Últimas indefectivações

sábado, 22 de outubro de 2011

Mais uma "Final" conquistada !!!



Beira Mar 0 - 1 Benfica



Também são com estes jogos que se ganham Campeonatos. O jogo 'chato' para mim não foi surpresa, o Benfica teve um jogo bastante desgastante na Terça, com o Basileia, com lesões, expulsões, e contra uma equipa muito forte fisicamente; o Beira Mar é talvez a equipa mais 'irritante' desta Liga, portanto jogo 'chato' sem surpresa... a única excentrecidade foi a maneira como o Benfica chegou ao golo da vitória: raramente o Benfica beneficia de golos, após um erro descarado de um adversário, portanto na próxima semana não se falará de outra coisa: o Rego 'abriu-se' para o Benfica!!! Do lado dos Benfiquistas, a má língua vai ser 'lançada' ao Cardozo!!! Sim, ao Takuara, não estou enganado. Pois ele só marcou o golo, porque 'falhou' o cabeceamento, como se pode observar pela movimentação da cabeça na repetição!!!!!!!!!!!

Mais uma vez, para não destoar, Paulo Baptista tudo fez para o jogo acabar empatado, as faltas não marcadas a favor do Benfica, e as faltas completamente, e descaradamente, inventadas contra o Benfica, em zonas potencialmente perigosas, são bastante esclarecedoras das intenções do bicho...

Ao contrário dos últimos anos, o Benfica tem jogado quase sempre primeiro em relacção aos nossos principais adversários, e com estes 3 pontos muito importantes conquistados, a pressão está agora no lado deles...

Invencibilidade



Castêlo da Maia 0 - 3 Benfica

17-25, 15-25, 17-25


Só vi a segunda 'metade' do jogo, e gostei bastante, pareceu-me o melhor jogo do Benfica esta época, com o Kock a melhorar bastante, como era esperado...

O próximo jogo é nos Açores, dia 29, com o nosso principal adversário, que esta semana perdeu em Espinho!!!

Vitória...




Boavista 2 - 6 Benfica



Resultado enganador, entrámos no jogo praticamente a perder, e só no início da segunda parte conseguimos 'descansar'!!!

Liderança

Belenenses 25 - 35 Benfica



Com a derrota do Águas Santas com os Corruptos, o Benfica passa a repartir a liderança do Campeonato com os Maiatos. Desde da derrota com o Madeira SAD este Benfica mudou!!! Uma defesa muito agressiva, e uma entrada no jogo demolidora, tem sido esta a receita, hoje em Belém, voltámos a dominar...

Mau começo...

HC Braga 1 - 1 Benfica



O ano passado além das suas derrotas com os Corruptos, só empatámos nos Açores, de resto foram só vitórias, portanto, este resultado é claramente negativo... esta não é uma das piores equipas do Campeonato, bem pelo contrário, além disso, hoje tiveram o seu veterano guarda-redes em grande forma, mas o Benfica tem que render mais...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma questão de instrução

"O incrível Shrek e a sua cáfila de cafajestes acham que é de bom tom espancar um pobre pai de família que se dedica ao cumprimento do seu ofício. Vai daí, o incrível Shrek e a sua banda filarmónica de sopradores de tíbias, avançam como hordas de hunos enfurecidos destruindo tudo à sua passagem, de uma forma que faria inveja ao própria Átila, Flagelo de Deus, mas menino de coro ao pé desta corja de selvagens sem açaime. O incrível Shrek é um bom aluno da Escola Superior de Trampolinice, Dolo, Burla, Trapaça e Tratantada dirigida por D. Palhaço.

O incrível Shrek não tem culpa, vendo bem. Foi-lhe dito, a si e à sua súcia de calinos, que o País dos Homens de Cócoras se governava a golpes de funda, à custa de pedradas, pauladas e assaltos de clavina em punho na orla das florestas ou dos viadutos sem vigilância. O incrível Shrek e a sua caterva de valdevinos aprenderam depressa a regra número um dos cobardes: atacar em grupo um indivíduo sozinho, fugir depressa mal o tenham espezinhado, negar com veemência quando os acusarem do gesto.

Foi-lhes ensinada como os rudimentos do abecedário dos alarves por Madaleno, o rei dos poltrões. O incrível Shrek e a sua récua de facínoras levaram à letra tudo o que lhes foi inculcado: pontapearam estoicamente as rótulas de um infeliz, insultaram-lhe pai e mão e restante família até à quinta geração, pisaram-lhe as carótidas até o verem arroxear. Depois do trabalho feito, o incrível Shrek e a sua alcateia de cáfaros fugiram a sete pés como pusilânimes que são. E recusaram a culpa. E teimaram na inocência. E fincaram pé na vergonha do silêncio. O problema do incrível Shrek, e da sua chusma de inimputáveis, não é uma abertura de instrução. É a própria instrução; ou falta dela. É o civismo ou a animalidade. Tudo aquilo, enfim, que distingue os homens das bestas."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (MP!!!)

"Afinal o Sport Lisboa e Benfica tem muito mais de 6 milhões de adeptos em Portugal. São 6 milhões, mais todos os procuradores do Ministério Público que, por serem fanáticos doentios do Benfica, denunciaram sem razão cinco miseráveis jogadores do FC Porto que não bateram em ninguém e estão a ser vítimas de uma cabala monumental destes analfabetos Procuradores do Ministério Público!

Na opinião de alguns defensores da Justiça portuguesa, como MS Tavares, este é o maior escândalo a que já assistiu! Uma vez que os arguidos dos casos BCP, BPN, Casa Pia, Freeport, etc, etc, etc, etc, etc, não foram, nem serão, condenados. Por isso esqueçam tudo o que estes insurrectos fizeram e, se for possível, dêem-lhes uma medalha de mérito desportivo, uma vez que o Dragão D'Oiro eles já têm garantido!

É impressionante a semelhança de discurso de MST e de Pinto da Costa. O presidente do clube das riscas dizia, durante a sua declaração à Dinamarca para apoiar a Selecção, que esta acusação é uma farsa pois ninguém acusou nem condenou Scolari quando do seu caso com um jogador adversário há uns anos atrás. Por isso nem se devia falar sobre este problema dos jogadores do FCP. É que no entender desta gente, como o primeiro prevaricador português não foi condenado há muitos anos, ninguém deverá ser mais acusado, processado ou condenado nos próximos séculos! Nem sei mesmo porque é que ainda existem tribunais...

Os argumentos deste pessoal são sempre os mesmos! Eles não desmentem as agressões. Não desmentem o que disseram nas Escutas Telefónicas! Tentam sempre rebater a coisa desculpando-se com os outros que também fizeram maldades ou, no limite, com a ilegalidade das investigações! Parecem aqueles meninos-queixinhas que, quando são apanhados a fazer asneiras, nunca têm a culpa de nada. A culpa é sempre dos outros. E mentem, se for preciso, à professora para se livrarem dos justo correctivo!...

Já não há paciência para os aturar! São sempre os mesmos a fazer asneiras. São sempre os mesmos a desculparem-se com os outros! Só é pena que ninguém lhes deite a mão! E ainda se queixam da »Justiça»!..."


João Diogo, in O Benfica

Cardozo, o melhor tranquilizante

"Bela exibição na Suíça e um excelente resultado. Liderança no grupo, dois jogos em casa e o apuramento a poder ser conseguido já no dia 2 de Novembro na recepção ao Basileia. Que mais se pode pedir a este Benfica de Jorge Jesus? Por mim, apenas para assim continuar. A única equipa portuguesa que ainda não perdeu os 15 jogos oficiais já disputados (e uma das poucas da Europa), onde apenas o empate em Barcelos se pode considerar tristonho.

Já a vitória frente ao Portimonense, no jogo da Taça, havia deixado bons indicadores sobre alguns dos jogadores menos utilizados. Rodrigo foi nos dois jogos a revelação-certeza, temos ali um avançado que em pouco tempo poderá ser titular.

Contudo, numa altura em que todos falam de Rodrigo, eu queira escrever sobre Cardozo. Digam e escrevam o que vos for na alma sobre Takuara, mas os números são irrefutáveis; 15.524 minutos, 211 jogos, 130 golos ou seja um golo a cada 119 minutos (incluindo particulares).

Há melhor? Talvez, mas não estou a ver muitos. Desta vez demorou quatro minutos a por a bola naquela espécie de galinheiro que falava o Scolari.

Cardozo entrou e, quatro minutos depois, milhões de benfiquistas ficaram descansados sobre o desfecho do jogo. Não conheço melhor tranquilizante.

Por isso, são cada vez mais a gritar: «Tenham cuidado. Ele é perigoso. Ele é o Óscar Takuara Cardozo.»

Este fim-de-semana haverá em Aveiro um jogo difícil para o Benfica, naturalmente cansado. O melhor ataque joga contra a melhor defesa do campeonato, impressionante o registo defensivo do Beira-Mar. Será preciso toda a artilharia para fazer ruir aquele castelo e continuar na frente.

Ontem desabafava um grande amigo, triste com o rumo do Pais, com as nossas perspectivas económicas e financeiras, com o desemprego e as falências: «Só não imigro porque não consigo ir viver para longe do Benfica». Como eu percebo!"


Sílvio Cervan, in A Bola

Em cheio

"O Benfica, que é muito mais que um Clube e mais ainda que um Clube de Futebol, venceu em todas as modalidades em que participou no passado fim-de-semana. No Futebol, seguiu em frente na Taça de Portugal, afastando um adversário que jogou apenas para adiar a derrota. Para além do jogo e da eliminatória, o Benfica ganhou atletas que, postos à prova, provaram a qualidade do plantel. O Benfica venceu também em Juniores. Igualmente venceu no Futsal, mantendo-se no cimo da tabela.

Nas outras modalidades, o Benfica continuou imperial. No Voleibol, três vitórias em outros tantos jogos, com apenas um set perdido, atesta a qualidade de uma equipa que no ano passado ganhou tudo... menos o título, perdido numa final que, de forma absurda, se decide à melhor de três jogos.

E no Basquetebol, depois da brilhante vitória no Troféu António Pratas, entrou a ganhar no Campeonato, no Barreiro, provando que com este plantel e este treinador, Carlos Lisboa, o Benfica será muito difícil de vencer em jogo limpo. No Andebol, mais uma vitória folgada, demonstrando que mora na Luz um candidato ao título. Enquanto os Juniores de Andebol lideram invictos, o respectivo campeonato. No Râguebi, a equipa somou na quarta jornada mais uma vitória ao seu pecúlio. E ainda falta que entre em cena a equipa de Hóquei em Patins, líder do ranking mundial de clubes, à frente do Reus e do Barcelona. No Judo, Telma Monteiro conquistou o bronze no Grand Prix de Abu Dhabi, apesar da lesão que a impediu de disputar a final.

Como eu, haverá muitos outros milhares de benfiquistas que se recordam do período negro da história do Clube em que as modalidades foram desmanteladas. A regeneração foi uma saga digna de um Clube Glorioso."

João Paulo Guerra, in O Benfica

A Catedral da Luz

"Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.

Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.

Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.

Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

O futebol ideal

"1. Mais dois fins-de-semana sem Campeonato, mais uma série de notícias de jornais antecipando já o 'mercado de Janeiro', mais jogadores que podem entrar e sair deste e daquele clube - é este o Futebol que vamos tendo e que, apesar de tudo, mantém o interesse das multidões. Mas não seria muito melhor um Futebol com mais jogadores nacionais nas equipas, com jogadores mais tempo em cada clube, com campeonatos disputados de forma regular ao longo da época e não interrompidos constantemente?

Claro que o problema não é (só) português, é mundial. E é ao nível da FIFA e da UEFA (sob pressão das federações nacionais) que tem de ser resolvido. Como Luís Fialho, muito bem defendeu há duas semanas no nosso Jornal (e julgo que também eu já aqui publiquei uma vez), as fases de apuramento para os campeonatos continentais e Mundiais deveriam ser disputadas, todas, no final da época (e, já agora, antecedidas de uma fase prévia para seleccionar apenas as melhores das selecções mais fracas, tipo São Marino, Ilhas Faroé, Malta ou Liechtenstein). Nos campeonatos de cada país, os clubes deveriam apresentar em campo, pelo menos, seis jogadores nacionais. E o período de transferências deveria ser limitado a 15 dias, ou um mês por ano, no 'defeso'. Os negócios far-se-iam antes e, no final de Julho (na Europa), estava tudo resolvido e as equipas eram estáveis de início ao final das épocas. Quanto muito, admitir-se-ia um número muito limitado de transferências (uma, duas por clube) em Janeiro (mas uma semana chegava...), mas apenas de, e para, a América do Sul, atendendo ao 'defeso' deles. Claro que os empresários (e afins) não gostariam. Mas o adepto agradeceria... Tenho saudade dos tempos em que os jogadores chegavam cedo a um clube e só deixavam quando terminavam a carreira...


2. Afinal, Hulk e companhia (uma companhia ainda mais alargada do que inicialmente se soube) agrediram mesmo os seguranças no túnel do nosso Estádio. Afinal, o Conselho de Disciplina da Liga tinha razão. Os agredidos queixaram-se civilmente, o processo seguiu e os (vários) jogadores do FC Porto foram, agora, formalmente acusados. Aqui d'el Rei que o Ministério Público não tem mais nada que fazer, que querem é novamente desestabilizar a equipa. Agora, já não é a existência das agressões (tantas vezes postas em causa) que está em causa, mas a intervenção do Ministério Público.

Claro que um comentário há dias aparecido na net diz tudo: 'O quê? Não me digam que - finalmente - alguém desse clube vai pagar por um crime que cometeu... Inacreditável...'. "


Arons de Carvalho, in O Benfica

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Teimosia e sentido de Estado

"O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco para receber o seu Dragão de Ouro? Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto? Fazer o pino?

DEPOIS de na temporada passada ter feito uma figura tristíssima na Liga dos Campeões, o Benfica vai agora bem lançado para o apuramento e pode até encarar a perspectiva de ir a Manchester com o assunto resolvido, o que é um grande alívio, com toda a franqueza.
Anteontem, em Basileia, o Benfica fez o que lhe competia. Ganhou, somou 3 pontos e reforçou a economia do país com os euros devidos por cada vitória na competição.
Dizem os entendidos que Jorge Jesus está agora com um grande problema na linha de ataque porque tem de escolher entre Nolito ou Bruno César ou Saviola ou Cardozo ou Rodrigo ou Rodrigo ou Bruno César ou Saviola ou Nélson Oliveira para o lugar de todos os demais. É, na verdade, um problema maravilhoso de resolver e Jesus lá o tem resolvido com sucesso e perante a aprovação geral.
Do ano passado para este ano, de facto, o Benfica tem mais um problema - o tal no ataque - mas, por outro lado, tem menos um problema, o problema da baliza.
E aqui está um problema que deixou de existir porque Artur tem dado conta de recado com um tal sentido de Estado, de modo tão imperturbável que mais parece um jogador de cartas do tipo poker face, daqueles que nem pestanejam e deixam os adversários à beira de um ataque de nervos por não conseguirem adivinhar o que lhe vai na alma.
No sábado é em Aveiro. E também é para ganhar.

POR fim, a Justiça portuguesa alinhou com a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e limpou o crime de difamação do cadastro do jornalista José Manuel Mestre.
Para que este caso morresse foram precisos 15 anos e uma reprimenda do TEDH, sediado em Estrasburgo, ao Estado português por «não ter acautelado a defesa da liberdade de expressão» que consta na carta universal dos direitos do homem.
Assim sendo, os Juízos Criminais do Porto que tinham condenado José Manuel Mestre e a SIC em primeira instância, reconhecem agora que não houve da parte do jornalista intenção em difamar o presidente do FC Porto quando, em 1996, entrevistando Gerhard Aigner, à época secretário-geral da UEFA, Mestre perguntou ao dirigente estrangeiro se achava normal que Pinto da Costa, à época presidente da Liga dos Clubes, se sentasse no banco dos suplentes à frente dos árbitros quem era «por inerência de cargo» o patrão.
Com as próximas eleições na FPF e com o frenesi estratégico que por aí vai com o regresso da arbitragem ao seio da Federação, seria bom para o país - porque tempo é dinheiro - que Fernando Gomes, neste particular, não demonstre uma sensibilidade tão à flor da pele quanto exibiu Pinto da Costa quando acumulava o cargo de presidente da Liga e isto num tempo em que a arbitragem ainda estava longe, muito longe mesmo, de regressar aos poderes da Federação.
Também é verdade que não se vislumbra motivo algum para Fernando Gomes se sentar no banco do FC Porto à frente dos árbitros de quem, por inerência de cargo, vai brevemente ser o patrão, o que não constitui ofensa alguma.
Neste período pré-eleitoral, lendo transversalmente as notícias dos jornais sobre o assunto, fica-se com a ideia, provavelmente errada, de que o acto do próximo mês de Dezembro não serve para eleger um novo presidente da FPF mas sim um novo patrão dos árbitros.
E deste lamentável paradoxo nem Fernando Gomes nem nenhum dos outros concorrentes tem culpa alguma.

VOLTEMOS ao tema da liberdade de expressão a propósito da notícia de que André Villas Boas será agraciado com o Dragão de Ouro para o treinador do ano na próxima Gala de distribuição de prémios entre a nação portista.
Garantidamente que o ex-treinador do FC Porto vai ter direito à liberdade de expressão na festa do Coliseu do Porto.
Mas ainda Villas Boas nem sequer aterrou em Pedras Rubras, muito menos teve ainda tempo para alinhavar as palavras do seu discurso de agradecimento, e já a liberdade de expressão de terceiros anda a fazer das suas. É que não param, por SMS, e-mail, redes sociais e literatura vária, as sugestões para uma recepção condigna ao jovem que trocou a sua pátria cadeira de sonho por uma vida profissional, enfim, na Europa.
O que devem, então, os portistas fazer quando André Villas Boas subir ao palco nessa noite que se avizinha histórica no Coliseu?
Fazer barulho? Virar as costas? Abandonar o recinto?
Fazer manguitos? Fazer o pino?
A seu tempo se verá mas fez bem o FC Porto em atribuir o Dragão de Ouro de melhor treinador ao treinador que lhe deu a vitória em quatro celebradíssimas competições oficiais numa única época. Demonstrou sentido de Estado. Aliás, outra coisa não poderia fazer sob pena de ridículo.
Resta também saber o que vai fazer e dizer Villas Boas quando agradecer a distinção.
Vai ser humilde?
Talvez...
Ou vai, com a ironia do costume que reina na casa, dedicar o prémio a Vítor Pereira com quem aprendeu tudo?
Pouco provável...
Ou vai fazer como Danny e, sem grandes explicações, não comparecer na soirée marcada para o Porto?
Improvável...

