Últimas indefectivações

sábado, 5 de agosto de 2017

Rui Vitória e a difícil arte de substituir insubstituíveis

"Seferovic, Willock e Chrien: pena que nenhum deles seja médio-defensivo.

O Benfica sofreu 14 golos em 6 jogos na pré-temporada, o que é um exagero para uma equipa que se habituou e que habituou os seus adeptos a uma solidez defensiva só ao alcance de campeões. O problema, bastante visível, não encerra nada de sobrenatural.
O bruxo é, presume-se, o mesmo mas o Benfica viu sair de uma assentada o guarda-redes Ederson, o defesa-lateral Nélson Semedo e o defesa-central Lindelof e os destinos que tomaram estes jogadores dizem tudo sobre a sua incomparável valia. E, assim sendo, comparar o actual grupo defensivo do Benfica ao "ensemble" que brilhou em 2016/2017 será sempre um exercício confrangedor.
Só por milagre conseguirá o Benfica reconstruir um sector recuado que se aproxime da qualidade exposta por aquele trio de ouro e este "drama" vai marcar, inelutavelmente, a temporada de 2017/2018 na Luz.
Do meio-campo para a frente continua o Benfica aparentemente bem servido e três dos chamados "reforços" apresentaram credenciais nestes 6 jogos de preparação antes de a coisa ser a sério. O suíço Seferovic, o inglês Willock e o eslovaco Chrien, sem deslumbrar, mostraram habilidades em número suficiente para aprovação nestes exames de verão.
Pena que nenhum deles seja um médio-defensivo porque o Benfica, até ver, continua dependente de Fejsa – e só de Fejsa – nessa zona charneira de tudo o que de bom e de mau pode acontecer a uma equipa num jogo de futebol. Boa sorte e toda a saúde do Mundo para Jonas, Pizzi e Luisão – os 3 essenciais – e quem sabe se o tal ‘penta’ não acabará mesmo por acontecer?

O preço dos golos, Jiménez e os outros
Se a História se repetir e o Benfica chegar às derradeiras jornadas da próxima Liga apertado na classificação por um dos seus rivais (ou pelos dois ou até por três, dando-se o caso de aparecer um intruso na luta pelo título) e se vir na obrigação de conquistar os 3 pontos na sempre difícil deslocação a Vila do Conde, quem é que vai marcar desta vez o golo salvador se Raúl Jiménez for vendido até ao fim deste mês de Agosto? Seferovic, pois claro, dirão os adeptos mais optimistas ainda encantados com os golos suíços na pré-temporada.
Mitroglou, pois claro, dirão os mais tradicionalistas que não esquecem o golo grego que valeu os 3 pontos em Braga na época passada. No entanto, dificilmente conseguirá o Benfica manter o mexicano, o suíço e o grego nos quadros. Raúl Jiménez é o mais completo dos três e é o que detém um reportório mais amplo. Por isso mesmo é o que tem maior valor de mercado e o que fará mais falta.

Rafa
Ou sim ou sopas
Não foi barato o preço que o Benfica pagou ao Sp. Braga por Rafa e eram bem altas as expectativas criadas em torno do jogador. Em 2016/17, o ano de estreia na Luz, Rafa não passou do assim-assim. Em 2017/2018, passará?

Cervi
Em todo o campo
O argentino foi figura importante na conquista do ‘tetra’ acrescentando aos seus dotes ofensivos uma surpreendente capacidade de luta e de sacrifício. E foi assim que conquistou o treinador e os adeptos. 

Grimaldo
Questão lateral
Vender Grimaldo é uma possibilidade para o Benfica, o indisputado rei dos encaixes chorudos. A questão é que com Grimaldo o Benfica fica mais forte e sem Grimaldo nem de perto nem de longe se lhe vê sucessor no horizonte. Haverá sempre Eliseu?"

Distribuição dos títulos deste Verão

"A pré-temporada termina hoje oficialmente às 20h45 no momento em que Artur Soares Dias apitar para o início do jogo entre o Benfica e o Vitória de Guimarães. É a decisão da Supertaça. Sempre que uma pré-temporada chega ao fim logo se animam, ou desanimam, as variadas hostes atirando-se com feroz capacidade analítica aos balancetes das respectivas tesourarias, deitando contas aos resultados de uma quantidade de joguinhos de Verão "que valem o que valem", consagrada expressão popular que serve para diminuir o impacto das escorregadelas ou para impedir euforias, conforme der jeito. 
Uma pré-temporada não se dá por finda sem o inevitável cotejo entre triunfadores absolutos e derrotados em toda a linha, entre bons e maus negócios, enfim, entre as mais variadas situações decorrentes deste empolgante campeonato do Verão. Está ainda acesa a discussão sobre quem, por exemplo, conquistou a Taça Regresso Pré-Temporada 2017 porque, de facto, os competidores nesta categoria foram fortíssimos. É verdade que o regresso de Aboubakar ao FC Porto foi esplendoroso em golos e que seria o camaronês o vencedor se não se tivesse dado o caso, um desenlace teatral, de o presidente do Sporting ter anunciado o seu próprio regresso, desta feita musical, ao Facebook. E, assim, lá segue a Taça Regresso Pré-Temporada 2017 para Carvalho em detrimento de Aboubakar.
A Taça de Campeão Pré-Temporada 2017 vai para o FC Porto porque não perdeu um único dos seus confrontos de Verão e ganhou muitos mais do que aqueles em que empatou para além de ter recuperado o espírito Paulinho Santos em palavras, pensamentos e obras. Na categoria das compras, o Sporting foi o grande vencedor gastando mais do que os seus concorrentes o que lhe permite apresentar-se uma vez mais com o plantel mais caro da Liga. Quem pode, pode. Já o Benfica fica com o prémio das vendas visto que se desfez por uma batelada de jogadores para o Barcelona e para os dois Manchesters. Quem não pode, não pode.
A Taça Melhor Negócio Pré-Temporada 2017 vai para o Sporting pelos contornos operacionais da contratação do argentino Acuña embora, para alguma gente embirrenta, a Taça Pior Negócio Pré-Temporada 2017 vá também para o Sporting pelos contornos operacionais da contratação do argentino Acuña. A atribuição da Taça Arrependimento Pré-Temporada 2017 vai estar em discussão até ao cair do pano porque é difícil escolher entre o arrependimento de Octávio Machado por ter servido com toda a lealdade o Sporting Clube de Portugal e os remorsos de Fábio Coentrão por ter dito que só serviria com toda a lealdade o Sport Lisboa e Benfica. É provável que esta Taça seja atribuída ex-aequo a não ser que hoje, até às 20h45, alguém mais se arrependa fulminantemente de um erro do passado e ultrapasse Octávio e Coentrão no capítulo das contrições, o que, com franqueza, é quase impossível de acontecer."

A Paz nasce da Ética!

"Este fim de semana tem início mais um Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão. Fazendo o balanço do processo coletivo do nosso futebol, devemos sublinhar, nele, duas grandes características. Por um lado, a muito boa valia pedagógica e técnica dos nossos treinadores e o prestígio das nossas escolas de formação de jogadores, que têm oferecido ao futebol mundial alguns dos seus melhores jogadores. Por outro, o elevado grau de conflitualidade entre os principais dirigentes dos nossos principais clubes, o que dificulta um diálogo lúcido e sereno entre os “agentes do futebol” e, num tempo em que as técnicas de publicidade e de propaganda atingiram um elevado grau de eficácia, cria falácias e sofismas do mais cego facciosismo, que se ampliam e reproduzem, tanto individual como colectivamente.
Não passa de um logro um Desporto sem Ética, porque sem Ética não há Desporto, nem Paz verdadeira.
Sem Ética, não há Desporto? Assim é! Não há jogos, há pessoas que jogam. Por isso, o Desporto não se resume, unicamente, a uma Actividade Física, porque é uma Actividade instauradora e promotora de valores. Fazer Desporto é competir, sob a base sólida das “leis do jogo” e… daqueles valores sem os quais impossível se torna viver humanamente! Por isso, a transcendência (a superação), no Desporto, prende-se com a globalidade do ser humano e portanto é simultaneamente física e psíquica e espiritual. Também os dirigentes, os “dirigentes-adeptos” e os adeptos dos clubes de futebol são convidados a transcender-se. Como? Tornando-se cada vez mais livres e libertadores: livres, porque se libertaram dos conflitos resultantes de cegos clubismos, particularismos, reducionismos; libertadores, porque se mostram capazes de lançar pontes de solidariedade em direcções aos clubes rivais.
Aos órgãos da Comunicação Social, apela-se para que se vinculem a uma informação criteriosa, e verdadeira, opondo-se à promoção de “faits divers”, e a uma banalização de um futebol de casos.
No Desporto, mais do que competição, deveremos criar verdadeira “coopetição” (um misto de competição e de cooperação). No dealbar do Nacional de Futebol 2017/18, pedimos licença para lembrar a todos os dirigentes desportivos, mormente os dirigentes dos principais clubes, que é preciso entrar numa era nova de mais diálogo, de mais cooperação, de mais concertação.
O progresso do nosso futebol precisa urgentemente da Paz que nasce da Ética – precisa de homens que, porque eticamente se transcenderam, sejam novos e façam novas todas as coisas. Com “homens caducos” as estruturas continuarão decrépitas. E, com “estruturas decrépitas”, até os homens de poderosos recursos teóricos e práticos, com dificuldade encontrarão espaço, para inovar ou reformar. “A Paz nasce da Ética”, queremos dizer: a Paz só com Ética se concretiza. Com Homens, portanto!"

O mistério Rui Vitória

"Ninguém ganhou tanto em tão pouco tempo quanto Rui Vitória e mesmo assim parece que não chega. Pode haver quem não aprecie o estilo politicamente correto que resulta em "amenas" conferências de imprensa. Pode também não se gostar da ideia de jogo que implantou no Benfica. Mas os resultados são o que são e, pelo menos por isso, seria de bom tom dar mais crédito ao treinador das águias do que aquele que continua a ser dado. Chega a ser um mistério tanta desconfiança.
A pré-época não deixou boas sensações e há adeptos que estão a morrer de saudades dos craques que foram vendidos. Ainda ontem Rui Vitória lembrava que este clima de dúvidas não é novo. Passou-se o mesmo quando saíram Renato Sanches e Gaitán, por exemplo. Ou quando Ederson teve de ocupar a baliza – de urgência! – numa célebre deslocação a Alvalade. E ainda quando Lindelöf teve de substituir por longos meses o lesionado Luisão. O novo "problema" tem um nome. Ou melhor, dois: Bruno Varela. Veremos até quando.
Não se pense, porém, que o Benfica está a fazer tudo bem. O caso Pedro Pereira é desastroso e obriga Vieira a comprar um lateral até ao final do mês. O empenho de Buta não foi suficiente. Rui Vitória deixou-o fora da lista de convocados para a Supertaça e isso quer dizer, antes de mais, que os ‘Nélsons Semedos’ não nascem debaixo das pedras."

NetPress... Super

Benfiquismo (DLI)

Aveiro... 2017

Uma Semana do Melhor... Sofrimento!

Ganhar amanhã e estar na próxima

"Mesmo que a taça de amanhã não seja super, é para tentar vencer, pois é um título inscrito no calendário de ambição benfiquista.

Acabou uma pré-época com resultados desportivos tão fraquinhos, como naquelas pré-épocas que precederam as temporadas gloriosas. Será apenas um optimismo estatístico, mas, a verdade, é que no Benfica tem sido quase sempre assim. Quando ganhávamos 5-0 ao Real Madrid a época era fraquinha, quando levávamos cinco do Arsenal a época era vitoriosa.
Até agora pouco interessava o resultado, a partir de amanhã pouco interessa, se o resultado não for bom. Neste início de temporada ficaram claras as fragilidades, e ficaram demonstradas as potencialidades. Corrigindo as primeiras, e trabalhando as segundas, chegaremos ao êxito.
A Supertaça, não sendo uma competição de imenso prestigio, é o jogo que define quem foram os dois melhores da última épocas. Benfica e Vitória merecem por isso disputar o título de amanhã. Quero ganhar amanhã, mas quero ainda mais estar na próxima Supertaça.
O martírio das lesões não larga o Benfica, veremos se André Almeida recupera, seria uma opção importante no objectivo de Aveiro.
Mesmo que a Taça de amanhã não seja super, é para tentar vencer, pois é um título oficial, inscrito no calendário de ambição Benfiquista.
Quando sou obrigado a comentar a compra de um jogador por €222 milhões, pedem-me a absurdo.
O preço em causa, a forma de saída, a forma de pagamento, as comissões do pai do jogador, o comportamento deste antes de sair, tudo me leva a crer que ninguém vai sair bem deste negócio. Embora alguns possam sair mais ricos.
Neymar é um excelente jogador, Barcelona um histórico do futebol e o PSG um novo rico endinheirado, tudo legítimo. A forma como as coisas se apresentam, os métodos e os processos perecem-me lamentáveis. Infelizmente o valor das coisas (e também dos jogadores), é muitas vezes apenas o seu preço. Triste a sociedade, e o mundo, onde se confunde o valor das coisas com o seu preço. Esta sociedade onde a honra, o compromisso e a ética deixam de ter valor, por não terem preço, não vai por bom caminho, se ainda tiver caminho.
Talvez por isso, quando Totti se despediu no Olímpico de Roma, não foram apenas os tiffosi romanos que choraram, foram também aqueles que apreciam os jogadores, os heróis e os mitos muito para além das comissões nas transferências."

Sílvio Cervan, in A Bola

Mau arranque...

Não começou bem a participação dos Benfiquistas no Mundial de Atletismo em Londres!
A Marta Pen ficou aquém do que pode nos 1500m. É sempre complicado 'acertar' numa prova, sempre muito táctica... Tendo em conta a inferioridade física, para evitar aquela luta de cotovelos, continuo a pensar que a Marta nestas provas deverá defender-se, atrás do pelotão, e acelerar nos últimos 600m... Mas a Martinha ainda tem muitos anos de competição pela frente... pessoalmente, acho que mais do que os resultados nos grandes Campeonatos, a Marta deverá continuar a bater as suas melhores marcas pessoais...

O David Lima fez este Verão grandes marcas nos 100m, mas a sua prova preferencial são os 200m, mesmo assim aquele 'arranque' foi decepcionante... Talvez o 'peso' do Estádio serviu de travão...

Ambos os atletas para o ano nos Europeus, terão ambições reforçadas...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sinto-me seguro

"Ele há coisa do diabo. Associar o estádio da Luz a qualquer questão relacionada com segurança remete-nos unicamente para a excelência das suas condições. Não tem fosse no qual poderão cair adeptos, por exemplo. Ainda recentemente foi escolhido pela UEFA para a realização de uma final da Liga dos Campeões e é, como se tem observado, o palco preferencial da Federação Portuguesa de Futebol para as partidas da sua selecção. Não é, no entanto, à prova de comportamentos de gente transtornada psicologicamente, como os pirómanos. Menos ainda se esses, ao satisfazerem o seu desejo de provocarem incêndios, não sejam minimamente criticados pelos dirigentes do seu clube. Nem tão pouco se revela eficaz perante a actuação, vá lá, musculada do primeiro bate, depois pergunta, de um tipo de polícia que, de quando em vez, dispara para o ar e atinge quem, por ser homem, está impossibilitado de voar. Ou mesmo a um nível de muitíssima menor gravidade, como num caso passado comigo, pacato cidadão pagador dos meus impostos e que até me barbeio com alguma regularidade (embora menor que a desejada por mãe e namorada), que por ter andado distraidamente junto a uma chamada linha de segurança, fui empurrado e insultado por um troglodita fardado e armado, por certo instruído para se situar acima da lei para fazê-la cumprir.
Mas parece que se fala de claques... De uma vez por todas: os benfiquistas que assistem aos jogos nos sectores geralmente conotados com claques são sócios do Benfica com as quotas em dia e detentores de lugar cativo, vulgo Red Pass. Desde quando é que o direito à livre associação se tornou numa obrigatoriedade?"

João Tomaz, in O Benfica

Faz de conta

"Imaginem que tenho 21 anos, metade do que vem no meu Cartão do Cidadão. E que sou argentino, sérvio ou chinês, com futuro garantido como jogador de futebol. Lá estou eu, no clube da minha terra e surge e possibilidade de jogar em Portugal. Em cima da mesa tenho três propostas.
A primeira é a de uma equipa que não é campeã há 15 anos e que nos últimos 40 ganhou quatro. É praticamente invisível nas competições europeias, tem um pequeno estádio com cerca de 50 mil lugares e a actualidade marcada por graves dificuldades financeiras camufladas por um presidente e uma direcção obcecados com o rival histórico que nunca conseguirá igualar.
A segunda é de um clube dirigido pela mesma pessoa há 35 anos, que já teve os seus momentos de glória no tempo em que a corrupção no futebol fazia parte do dia-a-dia. É um clube sem rumo, que nada ganha há quatro anos e que esbanjou o dinheiro nos bons negócios que fez num saco sem fundo que em os adeptos entendem para onde terá ido. É uma equipa cuja única estratégia é evitar que o rival da capital portuguesa seja campeão.
A terceira proposta que recebo é do tetracampeão nacional português, a equipa com mais títulos e adeptos, com o maior estádio, com um centro de estágios de onde saem todos os anos pérolas para os outros grandes clubes europeus. O clube é um caso de estudo a nível internacional pela sua política de desenvolvimento desportivo e financeiro. E só se preocupa consigo.

Tenho que tomar uma decisão: vou assinar pelo líder da bazófia, pelo campeão dos jogos da pré-época ou por quem ganha a sério?"


Ricardo Santos, in O Benfica

Ganhar!

