Últimas indefectivações

sexta-feira, 22 de julho de 2011

'Goleada' do FC Porto

"Na passada quarta-feira o jornalista Santos Neves, que respeito e admiro, escrevia num editorial deste jornal que a contratação de Danilo era mais uma conquista do FC Porto ao Benfica. Rematando com exemplos uma goleada 5-0.

Com efeito Santos Neves foi amigo do Benfica, os méritos do FC Porto são bem maiores, mais antigos e mais extensos.

O FC Porto tem no seu activo de conquistas ao rival a qualidade de Dito, Cândido Costa, Sousa, Panduru, Hugo Leal, Kazmierczak, Ovchinnikov, cebola Rodriguez, Rossato, Paulo Santos, Sokota, Léo Lima, Jankauskas e, até, o inesquecível Prediguer. Neste desfilar de excelência eu diria que 20-0 é pouco.

A conquista do Torneio do Guadiana e a vitória sobre o Toulouse entusiasmaram-me menos que a exibição de Enzo Pérez, a atitude de Nolito e a personalidade de Matic e de Garay.

Não vamos acertar sempre nem em todas as contratações mas há ali rapaziada que não engana. Comprámos alguns belíssimos jogadores, o que é diferente de dizer que já temos uma boa equipa neste momento.

Falta tempo ao Benfica porque na quarta-feira já é a sério. Construir uma equipa competitiva com tantos jogadores novos, em tão curto espaço de tempo, é uma tarefa de Hércules que Jesus terá de cumprir.

Na próxima quarta-feira deverão ser mais que os 33 mil adeptos que tivemos na apresentação aos sócios.

No futebol há cada vez menos favoritos e ganha quem está melhor. A Copa América mandou para casa mais cedo Brasil e Argentina, grandes favoritos da prova, e Chile e Colômbia seguiram o mesmo caminho em jogos teoricamente fáceis.

Só estando fortes ganharemos dia 27 e esse é o grande desafio do Benfica para entrar na liga milionária.

Agora já é a sério, agora quero ganhar."


Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A 'incorrecção' de juntar futebol e crise (II)

"As dificuldades por que passa Portugal (e o Mundo) deveriam conduzir quem decide a ser prudente e parcimonioso. No futebol, a cultura dominante é a de que vale tudo, desde que se ganhe. E, ao invés, de que nada vale, quando se perde. A única métrica é a do marcador. Tal constatação leva a que a ponderação das decisões e sentido de responsabilidade se desvalorizem como factores de avaliação de uma gestão desportiva.

Um facto é objectivamente irrefutável: este modo de agir constitui uma fuga para a frente. Perigosa fuga, quando se sabe que, nos próximos anos, o retorno dos dinheiros gastos será mais difícil ou impossível. As receitas com publicidade e merchandising vão recuar, o acesso à banca é mais difícil e mais caro, a diminuição do rendimento disponível das famílias vai manifestar-se numa menor receita de bilheteira e de quotas de associado e - mais grave - atravessa-se a pior altura para negociar direitos televisivos, por sua vez suportados por publicidade que se retrai.

Os clubes são instituições que sobrevivem como os Estados: acumulando dívida e passivo ou antecipando proveitos futuros. Repercutem para a frente os gastos de hoje. Com uma diferença: não podem cobrar... impostos!

Esta é uma crise que nem sequer tem levado a um pacto de contenção entre clubes. Pelo contrário: a ideia é vencer, no mercado, o opositor, custe o que custar e a quem custar. Ao que sei, da fartura dos quase trinta jogadores que os três grandes contrataram, não há um único português (apenas Michael para não jogar e Eduardo por empréstimo). Apenas magotes de jogadores banalíssimos por milhões. Iguais ou piores que muitos dos que cá nasceram. Mas que, na onda da crise, dão sempre azo a comissões e outras prebendas sem crise."


Bagão Félix, in A Bola

A 'incorrecção' de juntar futebol e crise (I)

"Gosto muito de futebol. E aprecio o seu contributo para a «felicidade nacional bruta a preços do mercado». Mas num País em que, simbolicamente, o Presidente da República nada ganha pelo exercício das suas funções, acho que no futebol tudo está hiperinflacionado. Ou seja, poderíamos ter o mesmo por menor preço...

Em severos tempos de crise, é dificilmente compreensível a atmosfera de abundância que, impassivelmente, se continua a respirar no mundo do futebol. Lá fora e - mais surpreendentemente - cá dentro.

Houvesse rating para os nossos principais clubes e, por certo, ver-se-iam gregos (até mais do que portugueses) na escala das letrinhas que, implacavelmente, as agências de notação lhes assinalariam.

A facilidade com que se fala de milhões para cá, milhões para lá no futebol, é uma forma perversa de separar este mundo à parte da realidade dura da vida dos portugueses. Num País, onde um modesto trabalhador vai ter de prescindir de metade do seu subsídio de Natal, contratam-se e apaparicam-se uns rapazes que ganham num dia duas ou três vezes mais do que o tal 14.º mês decepado.

Estou consciente de que o que agora e aqui escrevo não é desportivamente correcto... E, certamente, também não é o que o povão da bola gosta de ler e ouvir. Quer sempre mais, indiferente a saber quem vai pagar a factura (mais tarde ou mais cedo e inexoravelmente, o mesmo povão).

Sei que sempre foi assim. O que não compreendo é que este sempre ter sido assim se agrave num momento em que a ética de austeridade ou é para todos ou não existe. Alguém que nada conhecesse de Portugal, e só olhasse para as primeiras páginas desportivas, diria que Portugal era um verdadeiro oásis no meio do deserto da penúria."


Bagão Félix, in A Bola

Capdevila



O defesa esquerdo titular indiscutível da Selecção Campeã do Mundo e da Europa já assinou pelo Benfica.

Na minha opinião é uma contratação de risco, apesar do curriculum, o Capdevila tem 33 anos. Como estamos nas vésperas de um Europeu, espero que o jogador venha com a motivação para corresponder...

É obviamente um jogador experiente, duro, muito bom no jogo áreo defensivamente e ofensivamente e com um remate certeiro fora da área. Agora não esperem grandes dribles...


Dois pensamentos...



Benfica 1 - 0 Toulouse



1. Pensando no Campeonato, que só começa daqui a 4 semanas, as expectativas que este plantel dá aos Benfiquistas, têm que ser altas...

2. Pensando no jogo da próxima Quarta-feira com Trabzonspor, as expectativas estão condicionadas, por um defeso complicado, com a chegada de muitos jogadores novos, e a ausência de outros devido aos 'parvos' compromissos das Selecções!!!

A principal ilação deste jogo é que o Benfica, no meio-campo, e na 'frente' tem 'duas equipas e meia!!!' As opções são muitas, e de qualidade. Os famosos 'automatismos' ainda estão perros, como é normal neste início de época com muitos jogadores novos, mas o potencial está lá... Esta época o Jesus não vai ter desculpas para não fazer rotação do plantel... Só o Cardozo não tem no plantel um substituto 'parecido' na forma de jogar...

O jogo foi morno, é verdade que o adversário não é um grande 'nome', mas a Liga Francesa é muito equilibrada, a diferença dos melhores, para o meio da tabela é 'curta'. Sendo que este Toulouse é praticamente constituído por jogadores formados na 'cantera', portanto com um conhecimento mútuo profundo, que a pré-época não 'atrapalha'!!!

Todos os jogos têm servido para melhorar, hoje tivemos bastante melhor nas movimentações defensivas, só permitimos duas oportunidades ao Toulouse (dois contra-ataques, um em cada parte...). Ofensivamente falhámos alguns passes fáceis, porque os jogadores queriam jogar depressa (mesmo quando não era exigido...).

Creio que o único jogador que jogou abaixo do expectável foi o Bruno César: tem tudo para ser o próximo mal-amado dos Benfiquistas!!! Tentou demasiadas vezes o primeiro toque, demonstrou bastante ansiedade... O Garay não engana, a maneira como 'dobrou' os parceiros, e a forma eficaz como passa a bola, são amostras de grande talento... O Emerson começou tímido, mas mesmo sem entrosamento, equilibrou a defesa com a sua presença... O Enzo finalmente 'carburou', mas o Urreta não lhe vai facilitar a vida!!!... O Nolito tem um pouco de 'Jara', e vai marcar muitos golos, mas dificilmente vai 'encaixar' com o Cardozo!!!... O Saviola está com muita vontade, e o Aimar hoje, demorou sempre demasiado a soltar a bola... As dúvidas sobre o Matic começam a ser 'apagadas'. Ele não era um '6', mas está a aprender depressa. Se calhar está na altura para se refazer as contas da transferência do David Luíz!!!... Admito que a 'imagem' (televisiva) que tinha do Witsel não era a 'melhor', hoje depois de o ver ao vivo, afirmo que vai ser o melhor jogador do Campeonato!!!... O Jardel voltou a demonstrar apetência pelos golos(!!!) Ao contrário de muitos acho que o Jardel não é tão mau como pareceu no jogo com o Servette, não vai ser uma estrela, mas pode ser útil... O Fábio Faria não deve ficar no plantel, mas admito que fiquei surpreendido com as exibições positivas como Central nestes últimos dois jogos... O Nuno Coelho poderá ser uma opção de recurso para defesa direito, se calhar menos 'irregular' que o André Almeida... O deslumbramento/displicência do Nico às vezes irrita... Desta vez foram só 10 minutos, mas voltei a gostar bastante do Rodrigo Mora...




PS: Uma primeira nota para as arbitragens!!! No primeiro jogo do Algarve, o Nuno Coelho sofre uma entrada 'assassina', fica no chão, não protesta, a falta é marcada a nosso favor, e quando se levanta, leva Amarelo!!! (tendo sido mostrado na sequência deste lance mais dois amarelos a jogadores do Benfica!!!). No segundo jogo no Algarve, o Urreta faz uma má recepção, recupera bem, ganha posição, sofre falta, e o árbitro assinala falta contra o Benfica, mostrando imediatamente Amarelo ao Uruguaio!!! Hoje, tivemos que aturar um critério ordinário, mas habitual: os avançados do Benfica são empurrados, agarrados, puxados, rasteirados, e 'segue jogo', os nossos defesas 'sopram' nos adversários, é falta!!! A falta não assinalada sobre o Nuno Coelho, na jogada que deu pontapé de canto, no último minuto da partida, é um bom exemplo...!!!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eduardo

Será provavelmente a contratação mais 'polémica' da época. Pessoalmente considero o Roberto superior, mas como já afirmei anteriormente o Espanhol não tem 'ambiente' na Luz. Curiosamente os defeitos de ambos são parecidos: Cruzamentos e 'brancas'!!! Espero que a paciência dos Benfiquistas seja superior neste caso...

O Artur tem correspondido nesta pré-época demonstrando acima de tudo, calma e confiança, espero que a pressão dos 'mérdias' que vai acontecer para que o Eduardo seja titular ('senão perde a titularidade na Selecção!!!' Este vai ser o slogan...!!!), não perturbe o Jesus...

Parece que os Corruptos tentaram desviar o Eduardo(!!!), e foi só o coração Benfiquista do jogador (e da família) que impediu a 'mudança', só por isso merece um voto de confiança. O talento existe, as exibições no Mundial da África do Sul, são disso prova...


Emerson

Estreou-se hoje o novo defesa esquerdo do Benfica. Não vai ter tarefa fácil, provavelmente vai ter concorrência de 'peso' e ainda por cima vai ter que carregar o 'fantasma' Coentrão!!!

Fez uma exibição positiva (apesar de um erro na parte final do jogo), o intervalo serviu para o Jesus rectificar os movimentos, melhorando bastante na segunda parte. Não é um driblador, mas sobe com determinação, defende com competência, tem força e velocidade, com o Maxi no outro lado a subir 'à maluca' (como é habitual e desejável) temos aqui um bom contra-peso...

Vi alguns jogos do Lille nas últimas épocas, já conhecia o Emerson, acho que ele vai produzir ainda mais do que fez esta noite. Hoje notou-se algum medo em arriscar ofensivamente, normal, com os treinos e os jogos, o entrosamento e a confiança vão melhorar concerteza...


Renascer das cinzas

"É uma história de tenacidade e heroísmo pouco comum neste Mundo global, cada vez menos solidário e mais desumanizado, em que cada um vai tratando da vidinha e da auto-promoção. Está a acontecer no Japão, mas tem significado e valor universal.

A equipa de futebol do Vegalta Sendai, com sede numa cidade que esteve no coração da tragédia causada pelo terramoto-tsunami de 11 de Março passado, em vez de cruzar os braços e de se enrodilhar na resignação e na lamúria, decidiu ir à luta e bater-se por resultados capazes de mobilizarem a população da cidade e da região. É um caso exemplar e comovente por tudo aquilo que revela da força anímica de um povo tantas vezes martirizado por catástrofes naturais e não só.

Quando em finais de Abril, com o país ainda em busca da normalidade, recomeçaram os jogos da Liga Japonesa de Futebol, a equipa do Vegalta Sendai,lutando pela recuperação do seu estádio e dando apoio psicológico a jogadores com famílias atingidas pelo cataclismo, desceram ao relvado e obtiveram, com o apoio incondicional do público, uma vitória a que outras se seguiram, numa sequência surpreendente para quem sabe até que ponto os problemas do foro psicológico se reflectem nos resultados desportivos. Essa sequência traduziu-se em mais de uma dezena de jogos vitoriosos, feito invulgar numa equipa mediana, ou mesmo em qualquer outra equipa no âmbito de uma temporada de alta competição. O Vegalta renascera dos escombros e das cinzas.

Para que tal aconteça, é preciso haver alma, vontade individual e colectiva e uma forma de heroísmo que permita transformar a desgraça em energia e o desânimo em coragem.

Estamos em presença e um excelente e mobilizador exemplo para países em crise, como é o caso do nosso, mas também para clubes e equipas de futebol com grandes responsabilidades que, deste modo, podem sentir-se tocados pela 'boa estrela' da solidariedade activa e da combatividade estóica. Estamos sempre a aprender."


José Jorge Letria, in O Benfica

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ponham os capuzes! Vamos ao assalto!

"Ah! Foi um regalo vê-los naquele desfilar ridículo de fardas novas! Um deslizar de pobres tontos, agarrados aos seus títulos de pacotilha, orgulhosos de vitórias obtidas à custa dos serviços prestáveis de mulheres da vida, como no tempo da Babilónia, de repastos de frutos do mar, e de tardias visitas de circunstância dos empregados do senhor de cócoras a casa do antigo vendedor de frigoríficos. Umas das fardas, imagine-se, era negra. Talvez para que quem tanto esforço faz para os trazer ao colo não se sinta desfazado no tom e haja assim uma equipa de 14 mais homogénea.

Havia risos e galhofa. Terá havido, seguramente, no meio da tranquibérnia, graçolas ordinárias dirigidas àqueles que não fazem parte da pandilha, como é hábito da casa e vício bacoco do insuportável senhorio. «Gentinha sem nível», murmurará quem faz o favor de me ler. Pior do que isso, paciente leitor: gentalha bárbara e sem princípios, viciada na trampolinice sem a qual não sobrevive, tal e qual é fundamental para nós o oxigénio que respiramos. Já ninguém estranha. Quanto muito ainda há quem se ofenda de, neste alguidar manhoso onde a Europa lava os pés, haver ainda tanto descaramento, tanto descoco, tanta impudícia. Enfim, é próprio de quem desconhece o significado da palavra probidade e ignora os sinónimos de honradez. Por mim, confesso: resta-nos rir. Mesmo que seja um riso triste...

A certa altura, eis que se apresentam, na «passerelle», uns moços de capuz escondendo as caras, as identidades. E, então, percebemos que depois da fraude a que fomos obrigados a assistir recentemente, se prepara novo assalto. Encapuzados, à boa maneira de bandoleiros de outros tempos, eles estão prontos! Provavelmente a cavalo de quem tão docilmente se põe de cócoras, ei-los que aí vêm. Por onde passarem não crescerá relva, como sucedia com Átila, o Flagelo de Deus, e seremos sujeitos aos roubos, aos esbulhos, às afrontas e às vergonhas que desde há mais de 25 anos se cozinham nos subterrâneos esconsos deste Mundo podre que parece não ter fim."


Afonso de Melo, in O Benfica

Aguardemos

1. Já estava com saudades dos nossos jogos. Sábado foi um 'fartote' de golos; no domingo, um 'fartote' de falhas. Mas nem um nem outro jogo permitem conclusões. O adversário de sábado não contou. O Benfica de domingo foi um Benfica preso de movimentos (natural nesta altura da preparação), face a um Servette em fase mais adiantada. Aguarde-mos pelos jogos a sério...


2. Já o disse e repito: o Benfica está muito mal servido de cronistas nos jornais desportivos (com uma ou outra honrosa excepção, como é o caso de Miguel Góis no 'Record'). Há os que não adiantem nem atrasam e há aqueles que até prejudicam, como é o caso de Marta Rebelo, também no 'Record'. Deve ser daquelas que, em vez de apoiarem a equipa, assobiam os seus ódios de estimação. Agora, depois dos quatro golos de Cardozo, vem lamentar a sua continuação, afirmando (imagine-se!) que 'era só o que nos faltava, mais uma época sem avançado'. Pois é: realmente, marcar 50 golos em dois anos é muito pouco...


3. Foram alteradas (e bem) algumas normas que regulam o comportamento das chamadas claques, sendo previstos jogos à porta fechada quando os distúrbios são mais graves e implicam interrupções de jogo superiores a cinco minutos. O que se passou nas últimas épocas, nomeadamente com a chuva de bolas de golfe atiradas para o campo ('invenção' da claque do FC Porto, muito bem seguida em Braga e, infelizmente, com sequência, embora em ponto mais reduzido, o nosso estádio), não pode continuar. Acontece que serão os órgãos disciplinares da Liga a decidir dos castigos e eu tenho pouca confiança neles. Mais uma razão para que os nossos adeptos (em especial os 'No Name Boys' e os 'Diabos Vermelhos') se comportarem de forma exemplar, não dando oportunidade a que o Benfica seja punido. Só por motivo de força maior falho um jogo do Benfica no nosso Estádio. Não quero ser obrigado a falhar por mau comportamento de alguns. Nem quero mudar a minha opinião quanto à utilidade e benfiquismo da grande maioria dos jovens dos No Name e dos Diabos, que muito puxam pela equipa..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Entrega

"O plantel está a trabalhar e o principal da carga de trabalhos é estruturar uma equipa com tanta e tão boa matéria-prima. Deu para ver sinais do grande potencial disponível - e o plantel nem sequer está completo, sem fechado -, nos dois primeiros jogos-treino na Suíça. Mas deu, sobretudo, para avaliar o muito que há para fazer: reforçar fisicamente todo o elenco, ainda fraco de pernas com uma semana de trabalho, ganhar serenidade, concentração e consistência, definir um fio de jogo e entrosar melhor a manobra, estabelecer a táctica e fixar um modelo de equipa, com os seus protagonistas e intérpretes.

Depois, tudo o mais que há para apurar e pôr em prática vem com a rotina de treinar e o ritmo de jogar e com o calo que cada um e todos vão ganhando. Calculo que será um quebra-cabeças formar um plantel de 27 ou 28 jogadores com tantos meios humanos disponíveis. Mas é para isso que os benfiquistas confiam nos dirigentes e na equipa técnica do seu glorioso emblema. Os homens escolhidos para dirigir e constituir o plantel vão ser ao longo de uma época os depositários da esperança dos benfiquistas. E isto é uma questão de enorme responsabilidade de que cada atleta tem que se mostrar merecedor, começando por merecer a escolha para integrar o plantel.

O amor ao emblema é factor determinante para essa escolha, porque estará subjacente a todos os outros. Porque é aí que reside o fundamento de quase tudo o que os atletas vão fazer ao longo do ano. Devem ter talento, técnica, garra e forma física. Mas haverão de ter, igualmente, amor, dedicação, respeito e entrega ao emblema. Tanta ou mais entrega como a dos milhões de adeptos que os apoiam."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Linguagem do sucesso

"Os mais saudosistas referem-se, amiúde, àquele Benfica que apenas admitia jogadores de nacionalidade portuguesa nas suas fileiras. Entre outras, essa era uma bandeira de honra, tantas vezes levantada com orgulho incontido. Ademais, nesses tempos, as vitórias era mais do que muitas, a hegemonia no Futebol indígena foi uma realidade incontestável. Só que muita coisa mudou, independentemente da vontade e da honra benfiquista.

Contratar atletas oriundos de outras paragens tornou-se mesmo uma fatalidade, sob pena do Clube ficar secundarizado em termos competitivos. Nos últimos anos, a tendência recrudesceu, dir-se-ia até de forma impiedosa. Culpa do Benfica? Nem pouco mais ou menos. Culpa de um sistema que não protege os nacionais. Só em Portugal? Também noutras latitudes, de resto bem mais poderosas no plano financeiro. Exemplos? Quantos jogadores espanhóis tem o Real Madrid? Quantos jogadores ingleses tem o Chelsea? Quantos jogadores italianos tem o Inter?...

Esta temporada, as duas maiores referências, considerando a longevidade no Clube, mudaram de ares. Por ironia, ambos portugueses. Nuno Gomes e Moreira, sem que suscite crítica a decisão técnica, ficam no canto esquerdo do peito de milhões de benfiquistas. Outra saída? Também portuguesa? A de Fábio Coentrão, num processo irreversível, mas que machucou o alicerce anímico do universo vermelho.

E agora? Importante é olhar em frente, apoiando sem reservas no presente. Os que servem o Benfica são os nossos, só esses. Têm que ser credores de confiança. Os jogadores, os técnicos, os responsáveis. Que linguagem vai falar o Benfica? Será que isso importa se for a universal (logo, também lusitana) linguagem da vitória?"


João Malheiro, in O Benfica

Considerações (pré-época)

"A pré-época do SLB tem dado azo às mais diversas opiniões, todas elas discordantes quanto à forma e à quantidade dos jogadores que integram o plantel do nosso Clube. Como estamos num País livre, qualquer pessoa tem direito à sua opinião, desde que depois aguente o contraditório se as suas certezas se tornarem uma autêntica falácia.

Como sou um cidadão europeu e independente sem estar ao serviço de quem quer que seja, continuarei a apelar ao bom senso dos benfiquistas para se unirem em torno do nosso clube, para assim nos tornarmos cada vez maiores e mais fortes. Fala-se muito que temos jogadores a mais no plantel, já houve tempo que se falava que tínhamos falta de jogadores. A tese é a mesma, embora com contornos diferentes. Ou seja, preso por ter cão e preso por não ter.

Pela 1.ª vez em muitos anos começamos com o mesmo treinador pela terceira época consecutiva. É assim que estamos no caminho certo, pois a estabilidade será sempre maior do que a aventura. É claro que o nosso Clube tem uma estrutura que fará a avaliação de tudo o que se passar durante a época, para no fim da mesma se tomar as devidas ilações. Mas uma coisa quero afirmar:

Um treinador não é bom ou mau, conforme ganhar ou perca Campeonatos. Conheço muitos que já foram campeões e são bem fraquinhos. Há outros que quase nada, ou nada ganharam, e nunca tiveram uma verdadeira chance de mostrar a sua valia. Mas eu estou sereno. Não sei o que vamos ganhar ou se vamos ganhar algo. Dentro do campo sei que vamos ser muito fortes. Que nunca falte o apoio que vem de fora."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

...'a subir' no Guadiana!!!





Benfica 2 - 2 Anderlecht
Saviola, Urreta


Desta vez além dos conhecidos problemas defensivos, demos um festival de como falhar golos, principalmente na 1ª parte!!! Com o decorrer do jogo, o poder físico dos Belgas equilibrou o jogo, e obrigou o Artur a trabalhar, a saída do Miguel Vítor por lesão acabou por abalar (ainda mais) a consistência defensiva da equipa...



PS: Pois é, 14 milhões de Benfiquistas a fazerem 'figas' para o Brasil ser eliminado, deu em 4 penalty's falhados, quem mandou o Seleccionador Brasileiro convocar o Luisão?!!!

domingo, 17 de julho de 2011

Garay

"Defesa central argentino
Garay assina pelo Sport Lisboa e Benfica

O defesa central Ezequiel Garay assinou, este sábado, em Santa Fé, Argentina o contrato que oficializa a sua transferência do Real Madrid para o Clube “encarnado”.
Recorde-se que Garay está ao serviço da selecção argentina na Copa América e defronta na noite deste sábado a congénere do Uruguai numa partida a contar para os quartos-de-final da competição."


in Site do SL Benfica


Este é o nosso Benfica

"Há expressões a que, pela recorrência da repetição, deixamos de prestar a atenção devida. Recorrentemente, e fazendo uso de uma legítima indignação e de um legítimo sentido crítico, oiço consócios e adeptos do nosso Benfica dizerem que “este não é o meu Benfica”.
Sendo nós benfiquistas, somos do Benfica e somos Benfica. Logo, negar este Benfica como meu seria quase negar uma parte do que sou. Dizia o saudoso Manuel Bento, enquanto olhava, como adepto, para um jogo mal conseguido do nosso Benfica, que o Benfica não são os que estão dentro do campo – e ele que tantas e tantas vezes lá esteve – mas sim os adeptos, os que estão em partilha de crença, sofrimento e entrega ao Benfica. Talvez devido a este sentimento, ainda hoje me arrepio e emociono quando oiço os adeptos gritar em uníssono “O Benfica é nosso”. Sabendo que nessa afirmação mais do que um sentimento de posse está um sentimento de pertença ou, quando muito, uma afirmação da pertença pela posse.
Como é que a voz que grita “O Benfica é nosso” pode também dizer “este não é o meu Benfica”? Não sei, entendo-o apenas como um desabafo. Posso dizer, e já o disse em diferentes momentos destas quase quatro décadas que levo de adepto benfiquista, que “este não é o treinador que eu queria no meu Benfica” ou que “este não é o presidente que queria no meu Benfica” ou que “estes não são os valores que gostaria de ver no meu Benfica”. Mas espero que isto não me conduza ao desabafo de dizer que “este não é o meu Benfica”. O meu Benfica é este, porque não há outro que não este e porque quem vive o Benfica vive-o apaixonada e criticamente, mas nunca fazendo depender essa vivência da concordância ou discordância dada ao rumo do Clube.
O meu Benfica é o que foi, em 1983, ganhar ao FCP e buscar a Taça de Portugal às Antas, com um golo do Carlos Manuel, da mesma forma que é o que viu o FCP festejar o campeonato na nossa casa, em 2011. É o do sexto lugar em 2001 da mesma forma que é o do primeiro lugar em 2010…
Aliás, diz-nos a nossa gloriosa história que, nos momentos críticos em que urgia mudar o rumo, foi essencial que nenhum de nós se demitisse e todos nós fôssemos Benfica. Para isso, é necessário que todos percebamos que “este é o nosso Benfica” e é “nosso” porque lhe pertencemos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica