Últimas indefectivações

sábado, 26 de outubro de 2013

Bom augúrio

O. Barcelos 0 - 3 Benfica

Excelente início de Campeonato, com uma vitória fora, num recinto sempre difícil, contra uma equipa que este ano parece-me mais forte, em relação às últimas épocas. O facto do Ricardo Silva, o nosso ex-guarda-redes ter sido o melhor em campo do Barcelos, não me surpreende em nada... o contrário é que seria de estranhar!!!
Creio que a nota de maior destaque tem que ser os 0 golos sofridos !!! Algo raro, nas últimas épocas!!! O Trabal esteve muito bem, como era de esperar, mas deu para notar uma forma diferente de defender da equipa do Benfica. Às vezes, até me pareceu, que o Benfica estava demasiado passivo a pressionar, mas com as novas regras do limite de faltas, é importante não dar demasiados LD's aos adversários!!! E como os apitadores foram Pinto & Pinto, o excesso de agressividade do Benfica seria logo penalizado!!!
A nota negativa, tem que ser mais uma vez, os 3 LD's falhados pelo Benfica!!! O primeiro pelo Miguel Rocha, e 2 pelo João Rodrigues...

É verdade que a tal dupla Pinto & Pinto, acabou por não ter influência no resultado - hoje -, o jogo acabou com 14-15 em faltas, até parece que houve equilibro nos apitos, mas isso não passa de uma ilusão... além de alguns cartões azuis perdoados a jogadores do Barcelos, hoje, tal como em jogos anteriores, houve inúmeras faltas não assinaladas a favor do Benfica, principalmente em situações de 'tabela': o Benfica faz muito bem o 2x1, um jogador passa a bola a um companheiro, e desmarca-se imediatamente, recebendo a bola mais à frente... qual a maneira mais fácil de travar estas jogadas?! Bloqueando ou agarrando o jogador que faz o 1.º passe!!! Isto acontece inúmeras vezes nos jogos do Hóquei do Benfica, já o ano passado era assim, e pela amostra, vai continuar a acontecer... Esta é a forma como, principalmente nos jogos fora, o Benfica tem sido travado (Valongo por exemplo...), depois arranja-se os álibis dos ambientes difíceis, da atitude, etc., etc,... A qualidade da patinagem dos jogadores no Hóquei é essencial - como é óbvio -, se os jogadores são impedidos de se desmarcarem, não é fácil marcar golos... Hoje, a diferença de valor entre as equipas foi suficientemente grande, para não existir surpresas, mas...

Vitória com rotação baixa !!!

Benfica 3 - 1 Esmoriz
25-19, 24-26, 25-19, 25-17

Perder um Set, com o Esmoriz, na Luz, não é bom indicador, mas o mais importante acaba por ser os 3 pontos.
Mais uma vez, a equipa melhorou bastante com a opção de recurso: meter o Gaspar na Zona 4, e o Ché a Oposto. Cada vez acredito mais, que esta devia ser a 1.ª opção, mesmo com todos os jogadores disponíveis.

PS1: Bonita data Professor... 30 anos de camisola vestida, é uma bonita idade.

PS2: Os caloteiros voltaram a perder, por este caminho ainda descem de Divisão!!!

Suicídio nos últimos minutos !!!

Braga 6 - 3 Benfica

Não vi o jogo, para ser sincero, esqueci-me!!! Estava com os amigos que queriam ver o Barça-Madrid, e quando me lembrei do Futsal, já estávamos no último minuto!!!
Mas para não cair na critica fácil, tentei recolher as informações mais básicas sobre o que se passou. Já se sabia que este seria um jogo uito difícil, já o ano passado perdemos este jogo. Para complicar as coisas, ficámos sem os nossos dois 'criativos', tanto o Serginho como o Hemni foram convocados para as suas Selecções, e o Benfica que lhes paga os ordenados, ficou sem eles para este jogo!!! Juntando a isto, temos o Gonçalo ainda sem ritmo depois de uma longuíssima paragem, e o Ricardo Fernandes regressou hoje após quase 1 mês de fora. Se estes contratempos são inevitáveis, não compreendi a ida para o banco do Marcão e a titularidade do Bebé (que teve infeliz...), se foi por limitação física, nem sequer deveria ter ido para o banco...!!!

O jogo parece que foi equilibrado, e bem disputado por ambas as equipas, a 6 minutos do fim, com o resultado em 2-2, o Benfica sofre um golo em contra-ataque, logo de seguida tentámos atacar em 5x4, e foi o descalabro!!! Este ano já melhorámos a defender as situações de 5x4, mas a atacar continuamos uma miséria!!! A perder por 6-2, o Brandi mesmo no final ainda marcou um golo do outro mundo, mas já veio tarde...

Todos nós sabemos que este Campeonato será decidido no Play-off, todos nós sabemos que esta equipa necessita de tempo para ganhar 'automatismos', mas depois de um início muito bom, nos últimos jogos tem havido algumas desconcentrações evitáveis... este jogo, a primeira derrota oficial da época, sem o Serginho, e o Hemni pode não servir de indicador, mas é importante todos se mentalizarem que o caminho tem que ser para cima, sempre a evoluir, andar para trás é para os caranguejos, não é para as Águias!!! 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

10 anos



Cresci na antiga Catedral, não tenho nada contra o novo local de peregrinação - bem pelo contrário -, mas a primeira 'casa' tem sempre mais encanto...!!!
A vida da nova Catedral não tem sido fácil, o sofrimento hoje é maior, as vitórias acontecem com menor regularidade, a militância treme, o contexto social não ajuda, o comodismo das televisões é assustador...
Mas o Benfiquismo é imortal, e tenho a convicção absoluta que nos próximos 10 anos, vamos ter ainda mais motivos de alegria na nossa Catedral !!!

Sem medo de jogar bem

"Num jogo de muita chuva, foram vários os intervenientes a meter água. Naquele campo era impossível jogar bem, podia ser pedido muita alma, luta e entrega e isso houve por parte dos jogadores. Nos primeiros cinco minutos falhámos três golos, por outro lado, os gregos na primeira oportunidade não desperdiçaram.
Meteu água o árbitro que nos prejudicou várias vezes para nos oferecer um canto para golo, meteu água o Roberto mas meteu golo o Cardozo para evitar uma banhada. Isto dito, temos de exigir mais dos nossos.
Sabemos que podemos jogar melhor, marcar mais golos, e não permitir aos sucessivos adversários tantas oportunidades.
Não farei como a avestruz, em onze jogos oficiais não ganhámos cinco, e isso é preocupante porque sentimos que temos condições para voar mais alto. Jorge Jesus deu-nos algum do melhor futebol dos últimos anos, o plantel tem soluções de qualidade, venham agora as exibições e as vitórias.
Estamos mais perto de ganhar quando se joga bem e por isso clamo pelas boas exibições. Não se pode acabar um jogo com o Cinfães com medo de não ganhar.
Acredito que podemos conseguir na Grécia um bom resultado, mas acredito ainda mais que podemos iniciar no Campeonato e Taça uma série de vitórias rumo aos principais objectivos. Há talento, há vontade e há obrigação.
Já domingo contra o Nacional uma vitória é obrigatória, um exibição convincente era muito recomendável. Mais do que ganhar por muitos, era importante o Benfica ganhar e jogar muito bem.
O sorteio da taça dá um hiper interessante Benfica-Sporting. Quem, como o Benfica, quer chegar e vencer no Jamor, não se pode queixar de nada. Primeiro o Cinfães, depois o Sporting, e assim sucessivamente como as bolinhas quiserem."

Sílvio Cervan, in A Bola

Voar à chuva

"O tal jogo que Jorge Jesus considerou "importante mas não decisivo" terminou empatado. Em Atenas, logo se verá quem lucrou com a maior importância e a menor decisão, no conceito do treinador. Por ora, fica a ideia consensual nas fileiras do Benfica : a igualdade frente ao Olympiacos é um bom resultado. Mas, reconhecem os próprios, mais pela forma como as coisas decorreram do que por outra razão. No entanto, a questão que verdadeiramente deve colocar-se prende-se com um princípio : não era suposto, na Luz, serem os gregos a tentarem não perder o desafio em vez do inverso?
Diga-se desde já que, numa visão global, o resultado está certo. O Olympiacos venceu a primeira parte porque tacticamente foi melhor, o Benfica ganhou a segunda porque soube ser suficientemente combativo, num terreno com mais água que relva. Quanto às consequências que daqui derivam, já lá iremos. Primeiro, as duas componentes da partida.
Embora não entenda muito bem o que Jesus quis dizer com o "ADN ofensivo" mostrado pelos encarnados na primeira metade, fica o registo de uma entrada prometedora. Em cinco minutos, Cardozo já tinha obrigado Roberto a uma defesa difícil e Luisão cabeceado ao lado, num lance na pequena área. Simplesmente, a promessa ficou-se por aqui. Mitroglou respondeu de imediato com três (!) jogadas em que o golo rondou a baliza de Artur, o que deveria ter constituído um sinal sério para o Benfica.
A explicação residia no meio campo, porque a zona central das águias começou a ser "engolida" por um número superior de elementos gregos, deixando Matic e Enzo contra três e, ás vezes, quatro. O papel de Dominguez foi vital ao "barrar" o sérvio, notando-se ainda que os homens da casa se baralhavam com as diagonais de Weiss e, principalmente, de Fuster. Quem aproveitava - e bem - era Mitroglou. Convenhamos, o lance do golo grego até pareceu uma inevitabilidade.
Além do mais, Ola John e Gaitan (este numa noite definitivamente não) são pouco de defender, levantando outra vez a dúvida sobre se o argentino não será mais útil ao meio (o que até poderia levar a outro tipo de aproveitamento para Lima). Mais : só lá muito tarde - quase no final - é que Rúben Amorim e Rodrigo entraram. Enfim , Michel ganhou a Jesus num período do desafio em que, esperava-se, os encarnados conquistassem embalagem suficiente para controlar o resto da partida.
Acontece que "o resto" foi altamente problemático. Jesus lançou Ivan Cavaleiro na segunda metade, mas a chuva torrencial que marcou a meia hora seguinte não se compadeceu com quaisquer boas intenções do treinador encarnado. O jogo tornou-se uma autêntica bizarria (repare-se que houve dois momentos, um para cada lado, que seriam sempre golo, caso a bola não ficasse parada numa poça), com tudo dependente de lances de bola parada ou de algum erro individual, porque a tal "construção de jogo" passou a ser uma ficção. Dito e feito : Roberto falha num lance aéreo (o que nele nem é surpresa) e Cardozo não perdoa. 
Fica, contudo, o facto da equipa da Luz ter-se batido até aos limites para evitar uma derrota que, garantidamente, colocaria o Benfica numa situação de saída muito limitada.
Isto não significa que o cenário seja animador. Já sabíamos que Benfica e Olympiacos estavam a lutar pela única vaga disponível, porque a outra já era do PSG (parênteses : fiquei arrepiado com o "poker" de Ibrahimovic em Bruxelas, atenção Paulo Bento). Com este empate, Atenas vai tornar-se num inferno ainda maior do que sempre é. Os gregos sabem que um triunfo em casa lhes estende a passadeira, é só não estragarem na recepção ao Anderlecht. Portanto, calculo, desta vez Jesus vai mesmo assumir que o próximo encontro não se limita a ser importante. Se não é decisivo, é o quê?"

A lição

"Gosto muito da Taça de Portugal, quando é jogada mano-a-mano, os grandes contra os pequenos, com os futebolistas dos pequenos a terem a humildade que, por vezes, os fazem, durante 90 minutos, serem gigantes; e os futebolistas dos gigantes, por vezes, durante 90 minutos, a sofrerem de um nanismo pouco compatível com o estatuto, o ordenado e os privilégios com que se pavoneiam.
Como adepto ferrenho do Benfica (o maior dos Gigantes), espero sempre que os nossos futebolistas saibam que só serão gigantes se souberem, sempre, partir para o jogo com a humildade de um David. Recordo o primeiro jogo que vi, ao vivo, para a Taça de Portugal: foi em Castelo Branco, no “mítico” pelado do Vale do Romeiro, no dia 04 de Janeiro de 1981. O Benfica de Castelo Branco recebia o Benfica. Lajos Baroti apresentou praticamente todos os titulares (trocou o Bento pelo Botelho) e lá se apresentaram gigantes como Chalana, Humberto, Alhinho, Bastos Lopes, Carlos Manuel, João Alves, Néné, Shéu… Enfim, uma constelação que teve como oponente um Benfica de Castelo Branco que tinha em Balacó (que faria carreira na primeira divisão, no Espinho e no Portimonense) a grande figura.
O Benfica ganhou, naturalmente, com três golos (um de Reinaldo, um de Carlos Manuel e outro do inevitável Néné). Eu, do alto dos meus dez anos, saí do campo maravilhado por ter visto, ao vivo, os meus heróis, naquele simples e honrado pelado. O meu único lamento era não ter visto em campo o maior dos meus ídolos, o Bento.
Não entendia o chorrilho de críticas com que os mais velhos se despediam de uma equipa que acabara de ganhar 3-0. Diziam esses mais velhos que ao Benfica se exigia muito mais do que um mero jogo para entreter; outros acusavam os jogadores de terem lá ido brincar… e eu, puto em aprendizagem, apenas me queixava de não ter visto o Bento. Aprendi, nesse dia, a lição de que os profissionais do Benfica não se podiam satisfazer com essa coisa parca e diminutiva de “fazer os mínimos contra adversários que dão o máximo”. Nesse dia, Baroti não se vangloriou de nada, não se gabou de nada e certamente percebeu que, apesar da vitória, se exigia muito mais do que o que a sua equipa mostrara.
Há lições que nunca se esquecem."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vitória na Maia

ISMAI 28 - 36 Benfica

Vitória esperada, com demasiados golos sofridos... estes jogos após as partidas Europeias, principalmente fora - ambos -, são sempre propensos a desconcentrações, felizmente isso hoje não aconteceu. A destacar a melhoria ofensiva do Carneiro nos últimos jogos (após a novela Capitão!!!), os poucos golos do Costa hoje, e os 7 golos do Pedroso, só é pena nos jogos grandes não fazer a mesma coisa...!!!

A equipa está num bom momento, e só jogando o nosso melhor podemos ter esperança em vencer os Húngaros que nos calharam em sorte na Taça EHF...

Será que no Benfica se aperceberam?

"Os campeões fazem-se com resultados e quem disser que prefere uma derrota jogando bem a uma vitória jogando mal ou é hipócrita ou é um tonto rematado. Mas a psicologia do adepto tem outra vertente que transcende vitórias e derrotas e que é a da identificação com a equipa. Nesse aspecto o jogo de ontem foi muitíssimo curioso. Os benfiquistas não andam satisfeitos com a vida, a amargura do final da época passada não foi ultrapassada e na presente temporada não houve exibições que fizessem esquecer o Dragão, Amesterdão e o Jamor. Neste contexto difícil, com o Benfica em desvantagem e a jogar mal (primeira parte pobrezinha...), a verdade é que o Terceiro Anel percebeu a vontade dos jogadores e identificou-se com ela, vestiu a camisola e apoiou a equipa como ainda não o tinha feito em 2013/14. Quer isto dizer que há outras dimensões para além do ganhar e do perder, do jogar bem e do jogar mal. Não sei se os jogadores, técnicos e restantes responsáveis do Benfica se aperceberam do que aconteceu ontem: quando podiam ter voltado as costas, a equipa pediu e os adeptos deram-lhe a mão..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: A pergunta do Delgado está mal feita!!! Tenho a certeza que os jogadores, os técnicos, e os dirigentes ouviram bem o apoio vindo da bancada, no meio do dilúvio... O curioso é que aparentemente mais ninguém se apercebeu (além do Delgado)!!! Não convém passar esta mensagem...!!!
Aposto que com outras equipas, em situação idêntica - a perder, e com muitas e variadas adversidades... -, no dia seguinte, as primeiras páginas, ficariam cheias de elogios à militância dos adeptos presentes... mas seria quase contra-natura publicar uma notícia com uma nota positiva sobre o Benfica. O Benfica é o Clube que vende mais jornais, e atrai mais audiências, mas só com notícias negativas, é uma daquelas tradições que é difícil quebrar!!!

Calha a todos

"Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jesus, vendo na Champions um ou dois jogadores do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

JORGE JESUS,  no fim do jogo em Cinfães para a Taça de Portugal, empurrou um jogador do Benfica! Vieram-me aborrecer com esta história - mais uma do género - alguns amigos de clubes rivais.
É verdade que empurrou. Não consegui descortinar quem foi o empurrado desta vez embora, pelas imagens, se perceba a intenção do treinador, aparentemente inocente ainda que à má-fila.
Com uma exibição sofrível, uma equipa maioritariamente composto por reservistas e jovens da equipa B conseguiu vencer o Cinfães por 1-0 e Jorge Jesus, terminado o desafio, mandou o pessoal todo agradecer  apoio prestado pela bancada pejada de benfiquistas.
Nada de anormal, até aqui. O empurrão ao dito jogador do Benfica também não foi assim tão grande anormalidade, para quem conhece as maneiras pouco diplomáticas do nosso treinador.
É apenas caso para se dizer que, fiel a si próprio, Jorge Jesus lá deu mais um encosto num dos seus pupilos. Até hoje, o empurrado não se queixou.
O árbitro do jogo foi Rui Costa, da Associação de Futebol do Porto. E este, sim, esteve muito infiel a si próprio, ao contrário do treinador do Benfica.
E porquê?
Porque o mesmo Rui Costa que validou o golo de Jackson Martínez que permitiu ao FC Porto trazer 3 pontos da viagem a Paços de Ferreira, invalidou o golo com que Steven Vitória teria aberto o marcador em Cinfães. A decisão de Cinfães seria sempre difícil de aceitar porque, na verdade, o jogador do Benfica fez um salto limpo e cabeceou com maior limpeza ainda para a baliza cinfanense.
Mas ainda mais difícil se torna de aceitar a invalidação do golo de Steven Vitória quando se recorda o golo de Jackson Martínez ao Paços de Ferreira. O colombiano empurrou descaradamente um adversário pelas costas, atirou-o ao chão e nem teve de saltar para, de cabeça, mandar com a bola para dentro da baliza pacense.
Na verdade, esteve das duas vezes mal o árbitro do Porto. Portanto, talvez seja incorrecto dizer que não foi fiel a si próprio.
Lá que foi fiel, foi. Há empurrados e empurrados, essa é que é essa.

GOSTO do Simeone e não gosto do Spaletti. Na verdade, não gosto nem desgosto de nenhum porque não os conheço. Referia-me, como compreendem, ao jogo-jogado das suas respectivas equipas. Gosto do jogo do Atlético de Madrid e no que diz respeito ao do Zenit, por muito que tente, já não posso dizer a mesma coisa. Não gosto, nunca gostei.
Na noite de terça-feira no Porto, o Zenit, que é da Rússia, parecia uma equipa italiana das mais rasteiras a defender o precioso empate - sim, porque o empate também era precioso -, contra um adversário com menos um jogador em campo durante, praticamente, 90 minutos do jogo. O sul-americano Herrera foi expulso aos 6 minutos mas como o árbitro deu 6 minutos de tempo de compensação, fica ela por ela.
Spaletti sabia, como todos nós, que, perante a campanha avassaladora do Atlético de Madrid no mesmo grupo, o empate era um excelente resultado para o Zenit. Empatando anteontem no Dragão, a 6 de Novembro os russos disporiam da oportunidade de, em São Petersburgo, trocar de posição com os campeões portugueses, caso lhes ganhassem. Encantadora perspectiva para quem ao cabo das suas primeiras jornadas só levava um solitário pontinho.
E foi esse o jogo que o Zenit fez na terça-feira. Imagine-se, se possível, a carrada de nervos com que os adeptos do Zenit ficaram a ver a sua equipa a jogar descaradamente para o 0-0 perante um adversário em inferioridade numérica. Spaletti só pode ter ficado com as orelhas a arder.
Mas, pronto, acabou por ter sorte e ganhou o jogo ao Porto à beira do fim, tal como Simeone tinha feito no mesmo palco e à beira do fim com o seu Atlético de Madrid, ainda que com grande brilho.
Somada a segunda derrota em casa, fica o FC Porto, apesar de ter jogado muito bem, atrás do Zenit na tabela do grupo e vê-se obrigado a ir ganhar a São Petersburgo, isto se não contar com as ajudas dos madrilenos e dos declaradamente inaptos do Áustria de Viena.
«Para cá vão dando...», lembram-se? Foi uma frase, chocante, pois claro, com que Jorge Jesus, na temporada passada, definiu a utilidade de alguns jogadores do plantel do Benfica. Mas Jorge Jesus, impiedoso, tinha razão.
Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jorge Jesus vendo em acção, num jogo da Liga dos Campeões, um ou dois jogadores do actual plantel do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

CALHOU-NOS a Suécia. Preferia a França, por uma questão estatística. Já foram tantas as vezes que os franceses nos deram cabo da vida em Europeus e em Mundiais que, para fazer funcionar a estatística, estava na altura de os surpreendermos com uma vingança ao nosso melhor estilo. Isto é, com um final feliz para as nossas cores contra todas as apostas, incluindo as nossas.
Com a Suécia, passa-se exactamente o contrário. Em confrontos directos, temos sido nós, os portugueses, os sistematicamente felizes no historial com os suecos. E rezam as estatísticas que, por essa mesma razão, está na altura de acontecer o inverso, o que não dava jeito nenhum.
No final de Maio, parti para a final da Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães exactamente neste estado de espírito estatístico. Precisamente por ter lido num jornal na manhã do jogo que o Vitória de Guimarães nunca tinha conquistado o troféu e que, por meia dúzia de vezes, tinha sido o finalista vencido da Taça de Portugal.
Está na altura, pensei eu. E estava mesmo.
Conclusão: todos os cuidados são poucos nos dois jogos com os suecos.
Nos seus últimos com compromissos a Selecção Nacional não esteve nada bem. Não é, propriamente, num ambiente de euforia que a equipa de Paulo Bento vai partir para este tudo ou nada. Convém que seja assim e não é por causa da maldita estatística. É por uma questão intrinsecamente nossa, mais do tipo fadista.
Explico-me melhor. Os rapazes precisam de ser espicaçados no brio ou nada feito. Em termos de brio foi zero a nossa Selecção nestes últimos jogos do torneio de qualificação para o Mundial.
O único remédio para a questão sueca é desatarmos todos a dizer mal da Selecção. Muito mal mesmo. Do treinador, dos jogadores, dos dirigentes, enfim, de todos. A ver se acordam. Eu acredito que vai ser assim que vamos eliminar a Suécia. E que estaremos presentes no Mundial do Brasil. «Contra tudo e contra todos», como dirá Paulo Bento no momento oportuno.

1-1 com o Olympiakos e muitos assobios no fim do jogo para a equipa do Benfica que, ontem, só começou a correr quando Cardozo, sempre ele, aproveitou uma má saída de Roberto, sempre ele, para empatar. Resumindo, foi um jogo sem qualquer espécie de novidade. O paraguaio marcou um golo e o espanhol ofereceu outro golo. Onde é que já vimos isto? Cardozo viria à flash interview dizer que o resultado foi positivo atendendo às circunstâncias. Concordo inteiramente. Com o empate de ontem o Benfica pode ter ficado mais longe da Liga dos Campeões mas ficou mais perto da Liga Europa, prova para a qual, atendendo às circunstâncias, estamos mais calhados. E sem drama."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: Hoje discordo da Leonor em alguns pontos:
- A estatística de Portugal com a Suécia, é extremamente negativa para Portugal, é uma ilusão pensar que quando jogamos com os altos, louros e toscos vencemos facilmente!!!
- Ontem, o Benfica não começou a correr com o golo do Cardozo... foi evidente que durante toda a 2.ª parte, a equipa, com pouca cabeça é verdade, deu tudo o que tinha... Aliás, acho mesmo que após o golo do Cardozo, não voltámos a criar tanto perigo... mais por falta de frieza, do que de vontade.
- Houve assobios no fim, é verdade... mas a nota de maior destaque, foi o apoio incondicional principalmente durante a 2.ª parte, de todo o público Benfiquista presente.
- A Leonor também não evitou, infelizmente, uma graça, com o Roberto. Este post do Antitripa, explica bem o como, e o porquê, da existência destas campanhas...

Oxímoros

"Um oxímoro é uma figura de estilo literário que junta duas palavras ou expressões que, em termos lógicos, se contradizem ou excluem, formando um paradoxo. Camões usou muito esta forma, sendo que o seu mais conhecido oxímoro é o contentamento descontente. Na linguagem corrente há outros exemplos interessantes. Como um ilustre desconhecido, um silêncio ensurdecedor, uma obscura claridade, uma lúcida loucura. Ou, ainda, um eterno instante, tal qual o golo de Kelvin ao minuto 92 que para uns, é eterna alegria e para outros, eterno desgosto.
Gosto desta figura literária que junta opostos para exprimir a turbulência dos paradoxos da vida. Como disse Agostinho da Silva, «não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total».
Pus-me a pensar em oximoros (ou quase oxímoros) que se possam aplicar ao futebol. E logo me lembrei do primeiro e mais provocativo jogo de duas palavras que têm dificuldade em coexistência neste meio: ética futebolística.
Há outras expressões paradoxais muito curiosas no jargão futebolístico. É o caso dos golos de bola parada, hoje tão ou mais decisivos dos que os de bola corrida. Ou a táctica de que, afinal, a melhor defesa é o ataque. Ou que aquele jogador ataca de costas para a baliza. Por vezes, ouço também dizer que se joga futebol aéreo quando não há espaço (o que dirão os pilotos de aviação?). Ou que o guarda-redes não sabe jogar fora dos postes. Ás vezes há um aparente oxímoro horário quando, à noite, se diz que foi a defesa da tarde! Finalmente, um que agora está muito na moda: descansar com a bola..."

Bagão Félix, in A Bola

Produção salivar

"Josué foi suspenso um jogo por uma alegada cuspidela num adversário. Um castigo (em função da volumetria salivar?), tal qual o que resulta de um 2.º cartão amarelo por se festejar um golo sem camisola. Josué - recorde-se - tem dois clubes, o Porto e o anti-Benfica, e duas certezas na carreira: a primeira é a de que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é de que nunca jogaria no Benfica, «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica».
Brilhante foi a coincidência de ter sido pela primeira vez titular na Selecção Nacional na semana do castigo! O que evidencia a plenitude ética do nosso futebol. E quem sabe a diferença epistemológica entre cuspidela e salivação.
Tudo se explica por uma razão mais ou menos científica: é que 99,42% da saliva é água, pura e cristalina. O resto do fluido é formado por proteínas e sais minerais, certamente saudáveis. Além disso, a produção diária varia entre 1 e 1,5 litros pelo que há necessidade de, por vezes, a escoar mais depressa.
Também é sabido que as glândulas salivares recebem ordem do cérebro, o que para alguns faz crescer a água na boca em certas situações. Neste caso, só gostaria de saber se o cérebro actuou por excesso de zelo portista ou antibenfiquista. Como diz a adivinha: sem ser comida ou bebida, entro na digestão, sem ser dada nem pedida, cumpro a minha obrigação. E como bem diz o adágio sul-americano é tudo uma questão de tempo: el que escupe para arriba, le cae la saliva en la cara.
Afinal em que ficamos: é o futebol um jogo impróprio para cardíacos ou será mais próprio para jogadores salivosos e escolhas salivantes?"

Bagão Félix, in A Bola

No comments...


Acham que lá no fundo há mais a dizer?!?

Água azeda...!!!

Benfica 1 - 1 Olympiakos

Jogo complicado de analisar: o empate antes do jogo começar, era sempre um cenário negativo... as incidências do jogo - primeira parte frouxa, com um golo oferecido pelo Matic, e terreno quase impraticável na 2.ª parte... -, acabaram por alterar a perspectiva...
Mas penso que a segunda parte - mais 'pólo-aquático' do que futebol, principalmente no meio-campo para onde o Benfica atacava... -, feita com muito coração, merecia a remontada... que só não aconteceu porque o Mallenco (árbitro da partida), foi somente o melhor defesa dos Gregos!!! A quantidade de bolas que salvou da boca do golo, fazem com que mereça o título de MVP da partida!!! É verdade que a partir do minuto 75 (altura em que pediu calma ao banco do Benfica!!!), até ao golo do Benfica (83min), resolveu apitar a 'favor' do Benfica em alguns lances de dúvida, mas nos restantes 82 minutos...
Até posso admitir que todas as faltas ofensivas marcadas ao Benfica eram mesmo falta, mas então quando os defesas do Olympiakos fizeram a mesma coisa, ou pior, também tinha que marcar as faltas, dentro ou fora da área, e não o fez...!!!

Tacticamente a eterna questão dos dois avançados, e respectiva inferioridade numérica no meio-campo, será mais uma vez recordada... a verdade é que o Benfica não tem rotinas de 3 centro-campistas, e quando tentamos, o nosso ponta-de-lança fica muito sozinho na área... e na Luz, precisamos de presença na área. Mas após estes jogos fica sempre a impressão que com mais um jogador no meio-campo a história do jogo (neste caso da 1.ª parte) seria outra... Daqui a 15 dias em Atenas, provavelmente vamos jogos com 3 jogadores do meio-campo, vamos ver como será!!!
Quando os jogos correm mal, seja lá porque razão, inclusive pelo encaixe táctico ser desfavorável ao Benfica, os adeptos automaticamente acusam os jogadores de falta de atitude. Este jogo é o perfeito exemplo, de como isso é falso. É verdade que os Gregos tiveram a bola demasiado tempo na 1.ª parte, e nós demorávamos a recuperar, mas isso deu-se essencialmente devido ao nosso posicionamento táctico, e grande parte dessa posse de bola, foi em zonas recuadas sem perigo... sendo que as jogadas de perigo do Olympiakos na 1.ª parte, foram quase sempre perdas de bola infantis (erros individuais) dos nossos jogadores, com especial relevância para o Matic.
Além da inferioridade no centro do terreno, o Benfica continua a demonstrar intranquilidade, falta de confiança, e o Matic a 8 ou 6 está a léguas do que jogou o ano passado, desequilibrando a equipa. Sendo que a ausência de um desequilibrador - Salvio - ofensivo pelas faixas mantém-se... Hoje, ainda por cima ficámos em desvantagem, contra uma equipa que está construída para o contra-ataque, não foi por acaso que venceram em Bruxelas por 0-3, e apesar dos 3 golos do Mitroglou, o melhor em campo nesse jogo foi o Roberto!!!

A desvalorização que foi feita a esta equipa do Olympiakos, desde do sorteio é vergonhosa: para qualquer pessoa minimamente atenta sabe que esta equipa é forte: internamente, na Grécia, são equivalentes aos Corruptos Tugas... frutando tudo e todos (as parecenças são tantas que aqui no Olympiakos, qualquer treinador que chega, tem sucesso. É garantido... até o extremamente mal-educado Michel, que como treinador não tem metade da classe que tinha como jogador!!!), o que lhes tem dado a oportunidade de montar um plantel fortíssimo, com muitas opções... e com o domínio interno consolidado - e seguro -, vão apostando cada vez com mais força na Europa. Todos sabíamos que a qualificação para os Oitavos iria ser decidida entre o Benfica e Olympiakos, na minha antevisão só errei ao pensar que o Anderlecht estaria mais perto...!!!

Esta noite, empurrados pelos adeptos que resolveram aparecer, o Benfica em condições muito adversas - resultado e terreno -, 'salvou' 1 ponto que soube a pouco... matematicamente está tudo em aberto, mas todos nós sabemos que não será fácil pontuar em Atenas, até porque nós não teremos nenhum Mallenco para nos ajudar!!! Bem pelo contrário...

Já me ia esquecendo... o Cardozo marcou. Mais uma vez. Neste momento na Liga dos Campeões (incluindo TCCE) só o King, o Zé Augusto, o Torres, o Águas, e o Nené têm mais golos!!!

Sorte? Calha a todos !!!

Santa Clara 0 - 2 Benfica

Como não vi o jogo, e dando como verdade as palavras daqueles que o viram, incluindo o nosso treinador, vencemos com sorte, ao Benfica de São Miguel... com um grande golo do Rúben Pinto!!!
O Futebol é muitas vezes injusto, como não somos menos que os outros, de vez enquanto, também merecemos uma ajuda divina, desde que não seja frutada, não me importo...!!!
Aqui está um resumo.

3.ª jornada - UEFA Youth League

Benfica 0 - 0 Olympiakos

Primeiros pontos perdidos nesta competição, num jogo onde dominámos praticamente todo o jogo, com algumas oportunidades perdidas verdadeiramente escandalosas... os Gregos, no final da 1.ª parte, mais por culpa nossa, subiram um pouco no terreno, ainda safámos uma bola em cima da nossa linha de golo, mas com um aproveitamento normal, teríamos vencido largamente... a chuva também não ajudou. Apesar de mau jogado em alguns momentos, houve entrega e raça de ambas equipas.
Compreendo que o João Gomes, após a lesão, não tem mostrado a mesma destreza, que anteriormente demonstrava, mas mesmo sem estar na sua melhor forma, creio ser preferível jogar com um ponta-de-lança feito, na posição 9, do que jogar com um extremo adaptado... que tecnicamente até pode ser bom, mas a arte de encostar a bola para dentro da baliza, só escolhe alguns!!!
Continuamos na liderança, e com boas perspectivas para atingirmos a qualificação.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A nossa Champions

 "Depois de uma eliminatória da Taça de Portugal diante do Cinfães, que se prevê tão tranquila quanto festiva, regressa, já na próxima semana, a sumptuosa Champions League, com todo o seu encanto, e grau de dificuldade máximo.
Com um vitória em casa, e uma derrota fora, pode dizer-se que o Benfica está perfeitamente dentro dos carris do apuramento, sendo provável que os próximos dois jogos, diante do Olympiakos, venham a determinar quem acompanha o PSG rumo à Fase seguinte da competição. Ou seja, uma vitória na Luz frente aos gregos afigura-se fundamental nesta corrida, pois qualquer outro resultado, mesmo não nos eliminando sumariamente, deixará contas demasiado complicadas por fazer.
Muito se tem discutido a hipótese de o nosso Clube apostar mais ou menos na competição, e ter mais ou menos possibilidades de atingir a respectiva Final. Muitas vozes extrapolaram palavras do nosso presidente, subvertendo-as, e transformando um sonho legítimo e saudável, numa exigência que jamais foi feita aos jogadores ou ao técnico. Há que dizer, com toda a clareza, que chegar à Final da Champions, no contexto actual do Futebol português e europeu, pode obviamente ser um sonho (quem não o tem?), mas não poderá constituir um objectivo concreto, e muito menos uma exigência. As diferenças de orçamento face a 'tubarões' como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Chelsea, Juventus, Dortumind ou Bayern de Munique não deixam margem para grandes expectativas, seja onde for que se dispute a última partida da prova. O objectivo do Benfica para a Liga dos Campeões terá de ser, por enquanto, a passagem à Fase seguinte. Isto sim, está de acordo com o poder financeiro e desportivo de que dispomos. Em termos realistas, as nossas exigências não deverão ir muito mais além, e o que vier a mais, bem-vindo será.
É com esta humildade que devemos enfrentar os difíceis adversários que temos pela frente. E é com esta atitude que podemos, eventualmente, vir a superar aquilo que neste momento é expectável."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As sombras tristes de Nartanga e Juju

"Depois de Eusébio, tantos Eusébios se prometeram ao Benfica. Tantos foram «o novo Eusébio»... Mas o destino não se compadece com a vontade. Ninguém se compara ao incomparável.

EUSÉBIO só houve um! Ninguém tem dúvidas desta verdade, deixada aí em cima em forma de parágrafo com ponto de exclamação. Mas a verdade é que depois de Eusébio, houve um nunca mais de esperanças de Eusébio. Chegava um jogador de África, das ex-colónias, e dizia-se: «vai ser o novo Eusébio!» E não era. É impossível ser Eusébio. Só Eusébio sabe ser Eusébio!
Lembro-me de vários. Vocês também se lembrarão, certamente. Houve o Cavungi, o Mário Wilson (filho, pois claro), o Reinaldo, o Akwá, até o Mantorras.
É demasiado pesado para os ombros de um jogador quererem compará-lo ao incomparável.
Hoje, neste espaço, vou recordar dois candidatos a Eusébio. Nomes que o Futebol esqueceu, quem sabe se injustamente.
Um era João Lopes Cardoso. Mas ninguém o conhecia por João Lopes Cardoso: era o Nartanga.
Nartanga. João Lopes Cardoso: o Nartanga. Porquê Nartanga? Segundo sei, nem ele sabia. Era Nartanga e chegava.
Quando Eusébio desembarcou em Lisboa, Nartanga foi-se introduzindo lentamente na sua sombra. Quero dizer: de Eusébio todos diziam que viria a ser um novo Matateu, mas melhor ainda; de Nartanga se dizia que podia ser outro Yaúca. Não foi.
Mas depois de Eusébio já começar a ser Eusébio, Nartanga não deveria ter-lhe ficado atrás. As suas qualidades prometiam glória e sucesso e golos e mais golos. Promessas por cumprir.
Cinco meses esteve Eusébio em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. No dia em que se estreou, a 23 de Maio de 1961, frente ao Atlético, pelas Reservas, Nartanga também já lá estava. Jogava a ponta-direita, mas já tinha sido experimentado a avançado-centro. Era como se houvesse um fio transparente de destino a ligar os dois jovens que tinham vindo de África.
Três meses esteve Nartanga em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. A burocracia ia arrasando com a carreira de Eusébio; Nartanga era alto, magro, e trouxera de Bissau um ar esfomeado: foi chumbado no Centro de Medicina Desportiva.
Enquanto Eusébio se treinava, à espera que o movimento lento do seu processo encaixasse nas rodas dentadas das expectativas, Nartanga engordava. A natureza foi mais célere do que a justiça: Eusébio, ainda que já fosse Eusébio, só marcou finalmente golos pelo Benfica nessa noite de Maio em que chovia; Nartanga, nas reservas, marcava golos na Azinhaga dos Alfinetes, ao Oriental, em Alvalade, ao Sporting, na serra, ao Guarda. Muitos golos.
Havia quem escrevesse: Eusébio e Nartanga! E ambos, juntos, sorriso cúmplice de um brilho adivinhando. Havia quem fotografasse: Nartanga e Eusébio. Com legenda: «As pérolas ultramarinas do Benfica».
Depois, na fotografia da vida, Eusébio ficou sozinho. Na memória de Nartanga, apenas a maçaneta de uma porta pela qual não chegou a entrar.

Sangue de Eusébio
MAS houve outro, e dele falo hoje também, este talvez ainda mais Eusébio, porque o sangue era o mesmo. Gilberto. Irmão de Eusébio. Aquele que também ficou ligado ao Futebol. Em Portugal a Imprensa não tardou a chamar-lhe «Eusébio n.º2».
Em Moçambique, na Mafalala, jogava n'«Os Brasileiros», a mesma equipa de pé descalço de Eusébio seu irmão. Um dia Eusébio foi de férias a Moçambique. Já era Eusébio de corpo inteiro. E trouxe consigo Gilberto. Eusébio e Gilberto; Gilberto e Eusébio: as comparações rebentaram por toda a parte. Gilberto mais cerebral do que Eusébio, talhado para outras funções, mais distribuidor de jogo, mais organizador, mais lento, menos rematador, menos possante. Gilberto tinha apenas 15 anos. «Jeito ele tem, mas é cedo para se saber o que dá!», ia Eusébio acalmando os entusiasmos.
Gilberto da Silva Ferreira: em Lourenço Marques, tinha a alcunha de Juju. No dia 9 de Agosto de 1963, no Estádio da Luz, «A Bola» fotografa Eusébio a entregar a camisola do Benfica ao irmão: «Veste-a e honra-a!... Não chega ter habilidade», vai alertando Eusébio. «Ele é muito novo. E se mesmo alguns jogadores já feitos não consenguem triunfar na Metrópole, onde tudo é diferente, que fará ele, que nem jogador é ainda? Gostava imenso que ele se transformasse num grande jogador, que pudesse atingir as mesmas coisas que eu já atingi, porque é muito bom rapazinho e um bom irmão». Gilberto dizia: «Sei marcar golos, lá em Moçambique marcava muitos, mas não quero ser avançado, quero ser médio...». Gilberto da Silva Ferreira não vingou.
Era Silva Ferreira mas não era Eusébio. Não foi capaz sequer de medrar à sombra gigantesca do irmão. Porque não basta querer ser Eusébio. Não basta sequer repartir com ele o sangue e a mãe. Eusébio é Eusébio e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 20 de outubro de 2013

Confirmação...

Haukar 22 - 34 Benfica

Nova vitória, desta vez na Islândia. Marcámos os mesmos 34 golos - em relação ao jogo da Luz -, mas sofremos mais 3 !!! Esta eliminatória acabou por ser mais fácil do que estávamos à espera. Deu inclusive para dar minutos a jogadores menos utilizados, e dar descanso aos mais fatigados.
Agora vamos esperar pelo sorteio na próxima Terça-feira. O ano passado caímos na 3.ª ronda, com um fortíssimo Nantes - que acabou por ser finalista vencido nesta prova... -, e assim ficámos fora da Fase de Grupos da Taça EHF, este ano, com a subida de forma da equipa nos últimos jogos, com um sorteio 'amigo' temos tudo para passar...!!!
O Carneiro hoje, levou com um cartão vermelho aos 34 minutos (desqualificação directa!!!), desconheço as circunstâncias, e desconheço se será suspenso com algum jogo... partindo do pressuposto que o próximo adversário será difícil, a possível ausência do Carneiro será sempre uma dificuldade extra...

Benfica and 'the curse of Bela Guttmann'

"(CNN) -- Vienna, Austria. 1990. A man weeps by a grave. He lowers his head and murmurs a few quiet words. 
He sits awhile, glances intently at the writing on the headstone, he uses the palm of his hand to wipe away the dirt. His eyes glaze over with a look of hopelessness, almost pleading for something to happen. Nothing happens.
The man rises, turns and leaves. That night he gets his answer -- the curse lives on.
Despite being finalists on seven occasions in various major European finals -- in 1963, 1965, 1968, 1983, 1988, 1990 and in 2013 -- each time Benfica have been unable to bury the famous curse. Bela Guttmann's curse.
A condemnation that even the prayers of his famous protege Eusebio could not lift that day in Vienna.
"Every year when Benfica plays in the Europe they try to get rid of the curse", Portuguese journalist Jose Carlos Soares told CNN.
"Any time that Benfica play near Guttmann's grave, somebody will take flowers. It hasn't worked".
The way Benfica were beaten by Chelsea in Wednesday's Europa League final in Amsterdam -- Branislav Ivanovic's injury-time header securing the English side's 2-1 win -- if you were fan of the Portuguese side you could have been forgiven for thinking some other powerful force was at work.
Even in death, Guttmann is determined to have his own way -- much to the anguish of a club he left in anger after taking it to the peak of European football in the early 1960s.
A charismatic and sometimes eccentric genius, Guttmann revolutionized football during a coaching career which spanned 25 jobs in 13 different countries before he passed away in 1981, aged 82.

Holocaust
Born into a Jewish family in Budapest in 1899, Guttmann, like his parents, became a trained dance instructor before switching his focus to football.
After becoming part of the MTK Hungaria side which won the league title in 1920 and 1921, Guttmann left for Vienna following the rise of anti-Semitism under Miklos Horthy's regime.
It was here, among the Austrian intelligentsia, that he flourished, taking in the political and literary debates in Vienna's coffee-house society.
There he joined the exclusively Jewish football club Hakoah Wien, where he won the league title in 1925 as well as winning four caps for Hungary.
After traveling on a tour to the U.S. with Hakoah, Guttmann decided to stay put in New York only to lose a considerable amount of money in the Wall Street crash.
That forced the nomadic traveler to move on once again, first back to Vienna where he took on a coaching role with Hakoah before joining Dutch side SC Enschede.
But Guttmann's life, like those of so many other Jews, was turned on its head during the rise of Hitler in Europe and the Holocaust which killed six million people.
"Guttmann was hugely talented", says leading football writer Jonathan Wilson, author of the book "Outsider: A History of the Goalkeeper."
"He was tactically very astute but also very awkward and difficult", Wilson told CNN. "He was very quick to take offense.
The central theme with Guttmann is the war. We don't know how he survived it, and the fact he skips over it in his book could mean one of two things.
Did he feel guilty for surviving or did he compromise himself to stay alive?
Or, perhaps it was that the memories were just too painful to share and that the loss of so many of his loved ones meant he didn't speak about it.
He was hugely successful but there was something tragic about him, which probably comes from that time"

Famine
While family members, including a brother, perished in concentration camps, Guttmann escaped to Switzerland where he was held in internment.
It wasn't until the end of the war in 1945 that he returned to football, this time in Romania.
It was here, in 1946 with club side Ciokanul, that he demanded to be paid in vegetables at a time when famine was a growing problem.
While parsnips and carrots were gratefully received, Guttmann's relationship with the board was never a particularly healthy one. When a club director began to interfere in team selection, Guttmann finally lost patience.
His fiery temper and attitude of "my way or the highway" earned him plenty of attention, especially from the media.
Following spells with Padova and Triestina in Italy, Boca Juniors and Quilmes in Argentina and Apoel Nicosia in Cyprus, Guttmann hit the big time with AC Milan in 1953.
His team led the Serie A table after 19 games in his second season, only for another run-in with the board to curtail his tenure.
"I have been sacked, even though I am neither a criminal nor a homosexual". he told a shocked press conference. "Goodbye".

Nomadic career
Years later, on his first day as the manager of Benfica, he fired 20 players before leading the club to the Portuguese title.
"He was an incredible man", Wilson said. "Did he become a parody of himself? Did he do those kind of things because people expected it?
I don't know. But it was clear that he never wanted to stay in one place for long, he was always moving. 
That could have been because of the war, but also because he was looking for the next pay check".
It was in Portugal, after a successful spell in South America, that Guttmann really secured his legacy, securing back-to-back European Cups with Benfica in 1961 and 1962.
It was the first time that any club other than Real Madrid had won the competition.
During his time in Brazil with Sao Paulo between 1957 and 1958, where he won the league title before moving to Porto, Guttmann introduced the 4-2-4 system which Brazil used at the 1958 World Cup. 

Inspiration
It was a system that laid the groundwork for the great Brazil sides to establish themselves as masters of the beautiful game.
Guttmann had taken some inspiration from the great Gustav Sebes, the man who coached the "Magnificent Magyars" in the 1950s.
Under Sebes, also of Jewish descent, Hungary became the first nation to defeat England on its home soil, winning 6-3 in 1953 before reaching the World Cup final the following year.
From 1950 until the Hungarian Revolution in 1956, the national team won 42 games, drew seven and lost just once --- in the World Cup final against West Germany.
Sebes preferred a 3-2-1-4 formation which allowed Ferenc Puskas, the great Hungarian striker, to thrive alongside the precociously talented Nandor Hidekuti.
That slowly changed to the 4-2-4 formation which would inspire Benfica to European and domestic glory.
"I never minded if the opposition scored, because I always thought we could score another", Guttmann once said.
His thirst for innovation and his psychology degree, which he earned in his younger days, helped him become a leading figure in man-management and a master tactician.
At Benfica, it was the arrival of Eusebio which allowed Guttmann to play Mario Coluna in a deeper position and unleash one of the most attacking teams of the era.
Benfica defeated Barcelona 3-2 in Berne in the 1961 European Cup final before coming from behind to beat then five-time winners Real Madrid 5-3 the following year.
But where there was triumph, disaster was never far away.
"From the moment he arrived in Portugal, Bela Guttman's relationship with Benfica was destined to be complex", says Portuguese football expert Ben Shave.
"After the second European Cup victory, Guttman approached the recently-elected president Antonio Carlos Cabral Fezas Vital with what seemed an eminently reasonable request -- a pay rise.
Vital chose to turn Guttman down, whereupon the Hungarian departed with what has become a well-worn parting shot: a simple declaration that Benfica would not win another European Cup.
Guttman's curse has proved painfully prophetic -- the Aguias have lost five European Cup finals in 1963, 1965, 1968, 1988, 1990, the 1983 Uefa Cup final and now the Europa League final".

Mourinho comparison
Remembered for his uncompromising attitude, his innovation on the field and his nomadic existence, Guttmann's story gained further resonance following the emergence of Portuguese coach Jose Mourinho, a European champion with Porto in 2004 and Inter Milan in 2010 after beginning his career with a brief spell at Benfica.
"Guttman's prickly personality and relentless pursuit of success have led to comparisons with Mourinho in some quarters", Shave told CNN.
"What is certainly true is that both left Benfica in unfortunate fashion, and both departures became matters of considerable regret for the club.
The results of Guttman's 'curse' have been well documented, whilst presidential candidate Manuel Vilarinho's stated wish to replace Mourinho with club legend Toni following the 2000 elections led to 'the Special One' taking his talents elsewhere.
In a similar scenario to that which led to Guttman's tenure coming to an end, Mourinho approached Vilarinho with a contract extension request shortly after his election (and a 3-0 win over Sporting), which was denied.
Vilarinho's opponents have dined out on that mistake since".
As for the Benfica's players the task of finally closing the book on Guttmann's curse continues."

Toneladas de areia para os nossos olhos

"A profissionalização da arbitragem não vai resolver nenhum dos seus problemas: a opacidade e a falta de lógica no processo de nomeações e os erros grosseiros protagonizados pelos árbitros. O sistema faliu e querem atirar-nos poeira para os olhos.
O futebol, pela dimensão que a respectiva indústria alcançou, em vez de se livrar das suas imparidades e de expulsar os batoteiros, continua a arranjar esquemas para albergar gente sem escrúpulos, que se desdobra em expedientes para condicionar a verdade desportiva. É preciso combater a proliferação dos resultados combinados que já é mais do que uma ameaça. Não são apenas os mecanismos que tornam os árbitros mais ou menos favoritos deste ou daquele presidente ou dirigente; deste ou daquele clube. Eram os árbitros, depois passaram a ser os "fiscais de linha" (hoje denominados árbitros assistentes), e a certa altura já se viam jogadores a entrar no carrossel.
Quer dizer: é através do controlo do sector da arbitragem que se chega muitas vezes à vitória quando, em campo, as equipas não são capazes de se superiorizar através de argumentos técnicos, tácticos e físicos, mas hoje em dia a "sofisticação da batota" alcança outros mecanismos a partir dos quais é possível retirar importantes benefícios. Na realidade, há já um caudal de notícias que nos alertam para o que pode estar por detrás dos fundos de jogadores. A não identificação dos nomes relacionada com a titularidade desses fundos e a suspeita de envolvimento de paraísos fiscais em todo o processo, com a cada vez maior certeza de que há gente nos clubes a servir os interesses dos fundos (com benefícios directos e indirectos), torna tudo mais nebuloso e os futebolistas não são mais do que marionetas, convencidos de que os seus créditos também são grandes e compensatórios. Se juntarmos a tudo isto o impacto das apostas online e dos seus "circuitos paralelos", perceberemos que está cada vez mais difícil acreditar no que vemos acontecer dentro das quatro linhas: "Se as pessoas perceberem que os jogos são combinados, vão preferir ver novelas", sentenciou esta semana Maradona.
O controlo da arbitragem foi sempre a maior das preocupações de alguns dirigentes do futebol português, porque era a maneira mais fácil de obter um penálti, uma expulsão, uma falta à entrada da área, um fora-de-jogo numa situação não muito fácil de descortinar ou validar um golo conseguido de forma irregular.
A preocupação continua válida, porque a natureza de certas decisões, sobretudo em lances de dúvida, pode valer muitos pontos (no começo dos campeonatos, ganhar vantagem é muito importante...), mas a industrialização do futebol e as largas somas de dinheiro que movimenta apurou outros mecanismos que colocam em causa a verdade desportiva.
A discussão que, neste momento, domina a actualidade do futebol nacional- a profissionalização da arbitragem - corresponde a uma perda de tempo. São toneladas de areia atiradas para os olhos dos portugueses.
Não é que a profissionalização não encerre algumas coisas positivas, mas o actual regime paraprofissional já oferece às equipas de arbitragem condições muito razoáveis. Condições financeiras, administrativas, logísticas e, também, de treino.
O aumento do número de jogos e, para os internacionais o maior número de jogos no exterior torna mais difícil a dispensa nos respectivos locais de trabalho. A profissionalização apenas agiliza a vida dos árbitros. Quando deveria estar em causa a melhoria do sector, isto é, gerar condições para que o erro de arbitragem não tivesse tanta influência nas finanças dos clubes. Um golo mal (in)validado ou uma decisão errada pode corresponder, em certas situações, a prejuízos de milhões de euros. E é isto que ninguém parece querer discutir...
Quantas toneladas mais vão ter de nos atirar para os olhos para evitar que se compreenda que o rei vai nu e que esta é mais uma forma de perpetuar um sistema que está anquilosado e é falso como Judas?...
O futebol é um jogo maravilhoso. Só não pode ser compaginável com a batotice. Para isso, o input tecnológico é crucial e decisivo. É a partir dele que se pode travar esta sensação de perda. Porque o futebol só conservará a sua dimensão de desporto universal se conseguir expulsar aqueles que colocam em causa a sua credibilidade e integridade."

Às portas do céu - João Ribeiro, Campeão do Mundo...