Últimas indefectivações

sábado, 16 de julho de 2016

Algarve Cup 2016

Benfica 4 - 0 Derby County


Mais um bom treino, com bastante intensidade... e novamente contra uma equipa que tentou 'fechar', deu 'pau'... e mais uma vez, lá tivemos uma equipa arbitragem 'consistente' com o Tugão!!! Aquele fora-de-jogo ao Almeida é uma coisa de outro Mundo...!!!

O Nelsinho foi claramente o destaque de hoje, fez o jogo todo a grande velocidade, está de regresso o Nelsinho do início da época passada!!!
No 1.º tempo, destaco também o Horta e o Guedes... com o Fejsa a limpar tudo como de costume! O Cervi voltou a demonstrar qualidade...
No 2.º tempo, novas boas indicações do Benitez...creio que neste momento 'luta' com o Guedes pelo lugar de 4.º avançado do plantel (já li umas teorias, de uma possível adaptação a '8', mas não me parece...); o Salvio melhorou (na decisão...) e nota-se que está mais disponível fisicamente... Mas o 'brinde' da 2.ª parte, foi mesmo a entrada do Zivkovic: não engana, basta uns toques na bola e vê-se logo que é jogador! E mesmo fora da sua posição fez uma assistência...
A surpresa deste torneio, acabou por ser o Moçambicano Reinildo!!! Quem diria...!!!

Confirmo as indicações anteriores, o Benfica só precisa de mais um número 8, todas as outras posições estão preenchidas! Mesmo para o lugar de extremo-esquerdo, sem um extremo de raiz, deu para ver que Cervi e Zivkovic são soluções acima da média!!!
Temo que o Benfica, vá ficar à espera do final da janela de transferências, para 'apanhar' um 'dispensado' (talvez o Enzo...), preferia que isso não acontecesse!
Aliás este ano, tirando este 'problema' com o '8', nos primeiros jogos da pré-época temos todo o plantel praticamente definido, algo talvez inédito... nos últimos anos!!!
As grandes dores de cabeça do Rui Vitória vão ser as dispensas!!!
Antecipo empréstimos para o Fonte, o Jovic, e o Teixeira... o Talisca e o Carcela devem estar no 'mercado'... o Reinildo está entre a equipa B, ou um empréstimo a uma equipa da I Liga! O 'problema' Luisão, também deve ser resolvido...

Especulando, um plantel de 25 jogadores:
Ederson, Júlio César, Paulo Lopes
Jardel, Lisandro, Lindelof, Kalaica
Almeida, Semedo, Eliseu, Grimaldo
Fejsa, Celis, Samaris
Horta, (?)
Pizzi, Salvio, Carrillo
Zivkovic, Cervi
Jonas, Guedes (ou Benitez)
Mitroglou, Jiménez

Campeões da Europa, 18 anos depois !!!

Parabéns à Selecção Nacional de Hóquei em Patins, pela conquista do título Europeu!
Nos últimos anos, temos ganho muito pouco (18 anos de 'seca'!!!)... talvez por isso, este tenha um sabor especial!

Um campeonato ligeiramente diferente, com uma Espanha sem alguns dos seus melhores jogadores... (Portugal também não esteve no máximo... o  Valter merecia estar a festejar...), e assim, acabou por ser natural a vitória Portuguesa!

O Diogo Rafael foi provavelmente o melhor jogador do Campeonato, hoje na Final foi decisivo... O João Rodrigues ainda não conseguiu voltar ao seu nível normal, após a lesão!!!

O 0-2 ao intervalo na Final com a Itália assustou, mas a segunda parte foi avassaladora!!!

De 'Jorge Mendes' a 'Aurélios'

"Assim que viu afastada a Alemanha na meia-final, A Federação gaulesa providenciou um autocarro de caixa aberta, decorado com as cores do triunfo que não lhe escaparia neste Campeonato da Europa. O festivo meio de transporte destinado a passear os jogadores franceses pelos Campos Elísios na noite do último domingo foi fotografado e filmado na sua viagem desde a paragem até às imediações do Stade de France onde, tal como estava previsto, recolheria os seus laureados passageiros. Nos dias que antecederam a final, os anfitriões do evento não se coibiram de considerar como já decidido. Era um pró-forma logístico.

No fim, a França perdeu. Morreu pela boca e não é a primeira vez que uma equipa de futebol se vê gloriosamente acabrunhada por um desfecho contrário às previsões dos seus maiores dos seus publicistas e dos seus adeptos inevitavelmente contagiados pela histeria reinante. Os responsáveis portugueses, inteligentemente, optaram pelo silêncio, que é de ouro, e deixaram o adversário festejar o título e programar as festividades sem um remoque. Em termos públicos, foi o presidente do Sporting o único a deixar-se levar pelo orgulho ferido da nação perante o triunfalismo no campo adversário: 'Tenho sentido arrogância do outro lado', disse. E disse muito bem embora se possa considerar que não será ele, propriamente, a pessoa mais indicada para apontar o dedo a quem quer que seja em matéria de triunfos dados como adquiridos, visto que ainda há coisa de poucas semanas inaugurou , com pompa e muita imprensa, no museu do seu clube, o espaço destinado a albergar para a eternidade o troféu correspondente ao título de campeão nacional da época 2016/17 que só começa daqui a um mês.

O Benfica arrancou com um empate sem golos num jogo com alguns momentos de animação tendo por adversário o Vitória de Setúbal. A curiosidade dos adeptos centrava-se naturalmente nos reforços. Confesso que a minha curiosidade estava posta em Paulo Lopes, o guarda-redes obrigado a ser titular tendo em conta que Ederson e Júlio César não estão operacionais. E esteve muito bem o Paulo Lopes durante o jogo e nas grande penalidades. Eis uma excelente notícia.

A nossa equipa nacional lá trouxe de França a taça comprovativa do título europeu conquistado e logo deixou de ser a equipa dos 'Jorge Mendes' - lembram-se? - para passar a ser a equipa dos 'Aurélios'. Oh , Éder, que milagre!"

Benfiquismo (CLXIII)

Treino...

Obrigado!

"Domingo em Paris nem sempre os festejos se fizeram em bom português, mas foram, na sua essência, celebrados por bons portugueses. A forma bonita e genuína como os portugueses se ligaram à Selecção, a forma como a segunda a terceira geração, já francesas, torceu por Portugal, terra dos seus pais, mostra que uma Nação é mais que mais proclamação administrativa.
Aquele miúdo francês, o Mathis com a camisola portuguesa a consolar o adepto gaulês carregava 850 anos de história. Ele não sabe mas havia elixir dessa sabedoria sempre que recebeu amor dos país. Foi essa forma de ser português o mais bonito da nossa celebração: Dili, Marcelo Rebelo de Sousa a ler o SMS do presidente de Moçambique ou os pequenos Mathis que eram por Portugal, mesmo sem falar a língua, porque eram apenas pelo coração dos país.
Foi muito bom ganhar o Europeu, foi excelente ganhar contra a França, foi único e transcendente ganhar assim, ali e daquela maneira. Qualquer campeão é a soma de infinitos detalhes, mas ver que ganhamos porque Ronaldo falhou o penalty contra a Áustria ou porque a Islândia marcou depois da hora contra a mesma Áustria convoca-nos para a magia do detalhe. Até o detalhe, como diz 'Dalai' de Éder, ser só mais um português a jogar acima das suas possibilidades. Foi Fernando Santos o coordenador dos detalhes, o maestro dos detalhes, porque foi Fernando Santos o detalhe da vitória. Fernando Santos não é só uma boa pessoa, é sim, um excelente seleccionador e um homem invulgar, porque apenas uma segurança inabalável, uma convicção irredutível e uma certeza no rumo, permitem aquele testemunho de fé e agradecimento final. Testemunho que só foi transcendente porque impregnado de verdade. Obrigado Fernando Santos.
O Benfica prepara a tentativa de fazer o tetra com sérios problemas na baliza, veremos como torneio do algarve um cheirinho do que vem aí. Com muito respeito pela Selecção, já me faltavam aquelas camisolas vermelhas em campo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Impressionante !!!



Marisa Vaz Carvalho continua a fazer marcas 'enormes'!!!
Hoje, no Campeonato da Europa de Juniores (sub-18), em Tbilisi na Geórgia, nas eliminatórias e na Meia-final dos 100m barreiras, bateu por duas vezes o recorde nacional!!!
Sendo que os 13, 07seg da Meia-final, são a melhor marca Europeia de sempre, no escalão!!! E é a 5.ª melhor marca Mundial de todos os tempos!!!!!
Recordo que a Marisa ainda é Juvenil !!!!!!!!!

