Últimas indefectivações

sábado, 28 de maio de 2016

Acabou!

Corruptos 93 - 85 Benfica
22-25, 23-14, 21-19, 27-27

Derrota esperada.
A única coisa que me apraz dizer neste momento, é que espero muito sinceramente, que exista capacidade de auto-avaliação suficiente, para perceber que esta secção precisa urgentemente de mudanças profundas.

Esclareço que nada me move contra o Carlos Lisboa, bem pelo contrário, o jogador Carlos Lisboa será eterno... o treinador Carlos Lisboa, num contexto muito especial, também conquistou muitos títulos para o Benfica, mas contexto mudou...!!!

Benfica mais perto de continuar a jogar na BTV

"Jogos na Luz deverão ficar pelo menos mais um ano na BTV para pressionar a MEO a ceder na guerra pelos direitos desportivos. E a NOS estuda entrada de novo accionista na SportTV

Os jogos do Benfica em casa na Liga portuguesa deverão continuar a ser emitidos no canal BTV durante a próxima época. A administração da operadora NOS — que comprou em dezembro os direitos de emissão dos jogos do Benfica e os direitos de distribuição da BTV — não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a decisão está praticamente fechada e que deverá ser anunciada em breve pela NOS e pelo Benfica. 
Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o plano prevê que o canal continue, por isso, a ser pago durante pelo menos mais um ano e que mantenha, além dos jogos do Benfica, os direitos de emissão das ligas italiana e francesa. Só a Liga inglesa é que sai do canal, por ter sido entretanto readquirida pela SportTV.
Depois de ter fechado o acordo para a compra dos direitos do Benfica e da BTV — num contrato que pode durar até 10 anos e um valor na ordem dos €400 milhões —, a NOS manteve em aberto vários cenários para a emissão dos jogos do clube encarnado. O mais forte era o regresso destes conteúdos à SportTV, canal detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira, e de onde o Benfica tinha saído em 2012 depois de recusar €22 milhões/época para renovar o contrato.
Mas o braço de ferro que a NOS está a travar com a MEO para a garantia do acesso a todos os conteúdos desportivos detidos por cada operadora — e que já levou a MEO a suspender o acesso da NOS ao Porto Canal — fez com que a operadora liderada por Miguel Almeida alterasse os seus planos iniciais para os jogos do Benfica.
Na base desta estratégia está o facto de a MEO ter um contrato de distribuição da SportTV assegurado para as próximas épocas, enquanto o contrato de distribuição da BTV termina a 30 de Junho deste ano. Ou seja, se os jogos do Benfica regressassem agora à SportTV, a MEO tinha acesso automático garantido a esse conteúdo. Mas se os jogos do clube encarnado se mantiverem na BTV, a NOS pressiona a MEO a aceitar as suas condições para a partilha de conteúdos desportivos.
Um dos passos centrais nesta estratégia foi dado na semana passada, quando a NOS e a Vodafone divulgaram um acordo para a partilha recíproca de conteúdos desportivos detidos pelas duas operadoras. Um acordo que produzirá os seus efeitos já a partir da próxima época e que, como referia o comunicado, garante que os clientes da NOS e da Vodafone terão acesso à BTV e aos jogos do Benfica em casa “independentemente do canal onde estes jogos sejam transmitidos”.
Com este acordo, que foi elogiado pela Autoridade da Concorrência (AdC), a NOS consegue não só dar sequência à ideia que sempre defendeu sobre os conteúdos desportivos não serem exclusivo de nenhuma operadora como também ‘atar’ a MEO à contingência de aceitar as condições que a Vodafone já aceitou para aceder aos jogos do Benfica caso estes se mantenham na BTV. Caso contrário, os subscritores da MEO deixam de ter acesso aos jogos do Benfica em casa.

Novo accionista na SportTV?
Em paralelo a este dossiê, a NOS está também a avaliar a entrada de novos accionistas no capital da SportTV. A operadora não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a possível dispersão do actual capital detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira está a ser estudada e que o tema, embora numa fase embrionária, terá sido abordado com a Vodafone no âmbito das negociações para o recente acordo de partilha de conteúdos assinado pelas operadoras. A Vodafone e a Controlinveste de Joaquim Oliveira também não estiveram disponíveis para comentar.
A dispersão de capital da SportTV por novos accionistas já foi tentada em 2013, quando a NOS (ainda no formato ZON), anunciou um acordo com a PT (na era pré-Altice) para que esta comprasse 25% da sua participação no canal. Nesse acordo, Oliveira manteria a sua participação intacta, mas incluiria no perímetro da SportTV as empresas Sportinveste Multimédia e PPTV, o que implicaria na prática a repartição com a NOS e a PT dos direitos de futebol que então detinha.
O acordo foi no entanto chumbado em 2014 pela AdC, por entender que era “susceptível de criar entraves significativos à concorrência” no mercado de direitos desportivos. Algo que, segundo as fontes ouvidas pelo Expresso, não se colocaria no actual contexto se a dispersão de capital fosse feita com um operador como a Vodafone.
O objectivo da NOS neste plano é encontrar parceiros para uma ampla reestruturação da SportTV, que tem acumulado resultados negativos nos últimos anos. Só em 2015 os prejuízos do canal superaram os €10,3 milhões. No ano anterior tinham sido de €6,2 milhões."

Ainda em 'ressaca' !!!

Corruptos 6 - 2 Benfica

Ainda a recuperar dos festejos do Bi e do título Europeu, o Benfica perdeu a invencibilidade no Campeonato.
Não é grave, mas estas descompressões são perigosas, ainda temos a Taça para vencer...

PS: As meninas venceram por 4-1 o Staurt de Massamá, nas Meias-finais da Taça de Portugal, amanhã temos a Final da Taça, contra a Académica de Coimbra...

Empate...

Benfica 1 - 1 Corruptos

Zoblin; Cabral, Escoval, Ferro, Amaral; Pereira, Lourenço (Zidane),  Mendes; Jorginho (Leo Natel), Dias; Alfa

Muitas ausências, entre lesionados, castigados e jogadores nas Selecções... num jogo fraquinho, onde estivemos na frente, mas permitimos o empate...
Mesmo assim, com o empate dos Lagartos em Belém, os Corruptos são os prováveis Campeões!

Santos e boas maneiras

"A época terminou com Maxi Pereira a falhar o penálti que manteria o Porto vivo no Jamor e houve muito benfiquista que rejubilou com a justiça poética do momento infeliz do uruguaio. Maxi merece fazer da carreira o que entender mas não merecerá, certamente, a inclemência dos benfiquistas porque foi um profissional inquestionável no período em que vestiu a camisola encarnada.
Aliás, foi ele o primeiro jogador do Benfica a vestir a camisola oficial de 2015/16 com o logótipo da Fly Emirates na cerimónia de apresentação do distinto patrocinador. Foi a primeira e a única vez que a vestiu, porque assinaria contrato com o Porto pouco depois. Ainda assim, já portista por opção, levou a camisola do Benfica para as férias gozadas no Uruguai e, quiçá insensatamente, depositou-a aos pés da imagem de Santo Cono, um santo da sua predileção na sua terra natal. Santo Cono nunca falha, essa é que é essa.
No domingo passado o Sporting de Braga levou para casa a Taça de Portugal. Terminada a função, o treinador do Porto não foi especialmente eloquente - nem podia ser, não é?...- mas, registe-se, não deixou de exibir o fair play possível naquela hora aziaga: "Resta-me dar os parabéns ao Braga", disse José Peseiro. E disse muito bem.
Ainda no domínio das coisas bem ditas... a meio da semana o treinador do Benfica multiplicou-se em entrevistas e sempre que questionado sobre a imensa trabalheira que o Sporting deu esta época aos tricampeões nacionais, não se escusou a confessar que, pela sua parte, daria com naturalidade os "parabéns ao Sporting" se, eventualmente, os rivais tivessem terminado o campeonato no primeiro lugar.
Prosseguindo no campo do desportivismo também Iker Casillas, na véspera da final do Jamor, deu os parabéns ao Benfica pela conquista do título. Todo este arraial de boa educação terá começado, há duas semanas, quando o presidente do Benfica elogiou o comportamento da equipa de Jorge Jesus na Liga, dando os parabéns à equipa e aos adeptos de Alvalade.
Foi assim que a temporada oficial fechou no nosso país: um triunfo total das boas maneiras e do respeito pelos adversários a contrastar com o ambiente doentiamente odioso que prevaleceu ao longo de 2015/16. É virtude dos responsáveis péssimos fazer com que os demais surjam como mais do que aceitáveis aos olhos de toda a gente. Foi o que aconteceu."

Benfiquismo (CXVII)

A transbordar...

Ser Benfiquista...

Claramente, a melhor equipa

"A próxima Supertaça será disputada entre Benfica e Sporting de Braga. Houve justiça. Foram as duas melhores equipas da temporada. Com a conquista da Taça da Liga (sete em nove edições) por parte do Benfica, com a goleada de 6-2, e com a vitória do Sporting de Braga no Jamor, reeditando o sonho de 50 anos volvidos, ficou claro o quadro da época.
Um Braga a lutar em todas as frentes internas (caiu apenas na meia-final da Taça da Liga e frente ao vencedor), com uma interessante prestação europeia, que finaliza com a conquista no Jamor, merece esse feito.
O Benfica ganhou o mais importante, o campeonato nacional, fez a melhor prestação europeia das equipas portuguesas, venceu a Taça da Liga, sendo a única equipa a vencer dois títulos nesta época, foi claramente a equipa do ano.
Haverá maré vermelha na Supertaça, troféu pouco importante por si mesmo, mas muito revelador de quem foram os melhores desta temporada. O Benfica está novamente habituadinho a vencer. Oito dos últimos doze títulos nacionais estão no Museu Cosme Damião. Em resumo, o dobro dos outros todos juntos.
Em Coimbra foi uma festa muito bonita, num jogo de goleada e que somou momentos para a eternidade. Quando Nico saí ao minuto 78 lavado em lágrimas por ser a última vez que vestia o manto sagrado, sussurrou-nos no coração aquilo que nós sabemos. Quem por aqui passa, sai apaixonado. Muito bonita a saída do mágico. Como foi reveladora a festa de Renato Sanches. Quase uma hora depois do apito final, o Municipal de Coimbra estava repleto, e a festa continuava sem ninguém sair. Rui Vitória termina a época merecedor de todos os elogios e começará a próxima merecedor credor de todos os créditos.
Que maravilhoso defeso. Enquanto outros gerem as crises nós aguardamos pela data e local da Supertaça, para poder comparecer nos sítios onde se escreve história."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: A Supertaça, será em Aveiro, no dia 7 de Agosto.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pode acabar amanhã!

Corruptos 98 - 89 Benfica
(2-1)
33-24, 19-25, 22-18, 24-22


Mais do mesmo, e a confirmação que o jogo 2, foi mesmo um acidente (e incompetência dos Corruptos)!
Muito sinceramente, isto o melhor é acabar depressa!!!


Começamos mal, ainda conseguimos equilibrar, mas nos momentos decisivos, fomos ridículos!
Não defendemos, e o ataque é o Cook contra todos (o Cook acabou com 33% nos 2; e 31% nos Triplos; um total de 10/30 nos lançamentos...)!!!
As percentagens da equipa nos lançamentos de 2  é absurda!
O mais incrível, é que depois de tantos erros, até estivemos perto de dar a volta ao marcador!!!!!!!!

