"Numa final da Taça de Portugal
entre o velho rival Sporting (no
papel de Golias) e o simpático
Torreense da II Liga (no papel
de David), um coração benfiquista nunca teria dúvidas
sobre para que lado desejar
que pendesse a vitória. Foi
engraçado ver a equipa teoricamente mais fraca erguer o troféu pela primeira vez no seu
historial, foi uma pequena
recompensa para uma cidade
que tanto sofreu com as cheias
de Inverno e, noutro plano, fez-se também alguma justiça face
a um clube que teve relevantes
ajudas da arbitragem, quer
para chegar a esta final, quer
para chegar à final de há dois
anos, quer para vencer a da
época passada.
Este surpreendente desfecho
teve, porém, o condão de dificultar a vida do Benfica, nomeadamente na preparação da próxima temporada – obrigando
agora a três pré-eliminatórias
para atingir a fase regular da
Liga Europa.
É um problema. Não é um
drama.
O último jogo oficial da nossa
equipa ocorreu no dia 16 de
Maio. As eliminatórias começam a disputar-se a 23 de Julho.
Pelo meio há um Mundial. Mas
dos 31 atletas utilizados no último Campeonato, apenas 9
estão convocados para as suas
selecções – sendo que um deles
já não voltará à Luz.
É importante sublinhar também
que a Liga Europa não é a
Champions. Nem quanto ao
nível dos potenciais adversários, nem, sobretudo, nas consequências (desportivas e
financeiras) de um eventual não
apuramento. A grande prioridade do Benfica para 2026/27 é a
conquista do 39.º, e nenhum
objectivo acessório deve desviar o Clube dessa rota.
Não me chocava que estas eliminatórias fossem utilizadas
como elementos de preparação
para que, a 9 de Agosto, então
sim, a equipa estivesse a top.
Sem acesso aos milhões da
Champions, a frente externa
torna-se de algum modo secundária. Se correr bem, tanto
melhor. O Campeonato, esse,
tem mesmo de correr bem."
Luís Fialho, in O Benfica

