Últimas indefectivações

sábado, 18 de janeiro de 2014

Vitória, no meio de muitas ausências...

Sp. Horta 22 - 28 Benfica

Vitória fácil, com um arranque do Elledy a fazer 5-0 nos primeiros minutos!!!
É verdade que o Sp. Horta teve duas baixas, e que o seu melhor jogador tem 41 anos... mas nós estamos a jogar sem o Carneiro e sem o Pedroso, e o Tiago Pereira foi para o banco, mas não jogou...
Com o 6-16 ao intervalo, a 2.ª parte foi para cumprir calendário... relaxamos um pouquinho demais, o Álamo foi para o banco, e os apitadeiros tentaram encurtar as diferenças... mas um desconto tempo, com 16-22, chegou para devolver a concentração!!!
Nem nos Açores nos safamos dos Brother's 'Mertalha' Martins!!! Nem num jogo fácil decidido nos primeiros minutos, os rapazes conseguem passar despercebidos!!! Quando a incompetência, se junta aos ódios de estimação...!!!

Na próxima jornada vamos a Braga, nunca seria fácil, mas com este rol de lesionados, vai ser muito, mas mesmo muito complicado... Sem acidentes graves de percurso, o Campeonato será decidido na 2.ª fase, mas ultrapassar esta fase de muitos lesionados com vitórias poderá ser decisivo.

Vitória... amanhã temos Taça!!!

Benfica 3 - 0 SC Caldas
25-15, 25-17, 25-19

Vitória normal, curiosamente com uma má entrada no 1.º set...
Amanhã, temos Taça em Espinho, e hoje a gestão do plantel já foi condicionada por esse jogo!!!

Complicado...

Loures 2 - 3 Benfica

Inexplicavelmente difícil... Este jogo deveria ter terminado com uma goleada, mas em vez disso, tivemos que sofrer até ao último segundo!!! Estivemos inclusive em desvantagem...
Não acredito que o facto do treinador principal ter estado doente, seja a explicação, para esta entrada desastrosa em 2014...
Do mal ou menos, e estamos na próxima eliminatória da Taça de Portugal, mas temos que melhorar muito...

Exige-se uma reacção...

Benfica 1 - 3 Vendrell

Estamos a passar pela pior fase da época. Depois da derrota em Oliveira de Azeméis, esperava-se uma reacção positiva na Liga Europeia... mas não foi isso que aconteceu. É verdade que apesar da derrota, com este resultado 'garantimos' praticamente o 1.º lugar no grupo: como na Catalunha tínhamos por vencido 3-6, ficámos com vantagem no confronto directo, neste momento a uma jornada do fim, ambas equipas estão com 9 pontos, sendo que ambas são favoritas nas duas últimas jornadas... no caso do Benfica vamos à Suíça e recebemos os Franceses do Quevert...!!!

A grelha da Benfica TV2 no Meo, previa a transmissão do jogo, mas isso não aconteceu... oficialmente não houve explicações. Falou-se de um impedimento da Cers, não não está confirmado... Sendo assim, não posso comentar os pormenores da partida - inclusive a suposta grande exibição do guarda-redes adversário!!! -, mas voltámos a falhar todas as oportunidades de 'bola parada' (3 Livres Directos!!!), enquanto isso o Venderell marcou o 1.º golo de penalty e o 3.º de Livre Directo (100%)!!! O aproveitamento do Benfica nestas situações, está a chegar a níveis absurdos. Não sei se é trauma, incompetência, azar, ou estupidez, é inaceitável uma equipa como o Benfica, não conseguir marcar um único de golo de penalty ou Livre Directo... é um absurdo!!!

Quando Deus entrou no meu carro

"O principal é a alegria. Acho que é isso. Eusébio deu muita alegria a muita gente muitas vezes.
A propósito do que o futebol significa para o povo, J. B. Priestley escreveu, no romance The Good Companions, uma frase célebre: "Definir o futebol como 22 mercenários a correr atrás de uma bola equivale a dizer que um violino é madeira e corda de tripa, e que o Hamlet não é mais do que papel e tinta." A tradução talvez não seja das mais competentes, até porque fui eu que a fiz, mas é mais ou menos isto. Sempre que algum impertinente, como a minha mulher ao fim-de-semana, ou o Pacheco Pereira a toda a hora, trata a bola com desprezo sobranceiro, lembro-me do sr. Priestley e rio-me deles. Mais do Pacheco Pereira do que da minha mulher, que não é para brincadeiras.
Naquela manhã de Julho de 1992, eu já sabia o que o futebol era. E por isso tive dificuldade em acreditar quando vi Deus, ansioso e frágil, na berma da estrada, dedicado à tarefa muito prosaica de chamar um táxi. Havia muito movimento, nesse dia, e todos os táxis estavam ocupados. O negócio dos transportes públicos, pelo que se podia ver, não respeitava a única regra que um eventual código deontológico do taxista devia contemplar: "Quando Deus precisa de táxi, o motorista deve parar, mandar sair o cliente que segue no veículo nessa altura, e transportar a divindade gratuitamente." Eu limitei-me a fazer o que era decente: convenci os meus pais a parar para dar boleia a Deus. Naquele tempo, Deus era treinador-adjunto do Benfica, e nesse dia iria partir para o estágio de pré-época. Não foi fácil convencer Deus a entrar no carro. Habituado a ser abordado por mortais estava Ele, portanto tive de O persuadir de que não era um idiota qualquer (tive de Lhe mentir), e garantir-Lhe que aquela família teria todo o gosto em levá-Lo ao aeroporto. E então, Deus entrou no meu carro. E, sem querer blasfemar, tenho de dizer que fez um milagre muito estranho: durante toda a viagem, resolveu comportar-Se como se fosse apenas um ser humano. Conversou com os meus pais, que não eram crentes e por isso tiveram coragem para falar com Ele. Tirou um galhardete da mala e deu-me um autógrafo (os meus pais disseram-Lhe o meu nome). E, quando chegámos, agradeceu como se tivéssemos sido nós a fazer-Lhe um favor, despediu-Se e saiu.
No dia seguinte, uma notícia breve, na última página de um jornal desportivo, dizia: "A equipa do Benfica chegou com algum atraso ao aeroporto, uma vez que o autocarro que transportava a comitiva ficou retido no intenso trânsito que se fez sentir ontem em Lisboa. Eusébio [o jornal tratava Deus pelo nome], foi o único que chegou a horas, porque se deslocou por meios próprios." De acordo com a imprensa, o carro do meu pai tinha passado a ser "meios próprios" de Deus. Mesmo quem respeita acima de tudo a propriedade privada tem de admitir que não se tratava de um engano, mas simplesmente de uma evidência.
Assim que tive dinheiro para isso, comprei aquele carro ao meu pai (que, suspeito, por saber que o carro tinha valor sentimental para mim, carregou no preço). E, em 2003, quando nasceu a minha primeira filha, instalei a cadeirinha da menina no lugar em que Deus tinha viajado. Em 2005, quando nasceu a segunda, foi a vez de ela andar lá. E andei com o carro até ele parar.

O principal é a alegria. Acho que é isso. Eusébio deu muita alegria a muita gente muitas vezes. Uma alegria muito intensa, que as pessoas contam às gerações seguintes, como se faz com todas as outras coisas mesmo importantes. E fê-lo como se não fosse nada de especial, como se ninguém lhe devesse nada por isso.

No parque de estacionamento do estádio da Luz há uma zona reservada às viaturas dos dirigentes do clube. Várias placas indicam o proprietário do lugar. Uma diz "Presidente da Direcção", outra diz "Conselho Fiscal", e por aí fora. Entre estas placas, havia uma que dizia, simplesmente: "Eusébio". Nas muitas vezes em que, infelizmente, ele não podia deslocar-se no meu carro, era ali que parava o dele. No Benfica, há os cargos que existem nos outros clubes (Presidente da Assembleia-Geral, Secretário Técnico, etc.) e havia ainda um cargo único: Eusébio. É difícil imaginar a vida de um clube sem um Eusébio na estrutura dirigente. Toda a gente precisa de um Eusébio. De um símbolo que ganhou o lugar na História - e no parque de estacionamento, que também dá jeito - porque desempenha um cargo para o qual também foi eleito, mas numas eleições antigas e sem necessidade de cruzinha: foi eleito lenda.

Vestir a camisola do Benfica é uma honra para todos os jogadores. Alguns, e não são assim tantos, honram tanto a camisola como ela os honra a eles. Outros, ainda mais raros, conseguem dar mais ao Benfica do que o Benfica lhes dá. A esses, o clube ergue-lhes uma estátua à porta do estádio. É por isso que só está lá uma."

