Últimas indefectivações

sábado, 23 de março de 2019

Vous avez dit Casa 224 ?

"Il m’arrive certains weekends de quitter la capitale parisienne, de prendre le TGV direction Lille. Vous vous demandez pourquoi !? Et bien c’est très simple, j’y vais pour voir les matchs du SLB à la casa 224 de Tourcoing. Il s’agit d’un pélerinage qui vaut le détour ... Le nord de la France possède cette chaleur particulière que l’on retrouve dans son architecture, ses beffrois, ses moules frites et ses gens qui, pour la plupart, sont venus travailler dans les mines et l’industrie textile du 19e siècle. C’est un peu tout cela que je retrouve quand je me rend à la casa do Benfica de Tourcoing.Vous ne pouvez pas la rater ! On la voit au loin dès qu’on progresse sur la rue des 5 voies avec ses murs en briques rouge et noire. Elles me rappellent certains quartiers de Londres tel que le north east et ses pubs accueillants riches en rencontres.
Dès que vous franchirez le pas de la porte, vous reconnaîtrez tout de suite derrière le bar, le personnage le plus emblématique de cette « maison familiale », il s’agit de Paulo le Président, icône vivante de ce qui est le militantisme et l’amour pour son club, notre club. Il est vrai qu’il en dégage Paulo! Sa stature (ancien fuzileiro) son charisme, son franc-parler et son amour sans fin pour le club vous impressionne de suite ! Mais qu’est-ce qu’il est sympa et accueillant, on se sent tout de suite chez nous et on a forcément envie de revenir. Du coup j’habite à Paris et je suis socio da casa à 250 km de chez moi !Comme le dit Paulo : « ensemble nous sommes plus forts » et c’est ça que je retrouve et apprécie à la casa 224. On se sent de suite plus forts, unis par le même esprit Rouge et Blanc.
J’y ai passé des « jornadas » inoubliables, ayant célébrer un « tetra », moment unique de notre histoire où nous avons pû nous réunir français, belges et hollandais au même endroit.
Et oui ! Tourcoing est au carrefour de l’Europe à 10’ en voiture de la Belgique pas très loin des Pays-Bas, du Luxembourg et notre club a cette force d’attraction que peu de clubs en Europe réussissent à célébrer. La casa 224 a cette dimension internationale qui pour moi reste unique. Je pourrais vous parler de cette casa pendant des heures, mais sincèrement elle vaut le détour. Sa décoration, ses pièces de musées, sa salle Eusebio... tout vous sublime et vous rend fier d’aimer ce club et de le supporter. 
Je finirai cette article en rappelant que la casa 224 fait beaucoup pour le sport (équipe de futsal et d’athlétisme) et prend en charge toute l’année la logistique des nombreuses équipes des « camadas jovens » qui viennent participer aux différents tournois internationaux organisés dans la région. Cette casa joue entièrement son rôle de «braço armado» et représente corps et âmes un morceau de notre « Glorioso » au delà des frontières. Je n’oublie pas tous les gens qui s’investissent dans le but de valoriser cette casa au quotidien avec toutes les difficultés et sacrifices que cela incombe (Virginia, Paulo « Ptit frère », Toni, « bruxinha », Paulo Martins...) Juntos somos mais fortes."

Rui Pinto: Barba Negra ou Robin dos Bosques?

"A confusão em torno deste caso leva a paradoxos tão disparatados como este: o Sporting, uma das vítimas dos crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado e que inicialmente acusava o Benfica de estar na génese do Football Leaks, vê os seus adeptos ostentarem tarjas a dizer ‘Libertem Rui Pinto’

Um jovem de 26 anos abalou o mundo do futebol em 2015 com a co-criação de um portal intitulado Football Leaks. O nome é ‘descendente’ do WikiLeaks do jornalista Julian Assange, que vive desde 2012 em asilo político na Embaixada do Equador em Londres de forma a evitar a extradição para os Estados Unidos da América, onde arrisca uma pena de prisão perpétua por atos de espionagem contra a nação. Rui Pinto, hoje com 30 anos, capturado e extraditado pelas autoridades húngaras para Portugal, refere-se a Julian Assange (mas também a Edward Snowden) como fonte de inspiração para os seus actos e tenta socorrer-se dos mesmos argumentos para se defender: tudo o que fez, tê-lo-á feito de forma altruísta e com objectivos morais superiores, nomeadamente de denúncia de atos ilícitos em que o futebol seria fértil. No fundo, Rui Pinto deseja ser reconhecido internacionalmente como um whistleblower (denunciante, numa tradução livre) e receber tratamento judicial diferenciado por via desse epíteto. Para já, as autoridades húngaras negaram-lhe esse reconhecimento e as portuguesas também não parecem inclinadas a aceitar essa linha de raciocínio, embora estejamos apenas no início de uma batalha judicial que promete ser longa e complexa. Em bom ‘futebolês’ poderemos dizer que o jogo mais importante da vida de Rui Pinto ainda nem sequer chegou ao intervalo...
O mediatismo em torno deste caso é de tal forma esmagador que acaba por desviar a atenção de questões tão importantes e factuais como, por exemplo, os crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado. São seis: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa colectiva e ainda um outro de extorsão na forma tentada. Todos eles visando a Doyen Sports Investments e o Sporting Clube de Portugal. Para já, é apenas isto que está em causa e o último crime desta curta lista - a tentativa de extorsão - é aquele que poderá colocar em risco toda a estratégia de defesa de Rui Pinto, já que a actividade de whistleblowing (denúncia de actos ilícitos) implica necessariamente a absoluta ausência de interesse ou proveito pessoal, nomeadamente sob a forma de retorno financeiro proveniente de informação acedida de forma ilegal. Caso o Ministério Público consiga provar essa acção específica de Rui Pinto, naturalmente cairá por terra qualquer alegação de altruísmo em todas as suas restantes acções e poderá passar a ser encarado, até pela opinião pública, como um vulgar criminoso. Neste ponto da acusação, nesta capacidade (ou não) de o Ministério Público provar que houve efectivamente tentativa de extorsão, poderá residir a forma como Rui Pinto será recordado nos anais da história: um hacker, uma espécie de ‘Pirata Barba Negra’ informático que furta visando o seu próprio enriquecimento; ou um whistleblower, um ‘Robin dos Bosques’ dos tempos modernos, que visa denunciar actos ilícitos de interesse público sem qualquer intenção de enriquecimento pessoal à custa de informação furtada. Eu, que nunca acreditei em heróis instantâneos, tenho a minha opinião e reservo-a para mim. Cada leitor terá certamente a sua. Mas em última instância, o que verdadeiramente importa é a leitura que a justiça portuguesa fará dos factos. 
Sem entrar em julgamentos prévios ou condenações em praça pública, não posso contudo deixar de dizer o seguinte: toda e qualquer informação descontextualizada e obtida de forma unilateral é um risco tremendo. Tem uma elevada probabilidade de estar incompleta. É facilmente manipulável. Logo, é altamente falaciosa e, acima de tudo, perigosa. Apresentar informações furtadas como peças de ‘grande investigação jornalística’ é uma desonestidade intelectual atroz. Alegar a deontologia jornalística como uma espécie de manto sagrado debaixo do qual cabem todos os expedientes, por mais ilegais que sejam, é desrespeitar uma classe que é, de há muitas décadas a esta parte, um dos principais pilares da justiça, da segurança e da democracia em estados de direito. E isto é um capital que não pode ser desbaratado apenas e só em função da manchete mais bombástica, custe o que custar e doa a quem doer. Há exemplos de trabalhos jornalísticos de fundo assentes em denúncias - os Estados Unidos são férteis em casos destes - que levaram a mudanças marcantes no curso da história. Infelizmente, no que concerne ao Football Leaks, não foi o caso. Houve, isso sim, uma tentativa de aproveitamento de informações e documentos furtados que, em muitos dos casos, não continham sequer qualquer ponta de ilegalidade, e noutros carecem de validação absoluta do ponto de vista da sua veracidade.
A confusão em torno deste caso leva a paradoxos tão disparatados como este: o Sporting, uma das vítimas dos crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado e que inicialmente acusava o Benfica de estar na génese do Football Leaks, vê os seus adeptos ostentarem tarjas a dizer ‘Libertem Rui Pinto’ em pleno Estádio de Alvalade. Já o Benfica, que até prova em contrário não é uma das vítimas das acções de Rui Pinto, vê os seus adeptos congratularem-se pela detenção de alguém que pode significar apenas uma ‘caça aos gambozinos’ por parte do clube da Luz, que não faz a mínima ideia se Rui Pinto está, ou não, ligado ao furto de mais de 10 anos de troca de e-mails privados por parte de milhares de funcionários que integraram os quadros do clube desde 2008. Já o FC Porto, também inicialmente vítima das acções de Rui Pinto enquanto administrador do portal Football Leaks, é por sua vez acusado pelo Benfica de estar por trás de alguém cujos alegados crimes, na verdade, desconhecemos em toda a sua extensão. Bem vindos à esquizofrenia do futebol português!"

José Mourinho: do que não se fala...

"“Emil Cioran evocou que, enquanto estavam a preparar a cicuta que mataria Sócrates, este estava a aprender a tocar uma música na flauta, facto que provocou a surpreendida pergunta: “Para quê’”, expressiva do pragmatismo na iminência do fim. A resposta teria sido: “Para saber tocá-la, antes de morrer”. (Annabela Rita, Do Que Não Existe, Manufactura, Lisboa, 2018, p. 13). Verdade ou lenda, parece certo que, para Sócrates, o conhecimento é a antecâmara da virtude. Para George Steiner, n’A Divina Comédia, Dante (século XIV) “propõe-se incluir, no campo do potencial ascendente do entendimento humano – o moto spirituale – a história da criação e dos lineamentos do além” (Gramáticas da Criação, Relógio D’Água, Lisboa, 2002, p. 92). Para Bento de Espinosa (1632-1677), o culto e metódico Espinosa (tão culto e metódico que o seu fichário de conhecimentos ainda é de grande actualidade), no universo há uma só substância, sendo a substância infinita, ou seja, com todos os atributos pelos quais se manifesta. Nesta perspectiva, podemos escrever, sem receio, que fica de uma indigência confrangedora qualquer síntese, mesmo miudamente relatada, do humano, que não tenha em conta a complexidade que o ser humano é. Luís Lourenço, o mais fiel e o mais competente (porque o conhece, como poucos o conhecem) dos seus biógrafos, no livro Mourinho – a descoberta guiada (Prime Books, Lisboa, 2010) dá especial relevo ao paradigma da complexidade. E, para tanto, cita Edgar Morin: “O homem é um ser evidentemente biológico. É, ao mesmo tempo, um ser evidentemente cultural, metabiológico e que vive num universo de linguagem, de ideias e de consciência. Ora, estas duas realidades, a realidade biológica e a realidade cultural, o paradigma da simplificação obriga-nos a fazê-los elementos do mesmo todo: um não vive sem o outro, ou melhor, um é simultaneamente o outro, embora sejam tratados por termos e conceitos diferentes” (Introdução ao Pensamento Complexo, Instituto Piaget, Lisboa, 2003, p. 86).
Para Teilhard de Chardin, não pode percepcionar-se, cientificamente, qualquer “fenómeno”, incluindo o “fenómeno humano”, sem introduzir um terceiro infinito, o infinito da complexidade, ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno. No universo, os corpos não são unicamente grandes e pequenos, mas também simples e complexos. E, entre os seres complexos, o ser humano, porque de todos o mais complexo, é indubitavelmente o que evidencia mais evolução e a promessa de maior e melhor desenvolvimento. O movimento é vida, ou seja, tudo o que é vida se movimenta – para onde? Por outras palavras: o universo não é estático, mas dinâmico e… qual o sentido deste dinamismo? A lei da complexidade-consciência diz-nos que tudo caminha para uma complexidade crescente, a caminho do espírito. São palavras de Teilhard de Chardin: “Pela sua fracção axial, vivente, o universo deriva, simultânea e identicamente, para o supercomplexo, o supercentrado, o superconsciente” (I, p. 36). Em tese de doutoramento, que fez história, José Gomes Silvestre anima assim a evolução, em Teilhard de Chardin: “segue-se que o motor da evolução, a sua lei directriz, é o caminho para a espontaneidade, para a liberdade, para a consciência. A liberdade é a ponta extrema da evolução, o seu sentido, a sua redenção, a sua vitória – vitória do espírito sobre a matéria, vitória do uno sobre o múltiplo, do universal sobre o individual e, mais do que tudo, vitória da vida sobre o movimento entrópico, vitória do ser sobre o nada” (Acção e Sentido em Teilhard de Chardin, Instituto Piaget, Lisboa, 2002, p. 146). Pela evolução, pela transcendência em direcção ao mais-ser, o universo caminha, imparavelmente, para a consciência e para a liberdade. Para Teilhard, o objectivo último é sempre o essencial. Nada pode frutificar, finalmente, se não existir já, como promessa, na semente, no princípio…
Só que aquilo que eu sou pouco vale diante das constantes culturais em que vivemos e também somos. Ora, a partir da modernização europeia de Portugal, na década de oitenta (e sigo o que Miguel Real observou e analisou criticamente, na cultura portuguesa) “operou-se uma enorme alteração, nos sectores produtivos da economia, com a terciarização desta a suplantar os sectores primário e secundário”; operou-se ainda “uma evidente alteração , na estrutura política do Estado, com a passagem de um sistema corporativista para um sistema de representação democrática parlamentar ao modo da Europa Ocidental”; verificou-se “uma forte alteração do lugar geográfico e estratégico internacional de Portugal, deslocando-se o ângulo de actuação e reacção do Atlântico (o Império) para a Europa”; acentuou-se uma radical alteração dos vínculos institucionais clássicos da cultura e dos complexos comportamentais dos portugueses, como a dependência da Igreja e uma secular ligação à família clássica; descambou-se num pronunciado descrédito “das antigas profissões nobres como a do professor, do político, do militar, do historiador, do sacerdote e do intelectual, substituídas pelo técnico especialista em economia, em gestão e em ciência experimental, pelo jornalismo superficial e pelo comentador televisivo, ora considerados de superior valia e utilidade” (Traços Fundamentais Da Cultura Portuguesa, Planeta, Lisboa, 2017, pp. 111/112). O Dr. Mário Soares, agarrado a princípios democráticos e republicanos que, por coisa nenhuma, consentia em abandonar, foi, depois do Marquês de Pombal, das Invasões Francesas e do Liberalismo Constitucional, o político português que mais contribuiu à europeização e modernização de Portugal e, com a europeização e a modernização de Portugal e com uma população, principalmente urbana, culturalmente mais letrada, o nosso desporto europeizou-se e modernizou-se também. A esmagadora maioria das nossas vitórias desportivas internacionais acontecem (e não é por acaso) no pós-25 de Abril…
O José Mourinho, intelectualmente, é um super-dotado e, porque no nosso País se cumpriram, quase integralmente, os anseios iluministas para Portugal, encontrou, principalmente no Ensino Superior, um ambiente favorável ao desenvolvimento das suas virtualidades. A passagem do INEF ao ISEF e do ISEF à FMH resulta de verdadeiras “revoluções científicas”, que até, noutras universidades de muito bom nível epistemológico e científico, se admiram e aplaudem. Portanto, na Cátedra com o meu modestíssimo nome, que a Universidade Católica Portuguesa fez-me o favor de aprovar, após um trabalho de pesquisa que muito me surpreendeu, em qualquer hermenêutica específica avultam também os nomes dos professores e alunos (do meu tempo, no INEF e no ISEF e na FMH) que, concordando ou discordando das minhas ideias (principalmente as epistemológicas) me obrigaram a um estudo mais honesto e mais persistente e mais rigoroso. Depois, o José Mourinho é filho de um antigo jogador e treinador de futebol, um profissional de talento indiscutível, que passou ao filho, com a ternura de pai atento e solícito, um grande amor pelo desporto, designadamente pelo futebol. Ora, como já o venho dizendo há 50 anos, “a prática é mais importante do que a teoria e a teoria só tem valor, se for a teoria de uma determinada prática”. Quero eu dizer que a teoria, por si só, não transforma, só o faz mediada pela prática. Sem a prática, não há transformação possível. O José Mourinho teve portanto a seu favor o que foi e é e… a sua circunstância. Mas, como também já o escrevi, “é o homem que se é que triunfa no treinador que se pode ser”. De facto, para mim, é no Mourinho, como ser humano, e portanto com qualidades e defeitos mas, com qualidades excepcionais que o fazem um dos melhores treinadores do mundo – é no Mourinho, como ser humano, que é preciso encontrar a chave da resolução desta questão pertinente: quem é o Doutor José Mourinho, como treinador de futebol?... Quero eu dizer a terminar: que, em circunstâncias favoráveis, o José Mourinho até pode ser o melhor treinador do mundo!"

Da morte súbita

"Fábio Mendes, jogador de futsal do Centro Social de São João, faleceu durante o jogo com o Portimonense no início deste mês. Segundo veiculou a comunicação social, foi vítima de um ataque cardíaco fulminante. Três dias depois somos confrontados com a notícia de que Kenneth To, nadador vencedor de uma medalha de prata pela Austrália nos Mundiais de 2013, morreu aos 26 anos depois de se ter sentido indisposto durante um treino, na Florida, nos Estados Unidos.
Chamam-lhe a “síndroma da morte súbita” e reside no nosso imaginário como que acontecendo só de vez em quando no desporto, pois “o desporto dá saúde” e os desportistas são dos seres humanos mais bem controlados e vigiados medicamente.
Recordemo-nos que em Junho de 2003, em directo na televisão, Marc-Vivien Foé, jogador camaronês, morreu em campo aos 28 anos, quando alinhava pela selecção do seu país, na Taça das Confederações, no jogo contra a Colômbia. Talvez o primeiro grande caso porque foi possível a milhões de espectadores confrontarem-se pela primeira vez, em cima do acontecimento, com esta realidade transmitida em tempo real.
O caso mais mediático em Portugal, também porque transmitido em directo pela televisão, foi o de Miklós Fehér, jogador do Benfica, em Janeiro de 2004, em pleno estádio do Guimarães.
A comunicação social, solícita numa retrospectiva, logo repescou o caso de Pavão, jogador do Porto, falecido durante a partida entre este clube e o Setúbal em Dezembro de 1973. E logo tivemos a oportunidade de ver a circular algo parecido com o “entre este caso e o de Fehér nada se passou”. 
Ora, antes do caso de Pavão, embora menos divulgados, podemos registar as mortes dos futebolistas Rico do Varzim, Mário Ventura do Leixões, Lemos do Marinhense e João Pedro do Vilanovense. 
Entre Dezembro de 1973 (Pavão) e Janeiro de 2004 (Fehér) faleceram entre nós durante a prática desportiva – treino ou competição – pelo menos 15 futebolistas, 3 basquetebolistas e 3 ciclistas. Depois de Fehér muitos outros casos semelhantes aconteceram em Portugal…
Parecem ser casos a mais, alguns dos quais ocorrendo mesmo com crianças, numa actividade que se diz promover a saúde… até porque o próprio Comité Olímpico Internacional registou de 1966 a 2004 a ocorrência de 1101 mortes súbitas. A média é de 29 casos anuais…
Na síndroma da morte súbita o coração não suporta o intenso esforço físico a que é submetido e a morte é causada por uma paragem cardíaca. Este desfecho fulminante é a primeira manifestação de uma doença de que não se tem conhecimento, a qual é muitas vezes congénita e indetectável nos exames convencionais – dizem os especialistas… diz a comunidade médica.
O relatório da autópsia de Fehér apontava para uma hipertrofia cardíaca moderada como causa da morte deste futebolista.
Mas para além das causas das mortes, imperativo era serem estudadas e divulgadas as origens dessas causas, pois para cada caso o importante seria não ter voltado a acontecer.
E não só as causas mas as suas origens por que motivo?
Porque enquanto a causa explica o facto, a sua origem explica um processo (André Comte-Sponville, 1998, “Uma moral sem fundamento”, in E. Morin & I. Prigogine, «A Sociedade em busca de Valores», pp. 133-153, Lisboa, Piaget). Porque se um condutor se despista e morre a causa pode ser o excesso de velocidade mas a origem dessa causa pode ter sido o facto de ele ter perdido o seu emprego antes de iniciar essa sua viagem… Porque se um indivíduo se suicida com um tiro na cabeça a causa da sua morte pode ser a falência do cérebro mas a origem dessa causa pode ter sido uma discussão conjugal…"

