Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pior do que a realidade só a realidade do reflexo (ou reflexões sobre quem é que imita quem)

"Se retiramos a parte da fruta à frase de Vieira sobre a história «marcada há 30 anos por fruta, compadrio e corrupção», fica a ideia de que ele falava, afinal, do País?

ISTO é como na arte. A discussão promete ser eterna e, ao contrário do que possa parecer, nada tem de filosófica. A questão apresenta-se assim: é o futebol que imita a vida ou é a vida que imita o futebol?
Tomemos, por exemplo, o caso nacional que é aquele que conhecemos porque nele vivemos todos os dias. É o futebol & afins um mero reflexo da sociedade portuguesa ou, pelo contrário, é a nossa sociedade que reflecte impiedosamente o tal futebol & afins?
Tenho uma opinião muito própria sobre o assunto. O futebol português não é o reflexo da realidade portuguesa. É a realidade do reflexo. E com todas as letras.
Surgiram-me estes pensamentos durante toda a última semana marcada, no que ao país diz respeito, por notícias revoltantes sobre economia, justiça, isenções fiscais e isenções criminais, contas públicas e privadas, jornais e jornalistas, capitais e capitalistas e por aí fora, numa espiral depressiva que é um abuso a que não se advinha termo.
Esta é a realidade.
Vamos agora ao futebol, ou seja, à realidade do reflexo.
No campo ideológico do futebol & afins, naturalmente, não são, estas coisas tristes do país que se discutem e que fazem vibrar de indignação (ou mesmo espumar) a maioria qualificada dos sociólogos do fenómeno desportivo português.
Nesse dito campo, onde o fair-play impera, estão ainda na ordem do dia por motivos imperiosos o rol das ocorrências verificados no pavilhão do FC Porto quando, há 15 dias, o Benfica foi lá conquistar o título nacional de basquetebol e também, na consequência dos ditos acontecimentos, o rol de palavras debitadas por Luís Filipe Vieira no decorrer da homenagem, já em Lisboa, aos campeões da bola-ao-cesto.
Disse o presidente do Benfica nessa ocasião, e disse-o pausadamente, que no campo do futebol & afins
(o basquetebol é, como compreendem, um afim) vigoram em Portugal «30 anos de história marcada por fruta, corrupção e compadrio».
Porque para que a frase de Luís Filipe Vieira seja assertiva no campo da vida social portuguesa basta retira-lhe a parte da «fruta». Ou, se quiserem, substitui-la por outros bens de primeira necessidade à escolha do freguês.
Inadvertidamente, o presidente do Benfica traçou um curioso e pitoresco retrato da sociedade portuguesa tal como se nos vem apresentando «há 30 anos de história marcada por corrupção e compadrio».
Viram que sem a fruta fica também que nem um brinquinho?
É por estas e por outras coisas que até gosto de ouvir dizer que o Benfica não é o clube deste «regime». Safa!

COMO o presidente do Benfica foi bruto como as casas com o presidente do FC Porto, e sem nunca o nomear, o FC Porto respondeu em comunicado optando por também nunca nomear o presidente do Benfica.
São escolas de comunicação com a mesma matriz e, quando a isso, nada a obstar.
O comunicado do FC Porto dirigia-se aos «burros» em geral e terminava com um apelo às instituições da nossa sociedade judicial. É sempre interessante quando, nestas coisas, a realidade do reflexo bate à porta do reflexo da realidade a pedir-lhe que intervenha e, de preferência, com a polícia atrás.
Foi o que o FC Porto fez solicitando, à guisa de remate, uma investigação da Procuradoria-Geral da República «ao ataque à honra e imparcialidade dos juízes e da polícia» levado a cabo pelo presidente do Benfica.
Muitos analistas e opinadores, como se compreende e amplamente justifica, têm vindo a fazer suas palavras finais do comunicado do FC Porto e, apesar de já se terem passado duas semanas sobre o pico dos acontecimentos, continuam a exigir com firmeza a intervenção da Justiça sobre a responsabilidade das palavras proferidas pelo presidente do Benfica.
Que me desculpem os benfiquistas mas não posso estar mais de acordo com o FC Porto neste pormenor.
Houve factos e acusações no passado que chegaram ao conhecimento público, é verdade que sim. E factos alguns deles bem mirabolantes. Mas por tecnicalidades do código civil e por erros processuais acabaram por se diluir em nada. Bom, em nada também não é bem assim.
E é isso que é insuportável para o fair-play e para a verdade desportiva.
Ficou no ar, e ficará por décadas, todo um chorrilho de suspeitas sobre uma inverosímil promiscuidade entre os «juízes», a «polícia» e os acusados, promiscuidade que o FC Porto condena ao exigir, como está no seu direito, uma reparação judicial «à honra e imparcialidade» das instituições beliscadas.
Continuo a dizer que não posso estar mais de acordo com o FC Porto. É urgente esclarecer estas coisas de uma vez por todas. «Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da polícia quando esta os avisa que têm de fugir do país para não serem presos?» - foi a frase de Luís Filipe Vieira que mexeu com memórias colectivas não muito longínquas e que mexeu, na justa medida, com a parte final da redacção do comunicado do FC Porto.
Que venha, pois, a Procuradoria-Geral da República pôr ordem nisto.
Mas despachem-se. Não percam tempo. Não se vá dar caso idêntico ao que recentemente suscitou um inquérito a pedido da Magistratura. De acordo com o Sol, corre já uma investigação «na secretária do Tribunal da Relação do Porto» que visa apurar responsabilidades e saber «o que se passou» para que «o processo principal do Apito Dourado ficasse um ano parado de forma anómala».
A consequência, ainda segundo o Sol, «é que os crimes de corrupção desportiva estão a prescrever e os onze arguidos condenados ficarão impunes».
É isso mesmo. Quem cala consente.

O Benfica que, aparentemente, ainda em litígio negocial com a Olivedesportos há meses e meses bem podia pôr os olhos no seu rival do Norte, o FC Porto, no que diz respeito às relações institucionais e comerciais com a referida empresa, e tirar em benefício próprio proveitos de valor inestimável.
Ainda a propósito do jogo do título do campeonato nacional de basquetebol, e de acordo com o que foi relatado na comunicação social, o FC Porto terá rompido bondosamente os acordos com a Olivedesportos e com a Federação Portuguesa de Basquetebol de modo a transmitir em exclusivo no seu órgão emissivo de televisão, o Porto Canal, o decisivo frente-a-frente com o Benfica.
Ou seja, a Sport TV, que tinha os direitos de transmissão assegurados, ficou a ver navios. Ou submarinos, como quiserem. Estamos em Portugal e o que não falta é mar.
Não estará já a tardar a reacção oficial da Olivedesportos sobre esta grande rasquice, incomensurável vergonha, este escândalo para as instituições? Joaquim Oliveira ainda nem se pronunciou publicamente sobre o assunto que, francamente, o deve estar a magoar.
Não me interpretam mal. A questão não é a eventual quebra de um contrato. A questão é exclusivamente de índole artística-operacional e da falta de confiança demonstrada pelo FC Porto na qualidade da transmissão do jogo pela Sport TV.
A falta de confiança na escolha dos ângulos das câmaras dispostas pelo pavilhão, a falta de confiança na capacidade do realizador em colocar no ar as imagens adequadas a cada situação, a falta de confiança no prestígio dos comentadores do jogo. Enfim, muita falta de confiança ao mesmo tempo.
Ninguém merece uma coisa destas. Nem a Sport TV.
Será que a Sport TV vai recorrer aos tribunais numa acção contra o FC Porto visando ser ressarcida de eventuais dolos? A Sport TV numa batalha jurídica com o FC Porto? Não pode ser.
Calma que o mundo não vai acabar!
Há coisas que, de facto, na NBA nunca aconteceriam.

