Últimas indefectivações

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

«Acórdão do Conselho de Justiça é uma grande encomenda!»

"Foi, deixou de ser e já é outra vez presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga, cargo que o Conselho de Justiça da FPF lhe restitui via recente acórdão deliberativo sobre as eleições nesse organismo. Frontal, corrosivo, sem papas na língua, o dirigente e advogado 'derrete' Fernando Seara e Rui Alves e não poupa Sampaio e Nora...

- Não sai muito bem visto da decisão do Conselho de Justiça (CJ) da FPF quando às eleições na Liga. Foi mesmo beliscado...
- Na verdade, ainda que não esperasse outra decisão. Não esperava é que o conteúdo do acórdão contemplasse tanta agressividade em relação à minha pessoa. Aborrece-me, mas não fico magoado porque já não tenho idade para isso. Ao mesmo tempo lisonjeia-me, pois há uma norma destes últimos vinte anos, a de que quem aparece a combater o sistema das trevas e da corrupção é imediatamente fustigado e vai direitinho para a fogueira. O último foi Ricardo Costa, logo colocado em cima dos paus para lhe pegarem fogo.
E sempre no mesmo tom:
- Estou na senda. Isso significa que as minhas decisões e a minha postura estavam correctas e na direcção certa. É necessário limpar tudo isto e afastar de vez as trevas. Foi nesse sentido que fui decidindo enquanto estive no seu cargo de presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Liga. Eu vou continuar por cá, e vou continuar no futebol, sem medo de ninguém. Mas não posso deixar de dizer que estão a esturricar uma grande senhora do direito do trabalho em Portugal, professora na Universidade Católica do Porto, a professora Catarina Carvalho, minha vice-presidente na Liga, que esteve a meu lado sem qualquer fervor clubístico e sempre firme, como só uma grande mulher sabe ser. Normalmente os bons, tal e qual como no tempo da inquisição, vão direitinhos para a fogueira.
- Vamos lá analisar o acórdão...
- O acórdão é uma grande encomenda!, estava encomendado.
- Como explica isso?
- O acórdão, para ir em determinado sentido, contém erros. Na minha opinião o CJ é absolutamente incompetente para apreciar esta matéria. Essa competência pertenceria ao Tribunal de Trabalho do Porto. Tanto a Lei de Bases como o Regime Jurídico das Federações estabelecem os poderes públicos que a Liga exerce por delegação da FPF, que por sua vez os recebe do Estado. Só no âmbito destes poderes públicos é que o CJ poderia conhecer dessas matérias. A Liga é uma associação de empregadores e a matéria a julgar tem que ver com a eleição numa associação de empregadores, não tem que ver com matérias relativas aos poderes públicos conferidos pela FPF à Liga. Como é que o CJ deu a volta à situação? Entendeu que os estatutos da FPF lhe permitem conhecer de quase todas as matérias e isto assenta num princípio absolutamente inconstitucional, o de que os estatutos da FPF em termos de valoração de diploma legal, se sobrepõem à Lei de Bases, à Constituição e ao Regulamento Jurídico das Federações. Chama-se a isto a hierarquia legislativa, que se aprende no 1.º ano de direito e que aqui está a ser vilipendiada grosseiramente. Significa que esta excepção, que foi apreciada no acórdão de incompetências foi do plano de vista jurídico muito mal apanhado e não convencerá ninguém. E depois continua mal, julga o meu despacho quanto às listas e mal. Fala sobre a indevida aceitação da candidatura D, a de Mário Figueiredo e fala da indevida rejeição da candidatura C, a de Fernando Seara.
- Houve unanimidade nos juízes...

- E isso significa que a unanimidade está certa?! Este acórdão é uma coisa inacreditável. Relativamente à candidatura D, diz que ela não devia ter sido aceite, diz o acórdão, porque a declaração do Farense de apoio à candidatura não era em papel timbrado. Em nenhum sítio do mundo diz que o papel do clube tem de ser timbrado! Isso não existe. A Liga tem legitimidade e capacidade para reconhecer a assinatura dos clubes que são associados. Foi público quem subscreveu as listas. É ridículo dizer aquilo. É inacreditável. Podiam ter sido 500 juízes a assinar isto que direi sempre: isto é inacreditável e é feito de encomenda!
- E quando à lista de Fernando Seara?

- Repare: as eleições foram a 11 de Junho, dia 10 foi feriado, a data limite era o dia 6, das 14 às 18 horas. Eu coloquei-me à disposição das candidaturas para, dois dias antes, 4.ª feira, esclarecer tudo o que tinha de ser esclarecido e dizer qual a minha interpretação de como as listas deviam ser preenchidas. Telefonou-me a candidatura de Júlio Mendes, marcou para o dia seguinte e não me opus. E ligou-me, na 4.ª feira à tarde, Jorge Barroso, candidato a presidente da Mesa da AG da lista de Fernando Seara. Falámos sobre vários aspectos da lista. E telefonou-me Fernando Seara, na 4.ª feira à tarde, tivemos uma conversa cordial, as dúvidas dissiparam-se e estava tudo perfeito. Na 5.ª feira ninguém me ligou e na 6.ª feira telefonaram-me da Liga, eram 14.30 horas. «Olhe, vai entrar a primeira lista, é a de Fernando Seara». A lista foi entregue por Jorge Barroso e foi recebida. Tudo tranquilo. Nem saí de Faro. Às 16 horas soube que entrou a lista de Mário Figueiredo, mas às 15.30 horas ligaram-me da Liga a dizer: «Tens aqui um problema. Está aqui Fernando Seara para entregar outra lista e isso não é possível». Ao telefone Seara diz-me: «Há aqui um lapso, porque alguém entregou uma lista em meu nome e não fui eu». Deve estar a brincar comigo, pensei, porque quem entregou a lista foi Jorge Barbosa, que era só o candidato a presidente da Mesa da Assembleia-Geral na lista de Fernando Seara. «Anteontem os senhores estavam juntos e a ligar-me para tirar dúvidas e agora diz-me que a lista não é a mesma? Então a primeira lista que entrou não vale?» E Fernando Seara disse-me: «Não vale! Vou fazer um requerimento a V. Exa, para que me anule essa lista». Ainda lhe disse: «Veja lá os clubes que subscreveram a primeira lista». Disse-me que estava tudo bem. E um dos clubes que subscrevia a segunda lista era o FC Porto. Houve um volte-face significativo, de 2.ª para 6.ª feira, que me surpreendeu. É evidente que isso deixou-me estupefacto. A 1.ª lista do Seara, ele próprio pediu para a anular. E eu anulei-a, os órgãos todos, conforme ele me pediu. E a 1.ª lista tinha os órgãos todos completos. Na 2.ª lista já não estavam completos. E eu já tinha dito que não admitiria vacaturas de órgãos, pois por princípio entendo que a Liga não pode funcionar assim. Defini esse princípio. Nenhuma lista cumpriu este princípio, excepção feita à de Mário Figueiredo. Este ponto da vacatura de órgãos era conhecido, e sei que é discutível sob o ponto de vista jurídico. Mas o acórdão, no seu parágrafo mais eloquente, diz o seguinte: «(...) Verifica-se dos estatutos e regulamento geral actualmente vigentes, que não existe qualquer norma que expressamente determine a necessidade de que uma lista candidata nas eleições da Liga deva indicar candidatos para todos os órgãos, mas também não existe norma que permita o contrário» - fim de citação.
Isto é o parágrafo mais eloquente do acórdão. O CJ conclui que as listas podiam conter vacaturas, órgãos sem estar preenchidos, porém utiliza argumentos tão bons como os que eu utilizei para decidir que não aceitava listas sem estarem todas preenchidas. Posto isto, finaliza este douto acórdão com o ordenar instaurar um inquérito à minha pessoa e à da minha vice-presidente. Ora bem, o motivo é uma coisa fantástica: a Assembleia-Geral (AG) tinha dois pontos de Ordem de Trabalho (OT), um que era a leitura da acta e outro que era o acto eleitoral.
A leitura da acta não foi feita, nem podia ser, porque de extensa que era, ainda não tinha sido passada a gravação a papel, e àquela hora não estava pronta para ser lida. Sugeri que fosse anulado ou adiado esse ponto e por ter sido aceite a leitura da acta saiu da OT.
E entrámos no ponto dois. E surge uma proposta à Mesa, assinada pelo FC Porto, Guimarães e mais alguns clubes, que sugeria ser ilegal o acto praticado por mim, de anular a candidatura de Fernando Seara. E eu respondi que não admitia a proposta, porque estávamos no ponto nº 2, que era o acto eleitoral. E não admiti. Tal como não admitiria no dia de hoje. Diz o art.º 46 do Regulamento Geral da Liga que: «(...) Dado início ao processo de votação, seja qual foi a forma de escrutínio, não poderão os delegados usar mais da palavra, a não ser para apresentação de pedidos de esclarecimento sobre a votação». Está pois, fundamentada a minha decisão de não aceitar nenhuma proposta depois de se encontrar no ponto nº 2 da OT.
O acórdão diz que indeferi liminarmente a proposta feita em pleno acto eleitoral e manda proceder disciplinarmente contra mim. Isto é fantástico! Em suma, as trevas vão voltar, esta é a minha primeira conclusão de tudo isto.

