Últimas indefectivações

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

3.ª Taça da Federação

Quinta dos Lombos 86 - 87 Benfica
22-16, 13-28, 16-14, 20-13, 9-9, 5-6

Nesta Taça da Liga, versão basquetebol feminino, nova vitória, numa partida muito emotiva, onde foi preciso dois prolongamentos, para encontrar o vencedor! Nem sempre bem jogado, com muito ataque cárdico pelo meio... mas depois da derrota na Supertaça no início da temporada, contra este mesmo adversário, segunda vitória contra as nossas grandes rivais esta época, em poucas semanas!!!

Mais fortes...

Benfica 4 - 1 Palau

Grande vitória, contra as Campeãs Europeias, que estão mais fracas este ano, é um facto, mas mesmo assim, jogámos bem, e dominámos completamente a partida...

O 1.º lugar no grupo parece cada vez mais perto, se calhar este ano temos mesmo grandes possibilidades de conquistar o troféu máximo, se calhar valia a pena organizar a Final Four na Luz!

Vitória na Maia...

Castêlo da Maia 1 - 3 Benfica
22-25, 25-21, 23-25, 19-25

Eliminatória perigosa, mais decido ao calendário. Jogar em Alvalade no Sábado, e viajar até à Maia, num jogo da Taça, era potencial perigoso, ainda mais com o Nivaldo lesionado, impedindo alguma rotação...

E o jogo provou, as dificuldades... o adversário tem jovens, com valor, mas acabámos por fazer a nossa obrigação!

Vitória a Sul...

Sesimbra 2 - 11 Benfica

Viagem curta a Sesimbra, para a Taça de Portugal, com uma vitória tranquila...
Depois de dois jogos consecutivos com os Lagartos, estávamos a precisar de um jogo mais calmo!

Nos Oitavos da Taça, vamos defrontar os Corruptos (fora, como é costume...), mas o próximo jogo, no Sábado é na Luz, com o Barcelos, outra partida complicada...

BI: Megafone - Benfica 1996/97

Basquetebol Feminino: 57-74

Andebol Feminino: 34-23

Futsal Feminino: 10-0

Zero: Mercado - FC Porto atento a promessa grega que vale milhões

BF: Almada...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - “Há poucas coisas melhores do que um jogo entre o Vitória e o Braga”

Rola a Bola #52 - WE BACK!!! Estamos de volta feliz ano novo!

A Encruzilhada do Gigante


Caros consócios e adeptos benfiquistas, quero refletir convosco sobre o momento que o nosso clube atravessa.
O Benfica já ficou em sétimo lugar, já passou dois anos fora das competições europeias por não se ter classificado, viveu a bancarrota, salários em atraso e jogadores a rescindir por justa causa. Houve um tempo em que se apelou à caridade dos sócios através da “Operação Coração”. Quem é benfiquista há muitos anos sabe que o clube já atravessou momentos muito mais difíceis do que o atual.
O que verdadeiramente me preocupa hoje não é estarmos em terceiro lugar, mas a divisão crescente entre benfiquistas. No próprio estádio, o ambiente tornou-se pesado, intolerante ao erro, quase um castigo para quem veste a nossa camisola. Não é por acaso que muitos dos pontos perdidos têm sido em casa. O apoio transformou-se em pressão, e isso nunca ajudou equipa nenhuma a crescer.
Também é importante perceber o contexto em que muitos adeptos mais jovens vivem o futebol. Cresceram num tempo de redes sociais, em que tudo é imediato, as reacções inflamadas, reina a intolerância pela diferença e nos teclados descarregam as suas frustrações. A isso junta-se a influência dos simuladores de futebol nas consolas e dos jogos de gestão desportiva, onde tudo é controlável, os jogadores evoluem de forma quase perfeita, as contratações parecem resultar sempre e os títulos virtuais são fáceis de atingir. Essa realidade cria uma visão enviesada do futebol real, que é feito de erro, tempo, contexto, adaptação e falhas humanas.
Um benfiquista de verdade apoia o clube, as suas equipas e os seus atletas, sobretudo quando estão em baixo. Apoiar nas vitórias é fácil, mas o apoio é indispensável quando não se ganha. Os nossos rivais estão à frente no campeonato de futebol, mas também têm mérito. Reconhecer isso não diminui o Benfica, engrandece-nos.
Nos últimos 40 anos, o Benfica venceu apenas 12 campeonatos nacionais. Isso não é um acaso nem se explica apenas, como se lê, por Presidentes "trafulhas" ou "Bananas", ou treinadores "incompetentes" ou jogadores "medíocres" ao longo das últimas quatro décadas. É uma questão estrutural, profunda, que exige reflexão séria, estabilidade e união. Mas nenhuma estrutura se constrói com um clube em guerra consigo próprio.
Podemos olhar para outros grandes clubes históricos, como o Ajax ou o Anderlecht, que assentam a sua filosofia na formação e já tiveram glória na Europa. Também eles passam por ciclos de dificuldades. Devemos concluir que é o modelo assente na formação que está errado? Creio que não. Será que é necessário combiná-lo com estratégias mais robustas de gestão e investimento? Quantos grandes clubes vencedores na Europa funcionam hoje apenas com o modelo associativo clássico?
O futuro do Benfica poderá passar por incorporar investidores de referência na sua estrutura acionista, dando maior músculo financeiro e competitividade? Estaremos preparados para aceitar uma SAD em que a maioria do capital não pertença ao clube ou aos sócios, como acontece na esmagadora maioria dos principais clubes das cinco maiores ligas europeias?
O Benfica sempre foi maior quando foi um só. Unidos, seremos sempre mais fortes!
Et Pluribus Unum. De muitos, um!
Viva o Glorioso Sport Lisboa e Benfica!"

