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sábado, 11 de julho de 2026

Isto não é sobre Cristiano Ronaldo


"Não é sobre Cristiano.
É sobre um selecionador que esteve mais preocupado em proteger o ego de um jogador do que em fazer o que era melhor para a equipa. 
Isto não é sobre Ronaldo.
Mas é sobre um treinador que preferiu ao longo de 450 minutos ter um avançado de 41 anos, da liga saudita, a outro contratado por 74 milhões pelo AC Milan ao PSG.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Isto é sobre um ponta-de-lança que em cinco jogos não fez um remate de cabeça, um único drible, um passe chave para assistir um colega.
Não, não é só Ronaldo.
É sobretudo uma equipa que ao 45º jogo com este selecionador não é capaz de ter identidade vincada, ADN próprio e prefere jogar um jogo camaleónico e de adaptação ao estilo adversário. A estratégia pontual acima da ideia consolidada.
Isto não é sobre Cristiano, meus caros.
É sobre uma seleção cheia de talento, desperdiçada em erros primários. Vide o golo da Espanha: falta cometida, protestos, desconcentração, Rúben Dias a sair da linha e a criar espaço para o passe de Ferrán Torres. Básico.
Ronaldo foi mais um problema, não foi o único problema.
A que quis jogar Portugal? Ter Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo (mais Félix), jogadores de toque, drible e passe - o coração e a casa das máquinas -, e em momentos de aperto e indefinição lançar a vertigem e os sprints de Leão e Chico Conceição. O estado de ânimo em vez da convicção.
Insisto: isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Não há uma clarificação no discurso, apenas frases gentis para agradar a gregos e troianos. Dizer que acabar em primeiro ou em segundo lugar no Grupo K é igual, não é só um disparate ou um lapsus linguae. É gozar com a inteligência de quem escuta e sofre com o destino da Seleção Nacional.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
É a necessidade urgente de desenhar o futuro e escolher um líder capaz de fazer a Seleção Nacional exprimir tudo o que sabe, à volta dos melhores elementos: Diogo Costa, Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes – mas não o Bruno deste Mundial. Cristiano já não mora aqui há quatro/cinco anos.
Isto já foi sobre Cristiano Ronaldo.
Cristiano é pretérito perfeito, talvez pretérito mais do que perfeito, embora insista em ser presente do indicativo. O tempo verbal faz a maior das diferenças para quem decide e para quem joga.
O futuro na Seleção, mesmo no condicional, não é uma opção aceitável para o CR7.

PS: Jorge Jesus trabalhou na Arábia Saudita e conhece os defeitos e as virtudes atuais de Cristiano. Não me venham com ingratidão. Aqui só me interessa rendimento e competência. Para gratidão há um gabinete na FPF à sua espera e um papel de realce no edifício do futebol português. Isto, claro, se o avançado e acionista do Al-Nassr não optar por continuar a ser um ativo do governo teocrático saudita."

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