Últimas indefectivações

sexta-feira, 29 de março de 2013

Acordar a tempo...


Benfica 3 - 2 Castêlo da Maia
25-23, 19-25, 19-25, 25-18, 15-10

Só no 4.º Set com a equipa a perder por 1-2 (em Set's) é que o Benfica jogou ao nível exigido, com intensidade, ganhando blocos e recuperando bolas 'impossíveis' na defesa baixa, até lá, muitos erros defensivos (estranho tantas más recepções do Roberto...), e pouca criatividade na distribuição. A entrada do Kibinho acabou por ser decisiva.
A equipa não jogou bem, os árbitros como é habitual tiveram uma daquelas actuações cheias de anti-caseirismo, como é característico nos Pavilhões da Luz: toques na rede, fomos só nós; dois toques, fomos só nós; erros na formação, fomos só nós; reverter decisões dos fiscais de linha, só contra nós; transporte ao passador contrário, nunca... um festival, a equipa já escaldada, tentou não perder a cabeça, mas sentiu-se o nervosismo, bem notório nas bolas que iam claramente para fora, e os nossos jogadores mesmo assim iam atrás delas, não fosse o árbitro marcar dentro!!! O trauma das lesões também anda a pairar sobre esta equipa, todos os contactos - ou apoios mal dados - são motivos de preocupação e de 'entrada' do spray milagroso!!!

Antes deste jogo ficámos a saber, que o Reffatti não deverá jogar mais esta época. Uma baixa de vulto, a defesa baixa do Benfica já é um problema, com o Chino em campo, sabemos que os adversários vão tentar aproveitar os erros do nosso Cubano... por mim fazia mesmo a substituição, sempre que o Chino fique em zona defensiva!!!

Prescrever

"Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.
Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.
No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.” "

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Conflito latente

"Há um conflito latente entre os clubes e as selecções a quem emprestam os jogadores. A questão não é nova e não acabará por aqui. Algum benfiquista gosta de saber que ficou sem Cardozo, Maxi Pereira e Melgarejo ao serviço das suas selecções? É um orgulho para os atletas representarem os seus países e um problema para os clubes ficarem sem os seus melhores (são os melhores que vão às selecções) em alturas decisivas das provas.
Com estes calendários tipo entremeada será sempre inevitável esta questão.
As eleições do Sporting mostraram com muita precisão o que é hoje o grande emblema de Alvalade. Pouco mais de 30.000 sócios com capacidade eleitoral activa, o que é manifestamente pouco para a grandeza e história do clube, mas por outro lado quase 15 mil votantes, o que é excelente atendendo ao pequeno universo que podia votar. O Sporting pode e deve voltar a crescer para não ficar apenas um gueto radicalizado.
A parte mais irónica nas declarações genuínas do novo presidente do Sporting foi ter exclamado: «O Sporting voltou a ser nosso» quando se sabe que com os VMOC está prestes a deixar de ser.
Amanhã regressa o campeonato, o jogo contra o Rio Ave lembra o último título nacional pois foi obtido precisamente contra os de Vila do Conde.
Basta lembrar o jogo da primeira mão, ou recordar que no último mês o nosso adversário precisou de dois penalties para derrotar o Rio Ave por 2-1 no Dragão. Vai ser muito difícil vencer uma das melhores equipas deste campeonato.
Estou em Madrid, onde o tema é quase exclusivamente Mourinho. Mou como é aqui tratado tem manifestações de adeptos para que não saia e programas de horas na TV para debater os seus méritos e deméritos. Punto y pelota transforma todas as discussões portuguesas em coisas de meninos de coro.
No Adeptos do Real ninguém acredita que fique e poucos querem que abandone. Sara Carbonero já é por aqui mais culpada que Casillas e Sérgio Ramos."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 28 de março de 2013

Juntos... até à vitória final !!!

Sempre muito bem acompanhados

"Bento massacrou Moutinho na Selecção, crime de lesa-FC Porto, ou Bento está a recuperar Moutinho na Selecção, crime lesa-Benfica? Depende do ponto de vista clubista.

