Últimas indefectivações

sábado, 3 de março de 2018

Juniores - 3.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 1 Guimarães
Félix(2)


Muito complicado, num jogo onde começamos a perder (escorregadela do Gonçalo Loureiro) contra uma equipa muito dura, com um excelente jogador no meio campo (André Almeida), e um Chinês com músculo lá na frente!!!
Mesmo assim, só chegámos ao intervalo a perder por clara azelhice do Jota no momento do remate!!!
Acabou por ser o inevitável João Félix, a dar a volta ao marcador, num jogo que estava muito difícil...
Se o Félix o Jota e o Nuno Santos fazem a diferença lá na frente, nota-se que esta equipa precisa de músculo no meio-campo...

Intervalos longos, Bombeiros na rua e o que mais se verá

"O tempo do intervalo num jogo de futebol, por norma, não deve exceder os 15 minutos. É assim desde que a apaixonante modalidade foi inventada pelos circunspectos ingleses, há mais de um século. Aqueles mesmos 15 minutos chegam e sobram para uma imensa actividade que vai do retempero das forças dos jogadores à satisfação das necessidades mais ou menos básicas do público pagante. Se, no já histórico Estoril-FC Porto, o entremeio da primeira para a segunda parte do jogo houvesse durado o quarto de hora da lei e, nesse curto lapso, com o Estoril na frente do placar tal como estava, tivesse o FC Porto transferido 784 mil euros para as contas do incómodo adversário, o que não diriam as más-línguas - e, enfim, até as autoridades -, dando-se o caso de o clube-pagador-ao-intervalo acabar por vencer o jogo com uma perna às costas?
Felizmente não foi assim que as coisas se passaram. Não é que o pagamento devido não tenha sido efectuado no decorrer do intervalo. Sim, foi. No entanto, o que fez a diferença neste caso foi, justamente, a duração do intervalo não se ter ficado pelos 15 minutos da ordem.
Se dividíssemos os 784.000€ pelos 15 minutos de um intervalo-padrão, a conta redundaria em 52 mil euros por minuto, um exagero. Mas o intervalo em causa estendeu-se languidamente por 37 dias, 888 horas, 53.280 minutos. Saiu, assim, a despesa a 14 euros por cada minuto de descanso e ficou tudo muitíssimo mais em conta. Trata-se, no fundo, de um recorde mundial que iliba todos os envolvidos e que, por isso mesmo, muita honrará a direcção da Liga de Clubes. Quanto ao resto, são insinuações. Embora no que aos 784 mil euros diz respeito não haja mesmo insinuação nenhuma. Ainda bem.
Em Paços de Ferreira, no último sábado, bastaram quatro minutos em campo da dupla Jonas-Seferovic para que houvesse a registar um golo para o Benfica. O suíço entrou aos 86 minutos e Jonas, solicitado pelo suíço, marcou aos 88 minutos. Jonas sairia aos 90 minutos e perfizeram-se, assim, os tais quatro minutos bem contados desta dupla mal-amada. Hoje, pelo fim da tarde, o Benfica recebe o Marítimo, o que acarreta naturais preocupações. Por exemplo, assim, de repente, não me lembro do último Manduca que o Benfica tenha contratado no século XXI ao Marítimo, mas se hoje, ao intervalo, a nossa tesouraria entender que está na hora de pagar aos funchalenses qualquer coisinha pendente… eh pá!, não, espero que não… antes os emails…
O intervalo do jogo de ontem no Porto durou os mais ou menos 15 minutos da praxe e, talvez por isso mesmo, a única coisa extraordinária que se viu no segundo tempo foi o árbitro a expulsar dois bombeiros. O resultado foi bom para o Porto, em função da luta pelo 1.º lugar, e terá sido bom para o Benfica, em função da luta pelo 2.º lugar se o Benfica conseguir vencer amanhã o Marítimo e prosseguir na sua senda vencendo os seus jogos todos."

«Pronto, fomos apanhados!»

"Depois da explicação do FC Porto, que confirma um pagamento em data tão inoportuna, há, de facto, razões sérias para uma investigação oficial.

Quando o director de comunicação do FC porto comentou, com a ironia que tanto se esforça por herdar do seu presidente, a notícia acabada de sair na edição de A Bola e que dava conta da confirmação de uma queixa na Procuradoria Geral da República, que punha em causa a verdade desportiva daquela estranhíssima segunda parte com o Estoril, decidiu usar a forma de uma proclamação num visível registo de gozo: «Pronto, fomos apanhados!».
Nesta altura, FJM não saberia ainda - nem tinha de saber, porque é apenas um funcionário do clube - que o FC Porto tinha, de facto, pago uma verba de 784 mil euros ao Estoril, dias antes da realização desses quarenta e cinco minutos essenciais à caminhada liderente do FC Porto rumo a um muito possível título de campeão.
Hora depois, trocando a arrogante ironia por uma casta solenidade mais adequada à gravidade do assunto, viria a usar o principal canal do clube para anunciar um pagamento ao adversário, em nome de uma dívida documentada de quatro meses e justificando a data de pagamento pelo facto de ter sido nessa altura que o clube teve dinheiro para resolver a sua responsabilidade.
Foi o suficiente para disparar o gatilho das redes sociais com milhares de frequentadores noctívagos a incendiarem a noite e a madrugada com comentários diversos que, como acontece sempre nestes meios informais de comunicação, vão da natureza mais ingénua ao registo mais reles, próprio de uma marginalidade ululante que se banqueteia com os seus próprios dejectos intelectuais.
A coisa, no entanto, é simples.
Antes da comunicação solene do emissário oficial do FC Porto, o caso resumia-se àquilo que A Bola legitimamente e de acordo com as suas responsabilidades históricas publicou: uma notícia de que tinha havido uma queixa, confirmada pela Procuradoria Geral da República, sobre a hipótese daquela meia parte do jogo no Estoril ter sido indevidamente negociada fora das quatro linhas.
Depois da comunicação de FJM percebe-se que a notícia formal e eticamente inatacável, apesar do nervosismo e desconforto de alguns comentadores portistas, está ultrapassada, porque passa a haver uma óbvia razão para que o caso seja devidamente investigado.
Quer isto dizer que existem indícios claros de ter havido corrupção? Não. Quer dizer que existem indícios mais do que suficientes, para que a denúncia dê origem a um processo e que nele se averigue se se tratou apenas de uma infeliz e invulgar coincidência, que respeita a mera, mas indesculpável, imprevidência de quem pagou em data tão inoportuna, sem sequer cuidar de pensar que esse pagamento, naquela data, a um adversário pobre e carente poderia condicioná-lo e poderia ser mal interpretado.
Após o inesperado desenrolar dos acontecimentos é obviamente impossível não trazer da memória recente as duras críticas do treinador do Estoril, Ivo Vieira, após aquela lamentável segunda parte dos seus jogadores, acusando-os de nada terem feito para tentar ganhar o jogo. Tal como se torna mais inquietante que o clube, em vez de fazer comunicados tardios contra a hipotética assombração da dignidade dos seus profissionais, não tenha vindo no tempo certo e útil a fazer essa defesa, actuando directamente sobre quem mais abriu a porta de uma incontornável suspeição: o seu próprio treinador.
Vêm alguns portistas argumentarem que tudo isto procura desvalorizar um facto essencial: o FC Porto vai à frente por ser melhor. Aí, não podia estar mais de acordo, mas, mais uma vez, e como sempre acontece, a culpa nunca é do mensageiro.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Ser jovem árbitro

"Nos dias de hoje quem é o jovem que quer ser Árbitro? Com tanta informação negativa sobre a actividade, com tantas críticas descontextualizadas, quem são os jovens que querem sair do sofá, deixar o telemóvel, os computadores e as consolas, o conforto do seu lar, de estar com os seus amigos e abdicar de tanta coisa para ser Árbitros? Mas há dezenas de raparigas e rapazes que insistem em continuar a ser o elo mais fraco, mas imprescindível, do jogo que alimenta o sonho dos nossos filhos e, infelizmente, a obsessão de muitos pais. São uns corajosos porque aceitam ser o alvo fácil para uma grande franja de pseudoadeptos de futebol, que aproveitam aqueles minutos de jogo para descarregarem a frustração de toda a semana.
Ser árbitro hoje em dia é muito mais que do que vestir o equipamento e ir para o jogo. Para poder sonhar com outros patamares, é necessário muito trabalho e dedicação. Felizmente, por esse país fora temos imensos jovens com valor e qualidade; infelizmente, muitos deles não alcançarão o desejado o sucesso, pois, tal como os que jogam, não conseguirão aliar a qualidade que possuem com a exigência e dedicação exigidas.
Ninguém chega ao topo apenas com sorte. Chega-se com trabalho + oportunidade + competência. Em qualquer área, quem conseguir aliar estes três factores terá 'sorte' e a arbitragem não é diferente. Para nós, que gostamos tanto de futebol e em especial de arbitragem, venham mais jovens, que serão todos bem-recebidos. A todos tentaremos dar as melhores condições para que possam ter sucesso. Certamente iremos contribuir para que sejam melhores homens e mulheres."

