Últimas indefectivações

sábado, 12 de setembro de 2015

Justo

Benfica B 2 - 0 Académico de Viseu


O jogo não foi entusiasmante, mas dominámos sempre... os golos só surgiram na 2.ª parte, mas já podíamos ter marcado mais cedo... aliás, marcámos, mas o apitadeiro achou que um frango/auto-golo a favor do Benfica, deve ser ilegal!!! Mais uma arbitragem horrível de Hélder Malheiro, um dos delfins do Desdentado!!!
Num jogo sem grandes destaques, realço a estreia do jovem Belga Scholl.

Reviravolta...

Benfica 33 - 27 Fafe

O caminho não vai ser fácil, aquele final da 1.ª parte foi muito mau (13-15 ao intervalo), mas no 2.º tempo recuperámos, defendemos melhor, e conseguimos a vitória... Nota-se a falta de um Pivot dominador.
Destaque para o regresso do Semedo... o Cavalcanti também já se equipou. 

De raiva...!!!

Benfica 4 - 2 Leões de Porto Salvo

Não foi um dos nossos melhores jogos, mas mesmo assim quando o Leões empatou (1-1), já podíamos estar a golear, tantas foram as oportunidades falhadas...
Como as coisas não estavam a correr bem, teve que ser à bomba: Patias, por duas vezes, na raiva, acabou por decidir o jogo a nosso favor...

Desta vez, acabou por ser o Brandi a ficar de fora por opção. Quando não houver lesões, nem castigos, será sempre uma decisão complicada do treinador: qual dos estrangeiros fica de fora Chaguinha, Fernando, Henmi, Patias, Juanjo, Brandi... Como treinador de bancada o Brandi num jogo de hoje poderia ter sido fundamental a ultrapassar o muro, mas...

O país habitual

"O presidente do Rosario Central, o clube argentino que vem negociando um jogador seu ora com o Sporting ora com o Benfica, confessou-se inclinado a dar preferência à proposta financeira do Benfica visto que do lado do Sporting o dinheiro lhe chegaria, disse ele, pela via de "um grupo de investidores de um país a que não estamos habituados". Aparentemente, o futebol argentino é um luxo. Nós, por cá, já estamos habituados a tudo.
Vítor Baía é senhor de uma imagem reverenciada pelos apaniguados do Porto, o que não espanta, mas também de uma imagem respeitada por adversários e rivais, o que já espanta um bocadinho em função dos fundamentalismos que campeiam no país do futebol a que estamos habituados. A verdade é que Baía alcançou um estatuto de sobriedade que não está ao alcance de todos. O antigo guarda-redes do FC Porto, do Barcelona e da Selecção Nacional entendeu recentemente alimentar as discussões em torno da viagem de Jorge Jesus da Luz para Alvalade, afirmando, em público, a existência de um telefonema do presidente do Benfica para o presidente do FC Porto com o propósito de se assegurar que a viagem em perspectiva não seria da Luz para o Dragão. A isto, o Benfica respondeu com silêncio e o Porto respondeu através do seu presidente com um desmentido formal e quase ofendido. O que colocou a opinião pública perante um dilema. Devemos acreditar em Baía ou em Pinto da Costa? Normalmente, um tal episódio telefónico só poderia ser considerado inverosímil, inimaginável sequer. Mas sendo Baía a falar, e logo um tipo sério e pouco dado a folclores como Baía, o alegado telefonema assume uma dignidade que, no mínimo, agita consciências. Cada um acredita no que quiser ou no que lhe for mais conveniente. Mas Baía é Baía. E se um dia o ouvíssemos explicar, em altas instâncias, a presença de um árbitro em sua casa para café e bolinhos por motivos de aconselhamento matrimonial, quem teria qualquer tipo de razão para duvidar da palavra do fidedigno e sereníssimo guarda-redes?
Ontem, a única crítica que ouvia Rui Vitória foi a de não ter deixado Mitroglou e Jonas em campo para tentarem o hat trick. São críticas que até dão gosto. Em resumo, o Benfica chegou ao intervalo a vencer por 3-0 e na segunda parte marcou mais três lindos golos. Foi o regresso a um país a que nos tínhamos habituado."

Leonor Pinhão, in Record

Vitória 'responde' só... com seis golos

"Nélson Semedo (21 anos) e Gonçalo Guedes (18) na asa direita, Samaris (26) na cobertura e Talisca (21) na ligação/organização como elementos titulares ontem utilizados por Rui Vitória diante do Belenenses, tendo ainda de reserva Lisandro Lopez (26), André Almeida (25), Ederson (22), Raúl Jiménez (24), Nuno Santos (20) e Victor Andrade (19). É o certificado de renovação e a correspondente assunção de mudança na política do futebol benfiquista, convidando à entrada do talento de gente jovem para coabitar em segurança com o saber e a classe dos 'trintões': todos unidos e confiantes na prossecução de mais conquistas, guiados por Luisão, a referência do plantel. Existe futuro, mas o presente não se adivinha fácil, porque a concorrência é forte. No entanto, tratados os medos, soprados os fantasmas e acautelados procedimentos que salvaguardem a paz no grupo, ficam asseguradas as condições para lutar pelo tri, sem pressa, mas com a noção de não se perder tempo, como sublinhou Filipe Vieira em recente e oportuna entrevista publicada em A BOLA.
Regressou o campeonato, com a realização da 4.ª jornada. O Benfica assinou exibição soberba e recheada de golos, com mais cérebro e menos coração, mais controlo e menos correria: a prova de que o seu treinador, afinal, tendo ideias muito válidas, não precisa de sentenças alheias, nem para motivar os jogadores nem para granjear a confiança do exigente tribunal da Luz. Grande espectáculo e admirável resposta de Rui Vitória... sem nada dizer: seis golos.
Hoje, o FC Porto joga em Arouca e, amanhã, o Sporting defronta o Rio Ave, em Vila do Conde. Dificuldades imensas para os dois candidatos, embora o favoritismo que ambos carregam não seja posto em causa, na medida em que são significativas as diferenças quer nos objectivos, quer nos orçamentos..."

Fernando Guerra, in A Bola

O 'lifecoach'


"Uma coisa é o indivíduo que se julga treinador de futebol. Pode ser qualquer um de nós. E qualquer um de nós. Outra coisa é o indivíduo que é treinador da vida dos outros, o aparatosamente chamado life coach. É gente que antes se ficava por papelinhos nos para-brisas sugerindo afrodisíacos africanos, feitiços para desamores, magias para pedras nos rins e poções para o mau-olhado mas agora, aproveitando uma certa democratização da estupidez, escreve livros e dá aulas.
Eu que, ingenuamente, julgava saber viver - e não me refiro ao pacote básico de respirar, alimentar-me, dormir -, acreditava dominar razoavelmente a minha existência dentro dos acasos da - portanto - vida, confesso que já dou por mim, cedendo às pressões das estantes dos supermercados, a pensar se não precisarei desses treinadores quando eles me aparecem lembrando em capas com horizontes crepusculares: 'o sucesso depende de ti', 'o tempo certo é agora', dizendo 'não há problemas, só soluções', como se tivessem inventado a frase, 'O amanhã pode esperar', 'aproveita o dia'.
Tudo isto é uma evidente irresponsabilidade, viver o agora, ignorar o amanhã, por esperto que soe. Até porque julgo que se trata duma impossibilidade do cérebro: como humanos o instinto leva-nos a crer na continuidade, na nossa sobrevivência para lá do agora, logo, impede-nos de viver só o próprio dia. Se perdermos este mecanismo morremos. O carpe diem pode ser mortal (e, já agora, toda a gente viu O Clube dos Poetas Mortos). As únicas pessoas que os treinadores de vida ajudarão serão eles próprios se bem-sucedidos neste negócio de bem-dispostos armados em psiquiatras.
Se você, leitor, acha que é treinador de futebol, no que respeita à vida, à generalidade da vida, tem mesmo de continuar ignorante. Deve ser por isso que há tanta gente a gostar mais de futebol que da própria vida. O futebol é tão fácil que ninguém nos ensina nada."


Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Estranho silêncio no futebol português

"Presidente da Liga espanhola acusa a UEFA e a FIFA de estarem a transformar a Liga inglesa num género de NBA do futebol europeu.

Uma das grandes e universais discussões do mundo do futebol profissional prende-se, hoje em dia, com as limitações impostas pela UEFA e pela FIFA no que respeita ao financiamento à contratação de jogadores pelos clubes com menos capacidade financeira. Esse foi, aliás, um dos temas principais do importante Fórum que o ICSS (International Centre for Sport Security) promoveu na última semana, em Genève, e que teve como principal organizador, o português Emanuel Medeiros, CEO da organização para a Europa e países da América Latina.
A questão afecta, em especial, as ligas menos ricas da Europa e, em particular, os principais clubes portugueses que viram muito limitada a sua capacidade para contratar jogadores de qualidade internacional, através do apoio de fundos que aceitavam partilhar os direitos económicos dos jogadores, num investimento que manifestava total confiança na capacidade dos clubes portugueses poderem valorizar esses jogadores. 
A pressão exercida, muito em especial pela Premier League, levou a UEFA e a FIFA a proibirem os chamados TPO (Third Party Owernship), o que em português vulgarmente se traduz por propriedade de terceiro.
Claro que alguns clubes (incluindo em Portugal) trataram de driblar essa proibição, conseguindo manter o apoio de fundos de investimento através de supostos empréstimos de clubes (por norma sediados na América Latina) e que passaram a dar o nome apenas para tornar possíveis as transações. Nem todos, porém, decidiram experimentar as linhas tortas desse jogo ilegal e perigoso. A questão foi colocada de uma forma clara e frontal, no Fórum de Genève, pelo atual presidente da Liga Espanhola de Clubes, Javier Tebas. Para o líder dos clubes espanhóis de futebol profissional, a UEFA e a FIFA estão a contribuir para que a Liga inglesa se distancie de tal forma de todas as outras ligas que se tornará, em breve, num género de NBA do futebol.
Tebas foi muito duro com os dirigentes do futebol internacional, que acusou de irresponsabilidade e de incompetência. «Esses dirigentes da FIFA e da UEFA não têm de facto, qualquer noção do que é o mercado do futebol» - disse o espanhol, que ainda afirmou ser contrário à ideia de que existem cinco ligas ricas na Europa: «Existe apenas uma Liga rica, a inglesa, a larga distância de qualquer outra» - considerou 
Os defensores da posição da UEFA ainda tentaram argumentar com a questão da opacidade de alguns desses fundos de investimento, questionando a proveniência desses dinheiros, que poderiam estar a ser investidos no futebol apenas com o intuito de lavagem de lucros de negócios sujos. Tebas replicou que seria fácil à UEFA e à FIFA regularem no sentido de fazer a defesa da transparência, aceitando apenas Fundos de investimento que mostrassem de forma clara quem eram os seus donos. É particularmente curioso que um assunto tão importante para o futebol português não faça parte da agenda prioritária dos nossos principais clubes e apenas esteja a ser publicamente pensada e discutida por alguns especialistas em direito desportivo, como é o caso de Fernando Veiga Gomes, autor de um interessante artigo que tem por título Dos direitos económicos no direito do futebol e que apresentou em recente Congresso.
Faz obviamente falta a discussão pública do assunto por parte dos clubes e da Liga portuguesa de futebol. Tal como é essencial uma estratégia de lobby da maioria dos países europeus para obrigar a UEFA a rever a sua posição, antes que os tribunais europeus o façam, porque é inaceitável que a indústria do futebol possa ser discriminada em relação qualquer outra.

Uma abraço para o Salvio
momentos difíceis na vida de um jogador profissional de futebol, mas dificilmente se encontra um momento mais difícil do que uma lesão grave, que obriga a parar por tempo prolongado. É o caso do jogador argentino do Benfica, Eduardo Salvio. E, no entanto, a força como continua a apoiar os seus companheiros e o modo paciente e racional como se tem relacionado com a infelicidade que lhe bateu à porta faz dele um grande e bom exemplo. Um abraço para o Saçvio e que regresse depressa.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfica escolheu um caminho

"A 'Seixalização' do Benfica está em definitivo na agenda dos encarnados. Nelson Semedo veio para ficar, Victor Andrade já experimentou a titularidade, e esta noite há a possibilidade de ser Gonçalo Guedes a entrar de início. Nuno Santos aparece pela primeira vez numa convocatória e nos corredores da Luz existe a convicção de que em breve chegará a hora de Renato Sanches e João Carvalho.
Está instalada uma nova ordem no futebol das águias. A aposta na formação não era um capricho e muito menos uma promessa, daquelas que se esquecem rapidamente. O assunto fazia mesmo parte de um plano estratégico - e aí estão, já lançadas, as bases daquilo que Luís Filipe Vieira idealizou. Se é este ou não o caminho certo, só o tempo o dirá. Mas não faz sentido condenar, logo à partida, o projeto que visa construir uma equipa mais jovem, mais portuguesa e com mais formação. O cenário pode ser demasiado romântico e, na prática, até acabar por não funcionar. Ou demorar alguns anos a dar frutos sabendo-se, como disse Toni, que no Benfica "não há tempo para pedir tempo". Por isso é que estes processos têm de ser aceites, acarinhados e suportados pelos mais experientes. E quase tão importante, nesta fase, o papel de Rui Vitória quanto os de Luisão, Júlio César, Jonas ou mesmo Gaitán.
A questão essencial é saber se há ou não qualidade de base. E isso é o que iremos perceber nos próximos anos. Gonçalo Guedes e Nélson Semedo, entre outros, têm a oportunidade de ser o futuro do Benfica. Coisa de que Yannick Djaló, Bebé, Luisinho, Michel, Djavan ou Bruno Cortez não foram capazes. Essas, sim, foram apostas falhadas. E tempo perdido."

Eficácia e mais alguma coisa...

Benfica 6 - 0 Belenenses
Mitroglou(2), Jonas(2), Gaitán, Talisca


O melhor jogo da temporada, e não foi só por causa dos golos. A estratégia do Belenenses facilitou, o golo madrugador também ajudou, fomos eficazes pela primeira vez, mas os processos ofensivos do Benfica, nesta partida, melhoraram mesmo muito... A bola rolou entre os jogadores, rapidamente, com poucos passes errados, sempre à procura dos flancos, e acima de tudo a intranquilidade dos jogos anteriores desapareceu, os jogadores quando recebiam a bola, já sabiam o que tinham que fazer.
Defensivamente, não fomos verdadeiramente testados, mas pelo menos não 'oferecemos' contra-ataques, como nas partidas anteriores...
Ao contrário do que se disse, as paragens das Selecções no Benfica, têm normalmente um impacto negativo, porque a maioria dos titulares, vão para as respectivas Selecções. Mas desta vez, vimos um Benfica, mais mecanizado, com os jogadores bem posicionados, a saberem o que fazer... É caso para dizer: 'santa' paragem das Selecções... fez mesmo bem!!!
Agora, foram só 3 pontos. É preciso manter a tendência de melhoria, temos muito trabalho pela frente...

O Imperador foi mais um espectador (fez uma defesa), só os livres laterais 'inventados' pelo apitadeiro, criaram a ilusão de perigo!!!
O Jardel regressou em grande, muito seguro a defender e com a bola nos pés... O Luisão esteve quase sempre bem, apesar de uma ou outra hesitação... acabou por cometer muitas faltas, quando subiu para pressionar alto, e com medo de perder em velocidade, 'matou' as jogadas. Tenho defendido a dupla Jardel/Lisandro o Capitão será sempre o Capitão, é uma voz importante em campo, mas neste momento analisando friamente o jogo, o Lisandro devia ser titular...
O Nelsinho voltou às boas exibições... no outro lado, o Eliseu fez um dos seus melhores jogos da época, voltou com confiança da Selecção, onde também foi um dos melhores, apesar das críticas!!!
Samaris simplesmente dominador... Talisca foi titular pela primeira vez no Campeonato, e na minha opinião foi um dos principais responsáveis pela melhoria de jogo do Benfica. Simplesmente magnifico nos passes. Não me recordo de um passe errado. Passes tensos. Recebia e passava, simples. Sem dribles, ou cavalgadas inúteis e perigosas... E até fez coberturas defensivas!!!
O Nico acabou por ser considerado o MVP da partida, mas até nem começou muito bem, na 1.ª parte foi algo inconsequente, mas no 2.º tempo elevou a nota artística... e é disso que o povo gosta!!! O Nico não jogou na madrugada de Terça para Quarta, mas foi obrigado a uma viagem de 10 horas e praticamente só treinou na Quinta, por isso foi substituído cedo... O Gonçalo Guedes estreou-se a titular, e teve alguns problemas... como não tem rotinas como extremo, tem muitas dificuldades quando recebe a bola na linha, quando vai para o meio, e aparece na área, melhora imediatamente...
A dupla de avançados, marcou 2 golos cada... com golos cheios de oportunidade. O Mitroglou voltou a confirmar que é um ponta-de-lança de área, não lhe peçam mobilidade, dribles e afins, mas quando a bola vai ter com ele... O Jonas, caiu muitas vezes nas laterais, combinou em grande com o Nico e marcou dois golos, só porque sim!!!
Boa entrada do Jiménez, numa fase onde o Benfica reduziu o caudal ofensivo, o Mexicano mostrou-se sempre muito disponível, bem nas recepções, nos passes curtos e longos... temos jogador. Suspeito que nos jogos de grau dificuldade maior, onde o ponta-de-lança esteja mais isolado, a escolha vai recair sobre o Jiménez no lugar do Mitroglou, é especulação minha, mas...
Estreia do Nuno Santos, com alguns cruzamentos perigosos (pouco tensos), mas é mais um puto, a jogar sem medo...
Não posse deixar de falar da forma irritante, como o Bruno Paixão voltou a apitar uma partida!!! Já não tem cura...!!!

Terça-feira vamos ter a estreia da Champions. O nome do adversário não entusiasma, mas é preciso ter cuidado... A motivação do outro lado é altíssima. Será importante manter esta onda de confiança, até porque logo de seguida vamos ao antro Corrupto!!!

Não sei o que despoletou os incidentes nos sectores do NN , mas mais uma vez não compreendo como é que se usa a Policia de Intervenção nas bancadas da Luz. Independentemente do que aconteceu, a grande maioria das milhares de pessoas que ali estavam, nada fizeram para fugir à Policia. Existem câmaras de vigilância, existem revistas à entrada, se alguém não se sabe comportar no Estádio, então que seja isolado, identificado, e detido, sem que para isso seja preciso 'varrer' as bancadas... E se o problema são os petardos, então têm todo o meu apoio, na detecção e irradiação dos 'animais'!!! Já deviam ter sido barrados à muito tempo...

Jesus é passado

"O passado fim de semana foi dominado pelas entrevistas de Luís Filipe Vieira e de Jorge Jesus, que muito alimentaram a especulação jornalística e o amor clubista. Gostei do essencial da entrevista do meu presidente. O melhor favor que o Benfica pode fazer a Rui Vitória é deixar de falar de Jorge Jesus. Jorge Jesus é passado no Benfica, um passado de êxito e de títulos, mas é passado, e tem que ser tratado como Sven-Goran Ericksson ou Jimmy Hagan, ex-treinadores que ganharam. Muito obrigado pelas vitórias e seguimos em frente para conseguir mais títulos, com outros protagonistas. Já Jorge Jesus, muito bom treinador (não mudei de opinião por Jorge Jesus ter mudado de clube), não conseguiu ultrapassar o facto de passar para um clube sem a mesma dimensão (embora grande) e fala mais do antigo que do actual clube. Devia estar mais concentrado em conseguir os seus objectivos ao leme verde e branco do que em tentar que o seu sucessor não tenha êxito na sua ex-cadeira. Excelente notícia para o Benfica o facto de ter renovado com Jonas. A qualidade do jogador, a sua entrega e o seu profissionalismo são um seguro para o ataque encarnado.
Hoje volta o futebol, o verdadeiro, dentro das quatro linhas (como eu gosto), com um difícil Benfica-Belenenses, jogo de dificuldade máxima, numa altura em que não são permitidos desaires. Como dizia Jardel em entrevista, esperemos que estes dias tenham servido para «apertar alguns parafusos» na engrenagem benfiquista. Precisamos da máquina oleada e preparada para os desafios que aí estão. Belenenses, Astana e FC Porto em nove dias é agenda de sobra.
Por agora só o Belenenses é importante. Os de Belém começaram bem a época, estão com vários jogos competitivos de rodagem, jogam melhor fora de casa, onde têm aliás melhores resultados. Será difícil logo a noite."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Para cima deles!

"Tempo de selecção nacional, tempo de pausa no campeonato de futebol. E, já agora, tempo para uma reflexão. Ao fim de três jornadas, o SL Benfica tem duas vitórias, uma derrota e está a um ponto dos líderes.
A ver pelos fatalistas, o bicampeão já não tem hipóteses de chegar ao tri. Mas será que os adversários estão a apresentar uma qualidade de futebol ao nível do Brasil de 1982? Pausa para gargalhada. Não, muito longe disso. Aliás, nem dá para comparar. Não fossem os pés de um qualquer lateral a pisar descaradamente uma linha, os avançados do Estoril terem tido medo de ser felizes na zona das Antas ou os 31 remates do Glorioso contra o Arouca não terem dado golo e os fatalistas estariam sem argumentos.
A ver pelos optimistas, o SL Benfica até está melhor que na época passada. Perdeu um treinador que dava tantas alegrias quanto tristezas (são números, senhores...), ganhou um que não precisa de ser o centro das atenções, perdeu um lateral que vale pouco como pessoa, há mais aposta na prata da casa, há Champions no calendário e o trio estrangeiro do ataque já factura. Respira-se confiança, portanto.
O sucesso passa pelo melhor dos dois pontos de vista: aceitar a crítica e resolver os problemas; ver o que está bem feito e dar continuidade aos títulos. Para isso, é preciso ganhar hoje aos portugueses de Sá Pinto. A ver pelo que têm feito na Liga Europa, os Belenenses vão deixar tudo em capo. E então? Não é isso que o SL Benfica tem que enfrentar todos os fins de semana? Ou melhor, todos os dias, com os ataques desesperados de adversários externos e internos. Afinal quem é que usa o símbolo de campeão na camisola? Sem medo, Benfica!"

Ricardo Santos, in O Benfica

O dia em que joguei na Luz

"A Adidas convidou vários jornalistas para uma partida de futebol no Estádio do Benfica. E o representante da VISÃO fez exactamente o que se esperava dele: muito pouco.

Quando a Adidas enviou um convite à VISÃO para um jogo de futebol no Estádio da Luz, eu fui a escolha natural - oito das dez pessoas da minha secção são mulheres, e o outro espécime masculino não aprecia praticar desporto de pé. Quanto às minhas aptidões futebolísticas propriamente ditas, há duas correntes de opinião: eu acho que sou a reencarnação do Garrincha; todos os outros acham que devo ser é parvo. Mas isso não importa nada. Uma vitória por falta de comparência continua a ser uma vitória - e assim me caiu no colo o privilégio de pisar a relva do Glorioso.
Confirmada a minha presença, o passo seguinte foi dizer a toda a gente que ia jogar na Catedral. Comecei, claro, pelos mais benfiquistas, e daí segui pela cadeia alimentar abaixo. Pelo caminho, ia distribuindo promessas de golos. "Vou marcar um por ti", espalhei eu ao pontapé, salvo seja. Ao dar por ela, já levava uma dúzia de golos atribuídos. Não me estava a ver a pagar a dívida.
No dia mais importante da minha vida (o do nascimento do meu filho ocupa um honroso segundo lugar), pus-me a caminho uma hora mais cedo do que era preciso, não fosse eu ser vítima de um acidente e ter de me arrastar, ensanguentado, 5 ou 10 quilómetros até ao estádio. O ponto de encontro era a sala das conferências de imprensa.
Depois de uma apresentação de um responsável da Adidas, a falar sobre as novas chuteiras ACE15 e X15 (as primeiras, adaptadas a estilos de jogo mais controlados, as segundas, para jogadores mais explosivos, e outras coisas que não ouvi realmente porque 65 mil espectadores imaginários já chamavam por mim), entraram Jardel e Jonas.
Os craques do Benfica dividiram os 24 jornalistas em duas equipas e encaminharam-nos para os balneários. Calhou-me o Jardel como treinador - ou melhor, mister, como nós, futebolistas, gostamos de dizer. Enquanto vestíamos o equipamento, o defesa encarnado delineou a táctica. "Quem quer ir à baliza? Quem quer jogar à defesa? Esquerda? Direita? Centro?" E pronto, foi isto. Estratégias? Para quê? Obviamente, o homem percebeu que tinha ali 12 predestinados, a quem bastava o talento natural para vencer o jogo nas calmas. Ainda pensei em avisar que há quem me considere agressivo na bola (eu prefiro chamar-lhe empenho). Mas, como ninguém me perguntou se, por exemplo, alguma vez parti o pé a um adversário, optei por não contar que uma vez parti o pé a um adversário. Digamos que o assunto não se proporcionou. 
Escolhi o lugar de defesa esquerdo porque é o sítio do campo onde costuma haver menos gente, e o meu estilo de jogo não se coaduna com multidões. Tal como as estrelas lá de cima, também as estrelas futebolísticas precisam de espaço para brilhar. Vesti a camisola com o número 6 nas costas (o mesmo de portentos benfiquistas como Jamir, Steve Harkness, Marco Freitas e Fernando Meira) e fui para o relvado. Íamos ter dez minutos de aquecimento. Cansei-me a aquecer.
O árbitro preparava-se para o apito inicial quando me convenci de ter escolhido bem a posição: ia enfrentar, no meu corredor, a única mulher em campo - a Mariana Cabral, do Expresso. Constava que ela percebia de bola, e que até tinha tirado um curso de treinadora, mas, caramba!, é mulher. Deve haver atuns que jogam melhor.Essa era a primeira boa notícia. A segunda é que o meu amigo Jaime, da New in Town, estava na baliza. Se lhe marcasse um golo em pleno Estádio da Luz, faria questão de o ter ao meu lado antes de me finar para, com o último sopro, lhe recordar o momento. Incitado por essa ideia, fiz o primeiro remate à baliza do jogo. Uso a palavra remate num sentido muito lato. Foi uma espécie de suave atraso para o guarda-redes errado, com o pé esquerdo, o que estava mais à mão, como diria o João Pinto, esse filósofo do FC Porto. (Por falar em pés esquerdos, ainda hoje não tenho a certeza de qual é o meu melhor pé, pelo que prefiro considerar-me ambidestro dos membros inferiores.) O pior veio de seguida: a Mariana pegou na bola perto da linha e avançou na minha direcção; à entrada da área, passou por mim como se eu não estivesse lá. E com essa simples finta curou-me o sexismo.
Fomos para o intervalo a ganhar por 1-0, com um golo acidental: o meu companheiro queria cruzar, mas a bola saiu demasiado longa e acabou na baliza. Dirigimo-nos para o balneário, a arfar, com Jardel a acompanhar-nos, de mãos nos bolsos. "Estamos tão cansados como tu costumas estar, Jardel?", perguntou um de nós. "Vocês jogaram 15 minutos", respondeu o mister. Sim, o Benfica e a Adidas achavam que não aguentávamos mais que duas partes de 15 minutos. Tinham razão. No início da segunda parte, pedi para trocar de posição com um médio centrocampista. Oficialmente, porque queria ir mais para o meio da acção. Honestamente, porque não queria voltar a ser humilhado pela Mariana. Havia câmaras a filmar a partida.
O jogo prosseguiu numa toada entre o morno e o cómico, certamente porque as bancadas vazias não nos estimulavam a dar mais. Entretanto, a equipa adversária fez o 1-1 sem saber ler nem escrever, num contra-ataque fortuito. Jonas, o treinador inimigo, pareceu entusiasmado, mas o nosso mister manteve a mesma calma estóica, que quase podia ser confundida com absoluto desinteresse no resultado. Mas depressa voltámos para a frente do marcador, com mais um espectacular cruzamento disparatado que acabou nas redes por estranhos humores da física. Jardel demonstrou a sua irrefreável satisfação acenando ligeiramente com a cabeça. O árbitro apitou para o final pouco depois.
Terminada a partida, fiquei no centro do relvado a tirar selfies. No Natal, hão de ser transformadas em postais de boas festas e oferecidas a toda a gente que conheço - porque o único prazer maior do que jogar no Estádio da Luz é esfregar na cara dos nossos amigos que jogámos no Estádio da Luz."

O Benfica existe para ganhar

"No sábado passado, enquanto assistia ao jogo de iniciados A, dei por mim entusiasmado com a velocidade, criatividade e técnica de um dos nossos jogadores, o Jair Tavares. Fez-me lembrar o Mário Ferreira, o 'Valderrama', apenas um ano mais velho. Com um estilo diferente, o 'Jota', nascido dois anos antes. Ou o Diogo Gonçalves e o João Carvalho, estes já na 'B', mas com idade júnior. Ou o Gonçalo Guedes, a dar os primeiros passos na equipa principal, assim como o Hélder Costa já o fez na temporada passado no Corunha, ou o Ivan Cavaleiro, hoje um valor seguro na liga francesa.
Em comum, os atletas mencionados foram ou estão a ser formados no CFC, actuam preferencialmente a extremo, é-lhes apontado um futuro risonho no Futebol e têm, entre si, pela ordenação utilizada, um ano de idade a separá-los. Muitos outros poderiam ser indicados noutras posições.
O futuro do Benfica passa, inevitavelmente, por esta fonte de promessas futebolísticas formadas no Seixal. Por convicção: a identificação com os valores Benfiquistas, quando assimilados desde cedo, é, na maioria dos casos, mais robusta; e por necessidade: os recursos são finitos, a capacidade de endividamento nem sempre é a necessária, a massa salarial tenderá a diminuir e as mais-valias decorrentes da alienação de passes a aumentar.
Nada disto, no entanto, será relevante se a nossa equipa principal deixar de ser competitiva. Como tal, fiquei descansado ao ler nas entrelinhas da entrevista concedida pelo presidente Luís Filipe Vieira ao jornal A Bola que esta aposta não é dogmática. Abrir portas aos miúdos é importante, mas terá sempre de ser indispensável mostrarem capacidade para atravessá-las."

João Tomaz, in O Benfica

Esclarecedor

"Duas entrevistas a dois diários desportivos portugueses, duas personalidades bem distintas, dois discursos bem diferentes. No jornal “A Bola”, um verdadeiro homem de estado fala sobre o futuro da instituição a que preside, denota confiança, transborda determinação quanto ao rumo que pretende seguir. Respeita os adversários. Com humildade, sabe que não poderá vencer sempre, mas acredita que pode vencer mais vezes do que os outros. Muito importante: garante que, com ele, o futuro do clube jamais será hipotecado. 
No jornal “Record”, um indivíduo ressabiado ajusta contas com o passado. Do alto da sua ilimitada vaidade, desrespeita aqueles que o levaram ao topo, dispara a vários colegas de profissão, e mostra um revelador desapego face aos que hoje lhe pagam o principesco ordenado que aufere. Há três meses estava num clube, agora está num rival, e já ameaça partir para outro. Vai com quem pagar mais, tal como certas senhoras que, por vezes, vemos na estrada. Admite que andou a brincar com o Benfica e com o seu treinador, na antecâmara da supertaça. Mas a principal pérola da entrevista surge quando, candidamente (?), faz a seguinte afirmação: “nunca vão conseguir pôr os adeptos do Benfica contra mim”. Ou está a rir-se de nós, ou vê muito pouco para lá das quatro linhas de um campo de jogo. Deveria saber que foi ele próprio a colocar os adeptos do Benfica contra si, saindo pelas traseiras, deitando todo um passado para o lixo, e transformando-se, num sopro, em figura menor na história do clube. Talvez seja preciso explicarmos-lhe melhor. Talvez à oitava jornada o entenda devidamente."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Um ano decisivo? (tão decisivo como todos os outros)

"Temos de estar unidos, tal como estiveram os adeptos e a equipa. Ganharemos se não deixarmos que as divisões deem frutos.

ANO DECISIVO?
No início de cada época vamos tendo esperanças bem contraditórias: para os que acabaram de ganhar tudo começa com o receio de podermos não vir a ser tão competentes como o ano passado, neste caso para nós, BENFICA, como nos dois anos anteriores. Para quem perdeu o ano passado (ou para - como é o caso de um dos nossos competidores directos - para quem tudo perdeu nas duas últimas épocas) reacende-se a esperança, a fé de «este ano é que é». Frase, aliás, que outro dos nossos competidores directos bem conhece (para esses, é sempre este ano, até a matemática os aconselhar a começar a fazer contas para o próximo ano, e para o próximo, e para o próximo, e assim sucessivamente).
Para nós, será, como sempre, um ano decisivo, porque ao BENFICA se exige, sempre, que ganhe. E se se exige sempre, mais se exige quando se passou de tempos de reconstrução para tempos de resultados desportivos! Só assim se pode compreender a referência de Luís Filipe Vieira a «dores de crescimento». Ele será o primeiro, de entre nós, a saber conciliar o crescimento com mudança de paradigma, a conciliar formação com vitórias, a fazer coincidir (Rui) Vitória com (Tri) Campeão. Porque ser do Benfica voltou outra vez a ser incompatível com o conjugar do verbo perder.

MEIO E NÃO FIM
Ter medo da mudança é incompatível com a essência do BENFICA. Mas assumir a mudança como objectivo final será tão grave como prescindir da aposta na formação para mais facilmente podermos voltar a repetir as vitórias.
Lembro-me dos tempos em que as campanhas eleitorais no BENFICA se faziam em volta de quem seria mais fiel ao modelo do Ajax, na formação. Esse tempo passou, como aliás passou a hegemonia do futebol do Ajax na Europa, prova de que o recurso à formação, em exclusivo e como objectivo (em vez de ser um meio para atingir um fim), não nos levará onde queremos.
Sempre defendi a formação, não como um fim em si, mas antes como meio para, reduzindo os custos, podermos continuar a ganhar tudo! Tenho a certeza de que, finalmente, todas as jovens promessas made in Seixal serão devidamente valorizadas e aproveitadas pela actual equipa técnica, embora saiba que o recurso à formação não resolve todos os problemas na construção de uma equipa.
Depois, definido o objectivo (ganhar, sempre), encontrado um dos instrumentos para que isso aconteça (a formação), teremos de continuar a ter, ainda, a disponibilidade para, lá fora, encontrar cada vez menos - os que podem encaixar neste modelo de custos adaptados à realidade portuguesa, sem continuar a deixar de ter toda a ambição do Mundo.
E fazendo, como tem vindo a acontecer, que a passagem de cada jogador pelo BENFICA - seja ele da formação ou não - possa representar uma referência de estabilidade depois da adaptação, e de continuidade por cada vez mais e mais anos.

A VANTAGEM DOS OUTROS
Sabemos que este ano (mais ainda do que nos anteriores) todos nos quererão derrotar. Temos de estar atentos! Aos outros dois basta que nós não ganhemos. Isso daria o título de campeão a um deles e alegria (como se fosse campeão) ao outro.
Indistintamente, reconheçamos, porque eles tem mais inveja de nós do que gostam deles. Eu quero ganhar, sendo-me indiferente quem possa ganhar que não eu. Os outros querem que eu perca. Têm, por isso, uma vantagem: são, sempre o foram, dois contra um.
É verdade, mas, neste ano, as coisas - como se vê por uma entrevista de alguém de outro clube que perde metade da mesma a falar do BENFICA - vão exigir mais de nós!
Teremos de estar unidos, como estiveram os adeptos com a equipa nos últimos jogos, porque só unidos e sem criarmos divisões entre nós seremos capazes de ganhar.
Deixemos de lado ambições ou ódios pessoais, interesses ou leituras divergentes (embora muito respeitáveis e, algumas delas, a darem muito que pensar), candidaturas para o momento em que devam aparecer, discussões sobre o futuro quando o futuro estiver em discussão. O presente, esse é que tem de ser construído de vitórias. Porque, neste 2 contra 1, ganharemos se não deixarmos que as divisões comecem a dar frutos.

EXEMPLOS EM CAMPO
Sendo assim, este ano será tão decisivo como todos os outros. Temos, por isso, de ganhar! Com uma mudança estrutural? É a vida! Com uma aposta redobrada na formação? O futuro a isso obriga! Com menos aquisições e menos vendas? Sempre o defendi!
Mas isso também obrigará a duplicar, triplicar «a raça, o querer e a ambição» à BENFICA. Luisão (desde 2003/04), Gaitán e Salvio (desde 2010/11), André Almeida (desde 2011/12) ou, até mesmo, Jardel (desde 2012/13) têm de ser exemplos a seguir, com muitos anos de permanência no Clube, para que possam ir transmitindo não só o que significa ganhar, mas o que temos de fazer para ganhar dentro de campo!
A par disso, uma enorme abertura - de todos os que temos responsabilidades no BENFICA - para combater a conflitualidade com que nos vão atacar, sem virar a cara, e sem temer a desestabilização a que será conduzida a arbitragem, ao arrepio do que era exigido aos seus dirigentes, porque parecem servir uma estratégia que não é a sua, nem nada ter a ver com os interesse da arbitragem. Para tudo deveremos estar preparados. Não o fazer será meio caminho andado para perder. E eu quero, nós queremos ganhar! 123... TRICAMPEÕES outra vez!

SE EU FOSSE...
...DIRIGENTE DA APAF
Não saberia responder a quem me questionasse sobre as razões desta guerra surda contra tudo e contra todos.
Não saberia responder a quem me perguntasse se as minhas posições serviam outros interesses que não os dos árbitros.
Não saberia responder se confrontado com as razões de contestação dos critérios de avaliação e ponderação de exames técnicos e físicos se esses mesmos critérios fossem aplicados a todos os árbitros. 
Não saberia responder se me indicassem que, com base nessa contestação, há candidaturas ao próximo Conselho de Arbitragem, só porque isso convirá a um certo clube.
Não saberia responder, porque responder a cada uma dessas perguntas, se calhar, seria já pedir demasiado de mim.

...DIRIGENTE DA ARBITRAGEM DA UEFA
Ria-me das propostas de sorteio dos árbitros em detrimento da nomeação que existe em todo o Mundo, que alguns querem em Portugal!
Ria-me das greves aos exames, por razões de ponderação, que os árbitros fizeram em Portugal!
Ria-me da guerra pelo vídeo-árbitro, agora inventada para ocupar espaço mediático, para disfarçar derrotas ou justificar assessorias de imprensa mais ou menos veladas, que alguns querem em Portugal!
Ria-me do ridículo desta última ideia porque, sabe bem quem o defende, tal só é possível quando a jogada termina nesse momento e isso implique o reinício do jogo (como no ténis, no futebol americano ou, em determinadas circunstâncias, no râguebi), que alguns querem em Portugal!
Ria-me... até os avisar que, se não se deixam de brincadeiras, a UEFA deixará de levar a arbitragem portuguesa a sério."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Actualidades...

Uma pequena resenha aos temas do momento:
- Jonas é a prova de que não é preciso estar muitos anos no Benfica para perceber, o que é o Benfica. Neste caso, todos sabemos que o Jonas teve propostas muito melhores. Mas sempre disse (e cumpriu) que queria ficar no Benfica. Obviamente, não fica com um ordenado de 'miséria', mas fica...
- Salvio foi novamente operado, como estava previsto. Agora, é trabalhar... e esperar pelo regresso a 100%.
- O Benfica anunciou os resultados consolidados do último exercício, com um lucro de 7,1 milhões de euros, e uma significativa redução do passivo... Mantendo os resultados operacionais bem positivos, e sem 'trapalhadas' contabilísticas!!! A analise, mas pormenorizada fica para mais tarde...
- Nas modalidades, o Hóquei em Patins já conhece os nossos adversários na Liga Europeia: Bassano, Vic, Merignac.
- Já não é novidade, mas eu não anunciei aqui, a 'troca' de Centrais no Voleibol. O Brasileiro Rogério decidiu terminar a carreira, o Benfica não ficou quieto, e contratou o Internacional Canadiano Justin Duff... Provavelmente ficámos mais bem servidos!!! Dustin Schneider, nosso antigo jogador Canadiano acabou por ser importante em mais esta contratação surpresa...
- No Basket, a saída do Goran Nogic foi a notícia mais relevante dos últimos dias. Depois de muitos anos na Formação do Benfica, tornando o Benfica na melhor Formação Portuguesa, com muitos títulos, e com muitos jogadores espalhados por quase todas as equipas da Liga, o Goran optou por um novo desafio. Obrigado e até à próxima...!!!
- Para finalizar as loiras histéricas online, ficaram ofendidas com os €5 que o Clube pede, pelo novo Cartão de Sócio. Apetece-me escrever algumas coisas, mas muito sinceramente não tenho paciência, assim, e porque é mais fácil, 'Roubo' a Capa do «Às vezes sai todos os dias», do BnR B, que resume muito bem (como é habitual) a minha raiva!!!
PS: Já agora, amanhã é para ganhar, com 90 minutos à Benfica!!!

A pequena aldeia do futebol


"Ainda se está por perceber como é que Benfica, Sporting e FC Porto partilham tantas vezes a cobiça pelos mesmos jogadores. A história das contratações dos três grandes está cheia de casos de reforços que foram 'desviados' do seu percurso original por um interesse comum seguramente potenciado pela tremenda rivalidade que existe entre eles.
Os motivos não estarão, por certo, exclusivamente relacionados com a ânsia de tentar "passar a perna" ao rival. Há, obviamente, razões acrescidas que colocam os clubes na pista de jogadores que podem ser bons negócios. A pequena aldeia do futebol já não consegue esconder muitos segredos e Benfica, FC Porto e Sporting dedicam especial atenção a mercados que são trabalhados por especialistas ao melhor estilo dos garimpeiros.
O argentino Franco Cervi é o último exemplo de uma luta travada neste caso, entre Benfica e Sporting. Começou por ser dado como alvo dos leões, chegou mesmo a ser classificado como mais do que isso, mas a verdade é que vai acabar na Luz, depois de os encarnados terem sido mais incisivos na concretização do negócio.
A novidade desta história é a assunção por parte do Sporting que este jogador, Cervi, não deveria ter escapado e que tal desenlace foi motivo suficiente para afastar do pelouro das contratações um administrador da SAD. A medida pode ter duas leituras que até serão complementares: é a prova de que a cultura de exigência no Sporting não poupa os mais altos responsáveis e/ou uma forma de justificar a Jesus o fracasso de uma contratação que estaria entre as mais desejadas pelo treinador leonino."

Peitos há muitos, sua palerma!

"A polémica rebentou por causa de uma inovação nas camisolas do Manchester United postas à venda, passando a haver modelos para homens e para mulheres.
Tudo reside na profundidade do bico em V da gola concebido pela Adidas. Nos homens, platonicamente, mais perto do pescoço. Nas mulheres, sensualmente, mais perto do peito.
As adeptas estão divididas. Umas acusam esta ideia de sexismo e discriminação. Outros aplaudem-na. Barafustam as primeiras porque o modelo «obriga» as mulheres a mostrar parte dos dotes peitoriais. Replicam as segundas, reprovando os anteriores e únicos modelos masculinos, em que «parecia que era a camisola que as levava e não elas que levavam a camisola». Uma das mais críticas disse que «seria estranho usar uma roupa tão 'reveladora'. Não consigo relaxar e pular no estádio». São as que levam a questão a peito, porque estão de peito feito. Ao invés, outra internauta escreveu: «Amei o novo modelo. Celebremos as diferenças! É uma boa mudança, já que me sinto estrangulada por camisolas. As reclamações são das meninas que não têm peito para as preencher». E outra adiantou: «Numa hora, criticam quem as censura por mostrar o corpo, e noutra hora, condenam inovações que lhes valorizam o corpo». São as que, do fundo do peito, consideram a Adidas um amigo de peito. Alegam, ainda, que o novo modelo não é obrigatório, podendo optar pelo masculino. Por falar em masculino, os homens, menos dados a filosofias, estão felizes com a inovação. «O que é de gosto regala o peito», diz o ovo.
Já agora, será que a expressão da gíria «peitudo e raçudo» será posta em causa?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Eusebismos

"ELBASAN - Faltavam cerca de 20 minutos para os adeptos albaneses desatarem a gritar MESSI, MESSI, MESSI, quando senti um puxão no braço esquerdo.
Olhei para trás e esbarrei no sorriso de um senhor já velhote e no olhar fascinado do sobrinho. Não houve cá tempo para bons-dias nem boas-tardes, que o italiano do homem era tão improvisodesenrascado que ele parecia nem respirar. Sorria, e repetia, agora fazendo-se entender: «Quem é melhor, Ronaldo ou Eusébio?» Assim mesmo, de chofre, sem me dar tempo para pensar, logo insistindo, agora pela voz do rapaz, em inglês.
Tenho para mim que Eusébio foi um gigante, mas - eventualmente porque nunca o vi jogar a não ser em imagens de TV sem grande qualidade - entendo que tudo o que Cristiano Ronaldo já conseguiu, o extenso currículo que ostenta, o facto de ser um quebrador incansável de recordes no Real Madrid e na Seleção o torna já merecedor da coroa de melhor português de sempre (e isto sem qualquer desprimor para génios como Eusébio, ou, por exemplo, Luís Figo).
O jovem traduziu as minhas palavras do inglês para o albanês e o olhar do tio alterou-se. Sem respirar, disparou (a sonoridade era parecida e o google tradutor diz que a frase era algo como isto): «Pelé ka thene se ne qofte se ka pasur nje loje kunder nje ekipi marsian dhe Eusebio nuk ka luajtur, ai gjithashtu nuk do te luaje». Percebi, ali pelo meio Pelé, equipa de marcianos e Eusébio, mas tive de esperar que o rapaz explicasse que o Pelé tinha dito que se o Eusébio não jogasse contra uma equipa de marcianos ele próprio não jogaria! Sorri e apreciei o momento. Não rebati - para quê contrariar tão forte paixão? - e desejei-lhes boa sorte, que aproveitassem o jogo. Para eles, foi um dia mágico. Afinal, era só um jogo de futebol e isso, toda a gente sabe como pode ser mais importante que tudo."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Certezas e surpresas europeias

"No Euro-2016, vai haver muitos neófitos. Por um lado, porque aumentou o número de selecções apuráveis (passou-se, sucessivamente, de 4 para 8, 16 e agora 24!). Mas também porque a globalização se instalou no futebol, com a migração de bons atletas para ligas mais competitivas.
Assim, vamos ter a Islândia no próximo Europeu e, provavelmente, Albânia, País de Gales e a dobradinha checoslovaca. E para o play-off (ou até para o apuramento directo) há Israel, a muito antes poderosa Hungria e a Noruega. Além disso, saúda-se os quase certos regressos da Roménia (ao contrário da deprimida Bulgária), Bélgica, Áustria e Polónia (estas duas sem o bónus de apuramento por terem sido anfitriãs).
Em sentido inverso, a Holanda é um caso estranho de dificuldade, logo num sistema em que o mais difícil é uma boa selecção não ficar apurada, tal a fartura de lugares disponíveis. Logo a seguir, a Grécia, ex-campeã europeia, que, depois do nosso Fernando Santos, está em último, 3 pontos atrás - imagine-se! - das Ilhas Feroé. Acrescem a Sérvia, antes equipa poderosa, a irregular Turquia e a sempre imprevisível selecção russa.
No campeonato dos pequeninos, duas selecções fingem que competem e ainda não pontuaram: Andorra e Gibraltar (no conjunto, marcaram 5 golos e sofreram 76 (!). Além delas, brilham São Marino, com um empate, e única que ainda não soube o que é um golo (0-25) e Malta. Ceguinhos de há uns bons anos, temos a excelente, mas não surpreendente, evolução de Chipre (3 vitórias, até ver) e até o Liechtenstein (5 p.) e Luxemburgo (4 p.) fazem pela vida."

Bagão Félix, in A Bola

As mesmas condições


"Quando a esmola é grande, o pobre desconfia, costuma dizer-se e é bem capaz de ser verdade. Aqui a 'esmola' são as notícias de propostas tentadoras por jogadores do Benfica, prontamente rejeitadas, e o 'pobre' é o plantel do Glorioso que precisava de ter sido reforçado e não foi.
Logo após o fecho do mercado foi noticiada uma proposta de 10 milhões do Chelsea por Luisão, outra de 16 milhões do Nápoles por Cristante, ainda uma de 20 milhões de origem desconhecida por Gonçalo Guedes e foi ainda aventado que o Liverpool teria oferecido 25 milhões por Gaitán. O mercado fechou, o Benfica não se cansou de recusar propostas (claro está, devidamente almofadado pelos vários jogadores da equipa B vendidos pelo número redondo de 15 milhões) e, no fim, ficou com um plantel paradoxalmente grande e desequilibrado.
Com quase 30 jogadores, o Benfica consegue a proeza de ter, pelo menos, três jogadores (Talisca, Djuricic e Taarabt) para a posição 10, que raramente utilizará, enquanto a posição 8, fulcral no 4x4X2, depende apenas de uma solução de recurso (Pizzi), que continua a gerar cepticismo.
É por isso que, ao longo desta época, continuarão a ecoar as palavras de Luís Filipe Vieira na apresentação de Rui Vitória: "Há uma garantia que quero deixar - vais ter as mesmas condições que outros tiveram." Rui Vitória pode ser capaz de dar a volta ao texto e formar titulares num ápice a partir de jogadores da formação, mas não parte com as mesmas condições de Jorge Jesus. Já Vieira "gostava de ter dado mais um ou dois jogadores" ao treinador, a verdade é que não deu."


Impressão digital

"As Selecções Nacionais de futebol estão de regresso ao trabalho e com elas as discussões sobre o seu valor desportivo. Depois do sucesso dos jovens lusos Sub-20 e dos Sub-21 e apesar do lugar que ocupa a nossa Selecção A, 6.ª no ranking da FIFA, há quem se entretenha a desvalorizar e hipotecar o nosso património desportivo.
Sejamos justos. É da mais elementar justiça reconhecer o sucesso das Selecções Nacionais e premiá-lo. Concretamente: jogadores: individual e colectivamente, que de forma brilhante, em cada jogada, afirmam a sua identidade e o seu valor. Afirmam mais a identidade do nosso futebol, do nosso país. Jogadores, a quem é dado tão pouco e é pedido tanto. Jogadores que nos fazem grandes, que nos fazem sonhar, sair do rectângulo que é o campo e o país. Sobretudo os mais jovens, apesar das condições adversas, nomeadamente da falta de investimento na formação, nos equipamentos desportivos ou nas condições laborais, conseguem superar-se e dar uma bofetada 'de luva branca' a quem os quer remeter para a 'zona de conforto'. São eles, com esta atitude, com os seus êxitos, dribles e golos que chamam a atenção para os sucessos e os problemas do futebol, são eles que obrigam à sua reflexão, à tomada de decisões. O futebol português, implacável quando falham, que não hesita em explorar os fracassos, é o mesmo que anda a reboque dos seus êxitos.
Há talento. Tanto talento. Talento que muitos não vêem ou não querem ver. Talento que é escondido. Talento que é nosso, que importa reconhecer, em que devemos investir e valorizar. Sempre.
Treinadores: jovens, a maioria ex-jogadores, nomeadamente Rui Jorge, Emílio Peixe, Hélio Sousa e Filipe Ramos, sob a orientação de Ilídio Vale e agora de Fernando Santos implementaram um modelo de sucesso na Federação. Competentes, com um lado humano do tamanho do futebol que faz a diferença. Uma atitude própria, de respeito pelo jogador, pelo jogo. Atitude potenciada pela partilha e complementaridade entre todos.
Parabéns.
Dirigentes: a estrutura federativa não ganha jogos, mas ajuda e de que maneira. Fernando Gomes arrepiou caminho, organizou, renovou, apoiou e projectou o futebol português. Os resultados não acontecem por acaso. As Selecções Nacionais estão de regresso e no desporto são o garante da nossa identidade, a nossa impressão digital. Saibamos preservá-la."

O papel dos empresários

"1. Nenhum jogador, nem mesmo Messi, vale 80 milhões de euros, muito menos Martial, um miúdo de 19 anos que o Manchester United do atarantado Van Gaal comprou ao Mónaco de Leonardo Jardim para jogar como ponta-de-lança. Os valores a que o mercado chegou neste verão são deveras alucinantes, para não dizer escandalosos, e os responsáveis são os intermediários, mais eruditamente ditos gestores de carreiras, acolitados pelos vários comissionistas que nestas ocasiões nunca faltam. Sem o seu poder de especulação, as cotações nunca teriam atingido estas exorbitâncias. Por isso é que os intermediários estão ricos, tão ricos que nada me espantaria se qualquer dia algum deles fosse incluído no top da Forbes. Pelo contrário, surpreende-me, isso sim, que nenhum clube tivesse aproveitado esta onda inflacionária para levar Gaitán por apenas 35 milhões, ele por quem - segundo a imprensa - choveram propostas de toda a Europa durante 5 meses!
2. Se há um futebolista por quem hipoteticamente aceitaria que tivesse sido paga uma mão cheia de milhões, no caso de ter podido imaginar o percurso que viria a fazer e a dedicação que viria a demonstrar a um só emblema, esse futebolista é Francesco Totti. O capitão da Roma,que completa 39 anos de hoje a 19 dias, vai na sua 24.ª época na SérieA sempre com a camisola giallorossa e está pronto a renovar o contrato. É a última bandeira italiana de um futebol cada vez mais volúvel e mercantil. Totti está no clube desde 1989, é o segundo melhor marcador de sempre da Liga, apenas superado pelo lendário Sílvio Piola nos anos '30 e '40. Para já, tem duas metas a alcançar: 300 golos oficiais no campeonato (tem 299) e chegar ao registo de 100 jogos em provas da UEFA (vai nos 95). Entretanto, com a Roma exibe já dois recordes absolutos: o de presenças em campo (745) e o de golos marcados, os já referidos 299. A frescura física e a resistência não são as mesmas, mas o treinador, Rudi Garcia, já decidiu que só o utilizará nas partidas mais importantes."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

PS: Acrescento um pormenor em relação aos empresários: os ditos estão milionários, e a grande maioria dos Clubes vai-se endividando cada vez mais... sendo que as instituições, nacionais e internacionais, nada fazem para alterar o formato do mercado.
Em relação ao Gaitán, aconselho o cronista, perguntar aos colegas jornalistas da Bola ou dos outros, quais foram as fontes de tantas capas, garantindo a venda do Nico!!!

O desporto e os refugiados

"Após a II Guerra Mundial, 1,6 milhões de alemães que tradicionalmente habitavam na Checoslováquia foram expulsos, abandonando as suas casas. Miroslav Vanek, um dos mais ilustres pioneiros da psicologia do desporto mundial e segundo presidente da Sociedade Internacional de PD, era então um jovem oficial checo cumprindo o serviço militar. Como outros oficiais, recebeu ordens para ocupar uma dessas habitações que muitos utilizaram como casa de campo. Se recusasse, poderia vir a ter graves problemas e ser considerado nazi. Assim, Vanek, que assistira de coração partido à tragédia daquelas famílias deslocadas, contou-me uma tarde em sua casa, ainda emocionado passados 50 anos, que escolheu a casa mais degradada e destruída de entre todas.
Miroslav Vanek era um humanista. Foi o primeiro psicólogo do desporto do mundo a participar em Jogos Olímpicos (México, 1968). Dedicou a vida a promover os valores humanos do desporto na sua abordagem com atletas e nas suas funções internacionais. Contribuiu para a cooperação internacional, designadamente entre colegas dos blocos comunista e ocidental, beneficiando de falar cinco idiomas. O único caminho possível para o desporto é o dos valores humanistas. Sem isso não encontra justificação porque não respeitará o indivíduo e a Sociedade. Será apenas espectáculo, porventura bárbaro. Têm sido tímidas as intervenções do mundo do desporto relativamente aos refugiados. O minuto de silêncio da Selecção Nacional de futebol foi bonito. Urge agora outro nível de acção. O Futebol Clube do Porto propôs que seja doado um euro por bilhete nos jogos da Champions e o Bayern de Munique ofereceu a colocação de jovens num centro de estágio e um milhão de euros, assumindo ambos o que designam de responsabilidade social. Celtic e Borussia Dortmund anunciaram outras iniciativas. Adeptos organizados dos campeonatos alemães e ingleses exibem faixas dando as boas-vindas aos refugiados. São exemplos a seguir e a ampliar."

Sidónio Serpa, in A Bola

PS: Desta vez os Corruptos, em vez de uma ajuda directa aos necessitados, resolveram apelar aos outros para doarem, sendo que estou para ver, se eles vão ajudar (€1 por cada bilhete vendido na Champions)!!! Até porque, ninguém sabe quantos bilhetes são vendidos no antro Corrupto!!! As vitimas das enchoradas na Madeira, por exemplo, ainda estão à espera...!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

«Astana é um bom nome...»

"O Cazaquistão será um país novo na história do Benfica que já visitou mais de 70 em todo o Mundo. E a Liga dos Campeões é mais um passo decidido no caminho dos 400 jogos europeus, algo só ao alcance dos maiores dos maiores...

O Rui Reninho podia muito bem ter cantado: «Astana é um lugar/Quem sabe?/Difícil de encontrar»...
Não cantou. A letra dos GNR não levava Astana, levava Tirana, essa cidade onde o Benfica esteve para ir e não foi, depois de ter vencido o Partizani em casa por 4-0 e os albaneses provocarem um tal charivari no Estádio da Luz que levou a UEFA a suspendê-los das taças europeias e a dispensar os encarnados da segunda mão.
Foi pena. Seria mais um país a juntar à lista incrível de países que o Benfica já visitou, algo de único na história do futebol e de fazer inveja a muito pintado.
Não há Tirana mas há Astana.
«Astana é um bom nome»...
Mais um país para a lista, portanto. O Cazaquistão, no caso.
A gente diz Astana, mas deve dizer-se Astaná. Significa, muito simplesmente, capital.
«Astana é um menina/Foi/ Muito sedutora»...
Já se chamou Akmolinsk, Tselinogrado e Akmola.
Agora Astana é um lugar, quem sabe?, difícil de encontrar.
Logo se verá, lá mais para Novembro. Quando vierem os frios.
Antigamente, a capital do Cazaquistão era Almaty. Capital soviética e, em seguida capital do país novo. Almaty ou Alma-Ata: a cidade das maças.
O Benfica viaja, portanto, mais uma vez em direcção a um destino onde nenhum outro clube português foi. É essa a sua sina. Ir sempre mais além. «Se mais mundo houvera...».
Também o adversário é novo. Ou nem por isso. Novo por ser inédito nos registos benfiquistas; novo por ter sido (re)fundado em 2009; mas nem por isso tão novo, pois existia anteriormente com os nomes de FC Alma-Ata e FC Megaspor, unidos para dar origem a este tal de FC Astana que caiu em sorte visitar a Luz não tarda nada, logo na primeira jornada da actual Liga dos Campeões.
E assim somando, a pouco e pouco, pondo o pé em mais um país meio exótico, europeu de nomenclatura mais bem entranhado na velha Ásia, a águia voa em direcção ao seu 72 território (países e antigas colónias, por exemplo) «conquistando», algo só ao alcance dos grandes viajantes.
Que um vento de felicidade acompanhe o seu voo tranquilo...

«Dois, três, seis, multiplicar, somar»
Certíssimo é que o Benfica cumprirá nos próximos tempos mais seis jogos nas competições europeias, somando algo que também só está ao alcance de meia dúzia de históricos do Continente.
Trezentos e oitenta confrontos europeus contam os encarnados até ao momento - 388. Chegarão esta época aos noventa e quatro (94) pelo menos. Pois, pois, ficarão a seis dos 400 o que é obra, mas obra. Obra digna dos Jerónimos, da abóbada do Afonso Domingues ou dos frescos da Capela Sistina, se me permitem as hipérboles.
Se querem comparações, que vêm sempre a propósito e caem que nem ginjas, vamos a elas.
A segunda equipa portuguesa com mais jogos nas taças europeias é, sem surpresa, o FC Porto: soma trezentos e cinquenta e três. Ainda precisa de pedalar um bocado.
A terceira, também sem surpresa, é o Sporting, que tem um total de trezentos e oito jogos (308) já contando com estes dois últimos frente ao CSKA de Moscovo.
Depois, os restantes, ficam a quilómetros, e que quilómetros: Boavista com o número redondinho de 100, com o Braga a um joguinho apenas (99), mas com mais seis jogos garantidos na actual Liga Europa, e depois os Vitórias, de Guimarães (74, já com os dois mais recentes) e Setúbal (71).
Mas se os números do Benfica são impressionantes, são-no ainda mais grandes gigantes da Europa.
Façamos a ponte, para que se entenda.
O Barcelona cumpriu na Supertaça frente ao Sevilha a enormidade de 516 jogos europeus. E aproveito para acrescentar que contabilizo nesta lista de equipas de todo o Continente, as velhas Taças Latinas e Copas Mitropa, precursoras de todas as outras e tão oficiais como estas porque o futebol não começou com a UEFA nem vai acabar com o fim dela, por muita vontade de revisionismo que exista na âmago de alguns.
Em Itália, por exemplo, equipas antiquíssimas como o Inter (antiga Ambrosiana) e a Juventus, já ultrapassaram as quatro centenas: a Juventus largamente (472), o Inter por pouco (419).
O grande AC Milan ainda não lá chegou, está pouco à frente do Benfica (tem 392 jogos) e será ultrapassado porque mais uma vez não se qualificou para a Europa.
Eu não disse que as comparações mereciam estudo?!
O maior dos alemães, o Bayern de Munique, tem a bonita soma de quatrocentos e trinta e quatro (434).
O fantástico Ajax, da Holanda, está nos 382 (já contabilizados os dois últimos «play-offs»), ou seja, ombro a ombro com o Benfica.
Os reis de Inglaterra, Liverpool e Manchester United, sofreram, como sabemos, sanções duras por via do comportamento imbecil dos seus «hooligans» e ficaram claramente para trás: o Liverpool soma 349 jogos e o United 322 já somados os confrontos deste mês face ao FC Brugges.
Dos enormes, falta falar do Real Madrid, ainda assim longe dos rivais Barcelona: quatrocentos e oitenta e oito (488) jogos europeus. Número redondo e brilhante.
Como vêem, é restrito, muito restrito o clube daqueles que somam mais de 400 jogos nas taças europeias.
O Benfica está à porta. Não precisa de pedir licença para entrar. É só dar os passos necessários em frente. De peito feito!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Lagarto, lagarto, lagarto!...

"A história de uma felina escultura que, antagonicamente, vigiava o ninho da águia.

No primeiro dia de Setembro de 1954, entrou em funcionamento o Lar do Jogador. Aí passaram a residir os jogadores solteiros das categorias de honra do Clube e os casados, apenas no dias que antecediam os jogos, juntamente com treinador e massagistas.
Para morada dos seus atletas, o Sport Lisboa e Benfica escolheu 'uma casa portuguesa, em pleno coração do bairro que lhe deu o nome, no meio de uma vasta Quinta (Quinta da Nossa Senhora do Cabo, na Calçada do Tojal) onde a terra, as árvores, a água, tudo o que torna realmente «campo» (...) parece murmurar páginas imortais do Eça'.
Porém, antes dos jogadores do Benfica, um outro inquilino habitava a vivenda, criando alguma inquietação num dos nossos consócios: 'Tendo ido (...) lançar uma vista de olhos pelo exterior do solar dos nossos jogadores, verifiquei (...) que um motivo escultório representando um leão (lagarto, lagarto, lagarto!...) domina o pátio fronteiro do edifício. Agora, que vão ali instalar-se tantas «águias», seria um anacronismo, um verdadeiro atentado até, manter a felina escultura'. Na mesma carta, dirigida ao proprietário do imóvel, pede 'que o leãozinho seja retirado', mas não sem mais nem menos, 'aliás com carinho, peça por peça' e, numa deliciosa ironia, acrescenta: 'Bastaria olhar para a leonina efígie para ver que o seu semblante denota já um certo constrangimento por virtude de pressentir a próxima vizinhança... Repare V. Ex.ª no seu ar de pétrea neurastenia e não hesitará em dar-nos a grande satisfação de libertá-lo de tão incómoda sentinela'.
Semanas antes da inauguração, o jornal O Benfica fez uma visita à casa, guiada por Manuel Abril, presidente da Comissão Instaladora do Lar do Jogador. No fim da visita, apenas uma pergunta faltava:
'- E o leão? - Manuel sorri.
- Venham comigo - disse.
Descemos as escadas, entrámos na sala de jantar e saímos logo de seguida para o pequeno pátio. Abril, sorridente disse-nos:
- O leão «estava» ali.
Gargalhada geral. De facto, o leão já não se encontrava no seu lugar'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 17. Chão sagrado, encontra referência a esta e a outras instalações do Clube."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Mais um Mito !!!

Parece que o Mito da saída do Judas do Benfica, já está consolidado. Sempre que alguém fala do assunto, as mesmas mentiras e meias-verdades são repetidas à exaustão, como fosse verdade absoluta...
Recordo-me do meu post: Ego. Nada se alterou, mas desconfio que daqui a 20 ou 30 anos, quando alguém discutir este tema, a maioria desinformada, vai insistir na mentira.
O Judas saiu do Benfica porque quer demonstrar que o responsável pelos títulos do Benfica, nos últimos 6 anos, é ele, exclusivamente. Tudo o resto que se possa dizer é treta... da grossa!!!

Só acredita que tudo foi feito e decidido em três dias, após o Campeonato ter terminado, quem for otário, dos grandes... A proposta do Benfica esteve sempre em cima da mesa: o mesmo contrato. Foi o próprio Judas que se recusou (em todas as renovações), em assinar contratos antes do fim da época...

A forma como os cumentadores independentes, passam por cima da filha-putice pessoal, que o Judas fez ao Presidente, depois de tudo o que Presidente fez por ele... diz bem, da falta de independência desta gentalha.

Grandes a jogar em dia de eleições

"Se houvesse um entendimento da necessidade de proibir espectáculos em dia de eleições, há muito que o legislador o teria feito

Pela primeira vez, em 41 anos de democracia, o futebol vai coincidir com um ato eleitoral. Até agora foi possível conciliar a calendarização dos jogos, prevalecendo o necessário recato que deve envolver a ida às urnas, na convicção de que o bom senso recomenda espaços e tempos próprios para cada uma das actividades.
Quis a calendarização nacional e internacional que a jornada de 5 de Outubro ficasse entalada entre uma ronda europeia de clubes e um jogo decisivo da Selecção Nacional, deixando fora de equação a possibilidade de - com razoabilidade - se jogar noutra data. Assim os três grandes vão entrar em campo, concitando sobre si atenções, no mesmo dia em que os portugueses vão a votos para decidir quem sucede a Passos Coelho, se o próprio Passos Coelho se António Costa. É isto um facto perturbador da democracia? 
Não creio. Se, ao longo de quatro décadas de eleições democráticas em Portugal, o legislador nunca sentiu necessidade de proibir actividades desportivas em dia de votos, provavelmente haverá alguma razão para isso. Da mesma forma que os restantes espectáculos não são proibidos...
Diz o bom senso - e foi isso que prevaleceu ao longo dos últimos 40 anos - que é preferível que não se jogue, para não desfocar atenções. Mas, perante uma situação limite como a que está criada para o fim-de-semana de eleições, não só não se afigura nenhuma solução melhor, como não virá nenhum mal ao mundo pela realização dos jogos de Benfica, Sporting e FC Porto. Do ponto de vista objectivo, do número de votos entrados em urna, ninguém, de boa fé, dirá que haverá beneficiados ou prejudicados. Poder-se-á, quanto muito, argumentar que na noite eleitoral haverá menos atenção para a decisão política, em função dos jogos dos grandes e das respectivas análises. Mas, muito provavelmente, aqueles que vão estar mais atentos à noite desportiva de 5 de Outubro não estariam, de qualquer forma, muito virados para as abordagens políticas da noite eleitoral, onde, regra geral (e ao contrário do que acontece com o futebol), há uma sensação de déjà vue, com todos os partidos a declararem-se vencedores.
Em resumo, ao futebol o que é do futebol, à política do que é da política. E deixem-se, por favor, de dramatizar tudo, por tudo e pelo seu contrário. já cansa...


JESUS MUDOU DE CLUBE MAS CONTINUA IGUAL
«Se compras um Ferrari tens de ter dinheiro para a gasolina. Se me contrataram têm de ter dinheiro para a gasolina. Não é?»
Jorge Jesus, treinador do Sporting, in 'Record'
Jorge Jesus tem uma personalidade complexa, em muitos aspectos contraditória, mas sempre colorida em tons muito vivos, agora predominantemente verdes. Num país cinzento, em que quase todos os protagonistas medem as palavras e procuram não fugir ao politicamente correto, o auto-elogio recorrente do treinador do Sporting tem o efeito de pedrada no charco...

TRIUNFO NA VUELTA
Grande vitória de Nélson Oliveira na etapa que acabou em Tarazona, ponto final e um jejum de sucesso luso na prova espanhola, que durava há nove anos, desde Sérgio Paulinho. Um gosto que suaviza a pedra do sapato que desde 1974 incomoda o ciclismo português: Joaquim Agostinho venceu, de facto, a Vuelta desse ano, mas 'nuestros hermanos' 'enganaram-se' nas contas, marcaram o tempo de José Manuel Fuente no derradeiro contra-relógio à entrada da pista e o de Agostinho apenas na meta. E o espanhol foi declarado vencedor por 11 segundos.

ÁS
Gareth Bale
O País de Gales vai participar pela primeira vez numa grande competição de futebol (os galeses só estão habituados aos grandes palcos no râguebi) e Gareth Bale é, sem dúvida o seu profeta. Bale, que parece mais à vontade na selecção do que no Real, contribuiu com um golo decisivo em Chipre, carimbando o passaporte...
(...)

O jogo da vida do futebol albanês
Vida difícil espera hoje a Selecção Nacional em Elbasan, na Albânia. A selecção local está muito perto de, pela primeira vez, atingir a fase final de uma grande competição internacional e Portugal surge como derradeiro obstáculo. Prevê-se um jogo de luta, de mais transpiração do que de inspiração."

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 6 de setembro de 2015

«Mudança implica dores de crescimento»

" «GOSTARIA DE TER DADO MAIS UM OU DOIS JOGADORES AO RUI VITÓRIA»
Numa fase de mudança estratégica, o presidente do Benfica assume os riscos do novo projecto baseado no Seixal e perante algumas dificuldades anunciadas fala até em dores de crescimento. A aposta em Rui Vitória, as saídas de Jesus e Maxi, as guerras na Liga, nada escapa à análise de Vieira. Que, diz, ainda não pensou nas eleições...
- Fechou o mercado e não houve novidades do ponto de vista de aquisições ou vendas. Está confiante e optimista em relação à conquista do tri?
- Confiante e optimista, sim. Passei as últimas semanas no Seixal e sei que o plantel está motivado e vai dar tudo para conquistar o tri. Mas também sei que assumimos uma opção de mudança em relação ao que era a realidade do Benfica nas últimas décadas, e essa mudança implica algumas dores de crescimento normais neste tipo de processos.

- Mas já se ouvem aqui e ali algumas vozes críticas em relação à opção assumida...
- É normal que assim seja. Seria igual caso tivéssemos decidido continuar a investir como no passado no mercado, fechando as portas da nossa equipa principal aos jovens do Seixal. Vozes discordantes haverá sempre, mas fui eleito para tomar decisões estou muito confortável com a decisão assumida. Quando se avança para uma mudança com esta dimensão, é normal que haja um período de transição, é normal que se necessite de tempo para fazer os ajustes necessários.

- A aposta na formação é por convicção, ou ditada pelas restrições financeiras?
- Claramente por convicção, ou então o Caixa Futebol Campus não faria sentido. Sou testemunha privilegiada do trabalho realizado pelos nossos treinadores das camadas jovens e do talento que desenvolvemos no Seixal. Ao contrário de outros, não fomos forçados a seguir este caminho. Chegamos a esta fase de forma planeada e desejada. Foi para chegar aqui que investimos e desenvolvemos o centro de estágio ao longo destes dez anos. O Seixal é hoje um centro de excelência na formação de jovens, e isso é reconhecido a nível internacional.

- Mas seguir este modelo, se tudo correr como deseja, significa menor investimento na compra de jogadores, ou seja, menos investimento, menos dependência de financiamento?
- Essa será uma das consequências deste modelo, e não a razão de ser desta mudança. É verdade que teremos uma redução das necessidades de investimento, uma vez que deixamos de ter um custo de aquisição, teremos uma redução do custo salarial do plantel e, finalmente, um aumento das mais-valias nas vendas futuras.

- Percebo a lógica que está por detrás desta mudança, a minha questão é se não sente que é uma mudança muito rápida na paradigma do futebol do Benfica?
- Sinceramente, acho que não. Chega no tempo certo. Podemos rapidamente ver como chegámos aqui: até 2008/2009, vivemos um primeiro ciclo deste novo Benfica em que o nosso esforço de centrou na restituição da credibilidade interna e externa do clube, no planeamento, na construção de infra-estruturas, na profissionalização do Benfica a nível dos seus recursos humanos. Depois, uma segunda fase que eu posso situar até ao ano passado, em que se privilegiou um modelo de forte investimento em jogadores estrangeiros com experiência e forte potencial através do recurso ao financiamento alheio, seja bancário ou de outro tipo, que depois amortizámos com as mais-valias das vendas. E agora, em 2015, estamos a entrar numa nova fase em que a estratégia passa por apostar em talentos gerados no Seixal. Jogadores formados dentro de casa, com baixo custo de aquisição, como disse atrás, com menor tecto salarial e, não menos importante, com maior identificação com o clube. É um modelo que equilibra a competitividade desportiva com a redução do endividamento e o reforço dos capitais próprios.

COMPRAR MUITO MENOS ESTRANGEIROS NO FUTURO
- Quer dizer que o Benfica do futuro vai deixar de comprar jogadores estrangeiros?
- Não, mas vamos passar a comprar muito menos. Este modelo, e é assim que está pensado, é compatível com a continuação do investimento em jogadores estrangeiros ou portugueses de outros clubes. Provavelmente, o Benfica de agora não vai investir no Aimar ou no Saviola como fez no passado (com todo o respeito e admiração que tenho pelos dois), mas nada impede que o futuro Aimar seja o João Carvalho ou o futuro Saviola seja outro jovem que cresceu no nosso centro de treinos.

- Sente-se o entusiasmo quando fala do Seixal e da formação. isso significa que o investimento no desenvolvimento do Seixal vai-se manter?
- Seguramente, mas o nível de investimento que hoje é necessário é muito menor do que foi no passado. Os benfiquistas têm de ver o Caixa Futebol Campus como um projecto de geração de valor para o clube. E, quando falo de geração de valor, não significa apenas o que vier a resultar de vendas futuras. Quando se fornecem jogadores às selecções nacionais, e é bom recordar que somos o clube que mais jovens fornece, ou quando se disputam títulos nacionais ou internacionais como a UEFA Youth League, isso significa gerar valor e reputação para o Benfica.

- A aposta na formação está reflectida na equipa neste arranque de época. Acha que o Benfica pode ganhar campeonatos com quatro ou cinco jogadores da formação?
- Como foi que o Barcelona ganhou e continua a ganhar? Sim, acho possível, desde que a aposta seja consistente e continuada. E, já agora, apostar na formação não significa a necessidade de jogar obrigatoriamente com quatro ou cinco jogadores da formação na equipa titular. Mas significa dar oportunidades a estes jovens para trabalharem e crescerem junto da equipa principal, e é isso que tem vindo a ser feito.

- Está surpreendido com o desempenho do Nélson Semedo?
- Só pode estar surpreendido com o Nélson Semedo quem não acompanhou o seu percurso até aqui. Para a idade dele, é efectivamente surpreendente a postura e o à-vontade que ele revela em campo. Se é um jogador feito? Não, claramente não é, mas vai crescer muito, e seguramente que, dentro de três ou quatro jogos, será um jogador muito mais confiante, e muito melhor ainda do que é hoje. Mas atenção, ele, como qualquer outro jovem, tem direito ao erro, e, no momento em que errar, temos de o apoiar, não assobiar. É assim que todos eles vão crescer.

- Esta aposta é para continuar nos próximos anos, ou, se o Benfica não ganhar o tri, o projecto fica comprometido?
- A mudança de rumo que deriva da qualidade do trabalho realizado no Seixal implica naturalmente um caminho que não é isento de dificuldades. Já o sabíamos quando tomámos a decisão de implementar a nova estratégia. Os resultados irão aparecer. E espero que apareçam ainda esta época. Independentemente do que aconteça, a aposta deve ser mantida. Ninguém disse que o caminho ia ser fácil. É preciso ter paciência para integrar os nossos jovens na equipa A, mas também é preciso assumir riscos de forma que eles possam crescer. Não temos pressa mas não podemos perder tempo.

- O Benfica tem vendido alguns jogadores da formação por €15 M. Acha que têm sido bons negócios, ou admite que há aqui um risco de venda prematura?
- Qualquer jogador de 18/19 anos que seja vendido por 15 milhões sem ter actuado na equipa principal, e num mercado como é o mercado português, tem de ser considerado um bom negócio. Disso que ninguém tenha dúvidas. Nós vendemos um talento, mas quem compra assume o risco sobre o futuro desse jogador. Sinceramente, espero que todos os jovens que vendemos nos últimos dois anos se afirmem nas suas equipas, porque isso é a melhor certificação de qualidade que podemos dar ao Seixal.

- Mas o valor de mercado do Bernardo Silva já está acima dos 15 milhões de euros...
- Ainda bem, porque isso significa o reconhecimento pelos jovens que saíram do Seixal. Percebo onde quer chegar e não quero fugir à sua pergunta: eu diria que a primeira boa geração/fornada do Seixal foi queimada do ponto de vista desportivo e salva do ponto de vista financeiro.

- Queimada por quem ou porquê?
- Não vou entrar por aí. Apenas reconheço um facto que não creio que possa repetir-se no futuro.

- O jornal L'Equipe escreveu que o Ivan Cavaleiro custou 3,5 milhões de euros e não 15 milhões. É falsa a notícia?
- O único comentário a fazer é que somos uma sociedade cotada em bolsa, e bastará consultar o nosso relatório e contas para poderem verificar o absurdo dessa notícia.

A CORAGEM DE RUI VITÓRIA
- Sei que disse no ano passado várias vezes que, neste ano, estariam quatro ou cinco jovens da formação a trabalhar no plantel, mas esperava ver tantos jovens a jogar neste início de campeonato?
- É uma opção do Rui Vitória, que seguramente vê qualidades neles. A questão na nossa formação sempre foi a de estes jovens terem oportunidades para poderem chegar ao plantel principal. Os jogadores do Seixal tinham de ter oportunidades de crescer trabalhando com a equipa A, mas jogar ou não jogar, como o Rui Vitória bem disse, são eles que têm de merecer e demonstrar que o merecem. Se têm jogado, é porque o treinador vê que têm capacidades para jogar. Já agora, deixe-me que faça aqui um desabafo: nos últimos anos, todos reclamavam porque não apostávamos nos nossos jovens. Jornalistas, comentadores e adeptos. Agora, há miúdos da formação na equipa principal, e de repente já vejo alguns benfiquistas, muito comentadores e jornalistas a dizer que, se calhar, não vamos lá assim? É claro que vamos, mas para tudo é preciso tempo. Vamos ter paciência.

- Mas acha que este plantel dá garantias em relação aos desafios que vão ser exigidos?
- Dá garantias de trabalho, de empenho, de total dedicação, o que é sempre o primeiro passo para garantir o sucesso. Acho que temos um plantel sólido, que vai praticar bom futebol e que vai lutar pela conquista do tri. Se este caminho implica riscos? Claro que sim, mas não há opções sem riscos. Ou outros clubes foram por caminhos diferentes, mas também assumem riscos. São diferentes, é certo. No final, espero que os benfiquistas se possam orgulhar dos resultados alcançados.

- Disse no dia da apresentação de Rui Vitória: «Há uma garantia que aqui te quero deixar: vais ter as mesmas condições que outros tiveram e vais poder contar com uma equipa competitiva capaz de dar corpo às tuas/nossas expectativas». Acha que o Rui Vitória conta com as mesmas condições que o treinador anterior?
- Assumo que gostaria de poder ter dado mais um ou dois jogadores ao Rui Vitória. Não foi possível, mas isso não significa que a equipa seja menos competitiva, ou que tenha menos soluções que no ano passado. É verdade que perdemos o Maxi e o Lima e, momentaneamente, estamos sem o Salvio, mas encontramos soluções para esses lugares, e creio que a equipa vai crescer muito a partir daqui. Prefiro uma equipa de fato-macaco, que deixe tudo em campo, a uma equipa de fato-gravata, sem compromisso.

- Que avaliação faz do trabalho de Rui Vitória até agora? O treinador já foi fortemente criticada por analistas e alguns benfiquistas porque não ganhou jogos na pré-época, perdeu a Supertaça e um jogo do campeonato...
- No Benfica é assim, passamos da euforia à depressão em muito pouco tempo, e o inverso também é verdade. A mudança que fizemos foi muito grande, e o Rui faz parte desse processo de mudança, portanto é normal que haja um período de adaptação. O Rui chegou ao Benfica pelas capacidades que demonstrou nos últimos 12 anos, e disso que ninguém tenha dúvidas, tem as qualidades necessárias para estar à frente do projecto. E, mais do que um treinador, é um gestor que faz a coordenação de todo o futebol do Seixal, coisa que até aqui nunca tivemos. Há momentos em que temos de ser pacientes, em que temos de apoiar. O trabalho vai acabar por dar resultados. E há uma coisa que devemos reconhecer no Rui, é um treinador corajoso.

- Portanto, não é um treinador a prazo?
- Todos os treinadores são treinadores a prazo, o último esteve seis anos no clube. O Rui tem capacidade para ficar aqui muitos anos. Vai deixar a sua marca no Benfica.

- Mas não fica preocupado com este início de época? A Supertaça perdida, dois jogos ganhos nos últimos 15/20 minutos, a derrota com o Arouca...?
- A equipa actual tem menos de dois meses de integração, muitos jovens, uma nova liderança, novos métodos de trabalho. Seria interessante ver como é que nos seis anos anteriores esteve a equipa antes da pausa de Setembro.

- Dos três grandes, qual é o principal favorito a ganhar o campeonato?
- Creio que partimos os três em situação de igualdade. O Benfica vai defender o título, temos essa ambição; o FC Porto e o Sporting, pelo investimento feito, têm obrigatoriamente de lutar pelo título.

- Temos um Benfica que baixou drasticamente o investimento de anos anteriores, ao contrário de FC Porto, que, embora baixando, mantém o investimento num nível elevado, e do Sporting, que deixou a contenção dos últimos anos para investir com algum significado no plantel e no treinador. Não teme ser vítima desportiva da nova opção desportiva/financeira?
- É uma opção que dará frutos. Se não for de imediato, a médio prazo sairemos reforçados. Digo isto, mas acredito que mesmo desportivamente podemos ganhar no imediato. Quanto aos outros clubes fazem aquilo que entendem fazer e não me vou pronunciar.

GAITÁN, LIMA, CARCELA E TAARABT
- O melhor reforço do Benfica chama-se Nico Gaitán?
- Diria que o melhor reforço do Benfica é todo o plantel. É evidente que o Nico é um jogador com um talento único e que sempre esteve comprometido com a equipa. E isso é algo que vale a pena dizer. Com todas as notícias que houve ao longo de meses, o jogador esteve comprometido com o Benfica, o que é justo destacar.

- Mas houve, ou não, ofertas?
- Vou responder de outra forma: não houve nenhuma oferta que fosse merecedora de levar o jogador para fora do Benfica.

- Esta dedicação do Gaitán merece um prémio?
- Os adeptos e os sócios vão dar-lhe esse prémio. Sei onde quer chegar com a pergunta, mas isso são assuntos que tratamos dentro de casa, e não nos jornais.

- Era inevitável perder Lima?
- Seria injusto para um jogador que tanto deu ao Benfica não o deixar fazer o contrato da sua vida.

- Entre os que entraram, há dois avançados: Raúl Jiménez e Mitroglou. Num ano em que o Benfica gastou tão pouco em contratações, faz sentido investir nove milhões por metade do passe de um avançado?
- Faz, se tivermos as garantias de que é um jogador que nos vai trazer rendimento desportivo e de que nos pode dar, no futuro, retorno financeiro. Confesso, que não foi uma decisão fácil, mas entendi que era um jogador que nos iria trazer uma mais-valia desportiva que justificava o investimento.

- E também houve duas apostas de risco e que ainda estão por provar: Carcela e Taarabt...
- São dois jogadores com muito potencial, e têm um desafio que não podem desperdiçar: provar o seu valor aqui. O Benfica não representa para eles mais uma oportunidade, representa a oportunidade. E tenho, a certeza de que a vão agarrar.

- Entre os que saíram está Maxi Pereira. Como é que o Benfica perdeu Maxi Pereira para o FC Porto?
- O Benfica não perdeu Maxi Pereira. Ele é que não quis continuar aqui. Mas isso é um capítulo fechado. O jogador e o seu empresário escolheram outra equipa para continuar. Já não tenho a visão romântica do futebol, isso já lá vai. Não lhe desejo felicidades desportivas, obviamente, mas também não vou dizer mal do Maxi. Tomou a sua opção, e nós vamos seguir o nosso caminho.

- O Benfia fez tudo para continuar com o jogador?
- Sinceramente, creio que sim. E também acredito que não foi pela vontade do jogador que se deu a mudança. Mas antes quero falar dos que cá ficaram e dos que entraram no plantel do que de jogadores que não são nossos.

- Jesus sai do Benfica, é hoje treinador do Sporting e, entretanto, muito coisa se disse e escreveu. Foi o Benfica que não quis JJ, ou foi JJ que não quis o Benfica?
- Disse bem, muita coisa se escreveu e disse que não tem nenhum fundamento, nem correspondência com a verdade, mas isso é passado. Seguimos por caminhos diferentes, e cada um do seu lado vai fazer o melhor na defesa dos seus interesses.

- Se voltasse atrás, teria feito tudo da mesma forma em relação ao processo Jorge Jesus? Fez tudo para o manter?
- Sinceramente, acho que fui muito honesto e muito sério com Jesus e com a sua família. Mas o meu treinador chama-se Rui Vitória. Interessa-me falar do presidente e do futuro, não do passado.

- É inevitável o processo de saída de Jorge Jesus acabar em tribunal?
- Quando há diferendos entre as partes, os tribunais servem exactamente para isso, para decidir quem tem razão, e é isso que neste caso vai acontecer. Sem qualquer tipo de dramatismo... Dei instruções - em função do entendimento do nosso departamento jurídico - para defender os interesses do Benfica, e é isso que importa dizer.

- E depois disto... daqui para a frente: como é que vai ficar a relação Benfica-Jesus e a relação Luís Filipe Vieira-Jesus?
- Não me interessa a relação de A com B ou de B com C, o único que interessa aqui é o Benfica e a defesa dos interesses do Benfica.

- E a relação Benfica-Sporting e Luís Filipe Vieira-Bruno de Carvalho?
- É ao nível da Liga, que é onde se deve falar e defender o futebol português.

AS ELEIÇÕES DA LIGA E PINTO DA COSTA
-Antes das últimas eleições na Liga, falou-se de uma aproximação Benfica-FC Porto...
- Falou-se de muito coisa. Numa altura em que o negócio do futebol esteve seriamente ameaçado, houve necessidade de convergir na procura de uma solução, de um nome que ajudasse a credibilizar a Liga e a trazer os patrocinadores de volta. Luís Duque foi esse nome, e houve, nessa medida, não diria uma aproximação, mas uma convergência na necessidade de salvar os campeonatos nacionais. Mas no capítulo desportivo, cada um por si. Como sempre foi e sempre será!

- Depois do processo eleitoral na Liga, está outra vez mais distante de Pinto da Costa?
- Não é uma questão de estar mais ou menos distante. Houve opções diferentes ao nível da Liga. Nada mais do que isso. Para bem de todos temos de ter uma Liga forte e credível. No meu entendimento, Luís Duque dava essas garantias. A opção foi outra, vamos trabalhar para que não se volte atrás no tempo...

- O Benfica apoiou Luís Duque e perdeu. Também foi uma derrota do Benfica?
- Não foi o Benfica que perdeu, foi uma derrota da coerência dos clubes da primeira e da segunda Liga, que 15 dias antes aprovaram um voto de louvor pelo trabalho desenvolvido por Luís Duque. É uma falta de gratidão enorme em relação a uma pessoa que devolveu a credibilidade à Liga.

- E que avaliação faz do trabalho do Pedro Proença até agora?
- Não se pode fazer a avaliação do trabalho de alguém que chegou há menos de um mês ao cargo.

- Os clubes deram passos atrás com esta mudança na Liga?
- Só o tempo e a gestão do novo presidente poderão responder a essa pergunta. Sinceramente, espero que não.

«CENTRALIZAÇÃO? DESDE QUE GARANTA PRINCÍPIOS DE LIVRE CONCORRÊNCIA...»
O projecto BTV não está em causa. Mas a centralização dos direitos TV pode alterar parâmetros.
- Como é que está o processo de centralização dos direitos televisivos, em estudo há algum tempo?
- Era um projecto que se estava a trabalhar na anterior direcção da Liga. Neste momento, desconheço em que ponto é que está. Não estamos contra o princípio, pelo contrário, até acho que pode ser uma boa solução, desde que os critérios em relação à distribuição de verbas sejam justos e, fundamental, desde que sejam garantidos os princípios de uma livre concorrência entre os candidatos a ficar com esses direitos.

- Este processo não coloca em causa o projecto Benfica TV?
- Não, embora seja evidente que, se a centralização vier a avançar, a BTV terá de ter um enquadramento diferente daquele que tem hoje, mas não vale a pena falar do que será a BTV em função de um cenário que está longe de se concretizar.

- A abertura da BTV 3 é um hipótese em estudo?
- É algo que estamos a equacionar.

- A Premier League vai continuar na BTV?
- É esse o nosso desejo.

- A mensalidade da BTV tem-se mantido nos 9,90 euros. É para continuar?
- Apesar de neste ano a BTV ter incorporado as ligas francesas e italiano, vamos manter o valor.

«HOJE GANHAMOS PORQUE CRIÁMOS CONDIÇÕES PARA ISSO»
É com satisfação que fala do sucesso das modalidades. O orgulho pelo projecto Olímpico.
-Olhando ao futebol e às principais modalidades de pavilhão, o Benfica venceu cinco campeonatos em seis possíveis e fez quadro dobradinhas. A melhor época de sempre a nível desportivo...
- Foi sem dúvida um ano excepcional, e só tenho pena de o andebol não nos ter acompanhado neste percurso, mas, tal como no hóquei levámos tempo a construir uma base sólida, no andebol vamos fazer o mesmo. Vamos lá chegar. Mas as pessoas, quando olham para o sucesso da época passada, têm de olhar para o trabalho dos últimos 14 anos. Chegámos aqui porque fizemos aquele percurso. A credibilização do clube, as infra-estruturas criadas, a BTV, o museu, tudo isto foi importante para chegar aqui. Hoje ganhamos porque criámos condições para isso.

- Lembro-me de muitas vezes se ter ponderado acabar com esta ou aquela modalidade...
- Nunca defendi esse caminho, pelo contrário, sempre defendi que o ecletismo era uma das marcas do Benfica. As modalidades fazem parte do ADN do clube. Toda a reestruturação e aposta que fizemos no futebol de formação e profissional também fizemos nas nossas modalidades. Este trabalho nunca é um trabalho que dê frutos a curto prazo, é sempre um trabalho de paciência. Soubemos ter essa capacidade e agora estamos a colher os frutos. No atletismo, por exemplo, foi um trabalho praticamente iniciado do zero com a Professora Ana Oliveira. Foram anos a formar, a criar condições, a consolidar trabalho e agora o Benfica passou a ser a principal referência do atletismo português.

- Ainda recentemente o Nélson Évora ganhou o bronze em Pequim. Espera que os atletas do Benfica ganhem muitas medalhas no Rio de Janeiro?
- Ainda bem que falou do Nélson Évora, é totalmente justo destacar a medalha ganha nos mundiais de atletismo e é, naturalmente, um dos atletas de quem sinceramente espero possa trazer uma medalha para Portugal. E é curioso porque muita gente já não acreditava que ele pudesse voltar a este nível, mas o Benfica através do seu projecto Olímpico sempre acreditou e sempre o apoiou, e quase que apostava que se não fosse este trabalho desenvolvido aqui, talvez o Nélson não tivesse voltado a ser o que é. E isso para mim é motivo de orgulho. Não devo andar longe da verdade se disser que o Benfica será o clube que mais atletas vai emprestar à nossa representação Olímpica e que espero que alguns deles possam fazer ouvir o nosso hino no Rio.

- Isto é recado para alguém?
- O quê? A questão do Nélson ou o facto de sermos o clube que mais atletas vai levar ao Rio? Não é recado, são duas constatações. Vamos lá ver, com o projecto Olímpico contribuímos - com gosto - para que a nossa representação Olímpica seja a melhor a cada quatro anos. Só gostava que da parte das instituições públicas, fosse feito esse reconhecimento, em vez do discurso recorrente que hostiliza os clubes e os menoriza enquanto instituições que nada fazem pelo desporto português.

«AINDA NÃO PENSEI NAS ELEIÇÕES»
Daqui a um ano há eleições e ainda não sabe se se recandidata. Não governa a pensar nisso...
- Falta pouco mais de um ano para as eleições no Benfica. Já pode revelar se vai recandidatar-se para mais um mandato?
- Um ano é muito tempo. Sinceramente, nem sequer pensei nisso. Portanto, não tenho ainda uma reposta.

- Acha que a conquista do título de campeão vai ser determinante na sua decisão de continuidade?
- Nunca o foi o não será também desta vez. Em todo o caso, esta mandato deve ter sido um dos mandatos mais bem-sucedidos do ponto de vista desportivo de qualquer presidente na história do Benfica. Mas não será isso que determinará a minha decisão.

- Em ano eleitoral, não considera arriscado optar pelo modelo da formação e do menor investimento no futebol?
- O caminho mais fácil seria continuar como até aqui, mas isso, sim, é que seria perigoso. As decisões não devem ser tomadas em função de haver ou não eleições. Fizemos uma escolha que privilegia o futuro, a independência e a sustentabilidade do Benfica, e é isso que importa.

- A um ano das eleições, como é que estão as contas do Benfica? Há um plano em marcha para reduzir o passivo? Quais são as metas?
- As contas estão equilibradas. Temos vindo a reduzir o passivo, mas não há uma meta fixa. Se tudo correr como acho que vai correr, vamos voltar a ter capitais próprios positivos.

- Já disse que consigo o Benfica não será vendido a um investidor externo; neste momento, é difícil o acesso ao crédito bancário. Perante a dificuldade na captação de investimento, como é que se consegue manter esta máquina a funcionar sem correr o risco de ela parar?
- Com inovação, com uma equipa muito dinâmica. Mais de 90% das propostas feitas pela nossa equipa de marketing são feitas para fora de Portugal. O patrocínio da Emirates foi trabalhado durante quase um ano e meio. Nada se consegue sem trabalho e sem bons profissionais. Felizmente, é algo que existe na nossa organização.

- O Benfica perdeu cerca de 100 mil associados de acordo com a última actualização de sócios. Consegue entender esta redução quando o Benfica fechou em 2014/2015 a época com mais títulos na sua história?
- Há sempre maneiras diferentes de olhar a mesma realidade. É verdade que se perderam quase 100 mil sócios, numa década terrível do ponto de vista das dificuldades económicas e em que as pessoas foram sujeitas a grandes sacrifícios. Mas também podemos ver isto de uma outra forma. Na última renumeração, em 2005, o Benfica tinha 95 mil sócios. Portanto, nós, nos últimos dez anos, crescemos e consolidámos mais de 50% em relação a 2005. Estou satisfeito? Claro que não, mas agora compete-nos voltar a crescer. E se na próxima renumeração voltarmos a crescer e a consolidar mais de 50%, então isso será uma excelente notícia."

Entrevista a Luís Filipe Vieira, por José Manuel Delgado, in A Bola