Últimas indefectivações

sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal


O coro dos infelizes

"Não gostei do final de jogo com o Estoril. Aqueles últimos 20 minutos deixara,-me perto de um enfarte. Bem sei que, ao contrário do coro da choradeira, o Benfica precisa de ter quatro penalties por jogo para ver assinalado um, mas não havia necessidade de sofrer tanto. Já contra o Rio Ave a história foi diferente. Primeiro, os de Vila de Conde são das equipas que melhor jogam em Portugal; depois, o jogo pareceu bem mais controlado. Mais uma vez, penalty por assinalar. Faz bem o Benfica em não entrar no ridículo coro dos infelizes, mesmo sendo a equipa mais prejudicada do campeonato. Temos que jogar sempre mais e melhor, até porque vamos continuar a ter sucessivos erros a penalizar-nos.
Com a derrota frente ao SC Braga, ainda há muitos analistas que pensam que o Sporting tem uma palavra a dizer na luta pelo título nacional. O pior é que a maioria dos sportinguistas acha que a palavra é «adeus». Não sei se é assim, mas sei que a grandeza do Sporting, neste momento, é apenas os seus adeptos (e a sua história), que sofrem e apoiam sem limites e recebem de troca uma comédia circense de gosto duvidoso. Era importante para o Benfica que a luta no campeonato fosse a três ou quatro, caso contrário fica o Benfica a lutar apenas contra o ódio ao Benfica, que agrega várias sensibilidades e torna mais difícil a nossa vida.
Chegamos ao Natal em todas as frentes, e na frente em todas elas. Até na Taça de Portugal, ao receber o Leixões, temos o único jogo grande da prova, pois mais nenhum coloca dois vencedores da prova frente a frente. Porque queremos ganhar títulos em campo, porque não buscamos títulos de secretaria para dar títulos de jornais, venha o Paços de Ferreira na Taça da Liga, prova que ainda só ganhámos sete em nove edições.
Este ano o Natal é vermelho e é muito bonito. Um Santo Natal a todos os leitores da A Bola!"

Sílvio Cervan, in A Bola

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 38 (-5) = 43
Corruptos..... 34 (+1) = 33
Sporting........ 30 (+4) = 26


A coacção está 'quase' a resultar... a competência dos jogadores e dos treinadores do Benfica, são neste momento o único entrave à concretização da estratégia premeditada de coacção sobre as arbitragens!!!
Dentro das quatro linhas a 'ladroagem' está ao nível dos anos 90... a manipulação começa com a Realização da PorkosTV... e continua logo a seguir nos supostos 'debates' televisivos, cheios de avençados... e termina, com 'higiene' nos pasquins do dia seguinte!!!

Uma das piores e mais declaradas parciais arbitragens que me lembro na Luz, dos últimos tempos!!! Foi assim que Rui Costa se apresentou na Luz...
- o  penalty sobre o Guedes no início da partida, é das coisas mais absurdas que vi num campo de futebol!!! E sim, o jogador do Rio Ave, acidentalmente toca na bola, mas atropela totalmente o Guedes... é penalty em qualquer parte do Mundo!!!
- para mim, no início do 2.º tempo existe outro penalty sobre o Guedes. Villas-Boas faz claramente uma obstrução, dá um passe lateral, desinteressa-se pela bola, e o contacto é em cima da linha da grande área, portanto dentro da área...
- ao minuto 57, Luisão é completamente empurrado (creio que no único livre lateral a nossa favor...!!!). O Guedes do Rio Ave, empurra com o braço esquerdo nas costas do Luisão, e agarra com o braço direito, à volta da cintura do nosso Capitão... O contacto é indesmentível, e começa antes da bola partir e só termina quando o Luisão está no chão...


Mas além dos penalty's, todas as decisões foram tortas, todos: lançamentos laterais, cantos, faltas e faltinhas... critério totalmente torto... e ainda os foras-de-jogo!
Aquela entrada perigossisima do Roderick sobre o Jiménez (na mesma jogada o Villas-Boas tentou dar um coice ao Raúl) passou em claro, quando minutos antes marca um falta inexistente do Raúl junto da linha lateral, quando é o defesa que provoca o contacto... aliás as faltas ofensivas marcadas ao Mitro e ao Jiménez foram hilariantes!
Até nas questões disciplinares: inacreditável como foi possível o Wakaso termina o jogo sem um Amarelo... aliás nenhum jogador do  Rio Ave levou cartão.. e se o Pizzi levou um Amarelo por protestos, então os jogadores do Rio Ave que se fartaram de protestar com tudo, principalmente o Rúben Ribeiro, devem ter sido muito educados com as palavras!!!!

Tudo isto tem um impacto na partida muito superior às faltas marcadas e não assinaladas: enquanto os jogadores do Rio Ave, perceberam bem cedo que podiam fazer tudo e não seriam penalizados, os jogadores do Benfica, quando faziam pressão, principalmente em zonas recuadas sabiam que tinham que ter cuidado, senão seriam penalizados com zelo...: comparem a forma como o Filipe Augusto entra sobre o Guedes no penalty, e a forma como o Fejsa recupera a bola sobre o Yazalde na parte final do jogo, onde o jogador do Rio Ave colocou a perna à frente, esperando o contacto do Fejsa, mas o nosso 'bombeiro' desviou-se magistralmente do contacto...!!!


Em Belém tivemos direito a invasão de campo, com volta olímpica de presidente e treinador, depois de se terem safado praticamente no último minuto de mais 2 pontos perdidos... e assim manterem o 4.º lugar!!!
Tiago Martins, deve ter um aproveitamento de 100% com o clube do seu coração... ainda não foi desta que o Sporting perdeu pontos com a nova estrela da arbitragem portuguesa...!!! Por acaso não houve grandes casos, pelo menos que a PorkosTV tenha mostrado... houve uma bola duvidosa na área do Sporting, pareceu um desvio com o braço do Coates, mas não houve repetições...
O penalty que o Judas chorou, não existe. A bola bate no braço, mas não é deliberado... este é daqueles que não deixa dúvidas.
Agora, nas faltas e faltinhas a meio-campo, as regras continuam a ser diferentes para a Lagartada, mas isso não é só com o Tiago Martins, é um problema de todos os apitadores portugueses!!!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
7.ª-Feirense(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), V(0-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Esteves, Nada a assinalar
10.ª-Corruptos(f), E(1-1), Soares Dias, Prejudicados, Impossível contabilizar
11.ª-Moreirense(c), V(3-0), Godinho, Prejudicados, Sem influência no resultado
12.ª-Marítimo(f), D(2-1), Vasco Santos, Prejudicados, (1-4), (-3 pontos)
13.ª-Sporting(c), V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Estoril(f), V(0-1), Paixão, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
15.ª-Rio Ave(c), V(2-0), Rui Costa, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
7.ª-Guimarães(f), E(3-3), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Tondela(c), E(1-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-1), (+1 ponto)
9.ª-Nacional(f), E(0-0), Vasco Santos, Prejudicados, (0-1), (-2 pontos)
10.ª-Arouca(c), V(3-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contablizar
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
12.ª-Setúbal(c), V(2-0), Rui Costa, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
13.ª-Benfica(f), D(2-1), Sousa, Beneficiados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), D(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Belenenses(f), D(0-1), Tiago Martins, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Nacional(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Sem influência no resultado
8.ª-Arouca(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
9.ª-Setúbal(f), E(0-0), Pinheiro, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(c), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, Impossível de contabilizar
11.ª-Belenenses(f), E(0-0), Oliveira, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
12.ª-Braga(c), V(1-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
13.ª-Feirense(f), V(0-4), Luís Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Chaves(c), V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
15.ª-Marítimo(c), V(2-1), Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A força da direcção

