Últimas indefectivações

sábado, 6 de agosto de 2016

Empate na estreia...

Benfica B 1 - 1 Cova da Piedade


Exibição agradável, com um resultado injusto. Os jovens estão 1 ano mais velhos, e notou-se algumas melhorias... mas ainda faltou alguma coisinha!!!

É impossível não recordar que o golo do empate do Cova da Piedade nasce de uma falta não assinalada... e no 2.º tempo ficou um penalty claro por marcar a favor do Benfica!!!

Inacreditável as cenas que ocorreram nas bancadas, com membros da Juve Leo 'inflitrados' a ameaçar todos (inclusive os jogadores e adeptos do Cova da Piedade) e a bater em muita gente, inclusive adeptos do Cova da Piedade!!!

Benfiquismo (CLXXXIV)

Salto para o Ouro...

O legado de Moniz Pereira

"Parece que neste Agosto, com excepção dos pokémons, nada tem mais procura que os centrais do Benfica. Segunda-feira sai o Lisandro, na terça-feira sai o Luisão, na quarta-feira sai o Jardel, na quinta-feira sai o Lindelof- Hoje, que é sexta-feira, espero que não tenha saído nenhum. O último jogo contra o Lyon foi um jogo-treino pouco amigável. Os franceses, que ainda não devem ter digerido o Euro, desataram ao pontapé e ao murro (literalmente). Entre várias vítimas de mazelas, foi André Almeida, que nem havia sido convocado para os 23 de Fernando Santos, aquele que pagou maior factura com várias fracturas. Agora é a sério. Embora a Supertaça não tenha histórico de grande prestígio, é oficial, e, por isso, em Aveiro estará um Benfica para ganhar. Era suposto que o adversário fosse treinado por este treinador, mas o emblema fosse outro, mas o Jamor ditou assim e assim será. O treinador adversário não é surpresa e espero que Benfica continue a rimar com títulos e não permita surpresas no domingo.
Na semana em que começam os Jogos Olímpicos fomos deixados por uma figura ímpar, Mário Moniz Pereira. Grande sportinguista, português de excepção, foi mais que um bom treinador, foi alguém que ensinou a minha geração que é possível vencer, ser melhor e triunfar. Foi alguém que mostrou que o caminho para lá chegar é o esforço, do trabalho e do sacrifício. Num desporto cheio de truques e artimanhas, num ano olímpico marcado pelo doping e a batotice, fica o legado (talvez fora de moda) de quem sempre escolheu o caminho certo para chegar mais rápido, mais alto e mais forte...
Pela expressão de alguns atletas, a aldeia olímpica parece uma favela. Pela análise de agência anti-dopagem, teria tanta droga como a Rocinha quando chegasse a delegação russa de atletismo. Esperemos que sejam uns jogos com verdade desportiva e que não envergonhem Coubertain."

Sílvio Cervan, in A Bola

Acção

"Após vários jogos de preparação, recheados de testes e de experiências, com distintos, mas pouco relevantes resultados, eis-nos chegados ao futebol a sério.
No domingo, em Aveiro, o Tri-Campeão apresenta-se forte e para ganhar.
A Supertaça Cândido de Oliveira tem sido uma competição maldita para as nossas cores, sendo a única prova futebolística nacional em que não somos a força dominante: em 37 edições apenas conquistámos 5 troféus, somando 18 derrotas nas 34 partidas disputadas. É altura de atenuar estes números, e começar a inverter a situação.
Durante alguns anos, talvez não tenhamos levado a Supertaça suficientemente a sério, enquanto outros acumulavam triunfos. A prova entretanto credibilizou-se, e estabilizou o seu lugar no calendário desportivo – sobretudo a partir do momento em que passou a ser disputada a uma só mão, e na abertura das temporadas. Não sendo a nossa maior prioridade, é o primeiro dos 5 objectivos para 2016-17.
O adversário que teremos pela frente surge muito motivado. Nunca venceu a prova. Quererá, igualmente, começar bem uma época para a qual parte com grandes aspirações. Numa final, não há favoritismos. E só com muita humildade, a mesma que nos levou ao Tri, conseguiremos erguer o troféu. O apoio dos benfiquistas é imprescindível. Com ele, vamos certamente entrar na temporada com o pé direito, e com mais uma taça nas mãos.

PS: Há Homens cuja respeitabilidade e relevo transcendem, em muito, os clubes que representam. O Professor Moniz Pereira era um deles. Fica a gratidão por tudo o que fez pelo desporto, e pela forma elevada como nele sempre soube estar."

Luís Fialho, in O Benfica

Os complexados

"Anthony Vizzacaro nada tem que ver com o Benfica ou com Portugal, mas tornou-se num protagonista fortuito do sucesso da selecção lusa no Europeu pelo gesto ternurento, captado em vídeo, de uma criança portuguesa que, ao vê-lo destroçado pela derrota da equipa francesa, o procurou confortar abraçando-o comoventemente.
No âmbito de uma acção de markting empreendida pelo Turismo de Portugal, o francês visitou Lisboa, como o Estádio da Luz e o Museu Benfica - Cosme Damião e fazerem parte do itinerário. Sendo um adepto de futebol, a opção foi óbvia.
Afinal, trata-se do melhor estádio português - o único capaz de albergar uma final da Liga dos Campeões - e do melhor museu de deporto no país, premiado diversas vezes.

Quase nem seria notícia, não fosse o 'Dragões Diário', um órgão oficial de comunicação do FC Porto, ter acusado o toque, revelando a inveja e a pequenez de quem persiste em ligar mal com a grandeza do Benfica. Felizmente!
É que, apesar do sucesso desportivo portista nas últimas décadas, tão inegável quanto duvidosos foram os métodos para atingi-lo, o clube portuense foi incapaz de se transformar num clube nacional, muito por força da adopção de um discurso regionalista que, se teve o condão de arregimentar parte das gentes dos subúrbios da cidade do Porto, se revelou, pelo contrário, contraproducente no resto do país.

O curioso é que nem eles, nem os outros, que só diferem na cor e direcção das listas das camisolas, são incapazes de compreender que os sucessivos ataques, directos, indirectos ou escamoteados, ao Benfica, pouca ou nada nos incomodam e, por revelarem um gritante complexo de inferioridade, até nos divertem..."

