Últimas indefectivações

sábado, 15 de agosto de 2015

Vitória...

Benfica B 1 - 0 Penafiel


Boa 1.ª parte, com o Benfica a jogar bonito, e a marcar... No 2.º tempo começamos cedo a gerir a vantagem mínima, e temos que admitir que tivemos alguma sorte: grande defesa do Miguel, logo a seguir bola na barra, e logo a seguir falhanço do avançado adversário...!!!
É verdade que em contra-ataque também podíamos ter marcado (o Diogo que o diga...!!!), mas praticamente desistimos de ter a bola nos pés...
O Penafiel é um dos principais candidatos à subida, tem um plantel de 1.ª, um bom treinador... que se estreou o ano passado na Luz, deixando boa imagem, portanto excelente teste aos nossos miúdos...
Se no empate em Olhão merecíamos ter ganho, hoje se calhar o Penafiel merecia o empate!!!

Destaco o Pawel, grande evolução; o Renato está mais controlado no que faz; o Diogo continua a marcar; o Joãozinho continua a fazer jogar (recordo que é um dos mais novos); estão a faltar os golos ao Sarkic; os Centrais quase sempre bem; Rebocho evoluiu muito a defender...; Alfaiate continua adaptado. Tirar Clésio e o Berto do banco, é com largar duas 'bombas' para o relvado...!!!
Uma nota para o regresso à titularidade do Dino, pois o Vítor Andrade foi convocado para a equipa principal, como é habitual fez coisas muito boas (assistência para o golo...), misturadas com paragens cerebrais incríveis...!!!

O Hugo Miguel esteve quase a ter um orgasmo, quando 'assistiu' o matacão do ponta-de-lança, para este marcar um golo ao Benfica, mas o Fiscal-de-linha marcou, bem, fora-de-jogo!!! No resto, fartou-se de fazer merda, o critério nos contactos a meio-campo foi do mais inclinado possível, este é outro dos bois que não pode ver o vermelho à frente, nem quando jogamos de branco!!!

De cavalo para burro

"O treinador do Sporting mal chegou e já ganhou uma Supertaça. Não se pode dizer que tenha andado de cavalo para burro do ponto de vista dos resultados práticos, visto que prossegue na sua senda de sucesso, apesar de ter mudado de clube. Foi com uma vitória por 1-0 sobre o Benfica no campo de jogo e com uma goleada por 3-0 no campo das telecomunicações que o novo treinador do Sporting viu cimentada esta semana a sua reputação de 'O Cérebro'. Três jogadores do Benfica terão revelado os conteúdos intencionalmente desanimadores das mensagens que o seu ex-treinador lhes enviou para os respectivos números de telemóvel nas vésperas da decisão da Supertaça. Ora aqui está uma coisa nova no futebol português, um passo em frente no capítulo dos 'mind games' que evoluem agora para a intimidade forçada do contacto unipessoal em detrimento das grandes tiradas para toda a gente ouvir.
QUE fique claro que isto não configura qualquer tipo de ilegalidade punível com prisão. Aliás, o Jorge Jesus do Sporting anda muito mais à solta do que andava à solta o Jorge Jesus do Benfica, ou não anda? Do lado dos três jogadores do Benfica também nada há de reprovador a apontar-lhes. Foram vítimas de 'bulling' por SMS e nada mais. E não foi por isso que o Benfica perdeu o jogo com o rival. O Benfica só perdeu o jogo porque uma bola sem grande direcção rematada de longe por Carrillo foi embater num tornozelo de Gutiérrez, acabando por trair Júlio César, que não teve maneira de prever o inesperado desvio.
NO entanto. a opção pelo serviço de SMS demonstrou (como se fosse preciso...) a sagacidade do treinador do Sporting. E tal como, no Estádio do Algarve, Júlio César não teve maneira de prever a trajectória da bola desviada pelo tornozelo de Gutiérrez, também não haverá ninguém neste mundo que disponha de maneiras de prever ou, sobretudo, de impedir a chegada de uma mensagem no telemóvel. Trata-se de uma incontornável funcionalidade da vida moderna. Jorge Jesus, em função dos seus interesses, fez o melhor ao mandar mensagens escritas aos seus ex-jogadores. Mensagens escritas são palavras que não voam. Se tivesse optado pelo corriqueiro e inocente telefonema, quem lhe garantiria que Jonas, Eliseu, Talisca e outros considerariam sequer a hipótese de lhe atender a chamada?
ORA aqui está um caso, bastante curioso por sinal, que vai certamente obrigar o departamento de telecomunicações da estrutura do Benfica a agir com a máxima sabedoria e, se possível, sem perda de tempo, não se vá perder a rede. E o resto."

Para Jesus o 'fair play' ainda é uma treta

"Parece ter nascido por aí uma polémica artificial sobre os SMS de Jorge Jesus enviados a alguns dos seus antigos jogadores do Benfica. A notícia surgiu publicamente depois de ter andado a ser disseminada, numa acção conspirativa, por todos os bas fonds do jornalismo nacional e, ao que parece, a ideia do denunciante teria em mente a propagação de uma imagem de condicionamento do treinador aos seus antigos jogadores, influenciando o seu rendimento (não se percebe de que forma) para o jogo da final da Supertaça.
Houve mesmo quem anunciasse que um dos SMS avisava um determinado jogador de que antes mesmo de jogar a final de Faro, «já perdeste o jogo».
Anteontem, na conferência de imprensa sobre o desafio de abertura do campeonato, os jornalistas saíram algo desiludidos porque Jorge Jesus não confirmou nem desmentiu a existência dessas mensagens, mantendo a dúvida. Ou seja: ouviram o que ele disse, mas não souberam interpretar.
Basta conhecer Jorge Jesus para perceber que ele confirmou. Primeiro, porque não recusou a veracidade da informação, depois porque disse algo que parece ter passado despercebido, mas que é essencial para o completo esclarecimento do caso. E o que disse Jorge Jesus? Que sempre agiu da mesma maneira no Benfica, no Belenenses, no Braga, clubes por onde, antes, tinha passado. O que Jorge Jesus tentava fazer entender é que ao longo dos seis anos que trabalhou no Benfica agira da mesma forma e certamente que teria enviado SMS para outros jogadores seus conhecidos e eventuais adversários.
Coloca-se, agora e antes, a questão da ética. É aceitável e compreensível que se discuta a questão nesse plano, mas não podemos é fingir que não sabemos o que pensa e sempre pensou Jorge Jesus sobre a ética e o fair play no futebol de alta competição: «É UMA TRETA!»
Isso prova que Jorge Jesus não é um bom rapaz e que tudo lhe serve para ganhar? Talvez sim, mas isso não o diferencia de outras grandes referências do futebol português, algumas, dadas como esplendorosos exemplos de inteligência e de sagacidade.
Outra questão diferente é admitir que essas mensagens possam mesmo ter resultado em menor rendimento de alguns dos jogadores do Benfica no jogo da final da Supertaça. E isso é mais um problema interno do Benfica do que de Jorge Jesus.
O Benfica soube da existência dessas mensagens antes do jogo? Soube. E não as denunciou porque certamente entendeu que seria melhor lidar com elas sem dar conhecimento público antes da final, mantendo, aliás, o perfil de reserva e de silêncio que tem tido resultados alarmantes.
O problema é que o Benfica não conseguiu transformar essa manifesta acção psicológica do adversário numa vantagem sua. E a ser verdade que as mensagens de Jesus tiveram, de facto, influência, então só se pode concluir que a estratégia do Benfica, tivesse sido ela qual fosse, falhou.
Há, no entanto, um facto a registar sobre esta súbita mudança de relação do Benfica e dos benfiquistas com Jorge Jesus. Ficou claro no Estádio do Algarve que os adeptos do Benfica abominam o treinador. Não pelas suas capacidades técnicas, mas pelo que representa, neste momento, em imagem de ingratidão e, muito pior do que isso, de traição. Julgo que é esse o sentimento da maioria dos adeptos benfiquistas. Ninguém parece querer saber das circunstâncias, mas todos, ou quase todos, o atacam como se de um verdadeiro desertor se tratasse. É aí, devemos reconhecer, o trabalho desenvolvido pela comunicação oficial e oficiosa do clube teve inteiro sucesso."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: O Vitinho dos Croquetes, consegue na mesma crónica: ironizar com as teorias conspirativas; e logo a seguir especula (conspirando), insinuando que Jesus no Benfica, também enviava SMS's...
E termina com nova 'conspiração': Sr. Croquete, os Benfiquistas não precisam de conspirações manipuladoras de gabinetes de comunicação, para abominarem o Judas, é algo perfeitamente natural...

Águias não brincam

"A vinda de norte-americanos para Portugal nem sempre é sinónimo de qualidade, mas o 'shooting guard' Daequan Cook, um virtuoso no lançamento exterior, é mesmo reforço para o Benfica, que viu sair este ano o seu mais influente jogador, Jobey Thomas. Trata-se também da resposta de um clube que não brinca em serviço quando procura a conquista do pentacampeonato e tem a frente europeia. É que as contratações, de peso, do rival FC Porto tinham de ser levadas em linha de conta. E ainda bem que o mercado se agitou, pois a Liga promete, finalmente, uma competitividade a sério, depois de muitos anos de vazio."