"Em 2013, a direcção benfiquista entendeu reconduzir Jorge Jesus no cargo e logo surgiram os profetas da desgraça em grande força e maior quantidade. A avaliação, então, foi correcta: Se tudo perdeu numa semana é porque tudo poderia ganhar. Foi o mote para o actual domínio benfiquista, beneficiando da estabilidade oferecida ao seu técnico principal.
Passados dois anos, deu-se início a um novo paradigma, cujas faces mais visíveis passaram pela substituição do treinador e pela aposta em jovens atletas. Os tais profetas da desgraça, incapazes de compreender o contexto em que o Benfica se inseria naquele momento, ressurgiram. Era Jesus ou o caos, como se a 'estrutura' entretanto criada não passasse de um jargão. Ora, nem Jesus, nem caos, antes mais uma época de sucesso nacional e prestígio internacional.
Mas os primeiros passos de Vitória foram titubeantes.
À semelhança de 2013, o resultado dado pela direcção ao treinador permitir ganhar o tempo que se diz não existir num clube com as ambições do Benfica, Renato Sanches transformou a equipa e levou alguns a duvidarem do mérito de Vitória. Agora sem Renato, Jonas, Gaitán e Jardel, nem os restantes lesionados, distam quatro pontos para o Porto (após Estoril) e são 17 os conquistados e mais que o Sporting desde 18 de Dezembro de 2015.
As críticas a Jesus, que temos ouvido e lido ultimamente por parte de sportinguistas com visibilidade na comunicação social, à semelhança daquelas feitas a Marco Silva a partir de determinado momento, parecem encomendadas e, mais do que servir o Sporting, procurarão sobretudo proteger o presidente.
É também nesta diferença que reside o momento actual vivido por ambos os clubes."

João Tomaz, in O Benfica

Que seja um bom Natal

"Na semana passada, a família de funcionários e colaboradores do Sport Lisboa e Benfica juntou-se no Estádio da Luz para o tradicional jantar e festa de Natal. Pelo camarote presidencial e pelo lounge passaram os heróis anónimos que, todos os dias, dão o seu melhor para que o clube seja a empresa de sucesso que todos reconhecemos. Todas as áreas estiveram representadas, desde os serviços administrativos à comunicação, do arquivo ao marketing, do apoio aos sócios à direcção.
É nestes momentos que se vê a força de uma empresa e, neste caso, de um clube que soube tornar-se profissional e estar entre a elite mundial.
A festa de Natal é sempre uma boa oportunidade para conhecer gente nova, rever velhos conhecidos e falar do futuro. Mas não deixa de ser importante também olhar para o passado e ver onde estamos.
No final do século XX tive a sorte de poder fazer parte da equipa de atletismo do SLB. Conheci por dentro a realidade do Clube e as dificuldades com que praticantes e dirigentes se debatiam todos os dias, dos transportes e alojamentos às contas da luz e da água. Quase 20 anos depois, é impressionante ver a força deste Benfica como um todo- Longe vão os tempos das dívidas, das desculpas, do desespero e da falta de planeamento.
O Benfica que esteve representado nesta festa de Natal é profissional sem perder a alma, é eficaz esquecer a sua história. É um exemplo de como se dá a volta por cima sem abdicar de valores.
O jantar também estava bom. Soube a liderança sem rival."

Ricardo Santos, in O Benfica

Vídeo-jogos

"Se a aplicação de vídeo-tecnologias no Mundial de Clubes era um teste para aferir a eficácia das mesmas, há que dizer que tal redundou num absoluto fracasso.
Poderia destacar dois momentos: um árbitro parar o jogo e correr para a linha lateral para confirmar um lance nos ecrãs, e um golo festejado, depois retido na dúvida, e finalmente re-festejado como válido. Eis duas situações caricatas, que mostram, enfim, aquilo que, quem pensasse um pouco no assunto, já há muito tempo havia concluído: esta ideia corta ritmo ao Futebol, retirando-lhe espontaneidade e beleza, dando-lhe pouca coisa em troca.
Há quem argumente com a redução do erro. Há quem apresente exemplos de modalidades como o Râguebi, o Basquetebol ou o Ténis.
Pois quando assisto a uma partida de uma liga estrangeira, a última coisa com que me preocupo é com a arbitragem. Pelo contrário, o que pretendo - e pago para ver - é um espectáculo corrido, sem paragens, nem cortes.
Já nas modalidades referidas, as pausas fazem parte da respectiva identidade. Não é comparável a fluência de um jogo de Futebol a um de Râguebi (com tanto tempo parado como a jogar-se), a um de Basquetebol (com mais tempo parado do que a jogar-se, também por via dos estupidamente excessivos tempos técnicos), ou a um de Ténis (disputado lance a lance). Talvez por isso o Futebol seja mais popular do que qualquer dessas modalidades.
Já chegam as faltas, as substituições e o intervalo. Por mim, enquanto adepto, dispenso mais pausas. Até porque, como se viu na própria final da competição mencionada, nada disto porá fim ao erro, ou às discussões em torno dele."

Luís Fialho, in O Benfica

A espada de Guimarães

"Havia um leão que se alimentava em abundância. Tanto comeu e comeu e voltou a comer, que acabou por se prostar no chão e, como qualquer animal, adormeceu.
O problema é que um macaco maldoso achou que o leão estava mesmo a jeito de ser chateado. Bem dito, bem feito, chateou-o tanto, que o leão se levantou combalido e começou a correr trôpego atrás do macaco.
No entanto, este sentou-se num banco de jardim a ler o jornal. O leão, atónito, perguntou-lhe se tinha visto algum macaco. O macaco baixou o jornal e perguntou ao aflito Leão se queria referir-se ao Macaco que estava a chatear o Leão.
A resposta do Leão não poderia ter sido mais lapidar:
- O quê, isso já vem no jornal?
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Reflexão de Natal

"Na Alemanha, a canoagem é uma modalidade de grande sucesso no alto rendimento. Nos Jogos Olímpicos Rio-2016, o país conquistou 42 medalhas, sendo 17 de ouro, 10 de prata e 15 de bronze. A canoagem contribuiu com quatro ouros, duas pratas e um bronze. Em termos práticos, em apenas uma edição dos Jogos, a canoagem alemã conquistou tantas medalhas de ouro como Portugal em 100 anos de participações. Significativo.
Face ao excelente resultado, seria expectável que a canoagem alemã recebesse choruda prenda de Natal para o ciclo olímpico Tóquio-2020. Isso não aconteceu. Como consequência da reforma da organização desportiva e do financiamento ao alto rendimento, viu mesmo serem apertadas as regras financeiras com restrições orçamentais.
Parte dessa reestruturação da ciência e prática desportiva de rendimento e optimização de procedimentos para o apoio científico, nomeadamente toda a parte de investigação, inovação, desenvolvimento e tecnologia, conhecimento e gestão de ciência. Também se privilegia a optimização da transferência de conhecimento, nomeadamente através de uma melhor aplicação do conhecimento científico nas áreas de investigação e da inovação no treino e competição. Aposta-se na intensa cooperação com universidades, faculdades e outros parceiros da ciência e da indústria, a fim de alcançar pela investigação e inovação melhores resultados. Garante-se ainda um reforço da competência em todas as áreas da ciência, especialmente na pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. E a criação de uma plataforma de conhecimento digital central para melhorar os canais de comunicação e informação.
Sem entrar em detalhes, a verdade é que um país que ganha 42 medalhas numa só edição dos Jogos Olímpicos entende, ainda assim, implementar uma reestruturação da organização da prática desportiva competitiva e do financiamento ao alto rendimento. Pode não funcionar, mas vai tentar melhorar. E por cá?"

