Últimas indefectivações

sábado, 9 de junho de 2018

Fernando Pimenta Tricampeão da Europa

Mais uma grande vitória do Fernando Pimenta, provavelmente o mais ambicioso atleta português da actualidade!!! E não estou a exagerar!!!
É o primeiro título europeu com a 'camisola' do Benfica, mas não deixa de ser um Tricampeão em K1 1000m!!!

E não vai ficar por aqui!!! Amanhã vamos ter o Fernando no K1 500m e no K1 5000m! Se no K1 o Ouro vai ser muito complicado, na prova de fundo é novamente o favorito!

A dupla Portela/Vasconcelos no K2 500m também se qualificou para a Final, tal como o João Ribeiro no K4 500m onde tem a companhia do Emanuel Silva, do David Varela e do Messias Baptista. Vamos ter 4 Finais amanhã, com atletas do Benfica, nestes Europeus de Belgrado.
Como é óbvio desejo sucesso para todos, mas estou particularmente esperançoso nas nossas meninas, podemos ter uma embarcação com aspirações Olímpicas!

PS: Uma nota para o Recorde Nacional da nossa nadadora Diana Durões, nos 1500m Livres. Com mais este resultado de excelência a Diana é neste momento a recordista nacional, dos: 200m, 400m, 800m e dos 1500 Livres!!!

Na Final...

Benfica 2 - 1 Braga

Não foi nada fácil... o Braga fechou-se bem, marcou praticamente no primeiro remate que foi à baliza, num contra-ataque, contra a corrente do jogo... e o Benfica demonstrou muitas dificuldades em entrar no 'bloco' adversário, a jogar com as linhas muito 'baixas'!!!
Chegámos ao empate a jogar em inferioridade numérica (após mais uma parvoíce do Roncaglio!), num grande trabalho do Fernandinho... e depois o Robinho inventou o golo da vitória!!!

Os jogos da Final serão completamente diferentes, o Benfica do Joel tem sempre demonstrado muito mais dificuldades neste tipo de jogos (fomos eliminados o ano passado), do que contra o Sporting. Na última partida com os Lagartos, para a Taça, tivemos mal (com várias ausências...), permitimos demasiados contra-ataques, algo que normalmente não acontece...

Suspeito que o Roncaglio vai levar um castigo 'elevado', ficamos com o Cristiano, que até já tem experiência de Finais de Play-off!
Temos equipa para ganhar, mas vai-se jogar muito fora das 4 linhas...!!!

Mais uma 'goleada' do Joel, no final do jogo!

Fim de época...

Benfica 10 - 4 Grândola

Despedida... numa época que correu abaixo das expectativas.

Destaque para a despedida do grande Trabal..!!!

Juvenis - 7.ª jornada - Fase Final

Sporting 1 - 3 Benfica


Vitória esperada, com grande domínio... com o golo dos Lagartos a ser marcado perto do final...

Faltam três jornadas, com dois jogos em casa e com uma deslocação a Guimarães... Os Corruptos têm amanhã uma partida difícil em Braga... Mas neste momento, só dependemos de nós...

A selecção de 2018 é muito melhor do que a de 2016

"Falta uma semana para o arranque do Mundial e o jogo com a Argélia foi excelente para desfazer dúvidas. Há muito que não se via uma exibição tão esclarecedora da nossa selecção e logo em vésperas de um importante torneio, quando é normalíssimo haver montanhas de incertezas na cabeça dos adeptos e também, haja respeito, na cabeça do seleccionador. Isto de ter de escolher 11 entre 23 jogadores é um quebra-cabeças. É verdade que a selecção argelina não é grande espingarda, mas não foram apenas as suas insuficiências que autorizaram Bruno Fernandes, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva a desfazer todas as dúvidas sobre quem devem ser os titulares das posições em que se exibiram no Estádio da Luz naquele que foi o jogo de despedida da Selecção antes da partida para a Rússia. 
Houve ocasiões em que Fernandes, Guedes e Silva até exageraram. Já estava toda a gente mais do que convencida de que aqueles três tinham, como se costuma dizer, "agarrado o lugar", e eles, estilhaçadas as dúvidas, continuavam a elevar a sua arte e as suas eficácias a um patamar francamente indecoroso. Por causa destes (e também por causa de outros) é que a selecção portuguesa de 2018 é muito melhor do que a selecção de 2016 que, há dois anos, conquistou em França o título de campeã da Europa. O facto de ser muito melhor não significa que tenha a obrigação de vencer o Mundial nem de andar lá perto. Não, nada disso. Um Campeonato do Mundo não é um Campeonato da Europa. Graças ao progresso da ciência, é certo que Cristiano Ronaldo está cada vez mais novo e também é verdade que esta nova vaga de jogadores portugueses se apresenta como empolgante, mas nada garantirá na Rússia a sequência de golpes de sorte que pautou a caminhada portuguesa até ao tal título continental naquela noite parisiense. Uma coisa dessas não volta a acontecer. É pena.
As claques não fazem falta nos estádios de futebol, como se viu anteontem na Luz. Casa cheia, apoio incondicional, público comum. Os que dizem que as claques fazem falta porque dão mais alegria às bancadas e mais cor e cânticos ao espectáculo, não sabem do que estão a falar. Por claques entenda-se, obviamente, grupos de desordeiros protegidos pelo colapso do Estado e pelas pessoas que dizem que as claques fazem muita falta ao futebol.
O líder (ou ex-líder, tanto faz) da claque entrou ontem no tribunal algemado, com as mãos atrás das costas e arrastado pelo braço, sem-cerimónia, por um polícia. Imagine-se, um polícia a faltar ao respeito a um líder de uma claque e em público. Que problema tremendo. Nestes casos, no entanto, é bem melhor ser polícia do que ser jogador. Um jogador ainda bem recentemente foi admoestado pelo patrão por ter desconsiderado em público um VIP do hooliganismo: "Por que fizeste aquilo ao chefe da claque? Agora tenho um problema tremendo…" Já não há respeito."

Novela sem fim

"Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. A frase ajusta-se aos últimos acontecimentos da novela em que mergulhou o Sporting e que dificilmente terá final feliz. A decisão do tribunal, que indeferiu a providência cautelar apresentado pela Mesa da Assembleia Geral para que o Conselho Directivo garantisse os meios necessários à AG destitutiva de dia 23, deu argumento para novo episódio: entende Jaime Marta Soares que o juiz o legitimou como presidente da MAG e, consequentemente, a própria AG para os sócios votarem a saída do presidente; entende Bruno de Carvalho que não, que o tribunal indeferiu o pedido formulado por Marta Soares para o legitimar como presidente em exercício da MAG, dando, por isso, razão ao CD. Neste caso, que infelizmente para os sócios e adeptos do Sporting não é ficção (embora às vezes pareça), a verdade estará no meio.
Lendo o acórdão, o juiz entende que Jaime Marta Soares é ainda, de facto, o presidente da MAG, mas deixa claro que, não sendo isso que está a decidir - e tendo em conta que uma providência cautelar tem de ser decidida com urgência - não ser exigível, para esta decisão em concreto, «um juízo de certeza» ou «uma prova aprofundada», bastando ter «indícios suficientes da verosimilhança de tal direito» ou «probabilidade séria» desse facto. Ou seja, na leitura do juiz há «indícios suficientes» de que Jaime Marta Soares continua a ser presidente da MAG, pelo que a AG destitutiva é legítima. Mas não era, percebe-se, isso que estava em causa...
A reter nesta nova guerra aberta em Alvalade é que nem um tribunal consegue acabar com as diferenças entre os dois lados da barricada. Cada um lê o que quer, como quer e passa a mensagem que quer. E no meio fica o Sporting, que não consegue vislumbrar uma saída para a crise. E o relógio não pára, convém, que alguém se lembre disso."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Sporting à beira de um ataque de nervos

"A novela até mete um médico que sofre de burnout e um jornalista de avental que descobriu o futebol aos 60 anos.

