Últimas indefectivações

terça-feira, 7 de junho de 2016

Um Oriente a Oriente do Oriente,,,

"Em 1970, o Benfica joga em Macau, no Japão e na Coreia do Sul. Nunca uma equipa portuguesa viajara para tão longe. Mas os céus do mundo eram cada vez mais os caminhos da águia.

Em 1970, o Japão recebia a Expo-70 e Portugal estava representado com um pavilhão em Osaka, inaugurado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da época, Rui Patrício.
Osaka, terceira cidade japonesa em população a seguir a Tóquio e Yokohama. O Benfica também tem de estar presente. O Benfica é cada vez mais uma imagem de Portugal além fronteiras, uma marca firme de sucesso e brilhantismo. E Eusébio, sempre Eusébio, encantador de pessoas, o homem que fascina espectadores com a sua potência felina de uma vida que transborda dele mesmo e se propaga no redor. Facto inédito - eis que uma equipa portuguesa de Futebol se desloca ao extremo-oriente. O Futebol português está de luto pela morte do jovem Nené, prometedor jogador da Académica. No dia seguinte a comitiva 'encarnada' deixa Lisboa em direcção a Macau, primeira paragem desta nova deslocação 'encarnada', quase directamente de África, onde uma semana antes defrontara em Luanda e Lourenço Marques uma selecção de Luanda e o V. Setúbal, por duas vezes, para o mais distante de todos os orientes.
Dois jogos na velha Cidade do Santo Nome. Duas vitórias, como não podia deixar de ser. 4-1 à selecção de Macau; 7-0 à selecção de Hong Kong. O público gosta. Mesmo num território onde o futebol nunca se fixou como alegria do povo e se preferem as corridas de cavalos e de galgos.
Nos sopés dos montes
A 'águia' não pára de voar. Os céus do mundo são os seus caminhos.
Borges Coutinho comanda o grupo, o treinador é Jimmy Hagan, os jogadores são - José Henrique, Fonseca, Malta da Silva, Barros, Humberto Coelho, Zeca, Adolfo, Jaime Graça, Matine, Vítor Martins, Simões, Nené, Eusébio, Artur Jorge, Raúl Águas, Messias e Praia. Dois jogos em Macau para aquecer os motores, e quilómetros e mais quilómetros. Um jogo em Kobe, viagem de comboio para Tóquio, por entre as montanhas em cujos topos se espreita o branco da neve.
Kobe: um dos maiores portos do país de onde saiu a principal fonte de emigração para o Brasil. No sopé do Monte Rokko, o Benfica vence a Selecção principal do Japão por 3-0.
E a surpresa geral. A televisão japonesa transmite os jogos a cores! Uma sensação! O Benfica faz golos e mais golos e todos eles vão de casa em casa, a cores, para alegria de toda a gente. Depois é a partida para a Coreia do Sul, registando-se em Seul o único empate da digressão. Só à sua conta, Eusébio marca 13 golos. Um número que lhe dá sorte. E duro, o regresso, estende-se por escalas e mais escalas: Seul-Osaka- Tóquio-Hong Kong-Bangkok-Bombaim-Teerão-Roma-Lisboa.
Mais duas taças para a sala do clube: Taça Cidade de Kobe e Taça Pavilhão Portugal/Japão. O brilho extraordinário de ouro e de prata.
De cada vez que viajam, os jogadores do Benfica coleccionam carimbos nos passaportes, escalas infinitas em aeroportos e o respeito de um público que sabe a força desse nome vermelho.
Ao contrário do que escrevia Álvaro de Campos, não há de ser a vida de bordo a matá-los. Mas havia glórias a procurar num Oriente a Oriente do Oriente.
Era lá que estava o Benfica nesse Verão de 1970.
Nada de estranho para quem esteve em toda a parte..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Justiça! Agredir um árbitro dá prisão

"Nos últimos dias, aconteceram coisas importantes no mundo da arbitragem. E qualquer uma delas seria válida para trazermos hoje a esta coluna.
Podia falar-vos sobre a tomada de posse da Direcção da FPF e do novo Conselho de Arbitragem, que acontecerá hoje, com a presença do presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Podia também abordar a questão das alterações às leis de jogo, aprovadas em Março. Ao todo, foram 95 mudanças na letra e espírito da lei, muitas delas com impacto significativo no decorrer dos jogos. A analisar em breve.
Mas hoje a minha escolha é outra. Hoje respondo ao apelo do coração e escolho a mais importante de todas. Porque sempre que está em causa a saúde e a segurança de quem está no futebol, tudo o que é estrutural deixa de fazer sentido.
Lembram-se do Caso do Sobrado? Em Novembro de 2011, um árbitro assistente foi brutalmente agredido por dezenas de adeptos da equipa visitada, num jogo do Distrital da AF Porto, entre o Sobrado e o Rio Tinto.
A barbaridade foi tal que o Semedo, assim conhecido pelos colegas, correu risco de vida e foi internado durante várias semanas. Diagnóstico? Coisa pouca. Dentes e maxilares partidos, traumatismo craniano e deslocamento da retina do olho direito. Foi de tal forma grave que foi necessária cirurgia para reconstrução facial. Imaginem pois a violência dos socos e pontapés na cara, quando já estava caído e inconsciente no chão. Dispenso-me falar aqui das consequências psicológicas e emocionais e do impacto irremediável que esta situação teve na sua vida pessoal, profissional e familiar. E que ainda tem. Que terá sempre.
Quase cinco anos depois, a justiça portuguesa fez... justiça. E pela primeira vez em Portugal condenou a penas de prisão efectivas (confirmadas agora na Relação) alguns dos agressores identificados. A prisão de alguns dos arguidos (outros apanharam apenas penas suspensas) não é motivo de alegria para quem sofreu lesões gravíssimas na cabeça, tal como não o é para a sua família ou para o universo do futebol. Não há justiceiros nem vinganças agridoces em pessoas de bem. Não pode haver.
Mas teve o mérito de abrir precedente importante e de passar mensagem de prevenção inequívoca: bater nos árbitros (ou em qualquer outro interveniente desportivo) dá prisão. Dá cadeia. De verdade. E se tanta pedagogia, tanto diálogo, tanto apelo ao fair play nunca parecem desincentivar quem vai para um estádio apenas para agredir, que a consequência dessas acções o faça então. E que esta pena, neste caso justíssima, faça despertar nos potenciais arruaceiros de amanhã o receio de passarem a ver o sol aos quadradinhos durante muitos, muitos meses.
Sempre fui favorável à prevenção. Mas se ela se esgota sistematicamente em palavras, então que as acções sejam firmes, fortes e imparáveis. Seja em matéria criminal, seja por exemplo em questões de regulamentação disciplinar.
E que falta faz o endurecimento dessas no futebol português..."

Duarte Gomes, in A Bola

Os novos trabalhos de Fernando Gomes

"Decorrido o ato eleitoral que culminou com a eleição do dr. Fernando Gomes para presidente da FPF, é tempo de reconhecer a obra feita, de elogiar o cumprimento de todas as metas estabelecidas e de destacar a credibilidade governativa.
A expressividade do resultado eleitoral demonstra a comunhão de ideias entre a FPF e os seus associados que será fundamental nos anos vindouros, ainda que novos e duros trabalhos se avizinhem.
Sejamos realistas, os problemas estruturais do futebol português exigem muito mais do que um consenso alargado ou metas comuns. Sobre cada agente e cada instituição desportiva recai a responsabilidade de dar um passo em frente. O que hoje não merece discussão no papel amanhã terá de traduzir-se em acções concretas, com repercussão na vida dos clubes, jogadores e demais agentes. Cada um tem de assumir a sua responsabilidade, o seu papel, promovendo a pluralidade de opiniões, enriquecendo um projecto comum! 
Há muito que se impõem reformas estruturais. Discute-se hoje a arbitragem, nomeadamente a introdução de novas tecnologias no futebol (o que se saúda), em nome da verdade desportiva, como se fosse a panaceia que resolve todos os problemas, ignorando-se que a montante existem outros mais graves que a esvaziam. 
Resolver o problema da bola que entra ou não entra, da decisão acertada ou errada, diminui o incumprimento salarial, impede a propagação de actos de gestão danosa e fraudulenta ou condiciona o acesso à competição daqueles que violam reiteradamente os compromissos assumidos?
Nesta matéria, perdoem-me ser 'desalinhado', acho que devemos recentrar os nossos esforços a montante! Garantir condições de igualdade entre os competidores é o grande desafio! Fazer a justiça desportiva funcionar, independentemente da comum, ajuda!
O conceito de 'cidadania desportiva' vai muito para além do apoio a um programa de governação, significa identificar os problemas e aturar sobre eles com consciência crítica, encontrar soluções, construir pontes e premiar a seriedade.
Proteger os fundamentos do desporto, o futebol, os seus agentes, implica que cada instituição dê um passo em frente. Esse é o maior contributo que podemos dar ao dr. Fernando Gomes e à sua equipa!"

Um 8 para o 36

"Se o Benfica quiser garantir o 36 na próxima época, a prioridade passa por não repetir erros da temporada passada. Parece paradoxal, tendo em conta que o Glorioso acabou por ser campeão, contra as expectativas iniciais. Mas, a frio, talvez valha a pena reconhecer que, de facto, o Benfica venceu, apesar de um planeamento atribulado.
É, hoje, claro que a digressão norte-americana, se colocou o Benfica na rota de muitos colossos do futebol mundial, foi uma má experiência e impediu a sedimentação de novos processos. O problema, aliás, não foi apenas do Benfica - as equipas que andaram embarcadas em viagens comerciais à volta do Mundo deram-se mal no início da época.
O principal erro foi mesmo a formação do plantel. Depois de uma segunda metade de 2014/15 em que era evidente a necessidade de encontrar um substituto de Enzo para a posição 8, o Benfica entreteve-se com um sem-número de contratações, não cuidando de encontrar atempadamente um titular para o centro do terreno. Ora, com Jonas em campo, não há volta a dar: como o brasileiro não pode jogar sozinho na frente, o Benfica tem de jogar com um meio-campo de dois jogadores. Com Samaris e Fejsa, a posição 6 está assegurada, mas o futebol do Benfica depende de um 8 com características muito particulares.
Esta temporada, a emergência do extraordinário Renato acabou por resolver a lacuna no plantel e ofereceu-nos o título. Com a saída do Bulo, o Benfica voltou à estaca zero. Encontrar um 8 de classe, titular de caras, não pode deixar de ser feito, nem - como em anos anteriores - adiado para o encerramento do mercado."

"Viva o Benfica"

"A história dos geoglifos da vila da Malveira

Muito provavelmente não há benfiquista que não tenha conhecimento das homenagens ao Benfica efectuadas na Malveira. Porém, a história dos geoglifos na vila do concelho de Mafra remonta a muitos séculos antes da fundação do Clube 'encarnado'.
Reza a história que, pelo menos até ao segundo quartel do século XX, no dia 1 de Maio, a população subia ao Cabeço do Cerro com uma velha mó de moinho, transportada por uma junta de bois, e lavrava no solo 'o sentir do povo' em 'letras extraordinariamente grandes para de longe poderem ser lidas'. Depois, com a mó como mesa, tinha lugar uma 'longa patuscada em que o vinho e as especialidades da região' eram 'bastante lembradas e apreciadas'. 'Terminado aquele repasto (...), precede-se ao final do cerimonial (...): a mó (...) é lançada a rebolar pela encosta abaixo numa velocidade cada vez mais vertiginosa, de maneira a causar arrepios a quem, de perto, assiste ao desfecho'.
Rito pagão oriundo, segundo consta, dos moleiros da região, visava 'despertar a natureza do sono em que mergulhara desde o início do Inverno (...) e trazer de volta a fecundidade às pessoas, aos animais e às plantas'.
Em 1961, após a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o Benfica figurou pela primeira vez nos geoglifos do Cabeço do Cerro com a frase 'Viva o Benfica'. No ano seguinte, repetida a conquista, os benfiquistas malveirenses reiteraram a homenagem. Mais recentemente, após a vitória nos campeonatos nacionais em 2005, 2010 e 1014, o Clube voltou a ser glorificado no cimo do monte, sendo que nos dois últimos a frase deu lugar a um gigantesco emblema do Clube.
Ao longo do século XX, há registos de outros geoglifos traçados no local. Entre eles: 'Malveira' em 1939; 'Paz no mundo', quando terminou a II Guerra Mundial; 'Vida por vida', aquando da fundação dos Bombeiros Voluntários da Malveira.
Actualmente, são vários os países onde esta prática ainda se mantém. 'Na Grã-Bretanha e na Irlanda, por exemplo, (...) todos os anos, no dia 1 de Maio, determinadas comunidades ascendem a uma colina (...) com o objectivo de revolverem penedos, após um manjar ritual fruído em conjunto'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, as homenagens dos benfiquistas da Malveira não foram esquecidas: na área 16. Outros voos pode ver-se uma fotografia do tributo de 2010."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CXXVII)

LP !!!

Bonito !!!

O monumento entre a Prisão e a Cidade do Futebol

"À beira do forte de Caxias onde Cândido de Oliveira foi torturado há um rotunda, é lá que o NAM o quer colocar como mais do que símbolo à resistência. Fique a saber como e o que ele penou depois de ser preso pelo seu próprio guarda-redes...

Perante a ameaça de Hitler invadir Portugal, criou-se, em Dezembro de 1940, com o patrocínio dos SOE, serviços secretos britânicos, a Rede Shell. Destinada a acções de espionagem (e eventualmente de guerrilha...) contra os nazis, Cândido de Oliveira tornou-se um dos seus principais agentes, o agente PAX. Aplicou à selecção o WM que Chapman inventara no Arsenal - e foi assim que à entrada de 1942 levou Portugal a brilharete: ganhou à Suíça, nas Salésias, por 3-0. 51 dias depois, às cinco de madrugada de 28 de Fevereiro, brigada PVDE entrou de restolhada na casa onde vivia e levou-o, preso, para Caxias.
Durante mais de 12 horas interrogaram-no sobre nomes e ligações, ajudas e arrimos - e Cândido disse anda. Partiram-lhes os dentes, racharam-lhe os lábios. Levou murros e pontapés - e ainda com um banco na cabeça. Pela sala da tortura passou António Roquete, que fora seu guarda-redes no Casa Pia AC e na selecção olímpica - e que, em 1930 se tornara agente da polícia política, ainda não se chamava PIDE, chamava-se PVDE.
Levantou-se rumor de que fora António Roquete, quem mais barbaramente o agredira - que não, revelou-o Maria Claudina Guerreiro Nunes, sua sobrinha:
- Era um rapaz muito pobre, o Roquete, o meu tio protegeu-o, garantiu-lhe refeições, ajudou-o a vestir-se, enfim fez com ele o que fazia com todos os casapianos que precisavam do que fosse... É verdade, que apesar disso, não se portou bem quando Cândido foi preso. Mas bater-lhe parece que não bateu. De qualquer forma, posteriormente, Roquete tentou uma aproximação, mas o Cândido recusou...

Cândido, a tortura em Caxias...
Ainda de Caxias, Cândido de Oliveira enviou exposição a Mário Pais de Sousa, ministro do Interior, que era mais do que um lamento, é imagem da barbárie que se praticava:
- Só agora tive conhecimento da razão das torturas, morais e físicas, a que fui submetido: a escuridão total, a cela húmida e sem ar, sem luz e sem janela, o facto de ter sido obrigado a viver como um animal e a comer no chão durante dez dias inteiros, impedido de receber cuidados médicos apesar de ter um dente partido e ter sido forçado a usar o mesmo lençol durante esse mesmos dez dias. A polícia pensava que eu era um comunista, um traidor que queria derrubar o governo, mas não, fui apenas um patriota que desejava combater qualquer invasor do seu país...

Obrigatoriamente, o Cândido
À sombra do presídio onde, então, penava Cândido de Oliveira está, agora, a Cidade do Futebol. Entre um espaço e outro há rotunda - e é lá que João Maria de Freitas-Branco, vice-presidente do NAM, Movimento Cívico Não Apaguem a Memória, quer que se coloque monumento que seja mais do que uma homenagem a Cândido:
- O NAM foi criado em 2005 com o objectivo de manter viva a memória do que foi o Estado Novo e o período da Revolução e da transição para a Democracia. É uma instituição independente que acaba de editar resenha histórica dos seus 10 anos de actividade, da autoria de Raimundo Narciso, seu presidente do NAM. Vendo em marcha a construção da Cidade do Futebol apresentei em reunião do NAM a proposta para que se fizesse monumento que estabelecesse um ponto de união entre aquilo que é a Cidade do Futebol virada para o futuro e o velho forte de Caxias, símbolo do passado ditatorial, da repressão, do Mal, do mal institucionalizado que foi o Estado Novo - e além disso que evoque o histórico momento da libertação dos presos políticos na madrugada de 27 de Abril de 1974. A figura de Cândido de Oliveira impôs-se quase como uma obrigatoriedade, dada a intenção de estabelecer ponte entre a resistência anti-fascista e a actividade desportiva. Quem melhor para isso? Cândido reúne numa só pessoa um conjunto de qualidades, de competência, de acções no seio da sociedade que fazem dele a figura mais importante da história do futebol em Portugal. O admirado Eusébio é caso diferente. Cândido não se esgota no futebol, nem sequer no desporto. vai para além disso, simboliza o intelectual do desporto, há na sua prosa jornalística e não só uma dimensão literária.

O amargo silêncio da FPF
A ideia acolheu-se com entusiasmo, ao NAM, por si só, falta capacidade para lhe dar andamento:
- Razão porque estabelecemos dois contactos institucionais privilegiados. Um, em primeiríssimo lugar com a Câmara de Oeiras. O presidente Dr. Paulo Vistas revelou de pronto todo o empenho possível na concretização da obra. Também todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal mostraram simpatia à ideia. O segundo contacto foi com a FPF e aí...
Freitas-Branco calou-se por um instante, percebendo-se-lhe, amargo, o silêncio:
- O contacto com a FPF foi em Março e é com alguma tristeza que tenho de dizer que ainda não tivemos nenhum eco da sua reacção...
Custo? Ainda não se sabe, o NAM não tem dinheiro...
José Maria de Freitas-Branco não faz (ainda) ideia precisa do que pode custar a colocação da estátua de Cândido de Oliveira no Monumento entre a Prisão de Caxias e a Cidade do Futebol:
- Não há qualquer orçamento, de momento. Porque nós, o NAM, defendemos que deve realizar-se um concurso de ideias. Não queremos impor nada no plano da criação artística. Aliás, aproveito para revelar que motivei um jovem escultor meu conhecido, Fernando Roussado, a abraça-lo e ele já me deu a conhecer o seu projecto. Trata-se, porém, de iniciativa pessoal, o NAM não apresentou nenhuma proposta de autoria. Eu simpatizo com a ideia de explorar o olhar criativo de um artista já nascido no Portugal de Abril, mas repito: sendo o NAM uma instituição sem fins lucrativos, não temos capacidade financeira para avançarmos sozinhos, por isso nada se orçou ainda...

