Últimas indefectivações

sábado, 11 de julho de 2026

Algarve...

Explicado, com um desenho!!!

Diferenças...

Exemplos!

Intenções...

Verdade...

UM JOGO À PORTA FECHADA VÁRIAS QUESTÕES PERTINENTES


"1. Só elementos das claques do Benfica utilizam pirotecnia? Nos outros clubes é tudo gente bem comportada? Só castigam o Benfica? E não podiam castigar fechando só o setor onde as tochas são deflagradas?

2. É desta que a direção toma medidas sérias para resolver um problema criado à esmagadora maioria dos sócios por uma ínfima minoria deles? Que mais castigos vão ser precisos serem-nos aplicados para que esta questão seja resolvida de uma vez por todas?

3. Como vai o Benfica compensar os titulares de RedPass para a época 26/27 que já pagaram este jogo sem o poderem ver por responsabilidade que não é sua?"

Zero: Mercado - Trincão mais longe do Sporting, mas não da Europa

BF: Trinco...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Que Jesus teremos na Seleção Nacional?

Observador: E o Campeão é... - 10 anos de Éder e Jesus no comando. Há fé para Portugal?

Observador: Três Toques - Jogo de sentido único: França manda e Marrocos nem deu luta?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #22

Zero: Negócio Mistério - S06E15 - Omam-Biyik Mundial 90

A Bola Não Mente - S01E56 - Kawhi pode ser suspenso?

A Bola Não Mente - S01E55 - Os 56M de Neemias e as justificações dos Celtics

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do dia a dia do Benfica.

1. Comunicado oficial
Conheça a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca da decisão definitiva da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, que determina a realização à porta fechada de um jogo oficial no seu estádio.

2. Reforço integrado
Kamiński já trabalha no Benfica Campus.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Época dos Sub-23 apresentada
A equipa sob o comando técnico de Vítor Vinha teve a reunião de apresentação oficial da época 2026/27.

5. Juniores regressam ao trabalho
Avaliações físicas e médicas realizadas.

6. Contributo internacional
Federico Coletta esteve em ação por Itália no Europeu Sub-19.

7. Movimentações do defeso
A futebolista Anna Gasper está de saída do Benfica e vai atuar no Chicago Stars da liga norte-americana. A futsalista Maria Inês também deixa de representar o clube.

8. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

9. Casa Benfica Freamunde
Esta embaixada do benfiquismo reabriu portas."

Lanças...