Alexandre Reis, in Record

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Um futuro de Vitória(s)

"Sem meio termo. No Benfica ou estamos em euforia desmedida ou depressão colectiva. A paixão dos adeptos pelo clube não compreende meio termo nem racionalidade. Também sou assim um pouco, não fujo por isso à regra, embora tente.
Não gostei de perder e o Benfica não jogou bem a final do Torneio do Guadiana no passado domingo. Custa mais quando se perde para adversário tão fraco. Parabéns por isso a quem venceu com justiça. Vivemos uma altura em que se espera sangue frio de quem decide. Há jogadores que vão entrar, há jogadores a recuperar de lesões, há métodos de Rui Vitória que estão a ser assimilados e por isso vamos melhorar. Até Rui Vitória tem que estar a aperfeiçoar a sua ideia de jogo. O treinador, mais que ninguém, percebe que o Benfica exige muito mais: no Benfica só se pode jogar para ganhar.
Por isso, domingo, contra o Estoril, um jogo que já é a sério só pode ser melhor e para vencer.
Nos últimos 15 anos, poucas foram as vitórias no primeiro encontro do campeonato. Ganhar domingo é, para o Benfica de Rui Vitória, o começar a inclinar a história a nosso favor.
Escrevo de Sevilha onde um adepto andaluz me descreve Jiménez como «um assassino de golo silencioso». Estando confirmada a contratação é, mais uma solução. Sozinho não vai resolver problemas colectivos, mas numa boa equipa, com rotinas e motivada, pode ser muito útil. Até dia 31 de Agosto é construir. Mas agora já tem que ser construir a ganhar, porque somos o Benfica e temos uma ambição clara: ser tricampeões. Feito que já só se lembram adeptos mais antigos. Rui Vitória sabe disso, nós também, e por isso merece todo o nosso apoio.
Domingo todos à Luz para começar a construir um futuro de Vitória (s) juntos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória, Jiménez e o tridente...

"Confesso que sempre senti maior admiração pelos treinadores que procuram encontrar o sistema de jogo que melhor potencie os jogadores que têm à disposição, do que pelos técnicos que encaixam os pupilos no modelo de que mais gostam.
A chegada de Raúl Jiménez ao Benfica merece que se pare um pouco para pensar que tipo de utilização lhe deverá ser dada por Rui Vitória, uma vez que não é crível que uma aposta como a que Luís Filipe Vieira fez no mexicano não tenha sido feita no pressuposto de que este será titular. Se assim for, e porque também não se vislumbram razões para que Jonas, o melhor jogador da última edição da Liga, não entre no melhor onze; nem se pensa, a priori, que Mitroglou, outra das novas estrelas da companhia encarnada, tenha rumado a Lisboa para apreciar as vistas do banco de suplentes da Luz, conclui-se que existe uma forte probabilidade de Rui Vitória vir a engendrar um sistema que acolha a presença deste tridente.
Se assim for, e tendo em conta os jogadores que presentemente constam do plantel encarnado, o equilíbrio a meio-campo, torna-se essencial. Parece pacífico que Gaitán e Samaris são claramente titulares neste Benfica, ficando em aberto mais um lugar no miolo, quiçá para Fejsa, se Samaris atuar como interior direito, ou para Pizzi ou Carcela, caso a cabeça da área seja entregue ao internacional grego. Este é, com a chegadade Raúl Jiménez, o grande desafio que se coloca a Rui Vitória. Será que vem a caminho um Benfica desenhado a partir de um 4x4x2 losango? Não será ainda no próximo domingo que se conhecerá a resposta a esta questão, uma vez que o ponta-de-lança mexicano ainda não estará operacional para a receção ao Estoril. Mas o assunto fica, desde já, em cima da mesa..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Creio que a estratégia do Rui, não passa por usar os 3 em simultâneo, mas...

Travões a fundo!

"Com Jorje Jesus sabia que tinha que alterar o projecto; o Benfica queria o caminho inverso mas arrependeu-se!...

SPORTING e Benfica queriam seguir uma direcção e agora, como já se esperava, mudam de rumo. O Sporting pela óbvia razão de ter agora Jorge Jesus e, tendo Jorge Jesus, ter, também, de perceber que não é a pensar nos mais jovens jogadores que pode aspirar a ganhar títulos; quanto ao Benfica, estava mesmo a ver-se que mudaria a direcção logo que mudasse o vento e passasse o vento a soprar desfavorável como soprou no Algarve.
Queria o Sporting, na última época, convencer a malta que o essencial do projecto era apostar em jovens como Tobias Figueiredo ou Ricardo Esgaio ou Carlos Mané ou Ryan Gould, e por diversas vezes fez o clube leonino passar a mensagem que Marco Silva tinha dificuldade em entender esse projecto e que por essa razão parecia tornar-se um treinador incompatível com o projecto dos leões e do presidente Bruno de Carvalho mais os seus acólitos. Pois ao contratar Jorge Jesus, ao contratar o melhor treinador que está em Portugal e um dos melhores treinadores da Europa, o Sporting vê-se obrigado a mudar o projecto, porque o projecto do Sporting é agora, como não podia deixar de ser, o projecto de Jorge Jesus, o projecto de quem quer discutir e conquistar títulos e não o projecto de quem passou muito tempo a dizer que tinha um projecto sem se saber exactamente que projecto era esse a não ser que era um projecto que passava, antes de mais, pela aposta em JOVENS JOGADORES lá formados ou entretanto contratados!
Só contrata Jorge Jesus quem aposta tudo nos títulos, mete as fichas todas na conquista de campeonatos. Se não é isso que se quer, então não se precisa de um treinador como Jesus.
Como o Sporting foi a correr atrás de Jesus assim que lhe cheirou que era uma possibilidade Jesus não continuar no Benfica, então lá teve o Sporting de meter na gaveta o tal projecto que dizia que tinha na última época. Uma coisa é PODER contar com Esgaio, Tobias Figueiredo, Mané ou Gelson Martins, outra coisa é TER de contar com eles para chegar aos títulos.
Seja com Jorge Jesus, seja com qualquer outro treinador, jogar para ganhar uns jogos é uma coisa, jogar para chegar ao topo é outra.
Como diz um amigo meu, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
E assim nos entendemos.
Para chegar ao topo, o Sporting precisa de um Naldo, é melhor dispor da experiência de João Pereira, é indispensável não deixar sair Jefferson, mais William, Adrien ou Slimani, é absolutamente essencial a qualidade de um Bryan Ruiz e a competitividade de um Teo Gutiérrez, mais a cabeça limpa de um Carrillo. Portanto, com Jorge Jesus lá se foi o projecto que o presidente do Sporting dizia que tinha, e fez bem o presidente do Sporting, porque com o projecto que dizia que tinha dificilmente poderia torná-lo um prometo verdadeiramente ganhador.
Claro que nem mudando o rumo tem a garantia de ganhar títulos; mas pelo menos assim ganha mais certeza de os discutir; ganha uma equipa com dimensão para se bater, mano a mano, com qualquer dos rivais, habituados, nos últimos anos, a discutir os títulos convenientemente pouco incomodados pelo leão.
Pelo menos assim, o presidente do Sporting ganha mais fichas para poder rir no fim; ganha poder e ganha qualidade. E ganha, como se viu no Algarve. E ganhando, ganha confiança. E com mais confiança, ganha mais motivação. E quanto maior motivação, maior a probabilidade de vencer. E quanto mais vencer, mais hábito cria. E quanto mais habituada a ganhar uma equipa fica, mais perto estará sempre de chegar ao topo.
Fez, pois, muito bem o presidente do Sporting ao concluir que no futebol os melhores projectos são os que vencem. E os que melhor se preparam para vencer. Fez bem o presidente do Sporting. Não diga é que o projecto é o mesmo. Porque não é.
Também se ganham títulos com jovens jogadores, claro que sim; mas não se ganham títulos com uma maioria de jovens jogadores.
Está provado que dificilmente dá!

QUERIA o Benfica inverter a loucura financeira dos últimos anos e desinflacionar a massa salarial. Anunciou o Benfica um outro projecto, a mudança de paradigma. Desinvestir e apostar num outro treinador e num outro rumo.
Passou o Benfica a mensagem que iria ao mercado apenas para operações cirúrgicas. Foi buscar alguns reforços e chegou a pensar-se que fecharia a loja com a substituição de Lima por outro avançado. Pois saiu Lima e entrou Mitroglou.
Acontece que o Benfica perdeu aquela primeira batalha do Algarve, e perdeu-a no campo e fora dele, e foi logo a correr fechar o acordo com Raúl Jiménez, e, pelo que sabe, está a desenvolver contactos para mais uma ou duas contratações e para um investimento global que no fim poderá muito bem ascender a mais de 20 milhões de euros.
Estava o Benfica a querer fazer o caminho inverso ao do Sporting. Passar a apostar mais na prata da casa e num treinador mais sereno, menos exigente, e que mais facilmente se adaptaria ao novo projecto que o Benfica anunciava.
Mas não é a verdade como o azeite?
Pois bastou perceber o que sucedeu no Algarve - numa Supertaça tão claramente ganha pelo Sporting como claro foi aquele penalty sobre o Gaitán que Jorge Sousa terá sido dos poucos a não ver... - que o Benfica logo meteu travões a fundo para mudar de direcção e de projecto. Qual formação, qual carapuça!... Venha de lá o Mitroglou, mais a qualidade de um internacional como Jiménez, e de preferência a experiência de um Fábio Coentrão (que apesar do desejo muito dificilmente regressará à Luz) ou demais algum valor esquecido que por aí ande no mercado até 31 de Agosto, como bem deixou entender Rui Costa logo após o insucesso algarvio.
Quem quer ganhar desinveste como?

