Últimas indefectivações

sábado, 17 de agosto de 2019

Lage sabe o que diz

"A cada oportunidade em frente aos microfones, Bruno Lage procura colocar gelo na euforia dos adeptos do Benfica, ao mesmo que procura desarmar os rivais através dos elogios. Ontem, na antevisão ao jogo em casa do Belenenses SAD, voltou a fazê-lo. Desvalorizou o que já ganhou e elogiou o maior adversário, recordando o contributo dos dragões para o ranking de clubes da UEFA nos últimos 20 anos, quando bastaria reduzir o período de análise à última década para colocar o Benfica à frente desta espécie de campeonato. Perante isto, dificilmente haverá frases de Lage coladas nas paredes dos balneários dos rivais, a velha técnica de motivação tornada famosa por José Mourinho.
Ao falar de quem está de fora, adeptos e concorrentes, Lage fala para dentro. O técnico tem a consciência de que um dos riscos que o Benfica corre é o de criar um optimismo exagerado dentro do grupo que orienta. Ninguém está imune à derrota ou a momentos maus, como bem lembrou Silas ontem, pelo que todo o favoritismo das águias para esta época é garantia de nada. Não há campeões sem jogar e sem ganhar. E o jogo de hoje com o Belenenses SAD, equipa que conseguiu um surpreendente empate na Luz em Março, acaba por ser mais um teste ao foco das águias. Por muito que o clássico da próxima semana com o FC Porto já esteja na cabeça de muita gente."

Benfica verlängert mit zwölf Youngstern

"In diesem Sommer hat Benfica Nägel mit Köpfen gemacht und die Verträge von einem dutzend Nachwuchsspielern aus der Akademie in Seixal bis 2024 verlängert. Viele von ihnen sind schon bei den Profis zum Einsatz gekommen und haben jetzt beträchtliche Austiegsklauseln. So würde der bereits von RB Leipzig umworbene Úmaro Embaló jetzt 60 Millionen Euro kosten, Florentino Luís gar das Doppelte.
Folgende Youngster hat der portugiesische Rekordmeister für die nächsten fünf Jahre an sich gebunden:
David Tavares (19), Offensives Mittelfeld, seit 2016 bei Benfica (Austiegsklausel 66 Millionen) 
Diogo Mendes (21), Zentrales Mittelfeld, seit 2009 bei Benfica
Florentino Luís (19), Defensives Mittelfeld, seit 2010 bei Benfica (Austiegsklausel 120 Millionen) 
Gonçalo Ramos (18), Offensives Mittelfeld, seit 2011 bei Benfica
Jair Tavares (18), Linksaußen, seit 2010 bei Benfica (Austiegsklausel 45 Millionen)
Nuno Santos (20), Offensives Mittelfeld, seit 2013 bei Benfica
Nuno Tavares (19), Linker Verteidiger, seit 2015 bei Benfica (Austiegsklausel 88 Millionen)
Pedro Álvaro (19), Innenverteidiger, seit 2013 bei Benfica (Austiegsklausel 88 Millionen)
Sandro Cruz (18), Linker Verteidiger, seit 2014 bei Benfica
Tiago Dantas (18), Zentrales Mittelfeld, seit 2005 bei Benfica (Austiegsklausel 88 Millionen)
Tiago Gouveia (18), Rechtsaußen, seit 2017 bei Benfica
Tomás Tavares (18), Rechter Verteidiger, seit 2010 bei Benfica
Úmaro Embaló (18), Rechtsaußen, seit 2015 bei Benfica (Austiegsklausel 60 Millionen)"

Quem 'matou' a mudança? Suspeito 19 - Resistir à tarefa... (parte 1)

"Será que o Presidente vai demitir o Coordenador da Academia de Futebol? Mark Angie, o Presidente do F.C. os Galácticos, estava insatisfeito e a ter uma importante reunião com Treinador Anthony Smith, o Coordenador da Academia dos Galácticos.
“A Academia não está a funcionar, pois são poucos os jogadores que estão a vingar na equipa principal e com isso estamos a criar vários problemas. Somos forçados a despender de milhões em contratações, todos os anos, os adeptos não se identificam com a equipa e deixamos de ter jogadores que sentem a camisola” – dizia o Presidente Angie, enquanto continuava – “e gostava de mudar esta situação. O que podemos fazer?”
Como pessoa estudiosa, persistente, muito exigente e de convicções fortes, mas sempre disponível para aprender e melhorar, o Coordenador Smith fez uma sugestão – “Presidente julgo que poderia ser útil realizarmos uma auditoria externa à Coordenação da Academia”.
O Presidente Angie fez uma breve pausa, como que apanhado de surpresa e, dada a longa e próxima relação entre ambos, perguntou – “o que está a pensar?”
“Há uns tempos, tive uma situação delicada, abordei o Detective Colombo e o resultado foi extremamente útil. Estava a pensar em convidá-lo a acompanhar-me, para tentar perceber o que uma pessoa, externa e com conhecimentos, poderá detectar que esteja a comprometer o bom funcionamento e resultados da Academia. O que lhe parece Presidente?” – perguntou o Coordenador Smith.
A resposta não surpreendeu o Presidente Angie, dado que o Detective Colombo já tinha ajudado o Clube a identificar e solucionar um conjunto de problemas, que estavam a comprometer a evolução do Clube e porque o Coordenador Smith, para além de competente, não só não iria sentir intervenção do Detective Colombo como uma ameaça, como também estava realmente comprometido em descobrir a raiz do problema. Por isso disse – “força Coordenador Smith. Avance com a situação e depois informe-me dos resultados”.
Enquanto o Coordenador Smith estava a sair do seu gabinete o Presidente Angie pensava na “sorte” do Clube, por ter um Coordenador realmente interessado em que as coisas funcionem, dizia a si mesmo, acredito que esta iniciativa poderá ser o início de uma mudança importante, e pensava nas várias razões para a iniciar. Se melhorarmos o funcionamento e resultados da Academia, podemos poupar milhões em contratações, valorizar a formação do Clube, fixar os bons jogadores da formação, catalisar a própria Academia, ter jogadores que sentem a camisola, sentir os adeptos orgulhosos, por verem os seus “meninos” a terem sucesso, e a direcção com a sensação que está a fazer o que é correto e a deixar um legado, a sua impressão digital.
Depois do Coordenador Smith contactar o Detective Colombo e já no Gabinete do Coordenador Smith, onde se destacava uma parede toda em vidro, virada para os 12 campos de Futebol da Academia dos Galácticos, o Detective Colombo perguntou – “o que se passa Coordenador Smith?”
A resposta do Coordenador Smith foi imediata, própria de quem já tinha reflectido muito sobre o assunto, e disse – “a Academia não está a funcionar, nem a produzir os resultados desejados, sinto que estou perante uma enorme oportunidade de melhoria e gostava que me ajudasse a identificar e solucionar o problema, para a aproveitar”.
O Detective Colombo perguntou – “o que é que o está a deixar incomodar?”
“Ao longo do tempo, tenho notado dois problemas” – respondeu o Coordenador Smith. “Qual é o primeiro?” – averiguou o Detective Colombo.
“A Academia tem 22 equipas de formação, desde os Benjamins até à equipa B, e com ela toda uma estrutura técnica, com um Treinador Principal e com três Treinadores Assistentes. Tivemos momentos em que houve várias discussões, mas depois seguiram-se momentos de confiança, optimismo e encantamento” – começou por dizer o Coordenador Smith. “Como assim?” – tentava perceber o Detective Colombo.
“Antes desta “crise”, os resultados foram bons, mas começamos a pensar que os “picos”, os bons resultados, iam durar para sempre, passamos a ver as coisas melhores do que realmente eram, “embandeiramos em arco”, deixamos de ver o que de “mal” estava escondido por detrás desses “bons” momentos, como que só vendo a parte cheia de um copo de água meio-cheio, esquecemo-nos do que nos levou a chegar a esses picos e, com isso, comecei a aperceber-me de 3 coisas” – explicava o Coordenador Smith, enquanto observava o ar de curiosidade e interesse do Detective Colombo, que lhe perguntou – “quais?”.
“Quer nas reuniões de Coordenação com os 88 Treinadores, quer nos diferentes momentos em que conversávamos informalmente, como a tomar um café ou durante as deslocações para os jogos, comecei a aperceber-me que exagerávamos nas semelhanças – no está sempre tudo bem, que por vezes parecia bajulação - e até evitávamos as diferenças, que tantas discussões tinham provocado, antes de atingirmos esses “picos”. Por outro lado, também nos concentramos na boa relação e amizade conseguidas. Grande parte da equipa técnica sentia-se bem, ao ponto de começar a haver convívios entre eles, fora do Clube” – clarificou o Coordenador Smith.
“Percebo Coordenador Smith, como o que algumas vezes acontece, na segunda parte do jogo, quando marcamos muitos golos, na primeira parte, ou depois de ganharmos um jogo com uma excelente exibição ou uma vantagem confortável ou no jogo a seguir a ganharmos um campeonato ou ainda quando escalámos até ao cume de uma montanha. Nestas situação, podemos cair na ratoeira de pensar que o cume – o resultado daquela primeira parte, do jogo anterior, … - se prolonga e, por isso, podemos ter a tendência de pensar que tudo está bem, o melhor possível e nada está mal, nem convém sequer abordar, mesmo que esteja” – começou por dizer o Detective Colombo.
“Detective Colombo, o problema é que a seguir ao cume se segue uma descida e um novo vale, maus resultados, e a ideia é não só trepar novamente até ao cume, os bons resultados, mas também permanecer e prolongar o tempo nesse cume, os bons resultados” – aprofundava o Coordenador Smith e continuou – “repare na ironia da situação Detective Colombo. Os 88 Treinadores existem para formar os melhores jogadores e homens do mundo, a sua missão é libertar, potenciar e elevar todas as suas qualidades e o propósito da Academia é alimentar a equipa principal - e com isso não só catalisar a formação, com mais jovens a quererem vir para a Academia - ter uma equipa principal com jogadores que sentem a camisola, sentir que os adeptos se identificam e apoiam o Clube, “encher os cofres” com as boas transferências e a direcção deixar um legado. Para isso acontecer, necessitamos do contributo de todos, mas, para manter a boa relação conseguida e para evitar os problemas provocados pelas diferenças, as pessoas resistem a contribuir.”
O Detective Colombo esboçou um pequeno sorriso, parecia que estava contente por o Coordenador Smith ter chegado à primeira metade do problema da resistência à tarefa, nomeadamente resistir a contribuir, “um dos responsáveis” por comprometer a mudança, o desenvolvimento e o progresso das equipas e das organizações. Lembrou-se de que o Coordenador Smith tinha começado por falar em dois problemas e disse – "gostava de lhe colocar duas perguntas, começo pela primeira: como resume o primeiro problema?”.
O Coordenador Smith fez uma pausa, parecia estar a organizar as suas ideias e disse – “o primeiro problema está identificado, resistir à tarefa, não contribuir para ela. As suas raízes, também, a incapacidade de lidar com as diferenças e a tentativa de evitar, a todo o custo, mesmo comprometendo os resultados desejados, o regresso das discussões, das desconsiderações e do desconforto provocado por essa incapacidade de lidar com as diferenças. As consequências já eram conhecidas, mas indesejadas, a Academia não está a funcionar bem e os resultados estavam abaixo de desejado.”
“Como não poderiam deixar de estar, se grande parte dos recursos, dos conhecimentos e das capacidades dos 88 membros da Equipa Técnica não se convertiam em contribuições efectivas para a tarefa!” – pensava o Detective Colombo.
O Coordenador Smith lembrava-se que já tinha passado por este problema, sem ter reparado, muitas vezes, na sua vida. Nos grupos de trabalho na escola, que evitavam a tarefa, o trabalho, jogando bilhar, enquanto esperavam que alguém realizasse o trabalho. Naquelas coisas que a família evitava abordar, porque as discussões “jorravam” que nem água de um cântaro de barro partido, e as coisas não aconteciam. Nas muitas situações em que tinha participado em reuniões, tinha contribuições para fazer, mas não as fazia, para não “levantar ondas” – gerar discussões - e como não contribuir o tinha deixado insatisfeito a ele e mais pobre essas reuniões. Nas eliminatórias que pareciam ganhas, na primeira mão, dada a volumosa vantagem, mas que acabavam por ser perdidas, na segunda mão, quando olhou para o relógio, reparou que tinha de ir para o treino, lembrou-se que o Detective tinha falado em duas perguntas e disse – “Detective Colombo, qual é a segunda pergunta?”.
Astuto, até porque pelo vidro o gabinete já se viam os 12 campos com o movimento dos jovens e das bolas, o Detective Colombo sentia o Coordenador Smith dividido, entre ir para o treino ou continuar a interessante e produtiva conversa, e disse – “percebo que tem uma tarefa em mãos, o treino, aborde-o e regressarei com a segunda pergunta, amanhã”.
O Coordenador Smith sorriu, pensava que estava a viver mais um momento em que podia contribuir para a tarefa em mãos – agora, o treino – ou resistir a essa tarefa, não contribuindo e disse – “compreendo, vou contribuir para o treino e amanhã retomamos a conversa, até porque estou muito curioso por saber o que me vai perguntar e eu descobrir”.
A caminho do treino pensou – “quantos resultados tinham ficado aquém, por causa desta parte da resistência à tarefa, não contribuir. Qual seria a 2ª parte?”"

Benfiquismo (MCCLXIV)

Inauguração...

Uma Semana do Melhor... com o Belo

Aproveitem...


O desporto e o risco

"A noção de “risco” é muitas vezes usada no sentido de perigo, que significa ameaça, queda, colisão, esgotamento, desidratação, etc. No domínio desportivo, vários perigos podem ser identificados, por vezes estreitamente ligados a uma prática específica: entorses, fracturas, hipotermia, dopagem, etc. Mas nem todas as situações portadoras de perigo acedem ao estatuto de risco. Inversamente, as actividades relativamente seguras podem tornar-se um risco.
Sem subestimar os perigos inerentes à prática, a visão do alpinismo como actividade de risco deve tanto aos testemunhos biográficos e mediáticos, de epopeias aventurosas, que à realidade acidental e às intenções profundas dos seus adeptos. Como uma construção de espírito, cada sociedade estabelece o que é perigoso, os riscos aceitáveis ou valorizados e a confrontar. A pertença à categoria dos “desportos de risco” não pode ser definida em relação ao grau de perigosidade das actividades. O sentido destas práticas elabora-se a partir do jogo das significações sociais.
O desporto implica uma actividade corporal, acentuando os poderes, a vitalidade e a eficacidade do corpo humano. Como presença e actualidade do corpo, o desporto é uma evidência. Mas é preciso reconhecer que o desporto para o corpo não é o simples suporte da acção. Ele está no centro dessa mesma acção. Os desportos mecânicos (automobilismo, por exemplo) ou os desportos como a vela parecem sofrer de uma limitação com a noção de desenvolvimento físico no desporto. No entanto, eles permitem confirmar os traços essenciais da essência da actividade desportiva: compromisso do corpo, que pode ir até ao risco de acidente ou de morte, exigências impostas em particular ao sistema nervoso e à resistência orgânica. O fato de se dispor de uma “máquina”, com a qual o desportista se identifica, deve ser interpretada como a colocação entre parêntesis do corpo como a sua amplificação."

Começa bem

"Benfica precisa de foco e ambição, sem qualquer soberba ou distracção com rodinhas alheias

O campeonato iniciou-se de forma interessante para o campeão. Vencer o Paços de Ferreira por números claros, até exagerados para o jogo do Paços, e ouvir as notícias vindas de Barcelos constituem um óptimo início e algum galo para o adversário. Verdade que o FC Porto estava mais concentrado no apuramento para a Liga dos Campeões quando jogou em Barcelos e não era esperada aquela eliminação frente aos modestos russos, estreantes nestas andanças. No fim do encontro, a conferência de imprensa de Sérgio Conceição esclareceu os adeptos e as rodinhas no fim dos jogos dão uma certa tranquilidade. No fundo, dada a conjuntura azul e branca, pode-se dizer que o FC Porto é, nesta fase, um clube de rodinhas.
Passadas as rivalidades de tertúlia de café, há sempre alguma(s) graça(s) nestas coisas, a eliminação do FC Porto foi péssima para o Benfica. Desde logo, porque o FC Porto, com uma deslocação a Atenas na próxima quarta feira, jogaria na Luz dia 24 muito mais limitado e cansado.
Depois é uma derrota contra uma equipa do país que disputa connosco o lugar no ranking da UEFA, a Rússia. Por fim, porque sem Liga dos Campeões o FC Porto coloca as fichas todas na prova nacional e nas disputas contra o Benfica.
Este plantel portista parecia curto para fazer uma Liga dos Campeões e três provas nacionais a topo. A derrota contra o Krasnodar devolveu um adversário mais forte ao campeonato, como anunciou o treinador azul e branco no fim da segunda derrota. Sérgio Conceição é um bom treinador e o FC Porto vai ser um forte adversário.
Fica a boa notícia de ver o Benfica subir ao Pote 2 no próximo sorteio europeu. Ao Benfica resta uma enorme concentração competitiva a começar já amanhã. Vamos jogar onde costumamos perder (recentemente) e contra o único emblema que roubou pontos para o campeonato a Bruno Lage.
Queremos vencer no Jamor este ano pelo menos duas vezes. Marítimo e Gil Vicente já mostraram que ao mínimo deslize os favoritos perdem pontos e Bruno Lage foi esclarecedor na conferência de imprensa onde reconheceu estar abaixo do pretendido. Foco e ambição, sem qualquer soberba ou distracção com rodinhas alheias. Só o Benfica nos interessa, só o Benfica nos deve (pre)ocupar, pois como ameaçam os rivais nas televisões isto não é como começa é como acaba. Mas, já agora, começa bem..."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Antevisão...

Bom começo

"Desde 1964 que o Benfica não marcava pelo menos dez golos nos dois primeiros jogos oficiais da temporada (considerando todas as competições, incluindo as regionais). Com as goleadas, ambas por -0, a Sporting e Paços de Ferreira, foi apenas a sexta vez que este feito aconteceu (11 - 1941/42; 1944/45; 10 - 1937/38; 1943/44; 1964/65; 2019/20). Acresce que o Benfica marcou, em toda a sua história, pelo menos cinco golos em pouco menos de 14% dos seus jogos oficiais, percentagem que desce para cerca de 7,8% desde 2009/10...
Significa isto que se justifica, para já, algum grau de euforia em torno da nossa equipa de futebol? Decididamente, não! E algum optimismo? É evidente que sim! É benéfico para a saúde mental, motiva, agrega e, diga-se de passagem, é realista. Entrámos tão bem na temporada como havíamos saído da anterior A nossa equipa está sólida, consistente, focada e alegre, além de se manter ambiciosa.
Bruno Lage, após a partida frente ao Paços de Ferreira, reafirmou o objectivo de aproximar os níveis exibicionais dos alcançados na época passada. Do meu ponto de vista, falta ainda, apesar de torrente de golos conseguida e evidente potencial, do nosso plantel, para readquiri-la, alguma da fluidez ofensiva que vimos há uns meses.
Talvez por isso se tenha referido tantas vezes que os 5-0 infligidos ao Sporting e Paços de Ferreira tenham sido exagerados face ao que se passara em campo. 'O resultado foi melhor que a exibição' parece ser o mantra de benfiquistas pessimistas ou cautelosos e de adversários desdenhosos. E talvez tenham sido mesmo. Mas o que conta verdadeiramente, uma Supertaça e três pontos a abrir o campeonato, já ninguém nos tira."

João Tomaz, in O Benfica

Belíssimos Sons

"O café A Tonita, na aldeia de Cem Soldos, concelho de Tomar, foi demasiado pequeno para tanto benfiquismo na estreia do Glorioso no campeonato 2019/20. E ainda teve espaço para sportinguistas e portistas 'mandarem as suas bocas' sem que alguém tenha sofrido na pele por isso. O futebol podia ser sempre assim, mas não é.
As mesas estavam todas cheias, na sua maioria de copos vazios. As cadeiras, repletas de habitantes locais e de portugueses de cada canto do país. O Eduardo de Aveiro, era um deles. Vestido a rigor com um T-shirt do 37, não escondia ao que ia. Já tinha sido assim dois dias antes, quando nos conhecemos numa das ruas desta aldeia que recebe anualmente o festival Bons Sons. Perguntou-me onde é que eu iria ver o jogo, e ficou ali combinado, entre dois desconhecidos, que seria naquele café da praça. E assim foi. À hora marcada, tinha uma cadeira à espera dele, que teve de abandonar antes do primeiro golo (e que golo de Nuno Tavares), porque a lotação do café impedia que pudesse haver tanta gente sentada. A sala transformou-se num peão de antigo estádio, e a cantoria já não parou até ao fim. com direito a 'Glorioso SLB', 'Nós só queremos o Benfica Campeão' e 'Ser Benfiquista'. Sabem o que é que não se ouviu no café de Cem Soldos? Insultos à equipa derrotada pelo Gil Vicente. Nem um só regozijo pelos três pontos que não ganharam. E sobre os que, no dia seguinte, empataram na Madeira, nem uma palavra ou comentário. Foi benfiquismo puro o que se viveu ali. De adeptos e sócios que sofrem à distância, que nem sempre podem ir à Catedral, mas que defendem o nosso emblema onde quer que seja, sem benficómetros. Só ganhámos um jogo, mas já ninguém para a onda vermelha. Começou ali para os lados de Tomar e, jogo a jogo, será renovada todas as semanas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Reagir ao mau arranque já amanhã

"Não estava nada à espera deste começo de campeonato. Para mim foi uma desilusão. Ainda não conseguiu digerir aqueles 5-0 ao Paços de Ferreira, 5-0? Faz algum sentido? O jogo disputou-se no dia 10 de Agosto, portanto eu não esperava outro resultado a não ser um 10-0, de acordo com aquele belíssimo hábito de construir os números das vitórias com base no dia assinalado no calendário. Não foi isso que aconteceu, e desejo uma reacção rápida por parte da equipa. Espero que amanhã, dia 17, tudo regresse à normalidade no duelo com o Belenenses.
Os jogos com os azuis do Restelo fazem-me despertar uma memória particularmente especial - apesar de me sentir envelhecido ao relembrá-la. O leitor recorda-se daquela sensacional arrancada do Saviola em Belém na semana passada? Pois, não foi na semana passada, foi há 10 anos. 10 anos! Parece impossível. Como é que já lá vai assim tanto tempo? Há 10 anos estavam o Florentino e o Nuno Tavares a acabar o ensino primário. Há 10 anos o Bruno Lage estava a treinar o Ederson nos juvenis do Benfica. Há 10 anos o Sporting ainda só tinha conquistado 18 campeonatos nacionais. Enfim, quase tudo evoluiu ao longo da última década. O tempo corre à velocidade do Rafa, mas eu ficaria mais feliz se corresse à velocidade do Bas Dost.
Olhando para o jogo de amanhã em concreto, de certeza que a tarefa do Benfica não será fácil. Pela frente estará um adversário contra quem foram perdidos 5 pontos na época passada. Aliás, até ao momento só a equipa do Belenenses conseguiu travar Bruno Lage no campeonato. Se tudo correr bem, quando Bruno Lage terminar a carreira, terá sido a única."

Pedro Soares, in O Benfica

Títulos e mais títulos

"Com a conquista da Supertaça, Luís Filipe Vieira alcançou o 22.º título oficial no futebol profissional do Benfica.
É, pois, de longe, o presidente mais titulado da história do Clube.
Em segundo lugar da lista aparece Borges Coutinho, com oito troféus, seguido de Fernando Martins e dos irmãos Vieira de Brito, com seis cada. Mais dez presidentes conseguiram títulos no Benfica, como João Santos, Fezas Vital, Ferreira Bogalho e outros nomes sonantes do longo historial encarnado. Considerando todos os títulos (e entre Campeonatos, Taças, Supertaças, Taças da Liga e provas internacionais, somamos oitenta e um), Vieira tem, à sua conta, a impressionante percentagem de 27%. Ou seja, mais de um quarto do palmarés do nosso futebol foi construído pelo actual presidente, o que diz muito daquilo que têm sido os anos mais recentes.
Pode alegar-se que antigamente não havia Taças da Liga nem Supertaças. É verdade. Mas também é verdade que até aos anos oitenta praticamente não havia FC Porto. Não reste a menor dúvida de que é hoje muito mais difícil conquistar competições nacionais do que outrora - internacionais nem se fala, pois com a mercantilização do futebol mundial os meios ficaram concentrados em cinco países. Fosse o nosso adversário apenas o Sporting, como aconteceu durante décadas, e o futebol português era agora uma doce monotonia de conquistas benfiquistas. Note-se que há dez anos consecutivos que terminamos o Campeonato à frente dos vizinhos.
Há ainda as modalidades, o património, a gestão. Mas o que se ganha no relvado é um bom espelho do Benfica que hoje temos. Saibamos valorizá-lo."

Luís Fialho, in O Benfica

Mais um!

"Nuno Tavares é mais um dos talentos do Sport Lisboa e Benfica Campus que chega onde chegaram os melhores. Quem analisar a convocatória de Bruno Lage para o primeiro jogo da Liga 2019/20 facilmente dá pela presença de sete jogadores 'made in Benfica' - Zlobin, João Ferreira, Rúben Dias, Ferro, Nuno Tavares, Florentino e Jota. E só não estavam dez porque Gedson e David Tavars recuperam de lesões, e Tomás Tavares ainda se encontrava a cumprir um período de férias, após as belas prestações no Campeonato da Europa de Sub-19, na Arménia. Ou seja, o plante da nossa equipa principal tem, nesse momento, dez atletas formados na nossa academia! O número impressiona apenas os mais distraídos. Desde 2006, ano da inauguração do Caixa Futebol Campus, o futebol do SL Benfica sofreu uma revolução. Luís Filipe Vieira traçou um novo paradigma - a principal aposta passaria a ser a formação. É verdade que esta política desportiva do nosso presidente nem sempre foi bem estendida pelos próprios benfiquistas, e os nossos adversários levaram anos a gozar. Passados 13 anos, os números falam por si - o SL Benfica passou a dominar o futebol português não só nos escalões da formação, mas também na equipa principal. A actual hegemonia do SL Benfica é fruto de um trabalho metódico, planeado e com uma visão de futuro.
Neste momento, a gestão do SL Benfica é um verdadeiro modelo. A todos os níveis! Desportivamente, conquistámos 18 títulos nas últimas dez épocas. Conquistámos 14 títulos nas últimas seus épocas. E nas últimas seis temporadas, festejámos por cinco vezes a conquista do Campeonato."

Pedro Guerra, in O Benfica

Muitos especiais

"Já se vulgarizaram pelas redes sociais as fotos de jovens atletas portugueses carregados de medalhas em competições internacionais de variadíssimas modalidades do desporto adaptado. É verdadeiramente fantástico e um orgulho para todos nós ver o profissionalismo e a dedicação destes atletas amadores que verdadeira e inequivocamente amam o que fazem. Mais importante ainda: vivem sentidamente todos os altos valores que o desporto proclama, e fazem-no sem alterar o sentido competitivo. São capazes de não ganha e admirar os vencedores, de ficar em segundo e celebrar a conquista que significa ser batido apenas pelo primeiro, admiravelmente mais forte ou bafejado pela sorte ou até presenteado pelo erro adversário. E, claro, desta competição sai autoestima, amizade e respeito pelo outro. Um prémio igualmente valioso para quem o quiser e souber merecer.
Jogadores de um lado, torcedores do outro, estes jovens ainda tiveram tempo para apoiar na bancada a equipa sub-16 do SLB que no mesmo complexo desportivo disputava a Helvetia U16, onde conquistou de forma igualmente honrosa e desportista um segundo lugar competindo contra Bolonha, Liverpool, Estugarda, Werder Bremen, Lugano e muitos outros. Foi tudo isto que fizeram os nossos jovens atletas na edição deste ano da Special Needs European Cup e ficaram em segundo.
Tiveram pena e vão melhorar-se e corrigir-se, isto é certo, mas não deixaram de honrar o adversário com o seu reconhecimento e a sua amizade. Afinal, suaram juntos e bateram-se lealmente! De um e de outro lado da linha central, estão todos de parabéns pelo futebol jogado e pelas lições de desportivismo que repetidamente nos dão. Eles são uma inspiração para todos e são, sem dúvida, especiais.
Mesmo muito especiais!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Uma no cravo e outra na ferradura

"1. Na semana passada referi aqui que, a viver o conforto e a euforia após cada vitória, é essencial sabermos conservar a reserva de serenidade que nos prepara melhor para cada próximo desafio. A moderação é própria de quem sabe vencer e confere ao vencedor o devido respeito pelo valor do adversário vencido. Mas o reconhecimento pelas virtudes da contenção dos vencedores também acaba por transceder as nossas cores e irá inevitavelmente alastrar ao campo dos restantes competidores: gradualmente, todos eles aprenderão a saber perder melhor.
A favor desta unanimidade dos comentadores dependentes e independentes, de todo o arco cromático, que hoje enxameiam o espaço mediático e, até, a própria barafunda das redes sociais, ao fim dos dois primeiros jogos oficiais do Benfica de elite, já não hesita em tecer convictamente os maiores encómios, seja aos jogadores mais experientes e aos mais jovens da equipa; seja, afinal, ao consistente desempenho colectivo deles (agora retroactivamente, desde a pré-época); seja, ainda mais, às excelentes capacidades e méritos da personalidade do treinador; seja, mesmo (mirabile visu!) aos milagres da visionária e coerente gestão do Sport Lisboa e Benfica, personificada em Luís Filipe Vieira.
Isso deve-se, senão, a quê? A meu ver, deve-se, evidentemente, a que, sempre cada vez mais felizes e mais acostumados com a sequência de vitórias e de objectivos sucessivamente atingidos, temos sem dúvida vindo a apurar o registo das nossas celebrações. Hoje comemoramos as nossas vitórias e conquistas muito mais frequentemente do que os outros. As alegrias que os nossos melhores nos franqueiam são cada vez maiores e mais intensas. E as tristezas dos que nos perseguem acentuam-se progressivamente.
A nós, para já, basta-nos competir e manter as cadências de esforço. A eles, competir também. Mas, ao mesmo tempo, como já fazem, apenas reconhecer que não conseguem vencer-nos lealmente.

2. Os dirigentes eleitos do Sport Lisboa e Benfica têm responsabilidades acrescidas no que respeita às ideias expendidas no espaço público. Um deles, o vice-presidente da Direcção do Clube e da SAD, José Eduardo Moniz, persiste em empreender sentenças singulares e não devidamente fundamentadas, fora dos lugares convenientes e, sobretudo, excêntricas a ocasiões adequadas.
Evidentemente que, numa instituição de raiz e praxis profundamente democráticas, aqui, até 'a asneira é livre' ... Sendo que, no nosso contexto, o usufruto do conceito possa até ser mais tolerável, se aproveitado por quem, talvez, não disponha do conhecimento profundo de tudo quanto realmente seja e de como se estará já a desenvolver o futuro do Benfica.
Mas, precisamente quando, no Benfica, estamos a viver as presentes circunstâncias casuísticas e históricas, certamente não é aceitável para os sócios benfiquistas que um vice-presidente da Direcção do Clube e da SAD se ponha, por exemplo, a questionar daquelas maneiras os Estatutos que estão em vigor.
Mesmo que, com algum cuidado, pareça pretender dar, como os ferreiros, uma no cravo e outra na ferradura."

José Nuno Martins, in O Benfica

Bruno Lage merece todos os elogios, menos um

"O Benfica de Bruno Lage vive dias de louvor por força dos resultados alcançados neste início como treinador do Benfica. Olha-se para as análises e Lage é constantemente exaltado pela astúcia táctica, pela abordagem estratégica, por não ter vergonha de atirar miúdos para dentro do campo, e pelo discurso apaziguador que acalma adeptos, jornalista, e conquista inclusivamente os rivais. Sim, Bruno Lage pode ser elogiado por tudo isso, e é justo que se realcem os méritos que tem.
Afinal, a mudança de dinâmica no Benfica muito deve a ele. Foi ele que acreditou que havia uma combinação muito forte entre jogadores vindos do Seixal (que não tiveram a devida oportunidade) e alguns veteranos (que pareciam ter encerrada a carreira no Benfica), foi ele que trabalhou a equipa para ser agressiva nos momentos que perde e ganha a bola; e mais do que isso, foi ele que voltou a focar os jogadores nas tarefas a cumprir dentro de campo.
Porém, o Benfica, como equipa grande que é, continua a não ser brilhante em ataque posicional. Tem soluções para jogar nesse momento, tem dinâmicas e movimentos trabalhados para auxiliarem o portador da bola na sua tomada de decisão; mas, não tem uma ideia de jogo ofensivo, de como furar, de que espaços procurar, de como entrar na área, que ligue todos os seus elementos. É tudo, cada vez que um jogador tem a bola, muito individual.
O seu treinador já nos disse por diversas vezes que não iria “matar” as decisões dos seus jogadores com bola porque era importante que cada um deles tivesse espaço para decidir sem a pressão do treinador. No fundo, Bruno Lage parece querer libertar os seus jogadores de um constrangimento na decisão por acreditar que um jogador dá tanto mais quanto mais liberdade tiver para decidir. Por isso, do ponto de vista colectivo, há muito mérito na agressividade com a equipa recupera e consegue em poucos passes atacar. Há mérito na forma como os seus jogadores interpretam esses momentos de jogo, e como individualmente os conseguem definir. Há mérito na agressividade com que a equipa ataca quando tem a posse, mas as dificuldades em ataque posicional costumam ser muitas por falta de criatividade colectiva.
No 1x4x4x2 de Bruno Lage, já se viu uma novidade: laterais por dentro, alas na largura. E sendo um dos laterais Grimaldo e o ala Rafa, vejo essa troca posicional com bons olhos. Contra a equipa de Silas uma das maiores dificuldades que deverá enfrentar é a pressão que o Belenenses SAD poderá exercer desde o momento de saída de bola.
Os jogadores da frente, que são referências para atacar e para defender (Kikas e Licá), fecham o campo, e apertam. Permitem por isso que a linha média suba, para apertar e fechar linhas de passe, e que a linha defensiva dê uns passos em frente. Isso resultará, se a abordagem for essa, em espaço atrás da linha defensiva – que pode ser um problema maior ou menor tendo em conta a forma como o guarda-redes participa na defesa desse espaço, e na agressividade e assertividade com que os jogadores da frente pressionam.
Como o próprio treinador confidenciou, recentemente, tenta sempre olhar para o adversário por forma a perceber por onde o deve atacar. Por onde consegue sair melhor a jogar. É muito por aí que Silas se distingue, e por consequência dessa forma de olhar para o jogo conseguiu formar a equipa mais criativa do ponto de vista posicional da época passada.
Há algumas referências que ele quer manter: dois jogadores no meio, à frente da linha defensiva adversária, que depois se podem movimentar em profundidade, e para os corredores laterais sempre que a situação se justifique. Mas Silas quer dois homens na frente. Licá e Kikas. Em Portimão, começou por sair à 3: com laterais projectados e três no meio. Ao intervalo mudou, e vimos um 1x4x4x2 losango.
O que esperar da estratégia de Silas contra o Benfica de Bruno Lage? Veremos… E como o Belenenses SAD quererá ter bola, o outro grande desafio da equipa de Bruno Lage será o de travar o domínio de jogo que o adversário tentará exercer, e não sucumbir, novamente, perante o único treinador que na época passada não perdeu contra o Benfica."

Muda o que for preciso para chegares onde queres

"Abrem a cortina. O preto que estava à tua frente transforma-se numa imensidão de cores, numa nova dimensão de emoções. A primeira coisa em que os teus olhos "veem" é a direcção de onde vêm as vozes familiares…. Boom, família, namorada e amigos atravessaram o oceano para ver a tua estreia nos Jogos Olímpicos e gritam a plenos pulmões! E uma energia que vai dos pés à cabeça 10 000 vezes por segundo aparece. Depois o combate começa, o mundo desaparece e com ele todas as emoções. A cabeça fica calma, só existe o adversário, o nosso treinador e o árbitro.
Aquilo era o teu sonho. Ou pelo menos num momento da tua vida foi o teu sonho. Não sabes bem o que é, só podes dizer que foi mudando. De algo impensável e inatingível, passou a ser uma miragem, um sonho… Depois uma luz ao fundo do túnel, um objectivo. E algures na tua vida, passou a ser um dado adquirido e naquele momento tu só queres mais e mais e mais! E as coisas vão a teu favor. Ganhaste o 1.º combate por gap, já estavas tão confortável que já tinhas voltado a ouvir a tua família a gritar por ti. Todo o pavilhão a gritar por Portugal. Consegues desfrutar por momentos e depois voltas à tua missão. O 2.º combate, o combate que daria acesso à meia-final, vai completamente ao contrário. Fizeste tudo que tinhas planeado mas simplesmente não deu. Foi falta de sorte? Foi azar? Foi falta de trabalho? Foi o que tinha de ser?
Na tua caminhada até aos Jogos, disseram-te que os quatro anos de preparação são para aquele momento, mas tu sabes que foi muito mais do que isso. Foi uma vida a preparares-te. Todos os treinos, todas as viagens, todas as lesões, todas as dietas, todos os sacrifícios… Os teus sacrifícios e os dos que estão perto de ti foram para aquele momento. E apesar de saber que deste tudo ficas angustiado por não ter corrido tudo na perfeição.
O teu sonho acabou de se desmoronar, e agora? Agora que parece que ficaste sem tapete?
Agora paras e desfrutas do que acabaste de conseguir. Tu querias mais, tu trabalhaste para mais e lá no fundo tu não estás satisfeito. Mas, quando paras e olhas para trás, percebes que tu e os teus fizeram algo completamente incrível! E depois do regozijo, começas a planear. Novas metas, novos objectivos, um novo rumo! Tu já viste o que consegues fazer, tu sabes que consegues sempre evoluir! Então agora sonha mais alto, trabalha ainda mais para os novos sonhos se tornarem em objectivos e mais tarde em conquistas. Analisa o passado e muda o que for preciso para chegares onde queres. Sem medos, sabendo que vais acertar muita coisa e falhar ainda mais. Mas sempre a andar para a frente, na direcção daquilo que tu queres!"

Futebol a Sério - Lateralizando...

Aquecimento... a caminho do Jamor!

Todos ao Jamor

"Se existe adversário que nos tem criado muitas dificuldades é o Belenenses SAD. Por isso, amanhã toda a concentração será pouca para começar a ultrapassar este ciclo tremendo das próximas três jornadas com Jamor, recepção ao FC Porto e deslocação a Braga que, ano a ano, se vai afirmando como equipa candidata ao título.
Mas vamos por partes. Amanhã fica o apelo para a total mobilização de todos os benfiquistas no apoio à equipa. Importa não confundir entusiasmo e satisfação com euforia. É natural que todos estejamos contentes com o início de temporada da nossa equipa de futebol, mas sabemos muito bem que os dez golos marcados a Sporting e Paços de Ferreira já só fazem parte dos almanaques.
E não será só a atitude da equipa – focada, intensa e ambiciosa – relativamente a cada obstáculo que se lhe coloque, a ser essencial nesta longa caminhada rumo ao 38.
O apoio dos benfiquistas é, também e como sempre, imprescindível e fundamental. Não nos esquecemos das dificuldades impostas pelo Belenenses SAD à nossa equipa na época passada e nós, enquanto adeptos, poderemos ter um papel preponderante na superação das dificuldades que o nosso adversário tentará criar novamente.
Por isso relembramos que ainda há bilhetes à venda para a deslocação ao Jamor, onde entraremos em campo amanhã, sábado, às 19h00. As bilheteiras, no Estádio da Luz, estarão abertas hoje até às 21h00.
Noutra frente, é de realçar que, por força da eliminação do FC Porto, pelos russos do Krasnodar, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, ascendemos ao pote 2 do sorteio da fase de grupos da prova. Teoricamente, é vantajoso, evitando o confronto com clubes como o Real Madrid ou o Atlético Madrid, entre outros.
Importa registar que o Benfica marcará presença nessa fase da competição pela décima temporada consecutiva, um feito que poucos clubes conseguiram. Actualmente, só Barcelona, Bayern e Real Madrid, além do Benfica, fazem o pleno de participações no último decénio. E, considerando a prova desde o seu início, em 1955/56, será a 39.ª participação benfiquista. Mais presenças só mesmo o Real Madrid, com 50.
Números que dizem tudo sobre a dimensão europeia do nosso Clube e o contributo dado para o prestígio do futebol português. São factos e números que falam por si e pelo Benfica!"

Benfiquismo (MCCLXIII)

Alegria...

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A “Lage” que suportou o Benfica

"No dia 3 de Janeiro, Rui Vitória abandonou oficialmente o cargo de treinador do SL Benfica e o banco das águias ficou interinamente a cargo de Bruno Lage, à data, o treinador da equipa B dos encarnados. O Benfica, vindo de uma derrota por 2-0 frente ao Portimonense SC, encontrava-se nesta altura a sete pontos do líder FC Porto, ocupando o quarto lugar. Estando o clube da Luz prestes a atravessar uma das fases mais complicadas e exigentes da época, não se avizinhava vida fácil para Bruno Lage.
Três meses depois deste sucedido, o Benfica anulou totalmente a diferença pontual para o rival do norte, ocupando o primeiro lugar em igualdade pontual com a equipa de Sérgio Conceição. Derrotou o Sporting CP por 2-1 e estava com meio pé na final do Jamor. Na Europa, os encarnados superaram uma eliminatória complicada face aos turcos do Galatasaray SK e viraram a eliminatória frente ao GNK Dínamo Zagreb. Face ao sucesso da equipa, Bruno Lage renovou contrato até 2023.
Posto isto, qual a razão do sucesso da equipa de Bruno Lage face à de Rui Vitória?
Logo à partida, no primeiro jogo de Bruno Lage, uma suada vitória por 4-2 frente ao Rio Ave FC, foi possível notar mudanças de cariz táctico, mas também anímico. Lage não teve receio de implementar, sem grande tempo de treino com a equipa, o tão desejado 4-4-2, apostando no jovem João Félix pelo meio a aparecer por trás de Seferovic. Este modelo táctico é, no entanto, muito permeável podendo variar para um 4-2-3-1 ou até mesmo um 4-3-3 mais típico de Rui Vitória, com João Félix à esquerda e Pizzi a fechar ao meio. Esta permeabilidade deve-se à liberdade de movimentos e trocas posicionais, sobretudo entre João Félix e os extremos, papéis ocupados maioritariamente por Rafa e Pizzi, que passou a ser desviado para a direita. Rafa encaixa como uma luva neste sistema, utilizando a sua enorme velocidade para procurar a profundidade nas costas da defesa adversária, dando sempre uma opção de passe diferente à equipa encarnada. É também letal no transporte de bola em situação de contra-ataque e provoca grandes desequilíbrios no sector defensivo adversário.
Este sistema de jogo permitiu retirar o melhor de jogadores em sub-rendimento como Pizzi, Samaris ou Gabriel, mas sobretudo João Félix, que com Rui Vitória aparentava estar algo perdido a jogar na ala. Numa posição de 9 e meio, mas em movimento constante, Félix conseguiu aproveitar toda a sua qualidade técnica e capacidade de remate, apontando nove golos e três assistências na era de Bruno Lage, chegando também a vencer o prémio de melhor jogador, em Janeiro, na Liga Portuguesa.
Com a passagem de Pizzi para a direita, assumindo a função de falso ala, Lage incluiu Gabriel no 11 inicial, tendo o brasileiro adicionado uma excelente qualidade de passe e organização ofensiva ao meio campo encarnado, trazendo também uma maior solidez e compreensão no momento defensivo, acrescentando a sua boa capacidade no jogo aéreo, qualidades que Pizzi não era capaz de trazer à equipa.
É também curioso observar um Benfica bastante sólido e seguro defensivamente, algo que Bruno Lage conseguiu transmitir, ao entregar as tarefas defensivas no centro do terreno a Samaris, que não contava para Rui Vitória. O camisola 22 contou sempre com bastante ajuda do seu companheiro de meio campo, Gabriel, tornando o sector mais agressivo e reactivo na perca da posse de bola. No entanto, a defesa começa no ataque, sendo que Rafa e Seferovic contribuem bastante para a pressão ofensiva, provocando muitas vezes percas de bola em zonas defensivas do oponente.
Após o momento de recuperação de bola o Benfica apresenta uma construção de jogo mais apoiada e rápida, baseada em combinações e passes curtos, evitando quase sempre a solução longa. Pizzi é fundamental neste estilo de jogo e, mesmo desviado para a ala, continua a ser o maestro da equipa, sendo o principal pensador do jogo dos encarnados. Este estilo dá uma grande primazia ao centro do terreno, contrariando o futebol mais canalizado pelas alas, de Rui Vitória.
O futebol de Bruno Lage exige o máximo esforço e intensidade da equipa, tanto no momento ofensivo como no momento defensivo. Este esforço leva a um grande desgaste físico por parte dos jogadores, desgaste que é necessário saber gerir e Bruno Lage tem-lo feito com excelência. O setubalense demonstra ter uma enorme confiança em todos os elementos do plantel, apostando frequentemente em elementos com menos tempo de jogo ou mesmo elementos da equipa B. Um grande exemplo desta confiança foi o jogo em Istambul, frente ao Galatasaray SK, onde apostou numa equipa repleta de jogadores menos utilizados e jovens da formação (foi o onze mais jovem da última Liga Europa).
São facilmente observáveis as mudanças tácticas que Bruno Lage implementou na equipa, mas a meu ver, a maior diferença face à equipa de Rui Vitória será necessariamente em termos anímicos. Vemos o plantel do Benfica com uma maior atitude e motivação para todos os jogos, enfrentando qualquer desafio sem receio, sempre apoiado pelos adeptos que, na era de Bruno Lage, têm comparecido em massa. Para esta motivação muito contribuem os bons resultados da equipa, mas também a forma como Lage é capaz de gerir o plantel e manter todos os jogadores focados e motivados. A comunicação do treinador, tanto interna como externa, tem agradado bastante ao universo benfiquista.
A popularidade de Bruno Lage ascendeu de forma repentina, sendo já um dos treinadores favoritos do público português. O potencial do técnico é já conhecido em Portugal, mas começa também a expandir-se além-fronteiras, começando o seu nome a aparecer associado a clubes estrangeiros. 
Conseguirá Bruno Lage manter este sucesso repentino no Benfica? Passará o seu futuro por um gigante europeu? Teremos de esperar para ver o que nos traz esta jovem promessa no mundo dos treinadores."

Cadomblé do Vata (Apuramento fantástico...)

"1. Com o fantástico apuramento do FC Porto para a Liga Europa, vão entrar cerca de 3 milhões nos cofres do SL Benfica... esta foi a forma que o clube falido e sob intervenção da UEFA encontrou, para saldar a dívida relativa ao processo dos e-mails.
2. O Benfica só esperou 24h após o agora famoso "jackpot azul e branco" para renovar com Taarabt... isto é literalmente "rebentar o dinheiro todo na bebida".
3. Começou muito bem a época para as equipas portuguesas, com participações meritórias em competições internacionais de Verão... o Benfica conquistou a ICC e o FC Porto foi finalista da pré eliminatória da Liga dos Campeões.
4. Num editorial publicado no Jornal do Benfica, o director do mesmo atacou duramente um vice presidente do Glorioso, sugerindo inclusive que ele quer suceder ao Pinto da Costa... prossegue o arraso do SLB ao FCP: roubamos-lhes 3 milhões, ficamos com o lugar deles no Pote 2 da Champions e apeamo-los do pódio de maior desestabilizador do Benfica.
5. Jorge Jesus considerou Pablo Aimar o melhor sul americano que treinou... avaliação estranha do homem que fez de Emerson uma aposta pessoal."

Tomás Tavares 2024

Poucos dias depois de integrar oficialmente o plantel principal, temos a renovação do Tomás...
Tenho poucas dúvidas no potencial do Tomás, vai ser titular do Benfica, provavelmente ainda antes do fim da actual época, seja a defesa-direito ou a defesa-esquerdo, ou em qualquer outra posição... é só uma questão de tempo.

Derrota na estreia...

Rio Ave 1 - 0 Benfica


Jogo complicado, contra uma equipa talentosa, num jogo que ficou marcado pelo vento fortíssimo, que condicionou e muito a estratégia do jogo... O resultado mais justo teria sido um empate, mas acabámos por desperdiçar demasiadas oportunidades!

Tal como o ano passado, esta equipa vai passar por várias dificuldades. Somos os únicos que têm equipa B e sub-23, e isso deixa-nos em 'desvantagem'...!!! Mas na minha opinião este 'escalão' acaba por ser importante para dar 'minutos' a jovens que neste momento não tem capacidade para entrar na equipa B, e precisam de cenários mais competitivos do que o nacional de Juniores...

Nota para as estreias oficiais do Fabinho, do Azevedo e do Borges.

Golo à Maradona de Saviola contra o Belenenses



"Talvez seja justo dizer que a temporada 2009/2010 foi o início deste Benfica moderno, que finalmente deixava o Vietname para trás e reassumia o seu papel de maior clube Português também no campo e não apenas nas bancadas. Jorge Jesus mostraria muitos defeitos mais à frente, mas na sua primeira época foi a revolução que o clube precisava, alicerçado com uma grande equipa que ia desde David Luiz e Luisão na defesa, Di Maria e Pablo Aimar no meio campo, até à inesquecível dupla Cardozo e Saviola. E foi este último que brilhou na 4ª jornada, na deslocação ao Restelo para jogar com o verdadeiro Belenenses. Os milhares de Benfiquistas que praticamente enchiam o estádio do clube da Cruz de Cristo nunca esquecerão o que os seus olhos viram e quem viu pela televisão também não. Javier Saviola pegou na bola ainda antes do meio-campo e só parou quando ela entrou dentro da baliza. Um daqueles golos para mais tarde recordar (tipo uns 10 anos depois num site chamado "Benfica Independente"), numa tarde de goleada e festa Benfiquista."

O Brinco do Baptista #12

Benfiquismo (MCCLXII)

Cerimónia...!!!

Taarabt 2022

Quem diria? O Taarabt e renovar, creio, com satisfação da grande maioria da massa associativa!!!
O rapaz está feliz, motivado, mesmo partindo do banco, nota-se que está focado em 'jogar'... e qualidade foi que nunca ninguém duvidou!!!
Suspeito que o salário 'baixou'... mas independente da questão financeira, neste momento é um jogador claramente diferenciado, e com a lesão do Gabriel (já são duas...), não temos mais ninguém para substituir o luso-brasileiro, com qualidade ofensiva de passe no miolo...


PS: Na 'onda' das renovações, falta na minha opinião, a do Grimaldo e a do Rúben...

O que ainda vem por aí...!!!

"Não é como começa, é como acaba. O presente é bom pela clivagem financeira e de imagem entre os dois clubes, aprofundada pelo triunfo na ICC e presença na Champions League.
Todavia, podemos contar com tudo, mas tudo mesmo, para travar o nosso caminho de mérito. Das tentativas de interdição do estádio, às campanhas em volta dos processos crime, aos joguetes das associações do Porto e de Braga, aos serventuários da FPF e Liga, tudo virá à liça. Se o alvo predilecto da época passada foi Luís Filipe Vieira, e vai continuar a ser, esta época tudo farão para atingir Bruno Lage. É o nosso Ás de trunfo, o multiplicador, o criador de espectáculo, o melhor comunicador do Benfica. É sobre a sua imagem que vão atirar.
Vão querer condicionar o jogo contra o Belenenses para que o Benfica possa surgir fragilizado na recepção ao F.C. Porto. Falarão na relação de proximidade com o Benfica que o Presidente da Codecity astuciosamente cultiva.
Referirão o desequilíbrio do campeonato como algo a corrigir (em seu benefício, claro).
Será nomeado um árbitro com potencial de dano porque um imparcial é demasiado amigável. Os índices de agressividade dos jogadores do Belenenses estarão elevadíssimos.
Do lado de lá já soam todas as campainhas, do lado de cá espero que não parem de tocar.
Cada jornada é uma final. Rumo ao 38."

Shrek

"1. Um hostel na Jamaica resolveu dar um charro por cada balde cheio de lixo da praia que seja entregue na recepção. Os tristes jogos da Liga portuguesa às segundas valem dois charros.
2. Já agora, só nas primeiras quatro jornadas, além de jogos às segundas e doses duplas às sextas, temos: Benfica - Paços às 21, SC Braga - Moreirense às 21, FC Porto - V. Setúbal às 21.30, Sporting - SC Braga às 21, Rio Ave - Aves às 21.15, Boavista - Paços às 21.30, V. Guimarães - Famalicão às 21, Belenenses - Boavista às 21.15, Gil Vicente - Setúbal às 21.30 e SC Braga - Benfica às 21. O futebol é uma festa, mas não de discoteca. A Liga come e cala e a Federação assobia para o lado.
3. O nosso campeonato é realmente menos sexy que os big-five, como diz Domingos Soares de Oliveira, mas não precisamos de ser o Shrek.
4. A propósito do caso Schettine: com quantos clubes da Liga o Benfica não tem negócios, seja através de compras efectivas, compras apalavradas, empréstimos ou passes partilhados? Acham que somos todos parvos?
5. Bruno Lage está a arranjar maneira de o Benfica entrar em crise quando ganhar 1-0.
6. José Mourinho, o fire one, diz que uma equipa sem posse pode ser dominante. Ele é o melhor exemplo. Sem clube, domina o espaço mediático.
7. «O IKEA vai investir 6 milhões na redução de preços». A frase parece estranha mas faz sentido. É exactamente isso que o Sporting tem de fazer sem deixar de ser competitivo, mas é precisa muita competência. Quem contratou um jogador nada barato que não encaixa na táctica (Vieto)?
8. Não digo que Miguel Pinho (agente de Bruno Fernandes) seja um espinho, mas quem quer água de rosas tem de chamar Jorge Mendes (e em tempo útil). Goste-se ou não.
9. O FC Porto perdeu €49,5M: 44 pela saída da Champions e 5,5 pelo fim de Saraiva (talvez Pinto da Costa tenha mesmo contratado um «aleijado»...)"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Respondendo à tua pergunta no ponto 4: talvez, estejas mesmo a fazer papel de idiota útil!!!

Más notícias para o nosso futebol...

"Noite de pesadelo no Estádio do Dragão, para o FC Porto, que comprometeu, nos primeiros 45 minutos, a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões e o acesso a uma verba que na última temporada se aproximou dos 80 milhões de euros. Perante um adversário em estreia na prova mais importante da UEFA, o FC Porto sofreu uma derrota que lhe provocou danos irreversíveis (a nível desportivo e financeiro) e que será amargamente lembrado pelos adeptos nos anos que se seguem.
O clube azul e branco pagou o preço da saída em bloco, por razões diversas, de jogadores como Maxi, Militão, Felipe, Herrera e Brahimi, para além de não poder contar com Casillas, e sem que possa apontar-se a quem esteve ontem dentro das quatro linhas falta de entrega, ficou patente (como em Barcelos...) que houve menos arte do que o FC Porto precisava.
E agora, sem o acesso aos milhões da liga milionária, como vai a SAD portista pagar as contas e fazer face às despesas, num contexto de intervenção da UEFA, por razões de fair-play financeiro? Haverá saídas no plantel? E não será este o momento para olhar com outros olhos para os jovens saídos da formação, que não perdem em nada para algumas das aquisições? É em momentos destes que os grandes lideres se assumem, porque conseguem ver oportunidades onde os outros apenas vislumbram problemas.
Ser eliminado pelo Krasnodar, o Wrexham dos novos tempos, foi, para o FC Porto, uma espécie de momento-Kelvin ao contrário, e para o futebol português uma péssima notícia. Mesmo para o Benfica, que vai estar no pote dois do sorteio da Champions..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A queda do jornalismo

"A subversão do que deveria ser uma normal concorrência não tem merecido a mínima atenção nem da ERC nem da Autoridade da Concorrência nem dos sucessivos governos, entidades que se encontram confortavelmente sentadas passando a responsabilidade umas para as outras

As sociedades democráticas assentam no pressuposto da igualdade de direitos e oportunidades entre cidadãos ou empresas, sendo aquelas garantidas pela constituição e pelo Estado através das entidades reguladoras de cada sector. É um princípio básico do desenvolvimento e do progresso, porquanto os privilégios e os direitos adquiridos, sendo estacionários, de certa forma impedem a renovação, o aparecimento de novos desafios e de novos caminhos. Não é uma tarefa fácil, porquanto os novos, quer sejam pessoas ou estruturas societárias, tiram espaço aos mais velhos, sendo que estes dificilmente abdicam das facilidades, entretanto, adquiridas. Enquanto nas pessoas estes problemas geram conflitos de gerações, nas sociedades levam à concentração de meios e sectores, quer na horizontal quer na vertical, proporcionado o desenvolvimento de monopólios que pelo seu tamanho e poder económico estão ao abrigo de novos chalengers. Todos sentimos esta realidade com o aparecimento de Google, Facebook e Amazon, empresas que, pela sua dimensão, conquistaram grande parte do mercado americano e europeu, desafiando os poderes nacionais de regulação e de concorrência.
Mas não é só a este nível que se sentem factores que levam, pela sua importância, à alteração das condições normais de concorrência. Ao nível dos países, quanto menor for o número de pessoas envolvidas e menor o número de empresas de cada sector mais fácil é, para estas, criar posição dominante assegurando dessa forma uma atitude predatória perante os concorrentes.
Ora é sabido que as empresas de comunicação social, com o desenvolvimento da era digital, estão a sofrer a maior crise da sua história com a diminuição das receitas na venda de conteúdos e na publicidade. Enquanto as televisões por cabo estão subordinadas aos interesses dos operadores, muitas vezes em actuação conjunta, os jornais sofrem com a expansão dos respectivos sites sem que estes consigam receitas significativas pelo acesso aos conteúdos, ou possam enfrentar os grandes sites agregadores. Esta realidade leva o que o mercado diminua o valor atribuído aos conteúdos gerados pelas empresas, diminuindo também o seu próprio valor, tornando-as vulneráveis a serem adquiridas ou pelo menos controladas por organizações de produção vertical dentro do sector ou pelo menos detentoras de acesso privilegiado e direito ao consumidor. Este novo equilíbrio muda radicalmente o conceito de empresas de comunicação social enquanto produtoras, em primeira linha, de conteúdos informativos com acesso direito ao consumidor e leva a que passem a ser meras fornecedoras de grandes supermercados digitais onde convivem com a venda de mercearia, de música, de filmes, etc. ou se convertem em meros canais de distribuição de direitos de espectáculos organizados por outrem.
Relativamente a direitos de espectáculos, nomeadamente desportivos, também aqui se assiste a uma concentração total não só na respectiva titularidade como na sociedade que detém os canais que os disponibilizam. Pese embora os conteúdos, sujeitos a direitos especiais, sejam normalmente exibidos em canais de acesso condicionado, desta forma rentabilizado o investimento na sua aquisição, parte deles são exibidos, em exclusividade e ao arrepio do estabelecimento legalmente como direito à informação, em canais próprios de acesso livre não condicionado. Situação que condiciona o aparecimento de alternativas dentro do mercado dos canais temáticos desportivos de acesso não condicionado, enquanto altera e subverte a normal concorrência entre os canais existentes.
Tudo isto tem vindo a ser observado e mediatizado com o relevo que esta realidade merece, mas não tem merecido e mínima atenção nem da ERC nem da Autoridade da Concorrência nem dos sucessivos governos, entidades que se encontram confortavelmente sentadas passando a responsabilidade de intervenção umas para as outras.
O nosso campo de batalha já está cheio de mortos. Felizmente, ainda há quem lute e tenha talento, força e coragem para resistir."

Mário Agra e Lima, in A Bola

Kraschou!!!


