Últimas indefectivações

sábado, 13 de maio de 2017

'Fechar' amanhã !!!

CAB Madeira 67 (1) - (2) 75 Benfica
15-21, 14-14, 19-22, 19-18

Recuperámos a vantagem... num jogo 'estranho' onde perdemos por larga margem a luta dos ressaltos, mas tivemos uma eficácia muito superior...
Eliminatória para fechar amanhã... no outro embate, o Galitos está a vencer por 2-1 e amanhã, em casa, podia eliminar o Guimarães!

Azia...!!!

Benfica 4 (1) - (2) 4 Reus

Estava no Estádio a festejar o Tetra, e a receber infos dos penalty's... tenho que admitir, que apesar da festa, fiquei chateado...! Mas quando fomos para os penalty's, com o 'nosso' Pedro Henriques do outro lado, fiquei logo com medo!!! Perdemos a oportunidade de fazer pela primeira vez o Bicampeonato Europeu... e logo num ano, onde o Barça voltou a perdeu nas Meias para a Oliveirense...
Voltámos a desperdiçar 'bolas paradas' atrás de 'bolas paradas'... Ainda temos o Campeonato para ganhar (não está fácil...) e a Taça, mas a próxima época tem que ser melhor preparada... o regresso do Pedro e a contratação do Vieirinha são boas notícias, mas o 'problema' das 'bolas paradas' tem que ser resolvido!

Margem mínima, "dá" o 3.º lugar !!!

ABC 27 - 26 Benfica
(12-11)

Apesar da derrota pela margem mínima, garantimos matematicamente o 3.º lugar... algo importante, já que nas últimas duas jornadas vamos defrontar os dois primeiros da classificação (inacreditável como mais um vez os Lagartos, permitiram a recuperação dos Corruptos... e agora, ficam à espera que o Benfica lhes entregue o Campeonato!!!).

Durante a semana, foi praticamente 'confirmado' que o Carlos Resende será o novo treinador do Benfica! Pessoalmente, acho que o Mariano fez um grande trabalho, mas sem 'omeletes' é impossível competir com equipas 'milionárias' !!! O Resende como treinador tem feito bons trabalhos, mas não faz magia...

Juniores - 11.ª jornada - Fase Final

Sporting 1 - 1 Benfica


Fizemos um bom jogo, acho que até fomos superiores, mas desperdiçamos demasiados golos...

Benfiquismo (CDLXVII)

Com tudo...

Uma Semana do Melhor... com José Augusto

Jogo Limpo... Crimes

Jornal...

Eriksson. “Uma palavra em português? Benfica”

"O "Questões do Forno Interno" entrevista o único treinador com dobradinhas em três países, agora a desbravar caminho na China. Cuidado, isto mete Ikea, sueca e Macieira.

Gostámos tanto tanto, mas tanto, da China que decidimos acampar por aqui. Se há uma semana é Manuel Cajuda, treinador de um clube da 3.ª divisão, agora falamos com um homem da 2.ª. Um homem especial pelo tom de voz, pela simplicidade do ser e pela quantidade de títulos. Para começar, é o único treinador de sempre a juntar campeonato mais taça no mesmo ano em três países. Primeiro na Suécia (IFK Gotemburgo 1982). Depois em Portugal (Benfica 1983). Finalmente em Itália (Lazio 2000). Se a isso juntarmos o facto de ter chegado a três finais da Taça UEFA por clubes diferentes (IFK 1982, Benfica 1983 e Lazio 1999), está o caldo entornado. Que categoria, chi-ça. Sven-Göran Eriksson é o nome de quem se fala. Actual treinador do Shenzhen, terceiro classificado da 2.ª divisão, é um craque em todos os sentidos. Aos 69 anos de idade (Cristiano Ronaldo nasce no mesmo dia de Sven: 5 Fevereiro), ainda irradia vontade de fazer história como treinador, a sua profissão desde 1977.  
- Mr. Eriksson, good morning.
- Boa noite.

- Tem razão. Mr. Eriksson, boa noite.
- Ahhhh, agora sim. Boa noite.

- Ufff, fala português [um português-assuecado, vá]. Sabe mais palavras?
- Benfica.

- Muito bem. E mais?
- Tudo bem?

- Tudo, claro.
- Como te chamas?

- Daqui Rui Miguel Tovar.
- Tovar? Conheço esse nome há muuuuitos, muitos anos. Jornalista português, certo? Entrevistou-me algumas vezes, na RTP.

- Esse é o meu pai.
- Ah, boa boa. Um bom pai leva sempre o filho pelo bom caminho.

- Bons tempos, esses das entrevistas com o meu pai na RTP?
- Uyyyy, claro que sim. Fui para um país magnífico, que conheci de Norte a Sul, e dei continuidade à minha carreira, com títulos.

- Quem é o responsável pela sua contratação?
- Um visionário chamado Fernando Martins.


- Visionário, como? Afinal, o Eriksson tinha ganho a Taça UEFA pelo IFK Gotemburgo na época anterior.
- Vou responder em duas fases. Era visionário pela sua filosofia: salários normais, prémios de jogo altos. E era visionário porque viu em mim qualidades para liderar uma grande equipa europeia como o Benfica. Eu só tinha 34 anos e era sueco, de um país sem tradição no futebol mundial.

- O que fez ele para contratá-lo?
- Reuniu os dirigentes e explicou-lhes a ideia. Muitos deles torceram o nariz ao meu nome, um desconhecido, ainda por cima da Suécia, e ele simulou um ataque cardíaco. A secretária dele estava de conluio e chamou logo uma ambulância. Grande confusão. O meu nome foi avante mas 18 dirigentes demitiram-se contra a decisão de Fernando Martins de me contratar.

- Eis Eriksson em Portugal. Ainda se lembra do primeiro dia?
- É uma boa história.

- Conte.
- Aterrámos em Lisboa e a minha mulher apresentou-se, sem querer, com uma camisola verde e brancas às riscas.

- Como o Sporting ou como o Rio Ave?
- Como o Sporting, ahahahah. Imagina lá isto. O presidente Fernando Martins avisou-a simpaticamente para nunca mais o fazer, ahahah.

- E ainda se lembra do primeiro jogo?
- Claro que sim, nunca se esquece. Primeira jornada do campeonato. Ganhámos 1-0 ao Espinho, em campo neutro [São João da Madeira], com um golo de Humberto Coelho.

- E do primeiro jogo na Luz?
- Também me lembro, óbvio.

- [silêncio daqui]
- [silêncio dali]

- Então, qual foi o resultado?
- Ahahahah, julga que não sei: 3-0 ao Boavista.

- E, já agora, o plantel. Lembra-se de fio a pavio?
- A mudança na minha vida foi tão positiva, da Suécia para Portugal, que todos esses momentos são inesquecíveis. O presidente era um visionário-corajoso, o estádio era enorme, lindo, os adeptos eram aglutinadores e a equipa era mágica. Veja lá os jogadores com nível de selecção: Bento, Pietra, Bastos Lopes, Humberto, Veloso, Álvaro, Shéu, Carlos Manuel, José Luís, Alves, Chalana, Diamantino, Nené, Filipovic, Stromberg, Manniche e por aí fora. Tive a sorte de conquistar esses jogadores e de nos darmos todos muito bem.

- Que época.
- Digo-lhe mais sobre essa época de estreia: só perdemos duas vezes em 49 jogos: 1-0 em Alvalade com o Sporting e 1-0 em Bruxelas com o Anderlecht, na 1.ª mão da final da Taça UEFA. Ganhámos campeonato e taça.

- Qual taça?
- A de Portugal. Fizemos a dobradinha.

- Com quem é essa final?
- Isso tem história rica em acontecimentos. É aquele Porto-Benfica nas Antas.

- Ahhhhh, a taça fora de época?
- Isso, em Agosto.

- Houve um problemazinho, não houve?
- É uma maneira de colocar as coisas, ahahahah. O presidente Fernando Martins não achava normal uma final da Taça entre Porto e Benfica nas Antas. O caso arrastou-se e fomos de férias sem o resolver. Em Agosto, lá fomos jogar.

