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quarta-feira, 8 de abril de 2026

BF: Casa Pia...

BI: Rescaldo - Casa Pia

5 Minutos: Live - Casa Pia

Bocadinho ou bocadão


"1. Paulo Bento é uma figura do futebol português. Atenção, não disse que Paulo Bento é um cromo do futebol português. Todos sabemos que há uma legião de cromos na bola nacional, que há cromos para dar e vender, e em número suficiente para encher cadernetas atrás de cadernetas, mas reconheça-se, sem esforço, a Paulo Bento o estatuto de figura que é muito diferente, para melhor, do estatuto de cromo. Talvez por ter sido jogador do Benfica e por ter honrado a camisola num período em que não era fácil ser-se jogador do Benfica.

2. Paulo Bento vestiu-se de águia ao peito entre 1994 e 1996. Fez uma meia centena de jogos pelo Benfica. Foi titular no jogo da final da Taça de Portugal de 1996 em que o Benfica venceu o Sporting por 3-1. Paulo Bento seria, mais tarde, jogador e depois treinador do Sporting, e sempre se referiu ao nosso clube com o devido respeito.

3. Foi também selecionador nacional entre 2010 e 2014 e não fez pior figura do que muitos outros que o antecederam. O antigo jogador do Benfica esteve presente nesta semana no Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), que teve lugar em Albufeira, e, usando da palavra perante os seus colegas de profissão, afirmou acreditar que a introdução do videoárbitro ajudou a equilibrar a “balança” no futebol português.

4. Mas a que balança e a que equilíbrio se referia o ex-selecionador nacional? Ouçamo-lo: “Houve uma coisa que trouxe justiça ao futebol e que ajudou aquele que estava um bocadinho fora deste grupo. Era uma coisa mais Benfica/FC Porto e trouxe o Sporting para um patamar de igualdade, e isso foi o VAR. Tem de ser enaltecido”, disse Paulo Bento. Ah, pronto, era o que se estava a adivinhar…

5. Não vou duvidar, sequer, da veracidade e da oportunidade das palavras de Paulo Bento – o VAR veio para ajudar o Sporting –, embora seja de desconfiar de que o que Paulo Bento pretendeu dizer é muito diferente, abissalmente diferente, do que o entendimento das suas palavras possa sugerir a espíritos menos conformistas como é, lamento, o meu. E, neste caso, para a ideia fazer sentido e para ser clara como água, deve-se apenas trocar no discurso de Paulo Bento a palavra “um bocadinho” pela palavra “um bocadão”.

6. Paulo Bento terminou a sua alocução com uma frase em que, aí, sim, estamos todos cem por cento de acordo: “Nem pela televisão conseguem arbitrar um jogo, mas isso já é outra coisa...” Sem dúvida, meu caro amigo, sem dúvida nenhuma.

7. Na próxima segunda-feira regressa o Campeonato e o Benfica vai jogar com o Casa Pia. Vamos a isso!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

António Simões, a promessa com brilho de estrela


"O EXTREMO TEVE UMA ASCENSÃO METEÓRICA E AFIRMOU-SE NUMA EQUIPA REPLETA DE TALENTO

Quando observamos uma constelação, à primeira vista dificilmente distinguimos as estrelas mais jovens. Com o tempo, estas tornam-se evidentes: giram mais velozmente, exibem campos magnéticos intensos e irradiam energia com particular fulgor. Assim emergiu Simões no firmamento encarnado.
Em janeiro de 1960, o jornal O Benfica entrevistou a mais recente contratação da equipa de juniores. Dias depois, confirmou que “as suas qualidades de futebolista correspondiam ao que dele nos dissera com entusiasmo José Valdivielso, que o fez estrear” na 1.ª jornada do Campeonato Distrital, frente ao Belenenses. O extremo entrou na segunda parte e precisou de apenas 8 minutos para inaugurar o marcador. Rendidos à evidência, os jornalistas deram um título sugestivo: “Simões – uma nova estrela?”
Era ainda um núcleo pré-estelar, mas já uma verdadeira onda de choque. Imprimia verticalidade ao lado esquerdo do ataque benfiquista, provocando colisões sucessivas nas defesas adversárias, que superava com dribles desconcertantes. Nessa temporada, sagrar-se-ia campeão distrital e nacional. Na época seguinte, afirmou-se como protoestrela de uma equipa que revalidou o título distrital, merecendo a promoção à equipa de honra em 1961/62.
Em janeiro de 1962, contava apenas 5 jogos na equipa de honra. Contudo, após a expulsão de Cavém frente ao Beira-Mar e a poucos dias de receber o Sporting, Béla Guttmann foi perentório: “Simões tinha 99% de possibilidades” de ser titular.
No último treino antes da partida, realizou uma exibição memorável: “Precioso nos dribles, perigoso a rematar, rapidíssimo nas fugas e, muito em especial, desconcertante na maneira de servir os companheiros na melhor altura e para o sítio ideal.” O 1% que faltava dissipou-se. Guttmann deixou de ter dúvidas ao assistir ao comportamento do jovem nesse treino.
Num encontro de elevada exigência, o extremo “dominou os seus nervos, jogando com a descontração de um veterano, de tal modo que Hilário não foi capaz de o dominar. Faltou-lhe um golo, que esteve à beira de marcar por duas vezes”. A sua prestação havia sido inequívoca: “Foi, para nós [jornal O Benfi‑ ca], o melhor jogador do Benfica.” Era o início da fusão nuclear.
Conquistou definitivamente o lugar no onze. A partir do flanco esquerdo, com a bola colada aos pés, transformava o futebol físico e intenso numa expressão estética: “Suave, artística, bela” e profundamente eficaz. Acrescentou velocidade e fantasia a uma equipa que voltaria a conquistar a Europa e a vencer a Taça de Portugal. O jornal Diário Popular, por indicação do prestigioso Ricardo Ornelas, elegeu-o Jogador do Ano. Confirmava-se a premonição, nascera uma estrela para integrar a constelação encarnada.
Saiba mais sobre este excecional futebolista na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Cheirinho a balneário


"A ciência estima que existam mais de 160 mil espécies de moscas no planeta. E só estamos a falar das catalogadas, porque a comunidade científica especializada no tema acredita que sejam mais de um milhão de espécies. Isto equivale a 170 quatrilhões destes pequenos seres a voar sobre a Terra, o que dá qualquer coisa como 17 milhões de moscas por cada ser humano. É muita mosca. 
Cada uma delas pode viver até um máximo de 30 dias, se não chocarem de frente com uma raqueta que dá choques ou com um daqueles assadores de moscas que estão a cair em desuso nos restaurantes portugueses. Ou seja, no seu ciclo de vida, cada mosca não tem muito vagar para perder tempo, dedicando-se quase em exclusivo à sobrevivência e procriação. Como se alimentam de matéria orgânica em decomposição, lixo e excrementos (entre outras coisas), é normal vê-las em redor de elementos e realidades pouco aconselháveis. E, quando morrem, rapidamente há outra mosca que vai ocupar o seu lugar e fazer exatamente o mesmo que a sua antecessora fazia.
No passado fim de semana, assistimos a mais um degradante episódio no desporto português. Um cheiro intenso no balneário da equipa visitante no pavilhão Dragão Arena fez com que dois elementos tivessem de ser submetidos a tratamento hospitalar. As velhas práticas da década de 1990 continuam a estar na moda na cultura e na forma de ser dos dirigentes do FC Porto. Aquilo que se apresentava como uma alternativa a anos de suspeição, corrupção, violência e incitamento ao ódio é, afinal, apenas mais um exemplo da eterna substituição das moscas. O instinto natural fala- -lhes mais alto, não conseguem romper com as tradições mais conspurcadas do seu ADN. É como se precisassem disso para sobreviver social e desportivamente. É uma forma de estar que não surpreende, mas que continua impune. Pelo menos, no espaço do seu pequeno quintal. Até ver… tique, taque, tique, taque."

O Benfica todo


"Uma semana sem futebol – daquele que nos interessa – é também uma oportunidade para dar às outras modalidades a atenção que merecem.
As modalidades são um património inestimável do benfiquismo, viveiros de mística e paixão, que, embora não arrastem as multidões do desporto- -rei, fazem vibrar muitos benfiquistas – entre os quais tenho o prazer de me incluir.
Embora um balanço consistente da época só possa ser feito no fim, até pela natureza dos campeonatos disputados em sistema de playoff, há que dizer que a prestação da generalidade das equipas está em linha com as expectativas.
O Benfica lidera os campeonatos masculinos de hóquei em patins, de basquetebol e de futsal, bem como os femininos de hóquei em patins, de futsal (este já com a fase regular concluída) e de andebol.
Destaque-se o hóquei: considerando torneios de abertura, Supertaça, Elite Cup, Taça de Portugal, Campeonato e Champions, as equipas masculina e feminina totalizam 75 vitórias, 5 empates e nenhuma derrota nos 80 jogos realizados. Monopolizam os troféus já disputados. E alimentam legítimas esperanças de voltar a vencer títulos europeus, nas finais a jogar em Coimbra.
O futsal feminino cumpriu toda a fase regular sem derrotas. O masculino, recente vencedor da Taça da Liga, apenas perdeu à 20.ª jornada.
O basquetebol feminino acaba de vencer a Taça de Portugal, en quanto o masculino já vencera a Supertaça – e ambos são fortíssimos candidatos a revalidar os seus títulos.
O andebol feminino, já na 2.ª fase, com 5 pontos de vantagem, tem tudo para ser campeão. O masculino tem a fortíssima oposição do Sporting, mas ainda depende apenas de si para ganhar o Campeonato.
O voleibol está nas meias-finais de ambos os playoffs, com tudo em aberto.
Acompanhemos e apoiemos estas equipas nas suas caminhadas – que se espera que sejam triunfantes."

A Chama Imensa!


"Ser Benfiquista é ter na alma a chama imensa. E nós temos! Para lhe dar expressão no campo, criou-se o Benfica, do Povo para o Povo, a querer ser justo, puro, excelente e vencedor. Para lhe dar expressão na vida, o Benfica criou a Fundação, e com ela leva a mão solidária dos benfiquistas a quem precisa, onde e quando faz falta. Para que cada queda seja um trampolim para a superação e para que ninguém fique para trás da justiça e do progresso.
Porque A União faz a Força, e sabe quem conhece a origem do Benfica que, nos dias primeiros, a ambição ultrapassava a algibeira. Mas isso não parou os nossos fundadores pioneiros, que logo fizeram uma coleta e angariaram, à justa, o necessário para uma bola de caucho em segunda mão. Unidos, fortes e solidários, iniciaram o sonho sem baixar a exigência e criaram o maior clube do mundo. Deles, herdámos o inconformismo e a noção cívica de que a ação individual de cada Benfiquista conta, é decisiva e urgente, levanta a vontade de intervir, de procurar a força do coletivo e de agir em conjunto e em força, de “carregar à Benfica”. Uma vontade de Ser Solidário, de Ser Capaz e de Ser Atuante. Uma vontade de ir além das palavras e atuar com propósito, saber e dimensão para fazer a diferença.
A Fundação Benfica serve para isso, sendo reconhecida a nível nacional e internacional pela dimensão e qualidade do seu trabalho social, com um alcance de 360 000 pessoas em apenas 17 anos de trabalho. Porque a Fundação é do tamanho do Sonho do Benfica e luta todos os dias, em toda a parte, para o concretizar. E Portugal precisa, o mundo que fala português precisa, o ambiente precisa, a educação precisa, a pobreza e a exclusão precisam, as crianças, os jovens, os mais velhos precisam, cada um à sua maneira, de uma força extra. Muito mais do que uma ajuda necessária e urgente, a Fundação caminha ao lado, está presente nos momentos mais desafiantes, concretiza um Benfica próximo, atento e atuante. É tudo isto que fazemos e queremos continuar em nome dos Benfiquistas, com a força de todos e de cada um, acendendo a Chama Imensa e levando-a a melhorar o mundo, onde quer que faça falta, começando por Portugal!"

Jorge Miranda, in O Benfica