Benfiquismo (DCCLXV)

Faz hoje 50 anos... que o King fez mais um Poker !!!

Uma Semana do Melhor... com a Magda

Jogo Limpo... Apanhados!!!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Honra e compromisso

"Amanhã, todos na Luz a lembrar o que Cosme Damião, Félix Bermudes e outros fizeram há 114 anos. E ganhar ao Marítimo.

O Benfica teve em Paços de Ferreira um jogo complicado, que apenas merecia ter tido um vencedor. A única surpresa foram os golos tardarem tanto, tal a diferença existente entre as equipas. O Benfica não fez uma boa primeira parte mas foi sempre superior. Não censuro o Paços pelo anti-jogo, nem pela imaginativa forma de queimar tempo. Censuro a arbitragem pela passividade primeiro, cumplicidade depois e finalmente pela co-autoria de expedientes dilatórios de queima de tempo. O árbitro avisou quatro vezes o guarda-redes pacense para a demora na reposição do jogo (só na primeira parte) e acabou sem mostrar um amarelo ao protagonista. O árbitro retardou o jogo para ele próprio ir arranjar um tufo de relva. Nunca tinha visto! Interromper o jogo para mostrar doces atirados das bancadas ao quatro árbitro, foi uma doçura!
Depois de uma arbitragem permissiva com todas as delongas, tivemos o jogo parado do minuto 83 ao minuto 87, quatro minutos por razão nenhuma. No reatar da partida, golo do Benfica e 1-2. Fez-se justiça. Nada que retire valor à luta do Paços de Ferreira, que tem na manutenção o seu objectivo, mas o anti-jogo foi demais.
Jonas, mesmo longe do fulgor físico, mostra capacidade e inteligências raras. De maior destaque, a forma como se festejou o segundo golo na Mata Real, o banco saltou para os festejos num compromisso inegável de ambição. Ver Samaris a festejar como fez mostra que onde poderia haver azia, havia alegria. Ver Luisão a ser capitão no banco, quase tão interventivo com Rui Vitória, mostrou unidade, querer, e paixão neste compromisso de tentar vencer.
Na semana do 114.º aniversário, mostraram em Paços todo o significado do 'E Pluribus Unum'. Era decisivo ganhar, mas tanto como na obtenção do golo, houve alma e compromisso no festejo do golo.
Amanhã todos na Luz e lembrar o que Cosme Damião, Félix Bermudes e alguns outros, fizeram há 114 anos, mas também a ajudar a vencer o Marítimo, que já nos tirou pontos este ano. Responder a todos dentro de campo: aos insultos com uma aceleração de Cervi; ao ruído com um golo de Jonas.
Seria assim o argumento do dramaturgo Bermudes, ao gosto de Cosme Damião, para festejar mais um aniversário, a honrar a história."

Sílvio Cervan, in A Bola

Benfiquismo

"Neste fim-de-semana teremos um confronto entre dois clubes que lutam pelo título de destronação do Benfica do topo do futebol português, como se tal posicionamento se deva à circunstância do clube que, num determinado ano, conquista o Campeonato Nacional. Ganhando ou perdendo nesta temporada, o Benfica continuará no topo: Tem mais adeptos, mais dedicação dos seus adeptos, mais historial, melhores condições sob todos os pontos de vista e uma estratégia para o médio/longo prazo competitiva e consonante com a realidade do futebol português. O Benfica, desde que se reergueu na última década, não é gerido para ganhar ocasionalmente, mas sempre. E por isso é que, como dizia Artur Semedo, nunca perde, só às vezes não ganha.
Lutam também pelo título desportivo que, caso vençam, validará, do ponto de vista deles, uma estratégia comunicacional desprezível, repleta de acusações torpes e insinuações sórdidas, própria de gente frustrada, desesperada e inescrupulosa. E sobretudo, ignorante, pois desconhecem que, a cada acusação e insinuação, só nos estimulam o Benfiquismo.
É inegável que o Benfiquismo tem muita força. Quando os que nos representam em campo o fazem com Benfiquismo, como se viu em Paços de Ferreira - pareciam adeptos em campo - os desaires tornam-se quase impossíveis.
E é essa característica, talvez a chamada mística, juntamente com a qualidade que a nossa equipa tem vindo a apresentar nos últimos meses, que me deixa optimista quanto ao futebol imediato. Eles que lutem pelo título que conseguirem, que nós lutaremos pelo penta. Qualquer que seja o resultado no Dragão, estaremos mais próximos. Continuo a acreditar que seremos campeões!"

João Tomaz, in O Benfica

Vergonha alheia

"Final da primeira parte em Paços de Ferreira. O Tetra-campeão perde por um. O Estádio lotado, num sábado de uma noite gelada no Norte de Portugal - quase nove mil pessoas. A imensa maioria benfiquista, o vermelho a dominar as bancadas. O SL Benfica só tinha mostrado fez minutos de vontade de conquistar os três pontos. 'Como dar a volta a isto?' era a questão no pensamento dos adeptos. Mentes retorcidas já pensavam que seria a segunda derrota do campeonato. Comentários ao intervalo punham em causa um ou outro jogador. E até as opções do treinador. A montanha-russa esquizofrénica de sentimentos estava a querer voltar. Mas não. Poderia ter sido o adeus à luta pelo Penta, mas não.
Com uma segunda parte igual ao que nos têm vindo a habituar nas últimas semanas, os onze jogadores de vermelho - mais os heróis vindos do banco - mostraram do que são feitos. Demonstraram o que ninguém pode duvidar: querem ser campeões, vão lutar para ser campeões, vão ser campeões. Jogo a jogo, de fato-macaco vestido ou de fato de gala aprumado para os momentos artísticos. Pressionaram, obrigaram a jogar mal, ganharam duelos, tentaram tabelinhas, aberturas para as alas, combinações umas atrás das outras, remataram, viram os defesas contrários - e o guarda-redes - a dar tudo o que tinham. E marcaram. Um, dois, três golos que nos deixam como estávamos: na luta a dez jornadas do final, com o sonho de uma conquista inédita e histórica cada vez mais vivo.
E sabem o melhor de tudo?
É que não passou pela cabeça de ninguém encenar uma invasão de campo, para adiar o jogo que, ao intervalo, estava perdido. Um orgulho imenso."

Ricardo Santos, in O Benfica

Olha um fogu... ah, não, é o Rafa

"O que sucedeu em Paços de Ferreira foi Benfica em estado puro: lutar até à exaustão para poder sorrir no final. Estive presente no Estádio Capital do Móvel e posso testemunhar que quem lá se encontrava assistiu a um autêntico milagre. Não me refiro à vitória - essa foi perfeitamente natural, apesar de tardia. Falo de outro fenómeno. Com o segundo golo do Jonas, levantaram-se os benfiquistas e levantou-se também o Assis. A Bíblia Sagrada revela algumas proezas fascinantes operadas por Jesus Cristo, contudo nenhuma deles se compara a esta façanha de Jonas. Imagino que seja complicado fazer levantar um paralítico de uma cadeira de rodas, mas mais complexo ainda era fazer levantar o número 20 do Paços de Ferreira do chão, e Jonas conseguiu - o Pistolas tem jeito para a bola, porém parece estar ainda mais vocacionado para a medicina.
Rafa, que foi contratado pela sua velocidade estonteante, apurada habilidade técnica e potencial elevado, está a demonstrar que é dotado de uma velocidade estonteante, apurada habilidade técnica e potencial elevado. Há coisas do caneco.Se for titular frente ao Marítimo, será apenas a segunda vez que Rafa atinge quatro titularidades consecutivas na Liga. Naturalmente, a sequência de jogos está a permitir-lhe começar a carburar. Usain Bolt é considerado o maior velocista de todos os tempos, mas apenas porque Rafa optou pelo futebol ao invés do atletismo. O Hennessey Venom F5 é o carro mais rápido do mundo, mas apenas porque Rafa não conta - estranhamente - como veículo o motor. Se os cientistas da luz seria substituída pela velocidade do Rafa."

Pedro Soares, in O Benfica

Auto-Estrada do Sul

" 'Até metia dó ver o Estoril em campo', disse o treinador Ivo Vieira após a segunda parte do jogo com o FC Porto, na qual os portistas marcaram três golos em apenas 14 minutos, perante um sector defensivo canarinho completamente desastrado.
Quem tinha esperanças de ver o nosso rival perder pontos naquela ocasião, depressa percebeu que tal não era possível. Enquanto no relvado os jogadores da equipa da casa pareciam ter ingerido uma caixa de tranquilizantes, lá em cima, na cabine do video-árbitro, havia quem estivesse mesmo a dormir, ou a fingir. 'Fica um sentimento de vergonha', afirmou o médio Ewerton, e 'não fomos a equipa que costumamos ser', foram as palavras do técnico Vítor Oliveira, após o Portimonense - FC Porto dias depois, jogo em que a retaguarda dos algarvios evidenciou fragilidades totalmente escondidas nas jornadas anteriores, designadamente na partida com o Benfica. Se Sérgio Conceição dizia, antes da deslocação ao Algarve, que aquele seria um dos jogos mais difíceis até final do campeonato, nas redes sociais e na blogosfera jurava-se que seria um dos mais fáceis. Tendo terminado 1-5, percebe-se bem quem estava a ser mais perspicaz. Enquanto o FC Porto vai passeando com tranquilidade perante adversários desinspirados, o Benfica é recebido invariavelmente de faca nos dentes - como aconteceu em Paços de Ferreira, onde arrancou uma vitória a ferros, frente a uma equipa que se socorreu de todos os meios para nos subtrair pontos.
É o futebol português no seu pior. Resta-nos manter a fibra, e acreditar que, mesmo contra todos, no fim se fará justiça.
Rumo ao Penta!"

Luís Fialho, in O Benfica

114 anos...

"114 anos de verdade, 114 anos de luta, 114 de sangue, 114 anos de suor, 114 de anos lágrimas, 114 anos de amor, 114 anos de fé, 114 anos de idoneidade, 114 anos de reputação, 114 anos de fair play, 114 anos de credibilidade, 114 anos de ânimos fortes, 114 anos de energia, 114 anos de coragem, 114 anos de decência, 114 anos de abnegação, 114 anos de responsabilidade, 114 anos de dedicação, 114 anos de serviço público, 114 anos de resistência, 114 anos de trabalho, 114 anos de acção, 114 anos de sacrifício, 114 anos de inovação, 114 anos de inconformismo, 114 anos de vitórias, 114 anos de batalhas, 114 anos de génio, 114 anos de gratidão, 114 anos de humildade, 114 anos de inteligência, 114 anos de visão, 114 anos de coração, 114 anos de ambição, 114 anos de ecletismo, 114 anos de compromisso, 114 anos de solidariedade, 114 anos de sucesso, 114 anos de motivação, 114 anos de orgulho, 114 anos de esperança, 114 anos de respeito, 114 anos de força, 114 anos de generosidade, 114 anos de títulos, 114 anos de humanismo, 114 anos de rebeldia, 114 anos de liberdade, 114 anos de elevação, 114 anos de seriedade, 114 anos de transparência, 114 anos de atitude, 114 anos de optimismo, 114 anos de integridade, 114 anos de luz, 114 anos de cortesia, 114 anos de educação, 114 anos de respeito, 114 anos de formação, 114 anos de independência, 114 anos de autonomia, 114 anos de liderança, 114 anos de raça, 114 anos de audácia, 114 anos de amizade, 114 anos de glória e 114 anos de Mística!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Hat-trick: Treinar, Jogar e Vencer

"Treinar, jogar, vencer... Três palavras plenas de significado no futebol e no nosso imaginário colectivo. Foi este o nome que escolhemos para o novo projecto educativo da Fundação, que agora se iniciou com os alunos da Aprendizagem e do Ensino da Escola Gustave Eiffel, com quem temos um protocolo de colaboração que está a dar os melhores frutos para a escola, para o clube, para os alunos e para o país.
Os jovens alunos da escola foram seleccionados pelo seu potencial e têm connosco o melhor dos contratos: Treinar na Luz, jogar na Luz, vencer na Luz... Claro que é na escola e na importância da educação de cada um destes jovens que o projecto assume o seu principal valor: Treinar para a vida. Jogar na vida. Vencer na vida!
Por isso é um orgulho para todos nós poder participar numa etapa tão importante da vida como é a adolescência e ajudar a transformá-la no sucesso que cada um destes jovens merece.
Hat-trick é um termo bem conhecido do futebol. Que seja também uma inspiração para estes jovens que todas as semanas treinam valores, atitudes e vontades no sintético da Luz para jogar e vencer os desafios da sua vida académica e profissional.
Bom futuro!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Da impunidade à Justiça

"Numa qualquer sociedade democrática evoluída, em pleno século XXI, mais grave do que a profanação e, mesmo, o roubo do correio e dos arquivos de dados, recursos e matérias que compõem a estrutura identitária e a dinâmica de actividade de anos e anos de uma pessoa ou de muitas juntas numa instituição, seria, depois, facultar tudo isso ao olhar de terceiros. Ter empreendido e executado os dois gravíssimos crimes de modo ponderado e deliberado, sem respeitar qualquer recato ou o mais leve registo de comedimento e, bem pelo contrário, ter escolhido a via da mais rematada transmissão pública e massiva, através de diversos meios de comunicação, ainda seria pior.
Mais do que isso, pareceria impensável que a cegueira e o desespero clubista, ou fosse lá o que fosse, tivessem levado entidades e gente já com algum presumível nível de representação e, até, de responsabilidade social a arriscar não apenas na ilícita exposição pública de tantas quantidades de produto roubado e mais, a executar deliberadamente um roteiro calendarizado e programado de publicação sistemática desse 'material', ao longo de semanas e de meses.
Desde cedo observadores independentes assinalavam que - perante a insurgência do Benfica - os autores da bravata só persistiriam no seu criminoso guião se estivessem mergulhados numa irresponsabilidade patológica, ou se tivessem pressentido que alguma impunidade lhes haveria de chegar, como aconteceu, oferecida por um tal Cabanelas - juiz apaniguado gabando-se da devoção à 'causa' deles, que não hesitaria fazer tábua rasa de uma justa aplicação da Lei portuguesa, nem do bom senso, para ditar para os autos da pobre 'justiça-à-moda-do-Bolhão', a mais absurda das negas...
Mais grave, porém, é que, para além da criminosa exposição dos gigabytes de correspondências e arquivos privados que haviam sido roubados, os desonestos funcionários do Futebol Porto se permitissem manipulá-los a seu bel-prazer, sem ética nem pudor. Era vê-los, semana a semana, como bácoros de riso alarve, a chafurdar cascas na pocilga, muito convencidos de que defecariam rosas, enquanto estabeleciam os seus juízos apriorísticos; ''sentenças' bufas, ao arrepio de qualquer princípio do contraditório, exclusivamente ditadas por preconceitos e pressupostos que não reflectiam senão as suas práticas tradicionais e os scripts que haviam experimentado largamente ao longo de trinta anos de estórias sórdidas que ilicitamente lhes tinham garantido uma 'hegemonia' desportiva, afinal 'comprada em supermercado'.
O recente acórdão, unânime, dos três juízes da Relação do Porto, para já, veio restabelecer Justiça onde, acima dela, chegara a imperar a parcialidade clubística de um isolado julgador de turno: a infâmia dos chicos-espertos, impunemente tolerada durante demasiado tempo, foi imediatamente suspensa. E, se de facto o mundo não estiver ao contrário, depois de ouvir o Presidente Luís Filipe Vieira em Braga, mais confiadamente acredito que está a chegar a hora em que 'volta à terra o que é da terra e volta ao ar o que é do ar'."

José Nuno Martins, in A Bola

A mulher de César de visita ao Estoril

"O jornal A Bola deu ontem à estampa a existência de uma denúncia anónima, apresentada junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), a propósito da segunda parte do jogo entre o Estoril e o FC Porto. Ao longo do dia de ontem, vários meios de comunicação confirmaram junto da PGR aquilo que A Bola acautelara de antemão: havia uma queixa, que seria avaliada pelas entidades de investigação competentes.
Os termos da queixa, que envolviam várias pessoas e um montante que teria sido depositado, não foram objecto de avaliação de A Bola, porque neste caso, como em todos os outros que nasceram de denúncias semelhantes, há um caminho a percorrer, por entidades que reputamos de credíveis, sérias e idóneas.
Ao fim da noite de ontem, porém, o FC Porto veio reconhecer que pagara ao Estoril Praia, uma semana antes da segunda parte do jogo em apreço, um montante na ordem dos 780 mil euros, que estaria em divida há quatro meses, e que teria a ver com a negociação de Carlos Eduardo e Licá.
A investigação à denúncia anónima irá, por certo prosseguir e consoante o entendimento das autoridades fará caminho ou será arquivada. Porém, desde já, constata-se que houve uma movimentação de verbas entre os clubes uma semana antes de um jogo importante, o que revela, no mínimo dos mínimos, uma imprudência assinalável.
Haverá quem diga que quem não deve não teme, outros preferirão afirmar que, como a mulher de César, não basta ser, é também preciso parecer. A missão dos jornais, no meio de tudo isto, é informar. Foi isso que A Bola agora como sempre, fez."