- E o Benfica ganhou?
- Ganhámos, sim. Um-zero com golo do Carlos Manuel. Um daqueles pontapés de fora da área. Ele era extremamente importante nesse tipo de lances e resolvemos muitos jogos assim. Esse do Porto é só um deles.

- Começava aqui a lenda de Eriksson nas Antas.
- Às vezes, ganhava lá.
- Há aquela histórica vitória nas Antas com dois golos do César Brito.
- Ahhhh, esse jogo também dava um filme.

- Dá para contar?
- O autocarro da nossa equipa é travado pelos adeptos, inclusive apedrejado uma vez, já perto do estádio, e temos de ir a pé até às Antas, a carregar sacos, por entre adeptos e mais adeptos, debaixo de insultos. Foi [compasso de espera, à procura da melhor palavra] intimidante. Entrámos no estádio, por fim, e o balneário está fechado com um cadeado.

- Fechado, como assim?
- O presidente Pinto da Costa dera ordens para só abrir a porta a uma hora do início do jogo. Quando o encontro no meio dos túneis, ele diz-me: “Respeito-o muito, Sr. Eriksson, mas guerra é guerra.”

- A porta do balneário abre-se mesmo a uma hora do início do jogo?
- Abre-se eeeeee é um cheiro que nem se pode. Intenso. Aquilo não dava para estar ali, simplesmente não dava. Equipámo-nos no túnel, há fotos disso e tudo.

- E depois, e depois?
- Fomos a jogo.

- Com três centrais.
- Ricardo, Paulo [Madeira] e William. No meio, Thern e Paulo Sousa. À direita, Paneira. À esquerda, Veloso. No ataque, Valdo a 10 mais Rui Águas a 9. Ao lado dele, Pacheco.

- Ao intervalo, 0-0.
- Correto.

- Aos 80 minutos, 0-0.
- Correto.
- No banco, Magnusson, Isaías e César Brito.
- Fiz entrar o César Brito.

- Saiu o Pacheco.
- Correto. Foi a melhor substituição da minha carreira. Já dei voltas à cabeça e admito-o. Ahahahahahah. O César Brito entrou e revolucionou o jogo. Na primeira vez que toca na bola, 1-0. Na segunda, 2-0. Fomos campeões nacionais.

- O Eriksson ainda volta às Antas mais uma vez.
- Hum?

- Pela Sampdoria.
- Pois foooooi. Estava em modo Benfica e, de repente, fala-me da Sampdoria.

- Taça das Taças.
- Sim, lembro-me perfeitamente. Aliás, nunca mais me esquecerei de me reencontrar com o grande Bobby Robson. Quando eu ainda não tinha ganho nada, viajei até à Inglaterra para ver ver um jogo do Ipswich, treinado por ele. Perguntei-lhe se podia falar-lhe por cinco minutos e ele convidou-me para me sentar ao seu lado no banco, durante o jogo do dia seguinte, com o Aston Villa.

- Uau, que honra.
- Apareci na televisão e o jogo deu em directo na Suécia. Os meus pais encheram-se de orgulho e eu nem lhe conto. Ainda não havia telemóveis nem emails, senão seria bonito.

- E esse reencontro com o Robson no Porto?
- Ele tinha ganho em Génova, na 1.ª mão. Um golo do Iuran, se não me falha a memória [e não falha, não senhor]. Nas Antas, nós copiámos o resultado com um golo do Mancini.

- Reencontra-se também com Pinto da Costa?
- Antes do jogo, lembro-lhe aquela vez com o Benfica em 1991 e ele ri-se. No fim, sou eu quem se ri: 5-3 nos penáltis [falha Latapy, decide Lombardo].


- O Eriksson sempre foi um homem sorridente. É a sua imagem de marca.
- Chamavam-me Ice Man em Inglaterra.

- Cá, o Eriksson é o Macieira Man.
- Ahahahah, essa é boa. Que memórias belíssimas.

- Lembro-me dos cartazes na rua e dos anúncios nas páginas de revistas. Aquela foto é mítica. Como é que tudo isso aconteceu?
- [Eriksson continua a rir-se] [ainda está a rir-se] [é agora?] [nãããããã, só mais um pouco, se faz favor] Foi o meu agente que fez um acordo com o senhor da Macieira e passei a usar aquele chapéu branco com a tira preta. 

- Grande lance de marketing.
- Marketing pré-histórico, isso sim. Que aventura.
- Aproveitou, ao menos?
- O quê?

- Alguma vez bebeu Macieira?
- Macieira e outras bebidas desse tipo. Eram boas. E também conheci o tal senhor, muito, muito simpático.

- Três títulos de campeão português em quatro anos é dose.
- Foi um período óptimo, como lhe digo. A qualidade do Benfica era excepcional.

- Por isso é que Eriksson chega a duas finais europeias?
- Isso mesmo, era uma equipa fabulosa. Tanto a 1983 como a de 1990. Havia bons jogadores, bom ambiente, boa estrutura.

- E um bom treinador.
- Ahahahah. Obrigado.

- Como é que se perdem duas finais europeias?
- O Anderlecht em 1983 era um portento, era quase a selecção belga com um ou outro estrangeiro de renome. Perdemos lá por 1-0. Cá, a Luz já estava abarrotada a três horas do início do jogo. O ambiente era magnífico e tudo parecia estar bem encaminhado com o golo do Shéu. Só que eles fizeram o 1-1 e stop. A festa foi deles. Pena para o clube, que merecia aquela taça pelo caminho exemplar até à final, sem uma derrota sequer. E pena para aqueles adeptos que seguiam o Benfica para todo o lado. Era incrível vê-los em qualquer parte da Europa, fosse em Bruxelas Roma ou Sevilha.

- Fala-se de problemas com o Alves no jogo da 2.ª mão.
- Comigo? Não creio, não me lembro. Lembro-me, isso sim, é de ele ter sido suplente nesse jogo, por opção técnica. Entrou aos 62’ e depois disse-me que se tivesse sido titular, o Benfica não teria perdido a taça. Ahahahah, gostei. Ele era muito corajoso na forma como se dirigia às pessoas.

- Em 1990, é a final da Taça dos Campeões com o Milan.
- Um ataque de sonho: Gullit e Van Basten. Daí para trás, era só isto: Rijkaard, Evani, Ancelotti, Baresi, Costacurta, Maldini, Tassotti. Enfim.

- Diz-se que soa um apito das bancadas no golo de Rijkaard. Que é isso que trava a defesa do Benfica.
- Também ouvi isso, mas não me parece. Aldair subiu ligeiramente mais do que devia e o Rijkaard apareceu naquele espaço para se isolar. O Milan era um exemplo na arte de aproveitar o mínimo deslize. As equipas italianas, no geral.

- Diz o Eriksson, campeão italiano pela Lazio em 2000.
- Esse é outro momento grandioso. Uma equipa que não era campeã desde 1974.

- No plantel, dois portugueses: Sérgio Conceição e Fernando Couto.
- Dois excelentes seres humanos. Jogadores top, da grande selecção portuguesa do Euro-2000.

- No Europeu seguinte, o de 2004, Eriksson volta à Luz.
- À nova Luz. E para viver dois momentos arrepiantes.

- Dois?
- O primeiro é aquela derrota com a França, na primeira jornada da fase de grupos. O Lampard faz o 1-0 e depois temos um penálti. Infelizmente, o Barthez defende o remate do Beckham. Na parte final, Zidane marca duas vezes. De livre directo e de penálti. A frustração foi imensa. Só naquele dia. Depois, a Inglaterra acertou o passo e conseguimos passar aos quartos-de-final.

- Aí é Portugal.
- Portugal de Scolari, o homem que nos eliminou no Mundial-2002 (Brasil 2 Inglaterra 1). Nesse jogo, conseguimos a vantagem por Owen na sequência de um erro de Portugal. Depois, o Rooney lesionou-se. Tinha dito, dias antes, que só vira um jogador de 18 anos exibir tanta qualidade numa fase final e esse era Pelé em 1958. Agora, Rooney. Ele estava com uma força e uma vontade imensas. Aquele lance em que se lesionou diminuiu as nossas possibilidades. Fiz entrar o Vassell, que conhecia bem e até o estreara na selecção. Aliás, na estreia, ele marcou um belíssimo golo de bicicleta. Só que o Vassell não era o Rooney. E Portugal aproveitou para empatar. No prolongamento, outro 1-1 em golos. Nos penáltis, é aquilo que toda a gente.

- No Mundial-2006, mais do mesmo.
- Aí sem o Rooney, de novo. Ele foi expulso. Arrastámos, por assim dizer, o jogo para os penáltis num ambiente intenso em Gelsenkirchen, com o estádio fechado. Ouviam-se os adeptos como se estivessem ao meu lado, no banco. Penáltis e adeus Mundial.

- Saiu triste da Inglaterra?
- Foi o trabalho mais difícil da minha vida e o lugar mais alto da minha carreira. Uma vez, encontrei o então Primeiro-Ministro Tony Blair no aeroporto de Luton e ele meteu-se comigo: ‘Vamos ver quem aguenta mais tempo no cargo’. Queria ganhar, claro, mas fui sempre eliminado nos quartos-de-final: Mundial-2002, Euro-2004, Mundial-2006.

- Sempre por Scolari.
- Ahahah, é verdade. Aqui na China, também já perdi um campeonato para ele.

- Sente saudades de Portugal?
- Saudade é uma palavra bem portuguesa. Bonita. Carregada de sentimento. Sinto saudade, claro. Vivi grandes momentos.

- Lembra-se ainda dos nomes dos estádios, por exemplo.
- Sporting, Alvalade. Porto, Antas. Braga, 1.º de Maio. Guimarães, D. Afonso Henriques. Faro, São Luís. Setúbal, Bonfim. Marítimo, Barreiros.

- E mais coisas de Portugal?
- Cascais.

- Vivia lá, não era?
- Verdade. Os meus vizinhos eram Strömberg e Manniche.

- E mais?
- A Marginal, que vista, e o trânsito, ahahahahah.

- E ainda não havia Ikea no tempo do Eriksson.
- Ahahahahah, o Ikea já existia na Suécia antes de eu nascer. A minha primeira casa na Suécia foi toda do Ikea. Gostava do Ikea para entrar e comer.

- Comer?
- Óptima comida sueca.

- Há Ikea na China?
- Há oito. Um deles aqui, em Shenzhen.

- É grande?
- Grande? Enooorme. Na lista dos dez maiores Ikea’s do Mundo, oito são da China. Isto é um mundo à parte.

- Como passa o tempo aí na China, a jogar à sueca?
- Ahahahah. Jogava muito em família, lá em casa. Era à sueca e ao póquer.

- Dava-se bem?
- [silêncio] Nem por isso. Perdia quase sempre, ahahahah.

- No futebol é bem diferente.
- Ganhei muitos títulos, muitos amigos e belas memórias. Tudo de bom. Quero continuar a acumular essas experiências. Até quando?

- Até sempre.
- Não consigo deixar de ser treinador. Adoro treinar. É mais uma vocação do que uma profissão. Acordo e quero sair para treinar, jogar. Não sei fazer mais nada. Se vou de férias, aborreço-me em pouco menos de um mês. Ahahahahah."

Perigos de um título que não está ganho

"O FC Porto empatou na Madeira, o Benfica venceu em Vila do Conde, e os dragões, apenas aparentemente, atiraram a toalha ao chão. Agora o FC Porto já não pode ganhar o Campeonato, mas o Benfica ainda o pode perder.
Basta o Benfica ficar perto do sucesso para os rivais entrarem em clima de pré-guerra civil, desta vez resolvido com o anúncio de uma boda. Eu acho bem, gosta de bodas, são sempre festas bonitas.
Jorge Jesus, que era na voz dos ministros da informação do Iraque leonino, o melhor treinador do mundo, passou a dispensável, no tal projecto que ainda ninguém percebeu o que é e passou até a culpado principal na voz de alguns mal agradecidos.
Nuno Espírito Santo, que fazia desenhos à Porto, jogava à Porto, pensava à Porto, passou a portador de todos os males e culpado de todos os insucessos. Na ânsia de encontrar culpados, terei que ser eu a divergir. Para mim Nuno Espírito Santo é um treinador competente e Jorge Jesus, hoje, como ontem, é um excelente treinador. Aconselho os adeptos rivais a não serem tão simplistas nas análises, encontrar soluções é sempre mais difícil e útil que encontrar culpados.
Por mim quero apenas concentrar-me no meu Benfica e esperar que o Benfica esteja concentrado para me (nos) dar o 36. Enquanto muitos clamam pelo tetra, eu valorizo o objectivo do 36.º título de campeão nacional. Enquanto outros se comparam na paróquia, eu comparo com Juventus, Real Madrid ou Bayern. É assim o Benfica dos meus sonhos, grande, enorme, incomparável como a paixão que milhões sentem por ele.
Que hoje seja o último dia com 35 campeonatos nacionais. Amanhã Rui Vitória poderá fazer história, merece fazer história, até porque só queremos ganhar pelo Benfica e pelos benfiquistas."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vamos a eles...

O nosso destino é o de vencer

"Dois jogos, dos pontos para o tão ambicionado. Está quase! E pensar que tudo começou com dois golos que calaram assobios nos descontos de uma partida frente ao Gil Vicente da segunda jornada da temporada 2013/14...
Falta o quase! A vitória em Vila do Conde foi excepcional. Que grande exibição da nossa equipa, focada, determinada e imune à pressão frente a um excelente adversário. À Benfica, numa palavra. E quando assim é, surgem as vitórias e conquistam-se os títulos. Só à Benfica venceremos o Vitória de Guimarães e depois, só depois, poderemos festejar o 36.º Campeonato do nosso palmarés, o 'bi18' que tanto importunará os anti-benfiquistas primários do Lumiar, o tetra que porá a nu a fragilidade andrade de uma estrutura já muito despida desde que foi exposta no youtube e que, sentido-se protagonista de uma crónica de uma morte anunciada, não se coíbe agora de usar Salazar na sua propaganda infame, desprezível e desesperada para desviar as atenções do regresso à sua condição subalterna, tanto a nível desportivo como social, relativamente ao Benfica...
Sobretudo, se chegarmos ao título que tanto merecemos, este cimentará uma realidade que se tem vindo a solidificar e simultaneamente nos orgulha e os deprime. O Benfica reencontrou-se com o seu destino! E o nosso destino, como diz a música, 'é o de vencer'.
E é com a mesma mentalidade que a nossa equipa de voleibol terá que defrontar amanhã o Sporting de Espinho. Ponto a ponto, seremos campeões, assim consigamos estar ao nosso nível. Confio na capacidade da nossa equipa para celebrarmos mais uma conquista! E o mesmo se aplica aos nossos hoquistas na final four da Liga Europeia.
O Benfica é enorme!"

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Obrigado, Pizzi

"Luís Miguel nasceu em Bragança em 1989. Começou a jogar futebol no clube da terra, assinou pelo Sporting de Braga, mas acabou emprestado ao Ribeirão, ao Sporting da Covilhã e ao Paços de Ferreira. Sucessivamente. Depois veio o Atlético de Madrid, em Agosto de 2011, anunciar que o transmontano ia passar a jogar de vermelho e branco. Nessa época, mas já em 2012, fez parte da equipa que acabaria por vencer a Liga Europa. Mudou-se para a Corunha, como emprestado, no verão desse ano e lá foi marcando o seu golo da praxe na Liga, mas o Deportivo desceu de divisão. Voltou a apresentar-se em Madrid para nova temporada, mas o SL Benfica chegou-se à frente e contratou-o por quatro anos. O primeiro dos quais foi emprestado ao Espanhol. Ficou toda a época em Barcelona e em 2014 voltou à Luz. Para ficar. E ganhar. E jogar. E encantar. E calar os críticos, os peritos em coisa nenhuma que pensam ter capacidade para chamar à atenção o grande herói da conquista do Tetracampeonato.
Calma lá! O Benfica ainda não é Tetra.
Pois não, mas vai ser. E sabem porquê? Porque ele merece. Por tudo o que tem feito esta época, por carregar o piano, por inventar soluções, por defender, por atacar, por jogar com cabeça, não responder a provocações e continuar a fazer valer cada centavo de cada euro gasto num bilhete.
Pizzi, obrigado."