Amanhã de manhã vai tentar o apuramento para a Final do Salto em Comprimento, e à tarde teremos a Final dos 100m barreiras, às 14h55

Calendário 2016/17

Tondela - Benfica
Benfica - Setúbal
Nacional - Benfica
Arouca - Benfica
Benfica - Braga
Chaves - Benfica
Benfica - Feirense
Belenenses - Benfica
Benfica - Paços de Ferreira
Corruptos - Benfica
Benfica - Moreirense
Marítimo - Benfica
Benfica - Sporting
Estoril - Benfica
Benfica - Rio Ave
Guimarães - Benfica
Benfica - Boavista

Aqui está o calendário da I Liga portuguesa. Esta é a sequência... Vamos esperar pelo o calendário da UEFA, e esperar ainda mais pelas datas oficiais decretadas pela Liga!!!!

Benfica B - Cova da Piedade
Varzim - Benfica B
Benfica B - Gil Vicente
Vizela - Benfica B
Aves - Benfica B
Benfica B - Viseu
Freamunde - Benfica B
Benfica B - Leixões
Olhanense - Benfica B
Benfica B - Santa Clara
Portimonense - Benfica B
Benfica B - Penafiel
União da Madeira - Benfica B
Benfica B - Covilhã
Famalicão - Benfica B
Benfica B - Fafe
Corruptos B - Benfica B
Académica - Benfica B
Benfica B - Sporting B
Braga B - Benfica B
Benfica B - Guimarães B

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Inacreditável

"La Rochefoucauld explicou, com quase quatro séculos de avanço e através de uma das suas máximas, o extraordinário feito da selecção portuguesa no Campeonato da Europa 2016: 'Embora os homens se orgulhem das suas grandes acções, muitas vezes não são efeito de um grande projecto, mas fruto do acaso' (tradução livre).
De facto, quem diria que Portugal, tendo um grupo de jogadores teoricamente pouco mais que razoável e a milhas (qualitativas) daqueles de 1966, 1984, 2000, 2004 ou 2006, chegaria sequer à final do Europeu, quanto mais conquistá-lo. E passaria pela mente de alguém por dotada que fosse para a ficção, que Ronaldo se lesionaria na primeira parte da final e o herói seria Éder, o patinho hediondo (feio seria um eufemismo tendo em conta as criticas que lhe foram dirigidas) da selecção?
Amanhã, e ainda menos daqui a dezenas de anos, poucos se recordarão do futebol cinzento e 'cauteloso' produzido pela equipa, do fraco desempenho na fase de grupos ou da combinação improvável de resultados que facilitou a tarefa portuguesa no acesso à final. Para a história ficará, e muito bem, o maior feito do futebol português, bem como os seus protagonistas entre os quais Renato Sanches, eleito o melhor jogador jovem do torneio distinção que recebeu com indiscutível mérito, não obstante a escassa utilização na fase inicial do torneio por uma incompreensível teimosia do seleccionador.
Ao Renato, ao Eliseu e aos restantes, parabéns. Deixo também abraço ao Pizzi e ao André Almeida por entender que mereciam, pela sua qualidade e desempenho ao longo da temporada, terem feito parte do lote de convocados de Fernando Santos."

João Tomaz, in O Benfica

Para a eternidade

"Se, depois de uma fase de grupos insípida, e de uma qualificação sofrida, alguém me dissesse que Portugal ia ser Campeão da Europa, diante da anfitriã, sem Cristiano Ronaldo, e com Eder a marcar o golo da vitória, provavelmente teria soltado uma gargalhada.
Sim. Era um dos que não acreditava. Era um dos que duvidava das capacidades da equipa, e das possibilidades de êxito num Europeu onde França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica e Inglaterra se apresentavam com grandes ambições. Era um dos que pensava que o optimismo do seleccionador era excessivo, ou até romântico.
Mas o futebol é assim mesmo, e é por ser imprevisível, irracional e caprichoso que o seguimos com tanta paixão.
Há que reconhecer que a sorte bafejou Portugal. Quer na final, quer no trajecto até lá chegar. Mas tem de se dizer também que a equipa nacional soube aproveitar essa dose de fortuna com humildade e com competência. Soube interpretar muito bem as suas forças e fraquezas, potenciando as primeiras, e disfarçando as segundas. Cresceu ao longo da prova, mudando quando tinha de mudar. Demonstrou união, solidez e uma confiança à prova de bala. Mereceu entrar para a história.
Num país pequeno e periférico como o nosso, este triunfo é algo de extraordinário, e, provavelmente, irrepetível. E prova que o nosso futebol – tantas vezes vilipendiado e mal-tratado por cá – é um dos grandes agentes do orgulho português no exterior. Que felizes devem estar os nossos emigrantes, particularmente os que vivem em França! Eles, mais do que ninguém, mereceram este triunfo. 
Obrigado Fernando Santos!
Obrigado Selecção Nacional!"

Luís Fialho, in O Benfica

Campeões da Europa (Porque se ganhar não é tudo já querer ganhar é... quase tudo!!!)

"Esqueceram-se de criticar, com a mesma ousadia, a decepcionante Inglaterra, a previsível Espanha e, até, uma França bem arrogante.

10 de Julho, o dia em que se cumpriu Portugal!!!
«E ao imenso e possível oceano, ensinam estas Quinas, que aqui vês, que o mar com fim será grego ou romano: o mar sem fim é português.»
E no passado domingo, citando Fernando Pessoa, o mar sem fim foi português!
Na véspera de fazer 50 anos do início do Mundial de king Eusébio, em Old Trafford, passámos o Bojador, passámos a dor. Esbanjando emoções...
Um jogo de sofrimento, de lágrimas, e um golo, do meia da rua, já no prolongamento. Num País com uma comunidade lusa de cerca de 1,5 milhões, que mantém uma identidade própria. Perante um País. Perante o Mundo?
Qual Nação «valente», agora, sobretudo, «imortal» (passe, claro, o exagero)!
Para a história deste campeonato da Europa, fica a vitória destes 23 jogadores, guiados por um homem do leme, que sonhou e conseguiu, emocionado o País.
Para além de Fernando Gomes, que escolheu e acreditou em Fernando Santos!!!
A vitória da Selecção que não era favorita, excepto no discurso do Seleccionador nacional.
Que empatou quase todos os jogos, que se arrastou para alguns prolongamentos, que foi uma vez a penalties, mas que, ainda assim, chegou à final. Para vencer a França (tal como previ), o adversário que sempre preferi!!
Havia 40 anos de contas a acertar!
No domingo, as lágrimas das lesões e contratempos deram lugar a «sangue, suor e lágrimas». De alegria!
Um jogo que foi um teste a uma equipa, um teste à paciência do capitão Ronaldo e do comandante Fernando Santos.
Fora dos relvados, lá como cá, como no resto do mundo, uma ambição (desmedida, até há dias) e um discurso de coragem e de crença!
Uma união extraordinária em torno do plantel e da equipa técnica, traduzidas numa vitória.
Perante a auto-intitulada, por muitos, «toda poderosa» e favorita França que não nos conseguiu parar...
Apesar da revoltante entrada de Payet (internacional ou não) sobre a capitão de Portugal!!!
Ainda assim, sem Ronaldo, fomos campeões!!!
Um Ronaldo que, mesmo fora das quatro linhas, capitaneou como nunca, ainda que fosse impedido de jogar e ganhar, lá dentro, a final que lhe faltava...
Ganhou quem mais quis ganhar!
E se ganhar não é tudo, já querer ganhar é... quase tudo!!
A equipa uniu-se e superou-se, com humildade e perseverança.
Dentro do relvado, um adicional de alma e coragem, um maior sentido de compromisso, entre jogadores e treinador, talvez a maior razão do triunfo (à imagem do que havia sucedido, no Benfica, com Rui Vitória). Para a história deste campeonato, a vitória de uma equipa teoricamente menor, mas que foi superior. Eis, pois, o primeiro grande título da Selecção... de Portugal.
Um título há muito merecido e que nos permitirá sermos reconhecidos e vistos como um efectiva potência futebolística (da Europa e do Mundo). Um título com base na crença de Fernando Santos, que nos deu, desde sempre, uma lição de fé e de persistência. Porque, como o próprio disse, ninguém é campeão devido a um só jogo.


Virou-se o feitiço contra o feiticeiro!!!
Tantas foram as vezes que fomos fortemente criticados, enquanto equipa e por isso - porque nisto do futebol não há meios termos - enquanto Povo, pelos jornalistas franceses, numa inadmissível atitude chauvinista!

Desde o futebol praticado, ao modo de apuramento, e até mesmo, à sorte (esquecem-se que a «sorte protege os audazes»)!
Focaram-se demasiado em Portugal, espicaçando-nos para a vitória final. Esqueceram-se de criticar, com a mesma ousadia, a decepcionante, a previsível Espanha, e até uma França bem arrogante. E a Selecção que tinha um futebol «feio» e «nojento» e que dava «sono» é, agora, campeã da Europa!
Fomos desdenhados e massacrados, esquecendo-se que «nojento» talvez seja insultar de forma gratuita uma Selecção, «nojento» talvez seja lesionar o melhor jogador do mundo e «nojento» talvez seja não colocar as cores da bandeira de quem ganhou a final, à França, na Torre Eifell. Mas «cruel», mesmo, é perder a final contra a equipa que mais rebaixaram, num claro ajuste de contas. E com um golo de herói mais improvável, nestes 23, cujo nome perdurará, para sempre, na galeria de honra do futebol português: Éder, de seu nome!!
C'est la vie!

A recepção
Portugal foi recebido de braços abertos, em apoteose e em clima de grande euforia. Uma euforia desmedida, mas tão apaixonada, por um País que ergueu, finalmente, a voz, no mundo do futebol, para comemorar um 1.º lugar (em vez dos 4.ºs, dos 3.ºs ou dos 2.ºs que... eram tão imerecidos como prenúncios de uma futura vitória).
De Paris para Marcoussis até Lisboa! Depois de Belém (uma palavra devida, também, pelo optimismo e apoio do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, sem complexos por gostarem e perceberem de futebol), o mar de gente pelas principais ruas de capital portuguesa, até à Alameda Dom Afonso Henriques. Nas ruas, nos passeios, em carros, em motas, nos viadutos, a loucura e a alegria de milhares de portugueses. Nos rostos, o imenso orgulho de ser português (como se tivéssemos esperado, todos, uma vida por esse momento)!
«Cumpriu-se o Mar», só faltava «cumprir-se Portugal»!!

Taça da mão e Eusébio??
Eusébio da Silva Ferreira, um dos melhores jogadores de todos os tempos, que conquistou tudo, com e pelo Benfica, mas a quem faltou um título pela sua Selecção!
Quis o destino que não o conquistasse e que, em vida, não pudesse assistir a esse momento.
Ainda assim, esta vitória também é dele, porque também lá esteve, no domingo, a interceder para, finalmente, festejar. E os jogadores, sabendo disso, trouxeram-no, em fotografia, no autocarro e depois no avião que os transportou para Lisboa. Já em casa, na capital portuguesa, no percurso pelas ruas principais, um grande pano com a imagem do pantera negra na sede da FPF.
Até porque a Taça do Campeonato da Europa também é sua.
«Tu és o Nosso Rei, Eusébio!», numa justa e sentida homenagem ao Rei do futebol português!!!
Resolvendo, de vez, a mesquinha divisão criada em torno de Eusébio e de Ronaldo, dois jogadores igualmente extraordinários, mas tão diferentes no tempo. Sendo, por isso, incomparáveis, mas, ambs, igualmente de nível mundial!!!

Marquês de Pombal
Em cerca de 8 meses de futebol profissional, Renato Sanches conquistou um Campeonato Nacional, uma Taça da Liga e um Campeonato da Europa. Já outros foram mais depressa campeões europeus, pela Selecção, do que campeões nacionais pelo seu clube (nem sabem o que isso é), apesar de lá andarem há muitos anos! Não quero entrar na graça fácil, que por aí circula, mas ainda bem que lá estavam, entre os 23, Eliseu e Renato Sanches... porque, dos outros, dos que jogam em clubes de Lisboa, ninguém sabia o caminho para o Marquês de Pombal...
Como alguém diria, agora em português, «é a vida»..."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

O senhor convicção

"Fernando Santos deu aulas de estratégia. Defensivo? Lembrem mudanças para... ganhar.

Campeões da Europa!!! Só uma pessoa sempre disse que isso ia acontecer (não mascaremos a verdade!). Felizmente, essa pessoa foi /é o treinador nacional, líder técnico e mental desta proeza.
Fernando Santos, o senhor convicção. Com extraordinária capacidade para unir 23 futebolistas, grudando-os, é o termo, titulares e suplentes, rumo a objectivo dito quimera: é agora, vamos conquistar a glória! Exemplo máximo: Ricardo Quaresma, esse enormíssimo talento habitualmente sob críticas de mau feitio, aceitou ficar no banco e entrar cheio de ganas para ajudar o colectivo e, se possível, decidir. Creio que, aqui, também houve forte marca do capitão Ronaldo, seu grande amigo desde do berço, no Sporting.
Fernando Santos mestre também a definir, mudando, estratégias e tácticas, sem perder essencial forte estrutura da equipa. «É muito difícil alguém ganhar a Portugal.» Foi... impossível. Estudou meticulosamente os trunfos de cada adversário. Bloqueou-os (vide Croácia de Modric, Rakitic, Mandzukic; País de Gales de Bale e... França que já tinha o título «no papo») e, depois, foi em busca da vitória.
Portugal nada Grécia-2004. Não se acantonou na defesa, não ficou à espera de ser feliz num pontapé de canto, ou livre, cruzado por alto. Deu aulas a defender com grande rigor, o que não é o mesmo que fazê-lo com muitos sempre na retaguarda. E lançou substituições... atacantes. Única excepção: Danilo ao lado de William nos derradeiros minutos do 3-3 com Hungria. Quanto Patrício 2 vezes foi batido por desvios de remate no corpo de colega...
Após decepcionante estreia (empate com Islândia), Fernando Santos lançou trio de início, frente à Áustria. Deveríamos ter ganho por 3 ou 4 (2 remates contra poste, inúmero desperdício). Frente à Croácia, chamou Quaresma, somando a Ronaldo e Nani, para... ganhar. E vejamos a final, em casa da França: primeiro, imediata e certeira reacção à perda de Ronaldo (!), virando 4x4x2 em 4x3x3, obviamente não mais defensivo... (controlou o poderoso meio-campo francês, pois Renato saiu da direita juntando-se a William e Adrien na zona central). Depois, ao sair Adrien, não entrou Danilo, médio de tracção atrás...; sim Moutinho, para melhorar organização e... saídas rumo ao ataque. E qual foi a última substituição? Renato por Éder, o nosso único puro... ponta de lança. Portugal não tremeu por ficar sem Ronaldo, soube bloquear favorotíssima França - e esta, quanto a mim, fez, na 1.ª parte, a sua melhor exibição no Europeu -, desgastou-a e... quis ganhar, não esperando pelas grandes penalidades.
Sorte? Sim, no golo islandês que nos atirou para o 3.º lugar do grupo. E no remate de Gignac contra poste (também remates portugueses esbarraram nos ferros). O oposto de sorte nos 3 claríssimos penalties não assinalados perante Croácia, Polónia e País de Gales, que poderiam ter aberto bem mais cedo o caminho do êxito. Sete jogos. A partir do terceiro, rendimento da nossa Selecção sempre a subir. Excelente na meia-final e na final. Não digam que foi sorte!

Opiniões há muitas. Eis as minhas... Selecção mais forte: Alemanha. Caiu na meia-final por não ter o ponta de lança Gomez e, sobretudo, traída por grosseiros erros individuais, oferecendo os dois golos.
Melhor equipa: a que foi capaz de ser campeã, Portugal.
Melhor treinador: Fernando Santos. De cátedra, deu aulas de estratégia! (e de como transmitir convicção). Alemão Low e italiano Conte têm de ser muito bons.
Pior treinador: Hodgson. Os bons jogadores ingleses mereciam comando técnico não tão ultrapassado...
Melhor jogador português: Rui Patrício, formidável! Tendo outro gigante, Pepe quase taco a taco. Patrício absolutamente decisivo. No voo para defesa naquele desempate! E como brilhou na final! Ele e Pepe estão, com Raphael e Ronaldo, no melhor onze para a UEFA.Onde alemão Boateng ao lado de Pepe é para rir... Esqueceram-se do italiano Bonucci! E do islandês Sigurdsson!
Revelação: Raphael Guerreiro. Ataca e defende em grande, estupenda técnica no pé esquerdo, preciosa nos dribles, nos cruzamentos, nos livres direitos. Muda-se para a Alemanha, o Dortmund soube antecipar-se.

Renato Sanches eleito o melhor jovem. Venha de lá quem vier, para ele é igual... Aos 18 anos!
Quem me surpreendeu: José Fonte. Titular no quarto jogo, não mais deixou de sê-lo, anulando pontas de lança de alta craveira com impressionante eficácia.

Muito forte destaque: Nani. Outro gigante: ganas, personalidade, golos e... número 1 em versatilidade táctica. Que campeonato fez!
Ronaldo: assumir em pleno o sacrifício de se tornar ponta de lança. Brilhante nos seus três golos (dois foram de outra galáxia!). E que senhor capitão! Injustíssima lesão mal começara a grande gala!"