CRISTIANO RONALDO foi a Belém despedir-se do presidente da República:
« -  Convidamos pa europeu, tá? - disse, assim mesmo, o capitão da Selecção a Cavaco Silva.»
Agora anda tudo a fazer pouco do Cristiano porque tratou o presidente da República por «você». Não percebo. A mim, parece-me tudo muito bem e genuíno. Mas isto sou eu que gosto da realidade. E da realidade do reflexo."

Leonor Pinhão, in A Bola

Depois do Euro...

"No Europeu de Futebol quase sempre vence uma selecção considerada favorita. Só houve verdadeiramente dois países que se podem designar como vencedores mais-do-que-improváveis: a Dinamarca em 1992 repescada na última hora para substituir a ex-Jugoslávia, então em guerra civil e a Grécia em 2004 jogando o mais enfadonho futebol de algum vencedor europeu. Curioso foi mesmo o fenómeno dinamarquês. Arrasando todas as teorias técnico-científicas, os jogadores interromperam as férias e foram para a competição sem treinos e sem os costumeiros jogos de preparação em que a principal preocupação, mais do que a de jogar, é a de não ter lesões.
Vou arriscar o meu prognóstico para este ano. Aposto numa reedição da final do Mundial de há dois anos: Espanha e Holanda. A estas selecções acrescento a Alemanha. Há três que dificilmente lá chegarão apesar da sua história: a França e a Itália em declínio lento mais sucessivo e a Inglaterra incapaz de se adaptar ao futebol continental. Já Portugal, com uma boa equipa mais algo distante da de 2004, pode causar surpresa, desde que passe o principal obstáculo que passa pelo apuramento no seu grupo.
Se a minha previsão fosse apenas motivada por preferências pessoais, depois de Portugal como é óbvio, escolheria a Inglaterra por admiração, a Espanha em nome do seu exemplar treinador e a Holanda pelo seu sempre jovial e carismático futebol.
No fim, uma certeza: ficará o campeão para ser lembrado e o resto para se esquecer na voragem do tempo que não espera. É que enquanto o sucessivo é um assunto público, o fracasso é um funeral privado. Também e cada vez mais no desporto."

Bagão Félix, in A Bola

PS: O Bagão optou por ignorar as alarvidades do MST. E fez bem... senão ainda era corrido d'A Bola!!!

Abuso e excesso de confiança

"1. A nomeação de Tiago Craveiro, conhecido no meio como o “cachecol do Porto”, para assessor de Fernando Gomes na FPF (um mero tirocínio para chegar a secretário-geral) é uma provocação, não apenas ao Benfica, mas a todos os clubes que se batem pela verdade desportiva. No ano passado, depois de, na época anterior, o Benfica ter sido descaradamente prejudicado pelas arbitragens, Vieira decidiu, num gesto de pacificação, não comentar as arbitragens, e esse silêncio foi aproveitado para branquear um campeonato viciado. O Benfica não pode deixar que a boa fé do seu presidente seja usada contra os interesses do clube. É altura de concluir que o benefício da dúvida dado a FG acabou.
2. Em Itália, a Justiça desportiva voltou a atuar. Num país que foi, e ainda é, o berço da Máfia, não admira que a corrupção campeie em todas as áreas, e por maioria de razão no futebol, que envolve muito dinheiro. O problema em Portugal não é da corrupção (que existe onde houver homens, e estiverem em jogo dinheiro e poder), mas da impunidade da corrupção. Em Itália, a Justiça desportiva funciona.
3. Portugal tem 4 dos melhores treinadores do Mundo: Mourinho, Fernando Santos, Jorge Jesus e José Peseiro. Os dois primeiros já passaram pelo Benfica, mas foram dispensados. JJ, felizmente, mantém-se. JP, sete anos depois de ter saído do Sporting (onde esteve à beira de ganhar tudo), acaba de ser contratado para substituir Leonardo Jardim no SC Braga – uma forma de ver finalmente reconhecido o seu valor em Portugal.
4. ”A equipa das quinas” mais parece “a equipa da esquina”. Depois de Scolari e Queiroz, a FPF continua a não acertar com o treinador. Os portugueses bem precisavam de uma injeção de autoestima, mas a seleção de Bento não convence ninguém e o comportamento da equipa não ajuda. Resta-nos a Grécia, um povo com quem devemos ser solidários (mesmo se nos roubou o Euro, em 2004). Se falharmos, por excesso de confiança e escassez de talento, vou torcer pelos gregos, que são comandados por um grande senhor do futebol: Fernando Santos. Se não nos sair a taluda, que nos saia a terminação."

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Antes do Euro...

"Quando a oportunidade de a nossa selecção competir numa fase final de um Mundial ou de um Europeu - o que tem acontecido sempre neste século! - a fase que os antecede é objecto de 'não notícias', reportagens, entrevistas e análises fastidiosas e repetidas ad nauseam.
Não havendo verdadeiramente nada para dizer, gramamos sessões televisivas, onde há desde imagens de pseudotreinos e de brincadeiras de pessoas crescidas sem qualquer interesse, até reportagens sobre a potência e cavalos dos bólides dos craques ou o modo como matam o tempo (curioso... matar o tempo!) nas longas horas em que o tempo quase os mata. E ouvimos, até à exaustão, adjectivações prolixas sobre as vidas de artistas transformados em ídolos endeusados e inacessíveis...
O supra-sumo destas enfadonhas sessões são as entrevistas e as pomposamente referenciadas conferências de imprensa quotidianas. Aí os protagonistas desfilam todos os lugares-comuns que já não se podem ouvir, tais como «vamos dar o melhor», «temos de acreditar», «iremos jogar para chegar o mais longe possível», «já interiorizámos que cada jogo vale 3 pontos», etc., etc. Uf! Façam o favor de se preparar no treino e não nessas conversas moles onde, aliás, não se marcam golos.
Mas para isto, as televisões têm todo o tempo do mundo. Ás vezes para elucidar aspectos importantes para a vida das pessoas comuns, um segundo a mais é quase pecaminoso.
Sei que o que hoje escrevo não é «politicamente correcto». Anseio pelo primeiro dia em que Portugal vai jogar. Porque é de futebol que eu gosto e do meu País que eu amo. O resto dilui-se no vazio do antes..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Ricardo Araújo Pereira partilha as preocupações do Bagão:

O legado

"Muitos portugueses ficaram chocados com as revelações de Scolari sobre a responsabilidade do afastamento de Vítor Baía da Selecção Nacional em 2003. Alguns foram mesmo levados a assumir que o Sargentão, orador convidado em workshops sobre a arte da liderança, não passara afinal de mais um aríete do sistema a baixar-se às conveniências de uma determinada corrente dominante.
Os factos relatados, porém, não encerravam grande surpresa. De posse de informações sobre a relação do jogador com a Selecção, inatacável desportivamente mas com alguns pontos de fricção, como a recusa ao Mundial de juniores, a perturbação do Euro’96 ou tomada de lugar na Coreia, e também da promiscuidade de alguns dirigentes de clubes em plenos estágios e viagens da equipa nacional, o treinador brasileiro viu duas soluções na mesma medida: abrir uma frente de conflito capaz de delimitar espaços e despertar apoios, ao mesmo tempo que tornava reféns da sua vontade os adversários mais perigosos.
Ao longo de décadas a Selecção Nacional tem sido um espaço de vaidades saloias e de frequentes abusos de confiança. Em nome do país e com mandato oficial, dirigentes desqualificados, treinadores sem personalidade e jogadores oportunistas passaram por inúmeras situações negativas e inadmissíveis, traindo a solidariedade incondicional da maioria dos adeptos e cidadãos. Usaram e abusaram da Selecção e muitos até a renegaram quando ela deixou de lhes servir.
Quando chegou Scolari, recentemente consagrado campeão mundial, era evidente que Portugal há muito precisava de um treinador estrangeiro, o mais distanciado possível das miseráveis lutas de poder que dirigentes associativos e outros figurões há tanto tempo mantinham em torno da equipa nacional. Sem ter de recuar a Saltillo ou às guerras de Pedroto, inspirou-se nas porcarias de Queiroz, na tibieza de Artur Jorge, no Ferrari de Humberto Coelho e, claro, no fresquíssimo relatório Boronha sobre as noites de Macau, para eleger Baía como a vítima ideal.
Scolari é muito esperto, um manipulador de consciências. O mais interessante após esta aparição surpreendente é a reacção de alguns franco-atiradores, cuspindo fogo contra o homem que, afinal, era tão fraco, tão fraco, que só tomava decisões polémicas porque tinha bênção superior, directamente emanada do homem mais poderoso.
Depois de Otto Glória, conduziu Portugal às melhores classificações de sempre, incluindo um 4.º lugar num Mundial que os portugueses ainda não aprenderam a realçar, como se ficasse algo a dever ao 3.º de 1966. Pinto da Costa muito cedo viu nele uma personagem de outro gabarito e rendeu-se à suprema provação de ficar seis anos à margem – o melhor e mais longo período de estabilidade na vida da Selecção.
Esta força, esta independência, este poder estão de novo sob escrutínio quando a equipa nacional se apruma para mais uma fase final. Não há conquistas sem rupturas, sucesso sem riscos, selecção sem injustiçados – o mais importante legado de Scolari, que nos tornou tão indulgentes para as decisões controversas de Paulo Bento."

Pedro, para sempre...


"Senhor embaixador da República Popular de Angola, permita-me que lhe dedique as minhas primeiras palavras, não só para lhe agradecer a presença num acto tão significativo para nós, mas que é igualmente – estou certo – de enorme emoção e relevância para o povo de Angola, mas principalmente para dizer-lhe que o Benfica em Angola sente-se em casa e que voltaremos a Angola sempre e sempre que nos quiserem lá.
Angola faz parte da história do Benfica.
Basta lembrar a imagem de José Águas a levantar a nossa primeira Taça dos Campeões Europeus.
Ele que nasceu em Luanda, que cresceu no Lobito, mas que ficará para sempre na nossa história como símbolo do primeiro título europeu do Benfica.
A presença do senhor embaixador nesta sala confirma por isso a boa cooperação e o excelente relacionamento que temos sabido manter e que queremos continuar a ter com a República de Angola.
O futebol é bonito quando tem os melhores.
O futebol teve dias inesquecíveis quando o Pedro Mantorras passou por ele, e a grande tristeza que hoje sinto é a de ver o Pedro fora do futebol.
Sempre pautei a minha vida por procurar no futuro aspirar sempre ao melhor, por dar, no presente, o máximo que posso.
Mas a tudo isto, nunca esqueci de honrar o passado e de ser grato com todos aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui.
Já o disse e volto a repetir, sinto hoje a tristeza de estar aqui para homenagear alguém que com a sua simplicidade e o seu talento nos marcou para sempre.
E sinto tristeza porque esta homenagem significa o adeus definitivo do Pedro ao futebol.
O futebol merecia ter tido o Pedro durante muito mais tempo e o Pedro merecia ter podido confirmar a nível mundial o jogador que era.
Este é o capítulo triste desta etapa.
O Pedro foi um exemplo de entrega, de sacrifício, de superação.
Foi – e continua a ser - um exemplo de optimismo e de persistência.
Alguém que nunca deixou de lutar, que sempre superou as dificuldades porque passou.
Acompanhei a sua luta, sei da sua capacidade de resistir, de nunca deixar de acreditar.
Foi por isso que, apesar de tudo, se conseguiu manter no futebol quando outros teriam desistido.
Mesmo para quem estava de fora, foi doloroso ver o Pedro lutar contra o sofrimento, contra as dores e contra as limitações físicas que o impediram de ser o que ele merecia e podia ter sido.
Sei o que tu viveste e tudo o que deste ao Benfica.
Chegou agora o tempo de retribuir, de dizer a todos os benfiquistas e a todos os angolanos que devem ter muito orgulho na pessoa, no carácter e no profissionalismo do Pedro.
É evidente que nunca deixarás o Benfica, porque fazes parte desta casa.
Fazes parte da nossa história e encarnas os valores que fazem do Benfica o Clube que todos conhecemos.
Tenho orgulho no apoio que o Benfica te deu – como já deu a outros jogadores no passado – porque isso diz muito do nosso carácter e confirma que o nosso passado nos honra, mas também nos obriga para com todos aqueles que serviram o Clube.
Quando um caminho acaba, há sempre uma outra opção, um outro caminho que se descobre e esse é o capítulo feliz que aqui quero assinalar.
O Pedro vai ser “embaixador do Benfica”, vai continuar a representar o nosso Clube nos quatro cantos do Mundo.
Mas o Pedro Mantorras não é um embaixador do Benfica por qualquer acto formal ou contratual, ele é embaixador do Benfica porque pelo seu carácter e pela sua entrega ganhou direito a isso.
Ele é “embaixador” do Benfica porque os benfiquistas reconhecem nele esses valores.
Todos os benfiquistas terão a oportunidade de ver o Pedro em campo uma última vez.
Será no próximo dia 18 de Julho, no nosso estádio, no jogo que a Fundação Benfica vai organizar com o ACNUR e com a Fundação Luís Figo.
Uma oportunidade para todos lhe expressarmos a nossa gratidão e o nosso reconhecimento por tudo quanto o Pedro nos deu e nos vai continuar a dar.
Uma palavra, ainda, de agradecimento ao Presidente do Sindicato de Jogadores, Joaquim Evangelista, e já agora, ao Dr. Pedro Nogueira da Rocha, que nos apoiaram – e apoiaram o Pedro - em todo este processo.
A eles o meu reconhecimento e justo agradecimento.
Permitam-me a terminar, que o faça como comecei, com uma palavra ao embaixador da República Popular de Angola.
Uma palavra de esclarecimento que é devida ao embaixador e ao povo de Angola.
A convite do Governo português, o Benfica deu o seu acordo e consentimento para participar num torneio em Angola, neste verão.
Mas também disse, meses mais tarde, que não estaria disponível para fazer essa viagem.
A nossa recusa não teve nada a ver com qualquer problema com o povo ou com o Governo de Angola.
Nada disso! O nosso relacionamento com Angola é tão forte e tão saudável que poderíamos viajar todos os meses ao encontro dos angolanos.
O que já não podemos aceitar é que o Governo português – o mesmo que nos convida pela nossa história a viajar até Angola – permita que elementos desse mesmo governo tratem o Benfica sem o respeito e a dignidade que Benfica merece.
Isso, como podem compreender, é totalmente inaceitável!
O Benfica foi e continua a ser, uma das principais bandeiras do país em todo o Mundo e qualquer bandeira tem nome, identidade e orgulho na sua história.
Nós não somos “o outro clube”. Porque se querem convidar “o outro clube” então enganaram-se na porta.
E quem se engana na porta, só pode esperar que a porta seja fechada!
Desde Março que esperávamos por um pedido de desculpas. Foi tempo a mais!
Cansamo-nos de esperar e fizemos o que tínhamos a fazer: recusar o convite.
Mas isto – que fique bem claro - não tem nada a ver com o povo ou o Governo de Angola.
Senhor embaixador, termino como comecei: o Benfica em Angola sente-se em casa e voltaremos a Angola sempre e sempre que nos quiserem lá."


