Últimas indefectivações

sábado, 28 de outubro de 2017

O Benfica abusa de Jonas

"A Liga dos Campeões volta na próxima semana. No meio desta semana quase não houve futebol. Realizou-se somente um desafio em atraso da primeira jornada da Taça da Liga. Coisa pouca. Não houve futebol mas houve política.
O presidente da FPF deslocou-se ao Parlamento. Fernando Gomes revelou aos deputados a existência de "uma claque legal que só tem registados 11 elementos". Referia-se certamente à claque do fabuloso Mira-Coelhos Futebol Clube.
Também o presidente da Liga teve intervenção política a meio da semana. Pedro Proença disse aos jornalistas que "a Liga não tem responsabilidades sobre o sector da arbitragem". Não tem responsabilidades, é verdade, mas tem imensa pena. Oh, se tem.
Na cidade Invicta realizou-se a gala dos Dragões de Ouro e o ex-jornalista Francisco J. Marques foi contemplado com a estatueta para o "funcionário do ano". Justíssimo prémio. Chega com uns bons 20 anos de atraso.
O presidente do Sporting ofereceu-se para "dar algumas cadeiras" do curso de ética para dirigentes. Não especificou, no entanto, em quem pretende dar com algumas cadeiras.
A terminar o capítulo da política, o administrador da SAD do Benfica disse saber o que falta para o clube "poder pensar em ganhar a Liga dos Campeões". O que não impede que o pessoal mais bruto se vá preocupando com o que falta ao Benfica para ganhar ao Rio Ave, ao Boavista, ao Marítimo. Sem esquecer que para ganhar ao Feirense foi uma enorme trabalheira.
Ontem bastaram os primeiros 10 minutos à Jonas para o Benfica construir o resultado. Antes de fazer o 1-0 já Jonas tinha rematado por duas vezes à baliza do Feirense. O primeiro foi um remate fraco, o segundo obrigou Caio Seco a fazer uma bela defesa e no terceiro a bola acabou por entrar. Depois aconteceu o que tem vindo a acontecer nesta temporada. O Benfica assim que se adiantou no marcador recuou em toda a linha. Foi exactamente desta maneira que o tetracampeão nacional empatou em Vila do Conde e no Funchal e perdeu no Bessa. Este tem vindo a ser um pequeno Benfica entregue em exclusivo ao talento de um enorme jogador, Jonas. É um abuso de Jonas. E pouco ou nada mais.
Na próxima terça-feira vai o Benfica a Manchester jogar com United para a tal competição muitíssimo importante para quem sabe que tem "o que falta" para a encarar de frente. O que não é o caso do Benfica nem de nenhuma equipa portuguesa. Provavelmente a equipa de Mourinho não terá muitas mais oportunidades de rematar à baliza de Svilar ou de se aproximar com perigo da área do Benfica do que teve ontem o bem mais modesto Feirense, que dispôs, com enorme facilidade, de um número impressionante de ocasiões em que deu cabo dos nervos do púbico da Luz. Isto não é normal."

Uma Semana do Melhor... Dupla!

Jogo Limpo... Feirense, Champions, Tugão...

Fernando Gomes é, agora, o inimigo

"As recentes intervenções do presidente da FPF foram interpretadas por FC Porto e Sporting como se de uma declaração de guerra se tratasse.

As mais recentes intervenções públicas do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, colocou o organismo máximo do futebol nacional numa clara liderança na luta contra o que o seu líder chamou - e bem - o discurso do ódio.
Pode ter pecado, apenas, por tardio, mas tanto o artigo publicado nos três jornais desportivos, como a intervenção na comissão parlamentar foram significativas e corajosas. Directas e conclusivas.
Evidentemente que Fernando Gomes sabia que em resultado da sua acção iria ganhar como principais inimigos o presidente do FC Porto e o presidente do Sporting, porque cada qual se sentiria visado por terem escolhido um caminho de confronto sem contemplações e sem margem para tréguas. Sporting e FC Porto criaram uma santa aliança de ataque ao Benfica e a recém afirmada hegemonia do clube de Luís Filipe Vieira. Ambos consideram que os quatro títulos consecutivos foram aproveitados pelo Benfica para dominar o universo do futebol, da disciplina à arbitragem, como se tivesse apropriado da velha herança dos maus princípios e das más práticas que tinham, antes, sido assumidas pelo FC Porto e tinham levado o Dragão a um incontestado domínio de décadas no futebol português.
O FC Porto escolheu o caminho do ataque cerrado pela divulgação dos e-mails que colocam o Benfica numa situação inquieta e frágil perante uma imagem de promiscuidade e de compadrio entre algumas figuras menores da arbitragem e uns quantos benfiquistas marginais, a quem gente responsável do clube, desgraçadamente atribuiu representatividade.
O Sporting, sempre menos hábil, menos racional e, por isso, menos estratégico, atacou com uma obsessão infantil na pequena questão dos vouchers e, sobretudo, através de uma linguagem de varinagem que marca sempre mais quem a fala do quem a ouve.
Neste quadro de guerra civil futebolística, onde só os três grandes clubes são figuras activas e todos os outros figuras passivas, a posição firme e incisiva de Fernando Gomes foi tomada, por parte de FC Porto e Sporting, como uma declaração de guerra.
Sempre mais experiente e competente, o FC Porto deu sinal através das redes sociais e marcou posição inequívoca ao colocar Pedro Proença em inusitado lugar de destaque, sentando-o ao lado de Pinto da Costa, na Gala dos Dragões de Ouro.
O Sporting reagiu intempestivamente no famigerado Facebook do cidadão Bruno de Carvalho, que veio falar de Fernando Gomes, como de um velho ultrapassado dirigente que não quer sair da cadeira do poder e que estaria agarrado ao lugar, esquecendo que estava a falar da figura de dirigente de futebol português de maior prestígio internacional e, sobretudo, de alguém que tem uma notável obra feita a que ninguém, minimamente atento, seria capaz de negar um rara mérito, tudo isto, enquanto ele próprio, presidente do Sporting, ainda terá um longo caminho pela frente para poder fazer qualquer obra e apresentar algum resultado.
Fernando Gomes, até pela força moral da sua posição, do seu estatuto e da sua obra, não terá dificuldades em libertar-se dessa imagem, mas Pedro Proença precisa de encontrar rapidamente uma solução para não se deixar capturar numa guerra que não é, nem pode alguma ver ser a dele.
A verdade é que para o cidadão comum já não resta qualquer dúvida de que Federação e Liga estão de costas voltadas.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Holandeses e holandesas

"Nunca me ajustei convenientemente à ideia de que os treinadores portugueses são melhores do que os outros, tantas vezes sustentada pelos próprios. Certamente que sempre houve treinadores portugueses a chegar à elite internacional - Queiroz, Artur Jorge, Mourinho, Fernando Santos... - e fenómenos de qualidade que se aproximam - Leonardo Jardim, Villas Boas... -, no entanto parece-me desacertado deduzir que daqui alguma vez tenha resultado uma liderança intelectual de classe. Uma coisa será, portanto, aplaudir os treinadores portugueses na fina-flor, outra será crer que são, na essência, mais capacitados. É uma visão ingénua, tal como se diz que «nós, portugueses, recebemos melhor as visitas» ou que «nós, portugueses, é que cozinhamos bons petiscos». Como se os outros não achassem o mesmo deles próprios. É pensar de mais em nós, como são quase todos os pensamentos menores.
Mesmo os treinadores holandeses, note-se, estigmatizados pelos legados dos mestres Rinus Michels e Johan Cruyff - esses, sim, de segura liderança intelectual, criadores de escola, de ideologia - não são hoje donos do que quer que seja. Por estes dias, inclusivamente, parecem todos em crise; Van Gaal, Hiddink ou Dick Advocaat têm falhado projectos. Rijkaard, Seedorf ou Van Basten estão esquecidos; Frank de Boer e Koeman não escaparam à onda de despedimentos da Premier League. Paralelamente, até a selecção holandesa anda prostrada, falhando Euro-2016 e Mundial-2018.
Perpendicularmente, de qualquer forma, a melhor treinadora do Mundo para a FIFA, Sarina Wiegman, e a melhor jogadora, Lieke Martens, são holandesas. Aqui, com Ronaldo, estamos a redefinir a cronologia e a narrativa do futebol. Mas nos treinadores somos iguais aos outros temos bons e maus elementos, temos bons e maus momentos."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

9 factos do Meo Rip Curl Pro Portugal

"1. As previsões de mar para o MEO Rip Curl Pro Portugal eram brilhantes para os primeiros dias de prova. Entenda-se que este ‘brilhante’ vai muito além das motivações do surfista comum. Isto porque os Supertubos estavam de gala mas impunham um respeito de sobrevivência apenas ao alcance de alguns. Falamos dos melhores do mundo e de os colocar perante ondas de consequência mesmo sem ser uma prova do circuito mundial de ondas grandes. Ouvimos reacções extremadas e drama. Confirmamos assim o quão espectacular é receber os melhores do mundo nos Supertubos.
2. O retrato internacional da Praia do Medão, nome original dos Supertubos, retoma agora as suas propriedades de desafio e intimidação lado a lado com qualidade e perfeição. A versatilidade de Peniche em receber provas desta magnitude é boa. Mas melhor são as ondas produzidas pelas bancadas de areia do Medão.
3. Outubro é o mês da excelência em Portugal. Para além da qualidade das ondas, é igualmente importante haver condições meteorológicas que convidem ao evento. Não esquecendo o Outono mas também com alguma sorte à mistura, Peniche brindou os visitantes com autênticos dias de praia como só em Portugal nesta altura do ano.
4. Frederico Morais mantém-se firme na luta pelo prestigiante título de “rookie of the year” (melhor estreante do circuito mundial). Mesmo com o peso emocional da praia toda a apoiar, com uma licra de 150m2 estendida nas bancadas e com os olhos d os que lhe são próximos em cima de si, Kikas não cai. A maturidade e feracidade dentro de água contrastam com a grandeza e devoção fora dela. Como surfista residente na elite do surf mundial, o seu 9º lugar foi o melhor resultado de sempre para um português nesta prova. Frederico aponta e agradece mas fá-lo como só os enormes sabem fazer.
5. Vasco Ribeiro mostra todas as capacidades para figurar entre os melhores dos melhores. Com momentos de superação a si próprio e níveis de confiança elevados, o surfista cascalense fez a melhor onda do primeiro dia de prova (9.37 pontos numa escala de 0-10), eliminou o australiano Owen Wright arredando-o da luta pelo título mundial, e ainda se bateu sem qualquer timidez com o havaiano John John Florence em condições onde este é mestre mas, tivesse o português saído de mais um tubo, e talvez a história hoje contada fosse outra.
6. Viu-se um pouco de tudo. Desde espectadores totalmente vestidos a nadar mar adentro para serem os primeiros a garantir propriedade das muitas pranchas partidas. Passando pela vontade em ver os melhores do mundo na verdadeira primeira fila mesmo que tal implique estar sujeito a ser parcialmente varrido pelas ondas na maré cheia. E terminando pela impressionante quantidade de pessoas que emoldurou a estreita faixa de areia dos Supertubos. Que não haja dúvidas: os portugueses adoram o Surf.
7. Os patrocinadores inventaram-se mais uma vez. Surf em forma bungee jumping, uma campanha de sensibilização e protecção dos oceanos contra os plásticos, drones no ar, gastronomia de mar, e mais um sem número de iniciativas e eventos laterais preencheram a agenda. Para além do surf surfado, animação não faltou. Dia e noite!
8. O título mundial segue para o Havai. Mas não sem a pegada portuguesa ou mesmo europeia. Gabriel Medina, brasileiro, chegou à Europa fora dos lugares de topo. Jordy Smith era detentor da licra amarela antes de França, entregando-a a John John Florence para a prova portuguesa. Mas Medina venceu as duas etapas de forma inédita, apresentando-se quase como alvo a abater, mesmo sem o ser. Uma coisa é certa, após a vitória em Portugal, a mensagem foi só uma: tive que trabalhar bastante!
9. Terminou na passada 4ªfeira mais uma edição do MEO Rip Curl Pro Portugal. E não foi qualquer uma. Pela 9ª vez consecutiva, Portugal constituiu-se como palco por excelência para receber os melhores surfistas do mundo. É bom reviver o sucesso da organização portuguesa. Melhor ainda é constatar que todos – surfistas, espectadores, patrocinadores, parceiros e órgãos de comunicação social – voltam para casa emocionalmente preenchidos. Verdade seja dita: é um dos melhores eventos (e não falo só de Surf) realizados em Portugal. Parabéns a todos os envolvidos."

Felipe, Salmos 44 e 89

"Não admira a complacência bíblica perante a religiosidade posta em campo pelo Filipe.

Tal como um senhor doutor juiz da comarca do Porto (aquele que conquistou celebridade internacional graças à dimensão bíblica de uma sua sentença sobre questões familiares de pancadaria de trazer por casa), também um outro juiz do Porto, não da comarca mas da Associação de Futebol da mesma cidade, se viu no decorrer desta semana em altíssimos apuros teológicos quando foi chamado à prática da justiça em pleno estádio do Dragão, na ocorrência de um animadíssimo jogo entre os donos da casa e os seus vizinhos do Leixões, a contar para aquela coisa diabólica chamada Taça da Liga.
Para quem não sabe, a Taça da Liga é a mais recente prova oficial do calendário da bola nacional e vai este ano para a sua 10.ª edição. Significa que está, precisamente neste momento, a sair da infância e a entrar na adolescência. O FC Porto já esteve presente em duas finais mas não ganhou nenhuma, tendo vindo a ganhar apenas uma enorme aversão ideológica à dita competição. O próprio presidente do clube – a quem chamavam "o Papa", noutros tempos – excomungou a Taça da Liga numa noite inesquecível de 2012, depois de a sua equipa ser eliminada pelo Benfica numa meia-final disputada na Luz e excomungou-a com palavras terríveis: "Desta já estamos livres!", disse Pinto da Costa. E disse-o com tanta ênfase que, de facto, até parece que não podia ter encontrado melhor matéria para pôr à prova o atributo da sua divina infalibilidade.
Os críticos, sempre mordazes, e o público em geral têm feito desta alergia do FC Porto à Taça da Liga um bicho-de-sete-cabeças quando, na realidade, se trata apenas de mais uma coisa muito comezinha do nosso futebol. Tome-se o exemplo da Taça de Portugal, hoje considerada a prova- -rainha, que arrancou em 1939 e que o FC Porto só viria a conquistar pela 1.ª vez em 1956, depois de 17 anos a ver-se livre dela. Enfim, o que lá vai, lá vai…
Voltemos ao juiz da Associação de Futebol do Porto que esteve no Dragão na terça-feira passada. Chama-se Vasco Santos e foi acusado recentemente de ser "um padre" ao serviço da Catedral da Luz. Não admira, portanto, a sua complacência bíblica – "haveremos de pisar os que se levantam contra nós!" (Salmos 44) – perante a aprazível religiosidade posta em campo pelo jogador Felipe, do FC Porto, que vem desde o princípio da época exibindo um fervor ímpar, jogo após jogo, e que só por milagre lá vai conseguindo ficar em campo até ao fim dos 90’ de cada serviço. No desafio com o Leixões – que, por sinal, terminou empatado 0-0 –, o bom do Felipe lá fez o que quis dos adversários – "eu os derrubarei" (Salmos 89) – e voltou a sair em glória. Isto não é para quem quer, é para quem pode.

Cinco vezes o melhor do mundo
CR7, a alcunha que mais soa a fórmula química do que a poesia
Em 2013, quando regressou ao Chelsea depois de um périplo por Milão e Madrid, eterno provocador, entendeu José Mourinho que era o momento para ‘picar’ Cristiano Ronaldo, com quem não terá tido uma relação pacífica no Real. Numa entrevista à ESPN, o treinador português, recordando a sua passagem por Barcelona como adjunto de Bobby Robson e de Van Gaal, atirou: "Aos 30 anos treinei Ronaldo, não este, mas o verdadeiro…" sendo que o ‘verdadeiro’ era o brasileiro Ronaldo, o Fenómeno, e o ‘este’ era o português. Assistindo esta semana à entrega, pela quinta vez, do prémio de melhor jogador do mundo ao capitão do Real Madrid e da Selecção portuguesa, esteve o ‘verdadeiro’ Ronaldo na companhia de um argentino a quem chamaram ‘a mão de Deus’. Esta dupla duplamente de peso prestou homenagem a CR7, alcunha que mais soa a fórmula química do que a poesia, o que não deixa de ser apropriado. CR7 é o mais extraordinário produto que o laboratório do futebol alguma vez produziu."

Futebol precisa de autoridade

"O desprezo dado ao apelo feito pelo presidente da FPF no Parlamento não apanhou ninguém de surpresa.

O desprezo dado ao apelo feito pelo Presidente da Federação Portuguesa de Futebol no Parlamento não apanhou ninguém de surpresa: aqueles que andam há anos a incitar ao ódio e à discórdia dentro e fora de campo não podiam vir agora bater palmas a um qualquer projecto de regulação e concórdia. 
Não é imprescindível uma verdadeira autoridade no combate à violência no desporto? Não são fundamentais sanções mais duras para dirigentes e adeptos infractores? Não são ridículas as multas praticadas em Portugal nesta matéria? Claro que este apelo cai em saco roto junto daqueles que todas as semanas, religiosamente, fazem sair mais um comunicado ou um e-mail a levantar suspeitas sobre os homens do apito ou a procurar o confronto apaixonado e irracional da turba. Nada de novo!"

Benfiquismo (DCXL)

Pipi...

Cadomblé do Vata

"1. Caro Rui, o que se segue não é uma "fase", é uma "frase"... porra, mas o que é isto homem?
2. Tenho uma boa noticia: o Benfica já não me coloca à porta de uma consulta de cardiologia... tenho uma má noticia: levo tantas vezes as mãos à cabeça a ver o SLB, que quando os árbitros apitam para o fim dos jogos, estou mais despenteado do que o Robert Smith dos Cure.
3. Deixem-me que vos diga que a exibição do Svilar hoje, foi contraproducente para a evolução dele... se sem ter tocado numa bola profissional já era o Melhor do Mundo da Actualidade, depois das duas grandes defesas desta noite até é capaz de subir de posto e ser eleito o Melhor Guarda Redes do Plantel do Benfica.
4. Não quero estar aqui a dizer que o jogo do Benfica é lento e mastigado, mas... tenho dúvidas que o Thomas fosse assobiado se tivesse acampado no meio campo, a titular desta equipa.
5. Receber o Feirense e jogar com um meio campo constituído por Fejsa e Augusto seria cómico se não fosse triste... só espero é que o LFV tenha utilizado esta táctica dos dois trincos em casa, no cofre onde esconde os emails comprometedores, no dia em que a PJ passou a Catedral a pente fino."

A app de mindfullness de Rui Vitória, o Clonix de Seferovic, o rei Leónidas que há em Salvio (...)

"Svilar
Algumas defesas para a profile picture e um jogo de pés propenso a meter os pés pelas mãos. Acima de tudo, ele ou o seu encarregado de educação deverá escolher um equipamento de outra cor. Como se sabe, o amarelo representa luz, felicidade e calor, ou seja, uma série de atributos que definem o oposto a equipa em que Svilar joga. Não é preciso ser-se perito em moda para saber que vestir amarelo perante o futebol deprimente que o Benfica tem jogado está ao nível de aparecer para jantar em casa dos sogros com um daqueles fatos de treino que o presidente Vieira veste. A não ser que seja uma piada, não tem piada nenhuma.

André Almeida
Se André Almeida fosse uma técnica de tortura seria o garfo dos hereges - com um twist. A técnica consiste na colocação de um objecto de metal com duas extremidades pontiagudas colocadas entre o esterno e a garganta. O cansaço sentido pelo torturado leva a que este sofra múltiplas perfurações no pescoço. Isto não acontecia em Portugal desde a Idade Média, mas tem vindo a fazer algumas vítimas desde Agosto. O twist tem que ver com a evolução tecnológica que permitiu dotar esta técnica de um requinte maquiavélico. Para além de um objecto pontiagudo, é colocada uma televisão à frente do torturado, que, se quiser evitar o pior, deverá manter os olhos abertos e a cabeça direita enquanto assiste a um jogo do Benfica. A má notícia é que esta técnica não costuma matar, servindo antes para infligir sofrimento prolongado. A boa notícia é que já só faltam 7 meses para o final da época. 

Luisão
Vamos lá entender uma coisa. Se eu quiser ver idosos respeitáveis a darem o melhor de si, vou à página de Facebook do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, não vou ver jogos do Benfica. Com todo o respeito pelo nosso capitão, que mais uma vez se exibiu a um bom nível, chegando e sobrando para as encomendas.

Rúben Dias
Continua a ter uma ou outra abordagem aos lances em que não se percebe se é o próximo Mozer ou o novo Ricardo Rocha. Felizmente estamos em condições de afirmar que não será o novo King. E isso por si só já é uma vitória. Rapidez, qualidade de passe, ratice e raça em doses recomendáveis. Mais um bocadinho e daremos por nós a dizer: mal empregado.

Grimaldo
Nos dias que correm, ver a bola chegar a Grimaldo não é apenas a certeza de que a iniciativa do jogo estará assim a cargo de um dos poucos indivíduos competentes em campo. É também uma injecção vital de cafeína que nos mantém mais ou menos acordados, aliás, que nos permite sobreviver a mais 90 minutos deste Benfica 2017/18. É uma benção e uma maldição, já que muitos de nós prefeririam dormir. A objectividade no passe, a acutilância nas combinações, a inteligência e intenção reveladas em todas as incursões no meio campo contrário, assim como os elevados níveis de concentração nas tarefas defensivas, cada vez mais dão a entender que Grimaldo está no sítio certo à hora errada. 

Fejsa
A vida é como uma caixa de Filipes Augusto. Nunca sabes qual é que te vai calhar. Fejsa adaptou-se como pôde à ausência de Pizzi, mas principalmente à presença de Filipe Augusto em campo, assumindo várias vezes a responsabilidade por crimes que não cometeu. Acabou por não resistir à avalanche de erros e más ideias apresentadas pelos colega. Quando demos por ele estava sentado ao balcão a pedir o sexto whisky enquanto explicava ao empregado as circunstâncias da sua participação na guerra colonial.

Filipe Augusto
Princípio de Peter: num sistema hierárquico, qualquer funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Princípio de Jorge Mendes: em princípio fico com 10%

Salvio
O futebol de Salvio é mais ou menos aquilo que aconteceria ao rei Leónidas se, depois de gritar We Are Spartans, fosse ele o único a avançar. Três adversários mais rápidos? Vamos, Meus Soldados! Zero linhas de passe? Para Cima Deles Sem Medo. Triangulações com André Almeida e Filipe Augusto? Ok, Isto Está A Ficar Complicado Mas Temos De Continuar A Acreditar. Carrega! Quando dá por si, Salvio olha para trás e vê que metade dos espartanos está no Facebook e a outra foi jantar.

Jonas
Decisivo, mesmo sem jogar grande coisa. Merecia outra noite para celebrar os 100 golos ao serviço do Benfica. Fez-me recordar aquela vez que apanhei uma gastroenterite na véspera do meu aniversário. Como esquecer? Tudo a cantar os parabéns e eu na casa de banho a fazer um Pollock. Enfim.

Seferovic
O futebol do Benfica já me obrigou a tomar Ultra Levur e Rennie algumas vezes, mas nunca tinha precisado de um Clonix.

Diogo Gonçalves
Hélder Conduto bem tenta justificar os erros do miúdo, mas fica difícil quando escolhe dizeres como “faltou frieza na definição do lance”, um tipo de expressão algo inconclusiva que nos dá a sensação de termos descoberto alguma coisa nova, uma nova leitura dos acontecimentos, apesar de não sabermos bem o que tudo isso significa - tal como Diogo Gonçalves.

Pizzi
Bons indicadores no seu segundo jogo de preparação. Precisa de mais ritmo, mas tem todas as condições para ser uma peça influente deste Benfica 2018/19. 

Jimenez
O suplente mais utilizado. [Isto parece um post do Pedro Mexia circa 2003.]

Krovinovic
Detentor de belíssimo toque de bola e co-responsável pela melhor jogada da partida, uma combinação com Diogo Gonçalves finalizada de modo deficiente por Filipe Augusto. Rui Vitória fez bem em colocá-lo em campo tão tarde. Não queremos ficar mal habituados.

Rui Vitória
Que outras apps de mindfulness recomendam para além da Headspace?"

Vermelhão: 3 pontos... insossos !!!

Benfica 1 - 0 Feirense


São 3 pontos, valem tanto como os outros, mas foram 3 pontos, num jogo com pouca intensidade, com muitos erros, pouca posse de bola... Podemos alegar que o calor sufocante não ajudou (final de Outubro com temperaturas de Verão!!!), podemos especular que os jogadores tinham a 'cabeça' em Manchester... podemos justificar com a boa organização do adversário, mas muito sinceramente a equipa não está bem...
E entre vários problemas, destaco a aparente capacidade física reduzida... o Seferovic que quando chegou ganhava todas as bolas divididas, agora não ganha uma carga de ombro!!!
Outro 'problema' (e este é muito difícil de explicar e de resolver!!!) aparentemente paradoxal é o Jonas!!! O Jonas continua a marcar golos, é o melhor marcador do Campeonato, mas o Pistolas perdeu velocidade e força esta época, os desequilíbrios que ele criava constantemente entre-linhas, 'desapareceram'... a entrada do Krovinovic para o lugar do Jonas, mudou totalmente a forma de atacar o Benfica, e em poucos minutos criámos várias oportunidades... Dito isto, além do golo, o Jonas efectuou o nosso remate mais perigoso e ainda assistiu o Digui na melhor jogada de ataque do Benfica!!!
O Jonas 'parece-me' que entrou na fase 'Nené'!!! Entrar nos últimos minutos, quando o jogo está mais aberto, os adversários cansados...
Isto pode parecer uma heresia, mas é o que eu vi no relvado... Qualquer tentativa de contra-ataque, quando o bola chega ao Jonas, o jogo pára... Qualquer disputa de bola, o Jonas perde...
Existem outros problemas estruturais, mas este é um deles...
O jogo começou bem, um golo num ressalto após uma bola parada (consequência do 1.ª remate perigoso... do Jonas), com o Jonas (o tal paradoxo!!!) a marcar... Mas depois o Benfica praticamente 'deu' a bola ao Feirense, que tem de facto uma boa 1.ª fase de construção, mesmo com alguns jogadores medianos...
E os ataques do Benfica escassearam... só voltámos a criar, perto do intervalo, noutro Canto e novamente pelo Jonas!!!!
A 2.ª parte não mudou muito... a única nota 'positiva' na forma como o Benfica defendeu, é que desta vez o Svilar só teve trabalho em remates de longa distância, dentro da área o Feirense só teve uma oportunidade na 1.ª parte... e as outras semi-oportunidades, até foram quase sempre após perdas de bola infantis do Benfica!!!
Portanto mesmo sem jogar bem, a bola esteve longe do Svilar (a excepção foram os Cantos...).
Com o avançar dos minutos, pareceu-me que o Feirense perdeu força, e as substituições, desta vez, correram bem ao Benfica... O Pizzi deu-nos mais posse de bola (mesmo com alguns erros) e o Krovi deu-nos velocidade e criatividade nos últimos 30 metros!!!
Além destas questões 'tácticas' nota para o apoio que veio das bancadas, que empurrou claramente a equipa vários 'metros' para a frente!!! Foi claramente um daqueles momentos onde os adeptos puxaram pela equipa...
Apesar da vantagem mínima, os últimos minutos não foram de 'sufoco', acabou por ser mesmo o Benfica a desperdiçar o segundo... em várias ocasiões!
Os melhores do Benfica, foram claramente os Centrais: Luisão e Rúben Dias...
O Grimaldo e o Fejsa tiveram hoje algumas perdas de bola inacreditáveis!!! Aliás, desconhecendo as opções para Manchester com os castigados Almeida e Luisão, será 'inteligente' usar o Eliseu na Terça!!!
O Digui foi o nosso principal desequilibrador (boas combinações com o Grimaldo...), o Filipe Augusto que tinha sido bastante assobiado na última vez que jogou na Luz, fez um jogo equilibrado, deu músculo ao nosso meio-campo, nota-se que o Filipe já se movimenta sem bola com mais 'sensatez', mas como é óbvio sem o Pizzi no meio, perdemos capacidade de construção ofensiva... Mas, num momento em que a equipa não está a 'ligar' o jogo, é mais 'prudente' apostar num esquema mais conservador...
Não houve lances polémicos, mas não posso deixar de notar que o Godinho mudou totalmente o critério disciplinar, o ano passado era um dos poucos árbitros que usava o mesmo critério do primeiro ao último minutos, agora já só mostra cartões nos últimos minutos...!!!

Agora, temos Manchester e depois Guimarães!!! Com todas as condicionantes, o jogo de Guimarães é mais importante, é preciso ser pragmático... e mesmo com o Guimarães a jogar mal e com resultados negativos, com o Benfica o jogo será 'outro'!!!
Jogava em Manchester com: Svilar; Douglas, Lisandro, Dias, Eliseu; Fejsa, Augusto, Salvio, Digui; Pizzi (Zivkovic ou Cervi), Jiménez.

Alvorada... com o Pragal

A diferença entre viver e sobreviver

"Fernando Gomes, presidente da FPF, fez saber à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República que são necessárias alterações legislativas para que o futebol português reentre nos carris. A violência verbal que marca recorrentemente o discurso dos principais clubes, o clima de ódio e intolerância instalado e a instabilidade criada em torno da arbitragem, dificilmente terão fim através do processo de autoregulação vigente. É preciso ir mais longe, com novas ferramentas legais que impeçam o caminho do abismo que está a ser trilhado. A rivalidade entre os grandes e a vontade de cada um deles ganhar tudo não serve de explicação para o estado a que as coisas chegaram.
Porque rivalidade e vontade de ganhar sempre existiram. Mas, mesmo em momentos mais delicados, houve sempre pontes que se construíram para tratar assuntos de interesse comum e fazer evoluir a indústria do futebol. Até ao momento presente, em que passou a vingar a política da terra queimada, da afronta, da acusação, do ódio e da intolerância. Fernando Gomes tem a razão do seu lado, o diagnóstico que fez é certeiro e as medidas para a cura apresentam-se exequíveis. Teve a coragem de dizê-lo, de não enjeitar responsabilidade de reconhecer que não dispõe, na FPF, de todos os instrumentos necessários ao tratamento.
Como se vai vendo que dos clubes não há muito a esperar, resta saber se da área do Governo e dos partidos vai surgir algum sinal, para além da conversa mole e da inércia habituais em quem não se quer comprometer e, mais do que viver, quer apenas sobreviver..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os 'lobos' uivam

"Fernando Gomes, neste momento, está a tentar passar pelo lameirinho sem sujar as calças. No Parlamento, na quarta-feira, perante os deputados da Comissão da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto anunciou que te na mente um pacote de medidas para que, pelo menos, se desanuvie o ambiente em torno do futebol. Mudar a filosofia bacoca da indústria nacional é mais difícil. Muito mais difícil. Impossível.
Nesta sua demanda, o presidente da FPF terá sujado um pouco as calças quando deixou reparos aos programas de comentário, que de desportivo nada têm, passados pelas televisões em horário nobre e que por alguns foi interpretado como um atentado à liberdade de expressão, um dos pilares básicos e fundamentais de qualquer democracia com o qual, diga-se, os dirigentes dos clubes convivem pessimamente. O problema aqui será o da regulação, uma vez que os ditos programas apresentam-se como de informação mas de informação nada têm. Salvo raras excepções, não passam de um encontro semanal de chefes de claque um bocadinho mais polidos - não no conteúdo, mas na forma.
E este problemas de regulação pode ser a génese da questão. Os conteúdos pornográficos, por exemplo, só passam a determinadas horas e com bolinha no canto do ecrã. E estes programas, não raras vezes, não passam de pornografia clubista.
A reacção dos clubes, tal como aconteceu após a publicação do artigo do presidente da FPF, foi a esperada. Aquilino Ribeiro escreveu, na década de 40 do século passado, um retrato pungente e magnífico da vivência das gentes beirãs intitulado Quando os lobos uivam. Foi o que se ouviu. Uivos mais fortes ou mais fracos, sabendo-se que os tais lobos - leia-se os grandes - querem todos a mesma presa: o título nacional.
Já perceberam porque é que a justiça desportiva deveria deixar de ser tutelada pelos clubes?"

Hugo Forte, in A Bola

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Fernando Gomes, num tratado de bom senso e lucidez

"A exposição de Fernando Gomes na comissão parlamentar foi um tratado de bom senso. Mas não só: bom senso, sensibilidade e lucidez.
Em três palavras, concordo com tudo.
Não é nada de novo, quem segue este espaço sabe que já várias vezes escrevi sobre o assunto. Já aqui defendi, por exemplo, que é necessário penalizar as declarações incendiárias. Já aqui defendi também que é necessário tratar as claques como elas devem ser tratadas: como o embrião de uma agressividade que transforma o futebol num espaço violento, ameaçador e hostil.
Por isso não podia seguramente concordar mais com Fernando Gomes, quando ele diz que é necessário criar regulamentos mais duros que inibam as pessoas do futebol de destruir o sector.
Nesta altura, aliás, lembro-me de uma entrevista que fiz a Sir Dave Richards: o homem que liderou a Premier League entre 1999 e 2013, nos anos de maior transformação do jogo em Inglaterra.
«Em Inglaterra não é permitido falar de árbitros nem antes nem depois dos jogos», disse-me na altura. «Porquê? Porque é totalmente errado. É uma pressão inaceitável e não pode acontecer.»
Em Portugal as poucas tentativas que se fizeram de penalizar as declarações que lançam o ódio e a suspeição sobre os árbitros, e sobre o futebol em geral, morreram à nascença. Os dirigentes, em sede de Liga, chumbaram-nas com o argumento que atentavam contra a liberdade de expressão. 
«Liberdade de expressão? Tudo bem, se querem liberdade de expressão podem tê-la. Falem do jogo. Mas não critiquem o árbitro em público e não critiquem o espectáculo. Não é permitido, ponto final. Se o fizerem, vão ser punidos. Acima de tudo tem que haver respeito pelo jogo.»
Não deixa de ser curioso, de resto, que os mesmos dirigentes que acham que a restrição a declarações sobre árbitros é um atentado à liberdade de expressão sejam os primeiros a impor nos contratos dos jogadores cláusulas que os proíbem de falar sem autorização do clube.
Mas em frente. Até porque há mais.
Por exemplo: mais uma vez está coberto de razão Fernando Gomes quando diz não ser possível que em Inglaterra haja 2150 interdições de entrada em estádios num ano e em Portugal haja, no mesmo ano, apenas 88. É necessário haver mais fiscalização: aplicar melhor as leis. 
Mais uma vez lembrei-me de Sir Dave Richards, e do bom exemplo inglês. «O hooliganismo parou através de uma ação concertada entre a liga inglesa, a federação e o governo. Criámos uma força de stewards especialmente treinada para lidar com os hooligans. Identificámos os hooligans e foram banidos do futebol. Foi um trabalho muito demorado e custoso, mas hoje o fenómeno do hooliganismo está controlado», referiu.
«As claques continuam a existir, mas se querem violência, que o façam em casa. Hoje esses adeptos estão segregados: separados no estádio para não estarem juntos. E o ambiente é completamente pacífico. Qualquer pai pode levar o filho ao futebol tranquilo.»
Tão simples, não é?
O antigo dirigente garantiu até que se um adepto diz um palavrão nas bancadas hoje em dia, logo é chamado à atenção por outros adeptos que o alertam para a presença de crianças na bancada.
E não foi por isso que o ambiente nas bancadas ficou mais pobre: o futebol inglês não é conhecido, aliás, por ser triste, melancólico e silencioso.
«Não há segredos para criar uma liga fantástica, com jogadores fantásticos e estádios fantásticos. Tem tudo a ver com criar condições para o desenvolvimento dos clubes, e do próprio futebol.»
No fundo parece-me que foi esse alerta que Fernando Gomes foi lançar à Assembleia da República: precisa que o Governo o ajude a criar as condições para desenvolver o futebol.
Numa altura em que Portugal é campeão da Europa e em que a selecção está no topo do mundo, não faz sentido a liga continuar coberta de negro: suspeição, ódio, medo, desconfiança, hostilidade.
Não faz sentido. Ponto.
O futebol de clubes vive mergulhado num ambiente de guerrilha: um ambiente pesado, cinzento, depressivo. É urgente trazê-lo de volta ao lugar dele: ao pedestal de jogo mais bonito do mundo.
Até porque não é só o futebol que estamos a prejudicar: estamos também a lesar a educação dos nossos filhos, que vão crescer neste ambiente bélico. Que cidadãos vão ser?
Por isso, lá está, o Governo só tem de ouvir bem o que foi dito por Fernando Gomes. Um tratado de sensibilidade, bom senso e lucidez, no fundo."

Medidas inevitáveis

"Os campeonatos avançam, os interesses em jogo são conhecidos e, para os atingir há quem não olhe a meios para atingir os seus fins.

Se se deseja melhorar o clima que actualmente está instalado no futebol português há que tomar medidas duras e urgentes.
Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, esteve ontem na Assembleia da República onde foi ouvido pela Comissão que ali trata das questões desportivas. Ali traçou o quadro que caracteriza por esta altura a relação entre os vários agentes ligados ao futebol, fazendo acusações e avançando propostas. Entre estas, a da criação de uma autoridade administrativa virada para a segurança e combate à violência.
Citou, a este propósito, o tom bélico de alguns comentadores de futebol em programas televisivos, reclamando intervenção da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação.
Não deixando de reconhecer a razão que neste aspecto assiste a Fernando Gomes, não é menos certo que lhe faltou uma palavra de condenação para com aqueles que neste momento são, entre outros, grandes fautores de causas de perturbação no futebol, os directores de comunicação dos três grandes. 
Outro aspecto apontado pelo presidente da FPF aponta para a necessidade de fazer aplicar rápida e rigorosamente a legislação já existente, no sentido interditar os estádios de futebol a adeptos marginais.
Em Portugal, esse número de interditos não atinge as nove centenas, enquanto na Inglaterra, por exemplo, com leis muitos semelhantes, esse número quase chega a quinhentos adeptos sob castigo.
A manter-se a situação e perante a passividade que está à vista em todos os domínios, a situação tenderá inevitavelmente a deteriorar-se.
Os campeonatos avançam, os interesses em jogo são conhecidos e, para os atingir há quem não olhe a meios para atingir os seus fins.
Este é o tempo de prevenir, para evitar que mais tarde seja necessário remediar."

Aves parecia o Bayern

"Qualquer adversário cria cinco ou seis ocasiões de golo contra o Benfica. Os adeptos acabam os jogos tão cansados como os jogadores.

Ganhámos na Vila das Aves, vitória por dois golos, relativamente tranquila, e a berraria continua. Num jogo onde o lance mais discutível foi um penalty não assinalado a favor do Benfica, o lance mais discutido foi uma falta a meio campo não assinalada a favor do Aves. Assim não há arbitragem que resista. Se mesmo quando somos prejudicados temos que ouvir dislates, então chamem os homens das batas brancas, com os coletes de força.
Dito isto, o Benfica pode e deve jogar melhor. Nesta fase, ganhar será o mais decisivo, mas para aspirar a conquistas precisamos de melhorar rumo aos títulos. Sem tirar mérito ao Desportivo dos Aves, durante o jogo de domingo dei comigo a pensar que estávamos a jogar com o Bayern Munique pela sétima vez. Qualquer adversário cria cinco ou seis oportunidades de golo num desafio contra o Benfica. Assim, o risco do resultado será sempre elevado. É este aspecto colectivo que mais me preocupa no Benfica, e não tanto a qualidade individual, por muito que se possa sempre querer mais e melhor. Como desabafa um amigo benfiquista, este ano os adeptos acabam os jogos tão cansados como jogadores. Ganhámos, somámos três pontos e isso foi bom.vencei com inteiro
Hoje teremos que voltar a ganhar para ainda ser melhor. O caminho do triunfo faz-se contra um adversário de valor, bem orientado e sem nenhum receio de jogar bem. O Sporting venceu o Feirense sete minutos depois da hora com golo de penalty. Numa semana onde o FC Porto igualou o seu melhor resultado dos últimos 24 meses na Taça da Liga, ficámos a saber que os adversários estão todos em grande forma. Temos que vencer logo pelas 19 horas, e que não falte apoio incondicional nem estádio que festeja o seu aniversário, e onde todos queremos continuar a viver momentos únicos de alegria e benfiquismo. Este ano entramos em cinco provas, vencemos a única que já terminou, faltam as outras.
Cristiano Ronaldo venceu com inteiro merecimento o prémio da FIFA para melhor jogador do mundo, numa gala que consagrou muito em função do êxito colectivo dos clubes onde os jogadores têm desempenho. O futebol é um desporto colectivo e assim é entendimento pela FIFA."

Sílvio Cervan, in A Bola

Boa vitória

"E por falar em cartilhas... Bastou o Benfica ganhar um jogo para que os videoparvos saltassem a terreiro com as suas verdades alternativas. É caso para dizer que entre insolventes e papagaios não há quaisquer falhas de comunicação. Se eu pudesse provar que estão coordenados, recomendá-los-ia para gestores do SIRESP. Espero que continuem, é sinal de que consideram o Benfica um adversário temível.
Enfim, ganhámos indiscutivelmente na deslocação à Vila das Aves, numa partida em que Rui Vitória manteve a aposta em Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves (porque são bons jogadores e não pela sua tenra idade), além de ter tido a coragem de decidir de acordo com as suas convicções, ao remeter para o banco o indiscutível Pizzi. Pouco me interessa agora se foi uma boa ou má decisão, mas valorizo ter sido aquela que, naquele jogo em particular, o nosso treinador achou ser a melhor. Parece-me fundamental que não se olhe aos nomes nas camisolas - o importante é o emblema. E o Pizzi, que tanta qualidade tem acrescentado à equipa desde que chegou ao clube, e não obstante ter começado o jogo no banco, entrou com a atitude do campeão que é o desempenhou um papel importante na nossa vitória.
E por falar em nomes nas camisolas, há um que nos remete imediatamente para conceitos futebolísticos como classe e faro de baliza: Jonas. Com o bis alcançado no passado fim-de-semana, o brasileiro, com 97 golos, passou a ser o 20.º melhor marcador da história do Benfica em competições oficiais (e o 16.º no Campeonato Nacional). É o segundo melhor estrangeiro de sempre, ainda distante dos 172 de Cardozo, mas marca mais dois golos a cada dez jogos em média do que o paraguaio. Notável!"

João Tomaz, in O Benfica

Viva a (in)coerência

"Na quinta jornada, após ter derrubado André Almeida ilegalmente, Nakajima apoderou-se da bola, serviu Fabrício, e o brasileiro conseguiu um golo que permitiu ao Portimonense ganhar vantagem frente ao Benfica. A imprensa pouco ou nada badalou o lance. Os supermagaespecialistas das redes sociais fecharam os olhos. Possivelmente, a falta terá passado despercebida por estar na origem da jogada, mas não ter influência directa no desfecho da mesma, pensei eu.
No passado fim de semana, após ter derrubado Nildo, ilegalmente, Jonas apoderou-se da bola, serviu Pizzi, e o transmontano, sofreu um penalty que permitiu ao Benfica dilatar a vantagem frente ao Desp. Aves. A imprensa pouca ou nada baldará o lance. Os supermegaespecialistas das redes sociais vão fechar os olhos. Provavelmente, a falta terá passado despercebida por estar na origem da jogada, mas não ter influência directa no desfecho da mesma, pensei eu.
Estava redondamente enganado. Imagine o leitor,  movimento faltoso do Jonas não só foi discutido em todos os espaços de análise como se transformou na principal causa da vitória do Benfica na Vila das Aves.
O (pouco) espaço de destaque que restava serviu para sublinhar a cinzenta exibição do Benfica - como bem ilustram, aliás, os escassos 12 remates à baliza de Quim.
Nos últimos anos tenho suspirado pela paz no futebol português. Enfim, o sossego parecia ter chegado... até que o Benfica voltou às vitórias. Fica a impressão, certamente - de que isto apenas anda calmo quando o Benfica marca passo.
Sendo assim, agora suspiro por algo diferente: que a peixarada, a choradeira e o mau perder voltem rapidamente a reinar."

Pedro Soares, in O Benfica

Sangue novo

"Quando Luís Filipe Vieira afirmou, há uns anos, que o Benfica poderia um dia vir a ter uma equipa predominantemente formada no Seixal, confesso que torci o meu nariz.
Não me parecia possível criar jogadores em quantidade e qualidade suficiente para tal. E, assim, pensava que uma aposta demasiado voltada para esse caminho poderia significar tempo perdido. Passados alguns anos, e quando olho para Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, João Cancelo, Renato Sanches, Bernardo Silva, André Gomes ou Gonçalo Guedes, para citar apenas os casos mais relevantes (e só estes oito nomes representam já mais de 200 milhões de euros em transferências), percebo que a ideia era tudo menos disparatada. Na verdade, não estivesse o Benfica brigado a vender jogadores anualmente para, com isso, manter as contas equilibradas, e já poderíamos ter uma grande equipa, quase toda ela made in Seixal.
O que falta então para o sonho se concretizar no futuro? Essencialmente diminuir o nível de endividamento, de modo a permitir à SAD a robustez financeira suficiente para resistir ao assédio das grandes potências internacionais. Daí a redução do passivo ser, hoje, uma das grandes prioridades do Benfica.
Entretanto, Rúben Dias e Diogo Gonçalves afirmam-se a cada dia que passa como apostas ganhas. João Carvalho também terá, seguramente, as suas oportunidades. E outros estão na calha. O investimento no Seixal mostra-se, portanto, um dos pilares do Benfica para as próximas décadas. Modelo que, diga-se, está prestes a ser replicado também noutras modalidades, com o Centro de Alto Rendimento de Oeiras já em marcha."

Luís Fialho, in O Benfica

A nova Luz

"Comemoramos o 14.º aniversário da nossa Catedral. Recordo 14 monumentos.
25/10/03 - inauguração da Luz com a inesquecível ode de José Fialho Gouveia.
17/03/04 - Sokota e Tiago marcam frente ao Belenenses e carimbam o passaporte para a final da Taça de Portugal, que acabaríamos por vencer frente ao FC Porto (2-1).
14/05/05 - Luisão bate Ricardo nas alturas e faz o golo que nos abriu a porta do 31.º título.
04/05/09 - Aimar marca o 2.º golo frente ao V. Guimarães (2-1) e estamos na final da Taça da Liga, onde batemos o Sporting.
03/01/10 - Saviola marca o golo da vitória frente ao Nacional, dando início à carreira vitoriosa rumo à conquista da 2.ª Taça da Liga.
09/05/10 - Conquista do 32.º Campeonato com a vitória frente ao Rio Ave (2-1).
02/03/11 - Cardozo e Javi Garcia marcam na vitória frente ao Sporting (2-1). Sò parámos na final da Taça da Liga em Coimbra, onde batemos o Paços de Ferreira (2-1).
20/03/12 - Maxi, Nolito e Cardozo marcam na vitória frente ao FC Porto (3-2). Em Comibra, voltámos a conquistar a Taça da Liga - vitória por 2-1 frente ao Gil Vicente.
15/01/14 - Djuricic e Ivan Cavaleiro marcam na vitória frente ao Leixões (2-0) que nos levou à conquista do 6.ª Taça da Liga.
20/04/14 - Lima marca dois golos ao Olhanense e dá-nos o 33.ª Campeonato.
11/02/15 - Talisca, Pizzi e Jonas qualificam-nos para a final da Taça da Liga, na qual vencemos o Marítimo (6-2).
23/05/15 - Lima e Jonas levam-nos ao rubro na festa do 34.º Campeonato.
15/05/16 - Gaitán, Jonas e Pizzi marcam na vitória frente ao Nacional que nos deu o 35.º título.
13/05/17 - Cervi, Raúl, Pizzi e Jonas brilham na conquista do Tetracampeonato."

Pedro Guerra, in O Benfica

O que uma Águia vê quando voa...

"Esta semana estamos a cumprir o décimo quarto aniversário sobre a gloriosa noite de 25 de Outubro de 2003.
´Mais de quinze milhões de espectadores depois dessa data, o Estádio do Sport Lisboa e Benfica é o autêntico palácio da Família Benfiquista, onde conjuntamente vivemos as nossas glórias e tristezas, celebramos a nossa fé e damos livre curso à paixão que nos une, na inigualável diversidade de todas as nossas diferenças.
Após quase 50 anos vividos à cadência constante de imparáveis índices de crescimento e expansão que nenhuma outra instituição da sociedade portuguesa conhece, tivemos tempo e fortuna suficientes para sedimentar e fortalecer na 'velha Catedral' a poderosa unida que nos caracteriza como adeptos. E agora, já nos aprestamos a completar o terceiro lustre da vida desta nova estrutura monumental que tanto orgulha e enobrece o Benfiquismo.
Bem nos devemos lembrar, hoje e sempre, de quando terá sido difícil e arriscado o empreendimento da construção da 'Nova Luz': na miséria em que nos encontrávamos, as condições de base para tomar a decisão de avançar e construir eram absolutamente inexistentes, depois de um ladrão que esteve entre nós nos haver espoliado de quase todos os recursos materiais.
Só a determinação, a generosidade pessoal e a persistência de um mitigado grupo de Benfiquistas visionários concebeu então o que a muitos (como eu...) parecia impossível. E a obra nasceu e ergueu-se. O nosso Estádio da Luz, como o povo lhe chama, o Estádio do nosso Sport Lisboa e Benfica, perdurará como símbolo maior do que nos caracteriza como Clube maior e inigualável: nenhuns outros jamais conseguirão alcançar o que já atingimos e o que havemos de conquistar, se nos mantivermos sempre todos juntos, a imaginar o que uma Águia vê quando voa..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Benfiquismo (DCXXXIX)

Mais uma...

Aquecimento... Antevisão...

(In)consciência !!!

Conversas à Benfica 24

Conversas à Benfica 23

Conversas à Benfica 22

A regulação no futebol português

"Como estava previsto, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, foi ouvido na Comissão da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República para poder expor, em pormenor, as razões fundamentais que nortearam a publicação de um artigo que causou grande impacto sobre as suas legítimas preocupações no que respeita no actual estado crítico do futebol português.
Percebe-se, em primeiro lugar, que o timing não é melhor. O futebol já tem fama de ser suficientemente marginal à sociedade para não lhe merecer, em qualquer altura, a importância do esforço de qualquer intervenção estrutural, quando mais agora que o país vive tempos justificadamente ocupados pela urgência de responder, aos mais diversos níveis, à calamidade pública causada pelos incêndios que flagelaram e destruíram parte significativa da floresta, ceifando mais de uma centena de vidas e arrasando o património de centenas de portuguesas.
Mas não é pelo facto de Portugal ter, neste momento, as suas maiores atenções viradas para o rescaldo de uma tragédia brutal que todos os outros problemas reais da sociedade portuguesa deixam de ser problemas. E, entre estes problemas, está, de facto, o estado de profunda crise moral, cívica e desportiva do futebol profissional.
O que Fernando Gomes foi dizer ao Parlamento é que o futebol já não governa, nem se governa. Que é urgente criar um regulação autónoma, com capacidade de decisão e de penalização. Que aos políticos cabe agir, legislar e mudar esta grave situação. Não foi pouco. Será muito, se os políticos assumirem, agora, o seu dever."

Vítor Serpa, in A Bola

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Guarda-redes, bem tão precioso

"Surpresas José Sá e Svilar... diferentes. Numa há 'mistério' (até Janeiro?). A outra é consequência (feliz?) do desnorte pós-Ederson.

São tão importantes, os guarda-redes, que está na berra discutir porquê joga este e não aquele. Idêntico ênfase não se coloca sobre quem deve ser o defesa-direito, o médio mais ofensivo, o ponta-esquerdo, ou mesmo o ponta de lança.
Guarda-redes potenciam problema extra para o treinador. Desde logo, porque, no onze, só um pode estar (em todas as outras funções, adaptar é possível para alguém não sair da equipa: mais à esquerda ou à direita, mais à frente ou atrás). E também porque guarda-redes, quando erra, cai-lhe o mundo em cima (não fica assim terrivelmente marcado o defesa que faz autogolo, nem o avançado que, baliza escancarada, 2 ou 3 vezes no mesmo dia nela não consegue acertar). Sim, tenho especial respeito/admiração pelos guarda-redes, ora heróis, orá réus condenadíssimos. E é pura verdade: só esporadicamente pode haver equipa campeã sem estupendo guarda-redes - esse preciso bem que os treinadores tanto procuram porque... dão pontos. Por isso, muitíssimo estranho que, na cotação internacional - quer para máximos prémios, quer na bolsa do mercado de transferências -, eles sejam, por regra, desvalorizados face a médios e defesas.
De súbito, grandes surpresas no nosso futebol: o treinador do líder e o treinador de campeão decidiram mudar titularidade na baliza, entregando-a, num caso, a um jovem (24 anos) e, noutro, a um imberbe (18, recém-completados). Curiosamente, decisões simultâneas.

José Sá: surgir no lugar do prestigiadíssimo Casillas dá enorme brado, havendo carência de evidente explicação. Casillas vinha jogando normalmente bem e a sua queda para suplente nem sequer foi imediata ao jogo com o Besiktas... Bem depois, que terá ocorrido nas semanas sem campeonato? Estrear José Sá em casa do vice-campeão da Alemanha foi acto de coragem. E titular se tem mantido, inclusive na Taça da Liga, quando Sérgio Conceição optou por quase todos os habituais suplentes - daí se pode ler que José Sá é mesmo aposta nada ocasional (objectivo: dar-lhe rodagem), para além que atirar Casillas para esse jogo com o Leixões poderia soar a pouco menos do que desconsideração...
SAD e treinador não contavam que Casillas, altíssimo salário, accionasse cláusula de renovação. Janeiro é já ali; então veremos se Casillas decide partir...

Svilar, caso muitíssimo diferente. Sim, tem pinta! Mas a sua estreia na Champions, e perante Manchester United, aos 18 aninhos - antes do Benfica, nem um jogo fizera por equipa sénior! -, é, sobretudo, consequência do desnorte em busca do pós-Ederson. Tornou-se rábula até ao fecho do mercado. Bruno Varela, recuperado ao V. Setúbal, nunca terá sido visto como o tal. Num ápice titular, porque as lombalgias de Júlio César somaram e seguiram. Fez 8 jogos, mas, ao 8.º, por um frango, logo foi condenado, aos 22 anos (cruel!). Voltou Júlio César - na catástrofe dos 5-0 em Basileia, sem frango, foi, quando a mim, muito lento em 2 ou 3 golos. E eis que Svilar - tão miúdo, deveria ser-lhe dada prudente progressão - tem mesmo de saltar para titularidade (e bem firme: «jogará já de seguida», perentória garantia do treinador após o frango na Champions).
Svilar parece possuir potencial de características para excelente, quiça brilhante, futuro. Outro Oblak (aos 18 anos, rodava no Rio Ave), outro Ederson? Para já, foi o desnorte benfiquista que o colocou em inusitado altíssimo risco.

Greve dos árbitros anunciada para... final de Novembro. Não entendo, pois o clima contra eles não está pior do que estava há um mês, quiça pelo contrário. Subentendo: escolha da Taça da Liga visa primeiro aviso no claro confronto com a Liga, nomeadamente com o presidente Pedro Proença, um bocado esquecido de ser ex-árbitro...
VAR: como era previsível, desgraçadamente, nem esta importantíssima inovação escapa à desconfiança e, mais, a ser arma de arremesso. Claro que clamorosa persistência de Rui Costa no erro, em Alvalade, ajudou. Clamoroso também foi o erro de Nuno Almeida (e do árbitro auxiliar) no início da jogada rumo ao 2.º penalty do Aves - Benfica (aí sem VAR). Mas querer que o Conselho de Disciplina aja sobre falha, de tecnologia, que silenciou o VAR... passa das marcas! Vale tudo na surda guerra à FPF."

Santos Neves, in A Bola

Feche os olhos

"Faça um exercício: feche os olhos e diga o nome do primeiro jogador do Moreirense que lhe vem à cabeça. Difícil? Então venha para sul e pense em alguém do V. Setúbal, Estoril, algum? E que tal o Belenenses? E do Tondela? Do Paços de Ferreira? Do Chaves? Do Aves? Se tem dificuldade em seleccionar um nome ou só se lembrar do fulano que marcou ou fez aquela finta engraçada contra a sua equipa (parto de pressuposto de um que torce por Benfica, Sporting ou FC Porto) não fique chateado: faz parte da maioria. Daqueles que seguem o futebol de uma forma interessada mas sem ler todas as notícias, sem se interessar muito por tudo o que não diga respeito às cores dominantes. Que sabe o onze do Chelsea mas não o do lateral-direito do quinto ou sexto classificado da Liga. Ou sequer do guarda-redes.
O futebol português está, infelizmente, como o país. Um Portugal que hoje chora o longo eucaliptal. Porque seca como sempre e arde como nunca. Os três grandes cada vez mais concentram as atenções e tudo à volta também definha. Há sempre um SC Braga, um V. Guimarães, um Marítimo e um Rio Ave a lutar por algo mais, mas as desigualdades são cada vez maiores. A desertificação do nosso interior podia ser transportada para o campeonato. Oito dos 18 clubes não gastaram dinheiro no verão em contratações e outros quatro nem chegaram a um milhão de euros de investimento. É verdade que os nossos treinadores são muito bons, mas sem dinheiro não há qualidade. E sem qualidade o campeonato torna-se numa prova incapaz de se vender para fora. Muita táctica mas pouco virtuosismo individual. A descentralização de direitos televisivos explica a clivagem, mas pedia-se mais criatividade de quem gere a prova. Nem uma promo, um media open day obrigatório, um rasgo qualquer. Na última jornada europeia as cinco equipas portuguesas perderam. E no regresso ao campeonato quatro delas ganharam e outra empatou. Não é por acaso."