História Agora


Portugal tem um problema com a gratidão


"Portugal foi eliminado do Mundial com um golo nos descontos contra a Espanha. Não há nada de escandaloso e vergonhoso nisto. Jogámos contra uma das melhores equipas do mundo e fomos competitivos até ao fim nesse jogo. E, no entanto, não terminámos todos isto com uma sensação de pouco por um lado, expetável por outro. E porquê? Por que é que não vibramos e sonhamos com este Mundial a 100 por cento? Quando temos dos melhores jogadores do mundo. No papel, das seleções mais fortes presentes nos Estados Unidos.
Nos anos 90 o país punha 120 mil adeptos na Luz para ver os juniores a serem campeões do mundo, ia à loucura com um golo de Rui Costa à Irlanda que nos dava apenas e só apuramento para um Europeu. Durante o Euro 2004 e o Mundial 2006, o Marquês enchia-se como se Benfica ou Sporting tivessem sido campeões em cada vitória do país nessas competições.
20 anos depois o país vê a seleção, torce, vibra, reclama, mas um dia depois da eliminação, já toda a gente encolheu os ombros e partiu para outra. E se calhar podíamos ser agora mais candidatos à vitória do que nessas gerações passadas.
Posso ser polémico? Vibrámos pouco porque na verdade sabíamos que isto não ia correr bem. E porque sabemos que Portugal não era uma verdadeira equipa neste Mundial. Não acho Roberto Martínez um mau treinador, também não é incrível, mas foi a pessoa adequada para dar seguimento ao «show Ronaldo». E antes de criticar a titularidade de Ronaldo, quero deixar claro que também não foi só por ele que fizemos um fraco Mundial. Mas já lá iremos, primeiro Ronaldo.
CR7 é indiscutivelmente uma das maiores figuras de sempre do futebol português. Poderá até ser o maior jogador de sempre e ter ultrapassado Eusébio. E é provavelmente o português mais famoso de sempre. Todo e qualquer um de nós que já foi ao estrangeiro, sabe bem que assim que dizemos Portugal recebemos como resposta Ronaldo. E isso enche-nos de orgulho. Enche-me de orgulho! O lugar na História ninguém lhe tira!
Mas ser titular de Portugal aos 41 anos é uma coisa completamente diferente e absurda. Não faz sentido. Não fez sentido. Basta ver o fraco rendimento que teve. Foi o avançado que menos correu nos 1/16 avos de final, passou o Mundial todo sem fazer um drible, apenas marcou dois golos ao Uzbequistão, mesmo fazendo os 90 minutos em todos os jogos, menos no da Croácia, em que saiu para dar lugar a um Gonçalo Ramos que poucos minutos depois marcou golo.
Reparem, Eusébio em 1977 jogava no Beira-Mar e já não era melhor do que Fernando Gomes, Manuel Fernandes ou Nené. O tempo é implacável, acaba com todos os jogadores, por enormes que tenham sido no seu momento. Ou quando acaba isto? Ronaldo também deve ser titular no Mundial 2030? Não temos então que ser gratos?
Ronaldo jogou por se chamar Cristiano Ronaldo. Se se chamasse João António, teria sido Gonçalo Ramos o titular. Mas é um produto financeiro enorme para a FPF e esta quer explorar o produto até à última gota. E o próprio tem um ego enorme e é incapaz de se olhar ao espelho e dizer «já não dá». Da mesma maneira que certamente está rodeado de familiares e amigos, e nem um tem coragem de lhe dizer «já não dá».
E depois está num país que valoriza muito a gratidão. Foi a mistura perfeita para termos um jogador de 41 anos na frente de ataque, que já pouco acrescenta à equipa, a fazer 90 sobre 90 minutos, enquanto todos os outros jogadores, umas décadas mais novos do que ele, iam saindo.
Amália Rodrigues tem um famoso último concerto no Coliseu dos Recreios em 1994 em que a voz já lhe faltava. Ficou famoso o quanto pedia ajuda ao público para cantar por ela enquanto dizia «obrigado». O tempo já lhe tinha tirado a magnífica voz e alguém lhe devia ter dito para já não fazer aquele concerto, mas pelo menos não estava a tirar o lugar a uma «Mariza» lá atrás. Não prejudicou ninguém. Acabou por ser carinhoso. O público agarrou-a e disse «amamos-te igual e deste tanto a nós, que agora damos nós a ti».
Mas esta insistência em Ronaldo acaba por prejudicar o próprio e toda uma geração maravilhosa de jogadores portugueses que nunca puderam ser uma verdadeira equipa. O futuro dirá quantas entrevistas estes jogadores darão lá mais para a frente quando forem velhotes e tiverem coragem para dizer o porquê de terem rendido tão pouco neste Mundial.
Tal como o Benfica com Rui Costa (e antes Vieira), Portugal confunde gratidão com racionalidade. Temos uma incapacidade enorme de fechar ciclos, de separar as coisas e de aceitar que há momentos e o tempo é implacável com todos. E aqui o que me revolta mais é que este fenómeno tão humano e global, mas que em Portugal é exacerbado, é aproveitado pelas cabeças maquiavélicas dos gabinetes da FPF para passar um pano limpo em algo não tão limpo.
É que Fernando Santos teve o seu destino traçado quando teve a coragem de pôr Ronaldo no banco em 2022 e Roberto Martínez é escolhido por saberem que ia continuar com a marca Ronaldo, o produto Ronaldo a gerar muitos milhões à empresa FPF. Há aqui interesses além do futebolístico. E pouca gente na nossa população refere isto porque ficam inibidos pela tal «gratidão» e muitos dos que sobram não têm coragem de dizer aos outros «o Rei vai nú!».
Este fracasso não apaga Ronaldo. Ronaldo fica na História do futebol português e de Portugal. Sugiro até o seguinte: façam uma estátua do Ronaldo no Estádio Nacional, tal como a que Eusébio tem no Estádio da Luz. Ele merece! Quando acabar a carreira, sejamos gratos nas homenagens. O Ronaldo de tantos golos, de tantas qualificações, do Euro 2016, das duas Ligas das Nações!
Agora talvez isto tudo lhe vá prejudicar um pouco a imagem final, tal como prejudicou na Amália ou em Elvis Presley. Estes momentos finais da carreira de Ronaldo não foram bonitos. E jogadores como Bernardo Silva, Gonçalo Ramos ou Bruno Fernandes devem-se sentir frustrados. Aliás, todo o país se deve sentir.
Que venha agora Jorge Jesus, que este siga em frente neste capítulo Ronaldo, exija mais qualidade e responsabilidade aos restantes jogadores (que também têm que a ter), que voltemos a jogar em equipa e com os 11 jogadores em campo a terem uma disponibilidade física e dinâmica fortíssimas e que a seleção consiga voltar a apaixonar os portugueses. E com Ronaldo a assistir da bancada e Eusébio lá do céu, seremos certamente «muita fortes», como diz o JJ."