Mais uma para o museu

"Compreendo a antipatia pela Taça da Liga demonstrada pelos (chamados) nossos rivais. Em nove edições da competição, triunfámos sete vezes, o que se traduz num palmarés à Benfica, pelo menos aquele sonhado pelos Benfiquistas.
Será este pecúlio reflexo do desdém dos adversários pela prova? Não, evidentemente. É verdade que, em determinadas ocasiões, poderá ter havido um certo desinteresse por parte do FC Porto e Sporting, mas convém notar que, na prática, tem havido, todos os anos, o mesmo "desinteresse" do lado do Benfica. Se prestarmos atenção à estatística, verificaremos que, entre os nossos atletas mais utilizados na competição em 2015/16 (e o mesmo se aplica a todas as temporadas), constam, entre outros, Ederson, Lindelof, Sílvio, Gonçalo Guedes, Talisca, Carcela e Jiménez. Ou seja, e tendo em conta que Ederson e Lindelof ainda não tinham sido utilizados antes do início da fase de grupos, são jogadores que não foram titulares indiscutíveis ao longo da época. Os nossos principais adversários, ao se servirem desta desculpa, não estão mais que a reconhecer que, afinal, os seus propalados grandes plantéis não o são em boa verdade quando comparados com o nosso. Além disso, sendo uma prova em que os maiores clubes disputam cinco jogos para a vencer, é mais importante que a Supertaça, que se limita a uma partida realizada no início da temporada. Por mim, longa vida à Taça da Liga. Os portistas e sportinguistas, se algum dia o seu clube vier a conquistar este título, terão oportunidade de o apreciar. Até lá, reagirão com falso desinteresse e inveja indisfarçável.

P.S.: Portugal campeão da Europa Sub-17 e José Gomes melhor marcador de sempre da competição com sete golos!"

João Tomaz, in O Benfica

Um por todos

"Seria fácil dizer agora que sempre acreditei. Que, também eu, era um entusiasta da aposta na Formação. Que vira com bons olhos a substituição de um treinador campeão. Que olhara sem desconfianças para uma alteração de paradigma, justamente quando começávamos a vencer com regularidade.
Estaria a mentir.
Na verdade, foi com bastante cepticismo que encarei as mudanças do Verão passado. E quando, a poucos dias do Natal, estávamos a sete pontos do Sporting, e a cinco do FC Porto, não apostaria um fósforo na possibilidade do Tri. Não fosse uma carreira europeia prometedora, e dava, nessa altura, a época como morta.
Nada melhor do que ser desmentido pelos factos quando estes superam as nossas melhores expectativas. E este Benfica superou tudo aquilo que eu perspectivara.
Na altura, muitos pensavam como eu. Mas houve um (aquele que interessava, aquele que decidia) que se manteve absolutamente fiel às suas convicções. Que, com grande coragem, insistiu no caminho que sabia ser o melhor para o Clube.
Este título é de muita gente. É de um técnico que, para além de enorme competência, soube manter uma atitude que nos orgulha. É de todos os benfiquistas, mesmo daqueles que, como eu, tinham poucas certezas quanto à forma de lá chegar. Mas este título é, sobretudo, de Luís Filipe Vieira.
O nosso presidente apostou forte. Arriscou muito. E, seguindo a sua convicção, venceu em toda a linha. A obra feita no Benfica já falava por si. Este campeonato, a forma como foi ganho, e tudo aquilo que nos mostrou, tornou óbvia uma certeza: Vieira é o presidente mais marcante dos 112 anos de história do nosso Clube."

Luís Fialho, in O Benfica

Fica, Gaitán!

"Ver as lágrimas de Nico Gaitán no banco de suplentes, em Coimbra, depois de ter feito mais um grande jogo - provavelmente o último - pelo Glorioso fez-me chegar a uma conclusão: eu nunca serei um bom gestor. Por mim, nesse momento, o mágico número 10 nunca mais sairia do SL Benfica. Não haveria 25 nem 45 milhões que me fizessem mudar de opinião. Nem trocas de jogadores, nem pressões dos empresários para ganhar comissões, ou outras complicações.
Um jogador de Futebol dos nossos dias que chora daquela forma e que sente de maneira tão própria a realidade do nosso Clube teria que ser recompensado. Até imagino a conversa: "Então, Nico, que se passa? Não quero sair, estou bem aqui, amo este Clube, a cidade, as pessoas... Pronto, não se fala mais nisso - ficas e ponto final". Eu sei que as coisas não se resolvem assim e que no mundo dos milhões do Futebol muito menos. Mas olho para Nico Gaitán e só me vem à cabeça o pequeno uruguaio que falhou uma grande penalidade ao serviço da sua agremiação desportiva. Esse cinco réis de gente, que se vendeu por um prato de lentilhas envenenadas, representa o oposto de Nico, mas ainda bem que se sente valorizado por lá estar e por continuar a dar-nos alegrias como a do Jamor.
Nico, por mim ficavas cá até pendurares as chuteiras, serias sempre o nosso 10, o nosso abre-latas em caso de necessidade, o nosso coelho a sair da cartola, a nossa arma secreta, o nosso brinca-na-areia, o nosso mago nos clássicos. Nem que nos oferecessem o teu peso em ouro mais três pontas-de-lança, dois médios e um guarda-redes. Por mim, não saías. Por isso é que eu não sou gestor, sou só adepto."

Ricardo Santos, in O Benfica

A ignorância é o vosso calcanhar de Aquiles

"Ao caminhar para o campo de batalha, os combatentes tinham duas características diferentes - os que sabiam tudo sobre os seus adversários e os que julgando saber, afinal não sabiam nada de nada. Vejamos o que nos escreve Sun Tzu no livro Arte da Guerra.

Todas as operações militares são baseadas na Dissimulação
Assim, quando prontos a atacar, devemos parecer incapazes de o fazer; quando nos preparamos, devemos parecer inactivos; quando estamos perto, devemos fazer o inimigo pensar que estamos longe; quando estamos longe, devemos fazê-lo pensar que estamos perto.
Preparar armadilhas para atrair o inimigo, fingir desordem, e acabar com ele.
Se o inimigo é poderoso, prepare-se para o enfrentar.
Se o inimigo for mais numeroso, evite-o.
Se o seu oponente tiver temperamento violento, provoque-o. Finja-se fraco, deixe que ele se torne arrogante. Se ele se preparar com calma, não lhe dê descanso.
Se as forças dele estão unidas, separe-as.
Ataque-o quando ele não está preparado, surja onde não é esperado.
Estas manobras militares devem ser ocultadas, não podem ser divulgadas ou calculadas pelo inimigo.
O general que pretende ganhar a batalha, faz muitos cálculos no seu templo. O general que fizer poucos cálculos, perderá a batalha.
Assim, os cálculos levam à vitória, poucos cálculos levam à derrota. Pobre daquele que não fizer cálculos nenhuns. Atentando neste facto, pode-se prever quem vencerá ou será derrotado.

Foi esta a grande diferença! O inimigo não percebeu nada de nada, sobre a realidade da estrutura institucional do Benfica, nem da forma de funcionamento da mesma instituição. Disse tantas e tantas asneiras que nunca conseguiu compreender que estava a lutar contra uma realidade que o Benfica soube construir e que existiu apenas na imaginação do adversário!
Acreditou que existia uma matilha, quando o que existia era apenas uma química institucional, tácita! 
Acreditou que era melhor, quando afinal era pior, tudo porque os fizeram acreditar que eram muito bons! 
Com o convencimento relaxou-se e isso reflectiu-se no desempenho!
Comeu tudo o que lhe deram para comer, sem saber que estava a cair no engodo que lhe atravessavam no caminho! E muito mais!
Estratégia! Foi uma lição de estratégia meus senhores! A qualidade vem depois dela!"
(...)

Pragal Colaço, in O Benfica

Pensem na vida enquanto sonham com o futebol

"Jogadores sem real noção do fim no mundo que os usa e deita fora
«Gastei 200 mil euros em carros, agora nem 200 euros tenho»

A rubrica Depois do Adeus foi criada pelo Maisfutebol em Junho de 2013 e já contamos mais de trinta histórias de antigos jogadores profissionais que tiveram de garantir a subsistência financeira longe do futebol.
Desta vez fomos à ilha do Faial recolher um testemunho brutal. Um relato desarmante, de culpas assumidas e gastos astronómicos para quem teria mais cedo ou mais tarde de voltar à realidade.
Paulo Morais teve a coragem de admitir onde errou. O antigo guarda-redes encara um cenário de limiar de pobreza depois de viver o sonho.
«Ser jogador de futebol é a melhor profissão do mundo». A expressão é reproduzida vezes sem conta mas quem anda por lá não tem geralmente noção do fim que se aproxima.
O futebol não é vida. É apenas parte dela.
Vai acabar, por vezes sem aviso, e obrigar quem sacrificou anos preciosos a procurar um novo rumo sem recursos académicos ou experiência para tal.
O mundo do futebol usa e deita fora. Seja por velhice ou por uma lesão grave, algo irremediável e inesperado, essa hora vai chegar.
É tão simples e tão evidente que me custa ver jogadores a caminhar para a recta final da carreira sem quaisquer planos para o futuro. «Sinceramente, ainda não pensei muito nisso». Ainda há dias li novamente algo parecido com isto.
Pensem. Pensem na vida enquanto sonham com o futebol. Façam Planos Poupança-Reforma, que a fortuna vai desaparecer de um instante para o outro. Poucos são os que conseguem chegar aos 70 com o que ganharam até aos 35.
Há aqui outra questão, extremamente sensível, que me parece afectar uma percentagem considerável dos que penduram as chuteiras: segue-se uma fase de instabilidade emocional - não raras vezes de depressão - e perturbações na vida familiar.
O divórcio é relativamente comum nessa altura, não há como esconder. E antes que se critiquem as mulheres, perceba-se todo o cenário: geralmente abdicam da carreira para servir de suporte aos maridos e acompanhar os filhos. Quando essa dinâmica muda a relação pode ficar seriamente afectada.
Vão-se entretanto os amigos de circunstância, aqueles que pediam bilhetes e outras coisas com regularidade, que pareciam estar sempre por lá. Vão-se as férias regulares em locais paradisíacos, os topos de gama, a roupa da moda. Podem agarrar-se a essa ilusão por algum tempo, talvez à custa da família, mas o sonho acabou.
Quem se entrega por completo ao futebol – geralmente com a complacência dos pais – com 13/14/15 anos deixa para plano secundário os estudos e acorda duas décadas mais tarde com um álbum de memórias e escassez de soluções.
A síndrome de Peter Pan afecta dezenas, centenas de homens num meio que os atira para um canto quando deixam de ser necessários. Vão-se uns, vêm outros, a bola continua a rolar e esquece-se de quem fez parte do jogo.
Muitos acreditam que ficarão ligados ao futebol, de uma forma ou de outra. Pensam sobretudo em carreiras como treinadores, negligenciando a questão matemática: se em cada plantel há 25 jogadores e 1 treinador, mais um par de adjuntos, nunca haverá espaço para todos os candidatos. Nem a vida como treinador garante um vencimento regular. Alguns destes viram empresários.
Temos assim centenas de antigos jogadores, com maior ou menor currículo, a lutar pela subsistência em outros mundos. Vários aventuram-se em negócios, com o risco que essa opção acarreta, enquanto outros abraçam carreiras e destinos variados.
É possível encontrar Idalécio num restaurante famoso em Inglaterra, Ivo Afonso num mercado do Luxemburgo, Riça a remover amianto na Suíça, Mauro em várias latitudes como comissário de bordo da TAP.
Por cá, Gaspar abraçou a metalomecânica de precisão, Diogo Luís trabalha num banco, Vasco Firmino é médico, Seabra engenheiro. Uns melhor, outros pior, mais ou menos realizados. Mas deram a volta e merecem um enorme aplauso.
Não são excepções. São a regra.
A maioria tem de perceber isto: não continuará eternamente ligada ao futebol. Convém pensar na vida real enquanto se sonha com a bola nos pés."

O Benfica não está em saldo

"A época de 2015/16 correu ao Benfica melhor do que até os responsáveis encarnados mais optimistas esperariam. Saiu, de forma tumultuosa, um treinador ganhador e acabou por entrar um técnico que se afirmou e terminou a temporada campeão. Ao mesmo tempo, foram chamados à equipa principal jovens promissores, sem que houvesse a certeza do resultado dessa aposta. E tudo saiu bem: Nélson Semedo e Gonçalo Guedes já foram internacionais A, Ederson está na Copa América com o Brasil e Renato Sanches e Lindelof vão disputar o Europeu de França por Portugal e Suécia.
A valorização destes jogadores foi exponencial e o encaixe já feito pelo Benfica (Renato chegará aos 60 milhões e Gaitán rendeu mais 25) permite ao clube da Luz alguma tranquilidade face às propostas que todos os dias chegam a Luís Filipe Vieira.
É por tudo isso que parece óbvio que as notícias que davam o plantel tricampeão à venda são manifestamente exageradas.
Um clube como o Benfica, que quer manter-se competitivo na Europa, não pode, como fazem os emblemas mais ricos do Velho Continente, dar-se ao luxo de manter as unidades mais válidas, virando as costas ao dinheiro. O segredo está no equilíbrio, na capacidade de, através de uma boa prospeção, encontrar jovens promissores e rentabilizá-los, ao mesmo tempo que se vão fazendo evoluir os talentos oriundos do Seixal. No fundo, o segredo está em manter boas equipas, sempre ganhadoras. Sem isso, nada feito. Ao mesmo tempo, vender cirurgicamente, mantendo as contas no são.
O Benfica não está em saldo e essa é uma boa notícia para os benfiquistas."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CXVI)

A minha primeira grande 'dor' Europeia Benfiquista!

Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus
PSV 0 (6) - (5) 0 Benfica
Estugarda
1987/88

Tri-Inferno !!!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Carta a Rui Vitória

"Permitam-me a 27 de Agosto de 2015 - 4 dias depois de fazer 57 anos e também 4 dias depois de o Benfica ter perdido em Aveiro, contra o Arouca, na 2.ª jornada deste campeonato - aqui, em A BOLA, imaginei-me no lugar de Rui Vitória e, por ele escrevi uma carta, que me era dirigida. Tratava-se do que eu achava que Rui Vitória poderia dizer a qualquer adepto, a propósito do arranque da época que agora terminou, tendo em vista os objectivos do Benfica.
Hoje - sabendo todos nós a forma como a história acabou (fazendo-se História) - eis a minha resposta à carta de Rui Vitória... com o tri, o 35 e a Taça da Liga (um 3 em 2) deste lado:

Meu caro Rui:
Finalmente, a minha resposta à carta que me escreveu, após o Arouca-Benfica, da 2.ª jornada. O simples facto de ter escrito a um adepto - sim, é isso que eu sou, porque apenas estou dirigente - fez de si, também nessa altura, um treinador com especial sensibilidade e atenção para com a massa associativa.
E foram tantas as vezes, esta época, que se colocou no lugar de todos e de cada um de nós.
Também por isso, e ainda que seja usual um adepto escrever ao seu treinador, mas sobretudo pelo tempo e pelas circunstâncias, muito devido às conquistas do 35.º Campeonato Nacional (o tri) e da Taça da Liga, aqui fica o meu reconhecimento.
Mas mais do que um ato de cordialidade e de educação, trata-se do desabafo de um tricampeão... para um tricampeão.
Entre sócios de verdade, que foi uma coisa que eu não pude fazer... durante os últimos 6 anos. 
Lembro-me que recebi a sua carta logo após a derrota do Benfica, em Aveiro, frente ao Arouca, no dia em que completei 57 anos de idade.
Talvez por isso tenha tido o cuidado de me escrever.
Quanto mais não fosse por, nesse dia, como em tantos outros ter deixado a minha família para poder acompanhar mais uma deslocação do Benfica.
Não gosto de perder... nem a feijões!!!
Independentemente das fundamentadas contestações em torno dessa partida, a verdade e que a perdemos.
E como isso doeu...
Quis o destino, contudo, que após uma pré-época pouco animadora um arranque de campeonato um tanto ou quanto atribulado, e alguns significativos contratempos, sobretudo ao nível das lesões dos nossos jogadores (quantas vezes jogamos sem um número significativo de titulares ???)... que o Rui fosse feliz.
O Rui e todos nós!
Mas particularmente o Rui, que nos deu o 35.º título nacional.
E, com ele, o tri... 39 anos depois.
Como lhe estou grato.
Eu e as gerações mais novas que, até então, nunca tinham visto o Benfica tricampeão.
O Rui foi um dos que mais o mereceu.
Pela educação, pela classe, pelo rigor e pelo cavalheirismo, mesmo quando passou um cabo das tormentas, numa tentativa clara de destabilização, de mesquinhez e de inveja, à qual respondeu com elevação.
Uma atitude coerente com o seu discurso ao longo da época: confiante, altivo - mas não arrogante -, educado, sem que tenha sido necessário, em conferências, treinos ou jogos, elevar o tom de voz, muito menos ser grosseiro.
E, essencial, com o seu discernimento... sem nunca abandonar os seus.
Assim como os seus não o abandonaram.
De facto, o importante é como acaba... e não como começa.
Por isso, depois de tantas contrariedades que teimavam em assombrar a equipa, só tenho de lhe agradecer.
Designadamente por ter sido igual a si próprio, com o mesmo discurso que tinha, por exemplo, no Vitória de Guimarães.
Agradecer por ter prometido dar a vida pelo clube, aquando da sua apresentação como treinador do Sport Lisboa e Benfica.
E por há dois dias ter reforçado isso mesmo... lutar até o limite das suas forças e enfrentar o futuro de frente.
Um discurso que se mantém desde a sua escolha.
Sim, porque também o Rui foi uma escolha.
Ponderada, reflectida e... ganha!
Não fiquei indiferente ao seu discurso, nem à promessa de assumir as suas opções, as suas ideias e o seu modelo de jogo... sem medo e sem se deixar influenciar e, até, amedrontar pela estratégia mesquinha de colegas seus, que teimavam em desrespeitá-lo, mas, essencialmente, em rebaixá-lo. 
Todo o seu profissionalismo, foco, dedicação, (muita!) entrega, humildade, estabilidade e... amor ao Benfica, não me são, de todo, indiferentes.
Por isso, agradeço-lhe, também, por sempre ter pensado em todos e em cada um de nós, Adeptos, e por sempre ter colocado a equipa à frente!
Sem os egoísmos e os egocentrismos de outros tempos.
O Rui preferiu o colectivo.
Afinal, para si, primeiro estava o Benfica, depois os seus jogadores, e nunca o eu egoísta e egocêntrico do antigamente.
O que lhe permitiu criar uma emocionante e inabalável união em torno do plantel.
Como há muito não se via.
Partindo daí para uma invejável união entre o plantel, a equipa técnica, a direcção e os adeptos. E como foi extraordinário ver como os adeptos saíram em sua defesa, contra a arrogância e falta de elevação de outros.
O Rui e os jogadores, juntos, permitiram que sonhássemos, com o tricampeonato e com uma grande campanha na Liga dos Campeões.
Com a sua grandiosidade e elevação, ensinou-nos a responder dentro de campo, mesmo perante a (tentativa de) humilhação e desrespeito de outros.
E em relação a mim mesmo, quando achou que, por segundos, possa ter duvidado (todos temos um momento de fraqueza...) teve o cuidado de me elucidar sobre alguns momentos menos bons do nosso Benfica, no passado, que terminaram em vitórias finais, nesses mesmos campeonatos ou, até, como Campeões Europeus.
Teve o cuidado de me relembrar, e com razão, que na época de 2013/14, depois de termos perdido tudo o que havia para perder, inclusivamente o 3.º de 3 campeonatos seguidos oferecidos, a final europeia e a Taça de Portugal - que, ironia do destino, o Rui nos ganhou -, também começámos a perder... e fomos campeões nacionais, a que se juntaram as Taças de Portugal e da Liga.
Relembrou-me, também, que na época de 2004/05 - depois de 11 anos sem conquistar nada - na antepenúltima jornada, que nos poderia ter valido o título anunciado, e mesmo com uma exibição bem conseguida e suficiente, perdemos o jogo.
Fez questão de me lembrar o campeonato de 1993/94, onde, logo no início, perdemos 5-2, em Setúbal, mas no qual, ainda assim, nos sagramos campeões!
Recordou-me, ainda que na época de 1961/62, depois de termos empatado, em casa, com o Sporting da Covilhã e com o Belenenses e fora com o Olhanense, Belenenses e Vitória de Guimarães, e perdido fora com a Académica e com o Sporting da Covilhã, fomos... bicampeões... Europeus!!! 
Confesso-lhe que durante esta época lembrei-me várias vezes de tudo o que me escreveu.
Tudo!
Como tinha razão!
Também esta época começámos a perder... e terminamos a ganhar, a conquistar mais um campeonato nacional, superando, inclusivamente, alguns recordes alcançados (número total de vitórias, número de vitórias consecutivas, número de golos marcados, número de pontos, entre tantos outros). E honra lhe seja feita, o Rui foi dos primeiros a querer ganhar.
Elogio-lhe a capacidade que teve em descobrir jovens talentos do nosso centro de estágios, cuja potencialidade foi sistematicamente desvalorizada por quem, antes de si, por cá andou, e de reinventar, e até recuperar, outros jogadores, contrariando exemplarmente - sem uma queixa, sem um lamento, sem um insinuar da necessidade de qualquer reforço - toda a maré de azar fruto, em grande parte, de lesões... Lesionou-se o capitão Luisão e o Rui apostou em Lisandro López. Lesionou-se, por sua vez, Lisandro López, e o Rui lançou... Lindelof, que estava, há muito tempo, escondido e subaproveitado na equipa B. Antes do possível jogo do título, lesionou-se Júlio César, e o Rui lançou (e apostou) no jovem promissor Ederson.
Sem medo, descobrindo mais um dos futuros enormes guarda-redes do futebol mundial dos próximos anos.
Agradeço-lhe, por isso, cada uma dessas apostas, que fez sem qualquer tipo de receio e sem nunca vacilar, bem como a ousadia que teve em lançar na equipa, ainda, Nélson Semedo e Gonçalo Guedes. 
O tal Nélson Semedo que tinha sido o eleito para substituir Maxi, mas que o destino teimou em criar-lhe também esse contra-tempo, pela lesão que o afastou parte da época.
Isto já para não falar no facto de ter aumentado substancialmente o rendimento de alguns jogadores, que já por cá andavam.
Sem que para isso tivesse de fazer grandes jogadores, como outros (acham que) fizeram com Pablo Aimar, Saviola, Garay, Di María, Javi, etc.
Também com os jogadores já existentes no plantel, e uma vez mais, o Rui conseguiu reinventar. 
Perante tudo isso, só me leva a crer que se cá andasse já há algum tempo, Bernardo Silva e André Gomes teriam tido outro brilho com a camisola do nosso Benfica!
Com toda essa ousadia, própria dos campeões, crença e persistência, ganhou o respeito dos seus jogadores.
Mais: ganhou o respeito de todos nós!
Até pela forma como viveu - e fez viver - cada jogo, como se o amanhã não existisse, ou fosse longe de mais...
Num claro exemplo de força e disponibilidade para o combate.
Com o Rui, voltamos a ganhar com humildade.
Hoje, todos, todos sem excepção, reconhecem que foi o homem certo no momento certo, desde o momento em que prometeu dar a vida pelo clube.
Conseguindo, ainda, impor o respeito que sempre lhe foi devido.
Com a vantagem de estar cá de alma e coração benfiquistas, sempre presente, como um dos nossos... Ou não o fosse, verdadeiramente! 
Obrigado Rui, pelo tricampeonato/35, pela 7.ª Taça da Liga e pela estrondosa campanha na Liga dos Campeões.
Com muita esperança de, daqui a um ano, nos poder dar o 36.
Um enorme abraço (de adepto para adepto... tricampeão)... do tamanho das alegrias que, nesta época, tivemos.
À BENFICA!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

97 dias

"Resolvi esperar pelas 24 horas do dia 31 de Agosto. Até lá, vou saboreando o tricampeonato e usufruindo da memória fresca de um caminho que alguns queriam que fosse de pedras, mas que, com competência e perseverança, acabou por ser de pérolas e recordes.
Esperar porquê? Porque, mais uma vez mas em versão ampliada, lendo notícias, não-notícias, rumores, perguntaram por, especulações, encomendas intermediadas fico com a sensação de uma equipa campeã logo transformada num conjunto (quase) vazio ou, na melhor das hipóteses, num queijo suíço.
O selvagem Renato no Bayern já sabemos, impossível de contrariar pelo óptimo negócio. Nico Gaitán, 6 anos depois, no Atlético de Madrid lá tem de ser, ele que disse a todos os benfiquistas, com comoção e autenticidade, o que lhe vai na alma.
Mas agora não há dia jornaleiro, minuto televisivo e decibel radiofónico que não me atormentem com tantas saídas. Ele é Ederson, ele é Lindelof, ele é Jonas, ele é Lisandro, ele é Jardel, ele é Salvio, ele é Talisca, ele é (ou nunca foi) Carrillo, ele é Grimaldo, ele é Fejsa, ele é Pizzi, ele é até o treinador Rui Vitória. Este ano é demais! Por boas razões, evidentemente.
Volto ao meu desabafo inicial. Ver para crer, ou, melhor, crer que não vou ver. Sei que este é o desejo do simples e emocional adepto que aspira pelo até agora nunca alcançado tetra. Mas percebo que, entre a continuidade (da equipa) e a oportunidade (das finanças), a emoção tem que dar lugar à razão e à sã e prudente gestão. São os custos e proveitos do sucesso. Antes assim.
São 97 dias entre hoje e o fim de Agosto. A ver vamos...."

Bagão Félix, in A Bola

Promessas que nos animam

"Fernando Gomes apresentou o programa para o novo mandato como presidente da FPF. Já se percebeu que os sócios da Federação podem estar descansados em relação às promessas que o seu líder faz, por uma razão muito simples: ele cumpre-as. Nesse sentido, são auspiciosas e sobretudo pertinentes as propostas que Gomes lança para o próximo quadriénio e que podem contribuir para uma maior transparência do futebol.
A divulgação pública dos relatórios dos árbitros constitui medida tão popular como fundamental. No entanto, é essencial que seja acompanhada por outras. Por um lado, exigir o mesmo em relação aos relatórios dos observadores (o que é intenção da FPF mas está dependente de autorização da FIFA); por outro, tornar mais claros e mais justos os critérios de avaliação dos árbitros (tarefa que compete ao novo Conselho de Arbitragem). A importância do vídeo-árbitro já nem se discute, mas é preciso ter consciência que essa 'ajuda' ainda vai demorar a ser efectiva. O que é pena, claro.
A operação 'Jogo Duplo' trouxe (finalmente) à luz do dia situações que eram faladas à boca pequena mas das quais não havia prova. Há muito tempo que se defendem medidas para defesa da integridade das competições, mas a verdade é que o polvo foi crescendo sem que acções concretas tenham sido tomadas para combatê-lo. Fernando Gomes quer que a Assembleia da República reveja a lei da corrupção na actividade desportiva. Bastará ter a iniciativa, pois é de acreditar que os partidos não se oponham à ideia.
Por coincidência, foi ontem atribuída a primeira licença para a exploração de apostas desportivas online em Portugal. (Re)Abre-se uma nova fonte de financiamento para os clubes que em tempos já beneficiaram dela."

Equipas vencedoras foram... 5

"Balanço da futebolística temporada lusitana: muito forte subida de nível competitivo, leia-se renhidíssimos despiques pelo título, por entrada na próxima Liga Europa e por fuga a despromoção (tudo isto decidido apenas no último dia!). Equipas vencedoras foram... cinco.

- Benfica de Rui Vitória. Campeão (com o luxo de marcar 88 golos (!) e estabelecer recorde de pontos conquistados). Colocou-se entre os 8 melhores da Europa, batendo-se taco a taco com Atlético de Madrid, que afastou o Barcelona, e estará na grande final deste sábado (Benfica venceu e perdeu, totalizando 2-2), Zenit (3-1, após 2 triunfos), Bayern de Munique (derrota 1-0, empate 2-2); e, na soma de prémios da UEFA, receitas de bilheteira e de transmissões televisivas, muito bom percurso na Champions rendeu-lhe cerca de €40 milhões - para além de prestígio reforçado e de jogadores em grande montra europeia, potenciando outras mais-valias financeiras (vide Renato Sanches, só para começar...). Por fim, muito embalado, venceu mais uma Taça da Liga.

- SC Braga de Paulo Fonseca. Conquistou a Taça de Portugal, 2.ª mais importante competição portuguesa, chegando ao Jamor após eliminar Sporting, Arouca e Rio Ave, o que significou percurso bem mais difícil do que o do FC Porto, finalista derrotado. Excelente carreira na Liga Europa, atingindo lote dos 8 melhores (daí cobiça estrangeira por Paulo Fonseca e o salto que ele dará). Seguríssimo 4.º lugar no campeonato. Tudo somado, plena confirmação de Braga ter o mais forte clube português depois do gigantesco trio.

- Arouca de Lito Vidigal. Tão surpreendente quanto enorme proeza!: um clube que há poucos anos andava nos distritais e fracos recursos possui - até para treinos... - vai entrar na Europa! Terminou o campeonato apenas a 4 pontos do bem mais poderoso SC Braga, não perdeu jogo com ele (dois 0-0), derrotou o Benfica em campo neutro (Aveiro) e também o FC Porto (no Dragão!). Lito Vidigal, que já muito bem conduzira o Belenenses, está em grande ascensão. Não será fácil o Arouca mantê-lo.

- Rio Ave de Pedro Martins. Próxima Liga Europa é prémio arrebatado no último dia. Equipa equilibrada num interessante modelo de jogo, bateu-se cara a cara nos diretos confrontos com os primeiros, até empatando em Alvalade e no Dragão. Pedro Martins segue para Guimarães, onde foi importante como jogador.

- Tondela de Petit. Impensável, fantástica!, ponta final, salvando-se de despromoção dita garantida. Nos últimos 7 jogos, só uma derrota (em Braga), 5 triunfos, 3 deles em casa alheia, começando pela do FC Porto! Fabulosa alma!!! Petit já na época passada conseguira manter na I Liga o então muito débil Boavista.

Prémio de consolação? Para o Sporting. Porque ascendeu a protagonista de renhidíssima discussão do titulo, graças ao efeito Jorge Jesus, indiscutivelmente grande treinador: empolgamento dos adeptos e reforços do plantel como há muito não se lhe via, a par de qualidade exibicional que, nalguns períodos, atingiu brilhantismo. Não sei se terá aprendido o essencial de outra realidade: teimando em atingir o Benfica - e quase o resto do mundo... - com sucessivos balázios de canhão, estes foram -se virando para quem os disparava...
Excelente campeonato fez o Sporting. Porém, convenhamos: Champions e Liga Europa foram rotundo fiasco; Taças de Portugal e da Liga fiasco foram. Triunfo na Supertaça, no 1.º jogo da época, perante Benfica muito esvaído por disparatada digressão americana, é fraco saldo. Inferior à Taça de Portugal conquistada na época anterior.

FC Porto: 3.º ano a fio indo de mal a muitíssimo pior deu... apocalipse! Tema que, em definitivo, obriga a muito profunda análise interna. E, naturalmente, suscita não leves comentários externos. Por hoje, fico-me neste: drástico ponto final no tempo em que a estrutura portista tanto se gabava de fazer campeão qualquer treinador. A estrutura estará agora cheia de brechas. E passou a ser ela a precisar, em SOS, de grande treinador/líder. Ainda antes da pré-temporada..."

Santos Neves, in A Bola

Benfiquismo (CXV)

Resumo do 35...

Final do jogo:
Sporting 0 - 1 Benfica
2015/16

100 Milhões de nada

"Quando os rumores passam a ser o critério editorial de alguns jornais e jornalistas, e a venda, ou as audiências, o único objectivo que valida a publicação desses mesmos rumores, é porque se inverteram por completo os valores que devem presidir à profissão.
Não há nenhum encaixe de 100 milhões, acordado, negociado ou ‘fechado’, pelo naming do Estádio da Luz, como o Correio da Manhã hoje publica. Escrever isto é não ter a noção nem do valor em causa, nem da conjuntura económica que vivemos, nem de nada. Uma especulação fantasiosa sem o mínimo de sustentação cuja publicação lamentamos.
Um erro grosseiro e desnecessário que antes de mais prejudica os leitores do jornal que se habituaram a ter no CM um jornal de referência.
Mas as notícias fantasiosas e sem fundamento não se ficam por aqui.
a) Não há negociações com familiares ou empresários de Zivkovic, não há nenhum contrato assinado ou por assinar com o jogador, não há nenhum compromisso até 2020. Não há rigorosamente nada!
b) Apesar das muitas notícias publicadas nos últimos dias, seguramente alimentadas por alguém que tem interesse no processo, o Sport Lisboa e Benfica não está, nem esteve, a negociar Rafa com ninguém. Não há nenhum processo a fechar antes do Europeu, nem depois do Europeu. Respeitamos o jogador, a sua qualidade e o seu talento, mas não cabe nos planos do Clube para a próxima época.
c) Não há nenhum fundamento em relação à possibilidade de Enzo Pérez regressar à Luz.
d) Apesar das múltiplas notícias que dão conta da venda de todo o plantel do SL Benfica, apenas um jogador foi vendido.
Os jornais devem fazer um esforço máximo por evitar ser instrumentalizados por quem quer utilizá-los, seja por que agente desportivo for. E, pela amostra dos últimos dias, há gente muito ativa a “plantar” notícias sem qualquer suporte ou fundamento."

Benfica à distância !!!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Mais dois anos...

A renovação de Júlio César foi oficializada hoje.
Com as dúvidas sobre a continuação do Ederson, era óbvio que não podíamos 'perder' os dois guarda-redes principais.
Mesmo assim, esta é uma daquelas decisões aparentemente fáceis, mas existem alguns factores que seguramente foram analisados pela Direcção: idade/ordenado!
A situação do Imperador e do Luisão são idênticas, jogadores de inegável valor, muito importantes na liderança do balneário, mas na próxima época arriscam-se a ser relegados para o banco, sendo ao mesmo tempo, dos jogadores com salário mais alto no plantel...!!!
Pessoalmente, como não sou o responsável financeiro do Benfica, concordo com a permanência dos dois jogadores, mas considero essencial, manter no plantel do Ederson e o Lindelof...!!!

Roubo

ABC 27 (2) - (1) 23 Benfica
(13-12)

Já temia que isto acontecesse. Até agora, as arbitragens até tinham sido equilibradas, com erros, mas sem inclinações, mas hoje, foi uma vergonha... quando o Benfica se começou a aproximar na fase decisiva do jogo, começaram as exclusões em catadupa, e quando o Benfica passou mesmo para a frente, ficámos imediatamente a jogar em inferioridade numérica... Roubo! E nos últimos minutos sempre que o Benfica ameaçou aproximar-se, lá tivemos que aturar sempre o apito 'salvador'!!! Vergonha...
A diferença nos critérios para o jogo de Sàbado, na Taça Challenge é enorme... Eu sempre defendi, que o Benfica devia apostar tudo na Challenge, porque a nível nacional, existem sempre desequilíbrios artificiais!

Temos que ganhar na Luz, o jogo 4, e levar o Campeonato para a negra... Mas suspeito que se houver jogo 5, vamos ter uma repetição dos apitos desta hoje!

Também não é novidade, mas a Bola TV prestou-se a mais uma vergonhosa transmissão!

