Últimas indefectivações

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O homem do fraque

"As Antas estavam às moscas. Ou melhor, às varejeiras. Eles não têm culpa, pobres diabos, vendo bem. O Euro-2004 desorganizou a verdade dos estádios de Portugal - pôs em Leiria um de 25.000 lugares onde só vão 500 macacos; pôs em Aveiro um de 35.000 lugares onde só vão meia-dúzia de apanhadores de moliço; pôs no Algarve um de 20.000 lugares onde não vai quem quer que seja; e pôs nas Antas um de 50.000 lugares que encheu no jogo de estreia do Europeu e só volta a encher quando joga lá o Benfica e saem à rua todos os ordinários das redondezas com as bocas cheias de pedras e de bolas de golfe. Por isso, repito, não é de admirar que lá tenham estado meia-dúzia de gatos pingados.

É o normal. Árbitro não deve ter estado, nem fiscal-de-linha, senão teriam visto aquele golo em fora de jogo, que tão conveniente foi para descansar o clube em que todos parecem andar irritados uns com os outros, vá lá saber-se se por não perceberem ao certo como ganham, se por não perceberem ao certo como não ganham. Lá do alto do seu poiso que, como dizia o Hugo Chávez, deve tresandar a enxofre, o Madaleno controla tudo. Tem mesa marcada na marisqueira de Matosinhos até para o árbitro incompetente que se esqueceu de lá ir. Um envelope ou dois para resolver qualquer problema urgente que a explosão da crise possa ter criado nos últimos dias para os representantes do senhor de cócoras, sempre tão alegremente submisso. E umas meninas de coro para completar o convívio com as facturas da utilização a serem arquivadas na pasta das refeições. O único problema do Madaleno é não saber o que fazer com aquela figura sinistra e muda que, jogo após jogo, se mantém em pé no topo da bancada das Antas: o homem do fraque..."


Afonso de Melo, in O Benfica

A importância de Garay

"A vitória em Aveiro foi mais importante do que os números e os títulos dos jornais fazem supor.

Em primeiro lugar, o Beira-Mar, frágil no ataque, tem uma excelente defesa, depois o jogo sucedia a uma deslocação importante da Liga dos Campeões e o Benfica estava cansado, por fim vencemos uma arbitragem que, sem erros clamorosos, daqueles que fazem manchetes, empurrou nas pequenas faltas, nos amarelos, nos foras-de-jogo, o Benfica para um risco permanente de empatar o desafio. Um bom árbitro que não fez uma boa arbitragem e foi mal auxiliado.

Em suma, sem deslumbrar o Benfica conseguir ganhar e de preferência não passar por tantos sobressaltos. Aqueles livres e cantos no últimos minutos de Aveiro desfazem o coração do mais pacato adepto.

Olhanense, SC Braga e Sporting decidem muito daquilo que será o nosso campeonato. Os próximos três jogos serão decisivos na corrida ao título e não poderá haver deslizes. Parece claro que este ano a corrida será a três, é bom para o futebol que assim seja, e se for leal a competição o vencedor terá ainda mais valor e mérito. Ganhar na batota alegra pouco e poucos. Ganhar com classe e qualidade tem que ser o objectivo de um futebol decente.

Muito se tem falado das contratações mais importantes deste ano no Benfica, Nolito fez títulos no início da época, Artur veio depois ao impor a sua calma e serenidade como atributos decisivos, já poucos regateiam elogios a Bruno César e a Witsel, mas poucos falam de uma das mais decisivas contratações, Garay. Fantástico central, calmo e personalizado, com uma qualidade de passe rara, com um entrosamento com Luisão como se jogassem juntos desde pequenos, uma das mais decisivas compras do Benfica.

Hoje, temos uma das melhores duplas de centrais da Europa, na boa linha de Humberto, Mozer, Ricardo ou Gamarra."


Sílvio Cervan, in A Bola

Vitórias

"1. Categórico (e importantíssima) vitória em Basileia, muito 'tremido' o triunfo em Aveiro, onde não gostei da nossa equipa, que deveria ter 'morto' o jogo a tempo e horas, não nos fazendo sofrer naqueles minutos finais, quando um qualquer lance fortuito poderia dar um triste empate. Mas o importante foi ter-se ganho, mantendo a liderança. Vêm aí jogos (quase) decisivos...


2. Já aqui o disse: pelo seu passado, intimamente ligado à Direcção comprovadamente corrupta de Pinto da Costa no FC Porto, Fernando Gomes, candidato a presidente da Federação, não me inspira confiança. No entanto, a composição da sua lista, nomeadamente com Hermínio Loureiro e Humberto Coelho em postos importantes, deixa-me bem mais descansado. O Benfica, tal como muitos outros clubes, já manifestou o seu apoio a esta candidatura. Mas, entretanto, surgiu uma outra, encabeçada por Carlos Marta e apoiada (nomeadamente) pela Associação do Porto (Lourenço Pinto). Estranhamente, Fernando Seara aparece como presidente da Assembleia Geral.

Lamento (mas já não me surpreende...) que um benfiquista com responsabilidades apareça a 'apadrinhar' uma lista destas. Mais grave ainda é a posição de Luís Duque, com um alto (e bem remunerado) cargo no Sporting e que apoia uma candidatura contrária aquela que o seu clube defende. Mas isso é problema deles...

E quanto ao presidente da Associação de Lisboa, sempre de braço dado com a do Porto, chegou a hora de dar lugar a outro. Li com entusiasmo a notícia de que os clubes da principal associação do País se preparam para correr com ele.