Uma tragédia

"Primeiro, não se acredita. Eusébio morto? Como é que pode ser? Depois acredita-se e amaldiçoa-se o azar de Eusébio e da família dele por ele ter morrido tão cedo.
Percebe-se que Eusébio já era um imortal há muito tempo e que, nesse sentido heróico, continua tão vivo como antes. Foi uma imortalidade que ele criou, jogada a jogada, de jogo em jogo, ano após ano, de golo em golo.
Mas Eusébio faz falta. Ele era um sábio e um benfeitor, um monumento vivo que falava com as pessoas e vivia como elas, no meio da gente. Era a última grande figura de Lisboa.
Os portugueses nem sempre trataram Eusébio com o respeito e a gratidão que ele não só merecia como tinha conquistado, apesar de ter enfrentado obstáculos formidáveis.
Eusébio era um senhor a jogar e era um senhor na vida. As grandes qualidades dele como futebolista - a inteligência, a imaginação, a solidariedade, a elegância e a audácia - nunca mais se juntaram num só jogador. Mas continuaram sempre na pessoa de Eusébio, ao lado de fraquezas que todos nós temos, provando que ele era humano.
É uma grande tristeza Eusébio não ter vivido mais anos de felicidade e de exemplo. São muitas as pessoas, de todas as idades e de todas as profissões, cujas vidas vão piorar por Eusébio já cá não estar.
A morte de Eusébio é uma tragédia. As tragédias choram-se. Não se celebram. A imortalidade já era dele. Não serve de consolação nenhuma. Era imortal e bem vivo que te queríamos, querido Eusébio.
Obrigados por tudo o que nos deste, a começar por ti."

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Revelações

"Em semana em que o treinador do FC Porto se revelou confuso, depois de perder no clássico da Luz por 2-0, os adeptos do Benfica revelaram-se assustados por poder perder vários jogadores no mercado de Inverno.
Jorge Jesus, após reconhecer que Matic era o melhor médio defensivo do mundo, revelou não se preocupar com a perda, desde que jogue com onze. Revelou ainda que «se não joga o Matic, joga o Manel», mas, nós comuns adeptos, desconhecemos o valor do Manel e ficamos mais preocupados que o técnico.
Matic era o nosso super-homem, foi um dos melhores números 6 que vi jogar, enchia o campo e devemos-lhe parte importante da liderança que detemos no campeonato. Desejo-lhe sorte, mas vejo-o partir com natural saudade. Nenhum adepto gosta de perder os seus melhores jogadores.
David Luíz revelou o seu benfiquismo ao vir assistir ao clássico e torcer pelo seu Benfica, festejando os golos, qual No Name Boy.
Paulo Fonseca, técnico muito apreciado pelos adeptos do Benfica, revelou que tem uma confiança cega que será campeão no último jogo do campeonato. Nós, adeptos benfiquistas preocupados, não revelamos, mas temos o secreto sonho de ser campeões na penúltima jornada.
FC Porto e Sporting têm uma competição renhida e directa na Taça da Liga, para poder receber o Benfica nas meias-finais. Será golo a golo, com vantagem para os dragões, mas com disputa garantida até ao fim, e com a certeza de que o Benfica já carimbou a passagem nesta importante prova.
Eu revelo aqui o meu profundo desejo de não ver sair Rodrigo, Garay ou Enzo neste mês de Janeiro. Não estou animicamente preparado para uma sangria tão generalizada, nem para perder títulos, que desejo e aspiro a ganhar. Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Todos? Sim, por favor, todos seria óptimo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Eusébio (II)

"Foi emocionante ter jogado com ele. Ter percebido quanto inteligente era a jogar. Entendíamo-nos na perfeição. Eu sabia quando ele queria a bola, também sabia quando a não queria. E só eu sabia porquê. A quando da marcação de livres, o Eusébio sempre me queria junto à bola, fosse a cobrança directa ou indirecta. Era ele quem decidia se pretendia ou não o meu toque. Vezes sem conta, disse-me «Simões, não toques, vai ser golo, a barreira está mal formada». Era mesmo golo. Só eu sei, mais ninguém, neste ou noutro mundo, que era assim. Depois, vinham os festejos, coisa que eu saboreava com enorme prazer. E a pensar «como é que eu vou explicar isto»...
Eusébio era mesmo um fenómeno. A nossa cumplicidade total. Um dia, decidiu chamar-me «irmão branco», foi para mim um momento enternecedor que jamais esquecerei. Apoderado de uma emoção indescritível, respondi-lhe «então, tu és o meu irmão do coração». Coração vermelho, a cor do nosso Benfica.
Ninguém para mim, neste mundo do futebol, tem mais significado do que Eusébio. Fomos irmãos para sempre. O futebol tinha a virtude, muito menos agora, de selar compromissos únicos, de gerar cumplicidades comoventes, de suscitar nobreza nos relacionamentos, de vincar solidariedade arreigada nas acções. Eusébio e eu fomos assim. Eusébio e eu ainda somos assim. Religiosamente."

António Simões, extracto do livro 'António Simões', in O Benfica

Eusébio (I)

"O grande, o enorme Eusébio jogador é, ele mesmo, a bola, o mundo da bola. A minha vantagem reside em ter usufruído de tantos anos com ele, ter sido o seu leal companheiro, tê-lo protegido.
Falar de Eusébio é pedir silêncio, porque estamos a falar de algo raro, especial, único. É termos regalias de saber muito, do muito que se pode e deve falar. Por conhecimento directo e absoluto, não só do jogador, da estrela, mas também do homem. Falar de Eusébio é dizer coisas extraordinárias, é falar de um génio.
Falar de Eusébio e dizer bem, é elogiar, é adjectivar, é não ter receio de exagerar no reconhecimento, é sentir prazer de o ter tido como companheiro, é ter partilhado com ele tudo de bom e de mau, felicidade e tristeza, o sabor da vitória, a terrível dor da derrota. É rir, é chorar, é ser Deus, é ser amado, malquerido.
Estar com Eusébio era sinónimo de fortuna, sempre com muita gente em redor nos momentos de sucesso, beneficiar de idolatria. Em caso de infortúnio, felizmente raro era a sensação de abandono. Parece que se morria, mas logo se ressuscitava, na ressaca do famosos 'day after', já na busca da vitória quase certa que vinha a seguir. Como eram os treinos? Depois de um triunfo, não havia mazela, nada doía. Depois de um desaire, havia mazela, doía tudo.
Eusébio, ele, foi tudo. Tudo isso e muito mais. Foi ele e fomos nós, fui eu também. Foi o grande jogador, o génio, a arte, a força, a resistência, a velocidade, a espontaneidade, o requinte, excelência do remate de golo. Eusébio foi o expoente máximo na execução do passe, na finalização, no lance mais inesperado. Surpreendia o adversário na interpretação rápida encontrando a melhor decisão a tomar. Tinha o conhecimento catedrático de tudo relacionado com o jogo, esse poder de um grande líder político, esse saber de um grande escritor, essa imaginação de um actor, porque a sua cultura era a perfeição, muitas vezes a perfeição do imprevisto. O seu talento produzia fantasia e eficácia, tinha beleza estética e atlética, praticava a subtileza, tudo num combinado genial que conferia golos, vitórias e sucesso.
Vindo de Moçambique, onde nasceu jogador, não tardou a deixar o mundo espantado. Era um predestinado, só podia transformar-se numa personalidade de carácter universal. Foi e é o melhor de sempre em Portugal, um dos melhores de todos os tempos à escala planetária.
Continua connosco, vivo, vivo de mais, no seu jeito muito próprio de encarar a vida. Continuamos a vê-lo, a beneficiar do seu estatuto, a favorecer do seu prestígio. Eusébio mereceu de reconhecimento, que vão muito para além do seu valor futebolístico.
Numa sociedade na qual o deslumbramento é frequente, ele sempre o pareceu recusar. Eusébio angariou empatia, carinho, ternura. Não tem invejas sobre si, não tem inimigos que o apoquentem. Porque ele sempre foi diferente. Naturalmente, diferente.
Eusébio tem mundo, temo mundo todo, porque se deu ao mundo, deu-se todo ao mundo. Ganhou o consenso generalizado, após tanto sacrifício, tanta dedicação conclui a carreira no universo da bola. O futebol ensina, o jogador aprende, o homem cresce, a sociedade aprecia, a vida agradece."

António Simões, extracto do livro 'António Simões', in O Benfica

As duas Taças gémeas

"Vou repetidamente ao nosso Museu Cosme Damião, ao ninho das águias, para ver aquelas duas Taças dos Clubes Campeões Europeus tão parecidas, tão irmanadas e, no entanto, tão diferentes.
Para o observador incauto são as barrigudinhas gémeas, iguais e indistintas. Para o benfiquista são inconfundíveis. Olham para nós de forma idêntica, sorriem-nos ambas como marcos únicos do benfiquismo, mas não são iguais. Na segunda estão já o Eusébio e o Simões. Na primeira estão ainda o Neto e o Santana. Erguem-se ambas em cima de dois colossos europeus, mas uma com tom castelhano e outro catalão. Uma ganhou-se a um húngaro que se confundia com Barcelona e outra a um argentino que se fundiu com Madrid. Em ambas está a liderança do Coluna, a eficácia e elegância do José Águas e a categoria do Germano. Olhamo-las nos olhos e percebemos o testemunho da imagem do Águas a erguê-las aos céus como agradecimento da dádiva feita pelos deuses aos eleitos. Observamo-las atentamente e percepcionamos promessas de lutas, reveses e sucessos futuros. Sabemos que em ambas reside a garantia da renovação do benfiquismo. Carregam nelas a herança de atletas da cepa de Rogério “Pipi”, Francisco Ferreira ou Julinho, na mesma medida em que anunciam glórias como Bento, Humberto, Néné ou Chalana. Como todas as gémeas, falamos delas no plural, mas sabemo-las singulares e únicas.
Como tributo ao facto de elas nos terem dado o cognome de “Glorioso” até as denomino com os nomes das duas gémeas mais importantes da minha vida: à de 60-61 chamo Catarina e à de 61-62 chamo Maria."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Benfica matreiro

