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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Compromisso com a História


"1. Sabemos todos o que Anísio Cabral fez na Luz, ao minuto 84 do jogo com o Estrela. Nem vale a pena descrever e voltar a descrever o momento, desde que se iniciou nos pés de Banjaqui até terminar no fundo das redes, depois da intervenção de Anísio. Rui Águas, que foi um exímio cabeceador e pode ser considerado um especialista na matéria, classificou imediatamente o lance como obra de um dotado, e não como obra do acaso.

2. Anísio agradeceria mais tarde, nas redes sociais, a “todas as pessoas que fizeram parte deste grande processo” e prometeu “lutar por muito mais”. E não se ficou por aqui. “Isto é o início de algo grande”, acrescentou. Confiemos que sim. E confiemos também na nova geração do futebol português. Geovany Quenda, jogador do Sporting, e Bernardo Lima, jogador do FC Porto, companheiros de profissão de Anísio Cabral, deixaram na publicação as suas felicitações pela estreia inspirada do amigo.

3. Noutros tempos, estas coisas seriam difíceis de acontecer sem que os clubes dos jogadores em questão se abespinhassem com tamanha demonstração de amizade e de companheirismo por um rival. Acreditemos que o mundo está a mudar para melhor.

4. O Real Madrid veio jogar à Luz e o jornal desportivo espanhol As quis saber o que pensavam do acontecimento Garay e Di María, que jogaram ao serviço dos dois emblemas. E, naturalmente, quis saber também por quem torciam os dois jogadores, que tiveram percursos diferentes: Garay veio de Madrid para a Luz e Di María foi da Luz para Madrid.

5. Ouçamos Ezequiel Garay: “Foi difícil sair de um clube como o Real Madrid. Entendi que o que mais gostava era de jogar, que precisava de ritmo, de jogar vários jogos seguidos… e o Benfica ia dar-me isso.” Sobre as preferências, nem hesitou: “O meu coração pende mais para o Benfica. Pelos anos que lá passei, como pessoa e como futebolista. Foram dos meus melhores anos.” É assim mesmo, Garay.

6. Di María, por sua vez, não esqueceu a importância de José Mourinho na sua ida para Madrid, mas, quanto ao seu coração… “Nesta situação fica no meio, não consigo escolher. Fui muito feliz nos dois sítios e não posso escolher.” Está bem, Di María.

7. O Benfica venceu o Real Madrid com brilho e com entrega total, e a equipa saiu de campo sob uma estrondosa ovação dos seus adeptos. Merecidíssima. O Benfica não falhou o seu compromisso com a História e está no playoff da Liga dos Campeões, graças a Anatoliy Trubin, que não falhou, no último lance, a cabeçada que fez o 4-2 e lançou a festa. Épico, tudo."

Leonor Pinhão, in O Benfica

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