3. O Sporting tem alguma razão de queixa das arbitragens num ou outro jogo das jornadas inaugurais do Campeonato. E tem feito à conta disso uma grande campanha de vitimização, alimentada por alguns jornais. Campanha que incluiu, a dada altura, notícias de desconfiança em relação a João Ferreira, que iria arbitrar um jogo seguinte, facto que agora de tenta esquecer mas que esteve (esse sim) na origem da 'greve' dos árbitros. Curiosamente, não vi salientado o facto de a sua vitória da semana passada frente ao Vaslui ter começado a desenhar-se com um penálti contra não assinalado, com consequente agressão e expulsão de jogador adversário..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

12.º Jogador

"O treinador do Benfica convocou 20 jogadores para o desafio no campo do Beira-Mar e cuidou que não ficasse em casa o 12.º jogador: «A situação do País não está fácil, mas espero que tenhamos um enorme apoio». E a equipa teve «enorme apoio» que o treinador pediu. Estava uma enchente no Municipal Mário Melo Duarte, de Aveiro, e ninguém terá dúvidas sobre quem tinha a maioria absoluta naquelas bancadas. Bastaria ouvir a banda sonora do encontro. Nos anteriores jogos em casa - excluindo a recepção ao Sporting -, o Beira-Mar tivera uma média de 2300 espectadores, média que subiu para 6700 com o Beira-Mar, 0 - Sporting, 0. No jogo com o Benfica era perto de 20 mil, o que elevou a média do estádio de Aveiro para 9900 espectadores.

E é assim com o Benfica, e só com o Benfica, que acontece este milagre, semana som, semana não, de casas cheias por esse País fora, público nas bancadas e dinheiro em caixa.

O Porto precisou do Benfica para levar 49 mil ao estádio. O vice-presidente da SAD do Beira-Mar reconheceu que a visita do Benfica permitiu «resolver questões prementes» do clube aveirense.

Mas do lado do Beira-Mar, independentemente da vontade do clube de Aveiro, que joga o seu futebol defensivo com muita entrega, houve também um 12.º jogador: foi um indivíduo fardado de azul e munido de um apito. Nenhum outro player deste desafio virou tanto jogo contra a baliza do Benfica, apitando por tudo e por nada, com dualidade de critérios, vendo faltas onde elas não existiam e vendo outras ao contrário, apontando livres perigosos à medida que os minutos se aproximavam dos 90. Em Aveiro, como é frequente em diversos jogos e modalidades, o Benfica ganhou contra duas equipas."



João Paulo Guerra, in O Benfica

Onda vermelha

"O Benfica foi jogar e ganhar a Aveiro. Mais de vinte mil benfiquistas nas bancadas ajudaram a trazer vida a um estádio novo e já decrépito, fruto de um investimento mal pensado aquando do Euro 2004, e com uma decrepitude resultante de uma gestão de merceeiro que não permite uma manutenção minimamente digna. Vinte mil benfiquistas serviram de bodo ao Beira-Mar, da mesma forma que vão servindo de bodo a tudo quanto é clube espalhado por este Portugal de mão estendida em busca de esmola.

A chico-espertice de uns quantos dirigentes associada a uma vergonhosa falta de eficaz regulação dos preços dos bilhetes leva a que se aproveitem despudoradamente dos benfiquistas a cada deslocação do nosso clube a casa alheia. Vemos, ano após ano, clubes a subsistirem desportivamente num beija-mão subserviente a um dono alheio que vai satelitizando e parasitando clubes com treinadores, jogadores e até dirigentes e outros homens de trazer no bolso. E vemos que esses mesmos clubes subsistem financeiramente em grande parte graças à receita que conseguem aquando da visita do Benfica.

Na presente época, devido aos bons resultados da equipa, começamos a ver crescer essa onda vermelha que acompanha a nossa equipa para todo o lado. A onda que recentemente mostrou em Basileia como é que, jogando fora na Champions, acabávamos por ter um apoio superior aos da casa é a mesma que em Aveiro demonstrou um apoio massivo e inequívoco à equipa. Desta onda fazem parte os três mil que se deslocaram recentemente, a meio da tarde, ao Estádio da Luz para ver um… treino.

Esta onda vermelha de crença e benfiquismo merece uma equipa vencedora e profissionais dignos e empenhados, mas merece também que quem regula o futebol em Portugal saiba tratar com respeito os que, pela sua presença nos estádios, garantem a subsistência do futebol em Portugal. Infelizmente, nem a Liga nem a Federação nos têm respeitado."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Não me venham falar de brechas na organização

"SE, por acaso, estiverem à espera de que venha para aqui tratar mal o Hulk por ter mergulhado a cabeça num balde de lixívia sem ter pedido autorização ao sineiro da Torre dos Clérigos e, pior ainda, se estiverem à espera de que veja nisso um sintoma de brechas na super-organização da super-estrutura do super-FC Porto, nesse caso, não contem comigo.
Temos de ser racionados e defender a liberdade de cada um. E dizer a verdade também faz bem.
E não é verdade que o FC Porto beneficiou muito com a cor do cabelo de Hulk, igualzinha à cor dos equipamentos do Nacional no jogo de domingo passado? Só à conta do cabelo amarelo do Hulk, os fiscais-de-linha deixaram-se confundir maia-dúzia de vezes e dessas ilusões cromáticas - ...mas aquilo é um jogador do Nacional ou é o Hulk? - os campeões nacionais beneficiaram de dois golos nascidos de posições irregulares.
Portanto, não me venham cá falar em brechas na organização.