"Psicologicamente, era importantíssimo para o Benfica ganhar ao FC Porto no domingo. Jorge Jesus sabia que, para ele e para o clube, era uma partida decisiva, um duelo que poderia marcar a época. Porém, teve o enorme mérito de não ficar condicionado pela importância do jogo e transmitir à equipa uma confiança que se revelou fundamental para chegar ao triunfo.
Este Benfica de Jesus já não é o mesmo dos primeiros anos. As cavalgadas, as avalanchas sucessivas de ataques, o futebol ultraofensivo, tudo isso acabou. Hoje o Benfica é uma equipa matreira que espera pacientemente pelo adversário e lhe vai dando golpes em jogadas de contra-ataque.
Isto foi muito claro no jogo com o Gil Vicente. O Benfica deixava os gilistas avançar, recuperava a bola no seu meio-campo, lançava raides rapidíssimos pelas alas e daí resultavam centros para golo. No clássico passou-se o mesmo, ainda que com menos oportunidades, evidentemente.
Após a vinda dos sérvios e a onda de lesões que varreu o plantel, Jesus demorou tempo a estabilizar uma equipa-base, mas encontrou-a. O curioso é que, no preciso momento em que o consegue, perfilam-se novas saídas. Mais: na altura em que a equipa começava a adaptar-se à ausência de Cardozo, este prepara-se para regressar.
Tem sido assim a vida do treinador do Benfica: fazer equipas e vê-las desfazerem-se pela saída dos melhores jogadores. No entanto, é também esta a sua “obrigação’’, como ele próprio reconheceu.
Não percebo por que razão os comentadores ridicularizaram a sua afirmação de que, se o Benfica não tivesse perdido tantas estrelas nos últimos anos, já teria sido campeão europeu. Se não tivessem saído Di María, David Luiz, Javi García, Witsel, Ramires e Fábio Coentrão. Se a estes juntarmos Garay, Luisão, Matic, Salvio, Maxi Pereira, Cardozo, Gaitán, Enzo Pérez e Markovic, para não referir outros como Rodrigo e Lima, o Benfica teria um plantel de luxo. E, aí sim, poderia aspirar este ano a ser finalista da Liga dos Campeões na Luz. Porque não?"

José António Saraiva, in Record

Porto que foi à Luz não era de boa reserva

"Pior do que ser derrotado por um rival directo na luta pelo título – desfecho que ditou a queda para o terceiro lugar na classificação –, o FC Porto saiu da Luz sem ser capaz de exibir um pouco que fosse do futebol que nas últimas temporadas o tem ajudado a dominar a principal competição nacional.
O desempenho portista foi tão atípico que, no final, a equipa comandada por Paulo Fonseca tinha estabelecido (ou igualado) vários dos seus recordes negativos na actual edição da Liga. Terá sido apenas um jogo menos conseguido e, como tal, para esquecer? Ou, por outro lado, esta cinzenta exibição deve ser encarada como (mais) um sinal de que algo não funciona como esperado no reino do Dragão e, assim sendo, há que recordar e analisar ao pormenor o que se passou? A resposta, claro, será dada pela própria equipa nos próximos compromissos...
Certo é que, na Luz, o FC Porto não marcou golos (só tinha ficado em branco na derrota com a Académica, em Coimbra); viu a sua baliza ser violada duas vezes (algo que somente se verificara no empate no Estoril); rematou escassas quatro vezes (o mínimo anterior era nove no embate caseiro com o Sporting);beneficiou apenas de dois pontapés de canto (apresentava como pior registo os quatro no Estoril); cometeu 25 infracções (o recorde eram 22 na deslocação à Amoreira); viu sete cartões (ostentava como máximo quatro no Estoril e na recepção ao V. Guimarães) e pela primeira vez esta época teve um jogador expulso (Danilo).
O FC Porto esteve tão longe do rendimento habitual – nem parece que estamos a falar da equipa que mais remates (233) ou cantos (121) tem na prova –, que o jovem esloveno Oblak acabou por ter uma serena estreia a titular no campeonato, já que raramente foi chamado a intervir, bastando-lhe acompanhar com atenção os lances nas imediações da sua baliza.
Mais trabalho (e menos eficácia) teve o experiente brasileiro Helton que, a exemplo do que sucedeu com os guarda-redes de todas as restantes 14 formações participantes na prova, não logrou impedir que os encarnados acertassem na sua baliza. O Benfica, saliente-se, marcou em todos os encontros da Liga, bem como nos restantes jogos referentes às competições internas.
De resto, a partida da Luz ficou também assinalada por ter sido a que mais faltas teve em toda a primeira volta da competição. O portuense Artur Soares Dias – que até se esqueceu de apitar em algumas infracções evidentes... – sancionou 44, marca que ultrapassa as 43 verificadas no V. Guimarães-Marítimo, embate respeitante à 7.ª jornada e dirigido pelo leiriense Olegário Benquerença. No futebol português, decididamente, não é fácil assistir a jogos com poucas faltas. O Estoril-Nacional, logo na ronda 1, foi o melhor nesse capítulo e mesmo assim registou 17, um exagero noutras paragens.

BOM SINAL
Emoção ajuda a águia
No primeiro jogo após o desaparecimento de Eusébio, o Benfica conseguiu o melhor resultado da época, dada a importância da vitória alcançada, em casa, diante do rival FC Porto. Com este sucesso, os encarnados instalaram-se isolados no comando e conseguiram importante vantagem no confronto directo com os dragões. Marcando golos em todos os encontros (apesar de não ter contado com o lesionado Cardozo nos últimos tempos), a formação de Jorge Jesus deu um passo decisivo para virar a prova na frente. E isto apesar dos inesperados tropeções na Luz com Belenenses (1-1) e Arouca (2-2). Recorde-se, por outro lado, que as águias só perderam (com o Marítimo) na ronda inaugural.

MAU PRENÚNCIO
Alarme regressa ao Sado
Depois de uma boa sequência aquando da entrada em funções de José Couceiro – que atirou a equipa para o meio da classificação –, o V. Setúbal vive agora um período menos positivo. Com efeito, os sadinos somaram em Olhão (no terreno de uma das equipas que se encontram em lugares de despromoção) a terceira derrota seguida (antes tinham cedido em Braga e em casa com o Benfica) e passaram a dispor de apenas 4 pontos de vantagem em relação à linha de água. Para piorar o cenário, a próxima jornada reserva uma deslocação ao Dragão, para medir forças com um FC Porto que, após o desaire na Luz, está proibido de voltar a perder pontos. O alarme voltou a tocar no Sado...

SABIA QUE...
Ao marcar quatro vezes diante do P. Ferreira, a Académica somou tantos golos na última partida quanto nos dez embates anteriores?
Ao sair de Arouca sem conseguir marcar, o Belenenses aumentou para seis o número de encontros que leva sem festejar um remate vitorioso?
Enquanto o Benfica marcou golos em todos os embates da primeira volta, o Marítimo foi a única equipa que não logrou terminar um jogo sem ver a sua baliza violada?
Arouca e Académica foram as únicas equipas que ainda não beneficiaram de grandes penalidades? E que Olhanense e Gil Vicente não tiveram nenhuma contra si?
Após a expulsão do portista Danilo na Luz, o Sporting passou a ser o único clube que não contabiliza expulsões na prova?
Apesar de ter terminado a primeira parte da Liga isolado no comando, o Benfica é apenas o quinto colocado no ranking de remates efectuados e o sexto na tabela de cantos?
Mesmo sendo a nona colocada na lista de faltas cometidas, a equipa do Arouca é a que mais vezes foi sancionada com cartões (57)?
O Marítimo vai numa sequência de quatro empates consecutivos? Só nos derradeiros quatro jogos, os insulares coleccionaram mais igualdades do que dez equipas em toda a primeira volta do campeonato!"

Luís Avelãs, in Record

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Mas 'penalties' para quê? Se o que está a dar agora são os pontapés de canto?

"Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic e o eventual quase-golo do 'penalty', o árbitro, mais um grande benfiquista, decidiu-se pelo golo certo do 'corner'.

A discussão anda grossa e justifica-se que ande assim, grossa, porque o caso não é para menos. O país, não sendo grande em tamanho, é e sempre foi grande em cometimentos.
Foi-se o Império, foi-se a autonomia, o futebol agora é tudo para nós em termos de cometimentos.
O senhor Fernando Pessoa, empregado do comércio na cidade de Lisboa, escreveu há 100 anos isto:
«Pertenço a um género de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.»
Tem toda a razão. Depois de estar a Índia descoberta e chegados onde chegámos se não fosse o futebol isto era uma enorme pasmaceira.
O futebol fornece-nos os heróis que nos faltam noutros ramos e dá-nos trabalho, dá-nos imenso trabalho a todos, embora mais a uns do que a outros como, inevitavelmente, acaba sempre por acontecer.
O futebol paira sobre tudo e sobre todos, condiciona as agendas políticas, entra e sai na Assembleia com o à-vontade de um velho compincha, suspende cerimónias de Estado, é tema omnipresente de debates jornalísticos, filosóficos e empresariais.
O futebol é rei na república.
E um rei totalitário não por culpa própria, trata-se na sua génese de um jogo que nasceu pobre e democrático, mas porque sendo tão amado e seguido pelo novo logo se aproveitam os maiorais da sua generosidade para dele abusarem à tripa-fora quando lhes é conveniente. Ou seja, sempre.
Creio, sinceramente, não estar a exagerar.
Episódios recentes vieram dar razão aos que, gostando de futebol, entendem que este absolutismo está a passar das marcas do minimamente razoável com grandes prejuízos para o progresso do país.
E neste instante peço-vos colaboração, caros leitores.
Digam-me, com sinceridade, entre estes quatro acontecimentos da semana passada, qual deles consideram o mais benévolo e o mais chocante para o país, o mais inócuo e o mais pernicioso para a república, o mais merecedor das atenções públicas, dos renhidos debates entre os nossos cérebros nativos, das primeiras páginas dos jornais e o mais prosaico de todos eles:
1- Eusébio vai para o Panteão.
2- Vítor Gaspar vai para o FMI.
3 - José Luís Arnaut vai para a Goldman Sachs.
4 - Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE.
Sobre este capítulo, estamos portanto elucidados.

SENDO por estatuto e por definição um jogo, o futebol é, entre muitas outras coisas, uma questão de sorte. Ora no último Benfica - FC Porto nenhuma das equipas se pode ufanar de ter sido do seu lado a sorte do jogo.
O Benfica não teve sorte nenhuma porque viu Markovic e Rodrigo falharem os respectivos remates quando se encontravam sozinhos diante de Helton, o que poderia ter dado outra expressão ao resultado, sem que isso significasse, no entanto, qualquer coisa mais de substância do que os 3 pontos conquistados ao rival quando ainda falta metade do caminho para o fim.
O FC Porto não teve a mais pequena pontinha de sorte porque o árbitro do jogo, um sabichão habilidoso, um fanático benfiquista, célebre por atirar com as meias para a última fila do Terceiro Anel sempre que visita o Estádio da Luz, decidiu prejudicá-lo em grande e à francesa.
Como?
Ao transformar, por exemplo, uma grande penalidade inócua contra o FC Porto num pontapé de canto letal que resultaria no segundo golo do Benfica, o que, praticamente, sentenciou o jogo.
Para disfarçar o seu tão acalorado benfiquismo, o árbitro não marcou penalidade quando Mangala, num perfeito bloqueio de voleibol, obstou a que a bola cabeceada por Matic se encaminhasse com sucesso para o fundo das redes do Helton.
Podia ter expulsado Mangala, que já tinha um cartão amarelo, e não o fez por manha e amor-próprio. Assim evitou que se passasse a semana a acusar mais um árbitro benfiquista de fazer o frete ao clube do coração.
Por disfarce, o árbitro usou neste lance entre Matic e Mangala de critério largo na decisão. E assim, prejudicou fortemente o FC Porto visto que Lima, certamente encarregado de converter o castigo, não menos certamente que falharia o pontapé tal a camada de nervos que tinha em cima por estar tanta gente a olhar para ele.
Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic, entre o eventual quase-golo do penalty, o árbitro, chamado a decidir, optou pelo golo certo do corner.
E eis como um penalty que não valia nada se transformou num pontapé de canto mortal. Uma vergonha, há que admiti-lo.
Os benfiquistas gostaram, evidentemente. Eu própria, confesso-o sem pudor, quando vi o árbitro mandar seguir para canto e confiante a 100% de que Garay iria marcar golo, disse baixinho, muito baixinho, para os meus botões:
- Eh lá, este tipo, no que diz respeito ao benfiquismo, é muito melhor do que o Pedro Proença!
É que na temporada passada, no FC Porto - Rio Ave a contar para a Liga, também para disfarçar o seu benfiquismo congénito, o mesmo árbitro que usou de critério largo no domingo à tarde na área portista, usou de critério apertado num lance na área vila-condense e nem hesitou em apontar para a marca do castigo máximo em benefício dos donos da casa quando um defensor visitante viu a bola embater-lhe na mão.
Foi também por maldade que o árbitro se decidiu pelo penalty contra o Rio Ave. Fê-lo, consciente ou inconscientemente, para lavar a má fama dos árbitros benfiquistas quando apitam no Dragão.
Foi também por perversidade lampiona que o árbitro, já na segunda parte do jogo de domingo, interrompeu a meio campo uma jogada em velocidade do FC Porto - e logo a única jogada em velocidade do FC Porto em toda a partida - para exibir todo prazenteiro um cartão amarelo a Matic.
Foi vingança do árbitro que, na manhã do jogo, tenho lido nos escaparates que o sérvio tinha protagonizado uma chantagem genial, recusando-se a ir para estágio e a jogar contra o FC Porto, entendeu por bem castigá-lo, assim que vislumbrasse oportunidade, em nome da afronta feita a Cosme Damião, a Eusébio, a Chalana, a Toni, a Simões, a Humberto Coelho, enfim, a todos nós.
- Ah, queres ir para o Chelsea, Matic, meu sacripanta? Então toma lá este cartão amarelo e não digas que vais da minha parte!
Uma das situações pró-Benfica mais escandalosas ocorreu bem no finzinho da primeira parte e teve como intuito desmoralizar Jackson Martinez para o resto do jogo. E conseguiu o árbitro mais essa proeza de lesa-dragão.
Imagine-se só que tendo a certeza de que o colombiano falharia o golo certo na cara de Oblak, o árbitro e o seu fiscal-de-linha, outro que tal, piscaram os olhos e decidiram não assinalar a gritante posição irregular do pobre Jackson só para o avançado do FC Porto ir para a cabina, ao intervalo, profundamente amargurado com o insucesso da sua acção.
E quando os jogadores do FC Porto, em duas ocasiões na área do Benfica - as únicas duas vezes que lá foram - optaram por se atirar para o chão porque mais não conseguiram, o árbitro, coitado, com os miolos ralados, já não teve iluminação suficiente para compensar todos os desvarios por si cometidos e apontar, pelo menos, duas grandes penalidades a favor dos visitantes.
- Para quê? - disse ele aos seus assistentes no fim do jogo. Penaltys para quê se o que está a dar agora são os pontapés de canto?!
Ficou esgotado o árbitro com tanta decisão favorável aos donos da casa.
Compensar? Compensar, compensar, Kompensan. Foi isto, mais ou menos, o que se passou.

FOI bonita a homenagem a Eusébio que antecedeu o Benfica - FC Porto. Aliás, o respeitinho é sempre muito bonito.

O Benfica chega ao fim da primeira volta isolado no comando do campeonato, situação inverosímil de se imaginar no arranque da temporada quando o Benfica se viu cedo a 5 pontos de distância do FC Porto.
Inverosímil por inverosímil, faço votos para que o Benfica continue a lutar pelo título ainda que se prepare para ver partir neste mês de Janeiro os seus melhores e mais influentes jogadores, tal como vem sendo notícia na imprensa.
É uma pena.

ONTEM o Benfica voltou a ganhar por 2-0 mas desta feita ao Leixões para a Taça da Liga. Foi um prazer ver a condição, a disponibilidade e o acerto de Ruben Amorim nos 90 minutos. Temos reforço de Inverno. Finalmente, parabéns Cristiano Ronaldo! Tenho sobre si exactamente a mesma opinião do Bruno Alves, só que não a posso exprimir porque não me fica bem."

Leonor Pinhão, in A Bola

O último jogo pelo Benfica

"Estádio de Alvalade: festa de homenagem a Carlos Lopes, o medalha de prata dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal.
Estádio de Alvalade: mais de 40.000 pessoas.
Eusébio com a camisola do Benfica. Ele não o sabe ainda, mas é a última vez que vestirá a camisola do Benfica. Ele tem ainda esperança, viva, de voltar a jogar pelo Benfica nos grandes jogos do campeonato, quem sabe se na sua Taça dos Campeões...
Na cabina, antes do jogo começar, pede a Mortimore para usar da palavra. E diz:
- O futebol, para mim, nunca pode ser uma brincadeira. Eu jogo sempre a sério! E mais: não gosto de perder! Venham comigo, vamos ganhar mais este jogo!
Ganharam. Logo de entrada, o Benfica faz dois golos; faria mais mais um, contra outro do Sporting.
É o último jogo de Eusébio com a camisola do Benfica: vence em Alvalade por 3-1.
A História raramente é injusta para com os seus filhos dilectos.

A evocação de Eusébio
A memória de Eusébio.
Se isto não foi um livro, peço desculpa: senti-me à secretária com a intenção de escrever um livro. Isto é, provavelmente, apenas uma crónica, um pouco mais comprida, uma crónica sem preocupações de espaço. Tanta coisa sobre o que deveria ter falado e não falei; tantas pessoas cujos nomes deveria ter citado e não citei; tantos lugares pelos quais deveria ter passado e não passei... A falta é minha: Eusébio não teve a culpa.
Já disse e já repeti: não é fácil escrever um livro sobre Eusébio.
Pior ainda: não é fácil acabar um livro sobre Eusébio.
Poderia ficar aqui a escrever durante meses e meses e meses. Mais: poderia ficar aqui a escrever durante anos e anos e anos. Poderia ficar aqui a escrever uma vida a fio.
Às vezes a gente procura e procura a palavra certa para acabar um livro. E eu nem sei bem se isto foi um livro...
Acabo como comecei:
Eusébio, e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica 

A estreia pelo Benfica

"O espectáculo foi montado para o ter como intérprete principal. Não foi à toa que Eusébio foi Eusébio antes de ser Eusébio. O árbitro, Francisco Saraiva, entrou em campo com as equipas do Atlético e a reserva do Benfica, reforçada com dois ou três dos titulares. Mas os encarnados eram apenas dez: Barroca, Mário João, Ângelo, Neto, Artur, Saraiva, Nartanga, Jorge, Mendes e Peres...
Um silêncio curto, mais curto do que o que demora a escrever.
E Eusébio.
Saiu do túnel, o braço levantado, por entre aplausos estrondosos de gente que tanto o desejara, que tanto o questionara, que tanto por ele esperara.
Onze minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 11, de muito longe, fora da área, remata com força e colocação: a bola sai incontrolável, impiedosa. O golo é concreto, palpável. O seu talento também.
Se calhar, era mais justo dizer que sete minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 7, recebe a bola de Nartanga, finta dois adversários num quadrado minúsculo de terreno e chuta como se desse pontapé dependesse a própria vida: Bastos estira-se; a bola queima-lhe as mãos e sai para lá da última linha.
O povo delira. Levanta-se satisfeito do cimento das bancadas, comenta as proezas do seu ídolo, dedica-lhe palmas e gritos de incentivo.
Voltemos ao jogo. Eusébio está lá todo. Mesmo aquilo que ainda não é já se adivinha. O executante primoroso: bom domínio de bola, tanto com o pé direito como com o esquerdo; a execução rápida, intuitiva; a bola junto à relva; o equilíbrio firme; as pancadas secas do pé; o drible simples. O estratega lúcido: calmo, esclarecido; procurando as tabelinhas; a destreza nos toques velozes; a facilidade com que já pensou no que fazer da bola antes de a receber; o altruísmo; os reflexos apurados. O rematador temível: vivaz; disparo brusco, espontâneo; potência nos pontapés tanto com o direito como com o esquerdo; força, força e mais força; corridas leves e rápidas sempre concluídas com remates bem dirigidos, pouco importando o ângulo a que se encontra da baliza.
Começa como interior-esquerdo, passaria em seguida para interior-direito, jogando com Mendes na sua frente. O público, esfomeado, exige-lhe o impossível e ele dá-lhe o impossível: aos 11 minutos apenas, três remates fulminantes, um golo fantástico. O Benfica é um conjunto desgarrado, individualista, pouco firme. O Atlético empata por Pedro Silva (15') e chega à vantagem por Angeja (36'). Mas Eusébio vai enchendo o campo com o seu estilo moderno, diferente. Aos 76 minutos, tem novo remate que daria golo ou não, ficará por saber-se: Armando Ferreira estica o braço, desvia a bola como se fosse o guarda-redes que não é. O «penalty» é de Eusébio, foi ele que  criou, os adeptos ordenam-no, o futebol também: golo. Quatro minutos depois, Inácio, que entrara para o lugar de Peres, tira um centro da esquerda: Mendes toca a bola já dentro da área e Eusébio desvia para a baliza. Três-golos-três. Mendes marcaria ainda outro, a três minutos do final.
Eusébio da Silva Ferreira: uma nova estrela brilhava na Luz. «Sou um homem feliz!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

Nasceu uma estrela

"Em Lourenço Marques, os Janeiros eram quentes, asfixiantes, quase incómodos. Havia manhãs em que parecia que um cobertor de papa, daqueles velhos cobertores que se amontoavam nos baús dos avós, tapava a cidade, da Ponta Vermelha e do Quartel de Artilharia, entalado entre a Rua Chaimite e a Rua Coolella, até ao fim da Avenida Manuel de Arriaga, para lá da Fábrica de Sabão e do Forno Crematório, da Baixa a Malhangalene e Munhuana, e para lá ainda, nos caminhos de Xipamanine.
No bairro da Mafalda, onde viva D.ª Elisa Anissabani, era hábito as pessoas dormirem a sesta em redes estendidas entre dois coqueiros. Ou trazerem para fora das suas casas pequenas e abafadas, colchões de palha que estendiam no terreiro, à sombra de um acácia de copo achatada e flores rubras. Colchões de palha forrada a serapilheira riscada a vermelho e branco: foi assim que, bem longe de Lourenço Marques, em Madrid, os jogadores do Atletico Aviación, mais tarde conhecido por Atlético de Madrid, ganharam a alcunha de «colchoneros».
E.ª Elisa Anissabani: mãe de Eusébio. Antes dele já tivera três rapazes. Queria uma menina, agora. O dia 25 de Janeiro de 1942 não lhe fez a vontade. Nasceu-lhe outro rapaz. Chamou-se Eusébio Da Silva Ferreira. O Mundo saberia, a devido tempo, decorar-lhe o nome. E pronunciá-lo de todas as formas. Euzibiú, Ózébio, luzibiô, Ouzébiou... O Mundo não tardou a confundi-lo com Portugal.
«Chego a convencer-me de que, enquanto os outros bebés aprenderam a andar, eu aprendo a chutar», diria Eusébio, dezanove anos depois, numa entrevista concedida a Carlos Miranda. Um ano depois de chegar a Lisboa e à Metrópole, como então se dizia, Eusébio já era O Eusébio, e tinha uma história completa para contar.
Disse e repito: Eusébio conta-se a si próprio.
«Não me lembro de brinquedos, não me lembro de jogos ou de partidas. Lembro-me da bola. Sempre da bola. A trapeira, se coisa melhor não se consegue arranjar, lá nos coqueiros, em desafios sem fim, sem prazos de tempo nem balizas medidas. Jogar à bola, fosse como fosse, era tudo quanto desejávamos».
«Eu já andava numa escola, claro, e algumas vezes, bom... houve uma gazetas, a minha mãe não gostava nada que eu andasse enfronhado no futebol, apertava comigo, que me importasse com a escola e me deixasse dos pontapés na bola, mas eu não sei explicar, havia qualquer coisa que me puxava, sentia um frenesim no corpo que só se  satisfazia com bola e mais bola. O resultado de tudo isto era uns puxões de orelhas bem grandes e, uma vez por outra, umas sovas que não eram brincadeira nenhuma». De nada serviu. Os irmãos estudam, Eusébio não. Alguns chegam a completar o liceu, ele desiste no fim da 4.ª classe. Estava escrito: seria Doutor em futeobl Honoris causa!
O pai morre-lhe cedo. Angolano de nascimento trabalhava nos Caminhos-de-ferro de Lourenço Marques e jogara futebol no Ferroviário. Tinha 37 anos: o tétano não escolhia idades. Chamava-se Laurindo António da Silva Ferreira, natural de Malange. Não chegou a ver jogar o filho.
Lá, na Mafalala, Lourenço Marques, Moçambique, em 1958, D.ª Elisa Anissabani gritava por Eusébio, mas Eusébio não vinha. Ficara de ir buscar o jantar da família, agora maior: D.ª Elisa Anissabani tivera a menina que tanto queira, tivera até mais duas, e já somava seis rapazes. No regresso, faltava um. Faltava um no campo da bola de terra vermelha, estavam dez para onze, Eusébio era preciso. Esqueceu o jantar, esqueceu a família. O chamado da bola era mais forte do que a voz da mãe. E, ainda por cima, a Mafalala ganhara um clube de futebol: Futebol Clube Os Brasileiros."

Afonso de Melo, in O Benfica

Eusébio.

"Há nomes assim: esse ponto final parágrafo aí em cima poderia ser um ponto absolutamente final. Ou seja: o livro estaria pronto, concluído, perfeito. Porque a Eusébio nada se acrescenta.

«Exagero subjectivo!, exclamarão alguns. Estão no seu direito. E para eles, desde já acrescento: não leiam mais, então, não vale a pena. Esta será, de início ao fim, uma prosa subjectiva. Terá factos, terá números, terá estatísticas, se calhar, matérias portanto objectivos. Mas a visão redonda deste planeta achatado nos pólos é minha e dela não prescindo.
Convenhamos: Eusébio escreveu-se a si próprio.
Agora vou falar de outro nome fundamental: Nelson Rodrigues. A ele se devem as mais belas páginas escritas em português sobre futebol. E, ao contrário do que possam pensar, futebol e literatura têm muito em comum. Têm muitíssimo em comum.
Nelson Rodrigues: «Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num córner mal ou bem batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural». Era aqui que queria chegar: Eusébio é demasiado complexo para ser objectivo.
Revejam o filme do primeiro golo de Eusébio contra o Brasil, em 1966, no Campeonato do Mundo de Inglaterra. Ou melhor, revejam-no depois do golo. Ele corre, de braço no ar. A cabeça está erguida, imperial, reparem bem: há no seu olhar, que abarca todo o estádio de Goodison Park, em Liverpool, a consciência de que a história está a passar por ele, pela sua passada elástica, veloz, o redor move-se em câmara lenta, só ele tem vida para além da vida corriqueira, insignificante, só ele ganha luz para além dessa vidinha de que falava Alexandre O'Neill e que acabrunhava o país triste. Corre, corre, corre, Eusébio corre. Está apenas a comemorar um golo, mas até disso dir-se-ia depender a sua própria existência. Aquela corrida parece durar horas e horas. Aquela corrida merecia durar horas e horas.
Prestem bem atenção, agora: ele eleva-se no ar como se tivesse as asas nos pés de um Mercúrio negro. O seu braço erguido estende-se para lá do estádio, quase tocando o céu num soco vigoroso, vibrante. Não tirem os olhos dele: deixem-no ficar assim para sempre na parede lisa da vossa memória. Dificilmente Eusébio poderá ser tão Eusébio.»"

Afonso de Melo, in O Benfica 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Gostei...

Benfica 2 - 0 Leixões

Jogo mais agradável daquilo que eu estava à espera!!! Com poucas paragens, com intensidade, com os jogadores a tentarem jogar rápido, e nem a chuva resfriou os ânimos!!! Notou-se alguma falta de entrosamento em alguns momentos, treinar não é mesma coisa do que jogar, e alguns destes jogadores, têm jogado pouco, mas a atitude foi a correcta...
Ao contrário dos Corruptos e do Sporting, o Benfica efectuou um revolução completa no onze, com vários pretendentes a conquistarem mais minutos, e talvez por isso, notou-se vontade em agradar em praticamente todos...!!! Ao Benfica só faltou algum discernimento no último passe... mas a equipa merecia o 2.º golo muito mais cedo. Vitória indiscutível, que pecou por escassa... apesar da boa réplica do Leixões, que não fez anti-jogo, e tentou sempre sair rapidamente para o ataque...
Parabéns ao Cavaleiro pelo 1.º golo como sénior - golo obtido a jogar no meio, na posição de 2.º ponta-de-lança!!! -, já merecia...
Em sentido contrário o Artur está mesmo com pouca confiança, aquele erro na 1.ª parte é prova disso... com o relvado a escorregar, é mais fácil fazer aquilo do que se pode imaginar (quem já foi guarda-redes pode comprovar isso mesmo), mas...

Com esta vitória estamos nas Meias-finais da Taça da Liga, o último jogo com Gil será mais um jogo para rodar o plantel e dar oportunidades aos menos utilizados. Gostava de ver o André Gomes e o Bernardo a jogar.

Matic

Existem sempre várias maneiras de interpretar as coisas: é razoável dizer que o Matic vai fazer falta nas últimas 15 jornadas, mas também se pode afirmar que a 'não venda' do Matic no Verão, permitiu ao Benfica ter o Sérvio, 15 jornadas a mais, do que seria normal... e isso só não aconteceu devido ao irrealista sonho de uma Final da Champions na Luz com o Benfica!!!
Também não gostei da saída neste momento, nunca gosto quando os jogadores mostram desejo de sair do Benfica. Como Benfiquista, tenho dificuldade em aceitar isso... mas dentro das circunstâncias, acaba por expectável...
Agora, mais do que entrar nas novelas dos profissionais das críticas, o mais importante é discutir as soluções no plantel... parece óbvio que ninguém será contratado para o lugar.
O Fejsa será a opção lógica, logo a seguir temos o Amorim e depois o André Gomes (tendo em conta o curriculum do André Almeida com o Jesus, não me parece que seja opção para esta posição). Existem vários problemas com estas soluções: o Fejsa e o Amorim têm um historial de lesões que não me deixam descansado; se o Fejsa defensivamente, num dia bom, é até melhor que o Matic, com a bola nos pés, é muito inferior... se fosse possível juntar no mesmo jogador o Fejsa e o Amorim, o problema estava resolvido, mas isso não é possível; o André Gomes que potencialmente, é aquele que mais se aproxima do Matic, tanto fisicamente como tecnicamente, falta-lhe, ainda, mentalidade competitiva...
O Matic na sua despedida deu um 'empurrãozinho' ao André Gomes, que eu gostei de ler, mas para isso se tornar realidade, o André tem que mudar a atitude algo displicente que demonstra defensivamente, e não pode perder a bola em zonas proibidas como costuma fazer. Ambas estas situações, dependem essencialmente, da cabecinha!!!

O sucesso desta 2.ª volta vai muito passar, pela opção do Jesus, na escolha do jogador para esta posição. Como se viu com o Arouca o Fejsa, nesse tipo de jogos é desnecessário (mas com o Nacional na Choupana para a Taça da Liga, já resultou). Saber quais jogos (ou os momentos dos jogos) onde o Benfica precisa de um '6' mais defensivo, ou um jogador mais de posse de bola, será o dilema do Jesus.

PS1: Fala-se noutras vendas, espero bem que não sejam verdade. Neste momento mais alterações na equipa, com o Cardozo e o Salvio ainda fora de combate, podem ser mesmo fatais. O negócio Rodrigo, Garay e Neto, que se fala. Em Junho? Assino por baixo... Agora? Não.

PS2: O Hélder Conduto deu a sua opinião da Benfica TV. Como não criticou a venda, passou imediatamente a ser odiado, por aqueles que o elogiram quando entrevistou o Vieira no início da temporada!!!

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Eusébio, 2 - FCP, 0 (e CR7)

"No domingo o Benfica alinhou com Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio e Eusébio. Aos 82 m saiu Eusébio e entrou Eusébio e aos 85 m saiu Eusébio e entrou Eusébio. Os golos foram apontados por Eusébio aos 13 m que bisou aos 53 m. Uma tarde de Eusébio. Puro. Espiritual. Memorial. Aparte uns poucos energúmenos, todos respeitaram o minuto de silêncio. O jogo foi intenso num ambiente de magia, homenagem e competição leal. Os jogadores honraram o Rei.
Agora na dianteira, o Benfica vai perder jogadores fundamentais. Matic, sobretudo. Percebo a necessidade financeira, mas tenho dificuldade em entender ter que ser em Janeiro, diante de 15 jornadas decisivas. Matic (ou outros) já nem sequer podem jogar na Champions. No ano passado saíram Bruno César e Nolito. E, embora menos influentes, que falta fizeram (mais o primeiro) num fim de temporada desgastante em todas as frentes?
Volto ao jogo e ouço todas as teorizações sobre a arbitragem. Alguns fazendo até a contabilidade de um FCP mais prejudicado que o Benfica! Ponho-me a pensar o que seria se Jackson tivesse marcado aos 45 m, quando estava fora-de-jogo. Ou na jogada de andebol de Mangala que além de penalty poderia ter visto amarelo ou até vermelho. Certo que Danilo não deveria ter sido expulso e que o árbitro apitou (mal) na jogada em que Jackson se isolava, todavia no momento em que a bola ia no ar e muito antes de lhe chegar aos pés.
Parabéns Cristiano Ronaldo! Merecidíssimo e um orgulho para Portugal. Comovente o modo como agradeceu. Eusébio e Cristiano em conjunto. Está tudo dito."

Bagão Félix, in A Bola

Eusébio da Silva Ferreira

"P'ra todo o sempre! Somos tão pequeninos, mas tão grandes, que tu conseguiste a proeza de ligar dois continentes, que afinal têm uma língua comum e identificam-se em tantas coisas.

Em 1961 vieste para o Sport Lisboa e Benfica e demoraste 30 horas para chegar. Quem diria que essas 30 horas se tornariam em anos de sucesso!
Desde lições de humildade, genialidade, grandeza, traços esculturais e divinos, tudo se transformou numa simbiose entre ti e o Benfica e o Benfica e tu. Portugal e tu e tu e Portugal. O Mundo e tu e tu e o Mundo.


Como se diz hoje na juventude perdida, 'estavas muito à frente' naquela época!
Consciência de ter ver jogar nos primeiros anos da minha existência que distam de 1963, não tenho! Mas a palavra, os gestos, a mística passada pelo meu Pai e pela minha Mãe, foi mais que suficiente para apreender a diferença entre a realidade vivida e o sonho!

Algures no tempo, recordo em consciência de te ver jogar a primeira vez. Para mim, já eras um mito vivo!
Mas para um miúdo que ouviu falar dos feitos que fizeste a partir de 1961 neste País à beira-mar plantado, com o desempenho que tiveste em 1966, ter o privilégio de recordar após este tempo todo, os teus três golos na final do Jamor contra o Sporting, é realmente porque és imortal! O teu terceiro golo de livre directo a quatro minutos do fim do prolongamento, deixaram-me encantado no meio de 45000 espectadores!
E na época de 1972/1973, quando o Benfica defrontou o Sporting no Estádio da Luz, eu lá estava para ver os teus quatro golos. Já estavas no firmamento há muito tempo!
Os miúdos da Rua, da minha Rua, gritavam pelo teu nome e jogavam à bola num 'campo' inclinado, tentando imitar-te nos teus remates! Mas a debalde o faziam porque Eusébio só havia um! Eras tu!
As tardes de Domingo no Estádio da Luz eram a minha casa e em 1976, ingressei nos Iniciados do Benfica, vindo dos Infantis do Mister Biri, porque tinha interiorizado um clube que hoje ainda amo e tu tinhas criado a vontade de jogar Futebol aos Portugueses.
É evidente, que mesmo que não tivesse o problema que Deus me deu numa vista, jamais teria sido um jogador de Futebol que sequer chegasse aos teus calcanhares!
Mas o Benfica e tu, para mim, passaram a ser só um! Durante muitos anos tive de me fazer à vida e nunca pensei que um dia me desses a honra de poderes ir ao meu casamento - é certo o meu segundo, que também não deu certo, mas por culpa minha -, mas que bastou ter a tua presença para nunca mais o poder esquecer!
Que melhor prenda se pode pedir?
Guardo religiosamente um fotografia tua, com a minha mãe e o meu pai, também ambos já partidos deste Mundo!
Conhece-ti pessoalmente uns meses antes desse evento graças aos meus aos meus amigos de longa data, Carlos Pereira Cruz, Marina Cruz, teus compadres e teus grandes amigos durante uma vida inteira. Foi, obviamente, na Adega da Tia Matilde!
Mas eu imaginaria lá que o meu ídolo um dia pudesse estar sentado à mesa comigo e falar sobre os seus feitos e sobretudo do Benfica? E que pudesse ir a um casamento meu?
A tua simplicidade era corrosiva. A tua humildade e, ao mesmo tempo, Mística, enchiam o ar de eprfume. Respirava-se Eusébio e respirava-se o Benfica!
Como sabes, nunca foi muito de andar nos eventos sociais. Tranquiliza-me o facto de existires, simbolizares o Benfica, teres voltado novamente a ter o teu lugar na História do Clube, ter surgido uma Direcção que ressuscitou a cultura e a sua história.
Claro que em bom rigor tu não precisavas de ser preservado, porque te evidenciavas a ti próprio! Mas esta vida é madrasta e todos acabamos por fazer o caminho de todos os seres humanos.
Um dia sou surpreendido com a notícia da tua morte. Sinceramente, nunca tinha pensado nisso como uma perspectiva real! Falava nisso nos meus comentários, mas nunca senti isso! Para mim era sempre uma lenda viva!
Mas há um dia em que tudo acaba e partimos para outro lado qualquer que só saboreamos quando isso nos acontecer.
Ficam duas emoções muito diferentes! Ao ver a homenagem que te fizeram no Estádio da Luz, percebi que existirás sempre em nós! E que o Benfica é uma instituição que trata bem os seus! E que organização fabulosa que em tão pouco tempo se construiu para te homenagear!

As pessoas que espectacularmente trabalham nessa organização merecerão o teu carinho para o resto da vida. Porque, para todos nós, tu sempre existirás!
A outra emoção, é aquela que sentimos quando estamos mais sozinhos e realistas! Não te vou poder ver mais! E cada vez que olhava para ti, só via juventude, genialidade e Benfica!
Aqui chegado já me custa escrever mais.

Não sou ingénuo ao ponto de acreditar no Menino Jesus e julgar que tudo será vitorioso daqui para a frente em tua homenagem. Que os Benfiquistas vão saber ficar unidos na diferença! Mas há algo que todo e qualquer benfiquista te quererá dedicar, porque tu para todos nós és, e será sempre, eterno.
Oxalá todos os benfiquistas saibam e façam erguer bem alto o teu nome e realizem a tua vontade!
Tu, entretanto, descansa para todo o sempre e observa como nos movemos! E vai-te rindo, ou melhor, sorrindo!
E hás-de ir para o Panteão porque é aí que pertences!
Obrigado por tudo Eusébio! Até sempre!

(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......36 (-7) = 43
Sporting.....34 (-1) = 35
Corruptos...33 (+7) = 26
Braga.........22 (+2) = 20

Nos últimos meses, temos assistido de forma mais ou menos descarada, a uma campanha de promoção a Soares Dias. Vários comentadores, colunistas e paineleiros afirmaram, sem corar, que o Arturinho é o melhor árbitro português da actualidade!!! Sendo que 99% destes propagandistas ou são Corruptos ou Esverdeados...!!! Nem é preciso recordar os jogos do Benfica, basta relembrar um famoso Braga-Guimarães e uma interminável rábula dos penalty's que levou o Braga à vitória, para chegar à conclusão que o homem além de ladrão, é incompetente...!!!
Mas o silêncio após a nomeação do Soares Dias para este jogo, também é esclarecedor: como é que é possível, com o curriculum imaculado que o Arturinho tinha antes deste jogo, nos jogos com os Corruptos (9 jogos, 9 vitórias), nenhum pasquim, ter publicado as estatísticas do árbitro, com cada uma das equipas?!!!
Estamos a falar de alguém que é um (mais ou menos) assumido adepto Corrupto, sócio Corrupto, com lugar cativo no antro Corrupto, amigo pessoal de vários jogadores, treinadores, e dirigentes Corruptos, alguém que como pode ser provado nas escutas do Apito Dourado, foi levado ao colo até à 1.ª categoria, e filho de outro ladrão que frequentou os mesmos antros... como é que é possível, ninguém ter recordado todas estas incidências?!!! Nem a entrega da camisola a um membro dos Super-Dragay's... Sabendo que quando o Benfica é arbitrado por um qualquer Proença, Duarte Gomes, ou Miguel Mota passam a semana toda, a ladrar com o suposto Benfiquismo dos mesmos?!!!

Mas tenho que admitir, apesar de tudo, tinha algum esperança, é que os números do Arturinho com o Benfica não são tão maus como os do Proença, do Benquerença, do Jorge Sousa, ou outros parecidos... é que mesmo tentando, esforçando-se muito, no passado, vencemos vários jogos com o Soares Dias a apitar!!! Recordo-me de uma goleada nos Barreiros, outra em Paços, onde as incidências do jogo foram tão favoráveis ao Benfica, que nem as roubalheiras encomendadas nos tiraram a vitória... E parece que a 'má sina' do Arturinho, continua... mesmo roubando, o Benfica ganha!!!

A arbitragem foi vergonhosa, os erros variados, com a clara intenção inicial de empurrar o Benfica para trás. Até ao 2-0, o Benfica foi sempre prejudicado, sempre... só na parte final da partida, tivemos 2 possíveis erros que prejudicaram os Corruptos: o 1.º por incompetência (beneficio ao infractor), o 2.º num penalty discutível (intensidade). Antes disso, disciplinarmente, tecnicamente, o árbitro ou os fiscais-de-linha - principalmente o fiscal junto do banco do Benfica -, foi sempre a roubar...
O critério disciplinar foi claro, andou a perdoar amarelos constantemente a jogadores Corruptos, sendo o caso mais escandaloso na 1.ª parte, a falta do Jackson sobre o Enzo (ao contrário só o Siqueira podia ter levado amarelo, numa falta sobre o Carlos Eduardo)... Só depois do amarelo ao Jackson (que até podia ser vermelho directo, ou o 2.º amarelo se o primeiro tivesse sido mostrado), é que começou a dar amarelos a tudo o que mexia... Num jogo de sentido inverso, jogado no antro Corrupto, aposto que antes dos 30 minutos, metade da equipa do Benfica estava amarelada!!!
Para melhor descrever a inclinação do campo, recordo os últimos minutos da 1.ª parte:
- Falta clara sobre o Markovic, zona perigosa, não assinalada!!!
- No ataque seguinte, o Luisão faz um corte atabalhoado, mas sem falta, sobre o Jackson, e o árbitro marca falta, em zona frontal, ainda afastado da área.
- Na marcação da falta, Mangala atira Enzo ao chão, nada foi marcado...
- A bola vai para a lateral, onde Licá centra, para um Jackson, completamente fora-de-jogo... e só por acaso não foi golo!!!
Aqui está um exemplo de como empurrar uma equipa para a frente, e outra para trás, sem penalty's, ou lances demasiados escandalosos... Existem vários 'especialistas' nesta forma de apitar: Xistra, Proença são dos 'melhores'...!!!
Existiram outros momentos parecidos, entre foras-de-jogo, e até bolas fora do campo, que não foram assinaladas e permitiram ataques aos Corruptos, que acabaram quase sempre em livres laterais contra o Benfica...!!!
O penalty do Mangala aparece nesta sequência, mais uma vez, tal como num famoso Sporting-Benfica, com o Soares Dias bem colocado, nada marcou (na altura foi um agarrão descarado ao Luisão!!!)... Mas tal como eu escrevi na crónica ao jogo, fez-se Justiça Divina, e logo a seguir no canto, o Benfica marcou...
O Arturinho  viu as suas intenções frustradas, quem estava a sentir o jogo, percebeu logo que muito dificilmente os Corruptos conseguiriam dar a volta ao jogo...até o Jackson sentiu isso, e resolveu agredir o Maxi. Sim, foi ma agressão. A teoria do empurrão não pega... Logo a seguir o cigano entra de carrinho sobre o Matic: amarelo... O Benfica 'inventa' na marcação da falta, perdemos a bola, o Enzo tenta fazer falta sobre o Quaresma não consegue, mas o Matic consegue!!! Na ânsia de mostrar o 1.º amarelo a um jogador do Benfica, Soares Dias não vê que o Jackson ficaria isolado... Errou!!! E se depois do 2-0 parecia que o resultado estava fechado, com este lance ficou...
No lance entre o Garay e o Quaresma, existe contacto, o Corrupto regressado, aproveita-se e deixa-se cair, será sempre uma daquelas discussões da intensidade, mas eu aceitaria se o penalty fosse marcado, mas depois de não ter marcado a clara Mão do Mangala, marcar este seria demasiado descarado...
No lance entre o Garay e o Danilo, esteve bem, o brasileiro mergulhou descaradamente, e até o 2.º amarelo foi bem mostrado...
No último minuto ainda perdoou a expulsão ao Mangala, por indicação do tal fiscal-de-linha!!! Pareceu-me mesmo que ele ia mesmo marcar a falta, mas depois arrependeu-se, e recomeçou o jogo com uma estranha bola ao chão!!!
ADENDA: Esqueci-me de alguns lances, que merecem uma adenda: o Jackson já com o amarelo, não tinha qualquer necessidade de ter acertado no Oblak; o filho-da-puta do Josué tentou agredir o Siqueira duas vezes; e o gesto do Quaresma para com o Markovic podia ter sido penalizado... Sobre a trapalhada no último lance do jogo, mais um erro grave, desta vez com Arturinho a ser enganago pelo fiscal!!! O Mangala fez mesmo falta para expulsão, sobre o Enzo...
Resumindo: ladrão e incompetente. Clara intenção em manter o curriculum 100% vitorioso com o clube do seu coração... quando no final viu que isso não ia acontecer, resolveu partilhar um pouco a incompetência por todos!!!

Não vi o jogo do Sporting, nem o jogo do Braga. No derby do Minho ninguém se queixou. Os chorões do Lumiar, pediram penalty numa Mão na bola, que nunca existiu, e numa queda do Montero. Mas o Proença decidiu bem, quem provoca o contacto é Montero que dá um passo para o lado, em vez de correr em direcção da bola. O jogador do Estoril, não passa rasteira, nem pontapeia o adversário... acaba por existir um choque, sem falta.

Observem bem a classificação na Tabela. Digam lá se não dava para vender o Matic, o Rodrigo e o Garay, e provavelmente seríamos Campeões na mesma, com uma vantagem confortável?!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenense(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Um momento

"Deixem-me, a propósito do Benfica-Porto, recuperar a explicação do escritor britânico Martim Amis para o fascínio exercido pelo futebol: “É o único desporto que, normalmente, se decide por um golo, por isso a pressão do momento é mais intensa do que em qualquer outra modalidade”. Os jogos discutem-se numa lenta monotonia, organizada e por vezes de pendor burocrático – médios que pautam o ritmo do jogo, outros, com cultura táctica, que conferem disciplina nos “processos defensivos” –, mas não fora os momentos de desorganização, em que o sentido que os treinadores deram à equipa se perde, os estádios estariam vazios.
Lazar Markovic. Ninguém que sinta a paixão pelo futebol precisou de ver mais do que dois minutos do sérvio com uma bola nos pés para logo ter a certeza que estávamos perante a matéria de que se fazem os sonhos dos adeptos. A bola como prolongamento de um corpo ziguezagueante e uma aproximação romântica a cada jogada. Com o jovem sérvio não há nunca terceira via – a opção é irremediavelmente entre uma perda de bola incompreensível, seguida de um baixar de braços, como se estivesse a gerir uma derrota individual, ou uma arrancada de génio, daquelas que ninguém sentado na bancada foi capaz de antecipar.
Um instante pode ser mesmo a eternidade e dura no tempo quem tudo apostou no momento. Quando, aos 13 minutos de jogo, vi Markovic, com elegância principesca, a cavalgar pelo centro do terreno, com os jogadores adversários a desabarem à sua passagem, tive a certeza que o Benfica estava a construir a sua vitória, mas mais certo fiquei de que, passados uns anos, não guardarei memória do resto do jogo, mas aquele momento, feito de rasgo de talento, perdurará para sempre nas minhas recordações.

Nota: O Benfica dos últimos anos foi irrepreensível com Eusébio. Em vida e na última semana, o Rei teve todas as homenagens devidas e muitas mais terá para honrar a sua memória. Mas os gostos discutem-se e a estátua de Eusébio não merecia ter sido presa dentro de uma marquise."

Pedro Adão e Silva, in Record

Benfica líder, e agora?

"O Benfica de domingo não foi o Benfica habitual dos clássicos com o FC Porto. Desta vez Jorge Jesus manteve-se fiel a uma ideia de equipa e não a moldou ao adversário. Assumiu o favoritismo – fosse por jogar em casa, por querer dedicar uma vitória a Eusébio, por saber que, agora, este Benfica é superior a este FC Porto ou por tudo junto – e ganhou a aposta. Os encarnados foram velozes nos flancos, perigosos no ataque, dominadores no meio-campo e intransponíveis na defesa. A superioridade sobre os dragões foi evidente e a vitória foi mais do que justa. Pelo meio, Oblak confirmou-se como a melhor aposta para a baliza, ele que ainda não sofreu golos nos cinco jogos em que já participou desde a lesão de Artur; e Markovic revelou estar a ganhar maturidade táctica, a melhor aliada da elevada capacidade técnica que já possui.
Do clássico resultou ainda a liderança isolada do Benfica no campeonato, o que acaba por ser psicologicamente importante, embora nada decisivo quando faltam 15 jornadas para terminar a prova e todos os candidatos dependem deles próprios para conquistarem o título.
Mas a liderança chegou com outra notícia, a da saída de Matic e as prováveis de Garay e Rodrigo.De uma assentada, Jesus pode ficar sem um central, um outro avançado – já havia perdido Cardozo por lesão – e o motor do meio-campo. O técnico do Benfica está habituado a remendar os buracos – veja-se Di María, Ramires, Fábio Coentrão, David Luiz, Javi García, Witsel... –, só que, desta vez, a tarefa parece mais complicada, sobretudo no que diz respeito à substituição do médio sérvio. Para Garay há soluções no banco – a um nível inferior, mas competentes –, para Rodrigo também, embora obrigando a uma readaptação de jogadores ou da táctica. Para Matic é pior. O plantel não tem um “box-to-box” igual (nem parecido), no mercado é quase impossível encontrar outro e Fejsa é um complemento, não alternativa.
A eliminação da Liga dos Campeões, ou melhor, o dinheiro que daí já não vem obriga a esta cedência de efectivos. Mas uma coisa é perdê-los no início da época, outra é a meio, quando a máquina já carburava. O Benfica chegou à liderança do campeonato com a actual estrutura, mas agora tudo muda. Em suma, nunca uma vitória sobre o FC Porto provocou tantas incertezas. Sim, o Benfica é líder, mas... e agora?"

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Eterno

"No passado domingo acordei satisfeito. O Benfica fez (finalmente!) uma exibição agradável e conseguiu um resultado robusto frente ao Gil Vicente para a Taça de Portugal. Mas, pouco depois, sofri (sofremos todos) um grande choque. Faleceu o Eusébio! A sua saúde era débil, sabia-se. Já o víamos muitas vezes em cadeira de rodas - mas isso era devido à debilidade dos seus joelhos, tão massacrados ao longo das épocas em que nos maravilhou nos relvados. Mas não nos imaginávamos sem ele. Ainda na sexta-feira passada estivera com 'ele' no nosso Museu Cosme Damião - naquele maravilhoso espaço em que ele nos aparece como se estivesse ali a falar connosco.
Tive a sorte (e o enorme prazer) de ver Eusébio jogar ao longo das sua maravilhosa carreira no Benfica. Tínhamos uma grande equipa - José Águas, o grande capitão, o Mário Coluna, o José Augusto, o Simões (que linha avançada!), todos, desde o guarda-redes Costa Pereira ao infatigável Ângelo, passando por dois jogadores menos dotados mas que 'comiam a relva' (Mário João e Neto). Mas Eusébio era o Eusébio. Fomos campeões europeus sem ele, é certo. Mas, com ele, ficámos fortíssimos e, para além do título frente ao Real Madrid só não ganhámos mais por manifesta infelicidade... e por duas das finais terem sido jogadas no campo ou no país das equipas adversárias.
Eusébio era (é) inigualável, façam-se as estatísticas que se fizeram. E ainda agora dou por mim a recordá-lo sempre que tempos um livre a 30 ou 40 metros da baliza. Estou a vê-lo tomar balanço bem cá atrás, correr para a bola, chutá-la e ela ir direitinho para as malhas adversárias. E recordo grandes 'cavalgadas' dele rumo à baliza, golos em força, golos em habilidade, golos de toda a maneira.
Mas também o recordo, já retirado do futebol jogado, a representar o nosso Benfica um pouco por todo o Mundo, sempre respeitado, sempre admirado. Um grande embaixador.
Um grande embaixador que nem sempre foi bem tratado no Benfica. E não foi por acaso que, apesar de funcionário do Clube, surgiu a poucas horas da história votação que derrubou Vale e Azevedo a dar a cara pela candidatura de Manuel Vilarinho, no último jantar da campanha eleitoral. Até aí ele prestou um grande serviço ao Benfica.
Foi um domingo bem triste este. Que, no próximo, a nossa equipa possa homenagear Eusébio ganhando ao FC Porto. Como ele gostaria!..."

Arons de Carvalho, in O Benfica