Benfiquismo (MCXXVIII)

Adversário?!

Uma Semana do Melhor... com o Saca!!!

Sabe quem é? A fugir de Hitler e mais - Béla Guttmann

"Para escapar à Gestapo, viveu num sótão; Treinador de Exilados Políticos, o FC Porto descobriu-o em São Paulo

1. Após jogar pela Hungria os Jogos Olímpicos de 1924, deixou Budapeste - para fugir ao «Terror Branco» que misturava o ataque a comunistas e judeus. Foi para o Hakoah de Viena, clube de judeus que era mais do que clube desportivo. Numa digressão pelos Estados Unidos deslumbraram-se com ele, no NY Hakoah ficou. Não, não foi só jogador de futebol, também foi professor de dança e accionista de um clube clandestino de bebidas que florescera durante a Lei Seca.
2. Foi ainda jogador de cartas e casinos - e ele próprio o revelou: «Enriqueci, mas, na Sexta-Feira Negra de 1929, perdi mais de 55 mil dólares, fiquei pobre como Job. Tive, assim, de voltar a ganhar dinheiro no futebol». Quando percebeu que na América já pouco podia ganhar, saltou a Viena a oferecer-se ao Hakoah para jogador - e não tardou que ficasse seu treinador.
3. Tendo Hitler avançado para Viena, Lipot Aschner, industrial que era judeu como ele, desafiou-o para o seu Ujpest. Ganhou a Taça Mitropa de 1939, então a mais importante competição de clubes da Europa - e ainda a festejar a façanha, por via da «lei anti-judaica» que o governo da Hungria lançara (a exemplo de Hitler), afastaram-no de treinador do Ujpest.
4. Quando nazis tomaram Budapeste viveu escondido no sótão do salão de cabeleireiro do irmão da namorada (que não era judia) - e com a guerra a correr para o fim ainda o atiraram para campo de trabalhos forçados, de lá conseguiu, porém, fugir, rocambolesco, salvando-se assim de Auschwitz (onde lhe morreram alguns familiares).
5. Após a rendição da Alemanha, o Vasas chamou-o a seu treinador. Face à escassez de alimentos, pediu que lhe pagassem então metade do salário em batatas, farinha, banha, açucar, carne, peixe, frutas e vegetais, que era o negócio de um dos seus dirigentes. Pouco tempo lá esteve, foi para clube judeu de Bucareste, o Ciocanul. Pista Kaufmann, que o levara, revelou-o: «Antes de Mister G, a única coisa que os jogadores sabiam sobre bola era que era redonda, ele transformou 11 pés de chumbo na equipa de futebol mais bonita de toda a Roménia».
6. O Ujpest contratou-o de novo, ganhou campeonato de 1947. Mudou-se para o Kispest. Por causa de uma substituição, desentendeu-se com a sua estrela: Puskas - e deixou o clube após jogo em Gyor, não querendo, sequer, regressar no seu autocarro. Saltou para Itália, para o AC Milan. Pondo-o a caminho do título de 1955-1956, exigiu mais dinheiro, embora o mandaram, magoado afirmou-o: «Não sendo nem criminoso, nem maricas, fui demitido, demitido apesar de sair com o clube certamente campeão».
7. Ao saberem da invasão soviética a Budapeste, quase todos os jogadores do Honved, que tinham jogado com o Bilbau (que antes eliminara o FC Porto) na Taça dos Campeões, recusaram regressar à Hungria - e foi dele a ideia: «Se a FIFA não vos deixa jogar por não voltarem, arranjem então dinheiro para viverem, em digressões pelo Mundo».
8. Apesar de o treinador do Honved ser Jeno Kalmar (que haveria de passar pelo FC Porto) Puskas sugeriu-o para treinador dos Exilados - e com o primeiro dinheiro que arranjaram tiraram as famílias da Hungria a salto, através de contrabandistas.
9. Em 1957, a «Equipa dos Refugiados Políticos da Hungria» (assim lhe chamaram) disputou cinco jogos no Brasil e, contagiado pela sua magia, Laudo Natel propôs-lhe ficar como treinador do São Paulo FC. Ficou e foi campeão uma vez mais. Era normal nele: campeão, exigiu aumento de ordenado, o São Paulo achou muito o que exigiu, foi-se embora. O FC Porto foi lá buscá-lo já com o campeonato de 1958-1959 em andamento para o lugar de Otto Bumbel. O seu primeiro jogo nas Antas foi contra o Benfica, acabou empatado. Na jornada seguinte, perdeu no Restelo (num golo de Matateu) e ao vê-lo entrar sorridente no balneário o presidente portista, intrigou-se: «Mas está contente com quê, o senhor?» Abrindo ainda mais o sorriso, exclamou-lhe: «Porque já sei quem tenho de tirar da equipa para sermos campeões». A vítima era uma estrela - foi o «envelhecido» Pedroto. E com Luís Roberto no seu lugar, ganhou mesmo o campeonato, o tal que pôs Calabote na história. Logo depois o Benfica levou-o para a Luz, duas Taças dos Campeões (e mais) lhe deu..."

António Simões, in A Bola

Vantagem acaba ao mínimo deslize

"Enquanto os adversários almoçam e cozinham, o Benfica tem de manter um foco em todos os jogos que faltam

O Benfica venceu de forma clara um dos adversários mais difíceis que tinha até ao fim deste campeonato. Vencemos a horas, onde o rival só empatou depois da hora, mas isso apenas garantiu três pontos. Como intuímos na arbitragem no Dragão, ao mínimo-deslize acaba a nossa vantagem. Jogámos contra 11 quando devíamos ter jogado contra 10, desde os três minutos. Quem jogou contra 10 desde os sete minutos devia ter jogado contra 11.
Em Moreira de Cónegos, onde Samaris liderou um grupo inspirado, fizemos um bom jogo, com uma vontade de vencer permanente. Aos 10 minutos o 0-0, escondia três claras oportunidades de golo desperdiçadas. Aos 90 o 0-4 reflectiam o mérito de quem simplificou um jogo difícil. O golo de João Félix foi um pontapé nas adversidades. O golo de Samaris foi uma cabeçada nas injustiças. O golão de Rafa foi um chapéu às artimanhas. O golo de Florentino foi o mérito da oportunidade e de esforço. 
Enquanto os adversários almoçam e cozinham, o Benfica tem de manter um foco em todos os jogos que faltam, pois só vencendo todos os oito encontros seremos campeões. Com o regresso de Seferovic e Fejsa, Bruno Lage ganha os bons problemas, ter mais opções e mais escolhas. Liga Europa, Campeonato e Taça de Portugal precisam de várias soluções pois serão nove semanas e meia escaldantes.
Em semana de Dia do Pai, o Benfica teve ontem à noite a sua Gala em evocação do seu pai fundador, Cosme Damião, no Campo Pequeno. Cerimónia da família encarnada, onde é obrigatório sublinhar a bonita homenagem a Mário Dias. Um benfiquista de relevo, um homem que serviu o Benfica num momento difícil da sua história. Mário Dias é um dos nossos, um bom exemplo, alguém que deve ser lembrado pelo seu trabalho e dedicação, pela sua persistência e pelo seu amor ao clube.
Última nota para o voleibol do Benfica que segue com uma época imaculada com mais uma importante vitória, a Taça de Portugal, no passado domingo no Alentejo. Falta vencer o campeonato nacional, com a disputa da meia-final já este fim-de-semana, para ter a época perfeita numa modalidade tão espectacular. Desde 1904 com um objectivo... Vencer!"

Sílvio Cervan, in A Bola

Capelada 18/19


"Acho que todos os Capelas deveriam deixar a arbitragem. Não gosto daquele que, às vezes, assinala penáltis mais rápido que a sua própria sombra, nem do outro que, noutras ocasiões, considera que o peito começa no dedo mindinho da mão esquerda e termina no mindinho da outra. Também detesto o que gere os cartões durante algumas partidas e o outro que, ao ver o Cardozo dar uma palmada na relva da Luz frente ao Sporting, pronta e inapelavelmente o admoestou com o segundo amarelo. E então daquele que perde a noção do tempo, chego a sentir repulsa. Na verdade, eles parecem vários, mas são só dois. O irritante que apita jogos do Benfica e o solícito que apita jogos do FC Porto. Ambos são péssimos e, em boa verdade, são o mesmo, parecendo só mudar a postura e a aplicação de critérios consoante as cores.
Recuso-me a acreditar que Capela prejudica o Benfica e beneficia o Porto sistematicamente de forma propositada. Prefiro crer na sua honestidade, mas também na sua incompetência e permeabilidade aos inúmeros condicionamentos a que os árbitros de futebol são sujeitos. Preferiria, assim, que Capela pedisse escusa de apitar jogos de futebol ao mais alto nível pois já se tornou por demais evidente que o homem, seja por que motivo for, não tem condições para actuar competentemente.
Mas há mais Capelas. A temporada 2018/19 está a ser, quanto à arbitragem, uma vergonha sem precedentes. Antigamente todos sabíamos as razões: de viagens a café com leite, houve de tudo um pouco. Mas agora, e existindo ainda vídeoárbitro, é incompreensível haver erros atrás de erros em jogos do Benfica e FC Porto e quase sempre em benefício do mesmo. Não pode ser normal, nem é um acaso."

João Tomaz, in O Benfica

Todos à Tapadinha

"No próximo domingo pode começar a escrever-se mais um capítulo de glória do Sport Lisboa e Benfica. A partir das 15h00, no Estádio da Tapadinha, em Lisboa, a equipa principal de futebol feminino vai defrontar o SC Braga na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Actualmente luta - e principais candidatas - à subida à primeira divisão, as jogadoras do Glorioso têm batido recordes atrás de recordes nos segundo escalão. Quanto ao SC Braga, é líder da principal divisão (mais 3 pontos do que o Sporting CP) e, tudo indica, será o mais difícil teste às capacidades do plantel orientado por João Marques. Nada se conquista sem trabalho, mas uma ajuda nossa - dos adeptos, sócios e simpatizantes - é fundamental.
É por isso que vos deixo este apelo: no domingo, depois de almoço, juntem-se às nossas atletas para aquilo que se espera ser um grande jogo de futebol entre duas das melhores equipas a jogar em Portugal. Vamos dar mais cor às bancadas do velhinho estádio do Atlético CP, em Alcântara, com vista para o rio Tejo e para a Ponte 25 de Abril.
O ambiente é digno dos tempos do peão, com bifanas feitas na hora, bancadas de cimento e contacto próximo com as estrelas da companhia. Sim, porque elas são as nossas estrelas - nesta época marcaram 341 golos e sofreram apenas um (na Taça de Portugal). E é nosso prazer e dever apoiá-las. Este é um projecto que nasceu de forma pensada e que caminha para voos que podem ser históricos, como o sucesso na principal divisão e nas competições europeias. Ambicioso? Sim, claro. E depois, isto é ou não é o Benfica?
Vemo-nos na Tapadinha."

Ricardo Santos, in O Benfica

Temos de proteger o Seixal

"Este interregno no campeonato, como quase todos os outros, destrói grande parte da emoção do fim-de-semana. Se dependesse de mim, depois de sexta-feira até podia ser segunda outra vez. Para que raio servem o sábado e o domingo sem Benfica? As modalidades ainda ajudam a diminuir o fastio, mas o vazio permanece. Em todo o caso, se estes intervalos são obrigatórios, pelo menos que sejam sempre assim: com o Benfica se liderança, a seguir a uma expressiva vitória por 4-0 num terreno complicado, e com vários jogadores convocados para as selecções.
Rúben Dias, Pizzi, Rafa e João Félix foram chamados por Fernando Santos. Mais cedo do que tarde, chegará a vez de Ferro. A seu tempo, Florentino e Jota. Qualquer benfiquista assiste com orgulho à pedra basilar que começa a ficar cada vez mais implantada na selecção portuguesa: o Caixa Futebol Campus. Dos 24 convocados, 9 passaram pelos escalões de formação do Benfica ou pela equipa B. Esta tendência será cada vez maior, porque o Seixal abunda de talento. É urgente que Luís Filipe Vieira blinde com elevadas cláusulas de rescisão os atletas, mas não só. Meia Europa anda louca com o Seixal, pelo que têm de começar a estar também protegidos os contratos dos responsáveis da limpeza, jardineiros e seguranças que trabalham no centro de estágio, não vá o Manchester City bater com um cheque na mesa, levar de rompante a equipa de cozinheiros e deixar a rapaziada entregue às Estrelitas e às argolinhas. Se a Dona Lurdes assinar pelo PSG, depois quem é que vai fazer a cama aos jogadores? Posso ir lá eu, mas a minha mãe está sempre a queixar-se de que eu não sei esticar os lençóis."

Pedro Soares, in O Benfica

VARto disto!

"Ao contrário do que acontece com outros temas, sempre acompanhei a UEFA na resistência que, durante muito tempo, mostrou ao uso das tecnologias no futebol. Por feitio, que umas vezes com razão, outras sem ela, me faz desconfiar de quase tudo o que é novo, mas também por temer que em nome de uma qualquer verdade matemática se viesse a estragar um espectáculo apaixonante, e do qual o erro sempre fará parte. Com a aplicação do VAR no futebol português, quase mudei de opinião. Afinal, talvez as quebras de ritmo pudessem ser compensadas por um maior acerto nas decisões dos árbitros. Talvez houvesse menos polémica, e mais justiça. Não foi preciso muito tempo para que o meu cepticismo regressasse.
Esta temporada está a deixar claro que o VAR, em vez de ferramenta de rigor, por ser também ferramenta de manipulação. Um golo pode ser anulado, ou não, por um sopro a meio-campo dezenas de segundos antes de a bola entrar na baliza. Um penálti pode ser assinalado, ou não, por um dedo roçar numa camisola dentro da área - situações que outrora eram tacitamente ignoradas para todos. E isto acontece, ou não, ao sabor dos desejos de quem decide, no campo e a quilómetros de distância. Já nem sei como festejar um golo. E, pior que isso, continua a haver beneficiados.
Muitos lances têm múltiplas interpretações, por isso são tão discutidos pela semana dentro. O VAR, tal como existe, apenas veio acrescentar mais lances para discussão e menos tolerância ao erro. Logo, mais polémica, e não mais verdade.
Ou muda (e não me perguntem como), ou então acabem-se com ele. Como está, manifestamente não serve."

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 22 de março de 2019

Transferência da Benfica Estádio e da BTV para o Benfica clube

"A assembleia geral da Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD aprovou, no pretério dia 15 de Março, a passagem da titularidade das acções que detinha no capital da Benfica Estádio SA e da Benfica TV para o Sport Lisboa e Benfica (clube) via Benfica SGPS.
(...)
Fácil é de verificar que a fixação de todas as sociedades que giravam na órbita da Benfica SAD giram agora na órbita do Benfica clube, sendo certo que, já após 30 de Junho de 2017, a Clínica Benfica e a Benfica Seguros haviam transitado da órbita da Benfica SAD para a órbita do Benfica clube.
Mas, para compreendermos melhor, vejamos qual era a participação do Benfica clube na Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD, em 31/12/2018 (...).
Ora, isto tudo significa que fora do controlo total pelo Sport Lisboa e Benfica clube apenas 36,35% da Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD, que se encontram nas mãos de privados. Tudo o resto, Clínica, Estádio, Multimédia (esta apenas em 50,05%) Seguros Parque, BTV, é detido em 100% pelo Clube.
Ora, a situação em 2000, quando o Benfica regressou às mãos dos benfiquistas, era uma situação em que mais de metade do capital da Sport Lisboa e Benfica SAD estava fora do controlo do Benfica clube.
Este foi o caminho que se conseguiu fazer nestes 19 anos, partindo do zero! É simplesmente notável.

Um direito de autor
Vamos agora debruçar-nos sobre um direito de autor no que concerne à organização de eventos desportivos.
Estamos na presença do controlo da reprodução e colocação à disposição do público de imagens captadas em eventos desportivos, quer seja mesmo por telemóveis.
No âmbito das negociações tidas entre o Parlamento e o Conselho sobre o texto final da Directiva de Direitos de Autor, o Parlamento Europeu veio propor recentemente uma nova disposição legal, o artigo 12.º-A.
Na proposta, que ainda aguarda aprovação, os Estados-membros deverão providenciar aos organizadores de eventos desportivos o (i) direito exclusivo de autorização ou proibição de reproduções, directas ou indirectas, temporárias ou permanentes, por quaisquer meios e sob qualquer forma, no todo ou em parte, e ainda o (ii) direito de comunicação ao público que se consubstancia no direito exclusivo de autorizar ou proibir qualquer comunicação ao público das suas obras, por fio ou sem fio, incluindo a sua colocação à disposição do público, por forma a torná-las acessíveis a qualquer pessoa a partir do local e no momento por ela escolhido.
Tal significa que ninguém, para além do organizador dos eventos desportivos, tem o direito de reproduzir, seja através de simples publicação na Internet ou partilha nas redes sociais, imagens captadas em tais eventos.
Em termos práticos, se assim entrar em vigor, tal significa que um adepto que vai ao estádio assistir a um jogo de futebol não poderá fotografar nem filmar excertos do jogo e publicá-los na Internet sem autorização dos organizadores dos eventos.
É evidente que se o adepto apenas captar imagens e as reproduzir para efeitos familiares, pode fazê-lo, no entanto, não pode publicitá-las, sob pena de estar a violar direitos autoriais dos organizadores de eventos desportivos.
Embora os jogos ou as exibições desportivas não sejam por si só consideradas 'obras' merecedoras de protecção autoral, os direitos exclusivos de transmissão dos jogos que são negociados entre os organizadores dos eventos e os organismos de radiodifusão (rádio e televisão) já merecem tutela legal através do direito conexo atribuído a estes últimos sobre o direito exclusivo de comunicação ao público.
Um problema que se vai colocar com muita acutilância é a forma como tudo isto vai ser controlado, com tivemos, infelizmente pelas piores razões, o último exemplo da 'chacina' em directo dos tristes acontecimentos terrorista na Nova Zelândia.
A questão que se coloca é se as plataformas serão obrigadas a criar mecanismos de detecção de conteúdos não licenciados e se deverão bloquear tais conteúdos ofensivos de direitos conexos titulados pelos organizadores de eventos desportivos, transmitidos ou não a organismos de radiodifusão.
Para além de tudo isto acresce o facto de as operadoras que detêm em contratos os direitos de transmissão exclusiva dos espectáculos desportivos terem a tarefa acrescida de identificar os seus autores, sabendo nós que muito facilmente se instalam conteúdos num servidor do Cazaquistão!
Até para a semana."

Pragal Colaço, in O Benfica

Cumprido

"Promessa feita, promessa cumprida. Em 2003, Luís Filipe Vieira prometeu devolver o Benfica aos benfiquistas. Na passada sexta-feira, realizou-se a Assembleia Geral da SAD e por unanimidade foi aprovada a alienação das acções da Benfica Estádio e da Benfica TV à Sport Lisboa e Benfica, SGPS. Tudo por 99,2 milhões de euros, valor a pagar nos próximos 25 anos. Esta operação, feita de acordo com a lei, como é apanágio das grandes instituições, merece ser louvada e veio provar a política presidencial desde a primeira hora - devolver o Benfica aos benfiquistas. É caso para dizer 'o Benfica é nosso!' Dois dias após esta histórica decisão, regressamos à conquista de mais um título. Sines voltou a ser inspirador. Desta vez, foi o voleibol. Depois da categórica conquista da Supertaça, frente ao Sporting, Marcel Matz levou-nos a um novo triunfo - a 18.ª Taça de Portugal. Pela frente um adversário de respeito, a AJ Fonte do Bastardo, que bateu, na meia-final, o nosso eterno rival. Superiormente capitaneada por Hugo Gaspar, a nossa equipa deu uma clara demonstração de classe, categoria e benfiquismo. Inspirados pelo apoio incansável dos nossos adeptos, em particular da Casa de Sines, os bicampeões da Taça superaram um adversário de respeito. Para termos a noção do nosso domínio nesta modalidade, nas últimas cinco edições desta prova jogámos as cinco finais e perdemos apenas uma. Ou seja, a triunfante herança de José Jardim está a ser bem continuada. Segue-se o principal objectivo da época - o Campeonato Nacional. A conquista do 8.º título vai obrigar ao melhor Benfica em campo."

Pedro Guerra, in O Benfica

Hat-Trick

"Três golos, três! Um no futebol e dois na vida, conquistando e educação e cultivando valores entranhados na personalidade. É este o lema inspirador do projecto socioeducativo que a Fundação Benfica desenvolve na Escola Profissional Gustave Eiffel pelo seguinte ano consecutivo. É um projecto-piloto em que se experimentam metodologias  de trabalho com os jovens que possam ser avaliadas, melhoradas e testadas novamente através de um processo de experimentação e aprendizagem organizacional de forma a poder vir a ser transferido para outros estabelecimentos de ensino profissional e cursos de aprendizagem com dupla certificação que trabalham em contextos de exclusão e com grupos desfavorecidos.
O ensino profissional é um excelente aposta de futuro para os jovens, sendo isso muito atractivo e procurado, e a Escola Gustave Eiffel é uma escola de referência nacional neste domínio, com pólos em vários pontos do país, razão pela qual se posiciona naturalmente como parceiro estratégico da Fundação. Um desses estabelecimentos, na zona da Venda Nova, na Amadora, tem alunos provenientes de zonas menos favorecidas que se sentem motivados para este desafio mas que, não raras vezes, encontram dificuldades em superá-lo, seja porque a vida familiar não é estável, seja porque a educação é secundarizada face ao biscate imediato ou ao emprego menor que faz entrar algum dinheiro na família, seja pela pressão dos pares que abandonaram a escola, seja porque simplesmente não há paz de espírito que permita a cada um cultivar a sua personalidade, fortificar a sua autoestima e manter-se resiliente face aos desafios da vida.
É aqui que nós entramos, com sucesso, levando pela mão o futebol e fazendo brilhar todos os esforços e conquistas positivas de maneira a que mesmo quem encontre mais dificuldades chegue ao fim da caminhada, em equipa com os colegas, apoiando-os e apoiando-se neles para conquistar o resultado de todos e de cada um. É esse a lição do grande jogo.
Bem bonita por sinal!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Cadomblé do Vata (mini-férias!)

"1. O SLB anunciou na 3ª feira que na 4ª feira iria haver Treino Aberto e compareceram cerca de 1000 adeptos e o Taarabt... os adeptos porque queriam ver os craques do Glorioso; o Taarabt porque percebeu "Bar Aberto".
2. No treino à porta aberta foi possível ver que Seferovic já faz corrida... uma vez mais o suíço a revelar-se fortíssimo no ataque à profundidade... da lesão.
3. Depois do almoço presidencial, SC Braga cedeu mais 3.500 lugares de bancada ao FC Porto do que o estipulado pelos regulamentos, por 100 mil euros... ou comeram a caldeirada mais cara da história, ou beberam vinho do bom.
4. Passados 2 meses sobre a sua detenção, Rui Pinto chegou finalmente a Portugal para ser julgado... apesar da demora, ainda não foi hoje que lhe começaram a chamar "Hacker do Sporting".
5. Diz a A Bola hoje, que o "campeonato mais polémico de sempre" foi há 60 anos... ou não sabem fazer contas, ou então a temporada 03/04 que valeu ao FC Porto a condenação por corrupção, foi despromovida de forma bastante injusta."

Um crescimento com cabeça, tronco e membros

"Com a chegada da Liga Revelação divergem muito as opiniões do sucesso ou não da competição. FC Porto decidiu não se envolver. O Sporting CP terminou com a equipa B e ficou apenas com a de S23. SL Benfica, SC Braga e Vitória SC permanecerem com as B na Segunda Liga e "criaram" mais esta equipa. Focando-nos nos chamados grandes temos 3 casos completamente distintos. FC Porto tem uma equipa A praticamente sem nomes de formação (o 11 base tem Pepe, retornado, como o mais parecido a formação), uma B que mais uma vez está a fazer uma época tranquila na 2ª liga (com nomes como os 3 Diogos, Romário Baró e Madi Queta em evidência ) e uma equipa de Juniores que aponta ao título (nas asas de Fábio Silva). O Sporting CP mesmo com todas as adversidades no fim da época passada com pouca aposta em formação na equipa A (Miguel Luís, Jovane e Thierry aparecem a espaços principalmente com lesões ou castigos, no 11 base não se encontra ninguém, estando perto disso Ilori, retornado) e uma equipa de S23 que é muito daquilo que era a B no ano passado estando por isso como seria de esperar na luta pelo título, tem por base jogadores mais velhos em média cerca de 2/3 anos que nós, o que diz muito. SL Benfica o qual analisamos:
1. Equipa A até Janeiro. Um plantel iniciado com variadas soluções em todas as posições, sendo que no 11 base apenas se afirmavam Ruben Dias e Gedson como da formação, Félix aparecia a espaços muito curtos, Yuri jogava nas taças. Uma base forte, encabeçada por Jardel, André Almeida, Fejsa, Samaris, Pizzi, Salvio e Jonas. Nomes como Grimaldo, Zivkovic, Cervi, Gedson, Krovinovic e Rafa dos quais se aguardava a estabilidade e explosão.
2. Equipa A a partir de Janeiro. Um plantel encurtado (demais lá na frente). No 11 base estão Ferro, Ruben e Félix da formação, os Portugueses Almeida, Pizzi e Rafa. Na segunda linha, Florentino, Jota, Gedson e Yuri. São iniciados jogos com 7 portugueses, algo que podemos considerar estranho para todos os últimos anos.
3. Equipa B até Janeiro. Uma base claramente definida, Zlobin, Alex Pinto, Ferro, Kalaica, Pedro Amaral, Florentino, Willock, Keaton e Jota. Nomes como Benny, Nuno Tavares, Dantas, Saponjic e Nuno Santos a pretenderem afirmar-se. Luta com clubes como Paços (plantel pornográfico para a 2ª), Estoril, Famalicão e Académica pelos lugares de subida, praticando a par do Paços o melhor futebol da 2ª.
4. Equipa B a partir de Janeiro. Numa fase de transição Lage-Paiva, atravessa uma má fase, perde Ferro, Jota, Florentino e Zlobin para a A, Keaton e Pedro Amaral para empréstimo. Recebe Bernardo Martins e Pedro Henriques do Leixões e reforça-se sobretudo nos S23. Volta ao futebol atractivo, este jogo contra o Penafiel foi de grande qualidade (Taarabt e Dantas ajudaram muito a tal). Perdendo também nesta fase alguns nomes para os Juniores para tentar a conquista do título. Mostram muito bons processos. Tal como na A, nota-se felicidade no jogo, e todos se querem mostrar. Das melhores épocas desde que existem a todos os níveis.
5. Equipa de S23 com João Tralhão. Domínio na liga revelação. qualquer comentador apontava como clara favorita mesmo jogando contra equipas mais velhas e experientes. A base era Celton, Frimpong, Miguel Nóbrega, Guga, Vukotic, Rodrigo Conceição e Diogo Pinto. Vários Juniores afim de aumentar a competitividade dos jogos estavam aqui. Muitos começam a ser chamados à Equipa B como prémio de um trabalho bem desenvolvido. Nos jogos mais competitivos reforçou-se com nomes como Pedro Álvaro, Nuno Tavares, Nuno Santos, Daniel dos Anjos ou até Saponjic.
6. Equipa de S23 com Luís Tralhão. Uma miragem. Sim com algumas perdas, pela pirâmide que tem sido o clube e pela fase de apuramento do campeão dos juniores, mas com uma ideia menos consolidada na maioria dos jogos e um futebol mais individual e directo. Na passada semana porém fazendo um bom jogo contra uma equipa mais velha, mais consolidada, muito pelos reforços para esse jogo, Gonçalo Ramos e Diogo Pinto (para muitos o melhor desta liga) encheram o campo. José Gomes acabou por ficar ligado ao resultado de forma negativa desperdiçando uma grande penalidade com 1-1 no marcador.
7. Equipa de Juniores. Tal como no ano passado com reforços como João Félix, também este ano a equipa se transfigura nesta fase final. Conta com nomes como Celton Biai, João Ferreira, Gonçalo Loureiro, Nuno Tavares, Gonçalo Ramos, Henrique Jocu, Umaro Embalo, Araújo e principalmente Tiago Dantas. Titularíssimo na B, a estrutura volta a optar e bem por descer a esta fase. Estamos na luta directa com o FC Porto, tendo eles a vantagem da estabilidade, nós a da qualidade. Salvo enorme surpresa, a luta será a 2, registando-se já um empate no seixal a 2.
Mesmo existindo semanalmente críticas aos resultados, esta aposta é de sucesso claro. O SL Benfica ao contrário dos rivais, já o mostrou em Janeiro, tem tudo para nos próximos anos (sem ser ponta de lança) ter muitos dos seus reforços em casa. Subindo um jogador para a equipa A, automaticamente assume outro ainda que em alguns casos claro que não com a mesma qualidade, mas com potencial para tal ou perto. Claro que estas gerações não serão sempre de domínio nosso, mas o facto da qualidade do Caixa Futebol Campus e este processo consolidado, sem saltar etapas, pesará em muitas das escolhas que os pais farão para os seus filhos. Claro que os temos de conseguir agarrar como fizemos com Dantas, mas imaginar o valor pelo qual sairão, caso o façam, Rúben, Ferro, Florentino, Félix ou Jota, compensa tudo isso. Claro que quem cresce no SL Benfica, cresce com vitórias, mas tal como na B é algo que nem sempre podemos exigir contra equipas com 2 ou 3 juniores, em que 5 ou 6 jogadores já estão pelo menos no seu segundo ou terceiro ano de Seniores. Luquinhas (22 anos) que já passou por nós sem sucesso algum começou na Liga Revelação esta época e é um dos nomes fortes do Aves neste momento. É preferível para muitos dos nossos Juniores encontrarem jogadores assim do que a 50% do seu esforço golearam no seu campeonato na fase inicial."

O outro ‘viveiro’ do Seixal

"A promoção de Bruno Lage veio reforçar a aposta nos jovens formados no Benfica, mas também mostrar que há outro elevador em funcionamento. Se o tempo está a confirmar que o Benfica foi o clube que melhor trabalhou a formação nos últimos anos, o mesmo tempo encarregar-se-á de mostrar que o ‘viveiro’ do Seixal não tem apenas jogadores.
Bem vistas as coisas, esta dedução até deveria ser lógica, na medida em que é impossível formar jogadores de qualidade sem o acompanhamento certo. Para lapidar talento é preciso ter professores competentes, e cedo os responsáveis benfiquistas perceberam que isso era tão importante quanto acertar no recrutamento de potenciais craques.
A construção do centro de treinos do Seixal foi a base fulcral para a definição de uma estrutura sólida, com duas palavras-chave indissociáveis: é tão verdade que a estabilidade vem da identidade como o inverso.
O Benfica definiu uma linha orientada clara e deu tempo a quem trabalha na formação, o que permitiu ir ajustando coerentemente o processo de construção do tal perfil transversal.
Bruno Lage até esteve seis anos fora, mas antes passou oito na formação encarnada. Renato Paiva, que herdou a equipa B, está no Benfica desde 2004. Ainda mais tempo de clube tinha João Tralhão, que saiu em Outubro para ajudar Thierry Henry no Mónaco. A equipa de sub-23 do Benfica ficou com o irmão, Luís, que está no Benfica desde 2017. O irmão de Bruno Lage, Luís Nascimento, agora a comandar os sub-19, soma quase 14 anos seguidos de águia ao peito. O mesmo se aplica a Luís Araújo, líder dos sub-17, e mesmo Filipe Coelho, agora com os sub-15, já soma quase uma década a trabalhar no clube.
É verdade que mais recentemente registaram-se mudanças a um nível hierarquicamente superior – Pedro Mil-Homens assumiu a direcção do centro de treinos do Seixal em 2017, e há um ano Pedro Marques tornou-se director técnico da formação encarnada-, mas para já, sem sinais de um rumo alterado, o Benfica vai tirando dividendos do seu ‘viveiro’.
A promoção de Bruno Lage veio reforçar a aposta nos jovens formados no clube, mas também mostrar que há outro elevador em funcionamento. E se a porta se voltar a abrir será a altura de Renato Paiva, que ainda na passada quarta-feira juntou-se a Lage no treino da equipa principal aberto ao público.
Seria mau sinal para o Benfica se isto acontecesse a curto prazo, mas ao menos Luís Filipe Vieira saberia que o botão de emergência funciona."

Os doze mandamentos do Código de Conduta para Pais

"O flagelo da violência no desporto é, infelizmente, uma realidade cada vez mais evidente em Portugal.
Apesar do número ser ainda estatisticamente diminuto (quando comparado com as dezenas de milhares de jogos, de diferentes modalidades, que se disputam aos fins de semana), a verdade é, nesta matéria, tem que vigorar uma política de "tolerância zero".
No caso concreto do futebol, o mais mediático e aquele que, por cá, espoleta mais emoções e incidentes, os números oficiais de agressões crescem época após época e isso é inequívoco.
Os árbitros são, regra geral, as vítimas preferenciais, mas há também registos de violência física contra treinadores e jogadores.
Paremos para reflectir um pouco.
Quando um dos três agentes directos do jogo - os mais importantes, os únicos que tomam parte activa no espectáculo - são agredidos, algo de muito errado está a acontecer. Algo está a falhar e alguém deve ser responsabilizado por isso.
Árbitros, jogadores e treinadores deviam ser, acima de tudo e de todos, absolutamente intocáveis e protegidos.
A violência contra qualquer um destes agentes desportivos é a perversão completa do sistema. É a pior propaganda para o jogo e um crime grave, que deve ser desincentivado e combatido de forma feroz.
No caso concreto da arbitragem, os dados oficiais são claríssimos e alicerçados em duas evidências: 
1. O número de ocorrências é maior nos escalões mais jovens;
2. As agressões têm, por regra, dois tipos de autores: os adeptos (muitos dos quais, pais de jovens atletas e sempre em jogos sem policiamento) e jogadores ou elementos oficiais das equipas (quando as forças policiais estão presentes).
Quer isto dizer que a presença de agentes de segurança pública dilui drasticamente a agressão por parte de quem está a ver o jogo.
Enquanto esse problema - o da reflexão séria sobre a questão do policiamento - não se resolver em definitivo (a verdade, nua e cura, é que valores mais altos se levantam e esses são superiores ao risco de alguém morrer em campo) e enquanto a estratégia de combate a este flagelo não se tornar uma prioridade da tutela e de todos as instâncias com responsabilidade directa e indirecta nesta matéria, a única coisa a fazer é (tentar) prevenir.
É importante não baixar os braços e criar um conjunto de medidas, estratégias e políticas que levem o adepto comum, o pai ou a mãe, a adoptarem um comportamento ético que deixe os seus filhos orgulhosos e libertos para fazerem o que mais gostam, de forma descontraída, entretida e... feliz. Essencialmente feliz.
Neste contexto, os passos serão sempre pequeninos e demorados, mas um passo é sempre um passo e, por estes dias, é sempre melhor do que não fazer nada.
Uma das ideias a implementar devia passar pela criação de uma espécie de "Código de Conduta para Pais".
Algo que devia ser distribuído pelos clubes - por todos os clubes - e que devia estar colado, em letras garrafais, em cada canto, em cada esquina, em cada parede dos recintos desportivos.
Algo que, mais do que uma mera inspiração, fosse moralmente obrigatório, éticamente vinculativo. Algo cujo incumprimento grave resultasse em consequências criminais para os autores das agressões e desportivas, para os clubes anfitriões.
Porque não algo assim...

Código de Conduta Para Pais
1. Eu, pai e adepto, assumirei a responsabilidade do meu comportamento, bem como de todas as pessoas que me acompanharem.
2. Comprometo-me a passar ao meu filho a mensagem que o desporto está assente em valores positivos e de excelência.
3. Promoverei o espírito desportivo, respeitando jogadores, treinadores e árbitros, mesmo que não concorde com as suas decisões.
4. Em primeiro lugar está o bem estar emocional e físico do meu filho. O seu entretenimento e alegria. A vontade de vencer vem depois.
5. Eu estarei sempre em controlo das minhas emoções.
6. Durante a competição, permanecerei (e nunca ultrapassarei) a área reservada a espectadores.
7. Irei exigir que o meu filho jogue em ambientes seguros e saudáveis, livres de droga, tabaco e álcool.
8. Mostrarei respeito por todos os intervenientes, em todos os momentos (antes, durante e após a competição).
9. Nunca irei pedir ao meu filho que prejudique ou lesione outros participantes, de forma conscientemente.
10. Instruirei o meu filho a tratar todos os intervenientes com respeito, independentemente da sua raça, sexo, credo ou habilidade para a função.
11. Irei abster-me de tecer comentários insultuosos ou ofensivos para jogadores, pais, árbitros ou treinadores das equipas.
12. Exigirei que o treinador do meu filho seja alguém responsável e qualificado para lidar com os mais novos jovens.
O caminho faz-se caminhando e, historicamente, percebemos que as grandes mudanças acontecem da forma mais simples. Com as medidas mais fáceis.
Se cada um fizer a sua quota-parte, todos farão a mudança. Isso é garantido.

Nota - O mundo não se pode ter tornado num lugar tão perverso... ao ponto de chamar "lírico e idealista" a quem acredita que as coisas podem mudar."

Coaching desportivo: a face oculta do treino

"O Desporto constitui um fenómeno social que, a partir da última metade do século passado, sofreu um desenvolvimento notável reivindicando do agente responsável pela sua orientação, o treinador, competências que considerem as prerrogativas dos ambientes onde actua.
Não obstante, a matriz curricular dos cursos de formação de treinadores tem vindo a incidir, quase em exclusivo, nos conteúdos de treino, negligenciando os conteúdos alocados à aprendizagem para ser treinador. Esta missiva tem sido entregue ao acaso e à vontade e capacidade individual, explicando em grande medida a razão de muitos treinadores com formações altamente qualificadas não alcançarem sucesso. E outros, por sua vez, com formações deficitárias obterem algum sucesso. 
Hodiernamente, a capacitação para saber lidar com os atletas e outros intervenientes, aprendendo a influenciá-los, dentro dos limites éticos requeridos, e a saber gerir situações conflituosas, ambíguas e problemáticas, apanágio do quotidiano da actividade do treinador, constitui elemento diferenciador do sucesso profissional.
Todavia, é lugar comum ouvir-se dizer que estas competências constituem um dom ou que se adquirem basicamente com a experiência. Então, assim sendo, iremos continuar a ter, apenas de quando em vez, treinadores com competências excepcionais ao nível relacional e de autoconhecimento. Em boa verdade, grande parte dos treinadores focam-se quase em exclusivo nos conteúdos de treino e, por via disso, são incapazes de compreender e lidar com a paisagem social (i.e., cultura desportiva dominante, boas e más práticas instaladas, actores principais e secundários, poderes formais e informais, etc.). Esta problemática é sobremaneira importante em virtude de, não raramente, certos ambientes desportivos transformarem-se em arenas, onde os poderes informais tomam “o freio nos dentes” e influenciam decisivamente a micropolítica vigente, restando ao treinador ser uma marioneta ao sabor da corrente, alvo fácil a abater.
Isto é Coaching Desportivo. Tudo o que tem a ver com o ser treinador, na estreita simbiose com a natureza dinâmica, complexa e ambígua do contexto onde actua. Constitui, por isso, a face oculta do treino, ou seja, os elementos invisíveis difíceis de aceder, porquanto (i) não são traduzidos directamente pelo que se vê; (ii) alcançam o que está para além do óbvio; (iii) não se conseguem definir e classificar como os conteúdos de treino e (iv) reclamam ao treinador que aja mesmo com pouca informação. Logo, não há receitas que funcionem.
Uma das manifestações de Pep Guardiola (in Guardiola Confidencial, pp, 103) evidencia claramente a importância do Coaching Desportivo quando refere: “O que engrandece um técnico é aquilo que os jogadores dirão dele no final. Se eu conseguir convencer esses atletas a jogar dessa maneira e se puder ajudá-los a crescer e melhorar ainda mais, estarei muito contente e satisfeito. Tentaremos actuar bem e não apenas ganhar títulos”.
Mas, para se conseguir convencer os jogadores a “jogarem dessa maneira” é necessário o treinador ter Poder e Controlo sobre os intervenientes e o contexto onde actua. Até porque, o controlo que o treinador tem é proporcional ao poder que lhe é conferido e ganho por ele próprio. Ou seja, o treinador tem de saber orquestrar, empoderar, influenciar, gerir e liderar.
Para o efeito, urge alterar o paradigma de formação de treinadores e as más práticas por vezes instaladas nos contextos de trabalho, de forma a que a receita, instigadora da replicação (como se fosse remédio para todas as “maleitas”), seja substituída pelo domínio do conceito/princípio, base da criatividade e inovação. Ademais, moldar o treinador a padrões de actuação padronizados e generalistas, independentemente da “pessoa que é” e das especificidades particulares dos contextos onde actua, é incitador do dogma, o qual conduz:
(1) à aceitação de verdades “absolutas”, ao seguidismo e à subordinação;
(2) à prevalência da retórica, onde os chavões e a persuasão encontram terreno fértil, em prejuízo da aprendizagem e conhecimento.
Em suma, a natureza complexa, dinâmica e ambígua do treino tem de ser integrada e não descartada pelo treinador. Até porque, desconsiderar a ambiguidade que habita no ambiente desportivo bem como as dinâmicas relacionais que influenciam os poderes ocultos e os conflitos estratégicos, confere ao treinador uma ilusão de controlo. Não obstante, esta ilusão de controlo é instigadora de respostas lineares e dualistas (i.e., certo/errado), promotoras do seguidismo (i.e., faz porque viu fazer) e, logo, do insucesso.
Para alterar esta realidade, o Coaching Desportivo não pode mais tratado como dom (de alguns) ou que basta a experiência para se aprender a ser treinador. Constitui matéria que tem de ser integrada nos cursos de treinadores para dotar o treinador de ferramentas teóricas e princípios de actuação que o ajudem a ler a paisagem social e a reconhecer-se nela.
Só assim, o treinador será capaz de actuar de forma deliberada e intencional, reconhecendo: (i) que receitas infalíveis conduzem ao insucesso; (ii) controlando o que é possível de ser controlado; (iii) discernindo e aceitando o que não é possível de ser controlado; (iv) o que, por sua vez, aumenta o controlo do imponderável, na medida em que reconhece a sua existência.
Sem ser portador desta visão e conhecimento, o treinador corre o risco de ser um joguete na mão de outros, sendo mais vezes surpreendido do que surpreendendo, sendo mais vezes controlado do que controlando."

Foi bonita a festa!

"A mensagem de confiança de Luís Filipe Vieira, a emoção de Jonas e a infinita gratidão a Mário Dias. Três momentos marcantes numa gala que fez jus à grandeza de Cosme Damião e que assinalou de forma brilhante o 115.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica.
Grande noite de fervor e partilha benfiquista que se viveu no Campo Pequeno, numa cerimónia que serviu para voltar a premiar o mérito e a excelência e aqueles que, ao longo da história, têm prestado os mais altos serviços ao nosso Clube.
Todos os nomeados para os Galardões Cosme Damião 2019 eram, seguramente, merecedores da distinção. O troféu seria bem entregue a qualquer um deles, mas alguém teria de ganhar. A lista de vencedores ficou assim definida: João Félix (Revelação Futebol), Equipa Juniores de Futebol (Formação), Fernando Pimenta (Atleta de Alta Competição), Afonso Jesus (Revelação Modalidades), Futsal Feminino (Modalidade), João Tralhão (Treinador do Ano) e Jonas (Futebolista do Ano).
Foram também galardoados, por escolha directamente feita pela Direcção do Sport Lisboa e Benfica, a Casa do Benfica de Abrantes, a Sagres (Parceiro), o Futebol Feminino, o Benfica Digital, Pietra, Fernando Martins e Mário Dias.
Nenhum clube é verdadeiramente grande se não tiver memória e não for capaz de reconhecer e cuidar das suas referências. Foi isso que, uma vez mais, o Benfica fez questão de demonstrar. Agradecendo a quem nos fez chegar até aqui, estimulando os que nos ajudam na actualidade e identificando os talentos do futuro.
A mensagem forte da noite já tinha ficado no discurso inicial do Presidente: “O património do Benfica é 100% dos sócios. Temos resultados desportivos e financeiros que falam por nós. Obrigado aos jogadores, obrigado a Bruno Lage e a toda a sua equipa técnica. Faltam oito finais e deixo aqui o apelo a todos os benfiquistas para continuarmos com esta verdadeira onda vermelha que atravessa o país.” Assim será! Porque, no Benfica, todos contam!

PS: Hoje é dia para a Selecção Nacional iniciar a defesa do nosso título europeu. Que esta noite entremos com o pé direito, no Estádio da Luz, e que estejamos no Euro’2020 para repetir a proeza de Paris. Felicidades!"

Conversas à Benfica - episódio 53

Todos ao Restelo

Benfiquismo (MCXXVII)

Nos grandes palcos...!!!

Gala Cosme Damião 2019




Prémios
Revelação Futebol -  João Félix
Casas do Benfica - Abrantes
Formação - Equipa de Juniores
Projecto do Ano - Futebol Feminino
Inovação - Benfica Digital
Parceiro do Ano - Sagres
Carreira - Minervino Pietra
Atleta de Alta Competição - Fernando Pimenta
Revelação Modalidades - Afonso Jesus
Modalidades - Futsal Feminino
Mérito e Dedicação - Fernando Martins
Treinador do Ano - João Tralhão
Homenagem - Mário Dias
Futebolista do Ano - Jonas

Time Added On #4

quinta-feira, 21 de março de 2019

Isto é o Benfica

Abdicar de nada. Nunca!

"Começo a minha aventura no Benfica Independente com uma velha questão. Deve o nosso Glorioso abdicar da Liga Europa? Deverá ser a #Reconquista o principal objectivo? E onde fica a Taça de Portugal?
Não vou conseguir esconder a minha desilusão se abdicarmos de um, ou dois, dos três títulos que estão em disputa, mas também não sou hipócrita: o principal objectivo deve ser o campeonato, sem dúvida. Quero, em primeiro lugar, que o Benfica seja dono e senhor deste jardim. Nesta equação incluo também a Taça, ainda para mais quando estamos tão próximos do Jamor.
Posto isto, uma equipa com a grandeza do Benfica não pode abdicar nunca de ser cada vez maior e melhor, ou seja, deve encarar as competições onde está inserida sempre com o intuito de chegar o mais longe possível. Para que isso possa acontecer, a época deve ser preparada com esse objectivo em mente. Todos concordamos que isso não aconteceu esta temporada. Actualmente temos um plantel curto, cansado e com alguns jogadores no limite. Nesse aspecto, o trabalho que tem sido desenvolvido pela nova equipa técnica, nomeadamente na recuperação física, é de louvar. Se no defeso for construída uma equipa a pensar em todas as competições e se a mentalidade de dirigentes, treinadores e jogadores for a de, jogo a jogo, ganhar, ganhar, ganhar, não vejo por que não possamos ir longe.
Ilustro esta situação com o exemplo do Atl. Madrid, que em 2013/2014 foi campeão e chegou à final, na nossa Luz, da Liga dos Campeões, e por pouco não a ganhou. Os de Simeone tinham uma boa equipa, claro, mas não tinham uma super-equipa. Chegaram longe devido à mentalidade incutida no clube, especialmente pelo timoneiro argentino.
Bem, não me quero perder. Com tudo isto quero dizer que o Benfica deve apostar as fichas no campeonato e na Taça, mas deve deixar algumas (muitas) de parte para a Liga Europa. Engana-se quem pensa que o Frankfurt é um adversário acessível. Preferia ter apanhado o Chelsea ou o Arsenal, mas creio que temos uma excelente hipótese de, mais uma vez, chegarmos longe no torneio, se tivermos a mentalidade certa.
Agora, frente aos alemães, até pode jogar uma equipa menos rodada, mas estou-me bem a lixar para isso. Se os jogadores que entrarem tiverem a atitude certa, a vitória e a passagem são possíveis. Só não podemos entrar em campo como o fizemos em Zagreb. Displicência não se aceita num clube como o Benfica.
Este ano temos outro bom exemplo: o Ajax. São equipas como o Benfica, os holandeses e outras que podem devolver o futebol aos adeptos. Com trabalho e dedicação não é impossível a estas equipas regressarem às conquistas europeias.
Que entremos em campo sempre com vontade de vencer o adversário que está à nossa frente e não o que vem depois."

O antigo Estádio da Luz

"'Vénia ao 3° Anel' é a visão de um Benfiquista profundamente apaixonado pelo ideal do seu clube, mas por isso exigente e racional com quem momentaneamente o representa. A águia tem sempre que voar alto

Uma despedida. Uma cara. Uma paisagem. Um golo. Um acidente. Há certos flashes que nos ficam guardados na memória. Uma espécie de fotografia cerebral que quando fechamos os olhos conseguimos ir buscar. Por algum motivo tornamos aquele momento em algo intemporal e sabemos que enquanto formos vivos, estará guardado no disco rígido deste órgão complexo que temos dentro do crânio. Um desses momentos que tenho arquivado vem do dia 22 de Março de 2003, quando já a caminho de um túnel de acesso à saída parei, afastei-me da multidão e voltei a olhar para trás. E ali estava ele. Velho, incompleto, desgastado...majestoso, imperial, monumental. O Estádio da Luz. O original. Onde Eusébio se fez lenda. Onde o clube festejou 23 campeonatos e 8 apuramentos para finais Europeias. A visão do 3º Anel ficará para sempre comigo. Uma bancada tão grande e tão alta que parecia que só acabava nas nuvens. Sabia que era a última vez que o estava a ver.
A primeira vez que nele tinha entrado tinha sido uns 15 anos antes. Era um miúdo de 9 anos e, por via da amizade da minha mãe com alguns elementos da equipa técnica de basquetebol do Benfica da altura, dei por mim nos corredores labirínticos (ou pelo menos na altura assim me parecia) daquele gigante de betão. Não disse a ninguém, mas a cada esquina o meu coração hesitava em baquear na expectativa que ali sim, ia conseguir ver o relvado, ia conseguir ver aquela enorme bancada que ocupava quase por completo cada fotografia que via da mesma nos jornais e revistas. Já várias vezes tinha pedido à minha mãe para me trazer a ver um jogo, mas "ainda és muito novo" era a resposta dela. Até que ao fim de um túnel...a luz! A Luz! E foi instantâneo: sem nada dizer, desatei a correr, pouco importado com as palavras da minha mãe a perguntar "o que estás a fazer?". Chegado ao fim do túnel, ali estava ele. Ainda mais incrível do que tinha imaginado. À primeira vista e à última vista tive o mesmo sentido de esmagamento.
Não vivi o seu auge, não estive nos míticos jogos com o Steaua e o Marselha, ou até com o Brasil para a final do Campeonato do Mundo sub-20, onde o meu tio me conta que viu esses jogos nas escadas, apesar de ter entrado várias horas antes do apito inicial e com a sensação em vários momentos que nem sequer tinha os pés no chão, tal o aglomerar de gente. O mais aproximado que senti a isso foi naquele jogo com o Parma em que a Luz inteira cantou os parabéns a Rui Costa. Não estariam 120.000, mas não andaria longe disso.
Mas não era só a imponência. Era a História. Era andar nas imediações do estádio e ver os inúmeros relvados e campos de ténis construídos por Fernando Martins. Era entrar na antiga "sala dos sócios" e ver afixados quadros da equipa do Benfica Campeã Nacional 1963/64 ou coisa do género. Era no meio de todo aquele fumo de tabaco, ver os sócios a debater o clube enquanto alguém ganhava mais um jogo de bisca. Eu miúdo olhava para aquelas caras envelhecidas e só pensava "uau, este senhor deve ter visto o Eusébio a jogar! Deve ter visto o Benfica Campeão Europeu!".
Mesmo nos tristes tempos do "Vietname" (expressão perfeita que Pedro Ribeiro, actual director da Rádio Comercial, criou para designar a bomba atómica que aconteceu ao Benfica entre 1994 e 2004) era arrepiante entrar na Luz. Já toda vermelha, com as cadeiras a substituírem o antigo cimento ou nalguns casos a "almofadinha" que funcionários do clube sempre vendiam, e lá em baixo a Fafá de Belém a cantar o "Vermelho, vermelhão". E depois o rival entrar em campo sob imensa assobiadela. Seguido do Benfica. Aquelas camisolas vermelhas, herdeiros de Eusébio, Coluna e Chalana a correrem em direcção ao terceiro anel, para fazer a vénia. "Repara que eles primeiro fazem para nós, o povo, e só depois se viram para o lado do Presidente. Porque o Benfica somos nós." contava-me o meu tio.
Gosto muito da nova Luz. Já lá celebrei 6 Campeonatos e festejei golos e jogos inesquecíveis. A rotina pré-jogo nas imediações do estádio, com companheiros de bancada nas roullotes do Alto dos Moinhos é das coisas que mais prezo enquanto adepto de futebol. Entrar e sair sem confusões, com todo o conforto é uma maravilha. É um estádio grande, bonito e que me entrou no coração. Mas não é a antiga Luz. Nem pouco mais ou menos. E cada vez que olho para o Camp Nou, Bernabéu ou Anfield penso...o que fomos nós fazer? Recordo as palavras de Fernando Martins em 2002 a pedir a intervenção do governo para que proibisse a demolição da Luz: "é como Roma demolir o seu Coliseu!", dizia o antigo Presidente. Que desde que soube que os sócios tinham aprovado a mudança de estádio nunca mais voltou a passar na 2ª Circular, até ao fim dos seus dias, tal o desgosto.
Não chego a tanto. Mas a Luz, aquela Luz...ficará sempre no meu coração. Felizmente tenho o flash. Fecho os olhos e ali está ele. Velho. Incompleto. Desgastado. Majestoso. Imperial. Monumental."