Isto não é sobre Cristiano Ronaldo


"Não é sobre Cristiano.
É sobre um selecionador que esteve mais preocupado em proteger o ego de um jogador do que em fazer o que era melhor para a equipa. 
Isto não é sobre Ronaldo.
Mas é sobre um treinador que preferiu ao longo de 450 minutos ter um avançado de 41 anos, da liga saudita, a outro contratado por 74 milhões pelo AC Milan ao PSG.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Isto é sobre um ponta-de-lança que em cinco jogos não fez um remate de cabeça, um único drible, um passe chave para assistir um colega.
Não, não é só Ronaldo.
É sobretudo uma equipa que ao 45º jogo com este selecionador não é capaz de ter identidade vincada, ADN próprio e prefere jogar um jogo camaleónico e de adaptação ao estilo adversário. A estratégia pontual acima da ideia consolidada.
Isto não é sobre Cristiano, meus caros.
É sobre uma seleção cheia de talento, desperdiçada em erros primários. Vide o golo da Espanha: falta cometida, protestos, desconcentração, Rúben Dias a sair da linha e a criar espaço para o passe de Ferrán Torres. Básico.
Ronaldo foi mais um problema, não foi o único problema.
A que quis jogar Portugal? Ter Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo (mais Félix), jogadores de toque, drible e passe - o coração e a casa das máquinas -, e em momentos de aperto e indefinição lançar a vertigem e os sprints de Leão e Chico Conceição. O estado de ânimo em vez da convicção.
Insisto: isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Não há uma clarificação no discurso, apenas frases gentis para agradar a gregos e troianos. Dizer que acabar em primeiro ou em segundo lugar no Grupo K é igual, não é só um disparate ou um lapsus linguae. É gozar com a inteligência de quem escuta e sofre com o destino da Seleção Nacional.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
É a necessidade urgente de desenhar o futuro e escolher um líder capaz de fazer a Seleção Nacional exprimir tudo o que sabe, à volta dos melhores elementos: Diogo Costa, Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes – mas não o Bruno deste Mundial. Cristiano já não mora aqui há quatro/cinco anos.
Isto já foi sobre Cristiano Ronaldo.
Cristiano é pretérito perfeito, talvez pretérito mais do que perfeito, embora insista em ser presente do indicativo. O tempo verbal faz a maior das diferenças para quem decide e para quem joga.
O futuro na Seleção, mesmo no condicional, não é uma opção aceitável para o CR7.

PS: Jorge Jesus trabalhou na Arábia Saudita e conhece os defeitos e as virtudes atuais de Cristiano. Não me venham com ingratidão. Aqui só me interessa rendimento e competência. Para gratidão há um gabinete na FPF à sua espera e um papel de realce no edifício do futebol português. Isto, claro, se o avançado e acionista do Al-Nassr não optar por continuar a ser um ativo do governo teocrático saudita."

Jorge Jesus? Pensámos mesmo bem nisto?


"Não está em causa o treinador e os seus méritos, mas sim como se encaixa num novo ecossistema que não conhece e num contexto específico, que lhe pede valências que ainda não mostrou

Roberto Martínez. Já muito se escreveu sobre ele, mas deixem-me também encerrar o capítulo e seguir em frente. O espanhol precisou de ser defendido quando os colegas portugueses não o queriam por cá por ser estrangeiro, e ainda por cima logo daqui ao lado, do outro lado da fronteira, e lembro-me que o fiz com ressalvas, lembrando que, apesar de achar que a ideia ofensiva colava melhor com a nossa identidade do que a do seu antecessor — antes de perceber que, afinal, era tão receoso quanto este — também não criava roturas. Era um homem de estatutos e hierarquias.
O medo que começou a ter quando finalmente percebeu que um sistema é mais do que três ou quatro números seguidos, que é preciso ter músculo a cobrir o esqueleto, acabou por aprisionar os jogadores ao modelo: Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves, Cancelo, todos eles ficaram amarrados aos defeitos do espanhol. Cumprindo exemplarmente o guião, mesmo que poucas vezes fizesse sentido. Talvez só Nuno Mendes se tenha libertado um pouco, quando teve o físico do seu lado. Terão sido esses mesmos jogadores que o mantiveram no cargo com a conquista da Liga das Nações, sob a ameaça, também ela limitadora, de Mourinho. Admiti então que, finalmente, se poderia construir a partir daí. Enganei-me, porque Martínez não tinha bagagem para tal. Foi um erro de casting tremendo. Se tenho dúvidas que aquela geração belga, com uma defesa tão frágil, fosse realmente de ouro a ponto de conquistar uma grande competição, não tenho dúvidas de que estragou a portuguesa. O melhor grupo de trabalho que algum treinador teve à sua disposição, sim, e o resto é ruído.
Foi um facilitador político. Não foi um selecionador, porque se manteve fiel quase sempre aos de sempre, e ainda menos um bom treinador, com tantos erros básicos que cometeu de abordagem. Foram ainda três anos de comunicação sonsa, embalados pelo sorriso e pelo português esforçado, que nada explicava e tudo embelezava. Nunca teve coragem para dizer a verdade, para tomar decisões difíceis, nunca teve rasgo ou criatividade para mudar um jogo. E será sem saudades que lhe diremos ‘Adeus, até nunca mais!’.
Jorge Jesus é o próximo. E há muito estava decidido que o seria. É o homem do presidente, a sua aposta para vencer e colar a esse triunfo a habitual propaganda que o carregará, acredita, a altos cargos na UEFA ou na FIFA. Porque o sucesso dos governantes não é feito de conquistas profundas e grandes mudanças estruturais, mas de colagem às fotografias certas. De números no Excel. De elogios em círculo, pelos de sempre, porque fazem parte do cargo. Há muito que a demanda por um bem maior não entra no dia a dia de quem manda no futebol em Portugal.
Jesus foi treinador de sucesso durante vários anos em Portugal e, depois, no Brasil e, a um nível muito próprio, na Arábia Saudita. É também um dos maiores influenciadores do jogo português e merecia obviamente o cargo. Ser selecionador assenta-lhe bem. No entanto, isso só por si não o transforma no homem certo no lugar certo.
O JJ revolucionário já não existe. E isso até pode ser pouco relevante para um selecionador, que treina menos dias, tem menos tempo para o trabalho minucioso e para a correção de detalhes. Que tem apenas tempo para tentar unir as pontas soltas. Mas esse não é o perfil de um técnico como ele, obcecado com o jogo. Sobretudo no momento defensivo. Porque no ataque depende muito do talento individual e como este se complementa para criar.
A sua última versão não se impôs em Portugal. Os seus maiores sucessos sempre dependeram da quantidade de talento que tinha ao dispor e nunca voltou a ter tamanha superioridade em relação aos demais. Pior, o bom futebol ofensivo desapareceu. O ataque posicional foi desastroso. A equipa, mal montada no ataque, transitava mal para o momento sem bola. Nunca controlou os jogos. Precisamente críticas que se ouviram a Martínez.
Apesar de mais maduro, não deixa de ser uma bomba-relógio. A sua arrogância já fez com que perdesse um título para Rui Vitória quando disse o que não podia. Já empurrou um polícia por causa de um adepto, foi empurrado por Cardozo no Jamor, mostrou três dedos a Tim Sherwoord, depois de um terceiro golo ao Tottenham, embrulhou-se mil vezes, propositadamente ou não, com o nome de Lopetegui e expôs publicamente o crónico estado físico de Neymar para o resto da carreira. Institucionalmente, é uma dor de cabeça permanente. E já não se trata de um clube, trata-se da representação de um país, com impacto bem maior.
Num momento em que a Seleção vai pedir renovação a pensar no Mundial em casa, o ex-treinador do Al Nassr é mais um que gosta de jogadores feitos. Os do Seixal teriam de nascer dez vezes para poderem vingar quando ele treinou o Benfica. E poucos o conseguiram. Preferiu sempre comprar, sobretudo no Brasil, algo que agora obviamente não poderá fazer. Ainda que possa naturalizar quem ainda escape a um cada vez mais fraco Escrete.
E, no fim disto tudo, ainda está o elefante no meio da sala. Jesus não chega acompanhado, bem pelo contrário, de uma ideia de rotura em relação a Ronaldo, depois de mais um Mundial para esquecer, em que condicionou toda a equipa. Sim, porque se o medo de Martínez acorrentou os jogadores, ter um corpo estranho no ataque ainda mais os bloqueou. Ou acreditamos que todos ao mesmo tempo desaprenderam de jogar assim que pisaram a América? Somos mesmo ingénuos a esse ponto? Nada acontece por acaso.
Foi seu treinador no Al-Nassr e admitiu publicamente que aceitou o convite com o propósito de levar o capitão da Seleção ao título. Gostaria de acreditar, mais uma vez, que essa não é condição sine qua non para que seja a aposta de Proença. Que o racional é finalmente desportivo, que se quer dar continuidade à brilhante formação que temos tido, mas que, num país como o nosso, em que não se aposta nos jovens, não se tem cultura desportiva e se está em permanente guerra sem qualquer respeito pelo produto, não é inesgotável.
Não há, obviamente, muitos nomes em Portugal que tivessem estatuto para o cargo. Mas precisamos de nomes ou competência? Mesmo que o racional seja apenas desportivo, temo que ainda não seja com Jesus que chegaremos lá. Ainda que não devamos julgar por antecipação, há indícios de que é mais uma decisão em que não se olha para o quadro geral e se escolhe alguém mediático a ver se pega. Cá não há De La Fuentes. Em que a ideia certa vale mais do que quem a tem. É ter fé. Porque somos um país de fé. De Fátima. De futebol. E de fado. Raramente de razão."

