Últimas indefectivações

sábado, 12 de janeiro de 2019

Clarissima...

Cadomblé do Vata

"1. Adversário vermelho e branco, relvado horrível e iluminação deficiente... só faltou o Milovac no centro da defesa para se celebrar hoje o regresso do Salgueiros à 1ª Liga.
2. Segundo golo nasce de um canto extremamente bem batido pelo Pizzi... o Pedro Henriques bem avisou que o relvado podia alterar a trajectória do esférico nas bolas paradas.
3. Massacre absoluto nos primeiros 15 minutos da segunda parte, que deixaram a goleada refém de facilitismo na finalização... eles chamam-se Santa e jogavam em Casa, mas nós é que tivemos a Misericórdia.
4. O que mais se ouviu no início da segunda parte, foram lagartos a dizer "ora porra, contra 10 é fácil"... depois levaram com uma trivela do Tomané na testa e calaram-se.
5. Gabriel fez uma excelente exibição e por isso vai estar indisponível para jogar em Guimarães na terça feira... vai ficar retido nos Açores durante uma semana, para ser sujeito a todos os testes de anti doping possíveis e imaginários."

Benfiquismo (MLXII)

Regresso da alegria...!!!

Vermelhão: Melhorias...

Santa Clara 0 - 2 Benfica


De facto, houve melhorias em São Miguel. A semana passada, na Luz, ganhámos ao Rio Ave, mas defensivamente, tínhamos deixado muitas interrogações em aberto. Hoje, é verdade que o Santa Clara não tem o potencial ofensivo do Rio Ave, é verdade que ficámos a jogar em superioridade numérica no final da primeira parte, mas as melhorias foram evidentes...

Mantivemos o 442, mas com o Pizzi na direita (como nos 'velhos' tempos!), com o Zivkovic na esquerda, e com o Gabriel ao lado do Fejsa. A entrada do Gabriel parece que foi a meu pedido, dentro do plantel é claramente o jogador que tem melhores características para ser o parceiro do Fejsa no meio-campo no 442: pois tem a capacidade de passe, tem o sentido posicional necessário e tem presença física... Se a atitude for positiva, nos jogos fora da Luz, e nos desafios de grau de dificuldade mais alta, será titular...
Fomos sempre a melhor equipa, o Odysseas não foi obrigado a muito trabalho, o resultado só não foi mais pesado, porque os avançados tiveram perdulários... Mesmo 11 contra 11, o jogo estava inclinado para o nosso lado... Após a expulsão do Fábio Cardoso, tudo ficou ainda mais fácil...

A primeira substituição (Zivko pelo Salvio) acabou por ser negativa. A equipa perdeu ligação e objectividade. É verdade que naquele momento já estávamos em modo gestão, mas o Salvio voltou a entrar mal na partida...

O lance capital foi mal avaliado: Capela marcou penalty e deu Amarelo ao Fábio (até aqui tudo bem!). O VAR chamou-o, ele foi ver a repetição, e fez 'merda'!!! As faltas por agarrão devem ser marcadas, no local onde acaba o agarrão, mesmo não sendo totalmente claro, parece-me que o agarrão terminou dentro da área... A avaliação do Capela até tinha sido correcta. Mas com o VAR mudou, para livre directo fora da área, e deu Vermelho ao Cardoso!!! Primeiro, como o VAR só deverá alterar a decisão de campo, se as as imagens forem irrefutáveis, algo que neste caso não aconteceu, errou... E o Vermelho, também foi mal mostrado, pois o Pizzi não estava isolado, deveria ter mantido o Amarelo!!! A questão da tripla-penalização, aqui não se coloca, pois a falta dentro ou fora da área, é para Amarelo!!!
Pura incompetência do Capela... acabou por cometer um erro grave para cada lado, na mesma jogada!!! Penalty por marcar a favor do Benfica; Vermelho mal mostrado ao Santa Clara!!!
A única má notícia da noite, acabou por ser o 5.º Amarelo do Rúben Dias, que assim vai faltar o jogo do Campeonato em Guimarães. Nos últimos minutos, houve oportunidade para 'expulsar' o Rúben, para ele não jogar a partida da Taça de Portugal, na Terça, em Guimarães, e jogar na Sexta para o Campeonato, e a 'decisão' foi não 'gerir' os Cartões. Concordo com a decisão, até porque se o Rúben fosse expulso, ficaria com 4 Amarelos e nas próximas jornadas seria novamente amarelado, e seria castigado... e com um Sporting-Benfica a chegar!!!

Uma nota final sobre o jogo, para a Liga: marcar um jogo do Benfica nos Açores, para as 18h de uma Sexta-feira, com somente uma semana de antecedência, quando se sabia que havia várias ligações tanto do Continente, como da América do Norte, à espera de uma data... além dos Benfiquistas das outras Ilhas Açorianas... é simplesmente ridículo!!! É demasiado mau para ser incompetência!!! Parece que a Liga não quer que o Benfica encha os Estádios, preferem bancadas vazias!!! Esta azia, anti-Benfiquista, é miserável...

O calendário não dá descanso, os próximos dois jogos em Guimarães, serão decisivos... O Bruno Lage, está a tomar excelentes decisões na preparação dos jogos (as substituições mais ou menos), está a ganhar 'espaço' e creio que são cada vez mais Benfiquistas a pedirem a sua continuação... Independentemente do grau de dificuldade do jogo de hoje, parece-me óbvio que a equipa está a jogar melhor: mais junta, mais colectiva, mais organizada, mais objectiva, com mais criatividade ofensiva... E tudo isto, com poucos treinos, e muita pressão em cima e sem o nosso melhor marcador/jogador...
E a tendência é para melhorar ainda mais...!!!

Bom jogo...

Azeméis 1 - 7 Benfica

O Azeméis tentou surpreender a jogar 5x4 desde de início, mas acabámos por marcar logo nos primeiros segundos!!!
O 1-2 ao intervalo não nos deixava descansados, mas acabámos por dilatar o marcador ao longo do 2.º tempo com confiança...

Hoje 'descansaram' o Fernandinho e o Tolrá.

Com a eliminação dos Lagartos, somos ainda mais favoritos... mas é preciso ter cuidado, amanhã vamos ter que defrontar o Modicus, que tem mais um dia de descanso e é claramente o adversário mais complicado que ainda está em prova...!!!

Nova página

"As exibições eram o maior problema do Benfica de Rui Vitória. No Benfica por vezes ganhar não chega. Jogar bem é muito importante.

O consulado de Rui Vitória é francamente positivo. Nenhum adepto com realismo pode considerar mau ter ganho seis troféus em pouco mais de três anos. Dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças em três épocas completas é um bom desempenho. O maior problema no Benfica orientado por Rui Vitória não era tanto a situação em que se encontrava desportivamente - luta directamente por quatro provas, três das quais sem qualquer desvantagem face à concorrência. As exibições e a expectativa gerada por essas exibições eram os maiores problemas. Depois um excelente jogo, vinham três jogos descoloridos, nos quais nem as vitórias por vezes disfarçavam o desconforto. Ganhar é sempre o mais importante para os adeptos, mas no Benfica isso por vezes não chega. Há largos sectores de adeptos onde ver o Benfica jogar bem é muito importante. Este ano jogámos bem a espaços (por exemplo contra o SC Braga) e depois desaparecia o Benfica de qualidade. Rui Vitória fez connosco uma travessia de sucesso e ficará na história do Benfica. Para quem duvidava da sua qualidade e reconhecimento é também uma vitória o contrato milionário que parece ter na Arábia Saudita. Quem serve com profissionalismo e dedicação o Benfica é reconhecido no mundo todo.
Virámos a página e Bruno Lage conseguiu uma vitória frente a um Rio Ave atrevido, que não deixou de evidenciar muitos dos problemas do Benfica desta temporada. Num jogo estratosférico de Seferovic e João Félix, não podemos deixar de reconhecer várias fragilidades no processo defensivo que permitiram primeiro ter o adversário a vencer 2-0 na Luz e, depois do 2-2, ter o mesmo adversário duas excelentes oportunidades para nos causar dano. Gostei de ver o Benfica em 4x4x2, mesmo sabendo os riscos que isso traz.
Nos Açores, temos de manter o melhor do Benfica do último fim de semana e começar a corrigir o que sabemos estar menos bem, até porque na terça-feira temos em Guimarães o jogo mais determinante da época até ao momento. Vencer o jogo da Taça de Portugal em Guimarães coloca o Benfica a 180 minutos do Jamor, perto de um troféu, e vai ser muito complicado o jogo de terça-feira. Bruno Lage tem a palavra, os benfiquistas apoiam e desejam êxitos rápidos e alegrias imediatas, no futebol o longo prazo é hoje."