Ricardo Santos, in O Benfica

So VAR so good

"A introdução do Video-árbitro (VAR) no futebol português é uma boa notícia e merece ser saudada. Está de parabéns a Federação Portuguesa de Futebol, sobretudo o seu presidente, Fernando Gomes, que dá mais uma prova cabal da sua competência.
Com o VAR haverá mais verdade desportiva? Sem dúvida! Com o VAR serão reduzidos vários erros de arbitragem? Não duvido! Com o VAR desaparecerão todos os problemas do futebol português? Claro que não! Concordo com Rui Vitória quando disse que quem está convencido de que o VAR vai ser o remédio para todos os males está redondamente enganado.
Se fizermos uma análise a todos os jogos do Sport Lisboa e Benfica nesta Liga, chegaremos à conclusão de que nas 32 partidas já disputadas não foram assinalados 22 penáltis a favor do líder da prova. Não se trata de uma gralha, leu bem - 22 penálties por marcar a nosso favor. Além dos três em Alvalade, outros três no Funchal, frente ao Marítimo. Curiosamente, os dois únicos jogos e que perdemos na Liga fomos claramente prejudicados por penálties não assinalados - em Setúbal (1) e no Funchal (3).
Na época anterior, em que conquistámos o Tricampeonato, ficaram 18 penálties por assinalar. Basta fazer as contas - em duas épocas, o Benfica foi espoliado em 40 penálties! Basta domar 18 e 22! 
Parece exagero, e lido desta forma chega a ser chocante. Mas é verdade! Ou seja, com o VAR o SL Benfica teria, neste momento, mais 12 pontos na Liga, e o Tetra estaria conquistado há várias jornadas. Por isso, quando ouço os demagogos de pacotilha a reclamar créditos em relação à introdução do VAR, só me apetece dizer - 'Venha ele!' "

Pedro Guerra, in O Benfica

Tão perto, tão perto

"Numa jornada extremamente importante, na qual muitos previam que o Benfica vacilasse, foi a nossa equipa que mostrou ter o estofo de que se fazem os campeões.
Outros falharam onde não queriam falhar. Nós entrámos com tudo, frente a um adversário difícil e combativo. Vestimos o fato-macaco, e ganhámos com inteira justiça, dando mais um passo rumo ao ambicionado “Tetra”.
Antes faltavam três finais. Agora pode faltar apenas uma. Foi esse o salto que a noite de Vila do Conde nos permitiu dar. Numa jogada, avançámos duas casas. Não mais que isso.
Estamos numa situação invejável, mas ainda não ganhámos nada.
Sei que é difícil conter as emoções quando se vê o objectivo tão próximo. É como o aluno que estudou, que se preparou bem, que sabe toda a matéria, que é o melhor da turma, mas ainda tem de fazer o exame final – no qual, obviamente, não pode falhar.
Não há, pois, espaço para deslumbramentos ou facilitismos. Se os nossos jogadores entrassem em campo a julgar-se já tetra-campeões, certamente perderiam com um Vitória de Guimarães forte e motivado. Tenho a certeza de que isso não irá acontecer. A concentração vai ser total, o desejo de vencer estará no nível máximo. Teremos de jogar com mesma fibra do Domingo passado para não ter dissabores, e para não carregar uma pressão supletiva para o último jogo - que nos pode custar muito caro, como um passado ainda recente bem demonstrou.
É um lugar na história que está em causa. Há que ser optimista, confiante, mas também prudente. 
Depois de muitos “jogos do título”, este sim pode vir a sê-lo. Acredito que vá sê-lo. Terá de ser jogado como tal."

Luís Fialho, in O Benfica

A segunda alteração à lei da corrupção desportiva

"A Lei n.13/2017, de 2 de Maio, procedeu à segunda alteração ao regime de responsabilidade penal por comportamentos susceptíveis de afectar a verdade, a lealdade e a correcção da competição e do seu resultado na actividade desportiva.
A lei que criou este regime foi a n.º 50/2007, de 31 de Agosto, a 1.ª alteração foi feita pela Lei n.º 30/2015, de 22 de Abril, e agora veio a segunda alteração.
Esta última alteração é significativa. A redacção final de alguns artigos não foi a mais feliz, mas a ideia foi abranger todos os agentes desportivos na prática de crimes desta natureza, aumentar a pena de alguns crimes, permitir, à imagem da prisão preventiva, que seja aplicada preventivamente uma medida de suspensão de funções e criar um novo crime, para os agentes desportivos que, entanto envolvidos numa competição, façam apostas por si, ou mandem fazê-las.
Além de todas estas alterações que por falta de espaço nos abstemos de comentar, interessa-nos a criação do novo tipo de crime que nesta lei foi previsto.
Este tipo de crime foi agora inserido num novo artigo, o 10.º A, que reza assim:
Artigo 10.ª A
Oferta ou recebimento indevido de vantagem
1 - O agente desportivo que, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, directa ou indirectamente, no exercício das suas funções ou por causa delas, sem que lhe seja devida, vantagem patrimonial ou não patrimonial, ou a sua promessa, de agente que perante ele tenha tido, tenha ou possa vir a ter pretensão dependente do exercício dessas suas funções, é punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa até 600 dias.
2 - Quem, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, der ou prometer a agente desportivo, ou a terceiro por indicação ou conhecimento daquele, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, no exercício das suas funções ou por causa delas, é punido com pena de prisão até 3 anos, ou com pena de multa até 360 dias.
3 - Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes.
Eu sei, o direito é assim chato, maçudo, pouco demagogo e muito 'frete', mas ressalta logo uma verdade, este tipo de crime que agora foi criado não existia.
Comparando com o art.º 10.º A não exige que a vantagem patrimonial de destine a alterar ou falsear um qualquer resultado desportivo. Basta dar ou receber!
Por isso é inquestionável que a história do Kit Eusébio não foi crime, porque, para existir este, exigia-se que a sua entrega visasse alterar ou falsear o resultado, o que manifestamente não era.
Mas seria agora?
Será crime apenas se essa oferta não couber nas condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes.
É muito criticável que, nunca matéria tão sensível como esta, o legislador continue a utilizar conceitos muito vagos e indeterminados, que não ajudam à pacificação do mundo do futebol e que permitem toda a demagogia, encenanologia e especulação. É que não existe, em lado nenhum, uma definição clara e concisa do que são usos e costumes e condutas socialmente adequadas.
Os esquimós, como forma de hospitalidade, oferecem as suas mulheres aos que os visitam. É verdade que não estamos no Circulo Polar Árctico, e por isso esta lei não se lhes aplica, mas os usos e costumes da Ilha da Madeira e dos Açores não são exactamente os mesmos que no continente.
Nessas ilhas, as pessoas são mais amistosas e menos traiçoeiras, e por isso temos, pelo menos, duas realidades para uma única lei.
Confesso que me irrita esta falta de definição, pois deixa ao critério da política e dos juízes definir o que é isso!
Como sempre, que está na linha da frente tem de fazer alguma coisa, mas o meu conselho é muito claro - Que ninguém mais peça, ou entregue nada a ninguém, pois mesmo bilhetes podem ser considerados como fora do uso e costumes, e, se estamos perante agentes desportivos, estamos todos feitos!
Entretanto, se descobrirem rivais a pedir, ou a entregar, não hesitem, cumpram o agora art.º 6.º do mesmo diploma, Denúncia Obrigatória. É obrigatório denunciar.

P.S. Festas de homenagens a ex-árbitros em outras funções, é crime!

Até para a semana."

Pragal Colaço, in O Benfica

A Encenagogia

"A imagem e o som são em directo. Sabedores desta realidade, todos se esforçam em círculo fechado por 'postarem' vídeos e sons que retratem situações que lhes interessam como justificadoras dos seus fracassos. Nada melhor o que o 'online' e possuírem um título de qualquer coisa importante na organização do clube/SAD, com a ajuda de uns quantos avençados nos meios de comunicação social. É esta a triste realidade dos nossos dias.
Demagogia é um termo de origem grega que significa 'arte ou poder de conduzir o povo'. Subjacente a esta técnica está uma vontade implícita de manipulação da massa popular, valendo-se da utilização de argumentos apelativos, emocionais ou irracionais, em vez de argumentos racionais, com objectivos pessoais muito definidos.
Mas pior do que a demagogia será a encenagogia! A encenagogia é a arte de manipular as situações da vida, criando-se à vontade do seu criador, com a finalidade de realizar objectivos pessoais muito bem definidos.
É a arte de criar factos da vida, utilizando as peças de cuja manobra são 'donos', para provocar os factos da vida que querem que aconteçam.
Esta ainda é mais perigosa e fulminante!"

Pragal Colaço, in O Benfica

«Nada está garantido»

"- Esteve quase a sagrar-se tetracampeão pelo Benfica em 1973/74, e depois em 1977/78...
- Pois foi. Comecei com o Jimmy Hagan, que na quarta época no Benfica, em 73/74, teve um desaguisado e ficou o sr. Fernando Cabrita à frente da equipa. Acabámos por não ganhar, mas são coisas que acontecem... O que correu mal? Aquilo que se pôde apontar, creio, foi essa mudança estrutural. Saiu um técnico que tinha ganho três anos seguidos e aconteceu o que aconteceu. Mas ainda era muito novo nessa altura.

- O tetra era palavra que ecoava muito pelo balneário do Benfica nessas ocasiões?
- Não, não se falava muito nem de tetras nem de tris's. Ganhava-se e pronto. Mas havia anos em que esperavam que ganhássemos e não conseguíamos. Felizmente ganhávamos muitas vezes.

- Como tem encarado, então, esta perspectiva de ver o Benfica fazer história com o primeiro tetra?
- Quem me conhece sabe que eu gosto das coisas certas e neste momento nada está certo. Faltam dois jogos, dificílimos. No nosso tempo, quando empatávamos em casa, os sócios quase viravam os carros dos jogadores. E houve um assim, com o Guimarães, em que empatámos... Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não estou à espera de festejar, estou à espera que o Benfica ganhe. Se o fizer, festejamos.

- Esta euforia instalada entre os adeptos e o falar-se tanto da festa pode afectar a equipa?
- Acho que esta equipa tem os pés bem assentes no chão e o Rui Vitória, pelo que conheço dele, é terra a terra. Não vai fazer a festa antes do tempo. Há dois jogos ainda, nada está garantido.

- Como se costuma dizer, o Vitória de Guimarães, certamente, não quer fazer de bombo da festa...
- Nem vem cá passear. Vem fazer o seu papel, talvez colocar em prática algo tendo em vista a final da Taça. Foi das melhores equipas que vi esta época jogar à bola, por isso está onde está."

Entrevista a António Bastos Lopes, in A Bola

Os Papas, Bruno, Jesus e o Benfica

"Ao contrário do que teria sido normal, não se abateu sobre o Benfica, ao longo da semana, a pressão mediática expectável perante a possibilidade de haver campeão nacional já amanhã. Rui Vitória, que assumiu como missão, mal o árbitro deu por terminado o jogo em Vila do Conde, meter na cabeça dos seus pupilos que nada estava ainda ganho, deve ter agradecido uma conjuntura que lhe permitiu trabalhar em paz.
Neste particular, as convulsões por que o Sporting está a passar saltaram com naturalidade para o topo da agenda mediática dos desportivos e abafaram as demais questões. E a visita papel a Fátima, por outro lado, recebeu justificada atenção e espaço dos generalistas, libertando o Benfica do foco principal. Só hoje se regressará ao tema do tetra com mais força, embora com as relações entre Sporting e FCP também a merecerem cuidada análise.
Em tese, há que aplaudir dois clubes que normalizam procedimentos, é esse o caminho que deve ser seguido. Porém, esta aproximação entre dragões e leões tem como pano de fundo uma indesmentível necessidade estratégica de marcharem em ordem unida contra um Benfica que está a impor um ciclo hegemónico no futebol nacional. Trata-se, sobretudo, de uma coligação negativa, susceptível de aprofundar o fosso entre clubes, promovendo soluções, musculadas (se houver força para tal).
Diz a história que destes acordos há sempre um clube que sai muito ais beneficiado que o outro. E diz a história também que Pinto da Costa, nesta universidade da política do futebol, tem licenciatura, mestrado e doutoramento. Bruno de Carvalho que se cuide."

José Manuel Delgado, in A Bola

Das relações de conveniência

"Os casamentos por conveniência são o que são. Não têm amor. Neles não existe paixão, apenas interesse - de uma ou de ambas as partes. E por derem de conveniência têm destino traçado: acabam quando deixam de interessar - a uma ou a ambas as partes. Admito que uma vez por outra a conveniência até possa dar lugar ao amor, mas é raro. E não será, de certeza, o caso do reatar da ligação, mais ou menos sentimental, entre Sporting e FC Porto, que decidiram agora juntar-se depois de anos separados. A ideia - ou melhor, a base da ideia que nos é apresentada para oficializar a coisa, a pacificação do futebol português - até tem valor.
Mas não sejamos anjinhos. O reatar de relações institucionais entre leões e dragões serve (até pelo timing escolhido se vê isso) apenas como uma união de facto (porque falar em casamento seria de mais...) com um interesse comum: atacar a hegemonia do Benfica, à beira de se sagrar tetracampeões. Condenável? Nada disso. São estratégias, e no futebol português já percebemos que para ganhar todas as estratégias são válidas.
A questão é saber se terá efeito. Porque no fundo, aquilo que Sporting e FC Porto acabam por admitir - além da extraordinária admissão dos dragões de que os leões têm afinal mais quatro títulos de campeão nacional, uma luta que Bruno de Carvalho não dá por perdido - é que sozinhos não conseguem contrariar a máquina que Luís Filipe Vieira construí na Luz. Talvez uma aliança possa ajudar a resolver a questão. Talvez sim.
Mas há, nesta relação concreta, um problema que lhe vaticina um fim prematuro: mesmo que consigam acabar com a hegemonia do Benfica, Sporting e FC Porto não podem ganhar ao mesmo tempo - e nem Bruno de Carvalho nem Pinto da Costa estão em condições de adiar o título por muito mais tempo. Ou seja, quando (se) o primeiro objectivo for cumprido, vão começar as primeiras discussões.
E um casamento sem amor, já se sabe, não lhes resiste."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PS: Tudo isto até podia fazer sentido, não fosse tudo falso!!! Já que este 'casamento' não passou de uma cortina de fumo, para 'esconder' mais uma reunião preparatória da cartilha anti-Benfiquista!!! Mas alguém acredita, que um casamento deste nível, seria discutido entre funcionários dos clubes e não Presidentes ou Vice-presidentes?!!!

Liga dos amigos

"Num momento em que se vive aparente estabilidade política nas organizações do nosso sistema desportivo, não existindo sinais de crispação, e quando a maioria teve eleições recentes, parecem estar reunidas as condições para uma reflexão sobre o nosso modelo desportivo.
Não valeria a pena sem a pressão dos resultados, sejam eles desportivos ou políticos, discutir e propor um plano estratégico para o desporto que incluísse a discussão do modelo?
Qual o papel do desporto no ensino e o seu papel como factor de inclusão e desenvolvimento?
Revisitar as funções do Comité Olímpico de Portugal (COP) e da Confederação do Desporto de Portugal (CDP) no nosso modelo organizacional. Sendo de todo essencial um interlocutor forte numa lógica construtiva e não colaboracionista para representar o movimento associativo junto da tutela e dos demais agentes. Será ele o COP, a CDP ou justifica-se a existência dos dois?
Avaliar as consequências para o desporto da fusão do Instituto Desporto de Portugal (IDP) e do Instituto Português da Juventude (IPJ). O Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) tem ou não os meios necessários para cumprir as suas funções e assegurar o seu papel fulcral no desenvolvimento do desporto nacional?
As Federações desportivas têm delegados poderes públicos, sendo necessário assegurar a sua correcta e eficiente utilização. As federações têm um modelo de funcionamento e controlo que assegurar o exercício dessas funções? Têm sido capazes de cumprir o seu papel? Com o actual modelo de financiamento será exequível?
Esta discussão deveria ser participada e aberta. Não estando condicionada à partida por um vício das estruturas desportivas nacionais e internacionais: o circuito fechado. À semelhança do modelo europeu do desporto deve ser aberta a todos e não fechada e na qual só se entra por convite."

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CDLXVI)

King & Duke !!!

Aquecimento... a caminhada ainda não acabou!