AGORA em contramão, Sporting e Benfica parecem finalmente remar para o mesmo lado, alertados para uma batalha que não tem lugar para meninos de coro. O Sporting já sabia que com Jesus a conversa seria outra, e o Benfica passou a sabê-lo ao perceber o trabalho que tem pela frente se não quer ficar irremediavelmente para trás e se quer proteger o seu inocente nesta guerra sem tréguas.

PS: Começa hoje a Liga seguramente mais controversa dos últimos dez anos em Portugal. E não é a entrar «receoso» que o Benfica lá vai. Nem a usar o Mitroglou acabadinho de chegar. Isso foi o pior!"

João Bonzinho, A Bola

Sem medos

"Domingo à noite, apito final, Supertaça decidida e começa o chorrilho de asneiras. Na entrevista em pleno relvado, o treinador da equipa que ganhou o jogo dedica as primeiras palavras ao SL Benfica. E as segundas, as terceiras e por aí adiante. Tem sido assim desde que mudou de clube. Por dá cá aquela palha, lá vem ele falar na obra feita no Benfica, troca os nomes dos clubes, elogia os adeptos rivais, enfim nada que me possa espantar depois de seis anos em que andei a tentar encontrar desculpas para tanta fanfarronice. No Algarve não foi diferente. Já se tinha atirado a Rui Vitória, atual treinador da equipa Bicampeã Nacional (só para os mais distraídos não se esquecerem), ficou sem resposta e resolveu continuar na sua senda egocêntrica, falando das 12 finais que os seus antigos jogadores disputaram em meia dúzia de épocas e do "medo" que o Benfica terá tido. Ó homem, tenha calma, respire fundo e faça o seu trabalho na nova empresa enquanto ainda há dinheiro para pagar ordenados. Deixe o SL Benfica em paz na sua caminhada para o Tri. Lembra-se do Nélson Semedo? Bela exibição do rapaz a quem nunca deu uma oportunidade. E o Lisandro López, sabe quem é? O argentino ex-emprestado ao Getafe com quem embirrou fez uma boa dupla com Jardel - só foram traídos pelo bilhar às três tabelas. Sim, ainda não houve tempo para se deliciar com as capacidades do Mitroglou, mas é só esperar até ao início de Outubro, mais precisamente à oitava jornada quando visitar a Catedral.
Por essa altura vamos ver quem é que tem medo de quem. E agora repita comigo: «Já não sou treinador do Benfica, já não sou treinador do Benfica...»"

Ricardo Santos, in O Benfica

É cedo para se tirar conclusões

"A Supertaça tem um valor reduzido. É importante, na medida em que se trata de um troféu oficial, mas de âmbito limitado, por se tratar de um jogo apenas. No entanto, valerá certamente mais que as ilações tiradas sobre o desempenho dos seus intervenientes, geralmente extemporâneas e caracterizadas pela euforia entre os vencedores e o alarmismo entre os vencidos. Em suma, é cedo para se chegar a conclusões.
Não sabemos, por exemplo, se o mau desempenho do árbitro Jorge Sousa é indicador de má forma física ou se se tratará do regresso, passados alguns anos, de uma certa tendência da sua parte para nos prejudicar.
Desconhecemos, também, os índices físicos das equipas, sendo que me pareceu que o nosso adversário se apresentou mais solto e pressionante, talvez devido a uma preparação física mais acelerada por ter que disputar a eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Da mesma forma ignoramos o valor dos plantéis, numa altura em que subsiste alguma indefinição, seja por estarem ainda em aberto, seja por existirem novos jogadores a precisarem de tempo para se adaptarem a uma nova realidade.
O jogo, enfim, se é verdade que jogámos mal (no capítulo ofensivo), não menos o é que, ainda assim, dispusemos de oportunidades para nos adiantarmos no marcador e fomos penalizados por um lance fortuito do ataque sportinguista e um erro clamoroso de Jorge Sousa, como que a materializar uma espécie de malapata nesta prova, na qual, em 17 presenças, saímos derrotados em 12. Recordo, aos mais pessimistas, que Rui Vitória apenas orientou a nossa equipa numa delas..."

João Tomaz, in O Benfica

A tempo de corrigir

"Era importante conquistar a Supertaça. Era importante entrar na temporada a vencer. Era importante ganhar moral. Era importante responder, em campo, ao discurso arruaceiro que ouvimos do outro lado. Os nossos jogadores deram tudo, mas esse tudo não foi suficiente para derrotar um adversário muito reforçado e muito confiante. Ficámos sem um troféu, mas julgo que percebemos o que há a fazer para que os principais objectivos da época possam vir a ser alcançados.
O onze escalado foi o mais forte do momento. As substituições até melhoraram a equipa. Mas não podemos ignorar que, para esta temporada, ficámos sem três titulares indiscutíveis (com Luisão, quatro neste jogo), e que a única contratação à altura do onze base (Mitroglou), com poucos dias de trabalho, evidenciou uma condição física ainda deficiente. Do outro lado tivemos um rival que apresentou quatro reforços como titulares, aparentemente já bem integrados nos mecanismos colectivos. Não custa a admitir que o Sporting ganhou com justiça.
Há mercado até ao fim do mês. Estou seguro de que o mesmo vai ser aproveitado para corrigir os desequilíbrios que se notam, e que no Campeonato (pai de todos os objectivos) teremos um Benfica forte e afirmativo, capaz de se superiorizar a adversários bastante bem apetrechados. Também o Bayern de Guardiola, e o Chelsea de Mourinho, perderam as suas Supertaças. Nem por isso hipotecaram o que quer que fosse, e estão aí, prontos para os combates que têm pela frente. Tal como nós.
Uma palavra final para Jonas: a sua atitude no final foi de Homem, de Líder, e de Capitão. Destes é que precisamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Para melhorar

"Que ainda há muito a melhorar, sem dúvida que há. Que os jogadores ainda têm de assimilar os processos e as ideias do mister Rui Vitória, certamente que sim.
A derrota do último fim-de-semana, na Supertaça Cândido de Oliveira, face ao Sporting e ao nosso ex-treinador, deve servir sobretudo como um processo de motivação e aprendizagem. Tudo ingredientes que nos levarão, certamente, à conquista do tricampeonato.
A aprendizagem é evidente e o próprio Rui Costa o afirmou no final do jogo. O plantel tem ainda ajustes a realizar, quer a nível defensivo, quer a nível ofensivo. O reposicionamento de Jonas, a plena integração de Mitroglou e a possível chegada de Raúl Jiménez vão, certamente, dar os seus frutos a breve trecho. A revelação de Nélson Semedo foi outra excelente notícia que brotou do campo no último domingo. A motivação é ainda mais clara e os Benfiquistas compreendem-na claramente. Esteve bem Rui Vitória em não responder a Jesus. Um treinador do Benfica apenas responde a quem e quando quer, atento o património e a história da instituição que representa. Esteve muitíssimo bem Vieira, que deixou a imprensa e os críticos literalmente a falar sozinhos. Tudo muito bem, até aqui. 
Mas dentro, cá dentro da alma Benfiquista, incendeia-se uma chama de motivação e orgulho de reerguer o nome do Sport Lisboa e Benfica. Dentro, bem cá dentro, nem eles sabem o animal feroz que voltaram a despertar. Sem certamente o querer, o Sporting até nos fez bem: tenho a certeza de que o SLB que jogará já este fim-de-semana com o Estoril, na Luz, será um verdadeiro furacão do Futebol. Todos - mas todos sem excepção - vão temer jogar com o Glorioso!"

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Jiménez

Ameaçou transformar-se numa novela mexicana, mas no final, Raúl Jiménez acabou por ser oficializado como jogador do Benfica!!!
Depois do Mitroglou, novo avançado, para se juntar ao Jonas e ao Jonathan. Se não houver mais alterações no plantel, parece-me evidente que esta contratação confirma a vontade do treinador em jogar num 442.


A estreia na Europa, o ano passado, acabou por não correr bem. Foi pouco utilizado no Atlético de Madrid, e assim os números foram escassos... O Atlético Madrid de Simeone, tem algumas características especiais, que diferem muito do tipo de jogo do Benfica, portanto não creio que este insucesso, seja importante...
Foi estrela no América do México (nosso adversário na pré-época), marcou muitos golos, conseguiu mesmo ganhar o lugar ao Chicharrito na Selecção!!!
Vi os jogos na última Copa América, e admito que não fiquei deslumbrado. Isso não quer dizer que em Portugal, bem enquadrado, não possa render:
Lutador, rápido, possante, bom jogo aéreo. Jogou como 2.º avançado, móvel, atrás de um avançado mais fixo. Parece-me limitado tecnicamente, mas tem capacidade física para compensar...
Numa época longa, com muitos jogos, em várias competições, com o Jonas um ano mais velho (e a levar muita porrada!!!), é avisado ter alternativas de qualidade...
Prevejo que vai dar muito trabalho aos Centrais adversários, e assim abrir espaços para os colegas...
O Benfica tinha uma tradição de pontas-de-lança cabeceadores (Águas, Torres, Artur Jorge, Filipovic, Maniche, Magnusson, Rui Águas), mas nas últimas épocas nem por isso, depois do Rui Águas, talvez o Brian Deane, e mesmo esse, era alto tal como o Cardozo e o Van Hooijdonk, mas nem por isso marcaram muitos golos de cabeça... O Raúl tem claramente esse potencial...