Por fim as taças

"Mais uma Taça da Liga para o SLB. A tal que é desprezível para quem ainda não foi capaz de a vencer (FCP e SCP até já perderam 2 finais, que atingiram, por certo, sem querer...). Para a conquistar são precisos tantos jogos como para vencer a Taça de Portugal. Mesmo assim, há quem ache a Supertaça mais valiosa, talvez pelo morfema super que antecede a dita taça. Ao invés das outras taças e do campeonato, não é um torneio, mas tão-só 90 m., uma espécie de prólogo ciclista em Agosto. Mesmo assim, é sempre importante para o Benfica vencer, e este ano frente a um valoroso Braga.
Agora a Taça da Liga é a Taça CTT, um significativo e dignificante patrocínio. O Benfica venceu 7 das 9 edições da competição. Meio caminho andado para vencer a oitava. Fazendo jus ao velhinho, tradicional e bonito marco de correio vermelho, as sucessivas vitórias encarnadas talvez devessem levar os CTT a pensar numa modalidade de correio vermelho: mais eficaz, mais expedito, mais veloz. É que, nesta Taça CTT, não há correio azul nem correio verde que cheguem ao destino final...
O Marítimo, apesar de goleado, foi um meritório finalista. O mesmo Marítimo que, na fase de grupos, foi ao Dragão vencer por 3-l.
Na Taça de Portugal, o Sp. Braga foi finalmente vencedor, meio século depois. Braga e Minho já o mereciam há muito.
Um ponto comum a todas as finais do fim-de-semana: precisaram de prolongamento (Inglaterra, Espanha, Itália) ou penalidades (Alemanha e Portugal), o que diz muito sobre o que é jogar finais depois de mais de meia centena de jogos. E, nas penalidades, Portugal sub-17 venceu o Europeu. Magnífico!"

Bagão Félix, in A Bola

O impacto de Rui Vitória

"O efeito Rui Vitória nas finanças do Benfica é uma bola de neve que vai crescendo a cada dia. Talvez ainda seja cedo para calcular o impacto que a conquista do campeonato acabará por ter nas contas da SAD, mas há números muito concretos que já só precisam de ser somados. A estreia do treinador na Champions League, por exemplo, deu para bater recordes: 34 milhões de euros, um encaixe sem precedentes para um clube português.
Com o triunfo na Liga e a respectiva presença na próxima edição da prova milionária da UEFA, Rui Vitória garantiu, de forma directa, mais esses 12 milhões correspondentes ao prémio de presença. E a estas duas parcelas será já preciso acrescentar as vendas de Renato Sanches (35 milhões, que subirão para um mínimo de 50), de Nico Gaitán (25) e, muito possivelmente, de Talisca (outros 25). Ora, assim por alto, a receita do futebol do Benfica já vai em 150 milhões - só em prémios e vendas - desde que Rui Vitória chegou à Luz. E o mercado ainda mal começou...
A estes números podem acrescentar-se depois outros benefícios. A inclusão de vários jogadores da equipa B no plantel principal (como Nélson Semedo, Lindelof e Renato Sanches) permitiu controlar e reduzir o peso da massa salarial e esta foi uma das temporadas com menor investimento no reforço do plantel: menos de 20 milhões de euros. Um ano antes, por exemplo, as compras tinham chegado aos 38,5. Por fim, falta lembrar a redução drástica nos ordenados da equipa técnica, que possibilitou a poupança de mais uns milhões.
Foi neste contexto de clara alteração de paradigma que o Benfica conseguiu não só vencer o seu 35.º campeonato como ainda estabelecer vários recordes, como esses 88 pontos que nem José Mourinho tinha alcançado com o seu super FC Porto. O resto é conversa."

Luta pelo 'poder'

"Jorge Jesus disse numa entrevista, que esta semana deu à SIC, que fora dos relvados se joga forte e feio por um poder tão grande que ajuda a determinar campeonatos: é o poder da comunicação. Parece que apenas recentemente os clubes descobriram que esse poder era importante, até mesmo fundamental. E, analisando esta temporada à luz do que nas entrelinhas também disse o treinador do Sporting, o Benfica talvez tenha vencido a Liga porque comunicou melhor, o Sporting perdeu-a porque comunicou mal e o FC Porto fez uma época desastrosa porque possivelmente ligou muito pouco a esse poder.
É claro que as estratégias de comunicação têm actualmente uma importância muito grande num clube profissional de grande dimensão, mas ainda não consta que ganhem títulos. O que o futebol português terá igualmente de perceber, de preferência em menos tempo do que levou para chegar aqui, é que nem tudo é boa comunicação. Travar guerras nas redes sociais, alimentar batalhas entre pessoas com responsabilidades nos emblemas e que gozam (ou gozavam) de prestígio, ou mexer os cordelinhos de marionetas sentadas em debates televisivos, muito pouco ou nada dignificantes, tem pouco de estratégia. É barulho, é má comunicação, é incendiar emoções e ao mesmo tempo dizer ao adepto: 'não compre este produto, que ele vale muito pouco e você nem imagina como é que ele é confeccionado!'. Por vezes é preciso utilizar estratégias agressivas, de acordo; mas há limites e durante esta época ultrapassaram-se vários.
A rivalidade fora de campo entre os três grandes do futebol nacional tolhe-lhes a lucidez e impede-os de comunicar bem, positivo. Impede-os de saberem estar e conviver com o sucesso e também nos momentos de insucesso. A comunicação dá-nos o poder de reinventarmos a nossa imagem. Usem-no bem."

Nélson Feiteirona, in A Bola

O triunvirato

"Escusamos de andar com meias palavras: o futebol em Portugal é dominado por um triunvirato constituído por Benfica, FC Porto e Sporting (por ordem de troféus), que à conta de tanto ganharem arrebatam (quase) todas as simpatias, (quase) todas as atenções, (quase) todas as receitas e (quase) todo o espaço mediático. 
Assim, quando ganha a Taça um clube como o SC Braga (ou antes V. Guimarães, Académica, V. Setúbal, Beira-Mar, Boavista, Estrela da Amadora, Belenenses e Leixões) é despertada uma nacional-condescendência que roça a ilusão de simpatia pelos emblemas mais pequenos, assim como aquela tia que nos diz «que fofinho, até consegue andar de bicicleta sem rodinhas como o mano mais velho». A verdade é que nem a tia velhinha deixou de preferir o primeiro sobrinho nem os portugueses querem na verdade um Leicester a ganhar campeonatos. A prova disso é que temos competições desenhadas para favorecer os tais da triarquia. Exemplo melhor é a Taça da Liga, na qual os grandes têm melhor calendário e mais jogos em casa, para ser mais provável seguirem em frente na prova.
Argumenta-se que assim é porque dessa forma as receitas aumentam e há bolo maior para dividir. Talvez assim aconteça, embora o caminho certo fosse outro - o de equilibrar as competições, aumentar-lhes a incerteza quanto ao vencedor e por conseguinte o interesse. Como? Um passo de cada vez: antes de mais impedir a vampirização dos pequenos pelos grandes, estabelecendo limites de jogadores que podem ter ligação contratual a cada clube, para que qualquer jogador que acerte dois pontapés seguidos na bola não assine por um grande que não o quer e o usa para emprestar ou vender, impedindo assim o pequeno de ser competitivo, de lucrar com os bons jogadores. No fundo, de ser independente. Ou está tudo bem assim?"

Nuno Perestrelo, in  A Bola

Rui Vitória 'abriu o livro'

"Sim, na extensa e, sobretudo, excelente entrevista de ontem em A BOLA, Rui Vitória abriu o livro. Neste caso, por abrir o livro entenda-se plena reafirmação da sua forma de se sentir treinador/líder de equipas e da sua maneira de ser como pessoa.
Quem foi acompanhando ascensional carreira de Rui Vitória esperava recusa de jactância ao saborear grande êxito. Teria sido facílimo, e mesmo apetitoso, contra-atacar agora ao muito que lhe foi lançado, amiúde em estilo de vale tudo. Não o fez. E soube manter máxima tónica no mérito de NÓS, o que, num líder, é a muito saudável forma de valorizar o EU.
E foi firme. Destacando «muito trabalho de muita gente», frisou não ter sido triunfo apenas de coesão e solidariedade: «Trabalho de treino apuradíssimo dos jogadores e da minha equipa técnica foi determinante.» E explicou, do ponto de vista técnico/táctico, visando alternar ritmos de jogo, como, aproveitando o que herdara (também isso muito saudável...), foi implementando as alterações inerentes ao seu modelo de jogo e ao objectivo de a equipa adquirir superior consistência - e versatilidade para enfrentar substanciais diferenças nas sucessivas passagens de jogos da nossa Liga para confrontos na Champions e vice-versa. Já frisara e repetiu: importância de equipa preparada para disputar Champions e diversas provas jogando de 3 em 3 dias...
Elogiou colegas: «Há trabalhos muito mais difíceis do que o meu, e de outros, com grandes recursos à sua disposição.» Firme também nisto, quiçá dirigindo-se para dentro do Benfica: «Sei muito bem quem esteve comigo desde o início, e quem não esteve; estão perfeitamente identificados.»
Serenamente, pintas nos ii."

Santos Neves, in A Bola

Benfiquismo (CXIV)

O primeiro Sueco a brilhar na Luz...
Glenn Stromberg

Rui na BTV



PS: Aqui ficam os links para as outras entrevistas do nosso treinador!!!
RTP (1) ; RR (1, 2)

Rescaldo...

Rui de Vitória !

~
"(...)
- Gostou de ver a capa de A BOLA do tricampeonato uma época depois de ter afirmado que gostaria de oferecer o título aos benfiquistas?
- Gostei muito. Falamos tantas vezes que nem nos lembramos, concretamente, de algumas frases. Aquelas duas capas retratam o início e o final. Foi um final feliz, um início prometedor, embora não goste de prometer coisas que não estão totalmente nas nossas mãos. Lembro-me de que no discurso de apresentação prometi trabalho e dedicação de corpo e alma ao Benfica. É evidente que era o objectivo que queríamos e que concretizámos. Foi um final feliz, perfeito.

- Já pensou onde vai colocar os quadros?
- Por acaso não sou muito de recordações. Ultimamente tenho a preocupação de guardar uma coisa ou outra porque começaram a ter um significado especial. Mas não sou de ter uma zona para isso.

- Mas não tem um cantinho em casa só para as suas memórias?
- Sou um bocado desligado dessas coisas. Tenho, de facto, agora, alguns pormenores que retratam momentos importantes da minha vida. Como as coisas têm acontecido de forma tão rápida - e tanta aconteceu ao longo da minha carreira - acabam por ir perdendo significado. Atrás de uma coisa vem outra, atrás de uma vem outra. Não tenho aquele sítio para mostrar às pessoas.

- Tem de negociar com a sua mulher.
- Não. É uma filosofia de vida. A vida do futebol é ganhar, perder, procurar outra vitória. Ganhar uma medalha e procurar outra. Se há uma bola da Liga Europa, vamos à procura da bola da Liga dos Campeões. Se há a bola da fase de grupos da Liga dos Campeões, vamos à procura da bola da final. É esta a perspectiva. Como isto é tão corrido, passa rápido por mim.

- E dos objectos de que falou qual é aquele por que tem mais carinho?
- Não há assim nenhum especial. Fui campeão nacional da III Divisão como jogador, fui campeão nacional da II Divisão como treinador, fui a uma final da Taça da Liga e fomos lá buscá-la a Coimbra, ganhei uma Taça de Portugal, que foi um marco importantíssimo, e agora o título de campeão nacional. Cada momento teve um significado especial. É evidente que ser campeão pelo Benfica marca qualquer treinador. Mas a satisfação que tive quando fui campeão como jogador... A felicidade é relativa. É evidente que ganhar a Taça de Portugal e o título de campeão nacional são pontos muito importantes da nossa vida.

- Lembra-se da frase que estava em frente ao microfone no púlpito em que falou durante a apresentação?
- Lembro.

- Qual era?
- Um passado de glória, um futuro de vitória.

- Foi premonitório?
- Achei curioso. Se bem que o meu nome vai dando para fazer alguns trocadilhos. Não tinha dado a devida importância antes de chegar lá, mas aquela frase ficou-me e enraizei-la. O Benfica é isso permanentemente, com Rui Vitória ou outro treinador. Mas gostei. Sinceramente, gostei. Vamos ver se consigo fazer jus a essa frase.