A voz da experiência...

Café da manhã !!!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Rumo ao tetra (ou... os vencidos da vida... contra o Benfica)

"Este ano, a confirmar-se a nossa vitória, qual vai ser a tese? Essa que já por aí anda, de que ninguém merece ganhar este campeonato.

Se tudo correr normalmente - e as técnicas das polícias secretas, de que alguns têm tantas saudades, não tornarem o previsível impossível - então, diria (com alguma segurança), que o Benfica tem muitas hipóteses, muitas, mesmo, de conquistar o seu 36.º campeonato nacional e o 1.º tetra da sua riquíssima história no futebol português!
Eu sei que ainda não ganhámos nada e desse mesmo estado de espírito (que não sinto) dei conta na segunda feira passada, na SIC, repetindo, à saciedade, que «... o título ainda não estava decidido»!!!
Não estava, ainda não está, ... mas pode vir a estar!
Ou - melhor - espero... mesmo... que sábado esteja.
Apesar do respeito que a todos nos merece o Vitória, a realidade (do ponto de vista de um benfiquista) não poderia ser tão madrasta que nos levasse a, nos seis pontos em disputa, perder... 5, num claro exercício de pôr a lei das probabilidades de pernas para o ar...
Para isso, já bastou 2012/2013, com o Estoril...
E, pela mesmo lei das probabilidades, um novo caso desses ainda demorará muito tempo a repetir-se.
E - já agora, se não for pedir muito - com quem na altura for à frente, para que sejamos nós, Benfica, os campeões!

1. Rumo ao tetra - dois campeonatos (33 e 34) ganhos à rasca... apesar de termos o mestre da táctica
Pois este rumo ao tetra (que começou por ser ao 34, depois ao 35 e, agora, ... ao 36), lembrar-se-ão bem, começou, até, muito mal. Com uma derrota na Madeira, numa deslocação muito difícil.
Difícil como sempre é uma deslocação à Madeira (se o Benfica conseguir o tetra, terá perdido 2 vezes em 4 jogos nos Barreiros).
Difícil para o Benfica, claro, porque para outros, que precisavam de lá ganhar para alimentar o sonho de impedir o nosso tetra, era um jogo fácil (mas isso são contas de outro rosário... que não de Fátima).
Pois nesse tempo - apesar desse péssimo começo, na senda do que havia acontecido na época anterior, em que tínhamos perdido 3 finais, nas Antas, em Amesterdão e no Jamor - já a culpa era do Benfica.
Quis a história e a incompetência de outros que o atraso que normalmente dávamos fosse recuperado, para acabar como 2.º título de alguém em 5 anos de Benfica!
Seguiu-se o 34, o do bicampeonato, com uma saída do melhor treinador do mundo (3 títulos de campeão em 6 anos) a cheirar a vingança, logo endeusada por quem, odiando o Benfica, via nessa saída o fim de um ciclo.
Mas se até aí havia inveja ao Benfica, essa ideia de vingança cedia, por vezes, à bajulação incompreensível perante alguém que tem a maior máquina de propaganda que há memória no futebol português, sem que ao produto anunciado corresponda, em absoluto ou com alguma razoabilidade, o que sai, em cada jogo, do pacote que vimos em exposição para venda!

2. Rumo ao tetra - um campeonato ganho (35)... apesar de serem outros que jogaram melhor
Com a saída desse produto futebolístico sobre-avaliadíssimo para o Sporting, estavam reunidas as condições para serem confirmadas as duas teses jornalísticas mais desejadas das últimas décadas do futebol escrito luso!
Que o Benfica, sem Jesus (1.ª tese), voltava aos caminhos do sofrimento futebolístico, porque o mestre da táctica - 2.ª tese - iria arrasar (e arrasar-nos) no seu novo clube!
Sabemos como começou esse campeonato.
E lembramo-nos bem como essa diferença pontual inicial trouxe para a discussão pública a ideia - veiculada por tanto avençado - de que ele era o special one... numa versão para consumo interno!
A arrogância, a sobranceria, o desprezo acabaram como mereciam... ou seja... em 2.º lugar!
Restou esse argumento - com prémios entregues e tudo, numa das cenas mais patéticas do jornalismo desportivo português - de ter sido dos outros o melhor futebol praticado nesse campeonato (como se a história registasse a parte estética e não a eficiência pontual).

3. E este ano (a confirmar-se), o 36, ... apesar de ninguém e merecer ganhar
Pois este ano - presumindo que as probabilidades não fazem nenhuma surpresa, e com a convicção de que nenhum jogo está ganho antes de acabar - a confirmar-se a nossa vitória, qual vai ser a tese para o desmerecerem?
Aquela que por aí já vai aparecendo, embora timidamente, para não assustar os que se irão atravessar por ela.
A de que - na verdade... rebéubéu, pardais ao ninho - ninguém o merece ganhar!
Sem mais!!!
Se já não há espaços para elogiar o mestre da táctica e se a vergonha e o mínimo de decência que por lá ainda vai havendo os impede de dizer que foram outros quem praticou o melhor futebol, então nada melhor que recorrer ao método dos concursos literários quando os júris consideram não haver nenhuma obra merecedora da atribuição do 1.º prémio.
Esquecem-se que não ganha quem eles querem, nem podem levar a taça para casa sem a entregarem, se não ganhar o clube deles.
E como também não podem dar o 1.º lugar a quem fica em 2.º, por ser, em si, uma contradição nos próprios termos, vai de inventar que... ninguém merece ser campeão!
O Sporting porque, depois da expectativa do ano passado, os fez engolir uma data de sapos vivos.
O Porto porque, pese embora a tentativa de levar ao colo, teimava em cair, de cada vez que estava a chegar onde os tais arautos da imparcialidade queriam.
E nós, ... porque não gostam de nós (o que não sendo uma razão, é uma razão mais do que suficiente para eles)!

4. Em conclusão...
Ora, feitas as contas, e para alguma dessa malta (que não a do Benfica), foi Jesus que ganhou 2 dos últimos 4 campeonatos, ... noutro foi do Sporting o melhor futebol e no que ainda está a decorrer não devia haver vencedores porque... ninguém o merece ganhar

Ainda assim, os Aliados continuam apenas com adeptos do Benfica a festejar, a CMP vazia sem ninguém para receber, a CML, a fazer as honras ao campeão e o Marquês todo vermelho!
Rumo ao 36.

E se, para o ano, quiserem chamar-lhe outra vez Liga Salazar e eu a festejar o 37 (e o penta... como lhes doeria, mesmo)... que lhe chamem isso ou outra coisa qualquer... desde que seja nosso!
Mas para já, e porque (não sendo loucos da cabeça) sabemos que nada está ganho, ....
Benfica, Benfica, ... Dá-me o 36!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Aperitivo agradável...


Benfica 5 - 0 São João

Trabalho feito... dois golos logo de entrada, facilitaram a eliminatória.
Permitindo a rotação para o jogo das Meias-finais com o Sporting...

Contas antes da conta final

"O Benfica está a um passo de ser tetracampeão. Mas ainda falta o quase, ou seja, o pequeno passo da incerteza para a certeza. Gostei da atitude serena e bastante responsável da equipa em Vila do Conde. É o que espero no sábado frente a um magnífico Vitória de Guimarães. Desejo que não seja necessário esperar pela derradeira jornada e que os festejos deste notável e inédito ciclo comecem no grandioso Estádio da Luz.
O certo é que o Benfica é líder desde a 5.ª jornada. Líder isolado. Numa prova em que, mais do que fogachos ou notas artísticas logo seguidas de notas desafinadas, é necessário antever, planear e realizar as longas 34 jornadas com critério, serenidade, elevado profissionalismo e coesão de todos os intervenientes. Também aqui, o Benfica tem sido o melhor, o mais estável, o mais rigoroso. Merece ser campeão.
Aliás, desde a 25.ª jornada do campeonato anterior em que passou a ser líder depois de bater o Sporting em Alvalade, temos 44 jornadas em que o Benfica só não foi primeiro (e isolado) classificado nas 4 primeiras jornadas da presente temporada. Coisa  de somenos para os despeitados.
Se fizermos a classificação entre os melhores - ainda faltando o Benfica - Vitória - podemos ver já algumas definitivas. Entre os chamados 3 grandes: 1.ª Benfica, 6 pontos (o único, sem derrotas); 2.º Porto, 5 pontos; 3.º Sporting, 4 pontos. Se juntarmos o 4.º e 5.º classificados, o Vitória de Guimarães e o Braga: 1.ª Benfica (menos um jogo) e Porto, 15 pontos; 3.º Sporting, 9 pontos; 4.ª Braga, 7 pontos; 5.º Vitória, 4 pontos (menos um jogo)
O Vitória de Setúbal é o campeão de pontos tirados aos grandes 9 (5 ao Benfica e 4 ao Porto)!"

