Últimas indefectivações

sábado, 13 de agosto de 2016

Benfiquismo (CXCII)

Recordar um Bronze Olímpico...

Benfica: a importância do factor pecuário na bola

"Sinto-me obrigado a começar esta crónica com uma dupla declaração de interesses.
Em primeiro lugar, está escrito na minha nota biográfica no sítio electrónico deste jornal que espero conseguir reformar-me no dia em que o Benfica for tetracampeão para poder escrever mais uns livros e dar mais umas voltas pelo país. Logo, dar-me-ia jeito que fosse já este ano...
Em segundo lugar, quando nasci, a minha mãe deu-me à Luz e não às Antas ou a Alvalade, circunstância pela qual não poderia ser outra coisa senão benfiquista. O que não quer dizer sectário, ao ponto de desrespeitar os adversários, muito menos obtuso e incapaz de distinguir o bom do mau futebol.
Estive na bancada em dois jogos que me deixaram indicações contraditórias: a Eusébio Cup, na Luz, e a Supertaça, em Aveiro. Na primeira, um pândego, sentado ao meu lado, dizia para quem o quisesse ouvir, cada vez que o Raúl falhava um remate. “Reparem bem! E demos 22 milhões por ele…” Já no jogo com o Braga, quando Rafa, putativa contratação do Glorioso, falhou aquele golo de baliza escancarada, outro animador de bancada comentou: “Vinte milhões por este gajo? Chiça…”
Ou seja, há sempre risco de conflito entre os objectivos e as finalidades do futebol: o objectivo é encantar a bancada com fintas, desmarcações e remates; a finalidade é meter a bola lá dentro. Nem sempre andam a par.
Que me parece a equipa? Bastante razoável mas ainda um pouco trelemiques na defesa. A tripla segurança Ederson-Lindelöf-Jardel ainda não voltou. O meio-campo tem dias. Pizzi, tanto tira da cartola golos e passes geniais (revejam-se no Youtube os lances do 2-0 e do 3-0), como parece ter medo de disputar os ressaltos. André Horta, tanto entusiasma, como desilude. Fejsa está bom e recomenda-se e Samaris, nem que fosse só pela sua invejável fluência em português, merece um lugar no relvado. Cervi promete e quanto à dupla Mitroglou-Jonas está tudo dito. Não me esqueci do Zivkovic mas continua no estaleiro: houve um “camone” que lhe deu tal sarrafada que, se fosse árvore, o tinha arrancado pela raiz.
Quanto a Carrillo, corre que nem um cristão a fugir dos leões no Coliseu. Não se percebe é se sabe para quê… Chega para o campeonato? Depende de muita coisa, mas é sempre melhor arrancar com alguma dinâmica de vitória e bons sinais em campo do que ao pé-coxinho como no ano passado. Há também o nada despiciendo factor pecuário: se a Vaca da Luz mantiver a pujança do ano passado que se parece ter estendido à Supertaça (os outros falham de baliza aberta e nós marcamos no último minuto) os augúrios não podiam ser melhores.
E quanto aos adversários? O FCP vive uma espécie de Queda do Império Romano que se arrisca ser tão longa e duradoura como a do século V (como é possível terem despachado o Aboubakar sem substituto garantido?). O Sporting é prisioneiro do paradoxo da manta: a equipa é boa mas curta. Dando-se o caso de faltar alguém por castigo, lesão ou transferência (ou cai uma chuva de dinheiro em Alvalade ou duas ou três figuras centrais terão que ser vendidas este mês) pura e simplesmente não funciona, como se viu na pré-época. Das restantes equipas, ou desponta um fenómeno improvável tipo Leicester, ou haverá três campeonatos: o dos primeiros, o dos últimos e o dos outros. 
E pronto, que role o esférico!"

O fel e o mel!

"O quase certo adeus do fantástico Sálvio e a aposta natural em dois jovens que serão revelações no novo campeonato.


Claro que lamentarei se o argentino do Benfica Eduardo Salvio, como é quase certo, vier a deixar a Primeira Liga portuguesa, porque Sálvio é um exemplo de fantástico jogador de alta competição, porque além de muito talentoso Sálvio tem sempre em campo uma atitude e uma determinação que impressionam. É o chamado campeão nato, que discute cada lance como se fosse o último e empenha-se em cada jogada sempre como se fosse a mais importante. Com a partida de Sálvio a Liga deve chorar!
Só mesmo por ser assim, por ser um jogador mentalmente tão forte e ter um carácter tão competitivo é que Sálvio tombou no chão a 23 de Maio de 2015, já perto do fim do último jogo desse campeonato,quando o Benfica fazia apenas a festa do título e já vencia o Marítimo... por 3-1!

Sálvio não precisava realmente nada de discutir aquela bola daquela maneira, com tanta garra e tanta determinação, como se desse dependesse o campeonato.
Era um jogo de festa, o título estava conquistado, o jogo estava praticamente ganho, o jovem argentino podia perfeitamente ter tirado o pé do acelerador, ter baixado o ritmo e a intensidade, podia ter-se dado ao luxo de passar o talento pelo relvado em vez de, como sempre fez e faz em todos os jogos, o pôr permanentemente à prova, com risco de lhe acontecer o que acabou por lhe acontecer, ao contrair grave lesão no joelho que quase lhe roubou toda a última época e tantas dúvidas passou a suscitar quanto à possibilidade de voltar a ser o que era antes do incidente.
A verdade é que Sálvio não sabe tirar o pé do acelerador, nunca soube, e ao mesmo tempo que pagou elevada factura desportiva é na verdade também isso que faz dele um jogador tão excepcional e que tanta saudade deixará a partir do momento - que se aguarda até final do mês - do definitivo adeus à Primeira Liga portuguesa.
Sálvio, está-se mesmo a ver, vai deixar o Benfica após um total de mais de 200 jogos com a camisa encarnada (em cinco épocas, a primeira das quais na qualidade de emprestado pelo Atl. Madrid) e quase 50 golos. Talvez o craque argentino não volte a ser exactamente o mesmo que era antes da grave lesão; mas é o mesmo na classe, na inteligência de jogo, na atitude de furacão com que joga e parece-me que está, agora, realmente mais próximo do que foi.

Merece toda a sorte do mundo!


Com a má notícia da perda definitiva de Sálvio - que já teria deixado a Luz a época passada se não se tivesse lesionado -, mais a má notícia da perda definitiva de Renato Sanches, mais a má notícia da perda momentânea de Ederson, primeiro, e agora Jonas para o arranque do campeonato, já este sábado, em Tondela, o campeão pode, no entanto, ter esperança de vir a promover uma das maiores revelações do campeonato, o jovem André Hora, que ainda por cima tem todo o ar de trazer consigo a mesma mística benfiquista que parecia exibida pelo jovem Renato.
Posso, naturalmente, vir a enganar-me, mas arrisco, para já, em dois nomes que deverão marcar profundamente este novo campeonato: André Horta, na Luz, e André Silva, no Dragão, este último um caso evidente de jogador à Porto, um jovem ponta de lança que tem realmente tudo para se tornar no símbolo da mística azul e branca, na linha de outros grandes nomes que todos conhecem e que (por tão exaustivo que seria), não valerá a pena enumerar.

No caso de André Horta, duas ou três notas mais: corre muito, luta imenso, procura incasavelmente o espaço e a bola, jogo à frente e atrás, sobre a direita e sobre a esquerda. Não fazem sentido as comparações, evidentemente, mas parece-me tecnicamente melhor do que Renato embora Renato seja mais poderoso e intenso e tenha um invulgar impulso com a bola.
É André Horta, para os devidos efeitos, um verdadeiro 8, e aposto que vai dar muito que falar.
E a mística? Pois, a mística... Será que é vulgar um jogador festejar um golo como ele festejou o golo de Cervi, agora, na Supertaça? É impossível não relacionar isso à paixão clubística de André, Um guerreiro!

Do mesmo modo me parece inevitável, sublinho, associar o nome de André Silva à melhor definição de... jogador à Porto! O que surpreende, agora, já nem é tanto isso, mas a qualidade intrínseca de puro atacante que revela o jovem a quem Nuno Espírito Santo quis, simbolicamente, dar a camisa 10.
Somando uma coisa à outra, pode realmente André Silva vir a tornar-se num peso muito pesado neste novo FC Porto e vir a ser muito mais do que um jogador, no sentido em que a sua forma de combater, o espírito de conquista, a ambição de vencer e de ajudar a recolocar o emblema do Dragão na primeira linha seguem as impressões digitais de outras estrelas como Baía, Jorge Costa ou Couto, para citar, como exemplo, apenas alguns dos nascidos e criados na esfera da mais vencedora equipa portuguesa das últimas décadas. O que lamento é que à ascensão do jovem André pareça corresponder o desaparecimento de Aboubakar, fantástico atacante que bem merecia ser mais visto por cá pela qualidade que nele se descobre.
Nem sempre o futebol é justo com os bons.

PS - Aconteça o que acontecer no futebol dos Jogos Olímpicos, Rui Jorge já será o último a rir. Ele tem tudo para suceder a Fernando Santos quando este deixar o comando da principal Selecção portuguesa!"

