"As primeiras partes dos jogos com o SC Braga — primeiro para o campeonato (2-2) e depois nas meias-finais da Taça da Liga (1-3) — voltaram a revelar um Benfica descaraterizado, em sentido contrário ao crescimento que parecia consolidado, depois de muito sofrimento.
Esse progresso tinha ficado visível em partidas como o empate com o Sporting (1-1) e a vitória frente ao Nápoles, na Liga dos Campeões (2-0), entre outros desafios internos e europeus onde, ainda assim, faltou alguma sorte.
Entre os adeptos, muitos apontam o dedo ao treinador José Mourinho, outros aos jogadores, e vários à Direção, pela forma como preparou a temporada e montou o plantel. A verdade é que a responsabilidade se distribui entre todos, cada um no seu domínio. As dificuldades atuais do Benfica, a distância para os principais rivais e a falta de mais argumentos demonstrada nas provas europeias confirmam que muita coisa falhou.
Tudo isso exige uma análise profunda para preparar uma nova época que, na Luz, seguramente nenhum benfiquista desejará parecida com esta. Ainda assim, creio que é nos jogadores do Benfica que deve recair agora o foco, sobretudo no importante e passional desafio da próxima quarta-feira, os quartos de final da Taça de Portugal frente ao FC Porto.
Tal como antes do empate com o Sporting, poucos acreditarão que o Benfica pode impor-se no Dragão, mas é precisamente nessa desconfiança que o plantel deve encontrar força para contrariar todas as previsões. Apesar das lesões de jogadores importantes, de outros que não se encontram em momento de plena forma e da suspensão do defesa-central e capitão Otamendi, o Benfica é Benfica.
Chegou a hora — talvez novamente — de colocar revolta e qualidade em campo, mostrando que há alma para competir, independentemente do contexto adverso. O dedo de José Mourinho terá sempre peso grande, tanto na estratégia como na ideia de jogo, mas serão os jogadores os primeiros responsáveis por lutar e reconquistar a confiança dos adeptos. Os mais jovens não podem ter medo de mostrar que merecem jogar e os mais experientes devem assumir a liderança dentro de campo.
A época 2025/26 pode não estar totalmente perdida para as águias, mas está longe de ser de sucesso, mesmo que o Benfica ainda lute pelos seus principais objetivos. Mais tarde se avaliarão as consequências e o que será preciso mudar, mas, no imediato, o essencial é que esta equipa entre em campo com alma, equilíbrio tático e crença diante do atual líder do campeonato.
O tratamento de choque de José Mourinho, após a derrota com o SC Braga (o treinador fez críticas duras depois do desafio), parece ter esse propósito: abanar, despertar e provocar uma boa revolta nos jogadores. Afinal, são eles que jogam, que fazem história e que os adeptos recordarão — pelos melhores ou piores motivos — como os que estiveram à altura do Benfica ou não."

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