PS1: O Velho Capitão, Mário Wilson lançou um livro: de leitura obrigatório...!!!

PS2: No dia em que se homenageou um ex-jogador e um ex-treinador do Glorioso, o Benfica renovou o contrato com um jovem jogador, da equipa de Juniores, que tem um enorme potencial. André Gomes, chegou esta época do Boavista e rapidamente tornou-se o Capitão da equipa (devido a lesões graves nos jogadores mais 'velhos'!!!), jogador com muita classe, que com a bola nos pés faz-me recordar o nosso Maestro Rui Costa (cabeça levantada), apesar de jogar um pouco mais recuado... Este Verão vai comandar a Selecção Nacional no Europeu de Sub-19, com o objectivo de qualificar a Selecção para o Mundial de Sub-20 de 2013... Acredito que temos aqui jogador...!!!

Adenda: Aqui fica a explicação para as criticas ao Governo do País, mais exactamente ao Secretário de Estado da Cultura:

terça-feira, 5 de junho de 2012

SL Bigodes

Combater de águia ao peito !!!

Mais do que um título

"Existem vários locais para nos podermos sagrar Campeões Nacionais de Basquetebol. E nossa casa, como em 2009/10. No pavilhão de um adversário normal, como aconteceu em 2088/09 (na altura, em Ovar). Ou... numa selva, como foi agora o caso. Após um jogo muito emotivo, em que o Benfica esteve quase sempre por cima, os comandados de Carlos Lisboa saíram do Porto ameaçados, insultados, agredidos, mas com o trófeu bem seguro nas suas mãos. E, para além dos inegáveis méritos desportivos da vitória, há que louvar a coragem (mental e física) que demonstraram, sem a qual não seria pos´sível superar o clima de intimidação que ali foi montado, e a qual deve servir de exemplo para todas as equipas do Benfica que ali se desloquem.

Uma vitória especial
Todos os títulos são bem-vindos, mas este, pelas circunstâncias em que foi obtido, vale bastante mais do que uma simples assinatura (pela 23.ª vez) no palmarés da prova. Mais do que a conquista desportiva, aquela foi também uma vitória da dignidade sobre o ódio, sobre a violência, sobre a corrupção, e também sobre o medo.
Poderia ter sido um triunfo normal, da melhor equipa, numa Final rijamente disputada, caso não estivesse do outro lado um clube que não sabe ganhar (como tantas vezes temos visto), nem sabe perder (como agora, uma vez mais, demonstrou). O que se viu após o jogo, revela a natureza dos respectivos protagonistas, à cabeça dos quais aquele que se sentava ao centro da tribuna presidencial, que inspirou e abençoou os desacatos que impediram o Benfica de receber a taça condignamente, e que depois, da cabeça perdida, ainda teve o atrevimento de descarregar a sua frustração nas suas forças policiais - talvez por elas, desta vez, terem cumprido o seu dever, impedindo o linchamento dos Campeões Nacionais.
Obviamente ninguém lhes pedia para ficar a assistir à festa dos jogadores 'encarnados', e o mais natural era abandonarem o pavilhão (coisa que eu faria, se acontecesse na Luz). Mas ali joga-se outro Campeonato. Joga-se o Campeonato dos complexos de inferioridade provinciana, que nenhum resultado, nem positivo, nem negativo, consegue apagar das mentes. Na hora da derrota, não é pois tristeza ou desânimo que ali se vive. É ódio, é raiva, é fúria, e são todos os sentimentos que a pequenez consegue despertar, e que nem com vitórias se dissipam.
O Benfica não pôde receber o trófeu no campo. É para o lado que dormimos melhor. Houve festa no balneário, e na chegada a Lisboa, onde os jogadores foram recebidos como hérois.
Em toda a temporada, nas várias competições, disputaram-se nove clássicos entre Benfica e FC Porto, dos quais a nossa equipa venceu seis. Naquele mesmo local, jogámos quatro vezes e vencemos três. Nestas Finais, dominámos largamente a maioria dos jogos, e mostrámos largamente a maioria dos jogos, e mostrámos que éramos a melhor equipa, mesmo que atingida por lesões graves de jogadores influentes.

Superioridade clara
Nos últimos quatro anos, o Benfica foi Campeão três vezes, o que traduz uma supremacia que começa a fazer lembrar a das décadas de oitenta e noventa, quando, com  Lisboa em campo, conquistámos 29 trófeus oficiais em quinze anos. Agora é ele o técnico, e a avaliar por esta vitória, o seu 'toque de Midas' continua a fazer efeitos no Basquetebol luso.
O triunfo agora obtido, para além da grande alegria que nos deu, e da importância desportiva, institucional e cívica que atrás ficou expressa, significa ainda um valente pontapé num certo sentimento de fatalidade que começava a apoderar-se da Família Benfiquista. Ultimamente, muitas foram as ocasiões em que os 'encarnados' viram a sorte fugir-lhe nos principais momentos de decisão, quer nas restantes modalidades. Desta vez, sob grande pressão, num ambiente de terror, e com a desvantagem psicológica de ter perdido em casa, o Benfica foi... Benfica, arregaçou as mangas, ergueu a alma, e trouxe o caneco para a Luz.
Por tudo isso, esta vitória não termina aqui. Doravante, o exemplo dado por estes homens guiará cada atleta que àquele local se deslocar com uma camisola do Benfica vestida. Mais do que um título, é esse exemplo de coragem e de Benfiquismo que temos de agradecer aos nossos grandes Campeões.

Cheira bem, cheira a Lisboa! (positivo)
Era assim que cantavam os adeptos no velhinho pavilhão da Luz, quando Carlos Lisboa, com os seus triplos, cilindrava os adversários portugueses e europeus.
Agora, como técnico, viveu mais um grande momento, ao trazer para a Luz um Campeonato conquistado em circunstâncias particularmente difícieis, e para o qual a mística que soube transmitir aos atletas se revelou fundamental. Imquestionavelmente, o maior nome do Basquetebol português

Mau perder (negativo)
Infelizmente, os acontecimentos que se seguiram à Final de Basquetebol não surpreenderam ninguém. O crónico mau perder portista está personificado nas imagens do seu presidente a discutir com a Policia, responsabilizando-a, quiça. pela perda de um título com o qual já contava. Depois, seguiu-se um comunicado vergonhoso, que demonstra o desespero ali reinante.
Há muito a fazer no Desporto português para que um dia vencedores possam comemorar os títulos tranquilamente. Mas enquanto a impunidade sancionar as piores práticas, será difícil termos esperanças nesse futuro.
(...)"

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Roubos e burros

" “Um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia”.
Luís Filipe Vieira tem razão. Até a poesia (será de Régio?) declamada por um ladrão pode constituir um roubo. Há ladrões que roubam beleza ao... belo. Dizer poesia sem jeito para a função é roubar. É apanágio de ladrão.