Bagão Félix, in A Bola

«Existe pressão para o tetra, mas é boa, traz mais força»

"Venceu oito campeonatos pelo Benfica, mas falhou o tetracampeonato três vezes. Sempre em ano de Mundial. Com as águias à beira do inédito quarto título seguido, Toni recorda histórias antigas e alerta contra os perigos da euforia que vem de fora. Os jogadores, acredita, têm consciência do peso histórico que têm nos ombros.

- Esteve três vezes à beira de um tetracampeonato, em duas dessas vezes venceu os três campeonatos seguidos. Mas faltou o quarto título seguido...
- Perdemos sempre o tetracampeonato em ano de Mundial. Em 1970 (México), 1974 (Alemanha) e 1978 (Argentina). Maldição? Nada disso. Para isso já bastou a do Guttmann.

- Em que altura esteve mais próximo o tetracampeonato?
- Esteve quase, mas faltou sempre o quase. Em 1969/70, o Sporting foi campeão. Em 1973/74, vencemos os dois jogos com o Sporting. Em Alvalade, ganhámos 5-3, três semanas antes do 25 de Abril. Foi a última aparição pública de Marcello Caetano. Nesse ano perdemos também a Taça de Portugal com o Sporting, no prolongamento. Fomos para o intervalo a vencer 1-0, o Eusébio entrou para o meu lugar na segunda parte, e sofremos o golo do empate já perto do fim do jogo.

- Em 1977/78, o FC Porto foi campeão na diferença de golos...
- Empatámos 1-1 com eles na Luz, depois 1-1 nas Antas. Estamos a ganhar 1-0, o Shéu cruzou para o Humberto Coelho, mas o cabeceamento foi à trave. Era o 2-0. Depois, a sete minutos do fim, o Ademir fez o golo do empate.

- O tetracampeonato era uma obsessão?
- A única obsessão era o de ser campeão. Era o nosso objectivo todos os anos. O Benfica conquistou muitos campeonatos na década de 70, mas existirão anos de transição. Em 1972/73, os pontas de lança do plantel era, Nené, Jordão, Eusébio, Artur Jorge e Vítor Baptista. Mas o nosso objectivo, o dos jogadores do FC Porto e do Sporting era ser campeão. Mas sabíamos que estávamos próximos de fazer história com o tetracampeonato.

- A história está agora próxima de ser alcançada...
- Como os jogadores do Benfica sabem que estão muito perto de fazer história. Em 113 anos, o Benfica nunca conseguiu alcançar o que agora está tão perto. É uma pressão acrescida para o tetra, mas é boa, traz mais força.

- Esse encontro com a história não pode trazer ansiedade à equipa no jogo com o V. Guimarães?
- Pode, como é óbvio. Pode trair os jogadores. Mas não me parece. Há muita euforia, mas vem de fora, não vem de dentro. Os jogadores têm noção da página que podem escrever. Podem chegar à glória. Mas ainda falta o quase. Em 2013, o Benfica tinha cinco pontos de avanço a três jornadas do fim e não foi campeão. Aprendeu com isso. Agora tem os mesmos cinco pontos de avanço, mas só faltam dois jogos para o final do campeonato.

- O tetracampeonato está muito próximo. Considera que o Benfica tem condições boas para depois procurar o quinto título consecutivo?
- Primeiro é preciso vencer este campeonato. O Benfica fez uma travessia no deserto de 11 anos, de 1994 a 2005. Nesse período cometeram-se muitos erros na construção dos plantéis, abriram-se as portas a muita mediocridade. Ao invés o FC Porto, com a estabilidade de ter o mesmo presidente, foi mais certeiro na construção de plantéis. O Sporting cometeu os mesmos erros. O Benfica só estabilizou quando montou esta estrutura. Agora, se o Benfica continuar com esta estrutura montada, ficará sempre mais perto da glória."

Entrevista de Rui Miguel Melo, a Toni, in A Bola

Bruno e Jesus - o jogo de xadrez

"Bruno de Carvalho e Jorge Jesus frente a frente. No meio, um tabuleiro de xadrez. Estão ambos os jogadores muito concentrados. Percebem que o próximo movimento é particularmente importante. Jesus aguarda, com natural expectativa, o movimento de Bruno. O presidente não tem pressa. Quer jogar pela certa. Ele sabe que peça que movimentar irá decidir este jogo tão complexo.
E é exactamente assim que as coisas estão em Alvalade. Não é verdade que Jorge Jesus tenha colocado o adversário em xeque. Ele limita-se a tentar perceber a estratégia. Saber se alguma coisa de significativo mudou. Uma coisa é certa: Jesus tem algumas dúvidas sobre se ainda estão do mesmo lado do tabuleiro. Não sabe se ainda vão ter de jogar um contra o outro. Espera que não.
Fora da sala, a expectativa cresce e as informações cruzadas assobiam como balas. É preciso todo o cuidado para não alterar a verdade do jogo.
Nenhum dos jogadores tem feitio para abandonar o jogo a meio. Alguém vai ter de assumir o que por aí vier, sabendo-se que no tempo presente a maior probabilidade é a de Jorge Jesus continuar o projecto-Sporting.
Jesus continua, no entanto, pacientemente à espera da próxima jogada de Bruno, mas acredita que não seja agressiva. O facto do presidente ter movimentado bispos e torres para enviar mensagens de paz e de sossego foi apreciado pelo treinador e levou-o a pensar que tudo acabará em bem.
Lentamente, o jogo desenrola-se. Falta, porém, a jogada final e essa só pode pertencer a Bruno de Carvalho. Pelo que indicam os sinais, acaba em paz. Até à próxima guerra."

Vítor Serpa, in A Bola

Nada está ganho

Ganhar os dois !!!

O futebol num secreto desejo de regressar às origens

"Há qualquer coisa de invulgaridade nos jogos de manhã. Falta-lhes tempo. Falta-lhes aquele ritual de deixar as horas correr e esperar. Esperar e esperar.
Deixar as horas passar, para quando finalmente chegar a altura certa sentir que aquela não é uma hora qualquer: é uma hora que vale por todos os minutos.
É um ritual de paciência que faz parte de nós.
Mas não justifica tudo. Não justifica, por exemplo, o encanto de um sol matinal. Não justifica a emergência de somar: conversas, passeios, amigos, aventuras.
As manhãs têm mais luz, mais emoção e mais ambições. Têm o dia todo pela frente e vivem cada instante com a urgência de um jovem: querem experimentar tudo, abraçar tudo, rir tudo, viver tudo. Cada minuto é celebrado como se fosse uma proeza.
As manhãs são das crianças que acordam cedo e dos idosos que não conseguem dormir até tarde. São dos avós e dos netos, que têm a mesma vertigem por existir.
Só existir.
A vida para eles é uma dádiva e cada manhã é um prémio. Por isso saem de mãos dadas a descobrir o mundo por debaixo de uma cama de nuvens azuis.
As manhãs são das famílias que encontram tempo para partilhar. Dos pais que querem ver os filhos crescer, o que por um capricho infeliz não é possível quando não estão juntos.
Dos amigos que combinam ir almoçar, à volta de uma mesa cheia de cervejas e de conversas.
As manhãs têm mais luz do que as noites. Mais abraços sinceros, sorrisos francos e conversas honestas. Têm mais gente saudável. Têm mais afeição, simpatia e cordialidade.
À noite não há por do sol, mulheres de biquini na praia ou metro a partir da uma.
Por isso o futebol durante o dia, seja de manhã ou à tarde, tem mais leveza: sem o peso grave da noite, quando todos os gatos são pardos e todos os galos estão calados. Sem a carga de um dia que acaba, sem o fardo que tem a palavra fim.
Porque não há nada mais belo do que um início. Mesmo um que se repete todos os dias.
Um jogo com luz do dia é um convite às famílias, às mulheres, às pessoas que acordam cedo e são mais felizes por isso. Como, aliás, Alvalade mostrou no último domingo, ou como o dérbi da cidade do Porto tinha mostrado há um ano.
É até um convite ao regresso às nossas origens, e às origens do próprio futebol.
Não deixa de ser curioso, de resto: o mundo nunca foi tanto uma aldeia e os povos nunca desejaram tanto a independência das suas comunidades. Na Catalunha, no País Basco, na Crimeia, na Chechénia, na Ossétia do Norte, na Morávia, na Flandres ou no Curdistão.
No fundo querem saltar fora deste tanque global e regressar às origens. Que é precisamente o que os jogos de manhã representam: o regresso ao princípio de tudo.
Ao futebol sem torres de iluminação mas com os estádios cheios."