APESAR de já ter estado marcada para a soirée, quem não vai comparecer no Estádio de Alvalade no próximo dia 15 de Novembro é a selecção nacional de futebol. Afinal, a selecção vai receber a Bósnia no Estádio da Luz, o que levou a um natural reacender de teimosias entre sportinguistas e benfiquistas.
Ouçam-nos:
-O vosso estádio dá galo e está o destino da Pátria em jogo...
-Mas foi no vosso Estádio que perdemos a final do Euro 2004 para a Grécia.
-Em Alvalade, o Paulo Bento só coleccionou desgostos.
-Isto há política aqui metida. Será por não termos apoiado o Fernando Gomes primeiro que vocês?
-O homem ainda nem sequer foi eleito. E o nosso estádio tem mais 15 mil lugares do que o vosso.
-Mas achas que há mais de 15 mil pessoas a pagarem bilhete com IVA a 23% para não verem o Bosingwa e o Ricardo Carvalho jogar...?
-Dá graças a Deus por ser na Luz. Se fosse em Alvalade e se, por acaso, vocês vissem o Hélder Postiga a marcar um golo de bicicleta à Bósnia até vos dava uma coisinha má...
-Quero lá saber do Postiga, nós agora temos o Van Wolfswinkel.
-Ai é? Então vai apoiar a selecção da Holanda e deixa a nossa selecção em paz?
-A nossa selecção? A tua selecção deve ser a da Argentina, com certeza, são tantos...
-Olha, o Djaló tem-te escrito?
Têm sido assim as conversas na 2.ª Circular desde que a FPF trocou de estádios sem avisar ninguém.

VÍTOR PEREIRA diz que «se fosse hoje» até tinha inscrito o Walter na Liga dos Campeões. Jorge Jesus diz que «se fosse hoje» não tinha mudado de opinião e que inscreveria sempre Rodrigo no lugar de Joan Capdevila na Liga dos Campeões.
Isto não é teimosia. Isto é sentido de Estado. E é por estas e por outras que eu gosto muito do treinador do meu clube.

VÍTOR PEREIRA disse no final do jogo de ontem que empatar com o APOEL não é empatar com uma equipa qualquer. E não é, não senhor. Empatar com o Apoel em casa é isso mesmo: empatar com o APOEL em casa, um resultado que até se pode considerar positivo se retivermos na memória o último lance da partida com Helton em grande atitude a roubar a vitória aos cipriotas.
O grande protagonista do jogo foi, no entanto, o árbitro que era estrangeiro. Deu 8 cartões amarelos a jogadores do FC Porto.
Um árbitro teimoso, está visto. Mas que herói!

A equipa goesa de futebol dos Churchill Brothers venceu a 124.ª edição da Taça da Índia. A final foi disputada no Ambedkar Stadium, em Nova Deli, e o adversário vencido foi o Prayag United. Depois de 120 minutos sem golos, os Churchill Brothers triunfaram no desempate por grandes penalidades.
Parabéns ao nosso professor Neca, treinador dos Churchill Brothers!"

Leonor Pinhão, in A Bola

Porto mingua, Benfica cresce

"É a última tendência, sobretudo na Europa. Zenit e APOEL face a Basileia... dá ferrugem/tristeza 'versus' ritmo/convicção


TRISTE, enferrujado e nervoso FC Porto. Mantém-se na corrida à fase seguinte da Liga dos Campeões, mas muito aumentam as rugas de preocupação: empate, em casa, perante o APOEL de Chipre, de seguida a contundente derrota na Rússia. E o nível de exibição limitou-se a passar de péssimo para medíocre.

O campeão de Chipre, líder do grupo, é mesmo surpresa. Mas, caramba, o FC Porto só assim, como anda, em rodas baixas, não consegue ganhar-lhe - e até consente que a disputa da vitória se faça taco-a-taco em quase todo o tempo. Na primeira parte, chegou a ser aflitivo, apesar de cedo ter surgido o golo de Hulk com ajuda do guarda-redes. Ivan Jovanovic tem de ser muito bom treinador para conseguir tão sólidas organização e convicção - as frequentes saídas para ataque cipriota chegaram a ser espectaculares - numa equipa sem estrelas (Ailton, brasileiro, ponta-de-lança, tem muito para vir a sê-lo), onde entram Manduca (ex-V- Setúbal e ex-Benfica) e Kaká (ex-SC Braga) e cujo meio-campo é manobrado por Hélio Pinto e Nuno Morais, dois portugueses sem lugar no nosso futebol...


BENFICA: em Basileia confirmou nível de rendimento anos luz à frente do fraquíssimo Benfica dos primeiros meses da época passada (e da tão penosa ponta final...); este Benfica é mesmo potencialmente superior ao da penúltima temporada, campeão nacional. Potencialmente... - o que significa ainda lhe faltar (múltiplas) prova dos 9, ao longo da maratona até à meta final de Maio.

Jorge Jesus disse, na pré-época, não ter agora melhor onze-base do que o de há dois anos. Percebeu-se: sentia faltarem-lhe o então fantástico Di Maria (que poder de explosão em drible e velocidade nos contra-ataques!), o melhor Saviola que Portugal viu e já quase esqueceu, o superconsistente médio todo-o-terreno Ramires, David Luiz no auge de ganas para atingir galarim internacional e Fábio Coentrão que, com enorme mérito de Jorge Jesus, iniciava fulgurante transfiguração de mentalidades (acima de tudo, isso!) e de extremo talvez um dia bonzinho para defesa-esquerdo de mão cheia.

Só que, depois dessa afirmação de Jorge Jesus, chegaram Witsel e Garay, muito fazendo crescer a capacidade do meio-campo e do centro da defesa. Mais: Gaitán, não equivalente a Di Maria, tem confirmado consistente evolução competitiva do seu talento (até como extremo, para minha surpresa, pois sempre lhe vi superiores qualidades para se impor na zona central, como médio ofensivo, ou mais perto do ponta-de-lança), Nolito entrou a todo o gás e Bruno César, gradualmente, à medida que progride em condição física e ritmo, vai mostrando muito bom nível técnico, inclusive no remate.

Comparando idênticos períodos da temporada, este Benfica está melhor do que o de há dois anos. Poderá parecer que não, no campeonato, face à fulgurância daquele arranque para o título; mas os adversários desse Benfica foram apanhados de surpresa, e, para além disso, estavam débeis, mormente o FC Porto. Mas é sobretudo à escala europeia (e agora na Champions, em vez da Liga Europa...) que tem sido evidente o crescimento benfiquista, em maturidade e... consistência táctica. A grande diferença está no meio-campo. Javi Garcia tem agora dois anos de rodagem; e há a novidade Witsel, cujas capacidades e características trouxeram pujança à linha média (bem superiores ritmo e segurança nos desdobramentos ataque-defesa) e versatilidade nas opções táctico-estratégicas. O Benfica de há dois anos era trepidante, amiúde até fulgurante, na ofensiva, mas o actual fez desaparecer as então notórias debilidades na transição defensiva. Foi-se a sofreguidão de dar espectáculo, chegaram bem maior solidez, muito mais equilíbrio; logo, superior capacidade competitiva.

Finalmente, e sempre face ao último Benfica campeão, o actual plantel tem muito melhor naipe de alternativas no banco de suplentes. Atenção, porém: isso é indiscutível na força atacante; mas há debilidades nas opções: qualitativas, para o sector defensivo, e numéricas, para o meio-campo."


Santos Neves, in A Bola

Javi Poves

"Numa semana de futebol europeu, com o Benfica forte, escrevo sobre Javi Poves, até há pouco um jogador (defesa) do Gijón da 1.ª Liga de Espanha. Que, em Agosto, decidiu deixar o futebol.

Ao longo da sua carreira várias vezes quebrou a norma. Recusou a oferta de um carro pelo seu clube, ao contrário dos colegas. Fez várias declarações, umas vezes de revolta sobre «o dinheiro e corrupção no futebol», outras de uma rebeldia utópica e até inconsequente.

Javi Poves decidiu virar missionário: «Quero ajudar quem mais precisa. No futebol não era feliz. Andava iludido. Agora quero ser últil ao mundo, ajudar o próximo. No Senegal vou voltar a sentir valores perdidos como a amizade, solidariedade ou companheirismo. Numa palavra, vou tornar-me mais humano».

Um caso que tem tanto de invulgar, como de respeitável.Perante um mundo desigual e injusto, o atleta sentiu o desassossego das incongruências que alimentam o futebol de elite.

As suas palavras e atitude têm tanto de romantismo ingénuo e sonhador, como de mal-estar perante uma actividade que se alimenta intensamente do fascínio efémero, da aparência falsa e demolidora e da busca vertiginosa do sucesso a qualquer preço.

Onde a linha de separação entre êxito e fracasso é perigosamente imperceptível. Quantas vezes, à euforia do sucesso, se seguem o drama da solidão e do esquecimento, num palco pouco ético e pejado de predadores?

Erich Fromm escreveu um dia: «A partir do momento em que o homem se sente não só como o vendedor mas também como o bem a ser vendido no mercado, a sua estima própria depende de condições que vão além do seu próprio controlo. Se ele é bem sucedido, tem valor; se não é, é inútil».

Será que Javi Poves o leu?"


Bagão Félix, in A Bola

Ferguson da Luz

"A memória dos adeptos é curta. Quando Jesus chegou ao Benfica, o clube estava de rastos: tinha ficado em 3.º lugar no campeonato e não passara da 5.ª eliminatória da Taça de Portugal e da fase de grupos da Taça UEFA.

Jesus operou o milagre de não só ganhar logo o campeonato, mas praticar um futebol como há muitos anos não se via na Luz. E na “horrível” época passada, conseguiu o 2.º lugar no campeonato, ganhou a Taça da Liga, e chegou às meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Mas não foi assim tão mau...