- Disse, na altura, que daria a vida pelo Benfica se fosse preciso. Não foi preciso. O que deu nos últimos meses?
- Não, eu dei a vida. Dar a vida é entregarmo-nos de alma e coração a algo que estamos intimamente ligados. E quando digo dei a vida quero dizer que tudo passa para primeiro plano. O Benfica passa para primeiro plano. Digo isto muitas vezes: temos a nossa família, que é importante, mas há um momento em que o jogo é o mais importante da nossa vida, o futebol passa a ser o mais importante na vida. Felizmente, consigo dividir isso muito bem. Tenho o meu coração e cabeça divididos em várias áreas o que me permite estar enquadrado nas coisas de uma forma clara. Mas dar a vida é isso. Dei a vida e tudo aquilo que tinha pelo Benfica. Mas não dei com qualquer sacrifício. Dei como o maior prazer porque é a minha forma de estar na vida.

- Qual o sabor de ser campeão nacional?
- É uma grande satisfação, um prazer sem explicação, é a noção de dever cumprido e de estar bem com a vida. Resumindo é isto.

- O que muda?
- Em relação a mim nada de significativo vai mudar porque sou uma pessoa muito tranquila e estável por natureza. A minha vida é feita deste tipo de coisas: se ganharmos, temos mais sucesso para alcançar, e se as coisas não correrem tão bem só temos um caminho que é ir à luta, à procura de uma nova vitória. É algo que marca, naturalmente, porque é o primeiro título nacional, mas na minha personalidade e forma de estar jamais me poderá mudar.

- Depois do jogo com o Nacional estava a olhar para o céu. Era para quem?
- Em determinados momentos, e sobretudo nestes mais fortes, olho para o céu porque os meus pais estão sempre presentes na minha vida e ali é um momento de comunhão. São momentos inexplicáveis. Tenho uma fotografia na final da Taça que é uma fotografia da minha vida, no que diz respeito à relação com os meus pais, uma fotografia muito feliz, porque há momentos da minha vida em que algo nos faz cruzar. Depois do jogo com o Nacional foi exactamente isso.

- Qual é a sua impressão digital na equipa do Benfica?
- Foi um ano sui generis, de mudança. O que se pode vincar mais em relação a mim é a gestão dos recursos humanos, dos momentos que a equipa passou, da minha forma de estar em função do contexto que me rodeava. O meu papel foi muito relacionado com gestão. É evidente que - é algo que quero deixar bem vincado - este titulo não foi conquistado só porque demos as mãos e fizemos umas correntes e agora ganhámos. Houve muito trabalho de muita gente e tenho a certeza de que, neste momento, muita gente quer levar este título para esse caminho da coesão, da solidariedade, da união. Mas, oiçam, há um trabalho de campo e de treino apuradíssimo dos jogadores e da minha equipa técnica e que foi determinante.

- Podemos falar disso. O que mudou, realmente, no jogo da equipa? Não se pode ignorar que Jesus disse que estava lá tudo dele e que só o cérebro tinha saído. O que introduziu no jogo da equipa?
- Quando penso as coisas, penso-as para mim, para nós, e jogo e quero ganhar pelo Benfica, nunca com o que quer que seja de outras abordagens, no caso concreto do treinador que cá estava. Tivemos a percepção do que havia e a nossa visão de jogo. E vamos ver. Isto consegue-se de uma forma brusca ou lenta? Há coisas que têm de ser feitas de uma forma mais pausada para serem consistentes. O nosso grande trunfo foi esse. Isto existe em todas as equipas. Quando sai um treinador ficam lá coisas, como aconteceu no V. Guimarães, no qual estive lá quatro anos. São hábitos. É como nas empresas quando lidamos com chefe de determinadas características: há metodologias de trabalho que estão implementadas. Estas mudanças têm de ser bem pensadas. Era importante ter-se algum tempo para se modificar gradualmente. É evidente que com os jogadores que mantivemos havia que aproveitar e dar o nosso cunho. Qual foi a perspectiva de formação da equipa? Foi ser uma equipa muito consistente, segura do que estava a fazer, que sentisse que estava preparada para os diferentes contextos. E conseguimos fazer isso muito bem. Fomos uma equipa que tinha um modelo de jogo definido por mim e pela minha equipa técnica e que, depois, teve versatilidade. Mas não é a versatilidade de nos adaptarmos aos adversários, foi perceber que um jogo da Liga dos Campeões é completamente diferente do campeonato nacional. E os jogos do campeonato também são diferentes. A equipa tinha de ter uma consistência que soubesse estar em campo nestas diversas situações. Conseguimos isso, que a equipa fosse segura, não direi mais cautelosa mas que soubesse que as oportunidades iriam aparecer, que fosse sempre solidária, que soubesse o que estava a fazer do ponto de vista da organização e que, depois, o colectivo faria com que as individualidades aparecessem. Fomos conseguindo ao longo do tempo. Poderia não ter acontecido porque, de facto, foi um início conturbado, mas fomos conseguindo lentamente. Há uma frase do Eliseu que ilustra bem como acabámos: Se viessem mais dez jogos, ganhávamos os dez. A equipa estava preparada e sabia o que fazer com tudo o que encontrasse.

- Falando de futebol mais puro e duro. Como é que vê este Benfica?
- Este Benfica foi criado com uma preocupação de ter uma maior circulação de bola, mesmo que para isso tivéssemos de pausar mais o jogo, porque fazendo-o também tínhamos mais formas de alternar o ritmo do jogo. O facto de tirarmos alguma velocidade na forma como atacávamos também permitira que houve mais alternância. Depois também queríamos uma equipa versátil a atacar. Estive do outro lado e sei como pensam os treinadores do outro lado. E o que é? O mais confortável para quem está a analisar o jogo é detectar um ou dois aspectos bons do adversário. E tentámos ser o mais versáteis possível. Como? Entrando pelas faixas, ser fortes e entrar por dentro, ter chegadas na área com mais gente na zona central do campo, estar muito preparados para a perda de bola, assentar bem o jogo retirar a profundidade que as equipas que jogam contra nós procuram, ou seja, as bolas nas costas.

- Guardiola falou da profundidade.
- Se fizermos uma análise táctica deste pormenor do ponto de vista defensivo tivemos jogos de enorme qualidade. É evidente que nem tudo é perfeito. A equipa assentava nisso. Ter versatilidade no ataque para criar muita imprevisibilidade aos adversários. Reparem - de repente o adversário tem de preocupar-se com o Gaitán, depois o Mitroglou começa a fazr golos, mas por trás do Mitrolgou está o Jonas que nunca se sabe onde vai aparecer, o Pizzi tem um jogo que está na ala direita e de repente está quase a médio centro. E ainda vinha o Renato. E depois um lateral que vai por fora e arranca cruzamentos. A equipa fica uma gama de recursos ofensivos. A eficácia ofensiva é exactamente por isto. Se não era por dentro era por fora. Alguns dessas situações tinha de dar golo. As coisas acontecem de forma natural porque criámos esta versatilidade toda.

- Falou do mau início. Como explica esse mau começo?
- É perfeitamente natural que a mudança traga algum travão depois de haver rotinas de trabalho com um treinador e outras pessoas. As pessoas ficam: Mas dá, não dá, mas é isto, não é? Sabíamos isso. Agora é fácil dizer que foi o digressão.

- Foi a digressão?
- Foi um motivo que ajudou a alguma dificuldade ou ao retardar de uma assimilação que queríamos mais rápida. Mas isto é facilmente explicado. Uma equipa como a nossa, que joga a Liga dos Campeões, não tem quase tempo para se treinar quando entra no processo competitivo. O período pré-competitivo é bom par aos treinadores implementarem as ideias. Lembro-me que no primeiro mês, salvo erro, alterei 12 a 16 dias que tínhamos planeado porque a viagem retardou, porque a relva estava encharcada, porque estava demasiado calor. E isto é tudo o que queríamos que não acontecesse. Houve uma série de coisas que dificultaram esta implementação.

- Como lidou com os protestos à equipa depois do empate com o União da Madeira, e com a entrada dos adeptos pelo centro de estágio no Seixal?
- Com a maior naturalidade porque se há coisa que faço é antecipar cenários. Faço-o em todos os aspectos da minha vida. A pior coisa que um treinador pode pensar é estar num sofá a ver um jogo, depois vai treinar aquela equipa a pensar que chega lá e vai fazer tudo o que idealizou. E que vai tudo correr como pensou. A vida de treinador não é isso. É passar muitas vezes por dificuldades. E é passando pelas dificuldades que os treinadores crescem muito. Sabíamos que iríamos ter momentos mais difíceis e entendi isso sempre com muita naturalidade. O Benfica é um clube ganhador, no qual estava enraizado esta (cultura de) vitória nos últimos anos. E a minha equipa entrava para este centro de estágio e era um mundo à parte. Trabalhámos para nós, para sermos melhores e superar-nos. O mundo de fora pouco ou nada tinha de influência no nosso dia a dia. Só tinha de manter-me fiel aos meus princípios e não abanar. A pior coisa que os passageiros de avião podem ver quando há turbulência é o comandante com medo. Segui o meu caminho acreditando no trabalho, no valor dos jogadores e acreditando que as coisas iriam bater certo. E bateram.

- Falando em antecipar cenários, antecipou a possibilidade de poder ser despedido?
- Nunca é coisa em que pense.

- Nunca foi despedido.
- Não, nunca fui. Também não estou preocupado em bater recordes desses. Nunca penso as coisas dessa forma. É sempre o próximo jogo, o próximo treino, a próxima competição. Se calhar fui penalizado por isso nalgum momento porque não pensei mais a longo prazo. Acho que não. A minha preocupação é jogo a jogo e, depois, de houver algum resultado menos positivo é pensar como vamos resolver as situações. Havemos de tratar do assunto. E depois, isso tenho de dizer-vos, houve sempre grande sintonia desde o primeiro dia entre mim e o presidente. Não foi preciso falarmos muito. Dou um exemplo: escrever um documento para o projecto do Benfica. Tenho esse documento elaborado, mas não é preciso ter escrito para o presidente porque a sintonia foi tão natural que as coisas funcionaram. Sabíamos que andávamos lado a lado nesta luta. Não fomos só os dois os obreiros disto, mas, naturalmente, fomos duas partes importantes deste processo e deste projecto. Essa sintonia e essa ligação davam-me a tranquilidade para trabalharmos de uma forma tranquila.

- Houve algum momento em que tenham sentido que deram a volta? Alguns jogadores falaram na vitória sobre o SC Braga, no Minho. Aquela célebre conferência de Imprensa em que bateu várias vezes com a mão na mesa teve algum efeito positivo?
- Gosto pouco de fazer um corte porque os grupos não nascem por livre e espontânea vontade.Os grupos formam-se e crescem. E o nosso grupo e a nossa equipa foram crescendo, desenvolvendo-se, conhecendo-se, entrelaçando-se. Dizer que este ou aquele momento foi chave é redutor para o que foi feito. Depois do empate com o União da Madeira toda a gente dizia que ninguém recuperava sete pontos. Fui o primeiro a dizer: calma, as coisas não são assim. Lembro-me que tínhamos um almoço desagradável, mas fizemos esse almoço olhos nos olhos, uns com os outros, não com a alegria que queríamos, mas sentimos que estávamos ali uns para os outros. São coisas nossas, que nos ajudam e que não são o que as pessoas gostam de ouvir. Houve vários aspectos que ajudaram. Este grupo foi sendo moldado e construindo desde o início. Depois há, de facto, a viragem que me parece ser um momento importante: a vitória em Alvalade. Passámos para a frente. Sabíamos que aquele jogo era para ganhar fosse de que maneira fosse. Todos enraizámos isso. E ao passar para a frente foi um momento importante. 'Bem, afinal estávamos tão longe a já demos a volta. E agora vamos com tudo'.

- A entrada de Renato Sanches estabiliza a equipa. Quando percebeu que ele poderia ter esse efeito na equipa? Como foi preparado para entrar e estar pronto para responder ao que precisava dele?
- Em primeiro lugar, é bom que se diga que o Renato é fruto do trabalho de muita gente. Mas também estou a ver mais pais de criança do que aquilo que devia haver. É fruto do trabalho de muita gente, de quem o ajudou muito a ser o que é. A entrada do Renato surge numa altura em que nós precisávamos de um médio de ligação como gosto nas minhas equipas. E esse médio tem de ter determinadas características. Falava-se em Janeiro do que poderíamos ir ao mercado. Mas quando pensei no jogador com as características que queira... o jogador estava ali. E noutros clubes tirei sempre a capa dos jogadores. Quer dizer: quero lá saber se ele tem 18 ou 19 anos, se veio do Benfica de Castelo Branco ou do Barcelona. Não olhei para isso, para as características de que a minha equipa necessitava naquele momento. E estavam ali. Claro que ainda não estavam na plenitude. Qual era o caminho? Não era passar o Renato directamente da equipa B para a A porque já o conheço há muito tempo e estava a trabalhar na equipa B. Arranjámos um espaço para integrar o trabalho e a partir desse momento passou a ser um dos nossos. Do ponto de vista grupal, também é ser aceite pelos mais velhos e os menos velhos. Também tinha a convicção de que entrando no trabalho diário iria ser reconhecido pela qualidade. O Renato encaixava no que precisávamos. A grande estratégia era saber como se integraria na equipa, como é que aparece um corpo estranho, um miúdo de 18 anos ainda júnior se iria integrar na equipa. Quinze dias de trabalho em que houve lesões e em que houve a possibilidade e 'Bem, é agora a altura de chamar o Renato'. Foi pô-lo a trabalhar. Normalmente, com estes jogadores a reacção é logo extraordinária. Porque é um salto motivacional enorme. E então se se sentirem à vontade com os colegas começam a mandar tudo cá para fora. Foi isso que aconteceu. Depois, ao ter esta filosofia... 'Se ele está em condições, vai lá para dentro'. Começou a fazer o que queria, encaixava nas minhas ideias de jogo, foi lá para dentro. E a partir daí não saiu mais e teve um desempenho fantástico.

- Contava que Renato Sanches tivesse uma influência tão grande?
- Contava. As características do Renato encaixavam no resto do puzzle. Se o Renato tivesse à volta dele, nomeadamente na posição 6, um médio de outras características se calhar iriam ver-se algumas lacunas que o Renato poderia ter. Mas ele encaixava naquilo que a equipa precisava. Ele sobressai porque atrás e ao lado havia quem potenciasse as características dele e limitasse as eventuais lacunas. Renato foi fruto do trabalho dos outros.

- Também ganhou o Fejsa.
- Quem diz o Fejsa diz o Samaris. O Fejsa é um jogador com características que favoreceram muito o Renato e nada melhor para um jogador que transporta a bola haver outros na frente que querem a bola. De repente tem duas, três linhas de passe fáceis para dar. Um jogador atrás que dá uma protecção boa, ligação para a frente e linhas de passe abertas... era o melhor que poderia acontecer ao Renato.

- Ele é aquele rapaz extrovertido que todos viram no Marquês?
- Mais do que extrovertido é olharmos para aquele rapaz de 18 anos e dizermos: 'Como é possível um rapaz de 18 anos ter um à-vontade e confiança tal para agarrar no microfone e estar daquela forma no Marquês?' Isso reflecte claramente aquilo que o levou a ser titular na equipa principal. Foi: 'Eu quero lá saber se vou jogar com o Hulk, ou com o Vidal. O meu treinador pôs-me aqui dentro e eu vou jogar'. É essa a forma de estar, essa confiança... Nem toda a gente chega ali e pega no microfone com aquela alegria. O à-vontade e predisposição forma os mesmos que teve a jogar.

- E como lidou Renato com as acusações de que não tinha 18 anos?
- Houve muita protecção dos colegas e da organização do Benfica. E o Renato é um miúdo que está bem com a vida, que leva as coisas desta forma. Ele quer lá saber o que dizem dele. Quando lhe digo quero que sejas o selvagem que és sempre é dizer-lhe sê igual a ti próprio, 'o teu caminho vai ser naturalmente modelado', não tenho de ser eu em seis meses a fazer tudo, há de haver outros treinadores que o terão de limar. É um miúdo da rua, vivido, que está no Benfica há muito tempo, que lidou com muitos miúdos e jovens de diferentes meios sociais e que está perfeitamente integrado. É um miúdo do mundo. Aquilo para ele foi visto com muita naturalidade. Mas, atenção, foi excessivo, em determinados momentos mal intencionado e não se deveria fazer a um miúdo de 18 anos.

- Se fosse treinador do Bayern pedia ao clube para pagar tantos milhões por ele?
- Pedia. Não foi (transferido) por aquilo que jogou. Vivemos num mundo da expectativa e um bocado de especulação. Não é só aquilo que vale, é também o que pode valer. É também a escola do Benfica, que está muito conceituada internacionalmente. E olhar para as características dele é perceber que é um jogador que não se vê muito. O jogador-típico do futebol português é, de certa forma, formatado: recepções bem feitas, passes bem feitos, muita segurança no jogo naquelas posições, mas com menos risco e irreverência. E o Renato tem tudo aquilo. Mais do que aquilo ele joga é aquilo que ele representa. Representa irreverência, rebeldia, aventura. Além da enorme qualidade, há o aspecto comercial. Também temos de olhar para um jogador com esta face. Dá nas vistas. A vida é mesmo assim. Não me choca nada. O Renato até ao topo da carreira, aos 27/28 anos, tem dez anos. Em dez anos, estes 35/60 milhões vão estar pagos.

- Temos de falar no Ederson e do Lindelof que foram outras surpresas pela positiva. Qual é o limite deles?
- Estamos agora a ver esses jogadores que entraram há três/quatro meses, como o Nélson Semedo e o Gonçalo Guedes jogaram nos primeiros três/quatro meses. Ficámos com esses na retina porque foram os últimos.

- E porque jogaram muito bem.
- O Nélson tem uma entrada fantástica até à lesão. O Gonçalo entrou muito bem. Muitas vezes os jovens têm oscilações de rendimento por vários aspectos. São jogadores que têm valor e é uma questão de oportunidade e de lhes darmos a confiança necessária para se sentiram confortáveis. Ninguém vai dar lugares a jogadores pernas de pau. Não é isso. Quando há um conjunto de pré-requisitos, às vezes um jogador só precisa de oportunidade, de um momento e de um espaço. E depois dar-lhe oportunidade para ele se explanar, para se sentir como se estivesse a fazer a coisa mais fácil do mundo. Fomos fazendo isso com esses jogadores e as coisas funcionaram bem.

- Insistimos. Pode falar mais em particular de Ederson e de Lindelof?
- Ederson evidenciou nesta fase características de grande qualidade. É inegável. Um guarda-redes de 22 anos com aquele desempenho... O Benfica está colocado numa situação em que é muito apetecível para outros mercados. É normal chegar aqui alguém, olhar para o Ederson e dizer: '22 anos e a jogar desta maneira vale a pena o investimento'. Acredito que haja quem faça. Como acredito que haja quem faça com outros, principalmente os mais jovens. Porque há potencial para ser trabalhado e rentabilizado.

- Porque manteve Lindelof no 11 depois da recuperação de Luisão?
- Acima de tudo procuramos ser coerentes. O Victor estava a ter desempenhos fantásticos, sempre com regularidade enorme, estabilidade e tudo se tornava mais fácil para manter, estando a equipa a render. Aquilo estava, de facto, a funcionar muito bem. Porque haveríamos de mudar? Noutros momentos até poderemos ser injustos. Esta questão da justiça é relativa. Ali havia qualidade e foi este entendimento da coerência. Quando jogava havia uma coisa que gostava que os meus treinadores fossem: coerentes com o que dizem e fazem. É o que tento ser com os meus.

- Benfica foi a equipa que praticou o melhor futebol?
- Houve fases. Às vezes as últimas imagens são as que ficam. Lá está: Ederson e Victor foram as últimas que ficaram. Nélson Semedo foi o lateral que tinha este mundo e outro atrás dele no início. São fases. Tivemos períodos muitos bons. Houve uma coisa em que fomos muito fortes e digo isto com muita alegria e convicção: perceber que tipo de competição tínhamos pela frente e como tínhamos de jogar em determinados jogos. Esta ligeira nuance, sem mudar a identidade, é determinante nas equipas de topo. Não é fácil vir de Munique e os jogadores mudarem o chip em três dias para jogar contra o V. Setúbal, Académica ou quem quer que seja. Não é desprimor por estes clubes. Isto, objectivamente, é difícil para as equipas deste nível. Noutros países isso não acontece, mas em Portugal temos diferentes campeonatos. Então nós temos mesmo diferentes campeonatos: Liga dos Campeões, um campeonato entre Benfica, Sporting, FC Porto, SC Braga ou V. Guimarães, um campeonato com as outras equipas, e temos de olhar para estas diferenças com a maior naturalidade. Em Espanha, o Atlético Madrid sai de um jogo com o Bayern e a seguir jogar em casa do Valência e está toda a gente mobilizada. Muitas vezes o mais difícil é esta alternância. Daí que as nossas vitórias tenham sido com essa regularidade. Nisso fomos fantásticos. Os nossos jogadores: 'O quê? Isto o quê? Liga dos Campeões. O que é que está identificado?' Até porque fomos uma equipa na Liga dos Campeões e outra em determinados jogos do Campeonato, soubemos alternar isso. Aí fomos muito fortes. Agora, houve períodos que não jogámos muito bem. Mas ninguém faz 88 pontos, nem 29 vitórias se não tiver alguma coisa boa. Houve períodos muito bons, outros nem tanto. O Barcelona é a melhor equipa do mundo e, de repente, perdeu dez pontos de uma assentada. A vida é mesmo assim.

- Na Câmara Municipal de Lisboa, Luís Filipe Vieira disse que Rui Vitória é um homem de carácter, um grande condutor de homens e deu provas de competência. A mãe de Renato Sanches agradeceu-lhe a confiança que teve no filho dela, nas celebrações do título, ainda no relvado. Como é ouvir este elogios?
- É gratificante, obviamente, mas também é visto como muita naturalidade. O futebol é mesmo assim.

- Não acreditamos que não se emocione.
- Não é isso. É evidente que fico contente, interiormente. Não sou de grande expressividade. O futebol é assim: muitos que me bateram palmas nesta fase final se calhar foram os mesmos que no início estariam a dar palmadas no meu carro porque não gostavam de alguma coisa. A vida é assim. É evidente que mais do que as questões desportivas - e aí tocam num ponto importante - são importantes as questões de carácter e da parte humana. Atrás de qualquer profissional está o ser humano. Quando recebo elogios dessa matéria fico mais satisfeito. Posso dizer-vos que agradou-me mais ouvir alguém dizer 'obrigado, pela sua postura, pela sua classe, fez muito bem ao futebol do que as felicitações por ser campeão'.

- Foi aclamado nas ruas como um herói, durante os festejos do título. É assim que se sente, pelo menos um pouco?
- Não, herói não me sinto, nada disso. Sinto-me apenas uma pessoa que colaborou bastante, naquilo que era a minha parte, e acima de tudo sinto uma satisfação enorme e confesso porquê: que isto sirva de exemplo às pessoas. Houve muita gente que disse muita coisa ao início que não devia ter dito, houve muita gente muitas coisas no início porque era fácil dizer. Houve muita gente que disse muitas coisas no início porque outras estavam a dizer e o mais normal era seguir aquela linha. Hoje digo que se calhar muitos colegas meus perderam-se ou não tiveram a possibilidade de serem campeões ou fazerem uma boa carreira devido a esta máquina que pode consumir um treinador. É bom que as pessoas tenham calma e reflictam um pouco sobre isto, houve coisas ditas que não deviam ter sido ditas. É preciso pensar-se naquilo que está a dizer-se, senão depois... Vi muita gente a voltar para trás mas sei muito bem quem esteve comigo desde o início e não esteve, estão perfeitamente identificados.