Não fosse a seriedade do assunto e teríamos a melhor telenovela de sempre: Sporting, um clube à beira de um ataque de nervos. Confesso que me diverti imenso com as peripécias da continuação de Bruno de Carvalho, já que na telenovela aparece um médico que, notoriamente, sofre de burnout; um jornalista que o único desporto que praticou foi de avental e que descobriu o futebol aos 60 anos para agora ser fiscalizador; um ex-político que tenta intelectualizar o desporto, com algum caviar à mistura, calculo; um bombeiro que adora deitar gasolina quando o seu papel deixa muito a desejar neste processo todo; e um presidente que se deve sentir Dom Quixote a lutar contra moinhos de vento.
O percurso de Bruno de Carvalho é muito parecido com o de Vale e Azevedo, o presidente benfiquista que era idolatrado por muitos sócios até cair em desgraça e ser derrotado por Manuel Vilarinho – só um presidente muito vulnerável poderia perder tais eleições... Bruno, que há três meses foi ‘reconduzido’ com mais de 90% de apoio dos sócios, está agora a ficar totalmente isolado, já que a sua guarda avançada ou está presa ou com medo de aparecer.
Assim sendo, uma manifestação a exigir a sua demissão, com as tais personagens pitorescas, conseguiu reunir quase 500 adeptos, enquanto a suposta contramanifestação reuniu meia dúzia de gatos pingados. Bruno sabe perfeitamente que, se se sujeitar a novas eleições, poderá ter o mesmo destino de Vale e Azevedo e ser derrotado por uma figura de segunda linha. No actual estado de desgraça, Bruno de Carvalho não quer arriscar ir a eleições com medo de perder o poder. Se a sua guarda pretoriana não estivesse com os problemas que está, tudo seria diferente.
Na novela sportinguista até surge um homem ligado à extrema-direita e que cumpriu pena de prisão por vários crimes, sendo inclusivamente acusado de ter estado envolvido nas agressões que levaram à morte de Alcindo Monteiro, um jovem cabo-verdiano que foi morto só por não ser branco. Machado quer candidatar-se à liderança de uma das claques do Sporting, e talvez este seu gesto obrigue, finalmente, o Governo a pôr cobro ao forrobodó que se vive nos grupos de adeptos que espalham o terror por onde passam quando as suas equipas vão jogar fora. Já para não falar das agressões que cometem sobre os adeptos das outras equipas.
Certo é que o Sporting atravessa um período que o poderá levar a viver uma das suas piores épocas de sempre: sem treinador, a 20 dias do recomeço da época, sem saber com que jogadores poderá contar, com uma liderança sem rei nem roque, o clube aproxima-se do abismo. Os sócios têm a palavra, mas pelos vistos a obsessão de Bruno de Carvalho poderá dificultar ainda mais a vida do emblema de Alvalade.
Por fim, é penoso ver aqueles que sempre apoiaram Bruno de Carvalho, mesmo quando este dizia as maiores alarvidades, a fugirem dele como o diabo foge da cruz. Faz pena ver Eduardo Barroso à beira de um ataque de nervos na televisão a tentar explicar o inexplicável. Quando as pessoas se têm em tão grande conta, julgando-se o centro do universo, é natural que o seu ego as faça descarrilar. Bruno de Carvalho, verdadeiramente, só está a ser tão atacado pelos acontecimentos de Alcochete. Antes disso, todos estiveram com ele e só agora é que começaram a chutar na mesma direcção. O ainda presidente sportinguista deve estar a pensar o céu lhe caiu em cima da cabeça e não tem nem o Astérix nem o Obélix para o defender."

O que diz o Juiz

"O despacho do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa sobre a providência cautelar apresentada por Marta Soares para viabilizar a assembleia geral do dia 23 sentencia o seu indeferimento mas está longe de ser uma derrota para o presidente da Mesa da AG. Pela mão do juiz pode ler-se que fica "sumariamente demonstrada a existência da qualidade do requerente [MAG] e indiciariamente a convocatória da AG por quem de direito". Ou seja, Marta Soares é reconhecido como presidente da MAG e a assembleia foi convocada de forma legítima.
O juiz considerou no entanto não estarem reunidos "os meios adequados a acautelar que a AG não se transforme num risco para a integridade física dos participantes". E por isso ‘chumbou’ o pedido de Marta Soares. O argumentário do juiz é pouco claro, mas o seu receio em dar luz verde à realização de uma AG que pode gerar violência é evidente e foi o motivo que o levou a rejeitá-la.
A tese de que o juiz não reconhece legitimidade a Marta Soares é falaciosa por uma razão simples: é que ele tem de decidir pelo todo da providência e não apenas por alíneas. E como numa delas seguia o pedido de Marta Soares para exercer as suas funções de líder da MAG nessa AG, conclui-se errada e enganosamente que esse cargo não lhe é reconhecido."

Cadeira de pesadelo

"Não será fácil encontrar alguém com tão pouco a perder que aceite treinar o Sporting de Bruno de Carvalho

1. Sá Pinto diz que "não estão reunidas as condições para voltar ao Sporting" e Scolari explica que "neste momento" não pode aceitar o convite, provando definitivamente que não, o burro não é ele. Encontrar alguém que aceite treinar o Sporting está a revelar-se tão complicado como era fácil de prever depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, mas também perante a expectativa de tudo o que pode suceder nas próximas. Será preciso alguém muito - como dizê-lo sem ferir susceptibilidades? -, "especial" para aceitar um convite de Bruno de Carvalho nesta altura, quando a memória da forma como Jorge Jesus foi tratado ainda está fresca como uma ferida aberta e o futuro do clube é uma incógnita. Porque se era difícil encontrar alguém capaz de lidar com um presidente que não pensa duas vezes antes de dinamitar um balneário inteiro, que festeja as vitórias na primeira pessoa do singular e sacode a responsabilidade pelas derrotas para os ombros de terceiros, é pouco menos que inverosímil fazê-lo numa altura em que ninguém pode saber que plantel restará em Alvalade depois de a poeira das rescisões assentar e, sobretudo, quando aquilo que se discute é se este presidente ainda tem legitimidade para tomar decisões desse calibre.
2. O Real Madrid ganhou muito com Cristiano Ronaldo e Cristiano Ronaldo ganhou muito com o Real Madrid. Se chegou a hora de seguirem caminhos diferentes, a única certeza que sobra é que tanto um como o outro vão continuar a ganhar. De resto, o anúncio da separação até pode ter chegado na altura certa. Afinal, Ronaldo chega ao Mundial a precisar de ganhar como nunca e todos sabemos do que ele é capaz quando é preciso."

O Mundial da minha nostalgia

"Após 32 anos e oito Campeonatos do Mundo, este será o primeiro Mundial em que não estarei. Por decisão pessoal e consciente.

É deveras curioso como pode a mente humana causar-nos tanta surpresa. Exemplo pessoal, que não me importo de partilhar convosco: sentir nostalgia, antes da razão objectiva de a sentir.
Não me arrependo - e julgo que não virei a arrepender-me - de não estar fisicamente presente no Mundial da Rússia. Todas as coisas têm o seu tempo e nunca foi meu projecto de vida profissional andar a bater recordes de longevidade.
Acompanhei oito Campeonatos do Mundo. Desde 1986, não perdi nenhum. Desde 1986, não perdi nenhum. Adorei ter estado durante dois longos meses, naquele frenesim histórico do México, em 86; no pachorrento Itália 90; no Mundial contra natura dos Estados Unidos, em 94; no esplendor da vitória da França racialmente plural, em 98; no longínquo, mas sofisticado Coreia/Japão, primeiro Mundial do século XXI; no legítimo orgulho lusitano de uma das nossas selecções maiores, no Alemanha 2006; ainda no fantástico primeiro mundial africano na África do Sul (última aparição pública de Nelson Mandela) em 2010; por fim, no Mundial brasileiro, feito e sentido por nós como em casa de família, no ano de 2014.
Rússia seria, pois, o meu nono Mundial de Futebol. Tudo por junto, seriam 36 anos de andanças pelo Mundo, a ver um dos melhores espectáculos do nosso planeta, em relação ao qual, admito, me liga uma profunda e sempre inesquecível paixão. Fico-me por 32 anos de globetrotter de Mundiais de futebol e já me parecem muitos.
Regresso ao essencial da razão: tudo tem o seu tempo, não corro atrás de recordes de longevidade e, o mais importante, não sinto ter o direito de adiar o futuro de alguns dos mais jovens e competentes jornalistas de A Bola.
A ideia de que sempre seríamos capazes de fazer melhor do que outros, a todos nos assalta, mas há muito que exigi, a mim próprio, a disciplina, e também a coragem, de ser eu a tomar decisões que outros, mais tarde ou mais cedo, haveriam de ter de tomar. Provavelmente com desconforto, e, inevitavelmente, com dor.

Portugal chegará à Rússia com a boa responsabilidade de ter o título de campeão europeu. Não o obriga a ser campeão do mundo, não lhe exige, sequer, um lugar no pódio, mas não lhe pode ser indiferente.
Tenho, confesso, algumas expectativas sobre a Selecção. Em primeiro lugar, porque tem excelentes jogadores; sem segundo lugar porque, com bons jogadores, Fernando Santos saberá fazer uma equipa competente, que não quererá necessariamente dizer luminosa; em terceiro lugar, porque acho que temos a obrigação de chegar aos oitavos de final e seria muito engraçado passar esta barreira e defrontar a França nos quartos de final, coisa que, atendendo ao cruzamento dos grupos, pode muito bem suceder.

Cristiano Ronaldo ou Messi? Qual deles será a estrela maior neste Campeonato do Mundo? Uma resposta com elevado grau de risco: Neymar.
Se pudesse ser eu a decidir, obviamente Cristiano. Por dever pátrio. Não creio que o Mundial da Rússia me dê esse prémio de compensação pela minha ausência pessoal. Creio que Neymar despontará, finalmente, como estrela maior e como legítimo sucessor de dois génios, que ficarão para sempre na História do futebol.
Acredito muito em Neymar, porque chega, enfim, a um Campeonato do Mundo sem grandes desgaste competitivo; porque tem uma bela e prometedora equipa e, o mais importante de tudo, porque é, também, um fantástico talento do futebol mundial.

Quem aceitará salto no escuro?
Nas actuais condições de instabilidade e de ambiente traumático, nenhum treinador com qualidade e com o mínimo bom senso pode aceitar o convite de ser o próximo treinador do Sporting. É uma salto no escuro que só um aventureiro, ou um necessitado de palco de fama, nem que seja em regime transitório, poderá dar. Jesus arranjou uma maneira airosa para se ir embora; Sá Pinto descartou, com dignidade, o convite; Scolari rejeitou habilmente a aventura. É inevitável: o cerco aperta-se e o futuro torna-se obviamente muito previsível.

Apesar de tudo, senhor professor
Um professor chega a uma televisão e confrontado com o alarme de quase metade dos alunos do segundo ano não saberem dar uma cambalhota diz, em prosápia doutoral: «E que mal tem isso? eu naquela idade também não sabia dar cambalhotas». Claro que podemos tentar abstrairmo-nos da imagem do homem volumoso de carnes e de gorduras que ocupou o ecrã da televisão para desvalorizar o caso à custa da sua inaptidão, mesmo assim, importa que se diga que as crianças precisam muito de crescer com desenvolvimento motor."

Vítor Serpa, in A Bola

Samba do desperdício

"Nos jogos da primeira fase, coloco Philippe Coutinho e Paulinho no meio, com Willian e Neymar nas alas, para desbravar defesas? Ou será demasiado ousado e desrespeitoso para Suiça, Costa Rica e Sérvia?
E nos jogos a eliminar: opto por Fernandinho, para garantir mais solidez, empurro Coutinho para a direita e abdico de Willian? E Renato Augusto, titular ao lado de Paulinho no apuramento e meio lesionado neste fim de época, passa a suplente de vez?
Dada a ausência de Daniel Alves, escolho Danilo ou Fagner? Ou, em vez dos dois, jogo com o versátil Marquinhos, abrindo espaço definitivamente para Thiago Silva compor uma dupla de centrais mais experiente com Miranda?
Tite, como Löw, Lopetegui, Sampaoli, Deschamps, Martínez ou Santos, tem as suas dúvidas – boas e naturais – antes de iniciar o Mundial.
Mas, algo distingue o seleccionador do Brasil, a selecção do Brasil e o futebol do Brasil dos outros: a quantidade de supostos convocados - mais: de supostos titulares – que ficaram pelo caminho no ciclo de quatro anos entre um Mundial e outro.
É verdade que a Alemanha de Löw tem o caso de Götze, que depois de marcar o golo do título em 2014, aos 21 anos, falha agora 2018, na plenitude dos seus 25, e a selecção portuguesa abdicou de Nani, que ainda no Euro-2016 era um indiscutível. E que Sané, Morata, Icardi, Martial, Nainggolan e outros também não fazem parte das contas dos técnicos por motivos táticos mais ou menos surpreendentes.
Mas, Tite não chamou quatro dos cinco jogadores que após o fracasso de 2014 a imprensa brasileira acreditou que fossem a base da recuperação do prestígio canarinho. Em vez de se estar hoje a falar de Marquinhos, Renato Augusto ou Coutinho, todos então a quilómetros de distância da selecção, previa-se naquele tempo que o seleccionador brasileiro estivesse às vésperas do mundial russo a montar um puzzle ofensivo com Pato, Oscar, Lucas Moura e Ganso ao lado do inevitável Neymar. Uma capa da revista Placar titulava mesmo “De Pato a Ganso”, a propósito da renovação.
No entanto, Pato, 28 anos, e Oscar, 26, engordam a conta bancária na China na mesma proporção em que definha o seu estatuto no futebol internacional.
Lucas Moura, 26, perdeu espaço no Paris Saint-Germain – ironicamente por culpa do amigo Neymar – e ainda busca ser opção no Tottenham.
Ganso, 28, não é apenas um fracasso do Sevilha mas já um caso crónico de inadaptação ao futebol do século XXI.
O problema não é novo: já em 2014, seria de esperar que Robinho (na altura com 30), Kaká (com 32), Adriano Imperador (também 32) e mesmo Ronaldinho Gaúcho (34) repartissem todos, ou alguns deles, a liderança técnica da equipa e evitassem que todas as ansiedades brasileiras caíssem nas costas de Neymar, assim como caíram os joelhos ferozes do colombiano Zúñiga.
Jogadores que baixam drasticamente de forma ou se perdem no caminho não é incomum – falámos em Götze e Nani e podíamos falar de mais umas dezenas. E como o Brasil, por uma série de razões, produz mais futebolistas do que qualquer outro centro, é natural que, como se diz por aqui, “a fila ande” mais depressa. E mais implacável.
Mas, mesmo assim Robinho, Kaká, Adriano, Ronaldinho, Pato, Oscar, Lucas e Ganso, só num ciclo de um mundial e meio ou dois mundiais, é desperdício a mais até para uma selecção tecnicamente excedentária. O mesmo desperdício que se revela em tantas outras áreas de um país que sofre do flagelo da fome como poucos apesar de ser fértil como nenhum outro; o mesmo desperdício que permite que, mesmo roubando-se tanto dinheiro ao longo de tantos anos, ainda haja tanto potencial de riqueza no Brasil.
Concedamos que Kaká tem o álibi das lesões sucessivas que lhe toldaram o arranque, a força e a velocidade, as características que fizeram dele, em 2007, o melhor do mundo. E que Lucas ainda vai a tempo de se tornar um ala relevante no contexto do futebol europeu e mundial.
Mas, os outros foram-se perdendo mais por desleixo do que por outro motivo qualquer. Um desleixo que não é exclusivo dos talentos brasileiros mas que é muito mais comum no gigante sul-americano do que noutro lugar: uma vez multimilionários e com alguns sucessos individuais ou colectivos na carreira, perdem o ânimo, a vontade, o brio. Como se ganhar dinheiro, para escapar do tal flagelo da fome que eventualmente terá pairado nas suas infâncias, fosse o seu principal, às vezes único, propósito.
É um fenómeno cultural brasileiro que merece atenção.
Entretanto, mesmo com tanto desperdício, feliz de um treinador, como Tite, que ainda pode hesitar entre jogadores da estirpe de Thiago Silva, Marquinhos, Coutinho ou Willian."