Se o seleccionador olímpico era ele...
Se a FPF não entrar no apoio financeiro ao projecto, o COP pode entrar? Já entrou doutro modo...
- Cândido de Oliveira não foi apenas jogador e treinador de futebol, também fez râguebi, atletismo e luta, da sua cabeça saiu a ideia da Volta a Portugal em bicicleta, era o seleccionador da equipa que nos Jogos Olímpicos de 1928 ficou à beira de ganhar uma medalha...
- ... E como jornalista, além de fundador de A BOLA, foi um dos mais notáveis que Portugal teve. Gosto de acentuar que o jornalismo é, à sua maneira, uma forma de escrita literária, nele era sempre assim...

- Pois, mas o que eu lhe queira perguntar era se, atendendo ao facto de Cândido de Oliveira estar muito para além do futebol não deveria envolver neste projecto o Comité Olímpico também...
- O Prof. José Manuel Constantino logo que soube do projecto do NAM mostrou o maior entusiasmo e interesse nele e, aliás, tem-me ajudado muito nesta batalha pela sua concretização...

- Já lhe falou na possibilidade de o COP se envolver financeiramente no projecto se a FPF não o quiser fazer?
- Não, nisso não falámos.

- Outra hipótese para o pagar é o envolvimento do governo - ou não?
- Eventualmente, embora ainda não tenha sido feita abordagem nesse sentido porque o NAM tem a correr outro projecto que envolve o governo, tem incidência sobre o espaço da prisão da Caxias, está a ser negociado com o Ministério da Justiça e não quisermos sobrepor projectos. Mas, claro, não está posta de parte a hipótese de se tentar o envolvimento do governo, se necessário...

- Não deixa de ser uma obrigação moral de qualquer governo...
- Concordo. Muito se disse já sobre o futebol como elemento de alienação. Sem o querer negar, gostava de enfatizar o facto de a prática do jogo, bem como o espectáculo futebol, com a sua enorme dimensão cultural, estética, sócio-antropológica, política, poder, e dever, constituir real factor de educação cívica no seio da sociedade. O nosso bom Cândido compreendeu isso e por isso merece de todos nós a homenagem que o NAM quer fazer...

Sem a FPF, a memória atraiçoada...
José de Freitas-Branco garante: o projecto não é megalómano e os custos não são exorbitantes.
- Se a FPF chutar para canto a ideia o Monumento na Cidade do Futebol...
- Achamos que o projecto, pela sua filosofia, o seu simbolismo, a ideia do NAM deve ser financiada pela autarquia e pela FPF. O futebol é hoje uma indústria que move milhões e para a FPF creio que não seria um investimento significativo, porque não estamos a falar de um projecto megalómano, que tenha custos exorbitantes...

- Não teme, porém, que no silêncio que tem recebido da FPF possa haver algum indício de contravapor - ou mesmo de uma forma de negação em particular na ideia?
- Não posso acreditar nisso.

- Porquê? Porque, fazendo-o, a FPF estaria a atraiçoar a memória de Cândido de Oliveira, a sua figura, o que ele representa?
- Julgo que não há nenhuma decente direcção da FPF que possa não simpatizar com a ideia de ter à entrada da Cidade do Futebol um monumento evocativo de Cândido de Oliveira e dos valores nele encarnados - independentemente das posições políticas que hoje se possam ter. Cândido de Oliveira é, aliás, figura digna, consensual, uma personalidade marcante no Portugal do século XX, um residente empolgado sem conotação partidária, um incansável lutador pela Liberdade e pela Democracia. Por isso, sofreu, por isso pagou preço que se sabe. E, 'last but not least', ainda não recebeu a devida homenagem nem o reconhecimento nacional que merece.
Do 'pântano da morte' à rotunda
O dinheiro que o governo de Salazar lhe roubou e a desculpa da doença que o desviou do Brasil...

Depois de quatro meses preso em Caxias, a 20 de Junho de 1942 Cândido de Oliveira foi embarcado no paquete Mouzinho com destino ao Tarrafal, construído em Cabo Verde à imagem de campos de concentração nazis. Por mais de uma vez, a embaixada inglesa exigiu ao governo de Salazar que o libertasse. Sem resposta, os SOE idealizaram raptá-lo de lá.
Na primeira vez gizaram plano que previa recurso a um barco francês - mas como Lionel Oliveira, o irmão de Cândido, era comandante de navio mercante, o Alfarrarede, ofereceu-se para ser ele a fazê-lo. Decidiu-se que a operação largasse cabo a 22 de Fevereiro de 1943, horas antes, por indicação do embaixador inglês foi «estrategicamente suspensa».

Plano para a fuga do Tarrafal...
Tentou-se outra, entretanto. Que, com a ajuda de um guarda, Cândido de Oliveira fugisse do campo do Tarrafal a nado do forte, a caminho dum salva-vidas que se lhe lançasse, pela calada da noite, sendo, depois, os dois resgatados por um navio da Royal Navy - deixando o bote com o casco para cima sugerindo que tinham morrido afogados. Cancelou-se também - porque Salazar decidira abrir os Açores aos Aliados e prometera aos ingleses soltar todos os envolvidos na Rede Shell, ao perceber que a sorte da guerra se inclinara para os Aliados...
Do Tarrafal voltou, assim, Cândido de Oliveira a 31 de Dezembro de 1944. Levaram-no ao Júlio de Matos - para «quarentena da febre amarela» e «análise de estado psíquico». Após seis dias no referido para hospital foi transferido para o «Depósito de Presos de Caxias». Para cada mês na cadeia exigiram-lhe 1500 escudos para «pagamento do quarto e da alimentação» (sim, os presos políticos tinham de suportar o cárcere e o resto...) e só a 27 de Maio o restituíram a liberdade condicional.
Quando o deportaram tinha 35 contos de economias, o Estado apoderou-se delas por achar que era «dinheiro da espionagem». Salazar deu-lhe a soltura mas manteve-lhe a exoneração de Inspector Geral dos Correios. «Arruinado» e «sem trabalho», sugeriu ao SOE que lhe arranjasse «qualquer coisa no Brasil». Arranjaram - e marcaram-lhe viagem para os primeiros dias de 1945. Não partiu, queixou-se de problemas de saúde. Não, não foi bem por isso que não partiu, foi porque outro sonho se lhe ateara, noutro sonho de envolvera - com Vicente de Melo e Ribeiro dos Reis na fundação de A BOLA.

Auschwitz de via reduzida
Do Tarrafal saíra, com livro na cabeça. Escreveu-o, magistral, na denúncia dos seus horrores - é O Pântano da Morte. (Obviamente só foi publicado em 1974). Numa das suas páginas, ao Tarrafal chamou Auschwitz de via reduzida. Arrepiante é o que conta sobre a famosa Frigideira e não só... (Vá lá, Cândido não passou por suplícios como outros passaram, a ele tiveram-no preso em «regime especial», fora do «arame farpado». Davam-lhe uma pequena área para passear e só era fechado das 8 da noite às 5 da manhã...)

O simbolismo da rotunda
Perguntando-lhe se, por um acaso (ou não...), a FPF não participasse no financiamento do monumento com Cândido de Oliveira na rotunda da Cidade do Futebol, isso o feria de morte (e lhe atraiçoava a memória) Freitas-Branco afirmou:
- Eventualmente. Porém, quero acreditar não haver tão grande risco, em face do empenhamento que tenho observado da parte do Dr. Paulo Vistas, presidente da Câmara de Oeiras, e do consenso entre as forças políticas na autarquia. Mas acredito que a FPF não deixará de se associar ao que é fundamental: fazer-se num local carregado de simbolismo, a homenagem a uma personalidade singular, a Cândido de Oliveira. Fazendo-o, estamos a enaltecer a atitude e o espírito pró-democrata, pré-liberdade, pró-desenvolvimento, pró-progresso, celebrando, do mesmo passo, o gesto libertador que ocorreu naquele local, em 1974, e que marca a história do Portugal contemporâneo."

António Simões, in A Bola

Talvez o maior benfiquista em Hollywood

"(...)
- Por sugestão sua conversamos em Sintra. Escolheu o local por ser perto da sua casa ou por sentir aqui - onde de resto já muitos filmes foram rodados, até com reflexo hollywoodesco, como A Nona Porta de Romam Polanski, com Johnny Depp - alguma energia cinematográfica?
- Foi mesmo por ser perto de casa. Moro em Ranholas. Até podíamos ter conversado lá em casa mas esteve a chover e está tudo sujo no jardim. Sou amigo do dono deste restaurante onde estamos. Venho cá muitas vezes e acaba por ser também onde recebo amigos quando estou em Portugal. Sintra, lá está, como disse, tem uma magia qualquer. Uma solidão. Não tenho vizinhos, o que é fantástico. Em Santa Mónica, nos EUA, vivo num condomínio mesmo em frente à praia mas sempre cheio de gente.