Jesus iniciou no Benfica um ciclo novo: implantou um padrão de jogo, deu um estilo ao futebol encarnado e projetou o plantel, valorizando jogadores que já renderam (ou vão render) muitos milhões ao clube: Di María, David Luiz, Coentrão, Gaitán, Emerson.

Por tudo isto, o Benfica devia começar a pensar fazer de Jesus uma espécie de Ferguson da Luz. Um treinador da velha guarda, que não aderiu a modas de circunstância, que conhece muito bem os meandros do futebol, que tem pulso de ferro e garante boas exibições, mesmo quando não ganha.

Com Jesus, o Benfica valerá sempre mais – como acontece com o Manchester United de Ferguson.

Jesus devolveu a esperança aos benfiquistas, sendo em muitos anos o único treinador que o conseguiu. E o clube tem de agarrar isso com ambas as mãos, iniciando um ciclo novo que faça esquecer os tempos Jupp Heynckes, Camacho, Toni e companhia.

Se Jesus saísse, o Benfica voltaria à estaca zero, à instabilidade interna, à descrença, aos tempos em que a equipa passava um jogo inteiro sem criar uma oportunidade de golo. Seria inglório se isto acontecesse."


Zangas e arrelias

"Jorge Jesus tem razões para estar arreliado com Emerson. Não só foi o menos concentrado dos jogadores da linha defensiva como chegou a dar mostras de alguma displicência. Falhou um golo obrigatório. E, embora lhe tenha calhado em sorte o melhor jogador do Basileia (Shaqiri), o lance que vale o segundo amarelo ao brasileiro é digno de um tenrinho. Ou seja, com a retribuição à porta e a hipótese (invulgar) de conseguir de imediato o apuramento, passeando e gerindo as duas últimas partidas, Jesus tem motivos para estar zangado consigo mesmo, por se comprovar agora que daria algum jeito que um homem como Capdevila pudesse ser opção. Ainda assim, talvez haja uma saída chamada Luís Martins. É uma aventura, um risco? Que seja. Pode acontecer que o jovem português vista uma daquelas personalidades que se agigantam perante os grandes desafios. Com exceção desse pormenor, Jorge Jesus não pode zangar-se com mais ninguém: do inultrapassável Artur ao eficaz Cardoso, tudo resultou com precisão. Com sofrimento, mas também com espetáculo.

Amuados, ao que consta, ficaram os dirigentes do Sporting, com a súbita transferência do Portugal-Bósnia para o Estádio da Luz, depois de “vistorias” e documentos trocados. Alguma razão lhes assiste, sobretudo se for possível confirmar que foram os últimos a saber. Mas, ao mesmo tempo, não podem deixar de reconhecer que a diferença da lotação e que as próprias características do recinto são argumentos insofismáveis a favor da mudança. Pode dar-se o caso de ser a receita de despedida (cruzes, canhoto!) deste Europeu, o que significa que a Federação Portuguesa de Futebol já encara o minorar dos “estragos” resultantes de uma ausência da fase final. E, em matéria de apoio, todos não serão demais – se puderem ser 65 mil, deve perder-se a oportunidade?

Furiosos, vociferantes, andam alguns dos peões de brega do FC Porto para o combate mediático. Tudo por causa do Ministério Público (MP) e da conclusão a que este chegou relativamente ao comportamento de cinco jogadores portistas no túnel no Estádio da Luz. Nem Pinto da Costa se aventurou a tão iradas tiradas – limitou-se a regressar à sua pueril ironia e a comparar o incomparável (Scolari, claro). Os outros não: da palhaçada à conspiração (além dos limites da demagogia ao acusar o MP de perseguir atletas do clube por ter falhado o presidente), sucederam-se as acusações. Todas alinhadas por um nível que envergonha quem o assume e que só se entende por um bizarro nervosismo. Há remédios eficazes. E não me parece que as espumantes figuras dependam de taxas moderadoras. De resto, à falta de melhor, moderar deveria ser um dos verbos a tomar, já. Mesmo em automedicação – é por uma boa causa."


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tour auf Basel





Esta Selecção

"O adversário do sorteio do play-off para o Euro 2012 é satisfatório: a Bósnia-Herzegovina. Partindo do principio que, em circunstâncias normais, ultrapassaremos este último (e escusado) obstáculo, a verdadeira questão da nossa Selecção será posta à prova no próximo Verão.

Para tal é necessário perceber - sem nacionalismo bacocos - que o conjunto dos prováveis seleccionados está visivelmente abaixo da média das últimas competições. Por exemplo, comparando 2004 em 2012, deixámos de ter Rui Costa, Figo, Simão, Pauleta, Fernando Couto, Ricardo Carvalho, Nuno Gomes. Hoje, para além de Cristiano Ronaldo (apesar da palidez do desempenho na Selecção), Nani e Coentrão, os restantes jogadores são de boa cepa, é certo, mas não fazem a diferença nem desequilibram.

Deixámos de ter pontas-de-lança letais, a defesa está uns furos abaixo das de anos anteriores (cenário agravado pela inusitada atitude de Ricardo Carvalho) e não temos um guarda-redes de excepção.

No fundo, estamos a pagar a factura do estrangeirismo quase totalizante dos nossos principais clubes.

Por outro lado, mais de metade dos convocados não é titular nos seus clubes ou foram até dispensados. O expediente pseudo português brasileiro não foi um bom caminho. Não se percebe como há jogadores que ficam de fora (Bosingwa é o mais flagrante exemplo). E o swing convocatório não é um bom método. O sai-e-entra não favorece a estabilidade. Por exemplo, por que razão foi Quim convocado antes do início da temporada depois de um ano parado e, agora que joga, foi desconvocado?

E melhor será que Paulo Bento não fale sempre com um ar abespinhado ou amuado! E que se deixe de falar de Mourinho sempre que Portugal perde um jogo!"


Bagão Félix, in A Bola

Semana de risco

"Porque será que o matutino generalista mais lido pelos portugueses é um quotidiano que se ocupa preferencialmente, para não dizer exclusivamente, ou quase, de futebol (muito futebol e, sobretudo, muito de um só clube), de crónica negra e de crónica rosa e que chama à primeira página, com títulos sensacionalistas e nem sempre fidedignos, notícias de interesse mais do que discutível? Porque será que um jornal assim merece a primazia de tanta gente? Eu digo qual é a razão, para mim a única: é porque o índice de cultura, de literacia, de exigência moral e de esclarecimento da realidade política, económica e social do país é ainda assustadoramente baixo. Com esta carência de qualificação humana, como será possível invertermos o rumo da crise em que estamos profundamente atolados?

Para a Liga dos Campeões, o Benfica joga hoje em Basileia e o FC Porto recebe amanhã o Apoel, que são tão-só os primeiros classificados dos respectivos grupos! Quem diria? Quando se realizou o sorteio, todos pensaram e alegaram que tanto o Basileia como o Apoel seriam as equipas a descartar e que o perigo viria, para um, do Manchester United e, para o outro, do Zenit e Shakhtar. A verdade, porém, é que, decorridas duas jornadas, suíços e cipriotas comandam as classificações. É um sintoma de que alguma coisa está a mudar no futebol europeu e de que hoje a música é outra. O Trabzonspor é outro caso. Reparem: o Basileia foi empatar a Old Trafford, consentido a igualdade mesmo ao cair do pano e o Apoel depois de bater o Zenit também foi empatar ao campo do Shakhtar. Que mais será preciso para se perceber que também eles estão na luta por um lugar nos oitavos e que os dois jogos que aí vêm serão decisivos para o futuro europeu do Benfica e do FC Porto?"


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Língua e golos

"Em cada português há um perito de futebol e um linguista do futebolês. Por exemplo, ao contrário da maior parte dos cidadões que não gostam de futebol, todos já sabemos que Kiev se diz, na Ucrânia, Kiiv, que Witsel se lê Uitsél, na Bélgica, e que o Benfica tem um goleador chamado Cárdosso, que é, pelos vistos, bem melhor que Franco Rará.

Enquanto nos orgulhamos de dizer Rámes Rodrigués e de aprender em apenas dia e meio a dizer, sem gaguejar, Gençlerbirligi - os turcos que há uns anos jogaram com o Sporting -, nem reparamos que na língua somos de facto dos maiores craques de todo o Mundo. Olhamos para Falcao e conseguimos dizer Falcáu mas se fosse preciso diríamos Falcão. Num campeonato mundial da oralidade seríamos sempre candidatos ao título, tal a facilidade com que vamos a cada um dos sons.

Não será só por uma predisposição de alma que somos povo de dar mundos ao Mundo. E que os nossos melhores brilham em quase todo o lado. Com a crise de golos que aí anda vale a pena começarmos a olhar para um miúdo que vai conquistando o seu lugar na liga inglesa. É o número 9 do Fulham e o nome é fácil de dizer, até para um inglês: Orlando Sá.

Poucos se lembram como se diz goleador em português. Há que estar atento aos valores.

..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Benfica, golos, azares e pastilhas !!!

Basileia 0 - 2 Benfica


Aqui está o Benfica 2011-2012, ganhador, pragmático, controlando o jogo, sem tantas correrias loucas como no passado recente, mas com espírito vencedor, com todos os jogadores sacrificando-se em prol da equipa...

Hoje, irritei-me com algumas oportunidades falhadas (Gaitán, Aimar, Emerson), os Suíços demonstravam que num contra-ataque, ou numa bola parada podiam criar perigo, mas felizmente os golos apareceram naturalmente, e a nossa defesa soube fechar a baliza, com mais uma vez Artur a transmitir tranquilidade e segurança...

