Últimas indefectivações

sábado, 20 de agosto de 2016

A 9 segundos de ter condições

"Sendo jornalista na área do desporto tenho obrigação de ter boa cultura desportiva. E tenho. Há, porém, determinadas matérias ou modalidades, como o taekwondo, a canoagem ou o badminton, sobre as quais eu, estando capacitado para as tratar ao nível da notícia ou da reportagem, evito em registos de opinião, como este, pois aí poderiam resultar ideias infundadas.
Posso, contudo, estruturar um juízo sobre o discurso dos atletas depois das provas nos Jogos e sobre a forma como reagem às criticas vulgares do 'vão lá para quê se não ganham medalhas' com o, também costumeiro, 'se querem medalhas deem-nos atenção e condições'. Nenhuma destas abordagens me parece certa. A exigência de medalhas em provas impossíveis é insensata, mas aos atletas cabe também a responsabilidade de evitar este refúgio fácil da falta de condições.
Peguemos no exemplo do triatleta João Pereira, admirável quinto classificado, a 9 segundos do pódio, que no final disse: «Medalhas? Tem de haver condições». Não duvido que Pereira dei o melhor. Muito menos que é atleta de elite e que merece respeito e aplauso. Mesmo sem medalhas, é o quinto do Mundo, estatuto que a maior parte de nós jamais terá no que quer que seja. Eu aspiro, com sorte, a melhor pai do Mundo.
Mas, sabendo que os casos são todos diferentes, também se pergunta: alguém que é quinto a 9 segundos do pódio terá assim fracas condições para praticar a modalidade? Uma diferença tão exígua não se justificará pelos contextos da competição? Se tivesse sido 9 segundos mais rápido, em prova de 1.45.51 horas, as condições já seriam suficientes?
Uma nota final: dos 92 atletas portugueses que foram aos Jogos, 22 trabalham no Benfica e 30 no Sporting, emblemas de ecletismo raríssimo à escala mundial. E não são clubes com más condições. Não misturemos tudo."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Realismo

"Acredito que, como eu, existam muitos apaixonados por desporto satisfeitos com o rendimento da Missão portuguesa nos Jogos do Rio! Atleta e equipas têm respeitado, orgulhado e honrado o bom nome de Portugal, fazendo mais do que é possível e deixando tudo o que têm. No palco dos Jogos Olímpicos todos os atletas, salvo raras excepções, independentemente do estatuto amador ou profissional, dimensão geográfica ou socioeconómica têm ambição, motivação e nível de entrega no expoente máximo. Ninguém facilita! Mesmo consistente, conhecedor da realidade, das eternas e inultrapassáveis dificuldades estruturais e dirigentes do desporto de alto rendimento em Portugal continuo a ficar chocado quando oiço que existem atletas que pagam para representar Portugal nos Europeus, Mundiais e Olímpicos.
Veja-se o caso de Rui Bragança (taekwondo), com honroso 9.º lugar: «Não peço mais dinheiro aos meus pais...» Ou o desabafo de João Pereira, que após histórico 5.º lugar no triatlo, reclamou as diferenças na qualidade e quantidade de meios de preparação: «Lutar por medalhas é complicado com as condições que temos.»
Em vez de criticar/desprezar os resultados demo-nos ao trabalho de conhecer o contexto dos atletas: um País com falta de cultura desportiva, de entendimento competitivo (da formação ao alto rendimento), de planeamento estratégico, com infra-estruturas de prática limitadas, às vezes mal geridas, e com poucos atletas de dimensão olímpica.
Olhar para o exemplo da canoagem, atletismo e judo na criação de caminho colectivo consistente (mesmo com indesejáveis obstáculos internos) para aspirar lutar por medalhas e fazer apostas nos atletas certos pode ser bom caminho. Nem todos os que competem têm potencial para ganhar medalhas, mesmo que seja a sua crença! A quem aspira este nível só se pode exigir o compromisso de treino duríssimo e sem desculpas! Os que o fazem estarão às portas das medalhas, com resultados de excelência! No desporto não se mede como se começa, mas como se acaba.
Desejo que a canoagem conquiste hoje a medalha, em K4, pela qual tanto trabalhou!"

Tomaz Morais, in A Bola

Benfiquismo (CXCIX)

Um senhor...

Um banco muito valioso

"Até ao dia 31 de Agosto, fecho do mercado, não há plantel que possa dar aos adeptos certezas absolutas de nada. Ainda assim, o Benfica tem soluções várias, e serão os benfiquistas, entre os candidatos ao título do nosso campeonato, os adeptos menos desesperados com este fecho de mercado. Tondela mostrou isso mesmo, saltaram do banco para resolver o jogo (Lisandro e Samaris) soluções de qualidade.
Como ironizava com um amigo, vendo bem os balanços e resultados financeiros de alguns Bancos Portugueses, o nosso (banco em Tondela) com Lisandro, Carrillo, Salvio, Samaris, Raúl Jiménez, era dos mais valiosos, e passa nos testes de stress dos adeptos mais exigentes. No Sporting não se sabe quem entra e quem sai, e no Porto são evidentes algumas necessidades, que só uma Roma reduzida a 10 não tornou mais notórias. Rúben Neves chorou por não entrar, mas alguns dos que entraram prometem fazer chorar os adeptos se não saírem do onze.
Não me lembro de ter vencido fora na primeira jornada do campeonato, nos últimos 15 anos foi coisa muito rara. Foi excelente e difícil a vitória em Tondela, num jogo competitivo e com uma agressividade elevada. Todos os (4) candidatos venceram em jogos de alguns sustos. Será assim neste início de campeonato, porque decisivo é vencer, e será assim também no Domingo. O Benfica tem contra o Vitória de Setúbal um jogo que a pré-época já mostrou ser complicado.
Na próxima semana é certo que estaremos no Mónaco como cabeças de série, Pote 1, para mais uma Liga dos Campeões. Se para o ano estivermos no Pote 1, isso significa que esta época foi fantástica, pois aí estão os melhores e que venceram os seus campeonatos. Num país periférico, pobre, e cujo panorama desportivo está à mostra no Rio de Janeiro, o Benfica ser a sexta melhor equipa da Europa, de forma consistente, é motivo de orgulho."

Sílvio Cervan, in A Bola

Bom início de temporada

"Escrevo esta crónica em Amesterdão, onde o Benfica se sagrou bicampeão europeu numa das melhores finais de sempre da Taça dos Clubes Campeões Europeus, e em que, entre os apanha-bolas, constava, ainda adolescente, um tal de Johan Cruyff. Considerado um Deus do futebol, nomeadamente na Holanda e na Catalunha, notabilizou-se pelas mais variadas razões, incluindo a capacidade invulgar para a criação de máximas futebolísticas.
Das muitas que nos deixou, destaco aqui aquela em que compara as equipas ganhadoras com garrafas de água com gás. O holandês defendia que ganhar poderá representar uma ameaça no futuro imediato. É como tirar a tampa de uma garrafa de água gaseificada por breves minutos, deixa de estar 100%. Mérito, portanto, para a equipa técnica e atletas da nossa equipa de futebol que, pelo empenho demonstrado neste início de temporada, contrariam um dos maiores pensadores do futebol moderno. Pelo caminho, foram conseguidos o troféu da Supertaça e a primeira vitória fora de portas na jornada inaugural desde há doze anos, consequências do tal empenho que, geralmente, assegurada que esteja a qualidade dos nossos protagonistas, como está, faz a diferença.
Na base desta postura está a mentalidade competitiva, a vontade indómita da busca pela glória, a rejeição da acomodação, o apetite voraz por triunfos... numa expressão, a 'mística benfiquista'. E foi nela que pensei quando visitei o estádio olímpico de Amesterdão; conferi, minuto a minuto no telemóvel, o desenrolar da partida que nos opôs ao Tondela; ou ainda ao ouvir o meu pai dizer-me pelo telemóvel 'Grande golo do André Horta, ganhámos 2-0' em vez do convencional 'Olá, estás bom?'."

João Tomaz, in O Benfica

Não quero acreditar

"No momento em que escrevo esta crónica não sei se o capitão da equipa principal de futebol do SL Benfica vai continuar ou não no Clube. Ao longo dos anos já nos habituámos a notícias estapafúrdias e bombásticas ligadas ao Clube. Umas - poucas - são verdade. Outras - muitas - são quase sempre mentira, falhas de informação, resultado de pouco profissionalismo ou favores a empresários, clubes e adversários.
Todos os anos assistimos a este carrossel de entradas e saídas do clube, nomes atrás de nomes que deixam qualquer adepto confuso.
Como já escrevi, não sei se Luisão vai ou não para o Wolverhampton, como anda a ser propagado, qual foco de incêndio, mas não posso deixar de questionar a situação.
Até chegar, ou não, a confirmação oficial, tenho que agradecer o que o Girafa fez pelo SL Benfica. Tenho a certeza que Luisão sabe o que o SL Benfica fez por ele. Esta é uma relação boa para ambas as partes. Foi, tem-no sido e espero que continue a ser.
São 17 troféus conquistados, entre eles cinco campeonatos nacionais, para além de Taças de Portugal, Taças da Liga, Supertaças e duas finais da Liga Europa.
É o capitão da história do SL Benfica com mais jogos disputados com a braçadeira.
Catorze anos não são 14 meses. Seja qual for a decisão, saindo ou ficando, Luisão já não sai da História do Sport Lisboa e Benfica. Tem um lugar guardado no coração dos adeptos e o respeito de colegas e de adversários.
Tem um espaço muito importante na minha memória desde 2005, quando saltou mais alto do que as mãos do guarda-redes Ricardo para nos dar, aos benfiquistas, o título dessa época. Obrigado e até já, Luisão. Se for o caso."

Ricardo Santos, in O Benfica

Eu avisei...!!!

"(...)
“Temos que nos fazer ouvir”
Já Alípio Matos, começou por abordar algumas situações que marcaram o último Campeonato e que terão ainda repercussões no início da nova época. O coordenador da secção denunciou um "conjunto de situações caricatas e incompreensíveis", relacionadas com os regulamentos aplicados pela Federação e também com os jogos das finais da última época entre Benfica e Sporting.
Alípio Matos lembrou o caso de Bruno Coelho que descreveu como “surreal”. Recorde-se que o jogador foi suspenso pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol duas horas antes do terceiro dérbi da final do Campeonato.
“Acontece que o Bruno Coelho foi castigado um jogo, foi agredido e o Conselho de Disciplina decidiu dizer que o atleta podia ter jogado no terceiro jogo. Nesse dia, os delegados da federação mandaram o Bruno Coelho para a bancada”, explicou, mostrando indignação para os novos factos: “Pelos vistos podia ter jogado e não jogou e terá agora de cumprir esse jogo na Supertaça.”
“Estamos sobretudo tristes. Estas situações criam mal-estar. Tem de haver credibilidade no Futsal português e nós temos de nos fazer ouvir”, concluiu, manifestando ainda a sua indignação relativamente a uma decisão unânime dos clubes mas que acabou por não ser “nada daquilo que os clubes quiseram.”
“Têm acontecido algumas coisas, ao nível dos gabinetes, que nos têm desagradado bastante e que temos alguma dificuldade em conseguir entender. No início da época, 11 entre 12 clubes da Liga foram unânimes em aceitar que as equipas teriam que ter obrigatoriamente sete elementos formados localmente na ficha de jogo, onde só poderiam jogar cinco que não o eram. Benfica podia ter mais estrangeiros dos que tem agora, mas preparámos a época consoante esse limite. O que aconteceu, à posteriori, foi que as regras mudaram. Não sabemos porquê… O que fica é nada daquilo que os clubes quiseram”, explicou.
“Todas as provas oficiais tinham esta regra. Agora, pelos vistos, só há limite no Campeonato. Isto é uma situação gravíssima. Como é que é possível os juristas passarem erradamente para o papel o que estava estipulado pela direcção da Federação e pelos clubes? É inaceitável”, reforçou."


Pois é, eu avisei!!!
No final da temporada passada - quando já se pré-anunciavam milhares de contratações para os Lagartos -, que íamos ter falcatrua nos regulamentos!!! E foi isso que aconteceu...
O texto do regulamento, foi completamente desvirtuado... e deixo outro aviso ao Alípio Matos:
Mesmo no Campeonato, o regulamento não é claro, pois só fala em Multas e em Perda de Pontos, e quando chegarmos aos Play-off's não existem pontos!!!
Portanto suspeito que os Lagartos no Play-off vão usar todos os estrangeiros...

Isto vai ser muito complicado...

Benfica 1 - 1 Gil Vicente
Heri


Fomos sempre melhores, mais uma vez fomos roubados (golo mal anulado que daria o 2-0...), e depois sofremos golo do empate ao minuto 95... de forma algo infantil!!!
3 jogos neste campeonato, 3 arbitragens surreais...!!!

Vamos a eles...

João Ribeiro na tripulação do K4 1000m, com Fernando Pimenta, Emanuel Silva e David Fernandes, qualificaram-se com alguma 'facilidade' para a Final... Não são favoritos, mas estão na luta...

Ainda sobre as 'algas' na prova do Fernando Pimenta, parece que o único que não se queixou foi mesmo o Espanhol... e a diferença de velocidade naquela parte final, parece mesmo indicar que houve muita sujidade em algumas pistas!!! É inacreditável, uma situação destas acontecer numa Final Olímpica...!!!

O Pedro Isidro regressou aos Jogos Olímpicos, na prova dos 50 Km Marcha, para terminar no 32.º lugar, como melhor português, depois da desistência do João Vieira... O estreante Miguel Carvalho foi 36.º, as condições climatéricas não permitiram grandes tempos...

PS: Parabéns à Ana Cabecinha pelo 6.º lugar nos 20 Km Marcha, a Inês Henriques foi 12.ª e a Daniela Cardoso 37.ª!
A avaliação da legalidade da Marcha é sempre subjectiva, mas aquelas duas voltas finais, com as chinesas e a Mexicana ao ataque, foi uma corrida de 2 Km... mas nada foi marcado!!!

O preço

"Nunca é fácil gerir o fim de ciclo de um jogador, sobretudo de um jogador como Luisão. Exige sensibilidade e bom sendo.

Nunca será fácil, ou facilmente resolvido, o final de ciclo de um jogador de futebol. O caso de Luisão não foge, obviamente, a essa regra. Já se tinha previsto que estaria próximo o fim do ciclo de Luisão no Benfica. Normal. Já são 13 - para 14 - as épocas de Luisão na Luz, quase 500 jogos oficiais e quase 50 golos, mais 5 títulos de campeão nacional, 2 Taças de Portugal, 7 Taças da Liga e 3 Supertaças e ainda duas finais da Liga Europa.
Impossível não reconhecer que Luisão deu muito ao Benfica, como é impossível não reconhecer (sobretudo ele próprio) que o Benfica deu muito a Luisão.
É um dos jogadores mais bem pagos do plantel, é o capitão de equipa, é hoje, de longe, o que tem mais experiência do clube e isso também lhe dá um estatuto que na maioria das vezes só mesmo o tempo costuma permitir.
Dir-se-á que perante isso, Luisão ganhou dimensão de figura suficiente importante para não ser empurrado para fora da Luz, que é um bocadinho o que pode parecer esta estranha situação de que se fala que poderá levar Luisão ao Wolverhampton, da segunda liga inglesa. Pode, na verdade, não estar Luisão a ser empurrado, mas é o que parece.

Se é verdade que nunca é fácil gerir o fim de ciclo de um jogador, é sobretudo ainda mais difícil quando se trata de um jogador com o tal estatuto de Luisão, como não foi fácil gerir o fim de ciclo de Nuno Gomes na Luz, ou por exemplo o de Jorge Costa no Dragão... como estamos todos recordados, só para citar casos de jogadores-símbolos nas respectivas equipas.
Começa logo por ser difícil pela dificuldade de qualquer jogador reconhecer estar chegado o final de carreira, o que é humano e acontece certamente um pouco com cada um de nós, por mais diferentes que sejam os cenários de reforma profissional.
Além disso, para quem ganhou estatuto tão distinto, também não será fácil a um jogador assumir um novo e tão secundário plano. É a vida, e Luisão, como todos os outros, deverá saber aceitá-lo. Mas isso, por si só, não resolve tudo.

Quando quis pôr fim ao ciclo também de um capitão, o FC Porto chegou a empurrar Jorge Costa, primeiro, para o modesto Charlton, de Inglaterra (de onde seria resgatado de volta por Mourinho), e mais tarde, por fim, para o Standard de Liège, da Bélgica, onde Jorge Costa viria a terminar a brilhante carreira de jogador.
Aos 35 anos, depois de tanto jogo, de muitas glórias e algum insucesso, depois de tanta alegria e sobretudo a tristeza de algumas lesões, Luisão já não pode ser o mesmo, e não mais será certamente o mesmo que foi sobretudo há duas épocas, quando teve, então ainda sob o comando de Jorge Jesus, talvez um dos seus melhores anos ao serviço do Benfica, esgotando, por assim dizer, todos os seus limites, com a conquista do bicampeonato.
Reconhecidamente fortíssimo do ponto de vista do carácter competitivo e reconhecidamente um grandíssimo profissional (por muito que se possa discutir a sua personalidade), Luisão leva tempo suficiente de Benfica para merecer não ser empurrado de qualquer maneira para fora da Luz.
Julgará o Benfica que na impossibilidade de jogar tanto como quereria possa Luisão tornar-se mais problema do que solução, e na realidade foi possível notar na última época algum amuo por ter ficado no banco após recuperar de lesão, uma vez que o jovem Lindelof dava, e de que maneira, conta do recado no lugar do capitão.

Por saber que é desejável que esta época Lindelof possa continuar a dupla com Jardel ou mesmo eventualmente Lisandro Lopez, talvez tenham os responsáveis do Benfica sido levados a precipitar a possibilidade de resolver o problema com a saída de Luisão.
O problema é que, pelo menos aparentemente, nem a solução - Wolverhampton, criada com a ajuda do agente Jorge Mendes, parece indicada para resolver o problema-Luisão, sobretudo se considerarmos a exigência financeira do internacional brasileiro, muito pesada, ao que parece, para as intenções do clube inglês.
Mas também porque desportivamente parece uma solução sem sentido.
Faria sentido que Luisão fosse ganhar ainda algum dinheiro que se visse para o futebol norte-americano ou chinês. Faria sentido embora sem a mesma recompensa financeira - uma solução que pudesse levar Luisão de regresso ao futebol brasileiro, onde a experiência dos seus 35 anos seria ainda importante mais-valia.
Ir para o Wolverhampton e para um campeonato secundário onde a exigência competitiva é, porém, tremenda, fará, seguramente, menos sentido a não ser que... muito bem paga. É, pelos vistos, o que Luisão pretende, esticando a corda o mais que pode, sabendo que está no último ano de contrato com o Benfica.
De fora, e bem à distância, parece-me que Luisão defende os legítimos interesses pessoais e parece-me que o Benfica se percipitou ao parecer dar como certa a saída do capitão e, sobretudo, ao deixar que se soltasse essa informação.
Não é fácil gerir o fim do ciclo de um jogador. E muito menos de um jogador como Luisão. Com o peso e a experiência de Luisão. E sobretudo com o conhecimento que Luisão tem do Benfica.
Exige cuidado e delicadeza. Exige elegância e esperteza. Exige sobretudo sensibilidade. E bom sendo. E sobretudo silêncio. Qualquer erro pode custar caro.
Às vezes, demasiado caro!"

João Bonzinho, in A Bola

Quem ganhou medalhas que atire a primeira pedra

"Somos um país que dá pouco e quer muito, mas mais grave do que isso não percebe o fenómeno.

De quatro em quatro anos há sempre esta discussão. Eterna. Não há medalhas, e os atletas queixam-se de falta de apoios.
De quatro em quatro anos, a pergunta mais importante fica sempre sem resposta.
Falta, para mim, olhar para o fenómeno na totalidade. Trata-se, primeiro, de uma questão de mentalidade. Olhamos realmente para o fenómeno desportivo pelo desporto? Ou melhor, será que temos um país que gosta mesmo de desporto e não se lembra disto apenas de quatro em quatro anos? 
A ligação às modalidades extra-futebol é cada vez mais instrumentalizada pelos clubes. O que interessa ao adepto é que o clube ganhe, e não se de facto gosta da modalidade em si. É paralelo ao que se passa no futebol: gosta-se do clube e muito pouco do jogo. É-se incapaz de apreciar os outros. Num patamar de atenção bem menor, os atletas – excepto os que convivem com eles, como família ou amigos – encontram-se sozinhos.
O erro – parece-me – estará nesta instrumentalização do desporto que, a justificar-se, começa demasiado cedo.
O desporto escolar é inexistente. O desporto universitário não tem uma dimensão competitiva real e abrangente. Logo, os clubes são chamados para saciar esta necessidade de crescimento.
O exemplo dos Estados Unidos é claro. Claro que não é só por isso, mas também o é. O país é maior e rico, certo, mas também mais capaz de potenciar recursos. É inequívoco.
Depois, claro, há a crise e o dinheiro. Ou melhor, há uma crise e não há dinheiro. O investimento e os apoios escasseiam e na vida de um atleta é óbvio que são importantíssimos. Tal como as condições de treino, que estão longe de ser equivalentes em todas regiões do país e, mesmo em Lisboa, parecem não reunir tudo o necessário.
Há um parêntesis: apesar disto tudo, temos grandes atletas, de excelência, e que conseguem com apoios menores conquistar títulos mundiais e europeus. E que, depois, infelizmente, não reagem à altura do momento e perdem-se nos Jogos Olímpicos. Não podemos, nem devemos, baixar o nível de exigência.
Telma Monteiro é de bronze, e a verdade é que Nélson Évora (melhor marca pessoal do ano e numa fase um pouco longe do melhor momento da carreira) e Patrícia Mamona (duas vezes ultrapassou o seu melhor registo, recorde nacional) fizeram provas muito interessantes no triplo-salto, tal como João Pereira no triatlo e Emanuel Silva e João Ribeiro na canoagem. Houve quem obviamente não tivesse estado tão bem.
No geral, os resultados continuam fracos. E mesmo que, a partir de agora, se continue a trabalhar na perfeição em tudo o que não tem funcionado, daqui a quatro anos continuaremos fracos. Tal como daqui a oito. Quanto mais tempo passar sem respondermos à pergunta fundamental para mais tarde fica.
- Por que não conseguimos nós, portugueses, gostar de desporto?
Somos um país que dá pouco e quer muito, mas mais grave do que isso não percebe o fenómeno. Desde o berço."

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Portugueses diplomados

"Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não estão a correr bem a Portugal no que respeita a medalhas - para já, quando as hipóteses escasseiam (Luciana Diniz continua viva e há ainda a equipa de K4 1000 metros), vai valendo o bronze de Telma Monteiro -, mas o comportamento da generalidade dos atletas tem sido francamente satisfatório. Nélson Oliveira (Ciclismo), Fernando Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro (canoagem), João Pereira (triatlo), Marcos Freitas (ténis-de-mesa), Nélson Évora e Patrícia Mamona (atletismo) garantiram diplomas olímpicos, outorgados aos atletas que se classificam até ao oitavo posto, o que traduz uma aptidão competitiva muito acima da média. Mas a verdade, nua e crua, é que Portugal continua sem ser um país de desporto, os apoios são insuficientes e as queixas dos atletas multiplicam-se. Apesar da excelência do trabalho desenvolvido, por exemplo, na canoagem, da alta capacidade do judo nacional ou do ranking cimeiro do ténis-de-mesa, a evolução de Portugal no panorama geral - que existe - fica abaixo daquilo que a maior parte dos outros países evolui, e que aprofunda o fosso que nos separa deles.
É a estas magnas questões que o Governo deverá dar resposta. O que queremos para o desporto? Como se enquadra a escola? Que soluções para o Alto Rendimento?
De forma como forem respondidas estas perguntas ficaremos a saber o que nos espera em Tóquio daqui a quatro anos. Se a política não mudar, não será mais do mesmo, será menos do mesmo.

PS - Do que tenho visto no Rio de Janeiro, os atletas (alguma excepção só confirmará a regra) representaram bem Portugal, com sentido de responsabilidade e ambição."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Neste momento, com o 6.º lugar da Ana Cabecinha... e a final confirmada no K4 1000 amanhã, estes Jogos são os 2.ºs melhores de sempre, só atrás de Atenas, em relação aos Diplomados... e em Atenas tivemos um super-Francis Obikwelu!!!

Medalheiro

"Enquanto muitos portugueses anseiam por mais uma medalha lusa no Rio-2016, a Grã-Bretanha já soma 55 pódios, dos quais 21 são de ouro. Vale o surpreendente segundo lugar do medalheiro. Este resultado não é obra da sorte. Após Londres-2012, a Grã-Bretanha fixou o ambicionado objectivo de melhorar os seus fabulosos resultados nos Jogos Olímpicos que organizaram, nos quais atingiram 22 ouros. Para tal, reforçou o financiamento em mais de 10 por cento em relação ao ciclo de Londres-2012. Ao invés de distribuir dinheiro sem critério, a UK Sport, responsável pela alocação dos recursos financeiros públicos, estabeleceu uma estratégia de reforço do financiamento às modalidades com real potencial de medalha. Procedeu ainda a uma reformulação e reestruturação completa das organizações, com a integração de profissionais em instituições constituídas maioritariamente por voluntários.
A Holanda, pais com 16 milhões de habitantes, fixou no início do ciclo do Rio-2016 entrar no top 10 do medalheiro, com modalidades estratégicas e atletas profissionais. Neste momento está em nono lugar com oito ouros num total de 15 medalhas.

Todos os portugueses querem mais medalhas. Todos mesmo? Será que o nosso sistema desportivo tem capacidade?? O nosso dirigismo sabe como lá chegar? A tutela tem noção do caminho? E fará sentido querer medalhas num dos países europeus com uma das mais baixas percentagens de prática desportiva? É a discussão recorrente a cada edição dos Jogos Olímpicos. Entretanto, há estratégias, relatórios, estudos... juntos, bem arrumadinhos, na gaveta. O pragmatismo dos ingleses e holandeses demonstra que a boa vontade e amor à camisola dos portugueses não chega. Eles apostam claramente nas medalhas, sem eclipsar ou menosprezar os projectos de desenvolvimento da prática desportiva de base - bem pelo contrário! Não há mais medalhas sem a base de uma boa cultura desportiva."


Mário Santos, in A Bola

Nova Loja...

Benfiquismo (CXCVIII)

Imponente...

Tanta preocupação com as novas camisolas todos os anos,
e a solução é tão fácil!!!!!!

Lixívia 1

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 3 (0) = 3
Sporting......... 3 (0) = 3
Corruptos.......3 (0) = 3


Tenho tido muito pouco tempo nas últimas semanas, quem esteve atento deve ter verificado que os post's diários, estão cada vez mais tardios!!! Sendo assim a Lixívia inaugural foi-se 'atrasando'!!!
O facto de não ter existido Casos graves nos jogos principais, ajudou...

O penalty em Vila do Conde a favor dos Corruptos, terá sido o único foco de discussão! O Otávio não caiu por causa do contacto, mas o braço do Marcelo estava lá...!!! É verdade que antes deste lance o novo central dos Corruptos, Filipe, empurrou com os dois braços um adversário, junto da área (seria um livre perigoso) e nada foi marcado... mas o Veríssimo tem que fazer pela vida!!!!!

Em Tondela além da habitual super-agressividade 'contra' o Benfica, tolerada pelo árbitro, nada de grave se passou...!!!!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Sporting(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar

Épocas anteriores:
2015-2016

Perto...

O Emanuel Silva no final da prova de canoagem, afirmou que o 4.º lugar, é o primeiros dos últimos!!! Por alguma razão, o conceito Medalhas ou nada, passou das capas dos jornais e das cabeças dos adeptos, para a cabeça dos atletas!!!! Já o professor Moniz Pereira, falava desta desvirtuação do mérito...!!! Quando entramos em qualquer competição é para ganhar... o 'primeiro' dos últimos, é o 2.º lugar, não é o 4.º !!! Compreendo que o estatuto de figura pública, para atletas que normalmente são 'anónimos' para a maioria da população, é definido por Medalhas... mas não devia ser!
Por exemplo, até agora, estes Jogos, estão a ser um dos JO com mais portugueses no Top-8: finalistas Olímpicos nas suas respectivas provas... Mas como só tivemos uma Medalha, a percepção é que a participação portuguesa está a ser uma desgraça...!!!

O 4.º lugar da dupla Emanuel Silva/João Ribeiro foi ingrato, principalmente devido aos 396 milésimos que os afastaram do pódio... Mas serem os 4.º do Mundo, nos Jogos Olímpicos, no K2 1000m, não os faz 'derrotados'!!!
Não sei se o Emanuel vai continuar a competir ao mais alto nível, ou se vai 'reformar-se', felizmente em Portugal, existem jovens com talento para continuar a trabalhar... mas seria importante o Emanuel continuar, é o verdadeiro 'capitão' da Selecção!
E agora, vamos ao K4 1000m, onde temos legítimas aspirações...

O 5.º lugar do João Pereira no Triatlo, é o melhor resultado masculino nos Jogos de um português, no Triatlo.. Mesmo assim, fiquei 'frustrado'!!!! O João podia ter lutado pelas Medalhas... com o João no primeiro grupo após a Natação, teria seguramente lutado pelo Ouro!!! Aliás, o tempo do segmento da Corrida, prova que pelo menos a Prata estaria garantida...!!!
Foi uma grande recuperação, ficou a 9 segundos do Bronze... mas podia ter sido melhor! Aos 29 anos, não será fácil evoluir na Natação, mas com os Brownlee é fundamental melhorar...
O 35.º lugar do João Silva reflecte o actual valor do Triatleta que em Londres 2012, ficou em 9.º!!! Independentemente das incidências da prova de hoje, as más decisões do João nos últimos 4 anos, são claras... se calhar, devia regressar à 'origem'!!!
O 44.º lugar do Miguel Arraiolos, deu-lhe experiência...

A Teresa Portela ficou em 3.º lugar na Final B, do K1 500m, ficando assim para a história com o 11.º lugar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016!

Péssima prova do Tsanko Arnaudov na qualificação do Lançamento do Peso!!! O primeiro nulo, até parecia que tinha distância para chegar aos 20 metros (a passagem à Final ficou nos 20,40m), mas este foi um daqueles dias onde o Tsanko não devia ter saído de casa...!!!
O Marcos Fortes, nos primeiros Jogos também esteve mal... e depois conseguiu várias Finais importantes... Vamos ver se o Tsanko 'aprende'!!!

PS1:Geração de valor
«Faltam já poucos dias para o encerramento do maior evento multidesportivo do planeta, este ano com uma das maiores representações portuguesas de sempre. Estão ainda alguns atletas em competição, pelo que não é momento para avaliações finais, mas a resistência e a capacidade de superação dos atletas nacionais fazem acreditar que o sucesso desportivo vai continuar, como demonstram o 4.º lugar alcançado hoje pela dupla João Ribeiro/Emanuel Silva e o 5.º de João Pereira. 
O Sport Lisboa e Benfica aproveita esta oportunidade para expressar enorme orgulho em todos os atletas do Benfica Olímpico e sublinhar a convicção que sente relativamente ao caminho há muito definido de recuperação da aposta eclética, com resultados visíveis e marcantes para o desporto português.
Telma Monteiro continua, para já, a ser a única portuguesa que alcançou a honra do pódio no Rio. Quem conseguiu ficar indiferente ao momento em que a judoca do Clube se emocionou com o bronze à vista?
Mas há muito mais. O canoísta João Ribeiro, fazendo dupla em K2 com Emanuel Silva, ficou a três décimas da medalha. João Pereira mostrou excelente forma no Triatlo (5.º). Nelson Évora, 6.º no Triplo Salto, continua a voar e é exemplo de resiliência, até para o País. Na mesma disciplina, Susana Costa estreou-se com um 9.º numa final olímpica. Teresa Portela 11.ª na canoagem e Dulce Félix em 16.º na Maratona merecem também particular destaque.
Sublinhe-se a gratidão a estes e a todos os outros que vestem a camisola nacional e optaram conscientemente pelo Benfica Olímpico. Apesar do apoio do Clube, o orgulho na qualidade destes atletas é do País.
O Sport Lisboa e Benfica promove a prática desportiva e participa ativamente na formação e apoio de atletas em muitas modalidades. O Clube acredita firmemente, também por isso, que existem fortes motivos para que todos se orgulhem da prestação dos atletas portugueses em geral nos Jogos Olímpicos de 2016.
Está à vista a importância do Comité Olímpico de Portugal e de todos os clubes no apoio ao Desporto e aos valores do Olimpismo. E sai evidenciada uma geração de grandes atletas que estão a honrar o País com muitos desempenhos de grande mérito, dentro do Top 10 no Rio de Janeiro: Fernando Pimenta, Patrícia Mamona, Nelson Oliveira, Rui Costa, José Carvalho... Estes e todos os outros estão de parabéns!
#EPluribusUnum #BenficaOlímpico»
Comunicado do SL Benfica


PS2: Nos últimos 10 anos, o duo EUA/Grã-Bretanha passou a produzir em quantidades industriais, atletas 'fenómenos', principalmente em modalidades, onde a resistência ao esforço é o factor decisivo!!! Antes, era raro encontrar um atleta destes países a lutar pelos lugares cimeiros nos grandes campeonatos nestas modalidades!!! Hoje, o domínio destes países, só não é total, porque os Etíopes e os Quenianos não deixam...!!! Mesmo assim, no atletismo as medalhas 'menores' vão quase sempre para estes países, em femininos ou masculinos!!!
Ao mesmo tempo, as Federações Internacionais, e 'luta' anti-doping a nível Mundial é liderada por dirigentes destes dois países: EUA/Gra-Bretanha!!!
Deve ser coincidência...

Não tenho nada contra o castigo aos Russos, tenho a certeza que eram e são batoteiros, o meu problema é que não são os únicos...!!!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Começar bem

"Acharam que a lesão e a ausência de Jonas seria adicional de motivação contra nós. Como se enganaram.

Tondela - Benfica
1. Em Tondela, uma grande vitória, num terreno difícil. Agora só faltam 33 finais, rumo ao Tetra! O Benfica mereceu ganhar, revelando uma forte capacidade de combate e de superação.
Uma boa exibição colectiva, com algumas exibições individuais. Onde se destacou André Horta, que marcou um grande golo - o da tranquilidade! Não tenho dúvidas de que irá brilhar com a camisola do seu (nosso) Benfica e que nos dará grandes alegrias.
Mas para alguns, também ele, durante meses, não terá lugar na Selecção, à semelhança do que disseram de Renato Sanches, por ser do Benfica (conhecemos o filme e sabemos como acaba).
Voltando ao jogo, a verdade é que ambas as equipas tiveram outras oportunidades de golo, embora a vitória do Benfica nunca tenha estado em causa. Até pelas oportunidades que o Tondela teve, ainda que não concretizadas, ora por falta de pontaria, ora por cortes da nossa defesa, ora, ainda, por grandes intervenções de Júlio César que, uma vez mais, fizeram a diferença e valeram pontos.
De facto, contra aquilo que alguns acham - por inveja, apenas, ou por malvadez - Júlio César continua a ser um grande guarda-redes, que dá pontos.
Na verdade - ao contrário de outros com os outros - o Tondela defrontou o Benfica com grande dignidade, encarando o jogo olhos nos olhos, sem medo, sem recorrer à estratégia mesquinha e feia (para o futebol-espectáculo) de adoptar uma postura fechada, com o habitual autocarro (ou muro, se quiserem, que não o das lamentações) na respectiva área, que tantas equipas seguem.
Foi uma equipa que demonstrou uma grande atitude em campo e que pautou o seu jogo com lógica, com querer, com ousadia e, até, com grande qualidade.
De Tondela, uma lição de humildade (do campeão!), com o aviso de que qualquer jogo lá não será fácil. Será, antes, um campo difícil de ultrapassar, com um adversário que causará grandes obstáculos!
Além disso, as próprias debilidades evidentes do relvado serão uma dificuldade acrescida, apesar de se poder reconhecer que o Estádio João Cardoso não estava tão mau quanto o esperado, durante a semana - a julgar pelas notícias trazidas a público, que reportavam a reparação do mesmo dias antes da recepção ao Benfica. No entanto, apesar de ser um relvado praticável, não está, de todo, em bom estado, pelo que, a manter-se assim, durante o inverno, criará dificuldades acrescidas a quem lá jogar nessa altura.


Contra os arautos da desgraça
2. Em Tondela, a confirmação de que, à imagem do que se viu na época passada, o Tondela foi uma equipa consistente, lutadora e muito trabalhadora, que criou inúmeras dificuldades.
O Sporting estreou-se lá, na época passada, e se não fosse um golo de penalty, no último minuto, numa jogada começada de forma irregular (até cansa falar de tanta estrelinha)... tinha empatado.
Mas o Tondela de Petir - recordemos, já agora - em 2015/16, empatou em Alvalade e foi às Antas ganhar. Assim como ao Estádio Dom Afonso Henriques e à Mata Real (onde venceu por 4-1).
De facto, o Tondela (uma das equipas que criou maiores dificuldades aos grandes e que mantém, grosso modo,a base da época passada) só poderia tentar ser um grande obstáculo ao Benfica.
Embora saibamos a mistificação em torno da primeira jornada do campeonato e o que isso significa nas contas finais de cada campeonato, porque, o que é importante não é como começa, mas como acaba.
Claro que para os outros, os profetas da desgraça alheia, o Benfica iria perder pontos em Tondela. Primeiro por ser em Tondela, depois por se tratar da primeira jornada do campeonato, e, por fim, por nos faltar Jonas, um jogador tantas vezes decisivo. Ora...as quase certezas deles deram lugar a uma vitória clara e justa do Benfica.
Achavam que a lesão de Jonas seria um adicional de motivação contra nós.
Como se enganaram.
De facto, é inegável que Jonas tem uma qualidade muito superior ao normal, o que lhe permite ser uma grande mais valia num plantel muito valioso. É, também, inegável que dentro do campo dá mais sentido posicional à equipa, tornando o jogo mais claro e com mais soluções. Para além de ser um jogador muito inteligente. No entanto, no Benfica não há jogadores insubstituíveis.
Nem titulares indiscutíveis.
Há, contudo, alguns jogadores que, pela sua qualidade, podem fazer a diferença em campo.
É o caso de Jonas!
O plantel está capacitado para qualquer situação, mesmo quando se trate de solucionar a ausência de um jogador fundamental. Por isso, Rui Vitória, na conferência de antevisão do jogo, referiu que «aqui não há dramas, há soluções».
Que diferença... lembram-se?
E a solução para Rui Vitória, no jogo frente ao Tondela, foi Gonçalo Guedes, que fez uma grande exibição, aproveitando da melhor forma a oportunidade que lhe foi dada.
Porque... as oportunidades são dadas.
Um jogo de grande entrega e de dedicação de Gonçalo Guedes, mostrando que é opção.
Moral da história, ou da jornada, neste início de campeonato sosseguem os arautos da desgraça, porque, aqui, não há dramas.
Porque todos queremos ganhar.

As expectativas para a nova época. Até ao fecho do mercado.
3. De Tondela (repita-se), o exemplo de humildade (de campeão!) e a lição da força que a convicção nos dá, para a conquista do tetra.
A convicção das bancadas - grande aliada no apoio de que delas surge, seja onde for, e em Tondela não foi excepção, com os bilhetes esgotados em uma hora - e dos que nos representam no relvado. A convicção, ainda, gravada no novo autocarro, «rumo ao tetra».
Bem sei que ainda é cedo e que as equipas estão longe da sua melhor forma. Ainda há muito para afinar e para combater, em cada jogo. Para que seja alcançada a estabilidade final. E que começará a ganhar contornos aquando do encerramento do mercado de transferências.
Até lá, muito pode acontecer.
Até aqui, ficou mais uma vez demonstrado que as novas aquisições foram cirúrgicas.
Ainda assim, independentemente do resultado do fecho do mercado, estamos preparados para o que vier.
Estamos, efectivamente, preparados para o que o mercado ditar.
Uma ou outra indefinição é própria dos grandes clubes europeus. E, sendo o Benfica um desses clubes, tem havido todo o cuidado para que sejam atenuados os reflexos dessas consequências de mercado. Com a certeza de que, se vier mais algum jogador, será uma das grandes contratações desta época. Pelo contrário, se não vier mais ninguém, os possíveis candidatos descobertos e captados pela imprensa serão irrelevantes.
Com a certeza, ainda, de que os jogadores que farão parte da constituição final deste plantel serão os melhores do mundo.
Porque, nós só queremos ganhar! Esse é o nosso objectivo, presente em todas as temporadas.
E esta época, quando a esse fim, será tão decisiva quanto as outras.
Porque aqui só as vitórias interessam. Para que, cada vez mais, possamos convencer, acreditar e liderar!
Muito melhores que os outros, cá dentro, iguais aos melhores, lá fora!
À Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Vítimas de sucesso?! Essa agora...

"Sucesso levaram ao topo mundial de vendas: €700 milhões no Dragão, €600 milhões, na Luz! Há, sim, vítimas de... insucesso: Sporting (largo anos) e FC Porto (agora). E não esqueçam  enorme contributo... da Selecção.

Potenciais «vítimas» de sucesso são todos os clubes que conquistam títulos - ainda mais se o fizeram frequentemente- Ou os que, numa rija disputa, muito perto ficaram de tal conseguir. Ou, ainda, mas de forma bem menos relevante, aqueles que, embora longe de grande sucesso, revelaram um ou outro jogador com alta qualidade.
Mas que é ser «vítima» de sucesso?
1 - No caso de quem andara a ganhar mais uma vezes do que os outros, cair em amolecimento, partindo do princípio de que o próximo êxito virá já a seguir... - consequente derrapagem da estrutural capacidade competitiva. Exemplos não faltam: à escala internacional, Milan, Manchester United...; por cá, o Benfica de muitos anos pós-décadas de ouro, e, bem recentemente, o FC Porto que, num ápice, desatou a derreter a sua hegemonia também de décadas.
2 - Súbito salto de futebolistas para estrelato de muito superior dimensão, tornando impossível mantê-los no clube, a curto ou médio prazos... É assim em todo o mundo do futebol, regra de que se exceptuam colossos, desde logo financeiros, como Barcelona e Real Madrid (tirar Messi, Neymar e Suarez ao Barça, ou Cristiano Ronaldo ao Real Madrid, só por híper decidida vontade do jogador... - e bem se sabe como, aí, e qualquer que seja a dimensão do clube, surge outra regra: a de a «vítima» pouquíssimo poder fazer...).
Continuando neste ponto de jogadores cruciais que, de repente, se tornam inseguráveis...
Problema do Sporting (João Mário, Slimani...; lá para Janeiro ou Julho, quiça William, Adrien, patrício, ou Gelson...).
Problema do Benfica, desde final da época anterior... (Gaitán e Renato Sanches logo partiram...). Aliás, problema do Benfica há mão cheia de anos... Dí Maria, David Luíz, Ramires, Javí Garcia, Witsel, Fábio Coentrão, Cardozo, Matic, Rodrigo, Markovic, Enzo Pérez, Oblak, Garay, Maxi Pereira, agora Gáitan e Renato...
Problema do FC Porto que ganhava...: Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Deco, Costinha, Maniche, Pepe, Anderson, Falcao, Hulk, Mangala, James Rodrígez, Alex Sandro, Danilo, Jackson Martínez...
Actual problema do SC Braga: Rafa e Boly.
Mas isto é ser «vítima» do sucesso?! Na última dúzia de anos, vendas portistas acima de €700 milhões (!) e vendas benfiquistas para lá de €600 milhões (!) são, sim, prémio ao sucesso. Recordes de vendas que nenhum outro clube, à escala mundial, terá atingido! Imprescindível prémio nas finanças de cada SAD, frise-se! Se tanto dinheiro reduziu ou não, substancialmente, os passivos, ou se foi, ou não, desbaratado... é outra conversa.
Vítima de insucesso tem sido o Sporting. E é agora o FC Porto. A mais valiosa venda do Sporting (Nani, €25,5 milhões) da ta de há 9 anos...; e a seguinte (João Moutinho, €14,5 milhões) ocorreu há 6 épocas... No FC Porto que deixou de ganhar, ninguém vale transferência choruda. Nem por Brahimi, quanto mais por Aboubakar e Indi - jogadores apontados a saída -, existe quem esteja disposto a pagar o que a SAD pede.
O Sporting muito bem sabe o preço de prolongadíssimo insucesso. O FC Porto está a conhecê-lo.

Falta frisar que  valor de mercado para João Mário, Rui Patrício, William e Adrien muitíssimo aumentou com o enorme sucesso... da Selecção Nacional. Essa que enorme cegueira clubista considera coisa secundária!


Mau arranque europeu do FC Porto. Muito mal na 1.ª parte, naturalmente melhor quando um adversário foi expulso, mas, mesmo tanto temo contra 10, curtinho... Ter de ganhar e Roma vai ser obra! Esperança, quiça mor, naquele defesa pouco italiano...; amontoar muitos lá atrás não foi defender bem...
O FC Porto já começara desastrosamente... Quando o seu presidente declarou não conhecer jogador que acabara de contratar!... E quando a estrutura portista quis inscrever na UEFA esse jogador, sujeitando-se a vexame na resposta: informamos ter de recusar porque ele em competição da UEFA já jogou nesta época. Céus!!!"

Santos Neves, in A Bola

PS: Esta crónica é uma resposta ao último delírio de Eduardo Barroso, que neste mesmo jornal, escreveu, que o Sporting está a ser vítima do seu próprio sucesso!!!!!!!!!!!!

Estrelas iminentes ou cadentes?

"Na crónica de 3.ª feira em A BOLA, Fernando Guerra abordou (bem, na minha opinião) o sempre glosado tema das expectativas perante jogadores que despontam.
Volto aqui ao assunto, como leigo incapaz de ver, num relance, o que outros extrapolam para uma carreira. Cá para mim, perante certos pormenores, vejo que dali não virá nenhum craque. Já o inverso é bem mais difícil de conter a definitividade. Uma ou duas exibições de encher o olho podem significar um futuro de ouro ou apenas a conjugação de acasos em que o futebol é fértil. Depois, há sempre os aspectos ligados à envolvência pessoal e à magnitude de exigência. Um jogador vindo de outras paragens geralmente não pega de estaca. A incógnita reside no tempo para maturar e tornar-se português. Gaitán, por exemplo, não brilhou no início do percurso e, passo e passo (ou passe a passe), mostrou ser um predestinado. E, muitos casos há, de jogadores que brilharam em clubes mais modestos, mas que chegados aos grandes se revelaram um fiasco.
Com tanto repertório comunicacional e excitação promocional, a hiperbolização de uma ocasional grande jogada logo assume foros de certificação de génio, pérola, prodígio e muitas adjectivações. Creio que isto não é bom para os potenciais craques. Uma maioria perde-se no auto-convencimento de mancheter laudatórias, ou no decurso do tempo como supremo juiz. Só uma minoria bem orientada e exigente pode chegar longe. Mas o caminho - como em tudo na vida - ou é de pedras, ou é de areia movediça. A paciência e cautela deveriam, pois, ser disciplinas obrigatórias no (de)curso do futebol."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Recordo que ontem Fernando Guerra, defendeu que não devemos nos precipitar, nos elogios ao André Horta... avisando, que podemos estar na presença de mais um 'Licá'!!!!

Caminho mais longo e mais fácil

" 'A Roma entrou muito bem no jogo, conseguiu o golo, talvez tenha relaxado um pouco'
Casillas, guarda-redes do FC Porto, ontem, após o empate na champions

A UEFA prepara mudança radical nas competições europeias, sobretudo na Liga dos Campeões, a partir da época 2018/19: os quatro primeiros países do ranking - neste momento Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália - passam a colocar directamente quatro clubes na fase de grupos; hoje, os três primeiros têm três vagas directas, o quarto apenas duas, e cada um apresenta uma equipa adicional no play-off.
Como consequência, o 5.º classificado no ranking, actualmente Portugal, deixará de ter o seu 3.º classificado a entrar directamente no play-off, tendo de disputar mais uma pré-eliminatória. Teoricamente seria mau para Portugal (que nem deve conseguir manter o 5.º lugar, se calhar nem o 6.º...). Na prática, e pelo que se viu ontem no Dragão, pode ser uma benesse.
Actualmente, o ranking UEFA determina os cabeças de série no play-off. A Roma, 3.ª em Itália na época passada, e com presenças intermitentes na Europa, ficou do lado mau. O FC Porto crónico participante na Champions, ficou do lado bom. Olha-se para as equipas, para os orçamentos, e só o ranking diz que o FC Porto é superior à Roma. O que se viu até à expulsão de Vermaelen confirmou-o, as hipóteses dos dragões seguirem em frente são muito reduzidas.
De futuro, e tendo por base esta época, o FC Porto teria de fazer mais um jogo mas evitaria Roma (Inter, porque a Itália teria quatro lugares), Villarreal, Man. City e Moenchengladbach, independentemente de quem fosse cabeça de série. Ainda que com mais uma ronda, as possibilidades de chegar à fase de grupos seriam bem maiores..."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

Meu credo

"Não creio em bruxas que lançam feitiços para que alguns homens e mulheres sejam campeões olímpicos, pero acredito que há diferentes formas de chegar a uma das poucas medalhas olímpicas de cada desporto. Acredito que: países com poucas razões para orgulho social, cultural ou científico, o substituíam pelos pódios desportivos; dirigentes de boa vontade, que chegam a níveis de responsabilidade sem conhecimentos suficientes para elaborarem, ou discutirem, projectos - no mínimo - quadrienais; atletas e treinadores que se hipervalorizam, confundindo esforço com rendimento e mais de tudo, que existam países que não planeiam para um ou dois ciclos olímpicos, quantificando objectivos de percurso e, explicando depois, as razões de sucessos e insucessos.
Também não creio que apenas subam ao pódio atletas com particulares capacidades morfológicas, psicológicas, rácicas, de origem social ou de países grandes, ricos e em paz. Conhecemos a história de campeões nascidos com problemas físicos e/ou meios desfavoráveis que vencem os dos ditos países. Particularmente, quando integrados em inteligentes planeamentos (nacionais ou pessoais) atingindo elevados níveis de rendimento. Se não, como poderia orgulhar-se dos nossos portugueses medalhados? Ou dos que melhoraram recordes, chegam a lugares de destaque e dão o seu melhor? Frase que, confesso, detesto, porque não creio que se vá a uns JO - final de ciclo de preparação - sem essa intenção.
E como não creio em bruxas, também não acredito em sorte e em azar senão em casos particulares: ter num primeiro sorteio, ou jogo, alguém de nível muito superior, lesionar-se em cima da hora e casos deste jaez. Os SES, devidos a erros técnicos ou tácticos, fazem parte da competição. Podem ter acontecido a muitos atletas, que ficaram à frente ou atrás dos queixosos. Sabemos lá os ses de todos! Fadas e bruxas não existem mas estas e outras razões são verdades que, algumas vezes, a mim própria custam a admitir."

Jenny Candeias, in A Bola

Benfquismo (CXCVII)

Classe...

Força...

Excelentes indicações da dupla João Ribeiro e Emanuel Silva, no K2 1000m. A vitória na meia-final até pode não dizer nada, mas os níveis de confiança e ambição estão altos...
Para mim, neste momento, são potencialmente a 'melhor' oportunidade de Portugal somar mais uma medalha... No K4 será mais complicado...

Pelo que vi, os Alemães e os Sérvios que se qualificaram automaticamente e os Australianos são os principais favoritos, e depois além da embarcação portuguesa, os Italianos, os Lituanos e os Húngaros, estão a um nível alto... dos Finalistas, só os Eslovacos parecem fora da 'corrida'!!!

Talvez a Ana Cabecinha na Marcha, e a dupla João Silva/João Pereira no Triatlo, tenham algumas chances, mas o mais normal, será conseguirem o Diploma (Top-8)!

A qualificação da Teresa Portela para a Final B, no K1 500m acaba por ser normal, tendo em conta os problemas físicos da Teresa durante a época...

Foi pena a eliminação do Rui Bragança nos Quartos... num combate 'esquisito'!!!

Entre aspas e metáforas

"1. O campeonato nacional (mantenho a antiga designação, mais significativa do que Liga qualquer coisa) começou com normalidade. Venceram os «grandes» sem grandes exibições, mas com mérito e das arbitragens não provocaram tão acesas quanto estéreis discussões. Ainda bem.

2. Continua o defeso entre aspas até que chegue o dia sem aspas: 31/8. À parte os campeonatos ingleses (1.º e 2.º escalões!) animados pelo aumento inusitado de direitos televisivos e pelos (assim chamados) investidores chineses, sente-se alguma relativa moderação. Ou me engano ou muito do que leio e ouço fica bem aquém das expectativas dos clubes vendedores que apostaram e tomadas firmes..,

3. Como a exageração tomou conta de quase tudo, até antevi os Jogos do Rio como um fracasso de organização e um ponto de acumulação de confusão e de violência. O que temos visto? Uns Jogos que abriram com brilhantismo e um funcionamento que não fica atrás de anteriores edições. Talvez aqui o sangue brasileiro tenha herdado essa notável capacidade de «desenrascanço», que, por cá, bem conhecemos. Depois de anunciada hecatombe com a transgressão de prazos e procedimentos, tudo acaba bem. A surpresa, para mim, tem sido a irregular afluência de espectadores.

4. Continua a haver a tentação e concretização de casos de dopagem. E de acusações, mesmo entre atletas. Neste ambiente, gostei da bela metáfora da etíope Almaz Ayana vencedora dos 10.000 metros de atletismo (e nova recordista mundial, 23 anos depois): «o meu doping é o treino, o meu doping é Jesus!». Assim seja verdade."

Bagão Félix, in A Bola

Eles acrediitaram!

"Nelson Évora foi, ontem, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, sexto na final do triplo salto com 17,03m, o seu melhor resultado do ano. Na véspera, Susana Costa fora 9.ª na final feminina da mesma prova, enquanto Patrícia Mamona conseguiu um novo recorde nacional (14,65 m) e alcançava um há um par de anos inimaginável, sexto lugar, a escassos nove centímetros do pódio.
Este é o atletismo português na segunda década do século XX. Um atletismo em que as disciplinas técnicas paulatinamente foram conquistando os louros do êxito e aparecem hoje como os grandes impulsionadores da modalidade.
Isto apesar de muitas pistas, fundamentais sobretudo para o progresso, continuarem a não ter o apetrechamento necessário para servirem cabalmente para a função que foram construídas. Mas é este atletismo que hoje, com técnicos bem apetrechados e dedicados, consegue fazer milagres.
Faço parte de uma geração que se habituou a ter como referência do desporto nacional os fantásticos resultados que os atletas do meio fundo iam conseguindo internacionalmente. Assim como hoje, após a consagração do futebol nacional no recente Campeonato da Europa, é gratificante ouvir, além-fronteiras, palavras de admiração pelo feito conseguido, também nas duas últimas décadas do pretérito século o atletismo nacional era reconhecido, em qualquer canto do mundo, como um dos baluartes do meio fundo e fundo internacionais.
Mas o paradigma mudou. Deixámos de ser uma referência do meio fundo e fundo mas conseguimos espraiar-nos, com nível, pelo todo da modalidade. Não somos, ainda, um país referência para saltadores, mas temos um conjunto de atletas e técnicos de todo mundial.
Termino hoje com as palavras que permitiram a Nelson Évora sonhar com a, tal, medalha que, desta feita, ficou a uns centímetros: Quem não acredita está morto!"

Carlos Cardoso, in A Bola

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Temos ou não projecto olímpico?

"Não me sinto com legitimidade para falar bem ou mal da prestação olímpica de Portugal nestes Jogos do Rio, porque desconheço em profundidade as condições de preparação da maior parte dos atletas, o investimento financeiro que neles foi ou não foi feito, até as reais potencialidades e capacidades de muitos dos nossos olímpicos. Mas, caramba, estamos a falar de uma comitiva de 92 atletas, a maior de sempre, e, como todos sabemos, quantidade nunca foi sinónimo de qualidade ou, neste caso, garantia de bons resultados.
Não tenho dúvidas de que muitos sacrificaram-se e esforçaram-se além do que imaginamos para atingir os mínimos que lhes permitiram correr atrás do sonho, e o sonho, para vários, seria unicamente estarem presentes nuns Jogos. Alguns voltam com recordes pessoais batidos, com resultados que recompensam tudo o que passaram para ali chegar. Porém, penso eu, do ponto de vista do País, do adepto, isso não chega. Os atletas serão os menos culpados, porque só terem talento não chega neste palco, porque na realidade ninguém estará à espera que ali cheguem e vençam o Bolt ou Phelps. Mas, pergunto, estará Portugal a consolidar um verdadeiro e inteligente projecto olímpico? Não seria mais eficaz apostar realmente e em força em alguns atletas e modalidades - naquelas em que teremos mais esperanças, naturalmente - mesmo que isso significasse descuidar outros e outras? E ser ainda mais exigente nos mínimos não seria uma boa ideia para aumentar a exigência e competitividade? É que, pelo menos para mim, diz-me pouco ir aos Jogos Olímpicos com quase uma centena de atletas e ter secreta esperança em menos de mão cheia de medalhas. Espanha apostou forte antes dos Jogos de Barcelona-92 e colheu frutos. É como o dinheiro: sucesso puxa sucesso."

Nélson Feiteirona, in A Bola

Benfiquismo (CXCVI)

E no Estádio da Luz, também se jogava Ténis...!!!

Grande...

Não deu para as medalhas, não voltou a ser uma grande prova do Nélson... Mais uma vez, o Nélson chegou na sua melhor forma da época, no momento mais importante... 17,03m, com o 6.º lugar. Aquele último nulo, pareceu aproximar-se dos 17,40m, não daria para as medalhas, mas se calhar daria para chegar ao 4.º lugar...

Não sei até quando o Nélson se vai sentir motivado a treinar, mas no próximo ciclo Olímpico o Nélson tem tudo para continuar a chegar às Finais nas competições Mundiais, e a ganhar as competições Europeias... Hoje, voltou a ser o melhor Europeu, por larga margem...

Pessoalmente, gostava de ver o Nélson fazer uma aposta no Comprimento!!! Eu sei que pode ser estranho, mas o Nélson mesmo sem treinar especificamente para o Comprimento faz 8 metros com alguma facilidade... e até seria mais saudável para aquelas pernas!!!!!!

PS: Na minha opinião o Fernando Pimenta tinha mais 'responsabilidades' do que o Nélson na luta pelas medalhas, e tendo em conta o vencedor, ainda reforcei mais a minha opinião!!! Ao vivo fiquei extremamente irritado, por observar, mais uma vez a estratégia (saída suicida) do Nando a não funcionar...!!! Mas nas declarações, o Pimenta queixou-se das algas enroladas na canoa... Como o Pimenta costuma ter um discurso positivo e ambicioso, acredito que esteja a dizer a verdade... Sendo assim foi muito azar!
Uma palavra a Luciana Diniz que fez uma 2.ª ronda perfeita... foi pena aqueles 8 pontos na 1.ª... Vamos ver como corre a prova amanhã!

Nélson Évora - um exemplo de ouro

"O apuramento de Nélson Évora para a final do triplo salto tem um significado especial, porque não apenas representa uma marca de excelência e de alto nível internacional de um atleta português, numa disciplina técnica do atletismo, representa muito mais do que isso: a vitória da força, do crer, da mais espantosa dimensão humana.
Depois de ter conquistado a medalha de ouro em Pequim com um salto de 17,67 metros (menos 7 centímetros do que o seu recorde pessoal que lhe dera o título mundial meses antes da vitória dos Jogos) Nélson teve duas lesões muito graves. A primeira, em 2012, que o impediu de defender o título olímpico em Londres. A segunda, dois anos depois, numa altura em que se pensava que caminhasse para uma recuperação total.
Oito anos depois do título Olímpico e dessas duas dramáticas lesões, Nélson surge nos Jogos do Rio com um discurso invulgar, no qual afirma a sua forte determinação. Qualifica-se para a final do triplo com um salto em cima dos 17 metros e discutirá, hoje, um lugar no pódio dos Jogos do Rio.
Quero assinalar e enaltecer o exemplo do Nélson Évora antes da final, porque quero afirmar que há casos em que os resultados, as marcas, os números são muito menos importantes do que o exemplo. E é difícil encontrar exemplos desta dimensão. É difícil encontrar casos em que a realidade ultrapassa, de facto, a ficção.
Claro que a qualificação de Fernando Pimenta para a final de hoje é notável, do ponto de vista desportivo. Mas a qualificação do Nélson é notável do ponto de vista de exemplo de uma vida. Aconteça o que acontecer hoje, o outro ninguém lhe tira."

Vítor Serpa, in A Bola

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Os «Diabos Vermelhos» e o «Diabo Negro»

"O primeiro encontro entre o Benfica e o Manchester United teve lugar em Old Trafford em Setembro de 1962. Encontro particular que terminou com um empate (2-2) graças a dois golos de Eusébio.

Vamos a Manchester no ano de 1962. Setembro, 24. Era a terceira vez que o Benfica jogava no Reino Unido. As duas anteriores tinham sido para a Taça dos Campeões Europeus, frente ao Hearts of Midlothian (vitória por 2-1) e no campo do Tottenham Hotspurs (derrota por 1-2).
Desta vez o jogo era amigável, como se dizia na altura. E o adversário o Manchester United, que, apesar de estar a fazer um campeonato medíocre, viera de Madrid com uma vitória brilhante face ao Real.
Embora entrando em campo com alguns suplentes, o Benfica não deixou dúvidas em Old Trafford em relação ao seu real valor.
O estádio estava praticamente à pinha: 60 mil pessoas, no mínimo.
UNITED - Gregg (depois Gaskel); Brenan, Dunne (Cantwell), Stiles e Foulkes; Lawton, Giles e Law; Quixall, Crisnall e MacMillan (Moir);
BENFICA - Barroca; Jacinto e Cruz; Cavém, Raul e Humberto; José Ausgusto (Augusto Silva), Eusébio, Águas (Torres), Coluna e Simões.
Os jogos entre Manchester United e Benfica tornar-se-iam clássicos europeus. Houve mesmo entre ambos uma final da Taça dos Campeões.
Mas, na altura, encontravam-se pela primeira vez.
Não alargo o 'suspense': a contenda acabou empatada - 2-2.
Dennis Law fez o 1-0 aos 36 minutos; Eusébio empatou no minuto seguinte; Quixall adiantou os ingleses, de 'penalty', aos 44 minutos; Eusébio fechou as contas aos 79 minutos.
Cavém e Coluna foram outros dos encarnados em destaque. Bem como Raul.

Eusébio - uma e outra vez
O Benfica lançou-se ao ataque desde cedo porque era assim a mentalidade dessa equipa Bicampeã da Europa. Foram vinte minutos de futebol encantador que entusiasmou o público inglês, sempre pronto a valorizar a qualidade do jogo, venha ela de onde vier.
Por isso, o golo de Law foi sentido como uma injustiça. E não o foi mais porque Eusébio tratou de empatar no minuto imediato, concluindo um lance típico dos seus com um remate indefensável.
Chegados aqui, a bola distribui-se mais equitativamente por um e outro campo.
Não fora a atrapalhação de Humberto, em cima do intervalo, que o levou a cometer um 'penalty' tão evidente como desnecessário, e o empate (mais do que justo) teria transitado para o segundo tempo.
Assim, saiu o Manchester em vantagem.
Cabia, então, ao Benfica puxar dos galões. Não esquecer que nesse tempo a equipa de encarnado com a águia no peito dominava o Continente. Ninguém voava mais alto do que ela. E também não foi neste jogo que isso aconteceu.
O jogo resplandeceu. De um lado e do outro movimentos correctos, bonitos, bem pensados. O Benfica atacava mais, não queria sair de Old Trafford derrotado, lutava pelos seus pergaminhos e pela sua honra como um cavalheiro num duelo. Golpes afinados falhavam por pouco o alvo da baliza de Gaskell, que entrara para o lugar de Gregg. Simões, na esquerda, baralhava os ingleses com dribles, José Augusto, na direita, insistia na sua velocidade, Coluna e Cavém apoiavam Eusébio e Águas de forma consistente.
Remates atrás de remates. Nem todos com pontaria certeira. Eusébio era rei do pontapé. Fortíssimo. Assustador. Mas infelizmente sem resultados práticos senão o de atemorizar a defesa contrária.
O jogo caminhava para o fim e parecia que o Manchester United iria obter uma vitória nada merecida.

Mas havia Eusébio. Havia sempre Eusébio!
Eusébio que recebe uma bola redonda, a preceito, que parece pedir-lhe que a chute. E ele chuta. Com força e colocação. É golo! É golo de Eusébio!

Os «Diabos Vermelhos» de Old Trafford rendem-se ao «Diabo Negro» que lhes impõe o empate a poucos minutos do fim.
Uma enorme ovação despede o Benfica.
Manchester recebeu-o com orgulho e despediu-se dele comorgulho
É assim com aqueles que são grandes..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Quem mais tem mais quer

"1. A UEFA está sem governo há longos meses e seja lá quem for que vier a substituir Platini vai ser confrontado com uma exigência da Associação Europeia dos grandes clubes (ECA), comandada por Rummenige, do Bayern: a criação de uma Superliga Europeia em que só entrarão clubes das cinco maiores Ligas (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) ou, no mínimo, o alargamento da quota de clubes daqueles mesmos países, em prejuízo das restantes Ligas. Mais concretamente: Portugal em vez de ter acesso directo de dois clubes à fase de grupos terá apenas um. É a ditadura capitalista dos ricos a ditar as regras à estrutura orgânica do futebol, ou seja, à UEFA e FIFA. Não nos iludamos, mais ano menos ano é isto mesmo que vai acontecer. Vem a propósito dizer que o modelo actual também é mau. Alguém entende que no play-off de ingresso à fase de grupos deste ano se possam defrontar FC Porto - Roma ou Villarreal - Mónaco e, ao mesmo tempo, Ludogorets - Viktoria Plzen e Dundalk - Legia?

2. Embora o mercato prometa continuar efervescente até ao fim deste mês, é já no próximo domingo que tem início a Série A e não são necessárias grandes análises matemáticas ou complicados ensaios laboratoriais para se poder garantir que a quem vai conquistar o scudetto será a Juventus. É verdade que perdeu Pogba, cujo o cartellino lhe rendeu 105 milhões limpos (chegou a custo zero do Manchester United quem agora foi vendido!!!) mas, em compensação, chegaram Higuain, Dani Alves, Pjanic, Pjaca, Benatia... e ficou mais forte.
Os dois rivais milaneses, Inter e Milan, foram vendidos a fundos de investimento estatais chineses e estão no estaleiro em obras de reparação. Em todo o caso, os nerazzurri já começaram a fazer pela vida: substituiriam Macini por Frank De Boer e adquiriram João Mário por 45 milhões (10+35). Desta vez, Bruno de Carvalho esticou a corda e ficou a ganhar."

Manuel Martins de Sá, in A Bola