- Houve uma altura em que era fácil bater Rui Vitória?
- Não é questão de ser fácil bater... Olhavam para o Benfica e pensavam onde podia estar a ferida. Alguém descobriu. O presidente, campeão nacional, os jogadores, muitos campeões nacionais, portanto era na parte do treinador que se podia esgravatar um bocadinho. Houve inteligência na forma de perceber onde se tocar no Benfica. Depois houve muita coisa que foi atrás dessa corrente e aí é que eu fiquei entristecido. Sinto-me satisfeito por ter feito ver às pessoas que é preciso ter calma. Que isto sirva de exemplo. Não sei como é que vai ser o meu futuro, se vou perder ou ganhar, estamos sujeitos a tudo, mas quando se fala não se pode esquecer que falamos de pessoas e que podemos estar a colocar em causa coisas que podem ferir muita gente. E agora tiveram de fazer marcha atrás.

- Os ataques do Sporting e sobretudo de Jorge Jesus ajudaram a unir o balneário do Benfica?
- É redutor. Esta equipa tinha de ter este caminho... Ao princípio, aliás, criticaram esta minha palavra, caminho, como se fosse uma coisa... Tudo aquilo que o Rui Vitória naquela altura dissesse... O caminho foi mesmo este, até sermos campeões nacionais. Essa (ataques do Sporting e de Jorge Jesus) foi uma das coisas que se calhar nos ajudaram, mas houve muitas conversas com o presidente que também ajudaram, as lesões de determinados jogadores também nos uniram ainda mais... Já disse e repito, é importante que não se faça deste título a vitória somente da coesão e da união. São aspectos fundamentais no carácter e na identidade de uma equipa, mas a nossa conquista não foi só disso. Posso arriscar-me a dizer isto: quem vir os nossos dois jogos com o Bayern Munique e os descascar do ponto de vista técnico-táctico, vê pouquíssimas equipas a fazerem o que nós fizemos em termos europeus. Portanto, não não chegámos aqui, demos as mãos, fizemos correntes e ganhámos. Não. Ganhámos com trabalho. Acima de tudo um trabalho muito bem feito da parte dos jogadores e com tudo aquilo que faz parte do crescimento de uma equopa. isto para dizer que não foram estritamente as questões relacionadas com o treinador do Sporting, isso contibuiu tanto como outras questões.

«Ainda tenho muito a ganhar»
(...)
- O presidente do Benfica recusou uma proposta de um clube chinês por si, no valor de €7,5 milhões. Se fosse um grande clube europeu faria diferença para si ou pode garantir que vai continuar no Benfica?
- Não penso em nada disso. Esta é a minha casa. Se calhar alguns treinadores pensariam de outras forma, e com legitimidade, não estou a criticar. Pensariam em ir embora e sair por cima porque vai ser muito difícil o Benfica repetir uma época com 88 pontos, 88 golos, 29 vitórias... Enquanto me sentir bem, não tenho razões para mudar. Se amanhã surgir algo logo se verá e falarei com o presidente. O Benfica é a minha realidade, é o melhor clube que posso representar e ainda há muito para fazer e muito para ganhar no clube.

- Corre o risco de ser vítima do próprio sucesso, porque colocou a fasquia muito alta.
- É a vida. Já me aconteceu isso em outros clubes. Sempre fiz os contratos de uma forma convicta e não a pensar que ficava uma no e depois ia embora. Estou de bem comigo e com a vida e isso é meio caminho andado.

- Quando chegou não quis falar em cadeira de sonho. E agora, depois de tudo o que viveu?
- Não vivo dessas coisas. Está é a minha casa, é onde me sinto bem, é o clube onde gosto de estar a trabalhar neste momento e onde me sinto realizado pelo sucesso que tivemos. Nunca fiz planos a longo prazo. Não sei onde irei parar e neste momento até podia estar em qualquer segunda divisão, porque há muito bons treinadores por esse país fora, mas a vida levou-me até aqui e estou muito bem.

- Depois do tricampeonato que escapava ao Benfica há 39 anos, o grande objectivo é oferecer aos adeptos o inédito tetra?
- Antes disso, dizer o seguinte: não há uma verdade absoluta sobre quem tem sucesso e quem não tem. É bom que as pessoas entendam isso, há várias formas de chegar ao sucesso. Nós provámos que, de outra forma, nem melhor nem pior, apenas diferente, com outras pessoas, com outra forma de estar, também se consegue ter sucesso. Esta foi uma das grandes alegrias que tive no final deste ano. Em relação ao futuro, claro que gostaríamos de conquistar o tetra, mas ainda estamos numa fase muito precoce. Vamos preparar as coisas com calma. Eu e o presidente, quando iniciámos este trajecto, sabíamos o risco que estávamos a correr, a mudar algumas ideias pré-concebidas, e não vamos abdicar dessa mudança de paradigma. Conseguimos mudar e ao mesmo tempo ter sucesso, agora vamos à procura de ganhar mais uma vez. Nunca se pode é dissociar a relação que tem de existir entre investimento e rendimento. Isto é algo que gostava que fosse levado em conta nas análises porque há treinadores que fazem grandes trabalhos com poucos recursos mas que não são reconhecidos só porque não ganham títulos. Há trabalhos muito mais difíceis do que o meu ou de outros que têm grandes recursos à sua disposição.

- Em Portugal só lhe falta ganhar a Supertaça. É importante entrar em 2016/17 a vencer?
- É importante, não por mim mas por ser mais um título para o Benfica, embora tenha algum orgulho por ter 46 anos e já ter as conquistas que tenho. Mas não é isso que conta, a Supertaça é o próximo troféu que o Benfica tem para tentar vencer. A nossa época ainda não acabou, e foi isso que disse aos jogadores. Uns vão para um lado, outros vão para outro, mas quem jogar a Supertaça estará a representar este grupo que teve um ano fantástico, que trabalhou, sofreu e lutou muito. Se porventura vencermos esse jogo, todos devemos lembrar-nos do grupo que nos conduziu até ali, embora já não estando todos juntos.

Discurso directo
«É prematuro (falar no eventual regresso de emprestados), mas foram todos muito bem acompanhados. Ainda depende de várias coisas»

«Quando entrei neste clube fui o primeiro a dizer que não se ganha só com formação. Vamos continuar a fazer o mesmo: ter à disposição um lote de jogadores que, pela qualidade, podem jogar na equipa principal e ser valorizados. Em determinados momentos da época vão ter a sua oportunidade. Podem e vão aparecer mais jovens já na próxima época mas não digo quantos nem quais. Se tenho uma ideia com o presidente, não vamos estar a andar para a frente e depois para trás»

«Não gosto muito de entrar em questões contratuais. O presidente irá resolver isso brevemente (renovações de Júlio César e Eliseu) mas são dois jogadores que tive o prazer de treinar e com os quais gosto de trabalha»

«Isso (eventual condição de suplente de Luisão e Júlio César na próxima época) é falar de pressupostos que não vale a pena colocar neste momento. Não vamos falar por antecipação. Confio em todos os jogadores que estão comigo»

«Nunca sabemos (se Salvio voltará a ser o jogador que era antes da grave lesão). Cada jogador tem a sua forma de evoluir nestas situações. É um jogador que dá gosto de ver trabalhar, pela forma determinada e abnegada. Procura superar-se dia a dia e isso é uma alegria. Faço votos para que volte novamente a jogar a um nível muito elevado, se possível comigo»

«Nunca andei atrás do confronto financeiro. Sempre joguei e treinei por prazer, embora o dinheiro seja importante para todos. Tenho uma máxima: o que era caro para mim há 10 e 20 anos continua a ser caro agora»

«Sinceramente até ao momento não vivi qualquer situação negativa. Sou muito reservado, mas é evidente que se for a um restaurante tenho de tirar algumas fotografias porque hoje em dia é a moda das selfies. Mudou o mediatismo mas tenho ido a salas de espectáculos, tenho visto teatro e ido a concertos. Faço a minha vida com satisfação, ainda que com algumas reservas e cuidados. Só fui incomodado positivamente, do género de não poder almoçar descansado, e de a meio da refeição estar quase com comida na boca e alguém me pedir para tirar uma fotografia porque tem de ir embora»

A importância do sucesso na Champions
(...)
- O Benfica de Rui Vitória pode ser o Leicester da Champions?
- Nunca é fácil, mas o primeiro passo é olhar para a competição, estudá-la bem e acreditar. É importante lutar porque temos capacidade para lá estar. Tivemos dois jogos com o Bayern em que fomos eliminados, mas por pormenores. Um ou dois erros objectivos de arbitragem, como os que aconteceram, podem fazer toda a diferença. Mas não vou entrar por aí. O sorteio também é importantíssimo. Mas o importante é que o Benfica olhe para aquela competição e queira ser como os clubes modernos, jogando de três em três dias e preparando as equipas para as diferentes provas. Tenho quase a certeza de que o Bayern veio buscar o Renato porque o viu passar à frente dos olhos, porque o viu a competir, mano a mano, com o Vidal, o Thiago Alcântara, o Xabi Alonso... Aquilo foi uma prova, isto sem esquecer que a partir da fase de grupos, metade da Europa está a ver o nosso jogo e a outra metade está a ver o outro.

«Não podemos relaxar, está fora de questão»
«Ainda estou a desfrutar deste final de época, mas é evidente que o sucesso obriga a mais sucesso, obriga, a maior exigência ainda. Tenho a consciência disso. Os treinadores vivem disto, um ano de trabalho e muitas dificuldades para ter um ou dois dias glória. Isso aconteceu-nos, há já um novo caminho para desbravar, e não podemos de forma alguma relaxar. Isso está fora de questão»
(...)
«Se isso acontecer, e nunca sabemos porque o mercado é sempre muito estranho, eu, a minha equipa técnica e o presidente vamos trabalhar de melhor forma e pensar em tudo o que é melhor para o Benfica. Mas é ainda é muito prematuro, vamos manter. A pior coisa que pode acontecer é eu pensar que estou no Benfica como se estivesse no Bayern Munique. No Bayern de Munique o treinador pode dizer que precisa de um jogador que meta bolas à distância, porque já lá tem os outros todos e só precisa daquele para acrescentar qualquer coisa. A nossa posição não é essa, mas sim fazer bons trabalhos e, acontecendo isso, ficar à mercê de quem tem maior capacidade financeira. As equipas portuguesas têm muita dificuldade em manter muitos jogadores»
(...)
«Uma coisa tenho a certeza: se conseguisse manter estes jogadores mais tempo, a probabilidade de fazermos uma equipa ainda melhor era uma realidade, mas já estou preparado para aquilo que aí pode vir. Vamos ver o que acontece com calma».

«Tentar arranjar cópias de quem sair é um erro»
(...)
«A pior coisa que podemos fazer é querer arranjar cópias de quem sai. É um erro. Se houvesse mais Renatos, o Bayern se calhar não o vinha buscar ao Benfica, ia à Colômbia ou a outro lado qualquer. Não tenhamos essa ilusão. Arranjaremos soluções, jogadores que tenham as características que precisamos, mas é cedo para abordar essas questões»
(...)
(Carrillo) «É um bom jogador, toda a gente reconhece isso, mas quanto ao fica ou vai temos de aguardar mais uns dias também»
(...)

As explicações que tem de dar às filhas
(...)
-Festejou com as suas filhas o título no Estádio da Luz? Elas são benfiquistas?
- Têm de ser do clube onde o pai estiver.

- E dão-lhe conselhos, reclamam?
- Tenho uma mais interessada pela bola.

- E diz-lhe 'Ó pai mete o Jonas'?
- Perguntam-me porque é que aquele jogo e porque é que o outro não joga.

- Dá-lhes explicações?
- Às vezes dou mais a elas do que aos jogadores.

- Tem dado umas pauladas na bateria?
- Menos, porque me dedico às minhas filhas, à minha família, e muito ao Benfica.

- E para quando um livro sobre este campeonato?
- Para já a escrita está de parte, mas talvez no futuro haja históricas para contar."

Entrevista de Nuno Paralvas e Gonçalo Guimarães, a Rui Vitória, in A Bola