Inesperadamente, com o resultado feito, uma série de acontecimentos infelizes manchou o final do jogo: aparentemente fadiga muscular no Gaitán, que foi obrigado a terminar o jogo, já não havia substituições; Maxi obrigado a sair com lesão aparentemente grave; Emerson expulso com mais um mergulho do Shaquiri (algo constante durante todo o jogo!!!); Expulsão do Jesus, após reacção 'energética' a uma falta sobre o Bruno César!!! Foram 15 minutos totalmente dispensáveis...!!!

Arbitragem típica: 'matou' vários contra-ataques ao Benfica, principalmente no fim da partida, em sentido contrário 'ofereceu' vários ataques aos Suíços, após faltas não assinaladas!!!

Destaco a estreia internacional do Rodrigo, o faro pelo golo do Bruno, a consistência das duas duplas centrais (Luisão/Garay e Javi/Witsel), o cool Artur, e a pastilha do Cardozo!!! Sim, quando vi o Óscar mascar a pastilha, durante a preparação do 'livre', provavelmente da marca Gorila, tive um feeling, que ia sair bomba!!!

Uma, duas, três!

"Sábado, 3 de Setembro de 2011, Portimão: vencendo o campeão nacional (Sporting), o Benfica conquistou a Supertaça de Futsal, primeiro troféu oficial da época, vingando a final do último Campeonato.

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011, Lisboa: vencendo o campeão nacional (Fonte Bastardo), o Benfica conquistou a Supertaça de Voleibol, primeiro troféu oficial da época, vingando a final do último Campeonato.

Domingo, 9 de Outubro de 2011, Vagos: vencendo o campeão nacional (FC Porto), o Benfica conquistou o Troféu António Pratas de Basquetebol, primeira prova oficial em que participou na nova época, vingando a final do último Campeonato.

Em três troféus oficiais disputados pelas modalidades de Pavilhão, o Benfica fez o pleno, erguendo as três Taças, todas elas frente aos respectivos campeões nacionais - que o haviam derrotado, meses antes, em dramáticas finais de play-off. Em poucas semanas, o nosso ecletismo deu três tiros na fatilidade, juntando-se ao Futebol no alimento a uma fé renovada, capaz de devolver os benfiquistas à glória.


Vitórias e mais vitórias

Para além destes saborosos triunfos (dois dos quais obtidos nas barbas dos rivais de sempre), diga-se, ainda, que o Benfica leva já um balanço de 18 vitórias e 2 empates, em 21 jogos disputados pelas várias modalidades, e não fosse uma inoportuna derrota caseira do Andebol diante so Madeira SAD, poderíamos estar aqui a falar de uma invencibilidade absoluta (extensiva, aliás, ao Futebol), e da consequente liderança de todos os campeonatos em curso. E seria injusto não deixar também uma palavra às meninas do Râguebi, que já consquistaram a sua Supertaça, e não irão, certamente, ficar por aqui.

Esta entrada de rompante do ecletismo 'encarnado' repõe alguma justiça face aos infortúnios da temporada passada. À semelhança do que ocorreu no Futebol (onde derrotas extraordinariamente dolorosos nos puseram fora da Taça de Portugal e da Liga Europa, depois da arbitragens grotescas nos terem afastado precocemente da luta pelo título), também as nossas modalidades sofreram os efeitos de um trimestre maldito (Abril, Maio e Junho) - que, qual vírus devastador, ceifou sonhos e ambições, e derrotou aquelas que, nalguns casos, eram claramente as melhores equipas do panorama nacional nas respectivas modalidades. Recordemos, por exemplo, a forma inglória como o nosso Voleibol viu fugir-lhe o título nacional (depois de 30 vitórias em 32 jogos das duas fases regulares); lembremos como o Hóquei em Patins (vítima de circunstâncias alheias, como o 'Candelária-gate') terminou o Campeonato com o mesmo número de pontos do injusto vencedor; ou como o Futsal, tendo concluído uma Fase Regular invicta, acabou caindo aos pés do rival Sporting, numa final do play-off que incluiu derrotas por penalties, golos sofridos nos últimos segundos, arbitragens tendenciosas, e todas as infelicidades possíveis de imaginar.


Modalidades em alta

Como aqui disse a propósito do Futebol, também a temporada de 2010/11 das modalidades não foi, de modo algum, desastrosa, mas antes, profundamente infeliz. Provam-no os quatro segundos lugares alcançados (só o Andebol destoou), os vários troféus conquistados (Supertaça e CERS no Hóquei em Patins, Supertaça e Taça da Liga no Basquetebol, Taça e Supertaça no Andebol, e Taça no Voleibol), e, sobretudo, as já aludidas circunstâncias em que vimos fugir os principais títulos.

Os primeiros sinais de 20011/12 revigoram-nos a esperança de que, ao mérito desportivo já demonstrado na época anterior, se poderá juntar a conquista dos vários campeonatos - onde, sem excepção, integramos o restrito lote de favoritos. O azar não pode durar sempre, e, como diz o ditado popular, 'depois da tempestade chega a bonança'.

Para já, ao abatermos, um por um, os nossos últimos verdugos, mostrámos que em cada um destes tabuleiros de competição, estamos ainda mais fortes e mais aptos a triunfar. Mostrámos, também, que os resultados da última época não passaram, na maioria dos casos, de meros e conjunturais acidentes, e que é na Luz que moram as melhores e mais equilibradas equipas da actualidade, falemos nós de Voleibol, falemos nós de Futsal, ou mesmo de Basquetebol.

À imagem do Futebol, as nossas principais modalidades andam, neste começo de época, a roçar a perfeição. Há muito que lutar, há muito para vencer, mas, com um início destes, não há como contornar o mais vivo optimismo e o mais prometedor entusiasmo."


Luís Fialho, in O Benfica

Temos Taça

"Parece maldição, mas se para Jorge Jesus a Taça de Portugal é uma prova com um significado muito especial, a verdade é que é precisamente nela que o Benfica tem sido menos feliz ultimamente.

No ano do título (2009/10), a única derrota caseira de toda a temporada originou a eliminação prematura aos pés do V. Guimarães. Na época passada, ninguém se esquece da forma terrível como fomos afastados pelo FC Porto, desperdiçando na Luz a vantagem que tanto havia custado a construir no Dragão.

Se recuarmos mais no tempo, veremos que em 2008/09 fomos eliminados em Matosinhos, no desempate por penalties, após uma das tradicionais arbitragens de Olegário Benquerença em nosso desfavor; e na época imediatamente anterior havíamos perdido, de forma não menos dramáticos, nas meias-finais (então a uma só mão), em Alvalade, depois de chegarmos a meio da segunda parte a vencer, por 0-2, sofrendo - então - cinco golos em cerca de vinte minutos.

Seria preciso recuar sete anos para encontrarmos o último triunfo, após o qual uma final perdida diante do V. Setúbal (na ressaca das comemorações do título 2004/05), outra eliminação em casa, outra vez com o V. Guimarães, e uma triste derrota na Póvoa do Varzim, completam um quadro de infelicidade, e, nalguns casos, também de sobranceira e facilitismo, que tem tido custos elevados para o nosso Palmarés, na mesma medida em que tem enriquecido substancialmente o dos rivais.

Nos últimos quinze anos apenas conquistámos uma Taça de Portugal, enquanto o FC Porto venceu oito e o Sporting três. Trata-se, pois, de uma competição em que o Benfica está em dívida perante os seus adeptos, sobretudo sabendo-se que é ela que encerra a temporada, e permite ao respectivo vencedor ir para férias em festa.

Hoje começa nova edição. O sorteio pôs-nos o Portimonenese por diante, o que não sendo propriamente de lamentar, também não é para grandes sorrisos - até por paralelismo com a sorte dos principais rivais, que, esses sim, parecem ter e eliminatória praticamente garantida."


Luís Fialho, in O Benfica

Bastidores

"1. Continuam animados os bastidores da luta eleitoral para os órgãos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol. A lista de Fernando Gomes tem sido, para mim, uma surpresa agradável, juntando nomes respeitados e acima de qualquer suspeita de favorecimento a este ou aquele clube. Claro que isso não agrada a Lourenço Pinto, ponta-de-lança do presidente do FC Porto, nem a algumas outras associações regionais, que se sentem a perder protagonismo. Mas a grande questão que agora se coloca é a da arbitragem - era inevitável - e todas as manobras de algumas Associações (já não são todas...) visam isso mesmo. Curiosamente, numa das notícias sobre essas movimentações, salientava-se o facto de há já 15 anos o Conselho Arbitragem não ser liderado por alguém do Porto. Face ao triste passado e a alguns daqueles que agora se movimentam (a começar por Lourenço Pinto, que até foi um dos presidentes dos anos mais negros... ou azuis!), será bom que esse 'período de nojo' se mantenha. A arbitragem precisa de ser liderada por alguém acima de qualquer suspeita. E toda a gente tem fortes razões para suspeitar de quem seja apoiado pelos 'Pintos' do nosso Futebol...


2. Bonita a homenagem feita ao sócio n.º1, José Gonzalez Oliveira, no dia do seu 100.º aniversário, com a presença do presidente, Luís Filipe Vieira, no lar onde reside, em Torres Vedras, e bem simbólico o pequeno filme da cerimónia a passar nos painéis do nosso Estádio (aquando do jogo com o Paços de Ferreira), com o público a cantar o 'Parabéns a Você'. Não conheço o nosso mais antigo associado, mas tive o prazer de ser companheiro de equipa do filho, Mário Gonzalez Oliveira, que foi atleta internacional do Benfica (100 e 200m). E o neto foi também promissor atleta do Clube, embora tenha abandonado cedo. Uma família de ilustres benfiquistas...