España se mueve

"Patrocinado pelo Ministério da Educação, Cultura e Desporto da nossa vizinha Espanha, o Conselho Superior de Desportos (equivalente à nossa Secretaria de Estado do Desporto – De acordo com o Decreto Real 2195 /2004, de 25 de Novembro que regulamenta a sua estrutura e funções) publicou, em 2017, o Anuário de Estatísticas Desportivas. A publicação apresenta uma selecção dos resultados estatísticos mais relevantes de âmbito desportivo, com o objectivo de facultar uma ferramenta para o conhecimento e evolução desportiva dos nuestros hermanos. Neste trabalho, resultante de um exaustivo e amplo estudo do sector desportivo em Espanha, podemos analisar as estimativas relacionadas com o emprego no sector desportivo, empresas ligadas ao desporto, despesas públicas na aquisição de bens e serviços desportivos, investimento do orçamento do estado no desporto, formação académica na área do desporto, comércio exterior de bens desportivos, turismo desportivo, desporto federado, formação de treinadores, controle antidopagem, hábitos desportivos da população espanhola, influência da actividade desportiva na saúde, instalações desportivas, desporto escolar e universitário.
1 – Emprego vinculado ao Desporto
O emprego vinculado ao desporto em 2016 abrangia 194.000 pessoas. Em 2017 cresceu para 203.300 pessoas, o que se traduz num aumento percentual na ordem de 4,79%. O número de pessoas vinculadas ao desporto em 2017 corresponde, em termos relativos a 1,1% do emprego total. Este tipo de emprego é caracterizado por uma maior formação académica superior à média.
2 – Empresas relacionadas com o Desporto
De acordo com o Directório Central de Empresas o número de empresas, cuja actividade económica principal é desportiva cresceu para 34.203 em 2017. Os resultados alcançados confirmam o crescimento verificado nos últimos anos.
3 – Despesas na aquisição de bens e serviços desportivos
Em 2016, as despesas com bens e serviços desportivos representaram 0,9% do gasto total nacional, com um valor na ordem dos 5.000 milhões de euros. A componente mais significativa destas despesas diz respeito aos serviços recreativos e desportivos (78,1%).
4 – Investimento Público no Desporto
A verba investida no Desporto, em 2016, pela Administração Geral do Estado foi de 144 milhões de euros (0,01%). As Regiões Autónomas, por sua vez, também dispenderam 303 milhões de euros, que em termos do PIB se situa em 0,03%. A Administração autárquica também investiu 2.075 milhões de euros no desporto local (0,19% do PIB).
5 – Ensino Desportivo e Formação Académica
No ano escolar de 2015/2016, 28.173 alunos frequentaram cursos profissionais de desporto, tendo-se registado um aumento de 6,3% relativamente ao ano anterior. No ano escolar de 2016/2017 , 9.884 alunos frequentaram o Regime especial de ensino desportivo. No Ensino Superior, 1,4% da totalidade dos alunos universitários estavam ligados aos cursos de ensino desportivo o que corresponde a 21.365 alunos.
6 – Comércio exterior de bens desportivos
As exportações de bens desportivos, em 2017, atingiram um valor de 1.024,5 milhões de euros, em contrapartida com os 1.996 milhões de euros verificados nas importações. A União Europeia foi o principal destino das exportações espanholas e a maioria dos bens importados vieram da China e da União Europeia.
7 – Turismo Desportivo
Em 2017, 4,1% das viagens realizadas pelos residentes em Espanha por motivos de férias e actividades recreativas, essencialmente ligadas ao desporto, atingiram os 4 milhões de viagens. A entrada de turistas internacionais, por motivos desportivos, cifrou-se em 1,3 milhões de pessoas o que corresponde a 1,8% do total de turistas. As receitas do turismo ligado ao desporto atingiram 956 milhões de euros no turismo interno e 1.250 milhões de euros no turismo internacional.
8 - Desporto Federado
O número de atletas federados, em 2015, totalizava 3.505.306 e, em 2016, subiu para 3.586.133 praticantes. Nos homens, em 2015, estavam inscritos 2.750.316 nas federações desportivas e em 2016, o número cresceu para 2.814.387. Nas senhoras, em 2015, havia 753.990 atletas federadas, tendo esse número aumentado para 771.746 no ano seguinte. Se tivermos em consideração o número de praticantes e a distribuição percentual pelas regiões e comunidades autónomas, verificamos que a Catalunha liderou, em 2016, essa classificação com 615.322 atletas (17,2%), logo seguido pela Andaluzia-514.321 (14,3%), Madrid-451.169 (12,6%), Valencia-382.684 (10,7%), Galiza-224.570 (6,3%), País Basco-213.734 (6%), Castilla y León-179.352 (5%), Canarias-158.799 (4,4%), Aragón-145.948 (4,1%), Castilla-La Mancha-124.354 (3,5%), Asturias-97.114 (2,7%), Murcia-95.681 (2,7%), Baleares-92.871 (2,6%), Extremadura-87.787 (2,4%), Navarra-76.734 (2,1%), Cantabria-71.599 (2%), La Rioja-32.681 (0,9%), Melilla-9.381 (0,3%) e Ceuta-8.762 (0,2%).
9 – Formação de Treinadores
Na formação de treinadores, a estatística refere-se tanto á formação realizada exclusivamente pelas federações, como as formações efectuadas, no período transitório, que são promovidas pela administração desportiva das regiões e comunidades autónomas com o apoio das federações. No âmbito do desporto federado em 2015, participaram 18.297 alunos em 610 cursos realizados. A acções de formação no período transitório habilitaram 3.224 treinadores através de 188 cursos efectuados.
10 – Controlo Antidopagem
O número de amostras analizadas em 2016 foi de 3.772 (1,1 análise por cada 1.000 desportistas federados), sendo 2.117 extraídas durante as competições (56,1%). Da totalidade das amostras analizadas 2.540 foram realizadas a homens (67%) e 1.232 foram efectuadas a senhoras (32,7%).
11 – Hábitos Desportivos da População
Em 2015, de acordo com os resultados apresentados, 53,5% da população com mais de 15 anos de idade participaram em actividades desportivas. A maioria (86,3%) fizeram-no com grande intensidade, pelo menos uma vez por semana. Por sexo, em termos anuais, verifica-se que a diferença entre as mulheres (47,5%) e os homens (59,8%) vem diminuindo, progressivamente, a caminho de uma igualdade que se espera que seja breve. No que diz respeito à influência dos pais na prática desportiva dos filhos, 41,6% da população que tem filhos menores de 18 anos, confessa que realiza habitualmente com eles algumas actividades de âmbito desportivo. Cerca de (42,2%) dos pais de filhos menores também os levam aos treinos e (35,2%) às respectivas competições.
12 – Reflexo da Actividade Desportiva na Saúde
Os dados apresentados oficialmente no biénio (2011-2012) no que concerne à prevenção da saúde indicam que 21% da população (entre os 15 e os 69 anos) realizou na última semana uma actividade física intensa no trabalho ou num local apropriado ao ar livre, 19,8% uma actividade moderada e 43,2% uma ligeira. Aqueles que realizam habitualmente uma actividade física intensa ou moderada (44,7%) já se aperceberam que o seu estado de saúde melhorou.
13 – Instalações Desportivas
Em Espanha, em 1997, o número de instalações desportivas apontava para 66.670 tendo, entretanto, aumentado para 79.059 em 2005. Este significativo crescimento tem muito a ver com o trabalho desenvolvido pelas regiões e comunidades autónomas, pelo que é importante mostrar a sua distribuição geográfica que, nalgumas zonas, é diferente da dos praticantes federados. Andalucia – 12.831, Catalunha – 12.478, Castilla y León – 7.933, Madrid – 6.524, Valencia – 5.474, Galiza – 5.216, Castilla La Mancha – 4.518, Canarias -4.313, Baleares – 3.579, Aragón – 3.313, País Basco – 3.218, Extremadura – 2.419, Asturias – 1.896, Murcia – 1.615, Cantabria – 1.471, Navarra – 1.346, La Rioja – 722, Ceuta – 97 e Melilla – 96.
14 – Desporto Escolar e Universitário
Os resultados indicam que 6.920 jovens, em idade escolar, participaram nas fases finais dos campeonatos de Espanha do desporto escolar e 3.541 alunos do ensino superior estiveram presentes nas competições nacionais do desporto universitário. Nas provas nacionais do desporto escolar participaram 3.481 rapazes (50,3%) e 3.439 meninas (49,7%) e nas do desporto universitário competiram 1.990 estudantes do sexo masculino (56,2%) e 1.551 do sexo feminino (43,8%). Uma crescente aproximação das meninas a caminho da igualdade com os rapazes na prática desportiva, que consideramos relevante.
Durante quatro anos tivemos a oportunidade de trabalhar com o Comité Olímpico Espanhol, Governo Regional de Murcia e autarquia da cidade de Murcia, capital da Região Autonóma, numa grande organização desportiva europeia no âmbito do movimento olímpico (Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia). Como tal, pudemos constatar que existe uma cultura desportiva enraizada na juventude e na generalidade da população que não tem comparação com o que se passa entre nós. Os programas escolares englobam actividades desportivas variadas numa perspectiva de desenvolvimento motor global das crianças e de ensino desportivo diversificado evitando a especialização desportiva precoce. Os departamentos desportivos autárquicos organizam as actividades do desporto escolar e o governo regional apoia a manutenção e construção de instalações desportivas, assim como a participação em provas nacionais e internacionais consideradas fundamentais para o desenvolvimento desportivo regional. Aqui ao lado, existe um universo desportivo completamente diferente do nosso. O desporto português devia olhar mais para o desporto espanhol."

Benfiquismo (DCCCLIII)

Ouro...

Uma Semana do Melhor... com o Matias

Jogo Limpo... Seara & Guerra

Circus Lagartus - XXI episódio

Nota-se a dependência de Benfica

"A SAD deu-nos a contratação de Ferreyra e Castillo, jogadores de qualidade, mas que precisamos de ver jogar.

Faltam dois dolorosos meses para ver de novo o SL Benfica num jogo oficial de futebol. Falta um mês para ter o aperitivo de uma amigável. (seja o Carouge, seja o Vitória de Setúbal). Como me dizia um grande benfiquista esta semana, estou a ressacar de Benfica. Nesta fase é que se nota a nossa dependência. Como paliativo deu-nos a SAD a contratação de Ferreyra e Castillo. Jogadores com qualidade mas que precisamos de ver jogar. Vamos ter mundial, vamos ter Selecção Nacional, mas é muito tempo de espera.
Mourinho, com honestidade, e sem ceder ao politicamente correcto, assumiu esta semana que quer que os seus jogadores venham mais cedo embora, pois precisam de férias antes da nova época.
Há de facto um conflito de interesses entre o querer os seus jogadores a ir mais longe e valorizar-se, e o precisar dos atletas para as competições no início de época.
Escrevia no seu artigo de A Bola esta semana o meu amigo Rogério Alves que para se entender o Sporting é preciso um curso de direito. Lamento desiludir o Rogério, mas deve ser preciso um doutoramento, pois eu, com uma licenciatura em Direito, advogado há vinte anos, cada vez percebo menos. Vamos ter seguramente de aumentar o nível de exigência académica neste curso de Sportinguismo que nos é dado de forma sistemática pelos média. Ainda bem que este é um problema do Rogério Alves e não deste vosso amigo. Mais uma vantagem de ser Benfiquista.
Quem parece ter-se visto livre do pesadelo é Jorge Jesus, o Médio Oriente é zona calma quando comparada com Alcochete. Não tenho dúvidas de que Jesus vai achar o rei Salman um democrata. Bem sei que a Arábia Saudita proíbe tendências oposicionistas e críticas e quem conduz os seus destinos, é um país onde não são permitidas eleições, mas para quem vai hoje de Alvalade isso não constitui nem novidade nem problemas. Definitivamente, o categorizado treinador português fez uma opção tranquila e sossegada.
O Benfica venceu de forma definitiva o caso dos Vouchers com a decisão do tribunal arbitral, como são cinco as operações onde directa ou indirectamente, o nome do clube está envolvido, e não conheço os conteúdos de nenhum, resta-me esperar que seja rumo ao penta."

Sílvio Cervan, in A Bola

Orçamento 2018/19

"De uma primeira leitura do orçamento do SLB para a próxima temporada, destaco, desde logo, a estabilidade do resultado positivo, de cerca de 6 milhões de euros. Tem sido esta tendência das últimas temporadas, o que nos permite encarar o futuro com optimismo. Entre as várias componentes do orçamento, há duas que me merecem, sempre, maior atenção: Quotização e investimento nas modalidades.
Quanto à primeira, o crescimento sustentado das receitas de quotização é assinalável. Ano após ano, e sem aumentos do valor da quota, é estabelecido um novo recorde: 14,6 M€ em 2015/16; 15,8 em 2016/17; 16,4 em 2017/18 (previsão); 16,6 em 2018/19 (orçamentado). Esta tendência é fruto de uma política comercial agressiva (promoção e segmentação), da implementação de instrumentos de retenção dos associados e do estabelecimento de parcerias resultantes em vantagens para os sócios. É preciso ter em conta, no entanto, que estes montantes verificam-se em temporadas de sucesso no futebol, o que me desperta a curiosidade para perceber se, na próxima temporada, se conseguirá atingir o valor orçamentado.
A previsão para a época agora finda é um indicador favorável. Relativamente às modalidades, folgo em verificar que o investimento tem crescido sem que a sustentabilidade económica e financeira do clube seja colocada em causa (aumento de 1,7 M€).
Apesar da desapontante época desportiva, estivemos em todas as decisões e, tendo em conta e pecúlio obtido na última década, trata-se de um ano atípico. Muito honestamente, prefiro ter um ou outro ano atípico a, em prol de um eventual sucesso esmagador imediato, eventualmente hipotecar várias épocas futuras. Estamos no bom caminho!"

João Tomaz, in O Benfica

Obececados

"Regresso a esta crónica depois de umas semanas de ausência. Andei lá por fora a trabalhar e perdi in loco o início da novela de Alcochete, seguida de todo o folhetim de desespero e incredulidade que não deixa de passar nas televisões portuguesas. Claro que a Internet me possibilitou acompanhar - com a distância higiénica necessária - todo o esquema montado, as agressões, as reacções e o para-arranca sai ou não sai. Sinceramente, meus amigos, mete dó. E mais dó me mete - já a roçar a pena - quanto vejo e oiço dirigentes e adeptos do Sporting Clube de Portugal a denunciar (ou será implorar para que não aconteça?) tentativas de contacto do Sport Lisboa e Benfica com jogadores insatisfeitos do plantel de Alvalade. A sério? Isto é mesmo a sério? Onde é que esta gente andava nos anos 1990 quando Paulo Sousa e Pacheco foram elevados à categoria de imprescindíveis e se mudaram para o estádio ao lado da churrasqueira?
Coitados... em vez de se preocuparem com o crime praticado nas instalações arrendadas da academia, com a sobrevivência financeira, com a preparação de uma nova época ou com a substituição - ou não... - do seu presidente, o grande medo deles é que o Benfica vá lá buscar alguns dos profissionais agredidos física e psicologicamente naquele que deveria ser o seu templo imune a ameaças, o balneário.
Será a pequenez de tal dimensão, que, nem naquele que é o momento mais baixo da sua história param de pensar no Benfica? É impossível conseguir entender gente assim. Há algumas semanas, votaram em assembleia-geral para dar poderes quase ilimitados a uma direcção com provas dadas de megalomania e prepotência. O líder que queriam fez birra e ganhou. Nesta semana, foram acenar lenços brancos para as proximidades do metro do Campo Grande e cantar, como se estivessem à espera do milagre do sol. Ou, no caso deles, do rei-sol. Haja paciência."

Ricardo Santos, in O Benfica

Batatada

"Desde a Idade da Pedra, os humanos envolvem-se em disputas territoriais. Mas há umas que pela sua dimensão mortífera são mais relevantes.
Entre 1618 e 1648, a Guerra dos Trinta Anos provocou um número estimado de mortos entre 3000000 e 11500000 pessoas. Começou como um conflito religioso e a determinado passo ninguém já sabia porque estava em guerra. Muitos dos exércitos tinham mercenários em suas frentes de batalha, que trocavam de lado sempre que a oportunidade parecia interessante.
Entre 1804 e 1815, as Guerras Napoleónicas, provocaram um número estimado de mortos, entre 3500000 e 6500000 pessoas.
Napoleão Bonaparte achava-se muito bom, mas esqueceu-se do Inverno russo!
Entre 1998 e 2003 a Segunda Guerra do Congo provocou um número estimado de mortos entre 3800000 e 5400000 pessoas.
Entre 1917 e 1921, a Guerra Civil russa provocou um número estimado de mortos entre 5000000 e 9000000 pessoas.
O objectivo era acabar com a monarquia czar, mas durante muitos anos ninguém se entendia que regime deveria seguir-lhe.
Entre 1862 e 1877 a Revolta Dungan provocou um número estimado de mortos entre 8000000 e 12000000 de pessoas.
Uma guerra de etnias sem concretização prática nenhuma.
Entre 1369 e 1405, as investidas de Tamerlão provocaram um número estimado de mortos entre 15000000 e 20000000 de pessoas.
O objectivo era conquistar território na Ásia, e o Império Timúrida chegou a ter mais de 5,5 milhões de quilómetros quadrados. À conta de quê? De mortes!
Entre 1914 e 1918, a Primeira Guerra Mundial provocou um número estimado de mortes entre 15000000 e 65000000 pessoas. Com que objectivo? A confusão que se sabe.
Entre 1815 e 1864, a Rebelião Taiping provocou um número estimado de mortes entre 20000000 e 60000000 pessoas.
Esta 'rebelião' foi na verdade uma grande guerra civil no sul da China, liderada por um cristão, Hong Xiuquan, que dizia ser o irmão mais novo de Jesus Cristo.
Entre 1616 e 1662, a disputa entre a dinastia Ming e Qing, na China, provocou um número estimado de 25000000 mortos.
Uns revoltaram-se contra os outros, Qing contra a dinastia Ming, mas, depois de perderem, venceram e fazem parte dos jarros de porcelana actuais.
Entre 1207 e 1472, as investidas Mongóis provocaram um número estimado de mortos entre 30000000 e 60000000 de pessoas.
Uma vontade enorme de conquistar território, que teve um resultado num império de mais de 12 milhões de quilómetros quadrados.
Entre 755 e 763, a rebelião de An Lushuan, provocou um número estimado de mortos entre 33000000 e 36000000 pessoas.
O general An Lushuan, durante a dinastia Tang, resolveu declarar-se imperador de uma parte da China, o que não agradou à dinastia que reinava sobre o pais. Foram 8 anos de confrontos que continuam mesmo depois da morte de An Lushuan - e terminaram com a subjugação dos rebeldes e afirmação, mesmo que frágil, da dinastia Tang.
Entre 1939 e 1945, a Segunda Guerra Mundial, teve um número estimado de mortos entre 40000000 e 72000000 pessoas.
Foi o que se sabe!
2011 a (data ainda não conhecida= a guerra do relvado onde a Dinastia Ticuna pretende tomar o poder pela via imperial, subjugando todas as dinastias O número de pessoas envolvidas e na ordem dos 6 milhões, segundo os próprios relatos do chefe da Dinastia."

Pragal Colaço, in O Benfica

Por favor, não incomodar: Mundial a chegar

"Falta menos de uma semana para arrancar o Campeonato do Mundo. Curiosamente, também falta menos de uma semana para eu me despedir da minha família e amigos até dia 15 de Julho. Assim poderei evitar algumas situações desagradáveis, como por exemplo a minha mãe julgar que pode entrar em diálogo comigo durante um Honduras - Equador. De facto, há pessoas que não sabem estar e, como se vê, a minha mãe é uma delas. Arrisco a dizer que só uma invasão de cinquenta indivíduos encapuzados seria capaz de me arrancar da frente da televisão da sala à hora do Rússia - Arábia Saudita na próxima quinta-feira.
Posso confidenciar que a der o sentido da vida. De que valeria a nossa existência sem um Mundial de quatro em quatro anos? 'Valeria pelo Benfica' - responde, e bem, o leitor. É óbvio que basta o Benfica para a nossa presença na Terra ter significado, não consigo discordar. No entanto, a verdade é que o Campeonato do Mundo tem um peso relevante na história do Glorioso. Particularmente o de 1966, onde o artilheiro-mor, Eusébio, brilhou com nove golos apontados. Portugal tombou o Brasil, campeão do mundo quatro anos antes (Chile 62) e quatro anos mais tarde (México 70). Eusébio e companhia sambaram diante dos lendários Pelé, Rildo e Jairzinho. Quem nunca viu a supersónica reviravolta frente à Coreia do Norte, onde o King, quem mais, carregou a equipa às costas? Portugal só sucumbiu aos pés dos ingleses, que viriam a levantar o troféu. Há quem viaje até Inglaterra para visitar o Palácio de Buckingham, a Tower Bridge ou o Stonehenge. Eusébio voou até Terras de Sua Majestade para se inscrever na eternidade do futebol."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 8 de junho de 2018

É ouro!