José Manuel Delgado, in A Bola

O clássico e o Estoril

"O FC Porto dispõe esta noite de uma oportunidade soberana para dar um golpe de autoridade nesta Liga. Por várias razões: porque atravessa uma fase de enorme confiança, porque joga perante os seus adeptos e porque uma eventual vitória deixará o Sporting a 8 pontos de distância (e, portanto, fora de combate). Há méritos inquestionáveis de Sérgio Conceição na construção deste FC Porto, que foi capaz de recuperar uma certa identidade que parecia perdida. Havia também a ideia inicial de que o plantel não teria soluções suficientes – em quantidade – para a longa caminhada. Está provado que não era verdade. A equipa tem tido baixas de peso (Alex Telles, Danilo ou Aboubakar) e ninguém se lembra, sequer, dos ausentes. Se sair vitorioso do clássico, o FC Porto terá apenas o Benfica como sombra até ao final do campeonato. E, mesmo assim, uma sombra que surge ao longe.
O FC Porto confirmou no Porto Canal que foi mesmo feita uma transferência bancária para a conta do Estoril no passado dia 14 de Fevereiro. Dizia respeito a uma dívida relativa ao jogador Carlos Eduardo. As coincidências podem existir, com certeza, mas há dois factos inegáveis nesta história. Facto 1: a transferência foi feita no intervalo do jogo. Facto 2: a transferência foi feita no intervalo de um jogo que o FC Porto estava a perder. As coisas são o que são.

Anda tudo com medo do futebol

"Tempos estranhos estes em que somos comandados por trauliteiros e incendiários que viram no fanatismo e na paixão clubística um escape para os seus insucessos. Profissionais de segunda e terceira categoria que nunca foram reconhecidos em lado nenhum, insolventes e desprezados pelas grandes empresas perceberam agora que a cartilha do populismo e da guerrilha, e à conta do amor que as pessoas têm pelos seus emblemas, mete uns contra os outros num país já de si pequeno, e vão ganhando protagonismo à nossa conta.
Chamam-lhes directores de comunicação, mas mais não são que uma espécie de ministros da propaganda tal e qual nos tempos do Hitler. Mas não estão sós: os comentadores que fazem as delícias das televisões, também. Faz-me lembrar a velha história do Elefante Branco: ninguém lá ia, mas estava sempre cheio. Também ninguém vê estes programas, mas todas as televisões os transmitem em horário nobre só porque lhes apetece. Ainda se os comentadores fossem entendidos em futebol, que nos elucidassem acerca de questões tácticas, físicas ou estratégicas, eu entendia. Agora assim? Nenhum daqueles personagens tem coisa alguma para nos ensinar que nós não saibamos já. Não acrescentam nada. Só estimulam o ódio, a violência e o fanatismo de mentes pequenas e sombrias - o estímulo perfeito para gangues organizados. São braços armados dos clubes. Mas parece que, por cá, isso sempre foi costume. Como dizia o célebre “Estebes” eternizado por Herman José:
“No intervalo, solteiros contra casados, fandangos, chulas e fados/ Para aprenderem como é/ Durante o jogo, qualquer caso lá surgido/ Só pode ser resolvido à cabeçada e ao pontapé.”
O que acho no mínimo estranho é a classe da comunicação - nomeadamente os directores e donos de agências em Portugal - ainda não terem vindo a terreiro dissociarem--se deste tipo de postura. Felizmente é uma área em que estamos muito bem servidos, com excelentes profissionais do ramo e boas agências. Esta associação a este tipo de peões de brega dos clubes é não só muito negativa para a classe como banaliza e diminui quem com ela ganhou sucesso, mas que agora não tem coragem para assumir uma posição perante aquilo a que estamos a assistir. Têm todos medo do que os adeptos dos clubes possam fazer, dos clientes que podem perder e do chamado impacto que uma crítica no mundo da bola pode ter no seu mealheiro e na sua imagem. Mais vale não dizer nada e fugir ao problema. Há de acalmar... ou não.
Este é apenas um exemplo do pânico e da falta de tomates generalizados na sociedade portuguesa, a começar, logicamente, pelos políticos. Morrem adeptos, pancada de meia-noite, acusações, críticas, incentivo à violência e... nada. Ninguém faz nada. Todos com medo de perder votos, de ganharem um sem-número de inimigos, de ficarem queimados. Mas então são eleitos para quê? Para tomar decisões fáceis? Assim também eu. Quando é para ir contra poderes instituídos, está quieto. Como diziam os Gato Fedorento, “isso não que isso magoa”. 
Assumam-se, saiam da toca e façam alguma coisa. Esta guerra já enjoa. Já chega de dar palco a energúmenos. Comecem a assumir posições e a mostrar que muito tem de ser alterado. O rei vai nu e ninguém quer dizer. Já chega. Estamos fartos destas personagens. Queremos é festejar golos e vitórias. Bem sei que esses ganham a vida assim mas, para nós, o futebol é só um desporto. E é por lá que deve continuar."

Educação desportiva

"Ponto prévio: os adeptos têm o direito de se manifestar em função do rendimento da equipa ou do atleta. Mas esse direito tem limites na forma de expressão. Não podem ser permitidos actos violentos, verbais ou físicos. De parte a parte. O respeito que se exige tem que ser mútuo,dos competidores para o público e deste para os competidores.
Em muitos momentos, principalmente quando as expectativas são defraudadas,a primeira reacção é de assobiar a equipa ou o atleta durante a competição. A maioria até pode ficar em silêncio, mas as manifestações de protesto fazem-se sentir de forma muito audível. A criação de um ambiente adverso influência o rendimento individual e colectivo. Torna o momento mais difícil de ser ultrapassado, influência o equilibro emocional necessário para se inverter a situação. Mas estas situações não dão direito a nenhum agente desportivo de se manifestar em plena competição contra os espectadores. Por vezes acontece, por mais racionais que possamos ser, mas temos que estar treinados para evitar esse confronto. Esse treino deve ser estendido aos adeptos. A causa é comum, ausência de educação e treino desportivo. Não é pela via, repressiva que se altera estar situação, bem pelo contrário. O desporto entre nós ganhou contornos perigosos, que têm de ser combatidos pela educação e com a prática desportiva. A maioria nunca fez desporto e muito menos competiu. Aqui está o maior problema.
Compreendo que não é fácil ver a sua equipa ou atleta preferido em sub-rendimento, a cometer erros, a falhar aquilo que para quem está a ver parece mais simples, mas é bem mais complicado para quem está em competição sentir que num momento em que erra e falha e que parece fácil, é trucidado por aqueles que seriam um dos primeiros suportes para ultrapassar o momento negativo. O que se ganha com isso? Nada! Só os adversários tiram proveito. O apoio dos adeptos é, pois, decisivo para o sucesso."

José Couceiro, in A Bola

Benfiquismo (DCCLXIV)

Vasquinho!!!

Aquecimento... Elzo...!!!

quinta-feira, 1 de março de 2018

Segundo!!!

Contas do Benfica a uma denúncia

"O Benfica apresentou contas e informou o resultado positivo de 19 milhões de euros do exercício do primeiro semestre da época e uma diminuição de mais de dez por cento do seu avantajado passivo. Para a saúde financeiro do clube e da sua SAD são boas notícias. Para a maioria dos sócios e adeptos benfiquistas são, apenas, números.
Se existe área onde o primado da economia não domina, é a do futebol. Só uma minoria se interessa por saber quanto custou o sucesso porque a lógica do muito particular mundo da bola determina que o sucesso seja algo intangível, ou seja, algo que não merece ter quantificação, porque cada cêntimo gasto, mesmo que mal gasto, é justificado pelas vitórias e pelos títulos.
Dito isto, era expectável que, apesar da exposição de resultados positivos, o Benfica viesse a confirmar, como confirmou, uma significativa perda de receitas pela desastrosa participação nas competições europeias. Curiosamente, é esse o ponto exacto onde o resultado financeiro e o resultado desportivo convergem de forma clara. A um desastre desportivo correspondeu, proporcionalmente, um desastre na receita da UEFA.
Nesta edição se dá também conta de uma queixa anónima apresentada na Procuradoria-Geral da República e que visaria uma hipotética combinação de negócio de compra e venda da segunda parte do Estoril - FC Porto. Damos a notícia, porque é essa a nossa obrigação e responsabilidade pública, e porque estamos conscientes de que os nossos leitores são inteligentes e sabem distinguir uma denúncia de uma acusação e, sobretudo, de uma condenação."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Extraordinária a preocupação do director d'A Bola, em distinguir denúncia de condenação...!!!