3. As nossas modalidades continuam em alta. Depois de vitórias nas Supertaças de Futsal e Hóquei em Patins, foi a vez do Voleibol ganhar o troféu, desforrando-se da triste derrota da final do último Campeonato. E também foi bem saboroso, até pela forma como foi conquistado, o triunfo sobre o FC Porto na emocionante final do Troféu António Pratas em Basquetebol. Estamos a começar bem..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Futebol em tempo de crise...

"No próximo fim-de-semana regressa a Liga. E, para quem já não se lembra, FC Porto e Benfica lideram com 17 pontos e são perseguidos por SC Braga, Sporting e Marítimo, com 14. Na jornada que se segue, no que respeita ao topo, o Benfica vai a Aveiro, o FC Porto recebe o Nacional, o Gil Vicente viaja a Alvalade, o Feirense desloca-se a Braga e o Marítimo é anfitrião do V. Setúbal. Pois é. Com tanta diferença entre a sétima e a oitava jornada (um tempo exagerado, que corta o entusiasmo aos adeptos e o ritmo às equipas...), o melhor é mesmo fazer um ponto da situação e aguardar para perceber em que condição é que os clubes vão regressar.

Antes, há ainda uma ronda europeia, onde as hipóteses do quarteto luso continuam em aberto.

Mas - e esta é uma questão a rever - as próximas calendarizações (só temos 30 jornadas e não 38 como espanhóis ou ingleses!) deverão evitar estes cortes que retiram emoção à prova mais importante do nosso futebol.

E, sabendo-se que o IVA dos bilhetes para os jogos de futebol vai passar de 6 para 23 por cento, é fundamental tudo fazer para que os adeptos não desmobilizem.

Há uma filosofia que devia ser seguida e, na maior parte das vezes, não o é: mais vale ter 10 mil espectadores a pagar 10 euros do que 5 mil a pagar 20 euros. A receita directa é a mesma, mas a indirecta é muito maior se houver o dobro dos adeptos nos estádios.


FUTEBOL EM TEMPO DE CRISE

O futebol não vai resolver a crise em que o País se encontra mergulhado, não evitará os cortes nos subsídios de férias e Natal e não deve ser usado, sequer, para desviar atenções. Aliás, Portugal só sairá do buraco se os portugueses se unirem e em vez de pensarem o que Portugal pode fazer por eles, pensarem antes no que podem fazer por Portugal (JFK...).

Mas ao futebol, quer nos clubes, quer na Selecção Nacional, cabe um papel importante nesta conjuntura preocupante. O futebol pode e deve ser fonte de prazer, um espectáculo que motive e nos ajude, especialmente quando estamos nos palcos internacionais, a aumentar a auto-estima colectiva.

Esta é a contribuição possível e não é de somenos, pode ser uma suave panaceia que nos permita viver, de forma menos agreste, o dia-a-dia.

Bombardeados com notícias deprimentes do ponto de vista económico, fartos de ver a opinião pública a ser influenciada por teses catastrofistas, sem paciência para ver a escutar politólogos e quejandos que só sabem ver o copo meio vazio, o desporto - e neste caso específico o futebol - pode ajudar-nos a dar um pontapé no baixo astral, de maneira a encararmos a dura realidade com mais e melhor ânimo. O futebol não pode servir para nele escondermos a cabeça, qual avestruz, abstraindo-nos da realidade. Mas pode e deve ajudar-nos, fornecendo-nos ânimo para darmos a volta por cima.




'O FC Porto tem uma posição bem clara, não vai tomar parte em lutas eleitorais (na FPF) e vetará e votará contra qualquer político que venha a ser candidato seja ele qual for!'


PC é para levar sempre muito a sério, não é?

Está dito, está dito. O que é verdade hoje não vai ser mentira amanhã. O presidente do FC Porto assumiu um compromisso que irá resistir, seguramente, às cambalhotas da vida. Aliás, as eleições para a FPF, já têm slogan: «Assim se vê a coerência do PC». E até à entrega das listas não vão faltar surpresas, algumas inimagináveis, até para guionistas de Hollywood...


(...)"


José Manuel Delgado, in A Bola

Nova realidade

"Não é uma, não são duas, não são três. São muitas vezes. A pergunta é recorrente, vejo-me confrontado com ela amiudadas vezes e nas mais diferentes paragens. 'Por que é que o Benfica não tem mais jogadores portugueses?'. O povo vermelho recorda com saudade a longa época em que as míticas camisolas berrante só eram vestidas por futebolistas nacionais. Ademais, o povo vermelho recorda com saudade esses que foram tempos de pujança, de hegemonia, de glória.

Mas, afinal, por que é que o Benfica não tem mais jogadores portugueses? Tão-só porque a realidade é outra. No Futebol, como noutros segmentos da vida. Acaso seria possível, na paisagem da actualidade, reeditar velhos tempos por mais empolgantes que tenham sido?

E será que qualquer jogador português encaixaria no quadro profissional do Benfica? Cristiano Ronaldo, Nani, outros mais, não podem estar nas cogitações financeiras ou emocionais do Clube. Da mesma forma que resgastar Fábio Coentrão, por exemplo, não passa de um exercício de ficção.

A realidade mudou. Mudou de forma inexorável. E não apenas no atinente do nosso Benfica. Quantos espanhóis tem o Real Madrid? Quantos italianos tem o Inter Milão? Quantos ingleses tem o Arsenal? Até clubes com recursos económicos incomensuravelmente superiores ao Benfica tiveram que se adaptar aos novos tempos no universo da bola.

Há muitos estrangeiros no Benfica? Há, na verdade. Mas o Benfica não está descaracterizado. Estrangeiros são os outros, não são os nossos. E mais: importam as nacionalidades quanto importam mais ainda as vitórias e a sanidade financeira? O Benfica até pode falar uma grande amálgama de línguas, tem sempre é que falar a língua do sucesso."


João Malheiro, in O Benfica

A arte na ciência

"A expressão não fez parangonas, não deu para grandes comentários, nem deu azo a que os pasquineiros tentassem criar uma crise artificial no seio do Benfica. A expressão era simples, Jorge Jesus disse que Aimar tinha a capacidade de transformar, no futebol, a ciência em arte.

Esta capacidade referida por Jorge Jesus vai ao encontro da ideia do professor Manuel Sérgio de que não há ciência sem imaginação. Ou seja, para que a sublimação se verifique é necessário esse arrojo de transformar os postulados científicos em algo que os transcenda: em arte. Interpretar dinamicamente os conceitos e os princípios de jogo defendidos por um treinador não está ao alcance de qualquer futebolista. Acrescentar, com qualidade, a essa dinâmica a tal imaginação está apenas ao alcance dos predestinados.

Temos, ao longo dos anos e mesmo após a geração de Eusébio, tido a felicidade de ver com o nosso emblema alguns desses predestinados. Chalana acima de todos, porque era o mais desconcertante, o mais imprevisível, o que conseguia, pela técnica e velocidade de execução, desequilibrar o adversário, empolgar a sua equipa e maravilhar plateias. Conheço muitos que, não sendo benfiquistas, iam à Luz para apreciar a arte de Chalana.

Actualmente é Aimar quem melhor sublima o futebol no nosso Benfica. Estranhamente, não tem o perfil dos que costumam empolgar as plateias. Não corre desenfreadamente pelas alas, não finta sucessivamente adversários, não surge com aquela irreverência de quem rejeita amarras tácticas e cria arte como solista. Não, o futebol em Aimar é arte na medida em que tem a imaginação para obrigar a que todos os que o rodeiam joguem com mais arte do que a que pensavam ter. Ou seja, Aimar tem a arte de potenciar a arte nos companheiros de equipa. E isto é uma ciência que poucos têm."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Glorioso

"Agora que o Campeonato sofreu a primeira de muitas paragens que vão prejudicar o ritmo competitivo das equipas - o que é igual ao litro para quem resolve jogos fora das quatro linhas - é tempo de um primeiro balanço. E, para os benfiquistas, é significativo que o Benfica seja equipa que lidera mais itens no relatório acumulado das estatísticas oficiais da Liga relativas às primeiras sete jornadas. O Benfica está no topo das tabelas estatísticas, nomeadamente, as relativas a posse de bola no meio-campo do adversário, cruzamentos em bola corrida, cantos, remates à baliza, finalização (golos marcados) e rácio de golos por remates efectuados. Para além destes dados estatísticos, o Benfica tem dois entre os três melhores ex-aequo marcadores do campeonato - Cardozo e Nolito -e outros dois entre os dez melhores finalizadores - Bruno César e Saviola.

O Benfica é, também, das equipas com menos faltas cometidas e menos cartões e ninguém, no seu juízo, dirá que o Glorioso é, de algum modo, beneficiado pelas arbitragens. Muito pelo contrário. Estes dados configuram o futebol que o Benfica está a praticar: aberto, atacante, dominador, eficaz. E bonito de se ver.

E, para além do Futebol e demais modalidades, há outros dados que exibem a grandeza do Sport Lisboa e Benfica: o Clube não tem passivo bancário e a marca Benfica é uma das 30 mais valiosas do Futebol Europeu. E é também por dados assim que este é o Clube Glorioso.

A tempo - grande vitória do Benfica, treinado por Carlos Lisboa, no Troféu António Pratas. A perder por 11 pontos e com jogadores excluídos a dedo - Sérgio Ramos, Ted Scott, Heshimu -, o Benfica deu a volta e conquistou, com grande atitude, o seu primeiro troféu da época de Basquetebol."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Paragem inoportuna

"Tenho para mim que devia haver Futebol (do Campeonato) todos os fins-de-semana. Não se percebe esta paragem prolongada a meio de uma prova que exige regularidade. O Benfica, como temos vindo a testemunhar, está a fazer um primeiro terço de prova muito positivo. Pese embora o arranque titubeante em Barcelos, frente ao Gil Vicente, os jogos seguintes demonstraram que esta equipa 'encarnada' tem alma, magia, pragmatismo e, acima de tudo, espírito de sacrifício, predicados que lhe permitem acalentar os mais altos voos. Independentemente de muitos poderem julgar o contrário, bem sei que há sempre os casos dos jogadores lesionados, as equipas que estão a praticar um futebol medíocre e que aproveitam estas alturas para recuperar fôlego, energia, etc... etc... não concordo, nem gosto destas paragens. Tiram ritmo competitivo, esfriam as emoções, apagam muito de entusiasmo que se vive em volta desta poderosa industria que está sequiosa de espectáculo e receitas.
Espero que o Benfica não saia prejudicado destes dias pasmacentos, faço votos para que jogadores de forma, como os casos de Gaitán, Witsel, Javi, Luisão, Nolito e Cardozo, não percam os índices competitivos que têm vindo a apresentar e que a equipa não deixe de praticar o futebol bonito e objectivo com que nos tem prendado, quer na Liga nacional, quer na Liga dos Campeões.
Nota final para desejar sorte a mais um novo talento que acaba de chegar à Luz pelas mãos de um antigo jogador, digo, antigo excelente jogador, de seu nome Carlos Gamarra - quem não se lembra daquele paraguaio? - que raramente fazia uma falta e que sabia travar os adversários como poucos. Pois bem, Gamarra, que agora preside a um pequeno clube, trouxe para o Benfica Derlis González, mais uma pérola sul americana, oriunda do Paraguai. Embora só venha no início da próxima época e só atinja a maioridade a 23 de Março de 2012, Derlis já só pensa em mostrar serviço pelo Benfica."

Luís Lemos, in O Benfica

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Início do Campeonato...



Barreirense 62 - 83 Benfica

14-22, 21-18, 15-22, 12-21



Bom começo, num jogo sempre controlado...


PS: A Telma Monteiro, na etapa da Taça do Mundo do Abu Dhabi, lesionou-se na Meia-final, ficando assim impedida de lutar pelo Ouro... a Telma não queria desistir, mas não deu para continuar... os gritos de dor da Telma foram bem audíveis na televisão, todos esperamos uma recuperação rápida...





domingo, 16 de outubro de 2011

65/63

"Não são as medidas de nenhuma super modelo, nem tão pouco anos ou datas, é apenas a pontuação verificada na final do Troféu António Pratas. O Benfica venceu o FC Porto, por dois pontos, naquele que foi o primeiro grande jogo da temporada de 2011/2012 do Basquetebol português. Acabou por ser, também, a primeira grande vitória do ciclo de Carlos Lisboa enquanto treinador do Benfica. 'Um jogo de Basquetebol tem 40 minutos e faltavam ainda 12 quando perdíamos por 11 pontos. Rectificámos algumas coisas, mas tivemos uma coisa muito boa que foi o espírito dos jogadores, daqueles que jogaram, que não jogaram e os que fizeram faltas e foram para o banco. É este espírito que quero', afirmou o técnico e basquetebolista multicampeão de 'águia ao peito'.
Com Ben Reed lesionado e vários jogadores «tapados« por faltas, a equipa enfrentou dificuldades para bater o seu maior rival. Estou certo de que houve telespectadores e adeptos presentes no pavilhão que vaticinaram a derrota, pelo menos até se atingirem os derradeiros 10 minutos da partida. Mas o Desporto de alta competição não é só táctica e preparação física, o Desporto de alta competição é psicologia, inteligência e força emocional. É crer, é querer vencer. Nesse campo não deverá haver maior motivação do que ver Carlos Lisboa junto ao banco a incentivar os seus atletas. É o campeão dos campeões, um homem com um currículo invejável, uma figura ímpar do Desporto Nacional, um benfiquista que escreveu inúmeras páginas de glória da história do nosso Clube, é um líder que sabe levar os craques, os habituais e os novos, à vitória que se deseja. Sérgio Ramos disse, ao 'Todos Por Um', da Benfica TV, que era necessário agradecer aos benfiquistas que acompanharam o Basquetebol do Benfica a Vagos. Enquanto tivermos homens destes na nossa alta competição saberemos que estaremos bem entregues, bem representados tanto em casa como fora. Com eles, Benfica sempre!"

Ricardo Palacin, in O Benfica

O Convidado leva o champanhe

"Naquele início de Julho, havia tanta gente triste em Portugal, mas O Convidado não. Vi miúdos e homens feitos chorando de amargura sincera, e O Convidado ria. Gente deu de si o melhor; gente foi até ao fim do seu esforço possível; gente ultrapassou as fronteiras da alma para contrariar o destino. Gente séria; gente honesta; gente boa. O Convidado desprezou a crença de todos eles; O Convidado sujou a honra de todos eles; O Convidado foi o canalha que nenhum de nós precisa de ter a seu lado, e muito menos numa altura como aquela. Foram milhares. E milhares e milhares e milhares. Saíram para a rua com orgulho, apesar da derrota. Orgulho próprio de quem dá o que tem e vai até para além do que pensava ter para dar. O Convidado olhou a multidão com um sorriso escarninho, fechou a janela para não ouvir o ruído que subia dos passeios, e abriu o jornal na página da necrologia.

Depois riu-se sozinho da piada sem graça. Foi, de alguma forma, 'a dor azul de Portugal'. A dor de todos aqueles que souberam unir-se e ser felizes contra a maldição das desgraças. Que deitaram para trás das costas as lamentações e disseram não a tantos ais. E foram vogando a onda das vitórias até ao momento em que ela se desfez na praia da derrota. O Convidado, absorto na sua teia de aranha peçonhenta, esperou pelo momento das lágrimas para se rir à gargalhada. Alguns dos que choravam até eram seus conhecidos, seus subalternos. Pouco importou para O Convidado. Limpou a cera de um ouvido com a unha comprida do mindinho e abriu a garrafa de champanhe. O Convidado é assim: velhaco! A queda dos outros é o seu gáudio. Continuou a rir-se pela noite fora como um labrego à medida que as pessoas regressavam a casa, condoídas. O Convidado está de volta: convidaram-no. Resta saber se levou a garrafa de champanhe..."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (ainda o Túnel...)

"As críticas que o advogado portista, Carlos Abreu Amorim, deputado da Nação, lançou ao Ministério Público, dizendo que há uma perseguição descarada do Procurador, Pinto Monteiro, ao FC Porto por causa da denúncia feita em termos criminais aos jogadores Hulk, Sapanaru e Fucile, é tão ridícula como a justificação dada por essa figura à ausência de denúncia pelas agressões entre jogadores do Braga e Benfica num jogo da Liga e de uma agressão de Scolari a um jogador sérvio, durante uma partida da Selecção. E diz mesmo, em declarações à Antena 1, que o Ministério Público deveria ter avançado com acusações.

Bom, afinal o que ele quer mesmo é que o Ministério Público «persiga» os jogadores do Benfica que, segundo ele, teriam agredido os jogadores do Sp. Braga... Assim já estaria tudo bem.

Mas há alguma comparação possível entre aquilo que se passou no túnel do Estádio da Luz, onde vários jogadores do FC Porto, agrediram seguranças, partiram objectos, fizeram desacatos nos balneários, deliberadamente pelo facto de terem perdido um jogo, e excessos entre jogadores e treinadores à vista de toda a gente durante um jogo de futebol? Ou o que ele quer é fazer esquecer aquilo que os vídeos demonstram claramente? Quer que os vídeos tomem o mesmo caminho das Escutas telefónicas da corrupção no Futebol Português e 'lavar tudo' como se nada se passasse?

Pergunta ele se o Ministério Público não tem mais nada para fazer que proceder criminalmente contra estes indivíduos só pelo facto de terem feito o que fizeram? Com tanto que há que fazer na Justiça Portuguesa... diz esta figura! Para ele, provavelmente, o melhor era nem haver Ministério Público. Para quê? Com tanto que há a fazer com os buracos financeiros, para quê preocupar-mo-nos agora com outras questões que não sejam as das finanças públicas???!!!

Bom, o melhor é esquecer tudo o que tem que ver com as asneiras do FC Porto, dos seus dirigentes e jogadores. Como os conselhos de Disciplina e Justiça branquearam estas atitudes com penas ridículas, quer que seja feito o mesmo com os Tribunais Comuns e critica duramente o Procurador Geral da República. Acham-se impunes... como sempre!"