“Um fugitivo da Justiça não deixa de o ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado”.
Luís Filipe Vieira tem razão. Um fugitivo é um crápula, é alguém que não assume, que não se assume. Pior ainda, é que existam cúmplices (serão azuis?) de actos sentenciáveis e publicamente escandalosos.

“Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do Desporto português”.
Luís Filipe Vieira tem razão. Durante mais de meio século, a competição tem estado sempre inquinada. Processos mirabolantes (serão a Norte?) adulteraram a lisura, a transparência, a verdade.

“Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar, burros são os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre”.
Luís Filipe Vieira tem razão. Procedimentos conhecidos (será o Apito Dourado?) não podem deixar, doravante, de ter o tratamento adequado, justo, implacável.

“Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias”.
Luís Filipe Vieira tem razão. Existe uma atmosfera de receio, até de pavor (será o Sistema?) que tudo condiciona, adultera, mascara.

Luís Filipe Vieira tem razão. Os benfiquistas têm razão. O que é preciso? Que o maior Clube português seja o melhor no combate, firme e decidido, à imundice que vem caracterizando a bola nacional."

João Malheiro, in O Benfica

Hugo Vieira


Hugo Vieira confirmado no Benfica... Admito, que fiquei surpreendido quando a contratação foi anunciada - até porque dias antes tinha sido dado como certo nos Lagartos -, mas acho que é uma decisão acertada. No jogo para o Campeonato na Luz com o Gil, gostei bastante da actuação do Hugo, sozinho na frente, deu muito trabalho aos defesas do Benfica, apesar de não ser um gigante, sabe usar o corpo para proteger a bola, algo que nenhum dos actuais avançados do Benfica sabe fazer!!! Pode jogar em qualquer posição no ataque, não sendo um extremo puro, pode jogar nas faixas, sendo que é no meio que se sente mais à vontade... Não tem medo do drible, e sabe finalizar em contra-ataque... Depois do que o vi fazer na II Liga, esperava que este ano na 1ª, marcasse mais golos... Não será uma primeira opção - quase de certeza -, mas poderá ser uma excelente opção de banco, devido à polivalência... Bem mentalizado, para o seu papel no Benfica, pode inclusive chegar à Selecção - devido à óbvia falta de talento nacional no ataque...
O seu declarado Benfiquismo é honesto, e isso poderá lhe ser favorável - mas não deve repetir os erros de outros, por exemplo do Amorim!!!
Ser dirigente do Benfica, é sinonimo de criticas constantes, se contrata estrangeiros, é porque não são portugueses, se são portugueses é porque não tem qualidade para o Benfica...!!! O Hugo Vieira tem potencial, e merece a oportunidade... As suas declarações de hoje, onde reafirma o seu Benfiquismo incondicional - hoje e para sempre... -, é mais um excelente sinal...
Desejo-lhe toda a sorte do mundo.

domingo, 3 de junho de 2012

Sofrido


Benfica 2 - 1 Leões de Porto Salvo

Após muito suor e muito sofrimento estamos na Final... O jogo hoje foi mais lento - era de esperar -, o Benfica acabou por ter alguma sorte, os adversários tiveram as melhores oportunidades, apesar do domínio territorial o Benfica ia tendo desoncentrações defensivas, mas com alguma sorte, com a Marcão em bom plano e alguma aselhice alheia, conseguimos manter a baliza fechada... Com a 'rotação' curta, fomos obrigados a recorrer a jogadores que não estão a 100% - Marinho e Diego Sol -, a aposta no César e no Joel em simultâneo em campo, provou-se ser muito arriscada... Foi já na segunda metade, da 2ª parte - quando já se notava alguma descrença após muitas oportunidades falhadas -, que o Bruno Coelho descobriu o caminho para o golo, pouco depois, num ataque rápido, fizemos o segundo... depois a defender contra o 'guarda-redes avançado' nos últimos minutos, tivemos muitas dificuldades... o Porto Salvo reduziu para 2-1 rapidamente, e só não chegou ao empate porque o discernimento já não era o melhor!!!
A arbitragem hoje, voltou a ser muito má... a diferença é que os erros foram distribuídos - durante grande parte do jogo -, já que os árbitros revolveram simplesmente não marcar nada!!! Mas quando o Benfica ficou em vantagem, começaram marcar tudo!!! Se ontem vimos uma expulsão absurda, e vimos um guarda-redes a defender um  penalty dando um salto de metros para a frente, antes da bola partir... hoje, ainda tivemos 'carrinhos' frontais, e um critério disciplinar ridículo... Posso estar enganado, mas creio que nestes 3 jogos com o Porto Salvo, o Benfica não beneficiou de um único livre de 10 metros (a minha dúvida está na 1ª parte, no 1º jogo)!!!
Esta vitória deveu-se quase exclusivamente à capacidade de sofrimento dos jogadores, que em condições muito adversas com muita pressão conseguiram dar a volta à eliminatória... mas para a Final, com os Lagartos, tudo será ainda mais difícil. Começando com a arbitragem. O Benfica tem melhor equipa, mas neste momento não me parece estar num momento extraordinário de forma, e nós sabemos que para o Benfica ganhar, ser melhor não chega, tem que ser muito melhor... A concentração defensiva tem que aumentar...

PS1: É comum nos recintos em Portugal, principalmente quando o Benfica joga, vermos adversários (normalmente guarda-redes) a simularem lesões constantemente. Para pararem o jogo. Funcionam quase como descontos de tempo. Dão para descansar as pernas aos jogadores com mais minutos. Tudo isto com a complacência dos árbitros. Não gosto. Detesto. Irrita-me. Por isso, além de criticar o Porto Salvo por o ter feito nos jogos todos, e hoje em particular, também critico o Marcão quando a 17 segundos do fim, vez a mesma coisa...!!!

PS2: Tenho que dar os Parabéns ao Bruno Coelho, que hoje teve a felicidade de abrir, aquilo que parecia amaldiçoado!!! O Bruno é um daqueles sortudos, que tal como nós: sofre, grita, celebra, e irrita-se nas bancadas da Luz, desde do dia que nasceu, mas que o destino lhe deu a oportunidade de vestir o Manto Sagrado!!! Começou a época com poucos minutos, mas tem demonstrado muita evolução, é claramente um jogador para o futuro...

PS3: Estou curioso para saber o castigo do Ricardinho. Se houvesse vergonha na cara, o CD tinha é que pedir desculpa ao Benfica pela decisão absurda do árbitro, mas o mais natural é o Ricardinho ser castigado em 2 jogos e falhar assim o 1.º jogo da Final... Os Lagartos no CD dificilmente vão deixar fugir esta oportunidade...!!!
PS4: Não posso deixar de destacar, a falta de destaque, que os principais sites desportivos, dedicaram a esta vitória do Benfica, principalmente sabendo que em caso de derrota, seria a principal notícia do dia!!!

PS5: Os nossos jovens Basquetebolistas de Sub-18 sagraram-se hoje Bi-Campeões Nacionais,  nesta categoria, juntam-se assim aos Sub-20 e aos Seniores que esta época venceram os seus Campeonatos. No próximo fim-de-semana jogamos a final nos sub-16... estamos muito perto de fazer história, e fazer o pleno!!!

PS6: Os nossos Hóquistas que ontem venceram o Candelária no Pico, devido às más condições climatéricas ficaram retidos nos Açores... espero que o regresso seja feito em segurança, e o mais rapidamente possível, já que no próximo fim-de-semana tudo será decidido...

Grande Basquetebol!

"1. Já lá vai mais de uma semana mas não posso deixar de abrir com a grande vitória do nosso Basquetebol no Porto. Foi, em termos benfiquistas, e até agora, a maior alegria da época. Recordados da derrota na finalíssima de Voleibol e depois de termos tido o 'pássaro na mão' (4.º jogo em casa poderia ter decidido), era com grande preocupação que aguardávamos o encontro decisivo. Andámos quase sempre na frente do marcador, chegámos a ter 12 pontos à maior, o FC Porto recuperou e aqueles segundos (minutos...) finais foram terríveis. Mas ganhámos brilhantemente. Depois... não se esperava outra coisa. Mas a culpa, pelos vistos, foi de Carlos Lisboa e da Polícia. Fica para a história, o nosso título nacional - o 23.º mais que o FC Porto(11) e Sporting(oito), que se seguem na lista, juntos... -, a entrega da taça na cabina e a vergonhosa transmissão do Porto Canal que, findo o jogo, parecia uma 'barata tonta' a seguir o treinador do clube da casa, evitando dar qualquer imagem da festa benfiquista e das cenas das bancadas... Nada que surpreenda.

2. Mas o jogo teve um antes e um depois. Antes, o rasgar do contrato do FC Porto relativamente à transmissão televisiva. Pelos vistos, rasgam quando lhes dá jeito. Resta aguardar agora pelas consequências... se é que as vai haver. Depois do jogo, da entrega da taça nas cabines, da longa espera até que a equipa pôde deixar o pavilhão, houve, já no nosso Estádio, a homenagem do nosso presidente à equipa, com um discurso que se justificava e que foi ao mesmo tempo uma resposta às diatribes do presidente do FC Porto nas últimas semanas. Pelo meio, ainda houve o triste espectáculo dado por este a protestar contra a Polícia, o ridículo comunicado do FC Porto e a reacção da Associação de Basquetebol do Porto, a fazer lembrar a sua congénere do Futebol. Não sabem perder - nem ganhar... - e depois armam-se em vítimas. É assim há 30 anos.

3. Claro que o FCP respondeu às palavras do nosso presidente e claro que houve logo quem aproveitasse para meter os dois presidentes no mesmo saco, como se o Benfica tivesse que ficar calado depois dos constantes ataques do presidente do FCP e de tudo o mais que aconteceu. Mas a isso, vindo de alguns escribas, já estamos habituados. Tal como a cobertura dada pelo 'Record' a um triste candidato à presidência do Benfica, que cada vez mais parece a 'voz do dono', leia-se presidente do FC Porto..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Ganhou o melhor

"A expressão 'que ganhe o melhor' ameaça deixar de fazer sentido no Desporto em Portugal, tantas e tais são as vitórias sistemáticas - isto é, próprias do Sistema - por parte dos medíocres e manipuladores.
Nas últimas décadas, tornaram-se vulgares as vitórias contra a corrente dos jogos e contra a verdade desportiva, arrancadas a ferros, a golpes de apito, a cabazes de fruta, a influências ocultas, como as vitórias dos adversários contra oponentes dóceis e dependentes.
Mas, no Basquetebol, ganhou o melhor: o Benfica, os atletas, a equipa técnica, os dirigentes não esquecendo os adeptos. A Taça de Campeão para o Benfica - mesmo entregue no balneário -, a vergonha do mau perder para os vencidos. Cada um teve o que mereceu. E os raivosos perdedores ainda mereceram todas e cada uma das palavras com que o presidente do Benfica zurziu o Sistema.
O Benfica continua na luta pelos títulos de Futsal e Hóquei em Patins, modalidades em que está ainda a disputar a Taça. No Futsal, o Benfica sofreu a primeira derrota da época na 1-ª mão das meias-finais. Mas joga a desforra em casa e terá um terceiro jogo para decidir a passagem. No Hóquei em Patins, o Benfica comanda a classificação, a três jornadas do fim, mas o calendário parece feito de encomenda: o Benfica vai a casa do 3.º e recebe o 2.º. E para além do calendário, o Benfica vai certamente enfrentar outras artimanhas do Sistema, presente em todas as modalidades e escalões.
Isto só aumenta o desafio e valoriza cada vitória do Benfica. Temos equipas para vencer. E temos esta chama imensa que ilumina e alimenta o caminho da vitória. Todos à Luz, para que volte a ganhar o melhor."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Cada vez mais perto...

Candelária 0 - 1 Benfica

Mais um passo, na caminhada do título... O jogo até começou 'calmo', a 1ª parte teve poucas oportunidades, as equipas estavam na expectativa... Mas um tiro do Abalos, acabou com o 'armisticio'!!! Curiosamente o golo apareceu quando o Benfica já tinha em campo vários jogadores que começaram no banco, e quando a meio da segunda parte voltámos a apostar nos titulares, o Candelária começou a criar perigo... jogar estes jogos 'apertados' com o Cacau e o Viana simultâneamente é muito arriscado...
Voltámos a falhar nos lances de bola parada: 1 penalty e 2 livres directos!!! Nos últimos jogos temos sido muito perdulários nestas situações, temos que melhorar no jogo com os Corruptos...
Esta vitória, após a desilusão Europeia, foi psicologicamente muito importante, na matemática do Campeonato, este resultado era 'pouco' importante, uma 'não vitória' hoje, obrigava o Benfica a ganhar aos Corruptos e depois ganhar na última jornada, assim com a vitória de hoje, o empate com os Corruptos pode chegar, e em caso de vitória seremos Campeões na Luz... Jogar para o empate raramente dá certo, portanto, para a semana o pensamento tem que estar na vitória... e tenho a certeza que o senhor Pinto vai ser o apitadeiro!!!

Depois do que se passou no antro Corrupto com o Basket, é muito, mas mesmo muito importante, que os Benfiquistas, se comportem civilizadamente... temos que apoiar como nunca, temos que encher o Pavilhão, mas não podemos cair na tentação de 'vingar' ou copiar' os comportamentos selvagens, dos Porcos... independentemente do resultado... independentemente das provocações... até porque uma das maneiras como os Corruptos podem vencer o jogo, é se a partida não chegar ao fim, por interferência do público. Portanto, vozes afinadas, mas nada de imitações baratas...

sábado, 2 de junho de 2012

Só mais uma !!!

Benfica 5 - 2 Leões de Porto Salvo

Foi preciso suar muito para garantir a vitória... já se esperava um adversário aguerrido, a jogar no erro, já se esperava uma equipa de arbitragem 'frutada' (é um hábito difícil de 'deixar'!!!)... Mas não esperava um Benfica nervoso, os jogadores queriam resolver as 'coisas' depressa demais, e para ajudar à festa aos 5 minutos, estávamos a perder por 0-2 e o Ricardinho expulso!!!
A equipa, felizmente não perdeu a cabeça, uniu-se ainda mais, lutou, e naturalmente os golos foram aparecendo, o adversário foi baixando de produção devido à menor profundidade do banco, e o jogo só não ficou resolvido mais cedo porque o Joel falhou dois penalty's...!!!
A arbitragem foi vergonhosa, parecia que o nosso adversário eram os Leões do Lumiar e não os de Porto Salvo, o critério para expulsar o Ricardinho é de bradar aos céus... também não sabia que os guarda-redes nos penalty's podem avançar quase 2 metros(!!!)...
Amanhã será ainda mais difícil, com as lesões e o castigo do Ricardinho, temos pouca gente para jogar, se calhar ainda vamos ver o Bebé a jogar 'na frente'!!! A gestão do cansaço vai ser fundamental, temos que ser mais eficientes...