NA semana passada foi notícia a vontade do Olhanense em receber o Benfica no Estádio do Algarve e não no seu reduto próprio, o Estádio José Arcanjo, cujo relvado não se encontra nas melhores condições, foi essa a razão apresentada.
Os jornais acrescentaram ainda mais uma razão, muito simples, a acrescentar ao interesse dos algarvios na alteração do local do jogo: a receita.
A lotação do Estádio do Algarve, construído de raiz para o Europeu de 2004, é bastante superior à do histórico José Arcanjo e permitiria ao Olhanense um encaixe significativamente mais farto, tanto mais que o Benfica anda empenhado na luta pelo título e é de prever casa cheia.
Trata-se de um assunto do interesse do Olhanense, está visto.
Tal como foi, na época de 1997/98, do interesse do Vitória de Setúbal deslocar uma recepção ao Benfica para o Estádio das Antas por indisponibilidade do Estádio do Bonfim.
Se de Setúbal ao Porto são 358 quilómetros de distância, já do centro de Olhão até as bilheteiras do Estádio do Algarve, em Faro, serão os 15 quilómetros bem contados. Nada que meta medo, portanto.
Jogando-se ou não o Olhanense-Benfica no Estádio do Algarve, não faltará aos nossos rivais ensejo para criticar a hipotética mudança de palco em nome da verdade desportiva e das facilidades ao Benfica.
É injusto que o façam. É verdade que, nesta edição do campeonato, o Sporting jogou com o Olhanense no José Arcanjo e ganhou por 2-0 apesar do estado da sua equipa e do estado do relvado que também não estava na melhor das condições.
Já o FC Porto, jogo na 3.ª jornada da prova, jogou com o Olhanense e ganhou por 3-2 precisamente no Estádio do Algarve porque o José Arcanjo estava impraticável por motivo de obras de beneficiação e sobre o assunto não houve conversa alguma.
O certo é que onde quer que o Benfica jogue com o Olhanense não deixará, certamente, de se sentir muito bem acompanhado. O resto é conversa.

RICARDO SÁ PINTO é o novo treinador do Estrela Vermelha de Belgrado, um histórico clube sérvio com um palmarés notável: 22 campeonatos da Jugoslávia, 3 campeonatos sérvios, 1 Liga dos Campeões e 1 Taça Intercontinental.
Sá Pinto é um treinador português com um currículum profissional de principiante e sem títulos averbados. Nada disto impediu o Estrela Vermelha de Belgrado de o contratar numa semana em que quer José Mourinho quer Jorge Jesus vieram a público dizer a mesma coisa: os treinadores portugueses são os melhores do mundo.
Lá que têm bom nome na praça, têm. E isso muito se deve a José Mourinho, o primeiro a galgar fronteiras para um patamar de glórias ao mais alto nível nunca antes ao alcance de um treinador compatriota.
Sá Pinto contará em Belgrado com a ajuda de um tradutor meio sérvio meio português: Nemanja Filipovic, filho de Zoran Filipovic, antigo jogador do Benfica.
Está bem entregue o Sá Pinto.

O clubismo turva a vista. Todos o sabemos e devemos admitir que é assim que as coisas se passam em função da paixão bruta que informa e deformar o ponto de vista de cada um.
Tomemos o exemplo recente de João Moutinho, o dínamo do FC Porto e da Selecção Nacional, que, para variar, se lesionou. Para variar porque é muito difícil recordar qualquer outra lesão de João Moutinho, ele que vende saúde e é o mais imparável dos jogadores portugueses da sua geração.
Moutinho lesionou-se, falhou o jogo do FC Porto com o Sporting, saiu a meio do jogo do FC Porto em Málaga e nem alinhou no jogo do FC Porto com o Marítimo, no Funchal. Foi convocado por Paulo Bento e alinhou os 90 minutos do jogo de Portugal em Israel o que logo motivou um remoque público de Pinto da Costa dirigido ao seleccionador nacional.
Bento afirmara antes do compromisso de sexta-feira passada que Moutinho só jogaria se lhe dissesse que estava a 100 por cento e o presidente do FC Porto, depois do 3-3, não escondeu o seu espanto sobre a matéria: «Agora é o João Moutinho que decide se joga ou não joga?»
Convenhamos, amigos benfiquistas, que a reacção de Pinto da Costa é ajustada e que, provavelmente, um outro Pinto da Costa, mais dinâmico, ter-se-ia esticado noutro tipo de comentários explosivos e imortais.
De uma maneira geral, para os adeptos do FC Porto a situação de Moutinho na selecção é um caso de lesa-FC Porto porque o jogador, não se encontrando bem, está a ser massacrado com minutos e mais minutos de jogo em paragens longínquas quando devia de estar na enfermaria do Dragão a sopas e a descanso.
Também de uma maneira geral, os benfiquistas vêem a situação de um modo completamente diferente. Trata-se de um caso de lesa-Benfica porque Paulo Bento está a dar rodagem a um Moutinho diminuído de modo ao jogador poder ter os motores a funcionar no regresso do campeonato, já neste fim-de-semana.
É o tal clubismo que nos faz ver as coisas com olhos e suspeições diferentes conforme os afectos.
Outro exemplo recente do modo como o clubismo informa e deforma o ponto de vista é o da porventura excessiva divulgação pelas estações de televisão da gravação da aula dada por Jorge Jesus na Faculdade de Motricidade Humana. Isto para não falar das consultas on line à referida palestra do treinador do Benfica a uma multidão de estudantes candidatos à profissão de treinador.
De uma maneira geral, para os adeptos dos nossos rivais esta promoção de Jorge Jesus a catedrático oficial das televisões nacionais é um manifesto exagero, um questionável endeusamento do treinador do Benfica, uma ostensiva manobra de propaganda pró-benfiquista num momento escaldante do campeonato.
Já para alguns adeptos do Benfica, não todas, trata-se precisamente do contrário. De uma manobra antibenfiquista flagrante porque passar e repassar a aula de Jesus nos nossos canais da TV não é mais do que partilhar a «ciência» que nos move com os adversários e, na pior das hipóteses, oferecer-lhes até a possibilidade de aprenderem alguma coisa com o mestre quando já só faltam sete jornadas para o fim do campeonato.
Se até lá virmos e ouvirmos o recentemente tão desconsiderado Vítor Pereira citar um filósofo francês ou dar um provérbio popular uma organização linguística toda ela logicamente surpreendente, teremos a certeza de que a aula de Jesus chegou a todo o lado e que até ao rival aproveitou.
Isto são raciocínios de pessoas desconfiadas, obviamente.

O nosso futebol tem sempre as suas graças. Um dia destes o Inácio treinador do Moreirense vai a Alvalade jogar com o Inácio director do Sporting. É uma situação cómica, por certo invulgar a que o próprio Augusto Inácio já dedicou algumas sábias palavras recordando o «profissionalismo» com que se entregou no passado, com honras e distinções, aos clubes por onde passou e recusando fazer da visita do Moreirense a Alvalade um caso assombroso.
Tem razão o Inácio. O próximo Sporting-Moreirense, pela parte que lhe toca, é apenas uma curiosidade. No entanto, para o profissionalismo de Inácio viver um momento de verdadeira consagração, o jogo terá de acabar forçosamente empatado entre o Moreirense do treinador e o Sporting do dirigente. 50% de eficácia para cada lado. Assim é bonito.

O mundo está a mudar? Parece. Nunca se ouvira um presidente de um clube desfazer a exibição de um jogador seu ao serviço da Selecção. O vetusto estreante nesta arte foi Pinto da Costa para quem João Moutinho foi igual a zero no jogo com Israel. E disse-o. Paulo Bento respondeu-lhe com grande desrespeito e Moutinho respondeu-lhe com mais 90 minutos em gozo de saúde no jogo com o Azerbaijão."

Leonor Pinhão, in A Bola  

quarta-feira, 27 de março de 2013

Respirar Benfiquismo

Narigudos

Zangam-se as comadres

"1. Finalmente, Sepp Blatter converteu-se às novas tecnologias e agora acusa Platini de ser o único a estar contra. Federações, ligas, árbitros e jogadores já se decidiram a favor. O patrão da FIFA aponta o dedo ao roi: «Não é a UEFA que não quer a tecnologia, é só ele». E prosseguiu em tom recriminatório: «Os árbitros de baliza que Platini quis não servem para nada e muito menos como solução para o problema do golo-não golo, tanto assim que só são utilizados nas competições europeias e no campeonato italiano, neste caso graças à intervenção de Collina que trabalha para a UEFA». Mas o boss suíço não se fica por aqui. Dois dias antes, na revista Kicker, havia estigmatizado a decisão do Euro-20 a 13 países. «É um erro crasso, uma coisa sem pés nem cabeça, que nem pode ser classificada como campeonato da Europa, pois falta-lhe coração e a alma do país organizador». Aguarda-se a réplica de Platini, que não costuma ficar calado. Um e outro chegaram à fase dos ferros curtos e estes ataques frontais inserem-se na estratégia para as próximas eleições à presidência da FIFA em 2015, quando Blatter terá 80 anos e 17 no cadeirão de Zurique. A questão de fundo é que Blatter, que ainda controla os votos de meio mundo, não quer Platini como sucessor. Se não se candidatar ele próprio.

2. Aos 36 anos, Francesco Totti é quem carrega a Roma às costas cuja (única) camisola veste há 21 anos. Não só a orientar os colegas como a marcar golos. Com a doppietta infligida ao Parma na última jornada, a sua conta pesoal atingiu a bola soma de 226. É o vice-rei dos marcadores na história do calcio, só 2.º para Piola, o fabuloso goleador dos anos 30 e 40, bicampeão do Mundo. Já o baptizaram de Francisco II. Famosos artilheiros do passado como Meazza, Altafini, Paolo Rossi, Batistuta, Signori ficam a perder de vista. Mas Totti é também o mais empenhado em que no seio da equipa prevaleça a amizade e o companheirismo, promovendo e pagando almoços de convívio."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 26 de março de 2013

O mecânico de automóveis, guarda-redes infalível...

"Mário Rosa Gomes: em Marrocos era um guarda-redes marcador de penáltis; em Lisboa passou oito épocas no Benfica apesar da vontade do tio que o levou a treinar no Sporting.

HOJE vamos à baliza. Isto é: vamos falar de Mário Rosa Gomes. Há muita gente que lhe rouba o Gomes do nome, mas parece não haver motivo para tal injustiça.
Mário Rosa não foi um dos históricos, mas teve história. E uma história curiosa por sinal. Primeiro porque veio de Marrocos directo a Lisboa; depois porque foi logo disputado por Benfica e Sporting.
Veio a bordo do «Formese», proveniente de Casablanca.
Sabem-se algumas coisas sobre a sua carreira, sobre como representou o Benfica, de 1938 a 1959, sempre com interrupções, sempre sem verdadeiramente se conseguir impor, não indo além de 47 jogos com a camisola 'encarnada' que, no caso dos guarda-redes, até costuma ser tudo menos encarnada, como mandam as regras. 1944/45 foi a sua melhor época: assumiu-se como titular.
Também se sabe, na generalidade, que nasceu em Vila Real de Santo António, lá nos confins do Algarve, raia de Espanha, de onde viria também um dos grandes jogadores que passou pela Luz, Domiciano Cavém.
Tinha 11 anos quando a família embarcou para Casablanca. Por necessidade e espírito de aventura.
Mário foi, desde logo, um amante do Desporto, da cultura física. Foi nadador, apaixonou-se pelo Futebol. Era ágil, corajoso: o posto de guarda-redes ficava-lhe bem.

Do Roches Noires ao Benfica
AOS 17 anos, Mário Rosa Gomes chegou às primeiras categorias do seu «team» marroquino, o Roches Noires. E era mecânico de automóveis.
Vivia-se o tempo do que se chamava, por toda a parte, o Marrocos Francês. Um tratado assinado em Fez, no dia 30 de Março de 1912, entre franceses e marroquinos, proclamou naquele território um protectorado francês. Durou até 1956. Algo que valeu, por exemplo, com que Larbi Ben Barek, a primeira grande estrela do Futebol africano, conhecido pela «Pérola Negra», viesse a ser internacional pela França.
Roches Noires de Casablanca francesíssimo sem surpresa. Um dos bairros coloniais de Casablanca, a meias com o Belvèdére um dos mais elegantes da cidade. Quando Mário chegou à baliza do Club des Roches Noires, o clube atravessava uma fase de penúria de títulos. O português foi arauto da fortuna e a sua equipa ganhou o Campeonato.
Foi escolhido para a selecção regional de Casablanca: defrontou Oran e Tânger.
Não chegou: vieram as desavenças. Mário Rosa Gomes troca o Roche Noires por um dos rivais deste, o Union Sportive Athlétique, campeão em 1927 e 1929, entretanto desaparecido. Estávamos em 1934. A vida não tardaria a empurrá-lo na direcção da foz do Tejo e da luz transparente de Lisboa.
Não veio por gosto, no entanto. Veio forçado, contrariado. Os pais não renegavam nem a pátria nem os sacrifícios que por ela se fazem. No dia 13 de Abril, ao cumprir 21 anos, marcha (com toda a propriedade do termo) para Portugal e para a incorporação no serviço militar. Mas não esquece o Futebol nem as balizas.
Dizem os repórteres da época que não era nem muito alto nem muito baixo, aí metro e setenta e dois, exibindo boa estampa e parecendo vender saúde.
Falava um português «retorcido», dizem outros. Assim com laivos afrancesados.
Um amigo de Casablanca põe-lhe nas mãos uma carta de recomendação para alguém ligado ao Benfica. Só que, pelo caminho, Mário Rosa Gomes, treina-se no Sporting. Estranho? Ele próprio explicava: «O meu tio, em casa de quem estou, é adepto do Sporting. Perguntou-me se tinha preferência pelo Benfica e disse-lhe que não. Perante a minha resposta afirmou que gostaria de me ver nos 'leões'. Para mim, repito, é indiferente. E fui a dois treinos no Sporting».
Em Casablanca jogava no mais puro dos amadorismos. Em Portugal, Mário procura a melhor proposta possível. «Em caso de igualdade visto ser agradável ao meu tio, escolherei o Sporting», diz.
Marcador oficial de penáltis nos seus clubes marroquinos, vangloriava-se de ser, todas as épocas, um dos melhores goleadores. «Era infalível!», exclamava.
Os jornais estranhavam: «Um guardião ganhador de castigos máximos? Entre nós nunca tal houve. Mário é, pois, uma novidade digna de atenção...» Em Portugal iria esquecer os golos.
Mário Rosa, apesar de indiferente, jogou no Benfica. Estreou-se contra a Académica, nas Amoreiras, para o Campeonato Nacional. O Benfica venceu, por 3-1. Hpuve um penalti contra a Académica. Mário não marcou. Marcou Rogério «Pipi»: e falhou.
Ter-lhe-á arrancado um sorrido... Continuou a ser o único infalível."

Afonso de Melo, in O Benfica 

História....

Ser...

Benfica 3 - 2 Barcelona, 1961, Berna

segunda-feira, 25 de março de 2013

Memória...

Rei...

Porque gosto eu do Jorge Jesus

"Não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa.

quem tenha a opinião de que, nos tempos modernos, um bom treinador de futebol tem de ser conhecedor do jogo e dos jogadores, culto, preocupado com a imagem, capaz de comunicar em várias línguas, capaz de lidar com facilidade com as novas tecnologias às quais deverá chamar ferramentas e ainda saber escolher as equipas multidisciplinares necessárias à preparação da equipa.
Não contrario a ideia de que o treinador de futebol tenha de ter cada vez mais conhecimento e, por isso, tenha óbvias vantagens em ter uma base de sustentação escolar que melhor o capacite de lidar com as mais diversas e complexas competências necessárias ao entendimento do jogo e ao relacionamento com os jogadores.
Mas, como em tudo na vida, há excepções à regra. Uma delas, talvez, mesmo, uma das mais exuberantes, é Jorge Jesus.
Eu, confesso, sou fã do treinador e do homem. Não consigo deixar de gostar de um ser humano que despreza a moda e se está nas tintas para os padrões sociais em voga. Percebe-se que não o faz de uma forma estudada e hipócrita, mas por modo de ser, por personalidade, por privilegiar uma forma genuína de viver, como se nada verdadeiramente o tivesse mudado, lá por se tornar rico e famoso.
Ouve-se Jorge Jesus numa conferência de imprensa e pode-se assinalar as frases de muito duvidosa pureza sintáctica  mas o que não se pode é deixar de reconhecer uma vivacidade e uma naturalidade no discurso, que não resiste a esquemas de comunicação traçados a régua e esquadro por uns quantos comissionários de serviço.
Claro que há sempre quem aproveite o impacto da clareza nua e crua para atingir, numa única canelada, o homem e o treinador. Ainda assim, não o vejo espumar de raiva. Às vezes inquieta-se e irrita-se, mas passa-lhe, como se a vida fosse também como um jogo de futebol, onde as coisas que acontecem lá dentro, não devem passar cá para fora.
E, lá fora, é o mundo, onde Jorge Jesus se sente, visivelmente, menos confortável.
Não deixo de pensar muitas vezes no caso de Jorge Jesus para tentar entender o sucesso da excepção que ele representa. Pergunto-me se será, apenas e só, uma imensa intuição. Uma capacidade quase sobrenatural para entender, no jogo, o que quase ninguém entende ou vê. Um dom inimitável pata formar jogadores, fazê-los crescer, criá-los e moldá-los no que têm de melhor.
É difícil dizer, aliás, que Jorge Jesus seja o protótipo do autodidacta. Claro que é atento em quem confia, como tem vindo a ser o caso curioso e especialmente interessante do professor Manuel Sérgio, um dos raríssimos filósofos mundiais do futebol e da vida. Mas isso não faz de Jorge Jesus um autodidacta  a não ser no sentido em que ouve para aprender e para melhor conhecer. Mas não há, em Jesus, uma prática de auto-formação  de estudo bibliotecário, de procura própria da investigação do novo. Há, isso sim, uma paixão vivida, sem intervalos, pelo futebol. Ver jogos, ver jogadores, ver lances, estudar as pedras no tabuleiro da relva real dos estádios de todo o mundo, o que a televisão lhe proporciona a cada momento, é o ponto essencial de estudo e de evolução do treinador.
E isso basta? - perguntará, legitimamente, o académico de pestanas queimadas por anos e anos de leituras de compêndios.
Que outras provas teremos para dar que não sejam as dos resultados desportivos? E por essas, basta. Pode ser estranho, pode ser quase inexplicável, mas tem bastado. Pode não bastar para o Manchester United, para o Real Madrid, para o Bayern de Munique, agora, do cultíssimo e antimourinhista Guardiola, não se sabe se sim ou se não, mas o que se sabe é que tem bastado para a realidade concreta do futebol português. E não é uma realidade menor, por muito que alguns dela mal digam. É uma realidade ímpar e, reconheça-se, emergente no contexto internacional, sobretudo ao nível dos grandes clubes, como é obviamente o caso do Benfica.
«Last but not least» como diriam os britânicos, a verdade é que não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa..."

Vítor Serpa, in A Bola

Tribunal à portuguesa (2)

"A lei que aprovou o Tribunal Arbitral do Desporto pode ser vista ainda como uma oportunidade: nela estará a forma como se compõe a lista dos juízes-árbitros que decidirão os recursos e os conflitos.
Ainda será sempre isso que se discute: o estofo e a independência de quem decide, de forma que possamos ter garantias de salubridade na resolução dos litígios; de forma, portanto, que deixemos de ter aberrações (sob a forma de “acórdãos” de “conselhos de justiça”) sobre insultos a jornalistas acreditados, assistentes de recinto desportivo, prescrições e suspensões de processos, proibições temporais, entre outros temas, a entrar sucessivamente no lote das ininteligibilidades metódicas.
A lei desenha um esquema curioso para o número máximo de 40 árbitros, que terão de ser “juristas de reconhecida idoneidade e competência” e “personalidades de comprovada qualificação científica, profissional ou técnica na área do desporto”. Primeiro propõem-se nomes a cargo de várias entidades: 5 para as federações olímpicas, 5 para as federações não olímpicas, 5 para a Confederação do Desporto de Portugal, 2 para as federações com provas profissionais e mais 2 para a liga respectiva  1 árbitro para cada uma das associações de jogadores, treinadores e árbitros das provas profissionais, 2 para a Comissão de Atletas Olímpicos, 2 para a Confederação Portuguesa das Associações dos Treinadores, 2 para outras associações de classe reconhecidas, 1 para a Associação Portuguesa de Direito Desportivo e 5 para o Comité Olímpico de Portugal. Depois, os nomes vão ao crivo do “Conselho de Arbitragem Desportiva” (CAD), que assume justamente a função de receber essas propostas e aprovar uma lista final, na qual indica ainda o número restante de árbitros. A este CAD assiste o poder de recusar árbitros e de devolver, nesse caso, as propostas à procedência. E, depois de estar a funcionar o TAD, o CAD pode até excluir árbitros por “incapacidade”. Um órgão, portanto, que fiscalizará a qualidade dos árbitros e que, nessa tarefa, não deverá ter em conta a norma mais absurda da lei: “Pelo menos metade dos árbitros designados devem ser licenciados em Direito” (!!!).
Para que este procedimento de escolha correspondesse a um novo ciclo, falta o óbvio: instituir na(s) lei(s) a possibilidade de recrutar, nomeadamente através de comissão de serviço ou requisição, professores universitários e magistrados, sem prejuízo para a sua carreira. Assim elevaríamos (pelo menos em princípio) o nível desejado e faríamos ingressar (com limpidez) no TAD os juízes dos tribunais. Ainda vamos a tempo?"

Não é que não acredito nisto?

"1. Quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que estabelece o regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança. Reza o comunicado oficial, entre outros aspectos, que a proposta promove uma maior responsabilização dos promotores dos espectáculos desportivos, agravando-se o regime sancionatório, nomeadamente pela possibilidade de recurso à punição directa, solução que é decalcada das melhores práticas internacionais. Revêem-se as responsabilidades individuais dos adeptos e as regras relativas à possibilidade da interdição de acesso a recintos, bem como o regime aplicável aos grupos organizados de adeptos e à sua relação com os clubes, associações e sociedades desportivas.

2. Na mesma reunião aprovou-se, na generalidade, uma alteração ao regime de policiamento de espectáculos desportivos realizados em recinto desportivo e de satisfação dos encargos com o policiamento de espectáculos desportivos em geral. Esta alteração determina que os espectáculos desportivos integrados em competições desportivas de natureza profissional, como tal reconhecidas nos termos da lei, devam sempre, obrigatoriamente, ser objecto de policiamento. Quanto a este último texto ele representa mais um acto de uma trágico-comédia normativa do Governo e insere-se, por outro lado, num beco sem saída a que tinha chegado a segurança nas competições profissionais de futebol. A ver vamos se desta o Governo acerta e não repete o espectáculo que iniciou com a publicação do “novo diploma” sobre o policiamento, em parte afastado posteriormente por “instruções administrativas”.

3. No que respeita à “lei da violência”, ainda a aprovar pela Assembleia da República, conseguimos fazer um prognóstico antes do fim do jogo, quanto à sua ineficácia. Como é possível adiantá-lo sem conhecer o texto da proposta? Eis, no essencial, a minha explicação.

4. Coube ao Decreto-Lei nº 339/80, de 30 de Agosto, concretizar as primeiras medidas tendentes a conter “a curto prazo” (como afirmava) a violência nos recintos desportivos. Esse diploma veio a ser alterado pela Lei n.º 16/81, de 31 de Julho e, mais tarde, pelo Decreto-lei n.º 61/85, de 12 de Março. Sucede-lhes o Decreto-Lei n.º 270/89, de 18 de Agosto. Depois veio a Lei n.º 38/98, de 4 de Agosto. Depois (II) a Lei n.º 16/2004, de 11 de Maio. Depois (III) a Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho. Agora, algures no tempo próximo, uma lei “nova” em 2013.

5. Todas as leis anteriores foram apresentadas, em manifesta propaganda política, como encerrando um ponto final miraculoso nesta matéria. Sempre de acordo com as melhores práticas internacionais. Todavia, sempre “morrendo”, alguns anos depois, por não lograrem atingir os objectivos a que se propunham. É desta? Não, claro que não. Enquanto não se cortar a seiva negra que liga os clubes às claques, bem podem fazer periodicamente novos diplomas. Enquanto o Estado – e toda a Administração Pública – não fiscalizar rigorosamente o cumprimento da lei – de qualquer lei, velha ou nova – e omitir-se do exercício dos seus poderes/deveres, eu acertarei sempre."

domingo, 24 de março de 2013

Atitude


Benfica 75 - 63 Guimarães
14-11, 18-11, 24-16, 16-19

Eu compreendo, que uma equipa, que durante a maior parte da época, não tem adversários à altura, acaba por facilitar em alguns jogos, não será fácil encontrar a motivação durante a semana... mas o discurso que são profissionais, ganham bem, têm que respeitar a camisola que vestem, também é válido...
A vitória de hoje não vinga a derrota da semana passada, porque simplesmente a Taça já foi !!! Mas prova que com outra atitude, tudo se torna mais fácil...
Dito isto, este Vitória pode ser um adversário duro de roer nos Play-off's o Ivan Almeida é jogador (hoje só marcou 25 pontos!!!), creio mesmo que é o melhor marcador do Campeonato... Foi pena a equipa ter 'desligado' no 4.º período  porque podíamos mesmo ter dado uma cabazada monumental, com possivelmente o Vitória a marcar 'metade' dos pontos da semana passada!!!

Triatlo...


Em Alpiarça, o João Silva estreou-se com a camisola do Benfica, vencendo naturalmente a primeira prova do Nacional de Clubes da temporada de 2013. Este foi só um ensaio, pois o nível do João é outro... o objectivo são as provas da Taça do Mundo:
João Silva (1.º), Pedro Mendes (5.º)(sub-23), Pedro Gaspar (7.º)(Jun.), Alexandre Nobre(10.º)(Jun.), Francisco Machado (11.º)(Jun.), Rafael Domingos (25.º)(Jun.), Nuno Nogueira (32.º)(Jun.), Bruno Pereira (34.º)(sub-23), João Gabriel (38.º)(Cadete), Nuno Laurentino (53.º).

Óptima semana

"1. Excelente a semana passada. Chegámos (mais uma vez!) aos quartos-de-final de uma competição europeia - na qual somos apontados como um dos favoritos - e aumentámos para quatro pontos a vantagem na I Liga, passando a ser os principais candidatos. Muito bom mas... ainda nada ganhámos. Dei por mim a pensar: fiquei mais satisfeito com os quatro pontos de vantagem nacionais do que com a passagem europeia. Claro que sonho em regressar às finais europeias, mas a prioridade deve continuar a ser o Campeonato. E, neste, temos mais cinco finais antes da ida ao Dragão. Não nos podendo esquecer que, muitas vezes, é em casa, nos jogos aparentemente mais fáceis que tudo se deita a perder. Gostei muita da equipa em Guimarães (nem parecia que havia jogado três dias antes em Bordéus) mas... há que continuar assim!

2. Bordéus dista 1150 Km de Lisboa. O Benfica meteu no estádio cerca de 10 mil portugueses, a larga maioria emigrantes de França e países limítrofes (Paris fica a 600 Km). Que outro Clube no Mundo conseguiria isso? Merecida prenda deu a nossa equipa ganhando o jogo e passando a eliminatória.

3. A justiça neste País é o que é. A justiça desportiva não é melhor. Eu ia a escrever que era inacreditável a decisão que salva o FC Porto da desclassificação na Taça da Liga mas, pensando bem, qual a surpresa? O que vem acontecendo de há 30 anos para cá? Enfim, é mais do mesmo. Tal como não causa surpresa a declaração do presidente do FC Porto, colocando em dúvida a continuação do clube na prova. Claro que tinha que mostrar desprezo por uma competição que nunca ganhou. Mas, é óbvio, vai aparecer a jogo e vai tentar ganhar o troféu. Mesmo que depois menospreze o triunfo. Já todos o conhecemos bem...

4. Alguns No Name Boys (com a conivência dos outros) lançaram mais alguns petardos na jornada 21 da Liga e o Benfica foi multado em 7650 euros, valor que corresponde às quotas mensais de 765 sócios. Neste  Campeonato já vão 89.328 euros, ou seja, estiveram 7444 sócios a pagar para as 'brincadeiras' desses meninos. Lamentável."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (mau perder)


"No clube das riscas azuis e brancas quando as coisas andam mal todos são culpados menos um. Aliás, agora, menos dois, porque o suplente-efectivo Antero também já está imune e chocou ver os super-maus-dragões insultarem toda a comitiva... menos P da C e o anunciado sucessor!
Não haveria nada de anormal em tudo isto se não viesse de novo à memória alguns «apertões» que estes mesmos super-maus deram em tempos de Argel a Co Adriense, de Paulo Assunção a Del Neri ou Yuran a Mourinho, (que envolveu também cenas de ciúmes com a bela «ragazza» da Ribeira)!

Isto tudo no espaço de três semanas, no tal clube-modelo onde tudo se faz com rigor, DISCIPLINA, profissionalização e sabedoria!
Como é possível este coro de indignação só pelo facto de a equipa de futebol fraquejar um pouco nas exibições e nos resultados e onde até então o expoente máximo dos goleadores Jackson Martinez - intocável - ter falhado uns penaltis e daí ter dado uma folgazinha de quatro pontos ao Glorioso SLB!
A velha máxima de que não estão habituados a perder, não cola! Isso não pode servir de desculpa para as arruaças e os maus-exemplos das claques que passam sempre para outros irmãos do norte estes «feitos»! Pelos vistos, há muita gente a aprender com o tal clube exemplar!
Mas estes cânticos entoados à entrada do Dragão não foram a única crítica forte ao «grupo». Também os cronistas do reino azul, como MSTavares, rebentaram autenticamente com os eleitos de Vítor Pereira! O treinador-campeão, afinal já não presta - e Varela (p. exemplo) já é coxo -, que salta do Santa Clara da 2.ª Divisão para o clube que é crónico campeão - sem o merecer, acrescento eu!
O descontrole desta gente é irritante!
Não sabem perder nem ganhar! A arrogância das vitórias transforma-se em violência nas derrotas!
Muito mau para quem quer ser exemplo do clube de rigor, etc, etc."

João Diogo, in O Benfica

Roques e aliados

"Foi esta semana. Na placidez doméstica, desfruindo emocionalmente o bom momento do nosso Benfica, um zapping televisivo fez-me esbarrar os olhos e magoar os ouvidos nos vários programas sobre futebol, de registos semelhantes, com protagonistas também semelhantes, com ressabiamentos ainda semelhantes.
O FC Porto viveu a sua semana horribilis, meteu a bola da sobranceria ao saco, a equipa até foi recebida, no regresso do Funchal, com impropérios e petardos por adeptos furiosos. Os comentadores azuis, em desespero, viram penáltis ou não viram penáltis, em tudo o que foi sítio, de acordo com as conveniências. Até se esqueceram que, frente ao Málaga, no Dragão, a considerada exibição transcendente apenas rendeu um golo, por sinal obtido em fora-de-jogo. Como deu jeito ignorar que a turma espanhola apontou um tento limpo, não validado pelo juiz da contenda.
O Sporting conseguiu ganhar, de forma tangencial, ainda que continue posicionado na segunda metade da tabela. O complexo antibenfiquista faz dos seus comentadores autênticos sequazes do FCP, cujo eventual triunfo na liga nacional serviria de refrigério àqueles traços doentios de pequenez relativamente ao nosso Clube. De um lado, os roques; do outro lado, os aliados.
Por essas e por outras é que, a páginas tantas, optei pela Benfica TV; ouvindo o meu amigo Fernando Chalana. E o que concluí? Aquilo que, há uns tempos, deixei em letra de forma numa das minhas publicações. No Futebol, a bola são os jogadores e os treinadores, o resto são, um ror de vezes, bolas fora."

João Malheiro, in O Benfica