"Ederson, Oblak, João Cancelo, Nélson Semedo, Lindelof, Rúben Dias, Bruno Gaspar, Mário Rui, Danilo, Renato Sanches, André Gomes, Bernardo Silva, Rony Lopes, André Horta, João Carvalho, Diogo Gonçalves, Gonçalo Guedes, Nélson Oliveira, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa. Eis 20 jogadores formados, total ou parcialmente, no Seixal. Constituíam, sem dúvida, um excelente plantel, ao qual, em breve, poderiam ser acrescentados nomes como João Félix, Embaló, João Filipe, Ferro, Heriberto, Gedson, Florentino ou José Gomes.
Dos jogadores referidos, alguns estão na equipa principal, outros, há que dizê-lo, foram subraproveitados, houve também quem não cumprisse o destino que prometia, mas a maioria rendeu receitas milionárias. Daquele lote, as vendas ascenderam, seguramente, a mais de 200 milhões de euros. Em meia dúzia de anos.
Há duas formas de rentabilizar uma academia de formação: colocar jogadores na equipa principal a baixo custo, ou vendê-los no mercado por milhões. Num contexto totalmente mercantilizado, é muito difícil a um clube de um país periférico segurar talentos a quem outras ligas acenam com salários incomparavelmente maiores. Nesse sentido, o Benfica tem sido 'forçado' a optar pela segunda hipótese. Todos gostaríamos de ver mais alguns destes jovens na equipa A. Mas o mundo é o que é, e não aquilo que gostaríamos que fosse. E quem gere não o pode fazer com sentimentalismos.
Somos campeões de juniores, estamos a um empate do título de iniciados, e também na liderança do campeonato de juvenis. Colocamos inúmeros jogadores nas selecções jovens. O futuro continua a passar por aqui."

Luís Fialho, in O Benfica

O futuro

"Na próxima segunda-feira à noite, no Pavilhão Fidelidade, realiza-se uma importantíssima Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica. Será para deliberar sobre o orçamento ordinário de exploração, o orçamento de investimentos e o plano de actividades, elaborados pela Direcção, para o exercício de 2018/19.
Os documentos já estão disponíveis, e uma leitura atenta permite encarar o futuro com a máxima confiança. Os pressupostos do orçamento são encorajadores - reforço contínuo do investimento na competitividade das modalidades e no eclectismo do Clube, aposta do futebol feminino, aumento das receitas do futebol de formação, crescimento das receitas de exploração do merchandising e crescimento das receitas de quotização. A principal preocupação do presidente Luís Filipe Vieira é o reforço do papel do Sócio como principal activo do SL Benfica. Como?
Através do lançamento da Solução Família e do Sócio Sub-23. Estas duas modalidades permitirão às famílias descontos significativos na inscrição de vários membros do mesmo agregado familiar. Apesar de estarmos a viver a melhor década de sempre, ao nível das conquistas desportivas, Luís Filipe Vieira faz questão de sublinhar a importância da coesão financeira, recusando enveredar por caminhos tortuosos, assentes num populismo irresponsável e de consequências graves para o futuro de qualquer instituição com a grandeza da nossa. Consciente das circunstâncias e da ambição que se impõe, o Presidente e a sua equipa estão a preparar a próxima época desportiva com a firme determinação em dar continuidade ao ciclo virtuoso de vitórias dos últimos anos."

Pedro Guerra, in O Benfica

"DMC"

"É por esta sigla que internamente, na Fundação, conhecemos o Dia Mundial da Criança. Bem se entende que o volume de comunicações e pedidos é de tal ordem, que o pragmatismo se encarregou de rebaptizar o dia com a sigla das suas iniciais para faciialitar trabalho. Por isso, uns meses antes, o DMC marca fez nas conversas e reuniões, a ressuscitar a preocupação anual de garantir espaço para mais e mais crianças e a antecipar a respectiva trabalhadeira. Escusado será dizer que este é um dos eventos que mais gostamos de organizar, seja pelo significado do dia, seja pela abrangência nacional, seja, acima de tudo, pela barrigada de sorrisos que de lá virá...

Uma coisa é certa: por mais que se prepare a coisa ou que se alargue o número de participantes, é sempre de arrasar a semana anterior e nunca conseguimos o pleno de satisfazer todos os pedidos. Isto apesar da colaboração extremosa dos vários departamentos do Clube que, bem vistas as coisas, já organizavam o Dia Mundial da Criança ainda nem havia Fundação, mas que agora são solicitados a colaborar como nunca e mostram-se à altura do desafio, como sempre!
Finalmente lá chega o DMC, a encher tudo o que é espaço exterior, com insufláveis, projectos, experiências e sintético, com futebol e pavilhões, com estações de experimentação de modalidades e arquibancadas, com os valores do KidFun e mais actividades. E bancadas a encher com crianças e mais crianças à espera que surja a águia Vitória numa explosão de confetti e alegria como só as crianças sabem ter.

É talvez por isto que tantos adultos participam no DMC, lembrando nos sorrisos que veem a criança que foram e que, no fundo, fica lá sempre para a vida!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Como os mais reles ditadores

"Enquanto ao fundo do Campo Grande prossegue a rodagem daquele 'filme de terror', com múltiplas e movimentadíssimas cenas de acção, em interiores e em diversos locais ao ar livre, tanto em Portugal como, agora, até já no estrangeiro, tendo como protagonista o inenarrável actor que se habituou a fazer de maluco, em Campanhã, o principal personagem - inebriado por um mero brilharete de todo inesperado que lhe terá conferido a sensação de que o tempo voltava para trás - já começou a escrever a inevitável novela da sucessão. Na verdade, se, num primeiro assomo de bom senso, este parecesse dar razão às inexoráveis leis do 'rei do mundo', logo viria a recuar apressadamente, para esclarecer o seu pequeno universo regional quanto ao facto de que, também dali, ninguém o tira...
Esta conjuntural coincidência comportamental das duas figuras do mesmo métier agarradas ao poder, não deixa de ser muito interessante. Um é, sabe-se, manifestamente incontinente e desbragado: o outro, todavia, sempre se revelou mais habilidoso e mais obscuro. O primeiro é básico, primário e descomedido; o segundo é experiente, dissimulado, maquiavélico. Em princípio, na vida tudo os afastaria um do outro.
Porém, desde que um dia resolveram ajuntar-se num espúrio acasalamento 'contra natura', nunca mais ninguém separaria aquilo que o desígnio comum, afina, determinara reunir. Então, por isso mesmo, muito bem um para o outro: na defesa das manhas, na desfaçatez dos procedimentos e dos argumentários, a que não faltam ameaças nem a violência usada sob os métodos mais diversos e, sobretudo, por fim, na total (embora) dissimulada repulsa quanto às valências e virtudes da democracia.
Os dois, de um maneira ou de outra, agarraram-se ao poder, acastelaram-se nos seus próprios bastiões, estruturam mesmo os seus magotes-de-mão e criaram as suas próprias ficções. Mentiras atrás de mentiras e embustes sobre embustes no interior dos seus pequenos mundos e calúnias, vitupérios e volúpia de corrupção sobre os contrários. Nem um, nem outro, estão disponíveis para partilhar seja o que for, nos modelos que escolheram; detestam auditorias e actos eleitorais. Odeiam e invejam o Benfica.
Julgam-se eternos. Mas, ambos, como os mais reles ditadores, só hão de passar à história como gente sem carácter que nunca olhava a meios para atingir os tristes fins."

José Nuno Martins, in O Benfica

Sentido único

"(...) Por isso, temos de restituir a voz aos associados. A voz que os cobardes temem.

Um misto de estupefacção, revolta a apreensão perpassa todo o universo leonino. E tudo por causa de meia dúzia de pessoas (sob direcção de Bruno de Carvalho) que teima em agarrar-se, desesperadamente, às rédeas do poder mesmo sabendo que a sua qualidade de dirigentes está a chegar ao fim. É uma questão de tempo, não tenhamos dúvidas. Claro está que o autismo de que se encontram afectados não lhes permite enxergar a falta de dignidade e de respeito que, paulatinamente, lhes invade as entranhas e o espírito. E acredite, caro leitor, que fico triste por assistir a um tal estado de degradação do género humano. Tudo o que há de mais grotesco e patético em matéria de dirigismo desportivo, vamos encontrar nesta gente que tudo inventa e manipula para se manter à custa do Sporting Clube de Portugal. Que escondem estes desesperados? O que os leva a rasgar Estatutos do Clube e as Leis da República, ameaçando, ao mesmo tempo, a autoridade dos Tribunais, a comunicação social, os órgãos sociais e os associados? Insanidade? Teimosia? Medo? Em Fevereiro de 2017, portanto, há mais de uma no, neste mesmo jornal, tive a oportunidade de enunciar 'O meu manifesto'. Escrevi, entre outras coisas, que era contra os populismos e as posturas popularuchas. Que era contra a grosseria, a boçalidade e a má educação. Que era contra a perseguição a antigos dirigentes. Que era contra a ofensa a associados apenas porque tinham exercido o direito à crítica. Que era contra a venda de ilusões com uma mão cheia de nada. Que era contra a manipulação da situação financeira do Clube. Que era contra o desperdício de activos de qualidade. E que era contra aquele que não sabia fazer a destrinça entre adepto e Presidente, não aprendendo sequer a saber estar. Que pena estes juizos só agora merecerem acolhimento. Seja como for, urge, nesta hora, focar a nessa atenção naquilo que, realmente, é importante: destituir o Conselho Directivo e promover a anulação de toda e qualquer deliberação que provenha de órgãos espúrios que são fruto de mentes doentias e perversas para quem a noção do ridículo não tem limites. A vergonha que, no momento, invade o universo leonino, a diferença entre o que é essencial e o que é secundário e a esperança no futuro que já tarda, obriga e aconselha a contenção quanto aos momentos eleitorais que acontecerão no seu devido tempo. O importante é a recuperação e regeneração dos princípios e valores que nos caracterizam. Por isso, temos de restituir a voz aos associados. A voz que os cobardes temem."

Abrantes Mendes, in A Bola

Um dia que pode trazer novidades

"O cerco a Bruno de Carvalho (BdC) intensifica-se a resistência do ainda presidente à inevitabilidade soa a desespero, numa lógica de terra queimada que está a hipotecar o futuro do Sporting.
As iniciativas que vão acabar por promover a mudança em Alvalade surgem de três frentes diversas: no plano financeiro, o congelamento do empréstimo obrigacionista deixa o clube e a SAD sem meios para fazer face às obrigações imediatas; na órbita jurídica, as providências cautelares entretanto interpostas fazem o seu caminho, que desembocará numa Assembleia Geral destitutiva e provavelmente em algo mais, já que não é de afastar a possibilidade de BdC vir a ser inabilitado, no âmbito de um processo disciplinar, de participar em futuros actos eleitorais; e na relação laboral, uma vez que depois das rescisões de Rui Patrício e Daniel Podence, hoje tornadas irreversíveis, são aguardadas, nas próximas horas, mais cartas de jogadores a cortar unilateralmente com o Sporting.
É a tempestade perfeita que se abate sobre BdC que, alheio à realidade, procura adiar o inevitável, deixando o Sporting, a cada dia que passa, em situação ainda mais dramática.
Neste contexto, se é possível imaginar um BdC a viver num universo paralelo onde tem a solução magica para todos os problemas da humanidade, tornar-se mais complicado compreender e desculpar aqueles que estando perto do ainda presidente do Sporting o empurram para o abismo.
Hoje - com tudo o que está para acontecer - poderá ser um dos dias mais relevantes desta via dolorosa dos adeptos do clube de Alvalade."

José Manuel Delgado, in A Bola

Imaginação e compreensão

"Imagine que há um clube no qual se demitiram a maioria dos órgãos sociais, com a Direcção a sobreviver presa por um - ou dois - elemento(s), conforme as interpretações.
Imagine que há um clube em que os jogadores da sua equipa profissional, equipa técnica e restante staff de apoio foram agredidos no seu local de trabalho e o presidente dessa instituição diz que o capitão de equipa foi um dos principais culpados do sucedido.
Imagine que há um clube no qual o presidente não foi à final da Taça de Portugal porque os titulares dos principais órgãos de soberania lhe fizeram críticas directas ou indirectas e os jogadores dessa instituição não queriam que ele estivesse sentado no banco.
Imagine que o capitão e maior símbolo da equipa de futebol apresenta o pedido de rescisão e, na carta justificativa, apresenta como argumento que não consegue trabalhar com o presidente.
Imagine que o treinador dessa equipa que nunca tinha saído de Portugal aceita um convite de um emblema duma potência futebolistica do calibre da Arábia Saudita porque já não aguenta trabalhar com esse presidente.
Imagine que o presidente da Mesa da Assembleia Geral desse clube marca uma assembleia geral destitutiva mas a Direcção diz que esta é ilegal e nomeia uma comissão transitória que agenda outras duas AG, mas lidos os estatutos de trás para a frente, da frente para trás, frente e verso, não está prevista.
Imagine que o segundo maior accionista da sociedade desportiva desse clube coloca acções para a destituição do presidente e, entretanto, um dos administradores nomeados pelos credores se demita.
Imagine que o presidente desse clube não se demite porque justifica que, acima de tudo, estão os superiores interesses do Sporting. Imaginar até pode imaginar, mas compreender... talvez seja mais difícil..."

Hugo Forte, in A Bola

Para a competição é medida adequada se tudo ficar como está

"Quase a terminar a época desportiva, não quero deixar de comentar alguns acontecimentos que marcaram a vida dos jogadores, de forma negativa, e que, como presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, acompanhei com especial preocupação, e dar nota pública da atuação do Sindicato na defesa da classe e da profissão que exercem.
Não posso deixar de destacar o ambiente de suspeição, que assumiu formas de generalização, sobre a conduta profissional dos jogadores, geralmente na forma de especulação sobre uma má prestação desportiva associada a práticas ilícitas em fenómenos marginais.
Preocupa-me, particularmente, que em muitos casos este ambiente de suspeição apareça na sequência de denúncias anónimas, prontamente noticiadas pela imprensa e exploradas do ponto de vista mediático, sem qualquer preocupação com a veracidade das fontes ou respeito pelo segredo de justiça.
Preocupam-me, ainda, as denúncias públicas feitas por alguns dirigentes, que em vez de tratarem internamente estes assuntos e lançarem mão do procedimento disciplinar, preferem expor e desvalorizar os seus activos.
Além dos danos para a imagem da competição, preocupam-me os danos pessoais e profissionais para os atletas visados, dificilmente reparáveis no contexto de uma profissão de desgaste rápido e curta duração.
Quero deixar claro que nesta matéria, independentemente dos clubes, dirigentes e adeptos gostarem ou não, o Sindicato tem feito o que lhe compete, como é sua obrigação: defender a honra, o bom-nome e a reputação dos jogadores.
Por um lado, tem disponibilizado todo o apoio aos jogadores visados em processos judiciais, no respeito escrupuloso da sua presunção de inocência, contribuindo para que tenham um processo justo e todos os seus direitos sejam defendidos; por outro, tem prestado toda a colaboração às autoridades para que sejam descobertos os verdadeiros fenómenos ilícitos e para que apenas sejam visados os verdadeiros prevaricadores.
Isto significa que o Sindicato não é tolerante ou conivente com qualquer fenómeno ilícito, que adultere a verdade desportiva ou ponha em causa a competição, mas antes que está ao lado da classe que representa e lhe confia a defesa dos seus legítimos interesses.
Lutamos sempre pela defesa do bom-nome da profissão! De forma a que as acções de uns não sejam vistas como uma conduta de todos, mas também pela declaração de inocência dos que são injustamente acusados e por uma decisão justa para os que são culpados.
Em todos os casos, defendemos a dignidade pessoal e profissional do jogador. Estivemos, estamos e estaremos sempre ao lado dos jogadores na defesa daqueles que forem os seus interesses e direitos.
A justiça deve funcionar de forma célere e exemplar, mas nos locais próprios e por quem a deve exercer.
Quero aqui recordar que a propósito do clima de suspeição que recaiu sobre os jogadores, os capitães de equipa dos clubes da 1.ª e 2.ª Ligas manifestaram ao Sindicato a vontade de tomar uma posição de força, o que levou a que promovêssemos reuniões com a FPF, com a Liga e com a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, nas quais os mesmos manifestaram o seu descontentamento e frustração por cada acusação feita a um colega de profissão, na praça pública, sem qualquer possibilidade de defesa.
Na sequência destas posições, o Sindicato transmitiu de viva voz a sua preocupação com o escalar de violência aos responsáveis máximos do futebol português, exigindo respeito pela classe. Além disso, debateu com os seus interlocutores institucionais medidas para resolver um problema que, manifestamente, nenhuma instituição conseguiu, até à data, resolver.
No início da próxima época desportiva, o Sindicato e os capitães de equipa voltarão ao tema e, em face do que tem sucedido, ponderam uma toma de posição mais enérgica, não pondo de lado parar a competição, para que todos reflictam de forma séria sobre o futuro do futebol em Portugal.
Preocupa-nos muito a violência gratuita, sob diversas formas e em diferentes contextos: rixas entre adeptos, insultos e tentativas de agressão a agentes desportivos, danos materiais e invasão dos locais de trabalho, como sucedeu no centro de estágio do Vitória SC e na Academia de Alcochete.
Quero, aliás, realçar que os eventos de Guimarães e de Alcochete, de enorme impacto público, se destacam pelo sentimento de insegurança e temor gerado, pela quebra da confiança dos jogadores na capacidade da sua entidade empregadora para os resolver, pelo que importa, de imediato, prevenir que outros eventos da mesma natureza se repitam.
Como sempre foi apanágio deste Sindicato, sem prejuízo de tomadas de posição institucionais, a nossa intervenção no apoio aos jogadores resulta, sempre, a pedido dos mesmos.

Apoio aos jogadores do Sporting
Após a criminosa invasão da Academia de Alcochete e com muitos dos atletas ainda em estado de choque, o Sindicato foi chamado a intervir, visando numa primeira fase a articulação com as autoridades para a protecção policial aos jogadores.
Posteriormente, a 16 de maio, reunimo-nos com o plantel do Sporting Clube de Portugal. 
Procurámos, nesse momento particularmente difícil para os jogadores, que prevalecesse o sentido de responsabilidade, o diálogo e concertação. Actuámos com a maior reserva e evitámos especulações sobre qualquer decisão a tomar individualmente. Prova disso foi que, não obstante a enorme dificuldade e pelos motivos tornados públicos através do comunicado emitido nesse mesmo dia, o grupo decidiu ir a jogo na final da Taça de Portugal.
Desde esse momento e até à data, o Sindicato não teve manifestações públicas, não teceu qualquer comentário sobre as decisões, individualmente, tomadas pelos jogadores.
Infelizmente, existe uma lamentável tendência para menorizar a vontade dos jogadores e uma conveniente amnésia, em momentos de crise, dos direitos e garantias fundamentais que, enquanto trabalhadores, lhes são inalienáveis.
Aproveito para realçar que, não obstante todos sabermos que o processo de decisão de um atleta profissional implica a consulta de diferentes interlocutores, em especial o seu intermediário, não é aceitável a permanente insinuação de que os atletas não decidem por si, são instrumentalizados para adoptar determinados comportamentos e que não são responsáveis pelas suas escolhas.
O Sindicato não pactua com essa visão, separando claramente as matérias a abordar com o colectivo, da análise da situação individual de cada jogador e respeita, sempre, a sua decisão consciente e informada.
Para que fiquem esclarecidas quaisquer dúvidas, os jogadores do Sporting solicitaram o apoio do Sindicato, numa primeira fase, enquanto grupo, e, após a final da Taça de Portugal, individualmente, para obterem aconselhamento jurídico relativamente a um, eventual, procedimento de resolução do contrato de trabalho desportivo com justa causa.
O departamento jurídico do Sindicato, liderado neste processo pelo dr. Tiago Rodrigues Bastos, tem apoiado individualmente os jogadores do Sporting.
Como acima dissemos, independentemente de se gostar ou não, a nossa função é estar ao lado dos jogadores, sobretudo nos momentos mais difíceis, defendendo intransigentemente os seus direitos, avaliando os riscos e prestando a assessoria necessária no âmbito da relação jurídico-laboral.
Em conclusão, ao contrário do que alguns pretendem, o Sindicato estará sempre com os jogadores que, neste caso em concreto, têm mantido uma conduta irrepreensível e dignificado a classe dos profissionais de futebol.
Ainda sobre este caso, seria fácil tecer comentários, responder às centenas de solicitações dos media, alimentar exercícios de especulação. Seríamos, certamente, a entidade em melhores condições para o fazer. Porém, conscientes da nossa responsabilidade e atentos os interesses a preservar, vamos continuar a privilegiar a reserva e o apoio aos jogadores, aqueles que depositaram em nós toda a sua confiança.
Reitero, o nosso compromisso é com os jogadores!"

Planear o futuro

"Estamos a cerca de um mês do regresso das equipas aos trabalhos de preparação da nova temporada e o mercado de transferências deste verão já dá sinais de alguma agitação. Os clubes portugueses não são excepção neste ritmo de entradas e saídas. Além da escolha de novos treinadores em alguns casos, está em marcha o trabalho de planeamento dos plantéis para atacar a próxima época e, pelo que se tem visto nos últimos anos, esta etapa pode ter um peso importante na performance das equipas ao longo do ano.
A construção de um plantel equilibrado, com opções fiáveis para todas as posições, é sempre o objectivo primordial. Para os treinadores é fundamental terem um grupo capaz de dar resposta a um calendário exigente, com muitos jogos e várias provas. A máxima de dois jogadores por função costuma ser o ponto de partida. Mas, acima de tudo, o grande requisito é a qualidade, para que a equipa não se ressinta consoante as alterações que vão sendo feitas.
Para os dirigentes existe a necessidade de conseguirem receitas extraordinárias com a venda de jogadores e, em simultâneo, encontrarem novos activos para o grupo que está a ser composto. Ao mesmo tempo, surge a necessidade de tentar não enfraquecer a equipa e garantir que as entradas serão capazes de garantir o mesmo rendimento (ou até mais) dos elementos que partirem.
Neste aspecto, além de uma actuação rápida e certeira no mercado, há também que esperar pelo melhor momento para se efectuarem determinados negócios. Previamente, o trabalho de observação, no sentido de fazer detectar jogadores com potencial de rentabilização desportiva e financeira, é essencial para que se consiga incrementar o nível competitivo de uma equipa. E há ainda que contar com o aproveitamento de recursos existentes que, como vimos esta época no FC Porto, também pode ser decisivo.
Pelos lados do Dragão podemos constatar que as principais preocupações, de momento, estão na defesa. As saídas de quatro elementos do elenco da época passada (Ricardo Pereira, Diogo Dalot, Ivan Marcano e Diego Reyes) obrigam os dragões a terem de encontrar substitutos, pelo que é previsível que cheguem – ou regressem de empréstimo – dois laterais e dois defesas-centrais (o brasileiro João Pedro parece ser a primeira contratação).
Apostado em não cometer os mesmos erros do passado, o Benfica já colmatou as lacunas que o seu plantel pareceu evidenciar ao longo da última temporada e que acabaram por determinar um enfraquecimento da equipa de Rui Vitória. As águias garantiram um novo guarda-redes (Vlachodimos), um lateral-direito (Ebuehi), um defesa-central (Germán Conti) e dois avançados (Facundo Ferreyra e Nicolás Castillo). Para já, os encarnados parecem ter mais opções defensivas e juntam ainda mais poder de fogo ao ataque, e além do matador Jonas passam a ter dois novos avançados, que juntos apontaram 48 golos esta temporada que findou.
No Sporting, há ainda muitas incógnitas pela frente. Confirmada a saída de Jorge Jesus do comando técnico da equipa, terá de encontrar um novo timoneiro. Além disso, será necessário perceber com que jogadores irá o futuro treinador contar. Muitos atletas pretendem mudar de ares e isso pode obrigar os leões a uma reformulação profunda do seu plantel. O lateral Bruno Gaspar, assim como o central Marcelo e o extremo Raphinha, são apostas confirmadas. E os regressos de nomes como Matheus Pereira, Carlos Mané ou Francisco Geraldes podem ser uma realidade.
Com o Mundial à porta, os clubes não vão parar. Há que garantir as melhores armas para o próximo ano.

O momento de Cristiano
Depois de conquistar a sua 5.ª Liga dos Campeões na carreira, enriquecendo ainda mais o seu recheado palmarés, Cristiano Ronaldo está a prestes a participar no Mundial pela 4.ª vez. Para a nossa Selecção, o capitão será uma peça fundamental nas aspirações de chegar o mais longe possível. É um elemento que pode catapultar a equipa para um patamar mais alto. E a nível pessoal, numa altura em que se fala na saída do Real Madrid, é um momento de afirmação e uma oportunidade para mostrar que as qualidades estão intactas e tem ainda muito para dar.

Desafio para Marco Silva
Marco Silva tem um novo desafio na Premier League. Depois de ter treinado equipas que aspiravam apenas à manutenção naquele país, o Hull City e o Watford, segue-se agora um histórico do futebol inglês, o Everton. Com mais argumentos financeiros para lutar por um lugar na primeira metade da tabela e, quem sabe, conquistar uma vaga nas competições europeias do ano seguinte, o técnico português tem agora a missão de tentar fazer melhor do que o 8.º lugar alcançado pelo clube esta temporada. Aos 40 anos, a cotação do treinador está em alta.

O estado do leão
Num clube que ao longo da época mostrou ser competitivo e ter uma equipa capaz de jogar ‘olho no olho’ com grandes nomes como Barcelona, Juventus ou Atlético Madrid, toda a instabilidade que surgiu ao longo dos últimos meses no reino do leão assume contornos difíceis de decifrar por completo. O Sporting vive um momento conturbado e as soluções parecem não estar à vista. Jogadores rescindem, dirigentes demitem-se, a contestação aumenta, mas Bruno de Carvalho pretende continuar. No meio disto tudo, a nível desportivo, conseguirá a próxima época ser preparada nas melhores condições?"