST comentarem uma escuta de Pinto da Costa é o presidente do Porto ser apanhado numa conversa telefónica com José Sócrates. Mesmo assim, suponho que fizessem um comentário misto, debruçando-se apenas sobre intervenções de Sócrates: “Esta intervenção de Sócrates reforça a nossa desconfiança nele. Agora temos uma parte do telefonema que não devíamos conhecer e temos nojo de quem a comenta. Agora está Sócrates novamente a fragilizar a sua credibilidade. E agora temos mais uma parte da conversa que é indigno estarmos a ouvir”.
Umas coisas são picardias maliciosas, típicas do mundo do futebol; outra, bem diferente, são ofensas. E Villas Boas ofendeu-me gravemente numa conferência de imprensa que deu esta semana. Disse que as minhas crónicas eram as únicas que gostava de ler porque eu o fazia rir. Sinceramente, creio que não merecia o insulto. Todas as semanas faço aqui o melhor que posso para provocar Villas Boas. Já recorri a tudo: sarcasmo, ironia, escárnio, simples sacanice. E Villas Boas tem a repugnante nobreza de carácter, o asqueroso desportivismo de achar graça. Para ele, se bem percebo, isto do futebol é a coisa mais importante do mundo para todos, mas no fim acaba por ser um jogo de que nos podemos rir juntos, seja qual for o nosso clube. Simplesmente infame. Exijo que passe a ter o fair-play de um Rui Moreira, que gosta muito de piadas desde que não sejam sobre ele. Obrigado."

Ricardo Araújo Pereira, in A Bola
PS: Governo Sombra

Hábito goleador !!!


Estreia esmagadora


Os Verdadeiros Incendiários

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Peça de teatro

"Mesmo sem o nível artístico de 'O Mentiroso' de Goldoni, 'O Siciliano' de Molière, ou 'O Homem, a Besta e a Virtude' de Pirandello, assistimos na passada semana a uma peça do mais grotesco teatro que o futebol nos proporcionou ultimamente.
Necessitando urgentemente de diluir a nuvem mediática causada pelo sistemático favorecimento das arbitragens (bem como o efeito da revelação de novas escutas do processo 'Apito Dourado'), o gabinete de comunicação do FC Porto gizou uma estratégia clara: fazer do jogo de Guimarães um momento de catarse e redenção, onde o clube teria, enfim, razões de queixa, e poderia beber o sumo de uma vitimização capaz de mistificar tudo o que havia passado antes, colocando-o no mesmo plano daqueles que tinham efectivos (e graves) motivos para reclamar. Basicamente, voltando ao teatro, tratava-se de tentar - de forma tosca - transformar uma besta numa imaculada virtude.
O actor principal falhou redondamente, mas, diga-se, o papel não era fácil. Tudo poderia correr bem aos intentos da trupe se, efectivamente, por uma vez, o FC Porto tivesse sido prejudicado pelo homem do apito. Se, por uma única vez, tivesse um pingo de fundamentação para os seus lamentos. Não teve. O encenador equivocou-se, deixando o protagonista sozinho no palco a berrar contra todas as evidências, expondo-se ao ridículo e à chacota generalizada. É caso para dizer que o teatro das Antas já viu melhores dias.
Reconhecer o erro fica sempre bem. Mas este caso, mais do que corroer (quem sabe irreversivelmente) a imagem do treinador do FC Porto, desmascarou a forma como, por aquelas bandas, se confunde a realidade com a ficção, a verdade com a mentira, a indignação com o embuste.
Houve penálti em Guimarães, sim, mas cometido por Fucile, que até acabou por ficar em campo demasiado tempo face às infracções que, ao longo do jogo, foi cometendo. Houve influência da arbitragem, sim, mas (uma vez mais) a favor do FC Porto, que só assim (como em tantas outras ocasiões) evitou a derrota."

Luís Fialho, in O Benfica

Coisas azuis

"Percebeu-se ou não quanto custou (meia) adversidade do FC Porto em Guimarães? Até deu para um treinador histérico descortinar um penálti-que-não-era num penálti-que-era, mais tarde um penálti-que-já-não-era-outra-vez. Até deu para revelar miopia em relação a um penálti-que-era-mesmo, só que favorável à turma vimaranense. Lembram-se das primeiras jornadas da Liga? Dos sucessivos erros de arbitragem que quase empurraram o Benfica para o fundo da tabela? Muitos dos nossos detractores vieram a terreiro sustentar que a revolta vermelha mais não era do que o mau perder. Com erros escandalosos? Enquanto outros, sobretudo o FC Porto, eram brindados com não menos escandalosas generosidades dos homens do apito?...
A fanática cultura portista não muda. Até comentadores televisivos abandonam programas directos, agastados com uma agenda menos simpática. Até dá para ouvir, pela enésima vez, com o seu habitual desplante, um dirigente a questionar desempenhos arbitrais, o mesmo que é o principal protagonista, a julgar pelas conhecidas escutas telefónicas, de anos ininterruptos de viciação da verdade desportiva nas competições nacionais.
Aproxima-se o jogo do Dragão. Noutros tempos, o destino do Benfica estava traçado. A situação mudou? Mudou, mas mudou pouco. Ainda assim, mudou o bastante para que o resultado não possa ser anunciado previamente. Aguarde-se, sem reservas, um ambiente explosivo. Mas aguarde-se, também sem reservas, a explosiva razão da verdade, da verdade benfiquista."

João Malheiro, in O Benfica

A coragem, Pilatos, avestruzes e cúmplices

"Não é a primeira vez que, publicamente enalteço atitudes e posições de cidadãos, não benfiquistas e crítico correligionários clubistas.
Quero, deixar aqui, a minha admiração pelo carácter e coragem com que o cidadão Jorge Gabriel, sportinguista, escreveu a sua crónica num dos jornais desportivos nacionais, diário, a propósito das famigeradas escutas.
Sem medo de escrever, 'nojento' é o teor das escutas e não o acto das mesmas, ajudou a engrossar a coluna dos que fazem, da seriedade, da verdade e da verticalidade, não simples figuras de retórica, mas uma prática, da qual a sua defesa faz parte, seja em que circunstância for.
Ao contrário de outros, que lamentavelmente, fazem como Pilatos ou, em casos piores, fazem como o avestruz:-Não é nada comigo, não é nada comigo! Jorge Gabriel toma as rédeas da pena pelo seu pensamento e não pactua com a enxovia e a pocilga em que o futebol português e a vida nacional em geral se transformou nos últimos 30 anos.
É vergonhoso que alguém discuta a forma como são descobertos crimes em vez de conteúdo e teor dos mesmos.
Triste País, onde uma verdade, ignóbil passa incólume e se defende a contravenção com o argumento 'do respeito, pela privacidade das pessoas'. Chegamos portanto à conclusão que quem foge aos impostos tem direito à sua privacidade, tal como um ladrão ou um assassino, afinal de contas tudo isto são actividades íntimas, que não devem chegar ao conhecimento popular. Barroso, Ferreira, Costa, Moreira, Pôncio, Ernesto, Aguiar estão 'chocados' por se escutar. Os portugueses a sério como o Jorge Gabriel estão em estado de choque, com o que lá se ouve e o país está perdido."