Benfiquismo (CDLXV)

Altaneira...

Lanças... contenção, cautelas, ansiedade, atitude... !!!

O Valor Económico do Desporto: O caso exemplar da Inglaterra

"As políticas desportivas em Inglaterra e em todo o Reino Unido têm uma longa tradição e são usadas estrategicamente para fomentar a prática desportiva aos seus diferentes níveis, bem como para aumentar o valor económico, social e cultural do desporto no seio das diferentes comunidades locais, regionais e mesmo da nacional.
Perdem-se no tempo as traduções exemplares de várias dessas políticas desportivas, passando por vários governos, e que estabeleceram quadros de referência a partir dos quais foi sendo possível melhorar a percepção do valor do desporto e transformar as suas estruturas organizativas de modo a possibilitar o desenvolvimento das modalidades e o nível de sucesso competitivo ao mais elevado nível internacional.
Tem sido possível estudar o valor económico do desporto em Inglaterra ao longo dos últimos anos, no âmbito das actividades da agência governamental “Sport England”, segundo uma metodologia de investigação específica que permite elucidar um conjunto diversificado de áreas e subsectores em que aquele valor económico do desporto se expressa, dando desse modo uma noção do valor completo do impacto (em relação com a economia mundial) e do valor económico (em termos de bem-estar ou utilidade) do desporto.
Os trabalhos de investigação e os estudos sucessivamente realizados no Reino Unido e em Inglaterra têm concluído que o desporto beneficia os indivíduos e a sociedade, e é uma importante parcela da economia nacional, contribuindo significativamente em termos de despesa, actividade económica (medida usando o Valor Acrescentado Bruto – VAB) e emprego.
O último estudo realizado em Inglaterra, publicado em 2013, permitiu chegar às principais conclusões sobre o valor económico do desporto naquela nação como sendo as seguintes:
(1) Em 2010 a actividade relacionada com o desporto gerou um VAB de 20,3 biliões de libras, representando 1,9% do valor total da Inglaterra. Este valor posicionava o desporto como uma das 15 indústrias de topo em Inglaterra e mais relevante que sectores como a venda e reparação de veículos motorizados, os seguros, os serviços de telecomunicação, e os serviços de advocacia, de consultoria de gestão e de contabilidade.
(2) O desporto e a actividade relacionada com o desporto dá suporte estimado a mais de 440.000 empregos a tempo completo, representando 2,3% de todo o emprego em Inglaterra, sendo 65% derivados da participação no desporto e os demais 35% do consumo afecto ao desporto. Mas o conhecimento científico já anteriormente adquirido permite afirmar que o desporto também gera um leque de mais extensos benefícios, quer para os indivíduos quer para a sociedade, como a investigação realizada ao longo de anos tem demonstrado, e que são os seguintes:
(i) O bem-estar e felicidade dos indivíduos que nele tomam parte, a melhoria da saúde e da educação, uma redução da criminalidade dos jovens, benefícios ambientais, estímulo à regeneração e ao desenvolvimento comunitário (impactos de índole local e regional), e benefícios para os indivíduos e para a sociedade em geral através do voluntariado;
(ii) Os benefícios do consumo afecto ao desporto incluem o bem-estar e felicidade dos espectadores, e o orgulho nacional e o “sentimento de realização” (“feel good factor”) através do sucesso e desempenho desportivos (individual, de equipa ou nacional);
(iii) O valor económico do desporto em termos de saúde e voluntariado, que em Inglaterra está estimado em 2011/2012 ser de 2,7 biliões de libras por ano para o voluntariado, e de 11.2 biliões de libras por ano em termos de saúde (que subentende a categoria normalmente denominada de bem-estar).
Mas o impacto económico do desporto, segundo a metodologia usada em Inglaterra, resulta de duas categorias de actividades: a da participação no desporto, que resulta da prática desportiva e da despesa a ela associada, e a do consumo no desporto, que decorre da visão comercial de vários tipos de consumos associados ao desporto.
Vejamos então cada uma dessas categorias em detalhe.
O impacto económico da participação no desporto (isto é: a prática desportiva e a despesa associada) representou 11,78 biliões de libras de VAB (58% do valor total do desporto), correspondente a 15,5 milhões de ingleses que praticavam desporto uma vez por semana e mais 21 milhões que apenas o praticavam uma vez por mês. Desta participação no desporto resultavam também 4,9 biliões de libras em educação desportiva por fornecedores voluntários, mais 4,4 biliões de libras por pagamentos de mensalidades em serviços desportivos (quotas de ginásios e similares), 1,2 biliões em equipamento desportivo, 1,2 biliões em desportos clubísticos (“participation sports”) e ainda mais 80 milhões de libras em vestuário para a prática de desporto.
Já o impacto económico do consumo no desporto (ponto de vista comercial) representou 8,5 biliões de libras de VAB (os restantes 42% do valor total do desporto), correspondente a 4,4 biliões das subscrições de televisão por satélite, 1,1 biliões de libras de assistência por espectadores, e 1,5 biliões por equipamentos desportivos para lazer.
Ainda podem, todavia, acrescentar-se outros dados relevantes sobre a relevância económica do desporto como os seguintes:
• 3,2 milhões de pessoas doaram uma hora semanal ao desporto;
• Existiam 6.000 organizações voluntárias de desporto na Inglaterra;
• O voluntariado associado ao desporto representaria cerca de 2,7 biliões de libras;
• 75 milhões foi o número de vezes que as pessoas pagaram para ver um evento desportivo em Inglaterra em 2012, dos quais 42 milhões terão sido para o futebol e 11 milhões para os eventos dos Jogos Olímpicos ;
• Os benefícios para a saúde decorrentes do desporto terão ascendido a 11,2 biliões de libras, como já anteriormente se referiu (e incluem o “bem-estar” e o “sentimento de realização”).
Este conjunto de elementos caracterizadores do valor económico do desporto em Inglaterra são relevantes não apenas em si-mesmos mas também porque permitem criar uma percepção da valia multidimensional do desporto no espaço nacional e suscitar em torno desta nobre actividade humana os espaços de reflexão e decisão para a melhoria do sistema desportivo, a concepção de estratégias de desenvolvimento que incluam quadros de financiamento e a assunção de objectivos aos diferentes níveis da pirâmide desportiva (da base até à elite), e ainda também a indispensabilidade da formulação e implementação de políticas públicas desportivas que tenham horizontes temporais alargados e possibilitem a concretização efectiva de visões e objectivos ambiciosos.
E em Portugal?
O valor económico do desporto com a profundidade do exemplo de Inglaterra que acabámos de referenciar nunca foi feito. Desconhecem-se os seus impactos, o valor sectorial, há um cálculo aproximado para o seu emprego e nada mais. E por se desconhecerem elementos daquele teor também é possível ao governo agora em funções ter anunciado no seu programa uma “nova agenda para o desporto” e continuar como no passado sem que exista um único documento onde se realize uma análise aprofundada do desporto e se perspective uma estratégia para o seu desenvolvimento num horizonte temporal de médio prazo. Um país que continua a desconhecer o valor económico do seu desporto não pode pretender ter com ele uma expressão cabal e valiosa para a sua comunidade nacional, ainda que possam existir sucessos competitivos ocasionais mesmo em termos internacionais."