Últimas indefectivações

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

José Luis Fernández



Canhoto, rápido, lutador parecem ser estas as principais caracteristicas do novo reforço do Glorioso...
Fernández, não será o próximo Di Maria, mas pode ser muito útil, especialmente no equilíbrio da equipa a meio-campo.

Uma questão de grandeza

"Disse Jorge Jesus, numa entrevista ao jornal 'O Benfica', que nunca imaginou que o clube 'fosse tão grande', acrescentando que o Benfica 'não tem comparação em Portugal'. O treinador do Benfica disse aquilo que treinadores e dirigentes de outros clubes também pensam mas não podem dizer.
Em alguns casos, a forma acintosa e agressiva como certas pessoas falam do Benfica faz-me lembrar uma fala de uma personagem de um filme que vi recentemente. 'Odeias-me porque ainda me amas', diz essa personagem, e eu sinto que estas palavras se aplicam a um tipo de relação que ficou mal resolvida e que necessita de escapes emocionais tantas vezes excessivos e despropositados. O Benfica é como é e tem uma dimensão que os bons resultados de outros clubes não chegam para obscurecer nem pôr em causa. É uma questão que talvez só os psicólogos e os sociólogos consigam explicar, já que transcende o imediatismo das explicações ditadas pela simples paixão ou pela mais irracional aversão.
Essa dimensão tem a ver com a forma singular como o Benfica nasceu, se implantou, cresceu e, depois, se afirmou internacionalmente, continuando a ser uma instituição mundialmente respeitada, mesmo quando está afastada da fase final das grandes competições europeias. Persistem a mística e a crença que há muito se tornaram pilares de uma inegável grandeza.
Nunca deixa de me surpreender, e até de me comover, a forma como adolescentes que se orgulham de ser do Benfica falam dos títulos conquistados nos anos sessenta como se os tivessem vivido e sofrido. Um escritor francês falava da existência de um 'espírito do lugar'. Neste caso poderá falar-se do 'espírito do clube'. Por isso, é bom saber que quem está no comando da equipa não deixa cair os braços nem atira a toalha para o chão. O 'espírito de Benfica' não permite que tal aconteça, pois não é sentimento ou atitude que seja compatível com o que há de grandioso e único da sua história."
José Jorge Letria, in O Benfica

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vamos lá atafulhá-los com elogios

