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terça-feira, 12 de maio de 2026

DAZN: F1 - A McLaren voltou?

Terceiro Anel: DRS #49 - O INICIO DE ALGO GRANDE!! 🏎️🏁

Estaladas e cachorros-quentes


"A abrir a semana passada, Neymar não gostou que o filho de Robinho fosse melhor que ele no treino do Santos e reagiu com agressões, uma rasteira e um estalo; no Real Madrid, Carreras viu a sua cara muito perto da mão de Rudiger, e depois Valverde e Tchouaméni andaram aos encontrões. O uruguaio disse que caiu - quase como naquelas desculpas nos casos de violência doméstica - e ficou com uma ferida na cabeça, mas como ninguém acreditou, o clube resolveu tornar pública uma multa de 500 mil euros aos dois. O clube mais rico do mundo, que anda há semanas com um treinador interino e já perdeu a capa de invencibilidade da UEFA Champions League, não se entende e fica difícil entender porquê. Resta saber se a solução é um treinador tão carismático como José Mourinho, que já nem no Benfica é consensual.
Quem não foi agredido, pelo menos esta semana, foi o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que inventou o prémio da Paz para apaziguar o presidente dos Estados Unidos, mas não parece ter controlo sobre a competição que organiza. Nos intervalos de tentar um aperto de mão entre representantes da Palestina e Israel e garantir que o Irão consiga mesmo entrar nos EUA sem que todos os membros do staff sejam acusados de pertencer à Guarda Revolucionária, confessou que não consegue ajudar a definir o preço dos bilhetes para os jogos.
Além dos preços dos hotéis e transportes, só alguns privilegiados terão fundos para dar dois milhões de euros por um bilhete. Outros, que se privam de gastos no dia a dia (e se calhar já gastaram mundos e fundos na caderneta de cromos) e fazem empréstimos para poder acompanhar a sua seleção, se calhar gostariam de dar um tabefe a Infantino. O suíço disse que levaria uma Cola e um cachorro-quente a quem comprasse esses bilhetes, mas se eu pudesse comprar, esperaria pelo menos um bife do lombo. Pode ser que as moscas apreciem."

Congo: Mwepu Ilunga e o “bizarro momento de inocência africana“, só que não


"O Zaire já perdera por 2-0 e depois por 9-0 na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 1974 quando defrontou o campeão Brasil e, num livre direto, um dos seus jogadores saiu disparado da barreira para chutar a bola para longe. O futebol eurocêntrico riu da suposta ignorância e houve chacota geral de um gesto que era, na verdade, um protesto contra um ditador.

Eram favas contadas, o humilde Zaire perdera a estreia em Mundiais contra a Escócia por um placar banal, seguido da tonelada no peso da derrota, por 9-0, com a Jugoslávia. Era a primeira seleção da África subsariana a jogar no torneio que então, e ainda mais, repartia a opulência no futebol pela Europa e a América do Sul. Em 1974, quem viesse de fora dos países mais tradicionais da bola era olhado de soslaio, menosprezado até.
O primeiro torneio amplamente transmitido a cores - já o fora quatro anos antes, mas poucos seriam os que tinham televisão para lá do preto e branco em casa - encarregou-se de o comprovar. Já sem o planetário Pelé, ocupado com a pré-reforma no soccer dos EUA, o tricampeão Brasil do bigode de Rivellino e das corridas de Jairzinho fechou a fase de grupos frente ao Zaire, já rebaixado ao estatuto de uma das piores seleções a participar no torneio. O lance que mais ficou desse Mundial reforçou essa impressão.
Aos 78 minutos, livre à beira da área do Zaire. Ainda os brasileiros discutiam quem ia rematar quando, da barreira já formada, sai disparado disparado um adversário em direção à bola, chutando-a para longe. Atónito tanto quanto os jogadores, o árbitro mostrou o cartão amarelo a Mwepu Ilunga, lateral direito dos africanos, que esbraceja em protesto. Cébrere ficou a descrição de John Motson, narrador da BBC. “Um momento bizarro da inocência africana”, ouviu-se do inglês, como que a pretender dizer outra coisa.
Ganhou o Brasil, 3-0, eliminado ficou o Zaire, saído do Mundial com 14 golos sofridos e nenhum feito, marcado pela estemporânea atitude de Mwepu Ilunga, o jogador a quem se atribuiu várias suspeitas: desconhecia as regras do futebol, era ignorante ou atestava o atraso dos africanos, viesse o preconceito e escolhesse, acompanhado pela mania tão humana de traçar conclusões sobre o que não sabe.
O tempo tratou de elucidar.
Absorto numa ditadura desde 1965, o Zaire, assim batizado seis anos mais tarde por Mobutu Sese Seko, cara do golpe militar que depôs o anterior regime, vivia uma era de investimentos para muscular as aparências. O seu opressor líder, com a boina em tom de leopardo omnipresente na cabeça, cedeu à tentação do manual de qualquer ditador e viu no desporto um hospedeiro da sua intenção de projetar força, apostando no futebol.
Conheceu algum sucesso: em 1967 e 1968, a Champions do continente foi ganha pelo TP Englebertem, em 1973 sucedeu-lhe o AS Vita Clube de Pierre Ndaye Mulamba, avançado que marcaria nove golos na Taça das Nações Africanas (CAN) de 1974, ainda hoje o recorde de festejos numa só edição da prova. “Mutumbula” era a sua alcunha, sinónimo de assassino em tradução livre. Feita essa conquista e a poucos meses da estreia no Mundial, Mobutu prometeu oferecer dinheiro, casa e um carro Volkswagen a cada jogador.

A revolta silenciosa
Os futebolistas do Zaire aterraram no Mundial atolados em promessas, mas vazios de recompensas. À derrota, por 2-0, na estreia com a Escócia, ameaçaram faltar ao encontro com a Jugoslávia, divergindo os relatos do imbróglio gerado à época. Conta-se que só a menos de uma hora do compromisso foram desconvencidos a boicotarem-no, ao saberem que o dinheiro do prémio que lhes era devido tinha sido usado por um dirigente da federação de futebol do país.
Ndaye Mulamba seria expulso durante o 9-0 sofrido contra os balcânicos, diria anos mais tarde que a seleção perdera a motivação. “Podíamos facilmente ter perdido por 20 golos“, admitiu numa entrevista, sugerindo o que Mwepu Ilunga confirmaria ao L’Équipe, já este século. “Entrámos em campo, mas sabotámos o jogo. A duas horas do início não queríamos jogar, mas houve ameaças, fomos ordenados a jogar caso contrário seríamos enviados para uma masmorra. Jogámos, mas foi quase uma greve“, explicou o lateral direito em cujo cabeça entrou a ideia de fazer igual ao compatriota.
Contra o Brasil, com mais olhos a assistirem, Ilunga zarpou da barreira para pontapear a bola para longe ao apito do árbitro, recebeu o troco em chacota, a BBC ridicularizou o ato e não terá sido a única entre as televisões a tomar por ignorância o que era revolta. Antes do jogo o ditador Mobuto fez chegar aos jogadores um aviso para que não perdessem por mais de quatro ou cinco golos, os relatos divergem.
Mwepu não gostou, assim como furibundo ficou com coisas que os brasileiros lhe disseram durante o encontro. Foram os desgostos que o impeliram, não o deconhecimento das regras. “Era uma oportunidade para provocar o árbitro, pois queria que me mostrasse um cartão vermelho. Disse a mim próprio: ‘Não vou jogar mais. Por que haveria de ficar em campo e arriscar não regressar a casa quando as pessoas que ficaram com o nosso dinheiro estavam a ver-nos da bancada?‘“, explicaria o jogador, em 2014 já bem reformado. Morreria no ano seguinte, já o Zaire rebatizado como República Democrática do Congoainda, enquanto ele ainda à espera do carro prometido e do dinheiro devido.
Mas cheio de troça, escárnio e preconceitos ditos sem mais, por quem lhe viu o ato de rebelião."