Últimas indefectivações

sábado, 7 de outubro de 2017

Vantagem...

Benfica 28 - 24 Gwardia Opole
(15-12)

4 golos de vantagem para o 2.º jogo na Polónia sabe a pouco!!! Fomos melhores, somos melhores, mas alguns erros na finalização (basta recordar a última jogada ao poste...), deixaram a eliminatória em aberto... Até porque a arbitragem anti-caseira que hoje levámos, na Polónia, vai-se transformar numa arbitragem super-caseira, seguramente...!!!
Será importante o Cavalcanti começar a ser opção e o Terzic ganhar mais minutos, porque os Polacos são muito pesados, e usam e abusam do caparro...!!!

Provavelmente o melhor jogo do João Pedro da Silva, continuando a sua missão de sacrifício, 'tapando' todos os buracos do plantel... Boa entrada do Espinha no jogo, mas lá, precisamos do Figueira a 110%!!!!

Recordo que a Liga Polaca teve à pouco tempo uma equipa Campeã Europeia, é verdade que o Benfica tem-se dado relativamente bem com adversários polacos nas últimas épocas, mas estamos a disputar uma eliminatória com um adversário que tem um 'ambiente' competitivo mais exigente do que nós...



PS: No Hóquei em Patins, vencemos esta tarde a Final da Elite Cup, depois de derrotar o Sporting por 4-1. Na Quinta vencemos com dificuldade o Valongo nos penalty's, ontem eliminámos com facilidade a Oliveirense por 7-3... e hoje, nova vitória...
A integração do Vieirinha, está-se a fazer com sucesso como era esperado... o Tiago Rafael já está disponível e jogou... o Pedro Henriques 'arrisca-se' a ser titular, o empréstimos fez-lhe muito bem... O Benfica precisa de todo o plantel disponível, pois a época vai ser longa e as armadilhas serão muitas...!
Agora, o facto de termos vencido este importante torneio de pré-época não quer dizer nada... O ano passado jogámos muito mal neste torneio, e depois fizemos uma época bem 'positiva', que só não deu títulos, porque outras variáveis entraram dentro do rinque!!!!

Menos 'isto' e mais 'equipa'

"É precisamente pela mesma a razão que andam tão satisfeitos os adeptos do City e tão insatisfeitos os adeptos do Benfica. A razão tem um nome completo, chama-se Ederson Santana de Moraes. Os de Manchester vivem encantados com o seu novo guarda-redes e não se cansam de partilhar alguns dos muitos soberbos momentos com que têm vindo a ser contemplados pelo internacional brasileiro no seu ano de estreia no futebol inglês. Os da Luz, no extremo oposto da escala da satisfação, digerem com enorme dificuldade a saída de Ederson que foi, provavelmente, o jogador mais valioso que passou pelo Benfica nos últimos largos anos.
Por "valioso" não se entenda a soma considerável pelo qual foi vendido no último mercado de Verão mas a sua capacidade prática em termos de assegurar séries imensas de resultados positivos. Ninguém duvida de que a arte de Ederson contribuiu de modo decisivo para os títulos conquistados pelo Benfica na temporada e meia em que foi titular sem discussão da baliza encarnada. Terá até contribuído mais para o "tri" e para o "tetra" o incrível registo de defesas "de golo" assinadas por Ederson do que, por exemplo, o incrível registo do número golos marcados nas balizas adversárias levando a marca de autor do excepcional Jonas. Aliás, no esplendor dos seus 33 anos, Jonas continua a marcar golos em quase todos os jogos em que alinha pelo Benfica. Jonas é uma máquina. Benfiquistas, não embirrem com o Jonas. Melhor dito, benfiquistas, não embirrem com ninguém. Vamos mas é atirar-nos à Taça de Portugal quando passar esta coisa da selecção. Depois, logo se verá.
Grimaldo voltou a jogar depois de mais um período entregue a cuidados médicos e a verdade é que tem demorado a reencontrar-se consigo próprio e com a equipa. Grimaldo é um lateral-esquerdo de qualidade muito acima da média, é um facto. O outro facto é que se tem visto pouco a jogar nestes dois primeiros meses da temporada. E é pena. Já a falar tem estado bem. Ainda esta semana, na ressaca do empate consentido no Funchal, disse o espanhol em defesa própria e dos colegas: "Isto é uma equipa unida". É justamente essa a questão. Menos "isto" e mais "equipa" é o que se quer.
A demagogia em torno das chamadas claques segue imparável. O Porto insurgiu-se oficialmente contra uma possível suspensão do líder da sua claque em consequência dos cânticos humorísticos – sim, humorísticos – entoados pelos Super Dragões a propósito da tragédia da Chapecoense. O Porto considera qualquer penalização a Fernando Madureira como um verdadeiro escândalo visto que "o cântico não foi da autoria da claque". Ora aqui está um caso para a Sociedade Portuguesa de Autores resolver quando se pensava que seria um caso para uma qualquer outra entidade de cariz menos intelectual apreciar."

Supertaças !!!

Pois é, mais duas Supertaças:
Hoje, foram as meninas do Hóquei em Patins, ao vencerem o Stuart Massamá, por 4-1 (Rita Lopes (2), Inês Vieira, Marlene). A 5.ª Supertaça da secção...
Ontem, tinham sido as meninas do Rugby (sevens), ao vencerem nas meias-finais o Sport Clube do Porto por 22-5, e na Final o Sporting, por 12-10...

PS: No Futsal feminino, nova vitória do Benfica sobre o Sporting, desta vez na 3.ª jornada do Campeonato, por 2-3...

Derrota...

Sporting 5 - 2 Benfica

Alguns erros infantis e outros erros alheios na base desta derrota!
Com o 'regresso' do Porco do Albuquerque ao banco dos lagartos, a pocilga fica cheia..!!! Hoje, com o Benfica em vantagem foi um fartar de pouca vergonha, constantemente a pressionar e a coagir a equipa de arbitragem... só ficaram mais 'descansados' quando passaram para a frente!!!
No Amarelo ao Robinho nem sequer existiu falta, o Robinho chega primeiro à bola, a bola ainda ressalta no adversário, seria reposição lateral a favor do Benfica; no 2.º golo dos Lagartos há uma falta claríssima do Varela, fazendo um bloqueio, agarrando o jogador do Benfica, permitindo ao Cary ficar sozinho (algo que poucos minutos antes tinha sido 'assinalado' pelo árbitro)....; e depois ainda o penalty no 2.º tempo... Isto além do critério das faltas: os Lagartos chegaram ao fim com 4 faltas em todo o jogo!!! Basta recordar as palavras do treinador Campeão da Europa, sobre os 'critérios' nos jogos do Sporting!!!

Dito isto, o Benfica tem que afinar melhor as 'subidas' do Roncaglio, não podemos ter tantas perdas de bola... mesmo que algumas tenham sido de ressalto!!!
Sem o Chaguinha, perdemos o principal 'motor' da equipa, mas temos demonstrado melhor critério na saída... mas tem faltado 'presença' junto da baliza adversária... Hoje, ainda acertámos demasiadas vezes nos postes!!!
O Robinho precisa de um rápido 'curso' de Lagartice: as últimas épocas do Ricardinho no Benfica, ficaram marcadas por uma série de expulsões do Mágico nos jogos com os Lagartos, o Robinho tem que perceber que as 'regras' são diferentes... e não pode cair nas provocações!!!

Só recordar que o ano passado não perdemos um único jogo com os Lagartos, e só ganhámos a Taça!!! Pode ser que este ano seja ao contrário...

PS: As palavras do Porco Cagão no final do jogo, só devem servir para preparar os play-off´s ainda com maior vontade!!

Gabriel em directo...

Douglas em directo...

Uma Semana do Melhor... Graças a Deus!

Benfiquismo (DCXIX)

Mister...