Sílvio Cervan, in A Bola

Cadomblé do Vata (Utopias!!!)

"No seguimento da queixa do SL Benfica, devido à publicação dos emails privados do clube no Porto Canal, o FC Porto vai-se sentar no banco dos réus. Convenhamos que esta não é uma situação virgem para o clube nortenho, tal como não eram a fruta e os rebuçadinhos para dormir, que lhes custaram a visita mais mediática ao referido assento. Mais do que ser o regresso ao lado errado do tribunal cível, o que o SL Benfica vai proporcionar, é o reencontro entre velhos amigos. Pena o Henrique Mendes já ter falecido, pois seria o juiz indicado.
A história que deu origem a este epílogo, já toda a gente sabe: um super herói pro-bono do lado negro da internet, uma espécie de Batman do binário web, acedeu aos servidores do Benfica, vasculhou à vontade, retirou tudo o que quis e entregou ao FC Porto, para que estes, à luz da imensa gravidade do conteúdo, e conforme é habitual com pessoas que têm em mãos, irrefutáveis provas de crime, tornassem pública a correspondência electrónica, em vez de a entregarem à PJ.
Não sejamos ingénuos, estando o processo a decorrer no Tribunal do Porto, a condenação do clube sediado na mesma cidade é uma utopia. Por muito que o SLB se esforce por provar que os email sobre o Bernardo Silva só tem como interesse deixar os adeptos Gloriosos a chorar por já não o terem na sua equipa, que a reclamação da Magda foi retirada tão facilmente do contexto como as suas bolachas da gaveta e que a contratação do Nhaga é truncada e nunca foi trancada, a indemnização nunca vai chegar à Catedral.
Para quem anda há largos anos nisto, só vem curiosidade do processo pelo histórico de desculpas esfarrapadas saídas do Dragão, que resultam. O que todos os adeptos do futebol nacional anseiam é por saber quais são os sucessores das "visitas de aconselhamento matrimonial" ou da grave lesão bruno-costiana, que folgo em saber, já está ultrapassada. Ficando aqui o meu sucesso refém da criatividade andrade, aposto em 3 possíveis cenários: isto é tudo um problema do Porto Canal que não pertence ao FC Porto; quem paga o programa Universo Porto é o Turismo do Porto, pelo que é a eles que as responsabilidades devem ser assacadas; os emails estavam na posse do FC Porto há tanto tempo, que já lhes pertencem por usucapião."

Pode alguém ser quem não é?

"A pergunta está num dos estribilhos repetidos muito típicos das canções de Sérgio Godinho e ocorre-me vezes inúmeras a pretextos vários. A propósito de futebol e treinadores, lanço recorrentemente a pergunta em grupos de amigos: o que é que um treinador treina melhor? A resposta que busco ninguém a dá, de tão básica e absurda na aparência: é aquilo que sabe treinar. Mas é mesmo assim. Os argentinos ensinaram-nos há décadas que ambos podem ter sido campeões do mundo mas Menotti é uma coisa e Bilardo outra distinta, dividindo o mundo das ideias de jogo entre menottistas, falangistas do futebol-poema, e bilardistas, seguidores do que eufemisticamente chamamos pragmatismo. Não se peça a Guardiola que entregue a iniciativa de uma partida, não se reclame a Klopp que procure a pausa como regra, não se exija a Simeone que jogue no risco de uma defesa adiantada. E, todavia, todos são indiscutivelmente competentes. Pode alguém ser quem não é?
São muitas as circunstâncias em que se reclama de um treinador que promova a mudança, altere o sistema, troque jogadores, no limite “faça qualquer coisa”. Raramente se lhe coloca a pergunta anterior: será ele capaz de mudar? Conhecerá outro caminho e acreditará nele? O futebol pode ser apenas o exemplo mais fácil de tirar do bolso, porque recorrente desbloqueador de conversa, seja num elevador ou num táxi. Mas sugerir a um treinador que mude simplesmente não será muito diferente do que reclamar de um prosador que se torne poeta só porque lhe saiu mal o último romance, ou sugerir a um reputado ortopedista que quando farto de cirurgias longas e sangrentas passe a corrigir cataratas a laser.
A reflexão surge a pretexto da saída de Rui Vitória do Benfica, mas poderia ter ocorrido quando Peseiro deixou o Sporting, Mourinho o Manchester United ou Lopetegui o Real Madrid. O essencial da relação de um treinador com um clube estabelece-se no momento em que se celebra o contrato, como o bom negócio de uma habitação está, por regra, mais ligado ao momento da compra do que ao da venda. Mesmo quando um clube cede um treinador e recebe dinheiro por isso, o mérito fundamental está no momento em que optou por ele, antes que outros lhe percebessem todas as competências. Aristóteles dizia há uns dois mil e quinhentos anos que “o segredo do sucesso é saber algo que mais ninguém sabe”.
Pergunta seguinte: o que se pode saber de um treinador na hora de o contratar, se os currículos são públicos mas não falam, se há registos de resultados e trajectos mas não de convicções? Há anos que repito ser a escolha do treinador o momento mais determinante para aproximar do sucesso um clube ou uma SAD. Não duvido, por exemplo, que a opção por Sérgio Conceição foi decisiva para os dias felizes que vive o Futebol Clube do Porto. E foi muito mais que pelas competências técnicas, de pensar jogo e treino, do que pelas mais óbvias, de personalidade do técnico ou percurso anterior no clube. Acredito muito mais, sobretudo a prazo, na força de uma proposta de jogo do que em promessas de mentalidade ganhadora. A liderança só se percebe no contraste com a realidade. Quantos já lidámos com pessoas de liderança cantada e que vieram a revelar-se desilusões absolutas? Quando se contrata um treinador não há entrevista que lhe avalie definitivamente o carácter, já a proposta de jogo (e de treino, que a coisa não se desliga) pode ser esmiuçada como os sufrágios dos Gato Fedorento.
Resumidamente, pode jogar-se seguindo três grandes caminhos: assumindo o jogo com bola (bons exemplos são Manchester City, Chelsea ou Shakhtar), procurando um futebol ofensivo mais direto, mais vertical do que horizontal, feito de duelos e acelerações sucessivas (Liverpool na Europa, Porto à escala portuguesa), ou privilegiando a organização defensiva com aposta no contra-ataque (Atlético de Madrid ou várias selecções quando em competições de duração curta e risco grande). E, muito importante, pode sempre jogar-se bem ou mal dentro de cada um desses caminhos, por haver uma infinidade de formas para construir cada “jogar”, sempre operacionalizado (palavra da moda mas que só neste contexto faz sentido) a partir do treinar. No treino constrói-se o jogo, no jogo percebe-se o treino. Quem acreditar ainda que uma grande equipa se obtém como um pudim instantâneo, juntando bons jogadores a um treinador com capacidade para gerir emoções, de duas uma: ou vive ainda no futebol do século XX ou acredita que o Real Madrid pode ser replicado como um franchise barato.
A propósito, em Madrid questiona-se hoje a estratégia do presidente Florentino, que tem valido Champions em série mas que só rendeu dois títulos espanhóis nas últimas 10 Ligas — contra sete do rival Barcelona —, ao ponto de quase se desejar mais um sucesso interno do que um quarto exemplar seguido da orelhuda taça europeia. O Bayern de Munique, comprador de todos os talentos alemães e gordo de seis títulos seguidos na Bundesliga, vacila após a chegada da ideia sedutora de Lucien Favre a Dortmund. Do mesmo modo se percebeu depressa que o génio de Sarri estava a construir um novo Chelsea, mais competitivo e sedutor, como em Espanha Quique Setién impacta com um futebol de romance que coloca o Betis na rota europeia. Em Portugal há Luís Castro e um Vitória de Guimarães sem estrelas, mas de colectivo trabalhado com critério e à minúcia, como já se lhe vira em Vila do Conde e em Chaves. Com mais tempo, qualquer treinador terá mais condições de mostrar serviço, mas os melhores são os que mostram serviço em pouco tempo.
Não se pode dizer que Rui Vitória falhou no Benfica — que um bicampeão nunca falha definitivamente —, mas sai pela esquerda baixa porque verdadeiramente não foi capaz de construir uma ideia de jogo própria, convicta e eficaz. A equipa foi sempre um misto de herança táctica (de Jorge Jesus), talento individual e arte do treinador cessante na gestão do grupo. Deu para títulos nas primeiras épocas, mas percebeu-se cedo que o rendimento colectivo estava em plano inclinado, algo de que as sucessivas carreiras na Europa elucidam sem ambiguidade, mesmo se muitos demoraram a percebê-lo. Para uns quantos, aliás, ainda hoje parece linguagem exótica falar de fragilidade do processo de jogo, mesmo se traduz o mais básico e essencial: a competência colectiva sobre como actuar nos momentos de ataque e defesa (e que estão sempre ligados, que futebol não é andebol). Só em cima da organização táctica deve brilhar (e brilha mais) o talento, que a ela se acrescenta, não a precede. Ninguém percorre o caminho certo, por muito sentido de orientação que tenha, sem saber onde quer chegar. O destino pode ser rumo, mas também é fado. Sem rumo definido, é fado triste. 
Muitos reclamaram, sobretudo no último par de meses, que Rui Vitória mudasse, na ilusão de que fora a alteração de sistema — de 1-4-4-2 para 1-4-3-3 — na época anterior que lhe valera alguma recuperação de rendimento. Não foi, mas isso agora também não interessa muito. A questão é que não se pode pedir a alguém que faça o que não conhece, não acredita ou simplesmente não aprecia. Nunca o fará bem. Ninguém é quem não é!"

