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sábado, 3 de janeiro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Mourinho - Estoril

BI: Antevisão - Estoril

Terceiro Anel: Bola ao Centro #172 - Ano Novo, Vida Nova!!!

É impossível ignorar situações passadas


"COMPAREM LÁ BEM AS DECISÕES DOS ÁRBITROS NESTES DOIS LANCES!

1. No jogo que decidiu o título de 2017-18 o lance sobre o Zivkovic, já depois do minuto 90, foi desconsiderado pelo árbitro e, assim, o Benfica perdeu a oportunidade de empatar o jogo - Herrera tinha adiantado o Porto no marcador uns minutos antes. Empatando o jogo, ficávamos na frente do campeonato, e quem saísse daquele jogo na frente do campeonato dificilmente deixaria de ser campeão - e o Porto saiu na frente e foi campeão. Mas hoje em dia já ninguém se lembra deste lance e só se fala que o Vieira vendeu jogadores e com isso perdeu o penta.

2. No jogo de domingo passado, o árbitro resolveu anular um golo ao Benfica por alegada falta de Ríos. Ora o golo anulado a Dahl teria levado muito provavelmente o Benfica à vitória no jogo de Braga e, assim, manter-se-ia à mesma distância dos dois primeiros.

3. Quanto mais equilibrados são os jogos e/ou as competições, mais peso têm as decisões arbitrais nos jogos e/ou nas competições. É um facto indesmentível.

4. Não estão aqui em causa os nossos erros próprios, que existem, claro, mas que só nos penalizam a nós. Estão aqui em causa as diferenças de critérios dos árbitros que decidem jogos e/ou competições."

Janeiro já tem muito para decidir


"Novo ano não dá tempo para respirar. Benfica está encostado à parede e precisa de um mês perfeito para não sentenciar a época. Consistência de FC Porto e Sporting à prova até ao clássico

2025 já ficou para trás, muitos balanços foram feitos mas o calendário de janeiro está de tal forma sobrecarregado que nem sequer há tempo para fazer grandes reflexões. E, depois do polémico empate em Braga, que na Luz se garantiu ter-se tratado de uma vitória, o Benfica entra em 2026 entre a espada e a parede e José Mourinho e os jogadores terão pela frente um mês verdadeiramente infernal. Jogos com SC Braga e possivelmente Sporting na Taça da Liga já na próxima semana, deslocação ao Dragão para a Taça de Portugal e a Turim na Liga dos Campeões antecederão a receção de honra ao Real Madrid, no último jogo do mês.
Na Liga, Estoril (c) Rio Ave (f) e E. Amadora (c) aparentam ser jogos de menor grau de exigência, mas o passado recente dos encarnados no campeonato obriga a muitas cautelas, pois foi com Santa Clara, Casa Pia e Rio Ave, precisamente, que se registaram três inaceitáveis tropeções para quem quer lutar pelo título. Só aqui ficaram seis dos dez pontos de atraso e à águia de pouco valerá continuar a pressionar o botão da vitimização e das arbitragens, porque isso não tornará a equipa mais competente e algo terá de mudar para que a temporada não fique praticamente sentenciada no final do mês.
A distância para a liderança já é de dois dígitos e ainda nem a primeira volta acabou, a missão na Champions está muito difícil mas não impossível e as Taças serão, por isso, boias de salvação para que, como em épocas anteriores, os últimos meses não sirvam para sacudir as culpas do capote e prometer que em 2026/2027 tudo será diferente.
Se na Luz o ano começa com nuvens muito cinzentas, no Dragão e em Alvalade o mood é outro, pelo menos até ao clássico aprazado para o início de fevereiro, porque dragões e leões têm passeado em muitos dos jogos no campeonato e parece difícil que até lá existam escorregadelas. O Sporting de Rui Borges está bem e recomenda-se, inclusivamente na Champions, mas terá de correr atrás do cinco pontos para o tão desejado tri.
Quando jogou bem, o FC Porto ganhou, assim como ganhou quando jogou menos bem e até mal, e a consistência que Francesco Farioli conseguiu entregar à equipa é admirável e merecedora de que Villas-Boas o premeie com alguns presentes no mercado. É dessa regularidade que se fazem os campeões, porque nem sempre é possível mostrar futebol champanhe. Será interessante perceber que gestão fará o italiano quando a Liga Europa entrar nas fases a eliminar."

Que Benfica haverá depois de Mourinho?


"O que se passa na Luz era previsível, mas não aceitável. O naufrágio tinha sido anunciado. Agora, tenta-se jogar à bola no convés, ignorando que um porto seguro está cada vez mais longe

Previsível, ainda assim inconcebível, o que se passa no Benfica. E é um Benfica ainda mais esvaziado de esperança, sem alma, desprovido de todo o inconformismo que ainda embalou as últimas eleições até se diluir por fim em duas voltas de recorde e se misturar com o betão do estádio. O clube afunda-se e parece estar tudo bem. Se ouvirmos com atenção, o som do violino mistura-se com o das ondas desde o salão. Há quem dance. Os que embarcaram na continuidade e se tornaram cúmplices não tardarão a acorrentar-se ao mastro principal, com medo de serem cuspidos como barris de rum borda fora e o «Homem ao mar!» não venha acompanhado por mãos que os traga de volta.
Está tudo bem, mesmo com a Liga a dez pontos, a Champions do ano que vem a cinco e, sobretudo, a tendência de que as distâncias aumentem, não diminuam, apertem e devolvam a fé, à falta de algo mais palpável, a Rui Costa, José Mourinho e companhia. Se «resignação» é a palavra que melhor resume o que se passa no burgo encarnado, os grande rivais podem tranquilamente dividir o grande prémio e o mal menor, o 1.º e o 2.º lugar, fazendo depender do clássico de daqui a um mês e picos, no Dragão, o tira-teimas da segunda discussão mais importante do ano. A primeira é se foi ou não penálti. Ou pontapé de canto.
Claro que há muitas contas a fazer e até um passado recente de recuperações e perdas pontuais impensáveis, inclusive para Francesco Farioli, o técnico que menos tem falhado até aqui, porém, não tendo eu capacidades de adivinhação do futuro, parece de todo improvável que quem para já anda pior em tudo, a defender e a atacar, numa Liga em que se ataca mal e ainda pior se defende, vire em pouco meses duas lutas (e não apenas uma) a seu favor. É que mesmo que contratasse três ou quatro foras de série continuar-lhe-ia a faltar o essencial: em nenhum dos casos depende de si.
A crónica vitimização de José Mourinho arrancou desde cedo e a sua desculpabilização não demorou a vir do lado de uma oposição que nunca conseguiu resolver o último trunfo apresentado por Rui Costa para também ele se amarrar ao leme de um navio que há muito perdeu o rumo e entrou bem no coração da tempestade.
Talvez a lógica nos dissesse a todos que manter Bruno Lage, mesmo com o ruído que já havia à volta e depois de ter passado incólume ao verão — aí sim, o momento para mudar — carregasse menos anticorpos para o sucesso, já que trabalharia com os jogadores que tinha escolhido e para os quais tinha um plano, fosse este bom ou mau. Porque se a direção encarnada entendeu que lutar até ao fim por várias competições era motivo de esperança para a nova época, o que poderá estar a dizer daqui por algumas semanas, depois das decisões do acesso à fase a eliminar da Liga dos Campeões, Taça da Liga e Taça de Portugal, se não tiverem efeito positivo? Qual será o discurso? Como estará então a aura de Mourinho? Porque se depender apenas de si, é muito provável que, à falta de interesse de outros emblemas, o setubalense comece na Luz a próxima temporada, a correr os mesmos riscos de ser despedido que Roger Schmidt e Bruno Lage correram. E com menos moral.
Os sinais no mercado apontam para um Benfica a querer ser cada vez menos dominador, a viver no cinismo e na transição ofensiva, sem querer realmente tirar a bola aos seus rivais. Nesse sentido, o plantel vai igualmente emagrecer, não fossem já insuficientes, nas opções para o ataque posicional, um dos problemas transversais a todos os técnicos da era Rui Costa. Falo de Andreas Schjelderup, que desde cedo se percebeu não ser jogador para Mourinho, ainda que não necessariamente para os encarnados, que nunca foram firmes na aposta no jovem norueguês. Claro que cometeu erros e, por vezes, se esqueceu de defender, porém não é desta forma que se trabalha um jovem talento, sem lhe dar contexto para poder vingar. A decisão isola ainda mais Sudakov na tomada de decisão, pressiona Ríos para fazer o que não sabe, Barreiro a assumir aquilo em que é muito fraco e o bom Aursnes a expor debilidades que tantas vezes soube esconder.
Talvez seja cedo para pensar na próxima época, porém resta muito pouco a que os benfiquistas se possam agarrar. José Mourinho terá este e o próximo mercado para moldar a equipa à sua imagem e acrescentar-lhe aquilo que muitos ainda veem no técnico, apesar dos últimos anos menos bem-sucedidos: a cultura de vitória. Não o fará, neste último aspeto, sem acrescentar prata ao Museu. Talvez para isso lhe deem carta branca. Não um livro de cheques por estrear, mas deixá-lo tomar todas as decisões. E, imediatamente, lavar as mãos.
Se o Benfica daqui por um ano estiver mais à imagem de Mourinho também parece mais ou menos evidente que andará mais longe de ser controlador, dominador, ou seja, estará ainda mais longe de jogar como equipa grande. E isso também devia preocupar os encarnados. Mesmo que os troféus acabem por compensar a curto prazo, o que nem sequer é certo perante dois rivais que se vão mostrando mais consolidados, fortes e até racionalmente mais competentes e Mourinho também ele ande menos certeiro no toque de Midas, a equipa estará bem mais longe da identidade que o próprio Rui Costa admitiu como sua, quando avançou para Schmidt.
Esqueçam o jogar bonito. Não é disso que se trata. É o trabalhar para jogar bem, não é ornamentar jogadas, fazer passes e jogadas espetaculares. É, sim, possuir os comportamentos corretos coletivos e individuais para se estar sempre mais perto de vencer todas as partidas. Não fazer depender os ataques apenas das individualidades. Ou todos golos consequência de uma bola parada ou de momento de pressão alta. Porque há dias em que nada funciona e é preciso… jogar à bola.
Um Benfica em que Mourinho decida tudo levará a uma equipa cada vez mais à sua imagem, mas eventualmente apenas preparada para treinadores do mesmo perfil. Trabalhar para o presente apenas significará abdicar de uma ideia diferente para o futuro próximo. E a equipa ficará a anos-luz da que deveria ser. A precisar novamente de muitos milhões. Talvez de 25 novos jogadores."