Mário Santos, in A Bola

Memórias seletivas

"O Belenenses-Sporting acabou com um golo ao photo-finish e foi parar ao ainda quente dérbi da Luz

O Sporting marcou no suspiro final da partida no Restelo e, no banco, os sentimentos misturaram-se como se tivessem sido enfiados numa centrifugadora. A alegria confundiu-se com o alívio, a exaltação com o regozijo, porque outro resultado que não a vitória poderia ter consequências complicadas para os decisores de Alvalade, tanto dirigentes como técnicos. Bruno de Carvalho, já esquecido de ter anunciado candidatura própria após uma derrota do Sporting, criticou os putativos opositores manifestados após a desfeita em casa com o Braga e chamou-lhes abutres. Jorge Jesus serenou a claque esta semana e conseguiu crédito, mas não seria fácil adivinhar-lhe a validade face a mais pontos perdidos.
O futebol é assim, alterna momentos de glória com outros de preocupação extrema, grandes golos com falhanços incríveis, defesas monumentais e frangos, decisões boas e erradas, memórias convenientes e esquecimentos adequados. Na flash interview, Jorge Jesus afirmou que a crise do Sporting chama-se Jorge Sousa e disso não vai esquecer-se, porque poderia ter saído da Luz com um ponto de avanço e ficou com cinco de atraso (pelo meio perdeu em casa com o Braga e reconheceu que a equipa jogou mal). Outros não esquecerão, ainda menos depois do ocorrido ontem ao minuto 90+3, que Bas Dost deveria ter continuado em campo na Luz e saiu. Os erros acontecem. Uns têm é uma repercussão maior do que outros e é normal que assim seja. Convém que assim seja."

Benfiquismo (CCCXXVI)

Alguns podem-te não apreciar,
mas aqui serás sempre bem-vindo!

Aquecimento... natalício!!!

Última chamada...!!!

«Sou do Benfica... e isso me envaidece»... o livro

"Sabem da minha admiração por Vitória. O seu discurso é tranquilizador.

Todos, na vida, vamos tendo a tentação de, a cada porta que se fecha (mesmo sabendo que um dia, se vá abrir de novo...), fazer um balanço, se possível em livro... Pois, com tanta intervenção, muita dela escrita, não foi difícil, em tão pouco tempo, organizar ideias do que fiz e do que penso sobre e para o Benfica. O resultado, com a ajuda da Aletheia, aí está: «Sou do Benfica... e isso me envaidece», livro com um título como tantas vezes entoamos ao som de Luís Piçarra ou em uníssono, na Luz, que hoje vê a luz do dia, distribuído por A Bola. Numa tripla perspectiva: balanço enunciação de princípios e projecto. Com a esperança de a terceira nunca ser necessária, porque isso pressuporá um Benfica a ganhar, sempre, no que é o meu único desejo. Para memória futura..

Benfica - Rio Ave, ... o jogo
Era, desde a vitória no Estoril, e até ontem, o jogo mais importante e mais difícil do campeonato. Como tem que ser o próximo, e, depois desse, o próximo e, assim, sucessivamente. Para que não nos embrulhemos nos balanços e caiamos... como muito bem avisou Rui Vitória, na antevisão do jogo com a equipa de Luís Castro, ex-treinador do Porto (é bom que o recordemos, com todo o seu significado...).

Túnel do Bessa... ou importa é acabar com o TAD
Tenho um carinho especial pelo Boavista. Seja pela dimensão e história do clube, seja pelo prejuízo desportivo (e financeiro) que tem sofrido, como vítima colateral de actos de corrupção... de outros...
Não posso, por isso, deixar de dar uma palavra de protesto com o que lhe estão a voltar a fazer.
A propósito do conhecido caso 'Túnel do Bessa', decorrente dos incidentes do final do Boavista-Guimarães, para a Taça de Portugal, a 18 de Novembro passado, Idris, Henrique e Bukia foram expulsos, tendo sido punidos, pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, com quatro jogos de castigo. Pois, mesmo depois do Boavista ter recorrido imediatamente dessa pena, até há bem pouco tempo não havia qualquer decisão.
Essas suspensões abrangeram o Boavista-Sporting (0-1), o Paços de Ferreira-Boavista (2-1), o Boavista-Guimarães (1-2) e o Tondela-Boavista (1-1). Dos quatro jogos de castigo aplicados a três jogadores do Boavista, com efeitos imediatos em jogos importantes, o Boavista perdeu três e empatou um! Estavam, apenas, em causa (rápidos) castigos aplicados a três jogadores.
O que num plantel normal, reconheça-se, faz toda a diferença.
O que torna ainda mais inexplicável a falta de decisão de um recurso antes de os jogadores terem cumprido o castigo de quatro jogos de suspensão aplicados.
É incompreensível que o Conselho de Disciplina. E se no futebol não há filhos e enteados, como se justifica o tratamento dado ao Boavista? Chega de perseguições a quem pode, na cidade do Porto, ocupar  espaço a outro clube que o quer só para si.

«Estamos preparados»... Rui Vitória
Sabem da minha admiração por Rui Vitória. Para além da sua paixão de adepto do Benfica, evidentes nas várias vezes em que colocou o clube à frente de qualquer ambição pessoal, o seu discurso é tranquilizador.
Desde logo, perante as adversidades, qualquer que seja a sua origem e sua natureza.
Veio a público que Lindelof poderá deixar o clube muito em breve, tendo alguns meios de comunicação garantindo que o Benfica-Rio Ave teria sido o último jogo de águia ao peito (e eu - cá na minha alma de adepto - já me despedi dele, com toda a carga clubística que isso envolve, significa e potencia).
Pois, perante essa possibilidade, Rui Vitória, num discurso seguro e confiante - como é habitual, sem que seja necessário amesquinhar ninguém - disse o óbvio para quem tem a sua responsabilidade: «estamos preparados».
Independente de concordar ou não, Rui Vitória respondeu da única forma que pode responder um homem de carácter, que tem de estar sempre preparado para todos os cenários.
Sabemos a importância de um discurso.
Embora não seja apenas com tranquilidade que se ganhem jogos... e campeonatos!
Mas, que ajuda, ajuda... e muito!!!
E se, a essa tranquilidade, aliarmos a humildade, à Benfica, ultrapassaremos, estou certo, qualquer obstáculo.
Como se tem ultrapassado a (estranha) onda de lesões que atingiu o plantel.
Ou a forma como se ganhou jogos, na época passada, até com menos um jogador (lembram-se do penúltimo jogo, na Madeira???).
E disso será exemplo a forma como será ultrapassada qualquer saída do plantel.
Com disponibilidade e combate.
E com o conhecimento (e conforto) de saber de onde vem e para onde vai.
Temos um excelente gestor de recursos humanos.
Preparado e focado.
Que alia a «alma» benfiquista, à crença do seu trabalho.
Com a manutenção de uma sintonia perfeita entre o querer «cá fora» e o querer «lá dentro».
Porque aqui só as vitórias interessam!
E porque aqui há soluções.
Ganhando sempre, e em qualquer circunstância, o colectivo (e não o treinador).
Para que os objectivos sejam cumpridos.
Em todas as competições.

O prometido é devido... ou a vitória do Sporting de Braga
Prometi, depois do meu último artigo de opinião, publicado neste jornal, que não falaria mais do Sporting!
E vou cumprir!!!
Mas não violarei a promessa se falar... do Sporting de Braga.
Clube a que me ligam laços familiares (e que sou, como diz o Presidente António Salvador, sócio com as quotas em dia).
Não posso, por isso, deixar de elogiar a grande exibição que fez em Alvalade.
Sobretudo após uma chicotada psicológica, concretizando o ideia de que as equipas «sem treinador» são as que mais lá ganham.
Desta vez, foi sob orientação de Abel Ferreira.
Ironia do destino, antigo lateral do Sporting e ex-técnico dos juniores.
Aproveitando, como será bom recordar, o trabalho de um grande técnico: José Peseiro.
E com um golo marcado por um Wilson Eduardo, que gelou um estádio.
E até podia ter marcado mais, se não quisesse ultrapassar, ou melhor, sentar, literalmente, numa jogada na primeira parte, o guarda-redes adversário.
Que, depois, fazendo jus aos 6 pontos alcançados, e como 12.º classificado na votação para a Bola de Ouro 2016, colaborou na vitória do Braga.
Quanto ao jogo, apenas relembrar que foi uma vitória de um treinador que é seu ex-jogador.
Com um golo marcado por também um ex-jogador.
É a vida!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Emoção na Suiça... com final feliz... mais uma vez!!!