Custos do futebol

"Os clubes de futebol, cada vez, têm mais gastos com os salários dos jogadores, assim como, na sua contratação.
Por exemplo, no Manchester United, o clube mais rico do mundo, os seus dirigentes estão preocupados com os direitos televisivos. Esta enorme fonte de receita que é os direitos televisivos, em 2019/2022, vai baixar o seu valor. Os clubes vão passar a ter enormes problemas. Por um lado, aumenta as despesas com jogadores, mas por outro lado, diminui as receitas. Tem que haver aqui alguma mudança de paradigma na gestão dos clubes.
O efeito Neymar estilhaçou o mercado de jogadores ao nível de transferências e salários, e também, os petrodólares do Golfo Pérsico inflacionaram o mercado.
A Premier League a partir de 2019, cada jogo vai render 9,2 milhões de euros, todavia, até agora, as televisões pagavam 11,5 milhões de euros. Numa temporada é muito dinheiro que não entra nos cofres dos clubes.
Há menos expectativa de negócio e perdas dos clubes. A borbulha salarial começa a ter efeitos não só nas aquisições, mas também em quem já está no clube. No Manchester United há um descontentamento crescente no balneário, pelo salário de Alexis, na ordem dos 25 milhões de euros. O primeiro a dar sinais de insatisfação foi Ibrahimovic, apesar de não ter jogado muito esta época pela sua lesão, tinha um estatuto com um salário a época passada a rondar os 18 milhões de euros.
A Vodafone em Espanha prefere perder os clientes que apreciam futebol do que pagar para ter futebol. No pior dos cenários a Vodafone perderá 192 milhões de euros, quando os custos para emitir futebol custar-lhe-iam 200 milhões.
Em Portugal, pagamos bastante para ter futebol em casa via SportTV. E, apercebo-me que cada vez há mais gente a ir ao café ver os jogos para não gastar dinheiro ou a fazer falcatruas.
O mercado tem que reflectir que está a esticar demais a corda e ela pode partir.
Os clubes têm que mudar de agulha e investir mais em jovens jogadores, porém os resultados podem não vir no imediato. Mas mais vale ter um clube com as contas equilibradas e ter resultados desportivos assim-assim, do que ter um clube falido.
Em Portugal o Porto se for campeão é um exemplo de serviços mínimos e gastos controlados. Em Espanha o Real Madrid tem feito poucas contratações, mas tem um bolo de salários mensais brutais. Para reforçar a equipa vai ter que vender.
Enquanto este ambiente de incerteza no futuro dos clubes, aguardo o regresso de Ibrahimovic no Manchester United e o jogo PSG-Real Madrid: Ronaldo parece ressuscitado."

A estratégia para o futebol português

"A notoriedade e a visibilidade global já a temos. Falta agora transformar o futebol num produto português de maior sucesso.

Estamos habituados a pensar em futebol apenas como a modalidade desportiva mais importante no nosso país, mas mais do que isso, temos múltiplos dados que dão conta da força do futebol em Portugal e no mundo como sendo um fenómeno de massas e geradora de múltiplas paixões.
Verificamos que estão registados cerca de 150.000 praticantes federados, estima-se que existam aproximadamente 1000 escolas de futebol, estão identificados cerca de 600.000 portugueses como sócios de clubes da Liga NOS e Portugal surge no 10.º lugar europeu no ranking de espectadores por jogo, com uma média de 11.000 espectadores.
Quando analisamos desportivamente podemos destacar que a selecção nacional ocupa actualmente o 3.º lugar no ranking mundial da FIFA e surge no 7.º lugar no ranking europeu de clubes da UEFA. O historial internacional ao nível de clubes é notável: quatro vezes campeão europeu, uma Taça das Taças, uma Taça UEFA, uma Liga Europa, duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça europeia. O sucesso ao nível das selecções é também espantoso para um país da nossa dimensão: seis participações em Mundiais (um 3.º lugar e um 4.º lugar no Mundial), sete participações em europeus (uma vitória, um 2.º lugar e dois 4.ºs lugares) e várias vezes campeão mundial e europeu em camadas jovens. Portugal foi ainda o organizador do Euro 2004. Como se não bastasse, em futsal e futebol de praia as proezas desportivas acompanham o nível e qualidade do nosso país.
O futebol é assim uma indústria muito diversificada e que gera receitas em várias áreas da sociedade portuguesa. É por isto que defendo que todos estes intervenientes devem estar juntos à mesma mesa para analisar, discutir e definir o rumo do futebol português. Sob o comando da Federação Portuguesa de Futebol e Liga Portuguesa de Futebol Profissional, defendo a elaboração de ciclos de planeamento estratégicos de dez anos. Auscultando os vários agentes ligados ao futebol, bem como envolvendo outros elementos da sociedade, como por exemplo as universidades ou o turismo, deve resultar uma estratégia, rumo, objectivos e acções concretas que serão depois divulgados e monitorizados regularmente. Tenho uma convicção plena que desta forma todo o produto futebol pode atingir o nível de profissionalismo e performance de outros sectores de actividade em Portugal como o vinho, calçado, têxtil ou turismo. A notoriedade e a visibilidade global já a temos. Falta agora transformar o futebol num produto português de maior sucesso."

'Ditadura' dos mais fortes começa a fazer-se sentir

"FC Porto, Benfica e Sporting ocupam as três primeiras posições da classificação, seguem de olhos postos na conquista do título e, nesta fase, já tomaram de assalto a liderança dos principais rankings ofensivos (remates tentados e cantos conquistados). A excepção está no total de golos apontados, pois o Sp. Braga (49) apresenta mais um que o Sporting e é terceiro nessa tabela, atrás de FC Porto (66) e Benfica (62).
Mas, convenhamos, constitui isto uma grande novidade? Não, de todo. Apenas e só é a confirmação da tradicional realidade do futebol nacional, com os três grandes a ocuparem um patamar bem distinto dos outros emblemas. Nunca é de mais recordar, aliás, que somente Belenenses e Boavista – uma escassa vez cada – conseguiram ser campeões fora do trio habitual. Por outras palavras, o domínio dos três grandes é tremendo no que às vitórias diz respeito, mas também se analisarmos muitas das estatísticas de cariz atacante. Nesse sentido, nos últimos anos, ninguém rematou mais que os grandes. Nos cantos, de vez a vez (Nacional a época passada e P. Ferreira em 2013/14), é que surgem ‘outsiders’ no trio da frente.
Esta temporada – e depois de algumas oscilações durante várias jornadas, nomeadamente com o posicionamento do Sporting fora dos três primeiros –, os grandes já estão nos seus lugares... bem lá em cima.
E se é verdade que a liderança pertence a dragões (remates) e águias (cantos), não deixa de ser curioso que os leões – sendo terceiros em ambas as listas – possuem máximos de jogo (29 ‘tiros’ e 16 cantos) superiores aos rivais.
Olhando para a parte de baixo das classificações, realce para o facto de o Marítimo surpreender pela negativa. Os insulares seguem em oitavo na geral, mas são pouco ofensivos, pelo que se entende terem escassos 21 golos, apenas à frente de Feirense (20) e Moreirense (18).

Sabia que...
A 24.ª jornada teve... 24 golos? É uma mera coincidência, mas a verdade é que esta foi a quinta vez que se verificou este pecúlio. O mesmo aconteceu nas rondas 1, 5, 6 e 8.
O Marítimo estabeleceu um novo máximo esta época? Na vitória caseira perante o V. Guimarães (3-2), os insulares conseguiram, pela primeira vez, três golos. Para se ter uma melhor ideia dos problemas ofensivos dos madeirenses esta temporada, 3 golos foram exactamente os mesmos que haviam logrado no somatório das nove partidas anteriores!
O Feirense apresenta a pior sequência de resultados da prova? São cinco derrotas consecutivas, registo que contribuiu para que a formação de Santa Maria da Feira esteja em lugar de descida de divisão.
O Sporting foi a quinta equipa a ter duas expulsões num jogo? Antes, o mesmo sucedera com V. Guimarães (2.ª jornada), Tondela (8.ª), Rio Ave (9.ª) e Portimonense (18.ª)."

Formação de árbitros

"1. O que são Bolsas de Formação de Árbitros?
O Código do IRS dispõe que esse imposto não incide sobre as bolsas de formação desportiva, como tal reconhecidas por despacho do Ministro das Finanças e do membro do Governo que tutela o Desporto, atribuídas pelas federações aos agentes desportivos não profissionais, nomeadamente juízes e árbitros, até ao montante máximo de 2144,50 € (em 2018). Em 2010, através de Despacho Conjunto do Secretário de Estado da Juventude e Desporto e do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, deu-se o reconhecimento das referidas bolsas, para além das condições da respectiva atribuição, nomeadamente no que diz respeito à idade, ao período máximo da concessão e ao estatuto dos beneficiários. Por outro lado, estabeleceu-se ainda que essas bolsas não compreendem as verbas atribuídas a título de compensação de encargos (ajudas de custo, despesas de transporte ou subsídio de refeição), devendo as entidades pagadoras providenciar para que o processamento destas despesas seja feito autonomamente, através das competentes rubricas orçamentais, a fim de que possa ser adequadamente fiscalizado pela Administração Fiscal.

2. Os rendimentos ganhos pelos Árbitros são o quê?
Os rendimentos auferidos pelos árbitros são, por força do disposto em Despacho de 2005 do Director Geral dos Impostos, do âmbito da categoria B do IRS. Aí, não existe nenhum regime de exclusão aplicável a ajudas de custo, a deslocações e a despesas de transporte, pelo que o conteúdo do Despacho Conjunto não se encontra em conformidade com as normas legais vigentes. Este entendimento foi sancionado pelo Despacho de 2012 do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, cujo conteúdo revela expressamente que "…não poderá efetuar-se um alargamento da aplicabilidade das regras gerais de exclusão da incidência previstas no artigo 2º do Código do IRS às verbas atribuídas a título de compensação de encargos aos árbitros por via da emissão de uma orientação administrativa, estando o estabelecimento de um regime semelhante dependente de um ato de natureza legislativa"…"

Alvorada... do Zé Nuno

Benfiquismo (DCCLXIII)

Parabéns...

Lanças... Vale tudo!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Uns no campo, outros na praia

"Na primeira (parte), pela equipa caseira, jogou o Estoril que ganhava por 1-0. Na segunda, jogou o Praia que perdeu por 0-3.

Benfica sempre a melhorar
Grande jogo do campeonato em Paços de Ferreira. Emoção, luta intensa, incerteza no resultado, mudanças tácticas, boas exibições individuais e dois colectivos cada qual com o seu propósito, mas ambos incisivos. Depois de meia-hora de um Benfica cinzento e um Paços atrevido, a última ora da partida só deu Benfica. Sobretudo, uma segunda parte fulgurante de querer, insistir e resolver. Ou citando José Manuel Delgado em A Bola, «espírito de conjunto, primado do colectivo e uma fé de grupo que move montanhas». Escrevi a semana passada que os jogos mais difíceis até ao fim são os que se irão jogar com as equipas em risco de despromoção. Este jogo veio evidenciá-lo meridianamente.
Desta vez - e para desgosto de falta de matéria-prima - não houve casos flagrantes para discussão arbitral. Ainda bem. O Benfica continua a não depender de si próprio para ser pentacampeão e as jornadas vão diminuindo, mas mantém-se focado nesse objectivo jogando agora claramente melhor do que há meses. Ao fim de 24 jornadas, o Benfica tem apenas um ponto a menos do que no tetracampeonato, apesar de, objectivamente, ter uma equipa menos forte do que então. Curioso é ver o desempenho ao longo das jornadas: no primeiro terço: 5V, 1D (Boavista), 2E (Rio Ave e Marítimo), 7 pontos perdidos (29%), 16-6 em golos; no segundo terço, 6V, 0D, 2E (Porto e Sporting), 4 pontos desperdiçados (17%), 22-5 no score global; finalmente, no último terço: 7V, 0D, 1E (Belenenses), 2 pontos perdidos (8%), 24-5 em golos.
Neste jogo, provou-se a importância de dois suplentes que considero bons jogadores: Raúl Jiménez e Haris Seferovic. Percebe-se que, no actual modelo de jogo de Rui Vitória e tendo em conta a imprescindibilidade do notável jogador que é Jonas, não tenham tantas oportunidades como seria justo. Mas Jiménez dá velocidade e capacidade de luta ao ataque e o suíço evidencia um aspecto que eu muito aprecio: a simplicidade de processos. A assistência para o golo decisivo de Jonas é disso um bom exemplo.
Um apontamento ainda para Rafa. Lá está, não há nada como jogar com regularidade. É assim que Cervi se vem impondo, que Zivkovic vem evidenciando que é um craque e que agora Rafa já mostra mais confiança a juntar à classe que ele tem dentro de si. Fez um belíssimo jogo e bem mereceu, finalmente, em termos de golos passar do quase para o finalmente.
A propósito de Jonas, um jovem de 33 anos e, na minha opinião, o jogador mais completo do campeonato, pena tenho que, por causa do menor ranking dos clubes portugueses na Europa, não tenha plenas condições para se sagrar 'Bota de Ouro'. Os golos em Portugal passaram a ter um coeficiente de 1,5 em vez de 2, pelo que os 27 golos marcados por Jonas em 24 jornadas - bem à frente dos goleadores nos principais campeonatos - valem 40,5 em vez de 54 pontos.

O penálti
Ainda a propósito de Jonas, surpreendentemente, veio a falhar, na penúltima jornada, o terceiro penálti dos últimos quatro assinalados (Rio Ave, na Taça; Belenenses e Boavista). Mesmo assim, a sua conta é altamente positiva e espero que continue a marcá-los. Estes falhanços (todos, defesas dos guarda-redes) lembraram-me um texto que na minha anterior coluna em A Bola ('Pontapé de Saída') escrevi, já lá vão 4 anos e que intitulei «A estatística de penalidade». Permito-me aqui voltar a esse texto, precisamente por causa de Jonas.
Uma baliza mede 7,32 m por 2,44 m. Ou seja, a largura é o triplo da altura. Segundo um estudo  do site Globoesporte, dividindo o espaço em 9 áreas iguais, verificamos que o lado direito da baliza é o preferido dos chutos. Nada menos que 46,3%. Por outro lado, se dividirmos o espaço da baliza em três zonas de baixo para cima, o terço junto da relva abrange 45,1% dos remates, e o terço mais alto até à barra é alcançado por 22,9% dos tiros. em resumo, as preferências são assim ordenadas:
4.º  -  7.º  -  9.º
3.º  -  6.º  -  5.º
1.º  -  8.º  -  2.º

Sobre a eficácia na marcação dos penáltis, todos os remates para o terço superior do lado esquerdo são infalíveis, mas só 4,6% por lá passam, a parte directa da baliza no terço a partir da relva é onde se concentram mais tentativas (21%), mas a mais falível, onde só 2 em cada 3 remates entram. Em esquema:

4.º  -  8.º  -  1.º
2.º  -  6.º  -  7.º
9.º  -  5.º  -  3.º

Parece haver, pois, uma interessante correlação entre grau de dificuldade/escolha/eficácia.
É claro que esta estatística não considera os remates tipo rêguebi, ou para os postes ou que saem ao lado. Nem nada nos diz sobre a potência do remate. Ou quando o guarda-redes se mexe ou adianta irregularmente. Nem sobre se o marcador é destro ou canhoto. Nem sobre as paradinhas.
Ora, voltando a Jonas, os três penáltis falhados foram junto à relva e dois deles para o canto inferior direito que é, precisamente, onde se falha mais.
Cá para mim, o chuto deve ser sempre:
a) forte;
b) a meia-altura.
Mesmo que o guarda-redes adivinhe o lado chega sempre depois de a bola entrar.

Estoril na praia
No jogo Estoril Praia - FC Porto houve duas partes abusivamente separadas por largas semanas. Na primeira, pela equipa caseira, jogou o Estoril que ganhava por 1-0. Na segunda, jogou o Praia que perdeu por 0-3. Como se isso não bastasse e para que tudo ficasse mais de acordo com o desejado nos primeiros minutos, o VAR resolveu validar um golo absolutamente ilegal aos portistas.
Quanto ao primeiro aspecto, não sei que benzodiazepina tomaram os jogadores do Praia. Sonolentos, apáticos, só lhes faltou a toalha de banho. Nunca vi coisa igual. Aliás, foi de tal modo escandaloso que o técnico estorilista Ivo Vieira não se coibiu de, publicamente, criticar asperamente a sua equipa. Diz-se que o Porto foi fulgurante nesta segunda metade da partida. Pudera, jogou sozinho... Aliás, o Porto ainda que estando a jogar bem, já se está a habituar a enormes dificuldades face aos seus opositores. Veja-se o caso dos amigáveis Rio Ave e Chaves e do parceiro Portimonense...
Quanto ao segundo ponto, o VAR foi nada mais nada menos do que o advogado Luís Ferreira, que às vezes confundo com Fábio Veríssimo na estampa e nos tiques. Para memória futura: Luís Ferreira também foi o VAR no Porto - Belenenses num jogo em que, por coincidência se juntou o VAR Ferreira e o árbitro Veríssimo (lembram-se de dois penáltis descarados perdoados ao Porto quando havia 0-0?) e foi o árbitro que esteve na origem dos golos do Boavista quando na época passada os axadrezados chegaram num ápice aos três golos. Se juntarmos João Capela (ora poliglota entendendo a língua de Camões com a língua de Cervantes no seu mentiroso relatório do interminável Tondela - SCP), assim se forma o actual grande trio internacional da arbitragem portuguesa.

Contraluz
- Certeza: João Félix
Trata-se de um jogador com larguíssimo futuro. Ainda júnior, embora actuando muitas vezes já no Benfica B, o meu homónimo de apelido marcou dois golos soberbos na vitória fora de casa contra o FC Porto qe garantiram a vitória neste jogo da fase final para apurar o campeão nacional sub-19.
- Imprevisibilidade: Taça de Inglaterra
O quase imbatível e multimilionário Manchester City de Pepe Guardiola, foi eliminado da competição por um clube da terceira divisão inglesa, o Wigan. Na Inglaterra qualquer jogo é emocionante e de desfecho não assegurado, já o mesmo acontecera ao Arsenal ao ser superado pelo Nottingham Forest, do 2.º escalão.
-Acontecimento: Olimpíadas de Inverno
Acabaram estes jogos realizados na Coreia do Sul que pude acompanhar pela Eurosport e pelos excelentes resumos da RTP2. Menos afamados que os de Verão, não deixam de ser uma realização belíssima e de grande qualidade competitiva.
- Acordo: Entre SLB e Jorge Jesus
Um fim do litígio inteligente e oportuno entre o tetracampeão Benfica e o bicampeão Jesus."

Bagão Félix, in A Bola

Quase...!!!

Benfica 2 - 3 Ravenna
21-25, 25-22, 25-18, 22-25, 14-16


Fim do sonho Europeu, em mais um jogo muito equilibrado, contra um adversário com um plantel muito mais forte... Aquela parte final do 4.º Set foi fatal...

Agora, temos as competições internas...

Parabéns...

Contas...


Resumo da apresentação dos resultados semestrais - Época 2017/18
Crescimento do total de rendimentos da Benfica SAD para 111,6 M€ (+25,6% face a 2016/17);
Resultado líquido positivo de 19,1 M€ (+634,1%);
Resultado operacional: 25,6 M€ (+120,2%);
Capital próprio positivo de 87,6 M€ (melhoria de 19,9 M€);
Redução da dívida bancária em 7%;
Redução do passivo em 53M€.

Perspectivas Futuras
Conquista do Pentacampeonato;
Integração na Equipa A de jogadores formados no Benfica e continuação da forte aposta no Futebol de Formação;
Reforço da aposta na área de Sports Sciences;
Continuação do processo de expansão internacional do Grupo Benfica;
Reforço da Estratégia Digital;
Cumprimento dos critérios do Fair Play Financeiro;
Redução da dependência face ao Sector Bancário Nacional.

Podem consultar o Relatório na integra, aqui.

Contas... Dúvidas... Resultados Semestrais

A carta de amor ao Benfica (...): “Nós só cá estamos para cuidar de ti até à geração seguinte”

"Meu querido Benfica,
Muitos parabéns. 114 aninhos e continuas tão bonito como no dia em que todos, sei lá quantos milhões, nos apaixonámos por ti. Já te disse isto antes, mas hoje é dia de festa redobrada lá em casa. O Tomás e o Sebastião cantaram os parabéns à avó Guta e a ti. A seguir perguntaram-me se o Jonas jogava hoje. Não lhe dei o presente que eles pediram mas o aniversário não é deles. Terão uma vida inteira para perceber. Além disso, compensamos já no fim-de-semana contra o Marítimo.
Escrevo estas coisas um nadinha comovido porque é tudo verdade. O Benfica e a minha mãe fazem anos no mesmo dia. Gostava de escrever algo que superlativasse devidamente esta coincidência, e vou tentar com muita força nos parágrafos seguintes, mas já sei que estou condenado ao falhanço. Podia ser só isso, mas ninguém ia aceitar um texto com tão poucos caracteres na Tribuna e o meu amor por ti não se fica por aí.
Os meus filhos já reagem instintivamente ao Benfica. Há um lado do seu pai que, imbuído de uma pedagogia discutível, apela ao pluralismo cromático e aplaude quando os vê escolher o azul ou o verde em questões menores da vida como a cor de céu favorita - azul ganha ao cinzento - ou a cor que define um jardim - é o verde. Porém, quando o futebol lhes entra pelos olhos adentro, há já uma tentativa de verbalizar, uma atenção consciente, há, direi até, uma recepção dirigida rumo à baliza. Mas há mais. Imagina tu, meu querido Benfica, que o destino decidiu oferecer-me uma esposa que tem uma fotografia sua a receber a medalha de 25 anos de sócia ao lado do Ricardo Araújo Pereira, uma das pessoas a quem eu mais tentei agradar desde que decidi escrever um parágrafo que fosse. Eu não sou de hashtags, mas porra. Se tudo isto não é caso para dizer #blessed, não sei o que será.
Já percebeste. A vida é maravilhosa para um tetracampeão, mesmo que chova no teu dia de aniversário. Que se dane. Não seria a primeira vez que celebrávamos juntos à chuva. Como dizem os indefectíveis adeptos organizados que te levam para todo o lado e fazem este activista de sofá sentir-se devidamente representado, mas também privilegiado por ser do clube que é: Seja. Onde. For.
Eu podia dizer que não me lembrava, mas estaria a mentir. 23 de Maio de 1990, por volta das 16:45. Turmas inteiras numa escola primária de Linda-a-Velha eram mandadas mais cedo para casa. Celebrámos todos, independentemente da cor clubística. Foi bonita a festa. Ruy Belo escreveu que “a eternidade é não haver papéis”. Para uma criança de 8 anos, a eternidade era não haver aulas e Portugal ficava em frente à tv. Ainda hoje me lembro da perplexidade com que percebi que um clube de futebol tinha alterado o dia de toda a gente. O Benfica jogava contra o Milan. Repito: foi bonita a festa. Perdemos o jogo. Ganhou-se um benfiquista. Nunca mais fui igual.
Muita coisa aconteceu desde então. Vê lá tu que me fizeram sócio do Belenenses e eu gostei tanto do Mapuata, do Jaime, do Galo, do Saavedra e das boleias infindáveis do pai Mirra que que ainda hoje me lembro de equipas inteiras que vi jogar no Restelo. Fui uma espécie de polígamo. Era miúdo. Felizmente soubeste aceitar-me, tu e o meu pai que terá visto ali um devaneio da adolescência. Souberam aceitar-me como eu era e nunca mais olhámos para trás.
Hoje, não poderia viver mais confortável na minha pele. Hoje, muitos anos depois de descobrir que seria do Benfica para sempre, percebo que o amor a um clube de futebol não é assim tão diferente do que acontece quando nos apaixonamos por outro ser humano. É uma foleirice. É um bocadinho sofrido. Sobrevive-nos através das pessoas que cá ficam e continuam. É uma abstracção mas tem morada, é um porto de abrigo, um ombro em quem encostar a cabeça ali na Av. Eusébio da Silva Ferreira. É, como diria o meu herói MEC, fodido.
É de loucos. Um dia damos por ti e queremos correr e dizer a toda a gente. Fazemos e dizemos coisas pouco racionais. Irritamo-nos com tudo e beijamos o símbolo da camisola, tudo porque amamos. Ou apenas, porque nem sempre parece suficiente. Olha, meu querido Benfica, só sei que um dia dei por ti e nunca mais te larguei.
Os dirigentes e adeptos de um certo belicismo clubístico que me desculpem, mas nós só cá estamos para cuidar do Benfica até à geração seguinte. Além disso, não é esse o amor que eu tenciono pregar no dia de anos do Benfica e da minha mãe. Ambos me ensinaram que há outro caminho.
E é justamente por isso que, quando algumas pessoas de outros clubes dizem que eu escrevo aquilo que escrevo porque sou um avençado ou um cartilheiro, o meu coração balança entre responder com o mais aguerrido dos insultos ou simplesmente retribuir com mais amor - neste caso, ao que é de hoje e sempre. E escrevo estas coisas um nadinha comovido porque é tudo verdade - o meu amor por ti. Parabéns, meu querido Benfica."