A escolha dos jogadores, os modelos de jogo, as dificuldades e as incidências do jogo: o clássico de Keizer e Conceição

"Escolha dos jogadores
Marcel Keizer estreia-se nos jogos “grandes” contra o FC Porto. E se temos vindo a desfazer algumas dúvidas relativamente ao que o treinador pretende dos jogadores, e à forma como reage às incidências do jogo, nos jogos grandes ainda não o vimos. Teremos que esperar para perceber se irá manter a estrutura no onze inicial ou se poderá ter uma abordagem mais cautelosa. Não apenas na escolha dos jogadores, mas na forma como vai tê-los posicionados em campo.
Nos jogos grandes, Sérgio Conceição tem variado a composição da equipa, na forma como coloca os jogadores em campo. Se houve jogos em que optou por manter o sistema habitual, noutros o 1-4-3-3 foi a escolha. Mesmo que por vezes tenha optado pelos dois avançados habituais no onze inicial, Marega ocupava o corredor do lado direito, e entrava mais um elemento para o meio-campo.
Tendo em conta o momento de maior confiança que o FC Porto vive, e o momento do Sporting, o treinador portista deverá optar pelos jogadores habituais, no sistema de jogo habitual, podendo dessa forma tirar maior proveito das fragilidades do Sporting.

Modelos de jogo
O Sporting tenta construir uma identidade onde os jogadores ataquem de forma diferente da que estamos acostumados a ver por cá. Quer utilizar os três corredores em todas as fases do jogo, e fugir dos passes habituais do lateral para o extremo ao longo da linha. Está a tentar impor uma forma de atacar que não é tão óbvia para os jogadores e tenta defender-se reagindo rápido à perda.
O FC Porto é mais conservador: não arrisca tanto em zonas mais próximas da própria baliza e no meio-campo defensivo raramente tenta ligar pelo corredor central. No meio-campo ofensivo, já procura variar mais do que no passado os movimentos de ruptura dos avançados com os de aproximação. E tem em Brahimi o elemento preponderante para ligar o jogo entre a construção e a criação, uma vez que Óliver Torres, como se previa, deixou de ser opção regular.
São duas equipas que, apesar de não se parecerem na forma como tentam atacar, fazem tudo rápido. O FC Porto mais do que o Sporting, por força das características dos jogadores e do que o treinador pede; o Sporting talvez por não ter ainda percebido que velocidade Keizer quer, e em que situações quer mais rápido ou mais lento.

Dificuldades
O Sporting tem experimentado dificuldades em impor o jogo que quer fazer porque os adversários têm-lhe fechado canais que estavam sempre abertos em momentos anteriores. Mas, não é por os adversários saberem o que os outros vão fazer que os conseguem parar. Ou melhor, é também por isso, mas a razão fundamental não é essa.
Veja-se o FC Porto, com o tempo que o treinador tem e com grande parte das dinâmicas a manterem-se, que consegue sempre de alguma forma romper e criar situações para marcar. Em organização, transição ou nas bolas paradas. Mas consegue colocar os avançados na cara do golo em quase todos os jogos, diversas vezes.
O problema do Sporting é que o treinador e os jogadores ainda estão a conhecer-se e a adaptar-se uns aos outros. Por isso, os timings e a percepção das situações não são os melhores. E há outro problema: a qualidade dos jogadores. Para expor tanto os laterais como Keizer quer, eles teriam que ser jogadores de um nível diferente. Isto é, que ajudassem a equipa a defender com bola. Não o sendo, não só colocam em causa as situações de ataque, que resultam em perdas quando a bola lhes chega aos pés, como depois não estão tão preparados para fechar o espaço e ajudar os jogadores mais recuados na transição defensiva.
É por aí que o FC Porto tentará atacar, explorando a velocidade dos seus avançados. Como não se importa de não ter a bola, vai ganhar espaço para que a melhor característica de Marega apareça e pode por aí destruir um Sporting à procura do encontro perfeito entre treinador e jogadores.
Porém, também o FC Porto poderá sofrer com a forma pouco convencional como o Sporting ataca, uma vez que a sua organização defensiva costuma permitir muitos espaços. Ainda que num jogo destes a concentração esteja no máximo, devem aparecer espaços entre os defesas e os médios e entre Danilo e o(s) outro(s) médio(s). O FC Porto não sofre tanto porque os adversários não têm tido capacidade para expor as suas dificuldades defensivas e também porque tem monstros do ponto de vista físico lá atrás.

Incidências do jogo
O Sporting deverá ser a equipa mais afectada caso o marcador esteja desfavorável, porque tem demonstrado em jogos passados não reagir nada bem quando fica em desvantagem. Como a identidade ainda está longe da solidez que se necessita para que a equipa esteja tranquila em momentos de aperto, o jogo cai drasticamente. Deixam de jogar o jogo que treinam e passam a jogar um jogo onde a única solução é colocar o mais rapidamente possível a bola na área. Mesmo Keizer deu um sinal nesse sentido contra o Tondela, quando tira Nani para colocar em campo André Pinto. Porém, em vantagem, o Sporting pode ganhar balanço para uma exibição de bom nível.
Já o FC Porto, tendo em conta o momento excepcional que vive, com as 18 vitórias consecutivas, com a confiança que respira, deverá manter-se igual a si próprio. À imagem do seu treinador. O tempo de trabalho e o sucesso anterior fazem com que esteja bem vincada a personalidade da equipa e o treinador sorri porque conseguiu convencer o seu grupo a segui-lo. Mesmo no treino, os jogadores exigem uns dos outros que sigam determinada linha e determinado padrão comportamental para que possam chegar todos, juntos, ao mesmo destino. Não apenas por ser essa a exigência do treinador, mas sobretudo por perceberem que é a melhor forma de tirar partido e de elevar as características da maior parte deles."

"Regime jurídico põe fim à estabilidade dos contratos de trabalho desportivo"

"A legislação portuguesa desprotegeu a estabilidade dos contratos de trabalho entre um praticante desportivo profissional e a sua entidade empregadora (os clubes ou as sociedades desportivas). De tal forma que, se os emblemas mais poderosos da Europa quiserem, podem convencer qualquer atleta, sobretudo os futebolistas, a rescindir sem justa e fazer as contas mais tarde.

Na primeira parte desta crónica, analisámos o problema da extinção da Comissão Arbitral Paritária (CAP), sendo que importa agora prosseguir com o "protesto" à controvérsia actual no domínio laboral desportivo, que, como se explicou, está marcada por um contexto legal muito duvidoso e controverso, que cremos seria de evitar.
Dispõe o art. 27.º, n.º 3 do novo Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo que "o vínculo desportivo tem natureza acessória em relação ao vínculo contratual e extingue-se com a comunicação prevista no presente artigo, podendo ser registado novo contrato, nos termos gerais". 
Explicitando, o jogador ao celebrar um contrato de trabalho desportivo fica obrigado a cumpri-lo, pelo prazo estipulado. Todavia, caso pretenda extinguir o contrato antes do termo, o legislador entende que, desde que cumpra a comunicação à federação desportiva que registou o contrato, o mesmo poderá registar um novo contrato de trabalho desportivo a favor de um outro clube.
O praticante desportivo gozará, assim, de total liberdade de trabalho, sem prejuízo de a demissão vir a ser considerada irregular ou ilícita e ter que responder e indemnizar a anterior entidade empregadora. Sendo que a responsabilidade indemnizatória se poderá estender ao terceiro que o venha a contratar. 
Ora, até à entrada deste novo regime jurídico, a desvinculação desportiva só ocorreria existindo justa causa para a rescisão contratual, que seria apreciada pela Comissão Arbitral Paritária da LPFP e do SJPF no caso do futebol profissional.
Com todo o respeito, por opinião contrária, sendo a liberdade de trabalho indubitavelmente um valor fundamental, parece-nos que este artigo olvida que o contrato de trabalho desportivo é um contrato especial que foi configurado como um contrato com um termo estabilizador. Ora, esta nova disposição põe fim à estabilidade dos contratos de trabalho desportivos, que não visa a salvaguarda da protecção dos interesses dos praticantes, mas sim a protecção do fenómeno desportivo e competição profissional.
Parece-nos uma disposição muito perigosa, que tem sido pouco discutida, mas que poderá ter como consequência a perda de valor de transacção entre clubes dos contratos de trabalho desportivos. Que poderá levar à perda do valor comercial dos próprios clubes e, consequentemente, das suas competições. Poderá originar um aumento substancial de litigiosidade e conflitualidade entre clubes. Acarreta o perigo de surgimento de novos agentes desportivos que irão aliciar os jogadores, convencendo-os que não precisam de honrar o compromisso assumido e incentivando-os a promover a rescisão do contrato.
Finalmente, certamente que existirá um incremento das debilidades económicas dos clubes nacionais, face aos poderosos clubes estrangeiros que, conhecendo esta disposição e tendo poderio económico, poderão aliciar os melhores activos dos clubes portugueses a rescindir os contratos sem justa causa, assumindo o ressarcimento da entidade empregadora lesada com tal ruptura antecipada do contrato de trabalho. O poder financeiro dos grandes clubes aumentará o fosso entre ricos e pobres.
Com este novo paradigma, a desvinculação desportiva passa a ser imotivada, o que pode perigar o próprio fenómeno desportivo profissional, onde os clubes economicamente mais poderosos podem ir buscar os melhores praticantes desportivos, criando um desequilíbrio competitivo. Este desequilíbrio já é patente, não devendo ser incentivado com disposições como a do art.º 27.º, n.º 3.
Por outro lado, temos assistido passivamente a situações de fraude do sistema do Fair Play Financeiro da UEFA, que não devem ser acobertadas e devem ser frontalmente combatidas.
Deveríamos tomar por exemplo o que se passa nos EUA, para quem o espectáculo desportivo só tem a ganhar com medidas que asseguram um maior equilíbrio entre equipas. Existe assim, a imposição de tectos ou limites salariais e o "player draft system", que se trata de um processo de seleção de novos jogadores para as principais ligas - MLB (Major League Baseball), NBA (National Basketball Association), NFL (National Footeball League) e NHL (National Hockey League) -, estando os clubes, na hierarquia de posição na escolha de jogadores, posicionados inversamente à ordem de classificação obtida na época anterior.
Pelo que, o clube classificado em último lugar, na respectiva liga, tem o direito, no "draft", à primeira escolha do jogador que pretende para a sua equipa. O "draft" garante que nenhuma equipa possa inscrever todos os melhores jogadores, espalhando o melhor talento e mantendo a liga competitiva. Tal levou a que, nos últimos 15 anos, tenham existido onze vencedores diferentes da Super Bowl (futebol americano). Já para não falar na aposta na formação e que desenvolve muitos talentos locais. Nos EUA, os clubes patrocinam ou desenvolvem parcerias com universidades para concorrer com as academias de formação, por forma a descobrir os jogadores com melhores aptidões.
Gostaria muito que se fizesse uma profunda reflexão acerca do modelo de competições que queremos ter, começando-se pela discussão da inovação trazida por este artigo 27.º, n.º 3 do Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo."

Acordei aos 66 anos numa realidade desportiva diferente da actual

"Acordei aos 66 anos numa realidade desportiva diferente da actual. O Desportista e o seu valor eram reconhecidos no país pelo mérito desportivo. Esse valor, construído e cultivado pelo sistema desportivo nacional, resultaria de uma fábrica de competência e seria “utilizado” orgulhosamente pelo país como estandarte social e sectorial, paralelamente a outras áreas, como a literatura ou a música.
Nessa realidade eram claras e transparentes as modalidades e os formatos em que os desportistas das mais diversas realidades sociais se poderiam inscrever, e sobretudo cuidar essa oferta para os jovens e para os mais idosos. Com regras claras, patrocinadas pelo Governo como principal interessado em servir a sociedade portuguesa de uma forma mais consciente e eficiente.
Os Media sabiam sobre Desporto e Cultura Desportiva, e competiam pela visibilidade dos seus canais pela técnica, com competência, e pelo conhecimento gerado a partir da especialidade das modalidades que acompanhavam, e não pela criminalidade e pela investigação policial.
O Desportista conseguia ver um caminho, ver que percurso seguir, perceber que fazia todo o sentido continuar a praticar desporto, o seu desporto, independentemente de ter conseguido ser campeão do mundo, ou somente utilizado o desporto como fonte de vida e de bem estar. Conhecíamos o valor do desporto na sociedade portuguesa e o seu contributo para a actividade económica do país.
Nessa realidade, 60% da população portuguesa praticava desporto, tinha duplicado o número de entidades gestoras e/ou produtoras de actividade desportiva, sabíamos exactamente os números de atletas olímpicos, paralímpicos, federados, não federados, masculinos e femininos, em qualquer prática desportiva, mais social ou mais competitiva, conhecíamos a actividade económica gerada pelo suporte às actividades desportivas, à recuperação de lesões, ao investimento da sociedade em Desporto.
Conhecendo a importância do desporto na actividade económica do país era fácil negociar com o Ministério das Finanças, Autoridade Tributária ou a Inspecção Geral de Finanças, porque todos conheciam as regras do jogo e o peso do desporto na Economia, poderíamos deixar de jogar ao jogo do gato e do rato e concentrarmo-nos naquilo que cada "entidade" desportiva sabe fazer: o atleta é competir, o treinador é treinar, o árbitro é regular o jogo e os organizadores é realizarem eventos. 
Voltei à nossa realidade, em que faltam cultura e ética desportivas à sociedade portuguesa e volto a encontrar:
* 69% da população portuguesa não pratica desporto
* Portugal começou a ser identificado no mundo contemporâneo apenas com Cristiano Ronaldo
* Em Portugal existem cerca de 25 mil entidades que "produzem” desporto
* Portugal não sabe quantos praticantes desportivos tem (estimam-se cerca de 700.000 federados e 2,100,000 praticantes desportivos não federados)
* No triénio 2010-2012 (números não actualizados pelo INE desde então, e claramente sub-avaliados) a actividade desportiva do país contribuiu em média com 1,2% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) e 1,4% do Emprego criado
* Os números do Turismo nacional englobam o turismo Desportivo, sem que o Desporto reivindique essa enorme fatia do seu peso na Economia.
Voltei a acordar aos 42, mas continuarei a lutar para que aos meus 66 anos seja muito melhor praticar desporto do que aquilo que é hoje."

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A reconquista chega aos Açores

"A forma lapidar como, no dia da sua estreia, Bruno Lage definiu o principal objectivo para este momento da temporada do Benfica foi um tiro em cheio: “Reconquistar os adeptos!”
Não Reconquistar a sua paixão pelo clube ou o seu benfiquismo. Esses são valores inalteráveis, que nem a maior das tempestades poderá abalar. É a história que o diz.
O amor pelo Benfica – em forma de devoção, disponibilidade e compromisso – nunca esteve em causa. Nem mesmo nas horas mais difíceis. A Reconquista, neste caso, tinha outro alcance.
Foi dado um primeiro passo com a categórica vitória frente ao Rio Ave, mas há ainda muito caminho a percorrer. A começar já hoje, ao final da tarde, pelo importante jogo nos Açores – onde nos últimos dias se pôde ver nova demonstração da força única do Benfica e da capacidade de mobilização dos seus adeptos.
É aqui que vale a pena lembrar Clarice Lispector: “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe.”

PS: O FC Porto irá sentar-se no banco dos réus na sequência do processo cível movido pelo Benfica pela divulgação criminosa da sua correspondência privada no Porto Canal. Em sede própria, o Sport Lisboa e Benfica e o Sport Lisboa e Benfica, SAD reclamam uma indemnização de 17.784.579,56 euros. Segue-se o julgamento e importa recordar que a este processo cível juntam-se outros processos interpostos contra o FCP no âmbito criminal. A hora é da justiça!"

... milagre da multiplicação dos insolventes?! Será?!!!

"Venha então uma audiência de julgamento conduzida de modo imparcial, com gravação de prova, aberta aos interessados e com uma cobertura mediática objectiva e factual. Que seja feita Justiça por uma magistratura digna do nome. Que estes pedidos não sejam encarados como uma descida ao "Inferno da Luz". Trata-se de aplicar a lei fora das artimanhas de certas tramitações do processo penal. No final se verá se houve actos ilícitos e culposos, se houve dano, quem foi lesado e quem o lesou. O que desejo, porque desejar é legítimo, é que se prove tudo o que foi considerado indiciariamente provado pelo Tribunal da Relação do Porto, no processo cautelar a que corresponde esta acção principal, e que as "caras de pau" das terças feiras fiquem brancas como a cal. Não tenham muitas ilusões, meus amigos… Seria imensa a coragem de uma decisão em 1.ª instância que condenasse os réus em valores próximos do pedido. Isso significaria que seriam executados por tal valor, ou teriam de prestar caução, nesse montante, até trânsito em julgado. Seria o milagre da multiplicação dos insolventes."

FC Porto no banco dos réus

"Tribunal do Juízo Central Cível do Porto decidiu que o caso da divulgação dos emails vai para julgamento.

O Tribunal do Juízo Central Cível do Porto deliberou nesta sexta-feira, após audiência preliminar, que o processo sobre a divulgação dos emails movido pelo Benfica ao FC Porto segue para julgamento. 
Em causa está uma queixa interposta pelo Sport Lisboa e Benfica ao FC Porto após a divulgação de emails (correspondência privada) no Porto Canal. No âmbito deste processo, o Clube reclama uma indemnização superior a 17,7 milhões de euros (€17.784.579,56)."

Benfiquismo (MLXI)

Saint-Étienne, 1957

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Dívida bancária da FC Porto SAD II

"No último artigo começámos a dissecar uma situação que é digna de uma investigação. Se a denúncia entrar no Ministério Público, face à natureza da mesma, temos que a investigação será remetida para a Direcção Distrital de Finanças do Porto, e não para a Polícia Judiciária.
Mas se essa denúncia for feita bem feita, pode ser remetida pelo Ministério Pública para a Polícia Judiciária, que enviará a parte inerente à determinação de uma eventual avaliação fiscal, na mesma, para a Direcção Distrital de Finanças do Porto.
O factoring não é mais do que um adiantamento feito por uma entidade financeira por conta da emissão de facturas a receber.
Imaginemos que temos uma empresa pequenina, a qual uma factura ao seu único cliente. Esse cliente costuma pagar tarde e a más horas, e nós, se precisamos do dinheiro, vamos ali ao banco da esquina, propormos um factoring, e o banco paga-nos o dinheiro da factura, descontando o preço que o mesmo banco cobra para fazer isso.
(...) do factoring do FC Porto SAD em 30/6/2018.
A operação com uma sociedade denominada Sagasta corresponde ao valor de 100 milhões de euros que foram adiantados e que serão pagos pela FC Porto SAD a Sagasta nas datas em que deveria receber o dinheiro da Altice, de Dezembro de 2018 a Setembro de 2019 e de Maio de 2020 a Junho de 2023.
Ora, conforme já havíamos concluído no último artigo, como é que uma sociedade constituída em 2016, que tem um capital social de 250 000,00€ faz factoring de 100 milhões de euros?
A sociedade foi constituída em 2016 e tem esta história.
A Incus Capital Advisors, fundo ibérico com se de em Madrid que gere activos no valor de 500 milhões de euros, adquiriu em Junho de 2016 uma carteira de crédito hipotecário em Portugal, à GE Capital.
O negócio foi celebrado por pouco mais de 50 milhões de euros.
Para o efeito, a Incus Capital abriu em Portugal uma sociedade de titularização de créditos, a Sagasta STC, SA.
Não vamos identificar quem fez a ponte em 2018 entre o fundo sediado em Madrid e a FC Porto SAD, deixando à curiosidade de cada um descobrir.
(...) mostrarmos a demonstração de resultados por natureza dessa sociedade.
Para o que interessa, releva a seguinte:
- 4 milhões de custos financeiros;
- Prejuízo contabilístico no valor de 43 mil euros;
E o seu balanço em 2017 evidenciava o seguinte capital próprio, (...).
Ou seja, o valor do capital próprio no final de 2017 era de 222 964,14€, inferior ao seu capital social, que era de 250 mil euros.
Mas o indicador mais evidente era o endividamento bancário e similar, que se cifrava nos 34 milhões de euros, sendo que tinha custos diferidos para exercícios futuros na ordem dos 4 milhões de euros.
E foi com esta empresa, com estes indicadores, que a FC Porto SAD foi negociar um factoring de 100 milhões de euros.
É indiscutível que é uma empresa fortemente alavancada. O que é isto quer dizer? Que concede empréstimos através da contratação de empréstimos, algo que ouvimos falar muito quando foi a crise de 2007/2008.
Era antes disto que o senhor Miguel Sousa Tavares devia falar, e não lançar fogo, afirmando que uma empresa que tem 200 milhões de passivo nunca poderia contratar o treinador José Mourinho. Mas sabe porque podia? Porque tem de activo 400 milhões e porque nunca iria contrair um empréstimos bancário para pagar a José Mourinho, o que não é de todo aplicável ao caso que expusemos quanto ao seu clube."

Pragal Colaço, in O Benfica

Dívida bancária da FC Porto SAD

"Em primeiro lugar, já estamos em 2019, e a verdade é que os anos passam a correr a uma velocidade vertiginosa que desafia todas as leis do universo, se é que as leis do universo existem e se é que as mesmas, afinal, são mutáveis! Seja como for, mandam as boas regras que se deseje a todos, sem excepção, um excelente ano de 2019.
Algo que tem sempre suscitado dúvidas no espírito do signatário deste artigo é: afinal, onde se consubstancia o aumento brutal da dívida bancária que a FC Porto SAD teve, do exercício de 2016/17, ara 2017/18?
É tempo de pararmos um pouco e perdermos tempo a fazer essa análise.
(...) respeita ao detalhe de empréstimos bancários e empréstimos obrigacionistas, existentes em 30/6/2017.
Já no que respeita à dívida bancária e obrigacionista existente em 30/6/2018, (...).
Não é necessário estarmos a explicar a diferença entre o valor pelo qual a dívida se encontra registada ser o do custo amortizado, ou o do valor nominal, pois a diferença no caso concreto não é grande, e tal explicação transportar-nos-ia para questões muitos complexas. Vamos trabalhar com a coluna dos calores nominais, ou seja, o título diz que são 1000 euros, são 1000 euros.
Em primeiro lugar, a dívida obrigacionista diminuiu de 80 para 70 milhões, ou seja, diminuiu 10 milhões.
Em segundo lugar, a dívida bancária a título de empréstimos bancários aumentou de 34 para 35 milhões, ou seja, 1 milhão.
Em terceiro lugar, a dívida bancária a título de papel comercial aumentou de 17,5 milhões para 25 milhões, ou seja, 7,5 milhões.
Em quarto lugar, o factoring aumentou de 64 milhões para 152 milhões, ou seja, 88 milhões.
Em 2018 também temos que existiu um aumento de 0 para 490 mil euros de leasing. Ora, tudo isto em termos globais e agregados significou um aumento aproximado de 87 milhões de dívidas bancárias e obrigacionistas. O factoring não é mais do que um adiantamento feito por uma entidade financeira por conta da emissão de facturas a receber.
Imaginemos que temos uma empresa pequenina, a qual fez uma factura ao seu único cliente. Esse cliente costuma pagar tarde e a más horas, e nós, se precisamos do dinheiro, vamos ali ao banco da esquina, propomos um factoring, e o banco paga-nos o dinheiro da factura, descontando o preço que o mesmo banco cobra para fazer isso.
Mas afinal a que se deve este abrupto, para não dizer colossal, aumento de valor de factoring? (...)
Temos que 111 milhões de euros correspondem a facturação já emitida à Altice, de jogos de épocas futuras.
Ora, o contrato com a Altice começou a vigorar apenas a partir de 1 de Julho de 2018, e antes disso já estavam facturados 111 milhões, acrescidos das despesas que o Star Fund e a Sagasta cobraram por estes adiantamentos.
Mas afinal de contas que é esta Sagasta? É uma sociedade criada em 2016, com um capital social de 50 000,00€, (...)
Posteriormente, aumentou o capital social para 250 mil euros, (...)
Como é que uma sociedade constituída em 2016, que tem um capital social de 250 000,00€, faz factoring de 115 milhões de euros é o que saberemos no próximo artigo."

