"DIOGO GAMA FOI O ÚNICO
RAGUEBISTA DO BENFICA
A INTEGRAR A SELEÇÃO
NACIONAL NO MUNDIAL
DE 2007, EM FRANÇA
O râguebi português teve a
sua primeira presença
num Campeonato Mundial em 2007. Essa exposição dos jogadores, até então
mais recatada, a uma assistência de milhares, transformou o
olhar português perante a modalidade. Entre os 30 convocados
pelo selecionador Tomás Morais
estava Diogo Gama, atleta do
Benfica, que fora campeão
nacional em 2000/01.
Sorteado no Grupo C, Portugal
jogou contra 4 seleções entre 9 e
25 de setembro, encontrando o
haka da Nova Zelândia à 2.ª jornada. Estanciados em Saint-
-Étienne, tiveram o primeiro
jogo em Lyon, com a Escócia
(D 10-56). A solenidade da
estreia espelhou-se no silêncio
que os jogadores, geralmente
expansivos, assumiram durante
toda a viagem.
O segundo jogo era o mais
aguardado. O capitão Vasco Uva
assumiu ser positivo se Portugal
perdesse “por menos de 100”. Foi
no final desse jogo contra a Nova
Zelândia (D 13-108) que Diogo
Gama se manifestou pela primeira vez. Após os 80 minutos, revelou-se o espírito fraterno do
râguebi em dois momentos: o
convívio das duas seleções no
balneário português, onde ficaram “bebendo umas cervejas”, e
uma partida de futebol, com 7
lusos contra 8 kiwis. “Com a bola
redonda a conversa foi outra”, e
Portugal venceu por 3-1, com um
golo de Diogo Gama.
Mas a estreia do centro de 26
anos em campo aconteceu frente à Itália (D 5-31), na 3.ª jornada, no Parque dos Príncipes, em
19 de setembro de 2007, como
suplente. Entre a assistência
encontrava-se Pedro Pauleta,
avançado português que alinhava pelo PSG.
Na deslocação a Paris, Diogo
Gama foi homenageado pela
Casa Benfica local. Em tom de
desabafo, considerou que ao
Benfica seria proveitoso ter
umas segundas linhas neozelandesas, e que haveria de falar com
João Queimado, presidente da
secção, para se refletir sobre o
assunto.
O último jogo, frente à Roménia (D 10-14), foi uma despedida
com direito a algumas tropelias.
Sem possibilidade de seguir para
playoffs, a seleção embarcou
numa viagem de 600 quilómetros
de comboio até Toulouse. Na véspera, a World Rugby (então IRB)
trocou alguns nomes dos convocados lusos, confusão gerada
pelo facto de a lista ser ditada por
telefone, uma vez que a internet
do hotel, em Chambon-surLigne, não estava a funcionar.
Para Diogo Gama ficou ainda
a amizade travada com os dois
seguranças de elite que acompanharam os portugueses em toda
a jornada, numa onda contínua
do espírito de “carinho e pragmatismo” entre os Lobos, que
seriam homenageados no Estádio da Luz no intervalo do dérbi
frente ao Sporting, no dia 29 de
setembro.
O benfiquista participou num
momento histórico do râguebi
português, que ditou mudanças
profundas na orgânica da modalidade no país. Conheça mais
sobre a história do râguebi do
Benfica no panorama internacional na área 2 – Joias do Ecletismo, do Museu Benfica – Cosme
Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica



