Últimas indefectivações

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Regresso às vitórias...

Benfica 6 - 2 Braga

Vitória bem conseguida, onde se voltou a provar que a equipa está de facto a jogar melhor... a derrota a meio da semana, foi consequência da habitual roubalheira! O facto da época estar a correr mal, e de o Benfica tido momentos muito negativos durante a época, serviu mais uma vez, para 'esconder' os actos criminosos dos apitadeiros!
Com o Nicolía e o Diogo de regresso, creio que ainda vamos a tempo de conquistar troféus. Tanto a Taça de Portugal, como a Liga Europeia está ao nosso alcance... creio honestamente, que com o trabalho do Dominguez, a equipa vai acabar a época em crescendo...!!!

Vitória em Esmoriz...

Esmoriz 0 - 3 Benfica
16-25, 23-25, 13-25

Boa vitória, num jogo com um segundo Set equilibrado!

Amanhã, temos jogo na Luz com o Famalicense...

Empate matinal...

Benfica 1 - 1 Aves


Três empates, nos três jogos, da primeira jornada, da 2.ª fase!!! Isto vai ser muito equilibrado...

O Benfica já utilizou 50 jogadores nesta equipa (!!!), creio que a partir daqui seria importante manter o núcleo duro inalterado até ao final da época. É impossível criar rotinas, mudando 'quase' tudo, de quinze a quinze dias!!

Mas na próxima época, creio que a estrutura da formação terá de rever as prioridades!!! Neste momento a prioridade é a equipa B, e depois a equipa de Juniores, e só depois vem a equipa de Sub-23 !!! Não faz sentido, na minha opinião, os Juniores de 1.ª ano que não são opção na equipa de Juniores, serem titulares nos sub-23!!!

O jogo de hoje foi muito dividido, entre uma equipa do Benfica 'quase' juvenil, e um Aves, versão Africana, com uma média de 4 anos mais velhos!!! Acabou por sair um empate, com muitos golos desperdiçados... e com a frustração de termos 'oferecido' o golo ao Aves!!!

Destaco o regresso do Vinicius, meses após a lesão grave...

ADENDA: Uma nota extra sobre a arbitragem: pelo menos duas entradas para Vermelho directo, que nem sequer foram falta...!!!

Bruno Lage entende e explica o jogo

"Aprendi muito sobre futebol com treinadores que não faziam do jogo uma ciência oculta. Homens que não tinham medo de expor o saber

Durante muitos anos, os treinadores portugueses tiveram a convicção de que o treino tinha segredos que não se deviam revelar. Tratava-se, muitas vezes, de um conhecimento empírico, feito de anos e anos de tarimba e de observação dos mestres. Os homens da bola aprendiam não apenas por ver como se fazia, mas também por intuição e por experiência própria. O treino, para eles, tinha sempre um género de assinatura sempre de autor e, como se fosse uma receita de cozinha, que o avó tinha ensinado, escondiam o essencial do método na gaveta.
Vieram treinadores estrangeiros, alguns da então designada Europa de leste, principalmente, jugoslavos, como, por esses anos, era conhecido todo esse conjunto heterogéneo de povos, que envolvia croatas, sérvios, montenegrinos, bósnios, e que o general Tito unificou em torno de um pretenso socialismo mais humanizado, e abriram as portas e as janelas do conhecimento do treino e do jogo. Não era raro, os jornalistas da área do desporto, se sentarem à mesa com homens como Pavic ou Ivic e ouvirem profundas reflexões sobre o futebol e a sua complexidade. Aprendia-se muito e respeitava-se muito o conhecimento. Aprendíamos que nem o treino era uma ciência oculta, nem o conhecimento, quando sólido e coerente, devia ser fechado a sete chaves. Pelo contrário. A discussão do jogo, dos métodos de treino, das diversidades tácticas em função de adversários e das diferentes culturas de cada país, tornava-se enriquecedora e fortalecia o conhecimento.
Dei por mim a pensar nesta realidade, que eu próprio vivi nos meus tempos de jovem jornalistas, ao ouvir a última conferência de imprensa de Bruno Lage, talvez uma hora depois de ter terminado o Benfica - Galatasaray. De repente, a surpresa de um jovem, sem complexos nem preconceitos, frente a uma plateia de jornalistas, a explicar o jogo, a razão das suas acções relacionadas com as mudanças que operou na equipa, a explicar o que fez, por que fez e a desmistificar a ideia de que há uma ciência de classe que se omite ao mundo exterior, quanto mais não seja, para que as pessoas pensem que só está ao alcance de alguns eleitos e que é inacessível ao comum dos mortais.
Bruno Lage falava com a convicção e a coerência de quem está muito confortável com o que faz e de quem está muito seguro com o que sabe. Por isso, em vez de uma conferência de imprensa de lugares comuns, em que muitos treinadores de especializaram; em vez de um discurso redondo e desinteressante, vazio de conteúdo, oco de ideias, feito de uma insustentável leveza do saber, Bruno Lage surgiu como uma aragem fresca, que valoriza o contacto com os jornalistas e, por via destas, o contacto com os adeptos de futebol.
Nesta conferência de imprensa, o treinador do Benfica não falou, apenas, para o universo dos adeptos do seu clube. O seu invulgar discurso interessaria a qualquer adepto do futebol, fosse ele de que clube fosse. E isso é, de facto, uma mais-valia para o jogo e para a mundo, apesar de tudo inteligente, que ainda existe e resiste nas franjas de um universo que se deleita com uns quantos bandos de feios, porcos e maus.
Bruno Lage vem, pois, juntar-se a uma nova vaga de treinadores sem teias de aranha na cabeça, quando chega a hora de comunicar para o exterior (admito que Ricardo Lemos tenha parte importante nesta boa surpresa) e na qual também se deve incluir, apesar da diferença de estilo, o treinador do FC Porto, Sérgio Conceição.
O futebol português deve estar-lhes grato por isso. Tal como os adeptos que verdadeiramente gostam do jogo. Tal como os jornalistas que percebem, aqui, o motivante desafio da exigência.

O dragão está mais instável
O FC Porto tem vivido momentos menos tranquilos. A perseguição do Benfica, naturalmente preocupa quem já teve uma vantagem muito confortável na liderança do campeonato e não esperaria ver o rival a morder os calcanhares; entretanto, a vida interna do futebol do clube também conheceu episódios de alguma instabilidade com a inesperada viagem de Marega à China, para se submeter a um tratamento pouco convencional, e com a sanção aplicada a Militão, por ter infringido os regulamentos de disciplina do clube.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Cadomblé do Vata (Água na fervura!!!)

"No futebol, nem sempre o lógico é o caminho mais fácil de percorrer. Tal conclusão fica patente na renovação de contrato de Bruno Lage: quando tudo justificava uma ligação para mais 10 anos, SL Benfica e treinador tiveram em conta as recentes sensibilidades numéricas cá no burgo e optaram por apenas 4 anos de casamento consumado, tendo em conta que este foi o número que recolheu maior unanimidade e menor choradinho de entre todos os resultados alcançados pelo Glorioso sob o leme setubalense.
Por esta altura a euforia grassa pelas bancadas da Catedral e sinto necessidade de colocar alguma água na fervura porque o perigo de embandeirar em arco está constantemente presente: o treinador é bom, tem valor e os resultados têm superado as expectativas, mas não é propriamente a melhor coisa que aconteceu ao Clube desde a sua fundação. Esse título pertence ao filho da Nª Sra. de Mafalala. O actual líder da equipa principal de futebol aparece apenas em 2.º no ranking. Vamos portanto, ter muita calma na análise para não cairmos com estrondo na desilusão de só ganharmos a Champions daqui a 3 anos.
É pois um demoníaco futuro que os Benfiquistas vislumbram no horizonte. Apegados ao insanável hábito de rasgar a direito equipa, jogadores e treinadores, vemo-nos em mãos com um tipo que não só exibe dotes de mágico sábio do pontapé na chicha, como também não se coíbe de explicar toda a arte que explana no quadro táctico. Mais frustrante do que não ter razões para criticar um individuo, é ele explicar-nos direitinho porque não temos razão de queixa.
Apesar da reprovável posição que ocupamos na tabela classificativa e daquela Taça da Liga que preferiu seguir uma vida de eremita num inóspito antro museológico, à confusão da Big Apple das Taças, vive-se na Nação um sentimento de Conto de Fadas desde que no início de Janeiro Jonas foi expulso em Portimão e o nosso destino mudou. Diz-me a experiência de largos anos de Benfiquismo, que a queda da nuvem flutuante que actualmente nos passeia pelos relvados do Mundo é sempre aterradora e infalível. Talvez por isso, criei o hábito de todos os dias medir a distância da minha cabeça para o céu. Segundo os últimos cálculos, a mesma continua a aumentar."

Lage do Realismo

"É sinal de um realismo absolutamente excepcional quando um treinador, no fim de uma flash-interview, deixa os jornalistas com pouco (ou nenhum) trabalho para fazerem. E, em relação ao Benfica, essa é, também, uma evolução pela qual os adeptos – habituados a um constante atirar de areia para os olhos – esperavam há já algum tempo. Na realidade, Bruno Lage está para os adeptos do Benfica como um conto-de-fadas, como o tal, como o amor perfeito e tudo aquilo que eles sonhavam quando se depararam com a inevitável derrocada do Projecto V. Por alturas do Natal, no sapatinho, sempre quiseram alguém mais evoluído tacticamente (check!), alguém que, realmente, explorasse a qualidade que existe em vários sectores do plantel (check!), em suma alguém que os aproximasse da realidade de que o Benfica não anda, por exemplo, na Europa para se deixar perder com os Galatasarays desta vida (Check!). Isso tudo e o realismo com que controla uma onda de histeria em relação às possibilidades da equipa fazem do curto período em que se encontra ao comando da equipa, um verdadeiro case-study.
Defender à Milan, atacar à Barcelona. Todos nos lembramos de quem o disse, e todos nos lembramos o que a realidade fez a estas duas ideias, digamos, antagónicas. Isto porque o número de jogadores que são precisos para atacar à Barcelona, assim como os espaços que eles têm de ocupar para o fazer (já para não falar em variadíssimas outras coisas necessárias a esse desígnio), não se coaduna com o número de jogadores necessários para defender à Milan, nem tão pouco com os espaços que eles têm de ocupar. Contudo, adaptando a ideia a Bruno Lage – e por isso mesmo a uma realidade, digamos, bem mais possível e prática, podemos encontrar no Benfica uma espécie de Defender à Milan, atacar à Liverpool. E se por Milan nos referirmos ao míticos tempos de Sacchi, e se por Liverpool nos referirmos ao mais contemporâneo trabalho de Klopp, encontramos algo, esse sim, possível de fazer. Esqueçam as maratonas com bola no meio-campo adversário se depois querem a armada pronta para fechar entre-linhas ocupar a profundidade e bascular para os corredores com o número necessário para tapar possibilidades. Para o Benfica, organizado ofensivamente, todas as bolas podem dar golo. E, contra o Galatasaray a precisar de dois golos para gelar a Luz, não se poderia esperar dos encarnados que povoassem o seu meio-campo ofensivo ficando à mercê das transições do adversário. Pelo contrário, e é assim que Lage parte para construir o seu novo Benfica: é o adversário que faz uso da bola (por corredores exteriores, visto que o espaço central está perfeitamente ocupado) para ficar à mercê da fome de golo encarnada.
Bem… nem todos podemos ver o que J. Félix vê. Pizzi vai aparecer no espaço assinalado com o seu nome e agradecer a João uma excelente oportunidade para abrir o marcador

Assim, se o futebol fosse um puzzle, Bruno Lage, em tão pouco tempo, conseguiu já preencher grande parte do mesmo. Com uma organização defensiva irrepreensível, com uma reacção à perda bem trabalhada e com uma transição ofensiva temível, Bruno Lage junta às bolas paradas defensivas (extraordinária a zona mista que o SLB ostenta à frente de Odisseas, empurrando com homem-a-homem os adversários para fora dela), e às bolas paradas ofensivas, peças fundamentais que catapultam este Benfica para um nível muito próximo daquele a que, por exemplo (e sem mais exemplo no passado recente), Jorge Jesus deixou no Seixal. E com semelhante ideia, é sem surpresa, que uma 1.ª mão na Turquia possa ser ganha com alguns jogadores que não faziam sequer parte das contas, assim como uma 2.ª mão possa ser absolutamente controlada, criando várias oportunidades e fechando espaços que outra equipa, e outra ideia, dificilmente fechariam. E quanto aos erros, e à evolução, nem nos precisamos de debruçar sobre eles, porque é o próprio técnico que impede que nos apelidem de Velhos do Restelo se tocarmos neles outra vez. Até nisso, Bruno Lage, tem sido excelente!
A juntar ao erro referido por Bruno Lage, também o minuto 85 será alvo de revisão por parte do técnico. Indefinição para cobrir a bola, e, com ela descoberta, mau controle da profundidade.

A estratégia que definimos foi bem conseguida. Ofensivamente podíamos ter tido mais bola mas o Galatasaray tem uma forma de jogar muito parecida ao típico jogo turco, as equipas vão ficando partidas e nós também temos de ter qualidade na posse para termos transição defensiva. Nós tivemos essa consciência. É verdade que podíamos ter tido mais bola. O mais importante foram as oportunidades criadas, que foram imensas, quer em transição, quer em ataque organizado, bola parada. Estamos satisfeitos com isso. É um jogo que são dois jogos e estamos satisfeitos porque passámos
Aquilo que nós queremos é encontrarmo-nos a nós. E isso é um longo caminho para fazer. Veja-se o golo deles que foi anulado: é um lance em que o Gedson comete um erro e perde a bola. Mas não havendo muito tempo para treinar tem que se treinar em cima do erro e não desistir. Estamos plenamente satisfeitos com o que estamos a construir e é continuar. Não quero falar do árbitro, o que quero é identificar o erro ali. Está de costas, tem jogadores pela frente, tocar de primeira, seguro. É um momento em que não se pode dominar a bola, temos gente de frente, é tocar e depois já estamos a jogar com os dois médios para a frente. Mas isso é muito trabalho, muito treino
Bruno Lage (no final da partida que deixou o Benfica à espera de adversário para os oitavos-de-final da Liga Europa)
Benfica-Galatasaray, 0-0"

Descodificar um génio

"João Félix:
* Como se move
* Como orienta o corpo para dar conexão ofensiva
* Como executa para ligar o jogo com espaços mais adiantados
* A multilateralidade
* Percepção de todo o espaço que o rodeia que lhe permite tomar melhores decisões
* Qualidade no gesto a finalizar
* Duelos

Perceba o jogo de João Félix:

"
Paolo Maldini, in Lateral Esquerdo

100% de Estratégia, 100% de Modelo – Reinventar para ser Imprevisível nas Aves


"Na Vila das Aves, previa-se uma deslocação complicada para os encarnados pela forma invulgar como o conjunto orientado por Augusto Inácio se posiciona no momento defensivo com marcações individuais em todo o campo. A mobilidade encarnada criada em todos os corredores permitiu criar o engodo nas marcações individuais do adversário e chegar a um resultado justo para o Benfica. 

Temos de observar e analisar o adversário e reinventarmo-nos para não sermos previsíveis. (…) O que procurei? Temos de observar o adversário e perceber que espaço oferece. Com três centrais eles teriam sempre cinco a defender no nosso processo ofensivo. Queríamos atrair os médios contrários e ter mais espaço entre linhas. Isso também obrigava a alguém da linha de cinco a sair."
Bruno Lage

A Análise e a Observação do adversário são cada vez mais importantes no Futebol, principalmente quando se pensa em Alto Rendimento. Atacar contra adversários que defendem com marcações individuais exige comportamentos diferentes daqueles que se têm quando se defronta uma equipa defende de forma zonal. Seria, portanto, fundamental reinventar alguns movimentos em função deste método defensivo do Aves.
Dentro da sua identidade cada vez mais vincada, o Benfica trouxe nuances estratégicas interessantíssimas para contrariar as marcações individuais da equipa caseira. Além da mobilidade trazida pela equipa de Lage, o Benfica montou um quadrado no corredor central para enganar o adversário com Samaris e Gabriel mais baixos para atrair médios adversários e entrar no espaço entre sectores. Este quadrado no corredor central aliado às constantes trocas posicionais aumentou significativamente as entradas nas costas dos médios adversários durante toda a partida.
A mobilidade do Benfica no momento ofensivo permitiu arrastar as marcações individuais dos jogadores do Aves e furar pelos espaços mais importantes. As trocas posicionais entre Pizzi, Félix e Rafa a toda a largura que tanto se moviam entre-linhas como de dentro para fora provocaram imensos desequilíbrios no momento defensivo do Aves, tal como aconteceu no brilhante golo de Rafa. No corredor direito, as habituais trocas posicionais entre Almeida e Pizzi também criaram dificuldades ao conjunto avense. Foi, contudo, a capacidade de entrar no espaço entre-linhas que mais criou a dificuldades à equipa nortenha porque, neste espaço, mora o jogador mais capaz da Liga de receber e enquadrar com a baliza adversária (Félix) que, uma vez mais, esteve a um nível altíssimo.
Na era da estratégia, todos os pormenores contam. A cada jogo que passa e a cada conferência de imprensa que dá, Lage demonstra-nos sempre a importância da vertente táctica e estratégica do jogo seja em qual for o contexto competitivo. 100% de estratégia e obviamente 100% de modelo é aumentar, significativamente, as possibilidades de sucesso, e o treinador encarnado é uma verdadeira lufada de ar fresco na realidade nacional."

Digno dos Óscares !!!

Tácticas e perigos

"O 4-4-2 quase falso, de Bruno Lage. Ai a defesa do Benfica... e o ataque do FC Porto! Keizer podia reconhecer (como Trappatoni, sobre Simão): «Graças a Deus temos Bruno Fernandes»

Bruno Lage virou de pantanas o futebol do Benfica. O mais impressionante está na rapidez (fulgurante!) da sua certeira, e profunda, revolução. Pegou de estava! O tempo, provavelmente no curtíssimo prazo dos próximos jogos (cruciais!), irá dizer da capacidade para muito florir o vistoso jardim por Lage tão velozmente plantado.
Jovem treinador nem pestanejou, anunciando, categórico, mal pegara no leme: regresso ao 4-4-2. O esquema táctico do Benfica tetra-campeão (2 anos com Jorge Jesus, 2 anos com Rui Vitória - este criticado por não mudar, apenas copiando o antecessor!). Acontece que Bruno Lage, passando a 2 pontos de lança, tem, muitíssimo arguto, o enorme mérito de não aplicar o 4-4-2 convencional - nesse sentido, ele é falso... Se fosse o puro, com 2 médios centrais e 2 extremos, os actuais protagonistas d fulcro da linha média não aguentariam. A grande distância entre ter Javi Garcia ou Matic, Witsel ou Enzo Pérez, e ter Fejsa, em declínio, ou Samaris, na parceria com Gedson, cheio de talento, mas menino, ou com Gabriel, ainda em fase de adaptação - foi muito por isso, creio, que Rui Vitória sentiu necessidade de alterar para 3 médios centrais o seu anterior, e vitorioso, esquema.
Estratégico 4-4-2 de Bruno Lage às vezes aproxima-se do losango (esquema de, por exemplo, Paulo Bento nos 4 anos de Sporting vice-campeão), mas, em rigor, só se aproxima. A chave mestra: Pizzi falso ala direito; de facto, salta para dentro, como 3.º centrocampista e maestro pautando ofensiva e... ritmos. No flanco esquerdo, Rafa, ou Cervi, ou Zivkovic, com instruções mistas: mais verticalidade, mas também tendo de fechar dentro na recuperação da bola e na posse desta - que o mesmo é dizer, lá está!, na solidez do meio campo.

Lançar o talento de João Félix (tão jovem!) como 2.º ponta de lança - ora recua, ora deambula para os flancos, muito bem se entendendo com Seferovic e com Pizzi - tem sido precioso trunfo. Seferovic está na melhor época, e de longe!, da sua carreira (já com Vitória começara a impor-se, após quase sair...); nunca fora grande goleador... e ei-lo com mais golos do que na soma dos 4/5 anos anteriores!
Gabriel: outra enorme diferença. Atenção: quem muito insistiu neste reforço, concretizado em última hora, foi Rui Vitória. Depressa lançado no onze, não enganava quanto a poder dar superior consistência/poder atlético ao meio campo; mas, sem pré-época, escasso ritmo... - e o menino Gedson entrou em pleno gás (ambos, em simultâneo, não cabem no esquema de Lage; mas Gedson possui polivalência para também suprir ausências de ... Pizzi). Ah!, Salvio de novo lesionado (para um mês)...

Claras deficiências, filhas de crassos erros na resma de contratações para esta época! Jogando com 2 pontas de lança, o Benfica tem 2 e meio... (ímpar classe de Jonas tantas vezes em longas baixas clínicas). E na defesa pode surgir caos! Débeis alternativas a Almeida e Grimaldo. Problemões já aí estão nos centrais: Jardel e o indefinido Conti lesionados; obrigatória chamada do menino Ferro (tão prometedor quanto sem traquejo, numa posição fulcral), agora tendo de cumprir suspensão; Rúben Dias com 4 cartões amarelos... (e outro = expulsão deveria ter visto frente ao Aves...). Que defesa, daqui a semana e meia, no Dragão, jogo do título para ambos!?
(...)"

Santos Neves, in A Bola

Sabe quem é? O canalizador na Luz - José Henrique

"Estava a trabalhar no estádio, o que fez deixou Mário Coluna boquiaberto; Antes tivera de chegar nu a casa

1. O pai era operário da Mundet, empresa de cortiças no Seixal. O fascínio pela bola soltou-se-lhe cedo - e aos primeiros tempos de escola, percebeu-se-lhe o desprendimento: em vez de ir para as aulas atirava-se, amiúde, aos jogos vadios pela vila. Pelos oito anos sucedeu-lhe o que contou, vida fora, divertido: que certo dia, suspeitando que ele não estava onde devia, a mãe correu a procurá-lo e encontrou-o num Benfica - Sporting entre a malta, a jogar de cuecas (para não sujar o resto da roupa e assim se denunciar): «Não me apercebi dela a tempo de fugir, a minha mãe agarrou-me exactamente pela ponta de cueca, rasgando-a. Consegui escapar-lhe, mas, ao entrar em casa, estava nu - e, depois, claro, não me livrei do tareão».
2. Mal terminou a instrução primária, foi uma oficina de canalizador. Tinha 12 anos e Carlos, irmão mais velho, levou-o o Arrentela. Um dos patrões era pessoa influente no Benfica, vendo-o num jogo perguntou-lhe se queria ir a uma experiência à Luz. Num alvoroço lhe respondeu que sim - e lá ficou...
3. Andando pelos 15 anos, coube-lhe ir ao estádio tratar de problema de canalização que lá houve. O trabalho dava para o campo onde se treinavam o Eusébio, o Coluna, o Simões, o José Augusto, o Torres, o Costa Pereira... Não desgrudava olhos vidrados dos craques, por causa disso levou do patrão valente puxão de orelhas (e não em sentido figurado).
4. Voltou ao concerto da canalização, mas, de súbito, vendo bola a saltar na sua direcção, largou a ferramenta, em voo se lançou a ela, defendendo-a, acrobático. O mestre, soltou-lhe, num grito, nova fúria: «Agora, atiras-te para o chão, malandro?! Deixa os homens - e trabalha!» Do campo, alguém lhe bateu palmas, largando-lhe, em brado: «Que grande defesa!» Era Coluna - e ele, muito tímido, murmurou-lhe: «Sabe, senhor, eu jogo aqui, nos principiantes». Oito anos depois, estava à beira deles - e não tardaria também que com eles jogasse a final da Taça dos Campeões Europeus...
5. Ao chegar a sénior, emprestaram-no no Amora - e em 1964-1965 foi para o Seixal (que subira à I Divisão) e nessa época teve uma tarde de paraíso (a do empate 0-0 no Campo do Bravo em que defendeu tudo - e muito do que defendeu se achava impossível...) e teve uma de inferno (a tarde em que o Seixal perdeu na Luz por 11-3 - e a consolação foi ouvir que não fora mão cheia de defesas incríveis seria pior).
6. Do Seixal passou para o Atlético (com José Águas a treinador) - e na Cova da Piedade sofreu insólita expulsão: «Começaram a chover pedras em minha direcção. Atrás delas veio tábua também. Eu, pensando no perigo que aquilo era, comecei a juntar as pedras num montinho e sobre elas coloquei a tábua. Fi-lo para que ninguém se magoasse, mas o fiscal de linha chamou o árbitro para lhe dizer que o que eu fizera fora provocação - e ele, injusto, pôs-me na rua».
7. A temporada de 1966-1967 ainda a passou quase toda nas reservas - a suplente de Costa Pereira ainda lá estar, Fernando Riera deu-lhe, porém, a baliza contra a Académica na Taça - e nesse sua estrela em Coimbra sofreu dois golos de Ernesto que eliminaram o Benfica. Na seguinte, já sem Costa, foi-lhe a baliza para as mãos - e rasgou, fulgurante, a história como Zé Gato.
8. Ainda houve um tempo em que o cognome que lhe colaram à pele foi O Gigante de St. Étienne (deram-lho jornais franceses pela «monstruosa» exibição que lá fez a caminho da final da Taça dos Campeões, essa de 1967 - 1968 que não ganhou em Wembley ao Manchester United porque, no último minuto, Eusébio, lesionado, falhou um daqueles golos que o Eusébio nunca falhava...
9. Após Hagan deixar, zangado, de ser treinador do Benfica, na Festa do Eusébio, Fernando Cabrita ainda colocou, uma vez ou outra, Bento na sua baliza. O mesmo fez Pavic na época seguinte - e a baliza que perdera no dedo partido com o PSV, logo a recuperou. Com Mário Wilson em 1975-1976 voltou a jogar mais do que Bento, depois, com Mortimore é que já não - e não deixou, aí, de largar o Benfica campeão uma vez mais, campeão pela oitava vez. (Guarda-redes deixou de ser em meados de 1982 no SC Covilhã - tinha 39 anos e, ao sair do Benfica, dois anos estivera no Funchal, a jogar pelo Nacional...)."

António Simões, in A Bola

Sabe quem é? Da pesca ao Zandinga - Fonseca

"Foi do Leixões para o Benfica, Pedroto levou-o do Varzim à Selecção; Meia hora de braço partido, no FC Porto campeão

1. Nasceu em Matosinhos, por Fevereiro de 1948, sem grande gosto fez a 4.ª classe - aos 12 anos já andava na pesca da sardinha. Não foi muito, porém, o tempo em que por lá andou. Descobrindo-o em torneio organizado na vila com balizas de andebol de 7 - Óscar Marques convenceu o pai a deixá-la largar a traineira para que se tornasse guarda-redes do Leixões (e ele deixou, esperançoso - e bem...)
2. Ainda jogava pelos juvenis, quando o Leixões se apurou para a final do campeonato - contra o Benfica. Nessa tarde, perdeu por 5-1, mas o destino tem caprichos assim: ao descobrir-se que a bola com que se jogara tinha peso ilegal, a FPF determinou a sua repetição e foi tão espantosa foi a sua exibição dessa vez que o Benfica voltou a vencer, mas só por 2-1.
3. Antes desse primeiro brilharete, estivera 15 partidas sem sofrer um golo - o que sofreu depois, sofreu-o do Freamunde. Num repelão, para se... «castigar a si próprio»(!) cortou o cabelo à escovinha. Vendo-o assim e de corpanzil avantajado, os adversários acharam que o Leixões se lançara a intrujice (e que o seu guarda-redes até já na tropa estava) - e desataram a protestar-lhe os jogos. Foi em vão, claro. Ao passar a sénior, Manuel Oliveira nem uma vez o utilizou na baliza do Leixões - nesse Leixões que tinha o Rosas (e ainda tinha o Crista).
4. António Teixeira (que fizera em Torres o golo que deu ao FC Porto o campeonato que entrou na história marcado por Calabote) tornou o comando do Leixões - e logo o levou a titular. A sua estreia foi a estreia do Nacional da I Divisão (em Setembro de 1967) e culparam-no da derrota por causa dum frango. Dois anos depois o Benfica foi buscá-lo por 1600 contos: 1100 para o clube, 500 para ele (que hoje seria pouco mais de que 150 000 euros - e naquele tempo o Morris 850 que tinha meninas em calções na sua publicidade custava 113 contos...)
5. Nessa sua primeira época no Benfica (1969/1970), lesão de José Henriques levou a que Otto Glória o pusesse sete vezes a titular - a última no jogo em que, na Luz, o árbitro João Nogueira, ajudado por Toni, conseguiu fugir de ser linchado por adeptos que em fúria invadiram o campo. Chamado à tropa, nos dois anos seguintes só sete jogos fez (e pela PM até à selecção militar de andebol chegou). E foi então que o Orense o desafiou para Espanha.
6. Vendo-se livre de contrato com o Benfica (apesar de na Luz ainda ter estado um mês a treina de borla - e do processo ter andado em turbilhão pela FPF), António Teixeira voltou a dar-lhe a volta ao destino, desafiando-o para o Varzim - e no apuramento para o Mundial de 78, Pedroto fez dele primeiro jogador do Varzim na selecção: titular na Luz, na noite em que ganhou à Dinamarca, com golo de canela de Manuel Fernandes (agredido por um dinamarquês, esteve largos minutos fora do campo a receber assistência, voltou à baliza, brilhante continuou). Quatro dias depois, o Sporting foi ganhar à Póvoa 4-3 - e só 24 horas após, ao arrastarem-no para o hospital pelo insuportável das dores, se ficou a saber que jogara meia-hora com o braço partido (sem sofrer mais nenhum golo) - a fractura atirou-o durante três meses para o estaleiro.
7. Pedroto foi para o FC Porto - e falhando a contratação de Damas, não perdeu tempo a pedir que o fossem buscar. Mal chegou, ganhou o campeonato de 1977/1978 - e nesse primeiro título de Pedroto e Pinto da Costa (que quebrou 19 anos de amargo jejum) não houve campeão mais campeão do que ele: fez os 30 jogos, só não jogou 15 minutos - a um quarto de hora do fim deixou o campo para que Rui, o histórico Rui Teixeira, pudesse ser o que nunca fora.
8. Quando, em 1980 se deu o Verão Quente das Antas, Pedroto foi despedido por Américo de Sá, Pinto da Costa saiu com ele de chefe do departamento de futebol. António Oliveira também se foi embora, solidário com ambos e levou Zandinga para o Penafiel. Na noite em que foi jogar às Antas, contra o FC Porto de Stessl, Zandinga apareceu, sorrateiro, atrás duma das balizas e dar impressão de enterrar qualquer coisa e a despejar por lá frasco com urina de cão. Achava que, assim, o poderia perturbar - e o que é certo é que duas bolas que foram à sua baliza entraram e o Penafiel empatou 2-2. Ele, porém, nunca deixou de negar que tivesse sido abalado pelo bruxedo (ou fosse lá o que fosse): «foi apenas dia mau» (que tinha poucos)..."

António Simões, in A Bola

Benfiquismo (MCIV)

Antiga Sede... em Benfica!

Uma Semana do Melhor... com o Carrasquinho!

Jogo Limpo... de Istambul a Zagreb, o fim das SAD's... e ainda as Merinhices!!!

Gostamos e confiamos em Lage

"Terim mostrou a classe de saber perder e não poupou elogios ao Benfica. Lage respondeu com igual elevação

Com a vitória na Vila das Aves, o Benfica tem uma dúzia de jogos até ao fim do campeonato. Sete jogos na Luz e cinco fora de portas.
Os 3-0 da passada segunda-feira, reduzidos a 10 durante algum tempo, fazem notar o quão diferente está o Benfica que há pouco mais de um mês empatou neste estádio, como a bênção dos deuses. O Benfica facilitou um jogo complicado, num campo difícil, e venceu de forma clara.
Se o caderno de encargos fora de portas parece bem mais complicado que o do Estádio da Luz, convém não facilitar em casa. A título de exemplo bastaria ter vencido em casa o Moreirense para, mesmo com os erros clamorosos de arbitragem, estar na liderança do campeonato.
O Benfica concentrado naquilo que pode fazer bem, que é jogar e vencer, terá o Desportivo de Chaves na próxima segunda-feira como a próxima final. Este adversário lembra o mais irritante episódio deste campeonato com aquele golo ao minuto 92 numa noite de frio, de chuva e de asneiras.
Mas este Benfica tem outro futebol, outra confiança e outra qualidade. Lembrar os desaires passados serve apenas de alerta para não mudar o rumo correcto do êxito.
A renovação de Bruno foi uma laje nos disparates mediáticos. Temos um treinador de que gostamos e no qual confiamos. Estabilidade e confiança é tudo que o Benfica precisa.
Trazida de Istambul uma vitória por 2-1, o Benfica encarava a segunda mão europeia em vantagem. Nesta segunda mão, o Benfica jogou com o resultado e o relógio.
Os turcos tiveram controlados durante 70 minutos e só assustaram nos últimos 20.
O essencial era estar no sorteio de hoje e o Benfica conseguiu esse objectivo, está num sorteio com adversários difíceis e viagens longas.
Fatih Terim, um grande senhor do futebol, mostrou a classe de saber perder ao não poupar elogios ao adversário. Bruno Lage respondeu com igual elevação ao explicar as opções, objectivos e o respeito pela Galatasaray. Que diferença quando comparados com outras latitudes."

Sílvio Cervan, in A Bola

À Benfica!

"Não menosprezo o efeito da chamada 'chicotada psicológica' no desporto. Geralmente, a troca de um treinador provoca o reagrupamento em torno de objectivos da equipa, realinha o foco e fomenta a necessária disponibilidade física e mental dos jogadores, além de gerar benefícios decorrentes de novas dinâmicas, em particular as tácticas, surpreendendo adversários. Porém, o seu efeito tende a ser de curto prazo, logo emergindo eventuais defeitos antigos e revelando-se susceptível a resultados aquém das expectativas.
Mas o que temos constado na nossa equipa de futebol extravasa o domínio da psique ou da mera novidade. Bruno Lage conseguiu, em pouco tempo, redefinir a identidade da equipa, impor uma mentalidade consentânea com os pergaminhos do clube e, sobretudo, introduzir variações tácticas que permitem à equipa superiorizar-se globalmente aos seus adversários no decorrer das partidas. Outros bons sinais derivam da quase ausência de oscilações exibicionais significativas independentemente do nível dos adversários, do local do jogo ou das alterações no onze. Para utilizar um jargão da moda: há processo (e é bom).
Ninguém sabe o que o Benfica poderá fazer nesta temporada, assim como ninguém ousará alvitrar limites à ambição benfiquista. No entanto, parece-me evidente que, independentemente dos resultados no final da temporada (e esta é uma condição difícil de aceitar num clube como o Benfica), os benfiquistas elogiarão o trabalho desenvolvido por Bruno Lage. No presente, todos já o fazemos: os benfiquistas, a atravessarem um raro período de unanimismo em torno de um dos seus protagonistas; e os adversários, como habitual, variando entre o desdém, a relativização ou a difamação."

João Tomaz, in O Benfica

Dopados da cabeça

"Lembram-se de um antigo jogador de futebol ter participado num talk show líder de audiência e ter confessado que, nos seus tempos de profissional, o uso de doping era coisa normal? Não? Eu dou uma ajuda. Isso passou-se com um antigo jogador do FC Porto, Casagrande de seu nome, brasileiro de nascimento. E foi no programa de Jô Soares, há coisa de cinco anos, que o ex-avançado confirmou como era a realidade desse ano de 1986, na véspera da estreia pela equipa das Antas. 'É a coisa que mais me envergonho, o que menos gosto de lembrar é dessa situação', afirma Casagrande nesse vídeo que se encontra à disposição de todos na Internet, o mesmo local onde podem encontrar as escutas do Apito Dourado, por exemplo. Questionado pela apresentador e humorista Jô Soares, o antigo craque da selecção do Brasil recorda, logo depois de ter confirmado que a equipa em questão era o FC Porto - 'Era injectável no músculo e dava uma disposição acima do normal'. Diz ele, na mesma entrevista, que usou esse suplemento proibido 'umas quatro vezes'.
É conhecido o caso, mas resolvi recuperá-lo esta semana porque um advogado e comentador de futebol adepto do clube de Pinto da Costa resolveu lançar uma suspeita de doping sobre os jogadores do SL Benfica. Aníbal Pinto, assim se chama a pessoa em questão, nunca deve ter visto o vídeo de Casagrande. Nem lido o livro de Fernando Mendes. Muito menos se deve ter questionado sobre os xaropes milagrosos do departamento médico do seu clube que já fizeram perder cabelo a tantos jogadores que por lá passaram nos últimos 40 anos.
Pois é, está a aproximar-se o clássico no Porto, e já percebemos todos quem é que está a tremer."

Ricardo Santos, in O Benfica

Férias 2019: Marquês de Pombal, Oeiras, Baku

"Todos os anos chega o mês de Fevereiro, e começo a planear as minhas férias. Por norma, gosto de dividir os dias de pausa no trabalho entre uma viagem ao estrangeiro e um passeio sem sair de Portugal. Neste ano, sei lá porquê, despertou-se em mim um incessante desejo de conhecer Baku, a capital do Azerbeijão. Como serão as ruas? E as pessoas? E a comida? Não vejo a hora de poder desfazer estas intrigantes questões. Os meus amigos preferem percorrer as cidades mais atractivas da Europa: Madrid, Barcelona, Paris, Londres, Roma, Milão. É verdade que qualquer uma destas localidades me seduz, mas nenhuma me fascina como Baku. Por coincidência, imagine o leitor, Baku é a cidade onde se irá realizar a final da Liga Europa neste ano. Logo agora que fiquei enfeitiçado pela cidade! Há com cada acaso.
Quanto ao programa reservado para solo português, posso revelar que Oeiras me cativa imenso. Particularmente Cruz Quebrada. Que é como quem diz o Estádio do Jamor - e todo o espaço circundante, leia-se mata, leia-se piquenique, leia-se porco no espeto. O mesmo posso afirmar de outro local deslumbrante: a Praça do Marquês de Pombal. Passei lá animadas temporadas, mas já tenho saudades e desejo regressar o mais depressa possível.
Estes são os meus destinos de sonho para as férias de 2019, e qualquer rota diferente desta será uma desilusão. Bruno Lage ainda não venceu qualquer troféu, porém há uma conquista que ninguém lhe pode negar: o entusiasmo que gerou entre os adeptos e os jogadores. Não podemos entrar em euforia, no entanto, é difícil esconder o fervor.
Neste momento, a minha confiança é tal, que eu até acredito que o Benfica ainda pode ganhar a Liga dos Campeões."

Pedro Soares, in O Benfica

Melhor... muito melhor

"É uma verdade insofismável que qualquer balanço desportivo só se faz no fim de cada época. Só com os resultados finais, com os títulos ou a falta deles, e perante o percurso completo ao longo de todas as provas, é possível fazer análises criteriosas e comparações justas. E assim sendo, apenas lá para Maio poderemos avaliar devidamente o trabalho de Bruno Lage enquanto treinador principal do Benfica.
Porém, quem se recorda das exibições - sobretudo elas - desta mesmo equipa nos últimos meses sob o comando do técnico anterior não pode deixar de notar significativas diferenças, para melhor. Até ver, poderá mesmo dizer-se que raramente, na história do Benfica, uma 'chicotada psicológica' teve efeitos tão imediatos e tão importantes.
Não quero com isto retirar o valor a Rui Vitória, que teve o seu tempo, o seu espaço e... os seus títulos. As lideranças valem enquanto duram, mas com o tempo desgastam-se, e quando todos se cansam uns dos outros acabam mesmo por se esgotar. Terá sido  que aconteceu ao futebol benfiquista, sobretudo no último trimestre de 2018, o que originou um total apagamento exibicional, bem como resultados irregulares e bastante abaixo do potencial do plantel.
Quem acompanhasse o trabalho de Bruno Lage nas categorias mais jovens sabia que se tratava de um treinador que, além de formar bons jogadores, formava igualmente boas equipas. Agora, além de muitos jovens seus conhecidos, tem também pela frente um lote de atletas consagrados e carregados de alto profissionalismo e elevadísssima exigência competitiva.

Para já, fazer melhor era difícil."


Luís Fialho, in O Benfica

O atletismo

"As semanas vão passando, e os títulos vão chegando. No passado fim de semana, foi a vez do atletismo.
A nossa fantástica equipa sénior masculina deu-nos mais um campeonato de pista coberta. Superiormente orientados por Ana Oliveira, os nossos atletas brilharam na Nave Desportiva de Braga. Desta vez, em Braga, não fomos travados pela arbitragem. Batemos o Sporting, a Juventude Vidigalense, o SC Braga, o Centro de Atletismo de Seia, a Associação Cultural e Desportiva Jardim da Serra, o Grecas - Vagos e o Maia Atlético Clube. Foram 100 pontos conquistados com sangue, suor e lágrimas. Gostava de ter assistido à transmissão, na RTP, pois temos atletas de dimensão internacional. Pedro Pablo Pichardo é um dos melhores triplistas do mundo e provou esse estatuto. Tsanko Arnaudov (peso), Marcos Chuva (comprimento), Paulo Conceição (altura), Diogo Ferreira (vara), Rui Pinto (3000m), João Vítor Oliveira (60m barreiras) e Ricardo dos Santos (400m) venceram com muita classe.
O quarteto Mauro Pereira, José Tavares, Raidel Acea e Ricardo dos Santos fechou com chave de ouro a estafeta dos 4x400m. Miguel Carvalho (5000m marcha), Emanuel Rolim (1500m), João Fonseca (800m) e Frederico Curvelo (60m) formaram outro quarteto decisivo para o título. Em suma, 15 atletas de eleição que competem à Benfica. Não menos notável foi a conquista do título de campeão nacional da II Divisão pela Casa do Benfica de Faro.
Uma palavra de pesar para a partida, muito cedo, de Frederico. Jamais esqueceremos o seu profissionalismo, que nos ajudou a conquistar seis títulos, e, sobretudo, o seu humanismo."

Pedro Guerra, in O Benfica

Uma Champions muito especial!

"Fair play, voluntariado e golos são a táctica destas equipas para vencer! Claro que todos gostam de jogar à bola e dão o máximo para vencer no campo. Só que, neste caso, isso não chega, e, se o comportamento desportivo foi penalizante ou inferior em fair play ao das equipas adversárias, isso pode ser um problema na tabela classificativa. E o problema agrava-se ainda mais se a equipa pensar só em si própria e não tiver feito nada de relevante pela sua comunidade. Aí, então, pode mesmo deitar-se a perder uma bela exibição e sair pela porta pequena quando havia todas as condições para vencer e entrar na equipa da Fundação Benfica e apanhar aquele avião que leva pela Europa fora os campeões a jogar contra outros tantos do Chelsea, do Feyenoord e de outros tantos de perder o tino se a oportunidade falha...
É assim, em linhas gerais, a lei interna deste campeonato organizado pela Fundação Benfica com oito outras fundações de grandes clubes europeus no seio da rede europeia EFDN - European Football for Development Network. Por isso, quando o cartão branco for erguido, é a doer no adversário e não apenas para enaltecer a equipa com maior fair play. É que, no futebol como na vida, saber estar pontua, e saber ser útil à sociedade pontua ainda mais. Esta é a verdadeira lição aprendida pelos jovens participantes no novo projecto da Fundação 'Community Champions League'. Mas esta é também a verdadeira lição herdada dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica, que continua ainda e sempre nos nossos corações!"

Jorge Miranda, in O Benfica

O mix de todas as gerações

"À chegada do séc XXI o Benfica adoptou podemos afirmá-lo hoje, sem dúvidas, um modelo estruturante verdadeiramente baseado na integração das gerações. Um clube já nessa altura (claro!) tão poderosamente implantado na sociedade portuguesa não podia ignorar quanto a própria história do seu crescimento demonstrava essa virtude. E, porventura, um dos maiores méritos de Luís Filipe Vieira, bem cedo ainda, ao iniciar o pleno uso das suas capacidades de gestão, foi ter sabido interpretar essa evidência e o alcance da generalização desse princípio a todos os campos estruturais do Clube; mesmo quando ainda nem ele próprio, nem ninguém daqueles que o acompanhavam, podia sequer ter a certeza de que seria efectivamente possível criar, primeiro, as condições suficientes para resgatar o Glorioso do estado exangue em que o tinham encontrado ao chegar, de modo a que, mais tarde, viessem a instituir e implantar fosse que modelos fossem, para que o Sport Lisboa e Benfica, enfim, retomasse firmemente e sem mais sobressaltos todos os desígnios de Glória que os nosso Maiores lhe haviam destinado, logo em 1904.
O segredo, como constantemente podemos verificar, no modo como no desporto e, em especial, de alcance único no Benfica, encaminhamos e amparamos os jovens atletas e como naturalmente os vamos integrando no entrejogo com os seus companheiros mais experientes, reside essencialmente na obstinação e na capacidade com que, centenariamente, sempre quisemos e soubemos conjugar as diferentes valências de todas as gerações, nas distintas aéreas em que erguemos o projecto. O exemplo vem-nos do passado, vive-se no presente e está a levar-nos em maior segurança para o melhor futuro. Das equipas de futebol, a todas as restantes modalidades e, por decorrência a extensão, do primordial exemplo desportivo que constitui o fundamento de vida do Glorioso, a toda a estrutura orgânica envolvente, hoje tão solidamente de pé, o Benfica crescerá sempre e só com base na integração de todos os estratos, todas as forças, todas as sabedorias de que sempre foi inescurecivelmente composto o nosso raríssimo mix, sucessivamente acrescentado por acção conjunta de todas as gerações dos benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Foco no Chaves

"Na semana passada, após a vitória em Istambul, a imprensa (até a internacional) rendeu-se à qualidade do futebol do Benfica, numa noite em que mereceu destaque a média de idades da equipa: 22,9 anos. A mais baixa entre todos os participantes da Liga Europa.
Ontem, na Luz, o Benfica garantiu a qualificação para os oitavos de final com uma exibição de elevado grau de responsabilidade e voltou a apresentar um onze inicial com uma média de idades que não encontra paralelo no futebol europeu: 23,1 anos. Estiveram em campo 8 jogadores portugueses, 5 deles formados no Seixal.
Ou seja, a equipa mais jovem em competição mostrou que tem maturidade e experiência suficientes para gerir uma eliminatória com elevado sentido prático. E vale a pena sublinhar que do outro lado estava o campeão turco, recheado de jogadores de grande qualidade e orientado por um treinador de indiscutível categoria.
A Liga Europa volta no dia 7 e o adversário exige, no mínimo, o mesmo respeito do que o anterior. Mas haverá tempo para preparar a eliminatória com o Dínamo Zagreb. Por enquanto, o foco está por inteiro no duelo da próxima 2.ª feira, frente ao Desportivo de Chaves. A onda vermelha continua. Passo a passo. Treino a treino. Jogo a jogo.

PS: A convocatória de uma Assembleia Geral Extraordinária da SAD (para o dia 15 de Março) com o objectivo de transferir da SAD para o Clube a propriedade do Estádio da Luz e da BTV é mais uma prenda de aniversário antecipada para todos os benfiquistas. As circunstâncias e a conjuntura levaram, num determinado momento, a que fossem tomadas as decisões que mais se aconselhavam. Agora, com uma reestruturação accionista só possível pelo bom processo de recuperação financeira e evolução dos últimos anos, chegou o momento de restituir aos benfiquistas o seu património e a sua principal plataforma de comunicação. As promessas são para cumprir."

Empates europeus de sabor diferente

"Benfica, sim, Sporting, não, eis o saldo das equipas portuguesas nos 16 avos de final da Liga Europa. Trata-se de um resultado manifestamente insatisfatório par o futebol português, já que o Villarreal, carrasco dos leões, estava perfeitamente ao alcance da equipa de Marcel Keizer, traída essencialmente pela exibição pobre e descolorida realizada em Lisboa. O Benfica, por seu turno, apesar de ter apresentado uma cara pouco exuberante frente ao Galatasaray, acabou por fazer vingar a vantagem conquistada em Istambul, numa noite que serviu como aviso à navegação: não se joga futebol de fino quilate apenas por se estalarem os dedos, qualquer equipa que perca rigor e concentração perde eficácia e foi isso que aconteceu ontem aos encarnados. Ao contrário do que tem sido norma desde que Bruno Lage impôs as suas ideias, o Benfica de ontem não impressionou pela organização, deixou que o jogo se partisse em várias ocasiões e não conseguiu ser cirúrgico na hora da verdade. Se havia alguém, na Luz, de cabeça nas nuvens, a partida com os turcos teve pelo menos o condão de obrigar a um regresso à terra e a uma realidade onde nada cai do céu e tudo tem de ser conquistado palmo a palmo, com sangue, suor e lágrimas.
Hoje, a partir do meio-dia, quando a sorte andar à roda na Suíça, o Benfica deve fazer figas para ser bafejado pela sorte. Dos quinze potenciais adversários, os politicamente correctos poderão dizer que todos são iguais, mas a verdade é que uns são mais iguais que os outros...

PS - O TAD aceitou a providência cautelar do Benfica, no caso da interdição da Luz. Sem qualquer surpresa."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O Delgado parece-me que está a 'tentar' recuperar uma velha tradição d'A Bola!!! Os mais novos podem não se recordar, mas antigamente, quando o Benfica entrava numa sequência de bons resultados, e a euforia se começava-se a instalar... havia sempre um ou dois jornalistas Benfiquistas, que ao mínimo 'relaxe', 'cascavam' na equipa de 'baixo acima'...
O Alfredo Farinha, chegou a confessar: era necessário 'picar' os jogadores, para eles não entrarem nos jogos, a pensar que já estava ganho!!!

A bênção. E a sina!

"A esperteza de Bruno Lage e o contraste com algumas incoerentes opções de Keizer

Na Turquia, o Benfica foi quase sempre uma equipa melhor sem bola do que com bola. Foi melhor sem bola porque mesmo os mais jovens jogadores encarnados têm muita escola e sabem tacticamente muito dos diferentes momentos do jogo e são muito solidários a defender. E foi pior com bola por maior imaturidade e menor experiência daquele eixo central do meio-campo mas também pela menor capacidade de construir a partir de trás, com a alteração surpreendente que o treinador fez também dos dois laterais. Foi o Benfica em Istambul uma equipa bem mais incapaz de controlar o jogo, o que não surpreendeu, apesar de tudo lhe ter corrido tão bem e bem melhor do que qualquer encomenda, como diz a sabedoria popular...
Agora, na Luz, a águia já foi bastante melhor com bola, também porque Bruno Lage arriscou bem menos, mantendo, creio que acertadamente, a estrutura defensiva, ao contrário do que tinha feito em Istambul, quando, recordo mais uma vez, decidiu jogar com Corchia e Yuri Ribeiro num onze que já surpreendia por ter Florentino e Gedson no chamado meio-campo defensivo.
Por ter mexido menos no onze, Bruno Lage garantiu, creio, uma equipa mais consistente com a bola e menos vulnerável do que foi no jogo da primeira mão, no qual duas ou três intervenções de Vlachodimos foram muitíssimo importantes, se bem se lembram, para o Benfica poder trazer para Lisboa a vantagem que lhe deu, afinal de contas,  conforto para o que veio a ser o sucesso numa eliminatória difícil, frente a um Galatasaray muito adulto e bem mais forte na estrutura física dos jogadores, como se viu, ao levarem vantagem sempre que o duelo se impunha mais físico do que técnico.
Seja como for, com mais ou menos risco, o que Bruno Lage está a conseguir, na verdade, mais do que recolocar a equipa no caminho do bom futebol, do futebol que agrada aos adeptos, daquele futebol (como nos tempos de Jesus) positivo, arriscado, ofensivo, que procura mandar no jogo, mais do que tudo isso, repito, o que Bruno Lage está a conseguir é devolver a confiança e o entusiasmo aos adeptos e a alegria e a autoestima aos jogadores. E isso, nos tempos que foram correndo pelos lados da Luz, é a bênção que, há mais ou menos dois meses, já poucos esperariam possível esta época.
Uma bênção que Lage está, para já, a saber construir, juntando algumas decisivas peças ao puzzle que é sempre o trabalho de um treinador de futebol, a começar pelo sinal de inteligência que deu ao fazer a equipa regressar ao 4x4x2 que foi sempre a marca do Benfica de Jorge Jesus (que tanto sucesso teve) e com o qual Rui Vitória conseguiu ganhar tudo o que ganhou na Luz.
Lembro aliás que quando decidiu alterá-lo para o 4x3x3, Vitória perdeu tudo o que tinha para perder. E acabou como acabou.
Lage não foi nisso. E o resultado já está à vista.
(...)

Julgo que foi Jorge Jesus francamente feliz (e sábio) na forma que encontrou para retratar um pouco o valor, o talento, o potencial do jovem João Félix, que tanto se tem mostrado à Europa do futebol sobretudo desde que Bruno Lage substituiu Rui Vitória no comando da equipa do Benfica. Disse Jesus mais ou menos isto, que o jovem Félix tão depressa parece ter coisas de Rui Costa, como parece ter coisas de Kaká, e é isso mesmo,, só mesmo alguém que sabe tanto de futebol como Jorge Jesus para retratar de forma tão feliz o talento de um jovem jogador que tem tanto para crescer como tem de potencial valor para se tornar no futuro uma das grandes figuras do futebol português.
Há, no entanto, algo que desde o princípio me impressiona no futebol de João Félix, que nunca vi, na realidade, no jogo de Rui Costa ou mesmo de Kaká, que é, por um lado, a capacidade de rematar com os dois pés - lembram-se do golo que não valeu em Alvalade, feito com o pé esquerdo?! -, e sobretudo, e muito em especial, o jogo de cabeça de Félix, que surpreende, e que nesse aspecto se aproxima mais de um João Vieira Pinto, que tinha, como todos se recordarão, além de muitos outros atributos, um exímio jogo aéreo quando se tratava de atacar em plena área adversária.
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Preparar futuro em cada presente

"A equipa técnica do Benfica criou um jogo eficaz, simples de analisar, difícil de obstaculizar

Sistema
1. Todas as equipas de futebol desenvolvem-se subordinadas ao conceito de sistema (conjunto de elementos em interacção). A equipa de futebol não é a soma das capacidades e particularidades dos seus vários jogadores, mas sim a sua interacção comportamental no âmbito de uma dinâmica emergente.

Jogadores
2. Há individualidades que sobressaem, mas estas, apesar das suas enormes capacidades, sem o contributo dos colegas não poderão exprimir todo o seu potencial de rendimento. É compreensível a tendência de glorificação das capacidades de cada jogador, todavia, o jogo de futebol não tem esse objectivo, pois prejudica a equipa como dimensão colectiva.

Organização
3. O futebol é um jogo de enorme complexidade, daí que torna-se essencial torná-lo simples e eficaz. Criando e produzindo constantemente algo de novo induzido e proporcionado por uma intencionalidade, para se atingir em determinado resultado, quando em competição.

Transformação
4. A nova equipa técnica do Benfica soube conjugar os três elementos referidos (Sistema + Jogadores + Organização), criando um jogo ofensivo e defensivo eficaz, simples de analisar mas difícil de obstaculizar.

Ataque
5. Avançados (Seferovic e Félix) que se deslocam do corredor central para o espaço dos laterais adversários. Médios ala (Pizzi e Cervi) que jogam por dentro e por fora conjugando essa acção com os avançados e defesas laterais (André e Grimaldo) sempre preparados para o jogo exterior. Para que tudo isto funcione é essencial equilibrar a equipa preparando-se para circular a bola (Rúben + Ferro) e (Florentino + Gedson) atacar segundas bolas, reacção à perda e reorganização do processo defensivo.

Defesa
6. O Benfica defende quando ainda tem a bola, quando a perde o processo começa bem longe da sua baliza, envolvendo todos os jogadores, agressividade, equipa compacta, formando e saindo rapidamente das zonas de pressão. Neste jogo, estrategicamente baixou o bloco, em especial, quando o adversário utilizou o jogo longo na direcção dos elementos de maior dimensão física.

Maturidade
7. A maturidade futebolística não é função da idade, mas sim da qualidade de treino, da competição, das condições, de experiências significativas proporcionadas a cada jogador que as transformam à sua personalidade. É a fórmula reconhecida na formação dos jogadores, que o diga Rúben, Félix, Ferro, Florentino, Gedson, etc. A fórmula é preparar o futuro em cada presente."

Jorge Castelo, in A Bola

Níveis de competência

"Numa competição desportiva os concorrentes devem participar em função do seu desempenho desportivo, o direito adquirido para estarem presentes, mas também tendo em conta os níveis de competência e requisitos necessários para o nível dessa competição. O equilíbrio competitivo é a base para o sucesso de uma competição de elite. Promover esse equilíbrio é o segredo da gestão dessa mesma competição. Quando os quadros competitivos são fechados, uma solução que não é praticada entre nós, torna-se bem mais fácil controlar os níveis de desempenho e os respectivos requisitos de participação. Com quadros competitivos abertos, com subidas e descidas de divisão, esta questão ganha uma outra dimensão. Ela própria pode influenciar a melhoria, ou retrocesso, do nível competitivo. Quando temos uma percentagem muito alta de equipas que descem de divisão, ou estamos num processo de redução do número de participantes na prova ou essa excessiva redução não garante que todos as equipas que descem sejam inferiores às que sobem. O que todos pretendemos é melhorar o nível da prova, independentemente do escalão etário. Criar níveis de competência nos diversos campeonatos significa passo importante para o equilíbrio da competição e a criação de novos desafios para os concorrentes. O primeiro objectivo é sempre o desenvolvimento do praticante, e consequentemente da própria equipa. Não há jogador que atinja o seu rendimento máximo com desafios menores. As equipas podem ganhar competições, porque são superiores, mas só crescem se os seus opositores tiverem capacidade de lhes criar dificuldades. Isto é válido para todos os níveis e todas as competições. Este é um grande desafio para o futebol, nacional e internacional. Porque ao mesmo tempo temos que assegurar a representatividade, local ou nacional, nas competições. Nunca esquecendo os níveis de competência necessários para participar nelas."

José Couceiro, in A Bola

Croácia: a glória no meio do caos (uma história para perceber o histórico Dínamo de Zagreb)

"Em pleno Mundial, o Expresso procurou perceber as razões por detrás do sucesso da selecção croata composta maioritariamente por jogadores formados no Dínamo de Zagreb, o clube todo-o-poderoso daquela zona dos Balcãs e próximo adversário do Benfica na Liga Europa.

Tentem imaginar a importância que tem o futebol para um povo que viu o ponto de ruptura da sua luta pela independência acontecer precisamente num jogo de futebol. Vamos recuar a 13 de maio de 1990. Nesse dia, Dínamo Zagreb e Estrela Vermelha de Belgrado jogavam na capital da então República Socialista da Croácia, para a liga jugoslava, poucas semanas após os independentistas croatas terem vencido as primeiras eleições multipartidárias no território em quase 50 anos.
A tensão entre adeptos sérvios e croatas rapidamente se transformou num multitudinário motim. Entre gritos de “Zagreb é Sérvia”, pedras atiradas pelos adeptos do Dínamo, a resposta à facada dos sérvios e o gás pimenta atirado pela polícia, o relvado tornou-se um campo de batalha. Não houve mortos, mas houve feridos. E a partir daquele jogo, a ferida aberta do ódio nunca mais fechou. A Croácia declararia a independência em Junho de 1991, mas a guerra com a Sérvia arrastou-se até 1995.
Boa parte dos 23 jogadores croatas que amanhã, a partir das 16 horas, vão tentar tornar-se campeões mundiais frente à França nasceram antes ou durante a guerra. Luka Modric, talvez o melhor jogador deste Mundial, o médio que, como tão bem apontou Jorge Valdano, “enche o campo de senso comum”, viu as milícias sérvias matarem-lhe o avô e outros seis familiares. O médio do Real Madrid tornou-se refugiado e passou a infância a viver em hotéis na cidade de Zadar. A família de Dejan Lovren fugiu para a Alemanha, onde o central viveu até aos 10 anos. Foi também na Alemanha que se refugiou a família de Mario Mandzukic, o homem que marcou o golo que derrotou a Inglaterra nas meias-finais e deu a este país com menos de 30 anos e pouco mais de 4 milhões de habitantes uma inédita e, diz-se por Zagreb, miraculosa ida a uma final de um Mundial.
A Croácia poderá tornar-se o 2º país com menos população a vencer um Mundial, depois do Uruguai em 1930 e 1950. É um pequeno país no Leste europeu, ainda a lamber as feridas da guerra. No ranking FIFA, o país balcânico começou o Mundial na 20ª posição. Por si só, isto tornaria o sucesso da Croácia admirável, mas esta caminhada é ainda mais improvável. Não é por estarmos a falar de uma pequena e jovem nação que o feito é visto como um milagre: é porque o futebol no país vive mergulhado num verdadeiro caos, onde impera a corrupção, a instabilidade, a falta de infraestruturas modernas e em que várias estrelas da selecção não são vistas com bons olhos pelos próprios compatriotas, que se dividem entre os que exultam com as conquistas da selecção e os que não esquecem, nem querem esquecer, aquilo que acreditam ser um sistema que está longe de ser limpo.

O Escândalo que Divide o País
O sucesso da Croácia não é de agora — esteve em 10 das 12 últimas grandes competições, algo que só tem paralelo neste campeonato de pequenos países com Portugal — e parece explicar-se com um misto de talento e improvisação. Para chegar ao Mundial, o caminho foi mais do que tumultuoso. Zlatko Dalic, o actual seleccionador, chegou como interino antes do último jogo de qualificação, frente à Ucrânia, depois da federação despedir Ante Cacic devido aos maus resultados. Dalic encontrou-se com os jogadores pela primeira vez no aeroporto, antes da equipa embarcar para Kiev. A Croácia venceu por 2-0 e conseguiu um lugar no playoff, onde bateria a Grécia.
Sem um plano ou um sistema coesos a nível federativo, o futebol croata apoia-se no trabalho do Dínamo Zagreb, clube da capital, fortemente financiado pela autarquia, para onde convergem os melhores treinadores e jogadores — dos 23 convocados da Croácia, 14 foram lá formados.
É o dominador do futebol croata, mas estabilidade é palavra não conhecida no estádio Maksimir. Nos últimos 13 anos, o clube despediu 17 treinadores.
E se hoje a Croácia se divide entre aqueles que apoiam a selecção e aqueles que só a querem ver perder, a culpa também é do Dínamo Zagreb. Ou melhor, do homem que liderou o Dínamo de 2003 até 2016, Zdravko Mamic. Alguns dias antes do Mundial, Mamic, que chegou a ser também vice-presidente da federação, foi condenado a seis anos e meio de prisão por fraude relacionada com transferências de jogadores. No total, Mamic, que entretanto fugiu para a Bósnia, apoderou-se de mais de €15 milhões do clube, numa teia de interesses e influências que arrastou, por exemplo, Dejan Lovren e Luka Modric. Ambos estão a ser investigados e Modric irá a tribunal acusado de perjúrio, depois de ter mudado o seu testemunho no julgamento de Mamic.
A defesa de Modric a Mamic caiu muito mal numa parte dos adeptos croatas, que começaram a ver o seu melhor jogador como alguém conivente com o statu quo, com a corrupção que grassa no país — o julgamento de Mamic, por exemplo, teve de ser mudado de Zagreb para Osijek devido às estreitas ligações entre o antigo dirigente e a justiça local. Muitos não perdoam o jogador e são esses os mesmos que amanhã, se Modric levantar a taça, não o vão aplaudir. “Aqueles que sempre se opuseram ao poder de Mamic nunca irão perdoar aquilo que ele fez ao futebol croata”, começa por nos dizer Juraj Vrdoljak, jornalista croata do canal Telesport, antes de nos dar um exemplo daquilo que é uma sociedade polarizada face à sua equipa nacional: “Minutos depois de nos qualificarmos para a final, recebi uma chamada de um amigo que costumava ser um ávido adepto da seleção. Mas desta vez a mensagem era: ‘Não consigo sequer ter raiva. Estou só terrivelmente triste.’ Enquanto boa parte de Zagreb festejava, ele foi dormir.”

Um Atraso de Décadas
Para lá dos escândalos, há outro fator que torna esta final altamente improvável: o atraso do país face às potências europeias em termos de infraestruturas. “São, em geral, bastante fracas. Só quatro equipas da liga têm relvados que cumprem os regulamentos da UEFA e o futebol de base é praticamente inexistente”, explica-nos Juraj Vrdoljak. Rúben Lima, lateral do Moreirense, que jogou entre 2011 e 2015 na liga croata, onde passou pelos três principais clubes (Hajduk Split, D. Zagreb e Rijeka), diz que “em termos de condições o Hajduk e o Dínamo são um bocadinho aquilo que o Sporting e o Benfica eram antes de serem construídos os centros de estágio e os estádios novos. Nessa altura treinava-se nos dois ou três campos que existiam à volta dos estádios antigos e nada mais. Na Croácia ainda é assim”.
E então como se explica que, no meio do caos, esta seleção tenha chegado a uma final de um Mundial? É sorte, é genética, é talento? Lima acredita que o facto de os clubes croatas apostarem cedo nos talentos, que rapidamente saltam com sucesso para os grande campeonatos europeus, pode explicar alguma coisa. “São jogadores muito evoluídos tecnicamente”, conta-nos. Já Vrdoljak diz que “as questões genéticas terão um papel importante no sucesso”, mas aponta algo mais, que pode estar relacionado com aquilo a que boa parte destes jogadores assistiram durante os anos de guerra, violência e privação. “O que leva os jogadores mais longe? A necessidade de vencer apesar de todos os obstáculos que tiveram pelo caminho”. E isso não se ensina nas academias."

Benfica

"O Benfica, com a inteligência e sagacidade de Bruno Lage, pratica um futebol fácil que desnorteia qualquer equipa.
Arrisca com jogadores jovens sem experiência aparente, mas com confiança que o respeitam e colocam tudo o que têm em campo. O Benfica joga para a frente com velocidade e com pulmão.
Há jogadores como João Félix, Rúben Dias, Ferro, Gedson, Florentino Luís feitos no Benfica que desejam chegar a um lugar que faça história.
Bruno Lage crê nos jogadores, não estamos habituados, mas tem grande importância um treinador que se relacione muito bem com o balneário. Bruno Lage sabe muito bem manejar o balneário, daí, advém o seu êxito.
Há respeito pelo jogador e pelo seu talento independentemente da sua idade, um reconhecimento que um jogador necessita de certa liberdade para assumir as suas responsabilidades e o seu modo de jogar.
O Benfica actual, não distingue os jogadores pela sua idade e pelos títulos conquistados, todos são iguais com as suas diferenças e na sua utilidade para o jogo. O maior elogio que se pode fazer ao Benfica é a forma de estar e de se relacionar com os jogadores de Bruno Lage.
Essa inteligência, mais do que todos os métodos, é a sua mais-valia, sem espaventos de triunfalismo e com humildade que é algo que muitas vezes falta ao clube da capital. Não vende tantos jornais e não está sempre na imprensa, mas os resultados e as exibições são o seu cartão de visita.
Um meio campo consistente e a favor da liberdade, o Benfica está em franca recuperação e o treinador está comprometido com a equipa.
Todavia, o Porto vai à frente, a falta de Marega obrigou Sérgio Conceição a ajustes no ataque, assim como, pôr no banco Pepe, num momento menos bom. Contudo, Pepe está a jogar do lado esquerdo sendo ele do lado direito da defesa.
Vamos ter um campeonato com um final de muito interesse e renhido, com o Porto na frente e o Benfica na sua perseguição. O jogo Porto-Benfica, a disputar no primeiro fim-de-semana de Março, será considerado o jogo do ano.
Esperemos que haja futebol e as vedetas sejam os jogadores sem casos.
Entretanto, esta 5.ªfeira o Benfica recebe o Galatasaray para a Liga Europa e tem a vantagem de ter vencido na Turquia 2-1. O Porto na Liga dos Campeões, perdeu em Roma 2-1 e pode rectificar esse resultado.

Nota: a Juventus comprometeu o seu apuramento ao perder 2-0 com o Atlético de Madrid. Ronaldo não foi feliz."