Santos Neves, in A Bola

Ainda as vitórias

"Campeões de futebol, mas também - é justo realça-lo, no meio do quase monopólio histérico da bola - a notável participação nos europeus de atletismo (3 medalhas de ouro, 1 de prata e 2 de bronze), ainda que injustamente colocada só em 2.º plano pelas autoridades políticas. E bom seria festejarmos no sábado o europeu de hóquei em patins, que nos foge desde 1998, e sermos campeões europeus de futebol de sub-19 (em sub-17 já somos!).
Ainda sobre a final, Cristiano Ronaldo fez, para mim, um dos melhores jogos da sua notável carreira. Lesionado, quase não jogou. Lesionado, chorou de dor, desalento e de incontida alegria. Lesionado exortou os colegas e comandou a sua determinação. É também assim que se escrutinam os melhores entre os melhores.
Esta vitória em terreno gaulês foi um indelével sinal de que o desporto, em geral, e o futebol, em especial, podem (e devem) ser factores de união e de exaltação de portugalidade. Mesmo que se queira relativizar a importância do futebol planetário, este título inédito e marcante é um motivo de enorme orgulho para todos nós, os que cá vivem e os da diáspora espalhada pelo mundo, e também para a lusofonia que o futebol cimenta desde Cabo Verde a Timor.
Receio, porém, que terminada a êxtase do título europeu, a bandeira da paz seja derreada e entremos no incontrolável jogo de guerras e guerrilhas estéreis no futebol doméstico. Claro que a rivalidade clubística é sempre bem-vinda e é um factor de emulação que se deve potenciar. Mas, temo o rápido regresso a uma nova overdose de tudo menos de jogo jogado, alastrando como uma insidiosa amíba que tudo condiciona."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CLXII)

Estilo...

Fair-play financeiro da UEFA vs. Clubes portugueses !!!

"A época 2015/2016 terminou e já se pode afirmar que até ao momento o SL Benfica é o único dos 3 grandes que cumpriu sempre com o fair play financeiro, ao contrário do Sporting onde já teve prejuízos acumulados de grande dimensão e do Porto que pela primeira vez, esta época, não cumpriu com o FPF.
O Porto esta época terá prejuízos forçosamente superiores a 40M e pergunto-me se não serão mais próximos dos 50M que dos 40M. Da última vez que tiveram prejuízos semelhantes, salvaram-se através dum aumento de capital e da passagem de quase 50% do estádio para a SAD. Desta vez vão mesmo incumprir com o fair-play financeiro. E mais uma vez o passivo aumentará como tem sido seu apanágio.
O Sporting encontra-se numa situação bem pior.
Primeiro que tudo não conseguiu cumprir por duas vezes (se bem que dá primeira vez "por sorte" a equipa de Bruno de carvalho não conseguiu apurar-se para as competições europeias, não tendo sido portanto alvo de análise por parte Uefa).
Em segundo lugar porque o seu grupo tem um capital social superior a 300M negativos e a sua SAD tem menos activo e mais passivo que a do Porto, que com os interesses sem controlo ainda consegue ter capitais próprios positivos.
Em terceiro lugar porque a SAD do Sporting tendo capitais negativos bem superiores a 10M, com o prejuízo deste semestre verá a situação piorar e porque tem ainda 135M em Vmoc's que em teoria não são passivo, contudo na prática são, o que aproxima o capital social da sua SAD nos cerca de 150M negativos.
Para piorar ainda mais a situação desde que Bruno de carvalho está no comando o saldo não tem sido muito positivo. Desde que entrou, no cômputo geral a SAD do Sporting tem menos de 1M de ganhos...se é que tem ganhos(ou seja até ao fim da época 2015/2016).

Nunca é de mais lembrar que o Sporting subscreveu 55M em 2011 e em Janeiro de 2016 não conseguindo pagar as dezenas de milhões de euros subscritos teve que alagar o prazo não por 2 ou 5 anos mas por 10!anos. E sem esquecer os 80M em 2014, obviamente.
Imaginando que para pagar somente os Vmoc's teriam que poupar cerca de 13M por época, a verdade é que desde 2013/14 nem sequer 1M de ganhos têm.

Conclusão, é realmente surpreendente e ficamos todos estupefactos quando pessoas que fazem acordos de reestruturação com a banca e que são eleitos pelos sócios Sportinguistas têm declarações públicas como "o Sporting tem uma saúde financeira invejável e não necessita de vender. " Quais as empresas, como a SAD do Sporting, que se podem dar ao luxo de serem reestruturadas por um banco em vias de falir e por um banco que acabaria por ser intervencionado pelo estado e terem prejuízos anuais superiores a 20M, como esta época de 2015/2016, e ainda afirmarem que não necessitam de vender activos para pagarem o que devem? A situação da SAD Sportinguistas é extraordinariamente invejável.

E o que vai acontecer ? Creio que absolutamente nada. A banca portuguesa está pelas ruas da amargura, o Bes foi à vida, assim como o BPN e o BPP já para não falar do Banif e do BCP que ainda deve 750M ao estado depois de ter sido intervencionado. Ah e claro a Caixa que pelos rumores necessita dum aumento de capital de 4MIL MILHÕES! Isto significa que nem o NB nem o BCP se interessam pelo Sporting. Enquanto os VMOC's estiverem lá o Banco terá um activo de várias centenas de milhões de euros e enquanto os VMOCs lá estiverem a Sporting SAD não verá o seu passivo aumentar em várias centenas de milhões de euros. O Sócrates(por muito que me custe dizer) é que tinha razão a dívida não se paga..vai-se gerindo.. adiando indefinidamente.

Basta ver através dos relatórios e contas que a Sporting SAD depois da reestruturação já obteve novamente empréstimos provenientes dos bancos ajudados pelo dinheiro dos contribuintes.
Se o Sporting não paga porque haveria o Porto e o Benfica de pagar? A contenção financeira foi uma anedota quando reparamos no aumento brutal que tiveram nos custos operacionais e podemos supôr que a nula necessidade de vender faria do Porto e Benfica candidatos reais a vencer todos os anos a Liga europa e provavelmente a liga dos campeões já que ambos dão provas de conseguirem chegar aos quartos algo que a maior potência desportiva só uma vez na vida conseguiu tal feito.
Quanto à Benfica SAD tem vindo a recuperar das perdas que teve há uns tempos e ja leva quase 45M de lucros nos últimos 3 anos, sendo que desde 2010 tem no cômputo geral um resultado positivo. Para o próximo ano depois do tetra desportivo a prioridade é ter também o Tetra financeiro e ir pagando naturalmente o que deve, abatendo pouco a pouco o seu passivo, alocalizando o resto para reforçar o plantel."

Bruno Paiva

Até à próxima...!!!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entrada sem golos !!!


Benfica 0 (3) - (3) 0 Setúbal


Todos os anos é assim: estamos todos ansiosos pelos primeiros toques, mas depois dos primeiros 90 minutos, ficamos sempre a dar 'desconto' pela falta de ritmo!!!

Mesmo assim, esta noite no Algarve tivemos um jogo, com bastante intensidade (tendo em conta ser o 1.ª da pré-época), com um adversário a dar 'pau', com o árbitro a roubar... e com o adversário a fazer 'anti-jogo'!!! Portanto todos os condimentos do Tugão...!!!

O Benfica esteve sempre por cima do jogo, com muitos remates, mas faltou o golo... as ausências do Jonas, do Mitro, e do Raul explicam alguma coisa...!!!
Além dos 3 avançados, faltou ainda o Samaris, o Eliseu, Carcela, o Lindelof, o Zivkovic... Ederson, Júlio... Talisca...
Espero que a lesão do Dawidowicz não o impeça de mostrar-se ao treinador nesta pré-época.

Jogámos com basicamente com 'duas' equipas, na 1.ª parte destaques positivos para o Grimaldo, Fejsa, Pizzi e Guedes!
No 2.º tempo, destaco o Kalaica (pena o penalty falhado), o Celis, o Horta e o Cervi...!

Nesta altura é sempre bom recordar que o Celis e o Benitez chegaram com ritmo de jogo, e isso nas pré-épocas às vezes é enganador!!!

O Carrillo precisa de minutos; o Salvio continua a deixar indicadores negativos...; o Jovic precisa de ser mais 'agressivo'; o João Teixeira não convence; o Benitez tem força e velocidade mas parece trapalhão...!!!
O Reinildo estreou-se e começou logo com um 'grande' corte!!! Com o Grimaldo e o Eliseu deve ir para a B, mas fiquei surpreendido positivamente!!!

Resumindo, muitas dores de cabeça para o Rui Vitória, muitos jogadores vão ser emprestados ou vendidos... e ainda faltam algumas contratações!
Temos muitas opções, para várias posições. O Celis será a opção para 6, o Grimaldo será muito provavelmente titular na esquerda, o Cervi poderá jogar na esquerda ou no meio... o Guedes quer agarrar o lugar de 4.º avançado (!!!)... o André Horta, parece que quer ser mesmo opção para o lugar do 'Renato'... mesmo assim (com as boas indicações do Horta), continuo a achar que precisamos de reforçar esta posição!

Neste momento analisando exclusivamente o valor futebolístico dentro do campo, o nosso capitão não pode ser titular!

PS: Fiquei muito feliz ao ver o Nuno Santos de volta em grande forma, no início do jogo foi claramente o melhor jogador do Setúbal com um remate muito perigoso...; na baliza o Bruno Varela acabou por ser o MVP do Setúbal com várias boas defesas... Espero ver os dois no plantel no futuro...!!! Para já vão aos Jogos Olímpicos...!!!

Benfiquismo (CLXI)

Saudades !!!

Portugal... !!!


Versão Cota...!!!

Desabafo...

Os momentos mais belos do futebol reúnem certa inocência

"Mais bonito do que o golo de Éder foi o seu sorriso desbragado, a desenvencilhar-se de um e de outro, como quem fugia do dono do armazém que tivera a janela quebrada. Corria para abraçar a glória (esta é uma crónica para ler com sotaque, porque Portugal celebra-se no mundo inteiro e com os sotaques todos)

O problema de jogar contra a França, em Paris, é que o adversário sofre o primeiro ataque logo que o estádio começa a cantar “La Marseillaise”. A derrota pode começar ali, se as pernas dos jogadores não superarem a convocação beligerante dos franceses. Os brasileiros perderam assim, na copa do mundo de 1998, naquele mesmo Stade de France.
Os primeiros quinze minutos de França e Portugal, neste domingo, representaram esse impacto. Houve um lance que parecia antecipar uma tragédia: Pepe escorregou sem porquê, a França tomou a bola e lançou-a na área. Griezmann cabeceou no ângulo esquerdo de Rui Patrício. Seria um golo histórico, mais do hino do que da equipa, logo no começo do jogo. A defesa inacreditável do goleiro português, a primeira de uma série espectacular que viria em seguida, anunciou aos franceses que a batalha seria mais árdua do que imaginavam.
A selecção de Portugal dos primeiros jogos do Euro 2016 parecia aproximar-se, de modo enfadonho, de mais um fracasso previsível. No intervalo do primeiro para o segundo tempo contra a França, com outro 0-0 no marcador, a televisão mostrou Luís Figo a bocejar. Parecia que o jogo se arrastaria sem golos até o fim.
Cinco empates, no tempo regulamentar, em cinco jogos produzem desconfiança em cima de desconfiança. O empate é um resultado mais depressivo do que a própria derrota, dizia Nelson Rodrigues. “A derrota tem o dramatismo que a salva, que a viriliza. Ela desperta no vencido o élan da revanche. Já o empate suscita uma sensação desesperadora de impotência”, escreveu o maior cronista desportivo brasileiro.
Por vezes, no futebol, é melhor perder do que assistir a uma equipa acovardada que não arrisque. A vitória incontestável sobre o País de Gales havia recolocado Portugal no certame. Apagara a impressão de impotência perante um destino antecipado de derrota.
Contra a França, a contusão de Cristiano Ronaldo, aos 25 minutos, foi argumento suficiente para que cardíacos, estressados e hipocondríacos em geral abandonassem a sala com a certeza definitiva de que a derrota estava por vir. Mal sabiam que era apenas um elemento de dramaticidade para a construção da vitória ainda mais prazerosa.

Cristiano Ronaldo é um jogador espectacular, cujo talento não deixa de ser temperado por certa antipatia. Algo de egoísta sempre transborda dele — seja quando aparece no telão do estádio a checar se o cabelo está despenteado ou quando sopra com o canto da boca, numa certa expressão de enfado. A contusão obrigou a que as câmaras mostrassem outro Cristiano Ronaldo, solidário, entusiasmante, crente no valor de que o conjunto da equipa pode superar carências e frivolidades individuais. 
Cristiano Ronaldo sai renovado do Euro 2016 por duas jogadas sensacionais que desempenhou à margem do campo. A primeira foi quando convocou João Moutinho a participar da disputa de penalidades contra a Polónia: “Anda a bater. Tu bates bem. Se perder, que se foda!”. Frase de um líder, verdadeiro capitão.
A segunda foi, após a contusão contra a França, regressar do vestiário, ainda coxeando, e se estabelecer à beira do gramado a gritar e sofrer. Um velho marechal dizia que, no campo de batalha, pequenas desatenções podem causar grandes derrotas. Cristiano Ronaldo comprovou o contrário como verdadeiro: dedicada atenção pode estimular grandes vitórias. O craque português fez dois golaços fora de campo. Pôde enfim cantar, com cultivada cumplicidade, um verso roubado da “Marselhesa”: o dia da glória chegou (“Le jour de gloire est arrivé”). A história é generosa com os guerreiros.
Os momentos mais belos do futebol, no entanto, reúnem certa inocência e travessura infantil que os renovam. Quando Éder pegou a bola, a dez minutos do final do tempo extra, tinha à sua volta três franceses cuidando da marcação. Parei a imagem do jogo nesse exacto momento. Outros quatro franceses voltaram-se para o lance, como se pudessem fechar todos os flancos. Os sete jogadores mais próximos eram todos franceses. A responsabilidade sóbria que uma final de Euro exige talvez o aconselhasse a tocar a bola para o lado, a esperar que outros atacantes se aproximassem.
Éder dominou com dificuldade, acossado que estava. O chuto era tão improvável que o marcador lhe deu espaço, imaginando que, covardemente, tentaria o passe a algum companheiro. Mas não havia ninguém a auxiliá-lo. Éder deu quatro toques curtos, a ajeitar a bola. O corpo estava de lado para a meta francesa. Não parecia que poderia chutar. Mas ele, como numa traquinagem entre garotos, fez o giro rápido e chutou cruzado. O mais comum seria tentar o tiro em linha recta, no lado esquerdo do goleiro francês. O chuto saiu rasteiro no canto direito de Lloris.
Quando a bola chegou às redes, é possível que o garoto criado em orfanato tenha ouvido o estalar de vidraça se rompendo, som que acompanhou por tantas vezes os seus golos de menino. Mais bonito do que o golo foi o seu sorriso desbragado, a desenvencilhar-se de um e de outro, como quem fugia do dono do armazém que tivera a janela quebrada. Corria para abraçar a glória.
Éder não precisou da luva branca para pedir paz a torcedores implacáveis. Seu sorriso combinava com os versos do poeta guineense Vasco Cabral: “É como se alguém me pisasse e eu me risse — uma alegria toda cor e luz”."

Deus te abençoe, amigo Santos

"Crónica de um amigo para um amigo num momento de glória de um país inteiro

Chamaram-me maluco quando há dois meses disse à boca cheia que Portugal seria campeão europeu. Chegara a essa conclusão por conhecer Fernando Santos do tempo em que treinava o Estrela da Amadora, atirava para o gorducho, usava bigode, já tinha trejeitos e jogava bright. Um homem trabalhador, sério, digno, competente e engenheiro nas construções frásicas. Um treinador fechado defensivamente, que gostava de jogadores experientes, punha muitas vezes o mesmo 11 e tinha um ou dois jogadores fetiche ao ponto de quase parecer que era capaz de alinhar com eles lesionados caso fosse (como o bósnio Velic, um veterano simplificador de jogo).
Deixei de fazer Estrela da Amadora para O Jogo e vim para a Visão de Cáceres Monteiro. O Fernando foi para o FC Porto e pediram-me para escrever um perfil e contar o seu primeiro dia. Não estava fácil conciliar a agenda do treinador com a minha urgência em fazer a peça e mandar para a revista. Lembro-me como se fosse hoje: num lance rápido, depois da conferência de apresentação, disse-me ao ouvido: “Não te preocupes, que eu não me esqueci de ti. Falo contigo na hora de almoço, abdico do almoço mas tu não ficas pendurado”.
Os anos passaram, ele pelos relvados, eu pelos jornais, e deixamos de ter naturalmente tanto contacto. Quando chegou à FPF comecei a observá-lo ao longe e percebi logo que estava preparado para ficar à frente da selecção. Ainda não tinha feito um jogo e já ganhava pontos: mandou as guerrinhas antigas entre seleccionadores e jogadores às malvas, fez uns ‘périplos’ pelos clubes para os convencer a voltar de cabeça limpa, uniu o balneário e juntou a malta à sua volta, o que é difícil num grupo de vedetas milionárias.
Depois fez o que lhe competia: ganhou os jogos e qualificou Portugal sem a tanga da calculadora. Com conservadorismo, certo, mas pragmatismo também. Com a equipa fechada defensivamente, certo, mas com killer instinct para golpear os adversários na hora H (uma nota: este texto foi escrito 24 horas antes da final, ainda não havia Éder na minha cabeça, caro leitor). Continuando: sem brilho, mas com resultados - coisa que há muito não tínhamos apesar dos brilhantismos de outrora de Rui Jordão e Fernando Chalana, Figo e João Pinto.
Mas chegaria para fazer Ronaldo & Companhia pensar que era agora ou nunca? Tive literalmente a resposta no trabalho, esse desporto favorito do tão criticado CR7. Antes do europeu, o Fernando veio à Impresa para uma entrevista com o Pedro Candeias. Apanhei-o no átrio do edifício. Trocamos abraços e perguntei-lhe de pronto: Ganhamos? Ele: “Paulo, tu conheces-me: vamos trabalhar, ou melhor, vamos trabalhar para isso. O resto é a bola que entra ou vai à trave, só Deus sabe”. Como ele é um crente e reza, pensei, Deus te ouça e benze, amigo Santos.
A conversa ficou por ali mas pus-me a pensar se não seria ousado deixar tudo nas mãos de Deus. Não, o Fernando não é disso, do acaso, tem um plano. Mas continuei a duvidar. Pus-me a pensar que grupo e balneário tínhamos – sabia de antemão que com ele iam acabar as palhaçadas das selfies e das miúdas a minar a concentração nos treinos como vi com Paulo Bento – mas não tinha a certeza que tínhamos equipa para voos mais altos. E passei ao exercício do check, concluindo rapidamente que cumpríamos um dos maiores pressupostos de uma equipa que pode ganhar: tínhamos esteio. O check: guarda-redes? Não tínhamos o Buffon mas Patrício também não é mau como o pintam, check; centrais? Pepe e mais um, check; médios defensivos e ofensivos? Para todos os gostos e clubite, check; referência no ataque? Check.
Nisto, surgiram-me os receios: a teimosia, os fetiches e o conservadorismo do Fernando. E lembrei-me do dia em que o levantei em peso na exígua sala de imprensa do Estrela da Amadora quando ele disse que o Jorge Andrade iria ser titular (lembras-te Fernando?). Tinha passado meses a dizer-lhe informalmente que não percebia porque não apostava no Jorge e finalmente ele tinha dado a mão à palmatória. No momento que ele achou correto, é verdade, um bocado tarde a meu ver, é também verdade, mas fê-lo e o Jorge Andrade foi ainda a tempo de ser titular no FC Porto e na selecção.
Ou seja, sabia, desde o início do Euro 2016, que se o Fernando tivesse de dar a mão à palmatória daria. Portanto, bafejado aqui e ali pela sorte do jogo e das lesões, não foi surpresa para mim que tivesse colocado Vieirinha e depois percebesse que Cedric é que era; que começasse com Ricardo Carvalho para a seguir dar o lugar ao Fonte; que tivesse deixado no início Sanches no banco para mais tarde fazer dele titularíssimo; que tivesse teimado em Moutinho até dar a mão à palmatória por Adrien.
Mas tenho de confessar duas coisas que não previ.
(Acertei, entre os meus amigos, que para a final estudaria a França e daria um banho de táctica ao Deschamps, como fez com a Croácia; que se fosse preciso pediria a Ronaldo para ser mais capitão, como contra a Polónia; que adormeceria os gauleses antes do golpe letal, como fez aos galeses.)
Na minha bola de cristal não estava a lesão do Cristiano nem aquele pontapé histórico do Éder. Sabem porquê? Não sou bruxo, sou amigo do Fernando e há coisas que só Deus sabe."

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A fé de Fernando Santos

"Passados estes dias de justificada euforia e de orgulho pelo ceptro europeu, decanto, aqui, um acontecimento que em mim permanecerá. Como português e como católico. Refiro-me ao agradecimento que, premonitoriamente, Fernando Santos fez muito antes da final ganha. Num tempo em que não acreditar é mais fácil do que crer, num tempo em que a nova moda é o ateísmo relativista, num tempo em que tanta gente prefere o absurdo ao mistério, o material ao espiritual, o instante ao permanente, num tempo, enfim, em que expressar-se publicamente como católico e dar testemunho de fé quase exigem coragem, Fernando Santos disse-nos, de alma aberta e livre, que para um verdadeiro cristão não existe diferença entre o pensamento, o coração e a oração. Desta maneira: «Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida [...]. Por último [...) falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome».
Fernando Santos não é um treinador católico, pois que católico não é nele um adjectivo, antes um substantivo. Por isso ele é treinador no trabalho e é católico na vida. Um homem que se deixa iluminar pela luz da fé, com a audácia da esperança e a fortaleza da generosidade, e que sabe que, sem Deus, nada é completo.
Aplicam-se-Ihe as palavras de Bento XVI, ditas em Portugal: «fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza»."

Bagão Félix, in A Bola

Maracanazo dos tempos modernos

"São muitos os episódios à volta do dia em que a confiança insolente de um povo foi confrontada com aquilo que o antropólogo Roberto DaMatta considerou "a maior tragédia da história contemporânea do Brasil". A lenda do Mundial de 1950 tem um enorme protagonista: Obdulio Varela, o capitão que, contra a evidência de um circo romano em que os uruguaios seriam as vítimas, criou uma contracorrente emocional decisiva. Diz-se que, em plena cabina, pegou no jornal 'O Mundo' e, depois de ver a capa, lhe urinou em cima. Havia um motivo: a foto da selecção canarinha era gigante e enquadrava a frase "Estes são os campeões mundiais". Quando as equipas, se formaram para o registo da praxe, 'El Negro Jefe' ficou furioso com os repórteres fotográficos que foram, quase todos, para o lado errado da história. Gritou ofendido: "Deixem esses macacos em paz e venham para aqui. Tirem fotografias, sim, mas aos campeões, que vamos ser nós:"
O sucesso de Portugal, que não precisou de um chefe como Obdulio, começou quando Fernando Santos fez os seus soldados acreditarem nas ideias, no estilo e nas prioridades do futebol que escolheu. Pacho Maturana, o 'Sacchi dos Trópicos', afirmou que "temos de morrer sem nos atraiçoarmos", alertando para a necessidade de os treinadores não abdicarem do que pensam face a pressões ou fracassos iminentes. FS resistiu à mudança mas acabou por moldar algumas linhas orientadoras do guião sem beliscar as suas mais íntimas convicções. Chama-se a isso bom senso. 
Pouco importa agora incidir a reflexão da vitória no Euro se o futebol de Portugal devia ter calibrado melhor ordem e entusiasmo; disciplina e liberdade; luta e criatividade; responsabilidade e irreverência. Se, no fundo, o talento não permitia tomar decisões mais ousadas quando confrontado com ter ou não ter bola; jogar com esperança ou receio; fazer do jogo uma festa ou uma guerra. FS definiu um rumo e todos, incluindo os principais artistas, se comprometeram com as suas opções. A Seleção foi uma equipa temível, por ter coordenado todos os elementos que influenciam o colectivo e pela cumplicidade entre comando e comandados, prova de que só acreditando no líder o treinador consegue transmitir o que pretende e os jogadores aceitam o rumo que lhes é dado.
FS resolveu alguns problemas corrigindo o primeiro instinto: Renato, Adrien, Cédric e Fonte acabaram titulares; o 4X3X3 foi mais utilizado do que seria de esperar e Éder pôde aplicar o tiro mais importante da história do futebol português. O resto foi não dar crédito às imbecilidades de ex-jogadores e comentadores franceses; sorrir perante as certezas irreflectidas do senhor que tira macacos do nariz e põe na boca; venerar o apoio dos emigrantes e não cometer erros. Nunca cometer erros. Acima de tudo, Portugal foi uma equipa competente, que nunca ofereceu, por exemplo, penáltis como o de Schweinsteiger, muito menos reeditou as falhas infantis de Kimmish e Neuer que empurraram a França para a final. O futebol da Selecção não deslumbrou. Mas a paixão, enquadrada por estratégia bem assimilada, também pode ser um espectáculo deslumbrante.
No Stade de France, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, cumprimentou sorridente a equipa portuguesa, deu os "parabéns" a FS e não manifestou sinais de surpresa no momento da festa que silenciou Paris. Já Jules Rimet, líder da entidade máxima do futebol em 1950, grato pela organização do Mundial canarinho, terá afirmado num círculo de amigos: "Estava tudo previsto naquela tarde, menos a vitória do Uruguai." Lá tinha as suas razões: entregou a Taça a Obdulio Varela na cabina porque, no relvado, hão houve condições físicas e emocionais para fazê-lo. Em Saint-Denis não se chegou a esse extremo. O espírito do Maracanazo esteve lá, é certo. Os tempos é que são outros."