Tem havido progresso

"Acontece assim por todo o lado, mas quando acontece ao Benfica é sempre especial

O vice-presidente da mesa da Assembleia Geral do Benfica passou um mau bocado na última reunião magna dos sócios do clube da Luz. O acontecimento, que se previa corriqueiro antes das derrotas com o CSKA, o Boavista e o Basileia e antes deste último empate com o Marítimo, ficará para a história como a assembleia das cadeiras pelo ar tendo em conta que, de facto, houve mesmo cadeiras voando como exibição prática - um tanto excessiva, é verdade - de um certo descontentamento de alguns associados pela carreira da equipa que se tem excedido em maus resultados fazendo com que a demonstração e a aprovação das boas contas da SAD fossem completamente submersas pela onda da insatisfação popular.
Acontece assim por todo o lado, mas quando acontece no Benfica é sempre especial, porque o Benfica é o maior clube português. Duque Vieira, é assim que se chama o vice-presidente da mesa da AG do Benfica, veio a público dias depois da dita assembleia para deitar água na fervura com palavras de bom senso e, no seu bondoso esforço, saiu-se com uma frase tão bonita quanto especialmente verdadeira: "Temos uma claque maravilhosa!".
Tal como em qualquer hipermercado, ou em qualquer grande superfície do género, logo surge junto à caixa 4 – e, por regra, fardado e ofegante – o diligente empregado que respondeu correndo ao apelo do altifalante que convocava com urgência "o funcionário da padaria à caixa 4", também o director de comunicação do Sporting correu para o seu discreto posto de trabalho mal ouviu o superior chamamento vindo do outro lado da 2.ª Circular. Tudo isto porque, ao contrário do que seria de esperar, não é o Sporting que é tematicamente o seu ganha-pão. Tematicamente, o seu ganha-pão é o Benfica.
Considerou, portanto, o funcionário da padaria em sentido figurado que, em sentido literal, estava o já citado dirigente do Benfica a confessar que o Benfica tinha uma claque ilegal. E disse: "Afinal têm claques ou não?". Têm, pois. Embora o significado da palavra ‘claque’ já não remeta para o teatro do século XIX quando se contratavam pessoas para bater palmas ou para não bater palmas – consoante os interesses do pagador – ainda vai remetendo a mesma palavra ‘claque’ para os aficionados amadores de espectáculos desportivos que até pagam o que for preciso para bater palmas ou não bater palmas aos seus clubes de futebol predilectos.
A diferença moderna está em pagar ou não pagar, e nem sempre foi assim. Há dois mil anos, em Roma, o imperador Nero não abria a boca para cantar se não tivesse diante de si uma plateia de quinhentos soldados das suas legiões e os coitados estavam lá por obrigação. Neste capítulo tem havido progresso.

Uma falha na realização da Sport TV
Coroando com a sua respeitabilidade a cerimónia em curso
O Sporting-FC Porto foi um jogo intenso e de qualidade. O clássico de Alvalade teve transmissão a cargo da Sport TV e a realização televisiva, como vem sendo regra, esteve ao nível das mais altas expectativas que sempre rodeiam estes transes do futebol.
Foi, necessariamente, uma câmara indiscreta da Sport TV que, decorrendo o intervalo do jogo, conseguiu descobrir lá pelo relvado aquele momento especial em que Adrien recebia os aplausos de gratidão das bancadas tendo unicamente ao seu lado a mais alta figura da hierarquia da casa disponível para a ocasião, o roupeiro Paulinho.
Já no minuto de silêncio em memória do árbitro José Pratas falhou rotundamente a realização da Sport TV ao não nos mostrar, a nós, os seus assinantes, a imagem de Estado que se impunha: os presidentes do Sporting e do FC Porto lado a lado coroando com a sua respeitabilidade a cerimónia em curso.
Isto porque pedir um grande plano de Pinto da Costa nessa ocasião, enfim, já era pedir demais."

Jogo Limpo... Assembleia, Futebol & afins

Svilar é o futuro e terá de ser o presente

"Queimar etapas do guarda-redes belga será um risco

Tenho defendido a teoria de que a baixa mais relevante do Benfica da última época foi Ederson. Mais do que Nélson Semedo, Lindelof ou Mitroglou, o guardião brasileiro fazia a diferença numa posição onde habitualmente se releva tão-só a performance entre os postes e a saída aos cruzamentos. 
Ederson não era apenas bom ou muito bom nessas competências, acrescia um valor na leitura de jogo – quantas vezes abandonava os postes, antecipando cenários e preenchendo o espaço entre uma linha defensiva subida e a área a proteger - e também no pontapé longo com uma precisão que permitia o lançamento de perigosos ataques – e até jogadas específicas como era o pontapé de baliza com o avançado adiantado em relação ao setor defensivo adversário, não estando em posição de fora de jogo.
Ederson partiu e a "opção lógica" Júlio César cedo ficou comprometida com uma lesão em Londres. Veio Varela e a fífia no Bessa aniquilou as esperanças do internacional sub-21. Voltou Júlio César mas percebe-se que o brasileiro já não oferece aquilo que o Benfica precisa.
Que fazer? Svilar é um miúdo supertalentoso mas… é um miúdo. Estará em condições de assumir a baliza? Na Luz, há a plena convicção de que será capaz. Svilar é a aposta para o futuro. A conjuntura obriga, porém, à antecipação do seu processo de integração, fazendo com que a sua estreia na Taça de Portugal com o Olhanense possa não ser apenas isso mesmo, uma estreia, mas o primeiro de muitos jogos… consecutivos. Esperemos para ver.

Portugal sério como Santos para chegar ao Mundial
A dupla jornada com Andorra e Suíça soa a pacote turístico, mas está muito longe disso. Para a Selecção Nacional é uma corrida de 100 metros que só admite um resultado: o 1.º lugar do grupo. Pensar que Andorra é um doce, é um erro. Seriedade e competência são essenciais."

Jornal... 3832

Qual crise?

"Não estamos a jogar ao nosso melhor nível, não há dúvida!

Não estamos a jogar ao nosso melhor nível, não há dúvida! Estamos com uma frente de ataque pouco dinâmica e eficaz, reveladora da falta de rotinas e habituação entre os novos figurinos do último terço do terreno.
E, evidentemente, precisamos de novos reforços defensivos, onde incluo a necessidade urgente de um novo guardião da baliza, que deverá chegar já em Janeiro na reabertura do mercado de transferências. 
Deste ponto de análise a falar-se de uma crise no Benfica vai um passo gigante. Como pode estar em crise um clube que é tetracampeão e que ganhou o único título já disputado esta época? Como se pode falar de crise quando apresentamos as melhores contas de sempre?
Estamos a 5 pontos da liderança. Fé e cabeça fria.
Em crise estão aqueles que não levantam troféus há demasiados anos…"

Diferentes estados de espírito

"O Sporting, que não ganha há quatro jogos, atravessa bom momento. O FC Porto, que não vence há quatro anos, vive momento de euforia.

Venha a paragem do campeonato nacional, para realizar os jogos da selecção Paragem positiva, para quem sendo campeão, vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça (tudo nos últimos quatro meses) está em crise, como é o caso do Benfica.
O Sporting, que não ganha há quatro jogos, atravessa um bom momento. Já o FC Porto, que não vence há quatro anos, atravessa um momento de euforia.
Gosto quando os estados de espírito estão em linha com a grandeza dos emblemas. De facto, temos que melhorar muito para continuar a vencer. Mais que a distância pontual para os rivais (que já é alguma) preocupa a falta de consistência nas exibições.
Como me escrevia um amigo, benfiquista de eleição, através de SMS no passado domingo findo o jogo com o Marítimo, «devia estar a sentir-me mais novo, dado que voltamos a 2008». Devia-se ter rido da graça genuína do meu amigo... mas não consegui. Culpa minha porque baixo o sentido de humor quando o Benfica não ganha. Reconheço até que, ultimamente, habituado a ganhar quase tudo, dei como um direito adquirido essa posição natural dos astros.
É este sentimento que teremos que inverter, mas que só poderá ser conseguido com vitórias dentro de campo. O ruído, muito dele patético, algum provocado pelos nossos rivais, não irá abrandar, e só as vitórias (e boas exibições) farão com que desapareça. Para dormir descansado, terei mesmo que acreditar que vai ser assim, e pedir para o ser rapidamente.
Esta semana joga a Selecção Nacional, claro que quero que Portugal vença, embora não raras vezes pense que o meu País é o Benfica. Lá estarei, com custo, contra o Seferovic. É preciso despachar (com vitórias) Andorra e Suíça, porque temos um jogo importante contra o Olhanense.
Quando era miúdo, disse uma vez à minha mãe que as minhas paixões eram a minha família e o Benfica. A minha mãe, com a sua serenidade educativa retorquiu: «Eu sei filhote, mas a ordem não é essa». Por isso, e por muito mais razões, é preciso que o Benfica volte a ganhar.
Bons indicadores das modalidades que parecem ter equipas para lutar pelos principais troféus. Sinal mais, para a Supertaça de Basquetebol, e o excelente arranque do Andebol."