João Tomaz, in O Benfica

Coisas sérias

"É já no domingo que o SL Benfica se estreia oficialmente. A disputa da Supertaça com o SC Braga vai encher o município de Aveiro, um estádio que - tirando as visitas do Glorioso - está quase sempre abandonado e com um aspecto desolador. No fundo, é começar a época da mesma forma que terminou a anterior: um estádio com lotação esgotada.
Depois dos ensaios da pré-época e da tranquilidade que tem sido transmitida pela equipa, tudo parece encaminhado para que tenha de se encontrar mais um cantinho livre no Museu Benfica - Cosme Damião para o troféu. Mas calma, porque nestas coisas do futebol há sempre duas equipas em campo (três, se contarmos com a de arbitragem, tantas vezes fundamental para a decisão de jogos e de títulos...) e ganha quem marcar mais.
O Tricampeão está preparado, os adeptos estão prontos e ansiosos, que role a bola porque já temos saudades de jogos a sério.
E enquanto não se exageram as rivalidades clubísticas, coisa que começa a acontecer todos os anos por esta altura, aqui fica a homenagem devida a um senhor dentro e fora das pistas de atletismo:
Mário Moniz Pereira, 95 anos. Um desportista e um apaixonado pela música. Um dos bons do desporto nacional, sócio número 2 do Sporting Clube de Portugal e que não pode nem deve ser nunca confundido com quem dirige actualmente o seu clube do coração.
Nunca foi visto a rebaixar um adversário ou a garantir que tudo estava ganho com a corrida a meio. Ajudou a produzir talentos como Carlos Lopes ou Fernando Mamede e, como dirigente, defendeu os seus sem nunca sujar as mãos ou exporta-se ao ridículo publicamente. Tanto que poderiam aprender consigo, Professor... Obrigado!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Olímpicos: o momento da verdade

"Começa amanhã no Rio de Janeiro mais uma edição dos Jogos Olímpicos (JO). A Missão de Portugal é construída por 92 atletas que vão competir em 16 modalidades. Deste grupo, 54 estreiam-se em JO. E apenas três foram medalhados em edições anteriores: Nélson Évora / medalha de ouro, Fernando Pimenta e Emanuel Silva, com a prata. Comparando com Londres 2012, a Missão tem mais atletas (74 para 92) e mais modalidades (13 vs 16).
A alteração mais significativa neste ciclo são os resultados internacionais dos portugueses. Temos diversos atletas com medalhas em campeonatos do Mundo e da Europa, resultados que não abundavam no ciclo de Londres 2012. Estes desempenhos justificam optimismo, contudo há que ressalvar o carácter único dos JO e a dificuldade na obtenção de medalhas no maior eventos multidesportivo planetário.
É bom que todos tenham a perfeita noção daquela que é a realidade da nossa participação olímpica e dos nossos resultados em um século de competição, sem nos deixarmos inebriar pelos resultados recentes. São apenas 23 medalhas em 100 anos de participação, nunca tendo conseguido conquistar mais do que três numa única edição. Apenas quatro atletas conseguiram repetir o pódio em edições diferentes de JO (Luís Mena e Silva, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Carlos Lopes). Qualquer análise deve ter por base este histórico. Venham as competições! Votos da melhor das sortes para os nossos atletas. Desfrutem e superem-se neste evento único que são os JO, encarando esta participação como a oportunidade única para mostrar a si próprios e ao Mundo o seu valor. Os resultados ficarão tatuados na pele, podem e devem motivar mais portugueses a praticar desporto, não devendo ser um mero momento de entretenimento. Sejam inspiração através do nosso exemplo!"

Mário Santos, in A Bola

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Os jogos ditos olímpicos

"Eis os Jogos Olímpicos. Desta vez no Rio de Janeiro. Estão inscritos para competir 206 países, além de uma equipa designada Atletas Olímpicos Refugiados (integrada por dez praticantes). Não contam para este efeito, bem entendido, os atletas que nasceram e cresceram num certo país e que, por razões nem sempre respeitáveis, passaram a representar outra bandeira, assim como quem muda de clube. Nestas Olimpíadas 11383 atletas competirão em 42 modalidades. Daqueles, 92 são portugueses, sendo que 19 nasceram no estrangeiro. Enfim, uma verdadeira babilónia. Que pretende crescer mais ainda. Quando pelo contrário, deveria ser cada vez maior a exigência para participação nos Jogos. O velho ideal olímpico vertido na tríade altius, citius, fortius não pode ser confundido com um comando para tudo nele caber. A presente natureza nultitudiária dos Jogos deveria, assim, dar lugar a distinção superlativa do que é verdadeiramente mérito de excepção. Ou, como se diz no teatro, «fora de cena quem não é de cena». E no palco a luz deveria incidir, quase exclusivo, sobre os três verdadeiros protagonistas: o atletismo, a ginástica e a natação. Por exemplo: que falta faria o futebol aos Jogos? Nenhuma. Mas o pior é que a tendência não é no sentido de restringir, antes no de alargar o crivo. Basta ver que o Comité Olímpico Internacional acaba de reconhecer cinco novas modalidades, já para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 surf, escalada, karaté, skate e baseball/softball. Por outra lado, o Comité decidiu, depois de aturada ponderação, que, para já, não transitam para o elenco olímpico disciplinas como o squash, o bowling e o wush. Calculo que se sigam depois, em sequência lógica, a canastra e o chinquilho."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXIII)


A nossa 'mascote'...!!!
E deu resultado!!!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A capital do império

"A pequenez é tanta que até se 'agigantam' pedindo a mudança do nome do organismo para Turismo de Lisboa... É o ridículo em que caem.