Desejo de Ano Novo


"Iniciamos um novo ano e, antes de mais, quero desejar a todos os leitores um bom 2026. Que seja um ano de saúde, de estabilidade e de pequenas vitórias quotidianas, dessas que não dão manchetes, mas fazem a diferença. Desejo-o a quem me lê e desejo-o também para mim. E mesmo não sendo pessoa de superstições, lá fui, na viragem do ano, cumprir o ritual das doze passas, uma a uma, cada uma com um desejo. Talvez mais por tradição do que por crença, mas confesso que este ano houve um desejo que se destacou claramente dos restantes.
Não vou expor listas nem partilhar intimidades. Mas há um desejo que faço questão de assumir publicamente: que a arbitragem em Portugal melhore. Que melhore mesmo. Pode parecer estranho gastar um desejo de Ano Novo nisto, quase um desperdício quando há tanta coisa mais importante e que tantas vezes não está ao alcance da vontade humana. Mas começo a achar que, se não for por intervenção divina, dificilmente será por ação humana. E isso diz muito sobre o ponto a que chegámos.
Não vou falar de lances concretos nem de jogos específicos. Não é isso que me move hoje. O problema já não são apenas os erros, por mais gritantes que sejam. O problema é a reação aos erros. A normalização. A forma como o futebol português aprendeu a conviver com a suspeita, como se ela fosse parte natural do espetáculo. Hoje, como no passado, cada decisão polémica não é analisada apenas como erro ou acerto, retirando-se as devidas ilações e correções a fazer, mas é imediatamente enquadrada numa narrativa antiga, reciclada e profundamente tóxica.
Uma narrativa onde os erros nunca são apenas erros. Onde há sempre uma intenção escondida, um poder oculto, um beneficiado e um prejudicado. Onde se insinua que o futebol português foi, é e continuará a ser controlado por esta ou aquela figura, por este ou aquele clube. Esta ideia está instalada. Não nasceu ontem. Foi sendo construída ao longo de anos. É verdade que houve erros que deveriam ter sido corrigidos, mas, em vez disso, esta narrativa foi sendo alimentada por discursos inflamados, por comunicados estratégicos e por silêncios cúmplices quando dava jeito.
E pior ainda, é reforçada por quem devia ser o primeiro a desmontá-la. Quando ouvimos dirigentes máximos do futebol português sugerirem, mesmo que de forma indireta, que durante anos a arbitragem esteve condicionada por interesses específicos, estamos a validar a desconfiança no presente. Estamos a dizer aos adeptos que, se o passado foi viciado, o presente é apenas uma consequência natural dessa história mal resolvida. Mesmo quando se acrescenta, logo a seguir, que agora os erros acontecem a favor e contra todos, a mensagem implícita já foi passada: se antes fomos prejudicados, agora talvez estejamos apenas a viver uma espécie de justiça tardia.
Este tipo de discurso serve para dar declarações rápidas, para aliviar pressões momentâneas, para falar para dentro e mobilizar adeptos. Serve para o ruído imediato. Mas nunca servirá para melhorar o sistema. Pelo contrário, corrói-o. Porque transforma cada árbitro num suspeito permanente e cada decisão num ato de fé ou de desconfiança, conforme a camisola que se veste ou a bancada que se ocupa.
Enquanto em Portugal andamos presos a este ciclo vicioso, insistindo em discutir o passado para justificar o presente, noutros países discute-se outra coisa. Discute-se como melhorar efetivamente a arbitragem. Como dar melhores condições aos árbitros. Como reforçar a sua independência real. Como protegê-los da pressão mediática, institucional e até pessoal. Não para eliminar o erro, isso será sempre impossível, mas para garantir que, quando ele acontece, ninguém duvide da sua natureza humana. Este discurso continuará a ser feito por todos nós, com diferentes interesses e motivações, é certo, até que quem tem responsabilidades e competências para isso queira e possa mudar alguma coisa.
O VAR nasceu precisamente com esse objetivo. A tecnologia como aliada do jogo, não como substituta do árbitro. Em Portugal, transformou-se num novo foco de desconfiança. Não porque a tecnologia falhe, mas porque a forma como é usada, explicada e enquadrada falha repetidamente. Continuamos sem discutir como poderíamos ter mais transparência, continuamos sem pedagogia e sem uma estratégia clara que proteja o sistema de arbitragem e os próprios árbitros de um escrutínio que, muitas vezes, roça o linchamento público. E, com isso, proteger o futebol.
Às vezes nem precisávamos de ser particularmente criativos. Bastava olhar para fora. Bastava olhar para campeonatos onde os debates são constantes, públicos e incómodos. Onde se testam soluções, onde se assumem erros, onde se tenta melhorar, mesmo sabendo que a polémica nunca desaparecerá por completo. O que muda é a confiança no sistema e a perceção de independência.
É este o debate que devia estar no centro do futebol português, a par da formação e da preparação. Não faz sentido continuarmos a formar alguns dos melhores jogadores e treinadores do mundo e não termos uma ambição clara de formar também alguns dos melhores árbitros do mundo. Não por milagre, mas por método, investimento e coragem nas decisões tomadas.
Estas discussões talvez não encham capas de jornais. Talvez não expliquem derrotas ou vitórias. Talvez não deem conforto imediato ao adepto ferido. Mas são as únicas que interessam a quem quer ver o futebol português crescer, evoluir e ganhar credibilidade.
Quem continuar a fazer exatamente o mesmo que se fez até aqui terá de assumir essa escolha. E assumir também que, no fundo, talvez não queira mudar nada. Talvez apenas queira que o erro mude de lado."

BolaTV: Benfica District...

BI: Reforço - Lopes Cabral

Zero: Mercado - Leão fecha Luis Guilherme e ataca Faye

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As mudanças na Taça de Portugal para 26/27

Observador: E o Campeão é... - Novo ano começa com grade desafio para o Sporting?

Observador: Três Toques - Rafa vs Besiktas. Jogador ou escravo?

BolaTV: Toque de Bola - S01E05 - Fernando Pimenta

2026: os desafios que nos unem


"A mudança de ano é a altura perfeita para fazer balanços. Também é assim no futebol. Neste momento em que damos as boas-vindas a 2026, é tempo de olharmos para avaliarmos os momentos que deixamos para trás. Pensando em 2025, atrevo-me a dizer que será um ano que fica para a História da Federação Portuguesa de Futebol e do Futebol Português.
Nunca as Seleções Nacionais nos tinham dado, num só ano, tantos motivos para celebrar. Foram cinco títulos conquistados. Desde o futebol sénior, com a conquista da Liga das Nações pela Seleção A, ao futebol de formação, com a conquista, pelos Sub-17, do Campeonato da Europa e do Campeonato do Mundo — 34 anos depois do último, ganho por uma geração de ouro em 1990. Passando pelo futsal, com a brilhante conquista do Europeu Sub-19 e pelo futebol de praia, com o triunfo da Seleção Feminina na Superliga Europeia, a primeira conquista internacional de sempre da FPF no feminino. E não podemos esquecer o título de vice-campeãs do Mundo brilhantemente conquistado pela nossa Seleção de Futsal Feminino nas Filipinas. Um ano absolutamente brilhante, reconhecido internacionalmente, como se viu na 16.ª edição dos Globe Soccer Awards, no Dubai, onde o Futebol Português foi exaltado ao mais alto nível.
É o reflexo maior de uma cultura de vitória, que nos acompanhará ao longo dos próximos anos e nos deixará mais perto do sucesso.

O segredo do sucesso
Há, em cada um destes títulos, o trabalho de muita gente. A começar nos treinadores, jogadores e funcionários da FPF. Mas a verdadeira base do sucesso está no trabalho realizado por Associações Distritais e Regionais, Associações de Classe, Liga Portugal e Clubes. São eles a verdadeira força-motriz do Futebol Português.
E é por isso que a Direção da FPF continuará a apostar num novo modelo de Governação mais agregador, inclusivo e transparente — cujo I Conselho de Presidentes é o exemplo maior —, que tem como principal desígnio unir todos em torno da evolução do Futebol Português. Porque o nosso futuro depende da forma como formos capazes de encontrar, em conjunto, as soluções para os desafios que teremos pela frente.

Os heróis que não esquecemos
Mas 2025 não foi só feito de sorrisos. Sofremos as partidas, irreparáveis, de Diogo Jota e Jorge Costa. Não há vitória nem título que nos faça recuperar de perdas tão relevantes, mas havemos, a cada vitória e a cada título, de nos lembrar deles. É esse o compromisso que assumimos: não deixar morrer, nunca, a memória de Diogo Jota e de Jorge Costa. Nem de nenhum dos heróis que fizeram da FPF aquilo que é hoje.
Porque a memória será sempre o nosso bem mais precioso.
Fechado o capítulo de 2025, foquemo-nos em 2026. Um ano que nos trará grandes desafios. Dentro de campo teremos o Europeu de Futsal ou, no futebol, o Mundial-2026. Competições que abordaremos com a mesma ambição, com a mesma Cultura de Vitória de que nos alimentámos em 2025. Porque todos temos, não lhe chamemos uma convicção, mas um feeling, alimentado pela confiança no talento e no trabalho, que ficou bem expresso na frase do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando homenageou os vencedores da Liga das Nações: «Na América, vai dar Portugal!»
Continuaremos a apostar forte nas nossas Seleções. O novo ano marcará o arranque das obras da quinta fase da Cidade do Futebol, que contemplará a Universidade do Futebol e infraestruturas para a prática de Futebol de Praia e Walking Football, duas apostas fortíssimas desta Direção para as próximas épocas, tal como o Futebol Feminino (já está criado um departamento que lhe é dedicado em exclusivo) e o Futsal, sem esquecer os e-Sports.
São modalidades que já nos deram alegrias em 2025 e acreditamos que irão dar muitas mais no futuro. E têm, por isso, de ser acarinhadas. E fortalecidas.
Mas 2026 será também um ano de grandes desafios fora dos relvados. Temos, também aí, vários jogos para ganhar. Jogos absolutamente vitais para o futuro do Futebol Português. Jogos que não podemos perder.

Centralização dos Direitos Audiovisuais
2026 será um ano determinante para um processo que será um verdadeiro Game Changer para o Futebol Português. Em articulação com a FPF, a Liga Portugal apresentará à Autoridade da Concorrência o modelo de comercialização dos Direitos Audiovisuais centralizados, o último passo antes de poder ir ao mercado e implementar a Centralização a partir de 2028/2029. O caminho iniciado em 2021 entra na sua reta final e é tempo de começarmos, todos, a cuidar do produto que queremos vender. Aprovar o Regulamento Audiovisual e o Regulamento de Controlo Económico, promover um eficaz combate à pirataria e defender, sempre, o espetáculo, dentro e fora de campo.
Determinante para o sucesso da Centralização será também a definição de uma política geoestratégica concertada em torno da venda dos Direitos Audiovisuais a nível internacional, com uma aposta forte em mercados bem identificados e definidos — o da saudade, mesmo que não apenas esse, assumirá papel determinante — para a defesa de uma estratégia global que garanta os interesses, financeiros e comerciais, dos nossos Clubes.

Reformulação dos Quadros Competitivos
À questão da sustentabilidade do Futebol Português ou à sua competitividade no Ranking da UEFA, junta-se a necessidade de dar resposta a um calendário internacional cada vez mais apertado, que exige resposta imediata e assertiva. Repensar o modelo das competições, da base até às provas profissionais, é hoje mais urgente do que nunca. Da parte da FPF, anuncio neste início de ano mudanças na Taça de Portugal já a partir da próxima época, com as equipas da Liga Portugal Betclic a entrarem em competição apenas na 4.ª eliminatória e as meias-finais a serem disputadas num só jogo. É a nossa resposta a uma necessidade urgente, estando disponíveis para, nas provas organizadas pela Liga Portugal, validar aquele que for o modelo definido pelos Clubes, que deve ter em conta os interesses, financeiros e desportivos, do Futebol Profissional.

Redução dos Custos de Contexto
É uma reivindicação antiga do Futebol Português, que merece ver finalmente reconhecido o seu peso, social e económico, no País. Somos uma indústria que gera milhares de empregos, que contribui com 0,3% do Produto Interno Bruto e paga mais de 700 milhões de euros/ano em impostos. Em 2026 vamos, juntos, lutar pela redução do IVA na bilhética, pela revisão das taxas de IRS ou IRC, pela redução dos prémios dos Seguros de Acidentes de Trabalho dos Praticantes Desportivos Profissionais ou pela possibilidade de consumo de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios. O Futebol não pode continuar a ser prejudicado face aos seus competidores, internos e externos.
Não podemos esperar mais!