«ESSA GENTE É MUITO PERIGOSA!»
- E qual é a segunda conclusão?
- É a de que eu sou do Benfica. E hei-de morrer a ser do Benfica, mas sei que enquanto presidente da Mesa da AG da Liga não fiz nada para prejudicar outros clubes. Lutarei sempre é contra as trevas. Como as coisas caminham, o Benfica vai ficar mais dez anos sem ganhar nada, ao Sporting vai suceder o mesmo, a Benfica TV acaba e volta o império. E quem não quiser entrar no sistema e na roleta, quando puser o pé no risco vai imediatamente para o assador.
No futebol eu conheço-os a todos, um a um e não admito sequer que me comparem ou misturem com indivíduos que são corruptos, condenados por corrupção activa, e que andam a bater no peito a apregoar moralidade e a dizer mal de todos os outros que não navegam nessa trevas. Essa gente é muito perigosa!
Finalizando: neste momento sou presidente da Mesa da AG da Liga e vou cumprir com aquilo que devo fazer. Regozijo-me com isto, pois com a sua decisão o CJ reconhece-me capacidade para liderar o processo eleitoral, já que me recolocou no meu antigo lugar.
- A Liga vai interpor uma providência cautelar?
- A interpor será uma suspensão do acto administrativo. E se assim for, depois logo se verá, porque vai haver a tal parada e resposta. Não quero entrar nisso, mas acredito que vai acontecer.
- E Fernando Seara? Estará nas próximas eleições para a Liga?
- Fernando Seara? Não o conhecia, vi-o e ouvi-o na BOLA TV a defender com unhas e dentes o senhor Joaquim Oliveira e a Olivedesportos, sempre contra a centralização dos direitos televisivos. Enquanto benfiquista, se um dia estiver a ver um jogo do Benfica e Fernando Seara estiver por perto, levanto-me e vou-me embora. Gosto muito de ir à Luz ver o Benfica, mas há coisas que me atiram ao ar. Se ainda fosse jogador de futebol e se dentro das quatro linhas apanhasse essa gente pela frente, arrancava-os pela raiz, mas como já não é possível...
- Outro candidato, Rui Alves, disse publicamente que Fernando Seara foi afastado das eleições «a troco de uma oferta de emprego a alguém». E diz que sabe quem ofereceu esse emprego e a quem...
- Se ele sabe, que o diga! Não sei a quem se refere. A diferença entre essas pessoas e a minha é que eles falam por meias-palavras e eu digo logo as coisas na cara. Eles são do tamanho um do outro... Desafio-os a dizerem-no e na hora. Digam logo que é para eu explicar o que sei. Quem está desempregado é Fernando Seara, não sou eu, que tenho bom emprego, felizmente. Os clubes têm medos deles, mas eu não tenho!

«Sampaio e Nora devia ter pedido escusa de relator»
O ódio entre a família do juiz e Mário Figueiredo e a ética que não terá sido respeitada
Acusa o relator do acórdão, Sampaio e Nora, de procedimento «pouco ético». E explica a razão dessa opinião: «Não vou insinuar, vou relatar factos. Cada um retirará as conclusões que entender. E vou por partes, começo pela escolha do relator do acórdão, José Sampaio e Nora. Ele é de uma família ilustre de Coimbra, que tive a honra de conhecer há muito, conhecimento aprofundado com os anos por via da minha amizade com o filho José Miguel Sampaio e Nora. Juntávamo-nos no Algarve, já o representei, como advogado, em processo que decorreu no Algarve e o próprio José Miguel me pediu para fazer uma parceria entre escritórios.
Conhecendo como conheço estas pessoas, suponho que Sampaio e Nora teve dificuldade em escrever o acórdão tal como está escrito. Ele devia ter pedido escusa enquanto relator. O filho, José Miguel, saiu da Liga porque Mário Figueiredo entendeu que ele não servia para o cargo que ocupava. Não sei os motivos, isso não passou por mim. Sei é que foi estigmatizado um ódio de morte da família Sampaio e Nora ao presidente da Liga, Mário Figueiredo. É manifestamente pouco ou nada ético Sampaio e Nora ser relator, por isso mesmo que acabo de relatar. Ele devia ter pedido escusa»."

Carlos Pereira, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga, entrevistado por Carlos Rias, in A Bola

O Banquete dos Antropófagos

"1. O Maior Árbitro do Mundo e Arrabaldes não deve estar nada contente com a sua participação no Mundial do Brasil. Escrevo isto porque, numa das suas frequentes intervenções públicas antes do torneio deu-nos - a todos os que apreciamos um futebol sem louvaminheiros a poderes apodrecidos - a esperança de vir a abandonar os relvados se as coisas lhe corressem de feição na dita prova. Sonharia o enlevado com a final? Sonhar é grátis. E a vaidade também não custa caro. Promovido aos píncaros por via da fatuidade, onde haverá chão para lhe assentar os pés? Não acusemos o homem: deixemos ao criador o pesar de o ter feito assim.

2. Mas não tardou o indivíduo a entrar no Banquete dos Antropófagos da arbitragem em Portugal. Desde o dia e que foi tornado público que o presidente do FC Porto considerava o chefe dos árbitros portugueses mais digno de ficar de cócoras no seu camarote do que ter acesso a um banquinho que fosse, que ninguém mais respeitou a hierarquia. Quem não se dá ao respeito, não pode ser respeitado já diz o povo. A arbitragem portuguesa não tem rei nem roque. Está entregue àqueles que festejam títulos à mistura com jogadores e treinadores, que oferecem insígnias, distribuem beijos a esmos pelos pescoços suados e se tratam por queridos. E, lá da sua cadeira que fede, o Madaleno ri."

Afonso de Melo, in O Benfica

Incertezas

" «Tenho a equipa que quero», exclamou José Mourinho na partida desta nova época. Quase mais ninguém pode dizer o mesmo no mundo do futebol actual. Em Portugal, mesmo os clubes de maiores recursos, têm a equipa que os seus recursos económicos permitem, nalguns casos acima do que o bom sendo financeiro recomendaria.
Falta um mês para o fecho do mercado e Benfica, FC Porto e Sporting têm apenas uma aproximação daquilo que será o plantel definitivo. No caso do FC Porto, a equipa que jogará o play-off de acesso à Liga dos Campeões poderá até ser diferente da equipa que jogará o campeonato. Por agora, a única certeza é o grau de incerteza.
A única vitória que importa neste momento no Benfica é fazer uma boa equipa para dia 10 jogar em Aveiro. Mas essa tarefa não está fácil, como se voltou a ver ontem contra o Athletic Bilbao, por um lado, e, por outro, pela análise de um Rio Ave categórico que alcançou uma vitória fora de portas contra um clube histórico do futebol sueco. O Rio Ave tem a preparação bem adiantada (começou mais cedo), está rotinado com jogos oficiais e o Benfica procura estabilizar um onze. Este Rio Ave jogou muitos jogos na pré-época e venceu quase todos.
FC Porto e Sporting também podem ter problemas parecidos, mas começamos mais cedo a procura dos nossos objectivos e, por isso, temos que alcançar a estabilidade com brevidade.
Análises individuais, com estes jogos de treino, podem ser prematuras e injustas mas há razões para estar alerta. Este fim-de-semana, num torneio com o elevado nível competitivo duma Emirates Cup, poderemos, ou não, ficar mais esclarecidos.
Há  muitas lesões: Luisão, Jardel, Rúben, Sulejmani, Fejsa, Pizzi, entre outros, serão óptimas contratações ao departamento médico mas é bom prever que durante a época também haverá contrariedades. Olhar para a realidade com serenidade e competência é a atitude prudente que se deve ter neste momento."

Sílvio Cervan, in A Bola

Diz-se por aí... (Sporting TV)

"Diz-se por aí que surgiu no mercado televisivo um novo canal, com parto atribulado, que dá pelo nome de Sporting TV. Como benfiquista e comentador da BTV, nada tenho a opor a um canal dos nossos vizinhos da 2.ª circular. Como, em regra, nada teria a opor ao surgimento de qualquer canal viesse ele donde viesse, salvaguardados certos princípios democráticos que nunca devem ser esquecidos num Estado de Direito.
Já se percebeu, assim, que o meu problema não é manifestamente esse. O problema é quando este tipo de projectos surgem de forma precipitada, pouco amadurecida e desligados da realidade envolvente. Perdoem-me os nossos vizinhos, mas convenhamos que os conteúdos e a apresentação da Sporting TV remetem mais para uma edição historiográfica, atendendo ao número de vezes que já transmitiram a Gala Honoris do clube do que propriamente para a configuração de um canal desportivo de um dos clubes que afirma querer disputar o título nacional. Depois, claro, temos tudo o que já sabíamos e não mudou apesar da insistência megalómana de Bruno de Carvalho.
O passivo do Sporting mantém-se a níveis historicamente elevados (à volta de 442 milhões de euros), as contas extremamente confusas e nebulosas (digo-o eu que até percebo do assunto...) e a viabilidade económico-financeira do projecto é tudo menos evidente. Talvez por isso os atrasos burocráticos a que assistimos em relação à data definitiva de início da transmissão. Houvesse um tribunal de contas para o futebol e este seria, sem dúvida, um projecto que jamais poderia ser viabilizado e apresentado ao público. Mais engraçadas parecem ser as palavras de Bruno de Carvalho, ao afastar a Sporting TV da transmissão dos jogos do próprio clube por uma questão de 'coerência' e 'verdade desportiva'. Não se compreende, então, como irá o canal transmitir os desafios da equipa B e como retransmitirá jogos primeiramente transmitidos por outras estações (como a final da Taça de Honra transmitida pela BTV). Não é a mesma verdade desportiva que está em causa?
Continua a faltar consistência, coerência e tranquilidade aos nossos vizinhos de Alvalade. Por quanto tempo mais?"

André Ventura, in O Benfica

É só fumaça

"Há um ano, o Benfica perdia a Taça de Honra, tal como agora, perdia a Eusébio Cup, tal como agora perdeu com o Marselha. A moral dos adeptos estava em baixa, e a comunicação social colocava Jorge Jesus a caminho da porta da rua, antecipando o caos. Depois, partimos para a melhor temporada futebolística das últimas décadas, coroada com a conquista do inédito 'Triplete', e com a presença em mais uma final europeia.
Em sentido contrário, todos nos recordamos de pré-temporadas altamente festivas, com vários triunfos em torneios amigáveis, aquisições sonantes, e encómios na imprensa, que mais tarde se derreteram em finais de época deprimentes, e em dedos apontados muito a torto e pouco a direito.
Não é preciso puxar pela memória para verificarmos quão enganadoras se revelam tantas vezes estas pré-temporadas, tal a inconsistência das suas promessas e ameaças. São importantes para o treinador e para os jogadores, como fases de um trabalho de preparação física e táctica. Não têm importância para mais nada, salvo para a satisfação da natural curiosidade dos adeptos em ver as caras novas do plantel, ou tão somente em apreciar os novos equipamentos.
Dia 10, em Aveiro, então sim, começará o Futebol a sério. E uma semana mais tarde, iniciaremos, no nosso Estádio, a defesa do título nacional tão brilhantemente conquistado há poucos meses atrás - competição que uma vez mais não poderá deixar de ser tida como a grande prioridade de todo o universo benfiquista.
Até lá, vemos jogadores que partem, jogadores que chegam, jogos-treino mais ou menos exuberantes, mais ou menos enfadonhos, cheios de substituições e erros, a ritmo de sandália, dos quais não irá rezar a história. E vemos uma equipa a preparar-se para enfrentar os mais difíceis desafios, com outras caras e outros nomes, mas com a mesma ambição de sempre.
Ser campeão da pré-temporada é título que bem podemos dispensar para outros. Queremos ser campeões, sim, mas em Maio, onde o 34.º nos espera."

Luís Fialho, in O Benfica

Lógicas de pré-época

"Há uns anos, o Benfica contratou maioritariamente reforços em Espanha e na América Latina. Na opinião publicada dizia-se que não podia ser, que era um balneário que falava espanhol e que, desde a redacção da pasquinagem lusa até ao túmulo da Padeira de Aljubarrota, a pátria sofria em agonia o ultraje. Depois, bem recentemente, criticava-se a vinda da “armada sérvia”. Temia-se a balcanização do balneário e gritava-se a plenos pulmões que o Clube, os adeptos, os futebolistas e a Águia Vitória estavam irremediavelmente traumatizados com o final da tal época 2012-13. Pelo meio, zurzia-se a bom zurzir na decisão de Vieira ter mantido Jesus e ainda se antecipava o descalabro pela decisão financeiramente suicida de não vender os principais activos do plantel. Antes que me esqueça, devo lembrar que ainda se apresentava o vizinho SCP como exemplo a seguir, pois apostava inequivocamente na formação.
Os mesmos opinadores, na actual pré-época, não comentam a quantidade de falantes de língua espanhola que legitimamente os nossos rivais do FCP contrataram. Do mesmo modo, deixaram de comentar o facto de o SCP contratar futebolistas estrangeiros e “já feitos” que retiram espaço à tal aposta na formação da casa. Agora, passaram a comentar o facto de no Benfica se contratar muitos brasileiros. Passada a patética conversa sobre a incapacidade de sobreviver ao “trauma”, iniciaram a criação do chavão de que o Benfica desmembrou o plantel e que não será possível a reconstrução. Aproveitam e, pelo caminho, desancam nas vendas e no facto de não se ter feito uma política de não venda de activos. É, enfim, o esplendor das certezas absolutas dos habituais cata-ventos sazonais. Apesar de inúteis, ajudam a dar um tom pitoresco à sensaborona modorra da pré-época."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

A formação e a deformação

"Portugal continua a apresentar ao mundo, ano após ano, alguns dos maiores talentos jovens do futebol internacional. É o fruto do bom trabalho feito nos primeiros segmentos de prospecção,  a que se somam as óptimas condições dos principais clubes e uma cuidada e criteriosa escolha do departamento de selecções da FPF. A final ontem disputada pelos sub-19 na Hungria é apenas o exemplo mais recente de Portugal representado, nos escalões jovens, ao mais alto nível.
Porém, quando comparada com a produção, a aposta dos clubes nacionais no jogador português é escassa e irracional. Vivessem os nossos emblemas na fartura e perceber-se-ia que fossem a mercados externos em busca de talento caro; mas conhecendo-se a penúria das contas, não faz sentido, pelo menos por nenhuma boa razão, a insistência em futebolistas jovens estrangeiros quando por cá os há até de melhor qualidade.
É evidente que, se houver um negócio de ocasião, um fora de série que fique no radar português e seja trazido para a Liga nacional, daí não virá mal ao mundo. Mas fazer da procura externa e regra e transformar a oportunidade dada ao jovem jogador português na excepção é que não entra na cabeça de ninguém. Pelo menos pelas boas razões...
O futuro do futebol português está na formação. O resto é poeira que há de assentar. Começa a ser uma exigência, por questões de sobrevivência a médio prazo, que os clubes adoptem políticas desportivas conformes e industriem os técnicos para a aposta no produto nacional.
E deverá haver uma indignação generalizada - devem ser pedidas contas a quem os trouxe - por cada jogador estrangeiro sem qualidade que seja metido a martelo no nosso futebol!"

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 31 de julho de 2014

À chuva à procura dum lugar ao sol

"Importante é que a 10 de Agosto, terminada nova discussão por um troféu com o Rio Ave, possamos constatar que o campeão voltou. E, melhor ainda, que voltou na altura certa.

estava na altura de o Benfica, que foi fundado por rapazes sem fortuna criados na Casa Pia, ver chegar à sua equipa de futebol um rapaz criado na Casa do Gaiato.
Por aqui toda a gente gosta do Bebé. É cá dos nossos. E acresce que este Bebé, pelo que tem prometido nuns minutinhos em dois jogos, parece estar já um perfeito homenzinho.

FRANCO JARA, que foi expulso no jogo com o Marselha e que falhou um penalty no jogo com o Ajax, fez ontem uma primeira parte muito boa com o Sion e até marcou um golo. Depois, já perto do intervalo, muito bem lançado por um companheiro, apareceu sozinho à frente do guarda-redes e atirou a bola muito por cima da baliza. Logo ouvi dizer a meu lado: «Pronto, voltou ao normal».

ONTEM, em Sion, depois do intervalo Jorge Jesus fez sete substituições e lançou para o campo alguns portugueses formados no clube. Cancelo, João Teixeira, Nelson Oliveira estiveram todos muito bem com destaque para o jovem João Teixeira que marcou um golo e até podia ter marcado mais não fosse o deslumbramento que não o pode deixar de trocar. Sob uma intensa chuvada do Julho Suíço, foi bom de ver toda aquela juventude da casa à procura de um lugar ao Sol.

OUVI mal ou o comentador da Benfica TV disse que o Talisca tem apenas 20 anos? Parece ter mais. Não de aspecto mas de presença e de personalidade em campo. Espero ter ouvido bem. Porque, assim sendo, trata-se de uma excelente notícia.

NUM destes últimos dias de Julho, um barquinho cruzava a Ria Formosa transportando banhistas. Queixava-se um dos ditos considerando, «excesso» de visitantes espanhóis, sempre ruidosos, que tomaram de assalto as praias do Sotavento algarvio. O que não deixa de ser uma constatação válida.
- Isto está cheio de espanhóis - disse, consternado.
- Pois é. Até parece a tua equipa - respondeu-lhe sem perder tempo outro passageiro.
- Antes espanhóis do que sérvios - retorquiu o primeiro, muito agastado, esquecendo-se imediatamente da sua ainda fresca diatribe anti-castelhana.
- Isso no fim é que se vê - remato o barqueiro.
É curioso como em tempo de férias, com as gentes em calções, toalhas de praia, sem cachecóis ou outros acessórios que identifiquem cores e emblemas, dá para perceber por uma simples conversa marítima a que clubes pertencem os corações de banhistas e de barqueiros.

YANNICK DJALÓ marcou um golo, melhor dito, um golaço e assinou duas assistências para golo na goleada por 5-1 da sua equipa, o San José Earthquakes sobre o Chicago Fire, dois clubes-catástrofe do campeonato norte-americano.
A exibição do jogador emprestado pelo Benfica valeu-lhe o prémio de «jogador da semana» da MLS (Major League Soccer) estado-unidense.
Confirma-se. Para múltiplas gerações de proscritos de todo o mundo a América foi, é e será sempre a terra prometida.

A Argentina portou-se muitíssimo bem no último Mundial e é natural que muitos dos seus jogadores menos famosos se tenham transformado em jogadores bem afamados depois do Mundial.
Como é o caso do guarda-redes Romero, habitual suplente no Mónaco, agora cobiçado por muitos emblemas sonantes. Como o Benfica, por exemplo, que, ao que tudo indica, não vai conseguir reunir os cabedais necessários para assegurar a contratação desta nova estrela entre os postes.
É normal que assim aconteça. Se até o Rayo Vallecano consegue desviar jogadores apontados a um dos chamados grandes de Portugal, mais facilmente o tal Romero irá para outras paragens do que aterrará na Luz.
De qualquer maneira, venha quem vier para guardar a baliza do Benfica, ou fique quem ficar, será sempre muito difícil, quando não impossível, fazer esquecer Oblak porque com Oblak na baliza durante quatro meses consecutivos o Benfica nunca soube o que era perder um jogo. Foi absolutamente encantador ainda que efémero.
Enzo Perez e Rojo são outros dois argentinos que fizeram boa figura no Brasil. Já gozaram as suas merecidas férias e já regressaram, respectivamente, à Luz e a Alvalade. Ambos estão mortinhos por se pôr a andar daqui para longe e que ninguém lhes leve a mal. São profissionais.
Depois do Mundial, a Segunda Circular parece-lhes cada vez mais um caminho de pedregulhos próprio para cabrinhas e cada vez menos uma grande via de circulação asfaltada à volta de uma grande metrópole.
Ressalve-se, no entanto, a boa educação e a ineludível diplomacia com que se referiram aos clubes lisboetas de onde partiram para o Brasil no momento em que aterraram na Portela há coisa de dias. Enzo e Rojo querem sair a bem. É simpático da parte deles.

RODRIGO, outro ex-benfiquista, agora propriedade do senhor Lin, saiu a bem da Luz e entrou a bem em Valência elogiando o seu novo treinador, Nuno Espírito Santo, dos Espíritos Santos de São Tomé e Príncipe, onde nasceu, e a antiga equipa do seu novo treinador, o Rio Ave, com quem o Benfica de Rodrigo disputou e venceu, em Maio, a Taça da Liga e a Taça de Portugal em finais muito disputadas.
«Nas duas finais que jogou contra mim, a sua equipa foi sempre melhor», disse o maravilhoso avançado hispano-brasileiro. Digamos que Rodrigo está a exagerar um bocadinho.
No entanto, é forçoso admitir que muito deve o Benfica esses dois títulos conquistados ao Rio Ave ao seu jovem-ex-guarda-redes Oblak que safou umas quantas bolas de golo quer na final de Leiria quer na final do Jamor.
Curiosamente, o Benfica volta já daqui a onze dias a disputar um título oficial com o mesmo Rio Ave. Trata-se da Supertaça Cândido de Oliveira. Nem Oblak nem Rodrigo voltarão jamais ao Benfica nem Nuno Espírito Santo voltará jamais ao Rio Ave. Embora, por vezes, aconteçam coisas estranhas neste mundo do futebol. Um exemplo? O regresso de Paulo Fonseca ao Paços de Ferreira depois de uns quantos meses num clube de muito maior dimensão. Adiante.
O importante, para nós, é que no próximo dia 10 de Agosto, terminado mais um confronto com o muitíssimo respeitável Rio Ave, possamos constatar que o campeão voltou. E, melhor ainda, que o campeão voltou na altura certa.

O FC Porto se não for campeão na próxima temporada explode. Explode em sentido figurado, naturalmente.
O ex-campeão não se tem poupado a despesas para se reforçar convenientemente caindo por terra todas as análises intelectuais produzidas na altura da contratação de Lopetegui. Lembram-se? Lopetegui, um treinador rotinado a trabalhar com jovens, um treinador para fazer explodir os jovens baratos da formação da casa, um treinador ideal para os tempos da penúria.
Qual quê? Tudo ao contrário. Explosão por explosão, para já, apenas a do adolescente Rúben Neves que muito tem impressionado nesta pré-temporada. E pode ser que chegue, quem sabe?

DUNGA, o ex-futuro-seleccionador do Brasil, não quer jogadores com brincos nem com bonés às três pancadas. Depois do sargentão chegou o sargentinho. Oh, Brasil!"

Leonor Pinhão, in A Bola

Colete-de-forças !!!

Benfica 0 - 2 Athletic Bilbao

Mais um treino aberto ao público que os Bascos levaram muito a sério, pareceu-me mesmo que o Athletic fez deste jogo uma 'simulação' dos Play-off da Champions que vai disputar (possível adversário dos Corruptos!!!).
Hoje não farei analises individuais aprofundadas, pois andei a fazer zapping com o jogo dos sub-19 na Final do Europeu, com a Alemanha, mas vi na 1.ª parte, um Benfica incapaz de sair do colete-de-forças Basco... que pressionou muito alto, quase 'à Barça', e não deixou o Benfica ter bola. No 2.º tempo as alterações voltaram a ser muitas, o Benfica mais fresco foi tentando, mas o Bilbao manteve a equipa 'titular' e aproveitou o contra-ataque para marcar o 2.º...
Esta pré-época está a ser marcada, exactamente por esta incapacidade 'anormal' do Benfica em não ter bola, e consequentemente não consegue criar oportunidade de golo, e assim os avançados têm marcado poucos golos... A ausência dos 2 Centrais titulares, e dos 2 Médios 'supostamente' titulares ajudam a explicar muia coisa:
1) O problema começa na defesa, sem os Centrais mais experientes, o Benfica não consegue construir jogo na 1.ª fase... Aqueles passes, entre Centrais, que os adeptos tanto assobiam na Luz, neste momento estão a fazer falta... essa capacidade de quando a bola chega a uma lateral, não haver espaço para 'subir', ficar 'fechado', passar a bola para trás, e mudar de flanco, é essencial, mesmo que seja muitas vezes incompreendida...!!!
2) O outro problema é no meio-campo. Falta o médio fisicamente 'faltoso', que recupere, e intimide o adversário, e depois falta o Enzo...!!! Sim, falta o Enzo, porque as boas indicações do Talisca e do Teixeira, são só isso, boas indicações. Por exemplo o Talisca, tem que melhorar muito as recepções de bola, naquela posição, não pode dar 2 ou 3 toques para parar a bola, quando é pressionado...

Amanhã temos um dia de 'descanso' e depois mais 2 jogos, Sábado e Domingo... e muito sinceramente, antevejo os mesmos problemas, até porque o Arsenal é outra daquelas equipas que tem sempre muita bola... e o Valência idem-idem...!!! Não creio que foi de propósito, mas nesta pré-época 'escolhemos' equipas que gostam de ter 'bola': no nosso Campeonato, este tipo jogos serão poucos, vamos na grande maioria das vezes defrontar equipas 'fechadinhas' lá atrás, mas na Champions é provável jogar contra este tipo de equipas... Só faltou mesmo um jogo com Barça neste início de época, para completar o ramalhete!!! E creio que chegou a estar programado!!!
PS: No outro jogo que assisti em 'simultâneo' Portugal perdeu na Final do Europeu de sub-19, por 0-1. Acabou por ser uma derrota normal, contra uma equipa melhor, que até podia ter marcado mais. A diferença física e de maturidade competitiva é grande. Nós temos alguns bons valores, mas têm pouco consciência colectiva do jogo, principalmente no ataque... Indo um pouco contra-a-corrente até acho que a equipa que o ano passado perdeu nas Meias-Finais do Europeu, era se calhar melhor que esta, a diferença foram os adversários mais fracos que encontrámos nesta Fase Final...
O João Nunes fez um bom Campeonato, mas às vezes parece demasiado 'soft' na abordagem aos lances. O Guzzo começou como titular, foi para o banco, e hoje voltou ao 11... tem tudo para ser o próximo 'João Teixeira'!!! O Rebocho foi pouco utilizado, ainda por cima quando jogou, foi empurrado para Lateral-direito (muito melhor que o Riquicho)... O Romário é um dos tais jogadores, que só joga para ele... tem tudo para ser um grande jogador: fisicamente e tecnicamente, mas a 'cabeça' - a tomada de decisão -, não ajuda nada!!! Uma nota ainda para o Nuno Santos, que foi o azarado deste Torneio... desejo-lhe uma recuperação rápida.
Esta equipa irá estar no Mundial de sub-20, além da recuperação do Nuno Santos, tanto o Rochinha, como o próprio Gonçalo Guedes deviam ser opção... Se até lá o Gelson aprender a passar a bola, talvez exista alguma possibilidade de fazer boa figura!!!

Joaquim Ferreira Bogalho, um dos maiores...

A estatística da penalidade

"Li, há dias, uma curiosa estatística do site Globoesporte sobre penáltis, as «bombas atómicas» que decidem jogos e taças.
Uma baliza mede 7,32m por 2,44m. Ou seja, a largura é o triplo da altura. Dividindo o espaço em 9 áreas, verificamos que o lado direito da baliza é o preferido dos chutos. Nada menos que 46,3%. Por outro lado, se dividimos o espaço da baliza em três zonas de baixo para cima, o terço junto da relva abrange 45,1% dos remates, e o terço mais alto até à barra é alcançado por 22,9% dos tiros. Em resumo, as preferências são assim ordenadas:
4.º - 7.º - 9-º
3.º - 6.º - 5.º
1.º - 8.º - 2.º
Sobre a eficácia na marcação dos penáltis, podemos concluir que:
a) todos os remates para o terço superior do lado esquerdo são infalíveis, mas só 4,6% por lá passam;
b) a parte direita da baliza no terço a partir da relva é onde se concentram mais tentativas (21%), mas a mais falível, onde só 2 em cada 3 remates entram:
4.º - 8.º - 1.º
2.º - 6.º - 7.º
9.º - 5.º - 3.º
Parece haver, pois, uma interessante correlação entre grau de dificuldade/escolha/eficácia.
É claro que esta estatística não considera os remates tipo râguebi, ou para os postes ou que saem ao lado. Nem nada nos diz sobre a potência do remate. Ou quando o guarda-redes se mexe ou adianta irregularmente. Nem sobre se o marcador é destro ou canhoto. Nem sobre as paradinhas...
Ciência, sorte ou mera curiosidade. Respondam os entendidos..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vitória nos Alpes...

Sion 0 - 2 Benfica

Mais um 'treino' aberto ao público, num jogo onde fomos muito superiores (tínhamos essa obrigação), e onde utilizámos 2 equipas!!!
Começamos com Artur; Maxi, César, Sidnei, Eliseu; Amorim, Talisca, Salvio, Gaitán; Jara e Lima. E terminámos com Lopes; Filipe, Lindelof, Benito, Cancelo; Almeida, Teixeira, Bebé, John, Oliveira e Derley.
Voltámos a denotar alguns problemas, nas transições defensivas, com os jogadores a chegarem atrasados às marcações, permitindo alguns ataques rápidos aos Suíços, que obrigaram o Artur a algum trabalho... e para nossa 'sorte' o fiscal-de-linha foi marcando os foras-de-jogo (e foram vários)!!!
O Talisca continua a sua evolução na nova posição, e continua a dar boas indicações. Curiosamente é um jogador com características diferentes, em relação ao Enzo... destaca-se essencialmente no passe médio e longo, algo que o Enzo raramente tenta!!! Falta ao jovem Baiano, consistência de jogo, o Enzo praticamente não perde uma bola, nem falha um passe...!!! E defensivamente, tem que apreender como marcar, e como não ser ultrapassado facilmente pelos adversários, algo que o Enzo também aprendeu, já no Benfica...
Quem continua em grande é o João Teixeira, e hoje, jogando finalmente na sua posição - a '8' -, com o André Almeida nas suas costas, esteve nas suas sete quintas... marcando um golo, e falhando pelo menos mais três!!! Está a aproveitar muito bem a oportunidade que lhe está a ser dada, e que ele provavelmente há 3 semanas, pensava que seria impossível...
Como as minhas teimosias não são eternas, admito aqui, que o Eliseu está-me a surpreender pela positiva!!! Ainda é cedo para fazer uma avaliação definitiva, mas...!!!
Em sentido contrário, aquilo que me preocupa neste momento, são as lesões nos Centrais: Luisão, Lisandro e Jardel... As informações são poucas, sobre o tempo de recuperação, mas já começo a 'estranhar'!!!
E apesar das boas indicações do Talisca e do João Teixeira, continuo a defender que é obrigatório a contratação de um Trinco, titular... um jogador tipo Fejsa, que imponha o físico naquela zona do terreno... Além do guarda-redes!!!

Amanhã temos novo jogo na Suíça, desta vez com um grau de dificuldade muito mais complicado... Sábado outro teste, e Domingo outro... É sempre a abrir!!!

Empate a fechar a digressão...

Extremadura 1 - 1 Benfica B

Empatámos ao minuto 88, finalizando esta mini-digressão ao outro lado da  fronteira, com 2 jogos, em 2 dias, com uma vitória, e um empate...

Jogaram de início: Santos; Alfaiate, Cardoso, Valente, Gaspar; Dawidowicz, Pinto, Semedo, Costa; Guedes, Fonte. Começaram no banco: Thierry; Ramos; Estrela, Amorim; Lolo, Frisenbichler.

Os três 'efes'

"Futebol, Financiamento e Formação, eis os três efes dos principais clubes desportivos de Portugal.
Numa paralelismo tosco com o Portugal do tempo da outra senhora, o Futebol bem pode continuar a ser interpretado pelo Futebol - afinal, está mais velho,sim, está diferente, mas conhece bem o papel e bem vistas as coisas continua a distrair muito boa gente.
Para o papel de Fado convoque-se o Financiamento. Mais do que uma distracção, tornou-se não só a pele do futebol como lhe assaltou o coração e tomou refém a mente. Loucos, apaixonados, devastados pelos fracassos amorosos (leia-se objectivos por cumprir) todos o olham como a salvação, como o caminho, como a fatalidade à qual não há como fugir. Boémio, vadio, o Fado promete boa companhia e consolo, mas quando vivido e não apenas cantado arrasta os seus dependentes para um mundo cinzento no qual, dizem, não dá para viver, não é possível competir com os gigantes dos outros países. O pior do Financiamento, como do Fado, é que um dia - e esse dia às vezes chega mais depressa do que se está à espera - é preciso devolver o que se levou. E sempre com juros. Sai caro...
Então e em que medida Fátima se deixa substituir pela Formação? Naquela em que Fátima e Formação são cada vez mais actos de Fé - outro efe. Por muito que a maior parte dos crentes venere a mensagem e o que de bom ela representa, a aplicação ao dia-a-dia jamais será fácil.
Nossa Senhora pediu que os portugueses rezassem um Terço todos os dias, pela paz no Mundo? «Pois, mas falta tempo», desculpa-se boa parte dos fiéis. É um pouco como a Formação - representa a Salvação - e a verdade é que mesmo com as selecções jovens a voltarem aos grandes palcos de forma consistente, não há nem regulamentos nem autorregulação capazes de afastar os clubes maiores do pecado mortal da gula..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Insignificâncias, eu sei...

"Há coisas insignificantes, que, todavia, são significativas. Não escrevo sobre o futebol do Benfica no qual, apesar das muitas mudanças, continuo a depositar esperança de sucesso.
Há dias, recebi, como sócio, o aviso de pagamento do meu lugar no Estádio. Dizia a carta que, como detentor de um lugar Red Pass Fundador, continuaria a ter uma série de vantagens que aqui me dispenso de elencar e que a data limite para o pagamento era o dia 19/7. Paguei antes do fim do prazo.
Uns dias mais tarde (25/7), sou surpreendido com um sms do SLB dizendo: «Caro sócio, informamos que o acordo com as condições do seu lugar Premium Fundador, o serviço gratuito de bebidas e refrigerantes deixa de estar disponível».
Para mim, como para muitos sócios, não tem qualquer importância. Raramente usei a possibilidade gratuita de abrir uma pequena garrafa de água. O que é inadmissível é que uma instituição corporizada nos seus sócios, como muito bem diz Luís Filipe Vieira, se comporte de uma maneira tão inadequada (a palavra mais diplomática que encontrei) para com os mesmos. Não crendo que esta magna questão dos refrigerantes se tenha colocado só depois de esgotado o prazo de pagamento dos lugares de época, é, no mínimo, deselegante e eticamente incorrecta esta forma traiçoeira de uma mensagem por telemóvel depois de assegurado o recebimento.
Sim, é uma insignificância, repito. Mas o carácter das instituições revela-se, às vezes, nestes pormenores. E, já agora, será que a poupança com esta restrição de liquidez compensa o desperdício com a liquidez de alguns salários que se praticam no clube?"

Bagão Félix, in A Bola

Besta e bestial

"Há precisamente um ano, o Benfica começava mal a pré-época e era derrotado na Eusébio Cup por um São Paulo que não vencia um jogo há meses. Dizia-se então que o Benfica dispunha de um grande plantel mas que o treinador não tinha unhas para tocar aquela guitarra. Jorge Jesus estava em 'estado de desgraça' após o cruel final da época anterior - e os adeptos não lhe perdoavam. A derrota na Madeira no primeiro jogo do campeonato agravou as coisas. E um segundo desaire contra o Gil Vicente, na Luz, poderia ter sido fatal para Jesus. Recorde-se que o jogo só foi ganho com dois golos marcados já nos descontos.
Este ano, a história deu uma pirueta de 180 graus.
Diz-se que as vendas foram excessivas, que as compras não as compensaram e que o plantel é péssimo. Há contudo, entre os benfiquistas uma réstia de esperança. E qual é ela? Chama-se Jorge Jesus. Ou seja: a esperança dos benfiquistas é que o treinador consiga fazer daquele 'miserável' plantel uma equipa minimamente competitiva.
Tudo mudou num ano! Jesus passou de besta a bestial, de coveiro a salvador do Benfica.
Esta rapidez com que os adeptos mudam de opinião deveria levá-los a reflectir. É preciso perceber que o Jesus que ganhou e o Jesus que perdeu são uma e a mesma pessoa. Os adeptos têm de saber ver para lá dos resultados. Se aqueles dois golos milagrosos contra o Gil Vicente não tivessem entrado, Jesus podia ter saído - e o glorioso final da época passada, com a vitória nas três competições nacionais e a injusta derrota por penálties na Liga Europa, não teria acontecido.
Os adeptos encarnados, repito, devem pensar seriamente nisto. Nenhum homem muda radicalmente num ano. Um treinador não passa de besta a bestial em 12 meses. Tudo tem a ver com a mente dos adeptos.
Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Jorge Jesus formam um trio que poderá dar muitas vitórias ao Benfica. Não o estraguem! A estabilidade é a mãe de todos os êxitos. Se aos primeiros resultados desfavoráveis começarem a exigir cortes de cabeças, os adeptos poderão estar a perder a oportunidade de assistir a momentos de glória, como na última época."

terça-feira, 29 de julho de 2014

Fomos 2 vezes à Fonte !!!

Mérida 1 - 2 Benfica B

Primeiro jogo nesta mini-digressão a Espanha, em Mérida, terra natal do Lolo, acabou por ser o Rui Fonte (de regresso a Espanha!!!) a marcar os 2 golos...
Jogaram de início: Santos; Semedo, Alfaiate, Valente, Gaspar; Amorim, Pinto, Costa, Guedes; Lolo, Fonte. Começaram no banco: Thierry; Ramos, Cardoso; Estrela, Dawidowicz; Frisenbichler.

Amanhã temos novo jogo com o Extremadura...

Estou assustado

"Na semana passada, Jorge Jesus tentou tranquilizar-nos, dizendo para não estarmos 'assustados por terem saído muitos jogadores pois vamos fazer uma equipa com a dimensão e a exigência do Benfica', para acrescentar que 'claro que demora um pouco mais de tempo do que o normal'. Percebo o optimismo da vontade do treinador, mas por mais voltas que dê, não consiga deixar de estar assustado. Podia enunciar muitas razões, destaco três.
Incerteza: estamos a 12 dias do primeiro jogo oficial e há demasiadas questões em aberto - desde jogadores para posições-chave que ainda se terão de juntar ao grupo (pelo menos um 6 e um guarda-redes), como muitos outros que podem ainda sair. Este contexto de incerteza faz parte do futebol de hoje, em que grande parte dos passes de jogadores é detida por fundos. Mas, convenhamos, a razia que temos sofrido bem como o tempo que se tem demorado a encontrar substitutos, tem poucos paralelismos e leva-nos a questionar a capacidade de planeamento do clube.
Imaturidade: a ideia de que se pode construir uma equipa para ganhar campeonatos apenas com jogadores jovens é peregrina. Numa época longa e exigente é necessário talento, mas são igualmente precisos alguns cabelos brancos em lugares decisivos. Por mais futuro que tenham os atletas da formação ou os jovens estrangeiros, sem jogadores capazes de estabilizar emocionalmente a equipa e de ter voz de comando em campo, não se vai lá. Ora, neste momento, só Luisão, Maxi, Rúben e Lima reúnem estas características. A permanência de Enzo é, por isso, fulcral para oferecer maturidade ao meio-campo.
Qualidade: vender é uma lei de ferro do futebol moderno. O problema não foram os jogadores que saíram, mas, sim, o facto de, até ver, os jogadores que saíram serem individualmente muitos superiores aos que entraram (Rodrigo por Derley; Garay por César; ou, pior, Enzo por Talisca; já para não referir que Candeias e Pizzi juntos não fazem um Markovic). Como bem sublinhou Jorge Jesus, 'só trabalho não chega, tem de haver qualidade'."


PS: Aqui está um bom exemplo da retórica (versão suave) que tem sido usada ultimamente. Concordando em alguns pontos, realço somente o exagero. Por exemplo em vez de comparar o Garay com o César, porque não fazer a comparação com o Lisandro; em vez de comparar o Markovic com o Pizzi e o Candeias, porque não comparar o sérvio com o Salvio (ausente na maior parte da época anterior)...

Uma bola no meio do «Ballet Azul»

"Falemos ainda um pouco mais sobre Alfredo Di Stéfano, ídolo de Eusébio, um dos maiores entre os maiores entre os maiores, tão recentemente desaparecido. Recordemos a sua passagem pela Colômbia.

Di Stéfano. O ídolo de Eusébio. Vou falar sobre ele mais um pouco, se o leitor que faz o semanal sacrifício de me ler, dá licença. Di Stéfano foi único, por isso merece. E a sua vida cheia de aventuras.
Vamos até à Colômbia, em 1948.
Em 1948  Mundo era ligeiramente mais pequeno do que é hoje. Em 1948, o que se passava na longínqua Colômbia só chegava aos ouvidos da Europa se viesse em forma de bula papal, ou coisa que o valha.
Agora já não é bem assim. Desde que a televisão queira, sabemos neste preciso minuto, tudo o que se passou na Colômbia há, digamos, 10 centésimos de segundo. Se a televisão não quiser, sabemos na mesma, embora tenhamos dúvidas sobre autenticidade dos acontecimentos. De qualquer forma, e mesmo que a televisão queira, nunca temos bem a certeza sobre a autenticidade dos acontecimentos.
Em 1948, na Colômbia foi assassinado o líder de esquerda, Jorge Elicer Gaitán, em Bogotá. O país mergulhou em dez anos de insurreição e criminalidade: um período conhecido por «La Violencia». Mais de 200 mil mortos. No seu castelhano musicado, os colombianos chamaram a esse dia 9 de Abril de 1948 «El Bogotazo». Exactamente. E ainda faltavam dois anos para o «Maracanazo».
Em 1948, na Colômbia, as coisas tornaram-se um pouco confusas. Em todos os aspectos. O público colombiano tornou-se tão louco por futebol como os seus colegas do Brasil, da Argentina ou do Uruguai. E os clubes colombianos entraram numa febre consumista sem paralelo na história do jogo.
Alfonso Senior Quevedo: fundador do Clube Milionarios de Bogotá, foi igualmente o criador da Dimayor, em finais de 1947. Dimayor: a primeira liga profissional colombiana, a primeira liga profissional a não colocar restrições à utilização de estrangeiros. O argentino Adolfo Pedernera foi a estrela que abriu o caminho, assinando pelo Milionarios. Cinquenta outros argentinos firmariam, na semana seguinte, contratos com clubes colombianos.
No centro de «La Violencia», o futebol, na Colômbia, era uma festa. Chamavam-lhe o «El Dorado».
Há tanta coisa para escrever sobre o El Dorado que dava um livro. Fiquem descansados: não será um livro. Mas não prometo que para a semana não volte a falar no assunto... Ou que, pelo menos, não volte a falar de Di Stéfano.
Voltemos ao Milionarios: eis que chega Di Stéfano, vindo do River Plate. E o uruguaio Hector Scarone, treinador campeão do Mundo, e 1930. E Nester Rossi, Hector Rial, Antonio Baez, Reinaldo Mourín, Pedro Cabillón, Alfredo Castillo, Tomás Aves, Julio Cozzi, Raúl Pini e Hugo Reyes, todos argentinos. Pedernera já tinha vindo. E Alcides Aguilera, Angel Otero, Jose Saule e Victor Bruno Lattuada, uruguaios. E o paraguaio Julio Cesar Ramirez, e o peruano Ismael Soria, e o brasileiro Danilo. E havia os colombianos Francisco Zuluaga, Manuel Fandiño e Gabriel Uribe.
Em 1948, a Colômbia era longe, longe, longe. Por isso a gente não se lembra, nem há quem se lembre por nós. Não fora o caso talvez soubéssemos recitar de cor, assim mesmo em WM: Cozzi; Zuluaga e Raul Pini; Julio Cesar Ramirez, Nestor Rossi e Ismael Soria; Reyes, Pedernera, Di Stéfano, Baez e Reinaldo Mourin.
Carlos Arturo Rueda: foi talvez o maior nome do jornalismo desportivo colombiano. Um dia, ao ver o Milionarios bater o Real Madrid, em Caracas, disse convicto: «Esta é a melhor equipa do Mundo! Um verdadeiro Ballet Azul!» O nome ficou.
De 1948 a 1953, cinco campeonatos consecutivos, mais de 100 golo marcados por época. Os resultados repetiam-se: 5-0, 5-1, 5-2. O Ballet Azul tinha uma regra: chegando aos cinco, entretinha-se o público. Uma bola no meio do ballet.
Mas, em 1948, a Colômbia ainda era demasiado longe para a gente saber disso. Pelo que é importante recordá-lo. Di Stéfano merece. E o futebol também."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Fly 'Eagle' Emirates

Excelente notícia... É daquelas relações, que tem tudo para dar certo: usamos o mesmo Vermelho, e além disso, faz todo o sentido um Clube cujo o símbolo principal é uma Águia, ser patrocinado por uma companhia aérea!!!
O anuncio de hoje, com o CEO da Emirates em Lisboa, só pode dizer, que estamos somente no início... Provavelmente publicidade nas camisolas da equipa principal, e Naming do Estádio... num futuro próximo!!!

Sempre me fez confusão ver equipas do Benfica, sem publicidade nas camisolas, seja nas modalidades, ou na Formação do Futebol... Infelizmente, além do mercado Português ser pequeno, ainda temos as empresas nacionais, com medo de apostar num Clube, com receio das represálias dos adeptos dos outros... Sempre disse, que este bloqueio, prejudica todos, mas o Benfica acaba por ser o mais prejudicado, já que é de longe, aquele com maior potencial de receitas publicitárias... Espero que este 'investimento estrangeiro' seja um indicador daquilo que está para vir...

E que tal termos uma Liga rentável?

"Ter os bancos como parceiros de jornada é, no futebol português, 'chão que deu uvas'. Os próximos tempos dirão mais sobre este tema...

O futebol europeu está a mudar a uma velocidade alucinante e quem não perceber o que passa à frente dos olhos vai ficar, sem remédio, para trás. De uma forma pensada e sustentada, vários clubes estão a munir-se de super-plantéis, capazes de encarar as múltiplas competições que têm pela frente. Nesta altura, esses emblemas já estão vários degraus acima dos outros e não será de estranhar que o alargamento do fosso entre uns e outros venha a terminar num novo formato competitivo no seio da UEFA, onde todos serão iguais, mas uns serão mais iguais que os outros.
Há clubes, nesta lista, com uma capacidade extraordinária para angariar receitas - Manchester United, Barcelona e Real Madrid são bons exemplos disso mesmo -, outros aparecem propulsionados por mecenas, árabes e russos, essencialmente - Chelsea, Manchester City, PSG e Mónaco - e surgem ainda os alemães, com o Bayern como chefe-de-fila, que beneficiam de uma organização afinadíssima que lhes permite gerar uma riqueza assinalável. A caminho, embora sem a consistência necessária, nesta fase, estão alguns emblemas russos, onde o dinheiro também não é problema. Estes são os novos donos da bola, aqueles que vão mandar de forma muito nítida no futebol europeu.
Que papel estará, neste contexto, reservado aos clubes portugueses? Se se mantiver o nível de indiferença perante a indústria do futebol, como um todo, a resposta é inevitável: de corpo presente.
A Liga está em fanicos - o que está a acontecer é surreal - e ou os clubes levam à prática as boas intenções enunciadas na última reunião patrocinada pela FPF, ou o declínio (que se acentua à medida que se alargam, na Europa, as diferenças entre os muitos ricos e os outros) será vertiginoso.
Há pouco mais de uma ano, passou-se boa parte da campanha eleitoral do Sporting a discutir entidades bancárias. Percebe-se hoje como as coisas deram uma volta de 180 graus e o que parecia determinante então, hoje é carta fora do baralho para todos os clubes portugueses. Bater à porta dos bancos, tê-los como parceiros é, no futebol português, chão que deu uvas. Os clubes, por uma questão de sobrevivência, precisam de encontrar uma plataforma comum credível (que não se esgote nos penalties e nos foras-de-jogo) capaz de chamar patrocínios e levar adeptos aos estádios. Modelo para isso? Basta por os olhos na Alemanha onde a entidade mais prestigiada do país, com um nível de aprovação acima do Bundestag, ordens profissionais ou Tribunais, é a DBF (Federação Alemã de Futebol). E sigam a filosofia de quem, sem hipotecar a soberania, foi capaz de fazer do futebol um negócio pujante.

PS - As clivagens no seio da arbitragem são preocupantes. Caminham para a rotura?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 27 de julho de 2014

Mais 4 Campeões !!!

Ontem, nos Campeonato de Portugal de Atletismo ao Ar Livre, tivemos 10 Campeões, hoje, foram só mais 4 !!!
Neste momento existem outros objectivos imediatos mais importantes para alguns atletas (Campeonato da Europa, e Campeonatos Ibero-americanos...), mesmo assim, esperava-se mais títulos. Tivemos algumas surpresas negativas, mas mesmo assim foram 14 títulos, em 42 provas. Sendo que por opção, não participámos em várias provas: em nenhuma estafeta, e por exemplo a Marta Pen não correu os 800m...; e ainda temos alguns lesionados, como o Rasul Dabo... Já agora, espero que a Eva Vital não se tenha lesionado hoje, a queda na final dos 100m barreiras, foi feia...

200m: Yazaldes Nascimento - 21,20s
3000m obstáculos: Alberto Paulo - 8.50,58min
Altura: Paulo Conceição - 2,11m
Triplo: Nelson Évora - 16, 41m


7.ª Eusébio Cup

Benfica 0 - 1 Ajax

Concordo totalmente com o Jorge Jesus, foi de longe o melhor jogo da nossa pré-época. Se no jogo das equipas B, vencemos se calhar sem merecer, esta noite na Luz, foi ao contrário... Isto não quer dizer que está tudo bem, os três jogos anteriores, foram todos de baixo rendimento, portanto o facto de este ter sido melhor, não chega, mas é um indicador...
Não terá sido coincidência, o facto onze inicial já tenha tido praticamente 50% dos futuros titulares, uma grande melhoria em relação aos jogos anteriores... Mas ainda faltam jogadores fundamentais: os 2 Centrais, e os 2 Médios-centro... Depois ainda faltará o guarda-redes, e o parceiro da Lima, mas se mais ninguém sair, hoje já tivemos um cheirinho daquela que será a equipa...
Começamos bem, a criar perigo, mas a falhar, no final da 1.ª parte baixámos a pressão, e numa jogada confusa o Ajax marcou... No 2.º tempo, apesar das substituições a equipa não abanou, bem pelo contrário, até atacou mais, falhando alguns golos de forma inaceitável: Gaitán e Ola isolados!!!
Como já disse anteriormente, podíamos ter optado por escolher adversários acessíveis, e estaria tudo bem... O Ajax, mesmo com muita juventude, tem o seu modelo de jogo, sempre complicado, que dá espaço quando não têm bola, mas obrigam os adversários a correr muito atrás da redondinha!!! E nesta altura, às vezes as pernas, não obedecem à cabeça..!!! Por exemplo no dia do jogo com o Marselha, fizemos um treino matinal de 2 horas, e depois antes do jogo, mais 2 horas de treino...!!! Hoje, fisicamente a equipa pareceu mais solta, mas ainda falta muito...
O jogo serviu também para as estreias do Eliseu e do Bebé... e como eu antevi parece que o Jesus vai apostar no Bebé para o flanco, algo que me deixa ainda mais preocupado!!!
O João Teixeira continua a mostrar qualidade, mas quem o conhece sabe que ele não é um '6', é claramente um '8'... O Cancelo, está consciente que esta é a sua grande oportunidade, e está dar tudo, e reconheço que tem evoluído...
Faltam 4 jogos, antes da Supertaça, e vão ser 4 jogos muito importantes. Vão ser 4 jogos em 5 dias!!! 30 e 31 de Agosto na Suíça e 2 e 3 de Agosto em Londres!!! Com este calendário o Jesus vai ser obrigado a rodar todo o plantel, sendo assim será muito importante a recuperação dos lesionados: Luisão e Lisandro pelo menos...
No rescaldo imediato do jogo, fiquei também irritado da forma como a memória do Eusébio foi usada para tentar atingir a Direcção... Para quem tem memória curta, o Eusébio, o ano passado na derrota por 0-2 com o São Paulo, esteve presente... e por acaso até acho que jogámos bem pior nesse jogo!!!

Esta pré-época está a ser 'engraçada'!!! Confesso, que a cara de contentamento dos Lagartos e Corruptos agrada-me; eles lutam arduamente pelo título de Campeão da Pré-época, e isso deixa-me extremamente feliz!!! E não estou a gozar...!!!
Hoje, pareceu-me clara a evolução... por exemplo o Talisca hoje não marcou nenhum golo, e portanto os elogios que recebeu a seguir ao jogo do Estoril não vão aparecer, mas hoje jogou muito melhor. Falta resolver algumas coisas na composição do plantel: guarda-redes, central(?), mas principalmente temos que resolver a questão do Trinco (devido à lesão do Fejsa)... com o orçamento disponível não acredito na aquisição de um avançado que possa fazer a diferença.

PS: Parabéns ao Museu Cosme Damião pelo 1.º aniversário, com cerca de 60 mil visitantes.