Actualização do SL Benfica no mercado: carências e afinações

"Já arrancou a época. Já se jogou a Supertaça e a primeira jornada do campeonato nacional.
17 dias se passaram desde a minha última actualização quando às actividades do SL Benfica no mercado de transferências. E a verdade é que a 20 dias do fecho não houve grandes desenvolvimentos.
Os dossiers mais relevantes parecem ter estagnado no tempo. Cervi, Fejsa e Zivkovic continuam sem espaço no plantel e sem perspectivas de saída. O mercado turco parece ser o mais interessado no médio defensivo sérvio enquanto o mercado argentino parece o único destino possível para o extremo argentino. O caso mais complicado é o do Zivkovic. Um jogador cheio de talento, mas incapaz de se afirmar nos relvados da Luz e do Seixal. As suas condições salariais provavelmente têm afastado os clubes que o poderiam receber por empréstimo.
A estes três junta-se também o belga Svilar. O jovem guarda-redes parece ter definitivamente perdido o seu lugar nesta época do Benfica – necessita urgentemente de jogar e como tal precisa de ser emprestado.
Neste momento, Zlobin fixou-se como terceiro guarda-redes, Vlachodimos como primeiro e Svilar como guarda-redes a rodar. Bruno Lage tem sido bastante insistente na ideia de o Benfica necessitar de concorrência a Odysseas, e essa não partirá dos actuais quadros clube.
Assim, à data de hoje, a novela da baliza da Luz continua. Péter Gulácsi é o último episódio desta. O internacional húngaro de 29 anos chegou ao RB Leipzig no Verão de 2015 vindo do Salzburgo. Em Fevereiro de 2016 agarrou a titularidade da baliza do clube alemão e manteve-a até hoje. Gulácsi foi considerado o melhor guarda-redes da última temporada da Bundesliga. Tem uma enorme capacidade de encher a baliza muito devido à sua altura (mais de 1,90 m) e aos seus reflexos. Muito forte entre os postes, apesar do seu tamanho, é um guarda-redes que cai rapidamente, o que lhe permite defender as bolas mais rentes ao relvado. Tem aquelas que para mim são as qualidades principais naquela posição: concentração e confiança. É um guarda-redes com muito boa leitura dos lances e um bom tempo de saída da baliza. Forte a fazer a mancha e com grande capacidade de reacção. Desconheço-lhe grandes qualidades com a bola no pé e parece-me que se sente demasiado confortável na sua pequena área, não sendo assim o guardião ideal para participar no processo defensivo e ofensivo do colectivo. Um jogador à imagem de Vlachodimos e, neste momento, ainda superior ao greco-alemão. Com o objectivo de criar uma forte concorrência na baliza encarnada, o húngaro parece-me uma excelente opção.
Contudo a concorrência do Sevilla FC e os altos valores pedidos pelo Leipzig indicam que este será só mais um nome numa longa lista de tentativas falhadas neste mercado encarnado.
Não só na baliza pode vir a haver novidades até ao fecho do mercado.
Anteriormente identifiquei aqueles que seriam os sectores a reforçar neste arranque de época: baliza, lateral direita e, possivelmente, a posição de defesa central direito e de médio centro.
Além de Péter Gulácsi também tem sido referido o interesse do Benfica nos seguintes jogadores: Juan Miranda, Strahinja Pavlovic, Lucas Silva, Jonathan David, Guilherme Schettine e Gian-Luca Waldschmidt.
O lateral esquerdo Juan Miranda destacou-se no europeu sub-19, mas o valor exigido pelo FC Barcelona e o forte interesse da Juventus parecem colocar as aspirações encarnadas fora de cogitação. Também a evolução de Nuno Tavares e a permanência de Grimaldo tornam este reforço como uma opção desnecessária.
Por sua vez, a contratação de Pavlovic é dada como iminente. O central sérvio de 18 anos é apontado com uma grande promessa europeia. Um defesa com grande qualidade técnica e capacidade de iniciar a construção de jogo da sua equipa, seja através do jogo curto ou longo. Seria um jogador para mais tarde lutar pela posição de Ferro.
O nome de Lucas Silva voltou a ser associados aos encarnados e potencialmente seria um excelente reforço para o meio-campo encarnado. Um médio centro com grande qualidade de passe, visão de jogo, remate de meia-distância e boa técnica. Também defensiva e posicionalmente apresenta bom desarme. Características ideais para o meio-campo a dois de Bruno Lage. O baixo valor é apelativo, mas também indicativo. Lucas Silva era, em 2015, uma das grandes promessas do futebol brasileiro. Ingressou em Janeiro no Real Madrid CF, não se impôs e foi emprestado ao Marselha onde também não se conseguiu impor. No Verão de 2016 foi diagnosticado com problemas cardíacos e esteve afastado dos relvados, tendo sido emprestado em 2017 ao Cruzeiro EC. Agora, com 26 anos, é uma incógnita. Os problemas cardíacos e o facto de não ter conseguido confirmar o seu potencial deixam dúvidas quanto à qualidade de uma maior aposta. Apesar de tentador, não me parece que a sua contratação seja a melhor opção para o Benfica.
Para o ataque têm surgido três nomes. O de Schettine já é uma novela antiga. Um jogador sem nada a acrescentar, mas parece estar a criar um duelo entre o clube da Luz e o SC Braga.
Jonathan e Waldschmidt surgem como dois nomes realmente interessantes para o ataque encarnado. Se inicialmente considerei ser uma posição sem necessidade de reforço, a verdade é que os últimos jogos do Benfica mostram que pode haver uma oportunidade a explorar. Bruno Lage tem apostado em Raul de Tomas como segundo avançado e não só o espanhol é desperdiçado nessa posição como não oferece à equipa o tipo de futebol que esta exige. É um ponta de lança e o facto de vermos pouco Jota e Chiquinho a actuarem na posição mostram que pode haver uma lacuna.
Com 19 anos, Jonathan é um jovem prodígio do futebol do Canadá, que em poucos meses agarrou o ataque do Gent da Bélgica. Um avançado móvel, com boa capacidade de finalização, drible e velocidade. Um jogador com potencial, mas que me parece ser mais indicado como um 9.
Sobre o alemão do SC Freiburg já falei anteriormente. Um verdadeiro segundo avançado, um jogador de enorme qualidade e que teria tudo para se impor no Benfica. Se antes o elogiei, mas descartei a sua utilidade, hoje considero que seria uma contratação magnifica para o futebol encarnado. Neste momento o 11 titular carece de um jogador que, à semelhança de Waldschmidt, actue no centro do terreno entre os médios e o ponta de lança, que jogue de frente para a baliza com capacidade tanto de distribuir o jogo como de assistir, rematar de meia distância e de aparecer em zonas de finalização. 
Chegamos a 14 de Agosto e podemos concluir que a baliza continua a ser a maior preocupação tanto do treinador como dos adeptos encarnados. Vlachodimos não tem concorrência e Gulácsi aparece como uma excelente, mas quase impossível alternativa.
As lacunas na lateral direita continuam a não apresentar preocupações à direcção encarnada e o reforço do meio-campo parece estar a ser ponderado com a incógnita que é hoje Lucas Silva.
A posição de segundo avançado parece merecer um maior forcing e, a confirmar-se o interesse em Gian-Luca Waldschmidt, pode ser o input de qualidade ofensiva que tornará o ataque encarnado numa verdadeira máquina ofensiva europeia. Tal contratação empurraria Raul de Tomas para a posição 9, o que levaria o Benfica a ter de aproveitar a recente valorização de Haris Seferovic, colocando-o no mercado."

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Benfica Podcast #332 - League Opener

As Águias #39 - Paços...

Natal em Agosto?

"– Ho Ho Ho! Feliz Verão 2019!
– Oh diacho… estás com os copos, Pai Natal?
– Pshh cala-te e liga aí na FC Porto TV.
A eliminação do FC Porto da Liga dos Campeões foi amarga para os portistas numa multitude de aspectos, mas sobretudo num: beneficiaram o seu maior rival.
É certo e sabido que para a nação azul e branca as vitórias não têm o mesmo sabor se não forem apimentadas por desaires benfiquistas. E, nesse contexto, o inverso é o pior de todos os males: pior que uma derrota, só mesmo uma derrota que favoreça o seu ódio de estimação. Fora a humilhação própria de uma eliminação às custas de um clube que não trouxe o seu melhor jogador e cujo treinador, com apenas 35 anos, transitou das reservas na época passada (paralelismos com Lage é pura especulação), os “dragões” deram folga às renas e trouxeram no sapatinho para o Benfica a subida de potes no sorteio da fase de grupos. Foi de uma generosidade imensurável, já que nem esperaram pela próxima fase para trazer um sorriso às hostes encarnadas.
Para que tal acontecesse, o Benfica precisava que ou o FC Porto ou o Ajax fossem eliminados na 3ª pré eliminatória ou playoff de acesso à competição. Com este desaire portista, o Benfica evita (desde já) Real Madrid, Atlético de Madrid, Borussia Dortmund, Nápoles, Shakhtar Donetsk e Tottenham (finalista na última edição) no sorteio de grupos.
Mas como diria Alexandre Herculano (não percam tempo a procurá-lo no Transfermarkt), “a ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados”, e assim sendo há que agradecer uma vez mais a Pinto da Costa e Sérgio Conceição. É que esses "mãos largas" encomendaram outra prenda antecipada ao clube encarnado: a totalidade do valor relativo aos direitos televisivos da UEFA. O Benfica, que já garantia 42,95 milhões pelo acesso à fase de grupos, recebe agora mais €1,11M (num total de 44,06 milhões de euros) do “market pool”, onde a UEFA distribui (proporcionalmente ao valor dos países) um total de 292 milhões de euros pelos 32 clubes.
Sendo a única equipa portuguesa em prova, o Benfica receberá os 100% destinados a clubes portugueses. A título de curiosidade, a UEFA faz o mesmo com a Liga Europa, onde caso Sporting de Braga e Vitória de Guimarães se qualifiquem, o valor atribuído a Portugal para esta competição terá de ser dividido pelos 4 emblemas portugueses em prova. Ou seja, ainda menos dinheiro é atribuído a cada um dos clubes nacionais. Ho Ho Ho!
Para além destes valores, acrescem as vendas de Rony Lopes (para o Sevilha) e Rodrigo (hipoteticamente para o Atlético de Madrid), que podem trazer aos cofres encarnados mais €1,15M, prevendo-se um encaixe total de €45,21M. Muito dinheiro sem sair do sofá.
Financeiramente, o Benfica vê-se assim perante uma oportunidade única para consolidar o seu domínio competitivo no panorama nacional. Há quem inclusive sugira que a ambição benfiquista poderia ser maior, isto é, pensar a nível externo (algo que já debati no artigo “O Projecto Europeu do Benfica”.
Mas perante as últimas declarações de Domingos Soares de Oliveira, fica claro que essa aspiração não tem fundamento. O Benfica, a par de Barcelona, Bayern de Munique e Real Madrid, é uma de apenas quatro equipas com presença ininterrupta nas 10 edições mais recentes da Liga dos Campeões. Esta assiduidade atrai novo talento ao clube, que vê com bons olhos ingressar numa equipa que constantemente se mostra no maior palco do futebol europeu (temos pena, Nakajima). Mas, por força do poderio económico de outras ligas, esse talento nunca é de nível mundial, também por culpa da pouca competitividade da nossa liga (“pouco atraente”, como foi aliás mencionado pelo administrador executivo da Benfica SAD). Acresce que a direcção do Benfica também não vê com bons olhos remunerações excessivas que levariam a uma discrepância de salários no plantel (onde jogadores ganham muito mais que outros).
Se por um lado isto faz algum sentido em termos de ambiente no balneário, por outro é incompreensível usar esta argumentação como único método de atrair (financeiramente) jogadores ao clube. Até porque denota alguma falta de imaginação relativamente aos mecanismos financeiros que podem ser usados para convencer bons jogadores a representarem as cores encarnadas.
De qualquer modo, é importante que se entenda que após o sucesso da International Champions Cup, o Benfica quer continuar a marcar presença entre a elite do futebol mundial por vários motivos: seja pelo encaixe financeiro, pela tão desejada internacionalização da marca, ou pela “sobrevivência” na já aguardada revolução das competições internacionais de clubes. Para que tal aconteça, não pode estar continuamente à espera que os rivais lhe entreguem craques de mão beijada (obrigado Pinto da Costa) ou cheques de €45M (obrigado Sérgio Conceição). Há que demonstrar mais ambição, e isso implica inevitavelmente abrir cordões à bolsa.
Num ano em que o clube espera receber uma receita recorde, muitos dos adeptos questionam-se como irá o Benfica aplicar esta pequena fortuna que entrou nas contas da Luz. É que até ver, estes milhões servem única e exclusivamente para uma coisa: mais quartos no Seixal. E não é à toa que este é já um dos 8 concelhos mais populosos de Portugal…"