Últimas indefectivações

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sem dramas


"Numa final da Taça de Portugal entre o velho rival Sporting (no papel de Golias) e o simpático Torreense da II Liga (no papel de David), um coração benfiquista nunca teria dúvidas sobre para que lado desejar que pendesse a vitória. Foi engraçado ver a equipa teoricamente mais fraca erguer o troféu pela primeira vez no seu historial, foi uma pequena recompensa para uma cidade que tanto sofreu com as cheias de Inverno e, noutro plano, fez-se também alguma justiça face a um clube que teve relevantes ajudas da arbitragem, quer para chegar a esta final, quer para chegar à final de há dois anos, quer para vencer a da época passada.
Este surpreendente desfecho teve, porém, o condão de dificultar a vida do Benfica, nomeadamente na preparação da próxima temporada – obrigando agora a três pré-eliminatórias para atingir a fase regular da Liga Europa.
É um problema. Não é um drama.
O último jogo oficial da nossa equipa ocorreu no dia 16 de Maio. As eliminatórias começam a disputar-se a 23 de Julho. Pelo meio há um Mundial. Mas dos 31 atletas utilizados no último Campeonato, apenas 9 estão convocados para as suas selecções – sendo que um deles já não voltará à Luz.
É importante sublinhar também que a Liga Europa não é a Champions. Nem quanto ao nível dos potenciais adversários, nem, sobretudo, nas consequências (desportivas e financeiras) de um eventual não apuramento. A grande prioridade do Benfica para 2026/27 é a conquista do 39.º, e nenhum objectivo acessório deve desviar o Clube dessa rota.
Não me chocava que estas eliminatórias fossem utilizadas como elementos de preparação para que, a 9 de Agosto, então sim, a equipa estivesse a top. Sem acesso aos milhões da Champions, a frente externa torna-se de algum modo secundária. Se correr bem, tanto melhor. O Campeonato, esse, tem mesmo de correr bem."

Luís Fialho, in O Benfica

O Benfica faz Bem!


"E não é de agora: ainda não havia República, em 1904, e já um punhado de portugueses se juntava em torno de um ideal desportivo para promover o bem-estar coletivo e, no fim de contas, o progresso do país, que passava por uma crise económica, social e moral sem precedentes. Depois foi jogar futebol, muito e bom futebol, e abrir mais e mais equipas de todas as modalidades possíveis em todas as idades e escalões, de maneira a fazer do Clube uma plataforma agregadora de todos quantos partilham os valores do desporto e compreendem a importância da prática desportiva, do coletivismo e de um estilo de vida saudável.
Não eram estas as palavras que se usavam na altura, mas foram sempre estes os valores e os reais motivos da ação benfiquista dentro e fora dos campos. Não é, pois, de estranhar que, de cada vez que se revela necessário, o Benfica se mobilize e contribua para as causas sociais e para a cidadania, com a educação e a ética à cabeça das prioridades. E isto acontece não apenas com o futebol, cuja maior popularidade é indiscutível, mas também com modalidades de adesão crescente, como é o caso do futsal, que também já mobiliza multidões. Os atletas, todos os atletas do Benfica, sabem bem da importância das suas atitudes e das suas palavras, como exemplo para as várias camadas da população e, muito particularmente, para os jovens. São, portanto, aliados naturais do trabalho da Fundação e um recurso precioso que o Clube coloca à disposição da sociedade em geral para promover a sua melhoria contínua, a coesão e a justiça social.
É isso mesmo que se faz em todos os projetos desenvolvidos pela Fundação, em nome da solidariedade benfiquista, mas é vincado de uma forma muito especial no projeto cuja designação, no fundo, diz tudo: o Benfica faz bem… E faz mesmo!"

Jorge Miranda, in O Benfica