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quarta-feira, 18 de março de 2026

Uma Águia na pele de Lobo


"DIOGO GAMA FOI O ÚNICO RAGUEBISTA DO BENFICA A INTEGRAR A SELEÇÃO NACIONAL NO MUNDIAL DE 2007, EM FRANÇA

O râguebi português teve a sua primeira presença num Campeonato Mundial em 2007. Essa exposição dos jogadores, até então mais recatada, a uma assistência de milhares, transformou o olhar português perante a modalidade. Entre os 30 convocados pelo selecionador Tomás Morais estava Diogo Gama, atleta do Benfica, que fora campeão nacional em 2000/01.
Sorteado no Grupo C, Portugal jogou contra 4 seleções entre 9 e 25 de setembro, encontrando o haka da Nova Zelândia à 2.ª jornada. Estanciados em Saint- -Étienne, tiveram o primeiro jogo em Lyon, com a Escócia (D 10-56). A solenidade da estreia espelhou-se no silêncio que os jogadores, geralmente expansivos, assumiram durante toda a viagem.
O segundo jogo era o mais aguardado. O capitão Vasco Uva assumiu ser positivo se Portugal perdesse “por menos de 100”. Foi no final desse jogo contra a Nova Zelândia (D 13-108) que Diogo Gama se manifestou pela primeira vez. Após os 80 minutos, revelou-se o espírito fraterno do râguebi em dois momentos: o convívio das duas seleções no balneário português, onde ficaram “bebendo umas cervejas”, e uma partida de futebol, com 7 lusos contra 8 kiwis. “Com a bola redonda a conversa foi outra”, e Portugal venceu por 3-1, com um golo de Diogo Gama.
Mas a estreia do centro de 26 anos em campo aconteceu frente à Itália (D 5-31), na 3.ª jornada, no Parque dos Príncipes, em 19 de setembro de 2007, como suplente. Entre a assistência encontrava-se Pedro Pauleta, avançado português que alinhava pelo PSG.
Na deslocação a Paris, Diogo Gama foi homenageado pela Casa Benfica local. Em tom de desabafo, considerou que ao Benfica seria proveitoso ter umas segundas linhas neozelandesas, e que haveria de falar com João Queimado, presidente da secção, para se refletir sobre o assunto.
O último jogo, frente à Roménia (D 10-14), foi uma despedida com direito a algumas tropelias. Sem possibilidade de seguir para playoffs, a seleção embarcou numa viagem de 600 quilómetros de comboio até Toulouse. Na véspera, a World Rugby (então IRB) trocou alguns nomes dos convocados lusos, confusão gerada pelo facto de a lista ser ditada por telefone, uma vez que a internet do hotel, em Chambon-surLigne, não estava a funcionar.
Para Diogo Gama ficou ainda a amizade travada com os dois seguranças de elite que acompanharam os portugueses em toda a jornada, numa onda contínua do espírito de “carinho e pragmatismo” entre os Lobos, que seriam homenageados no Estádio da Luz no intervalo do dérbi frente ao Sporting, no dia 29 de setembro.
O benfiquista participou num momento histórico do râguebi português, que ditou mudanças profundas na orgânica da modalidade no país. Conheça mais sobre a história do râguebi do Benfica no panorama internacional na área 2 – Joias do Ecletismo, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

A falta que faz um dicionário


"Furto, desfalque, desvio, subtração, surripianço, golpe, rombo, ladroagem, ladroíce, pilhagem, pirataria, espoliação, usurpação, rapina, rapinagem, rapinação, saqueio, abafo, afano, abafação, despojo, despojamento, gamanço, gatunice, palmanço, empalmação, escamoteio, escamoteação, esbulho, chulice, exploração, apropriação indevida, assalto e gatunagem. Dicionários da língua portuguesa, ferramentas linguísticas da internet e Inteligência Artificial são as fontes de todos os sinónimos de roubo acima elencados. Foi aquilo que pesquisei no Google às primeiras horas da manhã da passada segunda-feira. Mal refeito do que aconteceu pouco tempo antes do apito final do Clássico, foi isso que me veio à cabeça: roubo em todas as suas formas, derivações, sentidos latos, estritos e figurados. Nada de novo.
À incapacidade de finalização e erros defensivos da equipa do Sport Lisboa e Benfica somou- -se a tradicional proteção aos prevaricadores do costume. Se as duas primeiras são responsabilidade inteiramente nossa, a última não está nas nossas mãos, por mais tomadas de posição que se possam ter.
É inconcebível que uma ferramenta que surgiu para melhorar o futebol (e continuo a defendê-la) não seja utilizada para esclarecer dúvidas. É que nem se vai ver as imagens. Não se questionam sequer os contactos físicos entre jogadores num momento decisivo da partida e do Campeonato.
Na jogada corrida, e digo-o de forma totalmente honesta, não me pareceu falta para grande penalidade. Na primeira repetição em plano mais apertado, não tive dúvidas: o guarda-redes mete o pé no avançado, impedindo-o de chegar à bola. Durante dois segundos, na minha cabeça, acreditei que o VAR iria chamar a atenção do árbitro e pedir-lhe para ver as imagens. Ao terceiro segundo, lembrei-me do que têm sido os últimos anos em Portugal e aquilo que foram as décadas de 1980 e 1990. Roubo, uma palavra com mais de 30 sinónimos e um número ainda maior de culpados."

Ricardo Santos, in O Benfica

A luta continua


"O resultado do clássico não foi aquele de que o Benfica precisava para se reposicionar na luta pelo título. Era necessário ganhar, não fomos além do empate.
Infelizmente, pagámos um preço demasiado elevado pelas debilidades físicas de Fredrik Aursnes (ausente do jogo) e Leandro Barreiro (ainda entrou a tempo de selar o 2-2), que vinham constituindo a mais sólida e eficaz dupla de meio-campo benfiquista nesta temporada.
Não aproveitámos a oportunidade para reduzir distâncias para a liderança, na única jornada em que dependíamos só de nós para o fazer. A matemática permite sonhar, mas a realidade diz-nos que o primeiro lugar é agora uma miragem.
Porém, o Campeonato não acabou. Há outros objectivos para alcançar. A possibilidade de disputar a próxima edição da Champions League, essa sim, ainda depende apenas de nós, e não a podemos desperdiçar. Chegar lá é extremamente importante, quer do ponto de vista desportivo, quer, sobretudo, do ponto de vista financeiro – do qual dependerá também a capacidade de investimento face à próxima temporada. Faltam 9 jogos, há que os ganhar. Apesar do 3.º lugar que o Benfica ocupa na tabela classificativa, a verdade é que ainda não perdeu qualquer partida no Campeonato. Há mais de um ano que não perde na prova, totalizando 40 jogos consecutivos sem sofrer derrotas – naquela que é já a 5.ª maior série de imbatibilidade da história do futebol português. Valha isso o que valer, seria interessante manter este registo até ao fim. A acontecer, seria a 3.ª vez na história do Clube, depois de 1973, com Jimmy Hagan, e de 1978, com John Mortimore.
Amanhã é imperioso vencer em Arouca. E depois continuar a vencer. No fim, se farão as contas a uma época bastante atípica e condicionada por vários factores – que haverá tempo para analisar."

Luís Fialho, in O Benfica

Ação climática


"O Benfica tem uma estratégia de sustentabilidade, e a Fundação alinha naturalmente com essa estratégia no que respeita ao desenvolvimento social e humano, envolvimento das comunidades e educação ambiental. Mas porquê tudo isto num clube de futebol? É importante compreender, nos dias de hoje, que a transformação climática e os seus impactos têm de ser combatidos por todos, e não basta, infelizmente, trabalhar apenas a prevenção, é preciso passar à ação concreta, seja na minimização de riscos e danos, seja na reposição de ativos ambientais tão importantes para o suporte da vida humana.
O Benfica, pioneiro de sempre, entendeu isso de forma exemplar e criou uma estratégia de sustentabilidade que assenta metaforicamente em “ganhar em todos os campos”. Essa estratégia, que não podia deixar de se chamar Redy, é um compromisso total e global do universo Benfica para com os três pilares da sustentabilidade. Ou seja, para com as questões ambientais, sociais e de governance, que constituem, no seu conjunto, um triângulo virtuoso do qual queremos que resultem impactos positivos em todas estas dimensões, alinhadas com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.
Às vezes olhamos para estas medidas de política, e parecem- -nos tão distantes e abstratas, que desvalorizamos. Mas, no caso da sustentabilidade, as notícias diárias e os nossos próprios olhos veem acontecer, a toda a hora e em toda a parte, o que há alguns anos era para todos inconcebível. A mudança climática não é uma miragem, está a acontecer, e não é uma coisa longínqua, é mesmo aqui na nossa casa, em cima da nossa cabeça. Por isso, é preciso meter mãos à obra, todos e em toda a parte.
E por isso também o Benfica dá o exemplo, fazendo e motivando os outros a fazer. É daí que vem esta ideia e este projeto de reflorestar as zonas ardidas, que está no terreno desde 2018 e que agora se amplia com a força redobrada do Clube e da SAD."

Jorge Miranda, in O Benfica