"Agora sim, é a valer.
O Benfica tem, diante de si, a possibilidade de conquistar o primeiro troféu da temporada - a acontecer, será o 12.º dos últimos 16 disputados -, e com isso marcar desde já posição na grelha de partida da corrida ao 'Penta'.
Esta  não será uma época qualquer. Espera-nos um combate duríssimo, no qual os adversários vão socorrer-se de todos os meios (ilícitos ou não) para nos derrubar. A campanha de intoxicação mediática e condicionamento da arbitragem já arrancou, e não vai parar.
Neste contexto, a implementação do sistema de vídeo-árbitro até poderá ser benéfica. Enquanto benfiquista, acredito que ela possa construir uma barreira face a arbitragens que, nesta conjuntura específica, se sintam condicionadas ou pressionadas por todo o barulho em seu redor. Já enquanto adepto do futebol em sentido lato, coloca as maiores reticências a uma mudança que, impondo paragens e quebras de ritmo, ameaça tirar fluidez aos espectáculos - não garantindo, por outro lado, que a polémica e a discussão em torno dos lances mais duvidosos cessem.
Independentemente disso, devemos preocupar-nos sobretudo com nós próprios. Foi assim que chegámos a 'Tetra'. E assim chegaremos ao 'Penta'.
Continuamos a dispor de um plantel de luxo, de uma equipa técnica de excelência, e de todas as condições estruturais para nos superiorizarmos à concorrência. Até final de Agosto é natural que haja um ou outro ajustamento. Mas a espinha dorsal da equipa campeã permanece por cá, o que desde logo nos dá garantias.
Vamos então entrar em 2017-18 da mesma forma que saímos de 2016-17: com um troféu nas mãos."

Luís Fialho, in O Benfica

Seixalão

"Aquilo por que todos ansiávamos concretizou-se - o Presidente Luís Filipe Vieira apresentou publicamente as novas obras e o novo investimento na nossa Academia de Futebol. O Seixal será, cada vez mais, a âncora do Sport Lisboa e Benfica do futuro. Basta olharmos atentamente para os jovens jogadores 'made in Benfica' que, neste momento, integram o plantel da nossa equipa principal.
Bruno Varela (vai para a 10.ª época no clube), Aurélio Buta (7.ª época), Pedro Pereira (8.ª época), Rúben Dias (10.ª época), André Horta (9.ª época), João Carvalho (9.ª época) e Diogo Gonçalves (10.ª época) são sete bons exemplos. Já para não falar em outros quatro jovens muito promissores que têm treinado com a equipa A - Francisco Ferreira ('Ferro'), Pedro Rodrigues ('Pêpê'), Heriberto Tavares e José Gomes, sendo que este ultimo, na época passada, alinhou em 5 jogos pela equipa tetracampeã, destacando-se a sua estreia na Champions e os 3 jogos na Liga. Além dos 90 minutos num dos jogos da campanha vitoriosa da Taça de Portugal.
A estes jovens talentos teremos que elencar os nossos dez embaixadores - João Cancelo, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, André Gomes, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Ederson, Lindelof e Nélson Semedo.
Estes 21 exemplos provam que o caminho traçado por Luís Filipe Vieira é o caminho certo. Todos gostamos de olhar para os títulos conquistados. São já 11 os Campeonatos Nacionais conquistados (1 de Juniores, 4 de Juvenis e 6 de Iniciados) desde 2006/07. Quantos aos títulos distritais... são tantos que já lhes perdi a conta! Já para não falar nos dois títulos de vice-campeão europeu de Juniores."

Pedro Guerra, in O Benfica

Alvorada... dia de Pragal !!!

NetPress... Super-arranque!

Benfiquismo (DL)

Estilo...

Aquecimento... Pré-Supertaça !

O mercado do futebol está louco mas não é para jovens

"A propósito de declarações de Xavi Hernández, antigo jogador do Barcelona e um dos seus melhores executantes no meio-campo. Xavi afirmou: " o Barcelona, actualmente, não tem jogadores juvenis que crescem no clube e chegam à equipa principal, como foi o meu caso, o de Messi e de Iniesta.
A resposta do presidente do Barcelona, Josep María Bartomeu não deixou de ser curiosa e interessante: " o problema é Xavi, Iniesta e Messi. É difícil ser jogador e ter que enfrentar Leo Messi, Neymar, Xavi, Iniesta, Busquets ou Piqué. É muito complicado estar numa equipa assim".
Não deixa de ter razão. Durante os anos que jogou Xavi, no Barcelona, houve 15 jogadores jovens que jogaram na sua posição e tiveram que abandonar o Barcelona.
O verdadeiro problema é a falta de oportunidades dos jogadores mais jovens e a aposta dos treinadores. A coragem para o fazer é complicada. Os clubes preferem o imediatismo e os resultados. 
Zidane, o ano passado fez rotações de jogadores e deu oportunidades a muitos jogadores novos. Resultou, foi benéfico para quem é mais novo e tornou-se uma mais-valia em termos desportivos e económicos. Jogadores como Isco, Nacho, Asensio, Lucas Vazquez.
O problema dos jogadores jovens, uns formados nas camadas jovens, outros que chegam de novo, é ficarem sem hipóteses e procuram ter mais minutos e jogarem.
O busílis é dos jogadores vedetas que têm uma enorme influência no balneário. Por outro lado, não há rotação de jogadores, os que têm estatuto de titulares querem jogar sempre.
O poder de um balneário com figuras deste calibre é abismal. Recordo-me o que Ronaldo passou para ser aceite como titular na selecção nacional com vedetas como Figo, Rui Costa e Fernando Couto.
Os jogadores têm peso e poder em muitas das decisões desportivas, económicas e estratégicas de um clube. Os jogadores mais caros gozam da influência de empresários junto do treinador e até do presidente para jogarem e fazerem parte das convocatórias.
É muito complicado para um jogador jovem, indefeso com um baixo salário bater-se com os grandes do futebol.
Cada vez mais é preciso regular o mercado e estipular valores decentes para os jogadores. Como se vê com Neymar, uma cláusula de rescisão não é um obstáculo intransponível.
Repare-se que Neymar vai para o PSG e não se fala em colmatar a sua saída com um jogador jovem ou feito na casa. Já se fala em Hazard, Griezmann ou Coutinho, como alternativa, e o pior, a qualquer preço. Uma das formas de proteger os jogadores jovens era exigir um número mínimo desses jogadores numa equipa principal fossem formados nas camadas jovens do clube, ou não.
A culpa é dos jogadores e de quem os rodeia. O mercado do futebol está louco mas não é para jovens."

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Livro do Tetra

B's também em jogam...

Alvorada... Zé Nuno no 'reset'...!!!

NetPress... Mercado Louco !!!

Benfiquismo (DXLIX)

Para os mais esquecidos!!!

Lanças... à séria !!!

Alta... Nélson

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lições a tirar do defeso (e a Luz à espera...)

"Mais uma vez, este período vestibular do Benfica foi desolador, em termos de resultados, mas não só. Sinto-me algo desconfortável.

Defeso
1. «Aleluia, os jogos a feijões estão no fim», assim escreveu José Manuel Delgado na passada segunda-feira. Ainda bem! Chegou ao fim a chamada pré-época. A minha antipatia não tem a ver, apenas, com a natureza entediante da maior parte das partidas que se fazem e das experiências entre jogadores-que-já-sabe-que-não-ficam-nos-plantéis e atletas-que-ainda-não-chegaram-de-férias. Também não gosto da própria expressão, preferindo antes dizer primeira fase da época. É que só o prefixo pré é, em si mesmo, indutor de provisoriedade e de complacência que a todos parece contagiar, desde os técnicos, às equipas e aos adeptos.
Mais uma vez, este período vestibular do Benfica foi desolador, em termos de resultados, mas não só. Na altura em que escrevo bem poderia escudar-me nos lugares-comuns que sempre se ouvem e lêem nestas circunstâncias. «Que a seguir é que é a doer», que «o resultado é o que menos interessa», que «na segunda parte com as substituições as coisas naturalmente pioraram», que «as pernas ainda pesam muito» (constatação, aliás, deveras curiosa, pois parece que, do outro lado, estão equipas de pernas leves...), etc. Aliás, o relator (agora parece que a moda é dizer narrador) da BTV, mal acabou o jogo contra o Leipzig, não poderia ser mais explícito: «A sério vai ter já no próximo sábado». A sério? Então estes jogos não foram sério? Então os rapazes não são profissionais para assim jogar sempre, a maioria paga a peso de ouro?
Não julguem o que escrevo como uma crítica inoportuna ou injusta. Desejo, do fundo do meu coração bem vermelho, que tudo o que aqui exprimo seja totalmente desmentido pelos factos (e vitórias) durante esta temporada. Acontece que o meu benfiquismo é muito exigente e radical. Não me consolo com frases planfletárias atiradas para cima dos reptos que enfrentamos, como se, só por si, tivessem o condão de obnubilar as coisas que correm menos bem.
Também estou consciente que o Benfica escolheu (alguns) adversários fortes, não entrando, por exemplo, na lógica portista de fazer brilharetes com clubes de plano inferior, bem mais simpáticos, e que permitem legendas, tais como «nasceu um novo dragão» ou «50 mil adeptos em êxtase», na apresentação perante o poderoso Corunha.
Também poderia apelar à tradição recente de más pré-épocas que resultaram em excelentes temporadas, com vitórias e campeonatos ganhos. É verdade, e assim espero que continue a ser. Mas não transformemos em aparente regra o que não se pode induzir como tal. Sempre prefiro uma boa pré-época, até pelo ânimo que nos fornece e nos contagia e pelo respeito que incute nos adversários. Em qualquer caso, cometer erros pois que seja agora e não depois.