Neste momento, em comparação com as últimas épocas, temos provavelmente, o melhor grupo de avançados. Falta fazer o mesmo no Meio-campo... e na defesa!!! As decisões tardaram, mas parece que a Administração percebeu o contexto... espero que tenha sido ainda a tempo!!!

Só o Benfica. Claro!!!

"Maior que Portugal, muito devido aos seus adeptos, que enchem qualquer estádio. Atravessem Portugal, a Europa, o Mundo.

EM cada jogo, em cada incentivo, em cada grito, ouve-se, muitas vezes, «o maior de Portugal». Mas ouve-se, escreve-se e lê-se que o Benfica é «maior que Portugal». Porque - queiram ou não - maior que o Benfica... «nem a vossa inveja»!
Ou quase tão grande como o Benfica, só o Anti-Benfica!
Um clube de vitória, de paixão e de adeptos, que tem, desde a sua fundação (como o conta a sua História), um adicional de alma e de mística.
A grandiosidade do Benfica não lhe advém, apenas, das vitórias no futebol, nem da capacidade de ser um clube ecléctico, único e com capacidade de ser... grande! A dimensão única do Benfica está gravada nos princípios da sua existência, porque quem o imaginou, quem o criou, quem lhe deu vida e lhe deu a força para resistir a todos os ataques, o desejou enorme. Um clube com a capacidade de ter uma equipa sua, em qualquer modalidade, a competir em qualquer zona do país!
Maior que Portugal, muito devido aos seus adeptos, que enchem qualquer estádio. Aqueles que atravessam Portugal, a Europa, o Mundo, em cada jogo, e que sofrem por paixão a um colectivo. Uma paixão que é muito mais que um festejo de um golo... é o querer deixar a vida em campo.
Maior que Portugal.
Esta é a força do Benfica... 'milhões numa só alma'!

COSME DAMIÃO
Fundador, Capitão, Atleta, Treinador, Dirigente, entre tantas outras funções, foi 'o Homem que sonhou o Sport Lisboa e Benfica'. Um vencedor sem igual, que nos deu esta chama imensa e dimensão, mística e alma. Um Homem que nos ensinou a ser grandes, humildes e desportistas - valores que muitos desvalorizam hoje no futebol como na vida.
Deixou-nos um dos maiores ensinamentos: que, acima de tudo, haja ambição e... dedicação!
À Benfica!
E resumindo essa lição, numa célebre frase, dita por ele mesmo, na primeira crise do clube - rapidamente superada - a propósito de um clube rival:
«O... tem dinheiro. Nós temos dedicação. No imediato o dinheiro vence a dedicação. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro».
Foi sempre assim.
Como hoje continua a ser.
Como não deixará de ser amanhã e sempre.
Por ele - que, à semelhança de Eusébio, Coluna e de tantos outros, está sempre presente no Inferno da Luz - por Eles e por Nós.
Porque... o nosso destino é Vencer!

BELLA GÚTMANN
Marcou indiscutivelmente a História do Sport Lisboa e Benfica. Com orgulho muito seu - como canta fervorosamente Luís Piçarra - e com uma ambição desmesurada, deixou a Europa aos nossos pés.
Deixou-nos de herança as suas conquistas e a indiscutível preferência pelo jogo ofensivo, de ataque, e... a suposta maldição (que só os que julgam não merecer ganhar na Europa entendem como susceptível de ser verdadeira).
Ensinou-nos, a par de Cosme Damião, o que é a Mística, que resumiu de forma brilhante quando elogiou os admiráveis adeptos do Benfica. «Chove? Faz Frio? Faz Calor? Que Importa, nem que o jogo seja no fim do mundo, entre as neves das serras ou no meio das chamas do inferno... Por terra... Por mar... Ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica atrás da equipa... Grande Incomparável... Extraordinária massa associativa!».
Cedo percebeu o que é ser do Benfica: a presença e o apoio constantes, ainda que isso significasse muitos quilómetros percorridos.
Não importava onde - norte, sul, ilhas ou além fronteiras - porque ele sabia que eles iam lá estar - como, cada vez mais, estão - com a paixão de sempre, a vibrar com cada jogada, em cada golo.
Como ainda hoje e, estou certo, cada vez mais acontecerá: apoiarmos nas vitórias e ajudarmos nos (poucos, muito poucos) momentos mais difíceis.
À Benfica.
Bella Gúttman cedo também percebeu que isso não acontecia em mais nenhum clube e que, também por isso, teríamos de venerar as pessoas que sofrem pelo Benfica. Eles, sim, são os verdadeiros ídolos, os que merecem ficar para sempre na nossa memória.
Convencendo-nos a todos, adeptos, que os que apenas jogam só poderão passar à nossa História quando viverem o Benfica como cada um de nós.

EUSÉBIO
Muita da grandeza do Benfica - passe a paixão, o esforço, a classe, o profissionalismo e a dedicação de muitos, tantos outros - deve-se a Eusébio!
Tive a sorte de o ver jogar muitas vezes. Mas mesmo para quem nunca teve essa sorte, ele é, foi e será o melhor jogador português de sempre!
Um dos melhores... do Mundo, com improviso e técnica únicos, com dribles e fintas sucessivas inesquecíveis, com remates indefensáveis, com golos de levantar estádios.
Um dos nossos, que viveu o Benfica com uma paixão imensa!
Aquele que também contribuiu para que o Benfica fosse ainda... Maior!
Um exemplo para quem está no Benfica e para todos os que hão-de fazer com que o Benfica volte a tornar realidade os sonhos que sabíamos que Eusébio tinha.
Um dos exemplos de que a paixão por um clube pode ser eterna.
Um jogador que sempre entrou em campo com a mesma humildade, alegria e respeito pela História e por todos os que tiveram a honra de representar o Benfica.
No fundo, o Homem que sempre quis ganhar à Benfica.
Hoje está presente no quarto anel - onde só alguns têm o privilégio de estar -, a vibrar com cada golo, com cada vitória, com cada título... com a certeza de que olhará pelos jogadores, para que todos possamos festejar todas e cada uma das vitórias e conquistas... iguais às que ele conseguiu!
Também por ele, temos a obrigação de voltar a ganhar tudo o que ele... ajudou a ganhar!

SE EU FOSSE...
...TREINADOR DO BENFICA
Começaria por dizer, neste (re)início de época, que temos a obrigação de relembrar quem sonhou o Benfica à dimensão que hoje o Benfica tem. Recordando a todos - velhos e novos - a responsabilidade para com milhões de adeptos.
Responsabilidade que vai para além do profissionalismo, do querer ganhar enquanto eu, de desejar ter mais títulos pessoais.
Recordaria que, no Benfica, cada título pessoal é o resultado de uma vitória colectiva, muito especialmente de quem, não jogando, os ajuda a jogar e a ganhar. Em cada jogo entrará, sim, um símbolo maior do que cada jogador, do que cada treinador, do que cada dirigente. Em cada jogo, jogarão, por cada um deles, dos que entram em campo, milhares nas bancadas, milhões espalhados por cada canto do Mundo. No fim, ao ganharem, só eles aparecerão nas fotografias, mas terão tido muitos a gritar, a apoiar e a aplaudir, de forma a todos ganharmos. Eles serão a representação da mística do clube, eles serão a continuação da História que Eusébio e Coluna fizeram! E se houver jogadores que - na sua língua - não percebam o que lhes diria e o que isso significa, então perceberia que não mereceriam ser... jogadores do Benfica! Mas saberia que eles merecem e vão fazer por o merecer, cada vez mais!

... JOGADOR DO BENFICA
Depois de saber o que é ser do Benfica e de sentir a Mística, percebia que é mais que um clube de futebol, que existe o Benfica e contra o Benfica e que este é um ano, mais um ano, em que ninguém pode falhar. Sentiria o peso do Manto Sagrado a cada entrada em campo, pelo que tudo faria para honrar o passado de 111 anos de Glória e para que o futuro fosse de Vitória. Os 111 anos de História que me acompanhariam, no número romano (CXI) que está gravado na gola de cada uma das camisolas que, com um orgulho imenso, mas com uma responsabilidade infinita, teria a honra de envergar. Sabendo das dificuldades que cada um dos adeptos fez para me apoiar, porque, se para mim, poderia ser apenas um jogo, para eles é uma questão de felicidade,... de vida! E se houvesse algum dos novos jogadores que não percebesse o que isso poderia significar, então perceberia que não mereceriam ser... jogadores do Benfica! Mas todos - no balneário - percebem isso e vão fazer por o merecer, cada vez mais! A Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Os trabalhos de Rui Vitória

"Rui Vitória tem um mês para afinar o Benfica. Precisa de proceder aos acertos devidos já com a competição em andamento - Estoril, Moreirense e Belenenses em casa e Arouca, fora, em Aveiro - e sem perder pontos, de forma a chegar ao primeiro duelo da Champions e à visita ao Dragão com todas as hipóteses intactas. A primeira fase do novo treinador do Benfica não correu bem: a equipa mostrou-se retraída na digressão pela América do Norte e deu uma pálida imagem do que pode valer na final da Supertaça. Demasiadas dúvidas e hesitações, a que se juntaram algumas lacunas no plantel, não deixaram que a nova identidade dos encarnados se mostrasse ao mundo. Fica-se, pois, à espera que, a começar já no domingo, na Luz, o Benfica diga ao que vem, como vem e com quem vem.
Sejamos absolutamente francos: Rui Vitória é um bom treinador do futebol com provas dadas por onde passou, fiável, competente e sério. E não é por ter tido uma falsa partida no Benfica que deixa de ser o que é. Precisa de tempo, por duas razões distintas: a equipa, formatada de maneira diferente, precisa de assimilar as novas ideias e isso não se faz de um dia para o outro; e acertar o melhor discurso para liderar o Benfica também carece de assimilação e aprendizagem.
Mas, a verdade é que o Benfica não dá tempo. A exigência na casa encarnada é sempre muito alta e para ontem, o que obriga Rui Vitória a trabalhos forçados. Não só tem de apostar num sistema próprio de uma equipa que joga 90 por cento do tempo ao ataque, como necessita falar a um só tempo, para dentro e para fora, de forma galvanizadora.
Luís Filipe Vieira está a dar sinais de ter percebido que sem ovos não se fazem omeletas (uma máxima de Otto Glória, com mais de meio século mas de uma actualidade flagrante) e que não pode fugir, por excesso, ao que estabeleceu como razoável para esta temporada, a integração de quatro ou cinco jovens da formação no plantel principal.
Vai ser contra um Sporting mais forte (um novo treinador, uma nova filosofia para o futebol do clube e duas mãos cheias de aquisições) que o Benfica vai bater-se; e contra um FC Porto com bolsos fundos, que possui o melhor plantel da Liga portuguesa. É a esta parada alta que Rui Vitória tem de dar resposta, devendo alinhar como prioridade número um o ataque vencedor aos quatro primeiros jogos do campeonato, ao mesmo tempo que transforma os jogadores de que dispõe numa equipa. Fácil? Nem por sombras. Mas quem é que disse que é fácil ser treinador do Benfica?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O campeonato regressa

"O campeonato vai começar! Tudo a postos! Esta época, ainda e exageradamente, com 18 clubes. Provindos de sete distritos do Continente e com o pleno da Madeira. Distritos há que nunca tiveram um representante na 1.ª Divisão: Bragança, Viana do Castelo, Guarda e Beja, que, aliás, nem no 2.° escalão estão. O Algarve ausente, ainda que Olhanense, Portimonense e Farense, espreitem a possibilidade de lá regressar. Portalegre há muito fora, depois de 'O Elvas' (1988) e do Campomaiorense (2001). Vila Real, por um minuto, não tem como primodivisionário o D. Chaves. Castelo Branco (através do Sp. Covilhã) também não, por um dedo. Évora já por lá não passa desde o seu Lusitano, em 1966. Bem como Santarém, a derradeira vez, em 1976, através do União de Tomar. Leiria com o seu União, e até como Caldas e Ginásio de Alcobaça, já lá não mora. Açores e o Santa Clara estão ausentes desde 2003. Setúbal resiste com o Vitória. Aveiro, sem o histórico Beira-Mar e um estádio às moscas, fixa-se no Arouca. Em suma, tudo reduzido à faixa oceânica, não fora o saudado regresso de Viseu através do Tondela, depois de 26 anos de ausência por via do Académico.
Disparidades muitas, ilusões bastantes. Os de sempre na esperança do título, uns poucos medianos na luta por um honroso lugar europeu, ainda que não perceba, por vezes, qual o interesse de uma breve passagem pela UEFA, sem vitórias e com encargos.
Os restantes terão como meta aguentarem-se na principal divisão e tirar pontos no mais desejado jogo que é contra o Benfica. Arrisco a minha previsão: Benfica e Porto, um dos dois será campeão, apesar das legítimas ambições leoninas."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Sem surpresas, a Supertaça

"1. Nas televisões, a náusea do antes do jogo, com reportagens sobre nada e autocarros;
2. Foi um clássico intenso, ainda que sem ser um grande jogo;
3. Venceu o Sporting, que se apresentou em melhor forma;
4. Foi um SCP motivadíssimo, com vontade de ganhar e fome de troféus;
5. Foi um SLB cansado de fusos horários e carente de referências, ou porque saíram, ou porque não puderam jogar;
6. De um lado, um treinador tão emocional quanto competente, tão provocativo quanto abrasivo;
7. Do outro lado, um treinador tão educado quanto perdido, tão conformado quanto cauteloso;
8. Jesus já era um vencedor administrativamente antecipado, tendo em conta as suas próprias afirmações. Depois de mim, o dilúvio. Antes de mim, o caos;
9. O considerado melhor árbitro com dois erros de monta e com a contumaz habilidade de compensar um erro (no golo leonino por culpa do assistente) com um seu exclusivo juízo de todo incompreensível (no não assinalado penalty sobre Gaitán);
10. Nos media, os já habituais excesso e euforia sobre o virtuosismo leonino e a hiperbolização dos defeitos dos bicampeões nacionais;
11. Um Benfica tardio na definição do plantel e nas contratações cirúrgicas e um Sporting com trabalho feito;
12. Um Benfica à procura de um sistema e um Sporting com um sistema à Jesus;
13. Um Benfica de inoportuno experimentalismo e um Sporting de aparente estruturalismo;
14. Um Benfica preocupante e um Sporting para preocupar."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Em terra de ninguém

"O problema do Benfica na Supertaça não foi tanto o resultado, mas os sinais dados pela exibição - as estatísticas, aliás, não enganam (38 ataques para o Sporting e apenas 18 para o Benfica). A equipa revelou que estava numa terra de ninguém: já não se exibiu com as ideias de Jorge Jesus e não foi capaz de apresentar um sistema alternativo ou, pelo menos, complementar. O Benfica já não é o de Jesus, mas está bem longe de ser o que Rui Vitória idealizou.
E aqui reside a questão central. Vitória já verbalizou o que pretende para a equipa, mas não se têm vislumbrado esses princípios de jogo na forma como o Benfica se tem apresentado em campo. Não se tem visto uma equipa capaz de controlar o jogo com bola (a principal lacuna da era Jesus), nem uma equipa com uma organização ofensiva mais pausada, ajudando com isso as transições defensivas. O Benfica perdeu o que de bom tinha com Jesus e, até ver, não ganhou o que Rui Vitória anunciou.
Há, contudo, uma frase a ecoar por cima de tudo isto. Na apresentação do novo treinador. Luís Filipe Vieira garantiu: "Rui Vitória vai ter as mesmas condições que outros tiveram". Ora isto implica ter jogadores de qualidade e jogadores que façam sentido para o novo sistema de jogo. Até ver, ainda não é claro qual é o sistema, mas continuam a faltar, pelo menos, dois jogadores para entrar no onze titular (um ala e um lateral-esquerdo). Mas, como espero ver no domingo, bastará acrescentar a dinâmica e a intensidade que estiveram ausentes no Algarve para tudo começar a mudar."

Jesus e os anjinhos

"Jesus quis chatear e Vitória deixou-se chatear: em vez de jogar «à Benfica», com devia, continuou a jogar «à Guimarães», como mostrou. Encolheu-se e perdeu, vem nos livros.

Jorge Jesus precisava deste troféu, por ser mais um título que lhe engorda o currículo e por ter percebido que era muito importante que os jogadores leoninos o erguessem, como ergueram, no sentido de alimentar o seu infinito ego através de uma teia bem urdida e que, em síntese, sabendo que os ventos sopravam de feição, o elevou a uma categoria profissional jamais reclamada, espécie de treinador possuidor de estranhos e fantásticos poderes que lhe permitem, em simultâneo, treinar o actual clube (Sporting) e controlar o anterior (Benfica)... à distância.
Parece uma caricatura, mas não é. Se há casos em que o saber, a rotina e a experiência de um treinador influenciam o enredo e o resultado de um jogo, este foi um deles. Jesus sabia que a conjuntura lhe era favorável e esgrimiu-a com mestria, como fez no passado, umas vezes bem, outras mal. Pode não apreciar-se o estilo, mas desta vez não só funcionou em pleno como provocou um efeito devastador no vizinho da Segunda Circular. É um estilo que incomoda os adversários (lembram-se daquele gesto dirigido a Manuel Machado?), que não é ingénuo, nem sequer bem intencionado, mas que também não é injurioso, nem belisca a honorabilidade de quem quer que seja. É assim, sempre foi assim e só me espanta a aparente surpresa com que do outro lado se (não) reagiu ao folclore que animou o pré-jogo, com Jesus a deitar os foguetes, a recolher as canas e a proporcionar à família leonina uma festa como há muito não saboreava. O Sporting triunfou sem ponta de discussão e creio que ninguém ficaria escandalizado se o desfecho fosse mais desnivelado. A partir do jogo de apresentação, diante da Roma, só não viu quem não quis ver que estava ali a equipa-tipo com uma interpretação competitiva que, apesar de não ser uma fotocópia da filosofia de jogo desenvolvida no Benfica, revela, nos traços essenciais, aspectos comuns e suficientes para ajudarem a desenhar o perfil do novo leão. Em concreto, na final da Supertaça, Jesus desempenhou o seu papel com brilhantismo, sem culpa pelo bloqueio na estrutura de anjinhos que lhe coube agora defrontar (sublinhando que não meto os jogadores neste saco), a qual viu, ouviu e... virou a cara para o lado.
Afirmou Jesus que o Benfica teve medo e Vitória confirmou. Jesus sabe que este Benfica está mais fraco do que aquele que venceu o bicampeonato sob o seu comando e explorou esse fator com habilidade e cinismo, até. Interferiu no pensamento do treinador oponente por causa da história da paternidade das ideias. Jesus quis chatear e Vitória deixou-se chatear: em vez de jogar «à Benfica», como devia, continuou a jogar «à Guimarães», como mostrou. Encolheu-se e perdeu, é dos livros.
Observações finais:
1 - No Guimarães o caminho fazia-se caminhando, mas no Benfica faz-se ganhando. Rui Vitória deve adaptar imediatamente o discurso à nova realidade.
2 - O adjunto Arnaldo Teixeira deve obedecer ao recato que a sua posição aconselha e abster-se, com aqueles artefactos na cabeça como se tivesse acabado de chegar de Marte, de excessos que perturbem a autoridade do chefe. Além de o seu irrequietismo dar uma imagem de desassossego no banco de suplentes. No estádio pode não se notar, mas às câmaras não escapa nada. Raul José também utiliza essas aplicações, mas tem o cuidado de ser discreto.
3 - Chega! O incidente com Jonas deve ter feito ver a Jesus que, mesmo retendo agradáveis recordações dos seis anos que viveu no Benfica, é altura de erguer um biombo e, definitivamente, preocupar-se exclusivamente com os jogadores do Sporting. Deve ser ele a tomar a decisão, antes que mau resultado lhe bata à porta e alguém lho sugira ao ouvido...
4 - Rui Costa falou, acautelou as palavras e preocupou-se em destacar a grandeza da instituição. Declarou que o Benfica não está habituado a perder finais, acontece... Mas da mesma maneira que Jesus não se esqueceu de falar no golo mal anulado à sua equipa, será que o administrador benfiquista não podia ter expressado o seu desagrado por erro grosseiro do árbitro que ignorou uma grande penalidade sobre Gaitán? Os adeptos gostariam que o tivesse feito: anjinhos, mas não tanto!..."