PS: Os apitadores foram muito maus, mas hoje marcaram uma falta sobre o César Paulo (sem bola), quando lutava pela posição com um adversário. Nos jogos do Benfica, sempre que o César está em campo, as faltas são constantes, provavelmente mais de 20 (!!!) por jogo, e nunca são marcadas... hoje, se calhar para disfarçar, lá marcaram...!!! 

Adversários ou parceiros?

"O que têm em comum Pedro Emanuel, Nuno Espírito Santo, Sérgio Conceição e Fernando Couto? A resposta é simples: todos eles foram jogadores do  Porto (creio mesmo que todos chegaram a capitães), e todos eles orientarão equipas da Liga principal na próxima temporada. Também estarão em funções Paulo Alves e José Mota, que passaram pelas camadas jovens do FC Porto. E ainda andam por aí Jorge Costa, Domingos Paciência, Inácio, Sousa, Jaime Pacheco, Rui Jorge, Oliveira, Carvalhal, Eurico, Rodolfo e Costa, falando-se agora também de Aloísio.
Homens que, no balneário das Antas, beberam anos a fio do fanatismo anti-Benfica, homens que devem a carreira a Jorge Nuno Pinto da Costa, homens que, independentemente da sua honorabilidade, são, na maioria, firmes devotos da causa azul-e-branca, vão jogar com o FC Porto, vão jogar contra o Benfica, e vão, também eles, decidir o próximo campeão.
Entre os nomes referidos, há gente cuja seriedade não me custa a admitir. Sem pôr as mãos no lume por ninguém, acredito que a maior parte deles quererá ganhar os jogos que disputa. Mas há aspectos que estão para lá da corrupção ou da má fé, e que convém não negligenciar.
Que dirá um destes treinadores se a sua equipa for prejudicada pela arbitragem em jogo com o FC Porto, clube que lhes patrocina a carreira? Será que a atitude mental com que irão enfrentar o Benfica vai ser idêntica à de quando tiverem do outro lado o seu clube de sempre? Que informações passam, por exemplo, acerca de jogadores da sua equipa? Haverá verdade desportiva num Campeonato onde uns são inimigos e outros parceiros? Será coincidência nenhum deles estar nos clubes aparentemente mais próximos de Pinto da Costa, como o Sp. Braga e o Nacional?
Num Futebol normal, nada disto seria motivo para nos inquietar. Mas no Futebol português, no Futebol do Apito Dourado, dos 'quinhentinhos', do doping, do guarda Abel, dos Rembo Bóeres, dos Cadorins, dos Lourenços Pintos, dos Patos, etc, confesso que não fico descansado perante tão singular panorama."

Luís Fialho, in O Benfica

Triângulo amoroso

"O presidente da Académica foi, esta semana, condenado a uma pena efetiva de seis anos e meio de prisão por corrupção passiva para ato ilícito. Claro que ainda vêm recursos e o perigo da prescrição. Ainda assim, a pena é exemplar. José Eduardo Simões aproveitava-se da sua dupla condição de vereador de urbanismo da Câmara de Coimbra e dirigente desportivo para favorecer promotores imobiliários que fizessem donativos à Académica. Ou seja, o Estado, através deste senhor, era usado como chantagista, recolhendo assim doações para um clube.
Muitos políticos vivem, há muitos anos, numa ilusão: a de que a relação promíscua com os clubes é-lhes eleitoralmente vantajosa. Rui Rio – um péssimo autarca, na minha humilde opinião – teve a enorme vantagem de provar como estavam errados. Não houve guerra que não comprasse com o Futebol Clube do Porto. Não houve eleição que não ganhasse. A razão é simples: uma parte muito razoável dos portugueses não liga grande coisa ao futebol. E a maioria dos que ligam não tem o futebol como a sua principal preocupação.
Provavelmente, José Eduardo Simões foi apenas mais aselha do que outros. Por esse país fora, um triângulo amoroso entre clubes, autarcas e interesses imobiliários esvazia os cofres públicos, destrói a qualidade urbanística das cidades, cria obstáculos ao crescimento económico e corrói os alicerces do Estado de Direito. Como adepto de futebol, aqui fica o meu compromisso: todo e qualquer autarca que deixar clara a separação de interesses entre clubes e poder político tem o meu apoio nesse combate. Incluindo quando estejam em causa os interesses do Sporting. Se todos os adeptos disserem o mesmo, talvez deem um importantíssimo contributo no combate à corrupção."

O abuso e o Poder!

"Falando, ainda assim pouco, Scolari disse, agora, muito, ao contrário de outros tempos, em que falava muito e dizia pouco...

Foi uma semana cheia de factos. De repente, e com alguma surpresa, o impávido e sereno Leonardo Jardim deixou de ser treinador do revolucionário SC Braga - quando Jardim parecia um treinador mesmo à medida deste SC Braga, discreto, trabalhador, sem qualquer assombro no discurso... -, e, também subitamente, o antigo seleccionador Luiz Filipe Scolari, também com alguma surpresa, voltou a desenterrar o famoso caso Baía, para afinal confirmar o que muitos já suspeitavam às escondidas: disse Scolari numa entrevista à RTP que deixou de lado a ideia de eventualmente convocar Vítor Baía porque um dia alguns dos próprios responsáveis do FC Porto (nomeadamente, e cito Scolari, «o presidente»), lhe fizeram saber que Baía tinha os dias contados no clube e que estava em conflito com o treinador e com os dirigentes. Deixou Scolari ainda no ar a ideia (menos concretizada) de que também alguns responsáveis da própria Federação lhe segredaram que a presença de Baía na equipa nacional não seria assim muito aconselhável dada a sua relação «de balneáiro», como referiu o treinador brasileiro.
Um espanto de revelações, que ou muito me engano ou já não surpreendem sequer o visado Vítor Baía, provavelmente cansado de saber que, mais coisa menos coisa, a decisão de não se ver chamado à Selecção estava longe de pertencer apenas ao domínio de Scolari. Ou seja: estava na cara que não poderia ter sido o treinador brasileiro a acordar, um dia, com os pés de fora e a decidir, por dá cá aquela palha, que Baía passaria, a partir dali, a excluído da equipa das quinas.
Com o Europeu à porta e uma tranquila Selecção Nacional em estágio - já sem o controverso Bosingwa ou o impulsivo Ricardo Carvalho -, a verdade é que não se esperava nada uma semana tão agitada como a que temos vindo a viver.
Para agravar o clima já de si insuportável pelos acontecimentos com a União de Leiria e os despiques entre a Liga dos mais pequenos e a Federação dos mais grandes, a Justiça voltou a abalar o futebol nacional com o anúncio do agravamento da pena de prisão aplicada ao presidente da Académica. Ainda mal refeito da festa de vencedor da Taça de Portugal, José Eduardo Simões é acusado dos crimes que, infelizmente, mais têm afectado a sociedade portuguesa nos últimos 20 anos: corrupção e abuso de poder.
Abuso de poder é, aliás, o que não tem faltado na área do futebol profissional neste pequeno país à beira-mar plantado. O que Luiz Felipe Scolari veio revelar pela primeira vez em público - depois de o ter contado tantas vezes em privado... -, referindo-se até a alegadas pressões do FC Porto em matérias da Selecção Nacional, não foi mais do que nova denúncia do abuso de poder, ou de tentativa de abuso de poder, muito usado entre nós. Tão lamentável.
No fundo, nada que não se passe noutros países, de que a Itália é exemplo flagrante desde que nos anos 80 começaram a explodir no futebol italiano casos de resultados combinados, apostas viciadas, corrupção e o tal abuso de poder, que já levaram ao banco dos réus e até à prisão alguns jogadores famosos, clubes poderosos e dirigentes ambiciosos.
Um filme que não deixaria de ter, certamente, alguns episódios portugueses, caso tivesse o mesmo efeito no nosso país a investigação que as autoridades italianas levaram a cabo no caso que ficou conhecido como 'Calciocaos', cujas escutas telefónicas, por exemplo, estampadas nas páginas da mais prestigiada imprensa transalpina, muito ajudaram, por exemplo, a condenar (na Justiça mas também na opinião pública) o infame e abusivo comportamento de um homem como Luciano Moggi, ao tempo alto responsável da Juventus, que sempre fez do futebol fonte de uma incalculável riqueza financeira e de um poder que julgou inabalável, como todos os homens cujo poder é apenas garantido pelo abuso desse poder, pelo dinheiro fácil, pela corrupção ou pelo jogo das influências que esse poder exerce.
Falando, ainda assim, muito pouco Scolari disse agora, afinal, muito, ao contrário do que compreensivelmente fez nos cinco anos e meio que viveu em Portugal, em que falou muito e disse, quase sempre, muito pouco.

PS: Muito estranha, realmente, a ruptura de Leonardo Jardim com o presidente do SC Braga, para quem julgava (como eu) que estava tudo na paz do Senhor. Será que vai Jardim substituir Vítor Pereira no FC Porto?, é a pergunta que aqui e ali se vai ouvindo. Bom, se Vítor pereira vier mesmo a deixar os portistas, o que continua longe de ser líquido, apostaria mais no regresso de Villas Boas. Apostaria, apostaria...

(...)

João Bonzinho, in A Bola

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O poema e o cesto

"D. Palhaço julga-se um mamífero culto. Pois está regiamente enganado. Burla meia-dúzia de parolos alarves com a sua falácia, mas a verdade é que roça o analfabetismo como se comprova pela errada utilização dos verbos. Ouçam-no bem, embora seja repugnante ouvi-lo: D. Palhaço fala com erros de ortografia! Mas sabe um poema. Ou melhor: sabe uns bocados de um poema que tritura à bel talante. Pobre poeta que o escreveu. Dará hoje, pela certa, pulos na cova por se ver vítima de tamanhos vilipêndios... Perguntarão vocês: mas como sabe ele um poema se até a ler lhe custa sem auxílio? Há uma expressão comum na estudantada quando é preciso saber de cor e salteado matéria na véspera dos exames: encornar.
Há quem diga que D. Palhaço encorna muito e bem. E de tudo um pouco. Já o poema, coitado do poema, passou-lhe ao lado. Troca rimas, desfaz métricas, mas continua a dizê-lo naquela voz monocórdica e chocarreira própria de quem possui um cérebro caliginoso. Quem o vê declamar o cântico julga que foi ele quem o escreveu, se escrever soubesse.
Ah! E que dizer daquelas pobres almas basbaques de queixada caída grotesca do seu pai espiritual? Ou daquelas pobres almas fardadas aspirando o seu bafo fétido? E então não é com poema que grita, é a expressão autêntica da sua ordinarice. D. Palhaço acha-se dono do mundo como se acha dono do poema. E trata ambos da mesma maneira, o poema e o Mundo: corrompe-os, manobra-os, vilaniza-os.
Ao longe, assistimos a essa infecta degradação. Só um País manso suporta comportamentos tão rascas, exibições tão gratuitas de violência e de incivilidade.
E por nada, ou quase nada. Por apenas um cesto."

Afonso de Melo, in O Benfica

Selecção para mim é Nélson Oliveira

"É mentira que a clubite abrande com a chegada do período em que há jogos da selecção. São raros os casos em que os adeptos, dedicados, ferrenhos ou fanáticos conforme a semântica que se quiser utilizar, não olhem para a selecção com um olhar clubista. Foi sempre assim e assim será no futuro. Aos meus olhos a selecção será muito... Nélson Oliveira.
Não tenho expectativas nada elevadas na prestação da nossa selecção. Gostava de me enganar, mas não ser eliminado na fase de grupos para mim será uma surpresa. Um jogador fantástico, três ou quatro de muita qualidade e um excelente seleccionador são matéria prima escassa para resolver os problemas do grupo que nos caiu em sorte.
Desejo toda a sorte a Paulo Bento, pela selecção e também por ele próprio, mas Alemanha e Holanda são dose dura.
Confesso desde já, que isto do Benfica não jogar pré-eliminatórias tem o seu quê de insosso, para um benfiquista a época a sério começa muito tarde. Este ano falta aquela deslocação ao Twente, aquele perigo em Copenhaga ou aquele arrepio de Viena de Áustria. Está tudo muito planificado esta temporada.
Faz falta um jogo a doer, daqueles com adrenalina a valer. Torneios de pré-época não chegam para aquecer motores, e capas de jornais com jogadores a entrar e sair (quase todos mentira) já me irritam como adepto. Festejo apenas quando chegar aquele lateral esquerdo que nos tranquilize.
Assim, nos próximos tempos aquilo que há de mais excitante será o sorteio no próximo Julho. Um adepto tem que planear a vida.
Dou comigo torcer pelos Santo António Spurs até bem tarde de madrugada, talvez porque este ano o basquete parece ser o desporto mais importantes a avaliar pela azia reinante, e no desporto eu gosto de tudo o que é importante. Este Tony Parker dá uns ares de Carlos Lisboa. Sem ofensa claro."

Sílvio Cervan, in A Bola

A terra treme

"Em Itália a terra treme, sucedem-se os pequenos sismos, assustam-se as pessoas, tomam-se precauções, tenta-se prevenir o pior. Com uma frequência preocupante, em Itália a terra treme. Em Itália o futebol treme. Depois do escândalo do Totonero, nos inícios dos anos 80 – que levou à descida de divisão do Milan, Lazio, Avellino, Bologna e Perugia, e incluiu a prisão de um dos melhores futebolistas italianos, Paolo Rossi – surgiu o escândalo do Calciocaos, em 2006. Como resultado, desceu de divisão a Juventus, e clubes como o Milan ou a Fiorentina começaram o campeonato seguinte com uma considerável supressão de pontos. Houve dirigentes, efectivamente, suspensos; houve dirigentes banidos do futebol; houve dirigentes a cumprir penas de cadeia.
Em Itália a terra treme novamente e o futebol treme com ela. Surgiu agora mais um escândalo relacionado com a viciação da verdade desportiva, com a combinação prévia de resultados, com a negação da ética, com a afirmação do crime como prática quotidiana. A este novo escândalo deram o nome de Calcioscommesse. Já há detidos e entre estes está Stefano Mauri, capitão de equipa da Lazio. O treinador da Juventus, Antonio Conte, já foi alvo de buscas e o lateral esquerdo Criscito foi afastado da selecção italiana.
Em Itália a terra treme com alguma frequência e tomam-se medidas. Em Portugal toda a gente finge acreditar que os tremores de terra só acontecem no futebol dos outros. Em Itália as investigações acontecem, os criminosos são punidos e tenta-se evitar novos tremores de terra. Por cá habituamo-nos a conviver com os criminosos, a agraciá-los, a promovê-los e a louvá-los. Todos fingem que a terra por cá não treme e todos balançam ao ritmo dos abalos."

Pedro F. Ferreira, O Benfica