Figo-Rui Costa 'vs.' Raphael-Renato-Éder

"Podemos recuar a Eusébio, Coluna, Hilário, Vicente, Jaime Graça, José Augusto, Torres, Simões - 3.º lugar no Mundial-66, meia-final perdida (2-1) com Inglaterra que jogou em casa e seria campeã, Eusébio estrela universal, rei dos goleadores (9 golos em 6 jogos). Geração de ouro - vincou excepcional Benfica bicampeão europeu e 3 vezes vice-campeão, bem como o Sporting vencedor da Taça das Taças -, a qual, porém, vítima de amadorismo na FPF, não voltaria a qualquer fase final! 
Podemos lembrar Humberto Coelho, António Oliveira, João Alves, elite que a Selecção desperdiçou. E a geração de Bento e Damas, Jaime Pacheco e Sousa, Diamantino e Carlos Manuel, Fernando Gomes, Nené, Manuel Fernandes, sobretudo de Chalana e Jordão - 3.º lugar no Europeu-84, meia-final perdida (3-2) no prolongamento com França campeã. Geração dilacerada por dentro, na mesquinhez de clubite Benfica-FC Porto, e que, no Mundial-86, reforçada com o menino Paulo Futre, caiu de borco em guerra total com a direcção federativa!
E a Selecção-2012, a um triz da final... (penalties com Espanha campeã). Mas lembramos, sobretudo, a 2.ª geração de ouro, erguida em dois títulos mundiais de sub-20, liderada por Figo, Rui Costa, Vítor Baía, Paulo Sousa, João Pinto, Fernando Couto, Jorge Costa: 3.º lugar no Euro-2000, e, ainda com alguns deles ao lado de novas estrelas - Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Deco, Costinha, Maniche, Ricardo, Nuno Gomes, Pauleta e... o menino Ronaldo - 2.° no Euro-2004, 4,º no Mundial-2006. Esta geração perseguiu a fundo o grande sonho e tão pertinho esteve de o alcançar... Que sentirão agora Figo, Rui Costa & companhia, vendo os recém-chegados Cédric, Raphael, Fontes, William, Danilo, Adrien, Renato, Éder... serem, logo à 1.ª, campeões da Europa?!"

Santos Neves, in A Bola

Ó mar salgado, quanto do teu sal [voltam a ser] lágrimas de Portugal

"PARIS - Decidi escrever mais um Sous Le Ciel de Paris, porque ontem, já em Orly, apercebi-me, depois de ler a Imprensa francesa, de que ainda havia alguma coisa que estava por dizer. Mas, antes disso, não posso deixar de partilhar a emoção que foi ver, a quase dois mil quilómetros de Portugal, a festa de Lisboa, uma celebração com uma dimensão inédita no nosso País, um sentimento de pertença e de união comovente.
Um sentimento de amor pela Pátria. Um sentimento feito de coisas positivas, sem amarras a um passado que procurou colar essa ideia a outras práticas. Não me envergonhei nunca do orgulho que tenho em ser português, da ancestralidade do nosso legado, do que demos ao Mundo e de quem somos. Mas, durante décadas, este sentimento puro foi muitas vezes - estupidamente - confundido com reaccionarismo. Qual quê. É o que somos, quem somos! E acaba por ser a Selecção Nacional a estar na primeira linha da destruição deste complexo contranatura que impedia muitos de gritarem o amor à Pátria.
Com a vitória de Portugal no Campeonato da Europa de 2016, o imaginário pessoano foi recuperado e podemos de novo cantar, «Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!» Porque em cada canto do mundo onde há portugueses ou onde a cultura portuguesa significa alguma coisa, derramaram-se lágrimas de felicidade, lágrimas há muito contidas e que serão recordadas para todo o sempre. Quem viveu o 10 de julho jamais o esquecerá. E a maré encheu com as lágrimas salgadas de Portugal.
Quase não tenho palavras para a imagem fortíssima que foi ver Xanana Gusmão, um dos heróis do Portugal moderno, que dá novos mundos ao mundo e defende a liberdade e os direitos humanos, em Dili, sentado na janela de um automóvel a celebrar os heróis de Saint-Denis. O mesmo Xanana a quem tive oportunidade de oferecer, nas faldas do monte Ramelau em Timor-Leste, um emblema de ouro de A BOLA e que me disse: «A BOLA é um grande jornal, representou sempre muito para nós.»
Além deste turbilhão de emoções, confesso que foi com agrado que acabei de ler as edições de terça-feira do L'Équipe, do France Football e do Le Monde. Em todos eles, a contragosto, como se lhes estivessem a arrancar a pele, encontramos o reconhecimento ao mérito de Portugal, à excelência da liderança de Fernando Santos (sublime o artigo de António Bagão Félix, que já li, e que se encontra na página dois desta edição), ao primado da ideia que sempre balizou o percurso da turma das quinas e à liderança de Cristiano Ronaldo, a inspiração de um um grupo que, noutros tempos, valeria, por certo, um Canto d'Os Lusíadas."

José Manuel Delgado, in A Bola

A taça e as traças

"Entre as ridicularias de alguns opinadores, bloggers e outros adeptos franceses com as suas 'dégueulasses' (faz mais sentido, já agora, traduzir esta palavra por 'perverso' ou 'sujo', do que insistir no 'nojento'), as suas petições para a repetição da final (o jogo tem sido reproduzido nas televisões e Portugal ganha sempre...), as suas comichões homofóbicas ou as suas azias mal disfarçadas - e o tempo perdido por muitos portugueses a indignar-se e a responder (alguns na mesma moeda...) a estas opiniões ignorantes e retardadas, nem sei dizer quem faz a figura pior. A Selecção Nacional é campeã europeia com todo o mérito, desde logo porque ninguém ganha uma competição destas sem o ter, e ponto final. Só isso interessa. O resto são 'fait-divers'.
O futebol da Selecção não teve 'nota artística', mas teve 'nota técnica' e 'nota táctica', sobretudo esta última. Portugal defendeu muito? Sim, mas também atacou muito. Aliás, o grande mérito desta equipa foi saber defender com todos e atacar com todos. Ninguém se limitou a lutar pela sobrevivência. Houve paciência e concentração para deixar os adversários subir no terreno, não lhes dar espaço de (grande) manobra e roubar-lhes a bola para iniciar o contragolpe. A táctica resultou, porque todos a souberam interpretar bem e foram eficazes na hora das decisões.
Não foi melhor, nem pior. Foi diferente o jogo português. Pragmático e cínico, sim. E qual é o mal? É deixá-los falar. A taça está cá e as traças ficaram lá."

Santos, Ronaldo & associados

"A Selecção Nacional é campeã da Europa de futebol porque tem uma identidade muito própria. Com Fernando Santos sabemos quem somos: uma equipa organizada e disciplinada, com sentido estratégico e talento colectivo. Depois, Fernando Santos é daqueles treinadores que conta com a estima, o respeito e a admiração dos seus jogadores - aliás, nunca vi Cristiano Ronaldo elogiar tanto um treinador como o faz com ele. Fernando Santos sabe de futebol - atente-se na sua visão no momentos das três substituições na final com a França, o que evidencia sabedoria - e sabe ser líder. Atente-se na sua gestão ao longo de todo o percurso que encerrou com o título europeu, confirmando aí que a nossa equipa tem um líder e tem um rumo, um líder que sabe transcender-se nos momentos mais difíceis - e como eles foram tantos durante toda esta nobre competição.
A Selecção Nacional chegou ao título europeu porque provou, em cada um dos seus jogos, que temos uma equipa segura. Uma equipa que entende o jogo de forma a que nada a surpreenda e que tem um treinador que tem a rara capacidade de preparar atletas que se lideram a si próprios nos momentos de alta pressão, como se viu ainda na final de domingo, e sobretudo depois da saída de Cristiano Ronaldo um líder natural, especialmente pela capacidade de contagiar os outros, mas também porque é um líder moral ao influenciar as atitudes dos seus colegas. Mas de Cristiano Ronaldo deve ainda dizer-se que é também o líder do espectáculo e do 'perfume' que, com os anos, se tornou também um líder de comportamentos. O que só lhe fica bem.
Nestes momentos de orgulho nacional, uma palavra para os outros 22 jogadores que souberam formar uma equipa de hábitos e intencionalidades, que souberam ser solidários e eficazes nas suas tarefas; e é por tudo isto e por nada disto que temos Selecção, uma Selecção que foi modelada por Fernando Santos e pensada por Fernando Gomes, que nos enche de orgulho, e isso é que é importante, num país que bem precisava deste colinho tão bom, mas que dispensava ainda mais o aproveitamento de alguns, afinal, o aproveitamento dos do costume."