António Melo, in O Benfica

Objectivamente (ilusionistas)

"O alarido que se passa no Porto!... O que é que deu naquela gente para tanto histerismo? Estão piores que as peixeiras do mercado do Bulhõõuêê!!! E tudo por causa de um empate no campo onde o Benfica foi roubado de forma vergonhosa pelo conhecido Olegário?!
Oh! Mas não vale a pena chorarem tanto por causa de um pontinho ou será que o medo é tanto que a meta de Janeiro não contava com este bónus?!
Falando mais a sério, tudo isto preocupa muito. Estas reacções do PC e do acólito Villas Boas são de um desespero atroz! Não contavam com este deslize. Estavam convencidos da sua invencibilidade e queriam ir por aí fora no andor - a que treparam na Figueira da Foz - para só pararem na final da Taça de Portugal porque foi esse o objectivo do 'milionésimo FêCêPê'! Arrasar tudo e todos. Ganhar de qualquer maneira à moda antiga! Objectivos traçados que eles desejam ver cumpridos mas que terão forte oposição por parte do campeão nacional.
No jogo frente ao Braga, o SLB demonstrou que está de regresso à dinâmica que lhe deu o título na época passada. Por isso a fé duplicou com o regresso às vitórias importantes!
Nunca nada nem ninguém consegue demover a fé benfiquista. Aquela que lhe construiu uma história bem recheada de títulos e de vitórias justas!
O Sport Lisboa e Benfica nunca precisará de reclamar favores dos Xistras, dos Olegários ou dos Soares Dias!
Aquilo que nos resta perante tamanha falta de lucidez é lutar com mais ardor ainda pelas vitórias e pelos pontos.
Mas devemos estar preparados para assistir a manifestações como a que vimos em Guimarães, porque é sinal de que os ilusionistas de vez em quanto são apanhados nas malhas da sua arrogância!"

João Diogo, in O Benfica

Uma questão de atitude

"O novo seleccionador nacional, Paulo Bento, exigiu aos jogadores seleccionados 'atitude'. É uma palavra oportuna e mobilizadora, embora queira dizer tudo e não queira dizer nada. Eu, porém, faço questão de a entender de uma forma afirmativa e motivadora. Quem toma uma atitude, vai muito mais longe do que o patamar da comtemplação e da resignação, dizendo não ao mero cruzar de braços como sinal de conformismo.
Reconheço com Paulo Bento essa interpretação da palavra 'atitude'. Ele quer os jogadores a darem tudo por tudo, a arriscarem tudo e a irem à luta com determinação e estoicismo. E já que estamos a comemorar o Centenário da República, que haja, da parte de quem tem honra de defender e representar as cores nacionais, brio bastante para estar à altura de quem, há 100 anos, marcou indelevelmente a História de Portugal.
Mas voltemos ao sentido e à força da palavra 'atitude'. Penso nos jogadores do Benfica e sinto que ela está presente na prestação semanal de praticamente todos os que entram em campo. Mas permito-me destacar dois, pela sua fibra, profissionalismo e combatividade, convicto de que, citando-os, não excluo ninguém mas exalto e que os melhores têm de melhor. Falo de Fábio Coentrão e Carlos Martins, ambos convocados para a Selecção Nacional. São dois excelentes exemplos de 'atitude' pela forma empenhada e generosa como estão em campo, não se furtando às situações de risco, não temendo os embates mais duros, nunca perdendo a baliza de vista e tendo a consciência clara de que o jogo só termina quando o árbitro dá o apito final. Aí estão dois excelentes exemplos de 'atitude'. Haverá que isso só acontece porque atravessam um óptimo momento de forma, Mas é muito mais do que isso. Há quem ponha o coração no relvado e quem ponha só o talento, os músculos e a técnica. Quem põe o coração chega mais facilmente ao coração de quem assiste, aplaude e torce pela vitória."

José Jorge Letria, in O Benfica

Todos na paz benfiquista

"Não se fala no Benfica ou pouco se fala? Consequência de uma série de resultados positivos. Positivos e justos. A equipa está de novo na senda vitoriosa, nem outra coisa seria de esperar. Agora, já não se questiona Roberto, já não se discute David Luiz, já não se debate Cardozo, já não se analisa Jorge Jesus. Agora, já não se discutem opções, métodos, conceitos.

Ainda assim, não é possível esquecer os erros, alguns de palmatória, das equipas de arbitragem que dirigiram os primeiros embates da equipa encarnada. Não fosse uma sucessão de disparates e o Benfica estaria, no mínimo, colado ao líder da competição. Houve quem se insurgisse contra o alarido que o clube fez? E não se ouviram altissonantes as angústias do treinador e de outros responsáveis portistas só porque empataram em Guimarães? Até deu para ver (?) um penálti que não foi, até deu para um número pouco usual na atualidade desportiva, esse do dito por não dito…

Entretanto, a Seleção Nacional fez o pleno. Dois bons jogos, duas importantes vitórias na fase de qualificação. Também com a contribuição de uma dupla benfiquista. Fábio Coentrão, opção reiterada, é tão indiscutível como a própria… Seleção. Já Carlos Martins provou a justeza da sua convocatória. Não deveria ter integrado o lote dos jogadores que se deslocaram, em junho, à África do Sul? Penso que ninguém tem dúvidas, a despeito das suas preferências cromáticas no universo da bola. Paulo Bento não duvidou e fez bem.

Mais Benfica na Seleção resulta em melhor Seleção. Também outros combinados nacionais continuam a beneficiar do concurso de futebolistas benfiquistas. O caso de David Luiz, na canarinha é paradigmático. Está ou não ali o melhor central do Mundo a breve trecho?"
Luís Seara Cardoso, in Record

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O ridículo não mata e só custa 250 euros

"Que o ridículo é inofensivo e não mata ninguém já a gente sabe à muito. Assim não fora aquele mazombo que disse uma vez que ser portista em Lisboa era como ser palestiniano em Israel teria sido entalado nos portões do Castelo de São Jorge e todos nós sentiríamos desinfectados por não termos de suportar os fétidos vómitos da besta.
Aliás, se o ridículo matasse poupar-nos-ia àquela fraude jornalística em figura de anãozinho encaracolado e engravatado que agora se convenceu de que poderia ter sido o nº10 de qualquer equipa da I Liga e o grita aos sete ventos- Como se houvesse uma I Liga de campeonato de matraquilhos...
Não. O ridículo não mata. É mais que certo! Ou então já não teríamos de aguentar com estoicismo os concertos desafinados de apito de um certo tocador de concertina recentemente exilado nas arábias.
Nem as bacocas evocações de um respeito temerário pela bondade da Justiça, cuspidas na televisão por um merceeiro de segunda apanha, adorador de corruptos pronto a dar às vila Diogo de cada vez que é posta a nu a careca da sua nojenta hipocrisia.
Assim sendo, naquele teatro de marionetas em que se transformou a conferência de Imprensa do treinador do FC Porto após o jogo de Guimarães, o ridículo até pôde passar a grotesco na maior das impunidades. Bem... na maior das impunidades, não.
Quando o ridículo ultrapassa as fronteiras do ridículo merece castigo: 250 euros.
Castigo ridículo, pois claro!"
Afonso de Melo, in O Benfica

Escutas: venham elas!

"Ainda a divulgação das Escutas do 'Apito Dourado', que tanto 'ofenderam' Rui Moreira e outros defensores da 'legalidade'. Há, primeiro, que lembrar que a justiça desportiva condenou vários arguidos, a começar por Pinto da Costa. E que a justiça civil não os inocentou, afirmou apenas que não reuniu provas para os condenar, facto a que não é alheia a impossibilidade de utilização das escutas...
Toda a gente sabe que, ao longo de muitos anos (começou muito antes do 'Apito Dourado'), o FC Porto 'comprou' os árbitros. Há provas evidentes disso e sabe-se como fazia. Os principais responsáveis (a começar pelo presidente do clube) continuam no activo... e activos! A obrigação de todos aqueles que querem a verdade desportiva é continuar a lutar por ela por todos os meios ao seu alcance, não deixando de denunciar todas as 'falcatruas' que se fizeram. A divulgação das Escutas é uma das formas.
Venham elas... todas!
Ao colocar-se à margem das lutas entre Benfica e FC Porto, o presidente do Sporting confirmou a postura 'interesseira' do seu clube. Como terceira potência desportiva nacional, o Sporting tem responsabilidades. E, tal como o Benfica, foi amplamente prejudicado ao longo de todos estes anos, passando de 2º a 3º clube nacional. O Sporting não se pode colocar de lado, tentando passar pelo 'bonzinho' e 'honesto' e deixando que tudo continue na mesma... como se tem verificado neste campeonato, no qual o FC Porto continua, jornada após jornada (até em Guimarães!...), a ser beneficiado pelas arbitragens. Ao receber Pinto da Costa como se nada tivesse acontecido (e esquecendo até os insultos que este proferiu ao seu presidente...), ao ceder-lhe jogadores fundamentais (como João Moutinho e vamos ver se também Izmailov!), ao prestar-lhe contínua vassalagem, o Sporting é cúmplice de toda a falcatrua em que se transformou o futebol português e vai-se afundando cada vez mais. A postura de José Eduardo Bettencourt até faz lembrar (salvas as devidas proporções) a de países (e governantes) que se mantiveram neutros na II Guerra Mundial, face às atrocidades de Adolfo Hitler..."
Arons Carvalho, in O Benfica

Segurança

"Tem toda a razão o Benfica ao reclamar segurança nas suas deslocações e passagens em trânsito por todo o território nacional sem excepções. Esta é uma questão de Estado que transcende o futebol. É ao Estado que compete assegurar fundamentais, entre os quais a liberdade de circulação no País, sendo inadmissível a existência de bolsas subtraídas ao todo de liberdade que é Portugal. Não estamos num país terceiro-mundista, com zonas do território controladas por separatistas chechenos, fundamentalistas taliban, senhores da guerra somalis ou tigres Tamil.
Mas a impunidade tem sido excepção em sucessivas ocorrências nos domínios do futebol, controlado em Portugal pelo 'sistema' e respectivos capangas. A mais recente aconteceu na deslocação do Benfica a Guimarães: à saída do Porto, o autocarro do Benfica foi mais uma vez cobardemente apedrejado.
Aliás, a impunidade já há muito que deixou de ser uma excepção para passar a ser a regra, no que diz respeito a determinados talibãs do submundo do 'sistema'. Adeptos do Benfica que infringiram os direitos de outros foram, nos termos das leis, investigados pelas polícias, acusados pelo Ministério Público, levados a tribunal, julgados e alguns condenados.
Mas em matéria de futebol a Lei não tem sido igual para todos. E as denúncias de casos de vandalismo, depredação, assaltos, apedrejamentos, dentro e fora de recintos desportivos, sucedem-se sem consequências. Como se vivêssemos num Estado retalhado pelo separatismo. Ou numa espécie de Chicago em que a lei dos gangsters se sobrepõe ao poder de Estado.
No dia em que a Lei se aplicar a todos por igual e com todo o seu rigor, o 'sistema' perde um dos seus indispensáveis pilares."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Da potência e da Impotência

"O futebol ocupou uma posição tal na nossa sociedade que o faz ser mais temido do que o próprio Estado de onde emanam os governantes e as políticas a que nos sujeitam. Tome-se põe exemplo o caso ainda fresco do presidente da Associação Comercial do Porto que abandonou melodramaticamente, e em directo, um programa de televisão de debate sobre futebolistas porque se recusou, em nome dos bons princípios, a comentar escutas ordenadas por um juiz no âmbito de um processo de investigação criminal.
O processo em causa, com o folclórico e colorido nome de Apito Dourado, incidia sobre práticas desleais protagonizadas por um sem número de dirigentes, empresários e árbitros de futebol, sendo que o clube do presidente da Associação Comercial do Porto era, sem margem dúvida, aquele que protagonizava mais práticas desse quilate.
E Rui Moreira, que é o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, sentiu-se de tal modo constrangido pela discussão do assunto, que se levantou da cadeira onde estava sentado e foi para casa ofendido.
Não deixa de ser curioso que, a 26 de Fevereiro deste mesmo ano de 2010, o mesmo Rui Moreira não se tenha sentido minimamente constrangido, em nome dos seus bons princípios, a responder a um inquérito do diário I que lançava a seguinte questão: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta. Mantém a confiança no primeiro-ministro?
Fiquem pois sabendo que o presidente da Associação Comercial do Porto não só não se recusou a responder como até deu uma opinião bastante assertiva e contundente: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior.»
Embrulha, Zé Sócrates!
Convém, por ser verdade, esclarecer que o presidente da Associação Comercial do Porto não foi o único a disponibilizar-se para comentar as escutas do processo Face Oculta. Foi apenas um de uma lista de 50 individualidades identificadas e com profissões e estatutos sociais tão importantes como os empresários, economistas, sociólogos, escritores, presidentes de associações cívicas, professores universitários, fiscalistas, banqueiros, historiadores, penalistas, médicos, cientistas, militares e, final e inevitavelmente, um psiquiatra que, por sinal, até teria muito a acrescentar à discussão se nos quisesse explicar as razões desta impotência de que padece tanta gente quando chamada a tratar do intratável.
Compreendem agora que não é disparate nenhum concluir que o futebol mete muito mais respeitinho aos seus transeuntes do que a política e os políticos aos seus cidadãos? Perante as belezas e os perigos dos vetustos monumentos da bola nacional e o respectivo cortejo de vénias e de salamaleques aos seus dons e aos seus doutores, qualquer primeiro-ministro não passa de um Zé.
Ah, valentes!


APROXIMA-SE o dia do FC Porto – Benfica, duas potências em conflito. O historial de desacatos, desordens e vandalismos que antecedem o jogo propriamente dito não deixa nenhum dos emblemas superiorizar-se moralmente ao outro.
Estamos nestes casos, sempre e tristemente, perante um caso de polícia sendo que a polícia, aparentemente, tem tanto medo destes delinquentes enfarpelados com as cores dos respectivos clubes, como certos intelectuais e empresários têm medo de comentar as escutas no Youtube, desde que as escutas digam respeito apenas ao emblema do seu coração.
Tendo frescos na memória os acontecimentos da última deslocação do Benfica ao Porto – em que o disparo de bolas de golfe para o relvado se acrescentou ao tradicional reportório de pedradas contra o autocarro da equipa -, Luís Filipe Vieira fez-se receber pelo ministro da Administração Interna e anunciou «uma grande surpresa» dando-se o caso do Vermelhão voltar a ser atacado.
A possibilidade de o Benfica dar meia volta e regressar a Lisboa foi imediatamente aventada e, depois, elogiada ou criticada conforme os afectos de cada um, o que é sempre o pior critério para avaliar situações deste género cívico e que nada têm a ver com a questão desportiva.
E lá voltamos nós à questão da impotência, agora do Estado, responsável pela segurança pública, quando o assunto mete o futebol e logo ao mais alto, ou ao mais baixo nível, como é precisamente o caso. Tal como num jogo de futebol a autoridade máxima é o árbitro, num país a autoridade máxima que vela pela ordem nas ruas, nas estradas e nas auto-estradas é a polícia.
Na noite de passada terça-feira, em Génova, deu-se um caso curioso e exemplar. Estava marcada a realização do jogo Itália – Sérvia, de qualificação para o Euro – 2012, mas o comportamento dos adeptos, nomeadamente os sérvios, foi de tal modo criminoso que o árbitro, um escocês chamado Craig Thomson, perante a incapacidade policial em dominar os vândalos, resolveu suspender o jogo aos 6 minutos por não estarem reunidas as condições de segurança indispensáveis a um espectáculo público.
Não é de crer que a UEFA á condenar o árbitro por ter tomado a resolução do bom senso. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, o árbitro Thomson estava tramado até ao fim dos seus dias...


COM Paulo Bento, a selecção nacional voltou à normalidade. E isto já é dizer muito.


O Sporting queixa-se de ser perseguido pela Comunicação Social que não dá tréguas às mais insignificantes ocorrências do universo de Alvalade. Não tem razão o Sporting porque não há clube em Portugal que se ponha mais a jeito para os comentários dos analistas e até dos humoristas que são sempre os que mais fazem doer.
José Eduardo Bettencourt esforçou-se na última semana a dar entrevistas à RTP e ao jornal oficial do clube e ainda foi a Castelo Branco discursar num núcleo de simpatizantes locais. À RTP repetiu que a equipa de futebol estava «a um clique de distância» do sucesso, o que veremos se vai ou não acontecer, e que, pelos menos, o Sporting «nunca tinha ficado uma vez em 6.º lugar», o que é verdade. Também é verdade que o Sporting nunca ficou 32 vezes em 1.º lugar...
Ao jornal oficial do clube, o presidente regozijou-se pelo facto de já não ver «pessoas a rirem-se com as derrotas no balneário», o que é estranho. E em Castelo Branco afirmou que não podia dizer o que queria «para não ser ridicularizado no exterior».
O que também é verdade. Uma grande verdade."

Leonor Pinhão, in A Bola

O cão e o dono

"Numa das várias, e inquietantes, obras-primas de Luís Buñuel (neste caso, “Viridiana”), há uma sequência em que um cão, mal-tratado pelo dono, insiste ainda assim em seguí-lo com a fidelidade que só a sua espécie consegue expressar.
Entre os humanos assistimos, no entanto, a exemplos que conseguem, por vezes, aproximar-se desse registo. A postura do Sporting perante o FC Porto lembra-me frequentemente aquelas imagens, sendo aqui bastante fácil de distinguir o dono cruel e o animal amestrado.
Voa Paulo Assunção, voa Adriano, e o Sporting zanga-se com o Nacional da Madeira. Escapa João Moutinho, e o Sporting atira-se ao comportamento do jogador. Foge Ruben Micael, e o Sporting queixa-se do empresário. Perde Villas-Boas, e o Sporting lamenta a sua pouca sorte. Ouvimos Pinto da Costa a ridicularizar José Eduardo Bettencourt (sem falar do roupeiro Paulinho), e vemos o presidente portista no camarote presidencial de Alvalade. O FC Porto ganha 17 campeonatos em 25 anos, recorrendo às fórmulas mais obscuras (expostas nos casos Apito Dourado, Calheiros, Guímaro, “quinhentinhos”, e por aí fora), e o Sporting escuda-se no silêncio, permitindo que a ira dos seus adeptos se volte para o…Benfica.

Se não estivermos a falar de cães, sobrará apenas uma hipótese para entender isto: o Sporting e os sportinguistas olham para o FC Porto, não como um rival, mas como um parceiro útil no combate ao odiado vizinho, e regozijam-se com as suas vitórias, vendo-as como uma forma eficaz de evitar triunfos do Benfica. Aliás, na noite da comemoração de um dos últimos títulos portistas, foram vistas bandeiras verde e brancas nalgumas ruas de Lisboa, que não pareciam propriamente festejar o 2º lugar.
Esta peculiar atitude tem custado muito caro ao clube de Alvalade, que caiu, em apenas duas décadas, de segundo maior emblema português para um periclitante terceiro lugar na hierarquia do desporto luso. Isso, tal como os pontapés ao cão de Buñuel, pouco parece preocupar as suas gentes.
Mais do que um fenómeno desportivo, estamos aqui perante um verdadeiro “case-study” na psicologia de massas portuguesa."

Luis Fialho, in Vedeta da Bola

(77,53)

"(77,53)! Por momentos, pensei que se tratava de uma citação religiosa, mas logo me lembrei que tais dígitos não se atingem na Bíblia, nem mesmo no Livro dos Números, cujos versículos acabam em (36,13) ou no Livro do Apocalipse, que terminam em (22,21).

Afinal, era bem mais prosaica aquela referência. Tratava-se da precisão de um cronometrista: 77 minutos e 53 segundos, o tempo exacto de uma delirante penalidade. Para o treinador do FC Porto: «Foi óbvia, eu vi-a e os meus jogadores garantiram-me também que foi demasiado nítida.» Sublinho eu: óbvia e demasiado nítida. Tanto que ninguém a conseguiu ver ou reclamar. Já sem qualquer nitidez, dado o espesso nevoeiro, foi o penalty (e 2.º amarelo) de Fucile. Mas aí nem olho de lince, nem cronómetro. Apenas Xistra.

O treinador disse que se indignara não com a expulsão de Fucile, mas por causa do putativo penalty. As imagens são, porém, elucidativas. Não há um gesto do treinador entre os tais 77m 53s e a agressão do jogador do FC Porto. Uma caricata fita de quem não soube encaixar um pequeno desaire! Bem sei que, no dia seguinte, teve a correcção de pedir desculpa, embora tivesse omitido tudo o resto. A evidência era tão avassaladora que não tinha outro caminho.
Umas semanas antes, Villas Boas respondera ao presidente do Benfica, dizendo que «era natural que o entretenimento semanal do campeonato fosse as arbitragens!». Como não se entreteve com o penalty com que derrotou a Naval, os dois penalties na mesma jogada de ataque do Rio Ave ou o braço na bola contra o Nacional, quis agora entreter-nos com a sua visão ao virar da curva dos primeiros pontos perdidos. Uma boa e jovem visão sem miopia, hipermetropia, estigmatismo, daltonismo, estrabismo, treçolho ou o mais danoso e contagioso olho vermelho. Só a contar é que se enganou: afinal os (77,53) são (00,00)..."
Bagão Felix, in A Bola

Inspiração

Realizado por Guilherme Cabral

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A caminho do Bi ...!!!





O Sorteio da Ronda de Elite da UEFA Futsal Cup, realizou-se hoje, ao Benfica calhou em sorte os seguintes adversários:

Grupo A
Time Lviv (ucrânia)

Os jogos vão-se realizar na Sérvia, entre 20 e 28 de Novembro, somente o vencedor do grupo se qualificará para a Final-Four.

Obviamente a equipa da casa será o nosso grande adversário, os Sérvios têm bons jogadores, um pouco lentos, mas fortes fisicamente, e bons tecnicamente. Os ambientes na Sérvia são sempre complicados. Recordo que o Ekonomac derrotou na primeira fase os Belgas do Charleroi, ex-campeões europeus!!! Em 2008 na Luz levaram 8-1, mas desta vez vão ter o factor casa. Muitos dos nossos jogadores conhecem bem a maioria dos jogadores adversários, devido principalmente às Selecções, onde já jogamos várias vezes contra eles, quase sempre com vantagem para o nosso lado, creio que só a Ucrânia já nos derrotou. Os Ucranianos terão uma palavra a dizer. Creio que a equipa de Zagreb deverá perder os jogos todos, aliás o ano passado defrontamos nesta fase outra equipa Croata que vencemos com alguma facilidade (apesar destas equipas jogarem com 5 autocarros à frente da baliza)!!!

Os restantes Grupos:

Grupo B
Viz-Sinara (rus)
Araz (aze)
Montesilvano (ita)
Ararat (chp)

Grupo C
Kairat Almaty (caz)
Tiblisi (geo)
Pniewy (pol)
Slov-Matic Bratislava (svq)

Grupo D
Murcia (esp)
Sporting
Chrundim (che)
Târgu Mures (rom)

Tendo em conta as possibilidades não nos podemos queixar do Sorteio. Devido às escolhas da UEFA para as sedes desta ronda, e como éramos cabeças de série, além do Ekonomoc só podíamos calhar no grupo do Sporting. E muito sinceramente prefiro evitar os Lagartos nesta fase, os jogos seriam em Odivelas, evitaria-se a uma viagem, mas...!!!
O grupo B é o mais forte, tem 3 equipas que podem passar os nossos conhecidos Viz-Sinara, o Araz (3º classificado o ano passado), e os campeões Italianos o Montesilvano. O favoritismo vai para os Russos porque jogam em casa...
O Grupo C é provavelmente o mais fraco, favoritismo claro para o Kairat...



No Grupo D os Lagartos vão quase de certeza ser derrotados pelo El Pozo Murcia. Cuidado com os Checos que podem fazer uma surpresa...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dossier: Toda a verdade da mentira !


"O inicio da época de 2010/11 difere pouco do que se tem passado nos últimos anos. Talvez até tenha recrudescido. Ou não fosse esta temporada uma daquelas em que podemos ser bicampeões...


O início das temporadas de futebol para o 'Glorioso' são sempre problemáticas porque qualquer conquista do Maior Clube Português põe em causa a 'grande qualidade dos dirigentes portistas' que passam a ideia de serem os melhores na história do FC Porto e mesmo em toda a longa história do futebol português.


Jogar forte a vários níveis...

Desde 1982, afirmando-se com vigor acrescido depois de 1985, que o portismo manda e demanda nas estruturas do futebol português. Este polvo tentacular foi transformando o 'Futebol Association' num autêntico futebol de compadrio, intimidados, acomodados e dependentes, o 'Futeluso'. Esse polvo tentacular foi-se instalando, progressiva e eficazmente, em todas as estruturas futebolísticas portuguesas. Com tempo - são já muitas épocas - construiu um muro de relações e entendimentos que visa condicionar o 'Glorioso'.



I - O SISTEMA


Do nível funcional...

Primeiro foi a tomada de poder (servindo-se da bengala Boavista FC) na Associação de Futebol do Porto (AFP) para depois através de promoções sucessivas (e sustentadas) de clubes da AFP dos distritais até às divisões nacionais e da sustentação (para não serem despromovidos) dos seus clubes nas divisões nacionais (a antiga Série B da AFP era um 'quintal' da AFP) angariaram um numero de votos necessários para nas Assembleias Gerais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) poderem escolher o órgão estatutariamente 'menos valioso', o Conselho de Arbitragem, deixando o mais importante - a presidência da Direcção da FPF - à AFL (Associação de Futebol de Lisboa), mas assegurando os dois outros órgãos para 'associações amigas' - Conselho de Justiça (segundo mais importante) para Braga e Conselho de Disciplina (terceiro mais importante) para Aveiro ou Funchal. Assegurada (e perpetuada) a manipulação institucional da FPF (um autêntico 'bordel' do 'Futeluso') e a necessidade dos políticos regionais irem ao 'beija-mão' de Pinto da Costa, logo avançaram para outra frente - a Comunicação Social - fazendo pressão com a criação do jornal 'O Jogo' no sentido dos restantes jornais desportivos - A Bola e Record - branquearem os desmandos do portismo, criando redacções norte com escribas avençados ao FCP. Chegou-se ao desmazelo de haver duas capas (tal como ainda acontece com 'O Jogo') uma na edição Lisboa e outra (favorável ao FCP) na edição Porto que até é vendida em... Leiria. Também as televisões, em particular a RTP (através da RTP-Noticias, que passou a monopolizar o desporto da TV estatal) e a SIC 'à força' através da violência exercida sistematicamente durante anos depois do 'Caso Paula' (Donos do Jogo) passaram a prestar vassalagem ao FC Porto. A TVI amançou desde logo evitando problemas. Actualmente com Júlio Magalhães funciona o 'portuguesmente' - 'Manda quem pode obedece quem deve'! O desporto da TVI é 'mais papista que o Papa'! Com a criação da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) chegou-se ao cúmulo (se bem que neste caso beneficiassem já do engajamento do Sporting CP através do 'Projecto Roquete') de localizar a Sede no Porto, para implementarem uma teia de funcionários ligados ao FC Porto e Boavista FC. Também os dirigentes 'têm a bênção' do papa Pinto.


...ao nível desportivo

Com a tomada de poder institucional (AFP, FPF, LPFP e media) organizou-se a dependência de muitos dos clubes das duas principais divisões (I Liga e II Liga/Liga de Honra) dos 'restos' do portismo - empréstimos de futebolistas (a custo zero) e rede de treinadores conotados com o FC Porto. E os árbitros? Bem, estas estranhas criaturas do 'Futeluso' há muito que são controlados pelo FC Porto, como de demonstrou em oito meses de Escutas validadas por um juiz no 'Processo Apito Dourado'. As pontuações, promoções e despromoções, entregas de 'géneros e bens', eram definidas pelo 'engenheiro máximo' através de Pinto de Sousa (presidente do Conselho de Arbitragem da FPF) e Valentim Loureiro (presidente da Direcção da LFPF). Tudo isto com um objectivo (ou melhor dois...) facilitar a conquista de campeonatos nacionais pelo FC Porto, permitindo a sua entrada sistemática na Liga dos Campeões (onde a carreira portista beneficia do facto de lhe aligeirarem o esforço nacional - vide Augusto Duarte em Aveiro para descansar jogadores do FC Porto para o jogo com o Desportivo da Corunha. E dificultar as conquistas do 'Glorioso', bem como obstacualizar (o mais possível) a nossa entrada na Liga dos Campeões. Tudo em nome da 'desconstrução'.

Supertaça disputada em 9-09-1992 - Estádio Municipal de Coimbra
Se tal, como nós, não tem memória curta e tem assistido de forma 'paciente' aos últimos 30 anos de 'Futeluso'... diga lá, sabe quem é o portista nº9, que corre desenfreadamente atrás de José Pratas? E ainda fala ele de antijogo!



II - A DESCONSTRUÇÃO


Início de épocas atribulado

O Benfica tem sempre dificuldades em conseguir bons resultados nas dez primeiras jornadas dos campeonatos nacionais. Não é por acaso que desde 1982/83, há 27 anos, que não consegue obter o pleno de vitórias nas primeiras cinco jornadas iniciais. Há sempre inúmeros obstáculos, colocados pelo 'funcionamento' e pelos árbitros, muitos deles mais manhosos que juízes! São muitas faltas não assinaladas a adversários que as cometem e muitas assinaladas aos nossos sem existirem. Grandes penalidades não marcadas e fora-de-jogos em barda inexistentes a penalizarem-nos. Já o contrário não é verdade! E cartões amarelos em catadupa aos futebolistas do 'Glorioso' enquanto os outros (os nossos adversários) passeiam a sua violência e arrogância pelos campos onde nós tentamos jogar. A dualidade de critérios de início de épocas reflecte-se nos (menos) golos marcados e nos (mais) golos sofridos, levando a que os pontos perdidos no início nos afastem, desde cedo, da luta pelo primeiro lugar, onde se coloca o FC Porto e os clubes seus vassalos - o chamado terceiro grande Sporting CP, bem como o quarto grande, que curiosamente é sempre o 'clube médio' apoiado mais directamente pelo FCP. Já foi o Boavista FC. Já foi o Vitória SC Guimarães (até ficou em 3ºlugar de acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões). Agora é o SC Braga. Quando se fartarem deste, outros virão! E o SC Braga deixará de ser o 'Quarto Grande'!

Depois de desorganizarem as nossas equipas nas primeiras jornadas, largam-nos porque com a nossa fobia de auto-destruição logo os adeptos arranjam 'bodes expiatórios' na nossa equipa (e no Clube) para justificar os fracassos iniciais... É a vida! E passamos 2/3 da temporada a 'apagar fogos', ou seja, ficar em 3º, 4º ou 6º lugar!


E na época actual (2010/11)

Os espertos do costume na temporada actual elevaram a fasquia. Percebendo que o Benfica estava mais pujante que nunca - pelo menos desde 1994/95 - devido à limpeza da temporada de 1009/10, logo arquitectaram uma saída para nos tramar no início de 2010/11. Desorganizaram-nos nas primeiras jornadas da Liga Zon Sagres e esperar que a nossa habitual auto-flagelação passasse para as primeiras jornadas da Liga dos Campeões. Como? Fazendo um início de temporada abusivamente cedo. Porquê? Por que o Benfica não podia fazer uma pré-época com todos os futebolistas, pelo facto de ter muitos futebolistas no Mundial da África do Sul. O FC Porto trocava Fucile e Álavaro Pereira por Cardozo, Luisão, Maxi Pereira, Fábio Coentrão e Rubem Amorim. Ou seja, toda a defesa (menos David Luíz) e o melhor marcador da época. Incrivelmente a temporada em Portugal começou em 7 de Agosto, com mais três jornadas da Liga Zon Sagres neste mês de canículas, enquanto em Espanha e Itália (mesmo com campeonatos nacionais de 38 jornadas, mais oito que as nossas 30) só se iniciaram no último fim-de-semana de Agosto. São espertos, mas... lucraram bem com essa esperteza. Até porque a Imprensa portuguesa é de fugir!


Não nos deixam jogar...

Com as nossas equipas debilitadas (porque a defesa foi obrigada a entrar em competição prematuramente) que há um ano, mesmo assim os árbitros (Cosme Machado, Pedro Proença, Olegário Benquerença e João Capela) tiveram que penar para nos obrigarem a perder pontos! Foi necessário acumular erros grosseiros, evidenciando fortemente a habitual dualidade de critérios no início dos Nacionais para vergarem os nossos futebolistas. O certo é que já temos nove pontos perdidos (e estamos no 4ºlugar à 7ª jornada) e os futebolistas carregados de cartões amarelos que vão ser obrigados a sair em breve da equipa por acumulação dos mesmos!


...preparam-se para nos enfraquecer e com o FC Porto (10ª jornada)

Com vários futebolistas 'carregados de cartões amarelos' já estamos a ver o filme deste ano não é mais que uma reprise das épocas anteriores. Quando chegar o 'tempo adequado' haverá um árbitro que fará o favor (ao FC Porto) de os retirar de algum jogo que seja importante dando-lhe o 'adequado' cartão amarelo ou... vermelho... se for o caso disso.

Este 'Futeluso', exibido nos campos e estádios deste país e branqueado nos media lusos... já fede."


Alberto Miguéns, in O Benfica

Carta de Luís Filipe Vieira aos sócios

"Quando o Presidente do Clube escreve a todos os Sócios isso significa que considera o momento tão importante que justifica um contacto mais próximo com aqueles que, verdadeiramente, se interessam pela vida, pela imagem e pelo futuro do nosso Benfica.

A delicadeza da situação impõe que se fale com clareza, sem que a verdade das palavras possa ser interpretada como justificação para uma época que não começou como todos desejaríamos, ou desculpa para culpas próprias que possam ter influenciado resultados abaixo das expectativas de um bom começo de época, que eram inteiramente legítimas tendo em conta o valor dos nossos profissionais.

A vitória no campeonato da época passada, as excelentes exibições e a valia da equipa causaram preocupação a muita gente. Acreditávamos que começavam a ser criadas condições para o regresso a um clima de boas práticas, em que os resultados desportivos fossem o espelho do valor das equipas e do desempenho no terreno de jogo. Mas, o que se passou neste início de campeonato faz-nos temer - ao contrário - que o futebol português esteja, de novo, a ser armadilhado por jogadas de bastidores.

Lamentavelmente, já se registaram atropelos demasiado graves e abusos demasiado evidentes para que possam passar sem uma reacção enérgica. O Director Desportivo, o Treinador e eu próprio, denunciámos o embuste que está a atraiçoar a prática desportiva e voltaremos a fazê-lo tantas vezes quantas as necessárias para que a mentira não seja a regra do nosso futebol e para que os seus autores e aliados sejam desmascarados. Porque é de mentiras que estamos a falar!

O prestígio do Benfica é um valor demasiado sério para que alguém se atreva a brincar com o interesse da instituição. O nosso protesto foi o adequado às circunstâncias e o convite que fizemos aos nossos adeptos, para não comparecerem nos estádios dos nossos adversários, é a medida justa para que sejam todos, e não apenas o Benfica, a reagir para pôr fim a uma situação insustentável. Movem-nos razões de legítima defesa.

Compete aos Sócios e adeptos ajudar esta Direcção a lutar pela verdade e pela transparência no futebol português. Comparecer aos jogos fora significa pactuar com o actual estado do futebol português!

Os dirigentes, a equipa técnica e os atletas não vacilam na vontade de contribuir para que a verdade desportiva prevaleça. Estamos determinados a fazer tudo o que seja necessário para que o clube não seja mais prejudicado. Acima de tudo, exigimos respeito!

Os meus votos são os de que este assunto não me obrigue a voltar a contactar os Sócios do clube, mas não hesitarei em fazê-lo caso não se ponha um ponto final na sucessão de atropelos a que temos vindo a assistir."

domingo, 10 de outubro de 2010

Promete


O Leixões está mais forte do que a época passada, mas mesmo assim este não foi um teste difícil. Devido a um quadro competitivo ridículo, o campeonato 'a sério' só começa na 2ª fase, até lá temos que ganhar rotinas, e este jogo mostrou ainda algumas falhas entre o Renan e os rematadores, normais para esta altura da época...
Analisando o plantel a equipa parece ter um potencial idêntico ao da época passada. O Hugo Gaspar entrou para o lugar do Pedro d'Ornelas, o Flávio, e o Ching entraram para o lugar do Cundy, e do Tarr, o Rafa entrou para o lugar do Alf, o Fidalgo foi substituído pelo Sheneider, e conseguimos manter os centrais. Até Janeiro ainda deverá entrar alguém, neste momento tanto o Gaspar (oposto), e o Rafa (libero) não tem substitutos, o que poderá ser perigoso. O potencial do Gaspar é indesmentível, um dos melhores rematadores da história do Volei Português, mas pessoalmente acho que é um jogador irregular, é capaz de grandes jogos (como a final da Taça o ano passado contra o Benfica), como é capaz de jogos menos bons. Também não sei o que aconteceu ao João Magalhães, que o ano passado fez excelentes jogos a libero, e mesmo após o regresso do Alf foi muito importante quando foi preciso reforçar a defesa baixa. Aliás foi na defesa baixa que tivemos muitas dificuldades o ano passado...
A pré-época correu muitíssimo bem, com vitória atrás de vitória. Creio que o Sp. Espinho está mais fraco, têm muitos jogadores novos, vão melhorar de certeza, mas creio que o potencial é menor. O Vitória no 'papel' deverá ser o nosso grande adversário, 'pescou' em Espinho, e manteve os seus melhores jogadores. O Castelo será o 4º favorito, não creio que possam ganhar o campeonato, mas num dia bom podem ganhar jogos aos outros favoritos.
Uma palavra para o Prof. Jardim, já tinha saudades de ver o Professor a fazer quilómetros na linha lateral, e ainda a saltar tanto, ou mais, do que os seus jogadores!!!!!!!

Está tudo na mesma

"MAIS escutas sobre o processo Apito Dourado entram no circuito público por bênção de novas tecnologias de comunicação. Em rigor, a única novidade prende-se com os diálogos. No resto, tudo como antes, com os artistas habituais. Apenas os actores secundários se revezam, naquele papel de coitados, qual deles mais se curva no pedido de protecção no apelo aos bons desempenhos dos homens do apito. Dá a ideia de algum poder insondável, que ninguém com atribuições para tal é capaz de identificar, acusar e condenar: se uma pessoa de muitas e ricas influências, se uma organização secreta, se um sistema clandestino. Ou… se é tão-somente a fervilhante imaginação de um pequeno país, onde todos se conhecem e se invejam e em que as discussões no quintal do vizinho são o bálsamo que alivia as dores que atormentam a nossa própria casa.
Vivemos num estado de direito, como insistente e pedagogicamente ouço dizer a propósito de tudo e de nada, não vá o cidadão comum, pouco identificado com a complexidade das leis, pensar que este rectângulo na ponta ocidental da Europa se orienta ainda pelas regras do distante far west, em que no acto de julgar, apurados os factos, depois de pesadas circunstâncias agravantes e atenuantes, se absolvia o autor do disparo e se condenava a vítima pelo crime de intromissão abusiva na trajectória da bala.
Tornou-se uma inutilidade desperdiçar tempo com as escutas a partir da altura em que meia dúzia de tribunais a sério, como lhe chama Miguel Sousa Tavares, as ouviram, analisaram e decidiram: não valem nada. O problema é que quem se considera minimamente identificado com as questões do futebol português, e não tem a sua capacidade auditiva prejudicada, identifica facilmente os intervenientes e percebe, mesmo através de frases tolamente criptografadas, o alcance dos diálogos, não no acessório, mas no essencial: O esquema, o arranjo, o estratagema, a batota…
O assunto está resolvido, porque vivemos num Estado de Direito. As escutas devem ser destruídas e os desobedientes punidos. Pessoalmente, porém preferia viver num estado de verdade, de justiça, como gostaria que ela fosse, irrepreensivelmente justa e não resultado de aplicação cega, e também surda, de leis e mais leis, algumas cujas interpretações convidam a interminável espaço de discussão… e nenhuma consequência.
Desiluda-se quem pensar que, apesar do barulho provocado, o Apito Dourado vai contribuir para a purificação do ambiente futebolístico. As escutas agora apresentadas como novas apenas oferecem coisas velhas: as conversas e… os intérpretes, entre administradores, directores, amigos e afins, quase todos da área social do FC Porto.


NO DN de domingo reparei em uma notícia sobre um procurador adjunto suspenso por um ano, dado ter pretendido vender um bilhete para o concerto de Madonna por 450 euros quando o preço era de 60. Estamos a falar de um procurador adjunto, por isso sugere a prudência e devido recato. Espantoso é o facto de o magistrado apanhado ter pretendido inverter os papéis. Isto é, transferir o ónus de quem vendeu, para quem comprou, com o objectivo de desmascarar uma ilegalidade, o inspector da ASAE. A proposta de demissão de funções foi atenuada para um ano de suspensão, o que significa que o dito procurador, mais mês, menos mês, volta a andar por aí, em funções, legitimado pela lei, mas não pela moral. É como no futebol, continuam também por aí, ufanos e ilibados. Nada mudou.


COM a irritação que o caracteriza quando se cruza com o Benfica, Domingos Paciência anunciou que pretendia sair da Luz com cinco pontos de vantagem. Perdeu, mas não se convenceu. Disse ele que o pessoal de Jesus acabou o jogo encostado à sua área, amedrontado, por certo, e a queimar tempo. É a opinião dele. A minha diverge: pelo que vi na televisão, sugiro a Domingos a humildade que tem tido noutras situações e agradeça a quem quiser por não regressar a Braga com outra derrota pesada no bornal. Não lhe retiro o mérito, mas a sorte foi boa companheira. Uma coisa é deixar andar, jogar para o empate ou apostar no erro contrário (Braga); outra, substancialmente diferente, é assumir a iniciativa desde o primeiro minuto, jogar declaradamente para vencer, construir várias oportunidades de golo (Benfica)."
Fernando Guerra, in A Bola

"Titanic" no bidé


"No Trio d'Ataque de terça-feira, depois da saída de Rui Moreira (que fez lembrar a fuga do árbitro Paulo Baptista das Antas, quando Pinto da Costa lhe quis oferecer «jantar»), Rui Oliveira e Costa (ROC) disse que as escutas são uma forma de tortura. Disse também que não as discutia porque, cito, «não lavo a cara no bidé», o que faz dele um dos mais completos comentadores desportivos de país: não só perora sobre futebol como, ao mesmo tempo, fornece informações sobre os seus hábitos de higiene. Gosto disso e vou copiar o modelo.

Eu (que não uso canetas Bic para limpar a cera dos ouvidos) também acho que as escutas são uma tortura. Mas para quem as ouve. Perceber que aquelas conversas foram descaradamente ignoradas pelo tribunal é um suplício para mim, (que não palito os dentes com a chave).

Debruço-me apenas sobre alguns segundos destas novas escutas, quando António Araújo fala com um funcionário do FCP e pergunta quem serão os bandeirinhas de Paraty no Gil Vicente-Sporting. Como depois não se aflora mais esse assunto, fui averiguar. Encontrei esta noticia no DN de 7 de Setembro de 2006:
«O Sporting foi outra das equipas que terão sido prejudicadas pelas arbitragens, na época 2003/04(...). No processo Apito Dourado há uma referência ao jogo Gil Vicente-Sporting(a 22 de Fevereiro de 2004), em que se descrevem movimentações antes da partida.(...)
O jogo foi arbitrado por Paulo Paraty e a Policia Judiciária interceptou, dias antes da partida, contactos entre o empresário António Araújo, que mantém negócios com o FC Porto, e um dos auxiliares que fazia equipa com o árbitro do Porto, Devesa Neto. 'Eu depois de amanhã ligo-lhe, que eu precisava de, eu precisava de falar com o Paulo(...) que preciso de lhe dar uma palavrinha, está bem?', disse Araújo a Devesa Neto. Neste mesmo dia, Paraty fala com Devesa Neto ao telefone e, pela conversa, o outro árbitro assistente do jogo, Serafim Nogueira, «iria beneficiar o Gil Vicente e um terceiro clube, o FC Porto», segundo refere o Ministério Público de Gondomar no despacho de arquivamento.
'O Serafim vai vacinado, vai benzido(...) vai benzido pelo lado norte. Bruxo. Vai benzido por dois lados até (...) pelo Minho e pelo norte'. Foi esta troca de palavras entre os dois que levantou suspeitas. Até porque na mesma conversa, Devesa Neto disse: 'Ele também nunca pode fazer muito, o jogo dá na televisão, perceber?'
O jogo acabou empatado (1-1) e o MP afirma que, com este resultado, o Sporting perdeu dois pontos e atrasou-se na luta pelo titulo. No relatório da peritagem ao jogo, são elencados vários lances em que ficaram por punir faltas ao Gil Vicente que poderiam resultar na 'possibilidade do Sporting marcar golo'.»

Apesar do jogo ter dado na TV, o Serafim até fez muito: o Gil Vicente marca o golo num penalty inventado. Lembro que isto se passou na mesma época em que António Araújo, o torturado, ofereceu fruta a Jacinto Paixão a mando de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o mártir, combina a ida do árbitro Augusto Duarte a casa de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o flagelado, diz ao presidente do Nacional que há que «trabalhar» o árbitro, ao que este responde «toca a andar». E parece que andou mesmo.


Portanto, nessa época, quando este empresário se conluia com o bandeirinha dum jogo em que o Sporting viria a ser prejudicado, há comentadores sportinguistas que acham que ele é que é a vítima. É uma espécie de síndroma de Estocolmo, se Estocolmo fosse na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto.


ROC diz que as escutas são tortura. Tortura é escutar ROC, que é capaz de passar uma hora a discutir se o árbitro errou ou não, e dizer que não se pronuncia quando se descobre a razão pela qual o árbitro errou. Ainda por cima sabendo que, à conta da trafulhice dessa época de 2003/04, fomos afastados da classificação favorita de ROC, o 2ºlugar. E também da minha, o 1ºlugar. Mas isso sou eu, que não me assoo à fralda da camisa.


No editorial em que responde aos comunicados do Sporting, Alexandre Pais (AP) diz que «Record reage assim com superioridade moral e distância aos recentes comunicados». Normalmente, sabe-se que alguém se guinda a uma posição de superioridade moral pelo tom que usa, pela forma como diz as coisas. Mas em AP a superioridade moral é dupla: não só é intuída, como o próprio assegura que a possui. É uma superioridade moral moralmente superior. Com esta sobranceria redundante, AP elevou a santimónia a um novo patamar. É um moralista num escadote.


Não me surpreende. Em Setembro de 2006, (quando surgiram notícias como a do DN aqui citada), respondi a um inquérito do Record. À pergunta «o que gostaria de ler amanhã no Record?», respondi «uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção, que não seja primeiro dada nos jornais generalistas.» Passados uns dias AP escreveu: «José Diogo Quintela disse, nestas colunas, que gostaria de ler amanhã no Record 'uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção que não seja primeira dada nos jornais generalistas'. Trata-se de um desejo difícil de concretizar, pois quando o futebol perder de todo a credibilidade - traído por aqueles a quem dá de comer - aos generalistas não faltarão outros temas para exibir barba rija. Mas, morto o futebol, o Record perderá a razão de existir. Que mexam no lixo que os tribunais largaram. Nós pertencemos a um circo que vive de emoções - de golos e de erros, títulos e de frustrações. E não temos vergonha disso


Assim fiz. Continuei a mexer no lixo do Apito Dourado, enquanto AP continuou a pertencer aos «circo que vive de emoções», não traindo quem lhe «dá de comer». Sem vergonha, como o próprio admite, Mas com estupenda superioridade moral, claro."


Zé Diogo Quintela (sportinguista), in A Bola

Rui e André

"Recentemente, até os mais renitentes adeptos do FC Porto começaram a ter razões para acreditar que o futebol português é um caso de polícia. Na segunda à noite, foi uma grande penalidade que não apareceu. Na terça à noite, foi um comentador que desapareceu. Do ponto de vista dos protagonistas, o descontrolo emocional adquiriu diferentes contornos: enquanto André Villas-Boas queria falar de uma coisa que não aconteceu (costuma-se dizer, e agora confirma-se, que os mais novos têm muita imaginação), Rui Moreira recusava-se a falar de uma coisa que aconteceu.

Em termos comparativos, o pungente pedido do técnico do FC Porto à TVI é mais maquiavélico. Procurar um penálti não assinalado contra o FC Porto é uma tarefa para a qual basta um estagiário. Já mandar um estagiário procurar um penálti não assinalado a favor do FC Porto não é uma tarefa, é uma praxe: é a caça ao gambozino dos tempos modernos.

Seja como for, Rui Moreira venceu André Villas-Boas no capítulo da ambivalência. Por um lado, é contra a prática pidesca das escutas; por outro, é a favor da prática pidesca de tentar condicionar os assuntos sobre os quais os outros querem falar. Mas desdramatizemos: sem Rui Moreira, “Trio D’Ataque” melhorou substancialmente. Se Rui Oliveira e Costa também tivesse abandonado o estúdio, aí então teria sido um programa genial. Mas compreendo que tenha que ficar alguém para defender o ponto de vista do FC Porto. E não só: Rui Oliveira e Costa representa também no programa um terceiro grupo, o dos portugueses sem qualquer tipo de escolaridade: quando, por exemplo, se dirige ao moderador para lhe dizer “explicitastes claramente” e “fostes exemplar”. Enfim, as coisas são o que são. Uma laranjeira não dá nêsperas."