João Diogo, in O Benfica

A festa da Taça

"1. Na passada sexta-feira, arrancou mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Com o envolvimento dos grandes do futebol português, a Taça ganha visibilidade, já que alguns dos jogos são objecto de transmissão televisiva e de atenção privilegiada por outros meios de comunicação social, sejam jornais ou rádios. E, assim, tivemos transmissão televisiva a partir de Portimão, de Pêro Pinheiro e de Famalicão, o que traduz uma receita suplementar para cada um dos jogos e, logo, um claro benefício patrimonial para os três clubes envolvidos, ou seja, Portimonense, Pêro Pinheiro e Famalicão. Neste domingo, teremos, em muitas localidades de Portugal, a festa da Taça e com o supremo desejo dos vencedores desta tarde sonharem, em próximo sorteio, com um confronto, nas suas casas, com o Benfica, Futebol Clube do Porto, Sporting ou Sporting de Braga. A festa da Taça é isto. É aquela que leva milhares a pequenos estádios e que mostra, a milhões de portugueses, aldeias ou vilas quase que desconhecidas. E que permite às respectivas comunidades, nestes tempos dolorosos, um pouco de auto-estima.


2. (...)


3. A perspectiva das próximas eleições da Federação Portuguesa de Futebol, com a disputa de poder que se antevê, tornam urgente uma decisão final do Governo sobre o projecto de criação e constituição do Tribunal Arbitral do Desporto, elaborado pela Comissão para a Justiça Desportiva presidida pelo Professor Cardoso da Costa.

Com efeito, como se pode constatar da leitura do excelente relatório apresentado e se acha reflectido na proposta de articulado, a introdução deste órgão da justiça desportiva como instância última para o julgamento disciplinar a desportivo (aqui funcionando no âmbito da arbitragem necessária) impõe um reajustamento das competências hoje atribuídas ao Conselho de Justiça, amputando-lhe poder e reforçando isenção e transparência. Desta forma, as expectativas sobre a composição desta estrutura jurisdicional ficariam suficientemente arrefecidas, porquanto todos saberiam que o seu poder judicante não era nem o último nem o decisivo. Menos problemas, menos conflitos, menos compromissos seriam provocados e/ou estabelecidos e maior a liberdade e a independência de que disporiam os candidatos para a composição das suas listas.

Mas, a urgência deste Tribunal decorre de outro factor. Se queremos que o desporto português entre num novo momento, mudando de paradigmas, de culturas e de práticas viciosas que tanto mal lhe têm feito, torna-se incontornável a implementação do projecto existente. O extremo rigor advogado e projectado quer na parte da criação e constituição do Tribunal, designadamente as exigências estabelecidas para a sua composição, bem assim como o cuidado posto nas normas de processo que o acompanham, são seguros penhores de isenção e competência que poderão assegurar a verdade e a celeridade na justiça desportiva. Seguramente, com este Tribunal em funcionamento não teriam acontecido muitas das situações complexas que perturbaram o desempenho dos órgãos jurisdicionais nestes últimos anos e não só ao nível do futebol.

A reforma do desporto que este Governo prometeu teria aqui um excelente começo e um bom augúrio. Pegar no que já existe e, em coordenação com o Ministério da Justiça, consagrar o que a Comissão da Justiça Desportiva, empenhada e competentemente, soube criar. Um tribunal Arbitral do Desporto, necessário para tudo o que sejam poderes públicos transferidos para as federações, e voluntário para todas as restantes matérias, solução inovadora que muito tranquilizaria as agitadas águas desportivas e muito credibilizaria perante o País o desporto nacional.


4. (...)


Fernando Seara, in A Bola

Adeus, Liga!

"Criada nos tempos áureos do cavaquismo (não tenho culpa, é da história!), a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, também por aí designada como Liga de clubes ou, mais recentemente, por ordem de um qualquer marqueteiro da praça, como Liga Portugal, está a dar as últimas.

A passagem da arbitragem e da disciplina para a alçada da Federação, tão ardentemente reclamada por uns quantos, e porventura até justificada face à incompetência da geração liguista, chamemos-lhe assim, deixa em absoluto vazio um organismo que se pretendia capaz de revolucionar o futebol português e de colocá-lo ao melhor nível da Europa e do planeta.

Em Portugal, de facto, muitas coisas nascem, consomem e consomem-nos, e morrem no desterro, por falta de clientela. É sempre assim quando os interesses movimentados se unem ou... desunem.

Limitada à aceitação (literal) de documentos para as inscrições de jogadores - que nunca escaparam à tutela da FPF, note-se, como final decidora! -, e à organização das competições ditas profissionais, pelas quais é, ou era, suposto pagar uma renda anual à FPF, a Liga tem tudo para desaparecer... e, confessemo-lo, sem deixar saudade, a não ser àqueles burocratas e mesistas que dela se foram e vão ainda servindo.

Ficará então um belo imóvel, feito à pressa, é verdade, ali à zona da Constituição, mas que ultrapassa, em qualidade, quase tudo o que os sucessivos quadros dirigentes e respectivos assessores fizeram pela causa, à qual não creditaram até hoje uma ideia, um caminho, um plano, política ou sentença digno de defender o melhor de todos os nossos produtos: o jogador português!

O pior, apesar de tudo, nem será a morte da Liga e o silêncio prometido ao edifício onde se terão repetido alguns dos maiores atropelos ao desenvolvimento do nosso futebol, tantas vezes anunciados ao povo como a panaceia. O pior é que parece que todos os gabinetes se vão passar para a Federação!..."


Paulo Montes, in A Bola

A fase final do Europeu-2012

"Comigo, Portugal já estava na fase final do Euro-2012. Comigo, a Madalena Iglésias tinha ganho o Eurofestival da Canção de 1966. Comigo, o Veloso não tinha falhado o penalty de Estugarda. Comigo, o Lobo Antunes tinha ganho o Nobel há dez anos. Comigo, o Mamede tinha sido campeão olímpico em 1984. Comigo, a Maria João Pires vivia em Portugal. Comigo, o Walter marcava seis ao Pêro Pinheiro. Comigo, o Manoel de Oliveira não tinha 102 anos, tinha 202. Comigo, o Real Madrid tinha dado cinco ao Barcelona. Comigo, o salário mínimo era de 1500 euros. Comigo, Yannick jogava no Nice e no Sporting. Comigo, o Duarte Lima não era suspeito. Comigo, Valdano e Mourinho eram amigos. Comigo, Eusébio ainda jogava. Comigo, Barak Obama era branco. Comigo, o Restelo enchia todas as semanas. Comigo, o João Pinto não tinha sido expulso na Coreia. Comigo, Usain Bolt não tinha feito falsa partida. Comigo, o Silvio Berlusconi dormia com a Ângela Merkl (e gostava). Comigo, o Bento não tinha partido a perna em Saltillo. Comigo, Nicolas Sarkozy era mais alto do que a Carla Bruni. Comigo, o Futre tinha marcado aquele golaço em Viena. Comigo, John Lennon usava colete à prova de balas a 8 de Dezembro de 1980. Comigo, o Abel Xavier não tinha feito o penalty do Euro-2000. Comigo, Mahatma Gandhi não era vegetariano. Comigo, tinha havido três equipas portuguesas na final da Liga Europa de 2011. Comigo, Bin Laden tinha sido apanhado a 12 de Setembro de 2001. Comigo, só tinha passado ar pelo nariz de Maradona. Comigo, Saramago ainda escrevia. Comigo, Miguel Sousa Tavares era benfiquista. Comigo, Elizabeth Taylor tinha casado apenas uma vez. Comigo, o Garrincha e o Best detestavam álcool. Comigo, não havia buraco na Madeira. Comigo, ninguém escrevia estas palhaçadas. Comigo, Portugal já estava na fase final do Euro-2012."


Rogério Azevedo, in A Bola

Desconstruindo

"Queiroz diz que se fosse com ele e não fosse pela bicharada e pelos dinossauros Portugal já estava no Euro, o Milan quer abrir uma escola de futebol no Cartaxo, o Nice não quer e parece que mais ninguém quer o Yannick, o Gascoigne deu um autógrafo numa bomba dos filhos de Kadafi, o Carlos Martins é a minha triste esperança para 10 da Selecção, os espanhóis dizem que Mourinho vai orientar a Selecção no play-off, vão ao ar os subsídios de férias e Natal e o maratonista inglês Rob Sloan apanhou um autocarro para ganhar uma prova no seu país.
O Queiroz vai treinar o Cartaxo, o Milan quer o Yannick e um dinossauro, o Gascoigne assinou o Carlos Martins a julgar que era uma bomba ou um filho do Kadafi, os espanhóis dizem que Mourinho não vai receber os subsídios de férias e Natal e Rob Sloan vai apanhar um autocarro cheio de bicharada para Nice, mas não sabe se o Nice o quer lá muito tempo.
O Queiroz vai treinar o Yannick, o Milan quer contratar o Gascoigne, pelo menos um filho de Kadafi é um dinossauro, já qualquer elemento da bicharada pode ser 10 da Selecção do Cartaxo, os espanhóis dizem que o Mourinho vai treinar o Queiroz e Rob Sloan diz que apanha qualquer autocarro excepto se conduzido por um dinossauro ou por Yannick, porque ficaria sem saber quais são as paragens.
O Yannick quer o Milan, o Gascoigne é a minha esperança para 10 da Selecção dos dinossauros, os subsídios de férias e Natal serão para pagar ao Queiroz se ele levantar processos à Nação e os espanhóis dizem que os filhos de Kadafi vão orientar a Selecção no play-off, mas só se Sloan não levar a bomba no autocarro.
Os subsídios de férias e Natal pode ser que sejam bons a 10 da Selecção, a bicharada diz que se fosse com Rob Sloan a treinar Portugal até de autocarro iria ao Euro, o Queiroz disse ao Mourinho para não se meter com dinossauros nem com Gascoigne, o Cartaxo aceita o Yannick mas só para jogar o play-off e os subsídios de férias e Natal serão pagos pelo Milan ou pelos filhos do Kadafi, isto segundo garantem os espanhóis do Nice."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola