"Se Mourinho sair, depois de ter dito, não há muito tempo, sem ouvir resposta, que estava disponível para continuar no Benfica durante vários anos, a responsabilidade de Rui Costa face à época de 2026/27 subirá exponencialmente. Se tal suceder, irá fazer, no próximo técnico, um ‘all in’...
A possibilidade de José Mourinho regressar ao Real Madrid, que já tinha estado em cima da mesa, em 2021/22, época em que a escolha de Florentino Pérez acabou por recair em Carlo Ancelotti, é notícia e motivo de análise nos principais jornais e sites à escala planetária, o que dá nota não só da dimensão dos ‘merengues’, mas também do ‘Special One’.
É certo e sabido que Álvaro Arbeloa não foi capaz de controlar os egos que povoam a cabina madridista, e que o maior clube do mundo tem visto o nome associado a uma anarquia que não é conforme aos a padrões de disciplina e hierarquia estabelecidos por Santiago Bernabéu, jogador ‘merengue’ entre 1912 e 1927, e presidente dos ‘blancos’, entre 1943 e 1978, período em que que projetou o clube para o topo do mundo.
Embora nas três temporadas em que esteve no Bernabéu, Mourinho tenha vencido ‘apenas’ uma Liga, uma Taça do Rei e uma Supertaça, levando o clube por três vezes às meias-finais da Champions, o principal mérito do técnico de Setúbal residiu no facto de ter protagonizado uma mudança de ciclo em Espanha, pondo fim a uma clara hegemonia do extraordinário Barcelona de Pep Guardiola, criando condições para os sucessos que se seguiriam.
E, para fazê-lo, não se furtou aos conflitos que entendeu necessários, para colocar alguma ordem na Casa Blanca, então uma verdadeira feira de vaidades.Não sei se José Mourinho vai trabalhar de novo com Florentino Pérez, mas é impossível que não haja fogo a causar o fumo de que alguns dos mais respeitados órgãos de comunicação do mundo têm dado conta.
Esta é a história que pode ser contada, sem medo de desmentidos, ao dia de hoje. Mas também há um passado recente, quando José Mourinho, publicamente, se ‘ofereceu’ para prolongar o vínculo com o Benfica até ao final do mandato de Rui Costa, sem que houvesse, da SAD encarnada, outra resposta (pública) que não fosse o silêncio.
Tivesse o Benfica, nessa altura, dito sim à abertura mostrada pelo técnico sadino, e a hipótese Real Madrid nem sequer estaria a ser colocada. Daí a questão, pertinente (embora colocada num momento incómodo) de se saber o que pretende o Benfica para o futuro.Faltam dois jogos para acabar a edição 2025/26 da I Liga, e ainda está por saber quem será segundo classificado, se águias, se leões, num contexto em que há a possibilidade do vice-campeão ter entrada direta na Liga dos Campeões.
Não me passa pela cabeça que o Benfica ou Mourinho estejam à espera de saber que competição europeia irá o clube disputar, para decidirem o futuro comum. Estamos, pois, perante o maior mistério deste final de temporada: quem está a preparar, no Benfica, a época de 2026/27? Inevitavelmente, no máximo dentro de uma semana, conhecer-se-á o desfecho deste imbróglio.
Uma coisa é certa, contudo: se José Mourinho não continuar no Benfica, seja por vontade dele (que recebeu silêncio como resposta pública, quando se dispôs, publicamente, a permanecer), seja por vontade do clube (que, aos costumes, disse nada), o peso que cairá nos ombros de Rui Costa será o mais elevado de sempre. Porque estará a fazer, no senhor que se segue, um ‘all in’. «E se corre bem?», perguntou, um dia, Ruben Amorim, de chegada a Alvalade. Seja como for, o risco é total."

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