Pragal Colaço, in O Benfica

O destino tem destas coisas...

"Colocado um ponto final no capítulo «Benfica», eis que o destino ditou que Rui Vitória rumasse à Arábia Saudita, para orientar o Al-Nassr cujo grande rival é, nem mais nem menos, o Al Hilal treinado por… Jorge Jesus.
O ano de 2019 marca assim o reencontro entre os dois treinadores portugueses que durante três épocas travaram uma autêntica guerra de palavras. enquanto Jesus treinou o Sporting e Vitória o Benfica. Os dois vão voltar a lutar por um título nacional, mas desta vez fora de portas.
Jorge Jesus leva vantagem sobre o seu compatriota já que tem seis meses de avanço.
Está ambientado ao país, ao facto de treinar sempre com um tradutor a transmitir as suas ideias aos jogadores, e está igualmente por dentro do ambiente que se vive em torno do futebol na Arábia Saudita.
É certo que a linguagem do futebol é universal, mas o primeiro grande obstáculo de Rui Vitória será certamente o mesmo que Jesus teve quando chegou a Riade: a língua.
Para o ex-técnico do Benfica esse será mais um desafio a juntar ao que a direcção do Al-Nassr lhe propôs, ou seja, conquistar um título nacional, feito que escapa ao clube há três épocas.
Dizia-me um amigo há dias que iria «ser giro» ver Jesus e Vitória novamente frente a frente, e afinal sempre vamos ver.
É sabido que o treinador do Al Hilal vive os grandes momentos sempre com as emoções à flor da pele, enquanto o novo técnico do Al-Nassr revela-se sempre mais comedido e racional.
São, acima de tudo, duas formas bem diferentes de estar no futebol. Mas se na memória recente estão ainda bem frescas as imagens da troca de palavras acesa entre Jorge Jesus e Pedro Emanuel, treinador do Al Taawon, actual quarto classificado da Liga saudita, após o empate a dois golos com o Al Hilal, podemos então esperar uma relação ainda mais emotiva em tempos bem próximos…
Depois dos quase três anos em que em Portugal mantiveram uma relação muito particular, Jorge Jesus e Rui Vitória vão certamente reeditar alguns desses momentos quentes, agora nas arábias… 
Afinal, vão treinar os dois grandes candidatos ao título, num país onde o futebol até tem tradição e mostra cada vez mais meios e vontade para se desenvolver…
Depois da exportação de craques do relvado, Portugal especializa-se em «internacionalizar» craques do banco. Não seria, por isso, de admirar que pelo menos os jogos entre o Al Hilal e Al-Nassr passassem a ser transmitidos num qualquer canal português.
Eu, no que me toca, vou ficar à espera para assistir na TV aos duelos entre Jorge Jesus e Rui Vitória ou, quem sabe, propor uma reportagem das arábias, a fim de ver «ao vivo» o reencontro dos dois treinadores, que está marcado para o final de Março…"

O sucesso da BTV

"Um livro aberto, escrito e corrigido diariamente. Assim é a Televisão que emite 24 horas por dia. Não pára de evoluir, não suspende o acompanhamento da realidade, da evolução global e particular. Não existem televisões perfeitas, todavia há canais de televisão que marcam a actualidade e a história. Distinguem-se dos demais.
A Benfica TV – o primeiro canal de clube português, o primeiro à escala mundial a transmitir os jogos da sua equipa em exclusivo, o primeiro premium desportivo a constituir-se enquanto concorrente da Sport TV – vence pelo terceiro ano consecutivo o Prémio Cinco Estrelas, na categoria “TV – Canais Desportivos”.
É uma vitória consumada graças a um total de 8,20 (numa escala de 1 a 10), resultante da preferências dos consumidores portugueses. Independentemente da qualidade dos restantes nomeados, a BTV foi a escolhida. Destacou-se pela qualidade geral da informação e pela credibilidade, mas também pela forma diferenciadora como informa quem a vê.
Para que se conheçam melhor os critérios utilizados na avaliação, são cinco os pontos de que resulta a nota final:
• Notoriedade Espontânea
• Satisfação
• Confiança
• Inovação
• Actualidade (sendo esta a característica identificada pelos consumidores como a mais relevante na categoria TV – Canais Desportivos)
Obrigado. É oportuno agradecer aos sócios e adeptos do Sport Lisboa e Benfica, a todos os que se interessam pelo futebol e pelas modalidades. E não esquecemos os nossos adversários e detractores que nos perseguem e criticam provando ao mundo que são espectadores regulares da BTV.
Não somos os melhores nem podemos agradar a todos, mas existimos há 10 anos, superámos com 2 canais os 320 mil assinantes e somos – digam o que disserem – uma referência na cobertura de eventos desportivos, do futebol às modalidades de menor projecção, e contribuímos definitivamente para a promoção do desporto nacional. Todo ele, para todos."

Benfiquismo (MLX)

Capitão...

Lanças... Entradas 'velhas'!!!

Regresso vitorioso...

Leixões 1 - 3 Benfica
34-32, 13-25, 14-25, 17-25

Regresso após as férias de Natal, com uma vitória, num jogo que começou com um 1.º Set 'estranho', mas que depois 'normalizou'!!!

Até os Iranianos...!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Estórias da Pérsia !!!

"O blogue mercado de Benfica emigrou para o Irão. Seguiu os passos de Carlos Queiroz, ou de Toni, se quiserem referência mais querida. A partir da sua nova casa dedica-se ao estudo e desenvolvimento de temas relevantes para a sociedade iraniana, como o depoimento do árbitro Tiago Antunes no TAD, o azarado disciplinador de Brahimi. Também vai abrindo o apetite da crítica iraniana com a divulgação dos emails de Miguel Moreira, outro quadro do Benfica em vias de alcançar o estrelato na nova Pérsia. Para atirar areia aos olhos dos não iranianos, oferecem uns articulados de temas que interessam, sobretudo, à OCDE e... à PJ! Parecem guias!
Curiosa utilidade a deste blogue, que até pode vir a cair nas boas graças de uns dedicados investigadores e curiosos da criminologia. O enredo é cada vez mais cinematográfico: "O hacker de Teerão". Se dão uma no cravo e outra na ferradura, só o Estado de Direito o dirá.
O que eu não vejo é nada do FC Porto, carago! Descarregam, descarregam, descarregam, mas do FC Porto, nadinha! Até parece que não há lá nada que um iraniano não gostasse de ver. Se calhar, além de uns ventres tarimbados encontravam um centro de formação em rendimento desportivo, que levaria a Federação Iraniana a por as mãos na taça Jules Rimet. Com a facilidade com que o Porto agarra as ligas de Portugal.
Portanto, do Irão espera-se muito e não é petróleo. Nem regulação para blogues que divulgam o produto de crimes informáticos consumados contra o Benfica. Já nem se pode adivinhar o que por aí vem, mas preparemo-nos para o pior. Agora até já avisam!"

Sou do Tondela desde pequenino

" “A 7 de Janeiro de 2019, o Clube Desportivo de Tondela (CDT) bateu em casa o Sporting Clube de Portugal na 16 ª jornada da 1ª Liga de futebol sénior.” Se há 25 anos algum tondelense lesse esta notícia, seguramente teria uma de duas reacções: rir, pelo disparate, ou ignorar, pelo disparate. Sei do que falo porque era tondelense há 25 anos – daqueles tondelenses verdadeiros que vivem mesmo em Tondela; hoje ainda mais verdadeiro por sentir-lhe genuína falta.

Estou convicto de que vou acabar este texto a advogar a grandeza da minha terra, a grandeza do clube da minha terra, a grandeza do meu clube da minha terra. Mas não há maiores feitos do que aqueles que, por contraste, foram conseguidos pelos mais pequenos. É nesse sentido que terei de louvar a grandeza de Tondela a partir da sua pequenez, que passo a provar. Para isto nem preciso dos argumentos da densidade populacional ou da área geográfica: é a terceira vez que escrevo “tondelense” nesta página do Microsoft Word e, pela terceira vez, a palavra é sublinhada com um risco vermelho, como se de um erro se tratasse. A fundação de Tondela completou 500 anos há pouco tempo e os seus habitantes continuam a caminhar sobre um risco vermelho de erro - se isto não é atestado de pequenez, eu não sei nada.
Retomo a ideia inicial. Caso em 1994 tivéssemos organizado uma cápsula do tempo onde as pessoas de Tondela escrevessem as suas previsões para o futuro, duvido que 25 anos depois estivéssemos a ler alguma coisa que relacionasse o clube da cidade com a 1.ª divisão. “Carros voadores”? Seguramente! “Homem em Marte”? É possível! mas duvido que “CDT no escalão máximo do futebol nacional” passasse pelos vaticínios de alguém. E “CDT a ganhar a todos os 3 Grandes”, então, daria ordem de internamento no Hospital Psiquiátrico de Abraveses.
Isto não é índice de falta de ambição, nem muito menos de desinteresse futebolístico. Prova que, se calhar, na minha terra as pessoas têm noção da sua pequenez intrínseca, mas trabalham com o afinco de quem não se limita às suas condições e noções. A isto chama-se humildade. Dessa forma, quando ouvirmos o Ricardo Costa, ou o Tomané, ou o Cláudio Ramos, ou qualquer outro jogador tondelense afirmar nas conferências de imprensa que “É preciso encarar jogo a jogo com humildade”, saberemos que há uma cidade pequena a dar esse exemplo. E não é desde 1994, nem 1933 (ano da fundação do CDT), é de 1515. São 500 anos de gente humilde, pequena a operar grandes feitos.
A frase que intitula a esta crónica é, no meu caso, uma verdade literal. Mas é também uma mentirinha espirituosa que recentemente e não poucas vezes tenho ouvido. Ontem, ainda antes do Tondela receber o Sporting, aposto que muitos benfiquistas e portistas afirmaram ser “do Tondela desde pequeninos”. Fazendo fé que o clube beirão se vai manter por longos anos na 1ª liga, conto ouvir a mesma piada sempre que o CDT enfrentar um dos Grandes. Talvez apenas um punhado de viseenses (incapazes de digerir o sucesso doutro clube da região que não o do seu Académico de Viseu) continuará a furtar-se de ser do Tondela desde pequenino.
Embora ache muita graça à simpatia com que os meus amigos simulam apoio ao CDT, não ignoro que o fazem apenas em antagonismo para com o adversário. É por isso que também eu nos últimos 4 anos (desde que os auriverdes ascenderam à 1ª Liga) tenho traçado objectivos para a época, e que não são só esses hercúleos da manutenção, ou das competições europeias. Desportivamente desejo que ninguém seja de Tondela desde pequenino, mas que todos queiram ser pequeninos como o Tondela. Falar da grandeza de um clube é passatempo subjectivo e gasto, mas o meu foco aqui será (e volto a carregar nesta tecla) celebrar a pequenez, sobretudo essa que se bate por grandes feitos. O Benfica tem a mística, os sportinguistas sabem porque não ficam em casa, o Porto é uma nação. Há sempre características exclusivas que cada adepto sente sem saber necessariamente explicar, e é isso que pretendo revelar também no meu Tondela - mas desejo “saber necessariamente explicar”, debruçar-me no indizível e partilhar o intransmissível.
Os meus votos para 2019 são que, de uma vez por todas e aos olhos de todos, o Tondela deixe de ser um MacGuffin. Para quem desconhece de que se trata um MacGuffin, asseguro-vos antes de mais que o Clube Desportivo de Tondela não pode sê-lo. Explicando em traços largos, no cinema chama-se MacGuffin a um elemento (normalmente um objecto) que motiva as acções dos personagens, mas que não tem assim tanta importância ou relevo para a fruição do filme. Serve para pôr a história a andar, mas é um elemento sem personalidade.
Ora, o Tondela não pode ser nada disso, não pode ser apenas o clube dos trocadilhos “ao tom dela” para picardias em redes sociais. Não pode ser apenas o clube da “pequena cidade longínqua” das peças jornalísticas que querem o recôndito e não o âmago. Não pode ser apenas esse embaixador futebolístico da Beira Alta, instrumentalizando no desporto uma ideia despersonalizada de regionalização. E não pode, não pode mesmo, ser apenas o clube do qual somos desde pequenos, esse descartável MacGuffin que se limita a explicitar sentimentos para com os rivais. É com esta certeza que escrevo sobre o Tondela, e que provavelmente voltarei a escrever. Concedam-me a oportunidade de serem convencidos.
(...)"

(...) leia esta reflexão sobre o futebol português apenas quando se sentir emocionalmente disponível

"Ano novo e, sim... vida nova! Certo?
Prepare-se. Segue-se reflexão romântica e apelo idealista. Se está em modo "pragmático", faça-me um favor: não leia este artigo agora.
Guarde-o. Passe os olhos mais tarde, quando se sentir emocionalmente disponível. Já vai perceber porquê.
Dizem que as palavras são instrumentos poderosos, em determinado contexto e a dado momento. Confesso, concordo em absoluto.
Um dos parágrafos do prefácio que Ricardo Araújo Pereira escreveu num dos livros da Sandra Duarte Tavares dizia quase tudo:
"Faço com palavras tudo o que é importante. Por exemplo, se quero que uma pessoa saiba que gosto dela, recorro mais depressa a palavras do que, digamos, a beijos”.
As minhas palavras de hoje são, essencialmente, de vontade. Vontade em ver o futebol manter muitas coisas boas e vontade em vê-lo mudar muitas outras, menos positivas.
Comecemos pelo princípio.
Sou um homem que vive e respira desporto, dos pés à cabeça. Comecei a carreira na arbitragem em 1991 (sou menos jovem do que o jovem que sinto ser), mas antes disso já dava uns pontapés na bola, convencido que tinha pinta para a coisa.
Obviamente... não tinha. Por isso, desisti do sonho de jogar, mas não do sonho de continuar ligado a esse mundo. E assim foi, assim é, até aos dias de hoje. Até 2019.
O arranque do novo ano fez soar, de novo, o velho alarme psicológico que todos tememos: o de sentirmos que o tempo começa a escassear.
A cada momento que passa, encurta. Foge. Escapa pelos dedos.
Falta menos para criarmos mais. Para tentarmos o impossível. Para deixarmos obra feita.
E essa verdade, inevitável e bem maior do que nós, ganha outra força quando o calendário vira. Quando um ano morre para que outro nasça.
Isso devia ser suficiente a levar-nos a uma reflexão maior. Devia inspirar-nos.
Afinal de contas, o que é que andamos cá a fazer? Que legado queremos deixar para os nossos filhos? E como queremos ser recordados pelos outros?
Para quem está no mundo do futebol, essa pergunta faz sentido redobrado. Triplicado até. É que a indústria cresceu tanto, mas tanto que hoje é um monstro de dimensão incalculável.
Só em Portugal existem cerca de duzentos mil praticantes federados. Significa isso que, para além de tantos outros (amadores), há milhares e milhares de pessoas ligadas a este universo. E há muitas mais que trabalham e subsistem nele. Através dele. Por via dele.
É colossal! Um mundo dentro do mundo. Um mundo que afecta tanta gente e tantos sectores de actividade.
Um mundo anormalmente portentoso.
Quem hoje tem responsabilidade directa nesta actividade deve questionar-se sobre o seguinte: como é que se consegue converter tanta força em algo ainda mais robusto, bonito e transparente?
A resposta exige que se tenha noção clara da realidade actual e dos desafios que esta apresenta. Três exemplos:
1.Temos uma estrutura nacional que é tida (com inteira justiça) com uma das grandes referências mundiais em matéria de profissionalismo e competência. Produzimos resultados individuais invejáveis (muitos), que reflectem a excelência do trabalho feito por muita gente capaz.
No entanto e quase sempre, o jogador português prefere abandonar o seu país, o seu conforto e as suas raízes, para abraçar projectos noutras paragens. Porquê? Como convencê-lo a ficar? Como inverter essa lógica perversa, de criar com estima para os outros levarem com dinheiro? Como evitar essa sangria, que enche os cofres de quem cuida mas esvazia a competição de quem fica?
2. As nossas conquistas coletivas são igualmente admiráveis, sobretudo em anos recentes. Para nosso enorme orgulho, nosso enorme orgulho.
No entanto, o fosso entre o nosso principal campeonato e os respetivos "homólogos europeus" é cada vez maior. Além da questão de (não) conseguirmos reter as jóias mais preciosas, que outras medidas deviam ser tomadas no sentido de encurtar distâncias? O que se pode fazer para não perder este comboio, fundamental para a qualidade competitiva e saúde económica do nosso futebol? Se produzimos matéria-prima de qualidade e somamos pontos em tantas áreas, o que é que nos falta para sermos tão fortes como os outros? Que têm eles que não temos nós?!?
3. Quando quer unir-se, o futebol português é fantástico e, de facto, não há gente como a gente. Cria acções de solidariedade, envolve tudo e todos e mostra ao mundo todo a sua verdadeira dimensão ética. O seu lado mais altruísta.
No entanto, aos olhos de quem está cá dentro mas de fora, essa parece ser a excepção e não a regra. Porquê? Porque é que há essa sensação permanente? Que desvario bipolar é esse que leva pessoas capazes do melhor a se mascararem do pior? Que forças tão feias se levantam ao ponto de desvirtuar a essência da decência humana? Será a vontade de vencer, a todo o custo? Será sede de poder? Serão motivações financeiras? Ou um pouco de cada ?
Seja o que for, não é bonito de se ver.
Entre estas e tantas outras verdades do momento actual - não necessariamente negro mas tão capaz de ser melhor - há a tal questão de fundo. A do tempo.
Tic, tac. Tic, tac.
Cada momento do presente é, no instante seguido, passado. E quem agora tem tudo nas mãos deve saber aproveitar cada segundo para fazer ainda mais e melhor. Para tentar o impossível. Para honrar a camisola que veste e encher a consciência de orgulho e admiração.
Há que ter resiliência para preservar tudo o que de bom se construiu e coragem, muita coragem para afastar as pessoas erradas e as estratégias falhadas.
O futebol será cada vez melhor se tiver pessoas com essa virtuosidade. Se conseguir que cada uma delas abandone o "eu" para priorizar o "nós".
São as pessoas que devem servir o futebol. Não o contrário, nunca o contrário."

Derrota em Felgueiras...

Guimarães B 2 -1 Benfica B


Sem transmissão televisiva, pelas informações chegadas, parece que atacámos mais, rematámos mais, mas fomos surpreendidos em contra-ataques... Ainda por cima com auto-golo do Ferro para começar!!! E com um penalty sobre o Jota que ficou por marcar, ainda com 0-0...!!!
Com a saída do Pedro Amaral para a Grécia (com o Guga...), com a ida aparente do Parks para New York... com 5 jogadores lesionados (D. Tavares, Jorginho, Lystcov, Diogo Mendes e o Daniel dos Anjos), estamos a ser obrigados a muitas 'subidas e descidas' entre os Juniores, os Sub-23 e os B... Tudo isto, num momento onde fizemos muitos jogos fora de casa... é importante vencer no regresso ao Seixal..

PS: Boas notícias, com a 'aparente' renovação do Tiago Dantas.

Pirilampo

"1. A luz que Vieira viu para manter Rui Vitória era, afinal, um pirilampo. Fez ao ex-treinador (com consentimento deste) o mesmo que aquela adepta do River Plate fez ao filho quando lhe prendeu engenhos pirotécnicos ao corpo.
2. Se Sérgio Conceição se sente um alpinista no FC Porto, Rui Vitória era, nos últimos tempos, no Benfica, um mineiro a escavar contra o destino.
3. Nos dois primeiros anos, porém, mostrou toda a sua competência. Ninguém pode apagar os seis troféus (dois campeonatos). É como um coleccionador de moedas: nunca as limpa porque isso é limpar a história delas.
4. Do provisoriamente efectivo Rui Vitória ao efectivamente provisório Bruno Lage (será?), discute-se a sucessão. E quando se fala de um bife banhado a ouro (José Mourinho), tudo o resto parece bifanas a pingar óleo.
5. Se eu tiver uns sapatos rotos e 30 casacos, o que devo comprar? Caio Lucas (mais um extremo), é casaco.
6. Quando vemos um jogador do Sporting com o símbolo do clube ao contrário na camisola, é legítimo questionarmo-nos se algum dia o clube vai endireitar-se. E enquanto pensamos na metáfora, Tomané marca de trivela (!) e lá se vai a figura de estilo.
7. Quando vemos um jogador do Belenenses sem o símbolo do clube na camisola, percebemos que para Rui Pedro Soares e Patrick Morais de Carvalho o filme Casablanca é das mais belas histórias de terror do cinema.
8. Os salários em atraso estão para o V. Setúbal como o caramelo está o Mars, apesar dos doces comunicados.
9. Nenhum jogador do SC Braga entra de caras nos onze dos três grandes. Que grande trabalho de Abel.
10. Acabou agora o FC Porto - Nacional. Qualquer dia é mais fácil acompanhar as provas sul-americanas.
11. Caro Júlio Mendes, este artigo foi escrito ao abrigo do Artigo 85.º - A do Regulamento Disciplinar da LPFP. De resto, alguma novidade no mercado?"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Cadomblé do Vata (Dragartices!!!)

"Havendo no horizonte próximo um Clássico por disputar, já era de prever tentativas de desestabilização azuis e verdes ao SLB. Como a safra de "emails de interesse público" se esgotou na exposição do criminoso roubo das bolachas da Magda e na demonstração de como o Benfica adulterou de forma inenarrável a verdade desportiva recorrendo a um bruxo guineense, os da Aliança tiveram que recorrer ao plano B, chamado Francisco J. Marques, colocando-o em directo num canal usurpado pelo FCP à cidade do Porto, aos portuenses e porque não dizê-lo, aos outros clubes do Porto, a tecer críticas veladas ao canal televisivo que o Benfica fundou de raiz.
O argumento utilizado nem foi novo no seio do Mundo Às Riscas: as transmissões em directo dos jogos caseiros do SL Benfica na Liga de futebol, desvirtuam a competição. Por razões que ainda estão por apurar, tal efeito negativo não se verifica nas que os canais Riscados realizam nas modalidades de hóquei, futsal (só o Sporting), basquetebol (só o FC Porto), voleibol (só o Sporting), andebol, equipa B de futebol (só o FC Porto), equipa de sub 23 de futebol (só o Sporting), futebol feminino (só o Sporting) e escalões de formação nas diversas modalidades. Uma longa lista de modalidades que o SL Benfica pratica e que os campeões do ecletismo têm à vez.
O que ninguém ainda entendeu bem é se a desfaçatez com que os nossos rivais colocam em causa umas transmissões e aplaudem outras é apenas anti-Benfiquismo primário salteado com cogumelos de falta de vergonha, desvalorização absurda das chamadas modalidades (como se o futebol não fosse uma também) ou a mais básica demonstração de hipocrisia.
No caso do Porto Canal as coisas até são mais "dinâmicas": entrevistas ao Pinto da Costa e programas do director de comunicação, são feitos "no canal do FC Porto"; transmissões em directo e financiamento ilícito junto do Turismo do Porto são coisas "do canal fundado pelo Bruno Costa Carvalho que agarrou no dinheiro e fugiu para Angola com os No Name Boys que atacaram a Academia de Alcochete"."