"NESTA jornada da Taça da Liga nenhum treinador foi tão explícito no seu desdém pela competição como Manuel Machado que, antes da deslocação a Braga, explicou muito bem explicadinho que o seu Vitória de Guimarães ia aproveitar o «jogo-treino» para fazer rodar alguns jogadores raramente utilizados. E foi o que aconteceu.
Coerente com a sua afirmação, Manuel Machado optou por não fazer da arbitragem de Duarte Gomes um caso nacional ou, melhor, um caso minhoto.
Na opinião de Machado, o árbitro fez mal em validar o primeiro golo da sua equipa e o segundo golo do Braga, porque ambos nasceram de situações de fora-de-jogo, mas como Duarte Gomes se enganou para os dois lados o técnico optou por registar com salomónico agrado o equilíbrio das decisões erradas.
Quando ao terceiro golo do Braga, o treinador do Vitória de Guimarães admitiu que Meyong pudesse estar em situação irregular mas logo acrescentou que, para o caso, uma derrota por 2-1 é igual a uma derrota por 3-1 pelo que também aqui não há nada a lastimar.
No que respeita às duas expulsões que reduziram o Vitória de Guimarães a 9 jogadores em campo, Manuel Machado não quis chorá-las. Afirmou que estava muito longe do local das ocorrências e que, por isso mesmo, não se podia fiar no seu julgamento. E mais uma vez não deixou de ter razão.
Da cabeça aos pés, o treinador do Vitória de Guimarães parecia um britânico cheio de fleuma a comentar um jogo que a sua equipa acabara de perder contra o seu rival histórico e geográfico.
No hard feelings, acima de tudo. Embora Machado, na mesma conferência de imprensa, não tivesse resistido a acusar de ir para ali «com a camisola vestida» o jornalista menos bondoso que lhe perguntara se estava satisfeito com o resultado do tal «jogo-treino». É que também há limites para a compostura de um lorde inglês... No entanto, fica a dúvida sobre a «camisola vestida» pelo jornalista. Seria a do Sporting de Braga? Ou outra qualquer?
É normal que Manuel Machado, um homem atento ao que se passa à sua volta, não queria incomodar o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga com remoques que podem vir a ser extremamente penalizadores num futuro próximo. Ainda recentemente, Vítor Pereira afirmou, em entrevista à TSF, que nesta coisa dos erros dos árbitros «só é enganado quem quer», o que constitui afirmação com conta, peso e medida nesta altura do campeonato.
Manuel Machado não quis ser enganado e ponto final, parágrafo. Agora só lhe resta desenganar os adeptos vitorianos, ainda a sofrer dos ouvidos com a crueldade dos olés de Braga, e explicar-lhes muito bem explicadinho que aquilo, lá na Pedreira foi mesmo um jogo-treino e que 2-1 ou 3-1, do ponto de vista científico, é exactamente a mesma coisa.
para Pedrag Jokonovic treinador do Nacional, a Taça da Liga é uma competição muito a sério, vencer por 2-1 não é a mesma coisa do que vencer por 3-1 e a arengada de Vítor Pereira na TSF sobre os erros dos árbitros - ...«só é enganado quem quer»... - acertou-lhe mesmo em cheio e onde dói. Que é na memória, obviamente.
Jokonovic, que vencia o FC Porto por 2-1 a dois minutos do fim do jogo do Dragão, não aguentou o facto de lhe ter sido sonegada a hipótese de vencer por 3-1 e quando viu Olegário Benquerença (sempre em forma!) ignorar olimpicamente o derrube de Sereno a Pecnik em plena área portista reagiu intempestivamente ao erro do árbitro e acabou por ser expulso.
O treinador do Nacional explicou-se clinicamente no fim do jogo: «Os médicos já me disseram que nestes lances devo começar a tomar calmantes. Mas já não é a primeira vez que acontecem este tipo de situações com este árbitro...!»
Ah, pois não é, não senhor.
Mas Jokonovic teria saído bem mais irritado se Olegário Benquerença tivesse apitado para o castigo máximo, se o castigo tivesse sido convertido com êxito e se depois, à semelhança do que já fez o seu colega Elmano Santos, Olegário tivesse mandado repetir o pontapé... Nesse caso é que não haveriam calmantes que chegassem para o bom do Jokonovic.
De qualquer modo, o treinador do Nacional da Madeira esteve em grande plano estratégico e político nesta sua visita ao Porto.
Vejamos:
1 - Lançando Anselmo aos 76 minutos de jogo, teve a esperteza de só construir a vitória no fim do jogo, roubando tempo a recuperações caídas do céu.
2 - E quando tudo fazia prever que André Villas Boas, perante o resultado negativo, se fizesse expulsar, o próprio Jokonovic roubou espaço de manobra à costumeira acção do treinador do FC Porto e fez-se ele próprio expulsar, o que deixou Olegário Benquerença muito, mas mesmo muito baralhado.
3 - E deixou Villas Boas privado do seu reportório que é já um clássico quando as coisas não lhe correm bem.
Quem sabe, sabe. E Jokonovic sabe.
agora, por falar em Olegário Benquerença... e em Vítor Pereira...
Vítor Pereira depois de, a 21 de Setembro, ter vindo reconhecer publicamente as razões de queixa do Benfica no respeitante à arbitragem de Olegário Benquerença no Vitória de Guimarães-Benfica e a outros benefícios concedidos a rivais, reapareceu o mesmo Vítor Pereira a 3 de Janeiro para mandar Jorge Jesus calar-se imediatamente com os lamentos sobre a distância forjada em relação ao líder da prova.
«Há evidências que demonstram que este tipo de comentários é desfavorável para quem os produz», disse Vítor Pereira. Como já tivemos oportunidade de verificar, o recado do presidente dos árbitros foi diligentemente aceite pelo treinador do Vitória de Guimarães que tudo soube perdoar ao árbitro Duarte Gomes no jogo de Braga e não foi minimamente aceite pelo treinador do Nacional da Madeira que já não pode ver mais Olegário Benquerença em acção.
Enfim, são maneiras diferentes de estar no futebol. E no fim de tudo se verá quem foi mais esperto.
O Benfica deve, por portas travessas, estar agradecido a Vítor Pereira. A franqueza do presidente dos árbitros aos microfones da TSF explica maravilhosamente o que se está a passar em termos de apitos esta época. É proibido marcar grandes penalidades a favor do Benfica porque «este tipo de comentários» - desfavoráveis à suposta isenção da classe - «é desfavorável a quem os produz».
Ainda no domingo se constatou o facto precisamente naquele momento em que João Ferreira conseguiu não ver o aparatoso derrube de Djalma a Salvio na área do Marítimo.
POR absurdo, se Vítor Pereira decidisse compensar Duarte Gomes pela sua extraordinária arbitragem no Braga-Guimarães nomeando-o para o Leiria-Benfica seria da maior conveniência que os benfiquistas se abstivessem de comentários negativos não fosse Duarte Gomes, segundo a doutrina de Vítor Pereira, mostrar-se «desfavorável» a quem os produziu.
Entenderam o recado do presidente dos árbitros, não entenderam? Há que elogiá-los. Vamos lá, então a isso:
DUARTE GOMES É O MELHOR ÁRBITRO DO MUNDO!
Agora, pacientemente, vamos lá ver o que acontece em Leiria no sábado.
E na próxima quinta-feira conversaremos sobre o assunto."
Leonor Pinhão, in A Bola

Perspectiva de género

"No Brasil, a Presidente virou Presidenta, mandando às malvas a ortodoxia gramatical da chamada forma comum de dois géneros dos particípios terminados em ente.
Deixando aos filólogos esta querela linguística ou outras do mesmo teor, pus-me a imaginar - daqui a uns anos - uma crónica de A Bola sobre um jogo de futebol feminino, com o título PRESIDENTA DA LIGA NA FINAL ENTRE AS ESTUDANTAS E AS COMBATENTAS, rezando assim: «As duas concorrentes ao título entraram como tementas e dependentas uma da outra. Por isso, jogaram sem verdadeiras atacantas. As estudantas - quais estrelas cadentas - não acalmaram a contestação às dirigentas e, em particular, à gerenta do futebol. Já as combatentas constituídas por soldadas, sargentas e tenentas, jogaram sem uma comandanta no relvado. Algumas, portaram-se como valentas e omnipotentas, mas outras mais pareciam umas doentas tal a lentidão com que corriam. Nem as suplentas mudaram o rumo. Para agravar a situação as equipas jogaram sem uma extrema-direita e uma extrema-esquerda. Tudo ao centro, mais parecia uma peladinha parlamentar. Advinha-se o mal-estar que vai recair sobre as agentas que haviam transferido algumas delas. As amantas do futebol que assistiram ao prélio ficaram desiludidas. O ambiente no fim mais parecia o de uma capela-ardenta».
Se esta obsessão de género se espalha virulentamente e nos dois sentidos, quem sabe se um jornalisto nos anunciará que um atleto isrealito foi contratado para alo direito ou defeso esquerdo.
Há dias, li neste jornal, a propósito da (feminina) União de Leiria «Caixinha quer Ukra». Será já a antecipação da nova perspectiva de género?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A mística benfiquista

"Não é fácil escrever sobre a mística. É que a mística é filha do mistério, da emoção, da crença e até do sobrenatural. É por isso que nas nossas vidas mudamos em tantas coisas mas nunca no clube do nosso coração.
Em minha casa, o meu pai era do Porto e a minha mãe do Sporting. As famílias de um e de outro seguiam, no geral, essas predileções (já não a minha irmã), tal como hoje os meus filhos e todos os meus sobrinhos, sempre fomos indefectíveis benfiquistas. Não há, naturalmente, uma explicação racional para esta opção, mas que todos fomos tocados pelo benfiquismo isso é claro.
A minha mais antiga recordação do Benfica tem a ver com a final europeia de Berna, em que, pela primeira vez, fomos campeões europeus. Tinha 7 anos. Não tinhamos televisão em casa e fui ver o jogo a casa do meu tio João, que morava perto de nós. A transmissão a preto e branco era péssima, mal se reconheciam as linhas do campo. Depois, recordo, com uma imagem tão nítida que até me faz impressão, no dia seguinte, às 8 da manhã, estar à porta de casa, à espera da carrinha que me havia levar ao colégio, com uma excitação para poder ir partilhar com os outros meninos esse êxito extraordinário. Lembro-me de subir à carrinha - conduzida pelo Sr. Rosa - e ver estampada no rosto dos meus colegas, a alegria daquela vitória.
Essa incrível equipa de futebol dos anos 60 é um feito único no desporto português e marcou para sempre gerações de portugueses e de todo o mundo da lusofonia.
Tinha de especial ser formada por portugueses, brancos e pretos, gente simples e fabulosa, humilde e incansável na luta, de que Eusébio era o maior emblema. Esta era uma marca única da equipa do Benfica: exclusivamente composta por jogadores portugueses, que se mantinham fiéis à mesma camisola toda a sua carreira. No Benfica também não havia lugar para 'chicotadas psicológicas', os treinadores começavam a época e acabavam-na. Os adversários eram respeitados, que a verdadeira grandeza não precisa de amesquinhar ninguém. Lembro-me bem da minha emoção quando o Sporting, com aquele maravilhoso golo-canto do Morais, venceu a 'Taça das Taças', tal como, mais tarde, desci a Avenida da Liberdade a comemorar a primeira vitória europeia do Porto, com aquele inacreditável golo do Madjer. A mística do Benfica foi forjada em muitas vitórias e em campeões inesquecíveis, desde os míticos Cosme Damião e José Maria Nicolau aos que já são do meu tempo, como, entre muitos outros, Águas, Germano, Coluna, Eusébio, Livramento, Peixoto Alves, Carlos Lisboa, Madalena Canha, Humberto Coelho, Toni, Bento, Nené, Chalana, António Leitão, Rui Costa, Preud'Homme, Nélson Évora, Telma Monteiro, Vanessa Fernandes, Nuno Gomes ou Di Maria. E também em símbolos quase imateriais, como o hino cantado pelo Luís Piçarra, o voo da águia ou a imponência do Estádio da Luz (como o 'terceiro anel' era temido!). Mas sobretudo nessa vocação inter-classista e universal que faz do Benfica um caso mundial. É que o benfiquismo vê-se em Lisboa e um pouco por todo o lado. Falando do que conheço, o Benfica está presente tanto em Trás-os-Montes como na Guiné-Bissau. Como acontece com os grandes impérios, o Benfica também teve crises terríveis, que quase o destruíram, e a que sobreviveu porque os nossos valores foram maiores que os males que nos atacaram.
É graças à mística benfiquista, feita de simplicidade, mas também de ambição de grandeza, sob a égide do nosso lema, e pluribus unum, que prosseguiremos fiéis a um património português único, que há de continuar a alimentar o sonho de gerações."

Ricardo Sá Fernandes, in Mística

Eliminados da Taça




Apesar do nosso domínio nas últimas 2 épocas na modalidade, por alguma razão, nas competições a eliminar não temos tido resultados condizentes com a nossa superioridade, e esta noite o fado voltou-se a repetir...!!!

A Liga das férias

"Terminaram as férias do futebol doméstico. Não sei se esta prática se deve às intempéries de neve pela lusa terra, se ao convidativo calor sul-americano, se ao excesso de trabalho desportivo ou, ainda, se ao risco de uma qualquer antipática prenda futebolística no boxing day.
Terminaram as férias do futebol, mas não as do Campeonato. É-nos concedida a magnanimidade de uns joguitos da Taça da Liga, sempre subalternizada excepto quando se ganha...
Nada tenho contra esta espécie de Taça Intertotonacional. Bastava o meu Benfica ter ganho duas das três edições para com ela simpatizar. Além de que traz ainda vantagens adicionais: permite que os clubes dêem oportunidades a alguns atletas agora que não há torneios de reservas ou as famigeradas equipas B e pode originar receitas interessantes para clubes mais pequenos. E possiblita a esperteza de branquear cartões vermelhos! Pena que não dê acesso à Liga Europa.
Claro que, com um sorteio condicionado e acondicionado, tudo é feito para que a final e uma das meias-finais se jogue entre os três grandes. Por isso, dos três jogos dos grupos, jogam em casa os dois mais difíceis, não vá o diabo (ou o Nacional) tecê-las... E até a final se mudou estrategicamente do longínco Algarve para a central Coimbra, pois que o sorteio dita, por exclusão de partes, que há sempre um Benfica-Sporting... mas nas meias-finais! Tudo pensado ao pormenor na Liga sediada no Porto.
Até lá a liga desliga ou desliga a liga. Nas três jornadas dos grupos queimam-se dois domingos, quando os jogos se poderiam efectuar a meio da semana (nem sequer há competições europeias). E por que não se pensa na Taça da Liga no início de cada época antes do Campeonato?"
Bagão Félix, in A Bola

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Futebol, prosa e poesia

"Reencontrei recentemente, lendo o livro 'Planeta Futebol', do jornalista e comentador Luís Freitas Lobo, uma memorável caracterização do futebol europeu e do sul-americano. Essa caracterização foi feita, de forma magistral, pelo escritor e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, assassinado em 1974. Dizia ele que o futebol europeu é prosa e o sul-americano poesia.
Pensa-se no estilo e na carreira de grandes nomes do futebol destes continentes e percebe-se o sentido das palavras de Pasolini, poeta que, como quase todos os poetas, conseguiu ter um inexcedível poder de síntese em relação àquilo que outros precisam de explicar escrevendo ensaios e tratados.
Na realidade, se compararmos Pelé, Maradona ou Zico a Platini, Van Basten ou Gulit, percebemos a diferença. Enquanto uns versejam com a bola, criando com ela uma relação de cumplicidade e intimidade, os outros constroem a geometria do rigor e da eficácia, visando muito mais o resultado do que o espectáculo. Claro que estas comparações são quase sempre grosseiras e falíveis, mas servem para sublinhar tendências e sistemas.
As melhores páginas sobre a arte do futebol têm sido escritas, ao longo das décadas, por escritores amantes do futebol, embora os verdadeiros protagonistas dessa 'escrita' tenham sido, como é natural, os jogadores de génio, como Eusébio, que chegam a dar-nos a ilusão de que aquilo que se passa no relvado é coisa natural e está ao alcance de qualquer um. Nada mais ilusório e enganador.
Com frequência, a pouca flexibilidade dos dispositivos tácticos amputa os jogos da sua componente espectacular, para prejuízo dos jogos, dos espectadores e, naturalmente, dos jogadores.
É em época de episódico defeso que sobra tempo para estas fugazes reflexões. Entretanto, outros jogos estão à porta, num ano que se anuncia difícil socialmente, e todos sabemos que a única alegria de muitos é dos campos de futebol que deverá vir, entre prosa e poesia."
José Jorge Letria, in O Benfica

Homenagem em ... silêncio

Amigos/as benfiquistas

Peço desculpa por aqui vos apresentar este video que gostaria que vissem não por interesse futebolístico mas sim num ar de prece e compreensão para o respeito que nos merece quem deixa o "palco" terreno.
Ontem, no jogo para a Taça da Liga, tudo foi preparado ao pormenor para homenagear um dos portistas MAIS AMIGOS de sempre do Benfica. Pôncio Monteiro recentemente falecido, Paz à sua alma.
Antes do inicio do jogo lá aparece a foto do homenageado. Diz-se que era cristão praticante.
Como sabemos o cristianismo apela à calma, serenidade, paz de ideias e movimentos, tudo na religiosidade do ... SILÊNCIO.
Daí que os Cristãos que se encontravam nas bancadas e iniciaram o jogo numa festa que não se adequava ao silêncio que seria suposto existir, no que ao respeito concerne, decidiram enviar uma mensagem enganadora ao guarda-redes portista, Kieszek, onde se lia:
Agarra-me essa bola pois ela é uma "águia" disfarçada e não queremos que essa maldita estrague a nossa festa de homenagem.
Sendo de nacionalidade Polaca, mas percebendo bem o português, assim que a bola chegou junto de si, atirou-se a Ela com unhas e dentes, como se uma "Aguia", fosse fácil de agarrar.
Que me perdoe a minha queria e verdadeira águia, mas quem viu logo a tramóia e não foi em falsos "bilhetes" foi o Anselmo, avançado do Marítimo que, dizem, é Ateu e daí pregar-lhe um pontapé que até a mim me "doeu".
Acredito que foi tudo propositado visto que até o Vilinhas Broas a dada altura se colocou de joelhos, em vénia, como se pode ver no video.
Benquerença o árbitro do jogo, qual "estraga momentos solenes" mandatário dos antis-Cristãos, ainda "construiu" um penalty a favor da agremiação que queria estar em silêncio, o que originou um golo e o salto desrespeitoso de milhares de "Cristãos" os quais ao que se imagina olhando à solene cerimónia deveriam ter ouvido das boas de um homem que costuma oferecer campeonatos aos falecidos cujas promessas acabam como a homenagem de ontem. Em silêncio.
Daí que já depois do Ateu Anselmo, que não compreendeu o estado de silêncio, parecendo até algo zangado porque não gosta da "águia" e julgava que a bola era uma, aplicou-lhe uma cabeçada imperdoável, e aí honra seja feita ao Kieszey, seguiu-o com o olhar nem tentando travar o seu caminho, por respeito às orações que já se ouviam, e a partir daí ainda mais, nas bancadas.
Depois na igreja do Dragão por mandamento do Padre Benquerença, ser lido para o Porto uma oração de pai Nosso que estais no Céu, surge Anselmo que depois de alertado não quis estragar o momento solene e daí puxar da sua Bíblia sagrada e rezar duas Avé Marias, espalhando assim a ideia que se tinha também abraçado a causa nobre e ajudar assim a que o silêncio fosse uma realidade, ouvindo-se apenas a Oração da causa perdida e da homenagem sagrada a um dos homens que mais "amou" o Benfica e a quem, à pessoa "viva", e não à alma feita vida, em descanso entre os mortos, foi prestada a devida homenagem em ...... silêncio

sábado, 1 de janeiro de 2011

Exercícios de memória

"No Verão passado Ricardo Quaresma foi recebido em delírio em Istambul pelos adeptos do Besiktas. Outros três portugueses estão na calha para serem recebidos em delírio em Istambul no Ano Novo: Manuel Fernandes, Simão Sabrosa e Hugo Almeida que se vão juntar a Ricardo Quaresma no tal Besiktas.
Quaresma, Fernandes, Sabrosa e Almeida não são propriamente estrelas de primeira grandeza no firmamento do futebol mundial. E nenhum deles vai para novo, o que também ajuda a baixar o volume dos respectivos negócios. De qualquer forma, o Besiktas investiu alguns bons milhões de euros nesta fornada portuguesa de alta qualidade e, assim sendo, não é de crer que sejam jogadores que tenham de provar a sua utilidade. Ou seja, pelos valores que custaram, não vão para Istambul à experiência, a ver no que aquilo dá. São jogadores para jogar imediatamente.
O que transforma o Besiktas num emblema a seguir com atenção. Porque não há muitos clubes portugueses que tenham quatro jogadores portugueses na condição de titulares indiscutíveis.
Assim, pelas mesmas razões que o FC Porto desperta a curiosidade dos adeptos colombianos e o Benfica tem já uma legião de seguidores na Argentina, o Besiktas começa a merecer o nosso carinho e a nossa preocupação.
É que já nem há memória de um clube com tantos portugueses a jogar à bola...
Fábio Coentrão faz parte do onze do ano do jornal L'Equipe. Os benfiquistas só podem ter ficado encantados com a distinção que coloca o seu lateral-esquerdo ao lado de superstars como Messi, Casillas, Lúcio, Scheinsteiger, Iniesta e Sneijder, entre outros da mesma dimensão supersónica.
E se os mesmos benfiquistas se derem ao trabalho de um pequeno exercício de memória, lembrar-se-ão certamente da indiferença, para não mencionar a desconfiança e o desdém, com que, no Verão de 2009, receberam, a notícia de que Fábio Coentrão, depois de meia época em Saragoça e de outra época invisível em Vila do Conde, ia regressar ao Benfica com grande vontade de se afirmar.
Foi uma risota, não foi?
E, depois, foi o que se viu. E viu-se tanto, que até os tipos do L'Equipe viram também...
Portanto, seria excelente política entre os benfiquistas dar um bocadinho de tempo e de paciência àqueles jovens jogadores que o Benfica contratou no Verão passado, como Jara e Gaitán, e mesmo a Kardec, que já por cá está há mais tempo e que teve a infelicidade de substituir Cardozo no período mais infeliz do futebol dos campeões nacionais.
Tenham lá calma.
José Couceiro vai assumir a direcção do futebol do Sporting, é um facto. Este ano o Sporting não tem sido, outra vez, muito feliz e até tem sido um bocadinho mais infeliz do que o Benfica, a nível interno, visto que na Europa a equipa de Paulo Sérgio já cumpriu um percurso inicial sem grandes sobressaltos, o que tem o seu valor.
Couceiro, como toda a gente se lembra, já cumpriu o mesmo papel no Sporting em 1998. E não foi especialmente feliz, o que em nada o diferencia de todos os directores desportivos que passaram por Alvalade depois dele.
É natural que os sportinguistas estejam em época de não se entusiasmar com nada nem com ninguém. É assim quando há míngua de sucessos.
E também é compreensível, entre os sportinguistas, que haja quem justifique o regresso de Couceiro a Alvalade muitíssimo mais pelos três meses, no ano de 2005, em que foi treinador do FC Porto, um clube de referência para a actual gerência de Alvalade, do que pelo seu passado, ainda que breve, na estrutura do futebol do Sporting.
São, naturalmente, opiniões.
Garante o Correio da Manhã que Costinha proibiu o uso de brincos aos profissionais do Sporting quando estiverem em representação do clube. A jogar, por exemplo. Ou em viagem da comitiva oficial.
E também quando usarem os bonés oficiais os jogadores estão proibidos de pôr a pala para trás, é sinal de desrespeito. As tatuagens também não são bem vistas mas, enfim, o que é que se há-de fazer em casos epidérmicos como esses?
Assumida que está pela SAD a dificuldade financeira em ir ao mercado de Inverno reforçar a equipa e as esperanças no comportamento desportivo da equipa, eis uma maneira respeitável de recuperar os 13 pontos de atraso que o Sporting tem em relação ao comandante do campeonato.
No Sporting, o lema é não queremos cá Diegos Armandos Maradonas!
Nolito diz que gostava mais de ir para o Real Madrid do que para o Benfica. Por um lado é compreensível. Mas Nolito que se lembre do caso de Di Maria. Chegou à Luz e não impressionou por aí além e mais ainda irritou o público da casa quando disse que o Benfica seria um trampolim para outros voos. E foi mesmo. Voou até ao Real Madrid e por lá está, feliz e contente da vida, aquele que, no princípio, os adeptos benfiquistas insistiam em chamar de brinca na areia. Lembram-se?
Pois Nolito devia fazer o que fez Di Maria. Primeiro jogava por cá e depois ia para lá.
Quanto a Funes Mori... continua preso por detalhes.
Oh, está-se mesmo a ver onde é que vai parar, não está?
É que basta fazer um pequeno exercício de memória...
A imprensa noticiou na semana passada a morte do sócio número 3 do Futebol Clube do Porto. Tinha 95 anos, nascera em 1915.
É curioso constatar como o FC Porto, que foi fundado em 1893 segundos os seus historiadores oficiais só terá tido dois sócios nos seus primeiros 22 anos de vida.
E isto se o sócio número 3, que morreu no final de 2010, tivesse sido filiado no ano em que nasceu.
Jorge Jesus respondeu bem e a tempo à bajulice com que Pinto da Costa o vinha tratando publicamente. Agora não deve responder a mais nada. Deve é ganhar o campeonato. Bora lá!"
Leonor Pinhão, in A Bola

Entrevista Ricardo Araújo Pereira: "Acredito no Benfica campeão mesmo quando é matematicamente impossível"

Deve ter sido uma das prendas mais repetidas junto dos benfiquistas que sabem ler. E até dos que não sabem. "A Chama Imensa", livro que reúne as crónicas de Ricardo Araújo Pereira sobre o Benfica no jornal "A Bola", é um retrato do amor (às vezes ódio) de um homem pelo seu clube. O Gato Fedorento, sócio número 17.411, fala-nos das origens do seu benfiquismo e de uma fé no seu clube de tal maneira inabalável que resiste à lógica, bom senso e matemática.
Esta não é daquelas entrevistas que começam com uma descrição do local onde decorreu a conversa. Não está ilustrada por um tique recorrente do entrevistado nem consta aqui qualquer referência à posição do sol aquando do encontro - até a frase "era de noite e, no entanto, chovia", faz ainda menos sentido. Ricardo Araújo Pereira, sócio número 17.411 do Sport Lisboa e Benfica, está em casa, ao computador, na véspera da véspera de Natal, a responder a perguntas enviadas dias antes por e-mail. Enquanto escreve - "não faço ideia de quanto tempo vou demorar porque tenho as miúdas, malditas férias escolares" - a compilação de crónicas "A Chama Imensa" torna-se num dos livros mais vendidos deste Natal.

É possível que a águia Vitória não volte a voar no Estádio da Luz. Vai fazer muita falta?

Sim, fará falta. E é pena. O Benfica era o único clube que conseguia organizar um espectáculo daqueles com o seu símbolo. Os leões não voam tão bem e os dragões padecem do mesmo mal que a maior parte dos penalties que se vão assinalando a favor do Porto: não existem. Ainda assim, S. Jorge matou um. Veja como deve tratar-se de um bicho irritante, para conseguir fazer com que um homem que era santo perdesse a paciência.

Qual é a sua memória mais antiga do estádio da Luz?

Talvez um Benfica-Porto de 1981. Cheguei ao terceiro anel antigo logo a seguir ao almoço, porque os jogos eram à tarde e não havia esta mariquice dos lugares marcados, como na ópera. A certa altura, Pietra deu uma soberba sarrafada ao Frasco, que ficou a contorcer-se no chão. Um consócio que estava ao meu lado gritou, com muita humanidade: "Se ele está a sofrer, o melhor é abatê-lo!" Ganhámos 1-0, golo de João Alves. Resultado magro mas, tendo em conta que o árbitro era António Garrido, foi goleada. Nesse ano, fomos campeões e ganhámos a taça, também ao Porto, 3-1 na final. Três golos de Nené. Veloso marcou um na própria baliza logo a abrir, para lhes dar um de avanço, a ver se o jogo ficava mais equilibrado. Não resultou.

Por que razão escolheu o Benfica?

Quando eu era pequeno, o meu primo António convenceu-me de que o Benfica era o melhor clube do mundo. Sem querer tirar mérito ao meu primo António, não é difícil convencer uma pessoa disso, uma vez que é verdade. Quanto ao meu primo António, é do Benfica por causa de um barbeiro que lhe cortava o cabelo no Areeiro. Portanto, em última análise, sou do Benfica por causa do barbeiro do meu primo António. Até agora, foi o máximo que consegui apurar acerca da minha genealogia benfiquista.

No seu livro fala do Shéu e do Rui Costa, de querer ser como eles. Há algum jogador da actual equipa que lhe mereça essa empatia e admiração?

Em princípio, invejo o destino de todos os rapazes que vestem aquela camisola. Hoje, gosto especialmente do Maxi [Pereira] e do Fábio [Coentrão], uma vez que só não mordem nos adversários porque as regras não permitem; do Ruben Amorim, porque é do Benfica desde os três meses - e isso nota-se no seu futebol; do Luisão e do David Luiz, porque são a melhor dupla de centrais desde Mozer e Ricardo Gomes; do Aimar, porque descobre jogadores isolados para surpresa de toda a gente - incluindo dos próprios, que se apanham sozinhos sem saber como à frente da baliza; do Carlos Martins, porque é um digno sucessor de Carlos Manuel, a locomotiva do Barreiro; e do Roberto, porque é do tamanho de um guarda-fatos que a minha avó tinha e cada vez defende melhor. E, enfim, dos outros todos.

Costuma ver os juvenis na Benfica TV e o futsal de veteranos?

Claro. Estou de olho num puto que parece o Valderrama (acho que lhe chamam mesmo Valderrama) e gosta de fintar várias vezes o mesmo adversário antes de avançar para a baliza. No futsal de veteranos, acompanho com especial interesse a carreira de um avançado que talvez tenha dois ou três quilos a mais. Isto para falar apenas nas modalidades que citou. Mas se um velhote vestir a camisola do Benfica e começar a jogar chinquilho, sou menino para ir apoiar.

A enumeração dos maiores flops do clube é uma ocupação frequente entre benfiquistas que se querem rir deles próprios. Qual é para si a mais fracassada de todas as contratações do glorioso?

Se calhar, é mais fácil fornecer-lhe o meu onze ideal de cepos: na baliza, Bossio. Moretto, Zach Thornton e Butt esperam oportunidade no banco. Lateral direito: Dudic, embora Ricardo Rojas e Gary Charles tenham valor para ocupar o lugar. Centrais: Jorge Soares e Paulão, o coice de mula. Jorge Bermúdez, Machairidis, Simanic e outros 10 ou 20 que não me ocorrem agora também eram exasperantes. No lado esquerdo da defesa, o meu coração balança entre Steve Harkness, Alessandro Escalona e Emmanuel Pesaresi. Mas se me der 5 minutos, talvez encontre pior. Trinco: Michael Thomas, com Marco Freitas, Jamir e Paulo Almeida no banco. Daqui para a frente, seria preciso escolher 5 entre Taument, Glenn Helder, Leónidas, Manduca, Luís Carlos, Luís Gustavo, Clóvis, Uribe, Hassan, Marcelo e Pringle. Uma tarefa difícil.

O que sente ao ver isto [link para o vídeo promocional da Operação Coração, no YouTube]?

Sinto alívio por já não estarmos nessa situação e incredulidade por ter sido possível convencer as pessoas a fazer essas doações. Depois lembro-me do título da Operação Coração que tenho emoldurado na minha secretária e percebo tudo um bocadinho melhor.

E isto [o golo e as lágrimas de Rui Costa depois de marcar ao Benfica enquanto jogador da Fiorentina]?

Eu estava no estádio nesse dia e na bancada também estávamos todos a chorar. Que quer que lhe diga?, os benfiquistas são pessoas sensíveis. Hoje, este episódio continua a emocionar-me, apesar de se ter tornado comum: quando o Inter marcou ao Sporting, Luís Figo também chorou. Chorou a rir, mas chorou.

Não estão em "A Chama Imensa" as crónicas todas. Como fez a selecção?

Excluí as que tinham ainda menos interesse do que as que ficaram. Só fiz ponto de honra em manter todas as que falavam de Rui Moreira. Um homem que é proprietário de um cão que ressuscita merece a distinção. Haja respeito pela Páscoa canina.

Como é ser um dos "dois rafeiros atiçados às canelas" de Miguel Sousa Tavares?

É surpreendente, porque sempre apontei para o lombo. Miguel Sousa Tavares tem uma relação um pouco conflituosa com os factos e uma grande capacidade para ignorar evidências, como certos documentos que temos vindo a ver, ler e ouvir. Ora, como disse a avó de um adepto do Benfica chamada Sophia de Mello Breyner, "vemos, ouvimos e lemos / não podemos ignorar". Palavras sábias.

Durante o período em que foi cronista de "A Bola", qual foi o melhor alvo?

Deve ter sido o Pinto da Costa. É quase inevitável, uma vez que se mantém no cargo há décadas e é um homem multifacetado, que ora declama poesia como João Villaret, ora dá indicações de trânsito como um GPS. O facto de estar a cumprir pena de suspensão por tentativa de corrupção activa enquanto se queixa das arbitragens também é divertido.

Qual é para si a equipa mais fácil de caricaturar do nosso campeonato?

É possível que seja o Sporting. Sempre que o Benfica está no fundo, o Sporting tem a gentileza de aparecer para demonstrar que é possível descer um pouco mais. Um dia depois de termos levado 5 do Porto, o Sporting jogou contra o Guimarães. Estava a ganhar 2-0. Nisto, o Vitória reduz. Depois, empata. A seguir, marca o golo da vitória. Até me passou um bocadinho da azia.

Acha que ainda vamos lá este ano?

Claro. Mas eu sou suspeito, uma vez que continuo a acreditar mesmo quando já é matematicamente impossível."