Fernando Guerra, in A Bola

PS: O Fernando Guerra, tem as suas obsessões, goste-se ou não... discordo de muita coisa, a crónica de hoje, não é excepção (acho que existiram outras variáveis que ditaram a derrota na Supertaça...além daquela que ele destaca), mas concordo totalmente com o último ponto...!!!

Futebol de 'olhos em bico'

"Muitos clubes com problemas económicos decidiram apostar na formação nacional e a própria Federação, atenta o sucesso dos escalões jovens, apoia-os com várias medidas. O Sindicato, em parceria com a Liga, aceitou, excepcionalmente a redução de salários em troca da aposta nos jovens. Apesar disso, muitos outros clubes em situação difícil vêem nos investidores estrangeiros uma resposta mais fácil. Será assim?
Distinguido as boas das más práticas, não posso deixar de alertar para perigos dessa opção. Por um lado, a aquisição de clubes ou de capital de SAD por entidades e pessoas desconhecidas e sem qualquer escrutínio e, por outro, a aposta excessiva desses clubes em jovens estrangeiros. Por esta via, estão a entrar no futebol português pessoas pouco recomendáveis organizadas e que em nada desenvolvem o futebol. Verificamos também que depois dos jogadores africanos e sul-americanos as portas estão escancaradas aos chineses. Nada nos move contra os chineses, que são bem-vindos. O que nos preocupa é este caminho perigoso, sem escrutínio, que põe em causa o futuro dos nossos jovens. É grave quando isto acontece em clubes não profissionais, amadores, na cara de associações distritais, cuja missão é exactamente a de dar condições aos jovens da sua comunidade. Mais grave ainda, sem respeito pelos sucessos dos Sub-20 e sub-21, que convocam o talento nacional.
Quem acompanha a realidade do futebol sabe que os resultados combinados, o tráfico de jogadores, as 'comissões' ou os esquemas para contornar as exigências de entrada num país estrangeiro são problemas actuais. Preocupa-me que muitos dos que estão ligados a estas situações sejam pessoas do futebol e que se desculpem invocando desconhecimento. Nada fazer e depois culpar só os investidores não é aceitável. E também não é aceitável lavar as mãos dizendo que compete à polícia a luta contra a criminalidade. Há muito que pode e deve ser feito pelos agentes do futebol, razão pela qual, na defesa de todos, devam o Governo e a Federação, com apoio da Liga, Sindicato e Associações, criar regulamentação de acesso aos investidores. Tem de ser, porque alguns clubes e dirigentes andam cada vez mais de olhos em bico."

Joaquim Evangelista, in Record

O estranho caso dos marinheiros enjoados

"Houve um tempo em que os ingleses, só por o serem, serviam como adversários valiosos para qualquer equipa do Mundo. Mesmo que não passassem de uma tripulação de navio de passagem por Lisboa e a caminho de Casablanca e da Madeira...

Era uma vez um navio. Chamava-se SS Ardeola. SS quer dizer «Screw Steamer», propulsão a vapor, para se diferenciar dos entretanto desaparecido barcos de propulsão a pás. Enfim, inglesices.
O Ardeola era um navio elegante, de passageiros, com três mastros, construído em Dundee em 1912 e propriedade da Yeoward Line. Durou pouca a sua vida de transportador de ansiedades e de vaidades dos 80 figurões que se passeavam no deu deck de primeira classe. Rapidamente, o espírito prático falou mais alto. E o Ardeola transformou-se num cargueiro especializado no comércio de fruta na rota de Liverpool-Lisboa-Casablanca-Madeira-Canárias.
Ardeola é nome de pássaro, aparentado com a garça. Ao que consta, este Ardeola do qual hoje vos falo era já o terceiro com a mesma designação depois do desaparecimento dos dois outros homónimos anteriores, um deles, o primeiro afundado ao largo de Leixões. Mera informação sem importância de maior. Registado em Liverpool, onde reina outra passaroco misterioso, o «liverbird», que se traduzirá à letra por pássaro-do-fígado, esse que brilha nas camisolas do grande Liverpool, já tantas vezes adversário do Benfica, não ficaria o Ardeola isento de influência futebolística com direito a um episódio a merecer crónica dedicada aos que vão tendo a bondade de me ler.
Porque no dia 28 de Novembro de 1920, o SS Ardeola, de Liverpool, estava em Lisboa e a sua tripulação iria medir forças com os jogadores do Sport Lisboa e Benfica numa peleja de mais puro «association».
Estávamos na ressaca da I Grande Guerra.
A actividade do Futebol internacional morrera praticamente.
O Benfica, por exemplo e bem a propósito, depois de disputar oito jogos internacionais em 1916, viu-se reduzido a um em 1917 (frente aos ingleses do AMS Flavia), a mais um em 1918 (frente ao Sevilha) e a uns mais compostos nove em 1919. 1920 voltou a ser ano de vacas magras, um só confronto contra jogadores além fronteiras, precisamente aquele que aqui nos traz.
Em Novembro, um cabaz de Natal
E assim, no dia 28 de Novembro, o Benfica defronta uma equipa composta pela tripulação do SS Ardeola, de Liverpool.
Não estranhem: nesse tempo os ingleses tinham um prestígio tão imenso no que ao Futebol dizia respeito que jogar contra onze súbitos de sua majestade (Jorge VI na circunstância) era um orgulho para qualquer mortal, mesmo que os tais onze súbitos tivessem um conhecimento tão profundo do jogo como qualquer um de nós tem das malfadas «kidney pies», prato de resistência dos bons e velhos «pubs».
Enquanto em Portugal o primeiro jogo de Futebol teve como alicerces o famoso grupo britânico que, em Carcavelos dedicava as suas horas de trabalho ao lançamento do cabo submarino, dentro em breve responsável por nos colocar em condições de fazer chamadas interurbanas para o lado de lá do Atlântico, na América do Sul eram os marinheiros ingleses que arribavam aos portos de Santos, Rio de Janeiro, Kontevideu e Buenos Aires a espalharem pelo continente a paixão pelo pontapé na bola. E de tal ordem, imagine-se, que Buenos Aires albergou mesmo uma Liga de Futebol da Marinha Mercante composta por nada menos de 19 equipas.
Nenhuma delas era a do nosso Ardeola de Liverpool, como está bem de ver. A nave não se lançava a tão largo, ficava-se pelas costas da Europa e da África do Norte.
Quanto ao outro Liverpool, o Liverpool FC, preparava a construção de uma equipa tremenda que venceu o campeonato inglês em 1922 e 1923, conhecida pelas alcunha de «The Untouchables».
Mas deixemos isso. Voltemos ao mar. E aos marinheiros que desembarcavam em Lisboa e prometiam momentos de Futebol maravilhoso, inglês e brilahnte.
Um desastre!
Longe do balanço dos convezes, deu-lhes um estranho enjoo.
Ninguém conhecia os seus nomes e não era preciso. Sendo ingleses, deviam ser mestres em futebol. Não eram. Eram apenas marinheiros.
O Benfica e o público lisboeta já tinham sido levados ao engano três anos antes com a presença dos tripulantes do AMS Flavia, da Cunard Line, a empresa anglo-americana de correio marítimo. Tão desarrumados em campo, tão pouco capazes de tratar decentemente uma bola, viram-se goleados por 0-7.
Agora seria ainda mais calafriante.
O AMS Flavia foi torpedado no ano seguinte, em 1918, e dele não houve mais notícias. Agora, o SS Ardeola trazia Liverpool no nome e prometia algo de mais suculento.
Ora batatas! Vítor Gonçalves, José Simões, Ribeiro dos Reis, Belford e Jesus Crespo afundaram a equipa inglesa com onze golos. Onze! Sim: 11 a 1, foi o resultado. Lá está, um enjoo.
Foi de tal ordem a diferença que nem na «História do Sport Lisboa e Benfica» de Mário Fernando Oliveira e Carlos Rebelo da Silva o episódio tem direito a mais do que um simples parágrafo: «(...) um desafio realizado em 28  de Novembro de 1920, contra o Ardeola, equipa inglesa de Liverpool que estava de passagem em Lisboa. O Benfica destroçou os visitantes por completo, batendo-os por 11-1. A diferença dá bem ideia do desequilíbrio de valores. Foi um jogo sem história».
E só.
Terá servido de emenda. Os adversários passaram a ser escolhidos com mais critério e os ingleses deixaram de ser endeusados só por serem ingleses e ter sido um deles a inventar o Futebol.
Quanto ao SS Ardeola, teve uma vida de aventuras, levando a bordo muitos dos derrotados dessa tarde portuguesa. Viajou pelas costas da Adissínia aquando da invasão italiana, foi capturado pelas forças francesas de Vichy na II Guerra Mundial e entregue aos alemães, terminando na posse da marinha de Itália com o nome de Aderno. No dia 23 de Julho de 1943, foi torpedeado pelo submarino Torbay, da Royal Navy, em frente a Civitavecchia.
Tinham decorrido quase 23 anos sobre o desastre de Lisboa."

Afonso de Melo, in O Benfica

"Vamos fazer a Biblioteca do Benfica?"

"Como tantas outras obras no Benfica, sem os Sócios não teria sido possível criar a Biblioteca da Secção Cultural.

Em 1955, o Benfica começa o ano já no Estádio da Luz, sonho tornado realidade graças às contribuições dos Sócios. Os jogadores de Futebol têm uma nova casa mobilada com donativos, o Lar do Jogador. A Comissão Central do Novo Parque de Jogos continua a incentivar a massa associativa a participar nas iniciativas de angariação, '(...) para que o Parque de Jogos venha a ser a realidade que ansiamos!'. E essa massa associativa é cada vez maior, respondendo com entusiasmo à campanha dos 30.000 Sócios.
No final do ano, a recém-criada Secção Cultural aposta na tão desejada Biblioteca. No primeiro número do suplemento, Cultura e Desporto, é lançada '(...) uma sugestão... Aproveitando a proximidade das festas de fim de ano, celebremo-las, oferecendo cada um de nós um ou mais livros!... Seria o presente de Natal de todos os Sócios à Biblioteca e ao Benfica'. O pedido é simples: livros de todos os géneros e temáticas, de forma a 'oferecer leitura útil e instrutiva ou recreativa'. Em apenas três meses, ultrapassa-se os 500 volumes, oferta de Sócios e adeptos, editores e livreiros, a quem a Secção Cultural agradece '(...) em nome de quantos, em breve, no nosso Clube poderão ter à sua disposição livros de recreio e divulgação cultural'.
Mas o caminho a percorrer não foi fácil. Sem uma sala disponível, foram colocadas estantes na Secretaria, onde se disponibilizaram as 'primeiras centenas de livros' em regime de leitura domiciliária. Para comportar o crescente número de volumes, colocaram-se também estantes suspensas nos átrios das secções desportivas. Finalmente, na década de 60, obras de adaptação da sala de jogos de cartas permitiram criar uma sala de leitura, muito apreciada pelos Sócios. 'Havia uma grande calma à nossa volta. Que bom, depois de um dia de trabalho de arrelias, de nervossísmo, poder assim mergulhar-se num «banho», não digo de esquecimento, mas de elevação'.
Sucessora das antigas bibliotecas da Rua Capelo, da Delegação das Amoreiras e da primeira biblioteca da Rua Jardim do Regedor, contemporânea da biblioteca do Lar do Jogador, a Biblioteca da Secção Cultural foi uma presença reconfortante até ao encerramento da Secretaria.
Hoje, evocamo-la no Museu Benfica - Cosme Damião. Nas molduras, livros icónicos que espelham a diversidade da colecção. No móvel vitrina, uma pequena parcela da sensação de entrar na antiga sala de leitura. Um espaço que nos desperta memórias e emoções, como só os livros sabem fazer."

Rita Costa, in O Benfica

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Réu: Jonas !!!

"Jonas sentiu-se gozado e pediu respeito a Jesus
Conflito: treinador leonino saiu do banco a gesticular na direcção do banco dos encarnados, Hugo Oliveira foi o primeiro a reagir à confusão no centro do relvado no fim do jogo.
Foram os capitães das duas equipas e alguns dirigentes que acabaram com a polémica no relvado antes da entrega do troféu. Sílvio e Eliseu foram os mais revoltados. Treinadores não se cumprimentaram.

Mal o árbitro Jorge Sousa deu por terminado o encontro, Jorge Jesus, treinador do Sporting, saiu direto na direção do banco do Benfica de mãos no ar e com os dedos a indicar a vitória, celebrando em jeito de dança, dando assim início à confusão que apenas terminou quando Jonas deixou o antigo técnico a falar sozinho já junto aos autocarros das duas equipas, depois de lhe dar duas palmadas nas costas afirmando: «Tem respeito!»
No relvado, foi Hugo Oliveira, treinador de guarda-redes do Benfica e antigo elemento da equipa técnica de Jesus, o primeiro a insurgir-se, antes do treinador cumprimentar o único responsável da antiga equipa, Lourenço Coelho, diretor geral dos encarnados. O tom de gozo prolongou-se nos minutos seguintes e Jonas, o único jogador encarnado que passou perto do antigo treinador levou duas palmadas na cabeça e o avançado afastou-lhe o braço à palmada. O brasileiro não gostou da atitude e das palavras trocadas, deixando Jesus de mão estendida e os ânimos exaltaram-se. A confusão no centro do relvado estava instalada. Sílvio teve de ser separado por Shéu Han, secretário técnico do Benfica, Eliseu enfureceu-se com João Mário, vindo os capitães Luisão e Rui Patrício separar colegas. Dirigentes de ambas as equipas evitaram males maiores, e Bryan Ruiz ouviu das boas de Jesus por estar a falar com Taarabt.
Com o ambiente mais calmo, Jesus ainda chamou Jonas, os dois falaram, mas o brasileiro acabou a virar costas ao antigo treinador. Este voltou a gozar com os jogadores encarnados antes de irem para a entrega das medalhas de vencidos. Rui Vitória, antes deste episódio, passou por Jorge Jesus, mas não se cumprimentaram, dando clara ideia de que as palavras do treinador do Sporting na antevisão da Supertaça não caíram bem no lado contrário.
Os jogadores do Benfica ainda aguardaram pela entrega do troféu, mas assim que o capitão Adrien ergueu o mesmo abandonaram o relvado sem qualquer troca de palavras com Jesus, excepção terá sido Salvio que ainda viu o anterior técnico a gesticular com ele, mas sem retorno. O ambiente tenso entre o grupo de trabalho do Benfica e Jorge Jesus acabou por deixar marcas."



PS: Quando o único órgão de comunicação social, que relatou as várias provocações do Animal, é o pasquim O Nojo, é sinal que isto está mesmo pelas ruas da amargura!!!
Hoje, ouvi ad mausean das TV's, e li no Rascord (entre outros...), que afinal o «Jonas reagiu mal» ao 'cumprimento'!!! Como não podia deixar de ser, isto fica para a história como o 'caso Jonas', tal como o esquema do ex-vice-presidente Lagarto, agora preso, ficou como o 'caso Cardinal'!!!
As provocações começaram antes, continuaram durante, e ganharam ainda mais visibilidade no final do jogo. A forma como tudo isto está a ser desvalorizado é inacreditável...
A tudo isto, ainda temos que acrescentar os telefonemas no início da pré-época, que aparentemente voltaram a acontecer esta semana!!! Não conheço nenhum treinador que passe o tempo todo, a telefonar para os jogadores adversários, perguntando como estão a decorrer os treinos!!!

Abre-olhos II

Sporting 1 - 0 Benfica

Não consegui acompanhar o jogo, só vi pedaços, portanto não me vou alongar com analises técnicas.
Creio que ficou visível, as actuais fragilidades do plantel do Benfica, não só no 11 inicial, mas também olhando para as opções no banco...
É um facto que o Benfica precisa de reforços, mas também é um facto que temos que melhorar muito todos os processos de jogo: tanto a defender... e principalmente no ataque. Deu pena o esforço do Jonas sozinho na frente... E se o Gaitán sair, então tudo ficará muito complicado.

Não surpreende esta adaptação rápida dos Lagartos ao estilo de jogo do Judas, até porque algumas das contratações vieram rodadas... No Benfica, aconteceu o mesmo, recordo-me bem do Torneio de Amesterdão de 2009. Os problemas vêm depois...
A falta de referência ofensiva, 'encolhe' o Benfica, e facilita a pressão alta do adversário, espero que a entrada do Mitroglou (e/ou do falado Jiménez) altere a forma do Benfica atacar... Já no jogo com a Fiorentina, não tinha gostado de ver a dupla Fejsa/Samaris. Neste momento, creio que o rendimento do Samaris, sozinho, a trinco, com um '8' de qualidade, será a melhor opção...
O Rui Vitória continua a sair-se bem nas declarações, mas falta o mais importante: por a equipa a jogar bem, e ganhar!!!

Sempre defendi a competência técnica do Judas. Na última época, com um plantel com menos profundidade fomos Bicampeões... Com a saída do Judas, a estratégia nunca podia ser o desinvestimento no plantel. Independentemente do escolhido para treinador do Benfica, só com um plantel mais forte em relação à última época, é que podemos almejar o Tri, por várias razões, tanto internas (novo treinador, novos processos...), como externas (investimento enorme dos inimigos)!!! Arrisco, afirmar, que faltam 3 semanas para o Campeonato ficar decidido, para o nosso lado!!! Este atraso na definição do plantel, até pode fazer sentido na teoria (digressão Americana para 'experimentar'; esperar pelo fim da janela de transferências para conseguir melhor negócios), mas na prática, já nos custou a Supertaça, e espero que não sejamos penalizados nas primeiras jornadas do Campeonato...

Agora o comportamento do Palhaço, antes do jogo, durante o jogo... e depois do jogo, foi digno do emblema que actualmente representa: porco, muito porco. A desculpa esfarrapada que arranjou na conferência de imprensa, para justificar a atitude perante o Jonas, é tão credível, como a lenga-lenga do Sporting ser um clube com uma história vencedora!!! O Machado tinha 1000% de razão...!!!

Depois da forma como a pré-temporada foi analisada, acredito que o rescaldo desta Champions Lagarta (conhecida pela Taça do Paulo Fonseca nos Corruptos, ou a Taça do Koeman no Benfica, por exemplo...!!!), ainda vai aumentar a 'onda' Lagarta!!! Mas acho estranho que um Benfica que foi goleado por uns modestos Mexicanos, acaba por perder, somente por 1-0, com um golo de ressalto, contra a super-equipa do cérebro... Um Benfica ainda em construção, sem vários jogadores que normalmente irão ser titulares durante a época... Tendo ainda ficado um penalty por marcar sobre o Gaitán (um golo mal anulado para cada lado...), e um Adrien, versão inimputável!!! Mas também tenho a certeza, que vão encontrar explicações para isto tudo...

PS1: Este fim-de-semana na BTV, tivemos o privilégio de assistir à 1.ª jornada da Liga Francesa e da Liga Inglesa. Em Londres até tivemos alguns resultados engraçados, no Emirates, o vencedor da pré-época, que até deu 6-0 ao Lyon, que ainda a semana passada, venceu o Chelsea na Supertaça, na 1.ª jornada do Campeonato: perdeu 0-2 em casa...!!!

PS2: Já li na net, algumas comparações com os últimos derby's, onde se tenta provar que este jogo foi igual a outros, mas ao 'contrário'!!! Eu sou obrigado a recordar o último Sporting-Benfica, no Alvalixo, com o golinho do Jardel, onde o Benfica raramente passou do meio-campo...!!! Onde estava o Benfica demolidor do Judas?! Se calhar, como já sabia que na época seguinte, ia trocar de camisola, sentiu 'receio' em atacar!!!

domingo, 9 de agosto de 2015

Vitória e Jesus

"1. Já começou a futebol a sério mas, de verdade, só interessa a Supertaça que hoje domina, a partir do Estádio do Algarve, as atenções gerais. Até agora foi, de verdade, pré-época. Que não dá nem títulos nem troféus. Hoje sim há Taça a erguer. Supertaça a exibir. Pouco interessa que já tenha havido Taça da Liga e que desde sexta-feira tenhamos os primeiros jogos oficiais da segunda Liga. Apenas o feito do Belenenses na Liga Europa - que importa vivamente saudar nas pessoas de Rui Pedro Soares e de Ricardo Sá Pinto - mereceu um justo e louvável espaço de atenção. Como o sorteio da Liga dos Campeões que obriga o Sporting a um difícil confronto com o CSKA de Moscovo. O que interessa, de verdade, é este jogo da Supertaça. Bem promovido - uma vez mais - pela Federação Portuguesa de Futebol. O que não pode deixar de merecer, antes do jogo, um merecido aplauso e um justo reconhecimento. Mas esta Supertaça leva-nos, na realidade, à teoria dos dois eus. O eu da experiência e o eu da memória. E recordei estes dois eus a partir da conferência de imprensa de antevisão a este jogo dada pelo agora treinador do Sporting Jorge Jesus à RTP. E não corrigida na conferência de imprensa de ontem já em pleno Estádio do Algarve. O que se pressente em Jorge Jesus é uma certa ansiedade. Que o leva a momentos de obstinação e de alguma deselegância face ao Benfica e ao seu treinador. E, logo, e por conexão, aos muitos milhares de adeptos do Benfica. E recordei ainda mais as diferenças entre Rui Vitória e Jorge Jesus ao olhar para um dos livros escolhidos para ler nestas férias estivais: Pensar, depressa e devagar, de Daniel Kahneman, que recebeu o Prémio Nobel da Economia em 2002 pela sua obra, em parceria, sobre os processos de tomada de decisões. Tal como Copérnico removeu a Terra do centro do universo...
2. Acredito que os responsáveis do Benfica distribuíram, mesmo com as traduções necessárias em alguns casos, partes daquela entrevista dada pelo Jorge Jesus. E, em contraponto, a serenidade manifestada por Rui Vitória. Mas Jorge Jesus combina, em si mesmo, conforme o assume, o eu da memória com o eu da experiência. O problema é que, citando o referenciado Nobel: «O eu da memória está por vezes errado, mas é ele que classifica e rege aquilo que aprendemos a viver e é ele quem toma as decisões. Aquilo que aprendemos com o passado é a maximizar as qualidades das nossas recordações futuras, não necessariamente a nossa experiência futura.» E é, aqui, que se centra o discurso de Jorge Jesus. Sabe que o passado lhe dá prazer. Já que o que ele tem no seu cérebro é uma longa experiência de prazer. No Benfica. E apenas no Benfica. O que antecipa, porventura, é um episódio intenso de dor. Por mim desejo uma dor longa. E prazeres curtos. Bem curtos. Também desta forma persistirão os dois eus. Que é no caso de Jorge Jesus, e citando alguém, um elemento essencial na sua narrativa de vida. Naquilo que se identifica a vida como história. Sabendo nós que Copérnico removeu a Terra do centro do universo...
3. Os dois eus também se viveram, lá bem no fundo, nas eleições para a Liga de clubes. Neste arranque de Agosto ocorreu, claramente, uma alteração substancial no denominado negócio televisivo do futebol. A Benfica TV, para além dos jogos no Estádio da Luz, tem os direitos televisivos de três ligas europeias. Da Liga inglesa que já detinha da época anterior. E agora das ligas francesa e italiana. O que implica que a Sport TV apenas detém os outros jogos da Liga portuguesa e as ligas espanhola e alemã. Esta disputa nas televisões não esteve afastada das eleições na nossa Liga. Também houve, ali naquelas eleições, dois eus. O eu que num momento apoiava, sem reticências, Luís Duque e o apoiava, até, para a liderança da Federação. E o mesmo eu que, de repente, com a aliança das vozes do costume e as traições dos habituais, transferiu um conjunto de votos para Pedro Proença. Sabemos todos que há sempre escolhas. Umas livres. Outras impostas em estado de necessidade. E por forças maiores. Mas também existem inversões. O que importa é que no nosso futebol se entendam as escolhas feitas, se percebam os concretos enquadramentos e não se ignorem os valores dominantes. Que implicam o compromisso sério de todos aqueles que geram valor para a indústria do futebol. E o Benfica, quer se queira quer não, gera valor. Mais valor. Muito valor. Como todos nós sabemos!
4. Hoje termina em Lisboa mais uma edição da Volta a Portugal. O vencedor é, de certa forma, o vencedor anunciado. Quase que antecipado já que renova o triunfo do ano passado. E a Volta foi, desta forma, controlada pela equipa do camisola amarela! A competição foi assim bem estrita. Foi uma competição reduzida a alguns espanhóis - em rigor galegos! - e a alguns portugueses. Basta olharmos para a classificação final para percebermos que a competição valeu pela adesão popular e pela ligação aos Municípios que são, aliás, a par da RTP, o suporte financeiro da Volta. O que vale, de verdade, é que a Volta esteve na estrada. Nas estradas e nas paisagens únicas deste nosso Portugal.
5. A nove de Agosto de 1945, os norte-americanos, três dias após o ataque a Hiroxima, lançaram uma nova bomba atómica sobre Nagasáqui. Há alguns anos tive o privilégio de visitar o Museu da Bomba Atómica em Nagasáqui. Jamais esquecerei as cerca de três horas dessa visita. O que vi, senti e pressenti combinam, também, o eu da memória com o eu da experiência. Aqui a experiência singular de pisar o buraco bem negro onde a bomba caiu. E com estrondo rebentou. Matando num ápice mais de setenta e quatro mil pessoas. Recordo que mal saí do Museu, e como as pernas tremiam, tive que me sentar no primeiro banco que encontrei. E as lágrimas caíam na minha face. Bem sei, recordando Machado de Assis, que «as lágrimas não são argumento». Mas o que sei é que recordo cada dia nove de Agosto. E tudo dolorosamente ocorreu há setenta anos! Tal como o final da segunda Guerra Mundial!"

Fernando Seara, in A Bola

Estamos à espera...!!!