O Benfica precisa de revolta


"As primeiras partes dos jogos com o SC Braga — primeiro para o campeonato (2-2) e depois nas meias-finais da Taça da Liga (1-3) — voltaram a revelar um Benfica descaraterizado, em sentido contrário ao crescimento que parecia consolidado, depois de muito sofrimento.
Esse progresso tinha ficado visível em partidas como o empate com o Sporting (1-1) e a vitória frente ao Nápoles, na Liga dos Campeões (2-0), entre outros desafios internos e europeus onde, ainda assim, faltou alguma sorte.
Entre os adeptos, muitos apontam o dedo ao treinador José Mourinho, outros aos jogadores, e vários à Direção, pela forma como preparou a temporada e montou o plantel. A verdade é que a responsabilidade se distribui entre todos, cada um no seu domínio. As dificuldades atuais do Benfica, a distância para os principais rivais e a falta de mais argumentos demonstrada nas provas europeias confirmam que muita coisa falhou.
Tudo isso exige uma análise profunda para preparar uma nova época que, na Luz, seguramente nenhum benfiquista desejará parecida com esta. Ainda assim, creio que é nos jogadores do Benfica que deve recair agora o foco, sobretudo no importante e passional desafio da próxima quarta-feira, os quartos de final da Taça de Portugal frente ao FC Porto.
Tal como antes do empate com o Sporting, poucos acreditarão que o Benfica pode impor-se no Dragão, mas é precisamente nessa desconfiança que o plantel deve encontrar força para contrariar todas as previsões. Apesar das lesões de jogadores importantes, de outros que não se encontram em momento de plena forma e da suspensão do defesa-central e capitão Otamendi, o Benfica é Benfica.
Chegou a hora — talvez novamente — de colocar revolta e qualidade em campo, mostrando que há alma para competir, independentemente do contexto adverso. O dedo de José Mourinho terá sempre peso grande, tanto na estratégia como na ideia de jogo, mas serão os jogadores os primeiros responsáveis por lutar e reconquistar a confiança dos adeptos. Os mais jovens não podem ter medo de mostrar que merecem jogar e os mais experientes devem assumir a liderança dentro de campo.
A época 2025/26 pode não estar totalmente perdida para as águias, mas está longe de ser de sucesso, mesmo que o Benfica ainda lute pelos seus principais objetivos. Mais tarde se avaliarão as consequências e o que será preciso mudar, mas, no imediato, o essencial é que esta equipa entre em campo com alma, equilíbrio tático e crença diante do atual líder do campeonato.
O tratamento de choque de José Mourinho, após a derrota com o SC Braga (o treinador fez críticas duras depois do desafio), parece ter esse propósito: abanar, despertar e provocar uma boa revolta nos jogadores. Afinal, são eles que jogam, que fazem história e que os adeptos recordarão — pelos melhores ou piores motivos — como os que estiveram à altura do Benfica ou não."

Benfica: o inexplicável tornou-se a palavra certa


"As meias-finais da Taça da Liga confirmaram várias realidades: o Sporting continua a ter problemas na finalização, a evolução do Benfica revelou-se uma miragem, Luís Pinto está a fazer um grande trabalho no V. Guimarães e o SC Braga de Carlos Vicens tem sido superior nos jogos frente aos grandes.

Benfica: o 'modus operandi'
Escrevi no último artigo que o problema do Benfica é interno e tem a ver com a impreparação, falta de conhecimento do clube e sobretudo falta de visão de quem dirige a instituição. No plano desportivo, tudo se resolve com a criação de novas expectativas para a época seguinte. A estratégia passa por sucessivas vendas, seguidas de sucessivas compras de jogadores. Promove-se uma enorme rotatividade no plantel. Saem os melhores, mas passa-se a imagem de que vão entrar outros incríveis e que vão resolver todos os problemas do clube. Aumentam-se orçamentos e custos, criando uma pressão financeira crescente.
Com este padrão de gestão não se consegue criar uma identidade de grupo. Utiliza-se a máquina de propaganda para distrair os adeptos, criando uma nova adrenalina a cada início de época. Atira-se dinheiro para cima dos problemas, sabendo que esses investimentos terão de ser pagos e que a SAD do Benfica está cada vez mais endividada. Sem um rumo definido, tenta-se ir acertando aqui ou ali, com a esperança de que os adversários estejam a dormir. A frase que começa a ser mais utilizada no início das épocas é... este ano é que vai ser. E assim vão passando os anos sem que um rumo seja definido ou que quem dirige consiga aprender com os erros.

Falta de processo
O treinador é uma das peças mais importantes numa organização desportiva. É ele que comanda a equipa de futebol, o setor com maior impacto dentro de um clube. Os maiores ativos de um clube são geridos por ele. Comunica todas as semanas para os media, que passam as suas mensagens para os adeptos. A forma como a equipa se apresenta dentro do relvado e os resultados são da responsabilidade do treinador. Por este motivo, a escolha deve ser feita com base em critérios claros e convicções fortes. Assim, é fundamental analisar o contexto do clube e do seu meio envolvente. Só depois devem ser definidos critérios que permitam identificar o perfil de treinador.
Alguns desses pressupostos passam por perceber se o clube tem vindo a ganhar, se dispõe de um plantel experiente ou jovem, quais as caraterísticas dos jogadores, de que forma o futebol do treinador encaixa nos atletas disponíveis, qual o estilo de jogo pretendido e que tipo de comunicação e liderança se quer no balneário. Depois de definidos todos estes critérios devem-se tentar enquadrar as diferentes soluções e escolher aquela que mais se aproxima do pretendido. O mais importante é ter a convicção da escolha e saber apoiá-la nos momentos certos. No caso do Benfica nada disto foi feito. Conforme Rui Costa afirmou na campanha eleitoral, o Benfica contratou um treinador com o perfil ganhador. Quando este é o principal critério da escolha de um treinador, tudo cai por terra quando as vitórias não aparecem.

O que torna tudo inexplicável
José Mourinho afirmou que a primeira parte do Benfica frente ao SC Braga foi inexplicável. O treinador encarnado foi feliz na palavra utilizada. Se analisarmos a árvore (treinador) e a floresta (estrutura encarnada) percebemos que esta é a palavra que melhor define o Benfica no momento atual. Assim, torna-se inexplicável que Mourinho, no final do jogo, se descarte de responsabilidades e as transfira totalmente para os jogadores, afirmando que se preparou bem para a importância do jogo, mas sem saber se os atletas fizeram o mesmo.
É ainda inexplicável a ausência na evolução do futebol da equipa. É também inexplicável justificar-se com a falta de opções no banco, quando jogadores como Schjelderup, Ivanovic, Prestianni ou Sidny Cabral representam um investimento próximo dos 50 milhões de euros. Analisando a floresta, é inexplicável como o Benfica investiu 130 milhões de euros e tem um plantel pior do que o da temporada passada. É inexplicável como Rui Costa, presidente, afirmou que demorou quatro anos a preparar um plantel para o presente e o futuro e o seu treinador está constantemente a lamentar-se da ausência de opções de qualidade que lhe permitam ter uma maior rotatividade.
É inexplicável como se convoca uma Assembleia Geral para aprovar um conceito, e não um projeto, e como a votação foi realizada online, sem que fosse clara a existência de uma entidade independente que auditasse e validasse todo o processo de forma transparente. Por fim, o problema do Benfica não é perder jogos. É não saber exatamente o que quer ser.

A valorizar
Em cinco jogos fez onze pontos. Empatou com Liverpool e venceu o dérbi frente ao Chelsea em casa. Sem vários jogadores na CAN, lesionados e sem grandes reforços no verão, volta a fazer uma grande época no Fulham. Os resultados são incríveis. Está em nono com os mesmos pontos do Chelsea e a dois pontos do quinto lugar. A juntar a tudo isto tem um futebol dominador frente a qualquer equipa.

A desvalorizar
A chegada de Mourinho gerou uma enorme expectativa que não está a ser correspondida. Factualmente os resultados são negativos: está a 10 pontos do primeiro na Liga, está com missão muito complicada na Liga dos Campeões e foi eliminado na Taça da Liga. A qualidade de jogo também não evoluiu desde a sua chegada."

Ruben Amorim e a resistência que desafiou a cultura descartável do futebol moderno


"No turbilhão de decisões rápidas que hoje dominam o futebol de alto nível, poucas histórias representam tão bem a tensão entre autenticidade e descartabilidade como a de Ruben Amorim no Manchester United.
O despedimento de Ruben Amorim do Manchester United não é só mais um episódio na longa lista de separações rápidas entre clubes e treinadores. No futebol contemporâneo, o tempo deixou de ser um aliado e a convicção passou a ser vista como um risco, não como uma virtude. O antigo treinador do Sporting desafiou tudo isto.
Amorim chegou a um dos palcos mais exigentes do mundo com aquilo que sempre o definiu. Chegou com ideias claras, uma identidade assumida e a coragem de não abdicar do que acredita. Num futebol cada vez mais formatado, onde se pede aos treinadores que se adaptem ao ruído, à urgência e à pressão externa, o técnico português escolheu resistir. Resistir às soluções fáceis. Resistir à tentação de diluir a sua visão em nome de uma sobrevivência confortável.
Essa resistência tem um custo. Teve-o em Inglaterra, como tantas vezes teve noutras geografias e noutras carreiras. Mas é precisamente aí que reside o seu valor. Porque, num tempo em que os treinadores são tratados como peças substituíveis, Amorim lembrou que liderar não é apenas reagir aos resultados, mas sustentar um caminho, mesmo quando ele é incómodo.
O futebol moderno habituou-se a confundir paciência com fraqueza e coerência com teimosia. Exige-se impacto imediato. Neste cenário, a figura do treinador transformou-se num amortecedor de frustrações, alguém que se troca para dar a sensação de mudança, ainda que o problema raramente se resolva apenas com essa decisão.
Ruben Amorim recusou esse papel passivo. Assumiu responsabilidades, enfrentou o desgaste e manteve-se fiel a uma ideia de jogo e de liderança que não se constrói ao sabor de cada resultado. Essa postura, hoje rara, pode não garantir longevidade imediata, mas constrói algo mais duradouro. Constrói credibilidade.
O legado de Amorim não se mede apenas pelo que conseguiu ou deixou por alcançar. Mede-se pela mensagem que deixa a um futebol cada vez mais curto de memória e de coragem. A mensagem de que é possível chegar ao topo sem abdicar da identidade. De que o treinador não tem de ser um gestor do medo, mas um defensor de princípios.
Talvez o futuro do futebol precise exatamente de menos pressa em descartar e de mais capacidade de compreender processos. Menos obsessão pelo imediato e mais respeito pelo tempo que o jogo exige. Se assim for, a passagem de Amorim por Manchester não terá sido em vão. Terá sido um lembrete de que, mesmo quando o sistema empurra para a conformidade, há valor em resistir.
Ruben Amorim sai de cena, mas deixa uma marca clara. Num futebol que trata treinadores como descartáveis, resistir pode ser, afinal, o ato mais transformador de todos.
Nenhuma carreira se mede apenas pelos troféus erguidos, mas também pela forma como, perante adversidades, um treinador defende as suas convicções e influencia positivamente aqueles ao seu redor. Nisso, Ruben Amorim deixa um legado ímpar."

Glória aos vencedores


"A história faz-se de troféus, mas a forma como se os vence é que torna os heróis imortais. E esta conquista do Vitória parece saída de filme de Hollywood, daqueles que achamos inverosímeis

Glória aos vencedores. O dia 10 de janeiro de 2025 ficará para sempre na história do Vitória de Guimarães, como antes ficou o de 19 de outubro de 1988 (data da conquista da Supertaça, frente ao FC Porto) e o de 26 de maio de 2013 (primeira Taça de Portugal, contra o Benfica). Luís Pinto fica com o nome gravado a letras douradas no palmarés do clube, como Geninho e Rui Vitória, antes dele. E daqui a 50 anos ainda se contarão histórias das defesas de Charles e dos golos de Ndoye (o de ontem, mas também os dois contra o Sporting na meia-final).
A conquista pela primeira vez da Allianz Cup, mesmo num formato menos representativo, apenas com oito equipas, valeria sempre esse lugar na história. Mas a presença na memória coletiva dos vitorianos não se deve apenas ao triunfo na final. Queira-se ou não, quem se venceu, e como se venceu, tem tanta ou mais importância. E não me refiro apenas ao grande rival SC Braga. Para apreciar o feito do Vitória, vale olhar para um percurso feito de alma, de garra, de crença imutável, quando deixar de acreditar era o mais fácil.
O formato da competição feito para ajudar a uma final four com os quatro principais clubes portugueses — com a devida vénia à incrível massa adepta vitoriana, FC Porto, Sporting, Benfica e, muito atrás, SC Braga vão dominando atenções e resultados — obrigou a equipa de Guimarães a começar fora, contra o atual líder do campeonato. Quando jogaram, há mais de um mês (4 de dezembro), o FC Porto ainda não tinha perdido em competições internas. Depois disso, também não o fez. Começou a ganhar logo aos 8', com golo de Gabri Veiga. E acabou eliminado (1-3) com uma reviravolta fantástica, sinal do que estaria para vir.
Porque na quarta-feira e ontem o Vitória também entrou a perder e nunca baixou os braços. Contra o Sporting, na meia-final, aliás, ainda perdia aos 90'. Ontem, passou para a frente mais cedo, mas resistiu a penálti na compensação.
A história faz-se de troféus, mas a forma como se os vence é que torna os heróis imortais.
Mas glória, também, aos vencidos. Em Braga, ninguém vai lembrar, daqui a uns anos, o dia 10 de janeiro de 2025, mas talvez a amarga derrota na primeira final contra o maior rival seja uma nota de rodapé na afirmação dos guerreiros. Porque há sinais favoráveis — o domínio na primeira parte, por exemplo, a juntar à grande exibição no Dragão para a Liga, aos empates com Sporting e Benfica, à eliminação das águias nas meias-finais desta Taça da Liga. Os resultados, até agora, não acompanham o bom futebol que, a espaços, a equipa de Carlos Vicens joga. Se começarem a acompanhar, cuidado..."

CAN a entrar no seu território mais bonito


"Os quartos-de-final confirmaram aquilo que esta CAN vinha a anunciar. A Nigéria venceu a Argélia por 2–0, num jogo em que não precisou de dominar pela posse para controlar o jogo. A Nigéria terminou com mais remates enquadrados, maior produção de situações de transição e um xG (expectativa de golo) claramente superior. A diferença esteve na qualidade da chegada ao último terço e na forma como condicionou a estrutura defensiva argelina. O Victor Osimhen voltou a ser determinante, não apenas pelo golo, mas pela quantidade de faltas provocadas em zonas altas, obrigando a Argélia a baixar linhas e a defender em constante desequilíbrio.
No outro grande duelo, o Egito eliminou a Costa do Marfim por 3–2, num jogo onde os números ajudam a explicar o resultado. O Egito teve menos posse, menos volume ofensivo e menor xG global, mas foi claramente mais eficaz nos momentos decisivos. Duas bolas paradas transformadas em golo e a influência direta de Mohamed Salah nos momentos-chave acabaram por fazer a diferença. A Costa do Marfim produziu mais, mas falhou na gestão emocional do jogo quando esteve por cima.
Com estes resultados, as meias-finais colocam frente a frente quatro identidades muito bem definidas.
No Senegal-Egito, teremos intensidade contra controlo emocional. O Senegal apresenta uma das melhores taxas de duelos ganhos do torneio e um índice defensivo muito estável. O Egito, por sua vez, é das seleções com menos erros não forçados e maior eficácia em jogos a eliminar. Aqui, o jogo vai decidir-se na capacidade de gerir os momentos de maior pressão.
No Marrocos-Nigéria, o confronto é quase filosófico. Marrocos chega com uma organização defensiva sólida e poucos golos sofridos, muito sustentada pelo equilíbrio posicional e pela influência de Achraf Hakimi na gestão do ritmo do jogo. A Nigéria apresenta dos valores mais altos de eficácia por remate e uma das transições ofensivas mais letais da competição. Poucos toques, muita profundidade e decisão rápida.
Os dados confirmam aquilo que o campo mostra: nas meias-finais já não vence quem tem mais bola, mas quem decide melhor nos poucos momentos que o jogo oferece. O espaço reduz-se, o tempo encurta e a margem de erro desaparece.
Agora, o torneio entra no seu território mais cru e mais bonito. Dois jogos. Quatro seleções. E aqui, mais do que nunca, um detalhe estatístico equivale a uma decisão histórica."

Amorim no pós-Flick? Primeiro, soa a provocação; depois, começa a fazer sentido


"A ideia não nasce do improviso nem da fantasia. Nasce da observação. Ruben Amorim representa hoje um perfil cada vez mais raro no futebol de elite. É um treinador que sustenta convicções, que privilegia processos e que entende liderança como algo que se constrói no tempo. É por isso que pensar o seu nome associado a clubes de exigência estrutural elevada não é um exercício de imaginação, mas de coerência.
A saída de Amorim do Manchester United diz pouco sobre resultados e muito sobre o conflito entre dois mundos. O de um treinador que acredita em projetos e o de um futebol que vive obcecado com respostas imediatas. Num contexto em que a paciência é vista como risco, Amorim fez algo cada vez mais raro, que foi manter-se fiel a uma ideia.
Peter Schmeichel, figura incontornável da história recente do United, foi particularmente claro na sua leitura. Para o antigo guarda-redes, Amorim tentou construir algo estrutural: identidade, disciplina, continuidade. Exatamente aquilo que o clube afirma procurar há anos, mas que raramente aceita proteger quando surgem as primeiras dificuldades. Schmeichel foi mais longe ao apontar o problema à cultura que se enraíza cada vez mais no clube. Parece prevalecer no United uma cultura que muda constantemente de treinador sem nunca redefinir verdadeiramente o rumo.
A história não é nova. José Mourinho viveu algo semelhante em Old Trafford. Um treinador de personalidade forte, convicções claras e resistência à diluição do seu modelo. Também ele saiu antes de o clube enfrentar as causas profundas da sua instabilidade. Mudaram os nomes, manteve-se o padrão.
Num futebol que confunde coerência com teimosia e paciência com fraqueza, Amorim recusou adaptar-se à lógica do curto prazo. Não negociou princípios para ganhar tempo. Preferiu sustentar um caminho, mesmo sabendo que o tempo raramente favorece quem tenta construir algo duradouro.
Essa escolha tem custos imediatos, mas encerra um valor estratégico elevado. Liderar não é reagir ao ruído. Liderar é manter direção quando o contexto empurra para a desistência. Amorim não foi um gestor do medo; foi um defensor de uma visão. E isso, no futebol atual, torna-o um caso raro. Um treinador fora da norma.
É aqui que a provocação começa a ganhar densidade. No Barcelona, Hansi Flick representa uma tentativa clara de devolver ordem, competitividade e credibilidade a um projeto que vive há demasiado tempo entre a urgência do presente e o peso da identidade histórica. Mas o desafio do Barça não se resolve apenas com o nome no banco. É estrutural, cultural, identitário.
E é precisamente nesse ponto que o perfil de Amorim deixa de soar apenas a hipótese abstrata. Um treinador capaz de unir modelo de jogo, desenvolvimento de jogadores e liderança interna num contexto de pressão permanente. Não por rigidez, mas por clareza. E não por imposição, mas por convicção.
Não se trata de prever destinos nem de antecipar decisões. Trata-se de reconhecer padrões. Num futebol cada vez mais descartável, os clubes verdadeiramente grandes acabam, mais cedo ou mais tarde, por voltar a procurar quem resiste. E é nesse momento que aquilo que começou como provocação passa a ser lido como possibilidade, e apenas porque faz sentido.Parte superior do formulário"