- Em Portugal é famoso; nos EUA, apesar de muitos anos de carreira, pela dimensão do mercado a exposição é menor. Ao viajar entre os dois países passa de um Joaquim Almeida para outro?
- As pessoas aqui na terra que me conhecem não param para conversar. O português é tímido. O espanhol é pior, chamam-te para ires com eles. Aqui notam quando passo, ouço o meu nome, normal. Quando isso deixar de acontecer, ou um pedido de autógrafo, é porque não estamos a trabalhar e isso será bem pior. Ocasionalmente ouço actores de novela afectados com isso e lembro-lhes que devem aproveitar, porque passam a fronteira e ninguém os conhece. Na Califórnia as pessoas estão tão habituadas a ver actores e actrizes que nem ligam, não se espantam.

- Há muito que terá deixado de se sentir emigrante na América?
- Eu tenho nacionalidade americana. Sinto-me em casa lá também. Tenho dois passaportes. O americano, porém, só uso para entrar e sair dos EUA. Claro que se um dia me vir nalgum sarilho muito longe de casa uso o americano para pedir ajuda, porque desconfio que a embaixada americana me resolverá o problema mais depressa... Mas sinto-me muito português ainda, não me sinto americano.

- Cumpriu o sonho?
- Cumpri. E estou outra vez a trabalhar bastante. Tem a ver com a idade. Estou a chegar aos 60 e estão a dar-me papéis outra vez. E há menos concorrência, porque alguns actores, envelhecendo, deixam de representar. Mas sou um refilão, quando não tenho trabalho refilo porque não tenho trabalho e quando tenho refilo porque tenho.

- Pela sua versatilidade e fluência linguística trabalha em vários circuitos, uns de maior exposição, como o de Hoolywood - Our Brand Is Crisis - foi o último filme, com Sandra Bullock e Billy Bob Thornton -, e outros menos populares, na Europa. O que prefere?
- Gosto mais de fazer cinema, europeu ou americano, só isso. O futuro está na televisão, nas séries, há mais trabalho, mais actores a representar. Mesmo agora estou a filmar um filme em Londres.

- Que filme?
- De acção. Estou a fazer de francês. Chama-se The Hitman's Bodyguard. O assassino é o Samuel L. Jackson, o Ryan Reinolds é o guarda-costas. Há uma julgamento em Haia, uma testemunha num processo contra o presidente da Bielorússia, interpretado pelo Gary Oldman... Eu faço de agente da Interpol mas sou 'toupeira', infiltrado...

- Ao longo dos anos quantas dessas estrelas foram ficando amigos ou amigas?
- Na verdade não tenho muitos amigos actores. No meio são sobretudo realizadores, directores de fotografia, câmaras...

- Por princípio?
- Os actores falam muito da profissão. Chateiam-me.

- Nunca entrou num filme sobre desporto. Porquê?
- Nunca calhou. Mas nos do Joaquim Leitão há sempre cenas em que tenho de fazer de adepto do Sporting. Ele faz de propósito, porque sabe o benfiquista que eu sou...

- Custa-lhe assim tanto entrar nesse personagem?
- Um bocadinho mas tudo bem, é trabalho. E uma vez - agora me recordo - estive quase para entrar numa série nos EUA, do Robert Rodrigues, que envolvia futebol. Mas depois achei que não fazia muito sentido.

- Como era?
- Era sobre um polícia que se infiltrava no futebol - no soccer, portanto - para investigar a corrupção do dono da equipa. Mas era um polícia já com 25 anos que de repente começava a jogar... Achei irrealista, os jogadores começam desde miúdos. E quem o ensinava era uma jogadora de futebol feminino, que tinha mais experiência.

- A verdade é que nos EUA a equipa de futebol com títulos mundiais e medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos é a feminina...
- Sim, tudo bem, mas entrar numa equipa com 25 anos era impossível, não fazia sentido.

- Não há muitos filmes bons sobre futebol, se pensarmos bem...
- Tem razão. Olhe, sou amigo do Ron Shelton, que fez muitos filmes ligados a desporto, o 'White Man Can't Jump' e o 'Bull Durham', com Kevin Costner, filmes sobre basquetebol e basebol. E ele fez também filmes sobre pugilismo - nesse tema há muitos claro. Mas futebol, realmente, nem por isso.

- Vi há pouco tempo o Dammed United, sobre a passagem efémera do Brian Clough pelo Leeds, antes de rumar ao Nottingham Forest para ser bicampeão europeu. Muito interessante. A propósito de Nottingham Forest e os fenómenos desportivos, acompanhou com certeza a vitória do Leicester na liga inglesa.
- Claro que sim. Nos EUA, em LA, não consigo ver muitos jogos do campeonato português. E não me interessa, confesso. Lá vejo as ligas inglesas, espanhola, sobretudo. E o Benfica na Champions. De resto, sigo o Benfica pela Net. E vou ver os jogos quando estou em Portugal. Mas a liga inglesa, com competição, é a mais excitante de todas.

- A casa do Benfica mais próxima é em São José, ainda na Califórnia mas mais próxima de São Francisco. Não lhe fica em caminho...
- É longe. Mas, mesmo à distância, o benfiquismo, não esmorece.  Um homem não muda de Clube.

- Falávamos do Leicester como fenómeno europeu mas nos EUA, pela forma como o desporto se organiza - com franchises, drafts, tectos salariais -, a alternância de ciclos é quase regra...
- Está tudo organizado para o espectáculo. Quando se sabe quem ganha não é tão espectacular. No desporto dos EUA nada parece tão emocional do ponto de vista de quem organiza as provas. O que se quer é espectáculo. O que se torna pessoal e emotivo são as histórias, os símbolos, os jogadores. Agora vive-se muito a história do, o melhor de todos, como se chama...

- O Steph Curry?
- Não, não - como é possível esquecer o nome? -, o dos Cavs!

- O LeBron.
- O LeBron James, claro, que depois de Miami voltou para a terra dele e isso está a ser vivido com emoção por quem gosta dos Cavs. Mas na organização tudo é feito para não haver desigualdades. No enquadramento do futebol europeu o que o Leicester fez é heróico. E o clube vai ficar rico.

- Escrevia há duas o Wall Street Journal que em 2018 o Leicester, com o dinheiro da Champions e das transmissões televisivas, vai estar entre os 20 mais ricos do Mundo.
- A sério? Impressionante. Nos EUA o soccer também está a ganhar força.

- Soccer? Já corre o risco de começar a chamar soccer ao futebol?
- Lá tenho de chamar...

- Vive em Santa Mónica, na Califórnia. Acompanha alguma equipa da cidade? Ou de Los Angeles?
- Já fui ver os Lakers. Mas este ano estiveram mal. E LA vai voltar a ter um franchise de futebol americano, o que é entusiasmante. Passarei, pela lógica, a torcer um pouco por essa equipa também. E de vez  em quando acompanho as finais dos Kings no hóquei no gelo. No basebol gosto dos Angels e dos Dogders - estes já foram de Broollin, o que é estranho. Mas no basebol, na verdade, continuo fã dos Giants e dos Jets, de Nova Iorque. Quando fui para os EUA vivi 27 anos na cidade e não esqueço isso.

- No futebol o LA Galaxy não lhe diz nada?
- Não. Mas o clube é gigantesco. E não só esse. Os estádios andam sempre cheios. Cada vez mais. É incrível o crescimento e o investimento.

- Santa Mónica tem uma lendária comunidade surfista e é também um berço do skateboarding. Nunca se deixou influenciar por actividades radicais?
- Nem por isso, confesso. Gosto de sol, da praia, do clima. Só isso.

- Quando o Abel Xavier jogou em LA chegou a cruzar-se com ele?
- Claro. Quando ele chegou e combinámos o primeiro almoço eu disse-lhe que vivia em Santa Mónica e ele quis ir ter comigo. Primeiro enganou-se no caminho; tive de ficar à espera de o ver na estrada, mas estava com receio de não dar por ele no meio do trânsito... Que ingenuidade minha... Era impossível não ver chegar o Abel Xavier com aquele cabelo amarelo num Bentley branco de estofos vermelhos. Jantámos uma vez vezes num restaurante italiano em Santa Mónica. É uma pessoa, interessantíssima, muito inteligente. O penteado é estranho, porém. Muito LA, por sinal.

- Tendo nacionalidade norte-americana, imagino que possa votar nos EUA?
- Sim. Estou inscrito no partido democrata. Acho que a Hillary acabará por ascender e ganhar. E as pessoas hoje estão mais conscientes do óptimo trabalho que o Obama fez. Foi um dos melhores.

- Sobretudo ao nível da imagem internacional. Mas persistem problemas internos.
- Mas desculpe: há hoje menos desemprego do que quando ele chegou, o Dow Jones valorizou, a economia está a funcionar outra vez. Disse que tirava militares de cenários de guerra e tirou. Na Síria está a tentar resolver o problema mas não entrou em mais guerras, saiu de guerras! Acontece sempre o contrário com republicanos no poder. O Trump tem piada na televisão mas como presidente deixaria de a ter.

- Choca-o o discurso anti-islâmico, anti-hispânico, anti...
- Antitudo! Claro que fico. Reconheço que ele, por não ser político, fala de maneira que chega a uma classe menos educada. Veremos o que acontece no Midwest quando chegar o tempo das eleições nacionais.

- Esses estados costumam ser decisivos pelas oscilações.
- Sim. Eu nunca esperaria ver Trump chegar tão longe. Acho que, no fim, ele não ganhará, porque alguns republicanos mais conservadores votarão Hillary. E espero até que esta influência de Trump divida os republicanos de maneira a que o Congresso e o Senado tenham maioria democrática.

- Que Obama não teve.
- Ele não fez mais porque não deixaram! Mas deu seguros de saúde a 30 milhões de americanos, agilizou processos de criação de empregos e empresas com incentivos. Ao contrário do que acontece em Portugal -  e sei bem, porque tive negócios e alguns ainda estão em tribunal. Aqui em Portugal, se alguém abre um negócio é para lhe caírem em cima! E se por acaso o negócio correr bem pior ainda! É melhor se o negócio lhe correr mal... Lá o envolvimento é diferente, sobretudo na política. Ainda por cima nós portugueses falamos muito dos outros estereotipamos tudo, como essa ideia dos americanos serem burros em geografia por não saberem onde é Portugal no mapa. Queria ver o português médio localizar os estados dos EUA no mapa... E a maior parte são maiores que Portugal."

Entrevista de Miguel Cardoso Pereira, a Joaquim de Almeida, in A Bola

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Superheroes !!!

Está em curso a era de Fernando Gomes

"Fernando Gomes, reeleito presidente da FPF, simboliza uma era de profissionalismo e competência. O futebol português vai longe.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi a votos e Fernando Gomes, candidato único, foi reeleito com 92 por cento dos sufrágios. Por um lado não deixa de ser relevante que, para um lugar tão apetecível, ninguém tenha querido confrontar Gomes; por outro, a votação obtida revela, de facto, o estado de espírito do futebol português, indiferente ao ressabiamento pessoal de quem se deixou ultrapassar pelo tempo e sente que este se lhe escapa, irreversivelmente, como areia, por entre os dedos...
Tenho memória e não posso, aqui e agora, deixar de lembrar como foi positiva para a FPF a gestão de Gilberto Madail. Que abandonou o palco no momento certo e abriu caminho à modernidade que Fernando Gomes representa. Hoje, percebe-se que o futebol português tem um rumo definido, a Selecção A, essencial para alimentar o projecto, está bem e recomenda-se e todas as outras representações nacionais são geridas com sabedoria e acrescentam mais-valia ao bom trabalho feito na formação dos clubes. Também o futebol não profissional está numa fase de crescimento, com a meta dos 200 mil praticantes definida como prioridade. Há que melhorar na arbitragem - somos pioneiros no protejo mundial do vídeo-árbitro e vamos passar a publicar os relatórios dos árbitros - e na disciplina, quiçá o capítulo que parou no tempo, não percebendo a dinâmica que as competições profissionais exigem.
Pelo que fez em Portugal e também pelo que mostrou na Europa, abriram-se a Fernando Gomes as portas de Nyon. Porém, por entender que o trabalho, por cá, ainda vai a meio, o presidente da FPF decidiu não avançar para a liderança da UEFA. Por um lado, ainda bem. Por outro... que pena!

Sport Benfica e Modalidades
O Benfica tem feito uma aposta coerente nas modalidades e, apesar de, na temporada corrente, apenas ter sido campeão nacional no hóquei em patins (falta jogar o futsal... ), esteve nas finais até à negra - do basquetebol (ganhou o FC Porto), do voleibol (ganhou o Fonte do Bastardo) e do andebol (ganhou o ABC). Esta realidade, complementada pelo labor de Ana Oliveira no atletismo e pelo projecto olímpico de que Nélson Évora e Telma Monteiro são cabeças de cartaz, mostra que nem só de futebol vive o benfiquismo. Um ecletismo que só engrandece o clube.

O mito de Jesus também se alimenta de gafes
«O único campeonato da Europa que está em andamento é o brasileiro...»
Jorge Jesus, Treinador do Sporting
Jorge Jesus nunca teve grandes filtros verbais. E não é de hoje, por estar rico e ser famoso. Quando treinava Amora e Estrela da Amadora tinha as mesmas desinibição linguística, liberalidade gramatical e desencontro com a realidade que lhe reconhecemos na actualidade. Fica aqui o registo da mais recente gafe, antes de comentar, sem papas na língua (Hodgson...), o Inglaterra-Portugal.

(...)
Eterno Ali
O maior, morrei. «Deus deu-me a doença de Parkinson para me lembrar que sou um homem como os outros, com todas as fraquezas inerentes». Muhammad Ali, nascido Casius Clay, campeão de boxe, ícone anti-racista, modelo anti-belicista, agitador de consciências, vai continuar a «voar como uma borboleta e a picar como uma abelha», irreverente na eternidade como quando, um dia, disse ao ditador Marcos das Filipinas: «Você não é tão burro como parece. Já vi a sua mulher...» Hoje, o mundo chora Ali. The Graetest.

Quando a morte bate à porta do desporto
É com indesejada frequência que somos recordados dos perigos do desporto motorizado. A páginas tantas somos tentados a pensar que pilotar a alta velocidade não tem riscos. Puro engano. Na última sexta-feira morreu o espanhol Luís Salom. Tinha 24 anos e era rival do nosso Miguel Oliveira. Que desperdício..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CXXVI)

Portugal...

domingo, 5 de junho de 2016

Recordar 90/91 !!!

Empate...

Sporting 1 - 1 Benfica

Silva; Pinheiro (Koné), Álvaro, Silva, Frimpong (Embalo), Florentino, Gedson, Soares; Félix, Santos (Pinto); Dju

1.ª parte fraca, 2.º tempo melhor, e com muito desperdício da nossa parte...
Sem o Jota e sem o Zé Gomes... Parece que este Campeonato vai-se decidir nos jogos com os Corruptos, seria preferível contar com todos... a provável convocatória do Zé Gomes para o Euro de sub-19, pode atrapalhar!!! O próximo jogo no Seixal, pode ser decisivo...

Benfica............4
Corruptos.........4
Sporting...........1
Braga..............1


PS1: João Ribeiro conquistou outra medalha de Ouro na Taça do Mundo de Montemor-o-velho, desta vez no K2 500m, ao lado do Emanuel Silva (na véspera tinham vencido no K2 1000m).
A Teresa Portela e a Joana Vasconcelos acabaram por falhar o pódio, mas a Joana fez algumas finais! O K4 masculino, também falhou as medalhas ficando em 4.º lugar...

PS2: Em São Petersburgo, os Iniciados A, continuam a vencer torneios... mesmo sem o Umaro que ainda hoje fez alguns minutos no derby dos Juvenis!!!

PS3: Decorreu hoje, no Pavilhão 2, mais uma edição da Gimnáguia. A grande festa da secção de Ginástica do Benfica, uma das secções que envolve mais gente, normalmente com pouca visibilidade!

PS4: Tal como escrevi a semana passada após a vitória do Braga contra o Sporting no Futsal, o mais provável seria mesmo a qualificação do Sporting. E foi isso que aconteceu. Tudo normal.
A anormalidade foi o que se passou no Pavilhão, onde tudo serviu para condicionar o adversário, chegaram mesmo a atirar cadeiras para dentro do recinto... além das habituais ofensas e cuspidelas para o banco; com a rede por trás da baliza a ser destruída; 3 expulsões perdoadas aos Lagartos; e com uma chuva de objectos em cima da área do Braga... tudo isto para a RTP, 'faz parte' !!!
Depois do que aconteceu o ano passado, a probabilidade de haver jogos da Final a não chegar ao fim, é extremamente elevada...

Acreditar e sonhar

"1. Com as eleições de ontem inicia-se um novo mandato na Federação Portuguesa de Futebol. É o tempo da consolidação da obra - e digo obra em pleno sentido - do Doutor Fernando Gomes e da sua equipa directiva. Com nomes relevantes, agora, como suplentes da Direcção. É o momento, igualmente, de afirmação de novas lideranças no Conselho de Arbitragem e no Conselho de Disciplina, os dois órgãos sujeitos a maior escrutínio e, logo, a maior crítica na estrutura orgânica federativa. As principais linhas estratégicas deste mandato foram, e bem, a tempo, delimitadas. No imediato os novos órgãos terão três matérias que prenderão, em diferentes níveis, a agenda mediático-desportiva: a denominada semanticamente «questão Gil Vicente» e a consolidação, ou não, da decisão judicial que fará regressar o clube à primeira Liga; a problemática dos convocados na modalidade futebol para a comitiva portuguesa aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e, por último, o teste, entre nós, do vídeo-árbitro. Com a consciência que nestas, como em outras matérias, se conjugarão, sempre, o bom senso com a boa vontade.

2. No próximo fim de semana arranca, plenamente, o Europeu de futebol em França. Estamos, por ora, na fase dos jogos de preparação. Renhidos alguns. Com instantes imprudentes outros. E, entre nós, aguardando a chegada, hoje mesmo, do capitão Cristiano Ronaldo e do Pepe. Um Europeu numa França ainda com muita água em diferentes locais e com inúmeros problemas e conflitos. Mas este é um Europeu que envolve 24 selecções, ou seja, onde estão representadas quase que metade dos Estados - com algumas nações desportivas! - desta Europa cada vez mais dividida e à espera dos resultados do referendo inglês referente à sua permanência - ou não - no espaço da União Europeia. São 24 selecções e, no conjunto, 552 jogadores. E com algumas singularidades. Toda a selecção islandesa - um dos nossos adversários na fase de grupos - joga em clubes estrangeiros. Diria é estrangeirada! E, pelo contrário, toda a selecção inglesa joga em clubes ingleses. É uma selecção interna. Diria, em certo sentido, local! Quase toda a selecção austríaca - todos menos um, o guarda redes Robert Almer do Áustria de Viena - também joga no estrangeiro e quase toda a selecção russa - menos, agora, o diríamos alemão do Schalke, Roman Neustadter - joga em clubes locais, ou seja russos. Também todos os jogadores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte actuam fora dos respectivos campeonatos. Mas a maioria em campeonatos próximos. Serão, assim, estrangeiros próximos! O que significa que a especificidade britânica tem três selecções em França: a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte. Só falta, em rigor, a Escócia! E a maior parte das selecções apuradas para este Europeu integra, em maioria - maioria em vinte e três! - jogadores a actuar fora de clubes participantes na respectiva liga nacional. Na nossa quinze jogadores actuam em clubes não portugueses. E a nossa Liga cede a este Europeu 10 jogadores. Casillas por Espanha, Lindelof pela Suécia e os restantes oito originários de quatro clubes portugueses: Sporting, Benfica, Porto e Braga. Na selecção espanhola já são só nove estrangeiros e sete deles integram a denominada armada inglesa. Do David de Gea ao David Silva. E lá encontramos o alemão Thiago Alcântara e o italiano Morata. Como, agora, na selecção italiana - sempre profundamente cínica na sua arte do jogo - são cinco estrangeiros repartidos entre a Liga inglesa (3) e a francesa (2). Como, ainda, a turca com sete jogadores fora da Turquia repartidos estes entre a Liga alemã (3) e, também, e já com envolvimento na crescentemente relevante Liga chinesa. Com o Burak Yilmaz. Verificamos, ainda, que na forte selecção anfitriã apenas cinco jogadores actuam na liga francesa e nos estádios que vão acolher este Europeu e que a grande maioria dos jogadores aderiu à milionária liga da Europa, a Liga inglesa. Como se o túnel da Mancha também servisse para fazer uma ligação mais rápida entre estes dois rivais, a Inglaterra e a França! Constatamos, assim, que as ligas mais ricas são dominadas por jogadores internos. As selecções inesperadas - basta recordarmos a não presença holandesa! - integram só estrangeirados. E as ligas intermédias, como a portuguesa, combinam o elemento interno com o externo. A questão é saber, em definitivo lá para o final do mês de Agosto, se alguns dos nomes que estavam no lado interno não passarão, fruto das exibições e (ou) da fragilidade de tesouraria de clubes titulares dos seus direitos desportivos, para o lado externo. Ou seja se não foram, para alegria de uns e angústia para outros, objecto de emblemáticas transferências. Em que só a título totalmente excepcional o valor da comissão seja superior ao valor anunciado da transferência...

3. Convém acompanhar e ler as alterações relevantes às regras do futebol. O poder do futebol nestas matérias, o International Board, desencadeou uma pequena revolução. A diferentes níveis. Do terreno do jogo aos poderes dos árbitros. As novas regras aí estão. Tal como a título experimental o vídeo-árbitro. Mas, apesar delas, continuará a haver paixão e discussão. Com elas e com ele não deixará de haver debate e controvérsias. Com elas e com ele não baixará a febre do futebol. Em que cada um é treinador e árbitro. Na bancada e no sofá. Sozinho ou em família. Ou em grupo. E sempre com diferentes tácticas e com as regras sempre vistas consoante as cores de cada um. Ou, cada vez mais, de cada uma! O que faz do futebol um grande espectáculo e quase que uma religião! Com crentes e pecadores.

4. Acredito em Fernando Santos. Nas suas escolhas. E, aqui, importa acreditar. Acreditar que é possível sonhar!"

Fernando Seara, in A Bola

As novas leis do futebol

"Para um início mais ligeiro, começaremos por falar de leis; mas das leis do Futebol. A International Football Association Board (IFAB) procedeu a uma extensa revisão às Leis do Jogo, introduzindo várias alterações que entraram em vigor no passado dia 1 de Junho e vigorarão já a partir da época 2016/2017.
Umas não assumem grande relevância no modo como a partida se desenrola, como é o caso da possibilidade dos guarda-redes usarem bonés ou a cor da roupa interior dos jogadores. Outras têm maior importância dentro das quatro linhas, caso da não consideração da posição das mãos e/ou braços do jogador para avaliar a posição de fora de jogo e, em paralelo às alterações às Leis do Jogo, a introdução do vídeo-árbitro, em que Portugal será um dos pioneiros.
Algumas alterações terão, contudo, um impacto significativo também fora do campo de jogo. Por exemplo, a possibilidade do árbitro impedir um jogador de alinhar na equipa se este cometer uma falta grave antes do início de jogo ou o facto das faltas ou ofensas a adversários, treinadores e até árbitros poderem ser sancionadas com livre directo ou mesmo com marcação de grande penalidade.
As novas regras irão suscitar questões relevantes do ponto de vista de justiça desportiva. Desde logo, sendo Leis do Jogo, a sua aplicação será contestada junto das instâncias jurisdicionais federativas ou gerar-se-ão ainda mais casos de fronteira, sendo dúbio se casos como estes podem ser submetidos a julgamento no TAD por aplicação de normas semelhantes previstas nos Regulamentos Disciplinares?
Eis um exemplo de que, ao falar de leis de jogo, também se fala de Direito do Desporto."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Excitações e depressões

"Um verão desportivo sem casos jurídicos no futebol não é bem a mesma coisa. Até parece que se faz de propósito, certamente no intuito de animar as hostes até que a bola comece novamente a rolar, entre as habituais animações de contratações e vendas. Este ano, uma vez mais, as praias e as piscinas estão garantidas com direito e mais direito no desporto-rei. Assim seja.
Por um lado, esperam-se desenvolvimentos em processos disciplinares desportivos que na Liga e na FPF apurem a existência de alegadas práticas de corrupção nos jogos da 2.ª Liga e, eventualmente, da 1.ª Liga - o que se arquiva e o que se converte em processo disciplinar e subsequentes acusações?
Por outro lado, aguarda-se que a justiça desportiva se pronuncie sobre a existência ou não de novos factos resultantes da prova que fundamentou a condenação criminal recente de um ex-dirigente do Sporting, tendo em vista o apuramento de eventuais ilícitos desportivos que não foram julgados em anterior processo desportivo - será que há algo de novo e relevante para a abertura de novo processo?
Por fim, espera-se para ver qual a decisão da FPF depois de receber a sentença de declaração de nulidade da deliberação do CJ que, em 2006, confirmou a descida de divisão do Gil Vicente tendo por base o recurso aos tribunais do Estado - vai a FPF litigar até ao fim das instâncias judiciais ou deixa transitar a decisão e remete nova deliberação para o CJ actual? E, se assim for, o que fará o órgão jurisdicional de recurso perante a consolidação dos efeitos desportivos determinado pelo "caso julgado" previsto na lei? Fará distinções? Ou acabará tudo num "entendimento" extrajurídico, politicamente determinado e monetariamente consensualizado? Boas férias! Com tudo a que temos (D)ireito!

P.S.- Depois do dérbi para a Taça de Portugal realizado em Novembro, depois das denúncias de Sporting e Benfica relativamente a condutas televisionadas dos jogadores da equipa adversária, depois do grosseiro desconhecimento de um processo sumário "em flagrante delito" a resolver em prazo curto, tivemos, mais de seis meses depois, a deliberação do Conselho de Justiça sobre uma dessas denúncias (Slimani), sendo que não estou certo que as denúncias sobre os atletas do Benfica se tenham já finalizado no vaivém entre CD e CJ. Para memória futura, aquela pronúncia do CJ, entre contradições manifestas e equívocos técnicos e regulamentares, entra sem mais no baú federativo dos acordãozinhos (bem) deprimentes. É obra!"

Benfiquismo (CXXV)

A apresentação do Troféu General Craveiro Lopes,
após a vitória por 2-8 sobre os Corruptos,
na inauguração do Estádio das Antas,
em 28 de Maio de 1952

Para continuar...

sábado, 4 de junho de 2016

Obrigação cumprida...

Benfica 4 - 1 Burinhosa

O mais importante era garantir a passagem à Final e isso foi conseguido! Num jogo com um 2.ª parte demasiado em 'gestão' da nossa parte!
Henmi em grande hoje, em praticamente todos os lances decisivos!
2-0 no Futsal é curto, devíamos ter procurado o 3.º golo com mais insistência.
Nos últimos 40 segundos tivemos 3 golos, primeiro para a Burionhosa reduzindo para 2-1, mas logo a seguir marcámos mais dois!!!

Desnecessárias as reacções dos nossos jogadores às provocações dos jogadores e treinador da Burinhosa. Os únicos potenciais prejudicados, seríamos nós!!!

Os Lagartos empataram hoje a eliminatória com muita dificuldades. Têm melhor plantel no papel, mas não são invencíveis... mas temos que ter mais cabecinha!

Os jogadores não mereciam...

ABC 32 - 30 Benfica
(13-16; 28-28)

É bom recordar que esta época, correu muito melhor, do que as melhores expectativas no inicio da temporada. Apesar desta realidade, é impossível não ter um amargo de boca com esta Final perdida...

Foi mais um daqueles triunfos dos porcos, onde valeu tudo, principalmente neste 3 últimos jogos. Hoje, voltámos a ter uma arbitragem inacreditável nos últimos minutos do tempo regulamentar... Para o Benfica ganhar um jogo no tempo regulamentar tinha que entrar com 10 golos de diferença nos últimos 5 minutos, porque senão haveria sempre maneira de igualar o resultado... Hoje a 'estratégia' foi marcar faltas ofensivas ao ataque do Benfica nos últimos minutos, enquanto do outro lado, se marcava golos atrás de golos, com claras faltas ofensivas que não eram assinaladas!!!
Quando uma equipa como o ABC acaba com 3 exclusões um jogo com prolongamento, quando no resto do ano, tem sempre mais de 7 exclusões por jogo, fica bem claro qual o critério usado...

Cometemos alguns erros, principalmente no ataque, mas os outros também se fartaram de cometer erros (falharam 4 Livres de 7 metros por exemplo...!!!)...
Perdemos este jogo quando 'permitimos' o empate no tempo regulamentar, no resto tivemos sempre por cima... mesmo sem o Borragán!

O grande problema é que para o ano, já não haverá Play-off, vamos voltar ao formato 'ideal' para os Corruptos serem Campeões consecutivamente!!! E com as contratações já anunciadas, parece que vamos ter um dos 'melhores' campeonatos da Europa!!! A nossa aposta tem que continuar a ser nos nossos jovens da Formação, mesmo com as alterações ao limite de estrangeiros que estão previstas, a 'pedido' dos do costume!!!

Gestão !!!

Sanjoanense 5 - 10 Benfica

Novamente em modo 'gestão', vitória, mas com muitos golos sofridos...
Eu sei que estamos em 'preparação' para a Taça de Portugal, mas se calhar a melhor preparação era manter os níveis de intensidade e concentração no máximo...
Na última jornada recebemos a Oliveirense, suspeito que venham com muita 'raiva', portanto...

PS: Parabéns ao João Ribeiro, que no K2 1000m com o Emanuel Silva, conquistaram a medalha de Ouro, na Taça do Mundo de Montemor-o-Velho.
A Joana Vasconcelos, ficou em 7.ª na Final do K1 200m...
Amanhã temos mais Finais...

Juniores - 14.ª jornada - Fase Final

Guimarães 0 - 0 Benfica

Acabou...

Com 10 é que é bom

"Que pena o golo tardio da Inglaterra na noite de quinta-feira no novo campo de Wembley, a sempiterna catedral da derrota do futebol português. Não porque a selecção portuguesa justificasse outro desfecho. Na realidade, pouco ou nada fez por isso. Mas porque jogando com menos um do que o poderoso adversário durante 50 minutos, a equipa portuguesa viu-se autorizada pelas circunstâncias a enveredar por aquilo que melhor sabe fazer: a abdicação do ataque em função da necessidade patriótica de não sofrer golos.
Quase ia resultando, mas a cinco minutos do fim os ingleses marcaram e, pronto, lá voltámos de Londres com uma derrota tangencial em vez do empate empolgante que esteve à beira de acontecer. A verdade é que a Selecção esteve bem melhor com 10 do que com 11 em campo. Se calhar mais nos valia jogar o Europeu todo sempre com 10, de modo a cumprirmos com honradez e sem achincalhos a iminente campanha francesa. Mas, atenção, desde que nenhum desses 10 seja, obviamente, Renato Sanches, que ainda é jogador do Benfica até ao final deste mês.
O futuro jogador do Bayern Munique teve direito a jogar os últimos 20 minutos em Wembley e fez, enfim, um bocadinho de diferença. Foi da sua criação o único lance de perigo para a baliza inglesa, oferecendo a Ricardo Quaresma a hipótese de fazer um golo que seria tão imerecido como fabuloso. A breve presença de Renato Sanches em campo desencadeou uma onda de comentários, entre o favorável e o entusiástico, na imprensa internacional, mas a verdade é que, em França, dificilmente Fernando Santos optará por lançar desde o início o jovem jogador, com justificado receio de uma ruidosa bateria de comunicados e de protestos institucionais que venha minar a tranquilidade no país e na Selecção.
A partir de 1 de Julho, quando Renato Sanches já for oficialmente jogador do Bayern Munique, terá o seu lugar mais do que certo na equipa nacional. Ou seja, para que ninguém se ofenda, só na condição de ex-benfiquista é que Renato Sanches pode jogar na Selecção. Como a fase decisiva deste Europeu entra pelo mês de Julho, isto se lá chegarmos, ainda vamos ter a oportunidade de o ver em acção aos 90 minutos de cada vez.
Até lá, insisto, deveria a Selecção jogar com 10, nem que Bruno Alves tenha de ser sempre titular para ser cirurgicamente expulso quando for mais conveniente às nossas aspirações."

Renato Sanches é um cavalo selvagem

"De repente, o jogo da selecção portuguesa transformou-se. A equipa estava a jogar apenas com dez jogadores, por culpa daquela entrada desmiolada de Bruno Alves, que lhe valeu a expulsão imediata do jogo, e as dificuldades de transição de bola eram cada vez mais evidentes. A coisa já não estava fácil, mesmo no tempo em que se jogava onze contra onze. A Inglaterra, impetuosa, batia como mar bravo numa rocha, sem jeito para entender o jogo, sem um assomo de criatividade atacante e não conseguia mais do que uma espuma leve e ineficaz.
Portugal parecia, pois, ter o problema defensivo bem resolvido, em Wembley. A dificuldade maior estava na segurança e na eficácia da posse de bola, ganha em zonas muito recuadas. A equipa tinha, então, poucas ou nenhumas linhas de passe e, sem vocação para um futebol directo, tornava, obviamente, muito pouco promissoras as suas imberbes e ineficazes iniciativas de ataque.
Durou uma eternidade a tentativa de soluções que permitissem a Portugal conseguir, enfim, ter a bola, fazê-la circular e criar, então, situações ofensivas perigosas atrás da linha de defesa da Inglaterra. Até que entrou Renato Sanches. Já havia 70 minutos de jogo e a substituição de Adrien por Renato parecia ser, apenas, uma daquelas substituições da rotina chata dos jogos de preparação. A verdade é que o miúdo de apenas 18 anos de idade entrou e o jogo ofensivo português deixou de ser maçadoramente cristalizado. Finalmente, Portugal tinha encontrado uma solução para a sua transição de jogo. Não porque tivesse encontrado uma maneira engenhosa de criar linhas de passe entre os seus jogadores do meio campo, mas porque Renato, com impressionante poder físico, conseguia, na posse da bola, acelerar o jogo, conquistar espaço aberto e, assim, obrigava o adversário a desmanchar o cerco que lhe permitia um ataque em permanência.
É notável que um jogador tão jovem entre em Wembley num jogo contra a Inglaterra e se torne não apenas visível, como marcante.
Pode dizer-se - e é verdade - que o jogo lhe ia, em pleno, nas suas características de cavalo selvagem, que se torna indomável quando pode correr à desfilada e tem tanto espaço na sua frente. Mas é notável a personalidade do jogador. Há quem diga que é a irresponsabilidade natural dos jovens, muito ligada a uma irreverência própria da idade. Não me parece que seja isso. Parece-me, mais, uma daquelas personalidades de jogador de futebol que não se impressiona com nada nem ninguém e cujo destino é vir a ser um dos grandes e pisar os maiores palcos do mundo.
Os pouco mais de vinte minutos que Renato esteve em campo deram, de Portugal, um retrato um bocadinho mais colorido, depois de setenta minutos a preto e branco. E a questão que agora se coloca é: terá sido suficiente para convencer Fernando Santos de que Renato merece um lugar, de início, no meio campo português?
Julgo que a resposta é não.
Pensarão alguns que esta minha previsão se baseia, apenas, no conservadorismo do seleccionador nacional. Mas não é verdade. Os jogos com a Islândia, com a Áustria e com a Hungria terão características diferentes desta apresentação com a Inglaterra. Se Portugal passar a primeira fase do Euro e encontrar grandes e fortes adversários, que se disponham a jogar em ataque continuado, então, sim. Caso contrário, aquelas características de jogo só acontecerão em momentos em que Portugal estiver em vantagem no marcador e, assim sendo, é perfeitamente aceitável e, se calhar, aconselhável, que Fernando Santos mantenha o onze que - ninguém duvide - já tem na cabeça utilizar."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: É engraçado verificar a diferença entre as opiniões de 'alguns', quando o Renato era 'somente' jogador do Benfica, e agora que é jogador da Selecção e do Bayern!!!
Não é preciso perceber muito de futebol, para verificar que existe uma diferença brutal entre o Renato e todos os outros médios da Selecção... mas não deixa de ser curioso, que 'alguns' só tenham chegado a essa conclusão, agora!