Nafels 2 - 3 Benfica
21-25, 25-23, 25-21, 30-32, 12-15

Não é fácil seguir um jogo destes só com infos online!!! Sendo assim quem sou eu, para desmentir o André Lopes que no final da partida partilhou a sua opinião, afirmando que talvez tenha o sido o jogo menos conseguido da época... mas deu para ganhar!!!!!

No 3.º Set começamos muito bem, tivemos uma boa vantagem, mas desperdiçamos tudo e ficámos a um Set da eliminação!!!! Sendo assim o 4.º Set era decisivo... E não podia ter sido mais emocionante, sempre muito equilibrado, quase sempre com ligeira vantagem para nós, mas fomos obrigados a 'sofrer' nas vantagens (onde os Suíços tiveram vários pontos para ganhar a eliminatória!!!) e tivemos que ir até aos 32 pontos para vencer!!!
O 5.º Set curiosamente foi mais calmo, pois sabíamos que tínhamos sempre o Golden Set para 'vencer'... mas não foi preciso!!! Vitória por 2-3, depois da vitória por 3-2 na Luz, num jogo onde também tínhamos tido uma 'branca' a meio da partida!!!

Ainda sem as estatísticas totais, uma nota para os pontuadores: parece que corrigimos um dos erros do 1.º jogo, muitos pontos para os nossos Centrais...!!!

Após todo este esforço, vamos defrontar os franceses do Chaumont. Equipa que vem de um campeonato muito mais competitivo, com um orçamento muito superior, dum país com tradição na modalidade. Nas últimas épocas, disputámos eliminatórias com fortes equipas Italianas, e tivemos bem... o Chaumont está a um nível parecido (lidera a Liga Francesa, o ano passado ficaram em 3.º). Não somos favoritos, mas é possível... Mas temos que estar no máximo do nosso potencial, sem falhas!!!

Os dois lados do nosso futebol


"Campeões europeus. Títulos conquistados em escalões jovens. Boa representação nos Jogos Olímpicos. Futebol feminino em ascensão. 8.º lugar no ranking mundial de selecções e 6.º no de clubes da UEFA. O Benfica 8.º na classificação europeia e o Porto em 12.º. Cristiano Ronaldo. Outros grandes e promissores jogadores. Árbitros reconhecidos internacionalmente. Maior volume de retorno financeiro por transferências de atletas. E muito mais.
O futebol português - se o comparamos à luz da nossa dimensão demográfica e da nossa riqueza per capita - está numa posição relevante face a outras actividades económicas do País.
Este é o lado bom e esperançoso do nosso futebol. Pede meças a outros países e orgulha-nos. Mas, há sempre um mas. Um mas de incompetência, de cretinice, de ganância, de deslealdade, de cupidez, de mentira, de incoerência absoluta, de paixão transformada em ódio.
Um mas de desculpas, de omissões, de mentirolas, de jactância, de irresponsabilidade, de falta de nível, senão mesmo de carácter e de integridade.
Os media e canais de televisão tabloidizados regozijam-se e regurgitam com tanta miséria moral. Repetem, até à náusea, situações perversas, como se as estivessem a promover e incitar. Pessoas respeitáveis há que até entram nesse jogo sem se sentirem envergonhadas ou incomodadas.
A corrosão do lado bom de futebol português é de um primarismo que, espero (ainda que com muito pessimismo) não contagie os jovens e crianças que vêem diante dos olhos, dia após dia, esta feira franca de aleivosias e de maus exemplos. Deveria até haver o sinalzinho no canto do ecrã para prevenir os progenitores."

Bagão Félix, in A Bola

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Pizzicologia

"A importância de Pizzi para o futebol jogado pelo Benfica fiou mais uma vez evidente ontem

1 - Rui Vitória garantiu não ter pedido a Pizzi para forçar o segundo amarelo no jogo de ontem e não é difícil acreditar no treinador do Benfica. Qualquer jogador inteligente sabe o que tem de fazer numa situação daquelas e não há muitos jogadores mais inteligentes do que Pizzi no futebol português. Num campeonato marcado por desequilíbrios gritantes entre ricos e pobres, seria impensável que, logo a ele, lhe escapasse a importância de estar disponível para a complicada deslocação ao Afonso Henriques, casa do Vitória de Guimarães, uma das poucas equipas capazes de olhar os grandes olhos nos olhos. De resto, o jogo de ontem tratou de sublinhar a relevância do médio, perceptível não apenas no papel que desempenhou nos dois golos, mas sobretudo na variedade de soluções que oferece e na garantia de estabilidade táctica que proporciona, assegurando o equilíbrio que permite a Rui Vitória rodar os pontas de lança sem perdas de rendimento ofensivo ou sobreviver a prolongada ausência de Jonas. De tal forma que, sendo evidente que um dia destes Rui Vitória vai mesmo ter de passar sem ele, também é óbvio que quanto mais tarde melhor.
2 - Jesus diz que no Sporting nem sequer há toalhas para atirar e nem podia dizer outra coisa quando o campeonato ainda não vai a meio, mas convém que ganhe hoje se quiser manter as boas recordações que guarda da visita da claque à equipa. Quando entrarem em campo, os leões vão estar a onze pontos do Benfica, a sete do FC Porto e a dois, três ou cinco do Braga. Ora, com os minhotos concentrados apenas no campeonato, a coisa pode complicar-se a sério em Alvalade."

Vinte minutos fulgurantes

"Quando o colectivo encontra dificuldades as individualidades resolvem os problemas

Fulgor
1. Vitória justa do Benfica que, com entrada de rompante, cedo fez golo e materializou o natural ascendente. Perante plateia em festa com a possibilidade da equipa colocar de novo a vantagem para 2.º nos 4 pontos, o jogo começou frenético e de sentido único. Com o seu primeiro tempo de defesa apurado, impedindo a equipa de Luís Castro de sair na contra-ofensiva, os encarnados retiraram a bola ao Rio Ave e mostraram argumentos sólidos, apesar da densidade competitiva deixar marcas. Com Cervi, Rafa e Guedes a dinamitarem o jogo ofensivo e alimentados pelo futebol geométrico de Pizzi e na visão de helicóptero de Fejsa, o Benfica tinha em Mitrolgou o finalizador por excelência, regressado depois de período cinzento, mostrando os propósitos de Rui Vitória em ter referência fixa no corredor central. Foram 20 minutos de grande fulgor. Roderick e Villas Boas sentiram imensas dificuldades para acompanharem o ritmo dos avançados da casa e demonstraram pouco ritmo competitivo. O segundo golo apareceu no momento em que os pupilos de Luís Castro equilibravam os acontecimentos e procuravam estender-se no relvado e mostrar o porquê de chegarem a luz com 4 vitórias seguidas. Quando o colectivo encontra dificuldades no seu percurso, as individualidades deste conjunto encarnado surgem e resolvem os problemas. Pizzi e Rafa resolveram puxar dos galões e presentear a plateia com combinação simples concluída com finalização perfeita.

Gestão
2. O segundo tempo mostrou uma equipa de verde vestida mais disposta a emendar a primeira parte apagada e pouco conseguida e oportunidades para reduzir até surgiram. Com Gil Dias e Tarantini, o Rio Ave pareceu mais de encontro com o seu modelo normal, e para um Benfica mais apostado em controlar o jogo e a não correr grandes riscos, aparecia um conjunto vilacondense mais afoito. Não fosse Ederson defender magistralmente o remate de Rúben Ribeiro, talvez o jogo disparasse para outros níveis de interesse
Como o golo não surgiu, descansou o Benfica e Rui Vitória foi gerindo o plantel, dando mais minutos ao jogador mais determinante ofensivamente na época transacta: Jonas. Apesar da vantagem tranquila e do grito de Ipiranga do Rio Ave, esperava-se que o campeão nacional, principalmente nos últimos 20 minutos, revelasse outra capacidade de aproveitar o adiantamento das linhas forasteiras e criasse mais oportunidades de golo. Em vão.
Valeu a primeira parte intensa e variada dos encarnados, assente no seu vertiginoso trio ofensivo, sempre em excesso de velocidade e a reacção personalizada na segunda parte dos comandados de Luís Castro. Quanto ao jogo, de dominador na primeira parte, o Benfica terminou como controlador e de olho nas festas e no descanso que aí vem."

Daúto Faquirá, in A Bola

Sinais da bola

"Olha quem é ele
De nada valeu a Raúl Jiménez ter assinado quatro golos em quatro jogos seguidos. Rui Vitória apostou em Mitrolgou - e o grego correspondeu. Voltou aos golos na Liga e ameaçou outras duas vezes, numa delas ensaiando um lance à Messi. Mas não era o Messi.

Está engraçado
Aos 17 minutos, já com o Benfica em vantagem depois do golo de Mitrolgou, Luisão levantou a cabeça e, da linha do meio-campo, tentou o chapéu a Cássio. A bola saiu por cima da barra. Mas o lance arrancou um sorriso maroto a Rui Vitória.

Maldade
O Rio Ave controlava a bola, trocava-a por vários jogadores, provocando assobios nas bancadas. Num desses lances dos vila-condenses, Filipe Augusto fez um túnel a Mitrolgou. Que maldade! O avançado grego nem se apercebeu bem do que tinha acontecido.

Sozinho
Aos 43 minutos, perdido nele próprio, pensativo, Luís Castro nem olhava para o jogo. Só reflectia o olhar preso no relvado. a equipa jogava bem, mas não chegava à baliza do Benfica. Depois do intervalo, o Rio Ave surgiu ainda melhor. E ameaçou Ederson.

Então adeus
De partida para o Man. United, Lindelof foi abraçado no final pelos companheiros e fez continência aos adeptos, sob fortes aplausos. O 'Iceman' parecia estátua de gelo a derreter-se no calor ed emoções fortes. Todos no estádio perceberam que se tratou do adeus."

Nuno Paralvas, in A Bola

PS: Não fiquei muito tempo na bancada quando o jogo terminou, mas muito sinceramente, não vi nenhum gesto do Lindelof que possa ser interpretado como uma despedida!!! A tal 'continência' não passou de uma tentativa do Lindelof avistar algum amigo ou familiar no camarote destinado aos jogadores e família... Por acaso até dou credibilidade às notícias da sua suposta venda, mas ontem não senti que tivesse sido a despedida!

Cartão vermelho - honra e orgulho

"Ao contrário do que muitos pensam e acreditam, a lei nunca proíbe. Trata-se, apenas, de um contrato social. Se alguém cometer um acto contrário à lei ou contrário a um regulamento, incorre numa pena.
Há sempre três possibilidades. A primeira é a possibilidade de nunca se provar a culpabilidade do culpado. É quando a infracção da lei mais vale a pena do ponto de vista do prevaricador; a segunda é quando a infracção é mais vantajosa do que o castigo; a terceira é quando a pena é manifestamente dissuasora da sua infracção.
Pizzi apenas avaliou estas três possibilidades. Sabia que um cartão amarelo valia a suspensão do jogo do campeonato com o Vitória de Guimarães e também sabia que dois cartões amarelos e uma expulsão valia a possibilidade de jogar esse jogo. Perante estas hipóteses, Pizzi escolheu o seu lado profissional e nem hesitou, recebeu, com honra e orgulho, o cartão vermelho e, assim, jogará em Guimarães.
Alguns dirão, então os regulamentos, tal como Jesus diz do fair play, são uma treta. Pois são. Os clubes sabem que são e por isso votam pela treta contra a justiça e o fair play.

Nota final - Atenção: os árbitros são sempre o elo mais fraco dos protagonistas deste complexo mundo futebol. Precisam de muito acompanhamento e apoio, sob risco de sofrerem as consequências do que se diz, do que se publica, do que se comenta. No jogo da Luz, Rui Costa pareceu, claramente, um árbitro condicionado pelo que se falou durante a semana. Se chegou ao jogo sem o necessário apoio psicológico, depois de uma semana louca de ataque aos árbitros, é porque a estrutura da arbitragem ainda não é boa."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Como é habitual foi preciso um jogador do Benfica, aproveitar um 'buraco' no regulamento, para se colocar em causa a justeza do tal regulamento!!! Quando no passado, outros fizeram a mesma coisa... tudo pacífico!!!
Em relação à arbitragem de ontem, não existe coragem de colocar a palavra 'coacção' no texto...!!! É pena...

Temos mesmo de esperar dois anos?

"1. A conferência de imprensa de Abel Ferreira após a vitória do SC Braga foi das melhores coisas que aconteceram nas últimas semanas no futebol português. Um treinador sem escudos, com um discurso, inteligente, assumindo que lhe deu, efectivamente, um gosto especial vencer o seu antigo clube como jogador e treinador das camadas jovens (como todos tinham percebido naquele sorriso no momento em que Wilson Eduardo fez o 1-0) e lembrando ter a «liberdade intelectual e financeira» para trabalhar onde e como quer, confirmando, mesmo sem dizê-lo directamente, que não saiu a bem com Bruno de Carvalho. O modo como despiu a capa do fingimento (tal como fazia nos tempos de jogador) quando tinha todos os holofotes em cima dele é proporcional à moderação com que projecta a sua carreira. Depois de ter conseguido pôr uma equipa a pressionar o leão em todo o campo, fazendo as substituições certas e no timing ajustado, alcançado proeza apenas ao nível do que haviam feito Dortmund e Real Madrid, o jovem técnico poderia pôr-se em bicos de pés. Mas não: garantiu que até aos 40 irá trabalhar na formação do SC Braga (hoje fez 38). Pena termos de esperar dois anos.
2. Abel sai de cena e entra Jorge Simão, um treinador de 40 anos (a idade, dizem alguns, na qual se começa a viver) e com um desempenho, discurso e atitude que não nos faz criar muitas dúvidas sobre a competência para agarrar numa equipa que é o último passo antes de chegar a um grande. Quem se dá bem em Braga está mais perto de se tornar águia, leão ou dragão. Que o digam Jesualdo (FC Porto), Jesus (Benfica), Domingos (Sporting) e Jardim (Sporting). Se não estiver enganado, acredito que daqui a uns meses algumas cadeiras poderão tremer num clube perto de si."

Fernando Urbano, in A Bola

Lanças... natalícias !!!

Amaral: «Abaixo de Deus, o Benfica é o maior!»

"«Destinos 90s»: Amaral teve duas passagens pelo Benfica, ambas curtas e por empréstimo, mas ficou no coração encarnado. Os adeptos criaram até um fundo, o «Fica, Amaral» para comprar o passe do médio, embora em vão. Ao Maisfutebol recorda a passagem por Lisboa, por um clube que passou a amar, e conta várias histórias da carreira, esclarecendo a alcunha de coveiro.

Amaral: Benfica (segunda metade de 1996/97 e segunda metade de 1997/98)
Médio brasileiro que passou por duas ocasiões pelo Benfica, ambas curtas, mas suficientes para o nome de Amaral ficar no coração dos benfiquistas.
Não foi pelos golos porque não marcou nenhum, nem pelas assistências, nem por ser um virtuoso. Foi pela «entrega», refere o próprio em conversa com o Maisfutebol, na qual recordou a passagem pela Luz, os pastéis de Belém que comia aos «dez por dia», o plantel do Parma com Buffon e Cannavaro, a selecção brasileira e ainda a participação num reality-show. Tinha ainda a alcunha de «Coveiro» que esclareceu ao nosso jornal.
Foi numa viagem de carro que nos atendeu o telemóvel e esteve uns longos minutos à conversa, com a alegria de sempre. Aliás, essa alegria é um dos motivos que o faz ser tão concorrido para ir à televisão.
«Quando você liga a televisão só vê sangue, então quando liga a televisão e vê o Amaral vai dar risada, vai ficar feliz.»
Recuámos então até dezembro de 1996 quando Amaral chegou ao Benfica por empréstimo do Parma, conjunto que o tinha contratado ao Palmeiras, onde se formou.
Entrou a meio da época, mas impôs-se logo nas águias e dali até ao fim da temporada fez 24 partidas, apenas uma como suplente utilizado.
Esse Benfica acabaria por ser apenas terceiro na Liga e finalista derrotado da Taça de Portugal, perdida para o Boavista (2-3). Amaral relembra os bons amigos desse plantel.
«Tenho vários amigos aí. Quando cheguei ao Estádio da Luz houve um cara que me deu muita moral que foi o João Vieira Pinto. Vi-o ser campeão europeu pela selecção portuguesa este ano e fiquei muito feliz. É uma pessoa com quem aprendi muito. Depois o Donizete e o melhor guarda-redes que joguei na minha vida, o Michael Preud’Homme», contou.
O médio reconhece que o Benfica não vivia um bom período da sua história e relembra o famoso «Fica, Amaral».
«No Benfica eu estive muito bem, só que o clube passava por uma situação financeira difícil e não tinha condições de comprar o meu passe. Até houve uma iniciativa dos adeptos, o ‘Fica, Amaral’, na qual foram recolhidos fundos, mas não conseguiram chegar à quantia que o Parma queria pelo meu passe.»
Para o brasileiro, o que os adeptos encarnados fizeram foi «muito gratificante» e diz mesmo que são «a melhor torcida do mundo».
«Digo sempre aos meus companheiros no Brasil que o Benfica actualmente não tem conquistado títulos importantes como a Champions League, mas graças a Deus é sempre campeão português. Para mim, a maior torcida que eu já vi na vida é a do Benfica. Em todos os lugares do mundo onde fui havia benfiquistas. Estive na casa do Benfica na Suíça há uns anos e há sempre benfiquistas que me recordam.»
Apesar do tal fundo não ter resultado, Amaral voltaria ao Benfica pouco depois. No final de 1996/97 saiu das águias e foi cedido pelo Parma ao Palmeiras até ao término do ano no Brasil. Ora em dezembro de 1997, Vale e Azevedo, que se tinha tornado presidente do Benfica em Outubro desse ano, resgatou o jogador.
«Voltei com o Vale e Azevedo e tenho a certeza que mesmo não tendo conquistado títulos no Benfica, os adeptos têm um carinho muito grande por mim e eu também tenho um carinho muito grande por eles. Espero um dia regressar aí e ser homenageado, porque quando eu joguei no Benfica, eles viram que eu vesti a camisola com amor», explicou.
Nesse ano era Graeme Souness o treinador dos encarnados, que não lhe deu muito tempo de jogo. Fez apenas quatro jogos logo em dezembro e Janeiro e só voltou à acção em maio para mais uma partida. 
Isso foi um pormenor para Amaral, já que o seu amor ao Benfica não tem limites, reconhece.
«O benfiquista é apaixonado. Eu não sabia da grandeza do Benfica, só a descobri quando cheguei a Portugal e depois quando estive pela Europa, na Itália, na Turquia, na Polónia e depois na Austrália. Encontrei sempre portugueses e sempre falando do Benfica. Abaixo de Deus, o Benfica é o maior!»
E Amaral ainda acrescenta que quando vê este Benfica de agora, fica com ciúmes: «Gostaria de ter ficado mais épocas, às vezes até me tenho ciúmes porque actualmente têm um melhor plantel, um belo estádio, um centro de treinos. Na época não tínhamos a facilidade que os jogadores têm hoje.» 
Depois fica o aviso para quem representa hoje em dia o clube: «Que isso sirva de exemplo para eles jogarem com amor à camisola porque o Benfica é grande!»
Amaral tem um grande amigo no plantel do Benfica que é Luisão e o médio já lhe transmitiu esta ideia: «Torço muito por ele, é um grande parceiro, um grande amigo.»
O que é que Amaral tinha de especial para ser amado na Luz?
Como já referido não foi pelos golos, pelas assistências ou pelo brilhantismo que Amaral ficou conhecido na Luz.
O próprio explica:
«Foi pela minha entrega dentro de campo, não fui um jogador que fiz muitos golos, mas quando vestia a camisola do Benfica e entrava na Luz lotada, mais de 90 mil pessoas, com a águia descendo do céu... não tinha como você não inspirar e ‘comer a grama’.»
De imediato recorda um exemplo dessa «entrega»: «O jogo que me marcou mais no Benfica foi quando me lesionei. Levei 10 pontos perto do joelho e vi o sofrimento dos torcedores. Os médicos disseram que ia parar um mês e eu em quinze dias estava pronto com a perna ligada. Foi isso que conquistou os corações dos benfiquistas.»
Só que Amaral era «entrega» dentro de campo e «risada» fora dele. Diz o médio que eram tantos diariamente que não se lembra de todos, mas destaca um logo após a chegada.
«Lembro-me de um episódio quando cheguei aí e precisava de colocar uma coisa no meu armário. Fui à secretaria e perguntei à senhora: ‘Me empresta um durex [fita-cola no Brasil], preciso colar na parede uma coisa e tal...’. Ela me ‘xingou’, me ‘escolachou’. Eu fiquei puto, caramba. Fui com toda a educação pedir um durex. Depois fui para o balneário e falei para o roupeiro. ‘Fui à secretaria pedir um durex e a Dona Paula me ‘escolachou’'. E ele disse-me: ‘Não, rapaz. Durex é camisinha’. Eu não sabia!»
O convívio com o «amigo Buffon», Cannavaro, Ancelotti, Rui Costa e Nuno Gomes
Amaral chegou à Luz por empréstimo do Parma em 1996, clube que tinha comprado o seu passe no verão desse ano.
Antes de rumar a Portugal ainda fez uns jogos pelos italianos, um deles em Guimarães, na estreia de Gianluigi Buffon em jogos europeus.
Os vimaranenses venceram por 2-0 e eliminaram o Parma da Taça UEFA. Vítor Paneira abriu o marcador aos 16 minutos e Ricardo Lopes fez o segundo aos 50’, já sem Amaral em campo, que foi titular e saiu ao intervalo.
Amaral recorda esse jogo e sobretudo o «amigo Buffon».
«Buffon tinha um bom talento, tinha uma sombra muito grande que era o Bucci, que era seleccionado para a seleção italiana. O Buffon esteve sempre a correr por fora e quando ele teve a oportunidade entrou e não saiu mais. Está hoje aí ainda, é a estrela maior da Juventus.»
O guarda-redes tinha 19 anos na altura e foi nessa época de 1996/97 que se começou a afirmar, realizando 29 jogos. Atualmente, Amaral e o capitão da selecção italiana ainda conversam.
«O Buffon é um grande amigo, até hoje ainda temos contacto. Ele veio aqui ao Brasil para disputar o Mundial, mas não tivemos a possibilidade de nos encontrarmos. Às vezes a gente conversa pelo Whatsapp. Foi uma pessoa com quem aprendi muito, também com o Fabio Cannavaro, que estava nessa época.»
Era uma grande equipa e os dois internacionais pela Squadra Azzurra são só dois bons exemplos. Amaral dá mais: «O Parma era uma equipa muito forte. Tinha ainda o Lilian Thuram, o Zola, que era considerado o sucessor do Roberto Baggio. Tínhamos um elenco maravilhoso e um treinador que estava a começar e que hoje é dos melhores do mundo, Carlo Ancelotti.»
Havia ainda o sueco Tomas Brolin, o jovem Hernán Crespo, Mario Stanic, Dino Baggio, Zé Maria ou Roberto Sensini. O brasileiro diz que aprendeu muito naquele pequeno tempo no Ennio Tardini, apesar das dificuldades linguísticas.
«Não entendia muito o italiano (risos), mas o que eu entendi foram tudo coisas que acrescentaram na minha carreira e que me fizeram evoluir e crescer.»
Acabaria por ser emprestado ao Benfica, depois ao Palmeiras, novamente ao Benfica e fez mais duas passagens pelo «seu» Brasil: Corinthians e Vasco da Gama. Após isso chegou à Fiorentina, na qual fez duas épocas: 2000/01 e 2001/02.
Em Florença, cidade da qual tem grandes recordações, jogou com dois portugueses que tal como ele nutrem um grande amor pelo Benfica.
«Tive a possibilidade de jogar com o Nuno Gomes no Benfica e na Fiorentina. Com o Rui só na Fiorentina. É uma pessoa que aprecio muito, com quem aprendi muito, é um dos ‘camisas’ 10 que todos os clubes queriam ter. O Milan adquiriu-o depois da Fiorentina entrar em falência. Felizmente, tive a possibilidade de ser campeão da Copa de Itália com ele.»
Amaral foi internacional brasileiro por 13 ocasiões. Quando fala sobre isso deixa uma opinião curiosa: «Foi uma oportunidade muito grande. Sempre dei valor à selecção brasileira, mas em primeiro lugar dava valor ao meu clube, porque é através do clube que pagava o meu salário, que cheguei à selecção. Não podia jogar mal no clube porque ia jogar mal na selecção.»
Preud’Homme, Helton e Buffon: o que têm em comum?
Amaral estreou-se na equipa sénior do Palmeiras em 1993 e só terminou a carreira em 2015, ao serviço do clube da sua terra, o Capivariano. Tinha 42 anos.
Na sua longa carreira, na qual passou por 20 clubes em oito países diferentes e quatro continentes distintos, Amaral não hesita em destacar três senhores das balizas com quem jogou.
«Digo sempre que tive o privilégio de jogar com três grandes guarda-redes, os melhores com que joguei: Preud’Homme, Helton e Buffon.»
Em Parma encontrou Buffon como já referido, em Lisboa, o belga, que para si era o melhor:
«Era impressionante, tinha uma facilidade de encaixar, não soltava uma bola. Vê-se aí muitos guarda-redes que soltam a bola, e às vezes eu falo: ‘Porra, com o Preud’Homme chegavam cara a cara e ele não soltava. Parecia que tinha um super-gum [pastilha elástica] no peito’.»
Com o ex-FC Porto jogou no Vasco da Gama, era Helton ainda muito jovem: «Quando ele chegou, vi que ele ia ser um grande guarda-redes. Pena não ter ido para à selecção brasileira porque tinha tudo para ser convocado, mas há... políticas e acabou por não ser. Actualmente está a parar, a reformar-se porque conquistou tudo o que tinha para conquistar no FC Porto, mas é um jogador que tem mercado ainda.»
«Coveiro? Não! Eu enfeitava e maqueava os defuntos»
Amaral é conhecido como o «coveiro», já que diziam que antes de ser futebolista trabalhava no cemitério a abrir covas.
Afinal é mentira:
«Eu trabalhava numa funerária, mas não fazia covas. Eles falavam que eu era coveiro, mas eu era agente. Eu enfeitava e maqueava os defuntos, que já estavam com a cara triste e eu fazia na cara deles uma risada no caixão.»
Ri-se Amaral depois de contar isto, mas logo a seguir conta mais uma história digna de gargalhada. 
Em 2015, o ex-jogador participou no reality-show denominado A Fazenda, uma experiência diferente e «sofrida».
«Foi uma experiência legal, muito sofrida que durou 14 dias. Olha, tive uma prova lá em que tinha de ficar a dormir com um cavalo e o cavalo ‘peidava’ a noite toda. Os meus companheiros achavam que era eu que estava ‘peidando’. Foi uma risota, mas foi legal!»
Actualmente, Amaral vai participando nesse tipo de eventos, comenta futebol na televisão, é protagonista em publicidades e joga ainda numa selecção de veteranos do Brasil.
Já em fase de despedida, de uma conversa longa enquanto conduzia, Amaral reiterou a vontade de regressar a Lisboa e há algo de que tem muitas saudades.
«Espero voltar a Portugal e a Lisboa, mas não só ao Estádio da Luz. Quero voltar a Belém, comer aquele pastelzinho que eu ia sempre. Comia 10 por dia».
Não resistimos: ‘Mas como é que alguém que comia tantos pastéis de Belém conseguia estar em forma?’
«Depois eu corria tanto dentro de campo que as ‘gordurinhas’ saíam todas!»
Risos e mais risos e uma despedida com o seu clube do coração em foco.
«Deus vos abençoe. Força Benfica!»"

Bem-vindo Jonas

"O campeonato ficou mais rico com o regresso de Jonas. E o Benfica tem, finalmente, o melhor reforço da época. Nos poucos minutos que jogou na Amoreira, o craque brasileiro criou mais oportunidades de golo do que toda a equipa nos outros 80 minutos.
Jonas é um jogador inteligente. Sabe criar espaços onde parece não os haver. Sabe dosear o esforço na exacta medida da procura da eficácia que se pede a um atacante. Sabe conciliar, como poucos, o jogo colectivo com as virtualidades da magia individual. É rapidíssimo a pensar e mais ainda a executar. Pratica sistematicamente a cultura do jogar simples, o que é o mais difícil.
Jonas é um atleta solidário e bastante laboriosos. Percorre quase todo o campo em movimentos de elegância e em esquadria de precisão. Tem 32 anos, algumas cãs precoces, mas possui a energia mental e psicológica e de um jovem no início da carreira e no dealbar dos sonhos. Ainda hoje me pergunto como foi possível ser afastado pelo Valência, na altura treinado por Nuno Espírito Santo.
Espero bem que a lesão e infecção tenham ficado definitivamente para trás, tal qual a farta barba que cortou no seu regresso. Quem sabe se ainda vai a tempo de conquistar a sua segunda Bola de Prata (a terceira, não fosse um golo mal invalidado na última jornada de 2014/15 nos derradeiros minutos contra o Marítimo) fazendo na segunda volta o que muitos não fazem nas duas voltas.
Agora que regressou Jonas, parou Salvio. Creio que apenas Nélson Semedo ainda não teve uma lesão entre os jogadores do plantel do Benfica. É obra liderar a classificação com todas estas contingências.
Jonas, bem-vindo aos relvados."

Bagão Félix, in A Bola

A ditadura dos resultados

"Quando as claques entram em campo nos dias em que não há jogo, é sinal de crise. Este é um fenómeno global, com mais incidência nos países do sul da Europa e América Latina, reflexo do mau desempenho desportivo de um dada equipa e, ao mesmo tempo, espelho da força das claques dentro dos clubes. Ontem tocou ao Sporting passar por essa via sacra, noutros tempos FC Porto e Benfica viveram situações semelhantes. E porquê? Essencialmente por não se ganhar e nisto o futebol é deveras impiedoso. Noutras áreas de actividade, o sucesso de um percurso não é medido de forma tão brutal como no futebol, onde os resultados ditam leis e contra eles não há argumentos.
Infelizmente, no futebol, as direcções não destituídas em função de análises frias e racionais, os treinadores dependem da bola que entra ou não entra e até mesmo os presidentes dificilmente resistem a fases negativas prolongadas. Esta avaliação essencialmente resultadista permite, também, que muita incompetência seja maquilhada e os negócios mais ruinosos passem por escrutínios amáveis, havendo até casos em que os adeptos ficam com a consciência tão anestesiada pelos triunfos, que abdicam de ser a massa crítica que faz evoluir as instituições. Para o bem e para o mal, a lei dos resultados - do golo e da bola fora, da fífia e do frango, do golo impossível e da jogada genial - continua pujante, a mandar mais do que qualquer outra.
Por tudo isto, a crise do Sporting, independentemente de méritos ou deméritos dos protagonistas, durará o mesmo tempo que durem os maus resultados. Porque o futebol não é dado a análises mais profundas..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCCXXV)

Andá cá...!!!

Cadomblé do Vata

"1. Defrontaram-se hoje Rui Vitória campeão da Primeira Liga pelo SLB e Luis Castro campeão da Segunda Liga pelo FCP B... sabes que estás velho quando ainda te lembras de um dia teres defrontado treinadores campeões em título pelo FCP na Primeira Liga.
2. Ganhamos sem espinhas mas tal como no Estoril, ficaram penalties por marcar a nosso favor... não sei quantos são desde o início da temporada, mas quem estiver interessado no número total, é contactar o Pinto da Costa que ele mantém uma contagem actualizada.
3. Fiquei altamente agradado coma exibição do Rio Ave esta noite contra o SLB... aliás fico sempre muito agradado com equipas que vão à Luz e fazem apenas 2 remates na direcção da nossa baliza em 90 minutos.
4. Quando na temporada passada fomos a Vila do Conde corria o rumor que o SCP tinha oferecido ao Rio Ave o passe do Heldon como prémio caso nos roubassem pontos... hoje vi jogar Heldon e fiquei com a nítida sensação que os lagartos deram o passe do caboverdiano aos vilacondenses como castigo pela derrota nesse mesmo jogo.
5. Tarantini disse no final da partida que o jogo do SLB "não é bom para o futebol"... eu acrescento que pior ainda é para o sistema digestivo de quem nos defronta."

André Almeida > Gelson, Rafa = Zidane, Carrillo < ceviche (...)

"Ederson
Eusébio e Coluna no céu, Ederson e Moraes na terra. Devíamos perder o medo de afirmar que Ederson é neste momento o melhor guarda-redes do mundo, mesmo que isso não seja verdade. Ainda, meus amigos. Ainda.

Nélson Semedo
Alguma imprensa estrangeira teima em confundi-lo com Rúben Semedo, rumor que poderá ganhar força com a exibição de hoje, claramente uns furos abaixo do que temos visto. Deixou-se levar pelo tiki taka das Caxinas e facilitou em zonas onde se exige que seja autoritário como um ditador. Ainda assim, e voltando ao essencial, uma simples pesquisa na internet poderia ajudar os jornalistas estrangeiros a corrigirem o erro. Se pesquisarem por “semedo” no YouTube, o primeiro resultado de pesquisa é o vídeo “Nélson Semedo - Goals, Assists & Defender Skills 20015/16”. Só na oitava posição surge “Rúben Semedo - Goals and Skills”. Ora qualquer pessoa com ou sem carteira de jornalista sabe que jamais um grande europeu irá contratar jogadores que aparecem quase na segunda página dos resultados de pesquisa.

Luisão
A todos aqueles que acharam o relvado da Luz mal cuidado: calma, há uma explicação perfeitamente lógica. O relvado não é regado há vários dias por forma a evitar qualquer possibilidade de o nosso capitão escorregar. Parabéns mais uma vez à estrutura pela decisão de sacrificar a relva, uma manifestação da natureza que não tem culpa de nascer verde. Exibição seguríssima a chegar quase sempre primeiro à bola.

Lindelof
Estamos legalmente impedidos pela CMVM de comentar a exibição de Lindelof, pelo que não iremos tecer grandes considerações. Para além disso, se por acaso tivéssemos algo de negativo para dizer seríamos igualmente comedidos, não vá algum funcionário do Manchester United ler isto e recuar na intenção de passar o tal cheque de €45 milhões. Registe-se apenas que o sueco foi filmado após o fim do jogo ansiosamente à procura de alguém na bancada, mas o seu empresário tinha-se ausentado para urinar. Ainda vais ter saudades disto, Victor. E nós tuas.

André Almeida
Scouting report, Benfica-Rio Ave: Watched Nélson Semedo, Fejsa and Lindelof once again. All of them played fairly well and i can not state enough what massive hires they would be for Man U right now, but actually another stellar who caught my eye. He plays as a left back but can also come on as a right back and center midfield. He came on a few weeks ago as a sub for Grimaldo and has been shining ever since. Remember Gelson, that overpriced right wing midfield from Sporting Lisbon? Well, he was nowhere to be seen against Benfica. Can you guess why? Anyway, we should follow up on this lad on this and ask José what he thinks about it. We could probably doz some sort of bundle deal with Mendes.

Fejsa
Deixem-nos dizer, antes de mais, que fez bem em recusar o convite para chefe maior das forças armadas sérvias. Está numa fase muito bonita enquanto líder da armada benfiquista, um país de outro gabarito. Objectivamente falando, não fez uma exibição brilhante mas foi ainda assim um dos que melhor combateu a rabia do talentoso meio-campo vilacondense.

Pizzi
Melhor em campo. A sua exibição teve todos os ingredientes que nos fazem gostar de um futebolista: ética de trabalho, génio, golos, uma ou duas frutas bem dadas e uma expulsão para limpar amarelos na Taça da Liga e estar disponível num jogo importantíssimo em Guimarães. Podíamos elaborar mais sobre o lance do golo, mas recomendamos que revejam o lance desde o início em câmara lentíssima a 36 frames por segundo ao som da abertura de La Gazza Ladra de Rossini. Uma nota: quando o fizerem desliguem a voz do Hélder Conduto. Já experimentámos e não resulta.

Gonçalo Guedes
Protagonista de um penálti por marcar aos 8 minutos, um lance que a maioria dos adeptos benfiquistas irá rapidamente esquecer. Porquê? Porque temos coisas mais importantes em que pensar. Se o benfiquista estivesse para aí virado, também era capaz de desencantar 15 penáltis por assinalar a seu favor como fez Pinto da Costa num daqueles momentos de lucidez a que nos habituou em tempos recentes. O problema, o verdadeiro problema, é que se todos esses penáltis fossem assinalados a Liga seria obrigada a dar ao Benfica mais pontos nesta competição do que é matematicamente possível, uma situação que iria certamente gerar controvérsia, não obstante ser inteiramente justa. De notar ainda que Gonçalo Guedes está a ensaiar uma nova jogada em que percorre furiosamente o campo de uma lateral à outra contornando o meio-campo e a defesa adversária sem um objectivo claro. É expectável que continue a ensaiar nas próximas semanas: no Seixal, no FIFA17, quando estiver na casa de banho, à noite na cama, e até à mesa da consoada. É também por isso que gostamos cada vez mais dele.

Rafa
Os leitores que acompanham o Real Madrid nas redes sociais já terão reparado nuns vídeos filmados no centro de estágio em que os jogadores treinam remates. A rotina é simples: Cristiano passa a bola a Zidane, que devolve a Cristiano para o remate. Parece coisa simples, mas é arte. Zidane recebe o passe tenso de um dos seus jogadores e amortece sempre na dose certa, com aquela sua elegância irrepetível, de forma a que a redondinha fique ali plena do seu destino. Quando o jogador chega à bola para rematar, já só queremos que o exercício recomece para vermos Zidane novamente. O passe de Rafa foi parecido com isto. Não sei se Valdano, Galeano ou Desmond Morris já escreveram sobre o assunto, mas é uma das muitas razões por que as pessoas vão ao futebol. Acham que estamos a exagerar? Escrevam um post indignado no Facebook. Pode ser que passe.

Cervi
De todos os jogadores é talvez o que anatomicamente mais sofre por ver o seu nome associado à expressão “abaixamento de forma”, mas temos pautado estas análises pelo rigor e não era agora que iríamos mudar.

Mitroglou
Saiu por breves instantes do estado catatónico para marcar um golo. O relatório clínico mantém o grego nos cuidados intensivos, sendo prematuro avançar qualquer prognóstico de quando poderá ser transferido (mas um hat-trick ajudaria). De qualquer das formas, lembrem-se: a vida é muito curta. Aproveitemos todos os momentos na companhia daqueles que estimamos, por muito curtos que sejam. Foi bom estar contigo hoje, Kostas.

Jonas
Que nem um daqueles chefs que pegam em restos de feijoada para fazer gelado gourmet, Jonas procurar pegar nos restos de um jogo mais ou menos decidido e devolver-lhe a emoção e o charme. O problema é que o meio-campo já estava no digestivo e os tipos de verde que estavam do outro lado não são exactamente tontos. Portanto, não foi hoje que desatou aos tiros, os únicos que verdadeiramente desejamos num mundo louco como este.

Jiménez
Lixaram-lhe aquela estatística de marcar em não sei quantos jogos consecutivos e ainda foi a tempo de levar uma pantufada. Quando for assim metam o Zé Gomes.

Carrillo
As semanas passam e o ceviche continua a ser a melhor importação peruana a invadir a cidade de Lisboa."