2. Não é que esteja pessimista. Há todas as condições para alcançar o penta e ter bom percurso na Europa. Mas sinto-me algo desconfortável por vários aspectos:
Em primeiro lugar, pelos resultados, que é o que, depois do decurso do tempo, fica no registo do passado. Sete jogos, três vitórias e quatro derrotas. As vitórias contra formações de trazer por casa ou perto de disso, em particular um clube da 2.ª divisão helvética (Xamax) e um ignoto clube inglês do 3.º escalão (Swindow Town). Um total de 15 golos sofridos e duas goleadas, uma das quais de todo impensável (5-1 contra o Young Boys).
Em segundo lugar, pelas modestas exibições que, por exemplo, num torneio com algum prestígio e no magnífico Emirates londrino, foram quase indigentes.
Em terceiro lugar, julgo que se perdeu tempo a fazer experiências, sabendo os técnicos, os próprios jogadores (pelo menos, desconfiando) e até nós, adeptos fervorosos, que não valia a pena insistir. André Horta vai ser emprestado (com muita pena minha), mas continua a fazer uns minutinhos. Hermes não tem lugar na equipa (e suspeito que Pedro Pereira também não), mas estão no plantel desde Janeiro. Já agora, ainda vale a pena fazer experiências com Carrillo?
Em quarto lugar, pela inusitada série de lesões que já chegou ao plantel. Se não me engano, até agora, sete, ainda que o prometedor Krovinovic esteja impedido por razões diferentes. Sou leigo na matéria, mas voltando-se a repetir, em parte, o início da passada época, pergunto-me qual a razão para tanta enfermaria, sobretudo quando penso que tal não aconteceu nos nossos rivais.
Em quinto lugar, com a magna questão da defesa. Já aqui escrevi que as transferências de três pilares da época transacta são difíceis de colmatar e não há golpe de magia para, de um momento para o outro, os fazer esquecer. Acontece que não foi só perder 3 dos 5 titulares indiscutíveis. É que Luisão e Júlio César tem mais um ano de idade. Os negócios foram óptimos, mas acontece que «sol na eira e chuva no nabal» é cada vez mais uma impossibilidade. Visto de fora - e peço antecipadamente desculpa de eventualmente estar a cometer alguma injustiça por natural insuficiência de informação - o rombo foi grande e o despertar para o problema está a ser tardio e ainda longe de ser colmatado a dias do início das competições. De qualquer modo, espero que se encontrem boas e duráveis soluções para o sector que ganha campeonatos. Por momentos, volto ao relator da BTV para o citar quando, por volta dos 35m. do jogo com os alemães, o promissor Bruno Varela fez duas magníficas defesas na mesma jogada. Disse: «É uma resposta para quem está sempre a falar que é preciso contratar um guarda-redes». Perante tão preclaro silogismo - o rapaz fez duas defesas, as defesas foram boas, logo não há necessidade de contratar ninguém - calo-me já.

3. Finalmente, uma nota de alguma perplexidade. Refiro-me ao facto de este ano não ter havido - na dita pré-época - jogo de apresentação no Estádio da Luz. Bem sei - e aplaudo - que a equipa jogou na Suíça (e mesmo na Inglaterra), assim satisfazendo muitos compatriotas dessas paragens. E até jogou no Algarve. Mas, na Catedral, só se estreará no jogo do campeonato contra o Sp. Braga! Tenho pena e é quase inédito. Acresce que também ainda não se disputou a Eusébio Cup, o que também lastimo. Há certamente motivos para explicar estas omissões, mas lá que é pena, é.

Faça-se Luz
«Luz interditada pelo Instituto Português de Desporto e Juventude», assim dizia (e sonhava) o Jornal de Notícias, diário de indisfarçada preferência clubista regional. Tudo por causa de um regulamento de há anos e de umas tarjas e bandeiras que incomodam outros clubes. Vai daí, umas queixinhas e o despertar do tal douto Instituto. Luís Filipe Vieira já esclareceu e bem este gravíssimo problema da Segunda Circular. Ele há coincidências... Moral da estória: vale tudo, menos arrancar olhos, para tentar impedir novo campeonato para o Sport Lisboa e Benfica. E ainda estamos no adro do... dito!

Contraluz
- Palavra:
Bascular, cada vez mais no futebol metaforicamente empinado. Não confundir com vascular.
- Equipamento (de que mais gosto a seguir ao tradicional do meu Benfica, este ano 5 estrelas):
O da Roma, numa sábia mistura de tons de vermelho, laranja e branco.
- Terra:
Grândola. Saúdo a chegada da equipa do Hóquei Clube e Patinagem de Grândola à primeira divisão de hóquei em patins. É o clube de Portugal Continental mais a sul, desde sempre, na competição!
- Pensamento:
«Porque é que estranhas tanto que um deputado deixe o partido e vá ser deputado para outro lado? O jogador de futebol também muda de clube»
(Vergílio Ferreira, 1916-1996)"

Bagão Félix, in A Bola

Seferovic é uma semente de esperança

"Pode nunca vir a ser um enorme goleador; mas evoluindo como se espera, e se a equipa o ajudar poderá chegar facilmente a números nunca atingidos na carreira, tem tudo para consegui-lo: talento, inteligência e capacidade de adaptação.

Em Fevereiro de 1999, Batistuta era o melhor ponta-de-lança do Mundo, no mais conservador campeonato do planeta (o italiano), ao serviço de uma equipa que não era uma potência (Fiorentina). Certa noite, em Lisboa, cruzou-se com Mário Jardel- foram apresentados e estiveram um bom pedaço à conversa. O argentino, que estava lesionado (lesão que terá custado o título aos viola), conhecia Super Mário do FC Porto e o diálogo teve o golo como pano de fundo. Rui Costa interrompeu a conversa: 'Bati, sabes quantos golos marcou este tipo a época passada?' Como não obteve resposta, o Maestro esclareceu: '40!' O bombardeiro reagiu com espanto, sorriu e dirigiu-se a Jardel: 'Mário, os defesas em Portugal têm duas pernas?'

Integrado numa equipa estruturada, mas que lhe permite usufruir de alguma liberdade; habituado a cumprir guiões rígidos e a jogar quase exclusivamente de memória, Seferovic terá descoberto, em poucas semanas, as virtudes da intuição e do instinto; cresceu e habituou-se a entender o jogo como aula prática da teoria aprendida nos treinos, mas bastou-lhe ter por perto um génio como Jonas para estimular as virtudes mais infantis e criativas do jogo. É essa capacidade para desenvolver outros conceitos, dar seguimento a mais sugestões, correr alguns riscos, no fundo, descobrir-se a si próprio, que está a fazer dele um jogador melhor; é a conclusão de que todos os problemas não têm sempre as mesmas soluções que o tornará um avançado mais interessante, valioso e goleador.

O Benfica é, também, a equipa mais dominadora que já integrou; aquela com mais obrigações ofensivas, com maior e melhor arsenal bélico para alimentar os especialistas do último toque. Tal como tantos outros que vieram de longe com números pouco exuberantes para a tarefa que desempenham, Seferovic parece condenado a marcar no Benfica mais golos do que em qualquer dos clubes que representou até hoje. Tem tudo para consegui-lo: talento, inteligência e capacidade de adaptação.

Seferovic veio para Portugal como jogador competente, trabalhador, solidário, disciplinado, corajoso, obediente e razoavelmente eficaz. Chega também na idade perfeita (25 anos) para atingir o máximo das suas potencialidades. Se até agora entendeu como dogmas as instruções dos treinadores, despojando do reportório toda a pompa mas também toda a superficialidade, chegou o momento de mostrar argumentos para depurar improvisação, assombro, ousadia e golo. Não sendo um virtuoso que tira coelhos da cartola, é um bom exemplo da sempiterna distinção entre técnica e habilidade. Nunca lhe detectámos um truque de magia mas já o vimos desmarcar-se em alta velocidade, deixar a bola correr ao seu lado e, de longe, porque o guarda-redes estava adiantado, aplicar um tiro fabuloso com o pé direito (ele que é esquerdino) para um golo inesquecível.

Participa e dá critério ao desenho de aproximação à baliza; sendo atacante, está nos antípodas daqueles que não dão a bola nem à mãe se sentirem que têm 1% de probabilidades de fazer golo. Não tarda, essa aparência desprendida acabará por ganhar evidência mais focada na estatística - no dia em que tomar gosto à glória do último toque as coisas vão mudar (mudam sempre) um pouco de figura. Essa é, de resto, a evolução mais preciosa que poderá fazer, acrescentar à aparência de funcionário cumpridor, que nada tem a esconder e chega a ser gentil com os adversários, o perfil de um homem com instinto assassino, que toma decisões contundentes e não tem contemplações com as vítimas. Pode nunca vir a ser um enorme goleador, mas evoluindo como se espera, e se a equipa o ajudar, poderá chegar facilmente a números nunca atingidos na carreira - entre os 20 e os 30 golos numa época. É uma semente de esperança no Benfica 2017/18.

Figo esquecido? Eusébio em 23.º?
O primeiro lugar de Maradona tranquiliza o adepto e a presença de Coluna é um ato de justiça. Mas Eusébio não pode ficar em 23.º lugar (é uma vergonha sem precedentes nestas listas) e é um escândalo que Figo não esteja lá. A ausência do ex-sportinguista, Bola de Ouro e reconhecidamente um dos mais extraordinários futebolistas de todos os tempos, corrói de indignidade a iniciativa da revista inglesa.

A defesa da águia e o golo do Leipzig
Recuperar a bola depende de estratégia, funcionamento colectivo, posicionamento em campo e orientação do treinador. Mas para defender bem é fundamental o contributo de cada um dos elementos integrantes no processo – o seu comportamento, a sua inteligência e a correta utilização de todas as armas. Nesse lance a defesa estava completa e no lugar. Mas nenhum jogador fez o que devia. Assim é difícil. (...)"

Alvorada... com o Rola

Futebol é festa!

"Enquanto o presidente do Sport Lisboa e Benfica fala das obras de ampliação do Caixa Futebol Campus e do futuro, outros em descalabro financeiro vivem num desespero diário de plantar notícias que a realidade desmente.
No próximo sábado na Supertaça, em Aveiro, e no dia 9 com o regresso dos campeões ao nosso Estádio, no arranque da Liga NOS, rumo ao penta. É esta a festa do futebol que devemos celebrar."


PS: Estou à espera da queixa e consequente processo, que como é óbvio dará em condenação, ao Benfica, devido a este comunicado!!!

Hipocrisia...

Benfiquismo (DXLVIII)

Festa...

105x68... 37 !!!

Os negócios no futebol

"Há o desporto e há o futebol. São duas realidades distintas. O futebol nasceu como desporto - ainda há quem o jogue com esse espírito -, mas tornou-se sobretudo uma indústria globalizada, organizada num sistema que tem no topo uma meia dúzia de equipas que passaram a ser gigantes no entretenimento.

É um negócio que tem os palcos principais na Europa e público diante de ecrãs, cada vez mais a Oriente. É comandado por investidores americanos, fundos de investimento das petro-monarquias do Golfo, patrocinadores chineses e, entre outros, interesses milionários russos. Em fundo a este negócio estão os suculentos direitos de difusão dos jogos e a exploração da imagem das estrelas associadas, os jogadores e alguns dos treinadores.
Um estudo publicado no começo do ano pela UEFA mostra que um pequeno grupo de grandes clubes que são empresas, estão seis vezes mais ricos que há 20 anos. Esse grupo de elite é sempre o mesmo: Real Madrid, FC Barcelona, Bayern de Munique, Manchester United, Liverpool e Juventus de Turim. O Paris Saint-Germain faz por se juntar, tal como o Manchester City e o Chelsea. O Milão perdeu o estatuto de parceiro no topo. Há outras equipas alemãs, holandesas, espanholas e portuguesas com aspirações, mas o clube de elite fecha-se cada vez mais.
O negócio do futebol parece entrado em perigosa fase de bolha financeira. Até hoje, só houve três futebolistas cuja contratação tenha roçado ou ultrapassado os 100 milhões de euros: Paul Pogba, Gareth Bale e Cristiano Ronaldo. Mas, neste último ano, o pagamento de valores exorbitantes, desproporcionados, tornou-se moeda comum. Pagar 30 milhões por um jovem futebolista cuja classe está por testar com consistência, tornou-se vulgar. Todos vemos transferências multimilionárias em que o jogador contratado acaba por ficar sentado entre os suplentes. Apesar disso, a espiral inflacionista está generalizada.
O Manchester City já vai, neste verão, em 220 milhões de investimento em novos futebolistas (49 milhões para receber o português Bernardo Silva), sendo que 138 milhões foram destinados para defesas laterais: Mendy (58 milhões), Walker (51 milhões) e Danilo (30 milhões por este brasileiro ex FC do Porto e ex-Real Madrid). O Manchester United, de Mourinho, desembolsou 85 milhões pelo belga Lukaku e o espanhol Morata foi transferido para o Chelsea por 80 milhões.
Agora, a notícia de que o Paris Saint-Germain, nas mãos de um multimilionário do Qatar, se dispõe a pagar ao Barcelona a cláusula de rescisão de Neymar, de 220 milhões, desconcerta. É sabido que o valor de mercado corresponde ao que alguém se dispõe a pagar. Mas estas quantidades que o futebol está a movimentar encaixam mal, parecem absurdas. O dinheiro deste anunciado contrato dava para proporcionar soluções que permitissem atenuar a crise dos refugiados, dava para reconstruir lugares que a guerra devastou, dava para que a ONU tivesse meios de que necessita para intervir e ajudar. Até dava para criar vários museus que iniciassem mais gente no gosto pelas artes.
Há sinais inquietantes. No último ano vimos como os todo-poderosos presidentes da FIFA (Blatter) e da UEFA (Platini) caíram, acusados de benefícios impróprios. Há duas semanas, foi outro patrão do futebol europeu, Ángel Villar, presidente, há 28 anos, da Federação Espanhola e homem forte na UEFA, obrigado a demitir-se, detido e acusado de corrupção continuada.
Ultimamente, viu-se como a China quer tornar-se potência no futebol. Mas a Confederação Asiática acaba de avisar que 18 clubes, incluindo 13 de elite, poderão ser excluídos das competições oficiais por terem salários em atraso aos seus futebolistas. Entre os clubes mencionados estão equipas ambiciosas como o Shangai Shenhua e o Guangzhou Evergrande, que têm contratado estrelas do futebol europeu e sul-americano.
Será que a bolha do futebol asiático está à beira de rebentar? E no futebol europeu? Para além dos 222 milhões de Neymar para o PSG, o Real Madrid mostra-se interessado na nova pepita francesa, Kylian Mbappé, avançado de 18 anos, por quem o Mónaco, treinado por Leonardo Jardim, faz preço em 160 milhões de euros – o negócio alimenta-se de novidades e o Real entende que precisa de preparar um sucessor para Cristiano Ronaldo, a ficar veterano.
No meio de tudo isto, vários serões televisivos portugueses estão cheios de futebol falado, preenchido com discussões e intrigas em volta dos clubes, jogadas e jogadores, alguns com o único resultado de envenenamento da possibilidade de boa convivência. Quando o que se espera dos artistas, também os do espectáculo de futebol, é que contribuam para mais satisfação na nossa vida.
(...)"

Aquela bola alta vinda lá da extrema

"Não é a bola alguma carta que se leva de casa em casa:
é antes telegrama que vai
de onde o atiram ao onde cai.
Parado, o brasileiro a faz
ir onde há-de, sem leva e traz;
com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso;
em telegrama, que é sem tempo
ele a faz ir ao mais extremo.
Não corre: ele sabe que a bola,
Telegrama, mais que corre voa.
(João Cabral de Mello Neto)

O nome deste poema é esclarecedor: «Carta do Jogador Brasileiro a um Técnico Espanhol».
A Europa descobrira o futebol brasileiro em 1938, no Mundial de França. Descobrira Leônidas da Silva, o Diamante Negro, de quem se dizia ter inventado o pontapé de bicicleta. Não sei se no futebol se pode inventar o que quer que seja. Nesse aspecto, não difere muito da literatura: começa-se pela imitação e acaba-se na criação. O que não é o mesmo do que inventar. Quero dizer: inventar pressupõe fazer algo de absolutamente nunca visto.
Porque nos adiantámos há pouco na narrativa, agora atrasamo-nos. Vamos lá à bicicleta. Poucos movimentos no futebol serão tão fantásticos como o pontapé de bicicleta.
O pontapé à meia-volta, ou o pontapé de moinho, também é interessante, embora não tão extraordinário. Os brasileiros estão convencidos de que o pontapé de bicicleta foi inventado por Leônidas da Silva, o ‘Diamante Negro’.
Os japoneses também: tanto que têm até um chocolate chamado ‘Black Diamond’, em homenagem a Leônidas. Mas, em matéria de futebol, o Japão é uma espécie de colónia do Brasil. E a opinião dos japoneses pode valer muito em electrodomésticos, aparelhagens, máquinas fotográficas e explosão demográfica, mas em futebol vale o que vale: isto é, pouco.
Antes de a televisão tomar conta do jogo, a visão do cronista fazia lenda. De Leônidas da Silva nunca vi, como a maior parte dos que me lêem, mais do que uns segundos de imagens pouco nítidas do Campeonato do Mundo de 1938, em França.
E fotografias.
Mas li muitas páginas sobre ele. Não tenho dúvidas: jogava imensidões! Leônidas da Silva é um dos jogadores mais bem escritos da história do futebol. Eis a prova: «Bem me lembro do dia em que Leônidas fez, pela primeira vez no Mundo, um gol de bicicleta. Jogavam Brasil e Argentina em S. Januário. Atacavam os brasileiros. Veio uma bola alta, lá da extrema, e Leônidas estava de costas para o gol. Sem tempo de se virar, ele deu o salto mais lindo que já se viu. Tornou-se leve, elástico, alado. Lá em cima, deitou-se e fez um maravilhoso movimento de pernas. A jogada, por si mesma, foi um deslumbramento. Mas além da beleza, da plasticidade, houve o resultado concreto: o gol». 
Nelson Rodrigues escreveu estas linhas em 1966, pouco antes do Campeonato do Mundo: como vêem, as coisas encaixam-se. O golo de Leônidas frente à Argentina foi em 1934. Parece que Nelson Rodrigues não via muito bem: era míope. No entanto, o seu futebol era apaixonante. Basta lê-lo. Sobre as dioptrias de Leônidas da Silva, o ‘Diamante Negro’, não há registo. O seu futebol, no entanto, era inacreditável. Basta ler Nelson Rodrigues.
Vinte anos antes de Leônidas da Silva ter inventado o pontapé de bicicleta, numa tarde sem data de 1914, o chileno Unzaga Asla estava de costas para a baliza. Uma bola veio alta, indomável, à altura da sua cabeça. Foi então que Unzaga Asla se lançou no ar e, paralelo ao relvado, pedalou com violência a bola para um golo sem igual. Confesso: não sei mesmo se foi golo. Deve ter sido. Só assim se entende que o seu nome tenha ficado para a história como o do inventor da ‘chilena’. ‘Chilena’ é, em toda a América Latina, o pontapé de bicicleta. Menos no Brasil, claro!
A Europa nunca descobriu Unzaga Asla. Descobriu Leônidas na Silva, carioca de São Cristóvão, o Homem de Borracha, em 1938. Viu-o marcar três golos contra a Polónia, numa vitória por 6-5, domingo de chuva em Estrasburgo. Acreditem ou não: nesse tempo, a vitória mais importante da selecção canarinha. Leônidas da Silva foi também um jogador ouvido como poucos. Em 1938, todo o Brasil se colava aos rádios a pilha. Diziam: radinho de pilha em forma de igrejinha. Luxo de pobre. É assim que se constroem os mitos. E este é um livro sobre mitos. Leônidas da Silva morreu no dia 18 de Janeiro de 2004, um domingo como em Estrasburgo, e não fazia ideia de quem era Leônidas da Silva: a doença de Alzheimer fizera dele uma pessoa diferente."

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nova vida, segundo Vitória

"Há estratégia que Vieira não abdica: um Benfica financeiramente autossustentável e desportivamente forte. Não dependente de um resultado, de um jogo, de um campeonato.

Os treinadores não se cansam de dizer que interessa mais como acaba do que como começa, tentando, com esta argumentação, adiar até onde as circunstâncias permitem a assunção de fracassos anunciados.
É claro que em cada época, longa, difícil e sujeita a factores vários que se podem prever mas não se conseguem eliminar por antecipação, o sucesso costuma colar-se à regularidade dos que não se gabam nos momentos bons nem dramatizam nos maus. Dá preferência a quem, estando acima ou abaixo, mantém inabalável a força de acreditar sem jamais pôr em causa o valor dos adversários, o que nada tem a ver com a pretensão de ser melhor do que eles.
São situações absolutamente distintas, embora à mercê de interpretações dúbias, sobretudo no nosso país futebolístico, em que modernas técnicas comunicacionais que o bom senso não recomenda teimam em difundir: tudo vale para se alcançar um fim. Não é verdade, mas é assim, sendo desejo de quem gosta do futebol a sério que, de uma vez por todas, só haja espaço no palco para os artistas: primeiro os praticantes, porque sem eles não há espectáculo, depois os treinadores, que os orientam e valorizam, e os árbitros, a quem cabe zelar pelo cumprimento das dezassete leis de jogo.
Dizem ainda os treinadores que não há campeões de pré-época, porque se houvesse o FC Porto teria sido vencedor, o Sporting segundo e o Benfica terceiro. Olhando somente para o deve e haver dos resultados obtidos pelos três é esta a conclusão que se retira. Que reflexos no futuro próximo? Boa pergunta. Todos os anos se coloca e todos fica sem resposta. Nesta altura, apenas se dão palpites, uma imensidão deles. É o período se de exercitar a imaginação e de se arquitectarem soluções que correspondam aos anseios de quem se predispõe a óbvia perda de tempo.

O povo benfiquista confia em Rui Vitória e sente-se confortado pelo apelo à tranquilidade que o treinador tem feito: a seguir ao encontro com Hull City e em Londres, após duas derrotas que, independentemente da expressão e do significado, pensaram e provocaram dor no estado de espírito dos adeptos.
Cinco golos sofridos diante do Young Boys seriam inadmissíveis mesmo que fosse utilizada a equipa B, quando mais frente ao que se classifica de segundas linhas do plante principal, e este fim de semana mais cinco do Arsenal e mais dois com o Leipzig, embora aqui o foco problemático se tivesse localizado em notória incapacidade atacante.
Convém referir que será imprudente, e até injusto, apontar o dedo aos mais novos.
O que se viu na capital londrina foi gente aburguesada a esconder-se. Sabe-se que com Jonas e Fejsa se ergue um cenário, sem eles outro muito diferente, para pior. Também não tem relação com o tamanho dos artistas, porque Cervi foi enorme em disponibilidade e valentia. Dos restantes, há lugares no plantel que me parecem mal preenchidos: por falta de classe e/ou falta de vontade de quem os ocupa.
«Sabemos o que estamos a fazer», afirmou Rui Vitória.
Os adeptos do emblema da águia gostam do que ouvem, mas será aconselhável que tenham a noção de que este Benfica apresenta condições para se bater pela conquista do penta, não muito mais..
«A partir de agora segue-se nova vida, a vida do nosso clube, do nosso campeonato», sublinhou o treinador, respaldado na segurança de manter no plantel maioria dos artífices do seu primeiro título de campeão no Benfica, casos de Júlio César, Jardel, Luisão, Lisandro, Fejsa, Samaris, Salvio, André Almeida, Jonas ou Pizzi. Quase uma equipa completa, que tranquiliza, mas com mais dois/três anos,que inquieta.
Dos formados no Seixal saíram Ederson, Gonçalo Guedes, Lindelof, Nélson Semedo, Renato Sanches, além de mais uns tantos que sem oportunidade para reclamarem lugar no plantel principal foram colocados nos mercados europeus e trouxeram riqueza para o clube, exemplos de Cancelo, Bernardo Silva ou André Gomes.

uma estratégia em execução de que Luís Filipe Vieira não abdica: fazer do Benfica instituição financeiramente autossustentável e desportivamente muito forte. Não dependente de um resultado, de um jogo, de um campeonato.
As estruturas vão ser ampliadas e melhoradas, com a construção de mais instalações desde espaços desportivos e de acolhimento a um colégio para receber 800 alunos, como ontem foi revelado. Sem deixar cair no esquecimento, acrescento eu, a sublime ideia da casa do jogador, ou o que se lhe queira chamar: uma forma muito nobre de expressar gratidão pelos que representaram o emblema com dedicação e a vida não lhes correu de feição.
Vitória sabe que merece a confiança da administração. Não se sente prisioneiro dos resultados, tão pouco se admite a sua condenação por causa deles. Prometer o que não há para dar, navegar à vista da costa, construir e destruir ou recomeçar todos os anos, cada um dos rivais escolha o caminho que entender porque a tudo isso o presidente do Benfica atribui pouca/nenhuma relevância. O que verdadeiramente lhe importa é a solidez do seu projecto. O presente e a ponte que o vai ligar ao futuro: grandiosa empreitada em curso com a assinatura de Luís Filipe Vieira."

Fernando Guerra, in A Bola

Alvorada... com o João Paulo

Lei que é tal e qual um queijo suiço

"Não é novidade para ninguém que nenhum partido quer entrar em conflito com qualquer clube. Nos primórdios da nossa democracia dizia-se que a política não afrontava a Igreja, os bombeiros e o futebol, porque sairia sempre perdedora do confronto. Hoje, as coisas mudaram, ma non troppo. No caso das claques, a cobardia dos sucessivos governos tem sido gritante e só assim se explica que tenha sido aprovada uma lei com mais buracos que qualquer queijo suíço, com a qual é fácil conviver sem que o essencial - garantir a segurança e erradicar os hooligans dos estádios -  seja alcançado. A política, como arte do possível que é, coabita, sem problemas, com estas águas paradas do faz de conta e aos clubes tem dado jeito que ninguém abane com vigor os ninhos de vespas (e problemas) que são as claques.
Por tudo isto, apenas no dia em que houver vontade firme de resolver todos os problemas, haverá legitimidade para agir. Aliás, os próximos tempos encarregar-se-ão de confirmar, por omissão, esta realidade...
No plano desportivo, Matic, comprado pelo Benfica por cinco milhões e mais tarde vendido ao Chelsea por 25 milhões, foi agora por 45 milhões para o Manchester United; Bernardo Silva, da formação encarnada e vendido pelo Benfica ao Mónaco por 15 milhões acabou de custar 50 milhões ao Manchester City; André Gomes, também da cantera da Luz, chegou a Valência por 15 milhões e foi para o Barcelona por 35; Cancelo está a caminho da Juventus, o Bayern recusou 40 milhões do Milan por Renato Sanches e Guardiola diz-se encantado com Ederson.
Ser sinónimo de qualidade é a grande marca que o Benfica deve preservar..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Coisas que vêm absolutamente a propósito

"Volta e meia, arquivamento cúmplices voltam à superfície comportamentos criminosos que alguns fazem o possível para esconder e esquecer. Mas a memória não prescreve!

momentos assim: cruzamo-nos com coisas absolutamente a propósito. Uma decisão de um Conselho de Disciplina. Uma tentativa de relativizar um comportamento criminoso. Um jeito especial para o revisionismo.
Nada parece ser o que foi.
As escutas estão aí para quem as quer e para quem não as quer ouvir.
Mas não vejam agora ilegalizadas, elas que foram autorizadas dentro de toda a legalidade.
Explique-se, de uma vez, para quem não entende: apenas não são válidas em sede de Processo Disciplinares.
Há dúvidas que restem???
Lembrei-me de um filme realizado por João Botelho que, depois, passou a não ser realizado por João Botelho.
Porque houve um produtor que procurou silenciá-lo.
Acreditem: há ainda muita gente que se esconde nas sombras canalhas da saudade de uma sociedade fascistas e castradora.
O filme baseava-se num livro.
O filme chamava-se Corrupção.
Lembram-se? Corrupção!
Uma vontade de esconder
Era a imagem ficcionada de uma realidade autêntica. Nomes trocados, como é natural, este também é um país judicialista no qual os processos se arrastam nos tribunais por tudo e por nada, mas sobretudo pela incompetência de muitos juízes.
Actores conhecidos, actores com nome na praça.
Um filme de personagens sinistras, de tempos sinistros.
O futebol como pano de fundo.
Dirigentes sem escrúpulos, árbitros comprados à custa de prostitutas, de viagens ao Brasil. Investigações concludentes que desaguam na areia das praias processuais de areia mole e pantanosa.
Denúncias que muitos pretendem ignorar.
Gente perseguida, gente espancada.
O espectador olha e vê: o mesmo país, as mesmas caras, os mesmos velhacos quase analfabetos, os mesmos xicos-espertos com as suas aldrabices e tranquibérnias.
Um mundo sub-mundo.
Tragam a verdade à superfície!
Arrastem-na pelos cabelos até ao sol claro do dia, retirando-a dos caminhos sinuosos da noite.
Jogadores aliciados, treinadores subvertidos.
O chefe-Capone de uma banda filarmónica de velhos obscuros.
Um simbolismo transparente.
Como Alice do outro lado do espelho.
Levantaram-se os obstáculos. Ergueram-se as trincheiras. Há sempre quem erga uma trincheira contra uma vida nova, lavada.
Facto, não é possível ainda ter um país que fuja à sua intrínseca pequenez. Pequeno país de grandes corruptos. País pobre rico em canalhas.
Querem negar a realidade? Esconder o que não pode ser escondido?
Esconder aquilo que todos conheciam e, de repente, surgiu às claras, na sua infinita porcaria quase pornográfica?
Uns teimam em esconder, outros teimam em revelar.
Até quando este braço de ferro de teimosia?
'Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém alguém que diz não'.
Silêncios convenientes, arquivamentos cúmplices.
Na sombra desprezível, sempre a mesma ironia sórdida.
Há gente que se ri da seriedade dos outros.
Só que, como dizia Iva Delgado, 'a memória não prescreve',"

Afonso de Melo, in O Benfica

«Fuja sr. árbitro. Fuja!»

"Uma violenta invasão de campo, um Benfica-Belenenses que durou 43' e o sensato Toni que salvou a honra do convento.

Às 15h do dia 25 de Janeiro de 1970 era dado o pontapé de saída da 16.ª jornada do Campeonato Nacional. Um Benfica-Belenenses em dia de festa: Eusébio fazia 28 anos. Mas o que era para ser só mais um jogo acabou por se transformar num episódio inédito no futebol português. Tudo por causa do árbitro, João Nogueira, cuja dualidade de critérios deixou o público de cabeça perdida.
O jogo começou com as duas equipas a cometerem faltas graves, mas só os 'encarnados' foram severamente sancionados. Aos 35' Torres foi expulso por deitado ao chão um adversário e aos 43' foi a vez de Malta da Silva, que atingiu um 'azul' numa perna. Foi a gota de água. O 3.ª Anel transformou-se numa 'onda avassaladora de insensatez' que irrompeu campo adentro. Pessoas de guarda-chuva em riste convergiam para um único ponto: o árbitro, que só se apercebeu de gravidade da situação quando Toni lhe gritou 'Fuja sr. árbitro. Fuja!' e começou a correr ao seu lado, protegendo-se com o seu próprio corpo, qual escudo. 'Acompanhei-o até às escadas que conduzem às cabinas. Matavam o homem!'. A meio do sprint o árbitro ainda levou com um guarda-chuva nas costas e assim que pisou o primeiro degrau desequilibrou-se e lá foi ele aos trambolhões escada abaixo. Quando aterrou estava combalido, mas vivo! O jogo terminou ali, aos 43' com 0-0 no marcador. 'Naquele «inferno» qual era o árbitro que voltava a arriscar a vida?', atirou, já à porta do Estádio, de onde saiu protegido num carro da polícia.
O episódio caiu como uma bomba na imprensa. Dezoito países noticiaram o sucedido e durante quase um mês não se falou noutra coisa. Haveria repetição de jogo? Aceitar-se-ia o empate? A 18 de Fevereiro a Federação punha finalmente um ponto final no assunto. O Estádio da Luz ficaria interdito durante oito jogos e o resultado do Benfica-Belenenses mais curto de sempre ficava no 0-0.
Mais tarde, quando questionado sobre a sua atitude para com um árbitro que estava claramente a prejudicar o Benfica, Toni foi claro: 'Cumpri  meu dever de solidariedade apenas', mas a verdade é que foi o gesto nobre e altruísta do 'Senhor Benfica' que salvou o bom nome do desporto-rei naquele tarde.
Pode conhecer esta e outras histórias na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, até 30 de Setembro na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Marisa Furtado, in O Benfica

Benfiquismo (DXLVII)

Chalanix

Época 17/18... Antevisão...

As Regras dos Jogos... Expulsões, Túneis & Afins !!!

Aleluia, os jogos a feijões estão no fim

"Se houvesse uma racionalização de meios, com menos seria possível fazer muito mais, resistindo à tentação de comprar por comprar...

O FC Porto partiu para esta época muito condicionado, obrigado a manter as contas no agrado da supervisão do fair-play financeiro da UEFA. Sem muitos ovos para as omeletes que queriam fazer, os dragões começaram por contratar um treinador de pelo na venta, capaz de encarar os problemas de frente e partir em busca de uma boa solução com os meios disponibilizados. Aliás, foi assim que escreveu uma página de sucesso em Nantes. Resolvida a questão do treinador, haveria sempre a situação do plantel. Aqui chegados, os portistas fizeram aquilo que o bom sendo mandava: mantinham as pedras fundamentais e recuperavam os emprestados que dessem maiores garantias. Foi assim que o quarteto de segurança - Casillas, Marcadno, Felipe e Danilo - não foi colocado no mercado (pelo menos até à hora em que escrevo...) e que jogadores como Brahimi, Corona, Otávio e Soares continuam de azul-e-branco. A ele juntaram-se Ricardo Pereira e Aboubakar, sendo o resultado muitíssimo interessante para Sérgio Conceição. É curioso verificar como o único dos três grandes a mudar de treinador é aquele que parte para a nova temporada com maiores pontos de apoio vindos da época anterior. Isso remete-nos, afinal, para outra questão: se houvesse uma racionalização sistemática na construção dos plantéis (e não apenas quando a UEFA está à perna), com muito menos far-se-ia muito mais. No FC Porto e em todos os outros clubes que parecem não resistir à vertigem dos negócios, que na maior parte das vezes redundam em barretes.
Para já, enquanto o Sporting procura um onze que lhe dê hipóteses no play-off da Champions (paga o preço de ter desvalorizado as competições europeias...), o Benfica vai conhecendo, através de experiências, se não dolorosas, pelo menos traumatizantes para o prestígio internacional, as limitações do plantel. Parece claro que os encarnados precisam de ir ao mercado em posições importantes para o equilíbrio defensivo da equipa. Rui Vitória, prudente e solidário, não tem feito pedidos públicos de jogadores, mas é evidente que é ele o primeiro a saber que as coisas não estão bem e que o Benfica carece de reforços. Aliás, os jogos de preparação servem para isto mesmo afinar a equipa com os que estão e perceber se é preciso contratar mais alguém. E é!
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Nesta análise sobre a pré-temporada dos Corruptos, não seria descabido, realçar, que o nível médio dos adversários, foi baixo, muito baixo... Com a excepção do Neuchatel Xamax, todos os outros adversários do Benfica nesta pré-época, têm um orçamento mais alto do que os adversários dos Corruptos, muito mais alto... incluindo o Hull City!!!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Estádio da Luz aprovado

"O Sport Lisboa e Benfica foi hoje notificado do despacho proferido pelo Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), a deferir o registo do novo regulamento de segurança de utilização do Estádio da Luz e, em consequência, a garantir a possibilidade de aí serem realizados espectáculos desportivos.
O Sport Lisboa e Benfica congratula-se com o sentido do referido despacho e o reconhecimento, uma vez mais, de que o Estádio da Luz reúne todas as condições de segurança e que os espectáculos desportivos aí realizados respeitam todas as disposições legais aplicáveis, como não podia deixar de ser.
As noticias vindas a público e as pressões que têm sido levadas a cabo junto das mais diversas instituições no sentido de afastar os sócios e simpatizantes do Sport Lisboa e Benfica do apoio às suas equipas, revelam-se hoje uma vez mais frustradas.
O Sport Lisboa e Benfica continuará a respeitar todos os seus sócios sem qualquer tipo de discriminação e espera agora pela primeira grande enchente da época, na sua estreia na Liga NOS, dia 9 de Agosto no jogo com o Sporting de Braga que se realiza no Estádio da Luz."


PS: Um IPDJ que não serve para nada - além de alguns 'tachos' -, com um presidente que não se importa nada de ficar 'colado' a um doente mental, só porque é o Presidente do 'seu' Clube!

Mais dúvidas que certezas

"Rui Vitória tem optado por desvalorizar os resultados da pré-época. É normal que o faça, até porque todos sabemos que os jogos de preparação não dão pontos e, por muitas voltas que se dê, não atribuem qualquer título. Ainda assim, há também que perceber a preocupação com que os adeptos encarnados olham para a época que as águias iniciam já no fim de semana, tendo em conta não só os resultados - duas vitórias e quatro derrotas, duas de goleada - mas também a forma como o Benfica não conseguiu ainda colmatar o buraco que as vendas de Ederson, Lindelof e Nélson Semedo provocaram na defesa.
É, portanto, natural que se olhe para esta equipa com mais dúvidas do que certezas, ainda para mais quando parece que os principais rivais no caminho para o penta estão já uns passos à frente. Que o Benfica irá ao mercado parece inevitável. O que custará mais aos adeptos perceber é porque ainda não foi, até pelo facto de os três grandes negócios deste verão serem, de há muitos meses e esta parte, uma certeza. Rui Vitória tem-se esforçado por passar mensagens de tranquilidade, ele que até tem experiência nestas coisas - há dois anos a pré-época foi um desastre e acabou campeão, como de resto já tinha acontecido no primeiro título do tetra, então com Jesus.
Pode repetir-se este ano? Claro que sim. Mas aquilo de que os benfiquistas precisam agora é de ter a certeza de que, como diz o seu treinador, na Luz ninguém está distraído. E isso só acontecerá com um ataque cirúrgico ao mercado ou depois da equipa lhes dar garantias que não foi capaz de dar até agora. Esta semana pode dar algumas respostas às muitas interrogações que por agora se levantam."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Jogo sujo

"Não é a primeira vez que falo nisto: cada jogo de futebol está cada vez mais convertido numa cómica (?) peça de teatro de mau gosto: é um corrupio de manha e trapaça do primeiro ao último apito! Exagero? Não por aí além. Vejamos:
Nem por se jogar predominantemente com os pés, o futebol pode converter-se num espaço onde se pode pisar à vontade a justiça desportiva e até o código das boas maneiras, convertendo-se em objecto de rebaixamento axiológico e de depreciação ética. Pelo contrário, esse admirável facto transgressivo de utilizar sobretudo os pés, além de emprestar a esta modalidade um acrescido encanto, uma certa magia, aumenta, até por isso mesmo, o grau de responsabilidade de seus agentes – dentro e fora do terreno de jogo.
Facto indesmentível: o futebol vem, desde a sua normatização no britânico contexto de revolução industrial conjugado com as novas perspectivas pedagógicas, sofrendo um evidente processo de autonegação: quer da sua matriz genética – rústica e até bélica - , quer no que parece ser uma certa efeminização da sua específica normatividade, das suas regras. A originária atitude de uma rija entrega e de brava luta em campo, quantas vezes enlameado, tem vindo a ser substituída por uma torpe mentalidade do atalho: do expediente ditado exclusivamente por uma esperteza arrivista.
Ao ter entrado o capital, naquela sua típica fossanguice acumulativa, de cabeça, no mundo ingénuo de um futebol de verdadeira entrega, este passou a ser contaminado pelas taras típicas do imediatismo fugaz da avidez argentária, da obsessão pelo lucro: passou a ser arena exibicional de toda a espécie de truque e ardil. Maquiavel, além de já ter sido erigido à condição de fundador do Estado moderno, passou a sê-lo também do futebol que temos: o fim (o lucro=vitória) justifica todos os meios! O lucro veio impor o desígnio incondicional de uma vitória a todo o custo e, com isso, ficaram justificados todos os malabarismos de ronha, fita e ladinice, pois que o que importa mesmo é chegar à vitória com o mínimo de esforço e, se necessário, à custa mesmo do suor do adversário – sobrando sempre aquele sorriso trocista e indecoroso do autor do mergulho olímpico na área contrária, iludindo, com espalhafato e alarde, o angelical e tíbio senhor vestido de negro (agora já exibe cores mais festivas!) e que costuma entreter-se com um apito na boca, adereço sucedâneo de uma fatal incontinência verbal – um sonoro tique de serôdio autoritarismo! Deixem-me fazer uma afirmação – ela anda na boca de muita gente, mas nem todos podem escrever para A Bola: oitenta por cento, pelo menos, das faltas apitadas são pura fita, A esmagadora maioria das quedas têm esta característica: quem cai só caiu porque quis cair – podia perfeitamente ter evitado tão eficaz e convincente queda. Porque, descontando os inúmeros casos em que nem sequer há toque, a maior parte das vezes, este, quando existe, ele é inerente à natural e desejável dinâmica do próprio jogo – ele decorre da própria natureza gestual que caracteriza o futebol. Isto é, apitar sempre que cai um jogador (sem cuidar de ajuizar se ele não optou antes por se atirar) é participar activamente no processo entrópico de descaracterização de um jogo que, sendo matricialmente, multitudinário, se está a converter cada vez mais em desporto de massas entediadas e bocejantes.
Porque cada vez mais as pessoas, que gostam da bola, mas que não vão à bola com este modo de a não jogar, se sentem ludibriadas com um espectáculo à base de jogos de sombras e ilusão. Sim, o campo, que passou de pelado a relvado (gramado) não pode, entretanto, passar de campo de rija refrega (Desmond Morris) para átrio alcatifado de hotel de luxo, ou para uma melindrosa loja de porcelanas – nem sequer se pode converter em lavandaria que oferece prémio a quem terminar o jogo sem sujar os calções!
Sem ser um ringue de boxe (o boxeur, porém, não faz ronha: quando cai é porque o uppercut do adversário lhe acertou em cheio), o campo, no que se refere concretamente ao futebol, tem que ser um palco onde os actores exibem rijeza, rusticidade e bravura, em vez de uma gelatinosa e macia fofura. Sugiro que os árbitros sejam sujeitos a duras provas de resistência emocional e que passem a fazer um estágio nas urgências dos hospitais, para que aprendam no que dá quando a queda é mesmo a valer – e aprendam a resistir ao primário impulso de se comoverem com uma queda qualquer, mesmo, ou sobretudo, se espalhafatosa.
Irónico: toda agente diz que o futebol é desporto de inverno, mas os protagonistas passam o tempo todo a atirar-se para a piscina.
Se queremos salvar o futebol temos que lhe acudir quanto antes – que ele está na maca!
Temos que travar esta marcha que ameaça matar um dos desportos mais fascinantes que, ao que dizem certos sociólogos, vem de tempos imemoriais (China, Japão e a própria Grécia Antiga), não permitindo que definitivamente se converta no offshore da marosca, da burla, da trapaça.
Tudo às mãos do sacrossanto desígnio do lucro!
Chega de teatro, vamos à vida!"