Substituir um espanhol e tentar jogar o dobro. Onde já se viu isto, Jesus?


"Jorge Jesus chega, aos 71 anos, ao ponto mais alto da carreira. Mais que futebol, uma lição de vida. O desafio: ser 'a' estrutura e ficar quatro anos no mesmo sítio, o que não acontece desde a primeira saída do Benfica

Em primeiro lugar, o homem: atingir, aos 71 anos, o ponto mais alto da carreira de treinador é, antes de mais, uma lição de vida. Jorge Jesus é a prova de que a qualidade não tem prazo de validade e este é um exemplo que pode e deve ser inspirador para qualquer setor de atividade.
O treinador natural da Amadora será o próximo selecionador nacional, em substituição de Roberto Martínez, na sequência de um trajeto atípico e, por isso mesmo, único. Nos primeiros 10/15 anos, todas as duas equipas apresentavam bom futebol, mas em muitos momentos faltava regularidade nos resultados e dessas oscilações resultaram entradas e saídas em clubes que não tinham porventura os mesmos objetivos ambiciosos que ele.
Durante muitos anos prevaleceu um certo preconceito dos três grandes em avançar para Jorge Jesus, daí que seja justo dizer que há um antes e pós-2009, quando Luís Filipe Vieira se tornou o primeiro presidente de um dos grandes a decidir arriscar e contratar um técnico de 55 anos, cuja idade, segundo a moda vigente, já era demasiado avançada para tão ambicioso projeto.
O resto já se sabe: globalmente, o Benfica jogou mais e ganhou mais e a passagem pelo Sporting e o regresso à Luz não causaram danos estruturais do ponto de vista do estatuto, ou seja, nunca mais foi visto como treinador de clube médio ou pequeno, e a decisão de ganhar dinheiro na Arábia Saudita ou prestígio no Brasil, tornando-se num ídolo no Flamengo, é tão legítima como qualquer outra.
Em segundo lugar, a missão: Jesus chega à Seleção num contexto que já o favoreceu no passado e com curiosas semelhanças com a época 2009/10 – também vem substituir um espanhol (à data, Quique Flores) e tem o dever de pôr a equipa a «jogar o dobro». Só ele poderá responder, no campo e no gabinete, como se pode pôr Portugal a jogar melhor (porque é assim que estará mais perto de ganhar), mas este deve ser o momento (fosse quem fosse o sucessor de Martínez) para voltar às raízes e recordarmo-nos de que os grandes desempenhos da Seleção (2016 foi uma exceção porque aquela geração obrigava a um futebol mais resultadista) tiveram sempre como chão comum a criatividade individual. Já nem vou falar da tradição dos extremos mais clássicos, essa posição em vias de extinção, mas de uma forma ou de outra Portugal tem de voltar a encontrar-se consigo próprio e procurar conforto no seu ADN.
Mas para isso terão de ser feitas escolhas, algumas delas eventualmente duras. Jesus tem sido relativamente bem-sucedido nesta área, mas em contexto de clubes, onde se assume não como um treinador «de estrutura», mas sendo ele «a estrutura». Todos sabemos o que isto significa: nunca permite que a sua autoridade seja posta em causa. Ao assinar pelo menos até 2030, não estamos à espera que seja um período de liderança suave na Cidade do Futebol. Até porque desde que saiu do Benfica em 2015 nunca ficou quatro anos no mesmo sítio.
Eis mais uma novidade para um homem de 71 anos. Que, em boa verdade, só parece tê-los no cartão de cidadão.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Diogo Costa, guarda-redes da Seleção Nacional
Foi o melhor jogador da Seleção no Mundial, o que diz muito de Portugal. Do guardião que errou com Marrocos em 2022 ao dono das redes em 2026 há um mundo a separá-los. Um monstro das balizas.

Estagnado
Cristiano Ronaldo, avançado da Seleção Nacional
Sai do Mundial pela porta pequena porque, tal como se esperava, aos 41 anos não fez a diferença. Mas que não haja confusões: o tempo voltará a lembrar-nos que Ronaldo é uma lenda. Mas de um passado que já não volta.

A descer
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol
Assumiu, no momento da derrota, que Roberto Martínez não era a sua opção, quando teve tempo para fazê-lo em momento de vitória. Se queria sair por cima no adeus ao Mundial 2026, o tiro saiu ao lado."

Dez anos depois…


"«Temos sempre Paris», disse Humphrey Bogart (Rick) a Ingrid Bergman (Ilsa) na obra prima ‘Casablanca’, estreada em 1942. Nós também «temos sempre Paris», na sequência da obra prima, realizada por Fernando Santos, que nos levou ao título europeu: teve em Éder o herói improvável, e em Cristiano Ronaldo a estrela cintilante. Foi há dez anos, e a FPF resolveu assinalar a data com a apresentação do novo selecionador nacional para o período 2026/30, Jorge Jesus, que já foi muito feliz quando sucedeu a um treinador espanhol, Quique Flores, por altura da sua primeira passagem pelo Benfica, circunstância análoga à que vivemos hoje, quando o ex-treinador do Al Nassr passa a sentar-se na cadeira até agora ocupada por Roberto Martínez.
Tal como sucedeu a todos os que o antecederam à frente da Seleção Nacional, e sucederá a todos os que lhe sucederem, JJ vai responder por resultados, num contexto de fasquia bem alta, como se viu pelas exigências tornadas públicas na América do Norte. Antes do Mundial de 2030, para o qual estamos apurados como anfitriões, Jesus estará, como campeão em título, na Liga das Nações 2026/27, que começa já em setembro; segue-se o Europeu de 2028, e a Liga das Nações de 2028/29, que adotará um formato diferente do atual.
Do que acontecer nestas três competições dependerá o estado de espírito com que iremos encarar o ‘nosso’ Mundial, sendo que desde 1998 (França) nenhum anfitrião levanta a Taça (e Brasil e Alemanha já jogaram ‘em casa’).
Mas hoje não é dia para grandes análises, haverá tempo para isso, depois das primeiras palavras de Jorge Jesus, e, sobretudo, após a primeira convocatória para o Portugal-País de Gales que se disputará em Alvalade a 24 de setembro.

PS - Apesar da resistência de Marrocos, de algumas grandes defesas de Bono, e até de tentativas tímidas de surpreender os gauleses, os vice-campeões mundiais mostraram-se demasiado fortes para os norte-africanos, plenos de argumentos e confiança, tudo isto potenciado pelos extraordinários Mbapée, Oliseh e Dembelé. A França está a apresentar credenciais, e daqui a nove podemos estar perante a reedição da final do Catar, embora a Argentina, onde Messi tem justificado a proteção que lhe é dada, tenha tido alguns ‘soluços’ inesperados ao longo da competição…

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Jesus é o senhor que se segue


"Não sabemos como será JJ sem pisar diariamente o relvado, mas é provável que a obsessão pelo detalhe ajudará a compensar o reduzido tempo de trabalho no campo de treino