Carta aberta ao Caldas

"Este não é apenas o jogo das vossas vidas. Este é o jogo da vida de todos aqueles que precisam de esperança, seja por que motivo for, o que se inspiram neste conto de fadas que já deixou de ser vosso para passar a ser de todos. É de histórias assim, feitas de fé e de luz (para lá da saborosa glória), que o povo precisa. Para poder acreditar, para poder sonhar, para poder desafiar. Vocês não são heróis só pode chegarem a esta fase da prova. Isto é um prémio. Vocês, dos mais novos aos mais velhos, dos que ainda esperam muito aos que já pouco esperam, são os heróis por aquilo que fazem diariamente, quando se juntam para fazer obras no balneário, quando metem férias, trocam folgas ou faltam ao trabalho para jogar futebol, quando abdicam de estar com as vossas famílias e amigos pelo prazer de correr atrás de uma bola, como se alguma vez fosse possível explicar-lhes, como se alguma vez fosse possível compreenderem. Vocês representam todos aqueles que, por pouco ou gratuitamente, fazem o mesmo nas infindáveis divisões inferiores, no anonimato. Como Wilson Severino, aquele guerreiro que fez  toda a carreira nas divisões da Argentina e que se despediu com um discurso marcante: «Não temos contratos milionários nem viagens à Europa. Somos rapazes que se ajudam uns aos outros para podermos estar num campo e sermos jogadores de futebol. É a nossa essência. Há muita gente que não o entende. A família critica-te e chama-te louco. Peço perdão ao meu filho porque perdi 13 anos da vida dele por causa do futebol. Não me arrependo, mas peço-lhe desculpa. Oxalá um dia ele entenda que eu era um jogador de futebol». Hoje (e na segunda mão), sejam jogadores de futebol, divirtam-se, desfrutem. Vocês já fizeram história, já semearam esperança, já tornaram o impossível um pouco mais possível. O resto é bónus. Da minha parte, obrigado por me fazerem sentir tão orgulhoso da terra onde nasci e onde comecei a ver futebol."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Equipas e adeptos, adeptos e equipas

"Há quase dois anos, James McIrney, professor de Biologia evolutiva da Universidade de Manchester, respondeu, com dados científicos, à velha questão «quem apareceu primeiro, a galinha ou o ovo?» Para McIrney, as galinhas apareceram muito depois dos ovos...
No futebol, há um dilema semelhante, para cuja solução ainda não apareceu o contributo de qualquer académico: «É a equipa que puxa pelos adeptos ou são os adeptos que puxam pela equipa?»
Vem este introito a propósito das críticas de Jorge Jesus aos adeptos do Sporting que «não souberam ajudar a equipa» no jogo com o Moreirense. Os 38.920 espectadores que demandaram Alvalade na noite chuvosa de passada segunda-feira não ficaram exactamente com a exibição dos leões e, tal como tinha sucedido no final do jogo com o Astana, fizeram-no saber a ponto de provocar a reacção de Jorge Jesus.
O Sporting, à 24.ª jornada, e antes de enfrentar uma dezena de obstáculos de alto grau de dificuldade até ao fim do campeonato, tem o mesmo número de pontos, 59, que contabilizava há dois anos e apenas difere num golo no saldo entre golos marcados e sofridos. Porém, os leões de 2015/16 (grande época) exibiam uma alegria maior ao longo dos 90 minutos, eram mais convincentes e imaginativas e por isso recebiam mais favores dos adeptos, sempre sensíveis à nota artística.
Portanto, e sem querer, nem por sombras, esgotar a matéria dilemática em apreço, arrisco uma resposta: a partir do momento em que o árbitro apita para o início do jogo, são as equipas que puxam pelos adeptos, antes dos adeptos puxarem pelas equipas."

José Manuel Delgado, in A Bola

O polivalente que se tornou especialista

"George Bernard Shaw (1856-1950), dramaturgo, escritor e jornalista irlandês, Nobel da literatura em 1925, não pensou em futebol quando afirmou que "o especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos e, por fim, acaba sabendo tudo sobre nada". O tempo tem acentuado, no último século, a tendência universalista da sociedade, mas há casos particulares que privilegiam o conhecimento profundo das especificidades de certas funções. André Almeida começou por dar resposta à teoria de Shaw (cumprindo o ideal de saber alguma coisa sobre tudo) mas foi impelido a consolidar competências que, mais estritas no âmbito global do futebolista que desejou ser (médio-centro), lhe são mais favoráveis para a missão que lhe pediram para cumprir (defesa-direito). Teve então de se construir na conjugação entre as obrigações rígidas atrás (responsável, sóbrio, difícil de ultrapassar, com bom sentido posicional e tempo de entrada aos lances) e a integração nas acções à frente (boa articulação motora, talento para tomar as melhores decisões, técnica para executar no último terço e capacidade para articular jogo pelo caminho).
AA adaptou à função de lateral-direito as valências técnicas, o entendimento táctico e o desenvolvimento físico de toda a vida; concentrou num objectivo claro a versatilidade exibida desde miúdo, enriquecendo assim o jogador de enorme fiabilidade em que se tornou. Formado segundo parâmetros de avaliação generalistas, não adquiriu logo a totalidade dos argumentos necessários a tarefa tão específica. Está agora a harmonizar características e qualidades avulsas, de tal forma que é hoje um defesa-direito consolidado, completo e credível, com soluções ricas na acção criativa e cada vez mais preciso nos movimentos sem bola. AA é o polivalente que as circunstâncias obrigaram a reciclar como especialista; um jogador com amplo entendimento do futebol e desejo de participação no jogo, que adaptou o conceito, a visão e a interferência no funcionamento da equipa, a uma intervenção menos influente mas nem por isso menos exigente. Aos 27 anos, está a completar o puzzle como referência do clube e até do futebol português; está a dimensionar-se como elemento de topo na equipa de craques mundiais que tem sido o Benfica na última década, fazendo-o à custa de um caminho que ele próprio trilhou, quase sempre colocado perante obstáculos gigantescos – todos ultrapassados, diga-se de passagem. É, por isso, protagonista de uma história de vida na qual brilha a força de perseverança, ambição, coragem, inteligência e de um talento futebolístico menos visível e reconhecido, para o qual contribuem factores humanos relacionados com temperamento, trabalho, dedicação, estudo, ensino e aprendizagem. AA manteve sempre à distância o sedutor de idiotas que é o êxito e recusou o vedetismo sem sentido, talvez por reconhecê-lo como um dos principais produtores de imbecis.
Já na presente época, AA foi confrontado com vários desafios de coeficiente máximo de dificuldade, o maior dos quais ocupar o lugar deixado vago por Nélson Semedo. Começou por eliminar a concorrência de Douglas, que chegou à Luz com o prestígio acrescido pela ligação ao Barcelona e o passado de sucesso no São Paulo, e prosseguiu dissipando gradualmente as debilidades apontadas ao seu futebol. É impressionante como, tendo sido tão desconsiderado em certas fases da carreira, está a atingir nível tão alto e influência tão grande no tetracampeão nacional. De tal forma que viu o Benfica recusar propostas milionárias (do Leicester, por exemplo) com argumento que tem tanto de lógico como de surpreendente: é imprescindível no ataque ao penta. É mesmo. Num Mundo materialista e pouco dado a sentimentalismos, AA ouviu o que queria, mesmo em prejuízo da tantas vezes sagrada conta bancária. Prova de que, também por isso, é um homem especial.

O altruísmo de Cristiano
Há quem não passe a bola à mãe se tiver 5% de possibilidades de fazer golo
Cristiano decidiu contra a lógica da carreira: pensou mais no colectivo do que nele próprio, abdicando de um golo quase certo para oferecê-lo a Benzema. O egoísmo, antes de ser um defeito futebolístico, é a linha de raciocínio habitual e eficaz de quem alimenta carreiras feitas de números – e é obscena a estatística de CR7. Ronaldo foi muito elogiado. Tudo bem. Desde que não repita a graça muitas vezes...

Marega a fazer época fabulosa
Partiu com atraso para a época mas está a recuperar todo o tempo que perdeu
Marega iniciou a época sob a suspeita (havia quem tivesse a certeza) de não ser suficientemente bom para jogar no FC Porto. Os mais cépticos ainda não estão convencidos, mesmo com os 20 golos na Liga, talvez envergonhados por engano tão escandaloso. Em Portimão, o maliano deixou tudo no lugar: jogou, marcou e assistiu; foi decisivo em espaços curtos e fulgurante em mar aberto. Está a fazer época fabulosa.

O peso relativo de Bas Dost 
Todos os jogadores são substituíveis. Mas há uns menos do que outros
Bas Dost está a viver uma temporada singular: tem mais jogos do que nunca, está a marcar a ritmo incomparável e a revelar peso tremendo na equipa. O holandês não tem substituto à altura no plantel e a equipa ressente-se logo quando a máxima referência ofensiva fica de fora. Mesmo em clara inferioridade física, a sua presença foi inspiradora com Tondela e Astana. Isto para lá dos 2 golos que marcou."