João Bonzinho, in A Bola

Mais confiança e mais azedume

"A Supertaça não tem um histórico de grande prestígio, foi mesmo durante anos o expoente máximo da aldrabice no futebol, mas foi bom ganhar a um SC Braga de qualidade, por números claros. Em Aveiro, o Benfica não aumentou apenas os índices de confiança, aumentou também os índices de azedume nos rivais. Nove dos últimos 12 títulos disputados em Portugal foram vencidos pelo Benfica, é alguma coisa mais que sorte.
No início de mais um Campeonato Nacional, não vejo que o Benfica seja um claro favorito, todos partem com zero pontos e a mesma vontade de vencer. Este ano, Benfica, Sporting, FC Porto e SC Braga vão disputar os títulos em falso com igualdade de armas. O Sporting promete não vender e tem muita qualidade. Nuno Espírito Santo equilibrou o plantel e promete lutar pelos títulos todos. E por fim José Peseiro mostrou que o SC Braga está muito próximo dos tradicionais candidatos. A grande vantagem do Benfica é estatística, ganhou muito mais vezes que todos os outros, mas essa vantagem carece de nova prova dentro do campo. O Benfica tem um início de Campeonato terrível. Nas primeiras seis jornadas, jogo quatro fora de casa, e recebe o SC Braga. Este inicio é muito importante. Numa altura em que Jonas é operado, o mercado está a 20 dias do fecho, a única ambição é ganhar ao Tondela. O jogo contra o simpático clube será disputado num sucedâneo de estádio de futebol, com poucas condições mas é assim que queremos vender a nossa Liga. O campeão será o mais regular, e prevejo outro campeonato com poucos pontos perdidos pelos candidatos mais fortes.
Telma Monteiro ganhou uma medalha olímpica com determinação, vontade e superação. Telma é uma campeã e tem uma carreira de altíssimo nível, somou êxitos e venceu adversidades de uma forma que enche de orgulho os benfiquistas e os portugueses. Parabéns pela merecida conquista."

Sílvio Cervan, in A Bola

Discretos...

Tinha alguma esperança, numa boa prova da Marta Pen nos 1500m, infelizmente isso não aconteceu.
A Marta fez uma grande época, e a verdade é que o grande 'pico' de forma, foi a Final dos Campeonatos Universitários Americanos (onde ganhou, e fez o mínimo Olímpico), e depois os Campeonatos da Europa... Seria sempre muito complicado, manter a forma, ou 'construir' um novo 'pico' de forma, no Rio.
A prova acabou à poucos minutos, estou curioso para ouvir as declarações da Marta, até pode ter acontecido alguma 'coisa' (lesão...?!!!!), mas pronto, o resultado foi o que foi...
Não deixa de ser frustrante, numa prova lenta, ideal para o estilo de corrida da Marta...
Com este acumular de experiência, no próximo ano, espero que a Marta consiga a marca de qualificação para os Mundiais, com distância suficiente, para preparar os Campeonatos com tempo...

A Carla Salomé Rocha foi a primeira Benfiquista a entrar na Pista do 'Engenhão', e fez uma boa prova de 10000m, ao seu nível, ficou em cima do ser recorde pessoal, com 32.06,05!!! Era a atleta com 31.ª marca, e acabou no 26.º lugar...
E ainda pode dizer, que esteve na pista quando a extra-terrestre Almaz Ayana bateu o recorde do Mundo dos 10000m, com 29.17,45 mim!!!!!!!!!!

Nos 20 Km Marcha, o Sérgio Vieira, ficou no 53.º, com 1.27,39. Tudo normal...

À prova de Capelas

"Conquistámos a Supertaça pela sexta vez. Pouco, tão pouco, que nem parece uma competição oficial. 2 Taças dos Campeões, 1 Taça Latina, 35 Campeonatos Nacionais, 25 Taças de Portugal (mais 3 Campeonatos de Portugal), 7 Taças da Liga (em 9 edições) e 6 Supertaças.
Seis, vá-se lá entender isto.
Menos que o Sporting, chega a parecer uma anedota de péssimo gosto. Com a Supertaça a ser mal parida no final dos anos 70 (devido ao triunfo inédito de duas equipas do Porto, o FC Porto e o Boavista, no campeonato e na taça na mesma temporada), percebe-se a míngua de vitórias benfiquistas. O famigerado 'sistema' contribuiu indelevelmente para o palmarés do troféu, acentuando o declínio do futebol encarnado.
E Capela confirma esta tese. Há 15 ou 20 anos, com uma arbitragem como a que tivemos em Aveiro, não teríamos conquistado a Supertaça. Capela foi considerado, imagine-se, o segundo melhor árbitro em 2015/16, mas o melhor elogio que lhe poderei fazer é o de se tratar de um péssimo árbitro.
Ainda assim, ganhámos brilhantemente a partida porque conseguimos ser superiores aos nossos adversários, tão-só o que nos faltou durante mais de uma década. Ter boa equipa ajuda sempre, não duvidemos. Não por acaso, vencemos nove das 12 últimas competições nacionais disputados e, por isso, os benfiquistas cantam orgulhosamente SLB, GLORIOSO SLB e, convictos, podem à equipa que lhe dê o 36.
O assalto ao 36, ao tetra ou ao dobro, conforme se lhe prefira chamar, está a começar. Rui Vitória afirma que o caminho se faz jogo a jogo e será dessa forma que tentaremos ser novamente campeões. Não será fácil - nunca é - mas o Benfica, no presente, 'não tem medo de ser o Benfica'. O enorme e glorioso Benfica!"

João Tomaz, in O Benfica

Estamos prontos

"É já amanhã que o Tricampeão entra em campo para atacar, o 36.º campeonato, ou o Bi-18, se quisermos provocar o clube do Campo Grande que tenta reescrever a história, já que não consegue ganhar em campo. A conquista da Supertaça Cândido de Oliveira foi um bom incentivo para o jogo em Tondela, mas vale o que vale. Afinal, estamos a falar da menos importante competição nacional, um troféu disputado no fim da pré-época entre o campeão e o vencedor da Taça de Portugal.
Menos importante porque se resume a um jogo, enquanto todas as outras competições nacionais (Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga) implicam vários adversários, várias jornadas; fases de grupos ou jogos a eliminar.
Claro que é sempre bom ganhar - e jogar bem, como foi o caso - mas são as conquistas de Maio que mais me importam. E para isso é preciso entrar sem medos em Tondela, num estádio que vai estar esgotado apesar do aproveitamento que a direcção do clube do distrito de Viseu fez quanto ao preço dos bilhetes. Estamos a falar de valores entre os 35 e os 45 euros para não-sócios e 25 euros para sócios do CD Tondela. A culpa não é do clube, é da Liga, que permite estes abusos ano após ano, jornada após jornada, sempre que o SL Benfica está na mó de cima e a onda vermelha está instalada. O que tem acontecido muitas vezes nos últimos anos, felizmente.
Daquilo que já deu para ver do jogo de Aveiro, há qualidade, há espíito de vitória e dedo de Vitória, o professor Rui, o homem que já conquistou todas as competições nacionais aos 46 anos.
Estamos prontos para a luta!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Vício de vencer

"O Benfica iniciou a temporada 2016/17 da mesma forma que terminara a de 2015/16: erguendo troféus.
Num excelente jogo, para mais atendendo às naturais limitações desta fase, superiorizando-nos a um adversário forte e ambicioso, que nos criou dificuldades, e nos obrigou a puxar dos galões. A exibição encarnada foi oscilante - o que também é normal neste período -, mas chegou a encantar nos seus momentos mais afirmativos. Houve destaques individuais (por exemplo, Cervi parece acima de qualquer suspeita), mas ficou já bem patente a força do colectivo, imagem de marca do Benfica de Rui Vitória. O resultado foi expressivo (porventura em demasia), mas a justiça do vencedor não permite contestação.
Eis-nos então já a ganhar, já com um troféu nas mãos, e com um mar de esperança diante de nós.
No sábado começa a luta pelo Tetra. E que luta...
O Campeonato será, sem dúvida, o objectivo maior de todos. Nos próximos nove meses, a palavra 'Tetra' estará à cabeceira de toda a gente, desde a administração até ao mais anónimo dos adeptos. É esse o grande desígnio imediato do Benfica, e é isso que tem de nortear o dia a dia dos que, de alguma forma, se relacionam com o clube - profissional, ou efectivamente. Nunca, em 112 anos de história, e mais de oitenta de campeonatos nacionais, o Benfica alcançou quatro títulos consecutivos. A possibilidade de fazer desta uma temporada histórica está diante de nós.
Em Tondela encontra-se a primeira estação de uma longa caminhada, onde cada jogo será uma final. Onde cada detalhe pode fazer a diferença.

Vamos então entrar marcar desde já posição. O 'Tetra' começa agora."


Luís Fialho, in O Benfica

O videoárbitro não serve para nada

"A primeira experiência em Portugal, mas ainda a brincar (ou seja, sem efeitos práticos no decorrer do jogo e só para ensaio) foi feita no último fim-de-semana, precisamente no jogo que deu o pontapé de saída na época de futebol, a Supertaça entre Benfica e Braga, e que permitiu aos encarnados conquistarem o primeiro troféu da época.
A simulação foi feita por Jorge Sousa, que a partir de uma cabine funcionava como árbitro alternativo, solicitando ao videoárbitro dúvidas em quatro situações concretas: penáltis, validação de golos, expulsões e identificação de jogadores. Quando o esquema estiver a decorrer em pleno, esse pedido de análise é feito directamente pelo árbitro da partida.
A tecnologia, tantas vezes pedida e reclamada, não vai ser usada ainda no campeonato nacional, mas vai ter aplicação ainda este ano na final da Taça CTT (mais conhecida por Taça da Liga), bem como nos quartos de final, meias-finais e final da Taça de Portugal. Mas, mais dia menos dia, a ideia é que a tecnologia seja usada em todas as competições.
Sexta-feira começa mais um campeonato. É tempo de a bola rolar no relvado. E é, como sempre, tempo de começarem as polémicas com as arbitragens. Foi falta! Não foi nada! É penálti! Saltou para a piscina! Amarelo! Qual amarelo, expulsão! Ladrão! É o sistema! Etc, etc, etc.
Para quem segue minimamente o ‘fenómeno futebolístico lusitano’, tornou-se verdade universal que a utilização de novas tecnologias no futebol vai ajudar a que haja maior transparência, maior verdade desportiva e, no final de contas, menor polémica.
Errado. Falso. Mentira.
Passo a explicar.
Imagine o leitor um Sporting-Benfica (pode ser Porto-Sporting, Benfica-Porto ou outra combinação qualquer). A meio do jogo o árbitro tem dúvidas, será ou não penálti? Solicita a ajuda do videoárbitro. Passados uns segundos, e depois de ver as imagens de televisão do lance repetidamente, o vídeo-árbitro decide que afinal não é penálti. O jogo segue.
No mesmo dia, e nos dias que se seguem, esse mesmo lance será visto por imensos ‘videoárbitros’, em repetições sucessivas, nos programas desportivos na televisão. Eu pergunto: alguém acredita que os comentadores de um e outro clube alguma vez estarão de acordo em relação à decisão tomada na véspera? A resposta é fácil. Pois se já agora ao verem e reverem múltiplas vezes o mesmo lance chegam, invariavelmente, a conclusões opostas, por que raio é que com o recurso a um vídeo-árbitro no terreno, em direto, as polémicas cessariam?
Não, o que vai acontecer é outra coisa. É que em vez da suspeita estar toda em cima dos árbitros (e do sistema e dos dirigentes desportivos e dos delegados e dos conselhos de disciplina e arbitragem e outros que existam), a mesma suspeita estará agora sobre os ombros de uma nova entidade culpada de todos os males que fazem com que os clubes não cumpram o seu destino bíblico: ser campeão sempre, todos os anos, e quando tal não acontecer foi porque o mundo conspirou contra as nossas cores.
Que ninguém se engane, podemos pôr quantos videoárbitros quisermos para analisar penáltis e expulsões que as polémicas não vão terminar. Por uma razão simples: a polémica somos nós, está-nos no sangue, é o que faz vender jornais especializados e dá audiência aos programas da bola. Ou melhor, aos programas que se especializaram em falar das polémicas em vez de olharem para o jogo. 
Videoárbitro! Bah. Se querem acabar com as polémicas o melhor é arranjarem outro país."

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Que a justiça seja célere

"Começa esta noite a Liga 2016/17. Depois das emoções do Campeonato da Europa e após pré-época de muitas indefinições, chega, finalmente, a hora da luta interna, da longa batalha pelo título, pela Europa e pela manutenção.
E, este ano, com uma novidade que, a cumprir-se a recente promessa da FPF, seguramente agradará a todos: a justiça desportiva será mais célere. E não pode ser de outra maneira. É inadmissível que o castigo relativo a um lance protagonizado por Slimani em 21 de Novembro de 2015 - Sporting, Benfica, 2-1, para a Taça de Portugal - só amanhã seja cumprido. 267 dias depois!
Mas algo está, aparentemente, a mudar. A modernização progressiva que a FPF tem promovido na sua estrutura nos últimos anos é notável e colocou-a entre as melhores do mundo, a diversos níveis. Falta, porém, a aproximação às melhores práticas no que respeita à justiça desportiva. E, segundo o novo presidente do Conselho de Disciplina (CD) da FPF, José Manuel Meirim, esse passo já está a ser dado e a diferença será notória muito em breve. «O objectivo (...) é a aplicação da disciplina rapidamente, de forma mais eficaz e transparente e mais bem comunicada», disse Meirim, a 3 de Agosto, sublinhando o facto de a época começar com zero processos no CD da FPF.
A propósito do tema, assinei uma notícia na edição de 4 de Agosto último de A BOLA, na qual, por lapso, referia que o CD da FPF iniciaria a época com zero processos pelo facto de ter reenviado 20 deles para a Comissão de Instrutores (CI) da Liga. A verdade é que não reenviou, tendo, isso sim, e dentro das suas competências, instaurando 20 processos, cuja instrução, da competência da Liga, decorre agora no CI daquele organismo.
Pelo lapso, aqui fica um pedido de desculpas aos visados e aos nossos leitores."

João Pimpim, in A Bola

Vitórias e derrotas em Jogos Olímpicos

"A imagem de um homenzinho de cem quilos a chorar compulsivamente depois de ter perdido um combate impressiona qualquer um. Muitos não entenderão o que pode levar um aparentemente frio e forte lutador a chorar como uma criança. Ceder num combate, a poucos segundos do fim, não parece ser razão suficiente. No entanto, Jorge Fonseca não conseguia parar as lágrimas. A sua frustração era total e tudo, em redor, parecia desolador.
Muitos de nós não têm realmente a a percepção do que representa um momento nos Jogos Olímpicos. O trabalho, o sonho, o desejo de uma glória efémera, o significado supremo de uma pequena rodela de metal a que se convencionou chamar uma medalha.
Para os americanos, a medalha olímpica não significa, como para os portugueses, a consagração da Pátria. É apenas e tão só um reconhecimento de um resultado desportivo. Para os portugueses é muito mais do que isso. É a notabilidade pública. Se, nos Estados Unidos, fossem comendadores todos os que ganham medalhas olímpicas, as comendas tornar-se-iam absolutamente vulgares. Não em Portugal. Um medalha não é, apenas, um feito desportivo. É uma condição próxima à de herói nacional.
Demasiado? Obviamente que sim, mas devemos reconhecer que um pequeno país como o nosso e com falta de auto-estima tem todo o direito a ser algo diferente dos grandes países. Aqui, ter um valor reconhecido internacionalmente é uma proeza. Mas há, também, o reverso da medalha. É que a derrota também não é sentida, apenas, como um desaire desportivo. É quase uma humilhação nacional. E isso também é um evidente exagero. Mas é assim."

Vítor Serpa, in A Bola

Justiça ao sonho olímpico

"Começaram os Jogos Olímpicos do Rio 2016 e, como previsto, as notícias sobre as canalizações que não funcionavam, os transportes caóticos ou as águas poluídas passaram à história. Felizmente esses problemas não têm afectado, até agora, a verdade desportiva.
Todas as atenções estão focadas nos desempenhos fantásticos nas inspiradoras histórias de vida dos atletas, nos recordes do mundo, em actuações com uma estética que a todos fascinam. Histórias de superação dos campeões e de todos aqueles que fazem dos Jogos Olímpicos um evento único.
São os atletas jovens com origem nos mais variados estratos sociais que revelam o seu talento, os veteranos que numa prova de perseverança confirmam a sua qualidade, os competidores imporváveis que conseguem chegar aos Jogos e fazer, a sua melhor perfomance desportiva. Ninguém pode ficar indiferente a histórias de vida como a de Michael Phelps, Rafaela Silva e de muitos outros.
Felizmente, também a Missão portuguesa tem contribuído para esse espírito único. Vivendo o sonho olímpico, até este momento, a maioria dos atletas lusos têm conseguido igualar ou superar aquela que é a sua melhor prestação desportiva de sempre. Como é exemplo a medalha que teimava fugir à Telma Monteiro, ou os desempenhos de Marcos Freitas, Nelson Oliveira, João Sousa, Gastão Elias, José Carvalho e Filipa Martins que conseguiram o melhor resultado português de sempre nas respectivas modalidades.
O Movimento Olímpico vive um momento conturbado, no entanto, este espírito único dos Jogos tem de prevalecer! Continuem os Jogos Olímpicos a inspirar-nos. E que os nossos atletas consigam superar-se, realizando o seu sonho olímpico e revitalizando o nosso espírito vergado ao flagelo dos incêndios. Todos são já vencedores, mas podem ir mais além e com o seu desempenho no Rio 2016 inspirar toda uma nação."

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CXCI)

O Benfica na 'moda' !!!

O jogo mais importante é o que se segue... Sábado, todos a Tondela

"Com esta Supertaça, o Benfica já conquistou tantos títulos como os do Sporting na época passada e mais dos que os de FC Porto nos últimos três anos

Supertaça
1. Nada como arrancar a ganhar! Eu sei bem que isto é como acaba e não como começa. Como, aliás, aconteceu, no ano passado. Mas se pudermos aliar o «começar bem» ao «acabar bem», tanto melhor.
Em Aveiro, no domingo passado, a nossa sexta Supertaça! Dos últimos 12 títulos e troféus oficiais disputados em Portugal, o Benfica conquistou nove! Com esta Supertaça, o Benfica já conquistou tantos títulos como os de Sporting na época passada. E mais do que os de FC Porto, nos últimos três anos.
Uma vitória da humildade, da solidariedade e da determinação, continuando da mesma forma como acabámos a época anterior.
Sem esquecer a ambição! Uma postura competitiva e determinada. Com Rui Vitória a ser, novamente, fundamental, fazendo história, tanto no Benfica como para a sua carreira. E demonstrando grande capacidade na gestão de pessoas! Porque, apesar de ter perdido alguns jogadores fundamentais, conseguiu substituí-los rapidamente, com jogadores que Luís Filipe Vieira lhe pôs à disposição.
Aos 46 anos, Rui Vitória já ganhou todos os títulos nacionais: Campeonato, Taça de Portugal (infelizmente, para nós, enquanto Benfica), Taça da Liga e, agora, Supertaça. A Supertaça era o título português que lhe faltava. Agora, só lhe falta uma competição internacional...

Benfica - SC Braga
2. Um grande jogo de futebol, com três grandes golos e momentos de grande qualidade por parte do Benfica.
O Braga, além de ter tido algumas oportunidades, passou a ter, em determinados momentos da partida, espaço para jogar, criando algumas transições rápidas ofensivas. Tem uma grande equipa e promete andar na ribalta, assumindo-se, definitivamente, como um clube grande, também, ele, candidato ao título.
No entanto, o Benfica foi mais consistente, por vezes esmagador, essencialmente, mais eficaz, evidenciando momentos de bom futebol, com nota artística!
O Braga não conseguiu controlar a equipa do Benfica, não tendo sido, inclusivamente, capaz de parar a grande qualidade existente em várias jogadas rápidas.
Fomos, por isso, uma equipa inteligente, que impôs o seu jogo, controlando-o da melhor forma. E a verdade é que temos muitos jogadores que são, efectivamente, uma mais-valia, que se juntarão aos restantes, tão bons quanto os que chegam, e que acrescentarão um adicional de valor, no imediato, e posteriormente - com o tempo e com os exemplos que terão - um adicional de alma e de mística.
Do jogo de domingo, permito-me fazer quatro compreensíveis destaques.
Desde logo, Grimaldo, lateral esquerdo de grande qualidade e sempre com uma disponibilidade para levar tudo à frente.

Depois, Pizzi, que, sendo um excelente jogador, ainda que mais discreto no relvado, é inteligentíssimo a jogar e sabe tudo de futebol. Isto, além de ter marcado um golo fantástico!
Não poderei, também, deixar de destacar Franco Cervi, um namoro antigo do Benfica, que teve uma estreia de sonho, precisando, apenas, de dez minutos para marcar um golo! Aliás, o movimento que faz na jogada desse seu primeiro golo, no Benfica, e do Benfica, esta época, é extraordinário!
Outro destaque, como não pode deixar de ser, vai para André Horta, que é uma das grandes surpresas. É certo que ninguém vai esquecer Renato Sanches, mas André Horta vai ser uma agradável revelação na equipa, um grande jogador.

Ora, do jogo da Supertaça, apesar de ser mais uma vitória, e consequentemente mais um troféu, para Cervi e André Horta correspondeu ao primeiro título de muitos das suas carreiras.
E para todos jogadores que compõem o plantel, será o primeiro título de muitos esta época?

Sábado, todos a Tondela
3. A Supertaça, o primeiro titulo desta época, já faz parte do passado. Longe vão os tempos das euforias desmedidas. Aqui, ninguém se deslumbra, nem se desrespeita adversários.
O próximo jogo, seja ele contra quem for, e independentemente do tipo de competições, é sempre o mais difícil.
E o caminho faz-se jogo a jogo, como se viu, aliás, na época passada. Por isso, o jogo mais importante é o que se segue, o Tondela-Benfica, o jogo da 1.ª jornada. E nós sabemos o quão difíceis são os arranques de época. Em Tondela não será, certamente, excepção.
Por isso, concentração máxima e uma grande disponibilidade física e mental. Para ultrapassar tudo, incluindo a dificuldade física que o próprio relvado apresenta. Só um grande Benfica ganhará em Tondela, assim como os restantes jogos.
Para que, juntos, rumemos ao Tetra!!! Porque, no Benfica, e como diria Luís Filipe Vieira, «não se prometem títulos; no Benfica, todos trabalhamos para ganhar títulos».

A Fundação Benfica e as bolsas para jovens desfavorecidos do Inatel
4. dias, numa intervenção infeliz de alguém a quem, por certo, pediram para dizer o que disse, sem conhecimento de causa, num canal de televisão, foi lançada uma acusação à Fundação do Benfica, que tem tanto de grave como de falsa: que esta estaria a «oferecer bolas a jovens árbitros».
Essa afirmação, nua e crua, revelou, ainda, alguma malvadez, insinuando-se que o Benfica, através da sua Fundação, teria alguma ligação ao Conselho de Arbitragem ou a qualquer outro organismo ligado aos árbitros de futebol profissional.
Ora, em 2011, a Fundação Benfica, no âmbito da promoção do Desporto e Integração Social, em parceria com a INATEL - no âmbito do seu projecto de apoio ao futebol amador - promoveu acções que tinham como objectivo a integração de jovens com graves problemas sociais e familiares, que teriam aptidão para o futebol.
Essa acções, de cariz estritamente social, decorreram no Porto e em Lisboa, onde os 30 jovens participantes, com idades compreendidas entre os 17 e os 35 anos receberam palestras de formação para serem árbitros em jogos sociais de âmbito mais alargado ou em jogos entre equipas do Inatel (puramente amador, relembro).
Além disso, o próprio factor idade consegue desmascarar a falsidade do alegado, uma vez que ninguém inicia a carreira de árbitro depois dos 30 anos.
No entanto, sobretudo por motivos sociais e pessoais, nenhum desses 30 «jovens árbitros» conseguiu dar seguimento a essas formações, nunca tendo chegado a arbitrar qualquer jogo amador ou de natureza social.
É importante realçar que a INATEL, não tem qualquer relação com o mundo do futebol profissional ou, sequer, capacidade para ministrar algum curso de formação na área do desporto.
O que se lamenta é que, para alguns, para tentarem ganhar, valha mesmo tudo, transformando o futebol, onde quiseram fazer vingar a lei da selva, numa selva sem lei!
Um pedido público de desculpas não ficaria mal a quem foi enganado e tentou (até admito que involuntariamente) enganar!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Benfica, o mais bem preparado

"Exactamente o oposto de há um ano... Sporting: gigantesca dor de cabeça! FC Porto a meio caminho entre os rivais...

Frenesi de extraordinários espectáculos nos Jogos Olímpicos (vários atletas portugueses já merecem Parabéns, mas Telma Monteiro é especialíssima, fabuloso exemplo de ambição e garra sublimando talento, anos a fio figura mundial do judo).
Em simultâneo, vai arrancar a grande maratona do futebol lusitano. Já amanhã, com Rio Ave - FC Porto. Ambos remodelados, sobretudo porque tendo mudado treinador. Rio Ave - Nuno Capucho estreia-se como técnico na II Liga frente ao clube onde foi jogador - necessita de arrebitar após irremediável falhanço na Liga Europa. FC Porto - Nuno Espírito Santo regressa a Vila do Conde onde iniciou carreira de técnico levando o Rio Ave a duas finais - ainda mais pressionado está para não arrancar dando passo em falso...
Atenções centradíssimas no trio de eternos candidatos à glória (demora 9 meses a conquistar e só um pode atingi-la), que disse a pré-temporada sobre ponto da situação no potencial de cada gigante?

Benfica: marca intendo contraste com o estado em que se encontrava há um ano. Pelos resultados (Supertaça Cândido de Oliveira agora conquistada, em vez de perdida), mas, sobretudo, pela forma como, desta feita, se preparou. Afastou-se do erro desportivo que foi aquela longa/desgastante digressão americana; e, ainda mais importante, não deixou para última hora, quase em desespero, compras tão evidentemente urgentes (Mitroglou e Jiménez não fizeram pré-época, chegando muito depois da rápida saída de Lima); agora, Rui Vitória pôde trabalhar desde o início com 7 aquisições - e, perto da Supertaça, recebeu 8.ª...
Sim, no outro polo do que aconteceu há um ano, é do Benfica a estrutura que melhor preparou a nova temporada. Quando era bicampeã, pareceu colocar secundário foco na conquista do tri... Agora, tricampeão, o Benfica dá amplos sinais de tudo por tudo por objectivo nunca alcançado no seu brilhantíssimo historial: 4 títulos consecutivos (isso, nenhuma dúvida, é hegemonia; o FC Porto conseguiu 5!).
Encaixes financeiros já próximos de €100 milhões, tal fasquia até poderá ser superada com saída de bons jogadores que actuam em funções onde passou a haver excesso de quantidade... Exemplo: Jardel, ou Lisandro, ou Lindelof, um deles poderá ser transferido. Médios defensivos são 3: Fejsa, Samaris, Celis (ou 4, se Danilo não se impuser no previsto adiantamento para n.º 8). E extremos são 6 ou 7...: Pizzi, Salvio, Cervi, Carrillo, Zivkovic (contratação mais desejada, mas lesionou-se, ainda não pôde mostrar o que vale), eventualmente também Benitez e Gonçalo Guedes, em relação aos quais existe dúvida se podem render melhor no centro ofensivo ou num flanco.
Carências? Creio que de alternativa a Jonas: avançado de zona central que saina recuar fazendo bem ligação entre meio campo e ataque. E falta Jiménez justificar os €22 milhões!

Sporting: gigantesca dor de cabeça no problemão de precisar de reforços a sério (SOS por outro ponta de lança, um pelo menos) e não querer ficar sem alguém do quinteto de ouro (Patrício, William, Adrien, João Mário, Slimani). O que, creio, roçará missão impossível. Bom suplente de Patrício foi conseguido: Beto. Alternativa a William tem-se apresentado fraca: Petrovic. Opção a João Mário: Melo (interessantes indícios, mas é cedo...). Ponta de lança com a dimensão de Slimani é que nicles... E, com idêntica relação baixo custo/ala qualidade, será procurar agulha em palheiro.

FC Porto: a meio caminho entre um certo à vontade benfiquista e os berbicachos sportinguistas. Obrigatório muitíssimo melhorar a defesa, o que não é difícil... (contratou o central Filipe e o lateral Alex Telles, concorrente de Layún). A potencial grande contratação já lá estava: menino André Silva (talento conformadíssimo em excelente pré-temporada). Bueno é, quanto a mim, outro potencial reforço que não foi preciso ir agora buscar... Veremos se será possível Brahimi ficar... com a convicção que anda a faltar-lhe. Aboubakar na porta de saída? Acaba de chegar outro ponta-de-lança: Depoitre, gigante belga. Pinto da Costa afirmou nem o conhecer... Total responsabilidade atirada para o novo treinador. No FC Porto dos bons anos (muitos), isto seria impossível..."

Santos Neves, in A Bola

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Obrigado, Telma, por teres vindo para ficar!

"Uma medalha de bronze que lhe fica tão bem.

Telma Monteiro tinha ganho tudo.
Dezasseis medalhas entre Mundiais e Europeus: cinco de ouro, outras cinco de prata, mais seis de bronze. Quatro vezes vice-campeã do mundo, e mais cinco títulos de campeã da Europa amealhados. 
Tinha ganho tudo, menos a glória da presença num pódio olímpico.
Em algumas ocasiões pareceu ceder à pressão. Compreende-se. O momento é solene, e faz abanar mesmo quem às vezes parece de ferro. Mas não desta vez!
Se há coisa a que Telma não ia ceder seria a pressão. Percebia-se. Sentia-se. Transpirava determinação.
Mentalmente foi tão forte ou mais do que a futura campeã olímpica, a brasileira Rafaela Silva. Mesmo depois de ter perdido, algo injustamente, no segundo combate, e ter sido afastada do ouro. 
Telma focou. Cerrou os dentes, e foi à luta. Como tantas vezes antes, mas com uma fé inabalável. Uma fé que a fez gritar a plenos pulmões Eu vim para ficar! depois de garantir a presença no combate pelo bronze com um ippon brilhante.
Se já era grande, a judoca tornou-se enorme. Superou-se a si própria, e pode finalmente sorrir. Merece tudo o que está a viver. Tornou-se lenda.
Obrigado, Telma, por teres vindo para ficar! E que fiques muitos anos, porque a nossa casa é a tua casa!"

Telma e Rui Jorge melhores que Pogba

"1. A entrega da medalha olímpica a Telma Monteiro foi um momento deliciosamente lusitano, para usar a sua própria expressão. Um objectivo traçado com vontade e ânimo, ultrapassadas as contrariedades físicas e psicológicas que enfrentou. Em linguagem tão simples,quanto energética e confiante. Telma mostrou, com clarividência, a razão por que valeu a pena lutar, não desistir e acreditar em si própria. Sem lamechices, sem alardes de vedetismo bacoco, com realismo e o vigor da convicção, a nossa judoca, com currículo vitorioso a todos os níveis, simboliza belíssimo exemplo para os jovens.
2. Ainda nos JO, Rui Jorge é outro notável exemplo de profissionalismo e carácter. Com equipa quase improvisada, o treinador não esmoreceu perante o capital de queixa que até tinha às carradas perante tantas negas dos clubes. A longa série de vitórias alcançadas no lugar que ocupa é a prova da sua competência, que sabe aliar a correcção desportiva, à sensatez sem deslumbramento e a à sobriedade dos verdadeiros fortes. Pena que o futebol tenha sido capturado por uma ínfima corte de privilegiados (chamados heróis por qualquer minudência) e não se dê o justo valor a Rui Jorge e a estes atletas olímpicos
3. Por falar em privilegiados tatuados, despenteados ou sortudos, Pogba bom jogador, mas não mais do que isso, volta ao clube que o havia dispensado (Man. United) pelo inexplicável valor recorde de 110 milhões de euros e vai receber (por semana!) o obsceno salário de 341 mil euros. A explosiva mistura de dinheiro e loucura sem limites!"

Bagão Félix, in A Bola

Uma olímpica inquietação...

"A ginástica é uma das modalidades maiores dos Jogos Olímpicos. Enche pavilhões em todo o mundo e faz espantosas audiências televisivas, especialmente nos Estados Unidos, onde as equipas femininas são sempre muito fortes.
Há, no entanto, algo que me impressiona e, confesso, me inquieta. Enquanto na ginástica artística masculina, os atletas têm um corpo digno da melhor estética grega, na feminina os corpos parecem deformados. Muito trabalho muscular, acredito que sim, mas não consigo encontrar fascínio, nem mesmo nos melhores exercícios. Posso admirar-me com o grau de dificuldade, extasiar-me com a perfeição técnica, mas perfeita era também a Nadia Comaneci quando, aos 15 anos, fez o seu estrondoso 10 nos Jogos de Montreal e mais tarde se soube como era possível retardar artificialmente o crescimento das mulheres.
Vejo a chinesa Shang Chunsong e não resisto a procurar os seus dados: 20 anos de idade, 34 quilos de peso e 1 metro e 40 centímetros de altura. Nenhuma das suas colegas chega ao metro e meio e nenhuma chega aos 40 quilos de peso.
Não posso afirmar o que quer que seja que implique a ideia de uma qualquer situação irregular, mas posso anunciar a minha perplexidade.
Eu sei que há controlo e que a Rússia até foi duramente punida pelo uso do doping de estado. E também sei que a maior de todas as ginastas da actualidade, a campeã americana Simone Biles, tem 19 anos de idade e mede 1,44 metros. Mas tem mais 13 quilos (!) do Chunsong e mais 12 quilos do que Yao Jinnan. Dirão: admiras-te porque és gordo. Pode ser..."

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CXC)

Anda cá, não fujas !!!

Parvoíce

Não vou escrever muito sobre a eliminação do Célio Dias, para evitar ser demasiado desagradável!
É inadmissível uma derrota desta forma... O ataque não resultou, o Célio estava a liderar o combate, só tinha que se 'deitar' no tapete, e esperar que o árbitro interrompesse o combate e pronto...!!! Nem a falta de experiência é desculpa... A diferença de nível é demasiado grande, para 'desculpar' o desaire...
A forma como o adversário festejou é esclarecedora!!!

Parabéns ao Nelson Oliveira, pelo espectacular 7.º lugar, e respectivo diploma Olímpico, no contra-relógio da prova de Ciclismo de estrada... Sempre em progressão, muito bem gerida toda a prova...

Parabéns ao José Carvalho, pelo 9.º lugar, na Final, na prova de Canoagem de Águas Bravas, C1 slalom. Com mais apoio, o jovem José Carvalho tem tudo para melhorar daqui a 4 anos...

Parabéns ao Marcos Freitas, pelo 5.º lugar no Ténis de Mesa. O Marcos vez a sua obrigação, tendo em conta ser o 9.º cabeça-de-série na prova (11.º do ranking mundial...), tal como ele confessou antes do jogo dos Quartos com o Japonês, faltou a 'superação'!!! Ontem, aqueles Set's em que o Marcos basicamente se entregou ao Japonês, a este nível, são fatais... 

Parabéns antecipados ao Alexis Santos pela meia-final nos 200m estilos, na piscina Olímpica! Chegar à Final será algo de outro mundo, mas nunca se sabe... Foi pena o Diogo Carvalho, ficar longe da sua melhor marca, tinha sido suficiente... Curiosamente, ambos os portugueses, fizeram um sector de Costas muito mau...

O bom, o mau e o vilão

"Franco Cervi é craque. A sua qualidade é de tal ordem que, mesmo falhando um remate com o pé esquerdo, ainda consegue marcar golo com o direito improvisando em cima do seu próprio erro. Se o seu talento era conhecido de quem segue a 'cantera' do Rosario Central, não conseguindo adormecer sem acompanhar os jogos da Taça Libertadores ou do campeonato argentino, maior crédito ainda deveria ter nos relatórios de alguns afamados departamentos de 'scouting'. Um criativo com este potencial, de 22 anos, custando apenas 5,6 milhões de euros por 90% do passe, é uma golpada de mercado da qual o Benfica vai recolher grandes dividendos. Tendo em conta que Cervi estava na montra de uma das equipas da moda da Argentina, à vista do mundo, a desenvoltura negocial das águias tem ainda mais mérito.
A massa crítica azul que nada disse sobre a chegada do problemático Osvaldo, há um ano, debate agora a utilidade da contratação de Laurent Depoitre, um ponta-de-lança belga sem cartel e que tem nos atributos físicos o maior predicado. Os tempos de Jardel, McCarthy, Lisandro, Falcão, Hulk ou Jackson já lá vão e o grande reforço do ataque chama-se André Silva. Após tantas queixas ensurdecedoras sobre a falta de aposta na formação, sendo reclamado um urgente regresso ao ADN portista, seria de esperar tudo menos que a SAD fosse contratar um avançado que bloqueasse a evolução daquele que está fadado para ser a grande figura da equipa nos próximos anos.
Restam poucas dúvidas de que Slimani quer mesmo deixar Alvalade, tornando-se uma bomba-relógio que pode explodir na pior altura. Feliz ou infelizmente, nos tempos que correm, os clubes estão cada vez menos protegidos e, mesmo que procurem resistir e comunicar com voz grossa, facilmente são encostados à parede pelos seus activos mais valiosos. As intenções do argelino são conhecidas e não se entende como pode a SAD leonina reforçar a sua posição negocial quando liberta Teo Gutiérreze Barcos numa altura que Spalvis está lesionado e ainda não concretizou qualquer contratação para o eixo ofensivo. Face a um arranque de campeonato que não simples, o Sporting sujeito-se a ficar refém do bom ou mau humor de Slimani."


PS: Tanto nos pasquins como nas televisões, as opiniões são praticamente unânimes: João Mário, Slimani e os outros, são todos uns ingratos, influenciados por empresários oportunistas... e que o Sporting, qual D. Quixote, deve lutar até ao fim contra estes 'ladrões'!!!!
Pois, parece-me que voltámos ao tempo da 'velha senhora', aquele tempo os Clubes tinham a famosa cláusula de opção, que basicamente dava aos Clubes a oportunidade de ter contratos vitalícios com os jogadores... por outras palavras: escravatura!
O facto dos jogadores terem ofertas para ganhar 4, 5, 8 vezes mais, daquilo que ganham, parece que não é importante (gostaria de ver os jornaleiros ou paineleiros, nas suas profissões, a rejeitarem ordenados 2 ou 3 vezes maiores!!!). Estamos neste caso a falar de um jogador de 24 e outro de 28 anos...
Sendo que no caso do Slimani a falta de vergonha na cara é ainda maior, pois o Cotoveleiro chegou ao Sporting, em conflito com o seu anterior Clube...!!!

Nove troféus sem resposta


"Benfica aponta ao tetra com Sporting na cola. FC Porto é o mais pressionado: ficou a zero nas últimas 12 competições.

Faz hoje precisamente três anos que o futebol do FC Porto festejou a última conquista: a Supertaça Cândido de Oliveira, ganha em Aveiro ao Vitória Guimarães (3-0)... de Rui Vitória. Paulo Fonseca era o treinador e o FCP garantia o 74.º troféu no futebol (20.ª Supertaça) contra 70 do Benfica e 46 do Sporting.
Pinto da Costa estava decerto longe de imaginar que nos três anos e doze competições seguintes o FCP ia ficar a zero; e que o Benfica ia ganhar nove dessas doze competições (3 campeonatos, 3 Taças da Liga, 2 Supertaças e uma Taça de Portugal), recuperando a liderança do futebol português. Mesmo o Sporting (dois troféus) e o Braga (um) fizeram mais que os dragões neste triénio de pesadelo. A viver aquele que é, de longe, o maior jejum do seu consulado de 34 anos, Pinto da Costa preside ao clube mais pressionado para ganhar o campeonato. Os adeptos do FCP, habituados a três décadas de glória e vitórias ininterruptas, não estão na disposição de tolerar mais fracassos, tropeções e erros de avaliação semelhantes ao que conduziram o FCP à situação actual. Daí ser o FCP aquele que começa o campeonato mais angustiado. Porque não contratou um treinador indiscutível; porque não contratou reforços de primeira grandeza como era costume; porque não conseguiu fechar negócios que há uns anos jamais falharia (vide folhetim Boly); porque a injecção de qualidade que o plantel necessitava em várias posições terá ficado aquém das necessidades. Lembro que tanto o Benfica como o Sporting tinham plantéis claramente superiores ao portista e quer-me parecer, correndo o risco de estar redondamente enganado, que essa décalage não foi suficientemente encurtada.
O Sporting parte na cola do Benfica. A equipa valorizou-se extraordinariamente no Europeu de França (quatro campeões!) e, como não perdeu nenhum jogador nuclear (ao contrário do Benfica) devia ser neste momento o candidato mais sólido e confiante. Mas não é. O assédio aos campeões europeus e ao excelente ponta de lança que é Slimani, conjugado com outros factores que fazem parte do jogo do mercado (impaciência/desapontamento dos jogadores perante o que consideram ser expectativas defraudadas; impaciência/pressão/gula de empresários e outros comissionistas) transformam o Sporting num potencial barril de pólvora. Veem-se caras feias, amuos, até birras, mas nada que não se possa resolver. Bruno de Carvalho há de ter aprendido que este é o preço que um grande realmente competitivo tem de pagar. FC Porto e Benfica passaram por esta situação n vezes nos últimos defesos e aprenderam a lidar com ela - construindo pontes, acordos, compromissos honrosos (sobretudo: proveitosos) para as duas partes. É claro que se a abordagem destes casos for semelhante à gestão do dossier-Carrillo, então o SCP tem mesmo o caldo entornado.
O Benfica parte na frente. A meu ver é claro favorito ao título - ao tetra. Como se viu em Aveiro, mantém o óptimo astral da época passada (Cervi parece capaz de substituir Gaitán, sendo a baixa de Renato mais difícil de preencher), um treinador sereno e competente suportado por estrutura já rotinada no sucesso. O clube está sólido e confiante: ninguém entra em pânico à primeira contrariedade. O Benfica interiorizou a vício de ganhar que durante tantos foi exclusivo portista. Só não concordo com um detalhe no projecção que o meu amigo Fernando Guerra fez aqui ontem («o processo revolucionário em curso operado por LFV não sei como o quando acabará, mas acredito que vai passar por uma final da Liga dos Campeões e do que dela resultar»). No particular caso benfiquista, uma final da Champions por si só não chega, Fernando. Ao fim de nove finais perdidas (!), só mesmo a vitória interessa.
(...)"

André Pipa, in a Bola

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Troféus, egos e erros

"O futebol é, na sua essência, um jogo colectivo. Donde, o conjunto dos 11 jogadores deve ser superior à sua simples adição.
Acontece que o fascínio das individualidades é um factor diferenciador num desporto em que a monotonia das tácticas, o medo de perder, a exaltação de destruir o jogo mais do que o primado de o construir, a ronha premiada e outros factores o vêm tornando um jogo de uma platitude por vezes abominável e afugentadora de público. Por isso se glorifica um jogador que arrisca, que se liberta da prisão táctica, que entusiasma com a imprevisibilidade, a arte e a inteligência.
É nesse enquadramento que se podem compreender os múltiplos troféus consagrados aos melhores, seja a nível mundial, continental, nacional ou clubista. Ainda que em demasia e, sobretudo, hipervalorizados nos media e nas análises. O que leva, a meu ver, a perscrutar nos melhores uma ansiedade indisfarçável de egos. Depois há as sempre subjectivas (para não dizer parciais) escolhas, espicaçadas por guerras entre os favoritos de que o duelo Ronaldo/Messi já cansa na sua lógica pré patológica.
Desde 2011, há o prémio da UEFA para o melhor atleta da época. Creio que dos 3 escolhidos não haverá dúvidas sobre o vencedor, Cristiano Ronaldo. O que já me parece estranhíssima é a escolha dos parceiros do pódio: Griezmann só porque jogou bem no Euro 2016? Bale, excelente jogador, porque levou Gales à semi-final?
Cai-se sempre nos mesmos erros. Parece que a memória só retém a parte final das épocas. Suárez foi o melhor marcador do... ano e final quase sempre de lado guarda-redes (Buffon, p ex.), defesas e médios."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXIX)

Rogério 'Pipi'... ainda entre nós...
Um dos símbolos vivos do Benfica

Trinta minutos de vendaval em Turim

"Dois golos de Eusébio marcaram a vitória do Benfica frente ao Torino no dia 6 de Maio de 1964. Recordou-se Superga, e a vitória sorriu mais uma vez aos portugueses.

Esta crónica não é uma crónica: é uma errata. Ou uma reparação, se preferirem. Disse há dias na BTV que Benfica e Torino não se haviam reencontrado após o terrível acidente de Superga, que dizimou «Il Grande Torino», uma das grandes equipas de futebol de todos os tempos.
Pois, agora venho desmentir-me. E com provas, como num tribunal.
Para isso andamos, por exemplo, até Maio de 1964.
Num serviço especial para o «Diário de Lisboa», podia ler-se: «O Benfica esmagou, positivamente, o Torino, marcando quatro golos na primeira meia hora do jogo que ambos disputaram - pois o resto do tempo passou-se com a equipa portuguesa a demonstrar como não se deixa o adversário marcar golos, mas sem forçar o andamento. Nessa primeira meia hora em que o resultado final de 4-1 ficou decidido, o Benfica mostrou superioridade individual e global, especialmente pela velocidade dos lances e pela coesão de toda a equipa».
Assim foi.
Para a história, eis os protagonistas:
TORINO - Vieri (Reginate); Scesi (Paletti) e Buzzachera; Cela, Fossati e Ferrini; Germanno, Pvia, Hitchens, Peiró e Grippa;
BENFICA - Costa Pereira; Cavém e Cruz; Neto, Germano e Coluna; Augusto Silva, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões.
A vitória do Benfica foi clara e límpida como a água primordial das fontes.

O sonho de Hitchens
Aos 15 minutos, num lance escorreito entre José Augusto e Simões, que assinalaram exibições primorosas, Eusébio fez o 1-0 para o Benfica. 2-0 foi de Ferreini na própria baliza. Em seguida, sobre o minuto 25, um remate potente de Eusébio obrigou Vieri a rechaçar a bola para a frente, onde estava a cabeça certeira de Torres. O inglês Hitchens reduziu antes de Eusébio, num livre directo de formidável violência, fazer a resultado final.
À meia hora estava tudo resolvido.
Na sua prosa, o jornalista Aldo Terruzzi declarava: «O balanço geral do encontro pode dar-se em poucas palavras: o Benfica foi rei e senhor enquanto quis, dominando completamente as operações com jogadores que fizeram o que quiseram, com relevo para os três avançados - José Augusto, Eusébio e Simões - e para Germano e Cavém; por seu lado, o Torino foi um grupo que tentou na primeira parte articular um sistema defensivo reforçado, sem poder com a força do ataque benfiquista, e que na segunda parte reforçou o sistema ofensivo sem conseguir romper a defesa do Benfica. E é isto.»
Nada como as palavras de testemunhas que a tudo assistiram.
O treinador do Torino era o famoso Nerio Rocco, que seria uma das figuras gradas do Milan. Também ele reconhecia a superioridade encarnada: «O Benfica é uma grande equipa e veio demonstrar-nos que ainda não está concluído o trabalho de reestruturação da nossa turma. Gostei especialmente de José Augusto, Simões e Eusébio, no ataque, e de Cavém, na defesa».
Já Lajos Czeizler, o técnico das águias, dizia: «O abalo inicial actuou como um safanão: toda a equipa italiana tremeu e sentiu os efeitos demolidores dos golos portugueses. Na segunda parte vieram ao de cima os efeitos de um campeonato duro e longo e de três jogos de arrasar em oito dias - Zurique, Bruxelas e Turim. Seria necessária uma constituição de ferro para que a equipa não se ressentisse. Ora, ferro, em futebol, não tem utilização...».
Hitchens, o inglês do Torino, sonhava: «Belo ataque, o do Benfica, em que todos os elementos têm craveira muito igual, embora Torres me parecesse doente ou cansado. Gostava de jogar entre Eusébio e José Augusto! Que regalo deve ser...»
Um sonho que não ia para lá das fronteiras do sonho. Nem todos podiam jogar entre Eusébio e José Augusto. Só os privilegiados, filhos dilectos dos deuses do futebol.
Benfica e Torino voltavam a encontrar-se. Com nova vitória do Benfica que já era enorme perante um Torino que já não era «Il Grande».
Reposta a verdade. Pouso a caneta descansado."

Afonso de Melo, in O Benfica

"É uma águia, mas é macho!"

"Todos os benfiquistas conhecem a majestosa águia que coroa a porta principal do Estádio. Mas será que lhe conhecem o sexo?

mais de trinta anos que a fachada principal do Estádio da Luz é encimada pela imponente escultura de uma águia em cobre e ferro. Concebida pelo escultor Domingos Soares Branco e produzida nas oficinas da Edimetal, a Águia de Metal foi colocada na fachada do antigo Estádio em Setembro de 1985, por ocasião do fecho do terceiro anel, e transporta em 2003 para o novo Estádio.
Para os operários da metalo-mecânica, o desafio 'foi um bom-bom'. Habituados ao trabalho complementar à construção civil, foi com enorme entusiasmo que encararam o projecto de construção da Águia: 'Nunca tínhamos feito uma escultura','foi uma variante interessantíssima', afirmaram alguns dos envolvidos.
Durante os três meses que durou a construção - um tempo recorde tendo em conta a sua envergadura -, escultor e operários dedicaram-se afincadamente a esta obra. Nenhum pormenor foi descurado. Observaram e registaram as águias do Jardim Zoológico de Lisboa, adquiriram um compêndio sobre essas aves de rapina e até a incidência do vento na fachada do Estádio foi calculada. A Águia do Benfica tinha de ser perfeita.
Na maioria benfiquistas acérrimos, foi com orgulho que canalizaram toda a sua energia na construção da Águia. Ainda hoje, é contagiante o entusiasmo com que falam deste projecto e são inúmeras as histórias e peripécias que contam. Porém, há uma especialmente curiosa: a história da águia macho.
Diz quem assistiu que 'um belo dia, já estava no Estádio', um dos funcionários da Edimetal, 'o Zé Pereira, um individuo doido pelo Benfica', lembrou-se: 'E se tornássemos a Águia macho?', Com o intuito de conferir maior virilidade à escultura, lá foram 'ver o tamanho daquilo que tínhamos de lhe acrescentar'. Soares Branco 'achou muita graça' e afirmou: 'Com certeza, faça-se!' Fez-se. E nós verificamos. 'Tem uns enormes testículos pretos!'.
No dia 13 de Julho de 2016, a Águia de Metal foi retirada do cimo da fachada para uma intervenção de conservação levada a cabo pelo Departamento de Reserva, Conservação e Restauro em parceira com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Até meados de Agosto, pode vê-la de perto em frente à porta 1-2-3 do Estádio."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

O 'tetra' não é conversa, é objectivo

"O processo revolucionário em curso operado por Vieira não sei quando acabará, mas acredito que vai passar por uma final da Champions e do que dela resultar...

uma semana, dei opinião sobre este Benfica que se prepara para continuar vitorioso na temporada desportiva que teve a sua cerimónia de abertura na noite do último domingo, em Aveiro. Escrevi sobre o que penso, e houve quem tivesse reagido, prenúncio do excessivo calor que deverá caracterizar o campeonato que vai jogar-se fora das quatro linhas, à semelhança do que passou. Destaquei o que considero serem os vários ses, ou dúvidas à espera de esclarecimentos, ou medidas que reclamam decisões. Cenário normal em cada mudança de época, quando há necessidade de integrar os que chegam, substituir os que partem e, no fundamental, descobrir mais e melhores de soluções para o grupo.
Coisas simples, cuja pertinência o jogo com o Braga confirmou, ao mostrar, por exemplo, que Nélson Semedo, na direita, está emprenhadíssimo em recuperar o lugar e Grimaldo é o presente/futuro, na lateral esquerda. Além de se manter a interrogação sobre a dupla titular de centrais, porque a concorrência é forte e a qualidade é muita. São as chamadas boas dores de cabeça que qualquer treinador gostaria de ter. Rui Vitória, ao ser olhado como um felizardo, vê a sua responsabilidade aumentada pelo facto de não estar limitado nas escolhas. O que só valoriza a equipa.

Não sou particular admirador do esquema táctico que o Benfica utilizou na época transacta, de aí a minha curiosidade sobre o que nos reserva a que se iniciou anteontem. Expliquem-me os misters com quem falo que teve de ser assim antes, ou tem de ser assim agora, por força das circunstâncias, emergindo essas circunstâncias das características de peças importantes na estrutura, as quais rendem menos dentro de determinado esquema e ficam mais confortáveis se for aplicado outro. É tarefa que cabe ao treinador, complexa e ingrata, por estar prisioneira dos resultados, desenhar o modelo que, segundo ele, lhe indica a direcção do sucesso. Porque o processo revolucionário em curso operado por Vieira não sei como e quando acabará, mas acredito que vai passar por uma final da Liga dos Campeões e do que dela resultar...
Como não possuo conhecimentos suficientemente profundos para ler a sina dos candidatos a estrelas da bola, limito-me a reflectir sobre o que vejo, ou a dar palpites envergonhados e de nulo significado, como qualquer adepto. No caso, espero para ver como irá funcionar o meio-campo dos encarnados, sendo certo que, depois de Peseiro ter corrigido a sua organização, reposicionando os meios de combate ao jogo exterior do Benfica, conseguiu o controlo no eixo central, com Rui Vitória a demorar uma eternidade a responder. Pareceu-me a mim, pareceu a Vítor Serpa, que o referiu na sua crónica e pareceu também a Henrique Calisto na peça que assinou em A BOLA: «Nesse período (segunda parte), o Benfica sentiu dificuldades na construção e posse de bola, precisam de mais tempo e trabalho, em particular no corredor central».
Com Fejsa, mais disponível do ponto de vista físico, a funcionar como guarda costas eficiente e dedicado do 'selvagem' Renato Sanches, Rui Vitória descobriu a chave que lhe permitiu abrir a porta do título 35, mas... pés na terra, contenção na euforia e sabedoria na avaliação dos jovens, a caminho do tetra, depois da Supertaça. É este o ensinamento que Luís Filipe Vieira não se tem cansado de espalhar por entre a nação benfiquista: não há triunfos por antecipação. O plantel de hoje é já fruto da sua política de investmento nas áreas de formação, no Seixal e em outros mercados, mas encontrar um Renato todos os anos, talvez só ao alcance dos deuses...

José Peseiro é bom treinador e tem de se convencer que o é. Não precisa, por isso, se de justificar/lamentar em cada derrota que lhe bate à porta, como se fosse o causador de todos os males. Dizer que quem não viu o jogo ficou com ideia errada do que se passou em Aveiro é normal, e faz sentido. Dizer que é muito difícil aceitar o resultado, igualmente. Dizer que a derrota do Braga foi tremendamente injusta fere os limites do razoável. Quem marca três golos e não sofre nenhum não merece ganhar? Ou séra que o Benfica terá alguma inabilidade de Rafa Silva para introduzir a bola na rede de Júlio César? Jonas é diferente: se não marca à primeira, marca à segunda.
O problema de Peseiro não é de falta de competência. É de falta de jeito para promover a sua imagem e desfazer de uma vez por todas a ideia do pé frio ou do quase."

Fernando Guerra, in A Bola

O André Horta

"O João Gonçalves, um dos maiores benfiquistas que conheço (e sei de uns quantos), tem contado no seu blog 'Red Pass', uma ida a Oliveira de Azeméis para ir ver o hóquei. Uma viagem como dezenas de outras. Não fora entre os camaradas de viagem de carro ir um jovem jogador do Vitória, que alimentava sonhos desmesurados de benfiquismo. A viagem foi no ano passado e, então, poucos acreditariam que, meses depois, o André Horta estivesse de águia ao peito, a titular na posição que era do Renato.
O André Horta é o paradigma do jogador-adepto, mas dentro dessa categoria, está um nível acima. É o jogador-adepto de pavilhão: o lugar onde se encontram aqueles para quem o clube não se cinge ao futebol.
Há quem sonhe com uma equipa do Benfica que é uma selecção de adeptos. Pelo contrário, quero um Benfica formado pelos melhores, independentemente da preferência clubística ou nacionalidade. Como adepto, imagino que seja também esse o desejo do André Horta. Vencer: em todos os campos e em todos os pavilhões, com os melhores a vestirem a camisola do Glorioso.
Mas quero também que o clube forme jogadores que possam sonhar com um lugar na primeira equipa. Um Benfica em que um miúdo como o Horta, que vi numa foto como apanha-bolas, há perto de uma década, saiba que um dia pode mesmo jogar na Luz. É essa a grande diferença do Benfica de hoje. Um clube que se habituou a ganhar (9 títulos nos últimos 12 disputados) e que, ao contrário do passado recente, deu ao Renato, ao Guedes e ao Horta as oportunidades que o Bernardo Silva não teve."

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Telma de bronze - um belo exemplo

"Dezasseis anos depois do jugo português ter conseguido, com Nuno Delgado, a sua primeira medalha olímpica, nova medalha de bronze, agora para Telma Monteiro, nos seus quartos Jogos Olímpicos.
Não assisti à estreia de Telma, em Atenas, mas vi-a, depois em Pequim e em Londres e sei como a judoca portuguesa perseguia uma medalha olímpica, depois de já ter conquistado os mais diversos títulos mundiais e europeus. Doze anos depois da sua estreia, a consagração no Rio.
Telma merece-a. Pela persistência e pelo exemplo de lutadora. É uma atleta de excelência, ambiciosa, firme. Teve condições especiais de preparação, depois de ter sido sujeita, apenas há seis meses, a uma intervenção cirúrgica. Em muito pouco tempo teve de recuperar a forma e a condição física necessárias para defrontar as melhores do mundo, naquele que é o torneio mais importante, o torneio olímpico. Este terceiro lugar é, pois, uma proeza assinalável. Tanto mais que se trata de uma modalidade de primeira grandeza no universo olímpico, a par com o atletismo, a ginástica e a natação.
Haverá sempre quem diga que  nos Jogos Olímpicos todas as modalidades são iguais e todas as medalhas são igualmente importantes. Não é bem verdade. Claro que todas as medalhas, sobretudo para um pequeno e pobre país como Portugal, são de fulcral importância, como resultado desportivo e como motivação de uma cultura desportiva mais aberta. Porém, quem conhece a realidade dos Jogos sabe que nem todas as modalidades são de primeira grandeza. O judo é uma das maiores. Uma medalha no judo te, de facto, um valor universal."

Vítor Serpa, in A Bola

Estandarte de valores

"São os seus sétimos Jogos Olímpicos. Nenhum outro português lá competiu mais de cinco vezes. Em prancha à vela foi uma vez campeão do Mundo e duas vice-campeão, cinco vezes campeão da Europa e uma vice-campeão, para além de uma medalha de bronze num mundial e outra num europeu. João Rodrigues tem palmarés raro a nível nacional e internacional. Só isso justificaria ser Porta-Estandarte de Portugal nos Jogos do Rio, os últimos em que diz participar como atleta.
Mas Rodrigues é muito mais! É modelo do que julgo ser o Espírito Olímpico. Tem superior sentido ético que o fez descer lugares em competições. Profundamente empenhado no alto rendimento, tem vida para além do desporto. É engenheiro pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, cujo curso terminou no ano em que foi campeão mundial e participou nos seus segundos Jogos, em Atlanta, onde alcançou classificação de diploma. É um homem culto que observa criticamente o mundo, lê, reflecte e escreve. Publicou dois livros onde descreve e elabora a experiência de vida que retira do desporto, e tive a honra de o ter como co-autor num capítulo de livro científico sobre psicologia do desporto publicado nos EUA. Com hábitos de vida simples, tem por ventura no windsurf a maior luxo onde investe os proveitos na optimização das condições que lhe permitem superar-se. Para ele o desporto é uma forma de evoluir como pessoa, mas também de contribuir para uma sociedade melhor.
João Rodrigues sabe que, aos 44 anos, num desporto fisicamente exigente como o seu, está longe da forma que lhe deu títulos de relevância internacional. Preferiu adequar formas de treino e expectativas de resultados para viver mais uma experiência olímpica e poder representar Portugal no Rio. Preocupa-se em ser modelo. Não apenas de campeão, mas de cidadão pleno que vive realmente os valores olímpicos. Porque não é o desporto que ensina as virtudes, mas sim os que o praticam com elevação e sentido universal. Não haveria melhor escolha para Porta-Estandarte!"

Sidónio Serpa, in A Bola

Inferno ou paraíso

"1. Um estudo do Sindicato Mundial de Futebolistas Profissionais (FIFPro) concluiu que os jogadores estão, no mínimo, três vezes mais expostos à depressão do que a média da população. Entre os inúmeros factores de risco que contribuem para esse estado psicopatológico estão no topo da lista: os litígios surdos com o treinador, fruto de um sentimento de frustração e revolta pela exclusão da equipa titular ou escassa utilização; a incompetência do staff médico e/ou as deficientes estruturas de reabilitação, que prolongam a inactividade competitiva e os impelem depois a não meter o pé, como se diz na gíria; o descontentamento provocado pela desigualdade salarial, por vezes chocante; a pressão interna e mediática a que permanentemente são submetidos; o intenso desgaste físico sem pausas para recuperação...
Em suma, um inferno de vida que os ordenados milionários, os carros de luxo e as beldades que os rodeiam não compensam. Discorde-se ou não, esta foi a conclusão.

2. Segundo a Lei de Murphy (piloto-aviador da Força Aérea dos EUA), «quando uma coisa pode correr mal, isso acontecerá sempre no pior momento possível». Desmontemos agora o puzzle, após um jejum sem fim, a equipa do FC Porto atravessa a fase mais negra dos últimos 40 anos, enquanto a clube vive numa penúria deprimente face a um passado recente. Decisões equívocas, negócios desastrosos e gestão ruinosa levaram a este descalabro, cuja consequência mais imediata é a queda a pique da cotação do plantel. Com este pano de fundo, esperava-se que o sorteio do play-off para o acesso à Champions lhe reservasse um adversário acessível e não o osso mais difícil de roer com o qual dificilmente não ficará engasgado: os italianos da AS Roma. Se querem um exemplo perfeito da Lei de Murphy, ele aqui está."

Manuel Martins de Sá, in A Bola