Dez anos depois da conquista do título europeu, o ambiente em torno da Seleção é de desapontamento, perante a eliminação do Mundial. Depois de ter conseguido dobrar o Cabo das Tormentas do êxito desportivo, em Paris, a equipa das quinas não foi tão conquistadora quanto seria de esperar. É verdade que foram erguidas duas Ligas das Nações na última década, mas a expectativa era mais elevada.
Três Mundiais e dois Europeus depois, a Seleção nem sequer conseguiu chegar a meias-finais, precisamente a meta traçada este ano por Pedro Proença.
O balanço do Mundial 2026 foi mesmo aquém do esperado, e o que desilude não é propriamente a derrota com Espanha, mesmo que seja nos oitavos de final, mas a imagem pálida que a equipa deixou na prova. Diogo Costa foi o único jogador que saiu claramente valorizado — o que diz muito —, e quando é assim a maior desvalorização é a do treinador. Roberto Martínez desiludiu na preparação técnico-tática dos jogos, na gestão dos estatutos e até na comunicação.
Se um grupo que tem alguns dos melhores jogadores do mundo não consegue formar uma das melhores equipas do mundo, então a qualidade não está a ser devidamente potenciada. É verdade que ficou patente a falta de uma identidade coletiva, até em comparação com a seleção espanhola (que já teve isso mais vincado), mas essa realidade não desculpa a pobre dinâmica da equipa das quinas, que até tem vários grupos de jogadores que partilham clube. Esse debate é pertinente, mas quem conhece o futebol português não pode esperar consensos alargados, mesmo que o assunto seja mais para treinadores do que para dirigentes.
Também ninguém estará realisticamente à espera que a escolha de Jorge Jesus para selecionador venha agarrada a um projeto de fundo que chegue à formação. O plano é potenciar o talento que existe, e rapidamente. Não há quem possa garantir resultados, mas a contratação consegue reunir considerável consenso, embora mostre pouca coerência no perfil, tendo em conta que há um ano o alvo era José Mourinho.
Será curioso perceber como será JJ sem pisar o relvado todos os dias, mas a exigência e o cuidado com o detalhe vão ajudar a compensar a falta de treinos.
Veremos também qual será a posição sobre Bernardo Silva (e do próprio jogador), e se a passagem pelo Al Nassr não foi estágio também para gerir o capitão Cristiano Ronaldo na Seleção."

O que é Bono que não acabe rápido


"Não sei se Yassine Bono vai chegar ao próximo Campeonato do Mundo e ajudar esta nova geração marroquina, cheia de talento, a continuar no topo do continente e, cada vez mais, do planeta.
Não é a questão da idade, ainda que comece certamente a pesar na elasticidade e nos reflexos, ainda que para já não pareça, mas sim o nível competitivo que apresentará daqui por quatro anos, sabendo-se que o seu contrato com os sauditas do Al Hilal termina em 2028. Acredito, contudo, que este extraordinário guarda-redes, que defendeu o que pôde perante a cada vez mais favorita França, tudo fará, se estiver ao seu alcance, para dar solidez à causa dos 'Leões do Atlas' em casa. Sim, porque o projeto terá apenas a prova dos nove no Mundial de 2030, que tem como organizadores Espanha, Portugal e precisamente Marrocos.
Foram sete, talvez oito as defesas que fez perante o cerco dos 'Bleus' à sua baliza em Boston. Doué obrigou-o a defender junto à relva, Mbappé fê-lo recuperar o dom da adivinhação no penálti e, depois, seguiu-se o tiro de Digne, que só conseguiu desviar com a ponta dos dedos para o ferro. Na segunda parte, lançaram novas incursões: Doué outra vez e, já depois de Mbappé e Dembélé terem tornado todo o seu trabalho inútil com dois momentos de pura magia, ainda negou a festa a Mateta, por duas vezes, e a Barcola, permitindo aos companheiros lutarem pela honra.
Lutarem para que aquele voo picado, nos 11 metros que separavam um dos maiores candidatos a melhor jogador do torneio do firme Bono, tivesse valido a pena. Em oito tiros anteriores, incluindo desempates, o guardião apenas tinha sofrido golo em dois. Defendera três, dois acertaram em cheio no poste e um saiu ao lado. O quarto que segurou ontem eleva-o ao estatuto de recordista, ao lado de nomes como Sergio Goycochea, Harald Schumacher, Iker Casillas, Danijel Subasic e Dominik Livakovic. Sozinho fez tremer Mbappé, que só pode agradecer o tempo que teve para recuperar o moral e ainda decidir. Não são todos que o conseguem, não é verdade?"

Cabo Verde, morabeza… seu bem acolher!