Sílvio Cervan, in A Bola

Nulla in mundo pax sincera

"Lembro-me de ter dez ou onze anos e folhear o livro Benfica, 85 anos de história, escrito por Carlos Perdigão, António Manuel Morais e José de Oliveira. Nos anos seguintes li e reli a obra, o que me despertou a curiosidade por querer saber mais sobre a história do nosso clube. Sendo filho de um benfiquista cujo gosto por partilhar os seus vastos conhecimentos sobre o Glorioso é inexcedível, calculo que a posse daquele livro e a vontade de agradar ao meu pai tenha sido a simbiose perfeita para querer aprofundar a minha cultura benfiquista desde tenra idade.
Em 1994, por altura do 90.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, os autores citados e João Loureiro dedicaram o seu tempo e sabedoria à publicação do extraordinário Benfica, 90 anos de glória, um livro de grande formato, com mais de trezentas páginas, que perscrutei avidamente.
Desde então li integralmente inúmeros livros sobre o Benfica, incluindo a obra inspiradora e monumental de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva, de 1954, sobre a história do SLB nos seus então 50 anos de vida, ou o 100 anos de lenda, de Carlos Perdigão, só para citar os melhores.
Em nenhum deles consta o tetracampeonato. Nem mesmo em nenhum dos cinco livrinhos que tive o prazer de escrever, nem mesmo de outro de que fui organizador, apesar de o último ter sido escrito e publicado em 2016. Em nenhum!
E esse tetra e os seus protagonistas figurarão certamente em todo e qualquer livro ainda por escrever sobre a história do Benfica.
A contestação dos obreiros do tetra passados escassos meses dessa conquista, pro infundada que possa ser, é legítima. Já os insultos nem sequer merecerão uma triste nota de rodapé."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nem um

"Não troco nenhum jogador do plantel profissional do SL Benfica por qualquer atleta dos outros alegados candidatos ao título nacional de futebol. Nem um. Por cada uma dessas 'estrelas' idolatradas pro directores de comunicação, jornalistas, comentadores e cronistas avanço com uma razão muito clara: nenhum deles sabe o que é ser campeão em Portugal.
E nenhum deles joga com a nossa camisola.
Claro que nem preciso falar do defesa uruguaio que aquece o banco do FC Porto nem do também defesa português de cabelo pintado que se arrasta por Alvalade. Esses sabem o que foi ser campeão - e como o devem recordar, coitados... - mas não entram nas contas. Afinal estamos a falar de hipotéticas escolhas de qualidade, e eles já não entram nessa lista. Não vou referir nomes do nosso plantel, porque esse seria o maior erro de todos. E que anda a ser cometido por muitos benfiquistas. O nosso plantel é - e tem sido - um todo e não um conjunto de partes. Na baliza, na defesa, no meio-campo e no ataque há grupos de jogadores que valem por si e em conjunto. Os nossos quatro guarda-redes serão sempre melhores que os três ou quatro dos outros. Sempre, em qualquer dia, a qualquer hora. Os nossos defesas, tão criticados por quem tem memória curta, já nos levaram a um, dois, três, quatro campeonatos. Seis, no caso do capitão.
Os nossos médios têm mais qualidade, mercado e reconhecimento que qualquer outro médio que os jornais assumem como vendido a cada época de transferências. E não é por meia dúzia de paraquedistas os assobiar que vou mudar de opinião.
E quanto aos nossos avançados, os números não metem. Dão dez a zero a qualquer grupo de atacantes dos outros.
E é com os nossos que vou festejar em Maio no Marquês,"

Ricardo Santos, in O Benfica

Atraiçoados pelo calçado

"O Benfica viajou ao Funchal para medir forças com o Marítimo no Complexo Agrícola dos Barreiros. Apesar de o nome do clube sugerir o mar como habitat natural, é na terra lavrada que os insulares se sentem confortáveis. Admirei, confesso, a destreza campestre por eles exibida durante toda a partida.
Logo a abrir, o Charles foi colher uma batata ao fundo das redes com elevada agilidade - aquela que lhe faltou para os pontapés de baliza nos últimos 20 minutos. Este início terá entusiasmado muitos, porém, eu fiquei desconfiando. Tenho motivos suficientes para acreditar nesta equipa em jogos de futebol - deram-me fortíssimos argumentos para isso nos últimos anos. Todavia, a confiança é quase nula quando se trata de embates agrários. Dizem, alguns, que tínhamos obrigação de fazer mais e melhor. Concordo em parte.
A esse propósito, devo dirigir-me ao presidente Luís Filipe Vieira. Aplaudo de pé a aposta no Seixal, mas esta exibição colocou a nu algumas fragilidades do projecto. Tanto quanto sei, as tão apregoadas condições do CFC, englobam, por exemplo, bolas. Também balizas. Chuteiras, presumo. Parece-me francamente pouco. Agora, não há como esconder certas carências: foices e enxadas.
Ao que parece, para se ganhar não basta saber ser bom em futebol - é ainda necessário dominar a agricultura. Eu bem vi, a meio do jogo, o Salvio esbarrar numa plantação de cebolo ao tentar driblar dos camponeses, perdão, adversários. Juro que avistei o Cervi a cruzar, por engano, uma beterraba para a área. Até reparei, imagine o leitor, que o Jonas estava a jogar de chuteiras.
De facto, é inevitável investir. Neste jogo, fizeram imensa falta 14 pares de galochas."

Pedro Soares, in O Benfica

É de todos nós!

" “O Benfica é nosso!”. Ouviu-se na última AG, como lema de uma minoria contestatária que parecia pretender impor pela força os seus pontos de vista. O Benfica é de facto nosso. É meu, é do caro leitor e consócio, e é de mais duzentos mil espalhados de norte a sul do país e pelos quatro cantos do mundo. Não é exclusivamente, nem preferencialmente, de qualquer facção, grupo de adeptos, claque, bancada, blogue, faixa etária ou localidade. É de todos.
Tratando-se de um clube onde a democracia antecedeu, em muito, a do próprio país, é à maioria que cabe escolher o caminho. Independentemente do legítimo direito à crítica, o poder dos sócios materializa-se essencialmente pelo voto. E o rumo seguido desde 2001 tem sido sucessivamente sufragado por amplas maiorias de associados.
Quem não está de acordo tem total liberdade para promover e apresentar alternativas. Já aconteceu, e certamente voltará a acontecer no futuro - o que, diga-se, é salutar para a vida do clube. Também a exigência é saudável. Todos exigimos vitórias e títulos. É disso que se alimenta a nossa paixão. 
Porém, essa exigência tem de ser exercida dentro dos parâmetros institucionais, e do respeito por quem nos representa. Nesta última AG alguns jovens, numa idade em que as certezas são maiores do que a sabedoria, não tiveram esse cuidado. Não é com petardos, cadeiras pelo ar ou agressões, que se resolve seja o que for.
Os nossos dirigentes foram eleitos há menos de um ano, com mais de 90% dos votos, em acto bastante participado. Desrespeitá-los é desrespeitar a esmagadora maioria dos sócios. É desrespeitar o próprio clube."

Luís Fialho, in O Benfica

A histórica intervenção de Luís Filipe Vieira

"No Desporto, além de nunca jogarmos sozinhos e de termos pela frente outros - e outras equipas - a quem precisamos de vencer, é absolutamente crucial que, a cada momento do jogo ou da corrida, consigamos superar-nos a nós próprios, sejam quais forem as dificuldades que tenhamos de enfrentar.
Luís Filipe Vieira representou mais uma vez, na Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica realizada na passada sexta-feira, o exemplo vivo dessa capacidade de auto-superação em ambiente adverso que só os grandes desportivos, os maiores líderes sociais ou pessoas invulgares conseguem demonstrar, nas ocasiões mais delicadas. Por mim, classifico como histórica a intervenção do Presidente Luís Filipe Viera na reunião magna de 29 de Setembro.
Em linguagem comum, pode dizer-se e com propriedade, que o Presidente 'virou' literalmente a Assembleia com a clarividência das provas que enunciou, para desconstruir, uma por uma, todas as imputações que erroneamente haviam sido aventadas (algumas em tom e com procedimentos intoleráveis), naquele tradicional contexto democrático das Assembleias Gerais do Benfica, em que até a asneira é absolutamente livre, mesmo que seja totalmente despropositada.
A frontalidade com que enfrentou a gritaria - tantas vezes injusta e autoflageladora para o Benfica - e a energia, a contundência do seu improviso calaram fundo na Assembleia. Vieira, com indesmentível coragem e pleno de razão nos argumentos, fez questão de dissipar todas as dúvidas e de reafirmar os objectivos e os projectos que estão, há muito, definidos. E o Povo do Benfica que, por experiência própria de quatorze anos (a completarem-se no fim deste mês) confia nele, uniu-se em volta do seu Presidente. Mais uma vez, para desespero dos outros, o Benfica ficou ainda mais poderoso, para ganhar tudo o que só nós juntos, afinal, quisermos vir a ganhar."

José Nuno Martins, in O Benfica

Contas do Clube

"A Direcção do Sport Lisboa e Benfica apresentou, na última Assembleia Geral, o Relatório & Contas do Clube e aquilo de que desconfiávamos confirmou-se - 2016/17 será um dos anos mais dourados da história. Numa conjuntura difícil, conseguir apresentar rendimentos operacionais de 65,7 milhões de euros, um aumento de 56%, resultados operacionais de 35,3 milhões de euros, um aumento de 122% e resultados líquidos de 35 milhões de euros, ou seja, mais 124%, só está ao alcance dos grandes gestores. Como se tal não bastasse, conseguir o milagre de fazer aumentar o activo em 140%, passando de 25 para 61 milhões de euros, é extraordinário!
E se os resultados económico-financeiros são impressionantes, o que dizer dos resultados desportivos! Tivemos conquistas em todas as modalidades - Atletismo, Basquetebol, Futsal, Andebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Canoagem, Judo, Duatlo, Triatlo e no Projecto Olímpico. Na apresentação, o vice-presidente Nuno Gaioso apontou ao futuro. No âmbito desportivo, a aposta será no core business do Clube - o Futebol de Iniciação e as Modalidades -, integrando e potenciando os atletas oriundos da formação.
No âmbito não desportivo, continuará o reforço do papel do Sócio como principal activo, centrado no investimento das Casas, no Red Power e no Merchandising.
A mais complexa das tarefas será no âmbito económico-financeiro, com a consolidação da estratégia de credibilização e de afirmação do SL Benfica. A manutenção do investimento com gestão equilibrada dos gastos e a recuperação gradual dos Fundos Patrimoniais do Clube, com a manutenção da exploração lucrativa e sustentada, serão outros desafios exigentes."

Pedro Guerra, in O Benfica

Contas Benfica SAD (parte II)

"No artigo anterior reproduzimos os activos correntes e não-correntes da Benfica SAD. Vejamos (...) a evolução dos activos correntes consolidados da Benfica SAD.

Chegámos à conclusão de que, perante os valores apresentados nas contas, o grupo Benfica SAD tem muita disponibilidade financeira. Se cobrar os valores que tem a receber de clientes, pode realizar duas de três operações possíveis - pagar mais passivo corrente e tentar ficar compassivo não-corrente, reforçar a sua equipa de futebol, ou investir em outras áreas, ou tudo junto!
Mas o valor do passivo total tem vindo efectivamente a baixar?

Vejamos (...) o passivo corrente do grupo Benfica SAD.
E quanto ao não-corrente, (...)
Está perfeitamente identificada a situação que caracteriza o passivo do grupo Benfica SAD. São os empréstimos obtidos.
Como primeira nota, a substituição de empréstimos obtidos de passivo corrente para não-corrente equivale ao prolongamento no tempo do seu pagamento,  que possibilita o aumento da percepção de rendimentos que permitam o seu pagamento de forma mais faseada.
Depois, os empréstimos obtidos caracterizam-se agora essencialmente por operações de obrigações.
Essas operações de obrigações têm uma média de durabilidade de três anos, e convém um destes dias dar uma olhada pelo valor que a Benfica Estádio ainda deve ao seu Estádio da Luz. A contracção do naming permitiria acelerar o pagamento integral do Estádio.
Ora, o encaixe de valores significativos de vendas de jogadores permite que se reduza o passivo de empréstimos obtidos de forma considerável, mas há que ter atenção aos custos.
Um clube, hoje em dia, é uma mistura de património e campo. O poder pode vir do campo, mas, se não for acompanhado de uma gestão superavitária, vai acabar por mergulhar nas águas frias do mar do Norte.
É inquestionável que a exigência da formação continua a ser muito grande, pois só se podem substituir com rentabilidade as saídas com a produção de matéria-prima com baixo custo. E aqui, há que olhar e focar.
Há um momento em que se deve partir para horizontes maiores, mas primeiro há que arrumar a casa e criar estabilidade, patrimonial, financeira e desportiva. E, sem estabilidade humana, o que se obtém é zero!
Investir em activos tangíveis de infra-estruturas tem de ser acompanhado num investimento a sério que permita obter rentabilidade, um bocado à imagem do que agora está na moda - contrair créditos à habituação para arrendar em alojamento local e com essa renda pagar o empréstimo.
O Benfica não precisa de ficar neste 'limbo' de mercado, pode perfeitamente arranjar um investimento que não dependa das variáveis do mercado. É tudo uma questão de estudo. Mas que tem uma situação financeira invejável face à sua dimensão, isso tem.
Uma operação pública de venda das suas acções permitiria um encaixe brutal de dinheiro, mas a contrapartida era perder o controlo da SAD. Isso é impossível no quadro cultural actual. Por isso, tem de se reforçar e voltar à ribalta desportiva, com cabeça, tronco e membros. Não é fácil, mas é possível!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Alvorada... com o Pinheiro

Até Janeiro, rapazes?

"Quando ficar no plantel é tudo menos um prémio para um jovem

Muito promovida no verão, a aposta na prata da casa acaba por revelar-se, não raras vezes, uma ilusão prejudicial para jovens talentos do futebol português.
Entre Junho e Julho tudo é um sonho: o telefonema a “convocar” para a pré-época, o arranque dos trabalhos, a vontade de agarrar um lugar. Pelo início de Agosto já muitos chocaram de frente com a realidade: as oportunidades resumiram-se aos minutos finais de um ou dois jogos e a esperança de conquistar um lugar no plantel é falaciosa.
Alguns jovens integram os trabalhos de pré-época apenas para “fazer número”, enquanto não chegam os jogadores que estiveram ao serviço das selecções, ou os reforços ainda por contratar. O espaço para afirmação vai diminuindo de semana para semana. O empréstimo surge nos últimos dias de mercado, o que dificulta a conquista de espaço no clube de acolhimento.
Mas ficar no plantel pode ser um presente envenenado, sobretudo quando há quase trinta colegas no balneário, o que logo à partida subverte a lógica das equipas B.
Estes jovens ficam no plantel principal, mas são terceira ou quarta escolha para a posição que ocupam. É o caso de Diogo Gonçalves, tapado no Benfica por Salvio, Cervi, Zivkovic e Rafa. Ou João Carvalho, um «10» sem espaço próprio no modelo de Rui Vitória e até aqui ignorado como opção para «8» ou ala. Ou João Palhinha, recuperado em Janeiro pelo Sporting mas agora atrás de William, Petrovic ou Battaglia nas opções de Jorge Jesus para a posição «6».
Ainda que tenha tirado menos proveito da formação nos últimos anos, o FC Porto tem feito melhor esta gestão. A prova disso é o empréstimo ao Estoril de Fernando Fonseca (20 anos), um lateral que já pedia outro patamar, o que permitiu também abrir espaço para Diogo Dalot (18 anos), que treina com a equipa principal mas continua a ter competição regular na equipa B e nos juniores (onze jogos já disputados).
Estamos já em Outubro e Diogo Gonçalves tem três jogos disputados (dois pela equipa principal e um pela B), João Carvalho fez um (pela B) e João Palhinha ainda nem alinhou em nenhum. Talvez a terceira eliminatória da Taça de Portugal lhes dê uma oportunidade (vamos lá ver), mas a verdade é que o espaço na equipa principal está vedado e ir à B já é de menos, até porque vão tapar outros valores emergentes.
Salvo qualquer alteração de estatuto – que pareceu pouco provável nesta altura-, resta esperar por Janeiro, então, para que acelerem a evolução.
Até lá, rapazes!"

Os atalhos da crença

"No passado dia 4 de Outubro aconteceu história para um modesto clube com o mesmo nome da cidade que o acolhe, Londrina, e que, pertencendo embora ao Estado do Paraná, dista da capital, Curitiba, cerca de quatrocentos quilómetros (380, mais precisamente), parecendo as suas gentes mais afectadas pelos temperos do Estado vizinho, Minas Gerais, do que pela agrura e frialdade do sul: o Londrina, actual nono classificado na Série B do campeonato brasileiro, sacando imprevistas forças lá dos fundos misteriosos de uma secreta crença, arrosta o poderoso Atlético Mineiro, O Galo, (com Robinho, Elias, Fred e companhia) e, segurando heroicamente o zera-a-zero durante os noventa minutos, acabaria, nos penalties, por sagrar-se campeão da Taça da Primeira Liga, a mais jovem competição do quadro competitivo brasileiro (esta é apenas a sua segunda edição) – uma verdadeira aparição que deixou as bancadas, vestidas de azul do céu e branco de candura, literalmente em estado de êxtase.
Mas nem é a singularidade do feito que me motiva à escrita, que nós bem sabemos todos como os jogos “mata-mata” têm o condão de nivelar as forças em contenda.
• Um episódio, aliás, bem à brasileira, despertou a minha atenção: por detrás da baliza de todas as decisões, uma mulher, de branco vestida e de joelhos, com mãos ora erguidas em sinal de imploração ora tecendo gestos sincréticos de sinal da cruz e outras bênçãos (o brasileiro gosta de misturar os antropomórficos ingredientes de sua fé) e implorando ao Alto, sabe-se lá a quantas entidades, os favores de uma vitória, ardentemente anelada por estas gentes cansadas do jejum de glória.
• Vamos lá saber porquê, mas o certo é que algo de estranho aconteceu: o Atlético Mineiro falhou dois dos remates da marca de grande penalidade, enquanto o Londrina convertia os quatro: 4– 2, no final! Onde, porém, a estranheza?
• Nisto: enquanto o César, o jovem guarda-redes do Londrina, defendeu, com destreza, aparato e sorte, dois dos quatro remates efectuados, o Vítor, guardião do Atlético, quase defendia dois dos quatro. Sim, quase. E é neste “quase”, que se encerram motivos sobejos de estranheza: esses dois remates foram adivinhados e ambos bateram, inclusive, no corpo do desafortunado Vítor que, pese embora o nome de vencedor, nada conseguiu fazer para impedir o destino fatal do chuto: a bola anichando-se no fundo das redes – enquanto a fervorosa aliada dos deuses celebrava, com vénias de gratidão dirigidas ao Alto: “gloria in excelsis...”
• Vamos, então, à reflexão: nexo de causalidade entre as preces da devota “torcedora” e o desfecho vitorioso para o seu clube? Resposta: sim e não – ou, não e sim.
• Não, no sentido de que não há um limbo intermédio, gravitando algures sobre as cabeças aflitas dos habitantes da Terra, alegadamente povoado de forças contrárias, por entidades falângicas pertencentes a exércitos opostos, como se o Universo e a Vida fossem regidos por dois princípios irreconciliáveis e equivalentes em poderio, numa popular ressonância da doutrina maniqueísta. Não: Deus não sofre dos caprichos do humor.
• Sim, neste sentido: a crença, potenciada pela emoção e pelo desejo, converte-se em intencionalidade operante que, através de um processo conhecido como “processo de interferência’, transformou aquilo que era uma mera possibilidade de sucesso do Londrina em realidade experiencial.
• Aquela mulher, vestida de sacerdotisa e implorando os favores do céu em acenos de esperança, ali exposta à contemplação de todos, em especial dos jogadores, a todos convocou ao exercício intensificador da crença, ou seja, ela constituiu ostensivamente um sinal desencadeante de um colectivo reforço mental, acreditando no desfecho favorável, tão nitidamente visualizado – por todos. A unidade na fé – eis a chave para o enigma. E, quando antes dos penalties, jogadores e equipa técnica, em círculo e abraçados, ensaiaram, de olhos fechados, aquilo que pareceu ser uma fervorosa oração, disse para comigo: o Londrina já ganhou!
• Por isso, a bola, porque impelida por estado de firme crença, em vez de travar a sua marcha ao embater no corpo do guarda-redes, nada a deteve – como se guiada pelo invisível impulso de uma demiúrgica intenção de todos – e do próprio jogador que chuta.
• É por estas e por outras que advogo de há muito, sobretudo nos clubes de maior dimensão, a criação de um gabinete transdisciplinar de inteligência competitiva, uma espécie de laboratório do sucesso.
• Mas os clubes continuam a preferir pagar ordenados astronómicos a atletas lesionados meses a fio e pagar obscenas comissões a agentes gulosos.
• Até aparecer quem se adiante e antecipe o futuro.
• Que conste: não estou à procura de emprego, embora tenha sido despedido desse sonho num clube que precisa como nunca de remédio para a sua astenia."

Ainda vale a pena verificar os factos?

"Conseguir a ‘cacha’, dar primeiro a notícia e em exclusivo, é uma ambição de qualquer jornalista e uma mais-valia para o meio de comunicação social onde trabalha. O tempo sempre condicionou o trabalho jornalístico. Nas redacções, vive-se o dia-a-dia em função do deadline
 Num diário esse ‘limite de morte’ tem no máximo 24 horas, nas rádios e televisões decompõe-se nos horários dos noticiários. E no digital? A informação online rege-se por regras diferentes. A qualquer instante é possível dar uma notícia. O prazo de entrega é o agora, não há que esperar pela impressão do jornal ou o início do alinhamento.
Este admirável mundo (já não tão) novo representa uma pressão suplementar sobre o trabalho jornalístico. Aboliu as balizas temporais que, de alguma forma, organizavam a investigação e a redacção das peças. Por mais curto que esse intervalo fosse, existia. Agora, pode-se dar já a informação e desenvolver ou alterar depois. E assim nasce a ‘notícia corrigida’.
Este quotidiano do jornalismo digital encerra a perversidade de reduzir a importância dada à verificação dos factos. Cruzar dados, ouvir fontes, reler, confirmar, são tudo operações que levam tempo e deixam o agora à espera. Para quê verificar? Publique-se e, se for necessário, emende-se depois.
Os erros num jornal em papel perpetuam-se em arquivo na Biblioteca Nacional. Talvez seja de pensar duas vezes antes de optar por não verificar uma informação… Agora, no digital? Sem problema, avance-se!
Esta prática muito tentadora põe em causa a credibilidade de quem assina a notícia. Como confiar num jornalista que emenda e volta a emendar o trabalho realizado? Afinal, o que era facto deixou de o ser 15 minutos mais tarde?
Mas será que o profissional dos média deve preocupar-se? Se a correcção foi rápida, terá alguém dado por isso? Quando se entrega a uma plataforma digital aberta um texto, som ou imagem nunca se sabe o que vai acontecer. No segundo seguinte, do outro lado do mundo, alguém pode gostar do que acabou de entrar ‘no ar’. Faz download, guarda, e cristaliza o erro num ficheiro que pode ser partilhado.
Se o disparate é grande, rapidamente chega às redes sociais. Não interessa que já tenha sido emendado. Nada impede o original por corrigir de circular e ser alvo de ridículo. Perde o autor da obra? Sim, claro. Mas perde também o jornalismo. Numa profissão sob permanente escrutínio público, os actos de um contaminam a imagem dos outros. E como da qualidade do jornalismo depende a qualidade da democracia, perdemos todos."

Benfiquismo (DCXVIII)

Em Paris, contra o Bayern, em 1972 !!!

Aquecimento... Obstáculos!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

14.ª Supertaça

Benfica 104 - 74 CAB Madeira
20-22, 33-12, 27-25, 24-15

Primeiro título da época, num jogo nem sempre bem jogado, mas com uma clara superioridade do Benfica... mesmo com alguns jogadores abaixo do potencial! E sem o José Silva...
Final do 1.ª período e início do 4.º período foram os momentos negativos, mas os indicadores positivos foram muitos e diversos: destaco as 22 Assistências! Nas épocas anteriores foi raro o Benfica ultrapassar as 10 Assistências!!!
Já agora, este é o 111.ª título da secção de Basquetebol do Sport Lisboa e Benfica.

Tudo isto contra uma equipa bem orientada, que parece-me ter mais soluções do que o ano passado!

PS1: Parabéns às nossas meninas do Futsal, pelo primeiro troféu da época: Taça de Honra da AFL, com uma vitória por 2-1 sobre o Sporting.
PS2: O Futsal masculino, fez um jogo positivo, mas não conseguiu vencer os Lagartos (1-2). Estamos melhores no controle da bola, mas 'falta' presença na finalização... No fim-de-semana temos jogo do Campeonato com os mesmos adversários.

PS3: O Hóquei em Patins, venceu nos penalty's o Valongo, na Elite Cup (a principal competição da pré-época). 3-3 no tempo regulamentar e 3-2 nas penalidades. O Hóquei tradicionalmente tem-nos brincado com más pré-épocas, portanto já me deixei de preocupar com estes resultados... mas amanhã temos jogo com a Oliveirense, nas meias-finais deste torneio...!!!

Jonas: génio e... problema táctico

"(...)
Benfica: muita coisa mal e nada fácil de superar rapidamente. Substituições de 3 pilares defensivos incrivelmente descuradas! Face a excessiva veterania dos centrais e do guarda-redes (também este com défice de rapidez na reacção a adversários que se isolam rumo à baliza), mais a debilidade física de Fejsa, bloco defensivo muito recuado - o que agrava problemas do meio campo.
Velho problemão... Vem de outras épocas, nítido perante rivais a sério, e agora sobe de tom, escandalosamente!, porque o fosso para a retaguarda obriga Pizzi a recuar (milagroso, na época anterior, foi ele ter resistido a 54 jogos quase sempre em grande de batuta em punho); e agora Pizzi em má forma...
Óbvio: amiúde, para melhor atacar, ou para controlar o jogo (e vão 4 marcando primeiro e não vencendo...), necessiadde de 4-3-3. Como? Para além de fracas opções no lote de médios (Krovinovic poderá ser excepção), há... Jonas (repito-me, algumas semanas depois). Simultaneamente, o grande talento da equipa (genial!) e problema... táctico. Não pode sair do onze. Não pode avançar para puro ponta de lança (não o é). E extremo também não. É precioso 2.º ponta de lança. Aos 33 anos, não pode é ter resistência para alto ritmo desce-sobe como o tal 3.ª médio em árduas batalhas no meio campo (vide Herrera e Bruno Fernandes).
Acresce,na debilidade do 4-4-2 benfiquista: insuficiente apoio dos flancos à linha média. Adeus ao altíssimo ritmo (e talento) de Nélson Semedo. Os jovens Grimaldo, Cervi e Zivkovic muito têm de crescer em robustez/consistência competitiva, Rafa sente imenso o peso da transferência... E a classe de Salvio amiúde suporta problemas físicos.
Finalmente: o presidente afirmou que poderia ter transferido Jiménez por €25 milhões e preferiu saída de Mitroglou. Pela diferença de idades? Desconheço se o treinador concordou. Nunca fui grande admirador de Mitroglou. Porém, evidente: foi-se o único puro ponta de lança de grande área (é óptimo ter Bas Dost, ou Aboubakar e Soares). Chegou Seferovic, entrando de rompante, apagando-se depois. O excelente avançado no seu arranque benfiquista surpreendeu-me face ao que lhe vira fazer na selecção suíça e no Frankfurt... Reservei e reservo clara opinião."

Santos Neves, in A Bola

Pontaria de Jonas funciona em contraciclo

"Já muito se disse ( e escreveu) sobre o cinzento arranque de temporada do Benfica. Os problemas, aliás, são inúmeros, destacando-se a tremenda dificuldade que a equipa revela para ganhar, nomeadamente nos jogos fora. Nos Barreiros, diante do Marítimo – quarta deslocação do campeonato –as águias somaram o terceiro tropeção (1-1), depois do empate em Vila do Conde (1-1) e da derrota no Bessa (1-2). A única vitória como visitante aconteceu em Chaves, com o golo solitário de Seferovic a aparecer já nos últimos instantes. Mas marcar, curiosamente, não tem sido o maior problema, pois as águias até são a única equipa que fez golos em todas as jornadas. De resto, Jonas soma 9, lidera a lista dos ‘artilheiros’ e só não deixou a sua marca precisamente no sucesso em Trás-os-Montes. A partir daí facturou sempre, pelo que vai numa sequência de seis jogos a acertar nas redes.
Pode mesmo dizer-se que o brasileiro segue em contraciclo com o rendimento global da equipa. Mantendo este ritmo – e admitindo ainda que o desempenho colectivo possa melhorar – não é de excluir que o futebolista caminhe para a temporada mais concretizadora em Portugal. Em 2015/16, na sua melhor época entre nós, o dianteiro fechou a Liga com 32 golos, sendo que à passagem da oitava ronda (a sétima foi realizada fora da ordem habitual) tinha 7.
Certo, para já, é que Jonas entrou na lista dos 10 brasileiros com mais golos (74) na principal divisão nacional. À sua frente seguem Jardel (186 golos... em 186 jogos!), Edmilson (112), Gaúcho (103), Isaías (98), Duda (89), Lima (86), Paulinho Cascavel (84), Mirobaldo e Jorge Andrade (78). De todos, o atacante encarnado é o único que não soma 100 partidas (tem 88), muito por culpa da lesão que o afastou dos relvados vários meses na temporada anterior.
Mas, com excepção de Jardel, que apresenta a sensacional média de um golo por partida, Jonas tem a segunda mais alta (0,84). E como já se disse, face aos números actuais... a tendência é para melhorar.

Sabia que...
- O Tondela foi a segunda equipa a ter duas expulsões no mesmo jogo? Tal aconteceu em Chaves, onde os visitantes, mesmo assim, lograram empatar (1-1). Antes, na 2.ª jornada, na derrota (0-3) no Estoril, o V. Guimarães também teve dois vermelhos.
- Para além de FC Porto e Benfica há um terceiro clube com mais de 20 remates num só jogo? O Chaves, na partida em que alinhou vários minutos com duas unidades a mais, ‘disparou’ 24 vezes à baliza, o mesmo registo que as águias tiveram na jornada 7, na recepção ao P. Ferreira. O FC Porto, com 27 tentativas, em casa, contra o Moreirense (3.ª ronda), tem o recorde da época.
- O P. Ferreira é a equipa que sofreu mais remates dos adversários? Com 102, os castores são até a única formação que já viu mais de uma centena de remates à sua rede. Logo atrás seguem Aves (99) e Chaves (97). O Benfica ainda só permitiu 60."

A culpa é do Varela

"Ver talento desperdiçado é algo que custa muito. Principalmente quando o talento se explana em áreas de grande valor financeiro, com forte potencial para multiplicação da riqueza para quem tem tal dom, e elevados benefícios para todos os que com ele interagem profissionalmente. Estas linhas chegam a propósito da situação de Bruno Varela. O jovem guarda-redes do Benfica está numa esquina da sua ainda curta carreira. E não parece já possível que seja na Luz o palco para demonstração da sua grande valia.
A vida é feita muitas vezes de acasos. Se, como muito bem eternizam os nossos Comandos, a sorte protege os audazes, por vezes audácia e valor não chegam para se ter sorte.
Vejamos as diferenças entre o lançamento de Ederson e de Varela: Ederson teve a sua oportunidade quando a equipa estava sólida, saudável, com vontade de vencer. Ederson é um excelente guarda-redes e, naquela conjuntura favorável, foi-lhe fácil agarrar o lugar, depois brilhar muito, dar o seu natural franguito, tudo até protagonizar uma transferência milionária.
Varela entrou para a baliza numa equipa sem polos positivos. Um onze sem explosão, sem soluções fluídas pelas alas, incapaz de ser mandão no jogo, ganhar ressaltos e bolas de ninguém. Em vários jogos, Varela fez excelentes defesas, segurou pontos. Depois, deu um frango e logo foi retirado da baliza. O melhor que Luís Filipe Vieira terá a decidir será emprestar Varela em Janeiro, de preferência colocando-o no mercado internacional. Para futura venda.
Só fora da Luz poderá continuar a evoluir como merece um atleta que tem potencial para ser um dos melhores guarda-redes portugueses da próxima década. Mas a forma como foram geridas as últimas semanas deste felino, seguro e corajoso guardião, estão longe de recomendar a célebre estrutura do Benfica, como valorizadora de activos relevantes. Rui Vitória continua a apostar em jogadores que parecem tomados pela fadiga de ganhar, não há laterais que defendam e ataquem bem, foi vendido o único ponta-de-lança com presença na área. Pois bem, os resultados não surgem, queima-se o Varela na fogueira da opinião clubística e siga a crise. Como se tem visto nos jogos posteriores à decisão de queimar este jovem talento, o problema não estava no guarda-redes. Lamentável. Parece óbvio que Varela deu um grande trambolhão na sua carreira. Que não perca a fé, pois tem imensa qualidade!

P.S.- Em Alvalade estoirou a guerra de palavras entre as gentes do atual presidente e um ex-vice-presidente. Os mísseis entre Bruno de Carvalho e o ex-dirigente podem estilhaçar a actual estrutura. Pereira Cristóvão parece estar na posse de vasta informação sobre factos relevantes e tem muito pouco a perder. Aguardamos com expectativa os próximos capítulos das denúncias do ex-inspector da Judiciária."

Festa da Taça? Onde?

"Quando a FPF alterou o regulamento da competição Taça de Portugal (em 2015/16), colocando as equipas da 1.ª Liga a competir na 3.ª eliminatória frente a formações de escalão inferior, na condição de visitantes, fê-lo com o propósito de garantir o que durante décadas ficou conhecido como ‘a festa da Taça’. Uma boa ideia que na prática ainda não está a atingir o objectivo proposto. Porque a ‘boa vontade’ federativa esbarra de frente com a realidade: há inúmeros campos no país sem condições mínimas para receber jogos de adversários como Benfica, FC Porto ou Sporting.
A segurança de jogadores e adeptos tem de estar sempre em primeiro lugar, factor que excluí logo uma série de campos de equipas dos distritais e do 3.º escalão. Depois, há ‘pequenos’ que olham mais para a receita e menos para a ‘festa’, deslocalizando o palco do espectáculo, hipotecando as poucas possibilidades de êxito desportivo (há um ano, o Real defrontou o Arouca em Massamá e ganhou; depois ‘recebeu’ o Benfica no Restelo e perdeu 0-3).
Este ano as coisas não serão diferentes. Évora não terá a ‘festa da Taça’ frente ao FC Porto porque o campo do Lusitano foi chumbado (irá realizar-se no Restelo); Oleiros saberá amanhã se pode ou não viver a ‘noite de gala’ na próxima quinta-feira frente ao Sporting. Como há um ano o 1.º de Dezembro não deu a Sintra uma noite diferente, porque jogou com o Benfica no Estoril; nem Gafanha teve honras de ver o FC Porto no seu campo, porque defrontou os dragões no Municipal de Aveiro. A Taça de Portugal ainda não consegue garantir a festa prometida. E é pena."

Lanças... dar a volta!

Benfiquismo (DCXVII)

Vítor Silva

Redirectas L - Omeletes Sem Ovos

Caros indefectíveis, faça-se um teste: O cozinheiro mais conceituado perante o desafio de fazer uma simples omelete. Pode escolher quaisquer 11 ingredientes de uma lista extensa onde se incluem todos os vegetais, frutas, legumes, laticínios bem como gorduras, óleos e produtos ricos em proteínas como carnes, peixes ou crustáceos. Contudo para surpresa geral, da lista não constam ovos. 

Qual o resultado da empreitada? Que omelete apresentará o chefe cozinheiro à mesa do repasto proveniente da genialidade de toda a sua criatividade e mestria?

Por certo, se compreenderá que existem desafios que são em si mesmo difíceis provas a empreender.

Sim, caros companheiros, um treinador de futebol pode ser comparado a um cozinheiro que tem como principal missão preparar uma omelete a partir de um número de ingredientes distintos. Para isso escolhe jogadores de determinadas características consoante a sua ideia de jogo (receita). Os jogadores podem assim ser equiparados aos ingredientes. De todos os ingredientes os ovos são o ingrediente mais importante.

A consistência da omelete depende do número de ovos a utilizar. Ao serem retirados ovos dificilmente se consegue manter a mesma qualidade de omelete em termos de forma, textura e sabor.

A SAD do futebol do Sport Lisboa e Benfica quando tem como base da sua estratégia do modelo de negócio a venda de bens alimentícios tem de compreender que se vender os ovos sem ter outros para repor o stock deixa de conseguir produzir  as omeletes que são o seu ganha pão e sustento vital.

Ovos são assim jogadores raros de perfil único essenciais a uma equipa de futebol que se deseja campeã. Para o Benfica são jogadores como Jonas, Ederson, Renato Sanches, Nelson Semedo. Não se vendem porque: "tivemos que os deixar ir". Vendem-se quando outros ovos surgem caso contrário deixam de existir omeletes. Trocar carne por peixe não vem mal ao mundo. Salsa por coentros é quase indiferente. Agora, Ovos são ovos. Não se troca. Não tem como. 

Certo Sr. Presidente? Certo companheiros?

Querem fazer omeletes sem ovos?

Pelo Benfica Sempre!

Redheart

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Invictos !!!

Belenenses 23 - 37 Benfica
(13-20)

Mais um jogo avassalador... contra uma equipa que está a fazer um excelente campeonato.
Defesa intratável... com o Figueira em grande; contra-ataques demolidores e excelente eficácia...; ataques diversificados com combinações 'fáceis'; com todos a contribuírem...
E até a arbitragem absolutamente inacreditável (no inicio), teve que se render às evidências, e quando o resultado ficou 'decidido', 'desistiram' de inclinar o pavilhão!!!

O Terzic voltou a ter alguns minutos... e o Cavalcanti também... Destaco a confiança dos jogadores no momento do remate: uma diferença da noite para o dia, comparando com épocas recentes!!!

Na próxima jornada, recebemos os Lagartos, será uma boa oportunidade para observar o que é que esta equipa pode fazer com os 'milionários' do BESA!!!

O meu Benfica

"Importa que sejamos capazes de não anular o passado numas semanas de uma exageradamente chamada crise

Caminho da pedras
Têm sido, de facto, penosas as últimas semanas do futebol apresentado pelo Benfica. Não há como negá-lo. Ainda que com uma defesa enfraquecida face à temporada passada, custa a compreender a constante falta de controlo de jogo no meio-campo e o distanciamento incompreensível entre linhas. Agora não há lesionados, mas parece haver cansados. Mistérios que são difíceis de decifrar. No jogo em Basileia, a copiosa derrota até poderia ser uma daquelas noites em que tudo corre absolutamente mal e que, afinal, todas as equipas têm, mesmo as maiores. No ano passado, o Barcelona perdeu por 4-0 em Paris e o PSG retribuiu com um impensável desaire por 6-1. Nesta mesma jornada de agora, o Bayern só não apanhou mais de 3 golos por muita sorte. Porém receio que a noite negra na Suíça não tenha sido um mero acaso em que o futebol é pródigo. Neste campeonato, está a ser custoso ver o meu clube desperdiçar pontos com exibições muito vulgares, senão mesmo muito deficitárias. Há um pormenor do jogo da Champions que vale a pena ser retido. A equipa só fez 5 faltas (segundo o quadro da transmissão televisiva, embora 8 segunda A Bola)! Qualquer destes algarismos parece evidenciar uma equipa de insustentável leveza. Não me lembro de alguma vez o Benfica ter feito tão poucas faltas. E, neste domínio, é caso para dizer nem 8 nem 80, ou seja, nem poucas faltas, nem excesso de faltas. Um outro aspecto que me entristeceu foi o de observar a frustração imerecida de tantos portugueses que lá estiveram e que, imagino, no dia seguinte de trabalho se sentiram vexados.
Contra o Marítimo - equipa bem organizada - um batatal travestido de relvado pseudo composto nas vésperas do jogo, o Benfica, uma vez mais, foi incapaz de segurar um resultado positivo depois de um golaço de Jonas. E já lá vão quatro (CSKA, Boavista, Braga e Marítimo). Um jogo em que poderíamos ter vencido, mas que também poderíamos ter perdido. Houve vontade, empenho, mas tal não foi suficiente. Houve excessivas perdas de bola no epicentro do campo. Há um aspecto que eu - treinador de redpass - não compreendo de todo e que foi bem visível no jogo do Funchal. Onde está o ponta-de-lança? Mitroglou já cá não está, ele que, mais tosco ou mais habilidoso, fixava estabelecimento na grande área e por ali andava para marcar uns golinhos. Jonas tem sido (e bem) um jogador que ocupa e cria espaços para fora da área. Jiménez é muito esforçado e trabalhador, mas joga quase a extremo, numa posição para mim incompreensível! Houve uma série de jogadas em que os alas olhavam para a área e não morava lá ninguém!
Fazendo-se, porém, a comparação com o que aconteceu, no ano passado, com as equipas que o Benfica já defrontou, nesta temporada o resultado não é muito diferente: menos dois pontos. Mas a jogar muito menos.
Este fim-de-semana, afinal tudo na mesma na classificação, o que é uma má notícia.

Ser do Benfica
Nos momentos difíceis é necessário que a emoção descontrolada não tolde a razão. O que se passou na Assembleia-geral do Benfica da passada semana é, a todos os títulos, deplorável. Sem perdermos a capacidade crítica e o dever de escrutinar as decisões dos órgãos eleitos (e estes perceberem que os nossos estados de alma devem ser tomados me conta), importa que sejamos capazes de não anular o passado numas semanas de uma exageradamente chamada crise.
Ser benfiquista só quando se ganha é fácil, mas é uma ligação interesseira, conjuntural que não resiste à mínima brisa perdedora. Ao longo da minha vida, já passei por momentos gloriosos e por acontecimentos desoladores. É assim o desporto. Não se ganha sempre e não se perde sempre. No fim, o que para mim sempre contou, conta e contará são três palavras mágicas unidas no nome do meu clube - Sport Lisboa e Benfica - essa identidade trinitária consagrada no lema E pluribus unum. O seu espírito fundacional, a sua história, os seus sucessos são a imagem indelével de um clube tão português e ecléctico quanto saboroso.
Às vezes me pergunto porque sou do Benfica. Sou e chega. Sou amante, até ao tutano da minha alma. E, como bom amante clubista, em regime de monogamia absoluta. Cega, mesmo. Porque nenhum outro me interessa, para além do Benfica.
Um desaire do meu Benfica perfura-me o ânimo, sem cuidar da anestesia. Uma vitória do meu Benfica alimenta-me mais do que o mais calórico dos alimentos e anima-me mais do que uma mão cheia de antidepressivos. Na vitória, o amor ao clube é partilhado, mas na derrota a solidão dá-lhe uma expressão infinita e incondicional. Como acontece com a pessoa amada, o verdadeiro teste do afecto concretiza-se nos momentos difíceis.
O Benfica é, para mim, afecto e privilégio, coração e razão, vitamina e analgésico, fermento e adocicante, saudade e desafio, cumplicidade e aconchego.
O Benfica acontece em mim. E nesse acontecer, funde-se a minha personalidade, com o sentimento de pertença. De paixão. Onde tudo o resto do clube se apaga, excepto isso mesmo: a ideia de ser Benfica. Sem personagens, sem fronteiras, sem referências. Apenas a imanência de o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica. Ganhando ou perdendo. Com papoilas saltitantes. E sonhos dentro do sonho.

Eusébio Cup
aqui falei da inoportunidade de o Benfica ter acordado o desafio correspondente à Eusébio Cup no início de Outubro, no Canadá. Fiquei, pois, satisfeito com o seu cancelamento, independentemente das razões que possam ser invocadas.
No entanto, entristece-me a desvalorização a que vem sendo submetido este troféu criado para homenagear eternamente o grande Eusébio da Silva Ferreira. Começou por ser um jogo com grandes clubes (Inter, Milan, Arsenal e Real Madrid), passou depois para clubes medianos (Tottenham, São Paulo, Ajax) e, nos últimos anos, desembocou em partidas pouco apelativas como, por exemplo, contra o Monterrey (no México!) e o Torino. Aparentemente, deixou de ser o verdadeiro jogo de apresentação da equipa no Estádio da Luz. Este ano, depois da tentativa falhada com o Chapecoense (aqui até se percebe o efeito emocional depois do trágico acidente que vitimou a equipa brasileira), ajustou-se o jogo com o novo Glasgow Rangers (não confundir com o consagrado e velho Glasgow Rangers...), agora anulado. Ainda haverá a 10.º edição. da Eusébio Cup? Tenho pena, embora compreenda quão difícil é encontrar datas e equipas que valorizem o troféu.

Contraluz
- Número I: 1601
Os dias desde o último de campeão (tricampeão) do FC Porto (18 de Maio de 2013).
- Número II: 5624
Os dias desde o último título de campeão do Sporting (12 de Maio de 2002).
-Número III: 136
Os dias desde o último título de campeão (tetracampeão) do Benfica (20 de Maio de 2017)
- Palavra: Crise
Deriva do grego Krisis que significa decisão. Já para os chineses, crise=perigo+oportunidade. A palavra que na vida, na política, na economia, no futebol mais se ouve e repete. A nossa idossincrasia ciclotímica mais parece um registo de um sismógrafo. Da euforia à crise num ápice e, de regresso, da crise ao seu esquecimento à distância de um nada. Agora, que já não temos cá a troika, é a vez do Benfica alimentar convulsivamente o diário nacional das crises... até parecendo que não ganhou 12 dos 16 títulos nacionais das últimas 4 temporadas!
- Pensamento:
«A verdadeira crise, é a crise da incompetência. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo»
(Albert Einstein, 1879-1955)"

Bagão Félix, in A Bola