Plano Nacional de Arbitragem
A Direção da FPF, garantindo sempre a independência e autonomia do Conselho de Arbitragem (CA), continuará a garantir todas as condições, estruturais e financeiras, para que os árbitros desempenhem a sua função da melhor forma possível.
O modelo herdado pelo atual CA, os anos de estagnação com brutais reflexos na formação dos árbitros e o congelamento da profissionalização de um setor impedido, pelo atrás enunciado, de acompanhar a evolução do futebol obriga a uma revolução profunda, com inevitáveis dores de crescimento. A criação de uma carreira independente de VAR, o nascimento do cargo de Diretor Nacional de Arbitragem, a publicitação das avaliações de árbitros e VAR são passos dados com firmeza por este novo CA, liderado por Luciano Gonçalves, e os resultados farão sentir-se, estou convicto, muito em breve. Apelamos, naturalmente, à compreensão e colaboração de todos: alterações tão profundas exigem tempo e tranquilidade.
Ao mesmo tempo, o CA está já a preparar o primeiro grande Plano Nacional de Arbitragem, numa visão mais abrangente para o desenvolvimento da arbitragem portuguesa. Será apresentado já este mês e irá mudar o setor! Culminando, naturalmente, com a criação de uma entidade externa para a arbitragem profissional, passo que, embora dependente de uma mudança no Regime Jurídico das Federações, é inevitável. 2026 marcará o início da discussão do tema, envolvendo (desta vez de forma efetiva) FPF, APAF e Liga Portugal.
A arbitragem portuguesa continuará a acompanhar, e sempre que possível a liderar, a evolução tecnológica (como aconteceu recentemente com a introdução das Refcam) que se regista na arbitragem mundial, em busca de cada vez maior verdade desportiva. O novo sistema SAOT (Semi-Automated Offside Technology) é uma dessas evoluções e a Direção da FPF está disponível para estudar a sua implementação em 2026.

Harmonizar os regulamentos
A Justiça Desportiva em Portugal tem de mudar. Os regulamentos disciplinares da Liga Portugal, da FPF e das ADR’s têm, inevitavelmente, de ser harmonizados, da base até ao topo e em todas as competições, adaptando-os às melhores práticas internacionais. Os nossos Clubes jogam com umas regras na UEFA e outras nas provas internas. E essa é uma dicotomia que tem de ser resolvida com urgência.
Para o sucesso da Centralização é obrigatória uma regulamentação verdadeiramente assertiva e punitiva, que faça cumprir um indispensável Regulamento de Controlo Económico e um Regulamento de Competições que garanta, de forma efetiva, a melhoria das infraestruturas e a defesa do espetáculo.
Que 2026 seja o ano em que se comece a pensar, enfim, a arquitetura da Justiça Desportiva. Se queremos uma Disciplina rápida e eficaz não podemos continuar a permitir que decisões dos órgãos disciplinares sejam anuladas sem que se perceba porquê ou que recursos e providências cautelares façam os processos arrastarem-se indefinidamente, retirando efetividade às decisões.

A defesa do ‘ranking’ europeu
2026 será, também, um ano importantíssimo para que Portugal recupere o sexto lugar no ranking da UEFA. A defesa da posição dos Clubes portugueses sempre foi um objetivo bem definido e acabou por ser prejudicado com a criação da Conference League e, acima de tudo, com uma injusta distribuição de pontos, que resultou, em 2023, na queda para o 7.º lugar.
Ultrapassar os Países Baixos em 2026 foi meta desde logo definida, tendo como base um trabalho planeado para criar as condições necessárias — (a defesa intransigente das 72 horas de descanso entre jogos, a entrada tardia em competição nacional das equipas que disputavam pré-eliminatórias da UEFA…) — para que os Clubes lusos estivessem, sempre, em vantagem face aos seus competidores internacionais.
Agora que esse objetivo está perto, há que manter a aposta numa estratégia que garanta a concretização de algo determinante para a sustentabilidade e competitividade do nosso futebol.

Jogadores e Adeptos no centro
A verdadeira alma do jogo tem de ser defendida. Comecemos pelos artistas: os jogadores. O calendário, cada vez mais sobrecarregado, coloca-nos hoje desafios que temos de encarar de frente. Proteger o talento, o estado físico e a saúde mental dos futebolistas deve estar no topo das prioridades já em 2026. Por isso é tão importante repensar os quadros competitivos mas, também, garantir-lhes condições para um pós-carreira mais seguro e atrativo. O Sindicato dos Jogadores sabe que contará sempre com a FPF nestes e noutros objetivos.
Centremo-nos, agora, no Adepto e no regresso das famílias aos estádios. A melhoria das condições nos recintos desportivos é obrigatória, assim como tornar os horários mais atraentes. Sem esquecer uma discussão séria sobre a lei do Combate à Violência, Intolerância e Xenofobia, dando real atenção à questão da pirotecnia. Discutamos, sem receios, a criação de um ID FUN CARD (copiando as boas práticas com um cartão utilizado nas grandes competições da UEFA e da FIFA), envolvendo todos aqueles que têm de ser envolvidos, de forma inclusiva. Porque todos os que amam verdadeiramente o Futebol são bem-vindos ao estádio. E juntemos-lhe, claro, a já acima falada redução do IVA na bilhética, que irá contribuir muito para a diminuição no custo final do consumidor — o Adepto.
Um Futebol mais seguro, mais confortável e mais barato. Eis os desejos para 2026.