Anthony Vizzaccaro, o adepto francês que, após a final do Campeonato da Europa, estava desfeito em lágrimas e o pequeno Mathis, de 10 anos, que, com a camisola de Portugal, o consolou, estiveram em Lisboa.
As imagens desse pequeno gesto de consolação emocionaram o mundo. Por força dessas circunstâncias, o Turismo de Portugal convidou-os a visitarem Portugal. Um bonito gesto, com a preocupação adicional de dar a conhecer alguns pontos de interesse do nosso País. Entre eles, como não poderia deixar de ser, Lisboa, Cascais e Óbidos. Nada de grave ou de anormal até aqui.
Ora, sendo o Estádio da Luz paragem obrigatória para qualquer turista que gosta de futebol (ainda mais se o relacionarmos com um Campeonato da Europa), para o adepto francês e para o pequeno português não poderia ser excepção. Tudo normal, até soarem os sinos dos Clérigos! Porque, para esses, o roteiro desses turistas deveria ser outro, chegando-se a qualificar a visita ao Estádio da Luz como «inaceitável», «dentro daquela ideia muito lisboeta que o clube da Luz é uma espécie de Luís XIV do desporto».
Por isso, a visita ao Estádio da Luz, que curiosamente foi pedida expressamente pelo adepto francês, não deveria ter sido concretizada.
Mais: seria uma atitude de «bom sendo» não o levar àquele que é um dos pontos de referência da cidade e de Portugal!
Ora, para esses mesmos, o Turismo de Portugal não deveria «misturar clubes numa coisa destas». Parece-me que essa reacção é bem reveladora de falha de bom sendo e do, sempre presente, complexo de inferioridade para com Lisboa.
A mesquinhez é tal que veem maldade em tudo, mesmo quando está em causa uma vontade expressa por alguém que pediu para visitar o Estádio da Luz. A pequenez é, também, tanta que até se agigantam a pedir a mudança em causa, sugerindo um «Turismo de Lisboa».
Mas o mais grave de tudo é não perceberem no ridículo em que caem. Sistematicamente. Já nem sequer os aconselho a ler a História de Portugal, de Oliveira Martins, para perceberem a importância de Lisboa «na nossa existência, como País».
Mas, sem esquecer que o futebol move grandes paixões, neste caso só estava em causa uma visita curta, cujo programa teve como objectivo dar a conhecer, não o País todo, de Norte a Sul, mas alguma diversidade e oferta do nosso património turístico.
De facto, só vê maldade nisso quem está em permanente busca do conflito (gratuito) e quem tem complexos de inferioridade. Só isso justifica a tacanhez da guerra travada com a capital do império. Como se não pertencêssemos todos à mesma Pátria.
Aqueles que dizem ser «1 de 11 milhões» só o são nas competições de selecções, sentimento generalizado não aplicável ao resto do ano.
Uma guerra que, surgida do Benfica vs. Porto, é aplicável, de forma desmedida, a Lisboa vs. Porto (eu sei que os outros são mais pequenos, apesar de se porem sempre em bicos de pés, mas não os devemos esquecer).
Ainda assim, não obstante essa visita não ser mal interpretada por pessoas de bem, o Turismo de Portugal teve a necessidade de esclarecer o óbvio!
Porque - já agora não ficam sem uma recordatoriazinha - «inaceitável» é o que se ouve no âmbito do Apito Dourado, para prejudicar, invariavelmente, o Benfica. «Inaceitável» é falsificar resultados, negociar e reduzir castigos, oferecer «fruta» como prémio de certas arbitragens e ameaçar fisicamente quem ousa apitar sem falsear a verdade. «Inaceitável» é, por isso, tudo o que nos últimos anos foi acontecendo, contra a verdade desportiva.
São livres de acharem e de escreverem o que quiserem, mas urge ter em atenção aquilo que verdadeiramente é inaceitável...
Ou «imoral» (de acordo, com a definição da imoralidade de Kant). E imoral não será, certamente, ter vontade de visitar um dos mais belos estádios do Mundo: o do Sport Lisboa e Benfica!

Supertaça
Domingo, todos a Aveiro! Para que, desta vez, conquistemos a Supertaça. No ano em que fomos tricampeões, começamos mal, com uma pré-época desastrosa e com o sentimento, felizmente não generalizado, de quem tudo ia perder.
Acabámos, infelizmente, por perder o primeiro título da época, mas por ganhar o campeonato e a Taça da Liga e por fazer uma grande campanha na Liga dos Campeões. Este ano quero que esse caminho de vitória seja mantido.
Desde já, quero ganhar a Supertaça. Pela frente espera-nos um Braga, forte, que vai querer (muito) conquistar este título. E que tem um treinador que quererá ganhar, até para mostrar isso ao outro lado, de onde vem.
Com a consciência de que faltam limar muitas arestas, de parte a parte, e de que os plantéis ainda não estão fechados. E até ao encerramento do mercado a normal turbulência de início de época manter-se-á.
Numa altura em que todas as equipas ainda apostam no futuro, fazem escolhas, compram e vendem. E a nossa não é excepção. Continuamos em busca de um grupo de trabalho equilibrado e coeso, para que possamos dar muitas alegrias aos benfiquistas. Sabemos o que queremos e para onde vamos. Sabemos que, apesar de estarmos, naturalmente, ainda longe de ter uma equipa já definida, estamos a construir uma base sólida. A atitude de cada um dos nossos jogadores será fundamental. Só assim teremos a força de vencer. Tudo! Sabemos quais são os objectivos. Para que o essencial não falhe. Porque só queremos ganhar. E não apenas atingir esta ou aquela fase de cada competição. Tal como Cosme Damião nos ensinou. Porque ganhar é o limite e porque é a nossa obrigação, também esta época, conquistar tudo o que muitos ajudaram a ganhar! Sempre, com um grande adicional de alma, de mística e de muito querer, que se renova a cada época. Que tudo isso se comece a concretizar, já no próximo domingo! Para que, depois, possamos rumar ao Tetra, às Taças de Portugal e da Liga e... tudo o resto.
VAMOS A ISTO, BENFICA!

Moniz Pereira
Morreu Moniz Pereira, reconhecidamente, um dos grandes Homens do Desporto. Uma distinta e reconhecida referência do atletismo português!
Um Homem que não sabia só de desporto, mas que fazia do desporto a sua vida.
E que o viveu de forma exemplarmente. Destacou-se, essencialmente, como referiu Luís Filipe Vieira, pela defesa intransigente dos valores subjacentes aao desporto. Também por isso, um exemlo de dedicação, de competência e de vitória.
Porque, no fundo, é a vitória que nos move.
Paz à sua alma!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Rafas e Danilos

"Chegados os Cadernos de A Bola, é tempo de, desportivamente, recordar, pormenorizar, antever e sonhar. Leio-os devagar, para não os gastar de supetão. Há muitos anos que gosto deste ritual de verão, ainda que hoje sujeito a muitas rectificações por força de um estúpido defeso que teima em acabar depois de iniciadas as competições nacionais e europeias.
Nos Cadernos, a onomástica dos jogadores permite um percurso interessantissimo carácter peculiar de muitos nomes e sobretudo de alcunhas. É assunto a que voltarei.
Hoje apenas quero referir um fenómeno muito curioso no futebol. De quando em vez, há nomes que germinam se propagam a uma velocidade que me deixa quase aturdido, confundindo situações com a maior facilidade. Só para exemplificar, há agora quatro nomes que surgem em cada esquina futebolística; Rafa (e o seu diminutivo Rafinha), Danilo e os estrangeiros Boateng e Cissokho.
Rafael e a sua abreviatura Rafa estão por todo o lado. Por cá, os mais conhecidos são o Rafa do Braga cobiçado pelo Porto que - eu, desatento - cheguei a pensar que era o Rafa do Porto emprestado à Académica e agora ao Rio Ave, ondese vai juntar a um outro Rafa. E por aí adiante..
Os Danilos também há em abundância. Os mais falados: o que foi do Porto, o que é do Porto depois de não ter ido para o Sporting e ter sido do Benfica o que vai ser do Benfica cedido pelo Braga.
Por fim, os Boateng, a começar pelos manos Jérôme e Kevin-Prince (um alemão, outro ganês) e outros que se espalham como cogumelos (um joga no nosso Moreirense) e os Cissokho que, havendo vários, sempre julgo ser o mesmo a jogar."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXII)

Mais um 'aperto de mão' !!!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Puro-sangue com magia nas botas

"Aos 22 anos, Franco Cervi não é um projecto acabado, quando conjugar todas as peças e completar o puzzle que ele próprio já antecipou - e esta é a grande conclusão da meia dúzia de aparições pelo Benfica -, vai ser um fenómeno.

Tem cara de jogador de póquer: não sabe o que está a pensar muito menos o que vai fazer. Prova também que o génio se avalia com independência da fita métrica (tem 1,69m), apesar de haver opiniões contrárias. Conta Jorge Valdano que, na elaboração do plantel como treinador do Valência (1996/97), um dirigente lhe leu a sentença para o ataque ao mercado: 'Ande ou não ande, cavalo grande'. Porque ainda há escolas espalhadas pelo Mundo que medem os seus futebolistas pela qualidade, não é por falta de centímetros que Franco Cervi deixará de atingir o topo do Mundo, confirmando de resto a profecia de quem o acompanha desde as ruas de San Lorenzo, onde começou a exercitar as habilidades que foram deslumbrando sucessivas plateias - ele, Gaitán, Salvio, Zivkovic, Gelson, Matheus Pereira, Carlos Mané, Corona, Brahimi e Rafa desempenham funções semelhantes, são jogadores de excepção e nenhum excede os 1,75m.

O talento expressar-se maioritariamente pelo engano e pelo domínio dos segredos da velocidade - aceleração, travagem e saída para onde o instinto indicar. Jogadores como Cervi põem em causa o futebol metalúrgico que tritura a imaginação e os impulsos das grandes estrelas. A questão é que essa revolta contra o senso comum, sendo potencial fonte de benefícios, também pode criar problemas graves. Sendo assim, e de modo a evitar riscos desnecessários, é imperioso que continue a esforçar-se para consolidar a integração e aprimorar o cumprimento das tarefas básicas no colectivo, atitude sem a qual não confirmará os dotes que o tornam raro e valioso. Se a simplicidade é a velocidade de ponta da eficácia, ser prático é o objectivo principal de qualquer jogador - mesmo havendo quem consiga ser eficaz a partir da complicação.

É um puro-sangue em permanente estado de exaltação, com magia nos pés, que se avalia e projecta a ele próprio como simples milagre genético e deve entender que prolongar essa visão egoísta só vai atrasar a consolidação da maturidade. Cervi tem ainda uma capacidade extraordinária para resolver situações delicadas que ele próprio cria. Pode tomar decisões desequadas mas, por ser tão bom e ter tantos argumentos, estala os dedos, promove um golpe de magia e o estádio vem abaixo. Debate-se, por isso, com o problema de muito jogadores caracterizados pela fantasia e liberdade: a falta de continuidade nos fluxos exuberantes de talento que lhe permitem invenções inconcebíveis, mesmo para quem já viu muitos artistas excepcionais. Jogadores como ele geram às vezes a convicção automática de que são fogo de artifício que abrilhanta e espectáculo mas não altera o rumo dos acontecimentos; não interferem como deviam no fim da história e acabam por ter passagem transitória nos nossos corações. É nesse desperdício que tem de evitar. Ouvir e aceitar os conselhos de Rui Vitória é sempre um bom início de conversa.

Cervi é uma peça solta da engrenagem, como são quase todos aqueles que se expressam infringindo as regras do colectivo em que estão inseridos. O mago costuma ser corpo estranho na grande fábrica que é uma equipa, razão pela qual é preciso explicar-lhe como pode contribuir para o melhor funcionamento da máquina. Mas também é fundamental convencer o exército das vantagens que podem advir das extravagâncias de um homem singular. Aos 22 anos, Cervi não é um projecto acabado. Pela frente tem agora um processo de adaptação aos padrões tácticos e técnicos do futebol europeu; a imperiosa necessidade de moderar os ímpetos mais excêntricos e de acrescentar simplicidade, inteligência e poder de síntese à tendência para adorno, demagogia e brilho pessoal. Quando conjugar todas as peças e completar o puzzle que ele próprio já antecipou - e esta é a grande conclusão da meia dúzia de aparições pelo Benfica -, vai ser um fenómeno.
(...)"

Moniz Pereira

"Quis o destino que Mário Moniz Pereira nos deixasse fisicamente nas vésperas dos Jogos Olímpicos que, pela primeira vez, são em terras de língua portuguesa.
Já tudo foi dito e escrito sobre a excelência deste ilustre português, na sua vida de atleta, técnico, dirigente, professor e autor. Nunca tive o privilégio de com ele conviver, mas sempre procurei saborear o que de bom e enriquecedor nos foi legando. Era estimulante ouvi-lo e perceber a sageza e beleza da vida que nos transmitia, sempre nos convidando a casar ética e estética.
Moniz Pereira foi, como poucos, um português profundamente amigo de Portugal. Sempre o vi com esse inabalável orgulho de pertença ao nosso país. Era um líder natural, quer dizer, a sua autoridade advinha da exemplaridade, da sabedoria e da congregação. Fernando Mamede, um atleta invulgar, deu-nos, nos seus depoimentos dolorosos e profundamente sentidos, um retrato humanista de Moniz Pereira: «perdi um pai».
Foi certamente um dos mais lidimos seguidores da ideia construtivista da esperança. Como dizia o filósofo Jean Guitton «a esperança é a predisposição do espírito que leva a acreditar na realização do que se deseja». Uma esperança com abnegação, trabalho, verdade, respeito e autenticidade. Uma esperança que juntava a formação de atleta com o desenvolvimento da pessoa. Uma esperança construída, não na utopia inconsciente e na efémera puerilidade, mas na ponte entre a razão, a consciência, a vontade e a aspiração.
Num país invadido pelo cepticismo, solipsismo e resignação bloqueadora, a vida e o exemplo de Moniz Pereira são para frutificar e jamais esquecer."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CLXXXI)

Basquetebol 2016/17

Plantel finalmente fechado... a poucos horas do início dos trabalhos.
Antes de discutir as mudanças no plantel, é impossível não falar da questão do treinador. Carlos Lisboa é o melhor jogador português de sempre. Não duvido das suas motivações como funcionário do Benfica... o nível de organização e competência nas modalidades subiu bastante nos últimos anos. Conclusão, tenho o máximo respeito pela pessoa Carlos Lisboa. Agora, como treinador do Benfica é claramente curto... O argumento de se 'poupar' um ordenado (foi utilizado quando o Lisboa acumulou funções), para mim não é suficiente...

Para analisar o plantel, tenho que dividir as 'ambições' em duas partes: competições internas e Europa!
Na Europa, tivemos azar no sorteio... os Italianos do Varese são claramente de outra galáxia. Mas mesmo na FIBA Cup vamos ter muitas dificuldades no jogo 'interior'! O Barber dá garantias, mas o Santos é uma incógnita...
Internamente, o plantel é mais do que suficiente. Temos 'atiradores' em quantidade industrial, como o treinador gosta... Mas mesmo com o nosso 'défice' ao nível da orientação, vamos ver como é que o Hollis e o Raivio se vão adaptar e qual será a atitude geral da equipa, no aspecto defensivo... A atitude competitiva do Cook o ano passado é uma situação a não repetir!!!!

O regresso do Dunn promete, mas muito sinceramente, parece-me que um dos factores mais importantes, vai ser a condição física do Andrade nos jogos decisivos!
Outro 'joker' pode ser o Lonkovic... não aproveitar o nível de conhecimento com o Oliveira, é um absurdo!

Os vários jovens que fazem parte do plantel (Slutej, Silva, Stankovic, Monteiro), vão ter poucos minutos, vão jogar essencialmente na equipa B, na Proliga... estou muito curioso em verificar a evolução dos vários 'emprestados'; Ferreirinho, Gameiro...

Em relação aos rivais, os Corruptos vão manter o nível (vamos ver quem será o substituto do Troy...), a Oliveirense vai continuar competitiva e o CAB Madeira vai estar muito mais forte (vamos ver se o dinheiro não desaparece a meio da época...). A Ovarense está a passar por muitas dificuldades em formar equipa...!

Bases
Derek Raivio
Tomás Barroso
Mário Fernandes
Aljaz Slutej

Base-Extremo
Lace Dunn
Nuno Oliveira
Sérgio Silva

Extremo
João Soares
Carlos Andrade
Velkjo Stankovic

Extremo-Poste
Damian Hollis
Marko Loncovic
Nicolas dos Santos

Poste
Raven Barber
Ricardo Monteiro

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Um homem e o seu Destino

"Artur Manuel Soares Correia, o «Ruço», morreu. A infame senhora da morte rondara-lhe a casa muitas vezes, mas ele tinha uma vontade maior que o fazia viver, impondo-se a todos os sofrimentos.

Morreu o «Ruço». A maldita e enexorável gadanha da morte abateu-se finalmente sobre o homem ao qual a vida virou as costas, mas que continuou sempre a desafiá-la apesar das amarguras.
Por causa de Artur Correia, Artur Manuel Soares Correia, por extenso, nascido em Lisboa em 1950, poderia obriga-nos a regressar dezenas de vezes no tempo ao longo desta crónica triste. A 1971, por exemplo, dia 12 de Setembro, sua estreia pela equipa principal do Benfica. E que estreia! Vitória nas Antas por 3-1. Ou a 28 de Maio de 1972, quando assinou, frente ao Farense, o seu primeiro golo com a camisola encarnada. Ou a 30 de Maio de 1977, data do seu último jogo pelo Benfica.
Artur teve na sua vida tantos episódios, que seria impossível desfiá-los no espaço acanhado desta página.
Sabem todos da sua querela com o Benfica, do desencontro de verbas que levou à ruptura das negociações para a renovação do contrato e da sua decisão em atravessar a Segunda Circular e assinar pelo Sporting.
Curiosamente, os adeptos poupara-no ao anátema de traidor. E ele confessava com a mágoa no coração: «Quando chega ao intervalo vou a correr tentar saber o resultado do Benfica».

Um raio caiu do céu
Em 23 de Setembro de 1980, foi como se um raio caísse do céu. Uma trombose pôs fim à carreira daquele que corria pelo lado direito do campo com os cabelos louros revolteando atrás. Porque o seu futebol era feito de revoltas e de contras. Era contra o marasmo e contra a submissão. Jogava nos limites dos limites dos limites.Só a morte poderia parar Artur, e ela foi chegando, devagarinho, desde esse infame dia de Setembro, tornando-o cada vez mais frágil como se quisesse contrariar aquela sua natural e espontânea energia.
Nove anos antes tinha sido atacado por uma pleurisia. Cobarde, a grande senhora da gadanha matava-o aos poucos.
Ainda teve, no momento da fantástica meia-final da Taça dos Campeões frente ao Ajax (0-1, 0-0), um elogio único. O húngaro  Stefan Kovács, pai do futebol total holandês, depois seguido por Rinus Michels, não teve dúvidas em considerá-lo como «o melhor lateral direito da Europa».
Não sei se o «Ruço» terá valorizado muito tal opinião. Ele queria era uma bola e correr atrás dela como um menino de caracóis dourados.
Há um ano, o Destino voltou a matá-lo; viu ser-lhe amputada a perna esquerda em consequência de problemas circulatórios.
Continuou a seguir o Benfica como se a perna continuasse lá, no sítio onde sempre esteve. Havia nele a suprema força da vontade.
Contra essa força, só a morte por inteiro. E ela veio, irresistível, num dia fervente de Julho. Sem piedade nem perdão.
O «Ruço» morreu.
Corre atrás de uma bola, de cabelos louros ao vento, pela planície da eterna saudade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Edite Cruz, atleta-padrão de 1955

"No festival da Solidariedade Benfiquista, o momento alto foi a entrega de troféus aos atletas que 'mais de distinguiram na defesa da camisola do Benfica'.

Na noite de 22 de Novembro de 1955 decorreu, no Pavilhão dos Desportos, o primeiro 'Festival da Solidariedade Benfiquista', com o intuito de promover o convívio entre os 'atletas de todas as modalidades praticadas sob a mesma bandeira' e de obter verbas tanto para o Fundo de Reserva Anual da Solidariedade Benfiquista como para as obras do novo parque de jogos do Clube.
Do programa constaram jogos de andebol, futebol de salão e basquetebol, todos disputados por atletas de outras modalidades, e uma demonstração de ginástica 'adequada à preparação das equipas de futebol, dirigida por Otto Glória'. 'A sala do Parque Eduardo VII se emoldurou de uma multidão vibrante de entusiasmo', que observou curiosa 'a faculdade de adaptação que os diversos atletas' demonstram a 'praticar modalidades diferentes das que lhes são habituais'. O jogo mais pitoresco terá sido um dos de andebol, 'disputado entre duas equipas de «peso»: os lutadores e os homens do râguebi!'. De todas as prestações, destaque para Costa Pereira, que, no jogo de basquetebol disputado entre os atletas de futebol e os do andebol, se revelou 'um magnífico jogador da modalidade da «bola ao cesto»'.
Contudo, o momento alto da noite foi a entrega de troféus aos atletas que, durante 1955, 'mais de distinguiram na defesa da camisola do Benfica' em cada uma das modalidades. Edite Cruz, na fotografia, segura o seu troféu de 'atleta-padrão' da patinagem, um dos 29 entregues nessa noite. Para além dos atletas, o presidente do Clube, Joaquim Ferreira Bogalho, recebeu das mãos de Otto Glória o troféu para 'o melhor atleta do Benfica'.
Fundada em 1954, a Solidariedade Benfiquista - Grupo Cultural, Recreativo e de Assistência dos Jogadores do Futebol do Sport Lisboa e Benfica surgiu de uma ideia dos residentes do Lar do Jogador e contou o apoio de Otto Glória, que ocupou o lugar de presidente da assembleia geral e escreveu os estatutos. Sob direcção dos futebolistas Artur, Naldo, Gonzaga, Monteiro e Calado, tinha como fim 'o congraçamente, o desenvolvimento social e cultural e o amparo moral e material dos jogadores, treinadores, massagistas e demais elementos que exerçam actividades na Secção de Futebol do S.L. Benfica'.
Pode ver esta e outras fotografias na exposição Roland Oliveira, até 15 de Outubro na Rua Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Um Benfica ainda com vários 'ses'

"Rui Vitória engendra outra arrumação libertando-se da 'herança' de Jesus e arriscando nova identidade, ou sujeita-se a enfrentar mau tempo na sua navegação.

Ao fim de seis jogos de preparação, com a Supertaça Cândido de Oliveira a uma semana de distância e o início do Campeonato a duas, como vai Rui Vitória sistematizar, depressa, o meio-campo dos encarnados? A pergunta é pertinente e foi colocada pelo jornalista Rogério Azevedo, enviado-especial de A BOLA a Lyon.
Escreveu ele que o meio-campo não desenvolve, só complica, que a defesa não soluciona os problemas que os médios criam e que os avançados estão muito longe dos índices de eficácia alcançados na última época. Não é preciso ser catedrático em futebol para verificar que poucas semelhantes se observam com o Benfica campeão. Dá a ideia de se estar a começar de novo, como se um mês de férias tivesse o efeito de uma esponja que tudo apagou quanto de bom se conseguiu antes. Parece que só resistiram as más recordações, de aí a oportunidade nas observações feitas, que sugerem reflexão profunda e medidas rápidas, antes que se faça tarde. É preciso acelerar o processo metamórfico das experimentações em soluções. Colocar certezas onde ainda há vários ses.
Existe justificada expectativa em redor da figura de Rui Vitória, sobretudo da franja mais céptica da família benfiquista, a qual precisa de se convencer que os bons ventos que orientaram o treinador na sua transição de Guimarães para a Luz ajudaram, sim, mas o que verdadeiramente foi importante na conquista do título 35 deveu-se à sua competência e saber e ao notável rendimento extraído de um plantel, com limitações, que potenciou através de um espírito de grupo à prova de bala...
Este será o ano da confirmação, embora se lhe coloquem novos e difíceis problemas, a dois níveis: por um lado, executar as mudanças que se impõem em termos de rejuvenescimento do plantel; por outro, manter a sua plenitude competitiva uma equipa ambiciosa e ganhadora, dentro e fora do país. Ou seja, para o adepto-comum, sempre muito exigente, o mínimo será apontar àr conquista do tetra e na Liga dos Campeões, como na temporada transacta, chegar aos quartos-de-final.

Em relação à integração de gente nova com reconhecida qualidade,ansiosa pela titularidade, aguardo cheio de interesse como vão ser resolvidas três/quatro dúvidas, a saber:
Na baliza, Júlio César beneficia de um estatuto de excepção à escala planetária. Tal como Buffon, por exemplo, faz parte de uma elite de 'guarda-redes eternos', mas a agradável surpresa chamada Ederson obriga, necessariamente, a repensar o caso. Os dois têm imenso valor e reclamam o lugar, embora com catorze anos a separá-los nas idades. O que suscita outro lado interessante: são ambos fantásticos, mas o mais jovem tem mais futuro e mais mercado, por isso será mais valioso.
Na defesa, ao centro, Luisão, sim ou não? É o grande capitão, a extensão do treinador dentro do campo, mas a idade não perdoa. Para recuperar a posição alguém terá que ser sacrificado. Lindelof? Jardel? Lisandro vai continuar em lista de espera? Kalaica é para deixar cair? A única certeza é a de que à ausência de Luisão correspondeu a explosão de Lindelof, muito cobiçado na Europa, além do aparecimento de um bloco de solidez impressionante.
Nas laterais, o ambiente é pacífico à direita, apenas com a necessidade de optar entre Nélson Semedo e André Almeida, em resultado dos momentos de forma de cada qual e das estratégias a utilizar em função dos opositores, sendo preferível, no entanto, definir de princípio um titular e um suplente em vez de se enveredar por dois 'semi-titulares'.
No lado esquerdo, julgo que a situação se apresenta igualmente confortável com a assunção de Grimaldo, um jovem de 20 anos com escola, destreza, audácia e de leitura fácil. Os méritos de Eliseu ninguém lhos tira. Fez pela vida, como se diz, mas as coisas são como são. Na Selecção. Fernando Santos mudou o que tinha de ser mudado, promovendo Raphael Guerreiro a titular e reduzindo Eliseu à condição de suplente pouco utilizado. O que de alguma forma serve de respaldo a Vitória, se não quiser adiar mais o que também no Benfica tem de ser feito.
No meio-campo, é que a porca torce o rabo e só não o torceu na última época pela razão simples de ter brotado do Seixal um fenómeno que foi remédio que aliviou dores e a luz que ajudou a descobrir caminhos. Um fenómeno que fascinou o mundo do futebol...
Sem ele, das duas uma, ou Rui Vitória engendra outra arrumação, libertando-se da herança de Jesus e arriscando nova identidade com fotografia de corpo inteiro, ou, prolongando o modelo mal desenhado que só funcionou pela entrada em cena de um selvagem incontrolável e arrasador chamado Renato Sanches, sujeita-se a enfrentar mau tempo na sua navegação: pelo que se viu até anteontem, nem Cervi se assemelha a Di Maria, nem Celis faz de Ramires. Além de um Carrillo que só tem transportado sombras..."

Fernando Guerra, in A Bola

PS: O Benfica de sucesso, sempre jogou com um médio-defensivo e um médio de ligação, sempre... Muito antes do Judas ser treinador do Benfica, já o Benfica jogava assim. Não me recordo de um modelo de jogo, com dois médios de contenção no Benfica, que tivesse tido sucesso ao longo de uma época... num jogo ou outro talvez, agora numa época inteira, nunca.
Portanto, a herança que o Rui Vitória tem que 'respeitar', é a herança do Benfica, e só do Benfica!

Como planeado

"Sem viagens à volta do Mundo, sem incertezas nem lacunas gritantes no plantel, o planeamento da nova época do Benfica parece exemplar e, acima de tudo, contrasta com os anos anteriores. Para o adepto, até causa estranheza. Não estávamos habituados a uma pré-temporada assim. Acima de tudo, a estratégia seguida pelo Benfica é coerente e não parece alterar-se ao sabor do vento.
Mantém-se a opção de apostar em jovens talentos (independentemente da nacionalidade), em lugar de contratar jogadores consagrados, mais caros e com menor margem de progressão. Faz sentido: por um lado, estabiliza-se a ideia que o Benfica é um clube que faz crescer os jogadores e dá oportunidades para a sua afirmação; por outro, consolida-se um modelo de negócio que assegura a sustentabilidade financeira.
Não menos importante, estamos no início de Agosto e o plantel tem, pelo menos, duas soluções de qualidade para cada posição e oferece a Rui Vitória possibilidades de alguma versatilidade táctica, inexistente no passado. Mesmo que ocorram algumas saídas, o Benfica não precisará de ir a correr ao mercado. Mais importante, mantém-se a coluna dorsal, que joga pelo centro do terreno e compensa com experiência e inevitável imaturidade das jovens contratações.
Bem seu que o acaso desempenha um papel importante no futebol, mas, no fim, talento, organização e trabalho acabam por compensar: se tudo correr com planeado, o Benfica tem todas as condições para alcançar um inédito tetracampeonato."

E quando o árbitro erra?

"Tal como todos os outros agentes desportivos, os árbitros também são penalizados pelas falhas grosseiras que cometem nos jogos.

Existe a ideia de que os árbitros nunca são punidos pelos erros que cometem, que, ao contrário de jogadores, técnicos e dirigentes (sujeitos a alçada disciplinar), não sofrem as consequências das suas más decisões. Isso só acontece porque, até hoje, nunca ninguém se lembrou de explicar claramente como funcionam as coisas nessa matéria.
A verdade é que, tal como todos os outros agentes desportivos, os árbitros também são penalizados pelas suas falhas grosseiras.
Por partes: em cada jogo, há um observador que os avalia. Como? Atribuindo uma nota (0 a 5), em função das suas prestações. Para a fundamentar, o avaliador pode recorrer a imagens televisivas. Sortudo. Os árbitros (ainda) não. Depois envia essa pontuação para o Conselho de Arbitragem, sendo que só mais tarde segue o relatório pormenorizado. Quando é cometido um erro considerado grave (por exemplo, um penalty por marcar ou uma expulsão mal feita), o árbitro é obviamente penalizado na sua nota.
Essa penalização tem duas consequências imediatas: o quase certo impedimento de arbitrar na semana ou semanas seguintes (aquilo a que a imprensa chama de «jarra») e a não retribuição financeira do prémio de jogo a que teria direito caso fosse nomeado.
Para um árbitro, não poder arbitrar devido a uma má prestação é tão mau como para um jogador não poder actuar por ter sido expulso na jornada anterior. Afecta a auto-estima e o brio. Não é pedagógico, é castrador. A consequência financeira, menos importante, é ainda assim assinalável, porque à excepção de uma minoria semi-profissional, os árbitros não têm salário fixo mensal. Ganham ao jogo. E disso depende quase em exclusivo a sua subsistência (e da sua família), visto que é cada vez mais incomportável compatibilizar outras funções com a exigência crescente da arbitragem.
Mas há mais.
A classificação final dos árbitros consiste, quase exclusivamente, na soma das notas obtidas nos jogos. Portanto, se um árbitro tiver uma época menos feliz, fica mal classificado. E se ficar mal classificado, pode ser despromovido e perder as insígnias FIFA, caso seja internacional. Ao contrário de um jogador ou treinador, que pode compensar um ano menos bom com outro brilhante, com os árbitros isso não acontece. No início de cada época, o fim da linha mora a dez meses de distância. Literalmente. E quando isso acontece para alguns, surge quase sempre o fim de uma carreira longe, a extinção do trabalho de uma vida e o fim de um salário expectável.
Sim. Os árbitros são punidos. Não sei se ao ponto de saciar a fome de revolta dos mais indefectíveis, mas são.
E também por isso são sempre os maiores interessados em acertar muito e errar pouco. Não pelos riscos que isso acarreta à sua própria carreira, mas por serem pessoas íntegras e com enorme sentido de missão."

Duarte Gomes, in A Bola

Tudo pronto para a grande corrida

"Aproximam-se os dias de competição a sério nas provas do futebol português. O cenário não é diferente do habitual. Benfica, Sporting e FC Porto estão,de novo, prontos para a grande corrida e cada um pensa ganhá-la.
É, no entanto, curioso como, apesar da aparente repetição se renovam as expectativas. Porque o Benfica quer provar que o ciclo de liderança do futebol português mudou, em definitivo, para a Luz. Lutará pelo treta, título que, curiosamente, nunca chegou a conquistar e, se isso acontecer, o Benfica não apenas terá razão em chamar a si a nova hegemonia do futebol nacional, como afastará, ao mesmo tempo, a concorrência de Sporting e FC Porto, causando estragos e deixando marcas difíceis de apagar.
Será, talvez, interessante assinalar que o Benfica acaba, assim, por ser o clube com menor pressão. Vencer o tetra é obviamente muito importante, mas o tricampeonato conquistado nos últimos três anos dá-lhe uma grande margem de manobra.
Já o mesmo não acontecerá com Sporting e FC Porto. Os leões conseguiram lutar pelo campeonato até à última jornada e esse facto manteve acesa a chama de entusiasmo leonina, mas tal como Jorge Jesus já afirmou, este ano, os adeptos só poderão ficar satisfeitos se o Sporting fizer melhor e fazer melhor é ser campeão nacional. A pressão será maior e será inversa ao factor surpresa.
Quanto ao FC Porto terá uma missão complexa. As apostas nos últimas anos não trouxeram bons resultados, apesar de um investimento pesado. Perdeu com muit, agora, vai ser preciso ganhar com pouco. Não é fácil."

Vítor Serpa, in A Bola

Vamos fazer história...

Benfiquismo (CLXXX)


Alberto Ló, o melhor jogador de Ténis-de-mesa da história do Benfica...

domingo, 31 de julho de 2016

A partir de agora é "à séria"...!!!

Lyon 3 - 2 Benfica


Acabou a brincadeira a partir de agora é a sério!!! Finalmente...
Confesso: estou preocupado!
Primeiro, porque durante toda esta pré-época, não construímos um onze... temos opções, mas tenho a certeza que o onze titular na Supertaça, nunca jogou todo junto nesta pré-época!!!
Segundo, porque 'cheira-me' a uma entrada nos primeiros jogos oficiais da época, demasiado 'soft'!!! Já escrevi, que só um Benfica com um espírito de luta imenso, poderá ambicionar ao sucesso...
Terceiro, porque no final de cada partida, ficamos sem dois ou três jogadores por lesão... tem sido incrível!!!

Os primeiros minutos até não foram maus, mas a partir dos 15 minutos a equipa 'perdeu-se', principalmente no meio-campo, a dupla Celis/Samaris esteve muito mal... com o Colombiano a exagerar!!!!
Entrámos muito bem no 2.º tempo, o Cervi que sempre que foi para a direita, jogou muito... e o Horta, como 2.º avançado também esteve bem... Marcámos o 2.º golo, mas depois vieram as muitas substituições, e o ritmo do jogo esteve sempre a ser cortado... Com o Lyon a tentar claramente baixar o ritmo...
Parece que vamos ter problemas com o duplo/Pivot no meio-campo, pelo menos enquanto o Danilo não 'entra' na equipa!!! Com o Semedo e o Grimaldo, pode parecer lógico jogar com dois médios mais defrensivos no meio-campo (hoje por exemplo com o Almeida isso não fazia sentido...), mas muito sinceramente, eu acho que no global esta opção é negativa para o Benfica... Nem os nossos jogadores estão habituados a estas rotinas (por exemplo o Fejsa joga muito melhor quando ele é o único responsável pela cobertura...), como o Benfica na maior parte dos jogos têm que ter um médio, que saiba subir, jogar entre-linhas aproximando-se dos avançados... isto é um daqueles factos históricos irrefutáveis... No Benfica, independentemente das 'eras', dos treinadores, dos jogadores, o Benfica tem que ter uma matriz de jogo ofensiva... 2 médios de contenção dá quase sempre mau resultado!

Além do Cervi e do Horta, destaque para os primeiros minutos do Danilo, muito esforçado, com qualidade, mas ainda descoordenado no passe... algo normal, para quem está a treinar à 3 dias!

Com tanto jogador lesionado, não é fácil adivinhar o 11 para a Supertaça! Entre o 11 desejável, o 11 possível e o 11 do Rui Vitória, é impossível ter certezas!

Eu que tenho criticado tanto o Luisão, admito que hoje o Capitão fez o seu melhor jogo, mas mesmo assim jogava com o Lisandro e o Lindelof!
No meio-campo o Fejsa em condições será sempre titular... acho mesmo que no actual plantel, as possíveis ausências do nosso 'tractor' por lesão, serão o nosso maior problema durante a época!
Apesar dos bons sinais do Guedes, o Jonas é fundamental neste Benfica... ainda por cima quando o Mitro e o Raúl ainda estão longe da melhor forma!

Tacticamente, o positivo de hoje, foi a opção André Horta no lugar do Jonas! Talvez uma solução para aqueles jogos, onde o Jonas tem mais dificuldade em aparecer... Os nossos adversários apostam muitas vezes, em fazer superioridade numérica sobre o nosso meio-campo, esta pode ser a solução!

Para manter a consistência, mas um amigável muito pouco amigável, algumas entradas completamente absurdas... com jogadores a saírem tocados... e com mais uma daquelas arbitragens de pré-época, onde tudo passa... Este canto não assinalado nos descontos a favor do Benfica, foi um excelente indicador da tendência... só é curioso que na Luz, levamos com Veríssimos ou Hugos Migueis e o caseirismo transforma-se em anti-caseirismo!!!

Vi ontem o jogo do Braga com o Villarreal. Muito fraquinhos na defesa, como é costume com as equipas do Peseiro (já o ano passado o Braga defendia pouco...), o Marafona ontem, safou o Braga da goleada, agora vamos ver se o Benfica sabe aproveitar... Não sendo decisivo para o sucesso da época, este jogo pode ser uma excelente injecção de moral, para as primeiras jornadas... Tal como aconteceu o ano passado com os Lagartos... que só lá mais para a frente começaram a perder gás!!!

PS: Acabo de saber da morte do Professor Moniz Pereira. Uma das figuras que mais fizeram pelo desporto em Portugal. E sendo Sportinguista, nunca lhe conheci qualquer complexo contra os outros... O desporto em Portugal, principalmente o Atletismo, têm uma grande divida ao Professor...!

Benfiquismo (CLXXVIII)

Feira Popular...

Já tem/temos saudades !!!