Ele é a lenda

"A 25 de fevereiro de 1964, Cassius Clay tornou-se o mais jovem campeão mundial da história do boxe. O homem que veio a chamar-se Muhammad Ali tinha apenas 22 anos quando derrotou o corpulento e superfavorito Sonny Liston, de 32, por KO técnico no final do sexto assalto. Os relâmpagos caíam duas, três, quatro vezes no mesmo sítio (no corpo do adversário) quando entrava no ringue. Morreu esta madrugada, com 74 anos
Esta não é a biografia de Muhammad Ali, mas a de Cassius Clay. Como em todas as outras, há nela um arranque, que é o arranque possível, pois a vida de Clay como a conhecemos começou aos 12 anos; e também há um remate, que coincide com a manhã em que Clay morreu para fazer nascer Ali.
Mas é entre o início e o fim que tudo o que realmente conta se conta: a história do pugilista que se esquivou de todas as previsões para conquistar o seu primeiro título mundial num combate lendário. Aconteceu há 50 anos, a 25 de fevereiro de 1964: Cassius Clay vs. Sonny Liston.

O ARRANQUE
Cassius Marcellus Clay, Senior era um tipo bem-apessoado, um negro que ganhava a vida a pintar cartazes no Sul da América. Tocava piano, bebia muito, era mulherengo e o melhor dançarino de Louisville, no Kentucky. Clay, Senior casou-se com Odessa Grady, mulata religiosa e neta de um irlandês, e da relação de ambos nasceram Cassius, em 1947, e Rudolph, no ano seguinte.
Eram quatro afro-americanos orgulhosos das suas raízes; sobretudo Cassius, Junior que não deixava uma provocação sem resposta.
Foi assim, aos 12 anos, que prometeu ao polícia Joe Martin que daria cabo do canastro ao ladrão que lhe roubara a bicicleta. “Talvez seja melhor aprenderes a lutar primeiro”, aconselhou Martin. Clay calçou as luvas e as sapatilhas: corria de manhã, treinava à noite, ganhava combates e somava troféus amadores durante a adolescência até conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. O seu estilo? Nunca antes visto. Alto, rapidíssimo, felino e bailarino. Como o pai. Estava destinado a grandes coisas e foi preparado para tal pelos seus colaboradores quando se profissionalizou: apareceram-lhe adversários acessíveis que ele foi batendo consecutivamente para ganhar rodagem, calo e um nome dentro do ringue. É assim que as coisas se fazem: um pugilista cresce e aparece enquanto espera pela oportunidade.
No caso de Clay, a sorte bateu-lhe à porta quando foi 'escalado' para o combate do título frente a Sonny Liston, a 25 de fevereiro de 1964, em Miami. Em teoria, era um confronto desigual, como carne para canhão: Clay tinha no currículo a medalha de ouro em Romam, mas Liston somava dois títulos mundiais e um sem número de vitórias por KO; o miúdo tagarela e esguio de 22 anos que fora treinado por um polícia enfrentava o homem misterioso de 32 que aprendera o ofício na prisão após espancar um polícia. Dos 46 jornalistas especializados para avaliar a contenda, 43 escreveram que Sonny Liston ganharia por KO: a pinta de peso-pluma de Clay não faria figura no mundo dos pesos-pesados que esmurram menos, mas com mais força.
“Isto vai durar a quase totalidade do primeiro round”, ironizou então o “New York Times”.
Clay tinha outros planos para essa noite - e estavam todos na sua cabeça.
O QUE CONTA
Cassius Clay decidiu atacar antes do primeiro gongo. Tinha de desestabilizar Sonny Liston, tirá-lo do sério, puxá-lo para o confronto verbal.
“A única coisa em que Clay consegue bater Liston é na leitura de um dicionário”, escreveu-se no “Los Angeles Times”. Nos tempos que antecederam o combate, Clay usou o espaço público da forma que quis para tentar abespinhar o adversário.
Logo no dia da assinatura do contrato, em que ambos se comprometeram a lutar em Miami, Cassius alugou um autocarro, pintou-o com as palavras “Liston tem de cair no oitavo round”, convocou a imprensa e foi estacioná-lo em frente à casa de Sonny, em Denver. Às três da manhã, buzinou e desafiou-o: “Anda cá fora. Vou dar-te uma tareia agora.” Sucede que Sonny acabara de mudar-se para um bairro de brancos e não gostou nada dos distúrbios. A perseguição de Clay a Sonny prosseguiu no campo de treinos do rival, na Florida: “És um urso grande e feio [a alcunha de Liston era Grande Urso]“; “Depois do combate, vou construir uma bela casa e usá-lo como tapete de pele de urso”; “O Liston cheira como um urso e vou doá-lo, depois, a um zoo”; “Se o Sonny me vencer, vou rastejar, dizer-lhe que é o maior e apanhar um jato para fora do país.” E por aí fora...
Os americanos-brancos torceram-lhe o nariz. Clay era um fanático religioso, com ligações à Nação Islâmica, e, se não era louco, pelo menos parecia, pela forma como constantemente queria irritar um tipo muito maior e mais violento do que ele. De repente, o público ficara sem favoritos: o mulato vaidoso iria encontrar o negro criminoso. “Esta será a luta mais popular de todas desde Hitler e Estaline: há 180 milhões de americanos a torcer por um duplo KO”, leu-se. E quando se julgava que Clay tinha afrouxado, a pesagem e os exames físicos que antecedem o combate mostraram o contrário.
Cassius chegou ao local com um casaco de ganga onde se lia “Caça ao Urso” nas costas e gritou: “Sou o campeão! Digam ao Sonny que estou aqui! Tragam esse urso feio para o pé de mim. Alguém vai morrer hoje! Estás com medo, banana!” Exagerou e teve de pagar 2500 dólares de multa pelo mau comportamento.
Mas conseguiu o que queria. “O Liston não estava a pensar em mais nada a não ser matar-me. E quando alguém pensa assim, não está a pensar lutar, não está a pensar treinar para lutar. E eu sabia que o Liston, de tão convencido que era, nunca treinaria para um combate com mais do que dois rounds”, confessaria Clay na biografia.
Os rumores sobre a má forma de Liston eram mais do que muitos: dizia-se que emborcava cerveja e fumava como um reformado; que as ligações à máfia e à família Lucchese o iriam deixar endividado; que o vício das mulheres o deixava esgotado; que corria uma milha em vez de cinco para se preparar; que tinha um ombro amassado. E que, enfim, não tinha 32 mas 40 anos. Clay estava nos antípodas: treinava como um louco, continuava a beber só leite e a comer ovos, e revia os vídeos dos combates de Liston até à exaustão - até ao ponto de saber que o Grande Urso tinha um tique nos olhos quando disparava a sua esquerda mortífera. 

O REMATE
O Convention Hall de Miami estava à pinha e junto do ringue havia consenso: Sonny Liston atropelaria Cassius Clay. Feitas as apresentações e as recomendações, soou o gongo: Liston entrou a todo o gás, porque queria acabar com aquele rapaz de uma vez por todas. E rapidamente.
Só que Clay era tão rápido a andar para trás como Liston para a frente. Um atrás de outro, os golpes de Liston acertaram no ar enquanto Clay lhe ofereceu a cara e uma guarda baixa.
Ninguém previra aquilo, todos ficaram de queixo caído. Aos terceiro e quarto assaltos, com Liston a esgotar reservas e Clay a apimentar o combate com jabs-relâmpagos que não matavam mas moíam, era claro que o título de campeão mundial iria mudar de mãos. E nem a cegueira temporária de Clay no 5º assalto, provocada pela soda cáustica usada por Liston para limpar as feridas, o travou. Durante esse round, Cassius só conseguiu enxergar um vulto e foi à volta dele que trabalhou o seu boxe até a vista clarear. Depois, no 6º assalto, as suas combinações voltaram a resultar em cheio na cara de Liston, cujo rosto inchou como um balão até quase implodir.
De raiva. Mas, acima de tudo, impotência.
“Pronto, acabou”, terá dito aos homens que o acompanhavam no seu canto. Liston cuspiu a proteção dos dentes e ficou sentado quando o árbitro chamou os pugilistas para o sétimo assalto.
Estava sentado e arrumado. Cassius Clay pulou como uma mola, de braços no ar, dançando e repetindo até à exaustão: “Eu sou o maior! E eu abanei o mundo.” Foi a primeira e última vez que o fez como Cassius Clay. No dia seguinte, renasceu como Muhammad Ali.
OS MAIORES EMBATES
ALI VS. LISTON II
No combate da desforra, em 1965, Liston foi ao chão no primeiro round. Diz-se que perdeu de propósito. 

ALI VS. FRAZIER I
Ali perdeu para Joe Frazier, em 1971, naquela que foi uma das suas maiores derrotas. Frazier tornou-se um dos seus mais temíveis adversários.

ALI VS. FOREMAN
Um combate pessoal e político, porque se disputou em Kinshasa (antigo Zaire), em plena emancipação dos países do Velho Continente (1974). Foi um triunfo estratégico de Ali, que se foi encostando às cordas e protegendo o corpo e a cara durante os primeiros assaltos para depois se libertar nos últimos e ganhar por KO quando Foreman estava exausto.

ALI VS. FRAZIER III
Ali ganhara o segundo encontro (1974, aos pontos) entre ambos, mas o mais épico que opôs Ali a Frazier aconteceu um ano depois, em Manila (Filipinas). Foi uma carnificina humana entre dois tipos que se odiavam. “Nunca estive tão perto de morrer”, confessaria Ali. Sob um calor e humidade inimagináveis para um combate de boxe, Ali venceu por KO técnico, quando o treinador de Frazier o impediu de prosseguir. 

Texto publicado na edição do EXPRESSO de 22 de Fevereiro de 2014."


PS: Aqui estão as luvas que Ali ofereceu ao nosso King! Dois dos maiores...!!!