Mundial é um objectivo obrigatório

"O estatuto que Portugal passou a ostentar após a memorável jornada do Stade de France não lhe permite outra coisa que não seja assumir, quando chegar a hora certa, o objectivo de lutar pelo próximo Campeonato do Mundo, na Rússia. É um desafio gigantesco, o maior de todos, mas o campeão europeu não pode ficar de fora da lista de candidatos. Não há pressas nem angústias porque o momento é para desfrutar e também porque 2018 ainda vem longe. Pelo caminho há muito a fazer e o primeiro passo de todos - assim que a euforia acalmar e for altura de voltar a arregaçar as mangas - será confirmar a renovação de Fernando Santos. Depois disso, então sim, surgem duas etapas pré-Mundial. 1.ª: a qualificação para o próprio Campeonato do Mundo, obviamente. 2.ª: a primeira participação na Taça das Confederações, que decorrerá entre 17 de Julho e 2 de Julho de 2017.
Há uma base extraordinária para atacar os próximos dois anos, talvez os mais aliciantes e sedutores na longa vida da Selecção Nacional. Os mais velhos do onze que disputou a final de Paris são Pepe, José Fonte e Cristiano Ronaldo. E esses terão, no Mundial da Rússia, 35, 32 e 33 anos respectivamente. O caso do central do Real Madrid poderia ser o único a suscitar algumas dúvidas. Mas se Pepe é hoje, aos 33 anos, o melhor central do Mundo, então há boas razões para acreditar que em 2018 ainda será indiscutível. O mais fantástico de tudo, no entanto, é saber que aqueles que vão assegurar o futuro também já ajudam a garantir o presente. Sobre Renato Sanches já quase tudo se disse. Talvez só falte dizer que se tornou impossível fazer planos a longo prazo que não o incluam. Pensar que ainda há poucas semanas havia tanta gente ilustre a duvidar das condições do jovem médio para ser titular neste Europeu... Acontece aos melhores, claro."

Benfiquismo (CLX)

Taça Ibérica

Uma daquelas Taças oficiais...
organizada pela FPF e a RFEF...
entre o Campeão Português e o Campeão Espanhol,
que o Benfica venceu...
1984

Orgulho nacional

"Aprendi, ao longo da carreira, que para ser árbitro competente e imparcial, deveria ser o mais pragmático e racional possível, em campo. Embora as emoções estejam sempre presentes, estas devem ficar guardadas para o homem, para o amante do futebol que há em cada árbitro. Mas essa linha, a que separa essas realidades, é ténue. A capacidade de a traçar, sabendo que ela quase se confunde, é a que distingue o bom do excelente. Nesta ou em qualquer carreira.
É certo que seremos sempre o resultado da competência e do saber com as inerências emocionais, mas há profissões em que apenas a razão devia impor-se, deve decidir, com distanciamento das tentações que o coração tantas vezes nos tenta impingir. É assim na arbitragem como na advocacia, na magistratura, na medicina e em tantas áreas.
No domingo, o ex-árbitro Duarte Gomes torceu pelo seu colega inglês e equipa. Torceu para que ele fosse competente, para que tivesse noite feliz e para que soubesse encontrar a sorte. Torceu para que ele acertasse muito e para que não ficasse ligado ao resultado.
No mesmo domingo, o Duarte Gomes pai, filho, irmão, amigo e colega de muita gente, quis que Portugal vencesse. Quis que Portugal derrotasse a França, sem dó nem piedade. Quis que Portugal desse a chapada de luva branca que a humildade devia à prepotência. Quis que Portugal representasse a vitória dos oprimidos contra os opressores, da crença e do querer contra o chauvinismo e a arrogância. No domingo, o Duarte Gomes homem quis que Portugal vingasse derrotas do passado e que fosse campeão europeu. Conseguem compreender o dilema ao ver aquele jogo, enquanto trabalhava? A luta interior que foi analisar com a razão sem sucumbir aos desvarios da emoção? Era a arbitragem de uma das mais importantes finais desportivas do planeta, em que uma das equipas presentes era a Selecção de todos nós! Sabem uma coisa? Não foi tão difícil quanto imaginei. Foi até bem mais fácil do que supus. Quando os anos e a experiência ensinam a separar a razão do coração, tudo se torna mais fácil. E essa é uma dívida que jamais poderei pagar à arbitragem. Uma de muitas. 
Mas a história, por estes dias, não se escreve com páginas sobre árbitros. Não deve nem pode, aliás. Escreve-se pela brilhante etapa que uma geração ultrapassou em nome de um povo. Um povo que há muito merecia alegria assim, que lhe devolvesse a esperança e que lhe transmitisse mensagem: a de que quando a vontade é grande, não há obstáculo, dor ou medo que não se ultrapasse, que não se vença ou que não se supere.
Well done, boys. E obrigado..."

Duarte Gomes, in A Bola

Ronaldo: herói e mártir

"Quando Cristiano Ronaldo disse que queria vencer o Campeonato da Europa para dar uma prenda ao povo português terão sido poucos que lhe deram importância. Pelo contrário, foi criticado por estar a banhos em Ibiza quando os companheiros já trabalhavam no Jamor, sem se dar conta que acabara de triunfar na Liga dos Campeões com a camisola do Real Madrid. Ele e Pepe gozavam o descanso merecido e concedido pelo seleccionador. Confesso que também eu não me fixei nessa declaração que era o anúncio do momento encantador que estamos a viver. Classifiquei-a, na altura, como simples gesto de simpatia da parte de quem desfrutava a terceira Champions da carreira. Avaliei mal a situação, porém. Erro meu, por não ter levado em devida conta que Ronaldo é viciado em vitórias e em títulos e obstinado em conseguir sempre mais e melhor, revelando uma ambição sem limites na descoberta de patamares suficientemente elevados que lhe permitam tocar a perfeição.
Este foi o Europeu que Ronaldo quis oferecer a todos os portugueses e aquele em que muito se sacrificou para alcançar esse objectivo. Ultrapassada a barreira dos 30 anos, sentiu que, provavelmente, se lhe deparava a derradeira oportunidade de alcançar conquista de grande dimensão internacional pela Selecção. Se já era o melhor jogador do Mundo, a partir de agora deve ser visto também como o melhor capitão do Mundo, a extensão perfeita de um treinador junto do grupo de jogadores.

Ronaldo foi o guia, dentro e fora do campo. Foi o arquitecto da ponte de amizade que se estabeleceu entre a Selecção e a maravilhosa comunidade lusa em França. Foi o psicólogo que levantou o moral de companheiros em períodos críticos, como a história da grande penalidade apontada por Moutinho no jogo com a Polónia e o empurrão revitalizador ao esgotado Raphael Guerreiro, com a França. Foi amigo de todos nos treinos, com infinda disponibilidade para dar sorrisos, abraços e afectos. Na noite de domingo, ao lado do seleccionador, no banco de suplentes, foi sofredor e o braço direito de Fernando Santos na ajuda que lhe deu no envio de mensagens de confiança e de motivação para o interior do recinto de jogo.
Depois das lágrimas do capitão provocadas pela lesão e consequente saída de cena, depressa emergiu a tal força de acreditar que emprestou a esta equipa portuguesa uma solidez granítica na defesa dos seus interesses desportivos, além de contar com a comovente cumplicidade de milhares de portugueses e portuguesas, os quais viram o seu inestimável apoio recompensado quando Ronaldo ergueu o almejado troféu.

A nossa Selecção apresentou-se em Paris, não para estragar a festa dos franceses, mas sim para fazer a festa dos portugueses e para provar que apesar de ser um país pequeno em superfície é, confirmadamente, uma potência do futebol mundial. Estivessem os nossos governantes ao nível dos nossos futebolistas em talento, dedicação, garra e vontade de ganhar, de certeza que em Bruxelas olhariam para nós com mais respeito...
Ronaldo assumiu-se como líder e, além disso, foi o maior dos heróis. Pelo que jogou, apesar das pesadas consequências de temporada exigente, disputada ao mais alto nível e em cenários muitas vezes desfavoráveis, e pelo que representou na Selecção e no relacionamento com o povo. No entanto, pagou factura pesada pelo facto de ser a grande referência de Portugal.
Na conferência de imprensa da projecção do jogo, Didier Deschamps teve duas frases enigmáticas:
1. «Se existe plano anti-Ronaldo ninguém sabe a receita»;
2. «Neutralizar Ronaldo seria perfeito, mas reduzir a influência que tem na Selecção de Portugal já seria bom».
As palavras são dele e trago-as à colação sem qualquer intuito bacoco, mas não deixa de ser um raio de coincidência a entrada desabrida de Payet precisamente sobre o joelho mau de Ronaldo: o esquerdo. Não quero insinuar sequer que houve a intenção por parte do jogador francês de excluir o capitão português do palco do jogo em maca, de o transformar em mártir da arrogância gaulesa, mas acredito na intenção de entrada rijinha para provocar dor e inibição. Não significa que tenha sido assim, mas os treinadores que se dão ao trabalho de me lerem sabem que não estou a dar nenhuma novidade... Há quem recorra a esses estratagemas com a ideia de fragilizar o opositor.
Enfim, como prémio de consolação Payet aparece no primeiro lugar do barómetro da UEFA. Tenham paciência... O novo campeão da Europa é Portugal: Ronaldo quis, Santos acreditou e a obra nasceu."

Fernando Guerra, in A Bola