Sustentabilidade do Futebol Português
É altura de olharmos para o Futebol Português como um todo. Sem uma base forte e sustentável não haverá um topo equilibrado e consistente. É preciso discutir um novo modelo de redistribuição da riqueza, contemplando todos, mesmo aqueles que são olhados como o elo mais fraco. As Associações Distritais e Regionais são fundamentais para o nosso sucesso. Tal como as Associações de Classe. E não podem continuar a ser deixadas para trás.
Está já formada a Task Force que irá, até ao final da época, repensar todo o modelo de sustentabilidade do Futebol Português. Entrará em funções já este mês, com a participação de FPF, Liga Portugal, Clubes, ADR’s e Associações de Classe. Porque todos são importantes e merecem ver essa importância reconhecida.
Uma redistribuição mais justa tornará o Futebol Português mais forte.

Atenção aos investidores
Quem vem por bem será sempre bem-vindo. Mas temos de estar cada vez mais atentos aos que, com intenções duvidosas, chegam até nós. É necessário apertar a malha, criando um novo modelo de escrutínio a quem investe no Futebol Português, dando mais poder à Comissão de Auditoria da Liga Portugal, composta por FPF, Liga Portugal, ANTF e SJ, com experiência para lidar com estas matérias de forma mais eficaz do que o modelo que entrega esse escrutínio ao IPDJ e que não responde, assumamos, às necessidades.
A aproximação da Centralização e as notícias que dão conta da entrada de grupos criminosos internacionais em Clubes ou SAD devem fazer-nos redobrar a atenção. Copiando, mais uma vez, o de bom que se faz lá fora.

Novo contexto político/institucional
2026 será um ano marcado por mudanças no espectro político. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, incondicional adepto das Seleções, da FPF e do Desporto em geral — o verdadeiro embaixador do Futebol Português na última década — termina a sua missão como Presidente da República. Temos o dever de lhe agradecer por tudo o que nos proporcionou e temos esperança de que o futuro Presidente da República possa seguir o seu exemplo, reconhecendo a importância que o Desporto em geral e o Futebol em particular têm na sociedade portuguesa.
Entramos no novo ano com grande esperança e expectativa no novo Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo. Congratulamos o Executivo, em especial a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, pela coragem na elaboração de um documento revolucionário para o Desporto. Entendemos, ainda assim, que é possível melhorá-lo, e a FPF irá, de forma construtiva, apresentar, com a colaboração de todos os seus sócios ordinários, contributos nesse sentido, promovendo a discussão para uma indispensável alteração à Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, necessária para a implementação de várias medidas atrás enunciadas, e ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, reivindicação de várias federações. Sem esquecer a introdução, importantíssima, do Estatuto do Dirigente Benévolo.
2026 será um ano de muitos desafios. A FPF apela à tranquilidade de todos os agentes, garantindo que - respeitando sempre o princípio da autorregulação — se manterá disponível para colaborar com as Associações Distritais e Regionais, Associações de Classe, Liga Portugal e Clubes no intuito de encontrar as soluções para enfrentarmos e superarmos, em conjunto, os desafios que nos aguardam. Porque o compromisso de Unir o Futebol nunca será só um lema, mas sim o caminho a percorrer para um futuro de ainda maior sucesso.
2026 será um ano de muitas vitórias. Com diálogo, empenho e compromisso vamos continuar, todos, a ganhar. Dentro e fora de campo. Termino, voltando a citar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa:
«2026… vai dar Portugal.» E não só na América…"