ANDRÉ VILLAS BOAS foi recebido com fidalguia no Coliseu do Porto por uma plateia que lhe soube dispensar uma ovação de pé. Foi bonito de se ver até porque veio contrariar os prognósticos mais sombrios que pairaram sobre a ocasião.
Mas como em Portugal as homenagens são sempre contra alguém, fica por saber se esta homenagem portista a Villas Boas não é, no fim de contas, uma grande contra-homenagem a Vítor Pereira que tem sido alvo de inusitadas desconsiderações públicas e privadas de cariz técnico-táctico, o que nem se percebe muito bem porquê visto que ainda a procissão vai no adro.
A atribuição do Dragão de Ouro a André Villas Boas só foi possível porque Vítor Pereira não conseguiu dar 5-0 ao Benfica no jogo da 6.ª jornada do campeonato corrente. Com esse resultado, ou com outro parecido e igualmente sonante, teria sido Vítor Pereira a subir ao palco do Coliseu no lugar de Villas Boas e a festa teria sido outra.
Não se duvide, no entanto, do apreço que o presidente do FC Porto tem pelo seu ex-treinador. No Verão passado, quando o treinador que lhe deu quatro títulos anunciou se ia embora, Pinto da Costa afirmou não se sentir dorido porque só se magoava «se caísse de um 7.º andar». Na segunda-feira, no Coliseu, declarou-se disponível e competente para «nos próximos trinta anos» escrever o prefácio da autobiografia de André Villas Boas.
A Pinto da Costa não só nunca se ouviu uma palavra menos polida sobre o actual treinador do Chelsea como também somos levados a crer, pelos exemplos citados, que quando se inspira em Villas Boas, o presidente do FC Porto respira imortalidade.
E não me venham cá falar em brechas na organização.

UMA pessoa inadvertida reflecte sobre o que anda para aí de movimentos para as eleições na FPF e fica sem saber no que reflectir.
Então o Filipe Soares Franco era o candidato do Pinto da Costa? Mas como seria isso possível se o Pinto da Costa foi tão deselegante para o Soares Franco quando este era presidente do Sporting?
E é verdade que o Fernando Gomes se candidatou à corrida sem o aval do Pinto da Costa? Impossível! Mas agora o FC Porto é o novo Sporting das liberdades de voto, onde Godinho Lopes apoia o Fernando Gomes e o Luís Duque apoia o Marta?
Então o Fernando Seara vem agora dizer que não se candidatou a presidente da FPF porque nunca aceitaria sacrificar «a cabeça de um amigo»?
Mas qual cabeça?
E qual amigo?
Vocês querem ver que o Godinho Lopes disse ao Fernando Seara que o Sporting só o apoiaria se o Seara lhe fizesse o favor de levar para a Federação o Luís Duque, por exemplo para vice-presidente das selecções, ou para vice-presidente de qualquer coisa, mas, por favor, que o levasse com ele para longe do Sporting?
Vamos continuar a reflectir...

ESTANDO o país em dificuldades e os trabalhadores numa aflição e sendo o Benfica o clube do povo, não espanta que a tirada de Jorge Jesus, que é treinador do Benfica, sobre as agruras da crise e a classe política nacional tenha ecoado ao longo de todo o fim-de-semana passado, chegando quase a provocar reacções de Estado. «Os nossos políticos se fossem treinadores de futebol estavam muito pouco tempo no lugar», disse Jesus.
Responderam-lhe a sério, e algo sentidos, alguns políticos de maior ou menor carreira e houve até quem lhe lembrasse que os políticos têm de passar por eleições e pelo veredicto popular.
Pois é verdade que sim. Os políticos são eleitos de 4 em 4 anos. Mas os treinadores de futebol têm eleições todos os fins-de-semana e, às vezes, a meio da semana e o veredicto popular, na glória ou na desgraça, funciona sempre e é quem manda, quem põe e quem tira.
Aliás, era precisamente a isto que Jorge Jesus se estava a referir.

NESTA fase das respectivas campanhas europeias saíram ao Benfica e ao Sporting equipas romenas que pouca ou nenhuma luta lhes têm dado. Felizmente, em nome da boa e secular rivalidade, tudo serve para alimentar conversas científicas sobre os poderios dos dois vizinhos da Segunda Circular.
Domingos Paciência não se aguentou e disse com grande sentido de oportunidade que os romenos do Vaslui (os dele) são muito melhores do que os romenos do Otelul (os do Benfica). Parece que não é verdade, em termos de palmarés, porque o Vaslui (os do Sporting) só ganharam em toda a vida uma Taça Intertoto enquanto o Otelul (os nossos) não só ganharam uma Taça Intertoto como também ganhou um campeonato e uma Taça da Roménia.
Que se tratam de dois colossos da Europa da Europa central, sobre isso que não reste dúvidas nenhuma...
Paciência, convém registar, não se saiu com esta do Vaslui ser muito melhor do que o Otelul a propósito de coisa nenhuma. É que o Benfica e o Sporting, para além de terem adversários romenos, também têm adversários suíços nos seus grupos de apuramento.
E a tal conversa científica já vinha de trás, mais precisamente da véspera, com Jorge Jesus a dizer, na Suíça, que o adversário do Benfica, o Basileia, não se compara «a nenhuma outra equipa suíça» e que é «por exemplo, muito melhor do que o FC Zurique», sendo que o Zurique é o adversário do Sporting.
A última jornada do campeonato suíço poderá ter vindo ajudar à clarificação deste imbróglio porque o Basileia do Benfica foi ao terreno do Zurique do Sporting, venceu por 1-0 e saiu de lá com os 3 pontos. Assim sendo é Jorge Jesus quem tem razão porque o Benfica já venceu o Basileia que venceu o Zurique que tinha perdido com o Sporting.
É esta a lógica das discussões de bola. E muda todas as semanas.

NO domingo, o Manchester United levou 6-1 do Manchester City e Sir Alex Fergunson disse: «Foi a pior derrota da minha carreira».
Na segunda-feira, o Gil Vicente levou 6-1 do Sporting e Paulo Alves disse: «Foi a pior derrota da minha carreira.»
Mais tarde, daqui a muitos anos, Paulo Alves poderá sempre contar aos netos que houve uma ocasião em que, no espaço de 24 horas, ele e o Sir Alex Fergunson disseram exactamente a mesma coisa.
E isto não é para todos.

O primeiro golo do FC Porto ao Nacional, da autoria do belga Defour, devia ser atribuído ao Standart de Liège, não devia? É que o Standart de Liège, de acordo com o que se lê, ainda é o único propietário do jogador. Ainda por cima dava-lhe muito jeito para as suas contas este golo de Defour porque o Standart de Liège anda aflito de golos e até tem um goal-avarage negativo de 13 marcados e 15 sofridos.
Tanto nos chatearam, e com razão, com o pagamento do Poborsky e agora, finalmente, podemos responder-lhes na mesma (ausência de) moeda.
Querem ver que há mesmo uma brecha na organização?"

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A mátria do futebol

"A Inglaterra é a mátria do futebol trazido à luz em 1863. 149 anos volvidos, continua a ser a pátria do futebol. Não porque vença mais, ou porque de lá sejam os melhores jogadores. Mas pela magia do seu football association, que perdura acima da intelectualidade das tácticas e do tacticismo das inteligências.

Os estádios aconchegados, quase intimistas, estão sempre cheios, seja qual for a competição, a meteorologia, a classificação, a notoriedade das equipas, os horários, a transmissão televisiva.

O ambiente é de festa. Apoiam-se as equipas com entusiasmo contagiante, canta-se em sinfonia e harmonia, vencendo ou perdendo. Quanto o Benfica ganhou em Anfield Road por 2-0, os adeptos do Liverpool continuaram a cantar vibrantemente You'll never walk alone.

Um futebol sem manhas e sem manobrismos. Sem chicotadas psicológicas inconsequentes. Em que o árbitro é tão-só o juiz que também erra, mas não é alvo das desculpas para o insucesso.

O fair play é lá mais escrutinado. Na memória, preservo a radicalidade de alguns exemplos. Relembro apenas um: há anos, um jogador do Arsenal, depois de um colega ter sido assistido por lesão, devolveu a bola à equipa do Sheffield. Porém, a arsenalista Kanu ficou com a bola e passou-a Overmars, que fez facilmente o 2-1. No fim, a Direcção do Arsenal e o técnico Arsène Wenger pediram para o jogo que o Arsenal venceu ser repetido.

Só o futebol da Liga inglesa nos brinda com jogos como 8-2 do Manchester contra o Arsenal, ou, como no domingo, em que o United, em casa, perdeu 1-6 com o City! Não esquecendo os golos que se marcam nos últimos minutos porque, nunca se desistindo, o último segundo de jogo é igual ao primeiro!

Assim é um prodígio de desporto!"


Bagão Félix, in A Bola

Que embrulhada rumo à FPF!

"Nas eleições para a FPF, sempre houve absoluto poder das associações dominantes (ficando supostamente na sombra os seus clubes...). A alteração de estatutos anulou o poder absoluto; falta ver se não continuarão a levar a melhor...

Grande novidade: quase todos os clubes do futebol profissional deram o grito de Ipiranga: o nosso candidato a líder da FPF é Fernando Gomes. Os clubes querem; a maioria das suas associações discorda... - e aposta em Carlos Marta. Estranhíssimo (apesar do futebol amador)? Não. Ninguém assume o nó górdio: arbitragem, disciplina e justiça regressam em força à FPF (eleições autónomas da dita principal). Fernando Gomes pretende continuidade de Vítor Pereira à frente da arbitragem. Para muitos (o que inclui árbitros), nem pensar! E na sombra das associações mantém-se importantes clubes...

Alguma vez a AF Porto foi contra a posição do FC Porto? Em Lisboa é que surge o caos - para não variar... Braço-de-ferro entre a AF e os principais clubes. Mas não só... Soares Franco foi candidato, teve apoios a Norte e recusa do seu Sporting. Fernando Seara, que o Benfica apoiava, está na lista pelo Benfica recusada. Sporting oficialmente com Fernando Gomes (porém, reticente a Vítor Pereira); mas Luís Duque, líder do seu futebol, apoia Marta e Seara.

Que resultará desta tremenda embrulhada? Palpites: Fernando Gomes sem o previsto fácil passeio...; e dificilmente Vítor Pereira continuará a liderar a arbitragem. Ironia: na recusa de vários árbitros a um jogo do Sporting também houve sublevação contra Vítor Pereira... - do qual o Sporting (como o FC Porto) não gosta.

Já agora: ninguém fala da presidência da Liga. Sem arbitragem, deixou de ser importante?"


Santos Neves, in A Bola

Nico

O Nico 'golos bonitos' Gaitán, renovou o contrato com o Benfica, é só mais uma 'aninho', mas não deixa de ser uma renovação... existem algumas dúvidas sobre a utilidade deste anuncio, neste momento, pessoalmente, 'cheira-me' a preparação para uma futura venda, se calhar, no final da época!!!

Tenho-o criticado várias vezes, continua a ter demasiadas 'brancas' durante os jogos, e fisicamente demonstra uma irritante falta de resistência, mas num momento para o outro faz tudo bem, acelera, desequilibra, passa, remata, marca golos... neste momento ofensivamente é o nosso grande 'acelerador' de jogo, algo extremamente importante... se a Direcção do Benfica está a 'pensar' na venda, é importante, pensar na sua substituição, e apesar de neste momento termos no plantel bons jogadores, que podem ocupar as faixas ofensivas, nenhum tem as caracteristicas do Nico...

Naval 1º de Maio

Tal como o Portimonense a Naval foi despromovida a época passada para a segunda liga, tal como os Algarvios a Naval está a fazer uma época má: 2 vitórias pela margem mínima, 2 empates, e 3 derrotas. O que tudo somado dá 8 pontos, e o 13ª lugar (em 16), somente mais 2 pontos em relação ao Portimonense...

Dito isto a próxima eliminatória da Taça de Portugal, não vai ser fácil. Mais uma vez por causa do jogo em Manchester (a uma Terça-feira), vamos jogar à Figueira, na Sexta-feira anterior. Isto imediatamente a seguir, a mais uma paragem devido às Selecções. Assim além dos jogadores habitualmente poupados pelo nosso treinador, os nossos internacionais sul-americanos também não vão ser opção, como a Bélgica do Witsel está fora da corrida para o Euro, provavelmente o Belga será a única alteração em relação aos jogadores disponíveis... apesar de em Portimão as coisas terem corrido bem, com as segundas opções, nunca fiando...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lixívia Extra-Forte VIII

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......20 ( 0)...20
Corruptos..20 (+3)...17

Sporting......17 (0)...17
Braga........17 ( +3)...14


Em Aveiro tivemos um Baptista dos velhos tempos, jogou tudo no empate, inventou faltas atrás faltas contra o Benfica, principalmente perto da área do Artur, 'esqueceu-se' de marcar várias junto da área do Beira-Mar (a falta não marcada sobre o Bruno César é difícil de qualificar!!!)... Teve ainda a colaboração dos auxiliares, que nas duas únicas oportunidades 'a sério' dos Aveirenses, não marcaram o fora-de-jogo óbvio!!! (ambas, mais uma vez, censuradas pela PorcosTV!!!)

No antro da Corrupção, mais do mesmo... Além de um adversário pouco motivado, uma direcção silenciosa no final do jogo!!!
O ano passado o Benfica marcou um golo em fora-de-jogo, durante toda a época (só um!!!), em Coimbra (nesse mesmo jogo fomos prejudicados em 2 penalty's)... mas esse golo, serviu como bandeira contra o Benfica, durante o resto da época. Este fim-de-semana os Corruptos marcam 2 golos em descarado fora-de-jogo, e ninguém ficou escandalizado!!! (foi também mal marcado um fora-de-jogo para cada lado...)
Não vi o jogo, outros lances escaparam aos resumos seguramente, mas além dos foras-de-jogo, ficaram 2 penalty's por marcar contra os Corruptos: o primeiro é duvidoso, é uma questão de intensidade, mas o Luís Alberto é tocado; no segundo o Mateus é claramente tocado no momento do remate pelo Álvaro Pereira (que não toca na bola, e deveria ter sido expulso!!!). Sem vergonha de cair no ridículo houve avençados que explicaram este lance como falta do Mateus que pontapeou o adversário!!!! O Danielson também fez penalty sobre o bêbado Romeno. Dissem-me que a falta que dá o 3º golo não existiu. Já agora o golo do Kléber é legal, mas se fosse no ataque do Benfica, seria marcado fora-de-jogo...!!! Assim se constroi uma goleada num momento de grande pressão... tudo dentro da estranha normalidade que já estamos habituados!!!


Também não vi o jogo dos Lagartos, mas nos resumos logo no final do jogo, ficou claro um penalty 'à Corruptos', os tais da intensidade!!! O contacto existe, mas... aceita-se a marcação do castigo máximo. Apesar da goleada, este lance foi muito importante na decisão do jogo, já que a vantagem mínima, era muito perigosa, a partir daqui o Gil 'abriu-se', e as Osgas golearam... Tenho dúvidas num dos golos do Capel (já vi uma repetição, e fiquei sem dúvidas: está em fora-de-jogo), se está ou não em fora-de-jogo, na recarga após uma defesa do guarda-redes...


Não vi o jogo do Braga, mas também ninguém se queixou, mas duvido que a entrega ao jogo dos jogadores do Feirense, tivesse sido igual ao do jogo da Luz...!!!



Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) (2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) (3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) (0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) (2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) (4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) (2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) (4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) (0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado

Corruptos
1º-Guimarães(f) (0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) (1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) (3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) (0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) (2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) (0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) (5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

Sporting
1ª-Olhanense(c) (1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) (0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) (2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) (2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) (2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) (3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f), (0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c), (6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado

Braga
1ª-Rio Ave(f) (0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) (2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) (0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) (1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) (2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f), (0-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c), (3-0), João Ferreira, Nada a assinalar

O imponderável, da bola oval à redonda

" 'O APOEL não é uma equipa qualquer. São bem organizados, rápidos, perigosos na transição e não dão muito espaços. O Grupo é equilibrado, com equipas muito iguais'

Vítor Pereira, treinador do FC Porto


Na ressaca do empate caseiro frente ao APOEL de Chipre, Vítor Pereira não terá estado no seu melhor. Shakhtar, Zenit e APOEL ao nível do FC Porto? APOEL não é uma equipa qualquer? Alguma coisa não bate certo. Aliás, basta ler o que pensam desta questão alguns portistas notáveis para se perceber como a intuição de Pinto da Costa está a ser posta em causa...


..."


José Manuel Delgado, in A Bola

Talento e dinheiro

"1. O Regime Jurídico das Federações Desportivas dotadas de Utilidade Pública Desportiva consagrou o regime geral de um delegado/um voto e estabeleceu, através dos Estatutos de cada Federação, os procedimentos conducentes à designação do conjunto dos delegados eleitos a par daqueles que, por inerência, e em razão de serem sócios ordinários, integram a mesma Assembleia Geral. Sabemos que o voto é secreto, sob pena da sua nulidade. E sabemos que cada delegado eleito tem o direito de fazer, no silêncio da sua consciência, a sua opção face às efectivas candidaturas que lhe são presentes. Escuto, nos últimos tempos, declarações de algumas personalidades do futebol português, que nem são delegados eleitos, e que se pronunciam como se fossem titulares do poder originário do futebol português. O que o Regime Jurídico em vigor - e cuja alteração já foi anunciada para momento posterior aos Jogos Olímpicos de Londres do próximo ano - quis consagrar foi o princípio da responsabilidade pessoal. O que alguns querem retomar é o voto por procuração ou o voto por solidariedade. Também, nesta sede, valem, com as necessárias adaptações, as declarações de Jorge Jesus acerca da política, dos políticos e da crise de representatividade. É que o futebol, mesmo que alguns o não entendam ou não o queiram entender, é mesmo um verdadeiro teatro de vidas!


2. (...)


3. Todos percebemos a grave crise económica e financeira que nos atinge, perturba e condiciona. Porventura, o Conselho Europeu de hoje não será conclusivo e poderemos ter de esperar por um Conselho Extraordinário na próxima quarta-feira para, no meio da turbulência dos mercados, sentimos que temos uma pequena luz ao fundo do túnel. Mas, ao mesmo tempo que os políticos europeus têm essa responsabilidade, entre nós, o futebol profissional aguarda, com muita ansiedade, uma decisão de uma juíza de um tribunal da cidade do Porto que poderá pôr em causa o contrato entre a empresa de apostas Bwin e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. A decisão do tribunal significará, em caso de reconhecimento da não validade do contrato, um rude golpe económico e financeiro para a nossa principal Liga. E só uma solução legislativa, partilhada com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Associação Portuguesa de Casinos, impedirá uma crise que, em certos casos, pode ser fatal para muitos clubes. Mas, aqui, terá de ser a criatividade dos políticos a resolver a crise. Paradoxos dos tempos e dos discursos!


4. (...)"


Fernando Seara, in A Bola

Mentiras

"Todos sabemos que a estratégia comunicacional do FC Porto assenta num chorrilho de mistificações e de mentiras. Já nos tempos de José Maria Pedroto, uma alegada luta do Norte contra um alegado poder centralista do Sul, servia como forma de exacerbar paixões e carneirizar militâncias. Daí para cá a coisa sofisticou-se, mas no essencial ainda bebe muito desses tempos - nos quais, recorde-se, Pinto da Costa chegara ao Departamento de Futebol, levando consigo o ódio e os complexos provincianos de que nunca se iria libertar, com os quais infectou os seus seguidores, de então e de sempre.
Hoje, se um qualquer jornal noticia algo que lhes interessaria esconder, eis a Imprensa 'de Lisboa' a perseguir o FC Porto. Se um juiz decide levar a cabo uma investigação, são as forças ocultas 'do Sul' a tentar atingir o FC Porto. E já nem falo das televisões, todas elas 'do Sul', 'de Lisboa', e, como tal, inimigas do FC Porto. Por trás de tudo é colocado obviamente, o Benfica, enganadoramente confundido, primeiro com a cidade de Lisboa (o que está muito longe de corresponder à verdade, pois o nosso Clube é do país inteiro, estendendo-se inclusivamente a todo o universo lusófono), e depois, com tudo o que se atravesse no caminho sem lei trilhado pelo FC Porto, por este FC Porto, sejam juízes, tribunais, forças policiais, comunicação social ou até os governos. Não falo dos poderes do Futebol, pois esses, de tão alinhados, raramente sofrem contestação (aconteceu apenas com Hermínio Loureiro e Ricardo Costa, na excepção que complementa a regra).
O 'contra tudo e contra todos' é já um clássico. Esse tudo e esses todos, confluem para uma só palavra: Benfica. Foi o Benfica que armou uma cilada para Hulk e Sapanaru (as vítimas) andarem aos pontapés no túnel da Luz; foi o Benfica que encomendou as Escutas que despiram a corrupção no Futebol português, condenaram o FC Porto (e o seu presidente) na justiça desportiva, e que só manobras processuais impediram de condenar também na justiça comum; é o Benfica que, por métodos escondidos, inspira a contestação interna aos técnicos portistas, logo que não ganham dois jogos consecutivos.
Mas este raciocínio vai ainda mais longe. Ao confundir o Benfica com a Capital do País, e ao amarrar esta a uma pretensa exploração económica do Norte em favor do Sul, a política do FC Porto incute nos seus mais débeis seguidores a ideia de que o Benfica é o responsável por todos os males das suas vidas. Se estão desempregados, a culpa é do centralismo de Lisboa, logo, do Benfica. Se vivem com dificuldades, a culpa também é do centralismo de Lisboa, logo, do Benfica. E assim temos um exército de pobres de espírito, fanatizados, e de faca nos dentes para combater o 'mal', personificado estupidamente num clube de futebol. Assim temos idosas às janelas a cuspir sobre os nossos adeptos quando o Benfica se desloca ao Estádio do Dragão. Assim temos emboscadas nos viadutos da A1. Assim temos bolas de golfe atiradas para os relvados. Assim temos toda a confusão entre política, regionalismo e desporto, que, iludindo os destinatários, serve na perfeição os desígnios daqueles que a fomentam.
Temos de saber desmontar tudo isto. É preciso dizer bem alto que o Benfica não é apenas de Lisboa, e nem sequer representa Lisboa (onde, de resto, até existe outro grande Clube), tendo milhares de adeptos no Norte do País, e mesmo na cidade invicta. É preciso dizer bem alto que as eventuais razões de queixa que o Norte, e em particular a cidade do porto, possam ter de um suposto centralismo, não são maiores do que as de outras regiões - nalguns casos bem mais deprimidas e empobrecidas, mas sempre carregadas de benfiquistas -, e nada têm a ver com Futebol. É preciso dizer bem alto que se a imprensa desportiva dá maior destaque ao Benfica, tal deve-se exclusivamente ao seu maior número de adeptos, traduzíveis nas respectivas vendas de papel. É preciso ainda lembrar que o FC Porto, através da sua instrumentalizada Associação de Futebol, dominou a arbitragem durante anos, construindo o sistema que vimos desmascarado nas já referidas escutas. É preciso lembrar que a própria sede da Liga de Clubes está, incompreensivelmente, situada na cidade do Porto. É preciso lembrar que, ao contrário da imprensa 'de Lisboa' 8normalmente muito longe de qualquer laivo bairrista), a do Porto não hesita em alinhar-se fervorosamente com o clube da cidade, coisas que o JN (cujo director se confessa fanático pelo FC Porto) é vivo exemplo.
Ao longo dos anos, a mistificação tem sido a arma com que o FC Porto aglutinou e estimulou as suas hostes. Cabe-nos a nós desmontar toda essa teia de fantasias, não deixando que, com ela, a verdade saia conspurcada. Cabe-nos a nós evitar que o nosso tradicional cosmopolitismo acabe asfixiado pela tacanhez de que nos quer abater."

Luís Fialho, in O Benfica

Feitiçarias

"From: Domingos Amaral

To: Pinto da Costa


Caro Pinto da Costa

Em julho, o senhor desdenhou: “O Atlético Madrid não tem dinheiro para contratar Falcão”. Porém, para espanto geral, em finais de agosto vendeu-o. Muitos, eu incluído, não compreenderam como podia o jogador trocar o mais forte clube de Portugal por um mediano de Espanha. Mas os valores eram galácticos, 30 e muitos milhões de euros, mais uns milhões por objetivos inatingíveis, e a sua aura de mago das finanças a ser glosada pela propaganda portista. “A maior transferência de sempre”, disseram os jornais. E, de caminho, a chave para a estratégia, caríssima mas na aparência bem-sucedida, de “roubar” ao Benfica tudo o que desse pontapés numa bola. Numa exibição musculada de poder económico, o senhor contratou Alex Sandro, Danilo, Defour e Mangala, em quem gastou os mesmos 30 e muitos milhões de euros. Chapa ganha, chapa gasta.

Contudo, as coisas estão a correr para o torto. Há semanas que o Standard Liège se queixa de não ter recebido pela venda de Mangala e Defour. E, surpresa geral, o FC Porto reconheceu em comunicado ainda não ter pago, culpando o Atlético Madrid, porque também não lhe pagou Falcão! “Não nos pagam, não pagamos”: inesperada regra da gestão azul, bem mais habitual em clubes à beira de um abismo financeiro. Já não bastavam as desilusões da equipa e agora isto! De facto, o feitiço parece estar a virar-se contra o feiticeiro. Para quem gozou o Benfica, apelidando a venda de Roberto de “milhões da treta”, deve ser azedo provar este veneno dos calotes. Apetece perguntar: e os seus milhões, serão da tanga?"


Domingos Amaral, in Record

domingo, 23 de outubro de 2011

Mais um susto !!!




CAB Madeira 87 - 92 Benfica



Eu sei que as 'remontadas' são engraçadas, relevam o espírito ganhador da equipa, dão emoção, mas muito sinceramente esta equipa tem a obrigação de ganhar, sem percalços, com vantagens consistentes, e sem sobressaltos... hoje, mais uma vez, tivemos que sofrer, desnecessariamente!!! O 3º período e o início do 4º, foram muito maus... Só algum descontrolo emocional já nos últimos segundos dos nossos adversários, 'facilitou' a nossa vitória...

O Seth foi o melhor marcador da equipa, jogou bem, mas com um plantel tão vasto, não compreendo porque é que ele foi obrigado a jogar os 40 minutos!!! Assim como é estranho a não utilização do Carreira.

O Benfica a nível nacional, inclusive com os Corruptos, tem uma enorme vantagem no jogo interior, em altura e peso!!! Portanto, é de esperar que os nossos adversários em desespero de causa, apostem tudo no seu jogo exterior. Hoje o CAB marcou 17 triplos (uma eficácia de 43%!!!), praticamente 60% dos pontos dos Madeirenses foram triplos, não é fácil defender este tipo de estratégia ofensiva, depende muito da inspiração do adversário, mas o Benfica tem que estar preparado para este tipo de jogo.

Os regresso do Ben e a estreia do Betinho, são excelentes notícias. Estão naturalmente com falta de ritmo, mas rapidamente vão poder exibir o seu melhor jogo...

Gosto de ver equipas, agressivas, com ambição, e vontade de vencer, espero (mas não acredito!!!) que o CAB Madeira se apresente em todos os jogos com a mesma atitude de hoje, inclusive o treinador!!!

Agressividade é bem vinda, mas os árbitros devem aplicar a lei. Hoje, mais de metade das faltas do CAB não foram marcadas. Aplicando a lei, ao intervalo o CAB já teria todos os jogadores excluídos!!! Isto torna-se ainda mais irritante, quando usando um extraordinário zelo, se marca constantemente faltas ofensivas aos jogadores do Benfica. Se existe um desequilíbrio entre os planteis, não faz parte das funções dos árbitros equilibrar as partidas artificialmente...

Redes reforçadas

"O ano passado chegou a ser um suplício. O começo comprometedor de Roberto, apresentado como solução para a baliza do Benfica, deixou os adeptos sobressaltados e descrentes das potencialidades do jovem guardião. Verdade que, a página tantas, até se reabilitou, assinando alguns desempenhos auspiciosos. Só que na fase conclusiva da temporada, Roberto voltou a hipotecar objectivos, ainda que todo o colectivo tivesse responsabilidades.

Roberto entrou mal e saiu menos bem. Trata-se de um jovem que tem tudo para crescer, mas mostrou-se incapaz de dar confiança aos torcedores da causa rubra. A sua saída era uma inevitabilidade e, em matéria financeira, Luís Filipe Vieira demonstrou mestria inigualável.

Com Artur e Eduardo, esta época, o Benfica não garantiu uma solução, antes duas soluções. A dupla, pelo menos no contexto nacional, é de fazer inveja aos opositores. Trata-se de dois guarda-redes de amplos recursos, susceptíveis de conferirem serenidade e optimismo permanente, logo num posto específico da maior responsabilidade.

Num longo desfile, salpicado de vitórias e alegrias múltiplas, aqui de podem invocar, respeitantes às últimas décadas, Bastos, Costa Pereira, José Henrique, Bento, Silvino, Neno, Preud'Homme. Quanto vale um grande guarda-redes numa equipa ambiciosa? Pode valer triunfos? Pode mesmo valer títulos.

Artur e Eduardo são as chaves do castelo defensivo do Benfica. Podem, e devem ser também, as chaves de um problema que urgia resolver. As redes vermelhas estão, ao que tudo indica e já deu para ver, bem entregues, muito bem entregues. A confiança regressou e com ela a esperança em coisas bonitas."


João Malheiro, in O Benfica

Balanço negativo

"Quando se aproximam as eleições na FPF, é altura de fazer um balanço dos 15 anos que Gilberto Madaíl levou à frente dos destinos da mesma. Infelizmente, esse balanço não pode ser positivo. Admito que Gilberto Madaíl seja uma pessoa estimável (não o conheço), mas o seu trabalho em todos estes anos foi quase sempre marcado pela mediocridade, e muitas vezes pela fuga às responsabilidades.

Argumenta-se que levou a Selecção a Europeus e Mundiais. Ao contrário de um clube, onde as
direcções contratam e vendem futebolistas, não creio que um dirigente federativo tenha mérito substantivo nas vitórias desportivas da respectiva Selecção. Na minha óptica, Madaíl teve apenas a sorte do seu consulado coincidir com uma extraordinária geração de talentos (Rui Costa, Figo, João Pinto, Simão, Ronaldo, etc), que, ela sim, proporcionou os resultados que a FPF pouco fez por merecer. Acresce que, sob a sua liderança, nem só de rosas viveu a Selecção Nacional. Os Mundiais de 2002 e 2010 foram momentos de angústia colectiva, com casos de indisciplina e desorganização que saltaram à vista de todos, e dos quais não se chegaram a apurar as devidas culpas. Pelo meio, nos tempos de Scolari foi o próprio seleccionador que, assumindo tarefas que competiam aos dirigentes, disfarçou insuficiências que nunca deixaram de subsistir.
Mas nem é a Selecção o principal critério de análise a uma direcção federativa (mesmo sendo ela a sua grande fonte de financiamento). O futebol das divisões secundárias quase morreu neste período, não se tendo visto o mais pequeno esforço para o compatibilizar com os paradigmas dos novos tempos.

As selecções jovens, com a honrosa excepção do último Mundial de Sub-20, eclipsaram-se. Os quadros competitivos continuam desfasados da realidade, e reféns de interesses menos claros. E embora sem responsabilidades directas no assunto, não me lembro de ouvir um pio a Madaíl quando escutas telefónicas demonstraram ao país a corrupção em que navegava o nosso futebol.
Por tudo isto, Gilberto Madaíl não irá deixar saudades."


Luís Fialho, in O Benfica