"Como luz que rasga o horizonte da distância e por indicador indissociável à problemática que ao longo do tempo lidera o pensamento filosófico do Desporto, como movimento na transcendência ou superação, na promoção e desenvolvimento da personalidade, como expressão da vontade e onde é capaz de emergir o sangue, a carne, a emoção, o desejo, a paixão (Sérgio M.), dizia, por indicação ou referência do meu grandíssimo PROFESSOR, foi encontrada a forma de no decorrer duns tempos a esta parte, ( julgo que nove anos), a resposta ao convite de Sua Excelência o Senhor Presidente da República e Governo de Cabo Verde, no momento Doutor Jorge Carlos Fonseca, algumas sessões que decorreram na aula magna do palácio presidencial, no auditório da Federação Cabo-Verdiana de Futebol e no palácio do governo.
O primeiro tema teve como título Na Força do Otimismo a Chama para o Sucesso, onde se procurou enquadrar uma dinâmica propulsora no combate ao pessimismo, provocado por situações de crise onde foram desenvolvidas e exemplificadas as principais fontes para a conquista do êxito.
O tema sequente versou Preparar para Ganhar, onde se procurou caraterizar e desenvolver a evolução do jogo de Futebol, a avaliação e periodização da época desportiva; a observação e análise do jogo e a preparação para a competição, terminando com estratégias de orientação prática mais utilizadas em termos pessoais em equipas que se sagraram campeãs europeias (hóquei em patins e futebol), subidas à 1.ª liga e campeãs, bem como a obtenção do 3.º lugar e o acesso à Liga dos Campeões duma equipa cujos objetivos no início da época se situavam nos processos de manutenção (Futebol Clube Paços de Ferreira com Paulo Fonseca), enquadrando outros estudos obtidos e revelados em trabalhos de campo em clubes que obtiveram êxito.
Outra temática desenvolvida, referiu-se à problemática do Exercício e Atividade Física para a Saúde, anotando as atividades físicas mais representativas no sentido de prevenir e recuperar essas patologias, apresentando exemplos bem significativos.
Outro tema de apresentação e discussão focou-se no tema Lesões — o Pior Inimigo dos Futebolistas, em que foram tidos em atenção os fatores predisponentes para o aparecimento de lesões no desporto; os fatores psicológicos associados à prevenção e recuperação de lesões desportivas; avaliação e diagnóstico psicológico das lesões e estratégias de acompanhamento e recuperação física e psicológica dos atletas lesionados.
Terminamos este ciclo de conferências com referência ao tema Desporto, Cultura, Vida e … Festa, em que foi elaborada a conceção histórica e evolutiva do desporto e da atividade física e a sua relação com o desenvolvimento do jogo como símbolo de solidariedade, tendo como compromisso os jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes e espectadores, apelando aos compromissos do fair play como escola de virtudes de preparação para a vida, noções de amizade, respeito pelo outro, luta contra a batota, doping, comercialização excessiva e corrupção.
A matéria constante dos temas em debate resultaram de publicações por mim efetuadas, e que as editoras Bertrand, Asa e Prime Books muito me prestigiaram, ao tornar público, associada à vida prática e pedagógica na formação de treinadores ou na minha carreira universitária.
Presente um grupo de formandos, envoltos por uma salutar competência no campo afetivo e atencional, renovando a esperança de fazer de cada dia um crescer de entusiasmo. Composto por professores de Educação Física e Desporto, treinadores de várias modalidades, docentes universitários, selecionadores nacionais, atletas olímpicos, magistrados, oficiais militares e outros, fizemos do acordo em estimular e promover a capacidade de reflexão das ideias, uma fórmula de aproximação da cultura científica à cultura humanista.
Perante figuras ímpares duma sociedade onde habita a fidalguia de trato, a civilidade do homem e a nobreza do cidadão, jamais poderei ficar quedo e mudo, impávido e imprevisível.
Deste modo, permitiram-me neste momento evocar o estatuto da grandeza do povo cabo-verdiano que habita no fino recorte do seu olhar. Pelo que me foi dado a perceber, denotava-se-lhe uma invulgar capacidade cultural, cujos traços de identidade roçava a fidalguia, negligenciava a apatia, fortalecia o entusiasmo, pela forma tão elegante e digna e generosa como me recebeu, marcou sem dúvida uma parte bem gravada na história da minha existência.
As visitas guiadas aos espaços dedicados à prática da atividade física e em especial ao Estádio Nacional, denotava-se um apego à explicação do pormenor, vendo reconstruídas valências autenticadas com o amor do coração, mesmo contagiante de quem vê na obra, gente de oiro equipada, para em termos de despedida me presentearem com o símbolo duma tocha olímpica e uma expressão que fará constar no vocabulário do meu coração... morabeza, o seu bem acolher!
Por isso, exaltei com esmerado júbilo a presença dos tubarões azuis neste Mundial, rubricando na história os 16 avos de final na sua estreia na competição, com três empates na fase de grupos e um prolongamento épico com a seleção campeã do mundo em título, a Argentina.
De referenciar a forma gigante como uma estrutura composta de gente simples e humilde fez da bandeira das 10 estrelas douradas, seu símbolo sagrado e que sem conhecer os atalhos para o facilitismo, transportou na alma as pegadas da experiência vivida e ostentou nos olhos as cores da esperança do tamanho do mar!
CANTA MEU IRMÃO, CANTA!"

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