Fernando Urbano, in A Bola

Svilar vai construir um império

"A juventude é a fase embrionária de um talento. Nesse tempo de sonhos e ilusões define-se o rumo dos homens, primeiro por instinto e às vezes atrevimento inconsciente, depois pela disponibilidade em acumular informação, crescer e fortalecer a aprendizagem; antes como sinal precoce de uma vocação genética, depois como consolidação de armas que permitem resistir à tragédia e à glória efémera. No futebol, o talento juvenil é visto, em muitas ocasiões, como elemento volátil, de confirmação duvidosa. Tão depressa é uma fonte de inspiração que antecipa a expressão de génios como serve para lançar a dúvida e crucificar exageros; tende a alimentar a esperança mas, não raras vezes, funciona como anúncio do apocalipse. O guarda-redes sofre mais do que os outros porque a sua construção depende de elementos técnicos, tácticos, físicos e psicológicos indissociáveis da evolução humana. O tempo é um velho amigo, porque traz ferramentas fundamentais ausentes nos primeiros passos.
A expressão total da grandeza do guardião do templo costuma ser feita aos poucos, até atingir a fronteira imaginária, entre os 25 e os 30 anos, quando completa os argumentos de uma tarefa interdita a menores. O passar dos anos acrescenta os valores adultos e imprescindíveis de maturidade, serenidade, liderança, estatuto e intimidação - e só então o puzzle se conclui, desde que não sejam danificadas as virtudes mais relevantes logo detectadas no ADN (instinto, ilusão, magia, coragem, compromisso…). Svilar é um fenómeno porque, aos 18 anos, já equilibra qualidades do adolescente que ainda é com as de um veterano; consegue ser expansionista sem ser extravagante; é candidato a protagonista mas não se diminui assumindo o papel de actor secundário; tem confiança insolente para se entregar a aventuras contínuas e exibicionistas mas reconhece as vantagens de se manter calmo ao fim de longos períodos como espectador.
O belga tem quase tudo do que é feito um mago das balizas: físico, elegância, carisma, coragem, concentração, técnica, inteligência, confiança, agilidade e reflexos... Raros foram os que assimilaram, em tão tenra idade, tantos princípios inerentes ao papel que lhes cabe numa potência. Svilar orienta-se pela eficácia em detrimento do adorno e da espectacularidade. É um adolescente precoce, com perfil de adulto, que vai atingir o auge mais cedo do que os outros. Longe de ser um projecto concluído, já possui qualidades que o levaram precocemente ao estatuto de enorme guarda-redes. Amadeo Carrizo (n. 1926), o argentino que revolucionou a função nos anos 50, pelo River Plate, disse com desassombro: "Um guarda-redes só se faz verdadeiramente depois de sofrer mil golos." Mesmo considerando o exagero, servem as palavras do velho general para percebermos que Svilar tem ainda muita estrada para andar.
Para o Benfica, o ideal seria repetir com o belga o que foi feito com Oblak (aos 18 anos estava no Olhanense) e Ederson (defendia o Ribeirão): emprestá-lo para rodar e cometer todos os erros de crescimento longe da Luz. Rui Vitória correu o risco e lançou um jovem com disco rígido incompleto. Face ao erro com o Man. United, anunciou desde logo que jogaria nas Aves, ao contrário do que fez com Bruno Varela, depois do falhanço no Bessa. A incoerência está à vista mas o treinador está obrigado, também, a decidir segundo as suas convicções - para Vitória há diferenças entre um bom guarda-redes, que desempenhou missão específica, e outro que, cometendo erro clamoroso, tem o perfil dos melhores do Mundo. José Mourinho deu uma achega: "Este miúdo é uma fera. O Benfica tem um guarda-redes top." Svilar passeia com a palavra 'classe' escrita em cada gesto e movimento. Devia esperar um pouco, é verdade, mas as circunstâncias anteciparam o processo: tem de começar já a construir o império como senhor das balizas encarnadas.

Empate de CR7 na luta com Messi
Para Valdano, de cada vez que Messi se constipa, CR7 é o melhor do Mundo
Cristiano acaba de cometer uma proeza extraordinária: igualar Messi na conquista dos prémios individuais mais importantes do futebol. O parcial de 5-5 em dez anos consecutivos não tem paralelo na história do futebol. O argentino andou sempre à frente e chegou a ter vantagem de 4-1, num cenário global, agora mais esbatido, ser o melhor de sempre. Um exagero que CR7 sublinha com este empate inacreditável.

Guarda-redes no ponto certo
Benfica e FC Porto mudaram de guarda-redes praticamente ao mesmo tempo
Svilar encerra riscos por tenra idade e ausência de experiência, José Sá remete para a eventualidade de um problema onde havia solução (Casillas). Aos 24 anos, está no ponto para assumir a baliza portista, desde que seja essa (e é) a convicção do treinador. Sérgio Conceição optou com base em argumentos invisíveis do exterior. Nem por isso deixa de ser uma decisão menos legítima. Se é correta, o tempo dirá.

Dupla grosseria de Rui Costa
Em Alvalade aconteceu um momento de arbitragem de todo lamentável
Rui Costa sentiu-se enganado por Gelson e transformou penálti claro em simulação do sportinguista, reagindo à imaginária ofensa com um cartão amarelo vergonhoso. O erro, apesar de grosseiro, é desculpável. Miserável foi manter a decisão vistas as imagens do VAR. Entre abdicar do quero, posso e mando e ser humilde, preferiu ser simplesmente ridículo. Não há tecnologia que valha à incompetência."


PS: Uma das interessantes curiosidades desta semana, em todas as colunas de opinião que destacaram o duplo erro de Rui Costa no Sporting-Chaves, é o facto de terem completamente ignorado o erro de Rui Costa e do VAR ao validar o 1.º golo do Sporting, e de também terem ignorado o erro que Rui Costa e o VAR cometeram quando a 10 minutos do final da partida, não assinalaram um claro penalty contra o Sporting, cometido por Rui Patrício!!!
A propaganda tem este tipo de efeitos...!!!

Ronaldo

"Ronaldo voltou a não marcar em La Liga. O Ronaldo da Liga dos Campeões não é o mesmo para consumo interno. Só marcou um golo nas cinco partidas que jogou. As primeiras quatro partidas não jogou por sanção, depois de ter empurrado um árbitro. Na Liga dos Campeões, cinco golos em três jogos é muito bom.
Por outro lado, está sempre a gesticular com os colegas e zangado com o jogo por não marcar golos. Talvez tenha de vir atrás buscar jogo e iniciar as jogadas, em vez de ficar sempre à espera de finalizar. Ronaldo tem que mudar de atitude nos jogos da liga espanhola.
Ronaldo pode jogar bem, sem marcar golos. A sua constante ansiedade quando não marca prejudica o seu desempenho e da própria equipa. Ronaldo não tem que marcar sempre.
Esta segunda-feira foi eleito o melhor jogador do Mundo e conquistou este troféu pela quinta vez. Ronaldo é um orgulho nacional. Espero que seja uma motivação para melhorar.

Neymar viveu um inferno no jogo com o Marselha. Sempre que marcava um canto arremessavam paus, latas de coca-cola, sumo de laranja. Todavia, em vez de manter a calma e controlar-se, respondeu às provocações. Poderia ter optado por não marcar os cantos, evitando estar junto aos adeptos do Marselha. Ficou alterado, fora de si, perdeu a sua tranquilidade, paciência e acabou expulso quando o Paris Saint-Germain estava a perder 2-1. A salvação foi o seu aparente inimigo Cavani, que marcou o golo do empate no período de descontos.
Neymar é um grande jogador e sofre muitas faltas dos adversários para ser parado, mas tem que ter outro tipo de comportamento se quer chegar a melhor do Mundo. Tem que estar preparado para este tipo de provocações. Todavia pelo seu custo - 222 milhões -, sabe que tem toda a gente com os olhos postos em si.

José Sá, que esteve hesitante no jogo contra o RB Leipzig, teve de novo a confiança de Sérgio Conceição. Vamos voltar a ter na baliza do Porto um guarda-redes português na senda de Vítor Baía. Casillas terá que se sentar no banco e evitar fazer cenas como fez no Real Madrid com Mourinho e começar a pensar mudar de ares, talvez para os EUA. O seu enorme salário (5 milhões brutos) não ajuda a cumprir o fair play financeiro e a fazer face às debilidades financeiras do Porto.

Miguel Oliveira venceu a corrida de Moto2 na Austrália com uma autoridade impressionante. Arrancou em primeiro e assim se manteve nas 25 voltas da corrida. Ainda vamos vê-lo na MotoGP, que é a categoria rainha.

Valentino Rossi fez uma recuperação soberba, protagonizou uma corrida fantástica, com muita emoção e alterações constantes na classificação, grandes ultrapassagens, toques entre pilotos, felizmente sem consequências. Valentino Rossi foi segundo e Marc Márquez venceu, mas a luta foi espectacular.

Ivo Oliveira é vice-campeão europeu de perseguição, conquistando a medalha de prata na prova de perseguição individual do Campeonato da Europa de Pista.

Rui Oliveira, irmão gémeo de Ivo, conseguiu a primeira medalha portuguesa de sempre em competições de pista na categoria de elite, alcançando o terceiro lugar em eliminação."